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quarta-feira, 29 de julho de 2026

AÇORES: PARLAMENTO APROVA CRIAÇÃO DE COMISSÃO PARA FISCALIZAR E AVALIAR DESCONTAMINAÇÃO DOS SOLOS E AQUÍFEROS JUNTO DA BASE DAS LAJES

  • O parlamento dos Açores aprovou uma proposta subscrita por vários partidos para a criação de uma Comissão Técnica Independente com o objetivo de fiscalizar, acompanhar e avaliar o processo de descontaminação dos solos e aquíferos na ilha Terceira junto à Base das Lajes. A iniciativa, que partiu do deputado único do Bloco de Esquerda, António Lima, foi subscrita pela maioria dos partidos com assento parlamentar (PSD, PS, CDS-PP, PAN e PPM). Fonte.
  • A Câmara de Anadia rejeitou um pedido para a atribuição de uma área destinada à prospeção e pesquisa de depósitos minerais de areias siliciosas e argilas especiais nas freguesias de Vila Nova de Monsarros e da União de Freguesias de Tamengos, Aguim e Óis do Bairro. Para além dos impactos nos terrenos florestais e agrícolas adjacentes, alega-se a presença de uma bacia hidrográfica, de um reservatório e conduta em alta e de duas captações que abastecem a zona urbana da cidade, hospital, IPSS e demais entidades.
  • O maior projeto de captura de carbono da Europa, gerido pela Yara nos Países Baixos, é uma «distração perigosa» e não uma solução climática. A «amónia azul» produzida depende do gás fóssil, não resolve o problema das fugas de metano e não resolve o facto de dois terços das emissões dos fertilizantes azotados ocorrerem no campo (fora do alcance da captura de carbono). O projeto depende de milhares de milhões em subsídios dos contribuintes e condena a Europa a depender de importações de gás fóssil caras e voláteis. Aumenta a dependência da Europa do gás importado (especialmente dos EUA) e não faz nada para proteger contra picos de preços ou interrupções no abastecimento. Não aborda os enormes danos ambientais e económicos causados pela poluição por azoto resultante do uso excessivo de fertilizantes sintéticos. O Center for International Environmental Law apela à reorientação de fundos para soluções agroecológicas, como a utilização de leguminosas para fixar azoto de forma natural, o que reduziria a dependência dos combustíveis fósseis e tornaria a agricultura mais resiliente.
  • A Austrália está a gastar mais de quatro vezes mais no apoio aos combustíveis fósseis do que nas energias renováveis. Fonte.

terça-feira, 28 de julho de 2026

MATOSINHOS: PRAIA DE ANGEIRAS SUL DESACONSELHADA PARA BANHOS

  • A Agência Portuguesa do Ambiente desaconselha a ida a banhos na praia de Angeiras Sul, em Matosinhos, no distrito do Porto, devido a contaminação microbiológica. Fonte.
  • A Quercus alertou que a localização do novo aeroporto de Lisboa coloca em risco o maior aquífero da Península Ibérica e o abastecimento de água ao distrito de Setúbal e reforçou a necessidade de uma avaliação ambiental rigorosa. Fonte.
  • Na Rua de S. José, em Riachos, Torres Novas, um estabelecimento que fuesgnciona como lar de idosos descarrega águas residuais na rede de pluviais. O abuso persiste, apesar de o executivo camarário ter sido alertado por um morador que se considera lesado. Fonte.

CAMBOJA: BLOCOS ANTI-ARRASTO REVITALIZAM RECIFE


  • No arquipélago de Koh Sdach, no Golfo da Tailândia, no Camboja, uma iniciativa liderada pelo governo e por uma ONG, visa pôr fim à pesca ilegal com redes de arrasto e revitalizar o recife através da colocação de grandes blocos de betão no fundo do mar. Fonte.
  • A Alemanha está a introduzir restrições ao consumo de água, uma vez que a seca prolongada e as ondas de calor recorrentes estão a exercer pressão sobre os recursos hídricos. Cerca de 80 municípios impuseram limites a atividades como encher piscinas, regar jardins e lavar carros. Fonte.
  • Sem selfies, sem telemóveis: por que razão os destinos de vida selvagem estão a começar a dizer «não» aos turistas. Fonte.

REFLEXÃO

TERCEIRA: CONTAMINAÇÃO DOS SOLOS PERSISTE NA BASE DAS LAJES, CONFIRMA RELATÓRIO DO LNEC
Nuno Martins Neves, Açoriano Oriental, 24 julho 2026


Segundo o mais recente relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a contaminação dos solos da base usada pelos EUA obrigou à remoção de solos contaminados, extração de hidrocarbonetos e fecho de piezómetros mal construídos, que podiam constituir fonte de passagem de contaminantes

A mais recente campanha de monitorização levada a cabo pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil revelou que continuam a ser removidos solos contaminados da Base das Lajes, de acordo com a resposta do Governo Regional dos Açores ao requerimento apresentado pela representação parlamentar do Bloco de Esquerda Açores, intitulado "Contaminação ambiental persistente na Base das Lajes, responsabilização dos Estados Unidos da América ao abrigo do acordo de cooperação e defesa, e nova evidência de exposição humana a metais pesados".
No documento, o executivo regional detalha o relatório do LNEC, datado de 2025 e que foi apresentado na Comissão Técnica e Comissão Bilateral Permanente, a 20 de março corrente.
Nele, o LNEC informa que, no Main Gate, foram drenados e inertizados 1100 metros de pipelines inativos, com 600 metros de pipelines selados e 500 metros removidos. Foram ainda removidos cerca de 70 metros cúbicos de solos contaminados ao redor dos pipelines e extraídos cerca de 277 litros de hidrocarbonetos sobrenadantes em cinco piezómetro [n.d.r. um instrumento utilizado na
engenharia geotécnica e geologia para medir a pressão da água em solos e rochas, bem como o nível dos lençóis freáticos ]. Foram inspecionados 61 piezómetros, dos quais 11 foram fechados por má construção "podendo constituir fonte de passagem de contaminantes"; 26 foram reparados; e foram construídos três novos no aquífero basal.
No South Tank Farm, em 2025 não foram efetuadas intervenções, com o relatório a assinalar, porém, a remoção de dois grandes tanques de armazenamento e dos solos envolventes, em 2023. O LNEC recomendou a continuidade das operações de remoção de hidrocarbonetos líquidos acumulados no subsolo e a manutenção da monitorização apesar de "os resultados obtidos na área intervencionada apresentarem valores inferiores aos níveis de referência para contaminação".
No Cinder Pit, das três zonas que compõem o local, foi na Zona 2 que as análises confirmaram, em 2024, a persistência de contaminação de solos por contaminantes orgânicos "acima dos valores de referência". O que leva o LNEC a recomendar a "necessidade de promover ações destinadas à sua
reabilitação".
A resposta ao requerimento também confirma que, entre 2020 e 2021,o Governo dos EUA não
reconheceu o "impacto substancial para a segurança e saúde humana" da contaminação dos solos, razão pela qual não entendeu não se justificar qualquer intervenção.
Uma posição que o Governo Regional dos Açores diz ter sido contra desde o primeiro momento, defendendo a necessidade de se manter as ações de monitorização, mitigação e reabilitação ambiental, postura defendida "de forma clara e persistente" quer na Comissão Técnica, quer na Comissão Bilateral Permanente, quer também junto do Governo da República.
Os EUA reverteram a sua posição no final de 2022, atribuindo a resposta à atuação "perseverante" do Vice-presidente do governo açoriano.
Os trabalhos de descontaminação e reabilitação ambiental foram retomadas, apesar do Governo Regional entender que não correspondem "plenamente as expectativas" do executivo. Ainda assim, foram efetuados avanços, ao serem reclassificados locais anteriormente como contaminados.
Sobre se o Governo Regional vai ter em linha de conta a tese de doutoramento e o artigo cientifico que detectaram metais pesados em concentrações superiores em esqueletos de residentes da Praia da Vitória, o mesmo diz que acompanha a evolução da matéria científica nesta matéria, mas que as decisões e articulações entre os dois países deve continuar assente em "informação técnica e cientifica sólida, transparente e devidamente validada".
Questionado sobre se importa pedir aos EUA uma nova avaliação atualizada e independente, à luz da nova evidência científica, o Governo Regional não responde diretamente, afirmando apenas que "sempre que essa evidência justifique, o Governo Regional dos Açores continuará a defender a realização dos estudos e das avaliações científicas que se revelem necessários".

sexta-feira, 24 de julho de 2026

REFLEXÃO

QUANDO OS OSSOS SÃO TESTEMUNHAS

Mário Freitas, Diário dos Açores, 22 julho 2026.

RTP

Uma tese de doutoramento defendida em Junho, na Universidade de Coimbra, fez o que 20 anos de relatórios não tinham feito - foi procurar a contaminação da Base das Lajes, não no solo nem na água, mas dentro dos corpos das pessoas da Praia da Vitória. Nos seus ossos. (...)
Durante quase 2 décadas soubemos duas coisas sobre a Praia da Vitória, e vivemos com elas com uma serenidade que hoje me parece excessiva. Soubemos que os solos e os aquíferos do concelho estavam contaminados por décadas de atividade militar norte-americana na Base das Lajes - pela circulação de cerca de 800 milhões de litros de combustível, pela Soutk Tank Farm (o maior complexo de tanques da força aérea norte-americana na Europa), por uma rede de oleodutos que atravessa a própria cidade. Soubemos que dessa herança ficaram no ambiente hidrocarbonetos, aromáticos, voláteis e metais. A pergunta que faltava, porem, não era se o ambiente estava doente - era se as pessoas estavam. Entre «o solo está contaminados e e as pessoas adoeceram» há um elo do meio que ninguém tinha testado: a exposição humana. A contaminação chegou, de facto, aos corpos?

É esse elo que a tese de Félix Rodrigues veio preencher. E começou por construir aquilo que nem sequer existia: a primeira Coleção de Esqueletos Identificados dos Açores (CEI/Açores). A partir de
remanescentes não reclamados dos cemitérios da Terceira, reuniu-se e caracterizou-se um acervo de 171 esqueletos identificados - com sexo, idade e última residência conhecidos -, hoje um verdadeiro património cientifico da Região, já publicado em revista internacional. De ossos
anónimos, que ninguém reclamou, fez-se ciência que fala por todos nós.
Sobre esta coleção, o autor mediu, por espectrometria de fluorescência de raios X portátil - técnica validada e não destrutiva -, as concentrações de metais no osso. E aqui está a intuição feliz do trabalho: o osso e a memória longa do corpo. Cerca de 95% de todo o chumbo que um ser humano acumula ao longo da vida deposita-se no esqueleto, onde permanece durante décadas; o osso é, literalmente, o arquivo mineral de tudo o que uma pessoa bebeu, respirou e comeu. Interrogar o osso é interrogar uma vida inteira de exposição.
O desenho foi rigoroso, e importa dizê-lo: comparou 26 indivíduos da Praia da Vitória (zona de risco) com 71 de Angra do Heroísmo (grupo de comparação, sem risco identificado, a 23km), com distribuições de idade e de sexo semelhantes e sem diferença de idades médias entre os grupos.
Trabalho, de resto, já publicado em revista de primeiro quartil. Isto não é uma opinião de circunstancia; é método.
O resultado é inequívoco na sua direção. Onze metais apresentaram concentrações significativamente superiores no grupo da Praia da Vitória - antimónio, arsénio, cádmio, crómio, ouro, chumbo, molibdénio, prata, estrôncio, estanho e urânio -, todos, sem exceção, mais elevados no grupo exposto. O chumbo, por exemplo, subiu de uma média de 12,3 para 17,6 partes por milhão; a análise multivariada confirmou que o próprio local de residência separa estatisticamente os dois grupos. Pela primeira vez, uma suspeita de 20 anos converteu-se num número.
E convém saber de que metais falamos. O cádmio, o arsénio e os compostos de crómio hexavalente são classificados pela Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC, volume 100C) como cancerígenos comprovados para o ser humano - Grupo 1. Os compostos inorgânicos de chumbo estão no Grupo 2A, provavelmente cancerígenos. Não são metais indiferentes: são precisamente aqueles que uma autoridade de saúde não quer encontrar acumulados nos ossos da sua população.
(…)

Este estudo não prova que a Base das Lajes tenha provocado o cancro de quem quer que seja. A tese di-lo sem rodeios: os resultados são insuficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito. Não é um estudo epidemiológico - mede biomarcadores de exposição nos que já morreram, não taxas de doença nos que vivem. Não consegue, pelo seu desenho, atribuir os metais especificamente às Lajes e não a outras fontes históricas, porque a história de vida de cada individuo (profissão, anos de residência, consumo de água) é largamente desconhecida. A amostra
da Praia é pequena. (...)”

Para aprofundar o assunto, convirá consultar o que o blogue Ambiente Ondas3 tem publicado:


BICO CALADO

  • Os lucros da petrolífera nacional da Noruega duplicam para 11,5 mil milhões de dólares no contexto da guerra contra o Irão. Fonte.
  • Os Países Baixos vão proibir a importação de produtos de colonos israelitas a partir de setembro. Fonte.
  • Macário Correia foi nomeado presidente da AdP Aqua, a empresa pública criada para pôr em prática a estratégia «Água que Une». A sua experiência e capacidade executiva pesaram na escolha. Macário Correia foi presidente das câmaras de Tavira e Faro, secretário de Estado do Ambiente e teve uma longa relação com matérias como urbanismo, ordenamento do território e licenciamentos. Uma relação tão intensa que acabou por ser acompanhada pelos tribunais. Em 2012, o Supremo Tribunal Administrativo determinou a perda do seu mandato por violações das regras de urbanismo e ordenamento do território. Em 2016, foi condenado, em primeira instância, a quatro anos e meio de prisãocom pena suspensa, por crimes de prevaricação relacionados com licenciamentos em zonas protegidas. Perante este currículo, o Governo de Luís Montenegro concluiu que estava ali o homem indicado para dirigir uma empresa ligada à água, ao ambiente, ao território e a grandes obras públicas. Não deixa de ser uma escolha coerente. Depois de tanta experiência com zonas protegidas, licenciamentos e decisões administrativas, seria um desperdício mandar tudo isso para casa. O Estado também recicla. Via António Oliveira.
  • Ministro Alexandre, o rosto da (Des)Educação e da infâmia. António Garcia Pereira, Notícias Online.

sábado, 18 de julho de 2026

LEITURAS MARGINAIS

A COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA IGNORÂNCIA

«Esqueçam o que eu disse antes! Comam mais disto! Faz-vos bem... e faz bem ao país! Espalhem-no em tudo!»

Francisco Lima brindou-nos com uma verdadeira disenteria cerebral. Primeiro, diz que falar da contaminação prejudica a imagem da ilha Terceira. Depois, incapaz de rebater os factos, refugia-se no apelido do autor, como se a composição química de um osso dependesse de árvores genealógicas ou de cartões partidários. Felizmente, a ciência não depende do estado de espírito do Chega nem do humor de Francisco Lima.

Considera agora inaceitável que o Vice-Presidente do Governo apoie uma tese sobre a contaminação apenas porque quem a desenvolve, sendo formado na área, é filho e irmão de pessoas ligadas ao CDS. Pela lógica de Francisco Lima, um investigador só merece credibilidade se tiver nascido numa qualquer tribo isolada da Amazónia, sem família, sem contactos e sem nunca ter conhecido o próprio pai.

O Chega já nos habituou à sua iliteracia cientifica. Francisco Lima voltou a confirmá-la. Ainda assim, deixo-lhe uma nota de descanso: os esqueletos estudados por Félix Rodrigues estão ao serviço da ciência. Já os esqueletos que Francisco Lima guarda no armário (é uma metáfora, não vá o visado
ter dificuldades com figuras de estilo) contam uma história bem diferente. Félix Rodrigues procurou respostas e produziu conhecimento para a sociedade. Bem pior é legislar em matérias
que podem beneficiar interesses próprios. E o mesmo Chega que se apresenta como paladino da luta contra a corrupção, onde os corruptos são sempre os outros, nunca eles, porque se julgam donos da virtude. É também o mesmo Chega que tem um deputado, Francisco Lima, a legislar sobre glifosato enquanto é proprietário de uma empresa que comercializa produtos à base de glifosato. Confesso que a sua literacia cientifica me preocupa. Ainda acaba a beber glifosato por achar que faz bem à flora intestinal.

A ciência não precisa da aprovação de Francisco Lima para existir. Precisa apenas de investigadores que procurem a verdade. Já Francisco Lima precisa que a verdade se adapte às suas conveniências. Os factos têm um defeito terrível: não votam, não militam e não se deixam intimidar pela ignorância.


quarta-feira, 15 de julho de 2026

PSZAER: FUGA DE INFORMAÇÃO EXPÕE MAPAS OMITIDOS

  • Consulta pública do PSZAER (Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis) termina após fuga de informação revelar mapas nunca divulgados às populações. A Plataforma Nordeste Vivo afirma que só conseguiu identificar a localização concreta das áreas destinadas a grandes projetos de energia renovável através de uma fuga de informação e denuncia a falta de transparência do processo de consulta pública. A Plataforma acusa o Governo de Luís Montenegro de colocar os interesses económicos de grandes multinacionais acima da proteção do território, da agricultura e das comunidades do Nordeste Transmontano. Por isso, pede a suspensão do PSZAER, exige responsabilidades políticas e admite avançar para uma mobilização nacional caso o processo prossiga nos atuais moldes. Fonte. Comentário do Ambiente Ondas3 em 18 de junho de 2026.
  • Água perdida na rede poderia abastecer gratuitamente 1/3 da população – Quercus sugere 10 medidas para gestão mais eficiente.
  • Espanhóis preparam-se para controlar mercado português da alta velocidade ferroviária. Fonte.
  • O Pentágono está a bloquear mais de 150 projetos eólicos devido aos chamados receios relacionados com os drones. As turbinas eólicas podem confundir os sistemas de radar de navios e aeronaves. As suas enormes pás rotativas criam um «flash de pá» nos ecrãs de radar, enquanto as suas bases de aço refletem as ondas eletromagnéticas, tornando difícil distinguir as turbinas de aeronaves ou de outros objetos. Fonte.
  • O Congresso dos EUA está a analisar um projeto de lei extremo que tornaria ilegal processar a indústria dos combustíveis fósseis pelos danos que esta causa ao planeta, à economia e à nossa saúde. O senador Ted Cruz (R-TX) — um dos políticos mais financiados pelas grandes petrolíferas — e a deputada Harriet Hageman (R-WY) apresentaram um projeto de lei denominado «Stop Climate Shakedowns Act of 2026». Apresentaram-no como uma forma de «proteger a energia americana das cruzadas jurídicas da esquerda que punem atividades legais». Na realidade, o que faz é conceder à indústria dos combustíveis fósseis um escudo permanente contra processos judiciais e leis estaduais que procuram responsabilizar financeiramente a indústria pelas alterações climáticas e por induzir o público em erro quanto às consequências catastróficas para a saúde, a economia e o ambiente decorrentes da utilização dos seus produtos. Fonte.

terça-feira, 14 de julho de 2026

ITÁLIA DESPERDIÇA 42% DE ÁGUA

  • Em Itália, 42 % da água potável que entra na rede é desperdiçada. E isso custa-lhes 9,8 mil milhões por ano. Fonte.
  • O Lago Salton, o maior lago da Califórnia, está a secar, agravando a poluição atmosférica nas comunidades vizinhas. As autoridades estão a trabalhar a todo o vapor para conter a situação, mas, para algumas famílias, já é tarde demais. Fonte.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

GRONELÂNDIA: O LEGADO TÓXICO DE 80 ANOS DE OCUPAÇÃO MILITAR NORTE-AMERICANA

  • O que os EUA deixaram para trás na Gronelândia. O legado tóxico de 80 anos de ocupação militar norte-americana. Parte 2 de uma série de três partes. A Parte 1 analisou os PFAS na Base Espacial de Pituffik. A Parte 3 irá abordar os recursos que os veteranos norte-americanos interpuseram junto da Administração dos Veteranos dos EUA, alegando cancros e doenças resultantes da sua exposição a toxinas na Gronelândia. Pat Elder, Military Poisons. Veja-se o que os mesmo fizeram na base aérea das Lajes (Terceira-Açores)
  • Os procuradores albaneses alegam que o empresário Artur Shehu, que vendeu terrenos costeiros no valor de cerca de 110 milhões de euros para um resort de luxo apoiado por Jared Kushner, utilizou escrituras de propriedade falsificadas para reivindicar a propriedade. As autoridades acusam também Shehu de branqueamento de capitais, tráfico de droga e utilização de rendimentos de atividades criminosas para construir um império imobiliário. Congelaram os rendimentos da venda, impedindo-o de receber o dinheiro. Shehu nega todas as acusações através do seu advogado. Os promotores imobiliários afirmam acreditar que a compra dos terrenos foi legal e que irão cooperar com qualquer processo judicial. Fonte.
  • Consulta pública até 21 de agosto: Projeto de aumento da Capacidade de Valorização Energética de Resíduos Não Perigosos no Centro de Produção de Souselas da CIMPOR. Pretende-se aumentar a quantidade de resíduos não perigosos usados como combustível alternativo nos fornos de Souselas, reduzindo combustíveis fósseis e alinhando a produção de cimento com políticas de economia circular. Os vizinhos alertam para o aumento do tráfego de camiões com resíduos, eventual aumento de emissões atmosféricas, cheiros, poeiras e ruído.odor, poeiras e ruído. A Cimpor de Souselas é a 4ª empresa que mais polui em Portugal.

sábado, 11 de julho de 2026

ÁFRICA: AGRICULTORES CONTESTAM OLEODUTO

Kampala, Uganda, 26ago2024. REUTERS/Abubaker Lubowa
  • A francesa TotalEnergies está a construir um enorme oleoduto para transportar petróleo bruto do Uganda até à costa da Tanzânia, para exportação. Quatro agricultores ugandeses interpuseram esta semana uma ação judicial no Reino Unido contra a filial britânica da empresa responsável pelo oleoduto, numa tentativa de impedir que o petróleo comece a circular, tal como previsto, ainda este ano. Fonte.
  • Foi detetada uma bactéria rara (Cupriavidus gilardii) nas águas residuais perto do centro de dados de IA da Meta, em Cheyenne, no Wyoming. Embora seja geralmente inofensiva para pessoas saudáveis, pode causar infeções graves ou a morte em indivíduos com o sistema imunitário enfraquecido. A descoberta obrigou duas estações de tratamento de águas a interromperem o funcionamento e exigirá meses de limpeza. A cidade revogou definitivamente a autorização da Meta para descarregar águas residuais no sistema de tratamento. As autoridades salientam que a água potável não foi contaminada. Fonte.
  • Consulta pública até 20 de agosto: Projeto Concessão Mineira C-130 “Monte Redondo”, Leiria.
  • Em 2006, um vulcão de lama entrou em erupção junto a um poço de gás em Java Oriental, soterrando aldeias e transformando um conflito relacionado com a perfuração num longo desastre humanitário. Fonte.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

BOMBARRAL: FUGA DE GASES TÓXICOS EVACUA ARMAZÉM DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

  • Uma avaria no doseador que mistura hipoclorito de sódio com ácido sulfúrico, numa ação de desinfeção durante a pesagem de produtos, terá estado na origem da libertação de gases tóxicos num armazém da empresa hortofrutícola O Melro, em Sanguinhal, Bombarral. A fuga provocou a evacuação de centena e meia de pessoas do interior de um armazém, tendo 12 funcionárias sido conduzidas ao hospital. Recorde-se que, em maio de 2019, na mesma empresa, 14 trabalhadores sofreram uma intoxicação devido a um incidente durante a realização de obras na cobertura do armazém. O corte de materiais no telhado provocou a libertação de produtos e fumos tóxicos para o interior das instalações, tendo os funcionários afetados necessitado de assistência médica urgente. Fonte.
  • A Estação de Água para Reutilização de Vilamoura, capacitada para a rega de jardins, campos de golfe e agricultura, e preparada para abastecimento ao consumo humano, foi inaugurada pela ministra do Ambiente. Fonte.
  • Consulta pública até 5 de agosto: Consulta Pública AAPICO Águeda S.A. (Fundição de metais ferrosos) Fonte.
  • O Ministro Federal da Segurança Alimentar Nacional e da Investigação do Paquistão, Rana Tanveer Hussain, visitou Portugal para reforçar a cooperação bilateral no setor agrícola, com especial destaque para a indústria da azeitona. O ministro incentivou ativamente os investidores e as empresas portuguesas a explorarem joint ventures e parcerias público-privadas no setor da azeitona do Paquistão. Hussain referiu que já foram plantadas mais de sete milhões de oliveiras numa área superior a 55 000 acres no Paquistão. Para atrair parceiros portugueses, destacou incentivos aliciantes, incluindo a propriedade estrangeira a 100%, arrendamentos de terrenos a longo prazo e a importação isenta de direitos aduaneiros de maquinaria agrícola. Fonte.
  • Comissão Europeia abre processo contra Portugal por falhas no controlo das pescas. Portugal deveria ter implementado, até dezembro de 2013, um sistema de cruzamento automático, análise e verificação dos dados da atividade pesqueira, incluindo uma base de dados eletrónica destinada a validar essa informação. Para o executivo comunitário, estas falhas prolongadas prejudicam a eficácia da fiscalização e podem comprometer a igualdade de condições entre operadores do setor pesqueiro nos diferentes Estados-membros. Fonte.
  • 10 de julho de 1985: os serviços secretos franceses fizeram explodir o navio Rainbow Warrior, em Aotearoa/Nova Zelândia, matando Fernando Pereira, um fotógrafo. O navio dirigia-se para protestar contra os ensaios nucleares franceses.

sábado, 4 de julho de 2026

DESLARRRGUEM A ARRÁBIDA! domingo, 19 de julho

  • Nova caminhada Deslarrrguem a Arrábida: domingo, 19 de julho, 10h, com partida junto ao restaurante "A Restinguinha", em Setúbal. Contra a privatização das praias e do Parque de Merendas da Comenda, juntamo-nos para dizer que não conseguirão roubar aquilo que é de todos! Fonte.
  • Sines vai ter uma refinaria de antimónio, uma matéria-prima crítica para sistemas de defesa e semicondutores. FonteNenhum estudo de impacto ambiental foi localizado nas nossas fontes. Será possível não se estar a cumprir uma regra essencial para este tipo de projetos?
  • Movimento pelo Tejo contestou, em cartas enviadas à Provedoria de Justiça da União Europeia e à Comissária Europeia para o Ambiente, a decisão do Provedor de Justiça Europeu de recusar a abertura de inquérito ao arquivamento, pela Comissão Europeia, da denúncia sobre a ausência de caudais ecológicos no rio Tejo. O movimento acusa a Comissão de incorrer num “erro manifesto de apreciação” e exige a abertura imediata de procedimento por infração contra Portugal e Espanha. Fonte.
  • Consulta pública até 13 de agosto: Transgranitos - Mármores e Granitos do Alto Tâmega, Lda. - Pedreira Rei Mouro, Pena Verde-Aguiar da Beira.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

AÇORES: NUNO MELO DESACREDITA TESE DE DOUTORAMENTO APROVADA COM DISTINÇÃO E LOUVOR


Nuno Melo (CDS) desacredita tese de doutoramento aprovada na Universidade de Coimbra com distinção e louvor, patrocinada pelo governo regional dos açores (PSD-CDS). Mais: o novo doutor é filho de um conhecido militante do CDS na ilha Terceira. E Artur Lima, Vice-Presidente do CDS-PP, é Vice-Presidente do XIV Governo Regional dos Açores. Pior: Nuno Melo tem o desplante, a arrogância, de dizer que só se baseia em estudos de entidades certificadas. A Universidade de Coimbra, o Governo Regional dos Açores, o INETI (NLETI), não são entidades certificadas? Este parvo (do latim parvus, que significa pequeno, de pouca importância, sem valor, pouco inteligente) merece despedimento com justa causa. Rua, já!

No Expresso da ManhãPaulo Baldaia conversa com Vítor Matos, o jornalista que tem estado a escrever sobre esta matéria no Expresso. Há terrenos contaminados na ilha Terceira, junto à base das Lages, e isso mesmo é reconhecido pelos próprios norte-americanos. Não é nada de muito surpreendente e acontece junto a bases militares nos Estados Unidos e noutros países onde a América está ou esteve presente.

Toda esta situação é, do ponto de vista institucional, científico e político, profundamente reprovável.
Primeiro, um ministro da Nação não tem legitimidade para desacreditar o mérito científico de uma tese aprovada com distinção e louvor por uma universidade. Demonstra soberba intelectual, equiparando o seu achismo político ao conhecimento validado pelo método científico. Isto é um ataque direto à autonomia e à credibilidade do ensino superior.
Segundo, sendo ele do mesmo partido do membro do governo regional que patrocinou a investigação, a atitude revela uma contradição gritante: ou o ministro está a desautorizar publicamente o seu próprio colega de partido e a estrutura regional que governa, revelando uma profunda falta de coesão e verticalidade partidária, ou, o que é muito pior, está a fazer uma leitura tacanha e egoísta da política, na qual a defesa do interesse regional (mesmo que do seu partido) é sacrificada em prol da narrativa nacional do ministério. Em ambos os casos, demonstra que o partido não fala a uma só voz e que a lealdade à verdade científica é menor do que a disputa interna de poder ou de narrativa mediática.
Terceiro, a investigação foi patrocinada por um governo regional — ou seja, com fundos públicos. Ao desacreditá-la, o ministro está, indiretamente, a classificar esse investimento público como um desperdício ou um erro. Isto é um desrespeito pelos contribuintes daquela região e uma bofetada na autonomia financeira e administrativa dos Açores.
Quarto, ao desvalorizar uma tese com selo de qualidade universitário, Nuno Melo envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que a ciência só é válida se servir a agenda política de Lisboa e que o mérito académico pode ser anulado por um despacho ministerial. Isto é um retrocesso civilizacional e um incentivo à mediocridade, pois desincentiva os investigadores a procurar a distinção se esta puder ser politicamente "cancelada" depois.
Neste episódio deplorável, Nuno Melo revela falta de verticalidade, de bom senso e de decoro. Um verdadeiro estadista, mesmo que discorde das conclusões de um estudo, valoriza o esforço da investigação e, se necessário, encomenda outro estudo com metodologia diferente para contrapor — nunca desacredita ad hominem o trabalho alheio. Nesta situação, Nuno Melo não só prejudica a imagem do próprio partido (ao expor as suas divisões), como fere a honra da universidade e desrespeita a inteligência dos cidadãos, que percebem que o ataque não é à tese, mas à origem política ou às conclusões inconvenientes que ela possa ter.

Para aceder a todo este ‘filme’ da contaminação dos solos e das águas junto à Base das Lages, na Ilha Terceira, consulte-se o Ambiente Ondas3.



ESPINHO: ANTA QUER REVER O PROJETO DA ALTA VELOCIDADE


A Junta de Freguesia de Anta defende a revisão do projeto da Linha Ferroviária de Alta Velocidade entre Campanhã e Oiã nas zonas em que considera existirem impactos mais gravosos para o território, a população e o ambiente.

Anta é uma das freguesias mais penalizadas pelo traçado, num território que já foi marcado, nas últimas décadas, pelo seccionamento provocado pelas autoestradas A29 e A41. A Junta alerta para a perda de espaços florestais, áreas ecológicas e recursos hídricos, bem como para impactos na paisagem, na mobilidade local e na qualidade de vida da população. Uma das principais preocupações diz respeito à ponte prevista sobre a Ribeira de Silvalde, com cerca de 614 metros. A Junta entende que a estrutura não apresenta preocupação suficiente de integração paisagística ou valorização arquitetónica, podendo agravar a fragmentação de um território já atravessado por grandes infraestruturas. O lugar de Esmojães é apontado como uma das zonas mais sensíveis, pelo risco de ficar cercado por vias rodoviárias e ferroviárias. A Junta de Anta reclama o reforço das medidas de compensação, defendendo a criação de corredores verdes, a rearborização das áreas afetadas e a proteção efetiva da Ribeira de Silvalde, da Ribeira da Gaiteira* e dos recursos hídricos existentes. Entre as preocupações está também a salvaguarda da Fonte do Pereirocuja água continua a ser procurada regularmente pela população. A autarquia defende ainda que o projeto deve garantir a proteção das redes de abastecimento de água, drenagem e saneamento, bem como a monitorização da estabilidade da ponte da Rua da Aldeia Nova sobre a Ribeira da Gaiteira. MV 1jul2026.

* Em 2023, os vizinhos alertavam para visíveis desgastes nos seus pilares.

domingo, 28 de junho de 2026

TOMAR: 94% DE PERDAS DE ÁGUA EM MENDACHA


Perdas de água na Mendacha em Tomar atingem valor insustentável de 94%. A rede de 253 quilómetros encontra-se quase totalmente obstruída pela acumulação de calcário ao longo de décadas. Fonte.

sábado, 27 de junho de 2026

AÇORES: CHUMBO EM ESQUELETOS DENUNCIA SUSPEITAS DE CONTAMINAÇÃO DE SOLOS E ÁGUAS E LIGAÇÃO A CANCROS

Expresso.

Lajes: investigação deteta chumbo em esqueletos, reforçando suspeitas de contaminação e ligação a surto de cancros. Estudo da Universidade de Coimbra* deteta metais pesados em humanos que viviam junto às zonas poluídas pela base militar das Lajes. Nova pista pode explicar número de doenças oncológicas, mas é preciso realizar mais estudos. Enfermeiros denunciam travões a uma investigação que tentaram fazer à incidência de cancros na Praia da Vitória. Fonte.

* Os estudos realizados por Féliz Rodrigues no âmbito do seu doutoramento em Antropologia Forense, desenvolvida na Universidade de Coimbra e financiada pelo Governo Regional dos Açores, podem ser acedidos aqui e aqui.

Há uma segunda contaminação nesta história: a do silêncio. Profissionais de saúde que tentaram estudar a incidência de cancros na Praia da Vitória relatam ao Expresso que foram impedidos de o fazer. “A uma investigadora, a universidade terá sugerido, ou obrigado, a mudar de tema, da incidência de cancros para o impacto das reformas antecipadas. O coordenador do estudo foi mais longe: afirma que a universidade não quis concluir a investigação por ter uma parceria com uma universidade do Massachusetts, e que estavam a pôr em causa os interesses norte-americanos. Faltou-lhes o acesso a certidões de óbito para analisar causas de morte; a Segurança Social não disponibilizou os dados de incapacidade atribuída por cancro. Há ainda relatos de ameaças veladas a quem se mobilizou, porque muitos pais trabalham na Câmara ou na base.” Fonte.

Os tempos passaram, e agora a Câmara da Praia da Vitória prodigaliza condições para uma investigação rigorosaatitude totalmente oposta à que tomou em setembro de 2018 ao processar os investigadores que alertavam para a contaminação das águas locais.

Entretanto, reveja-se o que o blogue Ambiente Ondas3 já publicou sobre este mesmo tema da contaminação de solos na Praia da Vitória e problemas de saúde daí decorrentes:

quarta-feira, 17 de junho de 2026

REFLEXÃO

AUMENTAM AS TENSÕES ENTRE OS ESTADOS QUE DEPENDEM DO RIO COLORADO


O rio Colorado — fonte de vida para 40 milhões de pessoas e 5,5 milhões de acres de terras agrícolas — está a diminuir devido a décadas de seca, aquecimento global e atribuição excessiva de direitos de água. Os sete estados norte-americanos que dele dependem (Arizona, Califórnia, Nevada, Colorado, Utah, Novo México e Wyoming) não conseguem chegar a acordo sobre como repartir um abastecimento que é agora muito inferior ao prometido pelas regras centenárias.

O Colorado River Compact de 1922 divide a água igualmente entre as bacias superior e inferior, mas o rio já não produz tanta água. Os estados da bacia inferior (CA, AZ, NV) já fizeram cortes e querem que os estados da bacia superior se comprometam com reduções permanentes. Os estados da bacia superior argumentam que já usam menos água e são forçados a reduzir naturalmente quando a cobertura de neve é baixa.

Os estados preparam processos judiciais, reservando fundos e aprimorando os seus argumentos legais. Arizona e Colorado já sinalizaram interpretações conflituantes sobre o pacto de 1922. Alguns legisladores ameaçam reter fundos de assistência para a seca dos estados que entrarem com ações judiciais. Especialistas alertam que o envolvimento do Supremo Tribunal pode levar anos e gerar ainda mais incertezas. Sem um acordo, a região enfrenta escassez crítica, instabilidade nas entregas de água e potencial colapso da gestão coordenada do rio. Os negociadores afirmam que apenas um acordo entre os sete estados pode evitar uma crise jurídica e ambiental. 

terça-feira, 9 de junho de 2026

ALBÂNIA: RESORT DE LUXO APOIADO POR KUSHNER GERA PROTESTOS

  • O projeto de um resort de luxo apoiado por Jared Kushner, genro de Donald Trump, está a desencadear uma onda de protestos em Tirana, na Albânia. A Affinity Partners, empresa de investimento liderada por Kushner, pretende desenvolver empreendimentos turísticos na ilha de Sazan e na zona de Zvernec, perto de Vlora, uma das áreas costeiras mais sensíveis do país. Os manifestantes contestam sobretudo a escolha do local: trata‑se de uma zona húmida protegida, habitat de flamingos e de várias espécies de aves migratórias. A indignação é agravada pela falta de transparência do governo albanês, que tem mantido sigilo sobre as negociações com a Affinity Partners, iniciadas em 2024. O primeiro‑ministro, Edi Rama, rejeita as críticas. Garante que o projeto trará benefícios económicos significativos e descreve as preocupações ambientais como «desinformadas». Vai ainda mais longe ao sugerir que os protestos fazem parte de uma «guerra híbrida» promovida por rivais regionais, incluindo a Grécia. Esta controvérsia soma‑se a outras envolvendo Kushner nos Balcãs. Há poucas semanas, o empresário abandonou um plano para construir um hotel Trump em Belgrado, depois de forte oposição pública e da detenção de um ministro sérvio ligado ao projeto. Fonte.
  • 4 000 pessoas reuniram-se em Rennes no domingo para defender a água, convocadas por um coletivo de associações e ONG ambientais. Numa região onde os recursos hídricos são frágeis – 75% da água potável dos bretões provém de águas superficiais, devido à falta de aquíferos –, a tensão em torno deste recurso é intensa. Tanto mais que a qualidade da água está muito degradada por décadas de agricultura intensiva: atualmente, apenas 8% das massas de água encontram-se em bom estado ecológico em Ille-et-Vilaine. Fonte.
  • As autoridades do Arizona encerraram indefinidamente um lago popular aos visitantes, após a morte recente de toda a sua população de peixes. O departamento de recreação e vida selvagem responsável pela manutenção do Lago San Carlos afirmou que as condições de seca, bem como a água libertada de uma barragem na zona, resultaram numa mortandade em massa que afetou aproximadamente 100 % da população de peixes. Fonte.
  • Embora alguns países pareçam estar a alcançar um crescimento verde — crescimento económico acompanhado de uma redução no uso de materiais —, os dados são muito menos animadores quando analisados ao longo de períodos de tempo mais extensos e com dados mais completos. Há um grande problema nas atuais alegações de sucesso na dissociação: o seu uso de recursos continua muito acima dos níveis sustentáveis. O crescimento verde não é impossível, mas os dados atuais exageram os progressos alcançados. Para permanecer dentro dos limites planetários, os países de elevado consumo devem reduzir o uso absoluto de materiais, e não apenas abrandar o seu crescimento. Alguns países (como Cuba e a Somália) demonstram que isso é possível, mas os seus percursos são diversos e não são facilmente replicáveis. Fonte.
  • Os maiores bancos do mundo comprometeram-se a conceder 906 mil milhões de dólares em financiamento à indústria dos combustíveis fósseis em 2025, um aumento «incompreensível» do investimento que garante mais anos de produção de carvão, petróleo e gás, numa altura em que o mundo continua a aquecer. O aumento dos novos empréstimos para combustíveis fósseis, que subiram 64 mil milhões de dólares ou quase 8% em relação a 2024, mostra que os 65 maiores bancos do mundo estão a tomar decisões incompatíveis com os acordos internacionais para conter o aumento das temperaturas globais, de acordo com a coligação de grupos ambientais responsável pela nova análiseFonte.

domingo, 31 de maio de 2026

EUA: ESGOTOS NÃO TRATADOS CONTAMINAM RIO POTOMAC

Em 16 de fevereiro, em Cabin John, Maryland, tubagens desviam águas residuais não tratadas para o Canal C&O, contornando uma secção danificada do coletor do Potomac. Crédito: Chip Somodevilla/Getty Images

Em janeiro, um cano de esgoto com 60 anos, conhecido como «Potomac Interceptor», que percorre a margem do rio Potomac no estado de Maryland, ruiu perto do corredor da Clara Barton Parkway, no distrito de Montgomery, derramando cerca de 243 milhões de galões de esgoto não tratado para o rio Potomac durante aproximadamente três semanas. Mas mesmo antes desse derrame, outra crise já tinha começado a desenrolar-se noutro local da bacia hidrográfica. Na Base Conjunta Andrews, no distrito de Prince George, uma falha no sistema de combustível a 11 de dezembro levou à entrada de milhares de galões de combustível de aviação na nascente do Piscataway Creek, um afluente que desagua diretamente no Potomac. A fuga continuou durante meses antes de as autoridades reguladoras estaduais terem sido notificadas. Com mais de 400 milhas de extensão, o rio Potomac é fonte de água potável para mais de 5 milhões de pessoas na área metropolitana de Washington, D.C. Em abril, a American Rivers, uma organização sem fins lucrativos dedicada à conservação, nomeou-o o rio mais ameaçado do país. Fonte.