O grupo Jerónimo Martins vai financiar em cerca de cinco milhões de euros um projeto de reflorestação com espécies autóctones de 2.500 hectares de baldios em Arganil, maioritariamente em baldios, na Serra do Açor, fustigados pelos incêndios de outubro de 2017. Para a aplicação do projeto, foi criada uma associação privada sem fins lucrativos, composta pelas dez associações de compartes envolvidas, contando com um Conselho Estratégico, onde têm assento a Jerónimo Martins, Câmara Municipal e Escola Superior Agrária de Coimbra. Visão.
Recortes de notícias ambientais e outras que tais, com alguma crítica e reflexão. Sem publicidade e sem patrocínios públicos ou privados. Desde janeiro de 2004.
terça-feira, 30 de junho de 2020
França: Macron calvalga onda verde e promete 15 mil milhões para combater crise climática
- Emmanuel Macron prometeu 15 mil milhões de euros para medidas de combate à crise climática nos próximos dois anos e um referendo sobre a possibilidade de introduzir o crime de “ecocídio” por prejudicar o meio ambiente. As medidas foram anunciadas poucas horas depois de os candidatos ambientais terem provocado uma onda verde em toda a França, com grandes vitórias nas eleições locais. The Guardian. Câmaras com presidents «verdes»: Annecy, Bordeaux, Grenoble, Lyon, Marseille, Poitiers, Strasbourg e Tours.
- Paris tem mais de 1.000 km de ciclovias. Para quem desejar começar a pedalar, a Velib, até ao fim de julho, oferece um mês de assinatura grátis para novos utentes. Sortir à Paris.
- Investidor dá vida nova a grande projeto de carvão do Ártico, titula o The Barents Observer. A Arctic Mining Company, maioritariamente detida pelo milionário russo Roman Trotsenko, vai investir forte na extração de carvão na tundra de Taymyr, na Sibéria. «Não há bons motivos para qualquer país incluir carvão nos seus planos de recuperação da Covid-19. Está na hora de investir em fontes de energia que não poluem, geram empregos decentes e economizam dinheiro», escreveu, por coincidÊncia ou não, António Guterres, no Twitter.
- A russa Norilsk Nickel admitiu que resíduos líquidos foram bombeados para a tundra, um mês depois de uma filial ter poluído vários canais do Ártico com diesel. A empresa afirmou que os técnicos responsáveis tinham sido suspensos por violar as regras. AFP/DW.
- A Chesapeake Energy, até agora a segunda maior empresa de gás dos EUA, vai entrar em falência, informa a CNN.
- No Brasil, fiscais do Ibama dizem que militares atrapalham combate ao desmatamento. ClimaInfo, 29 de junho de 2020. ClimaInfo.
Reflexão - A extrema-direita alemã está a infiltrar-se em grupos ambientalistas defendendo a proteção da terra
Os extremistas exploram a nostalgia rural e a raiva dos agricultores pela globalização para veicular ideologia, escreve Philip Oltermann no The Guardian.
Os seus teóricos consideram a ecologia como as "joias da coroa" da direita "roubadas" pelo movimento verde de esquerda na década de 1970 e defendem a redefinição do conceito, afastando-o da Klimaschutz (proteção climática) em direção à Heimatschutz (proteção de pátria). Vários artigos alertam para o perigo que os parques eólicos representam para espécies de aves "nativas" da Alemanha e das "florestas de contos de fadas".
Eles são contra a globalização e consideram que "a população do mundo precisa ser estabilizada a um nível mais baixo - caso contrário, enfrentamos um colapso ecológico irreversível".
Um de seus líderes mais proeminentes nas redes sociais é Björn Höcke, que, na Turíngia, é o líder do partido de extrema-direita Alternative für Deutschland, ala nacionalista,considerado fascista por um tribunal alemão no ano passado.
Mão pesada
Neptune (Europe) Ltd foi multada em 17.350 libras por incumprimento das regras de reciclagem aplicadas a cartão, plásticos e paletes. A multa foi convertida em subsídio à Wiltshire Wildlife Trust para investimentos em 4 projetos de conservação. GovUK.
Bico calado
- «(…) recordamos que Ventura está de licença do cargo de funcionário público que tinha como jurista na Autoridade Tributária. Neste momento, ele usa a experiência que adquiriu ao serviço do Estado para beneficiar a Finpartner, a empresa de planeamento fiscal que pertence a dois portugueses denunciados pelo ICIJ pelo seu envolvimento no escândalo dos Panamá Papers. Ventura não quer combater os corruptos, ele quer ajudá-los a tirarem fortunas de Portugal para escondê-las em offshores.(…)» Uma página numa rede social, FB.
- O antigo primeiro-ministro francês François Fillon e a sua esposa foram condenados, respetivamente, a 5 e a 3 anos de prisão, a pagamento de multa de, cada, de 375 mil euros e impedidos de concorrer a eleições durante 10 e 2 anos, respetivamente. Penelope foi, durante 15 anos, assistente de François Fillon e, como tal, paga pelo erário público. Só que nunca houve evidências de qualquer trabalho. EuroNews.
- «Nos primeiros meses do surto de Covid-19 - quando os hospitais dos EUA enfrentaram uma escassez crítica de equipamentos de proteção e expuseram o pessoal médico da linha da frente a riscos desnecessários - centenas de toneladas de máscaras médicas foram despachadas em aviões nos aeroportos dos EUA para a China e outros destinos para compradores estrangeiros, escreve Lee Fang, na The Intercept. Uma ideia concreta do que aconteceu - incluindo os tipos de máscaras enviadas, os preços e os destinos das remessas - ainda estão envoltos em mistério. Isso acontece porque o governo federal esconde a divulgação detalhada dos transportes aéreos da opinião pública. O serviço de alfândegas e fronteiras dos EUA permite apenas a divulgação pública de dados detalhados de carga para remessas enviadas e recebidas por via marítima, não por via aérea. E quase todos os fretes de máscaras faciais destinados ao mercado externo foram feitos por frete aéreo. O motivo das regras comerciais opacas? Manobras políticas pouco conhecidas pelo setor de aviação e seus lobistas no Capitol Hill, que retiraram uma proposta para substituir os requisitos de divulgação numa lei de 1996 sobre tarifas.
- Denny Tamaki, governador de Okinawa, rejeitou os planos dos EUA de basear mísseis na ilha capazes de ameaçar a China - aparentemente como parte da iniciativa do presidente Donald Trump de desafiar Pequim e melhorar a importância de Taiwan, a 500 quilômetros da ilha. Okinawa compreende mais de 150 ilhas no mar da China Oriental entre Taiwan e o Japão. A ilha alberga cerca de 26.000 militares dos EUA, cerca de metade do total das Forças dos Estados Unidos no Japão, espalhados por 32 bases e 48 locais de treino. IDN.
- Suketu Mehta (13): «O colonialismo não foi apenas uma empresa europeia. Embora nunca tenha havido um "Império Americano", a história dos países da América Central desde o seu início como estados é uma história dos Estados Unidos intervindo sempre que escolhe substituir líderes políticos que não se vergam à vontade americana ou servem os interesses corporativos americanos. No século XX, os Estados Unidos apoiaram ditadores sedentos de sangue, como Efrain Rios Montt, da Guatemala, e Anastasio Somoza, da Nicarágua, com armas, tropas e dinheiro. Estas intervenções deixaram os países na bancarrota, privados de serviços sociais e empresas prósperas. Muitas tentativas de criar indústrias locais ou de promover políticas de assistência social que promovem a riqueza da elite apoiada pelos EUA para as populações indígenas foram vetadas em Washington; os líderes que apoiavam essas mudanças foram acusados de comunistas e substituídos pela força das armas a outros mais maleáveis.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019
- A reabilitação liberal de George W. Bush está praticamente completa, com o seu sucessor Barack Obama a declarar que o 43º presidente estava comprometido com o estado de direito, apesar de todas as evidências em contrário, escreve Nat Parry na Consortium News. Se o Obama de 2008 pudesse falar hoje com o Obama de 2020, poderia lembrar-se de que Bush lançou uma "guerra idiota" no Iraque, violando a Carta da ONU, lançou um programa ilegal de vigilância dos norte-americanos e que ele estabeleceu uma colónia penal na Baía de Guantánamo, Cuba, violando as convenções de Genebra.
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Almada: autarquia poderá ser intimada a repor situação original do acesso à praia da Fonte da Telha
- O processo de asfaltamento dos acessos à praia da Fonte da Telha está a ser avaliado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Esta autoridade admite que poderá intimar a Câmara a repor a situação original. E enquanto a Zero apresenta queixas junto desta entidade e da Inspeção do Ambiente, o respetivo Ministério anuncia que vai apresentar um projeto de requalificação para a área no fim da época balnear. Entretanto, o geógrafo e especialista em ordenamento do território Sérgio Barroso, que coordenou a elaboração do Plano de Ordenamento Costeiro Alcobaça - Cabo Espichel, onde se insere a Fonte da Telha, enviou um parecer à Agência Portuguesa do Ambiente e uma carta ao ministro do Ambiente, perante “tamanha aberração e atropelo do ordenamento do território”. “A intervenção realizada na Fonte da Telha constitui um retrocesso inequívoco face à política de ordenamento da orla costeira seguida em Portugal nos últimos 30 anos”, sublinha. O geógrafo denuncia que a obra não teve parecer da APA, nem da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, lembra que a área é contígua à Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica e está classificada como Reserva Ecológica Nacional, pelo que o asfaltamento com material betuminoso viola o POC e o Plano Diretor Municipal. A Zero formalizou queixas contra a Câmara de Almada na CCDR-LVT e na Inspeção Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território. Expresso, via Esquerda.
- Foi detetada a fonte da poluição que tem sido visível nas águas do Rio Alfusqueiro em Oliveira de Frades, informa o Núcleo de Proteção Ambiental de Viseu. Trata-se um ponto de descarga de águas residuais provenientes de uma ETAR, que não estavam a ser feitas de forma regulamentar e que, por isso, provocava a acumulação de espumas escuras e mortalidade significativa de peixes a jusante da Barragem das Caínhas, na zona de fronteira dos concelhos de Oliveira de Frades e Vouzela. Interior do Avesso.
Reflexão: Porque é que o turismo explora o Ambiente e não o conserva?
«(…) O turismo é uma indústria fora do vulgar, pois os ativos que monetiza - uma vista, um recife, uma catedral - não lhe pertencem. As principais empresas mundiais de cruzeiros - Carnival, Royal Caribbean e Norwegian - pagam pouco pela manutenção dos bens públicos dos quais vivem. Ao incorporar-se em paraísos fiscais com leis ambientais e laborais favoráveis - respetivamente no Panamá, Libéria e Bermudas - as três grandes empresas de cruzeiros, responsáveis por três quartos da indústria, desfrutam de impostos baixos e evitam muita regulamentação irritante, enquanto poluem o ar e mar, erodindo as costas e despejando dezenas de milhões de pessoas em pitorescos portos de escala que geralmente não conseguem lidar com eles.
O que vale para cruzeiros vale para a maior parte da indústria de viagens. Durante décadas, um pequeno número de reformistas do setor preocupados com o meio ambiente tentou desenvolver um turismo sustentável que criasse empregos duradouros e minimizasse os danos causados.
Mas a maioria dos grupos hoteleiros, operadores turísticos e autoridades nacionais de turismo - qualquer que seja o seu compromisso declarado com o turismo sustentável - continua a priorizar as economias de escala que inevitavelmente fazem com que mais turistas paguem menos dinheiro e pressionem mais os mesmos ativos. (...)
O vírus deu-nos uma imagem, simultaneamente assustadora e bonita, de um mundo sem turismo. Vemos agora o que acontece com os nossos bens públicos quando os turistas não se juntam para os explorar. As linhas costeiras desfrutam de um descanso da erosão causada por navios de cruzeiro do tamanho de cânions. Caminhantes presos em casa não podem descartar lixo nas montanhas. Culturas culinárias complexas já não são ameaçadas por triângulos de pizza descongelada. É difícil imaginar uma ilustração melhor dos efeitos do turismo do que as nossas férias atuais longe dele. (…)
Perante acusações de que está a estragar o planeta, a indústria do turismo responde com um argumento económico: um em cada 10 empregos no mundo depende disso. Os governos gostam do turismo porque cria empregos no tempo que leva a abrir um hotel e a ligar a água quente - e gera bastante dinheiro estrangeiro.
Um advogado do setor com quem conversei citou Lelei Lelaulu, um empreendedor que, em 2007, descreveu o turismo como "a maior transferência voluntária de dinheiro dos ricos para os pobres na história ". Mesmo que se permita uma transferência considerável - pelo qual grande parte das despesas dos turistas não vai para o país de destino, mas para agências de turismo estrangeiras, companhias aéreas e redes de hotéis cujos serviços eles usam - não se pode negar que os australianos gastaram liberalmente em Bali , Americanos em Cancún e chineses em Bangkok.
(…) Por todo o dinheiro que a indústria costuma trazer, um dos preços de permitir que um lugar seja ocupado pelo turismo é a maneira como distorce o desenvolvimento local. Os agricultores vendem as suas terras para a cadeia de hotéis, apenas pelo preço das culturas que fizeram inflacionar. A água é desviada para o campo de golfe, enquanto os moradores ficam com pouca. A estrada é pavimentada até ao parque temático, não à escola. (…)
Por trás das recentes campanhas contra o turismo excessivo, há uma crescente apreciação de que bens públicos que se supunha serem infinitamente exploráveis são, de fato, finitos e têm um valor que deve refletir o preço de os visitar. O “poluidor-pagador” é um princípio económico que está sendo gradualmente introduzido na agricultura, indústria e energia. A ideia é que, se a sua empresa produz efeitos colaterais prejudiciais, você é o responsável para a operação de limpeza. Algo semelhante, incorporando não apenas danos ambientais, mas também uma degradação cultural mais ampla ou danos no estilo de vida, pode tornar-se o princípio norteador de uma indústria do turismo sustentável. (…)
"O turismo é significativamente mais intensivo em carbono do que outras setores de desenvolvimento económico", concluiu um estudo recente publicado na revista Nature Climate Change. Entre 2009 e 2013, a pegada de carbono global do setor fez aumentar as emissões globais de gases de efeito estufa cerca de 8%, a maioria gerada por viagens aéreas.
(…) Como indústria internacional, o turismo não significa mais do que o conjunto de atividades que vão desde a construção de motores de linhas aéreas na fábrica da Rolls-Royce em Derbyshire até cervejas no pub irlandês em Montego Bay. Nesta perspetiva global, não pode ser facilmente planeado ou controlado. Os seus patrões naturais são as autoridades locais, regionais e nacionais, e é para essas instituições que a responsabilidade pela reforma agora cai. Algumas já deram os primeiros passos.». (…)»
Christopher de Bellaigue, in The end of tourism? - The Guardian.
Bico calado
- «(…) Estamos a poucos quilómetros da barragem de Alqueva (“Construam-me, porra!”), que nos garantiam ir gerar milhares de postos de trabalho no Alentejo e onde há uns anos circulavam à boca cheia histórias de empreiteiros que andavam em vão, de café em café, pelas aldeias vizinhas, à procura de quem quisesse trabalhar nas obras, ouvindo invariavelmente a resposta de que ganhavam quase o mesmo no subsídio de desemprego sem ter de trabalhar. Hoje, independentemente do crime ambiental e agrícola ali em curso (…) está transformado num olival espanhol financiado por subsídios europeus e dinheiro de impostos portugueses e onde trabalha uma mão-de-obra que atravessou dois continentes para substituir os nossos “desempregados”: nepaleses, paquistaneses, indianos. E em condições laborais e sociais que, se não chegam para fazer derrubar estátuas de novos esclavagistas, deviam pelo menos fazer corar de vergonha as silenciosas centrais sindicais sempre tão pressurosas a defender os que têm emprego garantido para a vida e horários de 35 horas por semana. (…)» Miguel Sousa Tavares, Expresso 27jun2020.
- «(…) O Chega é uma organização de vigaristas. Querem-me vender produtos contrafeitos por produtos originais. Não ao racismo, e eles são racistas. Não à corrupção, e eles são corruptos, a começar pelo chefe que trafica truques fiscais, acumula atividades públicas e privadas e está associado a mundos de sombras como o do futebol. Os ciganos, mesmo com os desagradáveis episódios dos acampamentos às portas dos hospitais, defendem o serviço nacional de saúde, o Chega é contra um serviço nacional de saúde e a favor da privatização de todos os serviços públicos. (…) Não gosto de falsos anjinhos. Nem que me façam anjinho! Eu não compro uma Lacoste ao Chega! Mas compro aos ciganos! São ambas contrafeitas, mas os Chega vendem-nas como se fossem originais, são uns vigaristas e os ciganos vendem-me como contrafações para eu me enfeitar, são gente séria.» Carlos Matos Gomes, FB.
- Suketu Mehta (12): «Corbyn trouxe à ribalta os pagamentos exorbitantes de dívidas que escravizam muitos países pobres. Ele citou Thomas Sankara, presidente do Burkina Faso, alguns meses antes de ser assassinado num golpe apoiado pela França em 1987: 'A dívida não pode ser resgatada. Primeiro porque se não a resgatamos, os credores não morrem. Mas se a resgatamos, vamos morrer’. Sankara ganhou a fama de "o Che Guevara africano"; ele desafiou abertamente o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. O líder do golpe, Blaise Compaoré, disse que ele tinha que matar o seu ex-amigo porque "ele colocou em risco as relações externas com a França, a antiga potência colonial". Logo que Compaoré assumiu o poder, avançou imediatamente na reversão das nacionalizações de empresas de Sankara e no regresso ao FMI. Em 2014, a BBC observou que Compaoré 'se tornara o aliado mais forte da França e dos EUA na região'. E o que é que o país ganhou com a reversão das políticas de Sankara? Hoje, Burkina Faso está entre os países menos desenvolvidos do mundo; no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, ocupa a sétima posição numa lista de 189 países. Portanto, a coisa lógica para os cidadãos de Burkina Fasso é levantar-se e mover-se. O país tem 19 milhões de pessoas; 1,5 milhão de pessoas emigraram para a Costa do Marfim, que é tão pobre como Bangladesh. Porém, os salários são duas vezes mais altos que em Burkina Faso, e os de Burkina, na Costa do Marfim, enviam anualmente 3,50 milhões de dólares de poupanças para casa todos os anos.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019
domingo, 28 de junho de 2020
Tribunal decreta encerramento da Fabrióleo
O Tribunal Central Administrativo Sul considerou improcedente a providência cautelar interposta pela empresa que há anos constitui um foco de poluição e tem sido abertamente ofensiva contra a população, informa a Esquerda.
UE: 27 países rejeitam subsídios a centrais nucleares e investimentos em combustíveis fósseis
- Representantes dos 27 estados membros da UE rejeitaram atribuir subsídios para a construção de centrais nucleares ou para investimentos relacionados com a produção, processamento, distribuição, armazenamento ou queima de combustíveis fósseis, apesar da enorme pressão exercida por países do leste europeu. Entretanto, o presidente da Polónia assinou um acordo com o presidente dos EUA para a construção de uma central nuclear no país. Fontes: Reuters/EurActiv e The First News.
- Os apicultores norte-americanos registaram a segunda maior perda anual de colmeias da história, reporta um relatório da Bee Informed Partnership. É repreensível que a EPA continue ignorando a ciência que relaciona inseticidas neonicotinoides a essas perdas, dando às empresas de pesticidas luz verde para continuar a dizimar polinizadores, consideram os Friends of the Earth.
- A Holtec International, que está a desativar a central nuclear da Pilgrim em Plymouth, Massachusetts, está sob investigação criminal por alegadas informações prestadas no quadro de um pedido de crédito fiscal feito em 2014. WBUR.
Bico calado
Uma autocaravana precipitou-se sobre um ferry que largava do cais de Tadoussac, no Quebec.
- «(…) Quem vem da Amadora ou da margem sul de madrugada, em autocarros ou barcos à pinha, para limpar os escritórios de Lisboa, quem tem de apanhar o metro de manhã e viajar em carruagens a abarrotar, não está a desrespeitar normas – quem as desrespeita são as empresas de transporte e o Estado, que não garante as condições de segurança, de distanciamento e de proteção. Não precisamos, pois, de elocuções morais nem de tiradas racistas sobre a propagação do vírus. Precisamos de pôr mais comboios a funcionar, de arranjar desdobramentos rodoviários, de reforçar a resposta do metro, de garantir equipamentos de proteção nas empresas, de ter uma Autoridade para as Condições de Trabalho que fiscalize as condições de trabalho e de higiene e segurança nas empresas, de reabilitar os espaços onde a ausência de contacto é impossível, de dar oportunidades de realojamento a famílias cujas precariedade da habitação não permite as condições de salubridade e de dignidade necessárias, de alargar os apoios sociais a todas as pessoas que nunca puderam parar e que ficaram sem nada quando pararam. E precisamos de fazer isso não pelo pânico classista que vem agora exigir medidas sobre realidades às quais nunca prestou atenção e que sempre estiveram lá, mas sim porque é um dever do Estado e da comunidade, porque estamos a falar de direitos humanos e do respeito pelas pessoas cujos quotidianos são normalmente condenados à invisibilidade mediática e social. Precisamos de fazer isso em nome de uma abordagem de saúde pública que integre a multidimensionalidade do problema e que reconheça que, como diria Abel Salazar, “quem só sabe de medicina nem de medicina sabe”. E precisamos de fazer isso já, dispensando o discurso moral que tresanda a elitismo contra o que agora alguns parecem querer retratar, à velha maneira do século XIX, como uma espécie de “novas classes perigosas”.» José Soeiro, in As “novas classes perigosas” e o discurso moral da pandemia - Expresso.
- Os conservadores britânicos receberam mais de 11 milhões de libras de alguns dos mais ricos empreendedores imobiliários e empresas de construção do Reino Unido desde que Boris Johnson se tornou primeiro-ministro em julho passado, revela uma investigação da openDemocracy.
- O presidente do Kosovo, Hashim Thaçi, está a ser acusado de crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante a guerra de independência de Kosovo de 1998-99 com a Sérvia. A acusação foi anunciada quando Thaçi estava a caminho de Washington para uma reunião na Casa Branca com o presidente da Sérvia, organizado por Richard Grenell, o controverso embaixador de Donald Trump na Alemanha. The Guardian.
- Mais de 500 líderes políticos, civis, prémios Nobel e instituições pró-democracia assinam uma carta aberta para defender a democracia, alertando que as liberdades que estimamos estão ameaçadas por governos que estão a usar a crise pandémica para aumentar o seu poder. Via CNN.
- Como os voos de deportação de Trump estão a colocar em risco a América Latina e as Caraíbas. Os EUA avançaram com deportações durante a pandemia, criando um excelente foco de propagação do vírus em instalações superlotadas do ICE e exportando-a para o exterior. Isabel del Bosque e Isabel Macdonald, na The Intercept.
sábado, 27 de junho de 2020
Praias do Norte com Bandeira Azul registam bactérias do género vibrio, algumas patogénicas e até resistentes a antibióticos
Paramos, Espinho
Investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, detetaram bactérias do género vibrio, algumas patogénicas e até resistentes a antibióticos, nas águas de praias balneares do Norte do país, que acreditam serem impulsionadas pelas alterações climáticas: Afife, Ofir, Póvoa do Varzim, Árvore, Matosinhos, Salgueiros, Aguda, Paramos, Cortegaça e São Jacinto. Segundo o ICBAS, as alterações climáticas, nomeadamente o aumento da temperatura, variações da salinidade e concentração de partículas na água, parecem ser responsáveis pela propagação destas bactérias, que representam "um risco não contabilizado para a saúde pública", dado que a avaliação oficial é feita tendo por base indicadores fecais. Notícias ao minuto.
O que vai fazer a Câmara de Espinho, considerando que uma das suas praias, a de Paramos, foi galardoada com a Bandeira Azul?
A mesma pergunta se aplica aos casos das praias com bandeira azul 2020 de Afife, Ofir, Árvore, Salgueiros, Aguda, Cortegaça e S. Jacinto.
Por que razão resíduos plásticos do Reino Unido aparecem descartados nas bermas de estradas turcas?
- Uma investigação da BBC descobriu que alguns resíduos plásticos da Grã-Bretanha enviados para a Turquia para reciclagem estão a ser despejados e queimados na beira das estradas. O Reino Unido envia mais resíduos plásticos para a Turquia do que para qualquer outro país. Críticos dizem que o país não tem capacidade para reciclar os seus próprios resíduos, muito menos as dezenas de milhares de toneladas enviadas do exterior.
- Como um pântano salgado pode ser uma arma secreta contra a subida do nível do mar no delta do Fraser, na British Columbia. Um ecossistema frequentemente subestimado suporta milhões de aves migratórias, fornece habitat crítico para o salmão jovem, absorve carbono e desempenha um papel essencial na prevenção de inundações. Um projeto ambicioso visa aproveitar o poder do sapal, aumentando gradualmente o seu nível para criar um 'dique vivo'. Stephanie Wood, na The Narwhal.
- Mina de amianto Yukon apresenta riscos para a saúde e risco de inundação 42 anos após o seu encerramento. Clinton Creek não tem merecido a mesma atenção que outos grandes projetos de limpeza de minas no território, mas pode tornar-se um grande problema, especialmente para uma pequena cidade do Alasca a jusante. Julien Gignac, na The Narwhal.
- Pela segunda vez em 20 meses, os moradores de Old Fort, na British Coumbia, estão a lidar com um grande deslizamento de terra que cortou o acesso rodoviário à comunidade, solicitando uma maior transparência por parte do governo da província, que continua a investigar um outro deslizamento de terra ocorrido em 2018 no mesmo local. Sarah Cox, na The Narwhal.
- A Canada Action, uma organização que promove as indústrias de recursos naturais enquanto critica o movimento ambiental, recebe financiamento das empresas de petróleo e gás. Carol Linnitt, na The Narwhal.
- Onde outrora uma autoestrada atravessava um rio no centro de Providence, Rhode Island, agora há uma ponte para peões que também funciona como espaço para um parque. Fast Company.
- Um grupo de ambientalistas levou a cabo um protesto pacífico em Baton Rouge, Louisiana, contra a construção de uma mega fábrica de plásticos numa zona maioritariamente habitada por negros que já sofrem problemas de saúde relacionados com a indústria local. Os líderes da Louisiana Bucket Brigade foram identificados e acusados de terrorismo, podendo ser condenados a 15 anos de prisão e pagamento de multa de 15 mil dólares. Refira-se que a petroquímica tailandesa Formosa Plastics foi, em outubro de 2019, condenada a pagar multa de 50 milhões de dólares por descartar poluentes na Lavaca Bay, no Texas. Alleen Brown, na The Intercept.
Reflexão – «Nem palma nem soja»
A monocultura da soja para responder à procura de biocombustíveis europeus tem sérios impactos socioambientais, concluiu um relatório dos Ecologistas en Acción.
Os impactos da monocultura da palma e da soja ultrapassam a crise climática: causam desmatamento, perda de biodiversidade e alterações nos ecossistemas, o que estará relacionado com o aparecimento e rápida expansão de doenças zoonóticas como a Covid-19.
Os regulamentos europeus aprovados em fevereiro de 2019 classificaram o óleo de palma como uma matéria-prima de alto risco devido à sua estreita relação com a degradação do solo com altas reservas de carbono. Entretanto, a soja foi classificada de baixo risco, apesar da clara evidência do seu alto impacto. Calcula-se que, por cada hectare de cultivo de soja, se pecam entre 16 e 30 toneladas de solo.
Neste contexto, e considerando a redução obrigatória do biodiesel à base de palma a partir de 2023, a soja emerge como um substituto ideal para o óleo de palma. Os EUA, o maior exportador de soja para a Europa, podem ser o principal beneficiário. Em 2019, após a publicação da legislação europeia, as importações de soja aumentaram 9%, o que aponta para uma clara tendência de substituir o uso de óleo de palma por soja na fabricação de biocombustíveis. Em Espanha, os biocombustíveis de soja passaram de 10,3% do biodiesel total consumido em 2016 para 28% em 2019. Por sua vez, a inclusão do óleo de palma caiu no mesmo período de 77,44% para 11%.
O relatório dos Ecologists in Acción conclui que a monocultura de soja pode ser tão devastadora como a monocultura de palma, porque o problema não é a planta - palma, soja ou qualquer outra -, mas o funcionamento estrutural do sistema do agronegócio.
Para Rosalía Soley, porta-voz da organização ambiental, «a transição energética dos transportes através dos biocombustíveis alimentares em que o governo aposta contribui para a perda de biodiversidade, a alteração dos ecossistemas e danos sociais. O objetivo do uso de fontes renováveis nos transportes deve ser alcançado através do uso de biocombustíveis avançados 1, eletricidade renovável ou combustíveis sintéticos. Tudo isso sob rigorosos critérios de sustentabilidade, respeitando a hierarquia de resíduos, seguindo o princípio do dominó e evitando qualquer deslocalização de usos que possam levar a mais emissões».
Bico calado
- André Ventura trabalha para algumas das pessoas apanhadas no escândalo dos Panamá Papers. Uma página numa rede social.
- PJ descobriu milhões de Isabel dos Santos em cofres do Novo Banco, na Costa Cabral, Porto. JNegócios.
- Monitorize a vulnerabilidade do seu país a fluxos financeiros ilícitos com o novo rastreador de vulnerabilidades da Tax Justice. Quão vulnerável é o seu país a fluxos financeiros ilícitos, também conhecidos como transferências ilegais de dinheiro? Os fluxos financeiros ilícitos prejudicam as economias e as sociedades em todos os lugares, mas o desafio de identificar de onde vêm os riscos tem dificultado o copmbate a esses fluxos ilegais. Este rastreador de vulnerabilidades de fluxos financeiros ilícitos ajuda a resolver este problema. Use o rastreador para identificar os parceiros comerciais e os canais que apresentam a maior vulnerabilidade ao seu país.
- O jornalista Özgür Paksoy foi condenado na Turquia a 11 meses e 20 dias de cadeia por insulto ao presidente turco Recep Tayyip Erdoğan. Tudo po ter republicado um cartoon publicado em 2015 por Carlos Latuff.
- A gala de quatro de julho do presidente Donald Trump na capital do país em 2019 custou aos contribuintes mais de US $ 13 milhões, o dobro do valor das celebrações anteriores, informam fontes oficiais citadas pela AP.
- Um órgão de fiscalização do governo, o braço de auditoria do Congresso, diz que cerca de 1,4 mil milhões de dólares foram destinados a pessoas falecidas no programa de ajuda ao coronavírus do governo norte-americao. AP.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Fundão: central de biomassa continua a afetar vizinhança com ruídos, cinzas e poeiras
- A Central de Biomassa do Fundão continua a afetar os vizinhos com ruídos, cinzas e poeiras. Há muito que estes problemas têm sido debatidos em várias instâncias. No Parlamento, o BE pediu esclarecimentos sobre o subsídio de 226 milhões concedidos às centrais de biomassa do Fundão e de Viseu que estarão a queimar madeira de qualidade em vez de resíduos florestais. A CCDR-C exigiu à DGEG que a central do Fundão seja notificada no sentido de cumprir a lei do ruído. A Quercus defende a suspensão da atividade da central do Fundão até serem resolvidos os problemas do ruído e das poeiras. A Zero exige a suspensão imediata dos subsídios à produção de energia elétrica a partir de biomassa. Interior do Avesso.
- A CELPA — Associação da Indústria Papeleira — Altri, DS Smith, Renova e The Navigator Company – diz querer fazer parte da recuperação verde e anuncia o investimento de 100 milhões em tecnologias para otimizar o seu desempenho ambiental. «Números de 2018 mostram que houve uma redução de 7% na utilização de água por tonelada de pasta produzida, menos 10% na carga orgânica dos efluentes e uma redução, em cerca de 5%, nas emissões de partículas. Os biocombustíveis continuaram a ser uma aposta, tendo representado 70% dos combustíveis consumidos pelo setor», dizem os serviços de relações públicas citados pelo Eco, via Agroportal. A indústria portuguesa de pasta, papel e cartão diz comprometer-se na mitigação das alterações climáticas com ações e investimentos em diversas áreas, nomeadamente, na área da prevenção de incêndios, tendo as empresas os seus próprios de sapadores florestais para combater os incêndios nos milhares de hectares que gerem no país. «79% da água utilizada na produção é restituída limpa ao meio ambiente, fazendo da indústria papeleira, uma das mais eficientes na gestão dos recursos ambientais», garante Luís Veiga Martins. Por ano, as quatro empresas geram mais de 3,4 TW (terawatts) de energia elétrica a partir de biomassa (6% da eletricidade produzida no país), sendo que 73% são utilizados na produção de papel e cartão e os restantes 27% injetados na rede nacional. Não sentem nesta notícia um certo cheiro a frete? Ou, se quisermos ser menos agressivos e mais suaves, relações públicas ou greenwashing? É que a gente sabe o que acontece nos sítios. Por exemplo, confrontar com as constantes violações e agressões ambientais desta indústria em Vila Velha de Ródão.
Ucrânia: abate prolongado, massivo e ilegal de floresta agudiza impactos das cheias
- Mais de 200 localidades nas regiões de Ivano-Frankivsk, Lviv e Chernivtsi, na Ucrânia, foram alvo de enormes inundações que destruíram represas, barragens, pontes e estradas. Ambientalistas sugerem o abate crónico e ilegal de floresta como uma das principais causas das ocorrências. A Earthsight acusa a gigante de móveis Ikea de ser um grande comprador de madeira ilegal ucraniana. A faia cortada ilegalmente nas montanhas dos Cárpatos integra a cadeira dobrável Terje e a cadeira de jantar Ingolf, entre outros produtos, exemplifica a Earthsight. A Ikea garante que nunca usa conscientemente madeira extraída ilegalmente, que menos de 1% da procura global de madeira da empresa vem da Ucrânia e que vai auditar os seus fornecedores ucranianos. Andrew E. Kramer, NYTimes.
- O estado do Minnesota processou a ExxonMobil, as Koch Industries e Ta op Oil and Gas Trade Association alegando que as duas empresas e a associação comercial violaram as leis estaduais de proteção ao consumidor, enganando os cidadãos sobre o papel dos combustíveis fósseis na causa da crise climática. Union of Concerned Scientists.
- Uma pesquisa levada a cabo por académicos da Alemanha, EUA, Itália, Moçambique, Países Baixos e Reino Unido, publicada na Nature Geosciences, analisou as consequências da compra por estrangeiros de mais de 80 mil propriedades rurais de grande extensão entre os anos 2000 e 2018 em 15 países da América do Sul, da África Subsaariana e do Sudeste Asiático. Na maior parte dos casos, essas operações comerciais realizadas por companhias privadas e governos estrangeiros intensificaram o desmatamento nas regiões. ClimaInfo. Um sumário das conclusões da investigação pode ser acedido aqui.
Reflexão – Relatório patrocinado pela Monsanto diz que milho transgénico não causa efeitos adversos
«Para além de concluir que a produção de milho Bt (geneticamente modificado para resistir ao ataque da lagarta) não revelou qualquer efeito adverso, o relatório afirma também que a sua utilização diminuiu significativamente a necessidade de usar inseticidas e aumentou a produção. (…)
Para a elaboração do relatório “Resultados de dez anos de monitorização ambiental pós-comercialização de milho geneticamente modificado MON 810 na União Europeia”, publicado na revista PLOS ONE, foram recolhidos dados junto de 2.627 agricultores de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Eslováquia, Roménia e República Checa.
O documento, que analisa exaustivamente os efeitos ambientais do cultivo de milho transgénico MON 810 durante um período de dez anos, inclui os resultados obtidos com a realização de questionários a agricultores que produziram esta variedade entre 2006 e 2015, bem como um levantamento completo de estudos científicos sobre o assunto.
Com este relatório, os autores pretendiam aferir se são corretas as premissas na avaliação dos riscos ambientais sobre o aparecimento e impacto de possíveis efeitos adversos do cultivo do milho Bt e identificar qualquer efeito negativo da sua utilização na saúde humana, animal ou ambiental que não havia sido previamente previsto.
Estes resultados estão em concordância com a avaliação da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que em resposta ao pedido de renovação desta variedade de milho em 2007: “… MON 810 é tão seguro como a variedade convencional quanto aos possíveis efeitos na saúde humana e animal. O Painel da EFSA sobre Organismos Geneticamente Modificados também conclui que é improvável que o milho MON 810 tenha algum efeito adverso sobre o meio ambiente no contexto dos usos previstos …”
Os resultados do estudo publicado na PLOS ONE são também consistentes com o histórico de 17 anos (2003-2019) de utilização segura do MON 810 na União Europeia.» CIBPT. Via Agroportal.
Só umas perguntinhas: o que faz o Centro de Informação de Biotecnologia e o Agroportal omitirem o facto de o relatório por eles citado ter sido exclusivamente subsidiado pela Monsanto e levado a cabo por cientistas pagos pela Monsanto? Confirmem, por favor, logo no início do sumário do relatório publicado pela PLOS One. A quem interessa enganar os cidadãos e os consumidores? Quem beneficia com essa omissão ou manipulação?
Mão pesada
- A produtora de alumínio Edmo Ltd, de Ross-on-Wye, Herefordshire, foi multada em 23,645 libras por violar regras de reciclagem de embalagens. A multa foi convertida em doação à Herefordshire Wildlife Trust, que a aplicou na vedação de áreas de conservação e expansão de uma reserva em Common Hill. GovUK.
- A Bayer AG, que adquiriu a Monsanto em 2018, está a resolver vários processos movidos nos EUA, incluindo o processo de Spokane alegando contaminação de bifenilos policlorados, ou PCBs. Este processo, originalmente aberto em 2015, estava programado para ser julgado no próximo mês em Richland. A Bayer vai pagar US $ 95 milhões para solucionar a contaminação por PCB no estado de Washington e US $ 648 milhões adicionais para cidades e governos locais, incluindo Spokane, que entraram com os seus próprios processos contra o fabricante de produtos químicos. The Spokesman-Review.
- A mina de carvão de Acland foi multada em apenas US $ 9.461 por 34 violações de ruídos. Os ambientalistas acusam as autoridades de Queensland, Austrália, de serem um "tigre desdentado", considerando as insignificantes e um insulto às comunidades e aos agricultores. The Guardian.
Bico calado
- Ao contário de muitas cidades europeias que preferiram ficar caladas sobre as suas tenebrosas histórias coloniais, Bordéus, França, colocou placas para reconhecer e explicar a escratura. O ano passado, uma estátua da escrava Modeste Testas foi erguida na margem do rio. Este mês, a cidade instalou placas em cinco ruas com nomes de figuras proeminentes envolvidas no tráfico de escravos. Norimitsu Onishi, no NYTimes.
- O senador John Cornyn, dos Republicanos pelo Texas, fez aprovar legislação para aumentar os subsídios à indústria do gás e do petróleo. Ele é o favorito que mais apoios recebe dessa indústria nas suas campanhas eleitorais. FOE.
- É hora de mudar a maneira como os media relatam os protestos. Aqui estão algumas idéias. Kendra Pierre-Louis, NiemanLab.
- Suketu Meta (11): «Segundo o economista Angus Maddison, em 1960, quando os estados começavam a emergir do colonialismo, os cidadãos do país mais rico do mundo eram trinta e três vezes mais ricos do que as pessoas no país mais pobre. Em 2000, num mundo globalizado que deveria “levantar todos os barcos”, eles eram 134 vezes mais ricos. A estrutura da Organização Mundial do Comércio mantém pobres as nações pobres. Obriga-as a abrir os seus mercados às multinacionais. A OMC exige livre circulação das mercadorias, mas não do trabalho.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019
quinta-feira, 25 de junho de 2020
Contratos mineiros assinados na véspera da publicação de lei que reforça medidas ambientais
- Foram assinados 16 contratos mineiros na véspera da publicação de uma lei que diz querer reforçar as medidas ambientais para estas explorações. A nova regulamentação permite aos municípios travar os processos. «Nenhum destes 16 contratos, relativos a 2020, tem como substância o mineral lítio», esclarece o gabinete do secretário de Estado, João Galamba. Ainda assim, mesmo que os contratos mineiros assinados em 2020 não contenham lítio, este mineral pode ser adicionado depois à exploração, caso exista esse interesse de quem explora. A informação sobre a identidade dos promotores privados destes contratos e do tipo de minerais a que se referem só será disponibilizada em julho ou agosto. Interior do Avesso.
- A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis instala 598 painéis fotovoltaicos na cobertura das piscinas municipais. Isto permitirá a produção de cerca de 32 mil euros de energia por ano e uma redução da fatura mensal energética na ordem dos 42%”, afirma o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Jorge.
- Devido ao turismo e à sua posição periférica, Portugal é o sexto país da União Europeia com maiores emissões intraeuropeias da aviação. Ambientalistas consideram inadmissível apoiar TAP sem tributar aviação. Público.
- Peixes mortos e muita espuma acastanhada acumulada na beira da albufeira da Barragem das Cainhas, entre Oliveira de Frades e Vouzela é o cenário denunciado pelo BE de Viseu, que reportou a ocorrência às entidades competentes. A barragem das Cainhas capta água para consumo da população e é palco de zona de pesca associada, o que representa inúmeros riscos para a saúde pública.
Brasil: 29 empresas de investimento querem pressionar Bolsonaro a abrandar o abate da floresta amazónica
- A Zenobe Energy garantiu um empréstimo de 20 milhões de libras do NatWest para financiar baterias suficientes para alimentar cerca de 100 autocarros elétricos pertencentes a empresas municipais e privadas de transportes em todo o Reino Unido, reporta o The Guardian.
- Um grupo de 29 empresas de investimento globais que gerem US $ 3,7 milhares de milhões exigem reunir-se com diplomatas brasileiros em todo o mundo para pedir ao governo de Jair Bolsonaro que pare de aumentar a desflorestação da floresta amazónica. Reuters.
- Pelo menos 15 pessoas foram espancadas até a morte com pedras e blocos de cimento, e alguns corpos foram parcialmente queimados, em Huazantlán del Río-San Mateo del Mar, Oaxaca, - localidade indígena no sul do México -, no quadro de um conflito por causa de uma central eólica. As vítimas, da comunidade Ikoots, terão sido embuscadas por 6 indivíduos a mando de um cacique local. AP/Reuters/The Guardian.
Reflexão – EUA: o preço combinado da água e do saneamento aumentou em média 80% entre 2010 e 2018 e há milhões que não podem pagar
Milhões de norte-americanos enfrentam contas crescentes e inacessíveis de água encanada e correm o risco de serem desligados ou perder suas casas se não puderem pagar, revela uma investigação do The Guardian, numa parceria com o Consumer Reports.
A análise exclusiva de 12 cidades dos EUA mostra que o preço combinado da água e saneamento aumentou em média 80% entre 2010 e 2018, havendo mais de dois quintos dos residentes com contas que dizem não poder pagar.
A investigação constatou que entre 2010 e 2018 as contas de água aumentaram pelo menos 27%, enquanto o aumento mais alto foi de 154% em Austin, Texas, onde a fatura média anual aumentou de US $ 566 em 2010 para US $ 1.435 em 2018 - apesar dos esforços de mitigação da seca que forçou o uso reduzido de água.
Entretanto, os apoios federais a empresas de serviços públicos de água, que abastecem cerca de 87% das pessoas, caiu significativamente, enquanto a manutenção, as ameaças ambientais e à saúde, os choques climáticos e outras despesas dispararam.
«Uma emergência hídrica ameaça todos os cantos do nosso país. A escala desta crise exige nada menos que uma transformação fundamental dos nossos sistemas de água. A água nunca deve ser tratada como uma mercadoria ou um luxo para benefício dos ricos», disse Mary Grant, advogada da justiça hídrica, da Food and Water Watch, reagindo à investigação do Guardian. Em Washington, 90 legisladores de todo o país - todos Democratas -exigem reformas abrangentes de financiamento para garantir o acesso a água corrente limpa e acessível a todos os norte-americanos.
Bico calado
- Suketu Meta (10): «A City de Londres funciona de facto como o maior paraíso fiscal do mundo. É uma corporação, com a sua própria constituição, uma entidade legal separada do resto de Londres e até do Reino Unido. Até a rainha Elizabeth, quando deseja entrar na cidade, é recebida na fronteira pelo “lord mayor”, que a envolve num ritual de entrada. A City de Londres tem um curioso sistema de votação, com cerca de 9.000 votos atribuídos aos seres humanos que lá vivem e mais do dobro deste número atribuído às empresas que se estabeleceram na milha quadrada. (…) Os países pobres perdem três vezes mais em paraísos fiscais do que os 125 mil milhões de dólares de ajudas que recebem. Há cerca de sessenta paraísos fiscais no mundo, a maioria deles controlados pelo Ocidente. O dinheiro contrabandeado da África Subsaariana para eles cresce 20% ao ano. Em 2011, os paraísos fiscais detinham US $ 4,4 triliões da riqueza de todos os países pobres. É uma riqueza que devia ser investida para cultivar, educar crianças e desenvolver cidades nos países pobres. Em vez disso, está no Luxemburgo e na City de Londres.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019.
- «O Museu Americano de História Natural de Nova York anunciou que vai remover a sua famosa estátua do presidente Teddy Roosevelt da sua entrada. O presidente do museu sublinhou que a decisão foi tomada com base na "composição hierárquica" da estátua - Roosevelt está a cavalo, ladeado por um africano e um índio a pé - em vez de apenas retratar Roosevelt. O museu, cofundado pelo pai de Roosevelt, manterá o nome de Roosevelt np seu Salão Memorial Theodore Roosevelt, na Rotunda Theodore Roosevelt e no Parque Theodore Roosevelt. Isso sugere que os americanos ainda não se confrontaram com o lado negro da história de Roosevelt. Roosevelt nasceu em 1858 numa família rica de New York. Quando o seu pai morreu, Roosevelt estudava em Harvard, ele herdou o equivalente hoje a cerca de US $ 3 milhões. Na casa dos vinte anos, Roosevelt investiu uma porcentagem significativa desse dinheiro em negócios de gado no oeste. Isso levou-o a passar grandes temporadas em Montana e nos Dakotas nos anos imediatamente antes de se tornarem estados em 1889. Durante esse período, Roosevelt desenvolveu uma atitude em relação aos índios americanos que pode ser descrita como genocida. Num discurso de 1886 em New York, ele declarou: “Não me custa pensar que o único bom índio é o índio morto, mas acredito que nove em cada dez são e não gostaria de investigar muito de perto o caso do décimo. O cowboy mais cruel tem mais princípios morais do que o índio médio. Peguem em trezentas famílias reles de New York e New Jersey, apoiem-as, durante cinquenta anos, numa ociosidade viciosa, e terão uma ideia do que são os índios. Impetuosos, vingativos, cruéis. Nesse mesmo ano, Roosevelt publicou um livro em que escreveu que “o chamado Massacre de Chivington ou Sandy Creek, apesar de certos detalhes mais questionáveis, foi, no fundo, uma ação justa e benéfica”. O massacre de Sand Creek tinha acontecido 22 anos antes no Território do Colorado, arrasando uma comunidade com mais de 100 pessoas das tribos de Cheyenne e Arapaho. Foi em todos os aspectos comparável ao massacre de My Lai durante a Guerra do Vietname. Nelson A. Miles, um oficial que viria a ser o principal general do Exército, escreveu nas suas memórias que "era talvez o crime mais sujo e injustificável dos anais da América". O ataque foi liderado pelo coronel John Chivington, que disse: “Vim matar índios. ... Matar e escalpelar tudo, grande e pequeno." Mais tarde, os soldados relataram que, depois de matar homens, mulheres e crianças, mutilaram os seus corpos para troféus. Um tenente afirmou numa investigação do Congresso que "ouvi dizer que os soldados do antílope branco tinham sido cortados para fazer um saco de tabaco". Num livro posterior, "The Winning of the West", [A conquista do Oeste] Roosevelt explicou que as ações dos EUA em relação aos índios americanos faziam parte do grande e nobre esforço do colonialismo europeu: "Todos os homens de pensamento sadio têm que rejeitar com desprezo a ideia de que estes continentes têm de ser reservados para o uso de tribos selvagens dispersas. (...) Felizmente que os homens duros, enérgicos e práticos que cumprem o duro trabalho pioneiro da civilização em terras bárbaras, não são propensos a falsos sentimentalismos. Essa gente tipo donas de casa são demasiado egoístas e indolentes, sem imaginação para entender a importância racial do trabalho que os seus irmãos pioneiros realizam em terras selvagens e distantes. (...) A mais justa de todas as guerras é uma guerra com selvagens. (...) Americanos e índios, Boers e Zulus, Cossacos e Tártaros, Neozelandezes e Maoris - em todos os casos, o vencedor, por mais horríveis que sejam muitos dos seus atos, lançou as bases da futura grandeza de um povo poderoso." Não é exagero considerar isto hitleriano. E, embora seja extremamente impopular dizer isto, o nazismo não foi apenas retoricamente semelhante ao colonialismo europeu, foi uma consequência disso e o seu ponto culminante lógico. Num discurso em 1928, Adolf Hitler já falava de maneira aprovadora sobre como os norte-americanos “abateram os milhões de Redskins [Índios], reduzindo-os para algumas centenas de milhares e agora mantêm os modestos restantes sob observação numa gaiola”. Em 1941, Hitler confidenciou a simpatizantes sobre os seus planos para "europeizar" a Rússia. Não eram apenas os alemães que fariam isso, disse, mas escandinavos e norte-americanos, "todos aqueles que têm um sentimento pela Europa". O mais importante era "encarar os nativos como Redskins". O que isto significa para as inúmeras celebrações de Roosevelt nos EUA depende de nós. Mas se agirmos honestamente, enfrentaremos um acerto de contas com algo ainda mais monumental do que a história da América.» Jon Schwarz, in As Teddy Roosevelt’s statue falls, let’s remembre how truly dark his histoty was – The Intercept.
- Trump assinou um projeto de lei atribuindo ao Congresso a capacidade de sancionar líderes chineses pela detenção em massa de uigures e outras minorias. Mas esta votação histórica foi ofuscada por trechos recente do livro do ex-conselheiro do presidente John Bolton, alegando que Trump disse ao presidente chinês Xi Jinping que a construção dos campos de detenção era a "coisa certa a fazer". ICIJ.
- «Na opinião da maioria dos partidos do parlamento alemão a saída de Ursula von der Leyen do governo em Berlim para a presidência da Comissão Europeia em Bruxelas foi uma 'fuga' às investigações ao seu 'fracasso total como ministra', sob suspeita de 'má gestão' e de 'esbanjamento de fundos públicos' com 'indícios de corrupção'. Com o envio de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, ou de Constâncio para vice-presidente do Banco Central Europeu, pode dizer-se que Portugal é há muito um pioneiro da estratégia alemã para a Europa.» Miguel Szymanski, in Portugal e a Alemanha: olhos nos olhos, FB.
- As administraçõesde várias empresas estão a distribuir milhões pelos seus principais executivos antes de declararem falência, e os tribunais não podem fazer muito sobre isso, titula o NYTimes.
- O ‘Vouguinha’, comboio da CP que faz a ligação entre Espinho e Oliveira de Azeméis, na Linha do Vouga, não conseguiu chegar ao seu destino porque ficou sem combustível. O incidente gerou revolta porque não foi a primeira vez que aconteceu, havendo registo de ocorrências semelhantes em abril deste ano e em agosto de 2018. CM.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
Índia: Covid-19 mata mais em Bhopal
- A Eletricé de France e o grupo chinês General Nuclear Power vão avançar na construção de uma central nuclear em Bradwell-on-Sea, em frente da Reserva Natural do Estuário de Blackwater, na costa do Essex. A consulta pública está a ser menosprezada. The Ecologist.
- No norte da Itália, o glaciar Presena perdeu mais de um terço do seu volume desde 1993. Quando a temporada de esqui terminar, os conservacionistas vão tentar impedir que derreta usando lonas brancas que bloqueiam os raios do sol. Terra Daily.
- Antártica perdeu 1 milhão de km2 de gelo em cinco anos, titula a ClimaInfo.
- Os sobreviventes da tragédia da fuga de gás de 1984 em em Bhopal, Índia, afirmam-se desproporcionalmente vítimas do coronavírus por representarem 75% das mortes por Covid-19. Numa uma carta ao ministro-chefe de Madhya Pradesh, Shivraj Singh Chouhan, eles dizem que os expostos ao isocianato de metila tóxico por ocasião da fuga de gás de pesticidas da Union Carbide sofrem agora o impacto da epidemia de maneira severa. As mortes entre os sobreviventes da fuga de gás causados pelo novo coronavírus mostram que, mesmo 35 anos depois do pior desastre industrial do mundo, a sua condição médica é tão frágil, sofrendo danos permanentes devido à referida exposição. Vivek Trivedi, in News18. Ler o que Suketu Mehta, abaixo citado em Bico calado, escreve sobre o «acidente» de Bhopal.
- Há plantas nas florestas tropicais que conseguem mascarar os seus aromas químicos para evitar serem detetadas e comidas por insetos, sugere uma investigação de peritos europeus e norte-americanos. AFP/Science.
Bico calado
- «Ao olhar para o que sucedeu no caso BES/GES, é imprescindível observar a génese, o desenvolvimento, os fluxos e refluxos, a nacionalização em 75, a privatização em 91, o crescimento sem limites e com o apoio das políticas de sucessivos Governos, a promiscuidade com outras grandes empresas de dimensão nacional e internacional, a ramificação tentacular do grupo por vários sectores de actividade.»
- Razão para a paragem de 7 meses nas obras do parque de estacionamento subterrâneo [na Alameda, Espinho], segundo versão oficial veiculada pelo Maré Viva: «A falta de mapeamento das diversas tubagens, com especial incidência no cruzamento da rua 23 com a rua 8 foi um dos problemas técnicos que acabaram por atrasar todo o processo.»
- «A Grã-Bretanha é o "país mais corrupto do mundo", diz Roberto Saviano, especialista em máfia. 90% dos proprietários de capital em Londres têm as suas sedes emparaísos fiscais. Jersey e as Ilhas Cayman são os portões de acesso ao capital criminal na Europa e o Reino Unido é o país que permite isso.» Jamie Bullen, in Evening Standard.
- Famílias pobres não levantaram computadores emprestados com medo do custo em caso de avaria. Pior: ME não fez levantamento destas situações "uma vez que esses meios foram disponibilizados maioritariamente pelas autarquias. DN 22jun2020.
- «Fábrica de carne deve ser responsabilizada pelo surto de Covid-19, diz ministro alemão. Hubertus Heil, ministro do Trabalho, diz que a região de Gütersloh foi tomada como refém pela falha dos proprietários em proteger os seus 1.500 trabalhadores trabalhadores, a maioria dos quais da Roménia e da Bulgária.» The Guardian.
- John Bolton está contando a verdade, mas não podemos esquecer da sua carreira terrível e perigosa. Jon Schwarz, in The Intercept.
- Suketu Meta (9): «Percebi isso quando fui a Bhopal em 1995 para relatar o que acontecera àquela cidade indiana onze anos depois da catástrofe feita pela América. Uma fábrica de pesticidas pertencente à empresa química Union Carbide, sedeada nos EUA, explodiu e expeliu uma enorme nuvem de gás venenoso que pairou sobre a cidade, logo após a empresa ter desativado os mecanismos de segurança para economizar dinheiro. A nuvem de gás matou mais de 20.000 pessoas e mutilou meio milhão, com defeitos genéticos nos filhos dos sobreviventes que continuam na geração atual. A Carbide safou-se de assassinato porque era uma multinacional. Atribuiu responsabilidades à sua representante na Índia e depois desapareceu. Ela não podia ser processada nos Estados Unidos, e os Estados Unidos recusaram-se a extraditar o presidente da Carbide, Warren Anderson, procurado por acusações de homicídio doloso na Índia. Ele viveu uma longa vida nos Hamptons e morreu em paz em Vero Beach, Flórida, enquanto as suas vítimas continuavam a tentar sobreviver com os pulmões e os olhos danificados nos bairros de lata de Bhopal.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019.
terça-feira, 23 de junho de 2020
Cosabe, do grupo Amorim, capta um terço dos apoios para substituir eucaliptais por espécies autóctones
Quase um terço do programa lançado pelo governo para compensar proprietários que queiram substituir eucaliptais por espécies autóctones foi atribuído a uma empresa do grupo Amorim.
A Cosabe (Companhia Silvo-Agrícola da Beira), que detém a Herdade da Baliza, no Parque Natural do Tejo Internacional, vai receber 438 mil euros – dos 1,46 milhões disponibilizados pelo Fundo Ambiental em 2020. O valor de 438 mil euros corresponde a duas candidaturas que a corticeira viu aprovadas, de dois lotes de 99 e 98,73 hectares. Fontes: Público e Expresso, via Agroportal.
Índia lança grande leilão de minas de carvão
- Um eurodeputado do PPE propõe adendas a favor da indústria num projeto de lei para regular as emissões de carbono nos navios. A campanha do eurodeputado dinamarquês de centro-direita Pernille Weiss para as eleições europeias recebeu apoio financeiro da Danish Shipping, o que, segundo um grupo pró-transparência, será um conflito de interesses. EUObserver.
- A Índia lançou um leilão de 41 blocos de mineração de carvão. A medida ameaça florestas valiosas e direitos de terra indígena, enquanto expande uma indústria poluidora e com problemas financeiros, criticam os ambientalistas. Fontes: Climate Home News, Business Standard e Times of India.
- A tribo índia Makah e vários grupos ambientalistas do estado de Washington processaram a Agência de Proteção Ambiental por tentar reverter os padrões de qualidade da água dos seus rios e ribeiras. Inlander.
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