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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Índia: Covid-19 mata mais em Bhopal

  • A Eletricé de France e o grupo chinês General Nuclear Power vão avançar na construção de uma central nuclear em Bradwell-on-Sea, em frente da Reserva Natural do Estuário de Blackwater, na costa do Essex. A consulta pública está a ser menosprezada. The Ecologist.
  • No norte da Itália, o glaciar Presena perdeu mais de um terço do seu volume desde 1993. Quando a temporada de esqui terminar, os conservacionistas vão tentar impedir que derreta usando lonas brancas que bloqueiam os raios do sol. Terra Daily.
  • Antártica perdeu 1 milhão de km2 de gelo em cinco anos, titula a ClimaInfo.
  • Os sobreviventes da tragédia da fuga de gás de 1984 em em Bhopal, Índia, afirmam-se desproporcionalmente vítimas do coronavírus por representarem 75% das mortes por Covid-19. Numa uma carta ao ministro-chefe de Madhya Pradesh, Shivraj Singh Chouhan, eles dizem que os expostos ao isocianato de metila tóxico por ocasião da fuga de gás de pesticidas da Union Carbide sofrem agora o impacto da epidemia de maneira severa. As mortes entre os sobreviventes da fuga de gás causados pelo novo coronavírus mostram que, mesmo 35 anos depois do pior desastre industrial do mundo, a sua condição médica é tão frágil, sofrendo danos permanentes devido à referida exposição. Vivek Trivedi, in News18. Ler o que Suketu Mehta, abaixo citado em Bico calado, escreve sobre o «acidente» de Bhopal.
  • plantas nas florestas tropicais que conseguem mascarar os seus aromas químicos para evitar serem detetadas e comidas por insetos, sugere uma investigação de peritos europeus e norte-americanos. AFP/Science.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Bélgica: Valória e Bruxelas rejeitam plano para enterrar resíduos nucleares em furos profundos

  • A Valónia e a região de Bruxelas rejeitaram a ideia de enterrar resíduos nucleares em furos profundos, solicitando à ONDRAF alternativas para uma solução reversível e controlável. "A posição é, portanto, abandonar o projeto de descarte em poços profundos e optar pelo chamado enterro subterrâneo. Esta posição foi reforçada por protestos de ativistas da Greenpeace Luxembourg junto da embaixada belga. Fontes: The Brussels Times e Chronicle.lu.
  • Em agosto passado, Donald Trump terá pedido às autoridades de segurança nacional que considerassem o uso de bombas nucleares para enfraquecer ou destruir furacões. Agora, um membro do Congresso quer tornar ilegal a concretização dessa ideia ineficaz e extremamente perigosa. Sylvia Garcia, representante democrata do Texas, apresentou ao Congresso um projeto de lei que proíbe explicitamente o presidente, juntamente com qualquer outra agência ou autoridade federal, de empregar uma bomba nuclear ou outra arma estratégica com o objetivo de alterar os padrões climáticos ou abordar as alterações climáticas. The Independent.
  • O Brasil aprovou um plano para concluir o  seu terceiro reator nuclear Angra 3, com ou sem parceria para ingressar na Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras que opera as outras duas centrais. A Eletrobras, estatal, precisa de um parceiro privado para a ajudar a finalizar o reator de 1.400 megawatts iniciado em 2010. Os possíveis candidatos incluem empresas da China, Rússia, França e Coreia do Sul. Reuters.
  • Esforços para minar a ciência das alterações climáticas no governo federal, outrora orquestrados em grande parte pelos comissários nomeados por Trump, são cada vez mais conduzidos por chefias intermédias que tentam proteger os seus empregos e orçamentos e desconfiam do escrutínio de altos funcionários, admite uma investigação de Lisa Friedman publicada no NYTimes.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Arménia aplica 60% de empréstimo russo na modernização da central nuclear de Metsamor

  • O governo da Arménia vai aplicar apenas 60% de um empréstimo russo de 270 milhões de dólares destinado a financiar a modernização em curso da sua central nuclear de Metsamor. O único reator em funcionamento funciona desde 1980, devia ter sido desativado em 2017, mas a sua vida foi prolongada por 10 anos. RFERL.
  • Numa investigação de três anos, o Toronto Citizen Lab desmascarou a ação de um grupo de piratas informáticos que espiou milhares de indivíduos e centenas de instituições. O “Dark Basin” dedicava especial atenção à campanha de denúncia do papel da ExxonMobil nas alterações climáticas. Esquerda.

sábado, 6 de junho de 2020

Reflexão - «A crise climática é racista. A resposta é anti-racismo»


A crise climática é racista. A resposta é anti-racismo, escreve Eric Holthaus, no The Correspondent.

Em Minneapolis, a indignação é principalmente sobre desigualdade. Desde os primórdios desta cidade, ela foi dividida em linhas raciais, começando com a expulsão e extermínio do povo Anishinaabe, cuja terra ainda ocupamos. 
Há cem anos, depois da Grande Depressão, bancos e autoridades da cidade mantiveram um sistema racista de redefinição de linhas e criaram bairros inteiros onde casas e empresas não podiam solicitar empréstimos e onde ainda hoje persiste a pobreza. As escolas em Minnesota têm um dos piores desempenhos em todo o país.
A crise climática é racista porque o sistema que a causou é racista. As tempestades não se importam com a cor da pele, mas o agravamento do clima em todo o mundo agrava as divisões da sociedade que já existem porque atinge mais as pessoas de cor que vivem na pobreza. Simplificando: a razão pela qual o mundo não está empenhado a combater a crise climática é porque pessoas poderosas não querem parar de explorar pessoas de cor. A urgência da crise climática também é uma urgência para a justiça racial.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Coimbra: universidade descobre nematodicida para combate de parasitas da batata e do tomateiro

  • Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta e do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra descobriu uma forma de valorizar os resíduos resultantes do processamento do fruto da nogueira, que atualmente não têm qualquer aproveitamento, através da extração de compostos com efeito nematodicida, isto é, para o controlo de nemátodes parasitas de plantas que afetam uma ampla gama de espécies economicamente importantes, causando elevadas perdas ao nível da produção. «Os compostos ativos identificados no extrato foram testados diretamente em dois tipos de nemátodes fitoparasitas que afetam as culturas do tomateiro e da batateira, nemátodes das galhas radiculares e das lesões radiculares. Ao fim de 72 horas, um dos compostos tinha eliminado mais de 40% dos nemátodes, sem afetar os organismos não alvo do solo e as plantas», dizem os investigadores.
  • O Banco Central Europeu e o Banco Europeu de Investimento estão a financiar grandes empresas, seguindo procedimentos pouco claros, depois de expandir seu programa de compra de títulos corporativos. Esses procedimentos não tomam em consideração critérios sociais, ambientais ou climáticos, conclui pesquisa de Nicola Scherer e Alfonso Pérez, na Crític.
  • Os ambientalistas da West Virginia Highlands Conservancy, da Ohio Valley Environmental Coalition e do Sierra Club vão processar o Departamento de Proteção Ambiental da West Virginia por não ter reforçado o orçamento para a limpeza e descontaminação de uma mina desativada e abandonada pela Patriot Coal Corp após declaração de falência. AP.
  • Um novo relatório de Friends of the Earth USA revela que as grandes petrolíferas estão a usar a atual pandemia da covid-19 para fazer lóbino sentido de mudar a legislação a seu favor. Os ambientalistas analisaram mais de 100 registos de interações entre políticos e empresas, constatando que várias empresas e organizações de empregadores buscaram (e muitas vezes alcançaram) incentivos fiscais e outros benefícios nos primeiros três meses de 2020. Via Andrea Germanos, Common Dreams.
  • O governo australiano está silenciosamente a apagar anos de proteção ambiental ao abrigo da Covid. A sua Comissão Covid (NCCC) está repleta de executivos dos lóbis de mineração e gás. Sandi Keane investiga, na Michael West Media.
  • Estes vídeo clips não enganam: a propaganda das candidaturas dos Democratas e dos Republicanos parecem ter-se conluiado numa campanha contra a China e os chineses.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

200 personalidades apelam aos líderes mundiais para que introduzam mudanças profundas nos estilos de vida e consumo

  • Um grupo de 16 jovens ativistas, entre os quais Greta Thunberg, avançou com uma queixa às Nações Unidas contra a França, Alemanha, Brasil, Turquia e Argentina por não respeitarem o seu direito ao ar limpo e a um clima seguro. The Guardian.
  • Duzentas personalidades, entre as quais Madonna, Robert De Niro e Juliette Binoche, apelaram aos líderes mundiais para que introduzam mudanças profundas nos estilos de vida e consumo, em consequência da crise causada pela covid-19. No manifesto, os subscritores defendem que a atual catástrofe ecológica é uma meta-crise, porque a extinção em massa da vida na Terra já não está em dúvida e todos os indicadores apontam para uma ameaça existencial direta. Os subscritores chamam a atenção para o ponto de rutura que o mundo está a atingir, fruto da poluição, do aquecimento global, da destruição dos espaços naturais e de um consumismo que levou a humanidade a negar a própria vida: a das plantas, dos animais e de um grande número de seres humanos. Le Monde.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Reflexão – Investimento público verde precisa-se


Programas massivos de investimento público verde seriam a maneira mais económica de revitalizar economias atingidas pela covid-19 e dar um golpe decisivo contra a crise climática, defendem os principais economistas dos EUA e do Reino Unido.

Os autores analisaram mais de 700 políticas de estímulo económico lançadas durante ou desde a crise financeira de 2008 e consultaram 231 especialistas de 53 países, incluindo altos funcionários das finanças e de bancos centrais.
Os resultados sugerem que projetos ecológicos, como o aumento de energia renovável ou eficiência energética, criam mais empregos, geram retornos mais altos a curto prazo e levam a uma maior economia de custos a longo prazo em relação às medidas de estímulo tradicionais.
Até agora, os governos concentraram-se no alívio económico de emergência, uma vez que se estima que 81% da força de trabalho mundial tenha sido atingida por bloqueios totais ou parciais. Porém, à medida que os governos passam do modo de “resgate” para o “modo de recuperação”, os autores identificam setores que poderiam proporcionar retornos particularmente fortes não só recuperando economias, mas também criando empregos e avançando nas metas climáticas.
Os países industrializados devem concentrar-se no apoio a "infraestruturas físicas limpas", como centrais eólicas ou solares, atualizar redes elétricas ou aumentar o uso do hidrogénio.
O estudo recomenda ainda reformas para melhorar a eficiência energética dos edifícios, educação e formação, projetos para restaurar ou preservar ecossistemas e investigação em tecnologias limpas.
O apoio aos agricultores no investimento em agricultura ecológica lidera as sugestões para os países pobres. 
Matthew Green, Reuters.

terça-feira, 5 de maio de 2020

País Basco: 400 cientistas lançam manifesto por uma economia ecológica

  • A judiciária francesa monitorizou massivamente os ativistas antinucleares de Bure, revela uma investigação de Marie Barbier e Jade Lindgaard, publicada pela Reporterre. A polícia usou o Analyst’s notebook, software da IBM para visualizar as ligações entre ativistas contra a instalação de um cemitério nuclear em Cigeo, perto de Bure. 
  • No Reino Unido, pede-se a paragem das centrais eólicas e solares de modo a evitar graves problemas nas redes elétricas devido à acumulação excessiva de energia que não consegue ser escoada. Porque não se param as centrais fósseis?
  • «Sabemos que a emergência climática é um desafio que não podemos ignorar mais. Vamos criar um exército de trabalhadores carbono zero, treinar e relançando aqueles que não podem trabalhar em alguns setores, desde o isolamento doméstico ao fabrico de turbinas eólicas e plantação de árvores.» Ed Miliband, regressado ao Partido Trabalhista para exercer o cargo de ministro-sombra para a indústria, a energia e o clima, no The Guardian.
  • Mais de 22 mil suíços assinaram uma petição exigindo que o apoio a empresas de setores com grandes emissões de gases de efeito estufa, como a aviação, promova a redução do seu impacto ambiental. Reuters.
  • O National Trust foi forçado a suspender os seus projetos de limpeza de rios e o seu programa de plantação de árvores está em risco após ter visto o subsídio 200 milhões de libras ser desviado para acudir os problemas causados pela covid-19. Hilary McGrady, diretora-geral do National Trust, diz que são necessárias soluções urgentes e mais criativas para a crise climática. «Mais árvores e rios naturalizados podem ajudar-nos a lidar melhor com as inundações devastadoras e financeiramente desastrosas sofridas em grandes zonas do país este ano - um problema que não desaparecerá», avisa. MSN.
  • Uma plataforma de 17 estados de tendência democrata processou a administração Trump para reverter as proteções do governo Obama para as vias navegáveis, argumentando que a medida ignora a ciência sobre a interconectividade da água. «A nova legislação abre as portas a mais e pior poluição da indústria que põe em risco a nossa vida selvagem, suja a nossa água potável e aumenta o risco de contaminação das vias navegáveis do nosso país», disse o procurador geral da Califórnia Xavier Becerra. The Hill.
  • O rio Iguaçu está com cerca de 13% do seu caudal nas proximidades das cataratas, deixando-as quase secas. O rio Paraná está no nível mais baixo dos últimos 50 anos, apesar de ser alimentado pelos rios de Minas e São Paulo que estão bastante cheios. Há navios encalhados e a central de Itaipu está a gerando metade da energia que gera normalmente fora do período seco. No Rio Grande do Sul, 70% dos municípios sofrem com a seca. Do outro lado da fronteira, as autoridades argentinas começam a ficar preocupadas. Célia Mello, in ClimaInfo.
  • O governo australiano orçamentou 300 milhões de dólares para alavancar projetos de hidrogénio com a ajuda de financiamento de baixo custo, já que o país pretende criar a indústria até 2030. Reuters.

sábado, 2 de maio de 2020

Reflexão – Quem é Naomi Seibt?


Conheça a anti Greta Thunberg, ou como fundos da extrema-direita norte-americana usam uma adolescente alemã para difundir informações erradas sobre a crise climática.

Naomi Seibt aderiu ao Heartland Institute (Centro Arthur B. Robinson de Políticas Ambientais e Ambientais) em fevereiro de 2020 para divulgar a sua mensagem.
O Heartland Institute é um dos grupos de negação da ciência climática mais notórios dos EUA e é financiado pela ExxonMobil e outras grandes fundações conservadoras. A maior parte do rendimento da Heartland vem do Donors Capital Fund e da sua filial irmã DonorsTrust, dois grupos descritos como o "multibanco do movimento conservador" pela sua capacidade de ocultar a identidade dos doadores.
Embora Seibt tenha negado ser membro do grupo de extrema-direita Alternative for Germany (AfD), investigações do britânico The Independent sugerem que ela é membro da ala juvenil do partido, tendo Seibt participado em eventos administrados do AfD, enquanto a sua mãe é uma advogada que representou políticos do AfD no passado.
A Young Alternative for Germany (alemão: Junge Alternative für Deutschland ou JA), apresentou Seibt como membro numa publicação no Facebook de 9 de junho de 2019. A Alternativa Jovem para a Alemanha foi descrita como a ala jovem da AfD.
"Minha posição sobre isso é não, as emissões de CO2 não são realmente prejudiciais ao planeta", afirmou Seibt numa entrevista à Fox, citada pela Media Matters.

sábado, 25 de abril de 2020

Espanha: Repsol arranca com a sua primeira central fotovoltaica

  • A Repsol acaba de anunciar que iniciou as obras do seu primeiro parque fotovoltaico, chamado Kappa, localizado no município de Manzanares, em Ciudad Real. A central terá uma potência total de geração de 126 megawatts, devendo começar a produzir eletricidade no início do próximo ano. Energías Renovables.
  • O ministro dinamarquês do Clima, Energia e Serviços Públicos, Dan Jørgensen, e o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, exploram a promessa de transições de energia limpa para «reacender os motores do crescimento económico» em todo o mundo. Consideram que, embora as emissões devam cair este ano, isso «não será nada para comemorar» e deve ser acompanhado por mudanças estruturais que garantam reduções a longo prazo. Ambos identificam três importantes ações de recuperação que, segundo eles, são vitais para garantir uma transição efetiva de energia limpa pós-pandémica: aplicação de uma agenda ambiciosa para a criação de empregos e objetivos climáticos, liderança do setor público no investimento em energia limpa e colocação da eficiência energética, energias renováveis e armazenamento de baterias no centro do processo de recuperação.
  • Os resgates pós-coronavírus devem contribuir para transferir a economia da sua dependência irracional do petróleo para um futuro mais verde, defende Achim Steiner, diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, citado pela CHN. Steiner considera que a queda nos preços de referência do petróleo nos EUA para menos de US $40 o barril reforça a necessidade de quebrar a dependência de combustíveis fósseis e passar a energias mais verdes, como a energia solar e a eólica. «O facto de a força vital de nossa economia nos últimos 100 anos ter dependido de uma substância cujo preço oscila em alguns meses em 200%, às vezes 300% é em si mesmo uma ilustração de quão irracional a nossa energia se tornou», afirmou.
  • A Greenpeace está a levar a luta contra a extração de petróleo do Ártico ao supremo tribunal da Noruega, após dois outros tribunais terem rejeitado pedidos de proibição. Juntamente com a Nature & Youth, a filial norueguesa de Friends of the Earth, o grupo argumenta desde 2016 que a perfuração de petróleo no Ártico viola o direito constitucional a um ambiente saudável para as gerações futuras. CHN.
  • Suspeita-se que milicianos hutus mataram 16 pessoas, incluindo 12 guardas florestais, no parque nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, reporta o The Guardian.
  • Dois senadores democratas nos EUA pediram à Reserva Federal dos EUA para rejeitar um pedido do setor de energia de usar o financiamento de um sistema de empréstimos emergenciais de US $ 600 bilhões para ajudar a pagar as suas dívidas. Eles alertam que seria «um mau uso míope dos recursos dos contribuintes» e que sustentar a indústria de combustíveis fósseis «apenas aumentaria o custo financeiro da crise climática e a degradação ambiental que provocou». Reuters.
  • Um artigo no New York Times refere um efeito colateral da pandemia de coronavírus: os impactos económicos vão obrigar cidades e estados dos EUA a redirecionar dinheiro para projetos de resiliência climática. Por exemplo, San Francisco, Miami Beach e New York irão adiar projetos como paredões devido à redução drástica da receita tributária e o aumento da a pressão nos serviços de emergência. O artigo observa preocupações de alguns setores de que as decisões para cortar o financiamento deixarão as cidades vulneráveis com Laura Lightbody, chefe do projeto de comunidades preparadas para enchentes do Pew Charitable Trusts, afirmando: “Desastres naturais não vão esperar até que esta pandemia termine seu curso ”.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Reflexão - Kate Marvel, cientista do Clima, sente-se zangada


«Já ouvi isto várias vezes, de um jornalista, de um amigo da família, de um vizinho: você deve estar feliz com tudo isto. A implicação é que, como sou cientista do Clima, tenho que me sentir entusiasmada com este período de redução da atividade económica e das emissões de gases de efeito de estufa. 
A Terra está a curar-se, dizem eles. A natureza voltou. Não estou feliz por isso?
Amigos, definitivamente não estou feliz. Nem estou triste. Estou, acima de tudo, zangada.
Estou zangada com a ideia de se dizer que vai ficar tudo bem. Não vai. O dióxido de carbono tem uma vida tão longa na atmosfera que uma pequena redução nas emissões será inócua contra o seu enorme desde o início da Revolução Industrial. (…)
Estou zangada com os políticos por terem criado este sistema. Estou zangada porque eles ignoraram os cientistas e colocaram as suas próprias carreiras ou os seus bolsos à frente da sobrevivência dos seus cidadãos. (…)
Também estou zangada com os cientistas, ou pelo menos com as instituições que os empregam. Estou zangada com uma cultura de precariedade e medo que torna os cientistas tímidos, obedientes e relutantes em dizer a verdade ao poder. Fico zangada pelo facto de que dizer a verdade a alguém, poderoso ou não, seja desencorajado, a menos que resulte numa publicação, bolsa ou outra recompensa que enriqueça o currículo. Como podem os cientistas ser ouvidos se estamos com muito medo de levantar a voz?
Mas, acima de tudo, estou zangada com a implicação de que "nós" somos culpados. Há uma narrativa má, mas persistente, de que a crise climática e as pandemias são causadas não por gases de efeito de estufa e de vírus, mas pela natureza humana. Somos ávidos por comida, abrigo, aventura, autorrealização, contato humano e - diz essa narrativa – temos que ser punidos pelos nossos pecados. 
Mas a situação atual - morte, pobreza, solidão - é um plano ineficaz para soluções climáticas. Nunca seríamos capazes de sacrificar o nosso caminho para sair da crise climática, especialmente não às costas das pessoas que historicamente fizeram a maior parte do sacrifício. Há um sistema entrincheirado que extrai o CO2 do solo e o bombeia para a atmosfera, um sistema que resulta não da maldade humana inerente, mas das escolhas de alguns humanos com poder. Confrontar esse sistema vai dar trabalho. Precisamos de construir coisas: turbinas eólicas, painéis solares, transportes públicos, cidades mais densas, sociedades mais justas. Não precisamos de purificação. Não precisamos de absolvição. Nós precisamos de trabalhar. (…)» 

I Am a Mad Scientist, por Kate Marvel, cientista do Clima no 
 NASA Goddard Institute for Space Studies e na Columbia University. 


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Covid-19 - 5 truques dos lóbis para atacar legislação ambiental europeia

  • A Câmara de Pombal quer reforçar pagamentos às Juntas de Freguesia pela gestão de faixas de combustível: de 750 para 800€/hectare, com bonificação em 400€/hectare quando haja lugar a abate de árvores em faixas de gestão de combustível nos 10 metros paralelos à rede viárias (extensão mínima de 500 metros lineares).
  • Os esforços do Reino Unido para reduzir os gases do efeito estufa estão a ser prejudicados pela falta de implementação de políticas climáticas que cobrem bens importados, conclui um estudo da WWF. The Guardian.
  • 5 truques dos lóbis para, à sombra do covid-19, atacar legislação ambiental europeia, segundo Anton Lazarus, in META/EEB. (a) O lóbi do agronegócio, pedindo para adiar estratégias cruciais de alimentos, agricultura e natureza. Infelizmente teve sucesso: a Comissão Europeia confirmou esta semana que as estratégias potencialmente transformadoras de 'Farm to Fork' e Biodiversidade não serão entregues no final deste mês, como previsto anteriormente. Uma vez publicadas e implementadas, as duas estratégias poderiam transformar o interior da Europa, reservando 10% de todas as terras para a natureza, impulsionando uma abordagem ecológica da agricultura e protegendo legalmente 30% de todas as terras e mar da Europa; (b) O lóbi do plástico, criando confusão para defender os garfos de plástico; (c) O lóbi dos produtos químicos, desejando uma suspensão de seis meses sobre a transparência tóxica; (d) O lóbi do automóvel, pedindo para travar a segurança no trânsito, as emissões e as regras ambientais; (e) Europa dos Negócios: talvez o pedido de adiamento mais abrangente seja do grupo industrial "Business Europe", que descreve as regulamentações climáticas e ambientais como "não essenciais".
  • Que futuro para a incineração numa economia circular moderna? O NABU investigou e sugere uma resposta. O estudo prevê que cerca de 50 das 66 instalações de incineração de resíduos precisarão de ser modernizadas até 2030. Em três cenários, o estudo mostra como as capacidades de incineração de resíduos podem ser reduzidas de 26,3 milhões para 17 milhões de toneladas. O estudo sugere várias medidas que ajudarão a impulsionar a transição para a circularidade na Alemanha: metas vinculativas de redução de resíduos, metas mínimas de conteúdo reciclado para produtores, esquemas de pagamento por conforme os resíduos descartados e conceitos regionais para reduzir as capacidades de incineração que precisam de modernização.
  • Não haverá produtos Classe A quando o novo rótulo for lançado nas lojas, o que acontecerá no próximo ano. A intenção da Comissão Europeia é deixar a Classe A vazia, para dar espaço para as inovações e o desenvolvimento tecnológico do futuro. Os produtos mais eficientes atualmente rotulados como A +++ corresponderão às novas classes B ou C. Energía Renovables.
  • Na Coreia do Sul, a recente vitória de Moon Jae poderá facilitar a concretização de um vasto programa de combate à crise climática prometido no seu manifesto eleitoral. Fontes: Bloomberg e Carbon Brief.

Reflexão - Singela homenagem a Luis Sepúlveda (4out1949-16abr2020)


«O desprendimento de blocos de gelo, as quedas no meio de um rugido tão antigo como o planeta, faziam parte da vida natural de algo que se deveria chamar Grande Parque Natural da Patagónia, da Terra do Fogo e da Antárctica, de algo que teria de ser necessariamente património de toda a humanidade, como também o deveriam ser as grandes florestas tropicais, e que hoje se encontram à mercê da voracidade do mercado. — Agora — assinala Victor - chegam cá milhares de turistas para ver como caem cada vez mais blocos de gelo, como os glaciares desaparecem, e vêm alegremente para atestar a morte destas paisagens. Meu amigo, hoje paga-se para ser testemunha da morte do mundo. (…)
Uma empresa espanhola planeia a construção de barragens na Patagónia, ou seja, desviar, conter, alterar o curso dos rios que nascem dos degelos cada vez maiores. Um turismo que não considere a fragilidade da região também é responsável pela deterioração ambiental, porque, em menos de dez anos, aumentar cem vezes a navegação pelas águas que delimitam o Glaciar de San Rafael, para que alguns afortunados possam ir de barco pneumático beber um whisky com um pedaço de glaciar no copo, não é uma maneira responsável de promover as belezas da região. A Patagónia, a Terra do Fogo, os confins de Fin del Mundo estão em perigo. Uma visão irracional do progresso e do desenvolvimento sustentado, a que se acrescenta um turismo irresponsável, fazem destes territórios extremos lugares condenados.»

Luis Sepúlveda, Plataforma Larsen B – in histórias daqui e dali, Porto Editora 2010

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Reflexão - Elevar metas para combater a crise climática trará benefícios económicos

Pico, Açores. Foto: Rui Soares.

Um novo estudo publicado na Nature Communications mostra que todos os países beneficiarão economicamente até o final do século se elevarem as suas metas para combater a crise climática. 

Segundo o estudo, uma estratégia prospetiva de autopreservação resultaria em elevados benefícios económicos globais totais até 2100. Por outro lado, se os países não cumprirem as suas metas de emissões existentes, as perdas totais poderão atingir somas avultadas. 
Os altos custos iniciais significariam que alguns países e regiões desenvolvidos, incluindo EUA, Rússia, Japão e UE, podem não obter benefícios económicos líquidos até depois de 2080. Países particularmente vulneráveis à crise climática, incluindo Etiópia, Argélia, Colômbia e Venezuela, podem chegar ao ponto de equilíbrio até 2030. 

«Se os países estiverem bem cientes das enormes perdas que sofrerão se não reduzirem as emissões, serão mais racionais ao fazer escolhas que os protejam, aumentando assim a  sua resposta à crise climática e dirigindo o processo global de governança climática», sublinha Biying Yu, coordenador do estudo.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Ribeiras: Programa de reabilitação de leitos e margens cobre 5.000 Km de linhas de água em 16 concelhos

Distribuição geográfica das intervenções nas ribeiras (APA/Público)
  • O Ministério do Ambiente vai avançar com um programa de reabilitação de leitos e margens de ribeiras que deverá abranger cinco mil quilómetros de linhas de água e um investimento global de 75 milhões de euros, ao longo dos próximos anos. O programa alarga a intervenção feita logo após os incêndios de Pedrógão, em 2017, que deixaram muitas encostas despidas de vegetação, o que propicia a degradação dos cursos de água nos vales. Aquela intervenções abrangeram 591 quilómetros de linhas de água, mas beneficiaram uma extensão maior de ribeiras: 975 quilómetros. Nessas zonas foram feitos trabalhos em mais de 1100 passagens hidráulicas, em dezenas de açudes e pontões, recorrendo sempre a materiais enquadrados com o espaço natural do local. O objetivo foi garantir o escoamento das linhas de água, minimizar a erosão e o arrastamento de solo e reduzir o efeito das cheias e inundações. Assim, a reconstituição da vegetação nas margens permitiu um maior sombreamento das ribeiras e, com isso, uma melhoria da qualidade da água. “E uma boa galeria ripícola é um excelente corta-fogo”, acrescenta o ministro Matos Fernandes. O programa agora lançado vai intervir em 16 concelhos, localizados em Braga, Fafe, Macedo de Cavaleiros, Castelo de Paiva, Vagos, Seia, Almeida, Pinhel, Guarda, Marinha Grande, Penela, Sertã, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra, Pedrógão Grande e Pampilhosa da Serra. Público.
  • 45 ativistas ambientais foram encaminhados para o programa antiterrorismo do Ministério do Interior do Reino Unido. Organismos públicos, como municípios, escolas e universidades, têm o dever de reportar o programa Prevent sempre que consideram que uma pessoa está em risco de radicalização. Pelo menos 45 ativistas foram encaminhados para o programa Prevent por extremismo ambiental entre abril de 2016 e março do ano passado. Quando as pessoas são encaminhadas para o Prevent, a polícia avalia se elas precisam ou não de uma intervenção mais abrangente através de um programa chamado Channel. Pelo menos um ativista ambiental precisou desta intervenção, diz o O Ministério do Interior. O programa Prevent foi criado em 2003. The Times. Segundo a página da Polícia do Essex, os sinais de uma pessoa em vias de se radicalizar são os seguintes, e, como tal, devem ser reportados: «alguém numa fase de transição em sua vida, talvez saindo ou começando a faculdade, ou mudando de emprego, procurando encontrar uma identidade, um sentimento de pertença, status ou emoção; alguém suscetível de ser influenciado ou controlado, ou que quer dominar outras pessoas; alguém com sentimentos de queixa, injustiça ou que se sente ameaçado, com forte desejo de mudança política ou moral, alguém que esconda os seus contatos nas redes sociais».
  • Adán Vez Lira foi o terceiro ambientalista assassinado no México este ano. Vez Lira era um defensor e organizador de longa data da reserva de observação de aves de La Mancha, em Actopan, e adversário do licenciamento de minas na região. No final de março, Isaac Medardo Herrera, também foi assassinado. Era advogado e adversário de um empreendimento imobiliário em Los Venados, uma zona sensível de interesse florestal prevista para ser integrada numa reserva natural. Em 2019 foram assassinados 15 defensores de terras no México, segundo o Mexican Center for Environmental Rights. AP.
  • A Agência de Proteção Ambiental dos EUA anunciou que os agricultores de soja em 25 estados já podem pulverizar o pesticida isoxaflutol, comercializado pela alemã BASF com a marca Alite 27. ESte mesmo pesticida era até ao momento considerado, pela mesma agência, potencial responsável pelo cancro. Via Investigate Midwest.
  • A China poderá adiar a apresentação dos seus planos climáticos pelo menos até depois das eleições presidenciais dos EUA em novembro, uma vez que as autoridades se concentra em reanimar a economia de uma desaceleração sem precedentes. CCN.
  • O problema da água potável em Cabo Verde. Uma estação de dessalinização produz água potável apenas para os hotéis, para os turistas. O outro lado do paraíso, episódio 7, 14abr2020 - RTP2.

Reflexão – É urgente o povo aprender engenharia climática


Pois é. A manipulação do clima, através da pulverização dos céus através de chemtrails, por exemplo, não só deixou de ser produto de agentes das teorias da conspiração, como também, e sobretudo, é facto consumado. 
O problema é que o povo parece não mostrar interesse pela tecnologia até agora mantida no segredo das grandes potências mundiais. E, por isso, é urgente instruí-lo convenientemente. 
Um novo estudo fornece medições quantitativas da perceção pública das «abordagens de engenharia climática» nas populações do Reino Unido, EUA, Austrália e Nova Zelândia.

Os resultados mostram que o público nos quatro países «continua tendo pouco conhecimento de engenharia climática», afirmam os investigadores, que acrescentam: «Todas as abordagens são consideradas desfavoráveis, embora menos em relação à remoção de dióxido de carbono do que à gestão da radiação solar». 
Os resultados indicam que «as tentativas de envolver o público com a engenharia climática sofreram poucas mudanças ao longo do tempo e, consequentemente, há uma urgência crescente em facilitar a deliberação cuidadosa do cidadão, usando informações objetivas e instrutivas sobre a engenharia climática». 

domingo, 12 de abril de 2020

França e Alemanha subscrevem Acordo Verde

  • Paris e Berlim adicionaram os seus nomes a uma lista de capitais da UE solicitando a colocação do Acordo Verde Europeu no centro do plano de recuperação da UE pós-pandemia. «O Acordo Verde fornece-nos um roteiro para fazer as escolhas certas na resposta à crise económica, enquanto transforma a Europa numa economia sustentável e neutra em termos climáticos» dizem ps ministros no documento que subscreveram. EurActiv.
  • O atual panorama da energia nuclear a nível global não é o melhor. Nos EUA, a queda da procura e a subida de preços da eletricidade gerada pelas centrais nucleares ameaça operaç~eos de manutenção aos reatores e há quem já tenha alertado as autoridades compertentes para a eventualidade de um desastre nuclear algures. Na Ucrânia, bombeiros reportam que os incêndios nos arredores de Chernobyl libertaram para a atmosfera elementos radioativos previamente presos no solo e nas plantas, fezendo com que os níveis de radiação na Zona de Exclusão de Chernobyl subissem 16 vezes em relação ao seu nível normal. Seis ocorrências de segurança foram registadas na nuclear de Hunterston relacionadas com os sistemas de resfrigeração, alimentando de máquinas e brechas no núcleo de grafite dos reatores. Prosseguem as obras da nuclear de Hinkley Point C, o que alarma as UK & Ireland Nuclear Free Local Authorities da sua oportunidade durante a pandemia do Covid-19.

sábado, 11 de abril de 2020

Suécia: o seu maior parque eólico começou a produzir energia

  • O maior parque eólico da Suécia começou a produzir energia este mês, provocando uma redução de 50% na produção de energia da central nuclear de Forsmark e à paragem do reator da central de Väröbacka. Energy Voice.
  • Vá plantar batatas, por Pedro Santos GuerreiroExpresso. Onde se equaciona a autossuficiência, a segurança e a soberania alimentar em Portugal.  Vagamente relacionado: O governo romeno decidiu proibir as exportações de trigo, milho, arroz, girassol e outros grãos, e ainda óleo vegetal, açúcar e vários produtos de panificação enquanto o estado de emergência da Covid-19 estiver em vigor. EurActiv.
  • O confinamento provocado pela Covid-19 impulsiona projetos de ciência cidadã: da contagem de pinguins ao mapeamento de painéis solares, as pessoas que ficam em casa durante a pandemia têm contribuído para a pesquisa sobre a crise climática, escreve Megan Darby, in CCN.
  • A Yichun Luming Mining Co Ltd, proprietária de uma barragem de rejeitos no nordeste da China que foi palco de um derrame que contaminou o sistema fluvial local, foi condenada a suspender a produção de molibdênio. O derrame contaminou a água ao longo de 110 km, colocando em risco o abastecimento de água local. Reuters.
  • Paradise, de John Prine (10out1946 – 7abr2020) é uma canção sobre uma cidade real que existia no Kentucky, muito perto de minas e de uma central a carvão. Publicada em 1971, a canção fala da destruição de Paradise levada a cabo pela gigante Peabody Energy após exaurir as minas de carvão, tudo em nome do progresso. Em "Paraíso", Prine imagina a sua própria morte, pedindo que as lancem as suas cinzas rio Green, perto da antiga cidade, para poder estar «a meio caminho do céu, com o paraíso à espera». Depois de 1971, a devastação piorou. Dezenas de milhares de mineiros de carvão morreram de doenças pulmonares. Dharna Noor, in Gizmodo.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Reflexão - 'Deus perdoa sempre, nós perdoamos às vezes, mas a natureza nunca perdoa'


«Há uma expressão em espanhol que diz 'Deus perdoa sempre, nós perdoamos às vezes, mas a natureza nunca perdoa'. Não reagimos às catástrofes parciais. Quem é que fala agora nos incêndios na Austrália, ou se lembra que há 18 meses um barco podia atravessar o Pólo Norte porque os glaciares tinham derretido? Quem é que agora fala das inundações? Não sei se essas coisas representam a vingança da natureza, mas certamente são as respostas da natureza.» Papa Francisco à The Tablet.

Convém sublinhar que o Papa Francisco publicou, há 5 anos, uma encíclica papal sobre a crise climática, intitulada Cuidemos da Mãe Terra.

Apesar da sua importância global, a comoção inicial foi rapidamente esquecida
Até a insuspeitíssima McKinsey está preocupada e lança um alerta: «Compreender as semelhanças, as diferenças e as relações mais amplas entre pandemias e crise climática é um primeiro passo crítico para obter implicações práticas que informam as nossas ações». 

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Guarda-chuvas gigantes de betão podem parar ou desviar uma tempestade?

  • Mais de 250 sindicatos e organizações ambientais uniram-se na plataforma Stay Grounded e subscreveram uma carta aberta contra os planos dos governos de resgatar a indústria da aviação devido à crise do coronavírus. Exigem melhores condições de trabalho e uma redução nas emissões de gases de efeito de estufa. BBC.
  • Um grupo de engenheiros da Universidade de Princeton acha que guarda-chuvas gigantes de betão podem ajudar a desviar uma tempestade e minimizar os impactos da subida do nível das águas do mar. Os autores do estudo elaboraram desenhos para guarda-chuvas maciços feitos de placas de betão armado com quatro polegadas de espessura que se curvam para dentro ao longo de um eixo e para fora ao longo do outro. As estruturas propostas serviriam dois objetivos. Em dias de sol, as estruturas de 10 pés de altura podem fornecer sombra para os transeuntes. Durante uma tempestade, os sensores nas estruturas levariam automaticamente as suas partes superiores a inclinar-se para a frente, criando um paredão de 6 metros de altura para proteger a costa do aumento do nível da água. Os investigadores tiveram em conta os dados de tempestades dos furacões entre 1899 e 2012 ao longo da costa leste dos EUA. «Os paredões tendem a tornar-se obsoletos rapidamente, porque a subida do nível do mar é cada vez mais rápida», diz Daniel Aldana Cohen, sociólogo e diretor da Socio-Spatial Climate Collaborative, da Universidade da Pensilvânia. Devido à crise climática, o gelo está a derreter e os oceanos estão a aquecer, o que eleva o nível do mar. Ao mesmo tempo, a crise climática está a tornar as tempestades mais intensas. Estes efeitos combinados podem dificultar a proteção efetiva dos paredões. Quando são implantados, os paredões podem apresentar riscos. Se o mar subir mais alto do que as estruturas, a água poderá acumular-se atrás delas, com consequências mortais. E mesmo que elas consigam bloquear o mar com êxito, essa água ainda precisa de espaço para seguir viagem e inevitavelmente inundará outras zonas. Efeitos como esses causaram problemas durante o furacão Sandy em Staten Island, New York, recorda Aldana Cohen. "Muitos projetos que tinham uma qualidade de infraestrutura mais robusta acabaram a mandar água para o lado, provocando ainda mais inundações», afirma. «Este projeto, se o imaginarmos como uma defesa de uma praia, mesmo que seja bem-sucedido, vai provavelmente causar mais inundações ao lado. Aliás, como em New Orleans, quando aconteceu o Katrina, décadas e décadas de dragagem para ampliar os canais de navegação, tornaram a cidade nove vezes mais vulnerável à tempestade», lembrou. Dharna Noor, Gizmodo.
  • A Algoma Steel, a segunda maior fábrica de aço do Canadá, domina o cenário de Sault há mais de 100 anos. É a principal fonte de emprego local, mas expõe os siderúrgicos a contaminantes que causam cancro. Mas agora há um novo complexo industrial proposto para Sault: uma fábrica de ferrocromo que processará um mineral exclusivo chamado cromita encontrado no Anel de Fogo de Ontário. Esta ideia é fortemente contestada para aqueles que vivem do lado americano do rio St. Marys. Sabe-se que as fábricas de ferrocromo produzem um produto químico perigoso chamado cromo-6, o mesmo veneno tornado famoso pelo filme Erin Brockovich. Sault Ste. Marie, Michigan, já tem uma história preocupante no que diz respeito ao cromo-6, após se ter descoberto que uma fábrica de curtumes despejou os seus resíduos sem os tratar durante meio século. Uma grande reportagem da The Narwhal, em parceria com a Environmental Health News, explora a estranha realidade de Sault, como a fábrica de Algoma Steel obteve licebça especial para poluir acima dos limites estabelecidos e como a cidade cortejou a empresa Noront para instalar a nova fábrica de ferrocromo naquele sítio sem notificar o público ou obter o consentimento das tribos índias locais.