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quinta-feira, 23 de julho de 2026

REFLEXÃO



LEI DA UE SOBRE DESFLORESTAÇÃO PUNE AGRICULTORES QUE NÃO CORTAM ÁRVORES
Niladri Giri, Medium. Rev. O’Lima.


Se observarmos uma imagem de satélite das colinas acima de Koraput, nos Ghats Orientais de Odisha, na Índia, veremos uma extensão verde que parece intocada. A floresta estende-se de cume a cume, sem fileiras, clareiras ou limites visíveis que uma máquina pudesse detetar. Para os sistemas que a Europa utiliza para monitorizar as suas importações de café, esta cena parece inofensiva — uma floresta ininterrupta, exatamente o que a lei pretende proteger.

Mas o satélite não capta algo importante. Na verdade, está a observar milhares de quintas.

À sombra daquela floresta, durante a terceira semana de novembro, Mangi Jani colheu bagas de café e colocou-as num cesto de bambu. As suas plantas de café crescem sob carvalhos prateados e jacas, numa encosta que a sua família cultiva há duas gerações. Não há vedação. Se lhe perguntasse, ela diria que o limite da sua terra é simplesmente onde o bambu começa.

A regulamentação da União Europeia relativa à desflorestação, conhecida como EUDR, estipula que cada quilo de café que entre na Europa deve ser rastreado até uma parcela específica de terreno, como prova de que não foram abatidas árvores nessa área após dezembro de 2020. A regulamentação baseia-se em dados de geolocalização e verificações por satélite. Foi criada para identificar explorações agrícolas resultantes do abate de florestas.

No entanto, não tem em conta as explorações agrícolas em que a floresta ainda se mantém de pé.

O terreno que não existe


Trabalho nestes distritos como técnico agrícola. Percorri as encostas das quintas da Mangi e, sinceramente, não saberia dizer onde termina a sua parcela e onde começa a do vizinho. Ela também não saberia, pelo menos não através de coordenadas. No entanto, esse conhecimento é real. Todas as famílias daqui sabem que as árvores lhes pertencem. Mas esse conhecimento está guardado na memória e nos registos das comunidades, não num mapa digital que um responsável pela conformidade em Hamburgo possa consultar facilmente.

A maior parte do café de Koraput é cultivado assim, por pequenos agricultores que trabalham sob a copa da floresta, utilizando um sistema tão antigo que a FAO designou a região como Património Agrícola de Importância Global. Este reconhecimento destaca exatamente o que os satélites observam de cima: uma agricultura que mantém a floresta intacta.

O EUDR interpreta a mesma imagem de forma diferente. Se houver árvores sobre um terreno agrícola declarado, isso levanta questões. O uso do solo não é claro. O risco permanece por resolver. Isto significa mais burocracia antes de a remessa poder avançar.

Cerca de sessenta por cento do café mundial provém de pequenos agricultores como ela. A maioria trabalha em menos de um hectare e muitos não dispõem de registos digitais. A regulamentação foi concebida para a grande indústria, mas acaba por afetar as famílias individuais.

O preço da prova

Quanto custa realmente demonstrar que uma encosta está isenta de irregularidades?

Não há uma resposta clara. Alguns representantes do setor afirmam que os custos de conformidade do café variam entre dez e cinquenta cêntimos de euro por quilo de café verde, dependendo da origem e do nível de rastreabilidade já existente. Quando Bruxelas simplificou as regras em dezembro passado, alguns analistas afirmaram que o custo poderia ser muito mais baixo — apenas alguns cêntimos por quilo para cadeias de abastecimento já bem organizadas. A verdade é que ninguém sabe ao certo quanto custa provar a conformidade, tal como ninguém mapeou as terras de Mangi.

Mas todos concordam quanto a quem paga. O exportador assume os custos do mapeamento, da verificação e da burocracia e, em seguida, tenta recuperar esses custos da única forma possível — reduzindo o preço pago no ponto de recolha. A cooperativa estatal de Koraput comprou café (cereja seca) nesta época a ₹150 por quilo. Um comerciante com quem falei em Visakhapatnam estava a pagar ₹115. Não insisti mais com ele sobre os números.

O que Bruxelas decidiu, e para quem


Em dezembro, a UE alterou as leis. As grandes empresas têm agora até ao final de 2026 para se adequarem, enquanto as pequenas têm até meados de 2027. Aos pequenos produtores primários foi concedido um processo mais simples: bastam-lhes apresentar uma declaração única e, em alguns casos, podem utilizar códigos postais em vez de coordenadas exatas.

Mas, se olharmos com atenção, surge um padrão. As alterações beneficiam sobretudo os operadores, ou seja, as empresas que colocam os produtos no mercado da UE. Por exemplo, um agricultor da Baviera que vende madeira é um operador, mas a Mangi não o é. Os feijões dela chegam à Europa através de agentes, moinhos e exportadores, e é o exportador que apresenta a declaração. O exportador continua a ter de recolher dados detalhados junto da fonte. Esta responsabilidade acaba por recair sobre a pessoa com menos poder para recusar e com menor capacidade para lidar com a carga adicional.

Não estou a dizer que o objetivo da lei esteja errado. As florestas estão a ser abatidas para dar lugar a terras agrícolas em toda a região tropical, e isso é um problema real. Mas a maior parte desse abate ocorre em grandes plantações com fileiras bem alinhadas e encostas descobertas, que os satélites conseguem detetar facilmente. A lei consegue detetar essas explorações agrícolas, mas tem dificuldade em identificar a dela.

Esta desigualdade tem um impacto real. O sistema concebido para detetar a destruição não consegue reconhecer uma boa gestão da terra. Mas pode impor um custo, e esse custo é suportado por quem está na base da pirâmide social.


A Floresta que Nunca Esteve em Risco

Noutra versão desta história, Mangi seria o exemplo perfeito do que a regulamentação pretende alcançar. O seu café mostra verdadeiramente o que significa «sem desflorestação». É cultivado precisamente no local que a Europa pretende proteger, por pessoas que cuidavam dele muito antes de Bruxelas se envolver. Se o sistema funcionasse como deveria, os seus grãos passariam rapidamente pelo processo e o seu rosto estaria na embalagem.

Mas agora, os compradores que costumavam enviar café de Koraput para a Europa estão a planear vender mais no mercado local. O café continua a sair das colinas, mas não vai tão longe e é vendido por menos dinheiro.

No mês passado, voltei a visitar a encosta dela. As jacas estavam cheias e as cafeeiras davam frutos à sombra. A copa das árvores acima parecia exatamente como sempre foi durante os meus anos de trabalho. Algures lá em cima, um satélite passou e captou a sua imagem habitual: floresta. Não viu as quintas. Não havia nada a relatar.

domingo, 12 de julho de 2026

ÁGUEDA: QUERCUS DENUNCIA PLANTAÇÕES DE EUCALIPTO EM ÁREAS AFETADAS POR INCÊNDIOS


  • O Núcleo Regional da Quercus de Aveiro tem recebido denúncias de novas plantações de eucalipto em áreas sensíveis do concelho de Águeda, nomeadamente na proximidade de habitações, linhas de água, vias de comunicação e solos com condicionantes territoriais. Além da proximidade às habitações, a Quercus alerta para a presença de eucaliptos e outras espécies de elevada inflamabilidade ao longo de estradas municipais, caminhos de acesso às aldeias e vias secundárias. Perante as denúncias recebidas, a Quercus exige: (1) A reapreciação urgente das autorizações de plantação de eucalipto em áreas sensíveis, especialmente junto a habitações, linhas de água, vias de comunicação e solos com condicionantes; (2) A fiscalização efetiva das plantações realizadas no terreno, incluindo a verificação das distâncias legais, das faixas de gestão de combustível, das condicionantes territoriais aplicáveis e dos pareceres municipais; (3) A suspensão ou reversão das plantações que agravam o risco para pessoas, bens e infraestruturas; (4) O cumprimento das promessas assumidas após os incêndios de 2024 relativamente ao arranque de touças, remoção de material lenhoso e apoio à plantação de espécies autóctones; (5) A criação de programas municipais e nacionais de apoio à substituição de eucaliptal em zonas críticas por espécies autóctones, sistemas agroflorestais resilientes e modelos florestais de ciclos mais longos; (6) A responsabilização das entidades públicas e privadas que continuem a promover ou validar modelos de ocupação do território que aumentam o risco de incêndio. (7) A segurança das populações não pode continuar subordinada à expansão de um modelo florestal intensivo, inflamável e incompatível com a proteção das aldeias.
  • Para combater o calor, o Rossio de Évora vai receber floresta gigante com 1500 árvores. O projeto vai transformar um dos locais mais quentes da cidade no maior legado da Capital Europeia da Cultura 2027. Fonte.
  • TribunaL de Beja condena incendiário a pena de prisão efetiva e expulsão do País. Fonte.
  • Moradores relatam doenças em área contaminada por petróleo no litoral de São Paulo. Fonte.
  • Por dentro da obsolescência programada da Apple. Fonte.

terça-feira, 7 de julho de 2026

FOGOS DE ARTIFÍCIOS: IMPACTOS SIGNIFICATIVOS E DURADOUROS

  • Estudos recentes publicados em revistas da American Chemical Society (ACS), que revelam que os fogos de artifício têm impactos ambientais significativos e duradouros, para além do espetáculo visual que proporcionam. Os resíduos de fogos de artifício usados libertam iões metálicos e matéria orgânica dissolvida em lagos e rios, ao mesmo tempo que absorvem outras substâncias. Estas alterações químicas podem perturbar as comunidades microbianas e os ecossistemas aquáticos, especialmente quando grandes quantidades de lixo são arrastadas para os cursos de água após as celebrações. Um estudo realizado durante as celebrações do Ano Novo Lunar na China, detetou aumentos substanciais de aminas — substâncias químicas que reagem na atmosfera para formar neblina — a par de outros poluentes relacionados com fogos de artifício, como partículas finas e iões de sulfato. Fonte.
  • A Colúmbia Britânica e Alberta ficam para trás no que diz respeito às distâncias de segurança para os residentes em relação à fraturação hidráulica. Muitos dos produtos químicos utilizados na fraturação hidráulica são nocivos para os seres humanos e incluem substâncias cancerígenas, como os PFAS (comumente designados por «produtos químicos eternos»), e desreguladores endócrinos. Estes produtos químicos podem vazar para o ambiente através de derrames, de tubagens que acabam por sofrer erosão e fissuras, e da evaporação para a atmosfera quando armazenados em tanques abertos de águas residuais. A toxicidade desta mistura química é ainda mais agravada por materiais radioativos naturais e metais pesados extraídos das profundezas do subsolo durante o processo de fraturação hidráulica. Fonte.
  • Consulta pública até 24 de julho: Projeto Híbrido da Herdade dos Gagos (Vidigueira e Portal) - produção de energia elétrica a partir de fonte solar e eólica. Fonte.
  • Alemanha salva floresta da exploração mineira. Os alemães venceram a batalha para impedir a construção de uma mina de carvão numa floresta ancestral. Resta apenas 145 da floresta original. Fonte.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

REFLEXÃO

QUEM LUCRA COM O FOGO?
Diogo Gomes, Esquerda.


Todos os anos, Portugal arde. Todos os anos, há um debate sobre prevenção, sobre os meios, e sobre culpas. E todos os anos, quando o fumo baixa, as coisas continuam exatamente onde estavam.

A floresta portuguesa foi entregue à indústria da celulose. O eucalipto ocupa hoje 26% da floresta nacional, cresceu 59% entre 2005 e 2015, porque empresas como a Navigator precisavam de matéria-prima barata e o Estado foi deixando aliás foi mais do que deixar: subsidiou, até olhou para o outro lado enquanto o território era transformado numa plantação ao serviço de acionistas. O eucalipto arde, toda a gente o sabe. A indústria também sabe. E continua a plantar.

Isto tem um nome. Chama-se captura do Estado por interesses privados. Uma empresa lucra com uma floresta que é um risco permanente para as populações que vivem à volta. As aldeias arderam. As pessoas morreram. Pedrógão Grande aconteceu. Monchique aconteceu. E a resposta do Estado foi continuar a assinar contratos.

Mas há uma segunda metade neste negócio.

Para combater o fogo que a indústria ajuda a criar, o Estado paga dezenas de milhões por ano a empresas privadas. O orçamento do dispositivo de combate a incêndios cresceu de 38 milhões em 2016 para 75 milhões nos últimos anos. Em 2025, a Polícia Judiciária fez buscas em nove empresas do setor. Constituiu arguidos sete administradores. A suspeita é de cartel com concursos viciados, de informação privilegiada a chegar às empresas certas antes dos concursos fecharem. Uma dessas empresas ganhou 40 milhões de euros em contratos num único dia. E em março deste ano, com as investigações em curso, a Força Aérea voltou a adjudicar 21 milhões à mesma empresa.

Leiam isto outra vez. O Estado sabe que há um cartel suspeito a sugar dinheiro público no combate aos incêndios. E renova o contrato.

Há quem precise que o Estado continue a pagar. Quem tenha acesso suficiente para garantir que isso aconteça. E há populações do interior que continuam a ver as suas casas arder, as suas paisagens desaparecer, enquanto o dinheiro público vai para onde sempre foi.

A quem serve este modelo? Não serve as comunidades rurais, que ficam sem floresta e sem futuro. Não serve os bombeiros voluntários, que arriscam a vida com meios insuficientes. Não serve o erário público, que paga uma fatura que não devia existir nesta escala. Serve a Navigator. Serve os operadores de helicópteros que concertam preços. Serve quem capturou a política florestal e a política de proteção civil como mais um setor de extração de lucro.

A solução é proibir a expansão do eucalipto. É renacionalizar os meios de combate a incêndios, retirando do mercado um serviço público essencial. É responsabilizar quem fez da floresta portuguesa uma fábrica de catástrofes. E é ter a coragem de dizer em voz alta que este país arde todos os anos porque há quem lucre com isso, e porque esse alguém tem mais acesso ao poder do que as pessoas que perdem tudo.

Enquanto isso não mudar, o fogo volta. E o contrato renova-se

terça-feira, 30 de junho de 2026

REFLEXÃO

O MILAGRE DOS EUCALIPTOS DE MELRES
Ricardo Meireles, Substack.


A 28 de Junho, o jornal Nascer do Sol publicou uma peça com um título que vale por si: “Eucaliptos resistem onde ardeu tudo”. O ponto de partida é real. Dois povoamentos de eucalipto ficaram intactos no meio de um incêndio que, em 2024, queimou cerca de quatro mil hectares em Penafiel, Paredes e Gondomar. Quem sobe ao miradouro de Melres vê hoje duas ilhas verdes numa encosta carbonizada. A imagem é forte e a pergunta que ela levanta é legítima. A resposta que o jornal lhe dá é que o problema do fogo está na gestão e não na espécie, e o título dá um salto que o resto do texto não sustenta.

A rubrica #areiaparaosolhos existe também para separar as frases que seduzem daquilo que as frases escondem. Vamos por partes.

O que o título promete e o que o próprio texto admite

O título diz “eucaliptos resistem”. Sugere que a espécie tem uma qualidade de resistência ao fogo. A explicação que o jornal apresenta aponta para o contrário. Segundo o jornalista a peça jornalística, aquele povoamento aguentou porque foi plantado em terraços, porque as máquinas conseguem entrar para controlar a vegetação, e porque beneficiou de preparação do terreno e de redução de combustível. Por outras palavras, o que ali resistiu foi um regime de gestão intensiva, assente no uso de petróleo como energia barata, com solo trabalhado e biomassa retirada à mão e à máquina.

A própria peça responde, portanto, ao seu título. Aquelas árvores não pararam o fogo por serem eucaliptos. Pararam o fogo apesar de o serem, graças a um esforço de limpeza que removeu quase tudo o que era inflamável à volta delas. Atribuir esse mérito à espécie é o primeiro grão de areia para os olhos de quem lê. O mérito é do trabalho, e o trabalho foi feito precisamente porque o eucalipto, sozinho e em quantidade, arde com violência.

A frase que viaja sem o seu contexto

O artigo cita um investigador da Universidade de Lisboa para sustentar a ideia de que a espécie não é o problema e que o que conta é a quantidade de biomassa disponível para as chamas. A frase é defensável em termos estritos de comportamento do fogo. A carga de combustível pesa, e muito, na forma como um incêndio se propaga. O investigador é uma fonte independente e o reparo que aqui se faz não é sobre ele. É sobre o uso que o artigo faz das suas palavras.

A frase chega ao leitor decapada do contexto. “A espécie não é o problema” é verdade quando se fala apenas de física da combustão num talhão específico. Deixa de ser verdade quando se usa essa meia-ideia para ilibar um modelo inteiro de ocupação do território. Já o escrevi noutro texto neste site: o que desertifica o solo não é a árvore em si, é o regime de monocultura em que é plantada e explorada. A reportagem do Nascer do Sol fica-se pela primeira metade dessa frase, a que tira o foco do eucalipto, e descarta a segunda, a que devolve o foco ao regime que o multiplica em talhões de idade igual, sem estratos, sem sombra e sem água retida no solo.

O que a montra esconde: água, solo, microclima

Ao fixar todo o problema na quantidade de combustível e na limpeza do chão, o artigo apaga a dimensão que mais importa quando se fala de paisagens que ardem. Uma floresta biodiversa e estratificada, com plantas a ocupar diferentes alturas, funciona como um condensador. A atividade fotossintética arrefece o ar à sua volta, atrai humidade da atmosfera, condensa-a e prende-a no primeiro palmo de terra. Esse solo húmido e sombreado abranda o fogo. Um eucaliptal em monocultura faz o oposto. Deixa o vento seco correr, aquece, evapora e prepara o terreno para arder.


A ciência feita em Portugal já mediu estes factos. O investigador Joaquim Sande Silva ordenou, num estudo de 2009, as formações florestais por propensão para arder, e colocou o pinheiro-bravo e o eucalipto no topo, com o sobreiro, o castanheiro, a azinheira e o pinheiro-manso no fundo da lista. Vale a pena reter que o pinheiro-manso, também ele uma resinosa, fica entre os menos inflamáveis, sinal de que a etiqueta da espécie não decide tudo. Trabalho posterior da equipa de Jordi Garcia-Gonzalo, no mesmo Instituto Superior de Agronomia, mostrou que os povoamentos mistos e de folhosas reduzem o risco de fogo face ao pinheiro-bravo e ao eucalipto. O risco mora na monocultura densa e contínua de espécies inflamáveis, e a diversidade trabalha como corta-fogo.

E há uma razão económica para que estas espécies menos inflamáveis ocupem hoje tão pouco terreno. O carvalho, o castanheiro e o sobreiro são de crescimento lento, próprios das fases maduras da floresta, daquilo a que se chama o regime de abundância, e que podem levar décadas ou séculos a instalar-se. Esse tempo longo não serve o modelo da indústria da pasta de papel, que vive de cortar depressa e em grande quantidade. A própria Navigator descreve o eucalipto globulus como a espécie que está na origem dos seus papéis e valoriza-o justamente por ser de crescimento rápido, com ciclos de plantação e corte de cerca de doze anos, em povoamentos plantados exclusivamente para esse fim. Uma floresta que arde menos é, quase sempre, uma floresta que amadurece devagar, e uma floresta que amadurece devagar é tudo o que um modelo da industria da celulose não pode permitir.

A “limpeza” que a reportagem celebra é, vista por este ângulo, parte do problema e não a solução. Um chão raspado até ao osso é um chão que perde água por evaporação, que regride na sucessão ecológica e que precisa de recomeçar do zero o trabalho de se cobrir. A peça apresenta o solo exposto como virtude. Em rigor, é a assinatura de um ecossistema mantido em estado de adolescência permanente, ao serviço da extracção, sempre pronto a recomeçar e nunca autorizado a amadurecer até à fase em que a paisagem se torna húmida e pouco inflamável.

Incêndio a atravessar a A3 entre o Porto e Valença, na zona da Trofa, há cerca de vinte anos, em pleno território de monocultura de eucalipto gerido por empresas de celulose. O problema é antigo e é estrutural. Fotos: ©Ricardo Meireles 2006

A escala que falta à fotografia

A reportagem mostra dois talhões. O país tem outra dimensão. Portugal tem perto de oitocentos mil hectares de eucalipto e mais de um milhão de hectares de plantações industriais de espécies de crescimento rápido. As áreas onde o eucalipto não arde de forma explosiva são as parcelas bem geridas e protegidas pelas celuloses, uma minoria do total. A larga maioria, a que alimenta a indústria, é onde se exprimem as características mais combustíveis da espécie, a biomassa que se acumula depressa e o material incandescente que salta a quilómetros de distância e abre novas frentes.

Há ainda um problema de método na própria escolha do caso. Mostrar dois povoamentos que sobreviveram dentro de quatro mil hectares ardidos é seleccionar pelo resultado. Falta a pergunta que daria sentido ao número: quantos talhões de eucalipto, geridos ou não, arderam naquele mesmo incêndio? Sem essa conta, dois sobreviventes são uma anedota fotogénica e não uma prova.

Quem explica o “milagre”

A fonte que explica a resistência daqueles povoamentos é um engenheiro florestal da Navigator, a empresa proprietária dos eucaliptais. O perito que elogia a gestão dos talhões trabalha para a dona dos talhões. A reportagem apresenta-o entre especialistas, sem uma palavra sobre o conflito de interesse evidente. Não é preciso supor má-fé de ninguém para reconhecer o óbvio. Quem tem o ativo a defender não é uma fonte neutra sobre o valor ou risco desse ativo.

O desvio para os quatrocentos mil proprietários

No fim, a peça empurra a culpa. Diz que o problema da floresta portuguesa está nos mais de quatrocentos mil proprietários com parcelas minúsculas, sem escala para oferecerem rentabilidade. Repare o leitor neste movimento. Um problema de água, de solo e de modelo ecológico é convertido num problema de escala empresarial. E a solução implícita nesse diagnóstico é concentrar a terra em explorações grandes e geridas, ou seja, mais do mesmo modelo que produziu a paisagem inflamável e influenciou o clima seco. A pergunta que falta é simples. A floresta serve para dar rentabilidade a um sector que a quer tornar num chão de fábrica, ou serve para segurar água, sombra e comunidades? A reportagem responde à primeira e finge que é a única.

Veredito

O mais difícil de desmontar num texto destes não são as mentiras. São os factos verdadeiros postos ao serviço de uma conclusão falsa.

O facto de base é verdadeiro. Dois povoamentos de eucalipto sobreviveram ao incêndio em Melres, e sobreviveram por terem sido geridos, com terraços, acessos e remoção de combustível. Isso aconteceu e está correctamente descrito.

O título é falso. “Eucaliptos resistem onde ardeu tudo” generaliza dois talhões geridos para a espécie inteira e afirma quase o contrário do que a ciência e o próprio corpo do artigo dizem. O que resistiu foi a gestão do deserto verde.

A tese geral é descontextualizada. Constrói-se a partir de uma frase verdadeira retirada do seu contexto técnico, ilustra-se com um caso escolhido pelo resultado, sustenta-se numa fonte com interesse directo no assunto, e omite a água, o solo, a estratificação e a escala real do eucaliptal português. Cada peça, isolada, quase se defende. O conjunto conduz o leitor a uma conclusão que os factos não autorizam.

Por tudo isto esta notícia, tendo em conta a disposição dos factos e a falta de independência da fonte é #AreiaParaOsOlhos.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

ÉVORA E BEJA COMBATEM CALOR COM MUDANÇAS NA PAISAGEM URBANA

  • Évora e Beja lideram a transformação urbana no Alentejo através de um projeto-piloto nacional desenhado para reverter o efeito das ilhas de calor e baixar as temperaturas extremas no verão. A estratégia assenta na reconversão de pavimentos áridos, plantação massiva de árvores e instalação de sistemas inovadores de arrefecimento natural por água. As intervenções estruturais nas duas cidades alentejanas vão muito além da jardinagem tradicional, consistindo em engenharia urbana focada na resiliência climática para reter a humidade e bloquear a radiação solar direta. Uma das principais frentes de obra foca-se na substituição do asfalto escuro e dos pavimentos cimentados por pisos permeáveis de cores claras, que refletem a radiação solar e evitam a acumulação de calor no solo. Em paralelo, decorre a plantação estruturada de árvores de copa densa e espécies autóctones, selecionadas especificamente por necessitarem de pouca água e por garantirem a criação imediata de vastas zonas de sombra natural. Para maximizar o arrefecimento por evaporação, os projetos integram a instalação de espelhos de água dinâmicos, fontes decorativas, pulverizadores urbanos e pequenas bacias de retenção que ajudam a humedecer o ar circundante. Estas medidas são interligadas através de redes de conforto climático, que consistem em corredores pedonais sombreados por toldos térmicos e vegetação vertical, permitindo a circulação segura dos cidadãos entre as áreas residenciais e os novos refúgios climáticos da cidade. Em Évora, os trabalhos de requalificação do Rossio de São Brás já arrancaram. O antigo espaço descampado, historicamente exposto ao sol e responsável por acumular níveis críticos de calor, está a ser transformado num grande pulmão verde multifuncional preparado para acolher a abertura da Capital Europeia da Cultura 2027. Em Beja, o foco coi a criação de micro-oásis urbanos e caminhos sombreados distribuídos por pontos críticos da cidade, especialmente junto a habitações e infraestruturas sociais. O município delineou uma rede de percursos urbanos frescos equipados com pontos de água potável gratuita e áreas de descanso protegidas do sol, visando mitigar o impacto do calor extremo na saúde de franjas mais vulneráveis da população, como idosos e crianças, com um horizonte de conclusão previsto até 2027. Fonte.
  • Limpeza florestal em Leiria cria excesso de madeira e ninguém a quer comprar. FonteOs campeões das celuloses querem-na mais barata, e o que é feito das centrais de biomassa?

quinta-feira, 23 de abril de 2026

CINCO EMPRESAS REFORÇAM CAPITAL DO FUNDO FLORESTAS DE PORTUGAL


O Fundo Florestas de Portugal, gerido pela Fidelidade SGOIC, reforçou o seu capital para cerca de 12 milhões de euros com a entrada de novos investidores, incluindo Corticeira Amorim, Fidelidade, Jerónimo Martins, Mota-Engil e REN. O fundo tem como objetivo valorizar o capital investido através da gestão ativa de recursos agroflorestais e dos serviços de ecossistema, incluindo a geração de créditos de carbono de elevada qualidade. Fonte.

Terá isto a ver com o alerta de Luís NevesMinistro da Administração Interna? - “O verão vai ser terrível, pode ser muito difícil, há fatores novos, extraordinários, negativos, e, por isso, eu peço, em nome de todos, que cada um possa fazer o seu trabalho. O tempo de preparação, de limpeza, de identificação de dificuldades é agora, este é o momento oportuno”.

terça-feira, 21 de abril de 2026

PRÉMIOS GOLDMAN 2026

  • Vencedores do Prémio Ambiental Goldman de 2026: Sarah Finch e o Weald Action Group lideraram uma campanha contra a exploração petrolífera no sudeste de Inglaterra durante mais de uma década, perseverando ao longo de cinco anos de disputas judiciais cada vez mais acirradas contra um projeto de exploração petrolífera em Surrey, até que a coligação conseguiu uma decisão do Supremo Tribunal, em junho de 2024, que finalmente obrigou ao seu encerramento; Em nome de 15 nações tribais, Yup’ik Alannah Acaq Hurley liderou uma campanha que impediu a concretização do megaprojeto da mina de cobre e ouro Pebble, na região da Baía de Bristol, no Alasca; A ativista Borim Kim e a sua organização, Youth 4 Climate Action, venceram o primeiro processo judicial sobre o clima liderado por jovens na Ásia. Em agosto de 2024, o Tribunal Constitucional da Coreia do Sul considerou que a política climática do governo violava os direitos constitucionais das gerações futuras, determinando a criação de metas de redução de emissões juridicamente vinculativas para o período de 2031 a 2049, a fim de cumprir o compromisso do país de atingir emissões líquidas nulas até 2050; Yuvelis Morales Blanco ajudou a mobilizar a sua comunidade em Puerto Wilches contra dois importantes projetos de perfuração, impedindo com sucesso a introdução da fraturação hidráulica comercial na Colômbia. Em 2022, a maior empresa petrolífera do país, a Ecopetrol, suspendeu os seus contratos relativos ao projeto-piloto de fraturação hidráulica; Theonila Roka Matbob liderou uma campanha bem-sucedida que levou a Rio Tinto, a segunda maior empresa mineira do mundo, a assinar, em novembro de 2024, um memorando de entendimento histórico para fazer face à devastação ambiental e social causada pela sua mina de Panguna, há muito inativa; Depois de redescobrir o morcego-de-cauda-curta-e-orelhas-redondas, uma espécie em perigo de extinção, na Nigéria, Iroro Tanshi identificou os incêndios florestais provocados pelo homem como a principal ameaça à espécie e lançou uma campanha bem-sucedida para proteger o seu refúgio, o Santuário de Vida Selvagem da Montanha Afi. Entre o início de 2022 e maio de 2025, ela e as brigadas de incêndio da sua comunidade impediram a ocorrência de incêndios florestais graves dentro e nos arredores do santuário, patrulhando milhares de quintas e respondendo eficazmente a mais de 70 focos de incêndio, salvaguardando as comunidades, as florestas e o frágil habitat do morcego.
  • Grupos ambientalistas entraram com uma ação judicial contra a administração Trump devido à aprovação do novo e gigantesco projeto de perfuração petrolífera em águas ultraprofundas da BP no Golfo do México, 16 anos depois do dia em que o desastre da Deepwater Horizonda mesma empresa, causou o pior derrame de petróleo da história dos EUA. Fonte.
  • As grandes petrolíferas investem milhares de milhões em locais de perfuração remotos para escapar à agitação no Irão. A Exxon apresentou um plano para investir até 24 mil milhões de dólares nos campos petrolíferos em águas profundas da Nigéria, enquanto a Chevron expandiu a sua presença na Venezuela. A BP adquiriu participações em blocos petrolíferos ao largo da costa da Namíbia e a TotalEnergies assinou um acordo de exploração com a Turquia. Fonte.
  • O que a OCDE ainda não conseguiu dizer sobre os incêndios em Portugal. O relatório final chega quase ao ponto. Depois pára, e deixa de fora o eucalipto, a celulose e a monocultura que fabricou a paisagem que arde. Ricardo Meireles.

sábado, 18 de abril de 2026

BICO CALADO

  • A TVI protege a patroa. A menina de Loures que se aguente. Jacinto Furtado.
  • Os incêndios florestais de 2025 na região de Los Angeles, que obrigaram mais de 200 000 pessoas a abandonar as suas casas, tiveram um impacto desproporcionalmente grave nas pessoas que já viviam em situação de sem-abrigo. Fonte.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

REFLEXÃO

CÂMARA DE SEVER SUSPENDE ATIVIDADE FLORESTAL PARA RALI DE PORTUGAL


A Câmara de Sever do Vouga decidiu mandar suspender, até 7 de maio, todos os trabalhos de extração, corte, arraste e transporte de madeira nos troços Alombada – Alto do Roçario e Braçal – Alto da Serra até 7 de maio (inclusive) devido ao Rali de Portugal. O aviso da Câmara determina ainda a limpeza das bermas e a remoção urgente de todas as pilhas de troncos, ao longo dos percursos. A Unimadeiras, contesta a decisão, alegando que a interrupção da operação de limpeza de matas fragiliza o sistema, num momento de pressão crescente, devido a eventos climáticos e risco de incêndio. Nuno Pinto salienta que “a gestão da floresta é uma atividade económica estruturante” e reclama “maior equilíbrio entre eventos mediáticos e a economia real”. Fonte.

Embora se possam colocar de lado as questões relativas à utilidade pública, aos impactos ambientais, aos custos económicos e aos riscos de segurança que um rali automóvel inevitavelmente acarreta, a decisão desta Câmara revela problemas graves nos domínios legal, económico e da proporcionalidade.
Decisões desta natureza deveriam ser obrigatoriamente precedidas de pareceres vinculativos ou, pelo menos, técnicos da Proteção Civil, da GNR e de especialistas em gestão florestal. Na ausência dessa fundamentação, a deliberação torna-se arbitrária, o que a expõe a impugnação administrativa ou judicial.
Em alternativa a uma suspensão geral e desproporcionada, a Câmara poderia adotar medidas menos restritivas e mais eficazes, designadamente: estabelecer um plano de condicionamento temporário de acessos durante as passagens do rali, coordenar com os proprietários florestais horários específicos para a realização de trabalhos naquelas janelas temporais e exigir aos organizadores seguros de responsabilidade civil que cubram, de forma explícita, eventuais danos causados a pessoas, bens ou ao meio ambiente.
A decisão de suspender as atividades florestais pode, ironicamente, aumentar o risco de incêndio, na medida em que ignora a importância da gestão florestal ativa para a segurança dos territórios.
Os proprietários florestais têm o direito de gerir os seus terrenos dentro da lei. Ao suspender todas as atividades sem a presença de um perigo concreto e iminente, a Câmara pode estar a incorrer numa restrição abusiva ao direito de propriedade e ao livre exercício da atividade económica.
Muitos trabalhadores florestais, pequenos proprietários e empresas do setor dependem da continuidade das operações de gestão — como podas, abate e transporte de biomassa. Uma suspensão abrupta e genérica pode causar perdas económicas significativas, sem que esteja prevista qualquer forma de compensação.
Se esta decisão se mantiver, outros municípios poderão ser tentados a imitá-la para qualquer tipo de evento (romarias, corridas, festas populares), criando instabilidade no setor florestal e desincentivando a gestão ativa e responsável do território.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

IRLANDA DO NORTE: MINISTRO MINIMIZA CONTAMINAÇÃO DE ÁGUAS COSTEIRAS POR ESGOTO NÃO TRATADO

  • Os cartazes, que se apresentam como um «aviso público urgente», descrevem o Belfast Lough, em Antrim, Irlanda do Norte, como «altamente contaminado com esgoto não tratado» e alertam as pessoas para não entrarem na água nem permitirem que animais de estimação e crianças entrem na praia. No entanto, Andrew Muir, ministro responsável pelo Departamento de Agricultura, Ambiente e Assuntos Rurais, afirmou não saber quem colocou os cartazes, considerando-os enganadores. Fonte.
  • 18% das baleias cinzentas que entram na Baía de São Francisco morrem nesse local, principalmente devido a colisões com embarcações. Devido à crise climática, que está a reduzir as suas presas no Ártico, a população de baleias cinzentas diminuiu mais de 50 % desde 2016. A baía serve como um ponto de paragem de emergência para as baleias famintas que se desviam da sua tradicional rota migratória. As baleias cinzentas têm um perfil discreto quando emergem, o que as torna difíceis de avistar no nevoeiro habitual da Baía de São Francisco. Além disso, o Estreito da Golden Gate funciona também como um gargalo por onde todo o tráfego marítimo e as baleias têm de passar. Fonte.
  • Jim Wright concorreu à Comissão Ferroviária do Texas há seis anos como reformista. Mas as suas reformas despertaram a ira de poderosos magnatas do petróleo, que agora tentam destituí-lo. Fonte.
  • Na Suécia, áreas de florestas primárias, que nunca foram abatidas ou sofreram pouca intervenção humana, armazenam mais de 70% a mais de carbono por hectare em comparação com florestas regeneradas ou plantadas. Fonte.
  • Solidariedade com os presos políticos no Uganda condenados pela sua resistência ao oleoduto de morte. Fonte.

quarta-feira, 25 de março de 2026

CENTRAIS DE BIOMASSA APOIADAS PARA MELHOR COMBATER FOGOS RURAIS

  • O Ministério do Ambiente e Energia reformulou o regime de cálculo da remuneração das centrais de biomassa, passando a atribuir maior peso ao contributo de cada unidade na gestão integrada de fogos rurais. A alteração procura reforçar o papel destas centrais na prevenção de incêndios e na gestão florestal. Com a nova portaria, a remuneração das centrais passa também a estar indexada à área ardida na respetiva região de influência, num período de referência até três anos. Fonte.
  • A Quercus alerta para risco de contaminação do Rio Zêzere com resíduos tóxicos da extração mineira e pede mais fiscalização à qualidade da água, especialmente depois do colapso da barragem de lamas das Minas da Panasqueira de que resultou o arrastamento de uma considerável quantidade de resíduos inertes tóxicos para os cursos de água próximos, nomeadamente a ribeira de Cebola, um afluente do rio Zêzere. Em causa estão metais pesados altamente tóxicos como o chumbo e o arsénio, decorrentes da atividade mineira, e que só por si são motivo mais do que suficiente para a existência de fiscalização mais meticulosa. Este episódio motivou, aliás, a suspensão da captação de água num ponto de abastecimento local e impulsionou a necessidade de análises para controlo da qualidade da água por parte da Câmara Municipal da Covilhã. Fonte.
  • O projeto mineiro de volfrâmio "San Juan" em A Gudiña, na província galega de Ourense, situa-se a menos de dois quilómetros do concelho português de Vinhais e do Parque Natural de Montesinho. Apesar desta proximidade, o projeto avança “sem que estejam cumpridas as obrigações internacionais de consulta e avaliação transfronteiriça que vinculam o Estado português”, refere do deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo. Fonte.

EUA: CENTRAL EÓLICA DESCARTADA A FAVOR DE PROJETOS DE GÁS E PETRÓLEO

Turbinas eólicas no parque eólico de Altamont Pass, em 13 de janeiro de 2026, em Livermore, Califórnia. 
(Foto de Justin Sullivan/Getty Images)
  • A francesa TotalEnergies concordou em renunciar aos seus projetos em águas federais ao largo das costas de Nova Iorque e da Carolina do Norte e, em vez disso, investirá o dinheiro recebido da administração Trump em projetos de petróleo e gás nos EUA, «incluindo uma instalação no Texas que exportaria gás natural liquefeito para os mercados globais». «Isto não passa de um suborno financiado pelos contribuintes para acabar com a energia limpa produzida internamente e entregar o dinheiro diretamente aos executivos do setor do petróleo e do gás», escreveu a organização de defesa do clima Evergreen Action nas redes sociais. «Trump está, mais uma vez, a obrigar os americanos a pagar mais pela energia para que os seus grandes doadores do setor petrolífero possam arrecadar ainda mais lucros.» Melanie D’Arrigo, diretora executiva da Campaign for New York Health, expressou um sentimento semelhante. «Mil milhões de dólares dos nossos impostos para acabar com um programa de energia limpa que cria empregos, apenas para que os grandes doadores do setor petrolífero de Trump possam obter mais lucros», escreveu D’Arrigo. «A presidência mais corrupta de sempre — e nem sequer há comparação.» Fonte.
  • A Califórnia processa Trump para manter fechado o oleoduto na costa de Santa Bárbara. Fonte.
  • Foi instaurada uma ação judicial contra a Fraport Brasil — a subsidiária brasileira da Fraport AG, proprietária do Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha — na sequência de acusações de destruição ambiental. O vereador de Fortaleza, Gabriel Biologia, interpôs uma ação coletiva contra a empresa, juntamente com outras entidades públicas reguladoras, solicitando uma indemnização de 100 milhões de reais brasileiros (cerca de 16,5 milhões de euros). A ação alega «irregularidades e ilegalidades» relacionadas com a desflorestação de uma área de terreno localizada nas proximidades do Aeroporto Internacional de Fortaleza, no Brasil, que está a ser desbastada para a construção de um armazém logístico. O Aeroporto Internacional de Fortaleza é uma subsidiária da Fraport AG. Fonte.

sábado, 21 de março de 2026

ESPINHO: REDE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA RENOVADA

  • A rede de abastecimento de água vai ser renovada na zona abrangida entre a Rua 20 e a Avenida 24 e entre a Rua 15 e a Rua 62. A obra implicará a substituição das condutas em fibrocimento, a criação de Zonas de Medição e Controlo e a instalação de Válvulas Redutoras de Pressão. Tudo por 567.509,48€, com uma comparticipação do Fundo de Desenvolvimento Regional de 247.948,11€, e a realizar em 6 meses pela MSA Construções e Obras Públicas – Manuel Francisco de Almeida SA. Fonte.
  • Falta de incentivos públicos compromete mosaico agroflorestal que previna fogos rurais. Apesar do aumento de apoios públicos à agricultura entre 2020 e 2023, a gestão ativa do território em Portugal diminuiu drasticamente. Desapareceram cerca de 800 mil hectares de áreas agrícolas declaradas (quase metade), enquanto o número de agricultores se manteve estável, indicando que há mais dinheiro, mas menos território gerido. A nova portaria que apoia o pastoreio extensivo (fundamental para reduzir combustível vegetal) vê-se limitada porque faltam pastores. O rácio de agricultores com mais de 65 anos por jovem (menos de 35) subiu de 14 para 1 em 2020, para 19 para 1 em 2023. Sem gestão ativa (pastoreio) e sem renovação geracional, o território torna-se acumulador de vegetação, comprometendo o mosaico agroflorestal, que é uma das principais defesas contra os incêndios rurais. A Zero crítica a natureza temporária dos apoios (limitados a 2026), defendendo que a prevenção de incêndios exige estratégias de longo prazo, não soluções avulsas dependentes de ciclos políticos. Propõe-se a criação de um rendimento equivalente a um Indexante dos Apoios Sociais para jovens agricultores em territórios vulneráveis. Fonte.

quarta-feira, 18 de março de 2026

PAMPILHOSA DA SERRA: ÁRVORE EÓLICA PARA FAZER ESQUECER DESORDENAMENTO FLORESTAL?

  • A instalação de uma árvore eólica, parte integrante da empreitada de arranjo urbanístico da entrada oeste da vila de Pampilhosa da Serra, encontra-se em fase de testes e será responsável por alimentar a quase totalidade das necessidades energéticas do espaço assim que a obra estiver finalizada. A estrutura é composta por 36 microturbinas eólicas, com uma potência total de 10.800 W, O projeto de requalificação urbanística é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Regional do Centro – Centro 2030. FonteOra aqui está um projetozinho que custou uma pipinha de massinha e que vai fazer arregalar o olhinho ao Zé Povinho e fazê-lo distrair-se dos graves problemas de desordenamento florestal naquela região. Não me admiraria se, daqui a algum tempo, ouvisse dizer que houve romariazinhas aquando da sua estreiazinha. Além de serem caras para a baixa produção energética, vão ser um trambolho após os primeiros momentos de espanto.
  • O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, José Guerreiro, assinou três contratos por ajuste directo com o empresário Jaime Oliveira, através da empresa Tagus Plus, actualmente acusado pelo Ministério Público de falsificação de amostras de amêijoas no estuário do Tejo — amostras que estiveram na origem de 348 intoxicações em cinco países europeus. Fonte.
  • Em Oeiras, nos anos de 1980 e 90 construíram-se parques empresariais isolados, totalmente dependentes do automóvel, à imagem do modelo suburbano americano, atraindo empresas e classes médias e altas para polos monofuncionais localizados sobre os melhores solos do país. O regime de Isaltino, O Maio.
  • Está a ocorrer o corte de uma grande quantidade de pinheiros-mansos na Herdade do Cabeço da Flauta, em Sesimbra, propriedade da António Xavier de Lima – Empreendimentos Imobiliários e Turísticos S.A. Moradores e ativistas (Meco Livre) criticam a falta de transparência e a dimensão do abate. O movimento argumenta que a destruição da mata fragiliza o ecossistema lagunar, fragmenta habitats e reduz a biodiversidade, mesmo estando fora dos limites oficiais da área protegida. Fonte.
  • Três em cada quatro medidores urbanos de poluição atmosférica em Espanha estão mal localizados. Fonte.
  • Pescadores do Nilo ganham mais com a recolha de plástico do que com a pesca. O declínio das populações de peixes, causado pela poluição plástica no rio, obrigou cerca de 180 pescadores de al-Qarsaya a passar da pesca tradicional para a recolha de resíduos. A VeryNile, lançada em 2018 pela empresa social egípcia Bassita, tem como objetivo limpar o rio pagando aos pescadores preços acima dos valores de mercado pelos resíduos plásticos recolhidos. A iniciativa compra plástico a preços significativamente mais elevados do que os que uma central de reciclagem normal pagaria, proporcionando uma alternativa económica à medida que as populações de peixes diminuem devido à poluição. Fonte.
  • O ex-consultor jurídico da DC Solar, Ari J. Lauer, foi condenado a mais de 11 anos de prisão pelo seu papel num esquema de fraude fiscal no setor solar no valor de mil milhões de dólares. Fonte.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

GAIA CANCELA PISCINA E AVANÇA COM REFLORESTAÇÃO DA LAVANDEIRA

  • A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia cancelou a construção do Complexo Aquático da Lavandeira, um projeto orçado em 10 milhões de euros que tinha arrancado em março de 2025 e que previa a edificação de uma piscina olímpica no Parque da Cidade. A decisão foi anunciada pelo presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes, que considerou o contrato de concessão lesivo para o interesse público. O projeto, aprovado pelo anterior executivo liderado por Eduardo Vítor Rodrigues, implicou o abate de centenas de árvores e gerou forte contestação popular devido ao impacto ambiental. Segundo o atual presidente, o acordo previa a cedência de terrenos municipais à empresa Supera por 40 anos, mediante uma renda diária de 60 euros, situação que classificou como um “negócio ruinoso”. Com a anulação do contrato, o município promete agora recuperar a área intervencionada. A reflorestação da zona está prevista para arrancar a 21 de março, Dia da Árvore, com a plantação de novas espécies e a reintegração dos terrenos no Parque da Cidade. Fonte.
  • Ruas betonizadas, sebes arrancadas, rios retificados... As nossas práticas empobreceram os solos, agravando ainda mais as cheias no oeste de França, explica a engenheira hidróloga Charlène Descollonges. Fonte.
  • Muito antes do escândalo do clordecone, os trabalhadores da Martinica já denunciavam o envenenamento das terras e dos corpos pelos pesticidas. Em 14 de fevereiro de 1974, o Estado disparou contra eles com munição real, em Chalvet. Fonte.
  • Os híbridos plug-in consomem três vezes mais combustível do que afirmam os fabricantes, revela análise do Fraunhofer Institute. Fonte.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

MÃO PESADA

  • A gigante mineira norte-americana Alcoa foi obrigada a pagar US$ 55 milhões após desmatar ilegalmente partes de uma floresta nativa da Austrália Ocidental para extrair bauxita. A Alcoa não solicitou as aprovações necessárias quando desmatou um habitat conhecido por abrigar espécies protegidas nacionalmente na Floresta Jarrah do Norte, ao sul de Perth, entre 2019 e 2025. Fonte.
  • A Bayer concorda em pagar US$ 7,25 biliões para resolver processos judiciais relacionados com o herbicida Roundup e o cancro. Milhares de processos judiciais acusam a fabricante de agroquímicos de não alertar as pessoas de que o seu herbicida pode causar cancro. Fonte.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO

‘PERDA GLOBAL DE BIODIVERSIDADE, COLAPSO DOS ECOSSISTEMAS E SEGURANÇA NACIONAL: UMA AVALIAÇÃO DA SEGURANÇA NACIONAL’
Relatório compilado pelo Comité Conjunto de Inteligência (que inclui os chefes do MI5, MI6 e GCHQ)
Tim Smedley, Medium. Trad. O’Lima.


O que diz este relatório para ter sido retido e só agora ter vindo a público?
Os riscos à segurança nacional identificados pelo relatório do Comité Conjunto de Inteligência com um nível de confiança «alto» são:
  • «A degradação e o colapso do ecossistema global ameaçam a segurança nacional e a prosperidade do Reino Unido. O mundo já está a sofrer impactos, incluindo quebras nas colheitas, intensificação de desastres naturais e surtos de doenças infecciosas. As ameaças aumentarão com a degradação e intensificar-se-ão com o colapso. Sem uma intervenção significativa para reverter a tendência atual, é altamente provável que isso continue até 2050 e depois.»
  • «Os ecossistemas críticos que sustentam as principais áreas de produção alimentar global e afetam o clima global, os ciclos hídricos e meteorológicos são os mais importantes para a segurança nacional do Reino Unido. A degradação grave ou o colapso desses ecossistemas provavelmente resultariam em insegurança hídrica, redução severa na produtividade agrícola, redução global das terras aráveis, colapso da pesca, alterações nos padrões climáticos globais, libertação de carbono retido, agravando as alterações climáticas, novas doenças zoonóticas e perda de recursos farmacêuticos. A floresta amazónica, a floresta do Congo, as florestas boreais, os Himalaias e os recifes de coral e mangais do Sudeste Asiático são particularmente significativos para o Reino Unido».
  • «Está a ocorrer uma elevada degradação dos ecossistemas em todas as regiões. Todos os ecossistemas críticos estão a caminho do colapso (perda irreversível de função, sem possibilidade de reparação).»
Vamos ler novamente a última frase. As ameaças na avaliação de segurança nacional são classificadas em baixo, médio e alto nível de confiança. O facto de «todos os ecossistemas críticos estarem a caminho do colapso (perda irreversível de função sem possibilidade de reparação)» ser classificado como alto pelos serviços secretos britânicos deve abalar-nos profundamente. Mais adiante, o relatório explica: «Há uma possibilidade realista de alguns ecossistemas começarem a entrar em colapso até 2030 ou antes, como resultado da perda de biodiversidade devido à alteração do uso do solo, poluição, alterações climáticas e outros fatores.»

O relatório identifica «6 ecossistemas globais críticos» em risco de colapso — ver mapa abaixo). Metade deles tem uma «possibilidade realista de colapso a partir de 2030». Faltam quatro anos para isso. Este é um relatório recente.

1. Floresta Amazónica, América Latina. Escala temporal de transição: 50–100 anos. Possibilidade realista de colapso a partir de 2050; 2. Bacia do Congo, África. Escala temporal de transição: incerta. Possibilidade realista de colapso a partir de 2050. 3. Sudeste Asiático. Recifes de coral, escala temporal de transição: 10 anos. Possibilidade realista de colapso a partir de 2030. Manguezais. Prazo de transição: incerto. Possibilidade realista de colapso a partir de 2050. 4. Himalaia, Ásia. Escala temporal de transição: 50–1000 anos. Possibilidade realista de colapso a partir de 2030. 5. Florestas boreais, Rússia. Escala temporal de transição: 40–100 anos. Possibilidade realista de colapso a partir de 2030. 6. Florestas boreais, Canadá. Escala temporal de transição: 40–100 anos. Possibilidade realista de colapso a partir de 2030.

Como uma ameaça à segurança nacional do Reino Unido, tudo isso pode parecer geograficamente distante, mas não para os chefes dos serviços secretos. Essas «regiões ecossistémicas são críticas para a segurança nacional do Reino Unido, dada a probabilidade e o impacto do seu colapso. Uma degradação grave ou colapso provocaria a deslocalização de milhões de pessoas, alteraria os padrões climáticos globais, aumentaria a escassez global de alimentos e água e impulsionaria a competição geopolítica pelos recursos restantes».

O relatório sublinha que o Reino Unido importa 40% dos seus alimentos do exterior, com apenas 25% provenientes da Europa. O Reino Unido depende fortemente das importações de frutas frescas, vegetais e açúcar. A pecuária nos níveis atuais é insustentável sem importações — a soja da América do Sul representa 18% da ração animal produzida. Quase 50% dos produtos embalados contêm óleo de palma importado. O Reino Unido não é autossuficiente em fertilizantes — tanto o azoto como o fósforo dependem, pelo menos parcialmente, das importações.

O Reino Unido (…) tem enfrentado uma crise após outra no custo de vida desde, pelo menos, a crise financeira de 2008, agravada pelo Brexit, a partir de 2016. Os salários estão estagnados desde 2008, há quase duas décadas. Muitas vezes, a única coisa que mantém os britânicos à tona é um setor de supermercados muito competitivo, que mantém os custos dos alimentos baixos. Essa tábua de salvação, alerta o relatório das secretas, não sobreviverá aos próximos pontos de inflexão climáticos: «O Reino Unido é incapaz de ser autossuficiente em alimentos no momento, com base nas dietas e preços atuais. A autossuficiência total exigiria aumentos de preços muito substanciais para os consumidores, bem como melhorias na eficiência, redução de resíduos e resiliência em todo o sistema alimentar, incluindo produção agrícola, processamento, distribuição e consumo de alimentos. O Reino Unido não tem terra suficiente para alimentar sua população e criar gado».

E para dissipar quaisquer pensamentos românticos de regressar à autossuficiência dos tempos de guerra e ao «esforço coletivo pela Grã-Bretanha», o relatório deixa dolorosamente claro: «A produção alimentar do Reino Unido é vulnerável à degradação e ao colapso do ecossistema. A perda de biodiversidade, juntamente com as alterações climáticas, está entre as maiores ameaças a médio e longo prazo para a produção alimentar doméstica — através da degradação dos solos, perda de polinizadores, secas e inundações.»

Mas este relatório é apenas o mais recente de uma longa série de alertas. Ele não revela nada de novo. Trata-se, na verdade, de uma mera consolidação de relatórios já existentes — a lista de referências inclui a meta-análise de Mahon, M.B., et al. (2024) sobre os fatores que impulsionam as mudanças globais e o risco de doenças infecciosas; o IPBES. (2019) Resumo para decisores políticos do relatório de avaliação global sobre biodiversidade e serviços ecossistémicos; o Relatório Planeta Vivo 2024 da WWFo próprio Relatório de Segurança Alimentar do Reino Unido 2021 do Governo Britânico; o Relatório Global Tipping Points 2023. (...)

A previsão é catastrófica. Estamos a seguir um caminho que nós mesmos criámos, rumo à destruição mútua. No entanto, um caminho alternativo de conservação generalizada, consumo e produção sustentáveis não só interrompe o declínio, como nos leva de volta a níveis superiores aos atuais de biodiversidade e ecossistemas, nos quais podemos prosperar. Esse caminho continua disponível para nós.

Ruth Chambers, que apresentou o pedido de acesso à informação, concorda: «A sua publicação neste momento sugere que aqueles dentro do governo e da comunidade de segurança, que compreendem os riscos sistémicos da degradação climática e do declínio da biodiversidade, convenceram os seus colegas de que esta informação não deveria, com razão, ser escondida do público. Esta é uma vitória importante para a transparência.» Ao contrário de outros documentos governamentais que «acabam num canto empoeirado de Whitehall», este, diz ela, dada a sua crescente notoriedade e urgência, «deve ser agendado como um item importante na agenda do Conselho de Ministros, com base no parecer do comité COBR [Emergência Nacional]».

Talvez ironicamente, um relatório bloqueado pelo governo receba mais atenção dos media do que um que é publicado abertamente. Por isso, e somente por isso, temos que agradecer ao governo desta vez.

sábado, 24 de janeiro de 2026

REINO UNIDO: PARLAMENTO PEDE INVESTIGAÇÃO A FRAUDES EM OBRAS DE ISOLAMENTO RESIDENCIAL

Foto: David Gee/Alamy/The Guardian
  • O parlamnto britânico solicitou ao Serious Fraud Office (Departamento de Fraudes Graves) que investigasse o setor de isolamento residencial, após milhares de proprietários sofreram com obras malfeitas e perdas financeiras decorrentes de programas introduzidos por governos conservadores anteriores. Fonte.
  • Centenas de lixeiras ilegais estão a operar em toda a Inglaterra, incluindo pelo menos 11 dos chamados «super lixeiras» que contêm dezenas de milhares de toneladas de lixo. Mais de 700 lixeiras ilegais foram fechadas em 2024/25, mas dados divulgados pela Agência Ambiental revelaram que cerca de 517 lixeiras ainda estavam ativos no final de 2025. Fonte.
  • Um voo em jato particular para cada quatro convidados do Fórum Económico Mundial em Davos. Se os governos levam a sério a proteção das pessoas, devem começar por PROIBIR os jatos particulares e TAXAR a riqueza extrema, em vez de estender o tapete vermelho para eles. Greenpeace.
  • O Ministério do Ambiente da Indonésia está a exigir US$ 284 milhões em indemnizações por danos ambientais a seis empresas, após as inundações e deslizamentos de terra mortais provocados pelo ciclone Senyar em novembro, que causaram a morte de mais de 1.000 pessoas. O governo acusa as empresas de desmatamento de florestas tropicais, o que levou à destruição de bacias hidrográficas. Fonte.
  • Indonésia toma medidas contra empresas mineiras após inundações devastarem população do macaco mais raro do mundo. Conservacionistas elogiam as medidas «desesperadamente necessárias» e pedem maior proteção após a extinção de até 11% dos orangotangos de Tapanuli, uma espécie em perigo de extinção. Fonte.
  • O armazenamento total de energia da China aumentou 85% em 2025, com 66 gigawatts de nova capacidade adicionada. Fonte.
  • Os países em desenvolvimento estão a aproveitar a queda nos preços da energia solar, eólica e das baterias. Por exemplo, a Índia está a eletrificar-se mais rapidamente e a usar menos combustíveis fósseis per capita do que a China usava em níveis semelhantes de desenvolvimento económico. O consumo per capita de carvão e petróleo da Índia é uma fração do que era o da China em níveis de rendimento semelhantes, principalmente porque a Índia tem acesso a painéis solares e carros elétricos a um preço muito mais baixo do que a China tinha há cerca de uma década. Fonte.
  • A administração Trump publicou um regulamento que acelera a concessão de licenças para empresas que buscam minerais críticos em águas internacionais. O documento de 113 páginas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica transforma um processo de licenciamento de duas etapas – uma para exploração e outra para recuperação comercial – numa única análise, reduzindo assim a supervisão ambiental. O órgão alega ter autoridade, com base na Lei de Recursos Minerais Duros do Leito Marinho de 1980, para regulamentar a extração de minerais em áreas fora da jurisdição dos EUA. Fonte.
  • O rio Sirsiya, que outrora era fundamental para a vida quotidiana, a agricultura e os rituais religiosos no sul do Nepal, está agora fortemente poluído com resíduos industriais e esgotos, tornando-se um perigo para a saúde pública. As fábricas no corredor industrial do Nepal descarregam efluentes não tratados, uma vez que a fraca fiscalização, a regulamentação ineficaz e os planos de águas residuais não implementados permitem que a poluição persista. A poluição flui para Raxaul, na Índia, contaminando a água e prejudicando as culturas, enquanto os residentes do outro lado da fronteira afirmam que os esforços indianos para tratar o esgoto local não conseguem compensar o influxo proveniente do Nepal. Fonte.
  • Por cada dólar investido globalmente na proteção e restauração da natureza, o mundo continua a gastar 30 dólares em atividades que a destroem. Em termos europeus, isto equivale a cerca de 0,85 euros investidos em soluções positivas para a natureza contra aproximadamente 25 euros canalizados para práticas nocivas. Fonte.