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quinta-feira, 30 de abril de 2026

PTRR – 9 ANOS PARA COMBATER ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, FALHAS DE ENERGIA E CIBERATAQUES

Passageiros esperam no exterior de um terminal do Aeroporto de Lisboa durante um corte de energia, em Lisboa, Portugal, 
a 28 de abril de 2025. REUTERS/Pedro Nunes.

O Governo de Luís Montenegro 'anunciou' um programa de investimento de 22,6 mil milhões de euros a ser implementado ao longo de nove anos, com o objetivo de mitigar riscos como as alterações climáticas e as falhas de energia. A iniciativa, denominada «Transformação, Recuperação e Resiliência de Portugal», visa reforçar as infraestruturas, as instituições, as habitações e as empresas contra ameaças relacionadas com as alterações climáticas, a segurança energética, a atividade sísmica e os ciberataques. Será financiada em 37 % pelo orçamento do Estado, representando o financiamento privado 34 % do total e os fundos europeus cobrirão 19 %. O plano foi lançado na sequência das fortes tempestades que atingiram a região central do continente português em janeiro e fevereiro, causando prejuízos estimados em 5,3 mil milhões de euros, e de uma falha de energia devastadora em Espanha e Portugal há exatamente um ano. Fonte.

"A operação foi de propaganda primária (...). Montenegro apresentou como novidade aquilo que já fora anunciado tantas vezes desde os efeitos das tempestades de há dois meses. Prometeu apoios, proclamou investimentos, garantiu transformações. Tudo muito bonito em powerpoint, tudo muito convincente em slides bem desenhados, tudo muito impressionante em gráficos coloridos. E tudo completamente desligado da realidade que as pessoas vivem. Porque na realidade (...) não há nenhuns apoios efetivos às pessoas e às empresas para reerguerem as suas vidas. Os que perderam casas continuam sem saber como as reconstruir. Os que viram negócios destruídos continuam sem apoio concreto. Os que ficaram sem nada continuam com nada. E as seguradoras fazem aquilo que muito bem sabem: rápidas a cobrarem os prémios dos seguros, especialistas em encontrar cláusulas que lhes permitem escusar-se a indemnizar os clientes quando estes se veem sinistrados (...). Mas o cúmulo da desfaçatez — aquilo que transformou conferência de imprensa em farsa inqualificável — foi Montenegro recusar-se a responder a qualquer pergunta dos jornalistas. (...) Chamou os ministros. E ali, perante jornalistas atónitos e uma nação que assistia incrédula, obrigou-os a cantar em coro o hino nacional. Coisa nunca vista. Nunca. Em décadas de democracia portuguesa, em centenas de conferências de imprensa, em milhares de momentos de comunicação governamental — nunca se tinha visto tamanha instrumentalização patética de um símbolo nacional para fugir a perguntas incómodas. É a expressão de um nacionalismo serôdio que, como bem se sabe desde Samuel Johnson, costuma ser o último refúgio dos canalhas. Quando não tens argumentos, agitas a bandeira. Quando não tens respostas, cantas o hino. Quando não tens competência para governar, escondes-te atrás de símbolos pátrios como se isso compensasse a tua mediocridade. (...) quando um primeiro-ministro precisa de transformar conferência de imprensa em número de circo, quando tem de obrigar ministros a cantar o hino para evitar responder a jornalistas, quando substitui prestação de contas por teatralização patriótica — é porque já não tem nada de substancial para dizer. É patético. Mas é também perigoso. Porque este tipo de nacionalismo performativo — esse que substitui governação por símbolos, que troca políticas por folclore, que esconde incompetência atrás de pátria — é o mesmo que historicamente sempre antecedeu derivas autoritárias Não que Montenegro seja fascista. Não é. É apenas incompetente e desesperado. Mas a incompetência desesperada que recorre a nacionalismo barato para se legitimar cria condições para que verdadeiros autoritários — esses sim, como Ventura — se apresentem como alternativa credível. (...) aquilo não foi conferência de imprensa de um Governo que governa. Foi o canto do cisne de quem já sabe que está a afundar-se e tenta disfarçar o naufrágio com hinos e bandeiras. Não resultará. Nunca resulta. Mas pelo menos ficará registado para a História: o dia em que um primeiro-ministro português, incapaz de responder a jornalistas, transformou uma conferência de imprensa em sessão de karaoke patriótico."  Jorge Rocha, Ventos semeados.

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