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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

PLANO DE RECUPERAÇÃO DA NATUREZA: MAIS DE METADE DOS PAÍSES DA UE NÃO CUMPRE PRAZO

[Arterra/Universal Images Group via Getty Images]
  • Mais de metade dos países da UE não cumpriu o para a apresentação dos seus planos nacionais de restauração da natureza, um requisito fundamental previsto na Lei da UE sobre a Restauração da Natureza. A Lei da Restauração da Natureza só foi aprovada após um intenso conflito político, marcado por uma forte oposição por parte dos lóbis do setor agrícola, resistência por parte de vários governos, e um debate altamente polarizado no Parlamento Europeu. O incumprimento do prazo compromete essa legitimidade e dá munições aos opositores para argumentarem que a lei é irrealista ou excessivamente onerosa. Fonte.
  • Numa aparente violação da sua própria política, o banco holandês ING ajudou empresas do setor dos combustíveis fósseis a angariar mais de 900 milhões de dólares à Vår Energi, à Aker BP e à NEO Energy, empresas de petróleo e gás que ainda estão a perfurar ou pretendem desenvolver novos campos petrolíferos no Mar do Norte.

terça-feira, 28 de julho de 2026

CAMBOJA: BLOCOS ANTI-ARRASTO REVITALIZAM RECIFE


  • No arquipélago de Koh Sdach, no Golfo da Tailândia, no Camboja, uma iniciativa liderada pelo governo e por uma ONG, visa pôr fim à pesca ilegal com redes de arrasto e revitalizar o recife através da colocação de grandes blocos de betão no fundo do mar. Fonte.
  • A Alemanha está a introduzir restrições ao consumo de água, uma vez que a seca prolongada e as ondas de calor recorrentes estão a exercer pressão sobre os recursos hídricos. Cerca de 80 municípios impuseram limites a atividades como encher piscinas, regar jardins e lavar carros. Fonte.
  • Sem selfies, sem telemóveis: por que razão os destinos de vida selvagem estão a começar a dizer «não» aos turistas. Fonte.

domingo, 26 de julho de 2026

BORBA: DETIDOS POR CAÇA DE OURIÇOS-CACHEIROS

Foto: Francisco Clamote. 
  • GNR de Borba detém 5 homens por caça ilegal a ouriços-cacheiros, uma espécie em declínio. Fonte.
  • Pela primeira vez em França, um projeto de centro de dados foi suspenso por via de medida cautelar pela justiça, no departamento de Drôme. Uma vitória provisória, devida à ausência de um estudo de impacto ambiental para este projeto, cujo custo está estimado em 1,5 mil milhões de euros. Fonte.
  • O Ministério do Ambiente da Alemanha aprovou um projeto franco-russo para a produção de barras de combustível utilizadas em reatores de conceção russa na cidade de Lingen, no noroeste da Alemanha. O projeto de joint venture entre uma subsidiária da francesa Framatome e da russa Rosatom suscitou receios de espionagem, mas as autoridades alemãs afirmaram que não tinham qualquer possibilidade legal de o rejeitar. Fonte.
  • Os apicultores e ambientalistas em França reagiram com indignação depois de o parlamento ter aprovado um projeto de lei que reautoriza a utilização de dois neonicotinóides para combater doenças que destroem as culturas mas que irá matar as abelhas e reduzir as colheitas. Fonte.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

REFLEXÃO

IMAGENS ALTERADAS POR IA EM FÓRUNS DE OBSERVAÇÃO DE AVES COLOCAM A INVESTIGAÇÃO EM RISCO
Patrick Greenfield, The Guardian. Rev. O’Lima.

«Ninguém acredita que se tenha avistado um tucano na Sibéria»… Esta imagem foi gerada por IA, utilizando o ChatGPT. Ilustração: ChatGPT

Para muitos observadores de aves, registar uma espécie fora da sua área de distribuição normal é o Santo Graal. No Reino Unido, estas descobertas costumam ser notícia a nível nacional. A garça-dos-recifes-ocidental, por exemplo, normalmente encontrada em África e no sul da Europa, foi avistada numa cidade costeira no norte do País de Gales em junho e amplamente comemorada nos fóruns de observação de aves.

Mas um novo flagelo ameaça perturbar a diversão: o uso indevido da IA.

Os cientistas estão a apelar aos observadores de aves para que limitem o uso da IA na edição de imagens, devido ao receio de que isso possa comprometer a credibilidade de plataformas populares de ciência cidadã, como o iNaturalist e a Macaulay Library, que são habitualmente utilizadas na investigação científica para monitorizar a área de distribuição das espécies.

A ascensão de plataformas de IA generativa levou a um aumento acentuado de imagens falsas e retocadas de aves raras e célebres nos fóruns de fotografia da vida selvagem. Os utilizadores podem criar imagens falsas de alta qualidade em segundos — ou retocar uma fotografia, pedindo à IA para remover um ramo ou uma folha que possa estar a obscurecer parte do objeto, o que pode, inadvertidamente, introduzir alterações significativas.

Num comentário recente publicado na revista científica Nature, os investigadores denunciaram a descoberta de centenas de imagens falsas em bases de dados populares destinadas ao registo de espécies. Afirmaram que a verdadeira dimensão do problema é desconhecida — uma vez que muitas podem passar despercebidas — e que isso pode contaminar os registos recolhidos pelo público.

«A minha experiência ao navegar no Facebook nos últimos tempos é que um volume enorme de fotografias de vida selvagem são agora simplesmente imagens geradas por IA», afirmou o Dr. Alexander Lees, ecologista da Universidade Metropolitana de Manchester e autor do artigo científico. «A ideia de que poderíamos talvez utilizar essas fotografias para nos ajudar a compreender onde as espécies se encontram no espaço e no tempo é muito difícil de concretizar.»

As fraudes evidentes continuam a ser raras e são frequentemente fáceis de identificar, afirmou Lees — ninguém acredita num avistamento de um tucano na Sibéria —, mas ele refere que os observadores de aves utilizam frequentemente a IA para editar e melhorar uma imagem, e o algoritmo pode então introduzir partes de diferentes espécies de aves para criar a nova imagem.

Lees refere o exemplo de um falso avistamento de um melro-de-asa-vermelha no centro do Brasil, ave que normalmente se encontra na América do Norte e que nunca tinha sido vista nesta região do Brasil até ao avistamento relatado. A ave era, na verdade, um papa-figo-de-epauletas — uma espécie comum do Novo Mundo —, mas o fotógrafo tinha pedido a uma plataforma de IA para tornar a fotografia «mais bonita», o que levou à adição de partes do melro-de-asa-vermelha, resultando no avistamento falso.

«Os fotógrafos de vida selvagem podem ficar bastante obcecados em conseguir uma fotografia bonita, mas existe o risco de que a imagem possa, na verdade, causar problemas no futuro, quando for editada com recurso à IA», afirmou Lees.

As organizações de ciência cidadã continuam a trabalhar para compreender a dimensão do problema. No iNaturalist, uma rede social onde os entusiastas da natureza podem registar observações de plantas e animais, apenas 1 400 das mais de 610 milhões de imagens na plataforma foram sinalizadas para utilização de IA. Desde monitorizar a forma como as plantas e os animais se movem em resposta às alterações climáticas até registar novos comportamentos nas espécies, foram feitas dezenas de descobertas através da ciência cidadã.

Tony Iwane, diretor de apoio à comunidade do iNaturalist, que foi coautor do artigo publicado na revista Nature, afirmou que era improvável que a maioria destes casos fosse maliciosa, mas apelou aos utilizadores para que se mantivessem vigilantes.

«Em plataformas como a nossa, pessoas comuns estão a publicar informações que um cientista provavelmente nunca conseguiria obter em grande escala. É também quase como um sensor do que está a acontecer na Terra em tempo real: as plantas estão a florescer mais cedo? As espécies estão a deslocar-se para norte à medida que o clima aquece? Quanto mais soubermos sobre a localização das espécies, mais bem informados poderemos estar enquanto conservacionistas. Mas a informação tem de ser precisa», afirmou.

domingo, 28 de junho de 2026

REFLEXÃO

COMO OS ISRAELITAS SE INFILTRARAM E DESTRUÍRAM A MAIOR ORGANIZAÇÃO DE CONSERVAÇÃO MARINHA DO MUNDO
HR NEWS. Rev. O’Lima.


Durante décadas, o capitão Paul Watson e a Sea Shepherd atuaram como os guardiões do alto mar que nenhum governo se dispunha a ser. Os seus navios abalroavam baleeiros ilegais, enredavam hélices com cordas e transmitiam os confrontos para uma audiência global ávida por heróis ambientais. A identidade da organização era indissociável da sua disposição para infringir as regras em prol do oceano. Arvoravam a bandeira Jolly Roger. Fizeram inimigos entre os governos. E deram resultado.

Porém, em julho de 2022, tudo mudou. A transformação da Sea Shepherd de um movimento radical de ação direta num serviço de patrulha «aseptizado» e sancionado pelo Estado não ocorreu gradualmente — aconteceu através de um golpe na sala de reuniões, e para compreender isso é preciso seguir o rasto do dinheiro, dos mercenários e do silêncio que se seguiu.

A Purga

O conselho de administração da Sea Shepherd Global — Alex Cornelisson, Peter Hammarstedt, Geert Vons e Jeff Hansen — demitiu Watson e a presidente da Sea Shepherd França, Lamya Essemlali, por questionarem as suas novas parcerias: com nações africanas corruptas, com a Austral Fisheries Company, com a seguradora Allianz e, mais significativamente, com a empresa de segurança israelita Yamasec.

Segundo o próprio Watson, estes homens estavam aterrorizados com a possibilidade de o seu historial intransigente afugentar os parceiros governamentais que estavam tão desesperados por conquistar. A tática de não-violência agressiva que Watson desenvolveu em 1977 foi rejeitada por ser considerada demasiado controversa, apesar de ter sido precisamente essa abordagem que fez da Sea Shepherd o movimento de sucesso em que se tornou.

O relato de Watson sobre a cisão deixa claro que não se tratava de um desacordo sobre táticas. Era um desacordo sobre o que a organização era, no fundo. A nova liderança queria uma ONG de conservação convencional. Watson queria o que a Sea Shepherd sempre tinha sido: uma força de ação direta que não prestasse contas a ninguém.

Após a afastamento de Watson e Essemlali, a Sea Shepherd França, o Brasil e o Reino Unido mantiveram-se fiéis aos objetivos originais do movimento. A nova Sea Shepherd Global processou posteriormente Watson e a Sea Shepherd França, alegando que estes não tinham qualquer direito legal de utilizar o nome Sea Shepherd — nome que o próprio Watson criou — nem os logótipos que ele próprio tinha desenhado. Uma organização a processar o seu fundador por utilizar o próprio nome. O simbolismo não era subtil.

A Questão da Namíbia e a «branqueamento» de um escândalo

A viragem para as alianças governamentais em África foi apresentada, à primeira vista, como uma missão nobre para combater a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. Na prática, a página da história da Sea Shepherd Global apresenta-se agora como um relato polido de uma organização que serve cada vez mais os interesses dos Estados que alega querer responsabilizar.

A parceria com a Namíbia foi o exemplo mais flagrante. A Sea Shepherd Global estabeleceu laços estreitos com as autoridades pesqueiras do país no auge do escândalo «Fishrot», no qual o antigo ministro das Pescas, Bernard Esau, e outros altos funcionários foram acusados de trocar quotas de pesca nacionais por subornos da empresa pesqueira islandesa Samherji. Os «Fishrot Files», divulgados por um corajoso denunciante, revelaram uma corrupção sistemática que, ao longo dos anos, esgotou os recursos marinhos da Namíbia — os mesmos recursos marinhos que a Sea Shepherd alegava proteger.

Ao manter relações estreitas e cordiais com responsáveis que atuavam sob essa sombra, a nova Sea Shepherd Global não se limitou a fazer vista grossa. Proporcionou ativamente a esses responsáveis uma aparência de legitimidade ambiental — «branqueando» um regime apanhado em flagrante a praticar sabotagem económica marinha. A aparente lealdade de Peter Hammarstedt a estas relações governamentais, acima e além de qualquer compromisso com a missão, foi um dos principais motivos de descontentamento para Watson e Essemlali antes da sua destituição.

O Problema da Yamasec: Mercenários no Mar

É aqui que a história passa de decepcionante a verdadeiramente preocupante. De acordo com uma reportagem do L’Impertinent, a empresa israelita Yamasec, sediada no Uganda, vinha a contratar pessoal de segurança para operar nos navios da Sea Shepherd Global há aproximadamente sete anos. A bordo do navio Sam Simon, da Sea Shepherd, em águas gambianas, dois seguranças israelitas contratados pela Yamasec deram formação a oficiais da Marinha gambiana em procedimentos militares de abordagem: como transportar as armas enquanto subiam escadas de corda, como revistar navios à procura de contrabando, armas ou trabalhadores escondidos e como abordar embarcações em movimento que se recusassem a parar.

Reflitam bem nisso. Uma organização fundada com base na ação direta não violenta, aclamada pelos seus navios improvisados e tripulados por civis que se interpunham entre os baleeiros e as baleias, tinha-se tornado discretamente numa plataforma para que contratados com formação militar realizassem operações de abordagem com oficiais da marinha armados.

Lamya Essemlali, da Sea Shepherd França, afirma que ela e Watson desconheciam totalmente a colaboração com a Yamasec: «Parece uma loucura, mas não, não sabíamos. Isso nunca foi discutido durante as reuniões do conselho de administração e nunca aprovámos qualquer contrato.» Segundo Essemlali, os documentos internos, incluindo os contratos com a Yamasec, foram mantidos em segredo, e foi precisamente por isso que a Sea Shepherd France intentou uma ação judicial contra a Global em Amesterdão — para ter acesso aos documentos internos que tinham sido ocultados.

Um membro da tripulação que falou com o L’Impertinent descreveu a dinâmica a bordo do navio em termos que deveriam alarmar qualquer pessoa que se lembre do que a Sea Shepherd deveria ser: «Eles estão lá para nos ajudar em caso de ataques de piratas e para gerir os soldados locais que embarcam connosco e nos conferem a legitimidade para abordar embarcações de pesca. Um dos chefes da Yamasec tem contactos privilegiados com os governos. Disseram-me que, sem a Yamasec, não poderíamos estar lá — o que me surpreendeu, uma vez que são eles que trabalham para nós, e não o contrário. Há uma ligação que considero pouco saudável entre uma empresa de segurança privada e os presidentes locais.»

Um antigo membro da tripulação, escrevendo sob o seu próprio nome, corroborou isto: «Testemunhei a presença a bordo de uma equipa de segurança israelita — a quem eram pagos montantes exorbitantes — que mais tarde regressou para participar em operações contra os palestinianos.» Trata-se de um relato isolado e não verificado, e deve ser tratado como tal. Mas é o tipo de relato que exige uma resposta da Sea Shepherd Global — resposta essa que ainda não foi dada.

A Parceria com Israel

A ligação com a Yamasec não se limitou às operações em África. Em novembro de 2022, a Sea Shepherd Global anunciou o lançamento da Operação Living Sea, mobilizando o seu navio, o Bob Barker, para patrulhar o Palmahim Slide — uma área marinha protegida recém-criada ao largo da costa de Tel Aviv. A área marinha protegida Palmahim Slide, criada em setembro de 2022, foi estabelecida para proteger um importante local de reprodução de tubarões de águas profundas e uma zona de desova do atum rabilho do Mediterrâneo, cujas populações se encontram gravemente depauperadas, tendo diminuído em até 85% nas últimas décadas. Toda a pesca é proibida na área protegida.

À primeira vista, isto parece ser exatamente o que a Sea Shepherd deveria estar a fazer. O atum rabilho do Mediterrâneo está verdadeiramente em perigo, e a organização documentou violações reais: a tripulação a bordo do Bob Barker detetou seis dos dezasseis arrastões licenciados em Israel a pescar violando os regulamentos locais, entregando provas fotográficas e em vídeo às autoridades israelitas para investigação.

Mas o contexto é extremamente importante. A parceria com Israel foi lançada imediatamente após a reviravolta na liderança, com a mesma equipa de direção que tinha integrado a Yamasec na estrutura operacional da Sea Shepherd — e a Yamasec é uma empresa israelita. A presença de uma empresa de segurança israelita nos navios da Sea Shepherd pareceu politicamente incómoda até mesmo aos membros da tripulação: «Já para não falar de que a presença de uma milícia israelita parece representar um problema para muitos num grupo que é tipicamente de tendência política de esquerda.» A organização que outrora navegava sob a bandeira Jolly Roger e declarava guerra aos Estados-nação era agora, na prática, um contratante de aplicação da lei para um deles.

Os navios foram despojados da sua identidade, pintados de cinzento e obrigados a arvorar as bandeiras dos seus países de acolhimento — uma personificação visual de tudo aquilo a que a organização outrora se tinha oposto.

O que se perdeu

A secção de perguntas frequentes da Fundação Paul Watson expõe a filosofia fundadora com uma clareza impressionante: ação direta, independência operacional, ausência de parceiros governamentais e total transparência perante o público. Estes não eram meros valores a que se aspirava — eram o ADN operacional que tornava a Sea Shepherd eficaz. Os governos não abordam navios de pesca ilegais às três da manhã, no meio de uma tempestade. Civis radicais e não-violentos, que não respondem perante nenhuma bandeira, sim.

Ao escolher a legitimidade em detrimento da autonomia, a nova Sea Shepherd Global abdicou da única coisa que a tornava poderosa. Não se pode responsabilizar os governos enquanto esses mesmos governos assinam os vossos contratos e avaliam o vosso pessoal de segurança. Não se pode alegar que se protege o oceano enquanto o vosso conselho de administração suprime documentos internos para ocultar quais os contratantes militares que comandam os vossos navios. E não se pode fingir ser um movimento de base enquanto se processa o próprio fundador por usar o seu nome.

A Fundação Capitão Paul Watson dá continuidade ao mandato original, operando de forma independente, sem parcerias governamentais nem empresas de segurança privada. Se isso é suficiente — e se «trabalhar dentro do sistema» pode alcançar o que a resistência não conseguiu — é a questão a que o próprio oceano poderá, eventualmente, responder. O resto, como se costuma dizer, não passa de burocracia rebuscada para a extinção dos mares.

domingo, 21 de junho de 2026

CUIDADO COM ALISANTES QUÍMICOS PARA CABELO

  • Uma revisão recente publicada na revista Current Environmental Health Reports revelou que dois tipos de alisantes químicos para o cabelo — os alisantes e os tratamentos de queratina — contêm, cada um, várias classes de substâncias químicas tóxicas conhecidas e que perturbam o sistema endócrino (EDCs), substâncias cancerígenas e metais pesados. O formaldeído, um carcinogéneo conhecido, foi o mais frequentemente encontrado nos tratamentos de queratina. Os ingredientes de fragrâncias foram as substâncias químicas preocupantes mais frequentemente identificadas nos alisantes capilares, juntamente com EDCs, tais como ftalatos e parabenos. Os estudos revelaram ainda que os profissionais de salões de beleza que manuseavam estes produtos apresentavam níveis mais elevados de substâncias químicas tóxicas na urina no final dos seus turnos.
  • A Rolls-Royce vai construir mini-centrais nucleares para a Videberg Kraft, uma subsidiária da gigante estatal sueca do setor energético Vattenfall. Fonte.
  • Mona Khalil, nascida em Lagos em 1949 e fundadora da Orange House, dedicou mais de vinte anos à proteção das tartarugas marinhas ao longo da costa de Mansouri. Faleceu na sequência do ataque israelita que atingiu a sua casa a 4 de junho, deixando um legado de proteção costeira e de empenho local. Fonte.

sábado, 6 de junho de 2026

REFLEXÃO

O WWF SURGIU DO RACISMO, DO COLONIALISMO E DO CAPITALISMO
Emmanuel Clévenot, Reporterre. Revisão: O’Lima.


O WWF, cuja presidente foi forçada a demitir-se devido à sua participação numa marcha antirracista, tem fundamentos colonialistas que continuam atuais, recorda o historiador Guillaume Blanc. Ligações com multinacionais, «colonialismo verde»... «É impossível para o WWF envolver-se na luta antirracista.»
Um bater de porta com graves repercussões. A 28 de maio, encurralada inicialmente pelo seu conselho de administração, Alexandra Palt anunciou a demissão da presidência do WWF França, o Fundo Mundial para a Natureza. O motivo? A sua participação, a 4 de abril em Saint-Denis, numa manifestação antirracista. Uma luta que a organização do pequeno panda se recusa a assumir.
Guillaume Blanc, historiador francês e professor no Instituto de Estudos Políticos de Bordéus, analisa esta sequência inesperada. Autor da banda desenhada ‘Les Sacrifiés du paradis’ (ed. Delcourt, março de 2026), investiga há dez anos as políticas levadas a cabo em África por diversas organizações internacionais, entre as quais a WWF. Uma instituição «nascida do racismo, do colonialismo e do capitalismo», defende ele nesta entrevista.

Reporterre — A demissão de Alexandra Palt é surpreendente?

Guillaume Blanc — Surpreendeu-me bastante porque Alexandra Palt, recordemos, vem da L’Oréal. Ela esteve na direção deste gigante dos produtos cosméticos. Por outras palavras, ela é uma figura típica do ambientalismo dominante. Aquele das grandes instituições que trabalham de mãos dadas com as empresas multinacionais em vez de as combater. Um ambientalismo em que aqueles que destroem são também aqueles que protegem. Por isso, sim, fiquei surpreendido ao ouvir esta dirigente demitir-se em nome de valores humanistas.
No dia seguinte à sua participação neste comício contra o racismo em Saint-Denis, Alexandra Palt recebeu um e-mail assinado, entre outros, pela navegadora Isabelle Autissier, presidente de honra da WWF França: «A nossa organização luta, desde a sua criação, para que não haja dúvidas quanto ao seu apolitismo», escreviam os autores, precisando que o objeto social da organização «não inclui a luta contra o racismo». O que lhe inspira esta oposição entre «apolitismo» e «antirracismo»?
Para mim, é pura e simples hipocrisia. O que realmente incomoda a WWF, mesmo que não seja dito explicitamente, são os valores políticos defendidos por La France insoumise (LFI) e, mais precisamente neste caso, os do deputado Bally Bagayoko, por iniciativa do encontro antirracista. O WWF nasceu do capitalismo e do racismo. Os seus representantes não vão, portanto, combater nem o capitalismo nem o racismo.
Por que digo «nascido do capitalismo»? Vejamos quem foram os presidentes da WWF International. De 1976 a 1981, foi John H. Loudon, antigo diretor-geral da petrolífera Shell. De 2002 a 2009, Emeka Anyaoku, um diplomata nigeriano que trabalhou durante décadas na Commonwealth britânica, nomeadamente no setor petrolífero. E de 2022 a 2023, Edward Neville Isdell, ex-CEO da Coca-Cola. Aliás, ele tinha começado a sua carreira a dirigir a filial sul-africana da multinacional… Isto, em plena era do apartheid, nos anos 70.
Então, como é que o WWF pode afirmar ser apolítico? Pelo contrário, tudo isto é extremamente político. São capitalistas. Colaboram com a Coca-Cola, a Shell, mas também com a Ikea ou a Monsanto. Portanto, fazem política. O que realmente os incomoda são os valores da LFI, mais orientados para a luta anticapitalista.

Por que razão diz que o WWF também «nasceu do racismo»?

Desde os anos 2000 até aos dias de hoje, o WWF tem financiado guardas florestais no Nepal, no Congo, na Índia e também no Gabão. Esses guardas florestais expulsam dos parques nacionais africanos e asiáticos as populações que lá vivem. Espancam pessoas e, por vezes, matam-nas. Tudo isto está documentado.
Em 2019, uma investigação do BuzzFeed revelou abusos cometidos contra populações indígenas por forças paramilitares financiadas pelo WWF no Nepal. Documentos internos demonstravam que a ONG estava a par da situação há anos. O mesmo aconteceu num parque nacional da República Democrática do Congo, onde violações coletivas e atos de tortura perpetrados por guardas florestais apoiados pelo WWF foram ocultados por esta organização.
Três anos antes, a Survival International, uma ONG que luta pela sobrevivência dos povos indígenas, já tinha apresentado uma queixa junto da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] relativamente a atos de violência cometidos nos Camarões, no âmbito de atividades apoiadas pela WWF. Porquê a OCDE? Porque, tendo o WWF um orçamento superior a 350 milhões de euros, é considerado uma empresa transnacional que pode ser julgada pelo tribunal desta organização.
Não houve seguimento a esta queixa e o WWF também não investigou estes abusos. Limitou-se a dizer que não podia deixar de lamentar que alguns parceiros se tivessem dedicado à criminalização de camponeses, espancamentos, violações, etc., precisando que isso não era da sua responsabilidade. Trata-se de uma cegueira por conveniência, ou melhor, de hipocrisia. E a reação de Isabelle Autissier ilustra isso na perfeição. Sinceramente, pergunto-me se ela tem conhecimento de tais abusos ou se opta por fechar os olhos.

Em 2024, no seu livro «La Nature des hommes» (ed. La Découverte), descreveu como os colonos europeus criaram os primeiros parques naturais de África, já no final do século XIX. De que forma esta história se relaciona hoje com o que se passa na WWF?

A partir de 1897, foram criadas as primeiras reservas de caça em África. O que é importante saber é que os colonos europeus, ao chegarem a este continente, deixaram para trás uma Europa radicalmente transformada pela urbanização e pela industrialização. Uma Europa que tinha perdido a sua natureza. No entanto, eles acabaram por se convencer de que iriam reencontrar essa natureza perdida em África. O problema é que o capitalismo colonial também destrói a natureza. No final do século XIX e início do século XX, os caçadores europeus abatiam cerca de 65 000 elefantes por ano. Entre 1850 e 1920, destruíram nada menos que 94 milhões de hectares de floresta. O tráfico de marfim servia para fabricar bolas de bilhar e teclas de piano. Em suma, a grande fauna entrava em colapso e os colonos eram incapazes de aceitar que as destruições a que assistiam eram da sua responsabilidade.
Então, o que fazem eles? Culpam as populações africanas e criam essas reservas de caça. O objetivo é simples: apropriar-se do direito de caçar, em detrimento dos povos que vivem aqui há milénios. Um pouco mais tarde, esses mesmos colonos conservacionistas vão ser apelidados de uma forma engraçada: os açougueiros arrependidos. Porquê? Porque já nem sequer há animais suficientes para caçar… por isso, vão lutar para converter essas reservas em parques nacionais dedicados à contemplação da natureza. E é aí que as expulsões se multiplicam, para criar uma África natural, virgem e selvagem.

Mas o WWF ainda não existia nessa altura.

Não. Quando a colonização chegou ao fim nas décadas de 1950 e 1960, deu-se início a este projeto global que consistia em prosseguir a desumanização de África através dos parques nacionais. É a isso que chamei de «colonialismo verde». Entre 1 e 14 milhões de agricultores e pastores foram assim expulsos dos 350 parques nacionais africanos no século XX. Milhares de camponeses foram criminalizados, multados por cultivarem as suas terras e condenados a penas de prisão por caçarem animais de grande porte. Nessa altura, duas instituições estavam no comando: a UNESCO e a IUCN. Em 1961, em plena época das declarações de independência dos países africanos colonizados, elas criaram uma espécie de banco: o WWF. Com que objetivo? Enviar especialistas «para ajudar a África a ajudar-se a si própria». Cito-vos aqui um documento de arquivo. Esses especialistas não são mais do que colonos reconvertidos em especialistas internacionais.

Será que o WWF rompeu definitivamente com os seus fundamentos colonialistas?

Não. Este estranho binómio entre predação e proteção, nascido dos colonos no final do século XIX e sobre o qual o WWF se construiu, continua atual 120 anos depois. Poderíamos contentar-nos em pensar que as parcerias entre o WWF e multinacionais como a Shell, a Ikea ou a Coca-Cola se enquadram no greenwashing. Na realidade, é mais complexo do que isso. Tomemos um exemplo: na Etiópia, a empresa encarregada de liderar, em 2016, a expulsão das populações do Parque Nacional de Simien chama-se Intersocial Consulting. Ora, essa mesma empresa trabalha para grupos mineiros e petrolíferos, como a Rio Tinto, a TotalEnergies e a ExxonMobil, para planear os seus projetos de «desenvolvimento sustentável». Por outras palavras, este sistema de preservação anda de mãos dadas com a exploração predatória. A TotalEnergies pode continuar a explorar e a destruir os ecossistemas africanos porque financia a proteção dos parques. A Coca-Cola pode continuar a poluir, uma vez que, paralelamente, ajuda a WWF a recolher as garrafas que poluem os oceanos. Tudo isto anda de mãos dadas. Este ecologismo, supostamente apolítico, tem como objetivo perpetuar a exploração do ambiente. E é a posição da WWF optar por trabalhar com multinacionais destrutivas em vez de as combater.

Será que este discurso, que visa não integrar a luta contra o racismo nas causas defendidas pela WWF, serve para facilitar a prossecução das suas atividades em África?

Na verdade, é impossível para o WWF envolver-se na luta antirracista. Seria, e peso as minhas palavras ao dizer isto, como se o Rassemblement National fizesse da luta antirracista o seu lema. É claro que os doadores do WWF não são racistas, nostálgicos da colonização. Por outro lado, o próprio WWF nasceu do racismo, do colonialismo e do capitalismo. O próprio sistema de criação de reservas naturais nos países africanos e asiáticos baseia-se na ideia de que os africanos e os asiáticos seriam incapazes de proteger a sua natureza. É uma ideia colonial. Portanto, se amanhã o WWF começar a lutar contra o racismo, terá de lutar contra si próprio.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

DINAMARCA PINTA ESTRADA DE VERMELHO PARA FACILITAR CIRCULAÇÃO DE MORCEGOS

  • A Dinamarca está a desligar a luz branca dos seus candeeiros de rua e a pintar uma estrada de vermelho para resolver uma crise noturna que quase ninguém repara: a luz urbana estava a bloquear o caminho dos morcegos. Fonte.
  • “Grande parte da vida moderna está concebida de forma a que nunca se veja diretamente o custo ambiental do que consumimos. Os alimentos surgem embalados e prontos a consumir. Recebemos eletricidade através das paredes. O lixo desaparece do passeio. As compras online transformam a produção e o transporte globais num único clique. Às vezes pergunto-me como seria diferente a forma como as pessoas pensariam sobre o consumo se a extração, a poluição, os resíduos e a destruição de habitats associados à conveniência do dia a dia fossem fisicamente visíveis para nós em tempo real. Não estou a tentar ser pessimista. Apenas sinto que a desconexão ambiental pode ser uma das maiores barreiras a uma mudança significativa.” Anónimo.
  • A InnoEnergy, uma das principais entidades europeias de investimento em tecnologias limpas, afirma que as empresas do seu portefólio poderão evitar 2,3 gigatoneladas de CO2 equivalente atá 2030, o que seria o mesmo que retirar 534 milhões de veículos de combustão interna da estrada durante um ano. Uma investigação independente revela, no entanto, que essas estimativas aceites pela EU vêm das próprias empresas beneficiárias, sem utilizarem uma metodologia uniforme e que, na sua grande maioria se recusam divulgar os seus números individualmente. Fonte.

sábado, 23 de maio de 2026

ANTÁRTIDA: GLACIAR RECUA 24 KMS EM APENAS 15 MESES

  • O glaciar Hektoria, na Antártida, ruiu a uma velocidade impressionante, recuando 24 km em apenas 15 meses e estabelecendo um recorde moderno de perda de gelo terrestre. Os cientistas afirmam que o aquecimento global e a instabilidade provocada pelo oceano transformaram o glaciar, que parecia estável, numa estrutura em rápido desmoronamento praticamente da noite para o dia. Fonte.
  • Em 2025, foi removido um número recorde de barragens e outras barreiras fluviais em toda a Europa, com o objetivo de restaurar ecossistemas e ajudar a vida selvagem a prosperar. Foram desmanteladas 602 barreiras (barragens, açudes, bueiros, eclusas), um aumento de 11 % em relação ao ano anterior e um aumento de seis vezes desde 2020. Isto reconectou 3.730 km de rios, contribuindo para o objetivo da UE de restaurar 25.000 km até 2030. A Suécia, a Finlândia e a Espanha lideraram o processo, respetivamente com 173, 143 e 109 casos. Fonte.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

AÇORES: PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL DISTINGUIDO COM ÓSCAR DO OCEANO

  • O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, foi distinguido com o prémio internacional “Peter Benchley Ocean Awards”, na categoria “Excellence in National Leadership”, uma das mais prestigiadas distinções mundiais na área da conservação dos oceanos. A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no Monterey Bay Aquarium, na Califórnia. Criados por Wendy Benchley e David Helvarg, os “Peter Benchley Ocean Awards” são considerados os “Óscares do Oceano”, distinguindo, todos os anos, personalidades e instituições que contribuem de forma exemplar para a proteção e recuperação do meio marinho. Fonte.
  • O Movimento Gaia Verde manifesta a sua preocupação com a realização do Festival Internacional de Forró no Parque de São Paio, junto à Reserva Natural Local do Estuário do Douro, nos dias 29 e 30 de maio entre as 13h e as 00h. Esta localização é desaconselhável para eventos desta dimensão, no qual são esperadas mais de 10.000 pessoas, devido à pressão sobre habitats, fauna e tranquilidade do espaço. A proximidade à reserva levanta riscos relacionados com ruído, afluência de público, produção de resíduos e iluminação dos espetáculos, todos fatores de enorme perturbação da avifauna. Recorde-se que este mesmo local já foi no passado objeto de uma luta intensa do movimento ambientalista de Gaia, contra a instalação do Festival Marés Vivas, precisamente devido aos impactos negativos que um evento de grande dimensão poderia causar num espaço de reconhecido valor natural.
  • Consulta públitraca até 3 de julho: O projeto de Quadruplicação do Troço Castanheira do Ribatejo – Azambuja, na Linha do Norte, entre o pk 34+100 e o pk 47+000, tem uma extensão de cerca de 12,9 km e encontra-se em fase de Projeto de Execução. Fonte.

QUÉNIA: JOVENS TRANSFORMAM RESÍDUOS AGRÍCOLAS NUM FILTRO DE ESCAPE PARA VEÍCULOS

  • A Earth Foundation, com sede na Suíça, atribui o Prémio Earth a jovens entre os 13 e os 19 anos que trabalham em soluções para os desafios ambientais. «O problema da poluição atmosférica era muito pessoal para nós, e foi por isso que começámos a pensar em encontrar uma solução», disse Fredrick Njoroge Kariuki, um dos membros da equipa vencedora da região de África. O sistema de filtragem de gases de escape HewaSafi utiliza filtros feitos de materiais de origem local, como cascas de coco, espigas de milho, malha de aço, cobre e materiais reciclados de baterias usadas. Fonte.
  • Quase uma década depois de a Escócia ter criado a Área Marinha Protegida de South Arran e proibido a pesca de arrasto pelo fundo em grande parte da mesma, a vida no fundo do mar tem prosperado, segundo um novo estudo.
  • Em março de 2026, as energias renováveis ultrapassaram oficialmenteleg o gás natural, tornando-se a maior fonte de produção de eletricidade na rede elétrica dos EUA pela primeira vez na história. Fonte.
  • Um parque solar no Minnesota plantou flores por baixo dos seus painéis, e em pouco tempo começaram a aparecer borboletas-monarca e dezenas de novas espécies de plantas. Fonte.
  • A Ensco foi multada em 287 000 libras depois de um trabalhador offshore ter caído e morrido através de um buraco numa plataforma no Mar do Norte. Fonte.
  • Os pescadores da República Democrática do Congo recorrem à pesca de arrasto de resíduos plásticos. Fonte.

domingo, 17 de maio de 2026

REFLEXÃO

QUANTO VALE UM MORCEGO?
Dale Manning, Anya Nakhmurina e Eli Fenichel, The Conversation. Trad. O’Lima.

Foto: Liz Hamrick/TVA

A maioria dos americanos tende a pensar nos morcegos apenas por volta do Halloween, mas a economia dos EUA beneficia destes mamíferos voadores peludos todos os dias.

Os morcegos polinizam as plantas, incluindo muitas culturas alimentares importantes, quando se detêm nas flores para beber néctar. O seu guano é extraído das cavernas para servir de fertilizante. E comem muitos insetos – tanto os que incomodam as pessoas (como os mosquitos) como outros que destroem as culturas das quais os humanos dependem para se alimentar.

Infelizmente, as populações de morcegos estão a diminuir rapidamente na América do Norte. Um dos principais fatores é uma doença fúngica conhecida como síndrome do nariz branco, que se espalhou entre os morcegos por todos os Estados Unidos. Quando uma população de morcegos entra em colapso, há menos morcegos por perto para comer os insetos incómodos. Todos esses insetos adicionais podem causar danos graves.

Assim, quando os morcegos desaparecem, as explorações agrícolas tornam-se menos produtivas, e isso tem implicações amplas para a economia agrícola, a saúde humana, os governos rurais e até mesmo os mercados financeiros.

Os morcegos adoram comer os insetos que incomodam as pessoas

Primeiro, pense na quantidade de insetos que os morcegos comem. Uma fêmea reprodutora do morcego-castanho-grande pode comer o equivalente ao seu peso corporal em insetos todas as noites no verão, precisamente quando os agricultores estão a cultivar alimentos.

Um desses insetos é o besouro do pepino, que se desenvolve a partir do gorgulho do milho – um flagelo dos campos de milho dos EUA. O gorgulho do milho destrói enormes quantidades de milho no Centro-Oeste e no Sul dos EUA todos os anos, apesar de os agricultores gastarem mil milhões de dólares anualmente em pesticidas para controlar os surtos.

Morcegos-de-cauda-livre-mexicanos saem da Gruta Bracken Bat, perto de San Antonio, no Texas, para uma noite de caça aos insetos. No verão, a gruta abriga a maior colónia de morcegos do mundo. Foto: Ann Froschauer/Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA

Uma colónia de 150 morcegos-castanhos-grandes pode consumir 600 000 besouros-do-pepino num único ano. Se cada fêmea de besouro-do-pepino – assumindo que metade são fêmeas – comesse 110 larvas de gorgulho-da-raiz, uma colónia típica de morcegos-castanhos-grandes impediria a produção de 33 milhões de gorgulhos-da-raiz.

Os agricultores sofrem prejuízos económicos quando as concentrações de larvas de broca excedem cerca de 0,5 por planta de milho. As densidades de plantação típicas excedem as 30 000 plantas de milho por acre no Centro-Oeste. Por conseguinte, as larvas de broca que teriam eclodido poderiam causar danos em mais de 800 hectares de milho – se os morcegos não estivessem por perto para comer primeiro os besouros do pepino. Trata-se de uma contribuição significativa para o controlo de pragas por parte dos morcegos!

A síndrome do nariz branco

No inverno de 2006, o fungo causador da síndrome do nariz branco, o chamado Pseudogymnoascus destructans, foi detetado pela primeira vez nos EUA, perto de Albany, Nova Iorque. A partir daí, espalhou-se por todo o país, infetando 12 espécies de morcegos, três das quais estão listadas como ameaçadas de extinção ao abrigo da Lei das Espécies Ameaçadas. Um estudo de 2010 revelou que a síndrome do nariz branco tinha matado entre 30% e 99% dos morcegos nas colónias infetadas.


Em março de 2026, o fungo causador da síndrome do nariz branco já tinha sido detetado em 47 estados, chegando a atingir a Califórnia, Washington e Oregon. A síndrome do nariz branco propaga-se principalmente através do contacto entre morcegos, embora os seres humanos também contribuam para a propagação quando os espeleólogos transportam o fungo de uma caverna para outra.

Apesar dos esforços coordenados das agências estaduais e federais de vida selvagem para limitar o acesso às cavernas onde vivem os morcegos e retardar a transmissão, a síndrome do nariz branco continua a propagar-se rapidamente. Quando os morcegos são infetados, acordam mais cedo da hibernação e gastam mais energia durante o inverno. Isto esgota as suas reservas de gordura e leva-os a morrer de fome, resultando numa queda acentuada das populações.

O papel dos morcegos na produção alimentar

Após a chegada da síndrome do nariz branco a uma região, a diminuição da população de morcegos tem consequências significativas para os agricultores.

Os rendimentos diminuem à medida que as pragas consomem as culturas. Para proteger as suas culturas, os agricultores adquirem mais pesticidas químicos, pelo que as suas despesas aumentam à medida que os rendimentos diminuem. As perdas agrícolas estimadas decorrentes da síndrome do nariz branco ultrapassavam os 420 milhões de dólares por ano em 2017.

Um morcego-de-nariz-curto-pequeno (Leptonycteris curasoae) a alimentar-se de uma flor de agave no Arizona, espalhando o pólen da flor ao fazê-lo. Foto: Rolf Nussbaumer/imageBROKER

O aumento do uso de pesticidas está também associado a problemas de saúde humana que podem ser evitados se as populações de morcegos se mantiverem saudáveis.

A perda de morcegos prejudica financeiramente os governos locais

A história não se limita às explorações agrícolas. Os distritos de todos os estados dos EUA tributam os terrenos agrícolas com base no seu «valor de uso» – isto é, com base na rentabilidade desses terrenos para a agricultura. Sem populações saudáveis de morcegos, a diminuição dos lucros reduz a base tributária, deixando os governos dos condados com menos receitas.

Esses governos têm de responder reduzindo serviços, aumentando impostos ou aumentando o montante que pedem emprestado – muitas vezes a um custo de financiamento mais elevado. O efeito é especialmente pronunciado nos distritos rurais, onde a agricultura representa uma grande parte das receitas do imposto predial.

A nossa investigação recente revela que as autarquias rurais perderam quase 150 dólares por pessoa em receitas anuais após o aparecimento da síndrome do nariz branco. Para um município rural de dimensão média, isso representa quase 2,7 milhões de dólares em receitas perdidas por ano.

Como a perda de morcegos pode afetar os mercados de obrigações

A perda de receitas municipais deixa os investidores em obrigações municipais nervosos. Comprar um título municipal é um pouco como emprestar dinheiro ao município, e a taxa de juro é o que o município lhe paga por assumir esse risco.

Quando os morcegos desaparecem, o risco aumenta e o município tem de pagar cerca de 11,47 centésimos de ponto percentual a mais em juros. Isso pode parecer pouco, mas é 27% superior ao prémio de risco típico que os investidores já exigem dos governos municipais.

A taxa de juro mais elevada aumenta os custos de financiamento para os governos municipais. Por exemplo, os custos de financiamento de um título típico de 15 anos no valor de 1 milhão de dólares aumentariam em mais de 33 000 dólares.

Rendimentos mais elevados significam também preços mais baixos das obrigações para os investidores, incluindo os fundos de pensões. Por exemplo, a nossa investigação sugere que os investidores desvalorizariam uma obrigação de 1 milhão de dólares emitida por um município rural em quase 14 000 dólares se os morcegos desse município tivessem sido infetados pela síndrome do nariz branco.

Benefícios económicos da preservação dos morcegos

A boa notícia é que os benefícios decorrentes de populações saudáveis de morcegos criam oportunidades para gerar receitas através da conservação dos morcegos.


terça-feira, 21 de abril de 2026

PRÉMIOS GOLDMAN 2026

  • Vencedores do Prémio Ambiental Goldman de 2026: Sarah Finch e o Weald Action Group lideraram uma campanha contra a exploração petrolífera no sudeste de Inglaterra durante mais de uma década, perseverando ao longo de cinco anos de disputas judiciais cada vez mais acirradas contra um projeto de exploração petrolífera em Surrey, até que a coligação conseguiu uma decisão do Supremo Tribunal, em junho de 2024, que finalmente obrigou ao seu encerramento; Em nome de 15 nações tribais, Yup’ik Alannah Acaq Hurley liderou uma campanha que impediu a concretização do megaprojeto da mina de cobre e ouro Pebble, na região da Baía de Bristol, no Alasca; A ativista Borim Kim e a sua organização, Youth 4 Climate Action, venceram o primeiro processo judicial sobre o clima liderado por jovens na Ásia. Em agosto de 2024, o Tribunal Constitucional da Coreia do Sul considerou que a política climática do governo violava os direitos constitucionais das gerações futuras, determinando a criação de metas de redução de emissões juridicamente vinculativas para o período de 2031 a 2049, a fim de cumprir o compromisso do país de atingir emissões líquidas nulas até 2050; Yuvelis Morales Blanco ajudou a mobilizar a sua comunidade em Puerto Wilches contra dois importantes projetos de perfuração, impedindo com sucesso a introdução da fraturação hidráulica comercial na Colômbia. Em 2022, a maior empresa petrolífera do país, a Ecopetrol, suspendeu os seus contratos relativos ao projeto-piloto de fraturação hidráulica; Theonila Roka Matbob liderou uma campanha bem-sucedida que levou a Rio Tinto, a segunda maior empresa mineira do mundo, a assinar, em novembro de 2024, um memorando de entendimento histórico para fazer face à devastação ambiental e social causada pela sua mina de Panguna, há muito inativa; Depois de redescobrir o morcego-de-cauda-curta-e-orelhas-redondas, uma espécie em perigo de extinção, na Nigéria, Iroro Tanshi identificou os incêndios florestais provocados pelo homem como a principal ameaça à espécie e lançou uma campanha bem-sucedida para proteger o seu refúgio, o Santuário de Vida Selvagem da Montanha Afi. Entre o início de 2022 e maio de 2025, ela e as brigadas de incêndio da sua comunidade impediram a ocorrência de incêndios florestais graves dentro e nos arredores do santuário, patrulhando milhares de quintas e respondendo eficazmente a mais de 70 focos de incêndio, salvaguardando as comunidades, as florestas e o frágil habitat do morcego.
  • Grupos ambientalistas entraram com uma ação judicial contra a administração Trump devido à aprovação do novo e gigantesco projeto de perfuração petrolífera em águas ultraprofundas da BP no Golfo do México, 16 anos depois do dia em que o desastre da Deepwater Horizon, da mesma empresa, causou o pior derrame de petróleo da história dos EUA. Fonte.
  • As grandes petrolíferas investem milhares de milhões em locais de perfuração remotos para escapar à agitação no Irão. A Exxon apresentou um plano para investir até 24 mil milhões de dólares nos campos petrolíferos em águas profundas da Nigéria, enquanto a Chevron expandiu a sua presença na Venezuela. A BP adquiriu participações em blocos petrolíferos ao largo da costa da Namíbia e a TotalEnergies assinou um acordo de exploração com a Turquia. Fonte.
  • O que a OCDE ainda não conseguiu dizer sobre os incêndios em Portugal. O relatório final chega quase ao ponto. Depois pára, e deixa de fora o eucalipto, a celulose e a monocultura que fabricou a paisagem que arde. Ricardo Meireles.

sábado, 18 de abril de 2026

COIMBRA: ALTERAR O PDM PARA CONSTRUIR MAIS 30% EM ZONAS RIBEIRINHAS?

  • A Câmara Municipal de Coimbra quer aprovar uma proposta de suspensão parcial do PDM por dois anos, para responder à transformação estrutural que a cidade enfrenta, com a chegada de grandes investimentos na mobilidade, e à pressão crescente sobre o mercado da habitação. A proposta foi debatida numa sessão pública organizada pela autarquia. Fonte.
  • O governo abandona a Reserva Natural das Berlengas, acusa o Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SinFAP). Os Vigilantes da Natureza não dispõem de condições mínimas para garantir a proteção eficaz desta área classificada, património natural de importância nacional e internacional. A habitação de serviço existente na ilha não reúne condições de habitabilidade dignas, comprometendo a permanência dos profissionais no território. Paralelamente, os meios operacionais essenciais encontram-se inoperacionais ou inexistentes. Fonte.
  • A GNR identificou dois homens, na Murtosa, por alegada descarga ilegal de resíduos, incluindo componentes eletrónicos, plásticos, fragmentos de placas de circuito eletrónico e vidro triturado. Fonte.
Ribeira de Silvalde, Espinho. Foto: Zé Quinta, 4mai2019
  • Consulta pública até 18 de maio: PRO~RIOS 2030 - Restauro Ecológico de Rios e Ribeiras. O restauro ecológico dos rios tem por objetivo recuperar a funcionalidade natural dos sistemas fluviais, travar a perda de habitats e espécies, reduzir a vulnerabilidade a cheias e secas, reforçar a adaptação climática e valorizar os territórios, contribuindo para uma gestão dos recursos hídricos mais resiliente, eficiente e inteligente, alinhada com os compromissos nacionais e europeus. Foi desenvolvido um dashboard PRO~RIOS, enquanto instrumento de monitorização e disseminação de conhecimento, disponível em https://proriosgeo.apambiente.pt .

sexta-feira, 17 de abril de 2026

LOULÉ: CÂMARA DENUNCIA CRIME AMBIENTAL NA FOZ DO ALMARGEM


O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto (PS), manifestou a sua indignação em relação àquilo que considera ser um crime ambiental em plena Reserva Natural Local da Foz do Almargem e do Trafal, e anunciou que irá avançar com uma queixa contra os prevaricadores que estão a pôr em causa este ecossistema, com proteção legal desde 2024, e a sobrevivência de espécies únicas, algumas que se encontram em vias de extinção, nomeadamente algumas aves, mamíferos e anfíbios. Em causa está a abertura artificial indevida deste sistema húmido, em plena época de reprodução da maioria das espécies da fauna e flora aqui existente, com especial destaque para as aves, colocando em causa toda uma nova geração de espécies que ali se iriam reproduzir, durante a primavera, como acontece todos os anos. Fonte.


sábado, 7 de março de 2026

ESPINHO: APROVADO O PLANO DE GESTÃO DA ZEC DA BARRINHA DE ESMORIZ


Está aprovado e publicado em Diário da República o plano de gestão da Zona Especial de Conservação (ZEC) da Barrinha de Esmoriz, numa abordagem integrada que dê resposta às exigências ecológicas específicas da ZEC, procedendo à identificação dos tipos de habitat naturais e seminaturais e das espécies da flora e fauna selvagens com presença significativa na sua área e que justificaram o seu reconhecimento como Sítio de Importância Comunitária (SIC) pela Comissão Europeia. São adotadas medidas e ações de conservação complementares, designadamente medidas de gestão ativa e de suporte, conforme o disposto no artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 45/2026, de 16 de fevereiro. 

O plano está bem pensado e, se concretizado, trará significativas melhorias para este ecossistema. 
Espera-se que não fique encalhado em papeis, gabinetes, paragonas mediáticas e fotografias de ocasião e salte para o terreno e mostre resultados palpáveis.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

ILUMINAÇÃO PÚBLICA VERMELHA REDUZ EFEITOS DA POLUIÇÃO LUMINOSA

A luz vermelha avisa os transeuntes que esta é uma área natural especial que o município deseja proteger e preservar. 
(Foto: AFRY| Rune Brandt Hermannsson)
  • Cidades europeias estão a instalar iluminação pública vermelha, um programa para reduzir os efeitos da poluição luminosa, particularmente sobre os animais noturnos. Fonte.
  • Mansões de luxo ilegais substituem florestas tropicais neste parque nacional da UNESCO. Fonte.
  • Os distritos dos EUA localizados mais próximos de centrais nucleares em funcionamento apresentam taxas de mortalidade por cancro mais elevadas do que as localizados mais longe, conclui um novo estudo liderado pela Escola de Saúde Pública T.H. Chan da Universidade de Harvard.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

SERAFIM RIEM (1954-2026)

  • O ambientalista Serafim Riem, considerado um veterano da luta em defesa da natureza, morreu quarta‑feira no Porto, aos 72 anos, confirmou a direcção nacional da Íris — Associação Nacional de Ambiente, da qual fazia parte. Figura marcante do movimento associativo português, foi fundador e dirigente do Grupo Ecológico Terra Viva, esteve no Núcleo Português de Estudo e Protecção da Vida Selvagem e co-fundou as associações Quercus e FAPAS. Mais informação aqui e aqui.
  • Alfeu Sá Marques, antigo professor da Universidade de Coimbra e ex-presidente das Águas de Coimbra, defende a barragem de Girabolhos como peça-chave para mitigar cheias. Fonte.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

ALGARVE: MAIS DUAS ÁREAS PROTEGIDAS

  • O concelho de Loulé, que detém até à data 30% das áreas protegidas locais da Rede Nacional de Áreas Protegidas, vê agora duas novas áreas protegidas de âmbito local serem reconhecidas com a publicação oficial da Reserva Natural Local da Nave do Barão e do Monumento Natural Local da Gruta de Vale Telheiro, em Diário da República. Fonte.
  • A jornada de renascimento do aço naval, algures no Paquistão. Video clip.
  • As árvores nos ensinam a educarmos nossos filhos. Rosângela Trajano, EcoDebate.

sábado, 31 de janeiro de 2026

IRLANDA: RECIFES DE OSTRAS RESTAURADOS

Cestas cheias de ostras no porto de Dún Laoghaire, na baía de Dublin. Fotografia: Rory Carroll/The Guardian
  • Na baía de Dublin, um projeto visa restaurar os recifes de ostras desaparecidos, a fim de reparar o ecossistema marinho, melhorar a qualidade da água e reforçar a biodiversidade. Fonte.
  • Um estudo inédito revela a amplitude da desinformação climática nos media franceses. Da Sud Radio à France Inter, cerca de 130 sequências problemáticas foram identificadas no primeiro trimestre de 2025. «Uma ameaça crescente», segundo as três associações autoras do relatório, que apelam às autoridades públicas para que retomem o controlo sobre um assunto que se tornou estratégico. Fonte.
  • Nigel Farage acumula 151 mil libras em voos financiados por doadores para apoiar Donald Trump. O líder do Partido da Reforma tem viajado pelo mundo para promover a agenda de negação das alterações climáticas de Trump. Fonte.