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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

SINES: ALGA INVASORA PREJUDICA PESCA MAS HÁ POTENCIAL INDUSTRIAL

  • Uma invasão da alga Rugulopteryx okamurae está a perturbar a biodiversidade marinha e a subsistência dos pescadores na região de Sines. A comunidade científica defende que a solução passa pela valorização económica desta alga. Atualmente, já existem projetos em Portugal para aplicar estas algas no setor agrícola, sendo necessário lavá-las previamente para remover o sal e utilizá-las como fertilizante direto. Há ainda o potencial industrial da espécie para a extração de coloides, óleos e carragenas. Estas substâncias podem ser aproveitadas tanto para a produção de rações animais como para a indústria alimentar humana. Fonte.
  • A Quercus emitiu um parecer desfavorável à Unidade de Produção de Biometano de Abrigada, no concelho de Alenquer, juntando-se à contestação da autarquia e da população local. O projeto apresenta fragilidades ambientais significativas, nomeadamente ao nível dos recursos hídricos, solos, emissões, odores e impactes sobre as populações. O projeto prevê a afetação direta de uma linha de água de primeira ordem e do domínio hídrico de uma linha de água de segunda ordem, além de um consumo anual de 20.091 metros cúbicos de água da rede pública. A associação defende que o projeto seja reformulado de forma a eliminar a afetação das linhas de água e a privilegiar fontes alternativas de água não potável, como a reutilização de águas residuais tratadas. Fonte.
  • A petição pública que exige o fim do sistema Volta, de devolução de embalagens, reuniu 37 mil assinaturas. O documento aguarda discussão no parlamento. Fonte.
  • A União Europeia decidiu continuar a exportar grandes volumes de resíduos plásticos para a Turquia, apesar de a sua própria avaliação admitir problemas ambientais e regulamentares significativos na forma como estes resíduos são tratados. A Turquia é o maior importador de resíduos plásticos da UE, tendo exportado 510 000 toneladas em 2025 — mais de um terço de todas as exportações de resíduos plásticos da UE. Apenas cerca de 10% destes resíduos são realmente reciclados na Turquia, acabando a maior parte em aterros sanitários, mal gerida ou a verter para o ambiente. Fonte.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

EUA: MISSISSIPPI NÃO GARANTE O DIREITO À ÁGUA POTÁVEL

  • Tribunal de recurso indefere ação judicial movida por residentes de Jackson que alegavam que a água potável contaminada violava os seus direitos. O tribunal decidiu que a Constituição federal não garante o direito à água potável. Fonte. Mais um caso de racismo ambiental, uma vez que a região é de maioria negra. Já o antigo CEO da Nestlé defendia o mesmo.
  • A Pensilvânia multa a Shell em 15 milhões de dólares por poluição causada pela fábrica de plásticos do Condado de Beaver. Fonte.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

LIXO MARINHO DOS EUA E CANADÁ CHEGA AOS AÇORES DÉCADAS DEPOIS

  • O lixo plástico da pesca da lagosta nos EUA e Canadá atravessa o Atlântico e chega aos Açores décadas depois, conclui o mais recente estudo do OKEANOS. Esse lixo é constituído sobretudo por plásticos de armadilhas utilizadas na pesca da lagosta, como dispositivos de escape e etiquetas de identificação dos aparelhos de pesca. "Estas etiquetas mostraram que 63% eram provenientes dos EUA, sendo 76% delas provenientes do estado do Maine, e as restantes do Canadá", adiantaram os investigadores. O Instituto de Investigação em Ciências do Mar da Universidade dos Açores defende mais cooperação entre países, melhor identificação das artes da pesca e medidas para reduzir a perda de plástico no mar. Fonte. Já não nos bastava a contaminação de solos produzida pela básea aérea dos EUA na Ilha Terceira…
  • A Quercus manifestou-se contra a construção de uma nova incineradora no Algarve, considerando a proposta do Governo uma solução obsoleta e desajustada para resolver a falta de capacidade dos dois aterros da região. A Quercus sublinha que este cenário de rutura resulta de décadas de falta de investimento público em sistemas sustentáveis e de reciclagem. Adicionalmente, aponta que o modelo de incineração é tecnicamente ineficaz para a realidade algarvia, uma vez que estas centrais necessitam de um fluxo constante de resíduos e não conseguem lidar de forma eficiente com a forte oscilação sazonal provocada pelo turismo no verão. Como alternativa à queima, a Quercus defende um forte investimento na recolha seletiva, na modernização das centrais de tratamento mecânico e biológico já existentes e na aplicação do sistema tarifário “Pay As You Throw” (pagar em função do lixo produzido). Sugere ainda a criação de circuitos dedicados para o setor hoteleiro e projetos de compostagem comunitária. Fonte.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

REFLEXÃO

QUANDO AS EMPRESAS DO SETOR DO PLÁSTICO ELABORAM OS PLANOS DE AULA

A indústria do plástico está a oferecer às escolas programas curriculares que apresentam os plásticos como seguros, recicláveis e uma fonte de bons empregos. Os críticos afirmam que se trata de propaganda.

Joseph Winters, Grist. Rev. O’Lima.

Nic Antaya / The Washington Post via Getty Images

Este outono, 54 milhões de alunos do ensino básico e secundário regressam às salas de aula para mais um ano de aulas nas disciplinas tradicionais: matemática, inglês, história e biologia. Mas há outra disciplina que tem vindo a infiltrar-se nos programas escolares: os plásticos.

Um novo relatório da organização sem fins lucrativos Plastic Pollution Coalition documenta as várias formas como a indústria do plástico tem vindo a introduzir a sua agenda nas salas de aula norte-americanas — incluindo, através de planos de aula e fichas de trabalho, experiências científicas práticas e um programa chamado «PlastiVan», que viaja de cidade em cidade a ensinar os alunos sobre «a contribuição dos plásticos para a vida moderna».

De acordo com o relatório, os interesses da indústria disponibilizam estes recursos aos professores gratuitamente ou a preços reduzidos. Os materiais tendem a destacar a necessidade dos plásticos, ao mesmo tempo que minimizam os seus efeitos negativos significativos para a saúde humana e para o ambiente.

«Quando essa informação é transmitida às crianças, obscurece os verdadeiros impactos da poluição por plástico», afirmou Madison Dennis, gestora sénior de políticas e defesa da Plastic Pollution Coalition e uma das principais autoras do relatório. Além de prejudicar a vida marinha, os plásticos podem expor as pessoas a substâncias químicas perigosas, obstruir as redes de pluviais e contribuir para inundações, bem como libertar gases com efeito de estufa que aquecem o planeta. A organização de Dennis apela à adoção de políticas escolares mais rigorosas contra a utilização de materiais didáticos patrocinados pela indústria.

O relatório apresenta quatro estudos de caso sobre a «propaganda» da indústria do plástico dirigida a crianças em idade escolar. Um deles envolve a Sociedade de Engenheiros de Plásticos (SPE). Os planos de aula da SPE incluem atividades como uma «caça ao tesouro do plástico», que visa que os alunos «compreendam que os plásticos estão em todo o lado e a sua importância para a sociedade e para a sua vida pessoal». Um vídeo intitulado «A tua garrafa significa empregos» explica como a reciclagem de plásticos contribui para o emprego local.

Outro estudo de caso destaca a Associação Americana de Professores de Química, uma iniciativa da Dow Chemical Company. Um dos planos de aula da associação ensina alunos do ensino básico e secundário a comparar a resistência de vários tipos de sacos de plástico que podem ser encontrados numa mercearia. Após uma breve experiência, a aula convida-os a «fingir que são funcionários da Dow Chemical Company» e que estão a conceber um saco de plástico para um cliente.

Eve Vitale, diretora executiva da Fundação SPE, numa sala de aula da Escola Secundária Warren Mott, no Michigan, em 2024. O programa PlastiVan da SPE percorre escolas por todo o país para ensinar às crianças a ciência por trás dos plásticos e despertar o interesse numa futura carreira neste setor. Nic Antaya / The Washington Post via Getty Images

Embora muitos desses materiais afirmem apoiar os objetivos de aprendizagem das disciplinas STEM, fazem-no ao mesmo tempo que promovem argumentos habituais da indústria, enfatizando a acessibilidade e a segurança dos plásticos. Alguns reconhecem a poluição por plásticos como um problema grave, mas atribuem a culpa a comportamentos irresponsáveis dos consumidores e, em vez de recomendarem que se produza menos plástico, propõem o aumento da reciclagem como a principal forma de o resolver.

Na realidade, apenas 9% de todos os plásticos são reciclados a nível mundial, e os cientistas têm alertado repetidamente que a reciclagem não conseguirá acompanhar o crescimento previsto na produção de plástico. Reportagens de investigação revelaram que os grupos da indústria sabiam disto há décadas, mas promoveram a reciclagem na mesma, a fim de acalmar a crescente preocupação com a poluição por plástico.

Wendy Johnson, especialista em ensino de ciências do Centro Nacional para o Ensino das Ciências, afirmou que os planos de aula e as fichas de trabalho da indústria não refletem uma boa pedagogia. Os materiais que afirmam estar alinhados com os padrões estaduais de STEM não especificam quais os padrões que apoiam, nem de que forma estão alinhados. Os planos de aula instruem os alunos a ler as notas dos professores ou enumeram termos de vocabulário específicos da indústria, como «moldagem por sopro com estiramento» ou «termoendurecimento».

«Ao utilizar todos estes termos técnicos, está-se a induzir as pessoas a pensar… que estão a fazer ciência», disse Johnson à Grist. O que os materiais realmente ensinam, afirmou ela, são «perspetivas ideológicas sobre a economia», como a conveniência de bens de consumo baratos.

«A ideia não é ensinar», acrescentou Johnson, mas sim introduzir os argumentos da indústria nas salas de aula. O relatório documenta como a propaganda da indústria do plástico tem vindo a infiltrar-se nas escolas, pelo menos desde a década de 2000. Entre 2009 e 2011, por exemplo, uma associação do setor dos plásticos exerceu pressão sobre o Departamento de Educação da Califórnia para que fosse adicionada uma secção sobre «As vantagens dos sacos de compras» aos manuais escolares do ensino secundário do estado. A iniciativa PlastiVan está em curso desde 2011, e a SPE afirma que já chegou a mais de 132 000 alunos no total.

A Plastic Pollution Coalition sugere que o problema é particularmente grave nas escolas situadas perto de instalações petroquímicas. No Condado de Beaver, na Pensilvânia, por exemplo, a Shell opera um complexo de produção de plásticos e investiu milhões de dólares no desenvolvimento de programas curriculares relacionados com os plásticos e de programas de reciclagem, tanto para alunos do ensino básico como para estudantes de faculdades. Também doou centenas de mochilas cheias de material escolar e ofereceu a uma escola um campo de basquetebol — aparentemente em troca da integração da reciclagem de plásticos no currículo.

A Shell não respondeu ao pedido de comentário da Grist. O mesmo aconteceu com a SPE, a Associação Americana de Professores de Química, e com o distrito escolar do Condado de Beaver.

O relatório sugere a existência de um problema mais vasto no ensino das disciplinas STEM nas escolas públicas dos EUA. Os professores carecem frequentemente do tempo e dos recursos financeiros necessários para conceber os seus próprios programas curriculares ou para adquirir materiais e planos de aula de alta qualidade, indispensáveis para as experiências laboratoriais em sala de aula ou para projetos científicos. Quando grupos de interesses se apresentam a oferecer apoio — quer se trate da indústria do tabaco, da indústria da comida de plástico, da indústria dos pesticidas ou da indústria dos combustíveis fósseis —, pode ser difícil recusar.

«Como professora, estou sempre à procura de materiais gratuitos», afirmou Suzie Hicks, uma educadora ambiental do ensino básico (do jardim de infância ao 8.º ano) na Califórnia, que prestou consultoria no relatório da Plastic Pollution Coalition. Hicks referiu que a sua formação e experiência permitem-lhe avaliar com facilidade se os materiais contêm «greenwashing» — mas provavelmente não é esse o caso da maioria dos professores.

Dennis recomendou que os agrupamentos escolares adotassem políticas que proibissem materiais educativos patrocinados pelas indústrias química, dos combustíveis fósseis e do plástico. Ela também sublinhou a necessidade de um melhor financiamento escolar de forma mais geral, para que os professores e os municípios não fiquem tão desesperados por materiais didáticos prontos a usar.

Uma forma de alcançar este objetivo seria eliminar os benefícios fiscais concedidos às instalações de processamento petroquímico e de produção de plásticos, que privam as comunidades de recursos financeiros tão necessários.

Katie Allen, diretora executiva da Algalita, uma organização ambiental sem fins lucrativos sediada na Califórnia que desenvolve materiais educativos sobre a poluição por plástico, contestou a ideia de que as escolas devam proibir todo o conteúdo patrocinado pela indústria.

«Quando se começa a proibir uma coisa, onde é que isso acaba? O que eu quero é dar aos educadores o benefício da dúvida e permitir que tomem as suas próprias decisões», disse. Defendeu que se deve confiar nos professores para contextualizarem adequadamente os materiais da indústria — e que estes poderiam até utilizá-los para ensinar competências de pensamento crítico.

Dito isto, há muitos materiais educativos sobre plásticos desenvolvidos por fontes não ligadas à indústria. A Algalita, por exemplo, disponibiliza planos de aula gratuitos sobre temas como as ilhas de lixo plástico nos oceanos e a biomagnificação — o fenómeno em que os plásticos se acumulam no interior dos animais marinhos à medida que se sobe na cadeia alimentar. A The Story of Stuff, outra organização sem fins lucrativos, oferece um currículo mais abrangente para o ensino secundário, centrado nos custos e nas consequências da produção de bens de consumo — incluindo os fabricados a partir de plásticos.

Esses materiais didáticos continuam a provir de organizações com uma agenda própria. No entanto, Hicks argumentou que são mais fiáveis, uma vez que as organizações sem fins lucrativos normalmente não estão a tentar vender nada.

Outra opção é os professores simplesmente conceberem os seus próprios programas curriculares. Foi isso que Jacqueline Omania, uma professora do ensino básico recentemente aposentada em Berkeley, na Califórnia, fez em 2015. Transformou a sua sala de aula num laboratório «zero resíduos» e, todos os anos, durante 11 anos, Omania e os seus alunos desenvolveram um conjunto de acordos de «zero resíduos» para a sala de aula, comprometendo-se a minimizar o uso de plástico — por exemplo, trocando os tubos de cola individuais por um recipiente comum de cola —, ao mesmo tempo que defendiam mudanças mais sistémicas, como a campanha a favor de uma política que obrigasse os restaurantes de Berkeley a deixar de distribuir talheres de plástico descartáveis.

«Há muitos desafios no mundo, mas o plástico é algo tangível», afirmou Omania. «Está mesmo ali à frente deles, e conseguem ver a diferença que estão efetivamente a fazer através das suas ações.»

terça-feira, 1 de setembro de 2026

RAGUSA: RESÍDUOS PLÁSTICOS SOB AS DUNAS DE MACCONI

  • Em agosto de 2020, uma inspeção realizada pela Unidade Ambiental Marítima da Guarda Costeira — ordenada pelo então ministro do Ambiente, Sérgio Costa — revelou enormes quantidades de resíduos plásticos enterrados sob as dunas costeiras, em alguns locais a uma profundidade de até cinco metros. A maior parte dos resíduos provinha da agricultura em estufas, mas também incluía eletrodomésticos, postes de cimento e peças de barcos em fibra de vidro. Em janeiro de 2022, a Guarda Costeira apreendeu cerca de 62 000 m² de litoral ao longo de sete quilómetros de costa. O Ministério Público de Ragusa abriu um inquérito sobre a catástrofe ambiental, despejo ilegal de resíduos e ocupação ilegal de terrenos marítimos públicos, mas não garantiu a limpeza. Nos anos seguintes, registaram-se poucos progressos, tendo-se sabido posteriormente que os planos de limpeza não tinham avançado devido à falta de financiamento. Recentemente, soube-se que foi adjudicado um contrato de limpeza manual para cerca de um quilómetro de praia na zona de Macconi, com a duração de 38 dias úteis e um custo de 25 000 €. No entanto, esta medida aborda apenas os resíduos à superfície e abrange apenas uma fração do litoral afetado. Os resíduos enterrados ao longo de todo o troço permanecem intocados. Fonte.
  • A Roménia é líder na UE na combinação de energia solar e baterias. Fonte.
  • A COP17 da Convenção da ONU de Combate à Desertificação (UNCCD) terminou na 6ª feira (28/8) em Ulaanbaatar (Mongólia) sem resolver o principal item de sua agenda: a criação de um regime internacional para gestão das secas. Por conta de fortes divergências entre os países, a questão foi adiada para a COP18, que acontece em 2028, no Egito. Fonte.
  • Um juiz federal do Oregon confirmou a lei estadual de reciclagem do tipo «quem polui paga», rejeitando uma contestação judicial apresentada pela Associação Nacional de Grossistas e Distribuidores, alegando que a lei sobrecarrega injustamente o comércio interestadual e delega ilegalmente poderes governamentais a um grupo industrial privado (Circular Action Alliance). O juiz indeferiu a contestação argumentando que a lei trata os produtores do estado e de fora do estado de forma igualitária, pelo que não viola a Cláusula do Comércio, e que o grupo privado desempenha apenas um papel consultivo. A lei do Oregon entrou em vigor em janeiro de 2022 , exigindo que os produtores adiram a uma organização de responsabilidade do produtor e paguem taxas para cobrir os custos de reciclagem e eliminação dos seus produtos. Fonte.
  • Os defensores da agricultura sustentável alertam que as bactérias da salmonela encontradas nas aves de capoeira estão a aumentar as estirpes mais suscetíveis de causar doença, hospitalização e morte, e que essas bactérias estão também a tornar-se cada vez mais resistentes aos antibióticos. O relatório da Farm Forward surge um ano depois de o Departamento de Agricultura dos EUA ter eliminado uma regulamentação que visava impedir que aves de capoeira contaminadas com salmonela chegassem às prateleiras dos supermercados e envenenassem as pessoas. Fonte.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PORTO RICO: CRESCIMENTO DO TURISMO DE CRUZEIROS TESTA CAPACIDADE DE ACOLHIMENTO EM CIDADE HISTÓRICA

Brandon Cruz González/Centro de Periodismo Investigativo
  • O rápido crescimento do turismo de cruzeiros na Velha San Juan, em Porto Rico, está a sobrecarregar as infraestruturas da cidade histórica e a alimentar a frustração dos residentes. Há cada vez mais engarrafamentos, as ruas de calçada degradam-se e os residentes queixam-se da baixa pressão da água quando os navios de cruzeiro estão a ser abastecidos. A cidade também carece de casas de banho públicas suficientes e de forças de segurança adequadas para gerir as multidões. Embora o governo promova ativamente a indústria dos cruzeiros - 30,8 milhões de dólares foram atribuídos em incentivos às companhias de cruzeiros entre 2023 e 2025 -, o impacto económico é considerado superficial, uma vez que os passageiros costumam comer e beber a bordo. Este crescimento está a transformar a Velha San Juan de um bairro vivo num «parque temático flutuante». Muitos estabelecimentos que serviam os residentes, como mercearias e consultórios médicos, foram substituídos por lojas de lembranças, restaurantes e bares. Isto contribuiu para um declínio de 32% na população do núcleo urbano da Velha San Juan entre 2010 e 2020. Os residentes queixam-se de que o governo impôs este modelo turístico sem participação pública nem estudos rigorosos para determinar a capacidade da cidade histórica. Um projeto proposto para um hotel-casino da Hard Rock também é alvo de críticas por não se adequar à arquitetura histórica de Velha San Juan. Fonte.
  • As autoridades da Gronelândia obrigaram uma empresa petrolífera norte-americana ligada a Donald Trump a adiar a perfuração de poços no território Ártico, contrariando as afirmações do enviado do presidente dos EUA de que os norte-americanos poderiam estar a extrair petróleo bruto já no próximo ano. Fonte.
Foto: Ezra Acayan/Getty Images
  • Dias de intensa chuva provocaram inundações generalizadas em Manila, a capital das Filipinas, e encheram os cursos de água da cidade de detritos. Está em curso uma operação de limpeza em grande escala, que envolve equipas de trabalhadores e maquinaria pesada. Fonte.
  • Não é verdade que os painéis solares deixam de funcionar ao fim de 25 anos. Um novo estudo liderada por Ebrar Özkalay na Universidade de Ciências Aplicadas e Artes do Sul da Suíça revela que o fim da garantia não significa o fim da vida útil e que o desempenho na prática pode prolongar-se por décadas. Fonte.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

ESTARREJA: ADEUS REFINARIA DE LÍTIO

  • O Grupo José de Mello decidiu abandonar o projeto LiftOne, uma refinaria de lítio prevista para Estarreja, porque não conseguiu garantir contratos de longo prazo que tornassem o investimento viável. As condições atuais do mercado europeu de automóveis, baterias e lítio também ficaram aquém das expectativas da empresa. Fonte.
  • As forças navais da Roménia estão a conduzir explosões controladas no canal de Bala, no Danúbio, para desviar o fluxo de água em direção à central nuclear de Cernavoda. As detonações tinham como objetivo redirecionar a água do canal de Bala para o antigo leito do Danúbio e aumentar os níveis de água. Fonte.
  • Foram detetados níveis elevados de microplásticos e outros tipos de contaminação por plástico num curso de água próximo de um importante centro de reciclagem na Turquia, abastecido com resíduos plásticos por empresas britânicas. O curso de água poluído, que inunda os campos agrícolas após chuvas intensas, desagua num canal maior utilizado para a irrigação das culturas na planície de Çukurova, na cidade de Adana, no sul do país. Trata-se de uma das maiores e mais férteis bacias agrícolas da Turquia. Em 2025, o Reino Unido exportou 139 000 toneladas de lixo para a Turquia, deixando os pequenos agricultores e os bairros mais carenciados de Adana a lidar com os detritos, os microplásticos e o fumo tóxico.
  • O Japão deu início a uma nova ronda de descargas no mar de águas residuais contaminadas com radiação provenientes da central nuclear de Fukushima Daiichi, que se encontra danificada, marcando a 22.ª descarga deste tipo desde que a controversa operação teve início em 2023. Serão descarregadas no oceano cerca de 7 800 toneladas de águas residuais contendo aproximadamente 1,3 biliões de becquerels de trítio radioativo. Fonte.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

INGLATERRA: 25 TONELADAS DE GRÂNULOS DE PLÁSTICO ESPALHADOS NO RIO TYNE APÓS CHOQUE DE NAVIOS

South Shields. Fotografia: Alistair Leadbetter/The Guardian
  • Cerca de 25 toneladas de grânulos de plástico, a matéria-prima para o fabrico de plástico, espalharam-se pelo rio Tyne após a colisão do navio Wind Orca com o porta-contentores BG Orange, atracado no Porto de Tyne, causando danos a uma grua portuária e ferindo uma pessoa. Os grânulos de plástico foram levados pela maré até à praia de South Shields, em South Tyneside. Fonte.
  • O antigo diretor executivo da Southern Water, Matthew Wrightestá entre as quatro pessoas acusadas de conspiração para defraudar as autoridades, devido a alegações de que esteve envolvido num plano para manipular testes de qualidade da água, com o objetivo de evitar multas no valor de milhões de libras. Fonte.
  • As crianças que vivem nas zonas mais pobres de toda a Inglaterra têm 40% mais probabilidades de serem internadas no hospital devido a infeções respiratórias, revela uma análise dos dados do NHS England. Fonte.
  • A Polícia de West Mercia apreendeu mais de 275 000 libras em três empresas, no âmbito de uma investigação sobre atividades ilegais relacionadas com resíduos em Herefordshire, Worcestershire e Shropshire. Fonte.

terça-feira, 21 de julho de 2026

PAÍSES BAIXOS: REGRAS MAIS APERTADAS PARA FOTOVOLTAICAS PERTO DE AEROPORTOS

  • Os Países Baixos propõem regras mais rigorosas para a energia solar nas proximidades dos aeroportos. Esta medida surge na sequência de um incidente ocorrido em março de 2025, que obrigou a pista Polderbaan do aeroporto de Schiphol a ficar indisponível para aterragens durante duas horas devido ao encandeamento provocado pelos painéis solares. O incidente levou as autoridades holandesas a ordenar a remoção de cerca de 78 000 painéis nas proximidades e fez com que os responsáveis pelo projeto substituíssem todos os painéis restantes. Fonte.
  • Penafiel vai ter 2 parques eólicos (19 aerogeradores) instalados em várias freguesias. Fonte.
  • Comissão Europeia enfraquece regras para mercado de carbono e beneficia grandes poluidores. Fonte.
  • A Adbri, fabricante de cimento de Adelaide, Austrália, poderá queimar mais resíduos plásticos como combustível na sua fábrica de Birkenhead. Este período experimental de seis semanas enfrenta a oposição do presidente da câmara local, da autarquia e de um grupo de residentes. Alega-se maus cheiros e perigos para a saúde dos vizinhos. Fonte.

terça-feira, 30 de junho de 2026

BEJA: A QUEM SERVE EXTERNALIZAR A LIMPEZA URBANA?

  • A coligação Beja Consegue (PSD, CDS-PP e IL), com os votos do PS e do Chega, aprovou uma proposta para a abertura de um concurso público internacional para a aquisição de serviços de limpeza urbana na cidade. A CDU votou contra alegando que a externalização não garante a melhoria da qualidade da limpeza urbana e acarreta um custo financeiro superior para os cofres do município, além de dar continuidade a uma política de privatização de serviços públicos. Fonte.
  • A onda de calor está a afetar a produção de energia. A EDF desativou dois reatores nucleares, em Bugey (Ain) e em Nogent-sur-Seine (Aube), elevando para três o número de reatores paralisados em França devido ao calor intenso, após o de Golfech (Tarn-et-Garonne), enquanto uma unidade em Saint-Alban também terá de reduzir a sua produção. Fonte.
  • Investigadores do Havai estão a dar uma segunda vida a redes de pesca velhas e ao plástico reciclado, incorporando-os no asfalto das estradas. Testes iniciais revelaram que estas estradas não libertam mais partículas de plástico do que o pavimento convencional, sendo que o desgaste dos pneus supera largamente qualquer vestígio de plástico proveniente do material reciclado. Se estudos futuros confirmarem que as estradas são duráveis, esta tecnologia poderá ajudar a combater tanto a poluição marinha como o sobrelotamento dos aterros sanitários. Fonte.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

REFLEXÃO

A TRETA DO VOLTA
RiseUP Portugal.


O novo sistema de depósito de embalagens em Portugal, através do Programa Volta, está a gerar revolta por uma razão muito simples: transfere a responsabilidade ambiental e o custo financeiro diretamente para o bolso do cidadão.

A partir de agora, pagamos mais 10 cêntimos por cada garrafa de plástico ou lata, valor que só recuperamos se guardarmos a embalagem intacta e a devolvermos numa máquina.

Mas importa olhar para quem está no topo da cadeia de produção. Estamos a falar de colossos mundiais como a Nestlé, a Coca-Cola, a PepsiCo e a Danone. Só para dar uma ideia do volume financeiro envolvido, estas empresas registam lucros líquidos anuais absolutamente extraordinários à escala global. A Nestlé lidera o setor alimentar com lucros anuais na ordem dos 10,9 mil milhões de dólares. A Coca-Cola (Responsável por 11% de toda a poluição plástica mundial), e a PepsiCo dominam o mercado de bebidas acumulando, respetivamente, cerca de 10,6 mil milhões e 8,2 mil milhões de dólares de lucro líquido anual. A Danone fecha este grupo no topo dos laticínios e nutrição com lucros a rondar os 2 mil milhões de dólares por ano.

Diante destes números recorde, a pergunta impõe-se: por que razão se castiga o consumidor com uma espécie de taxa verde disfarçada em vez de se obrigar estas multinacionais a alterarem a sua forma de produção na origem?

Todos nós consumimos cerveja ou água em garrafas de vidro reutilizáveis no circuito de cafés e restaurantes. Esse vidro é recolhido, lavado, esterilizado e volta a entrar no mercado dezenas de vezes sem necessidade de ser destruído. É um sistema que funciona há décadas.

A reciclagem mecânica do plástico gasta quantidades brutais de energia e água, além de continuar a alimentar o ciclo de fabrico de novos polímeros. A verdadeira ecologia faz-se pela redução e pela reutilização, não pela criação de barreiras financeiras a quem compra.

NB - perspetivas complementares sobre este tema:

sexta-feira, 22 de maio de 2026

QUÉNIA: JOVENS TRANSFORMAM RESÍDUOS AGRÍCOLAS NUM FILTRO DE ESCAPE PARA VEÍCULOS

  • A Earth Foundation, com sede na Suíça, atribui o Prémio Earth a jovens entre os 13 e os 19 anos que trabalham em soluções para os desafios ambientais. «O problema da poluição atmosférica era muito pessoal para nós, e foi por isso que começámos a pensar em encontrar uma solução», disse Fredrick Njoroge Kariuki, um dos membros da equipa vencedora da região de África. O sistema de filtragem de gases de escape HewaSafi utiliza filtros feitos de materiais de origem local, como cascas de coco, espigas de milho, malha de aço, cobre e materiais reciclados de baterias usadas. Fonte.
  • Quase uma década depois de a Escócia ter criado a Área Marinha Protegida de South Arran e proibido a pesca de arrasto pelo fundo em grande parte da mesma, a vida no fundo do mar tem prosperado, segundo um novo estudo.
  • Em março de 2026, as energias renováveis ultrapassaram oficialmenteleg o gás natural, tornando-se a maior fonte de produção de eletricidade na rede elétrica dos EUA pela primeira vez na história. Fonte.
  • Um parque solar no Minnesota plantou flores por baixo dos seus painéis, e em pouco tempo começaram a aparecer borboletas-monarca e dezenas de novas espécies de plantas. Fonte.
  • A Ensco foi multada em 287 000 libras depois de um trabalhador offshore ter caído e morrido através de um buraco numa plataforma no Mar do Norte. Fonte.
  • Os pescadores da República Democrática do Congo recorrem à pesca de arrasto de resíduos plásticos. Fonte.

terça-feira, 5 de maio de 2026

ISRAEL: COLONOS ARRANCAM CENTENAS DE OLIVEIRAS

Soldados israelitas assistem enquanto retroescavadoras israelitas destroem terrenos agrícolas e arrancam oliveiras centenárias na aldeia de Karyut, a sul da cidade de Nablus, na Cisjordânia, em 8 de dezembro de 2025. [Issam Rimawi – Agência Anadolu]
  • Colonos israelitas arrancaram e vandalizaram pelo menos 1 000 oliveiras na localidade de Turmus Ayya, a nordeste de Ramallah. A região tem enfrentado uma campanha de colonização cada vez mais intensa nos últimos três anos, incluindo ataques repetidos a terras agrícolas e restrições que impedem os agricultores de aceder às suas terras. Durante os últimos três anos, foram arrancadas cerca de 25 000 oliveiras na região, sem ordens militares formais nem procedimentos de confiscação de terras. Fonte.
  • A Ecoloxistas en Acción e a Greenpeace exigem que a Altri, no Porto, retire o seu projeto de macrocelulose em A Ulloa. Fonte.
  • A Alemanha foi o maior exportador de resíduos plásticos em 2025, enviando 810 000 toneladas para o estrangeiro. O Reino Unido ficou logo atrás, exportando 675 000 toneladas, com grande parte dos resíduos enviados para a Turquia, a Malásia e a Indonésia. Fonte.
  • A Suíça transforma os carris dos comboios em centrais solares. Fonte.
  • O projeto-piloto Nexus de 1,6 MW, na Califórnia, demonstrou que os painéis solares instalados sobre canais de irrigação podem reduzir significativamente a evaporação da água e o crescimento de algas em 85 %, ao mesmo tempo que revelam eficiência operacional. Fonte.

sábado, 18 de abril de 2026

LEITURAS MARGINAIS

O QUE O SISTEMA 'VOLTA' NÃO EXPLICA SOBRE O PLÁSTICO
Ricardo Meireles, Substack.


A 10 de abril de 2026, o sistema Volta entrou em funcionamento em Portugal. As máquinas azuis instalaram-se nos supermercados, há uma caução de dez cêntimos por garrafa ou lata e o Governo apresentou a iniciativa como uma reforma estrutural da política ambiental. A SDR Portugal, um consórcio que reúne os principais produtores de bebidas e retalhistas do país e gestora do sistema, resumiu a promessa numa frase que consta tanto do comunicado oficial do Governo como dos materiais de comunicação da marca: “uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa, uma lata pode voltar a ser uma lata.”

Será verdade para os dois materiais?

O que a frase promete

A ideia central do sistema Volta assenta num princípio de economia circular: as embalagens devolvidas seguem para centros de triagem em Lisboa e no Porto, são enviadas para recicladores, e o material resultante serve para fabricar novas embalagens. A garrafa fecha o ciclo e regressa às prateleiras. O plástico PET que hoje contém água mineral será, depois de processado, o plástico PET que amanhã voltará a conter água mineral.

Este modelo existe e tem um nome técnico: reciclagem em circuito fechado. O alumínio faz isso. O plástico, na maioria dos casos, não, e a razão está na física dos dois materiais.

Três ciclos muito diferentes

Uma nota antes de avançar: a reutilização, o modelo das garrafas de vidro lavadas e reenchidas, está fora de questão para o plástico. O vidro é um material inerte e impermeável, que suporta ciclos repetidos de lavagem a alta temperatura sem absorver contaminantes nem alterar as suas propriedades. O plástico PET é poroso a nível molecular e absorve resíduos do conteúdo anterior, odores e compostos químicos que os processos de lavagem convencional não eliminam. Por isso, o próprio FAQ da Volta classifica as garrafas abrangidas pelo sistema como "embalagens de bebidas não reutilizáveis." Uma garrafa de plástico é sempre triturada. Nunca é lavada e reenchida.

Antes de avaliar a promessa, é preciso perceber que existem três processos completamente distintos a que chamamos, de forma imprecisa, “reciclagem”.

O primeiro é a reutilização, o modelo que conhecemos das garrafas de vidro com depósito. A garrafa volta ao circuito, é lavada, desinfectada e enchida de novo. É a mesma garrafa. Não há transformação do material, não há degradação. É o ciclo mais perfeito que existe, mas não é possível para o plástico.

O segundo é a reciclagem mecânica simples do PET. A garrafa é triturada em flocos, lavada, fundida e reprocessada em pellets. O problema é químico: o PET é um polímero que absorve humidade, e a cada ciclo de fusão a reacção com a água degrada as cadeias moleculares do polímero. A qualidade diminui. Com este processo, uma garrafa aguenta dois a três ciclos antes de já não ter qualidade suficiente para voltar a ser garrafa. A maioria acaba em fibra têxtil ou tapete, entre outros. É o downcycling, em português uma espécie de reciclagem descendente. O material não desaparece, mas desce progressivamente na escala de qualidade.

William McDonough e Michael Braungart, autores de Cradle to Cradle, a obra de referência da economia circular, são directos a explicar: “a maior parte da reciclagem é na verdade downcycling, porque reduz a qualidade ao longo do tempo.” A afirmação foi publicada num estudo científico da revista MDPI sobre reciclagem de PET garrafa-para-garrafa precisamente para ser posta à prova.

O terceiro processo, mais sofisticado, adiciona uma etapa chamada Solid State Polycondensation, que reconstrói as cadeias moleculares após a fusão e restaura a qualidade do material para valores próximos do PET virgem. É tecnicamente reciclagem garrafa-para-garrafa, e é o processo que permite produzir rPET (plástico PET reciclado) de grau alimentar, apto para voltar a ser embalagem de contacto com alimentos.

A SDR Portugal afirma que o material produzido pelo sistema Volta será “adequado para contacto alimentar”, o que aponta para este terceiro processo. Mas no FAQ oficial da Volta, à pergunta directa sobre o que acontece às embalagens depois de devolvidas, a resposta é: “são enviadas para recicladores para se transformarem em novos materiais.” Sem referência ao processo técnico, sem identificação dos recicladores, sem menção ao tipo de reciclagem utilizado. E mesmo que o processo mais avançado seja efectivamente utilizado, exige mistura com PET virgem e não é comparável à reciclagem contínua do alumínio ou do vidro.

O que diz quem conhece o setor

Fonte ligada à industria do plástico granulado em Portugal, consultada para este artigo, confirma à Estação Agroflorestal que existe no país capacidade instalada para fazer reciclagem mecânica de PET com grau alimentar. O modelo é garrafa-para-garrafa: a embalagem entra, é triturada, lavada, descontaminada e sai como granulado rPET apto para voltar a ser embalagem de contacto alimentar. A mesma fonte refere que este material vale no mercado o dobro do rPET comum, o que torna este processo o mais interessante economicamente para os operadores.

A promessa da Volta é, portanto, tecnicamente possível, pelo menos nos primeiros ciclos. A cada vez que o plástico é fundido e reprocessado, as cadeias moleculares encurtam e o material perde qualidade. Ao fim de poucos ciclos, o PET já não reúne as propriedades necessárias para voltar a ser garrafa e segue para aplicações de menor valor: fibra têxtil, tapete, enchimento, ou incorporação em alcatrão para pavimento de estradas, onde o PET reciclado é usado como substituto parcial do betume.

A literatura científica documenta que estes pavimentos libertam microplásticos por desgaste mecânico, que as águas pluviais arrastam para os sistemas de drenagem, depois para os rios e finalmente para os oceanos, onde contaminam as cadeias alimentares e os ecossistemas. O plástico não desaparece. Muda de forma até deixar de ser visível.

Para a lata de alumínio, a promessa da Volta é legítima. O alumínio é um metal, e os metais têm uma propriedade que os plásticos não têm: a sua estrutura atómica permite que sejam fundidos e reformados repetidamente sem alteração das suas propriedades fundamentais. Não há degradação química. Não há downcycling. Uma lata pode efectivamente tornar-se outra lata, que pode tornar-se outra lata ainda, indefinidamente.

Uma frase, dois materiais, duas realidades

A SDR Portugal e o Governo português repetem, em comunicados e apresentações públicas, que o sistema Volta permite que uma garrafa volte a ser uma garrafa e uma lata volte a ser uma lata. A frase trata dois materiais como equivalentes. Não são.

Para o alumínio, a frase descreve um processo que existe e funciona. Para o plástico PET, descreve uma aspiração que depende de tecnologia específica que o sistema Volta não confirma utilizar, e que mesmo no melhor cenário não é infinita depende sempre de uma parte de matéria-prima virgem.

Uma nota sobre o modelo económico do sistema: Segundo a mesma fonte consultada, o rPET de grau alimentar vale no mercado o dobro do rPET comum. É plausível que a valorização deste material seja uma das alavancas que torna financeiramente sustentável pagar dez cêntimos por cada garrafa devolvida. Não há documentos públicos da SDR que confirmem este mecanismo, mas a lógica económica parece apontar nesse sentido.

O sistema Volta pode aumentar significativamente a recolha de embalagens de plástico, o que já seria um avanço real. Mas recolher mais plástico não é o mesmo que fechar o ciclo.

Apresentar garrafa de plástico PET e lata de alumínio como um ciclo único e simétrico, unidos na mesma frase pelo sistema Volta e pelo Governo português, ignora o que a ciência da reciclagem documenta sobre o comportamento destes dois materiais. É #AreiaParaOsOlhos.

Valerá a pena confrontar com esta perspetiva diferente.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

EUA: LANÇAMENTO DE BALÕES PROIBIDO EM CELEBRAÇÕES

  • Lançar balões em celebrações em New Hampshire pode agora resultar em multas, ao abrigo de uma nova lei estadual que visa reduzir a poluição por plástico e proteger a vida selvagem. A HB 387, que entrou em vigor em janeiro, torna a libertação intencional de 20 ou mais balões uma infração de nível de violação. Quem cometer a infração pela primeira vez enfrenta uma multa de 250 dólares, que aumenta para 500 dólares em caso de infrações subsequentes. Grupos ambientalistas afirmam que a lei é um passo significativo, mesmo que considerem que não vai suficientemente longe. Fonte.
  • A Navigator colocou à discussão pública uma atualização do licenciamento ambiental da sua fábriac em Vilha Velha de Ródão, obrigatório por lei. O objetivo fundamental é demonstrar conformidade, atualizar condições de operação e integrar eventuais alterações tecnológicas ou produtivas.

terça-feira, 7 de abril de 2026

CALIFÓRNIA: LAGO SALTON LIBERTA POEIRA TÓXICA

  • O Lago Salton, na Califórnia, outrora um destino turístico, liberta agora poeira tóxica à medida que vai encolhendo. Um estudo realizado com 700 crianças que vivem nas proximidades revela que a poeira está a impedir o crescimento pulmonar – com efeitos mais graves do que a poluição proveniente de autoestradas movimentadas. Fonte.
  • Perante um clima cada vez mais quente e a seca do Grande Lago Salgado, algumas famílias planeiam deixar o Utah. Fonte.
  • Milhares de manifestantes reuniram-se no Capitólio do Texas, em Austin, para se oporem aos planos de construção de um muro fronteiriço que atravessaria o Parque Nacional Big Bend e o parque estadual adjacente. Segundo os organizadores do protesto, o muro prejudicaria o ecossistema desértico único, a vida selvagem (carneiros selvagens, ursos negros) e a arte rupestre sagrada dos nativos americanos. Fonte.
  • Os microplásticos podem reduzir a produção nos sistemas de aquicultura em até 18%, de acordo com um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Istambul, que alertam para a necessidade de medidas urgentes para proteger a produção alimentar sustentável. Fonte.

sábado, 28 de março de 2026

FRANÇA: NESTLÉ JULGADA POR ABANDONO DE RESÍDUOS PLÁSTICOS

Em They-sous-Montfort, este terreno está totalmente coberto por plástico. © Amanda Jacquel / Reporterre
  • A Nestlé Waters Supply Est está a ser julgada no Tribunal Correccional de Nancy por ter abandonado mais de 473 000 m³ de resíduos plásticos e outros poluentes em quatro aterros ilegais em Contrexéville, They-sous-Montfort, Saint-Ouen-lès-Parey e Crainvilliers, locais que a empresa herdou quando adquiriu a Société des eaux minérales de Vittel em 1992. Fonte.
  • Os alunos duma cidade litoral de San Diego enfrentam a poluição causada pelas águas residuais, que provoca dores de cabeça, asma, erupções cutâneas e dificuldades de concentração, enquanto as escolas lutam contra a poluição proveniente do rio Tijuana. Fonte.
  • De 2012 a 2024, os países em desenvolvimento ultrapassaram os países industrializados em hectares de culturas biotecnológicas (OGM), segundo o relatório do ISAAA. Fonte.

quarta-feira, 18 de março de 2026

PAMPILHOSA DA SERRA: ÁRVORE EÓLICA PARA FAZER ESQUECER DESORDENAMENTO FLORESTAL?

  • A instalação de uma árvore eólica, parte integrante da empreitada de arranjo urbanístico da entrada oeste da vila de Pampilhosa da Serra, encontra-se em fase de testes e será responsável por alimentar a quase totalidade das necessidades energéticas do espaço assim que a obra estiver finalizada. A estrutura é composta por 36 microturbinas eólicas, com uma potência total de 10.800 W, O projeto de requalificação urbanística é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Regional do Centro – Centro 2030. Fonte. Ora aqui está um projetozinho que custou uma pipinha de massinha e que vai fazer arregalar o olhinho ao Zé Povinho e fazê-lo distrair-se dos graves problemas de desordenamento florestal naquela região. Não me admiraria se, daqui a algum tempo, ouvisse dizer que houve romariazinhas aquando da sua estreiazinha. Além de serem caras para a baixa produção energética, vão ser um trambolho após os primeiros momentos de espanto.
  • O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, José Guerreiro, assinou três contratos por ajuste directo com o empresário Jaime Oliveira, através da empresa Tagus Plus, actualmente acusado pelo Ministério Público de falsificação de amostras de amêijoas no estuário do Tejo — amostras que estiveram na origem de 348 intoxicações em cinco países europeus. Fonte.
  • Em Oeiras, nos anos de 1980 e 90 construíram-se parques empresariais isolados, totalmente dependentes do automóvel, à imagem do modelo suburbano americano, atraindo empresas e classes médias e altas para polos monofuncionais localizados sobre os melhores solos do país. O regime de Isaltino, O Maio.
  • Está a ocorrer o corte de uma grande quantidade de pinheiros-mansos na Herdade do Cabeço da Flauta, em Sesimbra, propriedade da António Xavier de Lima – Empreendimentos Imobiliários e Turísticos S.A. Moradores e ativistas (Meco Livre) criticam a falta de transparência e a dimensão do abate. O movimento argumenta que a destruição da mata fragiliza o ecossistema lagunar, fragmenta habitats e reduz a biodiversidade, mesmo estando fora dos limites oficiais da área protegida. Fonte.
  • Três em cada quatro medidores urbanos de poluição atmosférica em Espanha estão mal localizados. Fonte.
  • Pescadores do Nilo ganham mais com a recolha de plástico do que com a pesca. O declínio das populações de peixes, causado pela poluição plástica no rio, obrigou cerca de 180 pescadores de al-Qarsaya a passar da pesca tradicional para a recolha de resíduos. A VeryNile, lançada em 2018 pela empresa social egípcia Bassita, tem como objetivo limpar o rio pagando aos pescadores preços acima dos valores de mercado pelos resíduos plásticos recolhidos. A iniciativa compra plástico a preços significativamente mais elevados do que os que uma central de reciclagem normal pagaria, proporcionando uma alternativa económica à medida que as populações de peixes diminuem devido à poluição. Fonte.
  • O ex-consultor jurídico da DC Solar, Ari J. Lauer, foi condenado a mais de 11 anos de prisão pelo seu papel num esquema de fraude fiscal no setor solar no valor de mil milhões de dólares. Fonte.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

AÇORES: OUTRA VEZ A TRETA DA BATALHA DAS LIMAS

A batalha das limas remata o Carnaval em Ponta Delgada, S. Miguel-Açores. 
Originalmente feitas em formas de cera, as «limas» foram substituídas por balões e sacos cheios de água.

Um mar de plástico resta da refrega. Escusam os responsáveis de tentar ‘esverdear’ o evento dizendo que as limas são sustentáveis e solidárias e que tudo é varrido e reciclado, porque tudo isto não passa de um colossal desperdício de recursos. Até quando interesses inconfessáveis disfarçados atrás de associações vão continuar a vingar apesar das críticas e alertas de cidadãos locais? Até quando a Câmara de Ponta Delgada vai permitir isto e cenas como a pulverização de valetas à frente de um cortejo de Carnaval, como aconteceu este ano nas Capelas?

Veja como foi em 2025, 2023, 2020, 2019, 2018, 2016, 2015, 2014.

E, se tiver tempo, leia a crónica que escrevi para o Diário da Lagoa, sobre o Carnaval em meados dos anos 1960 na Lagoa-Açores.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A BARRAGEM DE GIRABOLHOS NÃO SERÁ RELEVANTE PARA CONTROLO DE CHEIAS

  • O hidrobiólogo Adriano Bordalo de Sá, investigador da Universidade do Porto que é defensor da construção da barragem de Girabolhos, desmente a ligação entre essa estrutura e o controlo de cheias, explicando que “essa barragem não fica sequer perto do Baixo Mondego”. “Para este controlo das cheias [a barragem] não é propriamente relevante. Ela está muito longe desta zona que é sistematicamente afetada por problemas estruturais do planeamento feito no passado”, disse o hidrobiólogo. “Não terá a influência que alguns políticos, porque foram informados incorretamente, pensam que poderá ter”. A barragem de Girabolhos não avançou por vontade da Endesa. A sua concessão não incluía a gestão de cheias, como a previsão do aproveitamento de Girabolhos não prevê também. Para a gestão de cheias, importa mais o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que enfrenta falhas estruturais associadas aos principais problemas de gestão de água do Mondego. A conclusão da obra hidroagrícola do Baixo Mondego, que poderia prevenir as cheias, foi mesmo levada a votação na Assembleia da República no Orçamento do Estado para 2025, tendo sido chumbada com os votos contra do PSD, CDS e IL, e com as abstenções do Partido Socialista e do Chega. Fonte.
  • Estes títulos.....
  • Enfermeiro que foi adjunto da ministra da Cultura nomeado coordenador da Estrutura de Missão de energias renovávei, sem experiência profissional nem habilitações académicas. Fonte. Comentário de oxisdaquestao: “Tudo o que precise de tratamento fica melhor nas mãos e mezinhas de um enfermeiro. Já vinha de fazer curativos e dar injeções na cultura e por isso era adjunto da ministra; agora salta para as renováveis onde os sinapismos e mézinhas são bem necessários para que o vento não amorteça, o sol não se encubra e os dividendos dos accionistas não se constipem. É o que aponta o QI do indicado e de quem o indicou.”