Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

Mostrar mensagens com a etiqueta energia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta energia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

REFLEXÃO

UMA TEMPESTADE REVELA COMO O MERCADO ENERGÉTICO DO TEXAS É MANIPULADO PARA GERAR LUCRO
Robin Berghaus, PHW. Rev. O’Lima.

Foto: ERCOT

O Texas opera a sua própria rede elétrica, gerida pelo Conselho de Fiabilidade Elétrica do Texas (ERCOT). Por estar em grande parte isolado da rede nacional, o ERCOT evita a supervisão federal. O estado gere um mercado «exclusivamente de energia», o que significa que os produtores de energia só são pagos pela eletricidade que efetivamente produzem, ao contrário de outros estados que pagam às empresas para se manterem em estado de prontidão. Este sistema foi concebido para recompensar a escassez, e não a fiabilidade, o que pode conduzir a lucros mais elevados quando a oferta é baixa e a procura é elevada.

Durante a tempestade de inverno Uri, em fevereiro de 2021, o frio extremo congelou as infraestruturas nas centrais elétricas e nas cabeças de poço de gás natural. Com o corte no abastecimento de combustível, muitos geradores não conseguiram produzir eletricidade, o que obrigou a ERCOT a impor cortes de energia em todo o estado. Milhões de texanos ficaram sem eletricidade durante dias e centenas de pessoas morreram.

Enquanto os texanos sofriam, os fornecedores de gás natural viram a tempestade como uma oportunidade de negócio. Algumas empresas aumentaram o custo do gás natural em mais de 700%. Uma empresa de serviços públicos, a CPS Energy, teve de pagar cerca de 850 milhões de dólares por gás durante uma única semana — aproximadamente o que gasta em combustível num ano inteiro. Quando a CPS Energy tentou negociar uma tarifa mais baixa, foi-lhe basicamente dito «azar».

Aconteceu algo semelhante ao escândalo da Enron, em que os operadores criaram uma falsa escassez de energia para aumentar os lucros. O mesmo padrão foi observado durante a tempestade Uri: quedas suspeitas no abastecimento de gás e o encerramento das reservas antes da tempestade. Por exemplo, a Energy Transfer cancelou contratos com centrais elétricas de Houston que tinham garantido uma tarifa de 2,50 dólares por unidade de gás, invocando uma cláusula de «força maior». No mesmo dia, venderam gás a outra cooperativa por 950 dólares por unidade — quase 400 vezes a tarifa original.

As consequências foram inevitáveis: os legisladores aprovaram um resgate financeiro de 6,5 mil milhões de dólares para ajudar as empresas de energia em dificuldades a saldar as suas enormes dívidas, mas o custo foi repercutido nos consumidores do Texas através de contas de eletricidade mais elevadas que se prolongarão por décadas. Além disso, a Comissão de Serviços Públicos aumentou o limite máximo do preço grossista da eletricidade para 9 000 dólares por megawatt-hora — cerca de 400 vezes a média do ano anterior, de 22 dólares — numa tentativa falhada de incentivar uma maior produção de energia.

Embora o limite máximo do preço da eletricidade tenha sido ajustado para 5000 dólares, a Comissão Ferroviária nunca impôs um limite aos preços do gás natural durante uma situação de emergência, deixando uma grande lacuna para futura especulação.

sábado, 15 de agosto de 2026

ESPANHA: NUCLEAR DE ALMARAZ VAI FUNCIONAR ATÉ 2030

  • A central nuclear de Almaraz, perto da fronteira portuguesa, vai poder funcionar pelo menos até 2030. O governo espanhol utiliza a crise no Médio Oriente como desculpa, citando a volatilidade do preço do gás como uma das razões mais significativas para esta decisão. O pedido de prolongamento do funcionamento das instalações tinha sido feito já em outubro de 2025 pelas empresas Iberdrola, Endesa e Naturgy. A Quercus e a Zero alertam para eventuais impactos negativos em caso de avaria/acidente com fuga de radiotividade. Fonte.
  • O Reino Unido está a pagar valores recorde pela importação de eletricidade da Europa este verão, devido a uma combinação de seca, ondas de calor e baixa produção eólica interna. Em maio, o país pagou £439 milhões por importações de energia, um aumento de 54% em relação a abril. A fatura total para os primeiros cinco meses do ano já atinge £1,7 mil milhões, e deve superar os £3,6 mil milhões de 2025. Fonte.
  • As faíscas provenientes da rede elétrica envelhecida da Grécia são responsáveis por uma percentagem desproporcional dos incêndios florestais mais destrutivos do país, de acordo com dados preliminares da Direção de Investigação de Crimes de Fogo Posto da Grécia e com as provas recolhidas em investigações recentes sobre incêndios. Fonte.
  • A Roménia encerrou a sua única central nuclear devido aos níveis de água extremamente baixos no rio Danúbio, causados por um período prolongado de calor que tem afetado grande parte da Europa. Não se prevê que a central de Cernavodă, onde dois reatores produzem cerca de 20 % da eletricidade da Roménia, volte a entrar em funcionamento nos próximos 10 dias. Fonte.
  • A África do Sul quer expandir a exploração de petróleo e gás offshore para impulsionar a economia, mas enfrenta forte oposição de comunidades costeiras, pescadores e organizações ambientais. Dois processos judiciais — contra a Shell e a TotalEnergies — podem travar os projetos por falhas nas consultas públicas e riscos ambientais. Críticos alertam que a exploração ameaça ecossistemas marinhos, meios de subsistência locais e compromete metas climáticas, enquanto o governo insiste que é essencial para o desenvolvimento económico. Fonte.
  • A Quercus vai apresentar queixa formal à Comissão Europeia sobre aprovação de projeto de citrinos em Alcácer do Sal. A Quercus alega que este projeto agroflorestal intensivo é altamente consumidor de água, numa região já sob severo stress hídrico, pondo em risco a sustentabilidade dos recursos hídricos e a biodiversidade local. Além disso, considera que a decisão foi feita contra a vontade expressa de praticamente todos os participantes na consulta pública, o que põe em causa a credibilidade dos processos de participação. A Quercus pondera ainda recorrer aos tribunais administrativos nacionais para solicitar a suspensão imediata da eficácia da DIA emitida e travar qualquer arranque ou execução de trabalhos no terreno. Fonte.
  • Consulta pública até 10 de setembro: Processo de Licenciamento Único Ambiental - Navigator Paper Figueira, SA (507747313), em Lavos, Figueira da Foz. Isto até parece sigiloso. Não é um processo público no sentido rigoroso do termo, será só para ‘peritos’ na matéria e não cremos que o façam pro bono. Mas ler a lista de resíduos produzidos (vd pp 49-53 do Formulário PL ) é de por os olhos em bico. É assim que se facilita a lavagem verde de uma empresa que abusa dos truques de tipo ‘greenwashing’.
  • O Ministério da Economia, a SCOF II Investments, a Entidade Nacional da Reserva Agrícola deram luz verde à construção de um hotel rural na Quinta Solar da Pousada, em Freguim, Amarante, promovido pela SCOF II Investments, empresa imobiliária local. Fonte.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

ESCÓCIA: AUTOCARROS ELÉTRICOS SUBSTITUEM AUTOCARROS A HIDROGÉNIO

  • A Câmara Municipal de Aberdeen, na Escócia, decidiu substituir a sua frota de 25 autocarros de dois andares a hidrogénio por autocarros elétricos, apenas cinco anos após a sua introdução. Os autocarros a hidrogénio estavam fora de serviço desde setembro de 2024 devido à disponibilidade limitada de hidrogénio. Esta decisão põe também fim à colaboração da Câmara com a BP, que teve início em 2022 como parte de uma estratégia para tornar Aberdeen num centro de hidrogénio do Reino Unido. A Câmara referiu que os fabricantes e operadores se estão a inclinar cada vez mais para os veículos elétricos e salientou que, embora o reabastecimento de hidrogénio seja mais rápido, a produção de hidrogénio limpo requer uma enorme quantidade de eletricidade verde. Os novos autocarros elétricos serão alimentados diretamente pela rede elétrica, e a Câmara planeia reforçar a infraestrutura urbana de carregamento elétrico. Fonte.
  • O executivo camarário de Azambuja invocou a falta de estudos e o princípio da precaução para rejeitar o estatuto de Potencial Interesse Nacional a investimento de dois mil milhões de euros para um mega centro de dados em Alcoentre. Vereadores do PSD recusaram participar na votação, acusando a maioria socialista de falta de transparência. Fonte.
  • Samuel Alito obteve até 2,9 milhões de dólares com ativos do setor do petróleo e do gás desde que integrou o Supremo Tribunal. Estas conclusões surgem num momento em que o Supremo Tribunal se prepara para analisar um processo no qual as petrolíferas Suncor Energy e Exxon solicitaram aos juízes que determinassem que a legislação federal impede os governos subnacionais de intentarem ações judiciais contra os produtores de combustíveis fósseis pelos efeitos de aquecimento global dos seus produtos. Fonte.
  • A Justiça Federal brasileira determinou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis suspenda em definitivo a oferta de 39 blocos exploratórios terrestres da oferta permanente do órgão regulador. As áreas estão localizadas nas bacias Potiguar, Sergipe-Alagoas e Espírito Santo, e algumas já foram concedidas. Fonte.
  • As costas iranianas, em particular na zona da Ilha de Qeshm, encontram-se agora cobertas por espessas camadas de petróleo bruto e alcatrãona sequência de repetidos derrames de petróleo provenientes de petroleiros danificados durante o conflito em curso no Estreito de Ormuz. Fonte.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

REINO UNIDO: SUBMARINOS NUCLEARES PROTEGEM POPULAÇÃO?

  • Os submarinos nucleares irão «proteger a população», afirma o primeiro-ministro britânico Andy Burnham numa visita a Barrow para anunciar um investimento de 8,4 mil milhões de libras em mais armas de destruição maciça. Fonte.
  • À medida que a IA consome grandes quantidades de água e energia, já nos vemos perante uma escolha: centros de dados ou residências? John Harris, The Guardian.

sábado, 8 de agosto de 2026

ITÁLIA: PLATAFORMA COM 121 SENSORES MONITORIZA ESTUFAS AGRIVOLTAICAS

  • Uma equipa de investigação italiana desenvolveu um sistema de monitorização para estufas agrivoltaicas que integra 121 sensores distribuídos por três subsistemas principais: monitorização do desempenho do sistema fotovoltaico, monitorização do microclima da estufa e dos parâmetros ambientais, e gestão automatizada da irrigação: (1) Monitorização do desempenho fotovoltaico – Mede a irradiância, a temperatura dos módulos, a iluminância, a temperatura do ar, a humidade e os níveis de CO₂ para avaliar tanto a produção de energia como o impacto do sistema nas condições de cultivo. Utiliza também sensores de luz para inclinar automaticamente os módulos fotovoltaicos com seguimento solar para uma posição quase vertical quando os níveis de luz descem abaixo de um limiar definido. (2) Deteção do microclima e do ambiente – Utiliza nós de sensores distribuídos a várias alturas no interior e acima da estufa, além de uma estação meteorológica externa, para monitorizar a temperatura, a humidade, o CO₂, a radiação fotossinteticamente ativa, a iluminância e a irradiância. (3) Gestão automatizada da irrigação – Monitoriza a humidade e a temperatura do solo, o caudal de água e a pressão, e regula automaticamente a irrigação em cada setor da estufa utilizando um algoritmo de humidade do solo de limiar duplo O sistema foi testado num ambiente operacional real, numa estufa agrivoltaica piloto em Pontinia, no centro de Itália, no âmbito do projeto REGACE, financiado pela UE. Fonte.
  • A habitação social de Le Corbusier era para ser um sonho. Num verão de calor extremo, é um pesadelo. Anna Richards, The Guardian.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

HUNGRIA: BAIXO NÍVEL DE ÁGUA NO DANÚBIO FORÇA ENCERRAMENTO DE CENTRAL NUCLEAR


A Hungria está a preparar-se para o racionamento de eletricidade, uma vez que os níveis vertiginosamente baixos da água do rio Danúbio forçam a única central nuclear do país a encerrar completamente. A central de Paks, que fornece até 40% da eletricidade do país, depende do Danúbio para o arrefecimento e não dispõe de um fornecimento de água de reserva. «Estamos a enfrentar os cinco dias mais críticos», disse o primeiro-ministro Péter Magyar numa mensagem de vídeo no domingo. «A partir de amanhã, a central nuclear de Paks deixará de gerar eletricidade, precisamente quando chegam os dias mais quentes, com temperaturas a atingir os 40 °C. O nosso sistema elétrico, os nossos serviços públicos e todos nós estaremos sob uma enorme pressão.» Fonte.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

ESTARREJA: ADEUS REFINARIA DE LÍTIO

  • O Grupo José de Mello decidiu abandonar o projeto LiftOne, uma refinaria de lítio prevista para Estarreja, porque não conseguiu garantir contratos de longo prazo que tornassem o investimento viável. As condições atuais do mercado europeu de automóveis, baterias e lítio também ficaram aquém das expectativas da empresa. Fonte.
  • As forças navais da Roménia estão a conduzir explosões controladas no canal de Bala, no Danúbio, para desviar o fluxo de água em direção à central nuclear de Cernavoda. As detonações tinham como objetivo redirecionar a água do canal de Bala para o antigo leito do Danúbio e aumentar os níveis de água. Fonte.
  • Foram detetados níveis elevados de microplásticos e outros tipos de contaminação por plástico num curso de água próximo de um importante centro de reciclagem na Turquia, abastecido com resíduos plásticos por empresas britânicas. O curso de água poluído, que inunda os campos agrícolas após chuvas intensas, desagua num canal maior utilizado para a irrigação das culturas na planície de Çukurova, na cidade de Adana, no sul do país. Trata-se de uma das maiores e mais férteis bacias agrícolas da Turquia. Em 2025, o Reino Unido exportou 139 000 toneladas de lixo para a Turquiadeixando os pequenos agricultores e os bairros mais carenciados de Adana a lidar com os detritos, os microplásticos e o fumo tóxico.
  • O Japão deu início a uma nova ronda de descargas no mar de águas residuais contaminadas com radiação provenientes da central nuclear de Fukushima Daiichi, que se encontra danificada, marcando a 22.ª descarga deste tipo desde que a controversa operação teve início em 2023. Serão descarregadas no oceano cerca de 7 800 toneladas de águas residuais contendo aproximadamente 1,3 biliões de becquerels de trítio radioativo. Fonte.

REFLEXÃO

RETIRADA DE INVESTIMENTO DE €492 MILHÕES EM REFINARIA DEIXA A ESTRATÉGIA PORTUGUESA PARA O LÍTIO EM FRANGALHOS
Natasha Donn, The Resident.


A ambição de Portugal de construir uma indústria integrada de lítio sofreu mais um grande revés depois de o Grupo José de Mello ter abandonado os planos para uma refinaria de 492 milhões de euros em Estarreja, alegando falta de clientes dispostos a apoiar o investimento.

A retirada do projeto Lifthium ocorre apenas alguns meses depois de ter sido Designado como Projeto Estratégico pela Comissão Europeia ao abrigo da Lei das Matérias-Primas Críticas. — um estatuto destinado a identificar empreendimentos considerados essenciais para a resiliência industrial e a segurança do abastecimento da Europa

O diretor executivo da Lifthium disse que as condições de mercado já não justificavam a continuação da construção da refinaria. A empresa não conseguiu garantir os contratos de longo prazo com os clientes necessários para financiá-la.

O projeto havia sido elegível para receber 180 milhões de euros em apoio público, embora o financiamento nunca tenha sido utilizado.

O seu desaparecimento elimina mais um componente fundamental da cadeia industrial, repetidamente apresentado pelos governos e pelas empresas mineiras como justificação para a extração de lítio em Portugal.

Durante anos, as comunidades afetadas por projetos de mineração a céu aberto foram informadas de que a extração doméstica constituiria a base de uma indústria portuguesa e europeia de maior valor agregado, abrangendo desde a mineração e o processamento até a produção de baterias e tecnologias avançadas.

Essa promessa agora parece cada vez mais frágil.

A GALP abandonou os seu projeto da central de conversão de lítio Aurora em Setúbal em novembro de 2024. Após a saída do antigo parceiro Northvolt e a impossibilidade de encontrar um investidor substituto, a Aurora foi promovida como um "trampolim" rumo a uma cadeia de valor integrada de baterias na Europa. O anúncio de Galp confirmou que o projeto se tornara inviável sem um parceiro internacional.

Com os projetos Aurora e Lifthium ambos arquivados, Portugal poderá ficar apenas com a extração de lítio para exportação, enquanto grande parte do processamento, desenvolvimento tecnológico, emprego qualificado e valor econômico são gerados em outros lugares.

“A retirada de um dos principais projetos de lítio de Portugal demonstra que o desafio das matérias-primas críticas na Europa não pode ser resolvido apenas por meio de declarações políticas”, afirmou. MiningWatch Fundador Nik Völker.

“A designação estratégica não pode substituir a viabilidade comercial. Se os projetos subsequentes desaparecerem, os decisores políticos devem reavaliar honestamente a justificação económica repetidamente apresentada às comunidades locais a quem foi pedido que acolhessem novas operações mineiras.”

A decisão também levanta questões sobre como a Comissão Europeia avalia projetos que buscam status estratégico.

Nos termos da Lei de Matérias-Primas Críticas, empreendimentos selecionados de mineração, processamento e reciclagem podem se beneficiar de procedimentos de licenciamento acelerados, apoio público coordenado e maior prioridade política.

A Lifthium recebeu essa aprovação apesar de, segundo seu promotor, não ter conseguido garantir demanda suficiente a longo prazo para tornar a refinaria financeiramente viável.

Argumenta-se que o caso expõe uma potencial fragilidade no processo de avaliação: os projetos podem atingir objetivos políticos e técnicos no papel, sem possuírem as bases comerciais necessárias para sobreviver à volatilidade dos preços dos minerais, às mudanças nas tecnologias de baterias e à incerteza da demanda.

A necessidade da Europa de garantir o fornecimento de lítio e outros materiais críticos é indiscutível. Eles são considerados essenciais para a transição energética, a competitividade industrial, a defesa e a redução da dependência de fornecedores externos.

O colapso de dois grandes projetos de processamento portugueses demonstra, contudo, que designar projetos como “estratégicos” não garante nem clientes nem investimento.

O Provedor de Justiça Europeu concluiu que a Comissão Europeia cometeu má administração ao reter avaliações ambientais utilizadas para conceder estatuto privilegiado a projetos mineiros.

A decisão surge na sequência de uma queixa apresentada pela organização de direito ambiental ClientEarth, depois de Bruxelas ter recusado o acesso público a documentos submetidos por empresas mineiras que solicitavam o reconhecimento ao abrigo da Lei das Matérias-Primas Críticas da UE.

Entre os empreendimentos em questão está a proposta da Savannah Resources de construir uma mina de lítio a céu aberto em Barroso, onde as comunidades locais lutam contra o projeto desde 2018. A designação da mina como Projeto Estratégico também está sendo contestada perante os tribunais da União Europeia.

A Comissão argumentou que as informações ambientais eram comercialmente sensíveis. O Provedor de Justiça considerou o seu raciocínio pouco convincente e concluiu que Bruxelas não conseguiu justificar a manutenção do sigilo das avaliações.

Dadas as potenciais e extensas consequências ecológicas, a Comissão "deveria ser capaz de explicar ao público por que considerou que os impactos ambientais de um projeto seriam suficientemente monitorizados e abordados", afirmou o Provedor de Justiça, recomendando que os documentos sejam divulgados.

Uma recomendação do Provedor de Justiça não equivale a uma ordem judicial vinculativa, mas a constatação de má administração coloca a Comissão sob considerável pressão para cumprir e explicar qualquer recusa. A conclusão do Provedor de Justiça Europeu Foi emitida em 15 de julho.

O estatuto de projeto estratégico acarreta vantagens substanciais. Os projetos podem receber licenciamento mais rápido, acesso facilitado a financiamento público e tratamento prioritário nos tribunais nacionais.

As comunidades que vivem perto das minas propostas não tiveram qualquer participação no processo de seleção europeu e foram impedidas de ter acesso às evidências ambientais em que a Comissão baseou as suas decisões.

“Durante quase dois anos, as comunidades locais foram completamente excluídas do processo que transformaria suas terras e seus meios de subsistência”, disse a advogada da ClientEarth, Ilze Tralmaka.

“Eles não tiveram voz ativa e, mesmo muito tempo depois das decisões terem sido tomadas, não conseguiram descobrir por que esses projetos foram declarados seguros para a natureza e para as pessoas.”

Carla Gomes, da campanha comunitária UDCB de Barroso, afirmou que a conclusão do Provedor de Justiça confirmou as queixas que os moradores vêm apresentando há oito anos.

"Houve uma clara falta de transparência e participação democrática em todo o processo que envolveu esta mina.", disse ela.

"É completamente inaceitável que sejamos tratados como uma comunidade de sacrifício., particularmente através de um processo envolto em segredo.”

Gomes apelou à Comissão para que tornasse a informação pública e acessível, acrescentando que Os moradores continuarão lutando para proteger Barroso como “uma região verdadeiramente verde” e um exemplo de vida sustentável.

A descoberta ganha ainda mais relevância após o abandono de dois importantes projetos portugueses de processamento de lítio.

As comunidades foram solicitadas a aceitar os custos ambientais e sociais da mineração sob a promessa de uma indústria nacional estratégica. Agora sabem que Bruxelas ocultou as evidências utilizadas para avaliar esses custos ambientais — enquanto a cadeia industrial invocada para justificá-los está se desintegrando progressivamente.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

CASTELO DO BODE: QUERCUS CONTESTA AMARA VILLAGE

  • A Quercus contestou o avanço do projeto turístico de luxo Amara Village, previsto para a Albufeira de Castelo de Bode, considerando “escandaloso” que o empreendimento tenha obtido autorização para avançar sem ter sido sujeito a Avaliação de Impacte Ambiental. A Quercus recorda ainda que a oposição ao projeto remonta a 2001, quando contestou uma versão anterior do empreendimento, então com outra designação, pelos potenciais impactos na qualidade da água e nos ecossistemas da albufeira. A associação critica também a posição da Agência Portuguesa do Ambiente, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e da Câmara Municipal de Tomar, que autorizou o avanço do projeto com base no Plano de Pormenor da Área Turística de Vila Nova–Serra, aprovado em 2011. A Quercus manifesta ainda preocupação com a possibilidade de as obras arrancarem antes da revisão do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo de Bode, atualmente em atraso, considerando que poderá existir uma tentativa de antecipar a construção antes da entrada em vigor de regras mais restritivas. A associação levanta igualmente dúvidas sobre a natureza do empreendimento, afirmando que a estratégia de promoção do projeto faz referência à criação de uma “comunidade”, incluindo uma “escola alternativa”, o que, na sua perspetiva, poderá indicar uma vocação residencial permanente e não exclusivamente turística.
  • Apesar do histerismo mediático em torno das temperaturas elevadas das últimas semanas, com mapas pintados de vermelho anunciando uma calamidade sanitária iminente, Portugal não registou até agora nenhuma anomalia digna de registo na mortalidade total. De acordo com os registos diários do Sistema de Informação dos Certificados de Óbito, os valores da mortalidade mantêm-se dentro da variação normal esperável para o começo do Verão, sem qualquer excesso persistente que permita falar numa perturbação associada às temperaturas elevadas. Fonte.
  • Os centros de dados representaram quase um quarto do consumo de eletricidade na Irlanda em 2025, um aumento em relação aos 5 por cento registados em 2015. Fonte.
  • Consulta pública até 18 de agosto: Projeto BigBATT, AlenquerA EDP quer instalar um sistema de armazenamento de energia em baterias de grande escala no Carregado, junto à Central de Ciclo Combinado do Ribatejo. Principais Características: potência: 180 MW (inicialmente referido como 150 MW), capacidade de armazenamento: 360 MWh, tecnologia: baterias de iões de lítio com química de fosfato de ferro e lítio, capacidade: duas horas de autonomia e capacidade para abastecer: aproximadamente 100.000 habitações.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

REFLEXÃO

ENQUANTO A ÍNDIA SE APRESSA A CULTIVAR MILHO PARA A PRODUÇÃO DE ETANOL, SERÁ QUE PODE APRENDER COM OS ERROS DO PASSADO?
Niladri Giri, Medium. Rev. O’Lima.

Foto de Gavin Allanwood no Unsplash

Durante o inverno de 1989, os condutores em São Paulo viram-se a esperar em longas filas para abastecer, apesar de o seu país ter prometido que o combustível estaria sempre disponível.

Não se tratava de gasolina, mas sim de álcool. No final da década de 1980, mais de quatro milhões de automóveis no Brasil funcionavam a etanol puro, cerca de um terço de todos os veículos do país. Durante quinze anos, o Brasil tinha reestruturado a sua agricultura para apoiar esta transição. O programa Proálcool, lançado em 1975 após a primeira crise do petróleo, superou as expectativas. Em 1986, 92 por cento dos carros novos vendidos funcionavam exclusivamente a etanol. Os produtores de cana-de-açúcar tinham encontrado o cliente ideal: aquele que precisava sempre de mais.

Mas depois as coisas mudaram. O preço do petróleo bruto caiu de uma média de 78 dólares por barril em 1981 para menos de 27 dólares em 1986, tornando a gasolina novamente barata. Ao mesmo tempo, os preços globais do açúcar subiram, pelo que as fábricas começaram a destinar mais cana à produção de açúcar em vez de combustível. Entre 1989 e 1990, os postos de abastecimento ficaram sem combustível. Milhares de carros faziam fila nas estações de serviço ou ficavam parados nas garagens, construídos para um combustível que já não estava disponível. As vendas de carros a etanol caíram drasticamente e muitos brasileiros sentiram que todo o esforço tinha sido em vão.

Há um pormenor dessa história que me chama a atenção. O produtor de cana fez tudo como deve ser. Cultivou o que o seu país precisava. A sua colheita não era o problema. A verdadeira questão residia numa série de decisões tomadas longe dali — em locais como uma bolsa de açúcar em Londres, uma reunião da OPEP ou um ministério das finanças a ajustar subsídios. O risco desceu pela cadeia e acabou por recair sobre a pessoa que menos sabia e tinha menos opções.

Há doze anos que trabalho como técnico agrícola nos distritos de Odisha, no leste da Índia. Na maioria dos dias, ajudo os agricultores a lidar com os riscos que enfrentam — chuvas tardias, pragas precoces ou a queda dos preços de mercado durante a colheita. Recentemente, porém, tenho vindo a refletir sobre um risco que não conseguimos ver a partir do terreno, à medida que a Índia repete a experiência do Brasil, mas a um ritmo muito mais acelerado.

O Segundo Acto Americano

Antes da vez da Índia, a história repetiu-se mais uma vez, desta vez no Iowa.

Os Estados Unidos criaram a sua Norma de Combustíveis Renováveis em 2005 e alargaram-na em 2007, exigindo que as companhias petrolíferas misturassem milhares de milhões de galões de biocombustível na gasolina. A região do milho reagiu da mesma forma que os agricultores de todo o mundo reagem perante um comprador garantido. Nos últimos anos, mais de 40 por cento da colheita de milho americana foi destinada à produção de etanol. Reflitamos sobre essa percentagem por um momento. Quase metade do milho cultivado pelo maior produtor mundial de milho é utilizado em motores, e apenas uma pequena parte do que resta é cultivada para ser realmente consumida pelas pessoas.

Havia muito dinheiro em jogo. Um estudo amplamente citado revelou que, entre 2006 e 2014, os preços do milho foram cerca de 30 por cento mais altos do que teriam sido sem a obrigatoriedade. Os rendimentos agrícolas aumentaram. O valor dos terrenos em todo o Midwest subiu na mesma proporção. O mesmo aconteceu com algo mais difícil de perceber num balanço financeiro: a dependência. Os sistemas de combustível e os motores americanos não conseguem absorver confortavelmente muito mais do que 10% de etanol, um limite máximo a que a indústria chama «a barreira da mistura», e a produção de etanol tem estado encostada a essa barreira há mais de uma década. De poucos em poucos anos, Washington renegocia a obrigatoriedade e, de poucos em poucos anos, a economia de distritos rurais inteiros fica com a respiração suspensa. Se o consumo de gasolina nos EUA diminuir — o que acabará por acontecer com os veículos elétricos —, mesmo uma obrigatoriedade inalterada empurrará o etanol para além desse limite máximo dispendioso. O maior cliente do agricultor do Iowa é, no fim de contas, um parágrafo de regulamentação federal. Ele aprendeu a ler documentos normativos da mesma forma que o seu avô lia as nuvens. Os produtores brasileiros ficaram à mercê de um preço. Os americanos estão vinculados a uma política. Duas das maiores nações agrícolas do mundo chegaram à mesma conclusão: o combustível é um cliente diferente de tudo o que um agricultor já conheceu.

Terceiro Ato: Em avanço rápido

Em 2018, a Índia estabeleceu a meta de misturar 20 por cento de etanol na gasolina até 2030. O país atingiu esta meta em dezembro de 2025, cinco anos antes do previsto. Desde abril, todos os postos de abastecimento na Índia vendem E20. O milho desempenhou um papel fundamental para que isto fosse possível. No ano de abastecimento de 2024–25, o milho ultrapassou a cana-de-açúcar como principal fonte de etanol da Índia, fornecendo quase metade do abastecimento nacional a um preço fixado pelo governo de ₹71,86 por litro.

O Brasil precisou de quinze anos para reorientar as suas explorações agrícolas para a produção de combustíveis. Os EUA demoraram cerca de dez anos. A Índia fez essa transição em sete. Eu próprio testemunhei uma pequena parte desta mudança. Na zona de cultivo de milho de Nabarangpur, que faz fronteira com o meu distrito, um agricultor de Umerkote mostrou-me o campo onde costumava cultivar arroz até 2023. O agente da refinaria ofereceu-lhe 3200 rúpias por quintal, contou-me ele, em comparação com o preço local de 2600 rúpias. O acordo prometia recolha garantida, pagamento no prazo de 5 dias e ausência de regateio com os comerciantes. Ele aceitou. Quando lhe perguntei o que a refinaria fazia com o seu milho, ele respondeu-me que ia «para a empresa». Não sabia qual era a empresa nem o que faziam com ele. Não insisti. Foi uma resposta honesta. Em todos os anos em que vendeu cereais, nunca precisou de saber o que lhes acontecia após a venda. O que lhes acontecia depois.

Mas eis a que ele está agora ligado, quer alguém lho tenha explicado ou não. O preço do seu milho depende das compras das refinarias. As compras das refinarias dependem da obrigatoriedade de mistura. A economia dessa obrigatoriedade depende da procura de gasolina. E a procura de gasolina depende dos preços do petróleo bruto, da adoção de veículos elétricos e do número de trabalhadores de escritório em Bengaluru que optam por apanhar o metro. Um homem que nunca viu uma refinaria de petróleo encontra-se agora a jusante do petróleo bruto Brent e a montante do depósito de combustível de uma scooter.

Durante milhares de anos, os agricultores venderam as suas colheitas a pessoas que as consumiam. Quem consome é o cliente mais fiável da história. As populações crescem lentamente e, mesmo durante as secas, todos continuam a precisar de comida. Os condutores são um tipo de cliente muito diferente. Mudam de combustível, compram veículos novos e mudam-se para novas cidades. A sua procura muda com a tecnologia e os acontecimentos mundiais — duas coisas que nunca vi abordadas em nenhum guia agrícola que tenha levado a uma aldeia.

Que lições foram aprendidas?

Permitam-me ser cauteloso nesta questão, porque esta é a parte que acaba por ser reduzida a slogans. Não estou a argumentar que a mistura de etanol seja uma má política. A Índia importa a maior parte do seu petróleo bruto, e a questão da segurança energética é real. O dinheiro que chega aos agricultores também é real. Vi, de perto, o que um comprador garantido significa para uma família que passou gerações a negociar em posição de fraqueza à porta do mercado. O agricultor de que falo fez uma escolha racional. O negócio que tinha diante de si era demasiado bom para recusar.

Foto de Roger Starnes Sr. no Unsplash

A questão que os dois primeiros atos levantam é mais específica e mais complexa. O que acontece quando a procura de gasolina estabiliza? Não se trata de «se», mas de «quando». Os próprios decisores políticos da Índia estão a promover a mobilidade elétrica com a mesma convicção que demonstraram em relação ao etanol, e ambas as apostas não podem dar frutos na totalidade. Quer a transição ocorra daqui a cinco ou quinze anos, uma reserva de gasolina cada vez mais reduzida terá, um dia, de satisfazer uma percentagem fixa de mistura. A conta recai sobre a refinaria, e a conta da refinaria recai sobre um campo de milho.

O Brasil acabou por encontrar uma solução. Os carros flex-fuel, que surgiram quase três décadas após o início do Proálcool, permitem que os motores funcionem a gasolina, etanol ou qualquer mistura dos dois, proporcionando aos produtores de cana um mercado que pode ceder sem se partir. O que levanta uma questão que ainda não vi ser colocada na celebração atual: qual é a opção flexível para o produtor indiano, em vez de para o motor indiano? A resposta honesta hoje é que não existe nenhuma, a não ser regressar ao mercado de onde acabou de sair.

Mais um pormenor que não consigo deixar de referir. Em 2024, mesmo com as suas refinarias a comprar milho para combustível, a Índia tornou-se um importador líquido de milho, adquirindo cereais no estrangeiro para substituir os que queimava no próprio país. O avicultor e a fábrica de etanol viram-se a disputar a mesma espiga, e um navio compensou a diferença.

Algures naquele cinturão do milho, um agricultor que conheço está a decidir quanto plantar na próxima época. O agente apresentou-lhe o preço, e o preço parece bom. Parecia bom em São Paulo, em 1985, e em Des Moines, em 2010. Ninguém se sentou à frente desses agricultores para lhes explicar quem era realmente o seu cliente.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

O PARADOXO ESTÉTICO DA CENOURA

  • “Num tempo em que tanto se fala de sustentabilidade, desperdício alimentar, cadeias curtas, remuneração justa ao produtor e soberania alimentar, continuamos presos a uma lógica absurda: a estética tornou-se critério económico da agricultura. E, demasiadas vezes, manda mais do que o sabor, a origem, a frescura, o valor nutritivo ou o modo como aquele alimento foi produzido.” António Martins Bonito, O Império da Cenoura Perfeita – Vida Rural.
  • Os dois reatores nucleares de Beznau, na Suíça, arrefecidos com água do rio Aare, foram desligados da rede devido ao sobreaquecimento da água. Fonte.
  • Condado com 37 centros de dados pede às escolas que «poupem eletricidade». O Condado de Henrico é um importante centro de centros de dados na Virgínia. As autoridades locais afirmaram que prevêem um aumento de 25% nos custos de eletricidade no próximo ano e aconselharam os trabalhadores a fechar as persianas e a desligar os computadores para compensar esse aumento. Fonte.

terça-feira, 30 de junho de 2026

BEJA: A QUEM SERVE EXTERNALIZAR A LIMPEZA URBANA?

  • A coligação Beja Consegue (PSD, CDS-PP e IL), com os votos do PS e do Chega, aprovou uma proposta para a abertura de um concurso público internacional para a aquisição de serviços de limpeza urbana na cidade. A CDU votou contra alegando que a externalização não garante a melhoria da qualidade da limpeza urbana e acarreta um custo financeiro superior para os cofres do município, além de dar continuidade a uma política de privatização de serviços públicos. Fonte.
  • A onda de calor está a afetar a produção de energia. A EDF desativou dois reatores nucleares, em Bugey (Ain) e em Nogent-sur-Seine (Aube), elevando para três o número de reatores paralisados em França devido ao calor intenso, após o de Golfech (Tarn-et-Garonne), enquanto uma unidade em Saint-Alban também terá de reduzir a sua produção. Fonte.
  • Investigadores do Havai estão a dar uma segunda vida a redes de pesca velhas e ao plástico reciclado, incorporando-os no asfalto das estradas. Testes iniciais revelaram que estas estradas não libertam mais partículas de plástico do que o pavimento convencional, sendo que o desgaste dos pneus supera largamente qualquer vestígio de plástico proveniente do material reciclado. Se estudos futuros confirmarem que as estradas são duráveis, esta tecnologia poderá ajudar a combater tanto a poluição marinha como o sobrelotamento dos aterros sanitários. Fonte.

terça-feira, 23 de junho de 2026

REFLEXÃO

QUATRO EM CADA DEZ GRANDES CIBERATAQUES AO SETOR ENERGÉTICO SÃO PERPETRADOS POR ATORES ESTATAIS
Antonio Barrero F., Energías Renovables. Rev. O’Lima.

O relatório «2026 Energy Cybersecurity Outlook» alerta que a «convergência» entre as Tecnologias da Informação e as Tecnologias Operacionais, a «inteligência artificial ofensiva» e a crescente complexidade regulamentar definem e determinam atualmente os riscos de cibersegurança do setor energético. Os autores do estudo observam que a «superfície de exposição às ciberameaças» está a aumentar devido à transformação digital do setor energético e alertam que «manter a segurança das suas tecnologias operacionais tornou-se um desafio», na medida em que o setor está a «ligar à rede sistemas que antes estavam isolados e a criar um panorama energético muito mais distribuído». Isto abrange — salientam — desde estações de recarga de veículos elétricos até instalações de energia solar.

O relatório da Fortinet destaca também certas tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, os drones e a criptografia quântica, que, segundo o estudo, também colocam novos desafios em matéria de cibersegurança. Tudo isto, aliado às exigências regulamentares, está a configurar, segundo os autores deste estudo, um «novo cenário de risco» para os operadores do setor energético, as empresas de serviços públicos e as empresas de infraestruturas críticas.

O estudo da Fortinet destaca que o custo médio de recuperação após um incidente de cibersegurança no setor já atinge os 5,08 milhões de dólares, enquanto 39% dos grandes ciberataques registados em 2025 foram patrocinados por Estados, o valor mais elevado registado até à data.

A segurança dos ambientes OT (tecnologia operacional) constitui, assim — segundo a Fortinet —, uma das principais preocupações das organizações do setor energético: «de facto — refere o relatório —, 57% das empresas reconhecem que as suas defesas OT estão menos desenvolvidas do que as de TI [Tecnologia da Informação], e 47% das empresas dos setores da energia e da indústria transformadora afirmam estar a enfrentar desafios de cibersegurança durante os seus processos de modernização e integração tecnológica».

O relatório também destaca a irrupção da inteligência artificial como um acelerador tanto da defesa como das ameaças: «a utilização da IA permite aos atacantes criar campanhas de phishing altamente personalizadas, desenvolver malware mais adaptável e até mesmo empregar técnicas avançadas de engano para contornar os controlos de segurança».

A tudo isto — salienta o relatório — acrescenta-se a necessidade de nos prepararmos para a era pós-quântica. Segundo a Fortinet, 58% dos responsáveis pela segurança e pelas TI de infraestruturas críticas já estão a experimentar a criptografia pós-quântica, antecipando-se ao impacto que a computação quântica poderá ter nos atuais sistemas de encriptação.

No entanto, a adoção de padrões de criptografia pós-quântica continua a ser baixa: apenas 9% dos milhões de sites mais visitados da Internet adotaram padrões PQC (criptografia pós-quântica), «embora a adoção — precisam os autores do relatório — seja maior entre os líderes tecnológicos, uma vez que 5 dos 10 principais já tomaram medidas nesse sentido».

Na Europa, além disso, as empresas do setor energético terão de lidar com um ambiente regulatório cada vez mais complexo, marcado por (1) a implementação da NIS2 (diretiva europeia relativa às medidas destinadas a garantir um elevado nível comum de cibersegurança em toda a União) e por (2) outras iniciativas destinadas a reforçar a resiliência das infraestruturas críticas.

«A diversidade na aplicação nacional destas normas — adverte a Fortinet — poderá acarretar novos desafios de conformidade para as organizações com operações internacionais».

Neste contexto, a Fortinet identifica cinco prioridades para os responsáveis pela cibersegurança do setor energético. São as seguintes:

• integrar a segurança em todo o ciclo de vida dos ativos de TI e TO (tecnologias da informação e tecnologias operacionais);
• reforçar a segmentação das redes;
• melhorar a deteção e a resposta a ameaças em tempo real;
• avançar na soberania dos dados e
• promover uma maior colaboração entre a indústria, os reguladores e os organismos públicos.

O relatório conclui que a resiliência das infraestruturas energéticas dependerá cada vez mais da capacidade das organizações para combinar a visibilidade dos seus ativos, a proteção dos ambientes OT, a automatização baseada em IA e a conformidade regulamentar num cenário de ameaças cada vez mais sofisticado.

Credenciais da Fortinet

Fundada na Área da Baía de São Francisco no ano 2000, a Fortinet é uma empresa multinacional que opera no setor da cibersegurança e na convergência de redes e segurança. De acordo com o seu perfil corporativo, a Fortinet detém 1 430 patentes a nível mundial (a 31 de março de 2026) e oferece uma gama de mais de 50 produtos de nível empresarial, «a maior oferta integrada disponível», com «soluções que se encontram entre as mais implementadas, patenteadas e validadas do setor». A empresa orgulha-se de ter uma carteira de «mais de 900 000 clientes».

Os principais acionistas da Iberdrola são o fundo soberano do Catar (Qatar Investment Authority), o fundo norte-americano BlackRock e o banco público Norges, da Noruega.

O principal acionista do Grupo Enel, proprietário da Endesa, é o Ministério da Economia e Finanças de Itália. O segundo maior acionista da Enel é a BlackRock.

A EDP é o principal acionista da EDPR. Os principais acionistas da EDP são o Estado chinês, através da empresa estatal China Three Gorges Corporation (20,86%), a empresa asturiano-valenciana Oppidum Capital (6,82%), o fundo de investimento norte-americano BlackRock (6,82%) e o fundo de pensões canadiano CCPIB (5,62%).

domingo, 21 de junho de 2026

REFLEXÃO

A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA DAS LINHAS ELÉTRICAS ESTÁ ASSOCIADA A PERTURBAÇÕES HORMONAIS
EHN. Rev. O’Lima.


Uma revisão recente publicada por Tojza et al. na revista Applied Sciences analisou os impactos da exposição à radiação eletromagnética de frequência extremamente baixa (ELF-EMF) — um tipo de radiação não ionizante emitida por subestações elétricas, linhas de alta tensão, eletrodomésticos e dispositivos eletrónicos — no sistema endócrino, que regula o organismo através das hormonas.

As hormonas atuam como mensageiros químicos para todos os órgãos do corpo, regulando uma série de funções corporais essenciais, tais como o metabolismo, o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e a resposta ao stress.

Outros desreguladores endócrinos conhecidos incluem o bisfenol A (BPA), os ftalatos, as substâncias per- e polifluoroalquílicas (PFAS) e os pesticidas, todos os quais podem interferir com o funcionamento normal das hormonas. Consequentemente, mesmo perturbações subtis no sistema endócrino podem ter efeitos significativos na saúde.

Estudos em animais associam consistentemente a exposição a campos eletromagnéticos de frequência extremamente baixa (ELF-EMF) a efeitos nos níveis de hormonas do stress, na libertação de melatonina, na atividade da tiróide e na função reprodutiva.

As evidências sugerem que estas perturbações estão provavelmente ligadas a um aumento do stress oxidativo e a um desequilíbrio nos iões de cálcio.

Embora sejam necessários mais estudos a longo prazo para compreender melhor os impactos no sistema endócrino em seres humanos, os autores salientam que a natureza generalizada da exposição a ELF-EMF justifica uma abordagem de precaução.

A exposição a campos eletromagnéticos de frequência extremamente baixa (ELF-EMF), frequentemente designada simplesmente por EMF, está a aumentar à medida que o desenvolvimento de centros de dados de IA impulsiona a construção de novas linhas de transmissão de alta tensão e subestações, enquanto a utilização crescente de dispositivos eletrónicos continua a alargar as fontes de exposição a campos eletromagnéticos em casas, escolas e locais de trabalho. (...)

Há décadas que os cientistas recomendam minimizar a exposição. A Agência Internacional para a Investigação do Cancro da Organização Mundial de Saúde classificou os campos magnéticos de frequência extremamente baixa (ELF) como um «possível» carcinogéneo humano em 2001, com base, em grande parte, em evidências que associam a exposição residencial de 3 a 4 mG à leucemia infantil. Estudos mais recentes continuam a demonstrar essa associação. Além disso, estudos da Kaiser Permanente indicam que a exposição pré-natal a campos magnéticos EMF esteve associada a um risco acrescido de aborto espontâneo, bem como à obesidade e à asma nas crianças. Um estudo nacional com a duração de 18 anos, que envolveu mais de 3,5 milhões de pessoas, constatou um risco acrescido de demência e de mortalidade por Alzheimer em habitações próximas de infraestruturas da rede elétrica, como linhas de alta tensão e subestações.

Devido às investigações sobre o risco de cancro, muitos países adotaram políticas que restringem a construção de habitações e escolas em áreas onde os campos magnéticos são elevados. (…)

A nível individual, há medidas simples que pode tomar para reduzir a sua exposição diária à radiação ELF e a outras formas de radiação eletromagnética em sua casa, incluindo:
  • Utilize tablets e computadores portáteis em mesas, e não no colo
  • Afaste as camas dos quadros elétricos
  • Carregue telemóveis e dispositivos fora do quarto, e não junto à cama
  • Não utilize o telemóvel enquanto este estiver a carregar
  • Desligue da tomada as camas de água e os cobertores elétricos antes de se deitar
  • Meça os níveis de campos eletromagnéticos (EMF) na sua casa
  • Também pode medir os níveis de campos eletromagnéticos (EMF) na sua casa com um medidor básico de miligauss, para compreender melhor a sua exposição, ou contactando a sua empresa de eletricidade local para que esta efetue as medições.
Se for proposta uma nova linha de transmissão, subestação ou outro grande projeto de infraestrutura elétrica na sua comunidade, os residentes podem solicitar os níveis de referência e os níveis previstos de campos elétricos e magnéticos em casas, escolas, parques e limites de propriedade antes do início da construção.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

PAÍSES BAIXOS: PROPRIETÁRIOS DE PAINÉIS SOLARES CONVIDADOS A DESLIGAR SISTEMAS DURANTE OS PERÍODOS DE PICO PARA ALIVIAR A CRISE DE DISTRIBUIÇÃO

Foto: Eneco.
  • Os Países Baixos enfrentam um grave congestionamento na rede elétrica, e a Liander, operadora do sistema de distribuição, afirma que cerca de 7 300 clientes estão a enfrentar longos atrasos ao tentarem aumentar a potência das suas ligações à rede. Estes atrasos afetam famílias e empresas que pretendem instalar bombas de calor, carregadores de veículos elétricos ou sistemas solares de maior dimensão. A diretora de operações da Liander, Sarike van Wette, explica que muitos clientes solicitam ligações de maior potência desnecessariamente, o que agrava o congestionamento. Ela apela aos consumidores que ajustem o seu consumo de energia — por exemplo, carregando veículos elétricos à noite ou utilizando eletrodomésticos durante os picos de energia solar diurnos — para reduzir a pressão sobre a rede. Fonte.
  • Carolina do Norte processa empresa química por poluir um ribeiro nas proximidades. Desde 2023, a cidade de Durham aplicou multas no valor de 157 000 dólares à Brenntag por infrações relacionadas com a contaminação da água. Fonte.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

DINAMARCA PINTA ESTRADA DE VERMELHO PARA FACILITAR CIRCULAÇÃO DE MORCEGOS

  • A Dinamarca está a desligar a luz branca dos seus candeeiros de rua e a pintar uma estrada de vermelho para resolver uma crise noturna que quase ninguém repara: a luz urbana estava a bloquear o caminho dos morcegos. Fonte.
  • “Grande parte da vida moderna está concebida de forma a que nunca se veja diretamente o custo ambiental do que consumimos. Os alimentos surgem embalados e prontos a consumir. Recebemos eletricidade através das paredes. O lixo desaparece do passeio. As compras online transformam a produção e o transporte globais num único clique. Às vezes pergunto-me como seria diferente a forma como as pessoas pensariam sobre o consumo se a extração, a poluição, os resíduos e a destruição de habitats associados à conveniência do dia a dia fossem fisicamente visíveis para nós em tempo real. Não estou a tentar ser pessimista. Apenas sinto que a desconexão ambiental pode ser uma das maiores barreiras a uma mudança significativa.” Anónimo.
  • A InnoEnergy, uma das principais entidades europeias de investimento em tecnologias limpas, afirma que as empresas do seu portefólio poderão evitar 2,3 gigatoneladas de CO2 equivalente atá 2030, o que seria o mesmo que retirar 534 milhões de veículos de combustão interna da estrada durante um ano. Uma investigação independente revela, no entanto, que essas estimativas aceites pela EU vêm das próprias empresas beneficiárias, sem utilizarem uma metodologia uniforme e que, na sua grande maioria se recusam divulgar os seus números individualmente. Fonte.

REFLEXÃO

CEGADAS PELA POLUIÇÃO LUMINOSA: AS CIDADES PROCURAM RECUPERAR A NOITE
Jeannette Cwienk, DW. Revisão: O’Lima.

Cidades de todo o mundo, como Frankfurt, estão inundadas de luz. Imagem: S. Ziese/blickwinkel/picture alliance

Um poste de iluminação mesmo em frente à sua casa pode facilitar a entrada em segurança à noite — mas não consegue tentar dormir sem cortinas grossas. Esse é apenas um exemplo de como a luz artificial é útil em muitos aspetos da nossa vida quotidiana, mas também constitui um grande problema.

O nosso mundo está mais iluminado por luz artificial do que nunca. Um estudo norte-americano recente revelou que as emissões de luz artificial à noite aumentaram cerca de 16% a nível global entre 2014 e 2022, de acordo com uma investigação publicada na revista Nature. As áreas que registaram um aumento da luminosidade também viram a intensidade da luz aumentar, em média 9%.


O excesso de luz artificial pode fazer-nos mal

Podemos desligar fontes de luz como computadores, telemóveis, televisões e candeeiros. Mas outras fontes estão fora do nosso controlo: iluminação pública, faróis de automóveis, monumentos iluminados, painéis publicitários intermitentes e holofotes em estaleiros de construção, montras, paragens de autocarro, parques de estacionamento, campos desportivos e estádios, para citar apenas alguns exemplos.

A exposição excessiva à luz artificial pode perturbar o nosso ciclo natural de sono-vigília, desestabilizando o nosso equilíbrio hormonal e aumentando o risco de distúrbios metabólicos, como diabetes, depressão e obesidade.

A cor da luz também tem um efeito. Quanto mais fria, ou mais branca, for a luz, mais se assemelha à luz do dia — e mais suprime a hormona melatonina, que é o que nos faz sentir sonolentos à noite.

Nenhuma outra condição ambiental permaneceu inalterada ao longo dos milénios como a luz natural do sol, da lua e das estrelas. Todos os seres vivos adaptaram-se a este ritmo. Mais de metade de todas as espécies são noturnas — se as noites se tornarem mais claras, isso poderá ter consequências devastadoras.

As aves migratórias utilizam a lua e as estrelas para se orientarem. A luz artificial pode distraí-las e desviá-las das suas rotas, levando a desvios e à exaustão. Outras aves podem ser induzidas a pôr os seus ovos demasiado cedo na estação, quando ainda não há insetos suficientes para alimentar os filhotes recém-nascidos.

Insetos como traças e besouros usam a luz do céu noturno estrelado para encontrar alimento e parceiros de acasalamento. Mas as luzes artificiais são muito mais brilhantes e inevitavelmente atraem-nos para longe. Eles circulam continuamente em torno da fonte de luz até caírem no chão, mortos de exaustão. Biliões são mortos desta forma todos os anos, um número devastador quando os insetos já estão ameaçados pela poluição, pela diminuição da biodiversidade e por outros perigos.

Mamíferos noturnos, como ouriços e morcegos, evitam geralmente locais bem iluminados; no nosso mundo mais iluminado, o seu habitat está a encolher progressivamente. E a luz pode criar uma barreira artificial que algumas espécies de peixes não atravessam. As luzes projetadas na superfície da água a partir de uma ponte, por exemplo, podem impedir as enguias de nadar — um grande problema durante o seu período migratório de desova.

Os céus noturnos mais iluminados na China e na Índia

O estudo publicado na revista Nature revelou que o aumento das emissões de luz noturnas desde 2014 foi mais acentuado na Ásia, particularmente nas regiões em crescimento económico da China e da Índia.

Nos EUA, a poluição luminosa aumentou mais na Costa Oeste devido ao crescimento económico e populacional nas cidades da Califórnia. A Costa Leste e partes do Centro-Oeste dos EUA, em contrapartida, tornaram-se mais escuras — em parte devido ao encolhimento do setor industrial, ao menor número de residentes e à iluminação mais eficiente em termos energéticos.

Na Europa, a intensidade luminosa global, em comparação com 2014, diminuiu 4%, tendo os investigadores observado uma redução da poluição luminosa em toda a região. Esse declínio foi mais notório em França (33%), no Reino Unido (22%) e nos Países Baixos (21%). Ao contrário do que acontece nos EUA, os céus noturnos mais escuros na Europa nem sempre são resultado de um declínio económico. Em França, por exemplo, novos regulamentos exigem agora que a iluminação de todos os edifícios comerciais, montras, parques de estacionamento, parques públicos e locais de património cultural seja desligada, o mais tardar, à 1 da manhã.

Outros países europeus abordaram a questão do céu noturno cada vez mais iluminado muito mais cedo. A República Checa aprovou a primeira lei do mundo contra a poluição luminosa em 2002, que estipula, entre outras regras, que a iluminação pública só pode ser direcionada para o solo, sob pena de uma multa superior a 3.000 € (3.500 $). A Eslovénia tem vindo a combater a poluição luminosa desde 2007, com um regulamento que limita o consumo anual de eletricidade para iluminação por residente a 50 quilowatts-hora. Outras regras garantem também que a iluminação pública não brilhe com demasiada intensidade à noite em zonas residenciais.

Fulda, a «cidade estrela» da Alemanha, ilumina o caminho

A Alemanha ainda não aprovou qualquer legislação nacional contra a poluição luminosa. No entanto, a Lei Federal de Conservação da Natureza está atualmente a ser atualizada, numa tentativa de controlar este fenómeno. A nível regional, o estado de Baden-Württemberg já aprovou uma lei que proíbe a iluminação de fachadas entre abril e setembro — os meses em que a vida selvagem está mais ativa na Alemanha.

A cidade de Fulda, a cerca de 100 quilómetros a nordeste de Frankfurt, é pioneira no que diz respeito à iluminação. A Catedral de Fulda é iluminada com holofotes direcionados com precisão, em vez dos holofotes convencionais. Nos novos bairros fora do centro da cidade, os passeios e as ciclovias são iluminados apenas a 20 %; quando alguém passa, os detetores de movimento aumentam brevemente a intensidade das luzes de rua para o máximo.

«As armadilhas para insetos instaladas antes e depois da entrada em vigor destas medidas demonstraram que as novas luzes matam menos 90 % de insetos», afirmou Marcel Cire, engenheiro ambiental do departamento de planeamento urbano de Fulda. Ele referiu que Fulda estava a começar a instalar os novos postes de iluminação na cidade, substituindo as lâmpadas antigas à medida que necessário, para manter os custos baixos.

Fulda tem sido reconhecida pelos seus esforços para trazer de volta a noite. A DarkSky International, uma organização sem fins lucrativos sediada nos EUA que sensibiliza para os efeitos nocivos da luz artificial excessiva, designou a cidade como a primeira «cidade das estrelas» da Alemanha em 2019. Juntou-se a outros 11 locais certificados no país com «condições de céu escuro e práticas de proteção excecionais».

Trazer de volta o pirilampo

Como demonstrado na República Checa, na Eslovénia e em Fulda, as luzes devem iluminar apenas onde for absolutamente necessário — passeios, por exemplo, e não todo o céu noturno. As luzes reguladas por sensores de movimento são uma boa alternativa à iluminação exterior sempre acesa.

Quanto mais quente for a luz, menos prejudicial é — para os seres humanos e outras criaturas. As organizações de conservação recomendam a utilização de uma temperatura de cor não superior a 3000 Kelvin para a iluminação exterior, uma luz quente, amarelo-esbranquiçada, comummente utilizada em salas de estar e quartos.


Como reduzir a poluição luminosa

Seguir estas recomendações pode ajudar a trazer de volta os pirilampos aos nossos parques e jardins. O pirilampo é outro inseto ameaçado pela poluição luminosa, uma vez que a luz artificial impede que os machos e as fêmeas se encontrem.

O simples facto de fechar as cortinas em casa à noite pode ajudar não só a bloquear o brilho incómodo proveniente do exterior, mas também a impedir que a luz interior perturbe a vida noturna no exterior.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

SUÉCIA: PORQUÊ O ATAQUE ÀS EÓLICAS?

  • Apesar de a Suécia produzir 99% da sua eletricidade a partir de fontes limpas, a energia eólica está a ser alvo de uma campanha coordenada de desinformação e informações erradas em toda a Europa. Uma análise de mais de 42 000 publicações nas redes sociais revelou que 68% continham narrativas falsas ou enganosas contra a energia eólica, gerando milhões de interações. A Suécia registou o maior volume de publicações deste tipo. Os ataques retratam falsamente a energia eólica como: uma «fraude» impulsionada por elites gananciosas e forças antidemocráticas, um desastre ambiental (por exemplo, prejudicial para a vida selvagem), apesar de estudos demonstrarem que mais de 99,8% das aves evitam as turbinas., tecnológica e economicamente inviável, associando-a falsamente a cortes de energia ou custos elevados. A desinformação já está a causar danos no mundo real, incluindo projetos eólicos atrasados ou bloqueados (por exemplo, um projeto de 1,2 mil milhões de euros na Bulgária bloqueado por alegações falsas), e até a incitar à violência física contra as infraestruturas. O relatório alerta que isto representa um «risco sistémico para a segurança da Europa», ao minar a transição para uma energia limpa e produzida internamente, prejudicando a competitividade económica e podendo ser potencialmente utilizada como arma pelos rivais. Fonte.
  • Um gigantesco centro de dados de IA de «hiperescala» denominado «Stratos», proposto pelo bilionário do programa «Shark Tank», Kevin O'Leary. Ocuparia mais de 40 000 acres no norte do Utah (2,5 vezes o tamanho de Manhattan) e prevê-se que mais do que duplique o consumo de eletricidade do estado, aumente a sua pegada de carbono em mais de 50% e corra o risco de esgotar as reservas de água do já empobrecido Great Salt Lake. Centenas de residentes locais gritaram «Vergonha! Vergonha! Vergonha!» depois de os comissários do distrito terem votado por unanimidade a favor da aprovação do projeto. Os residentes estão furiosos porque: foram avisados com muito pouca antecedência e tiveram poucas oportunidades de se pronunciarem, temem o aumento vertiginoso dos preços da energia (à semelhança do que acontece noutros estados com centros de dados) e duvidam das alegações do promotor imobiliário sobre o consumo «líquido zero» de água e a sustentabilidade, invocando a falta de análises públicas e independentes. Além disso, o projeto é alimentado por uma central a gás natural (um potente poluente climático), o que contradiz as alegações de O'Leary sobre energia solar/eólica. Fonte.
  • “Alguns governos apoiam os veículos elétricos porque querem ajudar a combater as alterações climáticas, outros por causa da inovação tecnológica e alguns, simplesmente, porque decidiram fazer as contas. Estes últimos compreendem melhor o que está em jogo. A Costa Rica e a Noruega, duas economias muito diferentes em termos de dimensão, rendimento, geografia e estrutura produtiva, chegaram à mesma conclusão: depender do petróleo é uma má ideia, e a eletrificação dos transportes é uma das formas mais diretas de deixar de depender dele.” Enrique Dans, Medium.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

PTRR – 9 ANOS PARA COMBATER ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, FALHAS DE ENERGIA E CIBERATAQUES

Passageiros esperam no exterior de um terminal do Aeroporto de Lisboa durante um corte de energia, em Lisboa, Portugal, 
a 28 de abril de 2025. REUTERS/Pedro Nunes.

O Governo de Luís Montenegro 'anunciou' um programa de investimento de 22,6 mil milhões de euros a ser implementado ao longo de nove anos, com o objetivo de mitigar riscos como as alterações climáticas e as falhas de energia. A iniciativa, denominada «Transformação, Recuperação e Resiliência de Portugal», visa reforçar as infraestruturas, as instituições, as habitações e as empresas contra ameaças relacionadas com as alterações climáticas, a segurança energética, a atividade sísmica e os ciberataques. Será financiada em 37 % pelo orçamento do Estado, representando o financiamento privado 34 % do total e os fundos europeus cobrirão 19 %. O plano foi lançado na sequência das fortes tempestades que atingiram a região central do continente português em janeiro e fevereiro, causando prejuízos estimados em 5,3 mil milhões de euros, e de uma falha de energia devastadora em Espanha e Portugal há exatamente um ano. Fonte.

"A operação foi de propaganda primária (...). Montenegro apresentou como novidade aquilo que já fora anunciado tantas vezes desde os efeitos das tempestades de há dois meses. Prometeu apoios, proclamou investimentos, garantiu transformações. Tudo muito bonito em powerpoint, tudo muito convincente em slides bem desenhados, tudo muito impressionante em gráficos coloridos. E tudo completamente desligado da realidade que as pessoas vivem. Porque na realidade (...) não há nenhuns apoios efetivos às pessoas e às empresas para reerguerem as suas vidas. Os que perderam casas continuam sem saber como as reconstruir. Os que viram negócios destruídos continuam sem apoio concreto. Os que ficaram sem nada continuam com nada. E as seguradoras fazem aquilo que muito bem sabem: rápidas a cobrarem os prémios dos seguros, especialistas em encontrar cláusulas que lhes permitem escusar-se a indemnizar os clientes quando estes se veem sinistrados (...). Mas o cúmulo da desfaçatez — aquilo que transformou conferência de imprensa em farsa inqualificável — foi Montenegro recusar-se a responder a qualquer pergunta dos jornalistas. (...) Chamou os ministros. E ali, perante jornalistas atónitos e uma nação que assistia incrédula, obrigou-os a cantar em coro o hino nacional. Coisa nunca vista. Nunca. Em décadas de democracia portuguesa, em centenas de conferências de imprensa, em milhares de momentos de comunicação governamental — nunca se tinha visto tamanha instrumentalização patética de um símbolo nacional para fugir a perguntas incómodas. É a expressão de um nacionalismo serôdio que, como bem se sabe desde Samuel Johnson, costuma ser o último refúgio dos canalhas. Quando não tens argumentos, agitas a bandeira. Quando não tens respostas, cantas o hino. Quando não tens competência para governar, escondes-te atrás de símbolos pátrios como se isso compensasse a tua mediocridade. (...) quando um primeiro-ministro precisa de transformar conferência de imprensa em número de circo, quando tem de obrigar ministros a cantar o hino para evitar responder a jornalistas, quando substitui prestação de contas por teatralização patriótica — é porque já não tem nada de substancial para dizer. É patético. Mas é também perigoso. Porque este tipo de nacionalismo performativo — esse que substitui governação por símbolos, que troca políticas por folclore, que esconde incompetência atrás de pátria — é o mesmo que historicamente sempre antecedeu derivas autoritárias Não que Montenegro seja fascista. Não é. É apenas incompetente e desesperado. Mas a incompetência desesperada que recorre a nacionalismo barato para se legitimar cria condições para que verdadeiros autoritários — esses sim, como Ventura — se apresentem como alternativa credível. (...) aquilo não foi conferência de imprensa de um Governo que governa. Foi o canto do cisne de quem já sabe que está a afundar-se e tenta disfarçar o naufrágio com hinos e bandeiras. Não resultará. Nunca resulta. Mas pelo menos ficará registado para a História: o dia em que um primeiro-ministro português, incapaz de responder a jornalistas, transformou uma conferência de imprensa em sessão de karaoke patriótico."  Jorge Rocha, Ventos semeados.