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quinta-feira, 25 de junho de 2020

Bico calado

  • Suketu Meta (10): «A City de Londres funciona de facto como como o maior paraíso fiscal do mundo. É uma corporação, com a sua própria constituição, uma entidade legal separada do resto de Londres e até do Reino Unido. Até a rainha Elizabeth, quando deseja entrar na cidade, é recebida na fronteira pelo “lord mayor”, que a envolve num ritual de entrada. A City de Londres tem um curioso sistema de votação, com cerca de 9.000 votos atribuídos aos seres humanos que lá vivem e mais do dobro deste número atribuído às empresas que se estabeleceram na milha quadrada. (…) Os países pobres perdem três vezes mais em paraísos fiscais do que os 125 mil milhões de dólares de ajudas que recebem. Há cerca de sessenta paraísos fiscais no mundo, a maioria deles controlados pelo Ocidente. O dinheiro contrabandeado da África Subsaariana para eles cresce 20% ao ano. Em 2011, os paraísos fiscais detinham US $ 4,4 triliões da riqueza de todos os países pobres. É uma riqueza que devia ser investida para cultivar, educar crianças e desenvolver cidades nos países pobres. Em vez disso, está no Luxemburgo e na City de Londres.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019.
  • «O Museu Americano de História Natural de Nova York anunciou que vai remover a sua famosa estátua do presidente Teddy Roosevelt da sua entrada. O presidente do museu sublinhou que a decisão foi tomada com base na "composição hierárquica" da estátua - Roosevelt está a cavalo, ladeado por um africano e um índio a pé - em vez de apenas retratar Roosevelt. O museu, cofundado pelo pai de Roosevelt, manterá o nome de Roosevelt np seu Salão Memorial Theodore Roosevelt, na Rotunda Theodore Roosevelt e no Parque Theodore Roosevelt. Isso sugere que os americanos ainda não se confrontaram com o lado negro da história de Roosevelt. Roosevelt nasceu em 1858 numa família rica de New York. Quando o seu pai morreu,  Roosevelt estudava em Harvard, ele herdou o equivalente hoje a cerca de US $ 3 milhões. Na casa dos vinte anos, Roosevelt investiu uma porcentagem significativa desse dinheiro em negócios de gado no oeste. Isso levou-o a passar grandes temporadas em Montana e nos Dakotas nos anos imediatamente antes de se tornarem estados em 1889. Durante esse período, Roosevelt desenvolveu uma atitude em relação aos índios americanos que pode ser descrita como genocida. Num discurso de 1886 em New York, ele declarou: “Não me custa pensar que o único bom índio é o índio morto, mas acredito que nove em cada dez são e não gostaria de investigar muito de perto o caso do décimo. O cowboy mais cruel tem mais princípios morais do que o índio médio. Peguem em trezentas famílias reles de New York e New Jersey, apoiem-as, durante cinquenta anos, numa ociosidade viciosa, e terão uma ideia do que são os índios. Impetuosos, vingativos, cruéis. Nesse mesmo ano, Roosevelt publicou um livro em que escreveu que “o chamado Massacre de Chivington ou Sandy Creek, apesar de certos detalhes mais questionáveis, foi, no fundo, uma ação justa e benéfica”. O massacre de Sand Creek tinha acontecido 22 anos antes no Território do Colorado, arrasando uma comunidade com mais de 100 pessoas das tribos de Cheyenne e Arapaho. Foi em todos os aspectos comparável ao massacre de My Lai durante a Guerra do Vietname. Nelson A. Miles, um oficial que viria a ser o principal general do Exército, escreveu nas suas memórias que "era talvez o crime mais sujo e injustificável dos anais da América". O ataque foi liderado pelo coronel John Chivington, que disse: “Vim matar índios. ... Matar e escalpelar tudo, grande e pequeno." Mais tarde, os soldados relataram que, depois de matar homens, mulheres e crianças, mutilaram os seus corpos para troféus. Um tenente afirmou numa investigação do Congresso que "ouvi dizer que os soldados do antílope branco tinham sido cortados para fazer um saco de tabaco". Num livro posterior, "The Winning of the West", [A conquista do Oeste] Roosevelt explicou que as ações dos EUA em relação aos índios americanos faziam parte do grande e nobre esforço do colonialismo europeu: "Todos os homens de pensamento sadio têm que rejeitar com desprezo a ideia de que estes continentes têm de ser reservados para o uso de tribos selvagens dispersas. (...) Felizmente que os homens duros, enérgicos e práticos que cumprem o duro trabalho pioneiro da civilização em terras bárbaras, não são propensos a falsos sentimentalismos. Essa gente tipo donas de casa são demasiado egoístas e indolentes, sem imaginação para entender a importância racial do trabalho que os seus irmãos pioneiros realizam em terras selvagens e distantes. (...) A mais justa de todas as guerras é uma guerra com selvagens. (...) Americanos e índios, Boers e Zulus, Cossacos e Tártaros, Neozelandezes e Maoris - em todos os casos, o vencedor, por mais horríveis que sejam muitos dos seus atos, lançou as bases da futura grandeza de um povo poderoso." Não é exagero considerar isto hitleriano. E, embora seja extremamente impopular dizer isto, o nazismo não foi apenas retoricamente semelhante ao colonialismo europeu, foi uma consequência disso e o seu ponto culminante lógico. Num discurso em 1928, Adolf Hitler já falava de maneira aprovadora sobre como os norte-americanos “abateram os milhões de Redskins [Índios], reduzindo-os para algumas centenas de milhares e agora mantêm os modestos restantes sob observação numa gaiola”. Em 1941, Hitler confidenciou a simpatizantes sobre os seus planos para "europeizar" a Rússia. Não eram apenas os alemães que fariam isso, disse, mas escandinavos e norte-americanos, "todos aqueles que têm um sentimento pela Europa". O mais importante era "encarar os nativos como Redskins". O que isto significa para as inúmeras celebrações de Roosevelt nos EUA depende de nós. Mas se agirmos honestamente, enfrentaremos um acerto de contas com algo ainda mais monumental do que a história da América.» Jon Schwarz, in As Teddy Roosevelt’s statue falls, let’s remembre how truly dark his histoty wasThe Intercept.
  • Trump assinou um projeto de lei atribuindo ao Congresso a capacidade de sancionar líderes chineses pela detenção em massa de uigures e outras minorias. Mas esta votação histórica foi ofuscada por trechos recente do livro do ex-conselheiro do presidente John Bolton, alegando que Trump disse ao presidente chinês Xi Jinping que a construção dos campos de detenção era a "coisa certa a fazer". ICIJ.
  • «Na opinião da maioria dos partidos do parlamento alemão a saída de Ursula von der Leyen do governo em Berlim para a presidência da Comissão Europeia em Bruxelas foi uma 'fuga' às investigações ao seu 'fracasso total como ministra', sob suspeita de 'má gestão' e de 'esbanjamento de fundos públicos' com 'indícios de corrupção'. Com o envio de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, ou de Constâncio para vice-presidente do Banco Central Europeu, pode dizer-se que Portugal é há muito um pioneiro da estratégia alemã para a EuropaMiguel Szymanski, in Portugal e a Alemanha: olhos nos olhos, FB.
  • As administraçõesde várias empresas estão a distribuir milhões pelos seus principais executivos antes de declararem falência, e os tribunais não podem fazer muito sobre isso, titula o NYTimes.
  • O ‘Vouguinha’, comboio da CP que faz a ligação entre Espinho e Oliveira de Azeméis, na Linha do Vouga, não conseguiu chegar ao seu destino porque ficou sem combustível. O incidente gerou revolta porque não foi a primeira vez que aconteceu, havendo registo de ocorrências semelhantes em abril deste ano e em agosto de 2018. CM.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Bico calado

  • «Ao olhar para o que sucedeu no caso BES/GES, é imprescindível observar a génese, o desenvolvimento, os fluxos e refluxos, a nacionalização em 75, a privatização em 91, o crescimento sem limites e com o apoio das políticas de sucessivos Governos, a promiscuidade com outras grandes empresas de dimensão nacional e internacional, a ramificação tentacular do grupo por vários sectores de actividade.»
  • Razão para a paragem de 7 meses nas obras do parque de estacionamento subterrâneo [na Alameda, Espinho], segundo versão oficial veiculada pelo Maré Viva: «A falta de mapeamento das diversas tubagens, com especial incidência no cruzamento da rua 23 com a rua 8 foi um dos problemas técnicos que acabaram por atrasar todo o processo.»
  • «A Grã-Bretanha é o "país mais corrupto do mundo", diz Roberto Saviano, especialista em máfia. 90% dos proprietários de capital em Londres têm as suas sedes emparaísos fiscais. Jersey e as Ilhas Cayman são os portões de acesso ao capital criminal na Europa e o Reino Unido é o país que permite isso.» Jamie Bullen, in Evening Standard.
  • Famílias pobres não levantaram computadores emprestados com medo do custo em caso de avaria. Pior: ME não fez levantamento destas situações "uma vez que esses meios foram disponibilizados maioritariamente pelas autarquias. DN 22jun2020.
  • «Fábrica de carne deve ser responsabilizada pelo surto de Covid-19, diz ministro alemão. Hubertus Heil, ministro do Trabalho, diz que a região de Gütersloh foi tomada como refém pela falha dos proprietários em proteger os seus 1.500 trabalhadores trabalhadores, a maioria dos quais da Roménia e da Bulgária.» The Guardian.
  • John Bolton está contando a verdade, mas não podemos esquecer da sua carreira terrível e perigosa. Jon Schwarz, in The Intercept.
  • Suketu Meta (9): «Percebi isso quando fui a Bhopal em 1995 para relatar o que acontecera àquela cidade indiana onze anos depois da catástrofe feita pela América. Uma fábrica de pesticidas pertencente à empresa química Union Carbide, sedeada nos EUA, explodiu e expeliu uma enorme nuvem de gás venenoso que pairou sobre a cidade, logo após a empresa ter desativado os mecanismos de segurança para economizar dinheiro. A nuvem de gás matou mais de 20.000 pessoas e mutilou meio milhão, com defeitos genéticos nos filhos dos sobreviventes que continuam na geração atual. A Carbide safou-se de assassinato porque era uma multinacional. Atribuiu responsabilidades à sua representante na Índia e depois desapareceu. Ela não podia ser processada nos Estados Unidos, e os Estados Unidos recusaram-se a extraditar o presidente da Carbide, Warren Anderson, procurado por acusações de homicídio doloso na Índia. Ele viveu uma longa vida nos Hamptons e morreu em paz em Vero Beach, Flórida, enquanto as suas vítimas continuavam a tentar sobreviver com os pulmões e os olhos danificados nos bairros de lata de Bhopal.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Índia lança grande leilão de minas de carvão

  • Um eurodeputado do PPE propõe adendas a favor da indústria num projeto de lei para regular as emissões de carbono nos navios. A campanha do eurodeputado dinamarquês de centro-direita Pernille Weiss para as eleições europeias recebeu apoio financeiro da Danish Shipping, o que, segundo um grupo pró-transparência, será um conflito de interesses. EUObserver.
  • A Índia lançou um leilão de 41 blocos de mineração de carvão. A medida ameaça florestas valiosas e direitos de terra indígena, enquanto expande uma indústria poluidora e com problemas financeiros, criticam os ambientalistas. Fontes: Climate Home News, Business Standard e Times of India.
  • A tribo índia Makah e vários grupos ambientalistas do estado de Washington processaram a Agência de Proteção Ambiental por tentar reverter os padrões de qualidade da água dos seus rios e ribeiras. Inlander.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Bico calado

  • Inauguração de exposição mural na Piscina Solário Atlântico sobre a historia  do casino de Espinho, por ocasião do 47º aniversário da elevação de Espinho a cidade. Via Gazeta de Espinho.
  • Os canais de corrupção aguardam ansiosamente o dinheiro da UE, alertam peritos búlgaros citados por Georgi Gotev na EurActive.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Bico calado

  • 'Tudo mentira': como os militares dos EUA encobriram a morte de dois jornalistas no Iraque. O ex-jornalista da Reuters Dean Yates chefiava a agência em Bagdá quando os seus colegas iraquianos Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh foram mortos. Um vídeo do WikiLeaks chamado Collateral Murder revelou mais tarde pormenores da sua morte. The Guardian. Pormenores aqui.
  • Aproveitando a pandemia: como os grandes gabinetes de advogados se preparam para processar os estados por causa das medidas de resposta À Covid-19. CEO.
  • Empresas ligadas a offshores sem restrições nos apoios da covid-19, titula o Público de 15jun2020. Costa, meteste o pé na poça.
  • «O antigo autarca social-democrata Júlio Sarmento, que esteve à frente da Câmara de Trancoso durante 27 anos, até 2013, e foi agora acusado de corrupção passiva na contratação de uma parceria público-privada, é sócio, numa empresa brasileira, de um empresário de Castelo Branco, António Realinho, que está a cumprir quatro anos e meio de prisão por burla e falsifiação.» Público 15jun2020.
  • Se Trump retomar os testes de armas nucleares, a Índia fará o mesmo. Yahoo.
  • Suketu Mehta (5): «Em 1770, a Companhia Britânica das Índias Orientais - a primeira multinacional do mundo - aumentou os impostos que coletava à força sobre as colheitas e dez milhões de pessoas, um terço de Bengala, morreram à fome. Outros 29 milhões de indianos sob o domínio britânico morreram à fome no século XIX, em parte porque a Índia era forçada a exportar dez milhões de toneladas de alimentos por ano. É uma época que o escritor americano Mike Davis chama de "o holocausto vitoriano tardio". Depois, em 1942, os britânicos, temendo uma invasão japonesa no leste da Índia, interromperam a importação de arroz da Birmânia. Eles também destruíram os estoques de arroz existentes segundo uma política chamada 'negação de arroz'. Os navios australianos que transportavam cereais foram desviados para os Balcãs, antecipando uma futura invasão da Grécia. No ano seguinte, mais de dois milhões de pessoas morreram À fome; muitos outros foram vítimas de doenças que se seguiram. No total, entre três e cinco milhões de pessoas morreram naquela fome de origem britânicaSuketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019

terça-feira, 26 de maio de 2020

Bico calado


  • BBVA, Banco Sabadell, Bankia, Santander e CaixaBank investiram cerca de 12 mil milhões de dólares na indústria de armamento. Os bancos portugueses terão investido 49 milhões, 33 milhões através da Caixa Geral de Depósitos. Esquerda.
  • A Secretaria de Aquicultura e Pesca do governo Jair Bolsonaro publicou no início do mês uma norma que beneficia quase que exclusivamente um único empresário do setor. Trata-se do pai de Jorge Seif Junior, o titular da secretaria. A medida dobra o número de espécies que podem ser capturadas numa modalidade bastante peculiar de pesca industrial. Uma delas pertence ao armador Jorge Seif, pai do secretário, dono de uma empresa chamada JS Manipulação de Pescados e de uma frota baseada na região de Itajaí, em Santa Catarina.  The Intercept.

sábado, 23 de maio de 2020

Bico calado

  • «O Observador não contente com os critérios de atribuição dos apoios à comunicação social resolveu lançar lama para cima de toda a indústria. Passemos por cima do facto de no ano passado ter recebido cerca de 30.000 euros em publicidade institucional (exatamente como seria este ano) e ter achado tudo muito normal. O Observador insinua que quem teve mais dinheiro foi por aceitar recados (presume-se então que no ano passado os aceitou). Ou seja, há um jornal que é isento (não vale rir), o Observador, e os outros são todos uns vendidos. Não me espanta o desplante do publisher do Observador, espanta-me os diretores dos outros OCS (excepção feita ao Público que reagiu e bem) verem a sua reputação posta em causa e nada fazerem.» Pedro Marques Lopes, FB.
  • A República Checa, a Estónia, a Hungria e Malta rejeitam planos para tornar mais eficaz a supervisão da UE contra a lavagem de dinheiro, conta a Reuters.
  • A Lufthansa vai receber 9 mil milhões de euros em auxílio estatal, assumindo o governo 20% das ações da empresa e nomeando dois membros para o conselho fiscal. EurActiv.
  • Os EUA estão a financiar a britânica AstraZeneca , de Cambridge, cpm 1 milhão e 200 mil dólares para desenvolver uma vacina a partir de um laboratório da Universidade de Oxford. NYTimes.
  • Décadas após um ativista palestino-americano ter sido assassinado na Califórnia, dois suspeitos do seu assassinato vivem confortavelmente em Israel. David Sheen investigou e a The Intercept publicou.

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Bico calado

  • A Shell doou nos anos 90s cerca de meio milhão de euros a Frits Böttcher, um famoso cético do clima holandês. Desmog UK.
  • A California Resources, a maior petrolífera da Califórnia, negoceia a sua falência em troca de uma ajuda de 600 milhões. Reuters.
  • Mais de 70% das amostras de coronavírus testadas em Israel foram originadas nos EUA, conclui estudo de biólogos da Universidade de Tel Aviv. NYTimes.
  • «O partido 'Chega' organizou um jantar no Mercado Ferreira Borges, no Porto, em janeiro, com o argumento de que parte da receita iria reverter para o serviço de oncologia pediátrica do Hospital de S. João, só que, como apurou o Porto Canal, até agora o dinheiro não foi entregue e o centro hospitalar diz nada saber sobre o assunto
  • Santa Catarina aceita propostas forjadas e gasta R$ 33 milhões na compra de respiradores fantasma, titula a The Intercept. Escândalo dos respiradores em SC: suspeitos têm contratos em mais dois estados e usaram ex-jogador da seleção para fazer negócio. The Intercept.
  • A covid-19 espalhou-se nos EUA através de viagens europeias para a zona metropolitana de New York, garante um relatório dos Centers for Disease Control and Prevention publicado em 1 de maio. Isto colide com aversão «oficial» de que a China era o principal canal para a pandemia. Por isso, os EUA interromperam os voos da China mas fizeram vista grossa para com os voos da Europa. Porquê? Preconceitos raciais, sugerem especialistas. «Raça e racismo proibiram os EUA de reconhecer a Europa como uma ameaça», disse Khiara Bridges, antropóloga e professora de direito da Universidade da Califórnia, em Berkeley, citada pela The Intercept.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Retirada publicidade de petróleo que alegava «potenciar um futuro mais sustentável»

  • A República Checa sofre a sua pior seca em 500 anos, dizem os cientistas da Intersucho. Que isto não seja um pretexto para desculpar e varrer para baixo do tapete as fraudes de que o primeiro-ministro do país é acusado. Aliás, Andrej Babiš acaba de ser aconselhado a demitir-se pelo escândalo de milhões de euros de subsídios europeus à Agrofert, um grupo agroquímico, detido pela sua família.
  • A Saudi Aramco retirou publicidade ao seu petróleo que ostentava "potenciar um futuro mais sustentável", após dezenas de reclamações à Advertising Standards Agency, conta o The Guardian.
  • Cerca de 778 toneladas de produtos fitossanitários não conformes ou suspeitos provenientes da Índia e da China foram apreendidas em Antuérpia pela Agência Federal Belga para a Segurança da Cadeia Alimentar. Os lotes de produtos suspeitos e não conformes com certificados não confiáveis de análise, rastreabilidade e origem incluíam um herbicida à base de bentazon, usado para o cultivo de cebolas e feijões, além de um fungicida à base de captana, usado para o cultivo de maçãs e peras. EurActiv.
  • As autoridades alfandegárias finlandesas rejeitaram 104.000 kg de laranjas de Israel depois de descobrirem vestígios de bromopropilato, um pesticida proibido na EU, relata o Middle East Monitor.
  • A Eskom mentiu sobre os níveis de poluição da sua central de Kenda. Em agosto de 2018, partes desta central em Mpumalanga, África do Sul, foram danificadas na sequência de uma greve. Os controlus de poluição do ar foram duramente atingidos, provocando poluição excessiva que piorou gravemente a qualidade do ar da região. A própria Eskom admite que a poluição que produz é responsável por 300 mortes anuais. Dezenas de milhares de pessoas sofreram sérios problemas respiratórios. Mail&Guardian.
  • O despejo ilegal de resíduos em locais impróprios aumentou significativamente na Pensilvânia. Este facto deve-se especialmente à suspensão temporária dos serviços de recolha e tratamento de resíduos. PA Environment Daily.
  • A covid-19 ameaça um projeto polémico de fraturação hidráulica na Argentina. Muitos outros projetos para extrair petróleo e gás em todo o mundo também estão economicamente vulneráveis e podem não avançar, reporta o The Guardian.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Mão pesada

A petrolífera italiana ENI vai pagar multa de 24,5 milhões de dólares por caso de corrupção envolvendo suborno de políticos argelinos através de um intermediário que controlava uma constelação de empresas de fachada. ICIJ.

Bico calado

  • «(…) Ventura acumula o cargo de deputado com o de consultor da Finparter, uma empresa do universo da sociedade de advogados Caiado Guerreiro, especializada na aquisição de vistos gold e imobiliário de luxo. (…) As regras do fisco português não são novidade para André Ventura. O deputado trabalhou na Autoridade Tributária e ainda mantém o vínculo ao fisco português, agora em regime de licença sem vencimento. Enquanto inspetor tributário estagiário, Ventura assinou um parecer em 2014 que serviu para isentar do pagamento de 1.8 milhões de euros de IVA uma empresa que trazia cidadãos líbios para receberem tratamento médico em Portugal, ao abrigo dos vistos de refugiados. A empresa pertencia a Paulo Lalanda de Castro e o Ministério Público incluiu-a na investigação aos vistos gold, por suspeita de favorecimento por parte do governo, chamando Ventura a depor. (…) A Finpartner partilha a morada da sede com a Focuslegend Lda, que tem como gerente o advogado João Caiado Guerreiro. No seu registo de interesses apresentado no parlamento, André Ventura refere ter sido consultor da sociedade de advogados Caiado Guerreiro, dos irmãos João e Tiago Caiado Guerreiro, ambos presença assídua nos canais de televisão enquanto comentadores de assuntos jurídicos. (…) A ligação do escritório dos Caiado Guerreiro aos vistos gold é conhecida e foi sublinhada numa queixa apresentada pela eurodeputada socialista Ana Gomes em 2018 ao presidente da Assembleia da República. Estava em causa, alegava Ana Gomes, a incompatibilidade do deputado do PSD Carlos Peixoto para ser relator do parecer ao projeto de lei do Bloco para eliminar os vistos gold. À semelhança de Ventura, Peixoto acumula o cargo com o trabalho ao serviço do grupo montado pela sociedade de advogados Caiado Guerreiro, “especializada na facilitação dos processos de obtenção de Vistos Gold através de um esquema completo de consultadoria jurídica e parcerias com agências de imobiliário”, explicava a eurodeputada. Um dos contemplados com o Visto Gold português através dos serviços da Caiado Guerreiro foi Xiaodong Wang, cidadão procurado pelo Estado chinês por ter sido condenado por fraude a 10 anos de prisão, lembrava Ana Gomes na queixa enviada a Ferro Rodrigues. A Finpartner de André Ventura é o ramo do planeamento fiscal do grupo. (…) No site de registo de empresas do Reino Unido aparecem associadas a esta empresa outras duas sediadas em Malta: a Caiado Guerreiro International Limited e a Franco Caiado Guerreiro Holding Limited. E revela uma curiosidade: apesar de centrarem o seu negócio na aquisição da residência em Portugal por parte de cidadãos estrangeiros, o registo britânico diz que os irmãos advogados têm ambos residência fixada em Espanha.» Esquerda.
  • João Gonçalves Pereira (CDS) leva banho do ministro das infraestruturas e habitação (Pedro Nuno Santos) a propósito da capacidade de financiamento público para apoio de companhias de aviação e outras. Canal Parlamento, a partir de 1:42:00.
  • França, Polónia e Dinamarca não permitirão que empresas registradas em paraísos fiscais tenham acesso a resgates de coronavírus, reporta a Deutsche Welle.
  • Nenhum resgate da covid-19 para empresas que usam paraísos fiscais, diz o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau citado pelo The Star.
  • «Vamos ter o que muitas pessoas estavam a pedir muito antes deste desastre: um novo acordo verde. Mas vamos parar de o descrever como um pacote de estímulo. Estimulámos demais o consumo ao longo do século passado, motivo pelo qual enfrentamos desastres ambientais. Vamos chamá-lo pacote de sobrevivência, cujo objetivo é fornecer rendimento, distribuir riqueza e evitar catástrofes, sem estimular o crescimento económico perpétuo. Ajude-se as pessoas, não as multinacionais. Resgate-se o mundo dos vivos, não os seus destruidores. Não vamos desperdiçar esta nossa segunda oportunidade». George Monbiot, no The Guardian.
  • Marrocos vai receber 138 milhões de euros de ajuda da UE para apoiar educação do distanciamento social, titula o Middle East Monitor.
  • As autoridades de imigração dos EUA mantiveram seis vezes mais detidos de países da África e das o Caraíbas em células de confinamento solitário do que detidos de outras proveniências, revela um estudo de investigadores da Universidade da Califórnia, Irvine. Este fosso racial, dizem os autores, encontra paralelo nas desigualdades dolorosas do sistema de justiça criminal dos Estados Unidos. ICIJ.
  • Pelo menos 40 mil famílias norte-americanas que moram em prédios, cada um com mais de 1.500 rendas, vãp fazer greve ao pagamento da renda em maio, reporta a The Intercept
  • Da pandemia ao pandemónio alimentar em Português. Todos os Estados da Comunidade de Países de Língua Portuguesa estão prestes a cair na mais grave crise alimentar de que existe memória. Francisco Sarmento, Público.
  • O grupo José de Mello e o fundo Arcus venderam 81,1% da Brisa a um consórcio formado pela APG (Países Baixos), NPS (Coreia do Sul) e SLAM (Suíça). O grupo português mantém 17% dos direitos de voto e Vasco de Mello fica presidente da administração. O Público avaliou a notícia com uma seta para o cima.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Bico calado

  • Robôs promovidos por grupos bolsonaristas propagaram hashtag que acusa a China pelo Covid-19. Tuítes com a #VirusChines foram acompanhados de expressões racistas e xenófobas contra a população chinesa. APublica.
  • O navio de cruzeiros MS Braemar, propriedade das Fred Olsen Cruise Lines e viajando sob bandeira das Bahamas, aportou a Cuba depois das Bahamas terem recusado receber 50 turistas com sintomas do Covid-19. Mais de mil passageiros e tripulação foram conduzidos numa caravana de autocarros, patrulhada pela polícia, ao aeroporto José Marti, regressando em voos charter ao Reino Unido. Toda a operação seguiu os rigorosos padrões sanitários e de segurança estabelecidos pela Organização mundial de Saúde. The Nation. A CNN, o Daily Mail, a Reuters, e a ABC, entre outros, também se referiram a este caso. Os media portugueses devem andar perdidos ou isolados em algum sítio recôndito. Só assim se explica que, passados 5 dias sobre a notícia, nenhum tenha feito referência. 
  • Numa altura em que a maioria dos americanos se une para proteger os mais vulneráveis do país e garantir que os recursos médicos e financeiros cheguem ao ponto em que eles podem fazer o melhor, é difícil imaginar que alguns concidadãos tirariam proveito dos seus papéis públicos para ganhar com isso, escreve Jodi Vittori, no NCBI. Mas, infelizmente, pandemias anteriores demonstram que isto acontecerá. Mas a corrupção nos cuidados de saúde nos EUA é uma realidade. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association calculou que, só em 2011, 98 biliões de dólares foram perdidos por fraude e abuso no Medicare e Medicaid.
  • «(...) Estamos na fase positiva, otimista e humorada da crise. Trocamos palavras de encorajamento, memes e mensagens, anedotas, vídeos, notícias falsas e verdadeiras. Estamos na fase do combate. Do choque. Tal como com o anúncio súbito de uma doença grave, esta fase passará. A última fase é a da aceitação. No meio vêm a ira, a negociação e a depressão. O isolamento prolongado de seres humanos dentro de casas e famílias acabará por provocar estragos. Vamos irritar-nos uns com os outros e com os governantes e não existe escape. Não há entretenimento, arte, futebol, desporto, convívio, conversa de bar. Não há ar livre, a contemplação do céu e do mar, o cheiro da terra e da chuva, o brilho da luz do sol e da lua. A prisão domiciliária, mesmo com saúde, testa a nossa resiliência, e as redes tecnológicas não substituem a vida. O contacto humano extremo, na família, raspa os nervos. A ansiedade também. No rescaldo da crise do coronavírus, a ser clinicamente debelada, virá a fase da reconstrução depois da destruição planetária. Esta fase necessita de medidas estritas de comportamento. Há que evitar o caos social, a criminalidade, os aproveitadores e todos os que florescem nas ruínas e numa economia de guerra e de mercado negro. A violência da situação ainda não nos atingiu. (…)» Clara Ferreira Alves, in Querem ir para um contentor? - Expresso, 21mar2020.
  • «A metáfora da "guerra" foi imposta com espontaneidade perturbadora como imagem e justificação das medidas radicais tomadas contra o vírus (…)o que estamos a viver não é uma guerra, é uma catástrofe. Numa catástrofe, pode ser necessário mobilizar todos os recursos disponíveis para proteger a sociedade civil, incluindo o equipamento e a experiência do Exército, mas o facto de uma catástrofe exigir medidas excecionais não autoriza seguramente o uso de uma metáfora que, como todas as metáforas, transforma a sensibilidade dos ouvintes e molda a receção de mensagens. Chamar as coisas por outro nome, se não estivermos a fazer poesia, se estivermos a falar para além de cuidar, curar, compartilhar e proteger, pode ser uma péssima política de saúde, uma péssima política. (…) Guerra contra quem? Quem é o inimigo? Assim que se pronuncia a palavra "guerra", um ser humano negativo aparece diante do nossos olhos e merece ser eliminado. De facto, com essa metáfora da guerra, ocorre algo paradoxal: o vírus é humanizado, e subitamente adquire personalidade e vontade. Atribuiu-se-lhe ação e intenção, desumaniza-se e criminaliza-se os seus portadores, que na realidade são as vítimas. O inimigo desse desafio sanitário, se preferirmos, está potencialmente dentro de si mesmo, o que exclui à partida a sua transformação em objeto de perseguição ou agressão bélica. (…) Portanto, essa ideia escorregadia de "guerra" dá inadvertidamente razão àqueles que, movidos por um pânico medieval, acabam tornando-se inimigos dos portadores de vírus, esquecendo que eles próprios - pelo menos potencialmente - também são inimigos. Só se pode fazer guerra entre humanos e outros humanos e, se se tiver que "guerrear" contra o vírus, acabar-se-á por fazer guerra contra os corpos que o carregam ou, o que é o mesmo, contra a própria humanidade que queremos proteger através da guerra. Numa situação de "catástrofe", é sem dúvida essencial "reprimir" severamente, como se faz com os transgressores do código da estrada, aqueles que violam o confinamento, colocando-se a si mesmos, seus vizinhos e o sistema de saúde em geral em perigo, mas mesmo esses não podem ser os "inimigos" de uma "guerra", a menos que desejemos confundir o vírus com os seus possíveis portadores, e também gerar uma "guerra" civil entre os possíveis portadores. (…) Em qualquer guerra, dizia Simone Weil, a humanidade divide-se entre aqueles que têm armas e aqueles que não as têm, e estes estão sempre desprotegidos, independentemente do lado ou da bandeira. Na atual situação de catástrofe, os espanhóis, todos potencialmente vítimas do vírus, dividem-se entre os que não podem cumprir o confinamento e os que o podem ou, se preferirmos, entre aqueles que estão se expõem mais ou se expõem menos ao vírus. Aqueles que estão mais expostos ao vírus - pessoal médico, transportadores, caixas de supermercado, pessoal de limpeza e prestadores de cuidados, etc. - não têm armas nem lutam entre si para proteger seus "próprios". Ao contrário do que acontece nas guerras, este "anti-exército desarmado" - equipado apenas com microscópios, termómetros, roupas, mãos e um sentido de dever - não faz guerra nem faz guerra contra os que se mantêm trancados em suas casas, menos exposto e completamente desarmados. É, como diz Leila Nachawati, exatamente o contrário: eles expõem-se para nos proteger a todos, sabendo que assim também se protegem a si mesmos e à ordem civilizada da qual dependem e que depende deles. Portanto, devemos admirá-los e apoiá-los; e é por isso que é irresponsabilidade imoral e suicida violar os regulamentos de saúde. (…)» Santiago Alba Rico/Yayo Herrero , in ¿Estamos en guerra? - CTXT.

sábado, 21 de março de 2020

Bico calado

  • «Trump chama vírus chinês ao Covid-19. Esgrimir o racismo e culpar outras pessoas pelos seus próprios fracassos são as características que definem a sua presidência. Mas se vamos lhe vamos dar um apelido, é muito melhor referirmo-nos à "pandemia Trump". De facto, o vírus não partiu daqui (dos EUA). Mas a resposta dos EUA à ameaça tem sido catastroficamente lenta e inadequada, e a responsabilidade é só dele, que minimizou a ameaça e desencorajou a ação até há poucos dias. Compare, por exemplo, a maneira como os EUA e a Coreia do Sul lidaram com o problema. Ambos os países relataram o seu primeiro caso em 20 de janeiro. Mas a Coreia agiu rapidamente para implementar testes generalizados; usou os dados desse teste para orientar o distanciamento social e outras medidas de contenção; e a doença parece estar a diminuir lá. Nos EUA, por outro lado, os testes mal começaram - testamos apenas 60.000 pessoas em comparação com as 290.000 da Coreia do Sul, embora tenhamos seis vezes a sua população, e o número de casos aqui pareça disparar. (…) Por que motivo Trump negou e adiou intervir? Todas as evidências sugerem que ele não queria fazer ou dizer algo que pudesse baixar os preços das ações, o que ele parece considerar como a principal medida do seu sucesso. Provavelmente é por isso que, em 25 de fevereiro, Larry Kudlow, economista-chefe do governo, declarou que os EUA tinham "contido" o coronavírus e que a economia estava "a aguentar-se bem". Bem, essa foi uma má aposta. Desde então, o mercado de ações perdeu mais ou menos todos os seus ganhos sob a presidência de Trump. Mais importante, a economia está claramente em queda livre. Então, o que devemos fazer agora? (…) Lidar com o coronavírus seria difícil nas melhores circunstâncias. Será especialmente difícil quando soubemos que não podemos confiar no julgamento ou nos motivos do homem que deveria liderar a resposta. Mas você entra em pandemia com o presidente que tem, e não com o presidente que gostaria de ter.» Paul Krugman, in Três regras para a Pandemia Trump – uma: não confie no presidente -  NYTimes de 19mar2020.
  • Três senadores Republicanos, - Richard Burr (Carolina do Norte, Kelly Loeffler (Georgia) e James Inhofe (Ohlahoma) venderam ações que desvalorizaram vertiginosamente poucos dias depois. Coincidências de um prévio acesso a informações privilegiadas? Kevin Drum, in  Mother Jones.

sexta-feira, 13 de março de 2020

Bico calado

  • 13 juízes de alto nível, incluindo um ex-vice-ministro da Justiça, foram detidos na Eslováquia por alegados atos de corrupção, interferência na independência dos tribunais e obstrução da justiça. EurActiv.
  • «Contrariamente ao que se possa pensar a propósito das investigações em curso no Tribunal da Relação de Lisboa, as suspeitas de fraude na distribuição dos processos judiciais não são de agora. A escolha do juiz mais conveniente à causa de quem tem dinheiro para pagar a batota é prática que se arrasta no tempo. Prova disso é a denúncia que fiz dessa viciação no “Jornal de Notícias” (JN), há cerca de 25 anos. Desmascarei também as “farsas” de julgamentos nos tribunais da Relação e no Supremo Tribunal de Justiça. Em 13 de Junho de 1996, assinei no JN um texto a que foi dado o título: “SUSPEITA DE “FRAUDE” COM A DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS JUDICIAIS”. E a notícia começava assim:” Há suspeitas de irregularidades nos tribunais com a distribuição dos processos”. A viciação consistia em manipular o sorteio a quem o processo seria distribuído e, assim, permitir escolher o juiz suscetível de decidir de acordo com os interesses de quem subornou. (…) Alfredo Cunha, in Juízes por encomenda e sentenças pré-cozinhadas. Via Clube de Jornalistas.
  • Lava Jato fez de tudo para ajudar justiça americana – inclusive driblar o governo, titula a The Intercept.
  • «(…) Na Europa critica-se a China, tergiversa-se, “privilegia-se a economia” e, enquanto isso, a pandemia espalha-se. Em 2009, o vírus H1N1, que apareceu no México e nos EUA, infetou 1.600.000 pessoas e matou 284.000 em todo o mundo. Washington brilhou pela sua nulidade no tratamento dessa pandemia, e os media ocidentais olharam para o lado. Hoje, teremos que admitir que o nosso sistema está inoperante, enquanto o socialismo chinês demonstrou novamente a sua superioridade. (…) Num país onde a propriedade pública é negativa, onde os serviços públicos foram privatizados e desmantelados, onde o Estado é um refém voluntário dos meios financeiros, seriamos capazes de efetuar 10% do que os chineses têm feito? (…) Estranha ditadura, onde o debate é permanente, os erros denunciados, as manifestações frequentes, as instituições sujeitas a críticas. Será um regime totalitário, porque compele populações inteiras a uma contenção maciça que, segundo todos os especialistas, é a única medida eficaz? É sem dúvida um sistema imperfeito, mas funciona e tem em conta os seus erros. Enquanto no nosso país, a autossuficiência substitui a autocrítica, o denigrimento do outro substitui a responsabilidade e o blá-blá-blá permanente a ação eficaz. (…)» Bruno Guigue, in Le Grand Soir.
  • «O secretário de Comunicação do governo federal, Fábio Wajngarten, tem Covid-19, a doença também conhecida como o novo coronavírus. O Intercept confirmou com fontes que outras três pessoas da comitiva de Jair Bolsonaro que visitou Donald Trump na Flórida já apresentavam sintomas da infecção nos EUA. O evento reuniu Bolsonaro, o presidente americano, o chanceler Ernesto Araújo, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Os quatro brasileiros com suspeita de coronavírus não fizeram o teste em Miami. Em vez disso, optaram por retornar ao Brasil para fazer o teste em São Paulo, mesmo infringindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde.» The Intercept.
  • «Atacando a Europa pela disseminação do coronavírus "estrangeiro" para os Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou que ia interromper todas as viagens e importações da Europa. Mas poucos minutos depois, funcionários da Casa Branca esforçaram-se por o corrigir, explicando que a suspensão por 30 dias só se aplicava a alguns estrangeiros que viajavam de alguns países europeus do espaço Schengen e não a mercadorias. Embora excluir o Reino Unido da proibição pareça não fazer sentido epidemiológico - e toda a política de restrição de viagens parece equivocada, agora que o vírus já se espalhou pelos Estados Unidos - Trump pode ver a medida como uma maneira de punir a União Europeia. Trump detesta a UE como concorrente económica e parece pessoalmente ofendido pela maneira como os seus líderes promovem uma identidade pan-europeia em contrapeso ao nacionalismo étnico que ele prefere. “A União Europeia é um grupo de países que se uniram para lixar os Estados Unidos - é tão simples como isto”, disse Trump num jantar privado, gravado por Rudy Giuliani. “Eles são piores que a China quanto a barreiras; perdemos 151 biliões com eles ”, acrescentou. Na sua arenga, Trump gabou-se de que a sua decisão de restringir as viagens da China atrasou a disseminação do coronavírus para os EUA e alegou que os países europeus tinham níveis mais altos de infeção agora porque "a União Europeia não tomou as mesmas precauções". De fato, o vírus pode ter chegado à Europa primeiro simplesmente porque está na mesma massa terrestre da China e a extensão da infeção nos EUA permanece desconhecida, uma vez que um número muito menor de pessoas foi testado para a doença. Sem citar evidências, Trump também alegou que a proibição era justificada porque "um grande número de novos grupos nos Estados Unidos tinham sido provocados por viajantes da Europa". Trump também afirmou que os executivos de seguros de saúde por ele contatados tinham “concordado em renunciar a todos os co-pagamentos por tratamentos ao coronavírus”. “Para testes. Não tratamento ”, sublinhou um porta-voz do poderoso lobi do seguro de saúde, o America Health Insurance Plans.» Robert Mackey, in The Intercept.
  • «(…) O discurso de Trump desta quarta-feira é a consagração desta politização nacionalista da epidemia. Ele fala em “vírus estrangeiro” que “invade” a América. Temos de ter cuidado com o vírus, sim, mas temos de ter ainda mais cuidado com os homens que vão aproveitar o vírus enquanto metáfora autoritária. Líderes da extrema-direita, como Salvini, estão a tentar associar o vírus aos migrantes africanos que atravessam o Mediterrâneo. Ou seja, estão a tentar associar a palavra “covid-19” às palavras “negro”, “africano” e “muçulmano”. A associação não faz sentido, o vírus não está a ser transportado por pobres e africanos, está aparentemente no turismo da classe média e dos mais ricos. A Fox News está a fazer o mesmo com os chineses e, agora, a proibição de voos da Europa vai fomentar o sentimento antieuropeu que grassa nos republicanos há anos. Para quem está preocupado com a ascensão dos Trumps, nada podia ser pior do que uma epidemia. Nada. É o pior cenário possível. Seja qual for a sua gravidade, uma epidemia agora funciona como um fator que alimenta todos os dias a psicose nacionalista. Quando tudo isto passar, vamos acordar em sociedades muito mais permeáveis à mão de ferro dos nacionalistas. (…)» Henrique Raposo, in O vírus estrangeiroExpresso 12mar2020.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Bico calado

  • 5 das grandes mentiras de Joe Biden. Youtube.
  • O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pediu formalmente o adiamento do seu julgamento por 45 dias. MEM. Um tribunal de Jerusalém rejeitou o pedido
  • «O voo de um bando de estorninhos é um espectáculo fascinante. É-o por motivos estéticos, mas também científicos. Não existe um maestro que guie a acção daqueles milhares de pássaros. A coreografia única que produzem em conjunto baseia-se em regras simples de comportamento. Cada ave reage ao que fazem as outras que a rodeiam. O resultado é imprevisível: mesmo que tivesse a inteligência de um humano, nenhum estorninho saberia para onde iria o bando a seguir. Mas a imprevisibilidade - e a enorme complexidade que emerge a partir de regras tão simples - não conduz ao colapso do grupo. O bando mantém-se coeso e o resultado é impressionante. (…) O conforto que muitos encontram nas previsões exactas dos modelos económicos é conveniente, mas é falso. Os responsáveis do futuro não podem ser ensinados apenas a construir modelos que assumem níveis de certeza que não existem. Igualmente importante é aprendermos todos a lidar a com a incerteza radical que caracteriza as sociedades humanas. Pelo menos tanto como os movimentos de um bando de estorninhos.» Ricardo Paes Mamede, in Aprender a viver com a incerteza radical - DN 10mar2020.
  • «As condenações aplicadas aos acusados no escândalo do Varsity Blues denunciaram ainda mais pormenores sobre sofisticados esquemas, nos quais pais ricos subornavam um intermediário por seis dígitos para fazer introduzir os seus filhos nas suas universidades preferidas. A conspiração envolveu o suborno de treinadores, a falsificação de elogios desportivos e resultados de exames fraudulentos. Esta vigarice acontece há décadas nas academias militares dos EUA. As falsificações de admissão incutiram nas mentes dos americanos um excesso de confiança nas forças armadas que teve consequências terríveis: uma crença de que os Estados Unidos estão mais prontos para a guerra do que parece e uma redução na preparação militar. No seu estudo de 2015 para o Army War College, “Mentindo para Nós mesmos: Desonestidade na Profissão do Exército” Leonard Wong e Stephen Gerras, coronéis aposentados do Exército, escrevem: "O resultado final é uma profissão cujos membros geralmente mantêm e propagam um falso sentimento de integridade que impede a profissão de abordar - ou mesmo admitir - a duplicidade e o engano em toda a formação". Hoje, as academias militares não são as instituições seletivas que fingem ser. Elas alegam falsamente algumas das taxas mais baixas de admissão às faculdades do país, entre 9 e 11% em 2018, quando a taxa de admissão real é superior a 50% por ano. A Academia Naval uma vez reivindicou 20.000 candidatos num ano, quando o número real era inferior a 5.000.  Em 2015, participei numa pequena comissão de instrutores encarregados de analisar o processo de admissão em West Point. Quando apresentei as estatísticas falsas à administração militar, fui ignorado por uns e gozado por outros, desde a publicação do meu livro, The Cost of Loyalty.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Bico calado

  • «(…) A qualidade do futebol português é inversamente proporcional aos negócios que nele se fazem. No mercado transacionam-se jogadores por €126 milhões, mas no campo só há mediocridade, violência, disparates e polémicas. O negócio é mais importante do que o jogo. Neste faroeste vigora a lei do mais forte, do clube mais influente, do dirigente mais manhoso. As instituições que deviam mandar não mandam. Um Governo que devia agir está parado. Os clubes, quase todos mais ou menos falidos, sobrevivem através de esquemas, uns mais criativos, outros nem tanto. O futebol é, em larga medida, o espelho do país.(…)» Luís Marques, in Pode a Justiça mudar o futebol? – Expresso.
  • «(…) tendo em conta que a saúde privada nem quer ouvir falar de encargos com esta epidemia voltando a demonstrar quão inútil se revela quando poderia justificar a sua existência, há a antevisão do que pode significar se os Estados Unidos vieram a ser afetados numa dimensão semelhante à da Itália: sem seguros de saúde os eventuais contaminados ver-se-ão abandonados à sua sorte, tornando-se focos difusores da epidemia. A socióloga Nadia Urbinati  formula a hipótese de Trump ter no covid-19 o maior obstáculo á reeleição. Porque, de um momento para o outro, os discursos de Bernie Sanders sobre um Serviço Nacional de Saúde replicado dos melhores exemplos europeus - entre os quais citou Portugal - poderá ecoar nos que comprovam a incapacidade da atual Administração para contrariar uma crise sanitária de enorme dimensão». Jorge Rocha, in O covid-19, os populismos e os infiltrados nas polícias - Ventos semeados.
  • (…) Como, inevitavelmente, os reguladores independentes acabam por executar políticas económicas, muitos argumentam que lhes falta legitimidade democrática. Adicionalmente, são estruturas bastantes dispendiosas, bastante mais caras do que as direções-gerais do século passado que vieram substituir, e que tinham a virtude de ter um responsável político bem definido. A falta de legitimidade democrática e os custos acrescidos só fazem sentido se, em compensação, as reguladoras entregarem valor à sociedade: a sua independência tem de servir para assegurar que as empresas reguladas se comportam concorrencialmente, ou seja, que não se aproveitam da sua posição dominante para criar barreiras à inovação ou para cobrar preços excessivos e que não atuam em cartel mais ou menos informal. Nós temos o pior dos dois mundos. Por um lado, temos todos os custos de uma regulação independente; por outro, os reguladores não são independentes; às vezes, mais parecendo agências de apparatchiks. (…) Susana Coroado mostra que apesar de, na letra da lei, os reguladores financeiros serem dos mais independentes, de facto, este sector é um daqueles onde o risco de captura é maior. Mais do que portas giratórias, falamos de um autêntico carrossel entre poder político e regulados, regulador e regulados e poder político e regulador. (…)» Luís Aguia-Conraria, in Regulação à portuguesaExpresso.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Bico calado

  • «Mais do que uma trapalhada política, este “Orçamento Participativo” é uma farsa, armadilhada em todos os pontos-chave da sua construção. (…) como a experiência autárquica comprova, a decisão por votação permite a vitória a projetos, não pelo seu interesse comunitário ou mérito próprio, mas pelo seu apoio por grupos de pressão particularmente organizados e fortes. (…) Segundo o documento aprovado, “as propostas ficam habilitadas a um apoio financeiro que pode comparticipar até ao máximo de 2/3 (dois terços) dos custos totais do projeto, sendo o remanescente financiado pelo proponente”. Ou seja, o cidadão que apresente uma proposta e tenha o seu projeto aprovado ainda vai ter de meter pernas a caminho para arranjar o financiamento restante (até €33.333). Mais, logo na apresentação da proposta tem de apresentar as garantias deste valor pessoalmente. (…) se o cidadão proponente não tiver dinheiro, pode por exemplo ir trabalhar para a obra na modalidade prevista de “trabalho cedido”, a valorar logo na proposta. Ou seja, se o projeto for de €100.000, e o “trabalho cedido” for correspondente a €33.333, como o prazo de execução é de apenas 6 meses, é mesmo melhor que o munícipe seja bom de braços, porque o seu trabalho terá de valer €5.500/mês. Concluindo, mais do que uma trapalhada política, este “Orçamento Participativo” é uma farsa, armadilhada em todos os pontos-chave da sua construção.» Filipe Guerra, in Aveiro: uma farsa chamada Orçamento ParticipativoNotícias de Aveiro.
  • «Quando alguém afirma que “todos os políticos são corruptos”, interrogo-me se esse alguém é ignorante, fascista ou pretende, apenas, gritar as frustrações e dizer que, ao contrário de ‘todos os políticos’, (ele ou ela) não é ou não pode. (…) A corrupção começa em casa, com uma oferta à criança para lavar os dentes ou comer a sopa; na igreja, com a novena para que chova ou a oferta a um santo para conseguir um qualquer benefício; na escola, quando se recorre a cábulas ou a cunhas ao professor; nos Tribunais, quando se defendem interesses ilegítimos ou é parcial o julgador; no futebol, quando se intimida ou suborna o árbitro; na AR, quando se faz uma lei sem equidade; na estrada, quando a polícia ignora os veículos de uma empresa determinada; enfim, em todas as situações onde o pequeno empenho, uma palavrinha ou uma lembrança afetam decisões. Quando nos reparam a persiana ou desentopem a sanita, e aceitamos pagar sem recibo, estimulamos a fraude e dividimos o roubo pelo prestador de serviços e por nós próprios. Se recorremos à oficina que não cobra o IVA ou a um trabalhador com baixa médica, somos cúmplices na fraude e no roubo ao Estado e à Segurança Social. (…)» Carlos Esperança, in A corrupção, a política e a demagogiaFB.
  • «Na era da informação de hoje, os media têm um poder extraordinário para moldar a opinião pública e ninguém está isento da sua influência. Os media são um verdadeiro 'quarto poder' depois dos ramos tradicionais do governo, controlando não apenas o que é dito e mostrado, mas também o que não é divulgado e, portanto, é omitido ao público. Esse poder enorme vem com uma responsabilidade ética igualmente enorme. Muitos meios de comunicação e jornalistas a nível individual mostraram uma notável falta de independência crítica e contribuíram significativamente para espalhar narrativas abusivas e deliberadamente distorcidas sobre Assange. Quando os meios de comunicação consideram mais apropriado espalhar piadas humilhantes sobre o gato de Assange, o seu skate e as suas fezes, do que desafiar os governos que se recusam a responsabilizar os seus funcionários por guerras de agressão, corrupção e crimes internacionais sérios, demonstram uma deplorável falta de responsabilidade, decência e respeito, não apenas em relação ao Sr. Assange, mas também em relação aos seus próprios leitores, ouvintes e telespectadores, a quem eles devem informar e empoderar. É como ser-se servido de comida rápida envenenada num restaurante - uma traição de confiança com consequências potencialmente graves.» Nils Melzer (relator especial da ONU sobre tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes), in The Canary.

domingo, 1 de março de 2020

Bico calado

  • «(…) E se já é difícil para um leigo perceber quem tem razão nas infindáveis querelas dos ‘especialistas’, mais difícil isso ainda se torna sabendo nós que por detrás de qualquer escolha estão inevitavelmente, e mexendo-se afanosamente na sombra, todos os interesses habituais: lobistas profissionais, os três ou quatro escritó¬rios de advocacia de Lisboa que estão em todos os negócios onde entra o Estado, os bancos que os vão financiar, as construtoras portuguesas e estrangeiras que cobiçam a obra e os engenheiros avençados por elas para defenderem esta ou aquela solução publicamente. Nada disto é a feijões, meus caros! E à cabeça de todos, batendo-se pelo Montijo — porque é mais barato e lhe cabe pagar a obra —, está a Vinci, essa empresa de vão de escada a quem o Governo PSD-CDS entregou a ANA, uma empresa pública rentável e eficaz, no que foi um dos mais inqualificáveis actos de gestão pública jamais consumados. (…)» Miguel Sousa Tavares, in Um aeroporto como paradigma portuguêsExpresso 29fev2020.
  • Um norte-americano oriundo da Pensilvânia e a sua filha de 3 anos com sintomas do coronavírus foram evacuados de Wuhan, na China, para a Marine Corps Station Miramar, perto de San Diego. Agora apresentaram-lhes uma fatura de4 mil dólares, conta o New York Times.
  • Colonos israelitas arrancaram centenas de oliveiras e videiras em Al-Khader e Zakandah, nos territórios ocupados da Palestina. MEM
  • Um ex-assessor de Benjamin Netanyahu disse à polícia que o primeiro-ministro gastou num jantar com a esposa 24.000 dólares num restaurante de Moscovo e enviou a fatura a um amigo bilionário que jantara ao pé. Tudo isto durante uma visita oficial à capital russa em 2010. Times of Israel.
  • «Os economistas costumam dizer que os jogos de sorte e de azar patrocinados pelo Estado (como a Lotaria Nacional ou a Raspadinha) são um imposto sobre a pobreza. São os pobres que mais jogam e mais perdem dinheiro neste tipo de jogos. (…) as famílias mais pobres gastam proporcionalmente 20 vezes mais em lotarias do que as mais ricas. É difícil inventar um imposto mais regressivo do que este. Se a isto acrescentarmos que os desempregados têm maior propensão a comprar estes jogos, rapidamente concluímos que não é apenas um imposto sobre a pobreza, mas também sobre o desespero. É quase uma forma de extorsão, dado que estes jogos são matematicamente desenhados para garantir que quem joga perde dinheiro, em média. (…)» Luís Aguiar-Conraria, in Como pôr os mais pobres a pagar mais impostos? A Santa Casa da Miséria explicaExpresso.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Bico calado

  • Juiz usa tribunal para ganhar 280 mil euros com julgamento privado, titula o Público.
  • «Francisco Moita Flores, que foi inspetor desta polícia durante 12 anos, é arguido num processo de corrupção e prevaricação relacionado com factos ocorridos quando era presidente da Câmara Municipal de Santarém, eleito pelo PSD. O ex-polícia e ex-autarca, que também é escritor, guionista e comentador televisivo de casos de justiça, é acusado de ter sido corrompido com €300 mil para favorecer uma empresa — a ABB Construções — que recebeu uma indemnização de €1,8 milhões da câmara no negócio da construção de um parque de estacio¬namento em Santarém.» Expresso.
  • «A 24 de julho de 1245, o papa Inocêncio IV assinou a bula Grandi non immerito que depôs o rei Sancho II, e confiou o governo de Portugal a seu irmão D. Afonso, conde de Bolonha. (… ) Nas suas primeiras décadas, Portugal afirmou-se como uma monarquia guerreira, capaz de expandir e consolidar o seu território por conquistas ao al-andalus. Foi este o principal motivo que levou ao seu reconhecimento pelo papado, e à sua aceitação pelos demais reinos do ocidente cristão. (… ) Quando subiu ao trono, o califado Almóada, que ainda controlava parte do sul da península ibérica, estava em franco declínio, o que deveria ser aproveitado para expandir o território. Foi a isso que o papado exortou os reis peninsulares, por meio de bulas de cruzada. Sancho II revelou-se incapaz de aproveitar a oportunidade, e falhou na tentativa de conquista de Elvas. (…)  O seu irmão, D. Afonso, conde de Bolonha, foi então convidado pelo papa a assumir o governo do reino e, a exemplo do reino de Leão e Castela, continuar a cruzada cristã no espaço ibérico. E se este foi um objectivo conseguido, pois logo em 1249 Afonso III conquistou definitivamente o Algarve (…)» Lourenço Pereira Coutinho, in Um “impeachment medieval”: a destituição de Sancho II - Expresso.
  • Os habitantes de Mitholz, uma aldeia suíça, vão ter de abandonar a zona durante mais de uma década enquanto um depósito de munições do tempo da Segunda Guerra Mundial é esvaziado. O antigo depósito subterrâneo de Mitholz, que contém 3.500 toneladas de armas, cedeu parcialmente e muitos dos explosivos estão agora soterrados. Cerca de metade do arsenal explodiu em 1947, matando nove pessoas, mas o Ministério da Defesa disse que o risco de uma segunda explosão foi subestimado durante muito tempo. Terra Daily.
  • O empresário milionário Michael Bloomberg quase que dizia, no debate presidencial dos Democratas na Carolina do Sul na noite de terça-feira, que "comprou" os 21 novos membros do Congresso que apoiou financeiramente nas eleições de meio de mandato de 2018. «Para que conste. Eles falam de 40 democratas», disse Bloomberg, referindo-se ao número de cadeiras que os democratas ganharam em 2018. «Vinte e uma são pessoas com quem gastei cem milhões de dólares para ajudar a eleger. Todos os novos democratas que entraram e colocaram Nancy Pelosi no comando e deram ao Congresso a capacidade de controlar este presidente, eu com... - eu, eu consegui-os.». Os críticos aproveitaram o "deslize freudiano" de Bloomberg como evidência da influência exagerada do bilionário no processo político dos EUA e na crença de que ele controla os políticos que aceitam o seu dinheiro. O ex-presidente da Câmara de New York já gastou mais de 400 milhões da sua riqueza pessoal em publicidade nas primárias presidenciais democratas de 2020. Common Dreams.
  • «(…) Tanto o Banco Mundial quanto o FMI atuam como testas de ferro do poder dos EUA, suprimindo o desenvolvimento em países que podem potencialmente competir com os interesses dos EUA. São feitos empréstimos que incluem termos que dão ao Banco autoridade para exigir medidas de austeridade, aumento de tributação, redução de custos de mão-de-obra e privatização de infraestruturas, normalmente a custos reduzidos que naturalmente atrairiam o interesse corporativo multinacional tal como o sangue atrai tubarões. Os termos são adaptados para favorecer os interesses financeiros e da indústria americana. O modelo de “mercado livre” do Banco Mundial e do FMI é um ataque ao trabalho. No entanto, empréstimos contrários aos interesses dos países do Terceiro Mundo e do seu povo continuam a ser feitos, tanto política como militarmente, através do controle americano de líderes corruptos. O Banco Mundial consiste em duas partes separadas: O Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Associação Internacional de Desenvolvimento. Amos, e também o FMI, são definidos e orientados por "Artigos de Acordo" que cobrem todos os aspetos das organizações. Comum a todos eles é o Artigo VII, “Status, Imunidades e Privilégios” do BIRD. Leia as 5 secções do Artigo VII: Secção 4. Imunidade de Ativos de Apreensão: Os bens e ativos do Banco, onde quer que estejam localizados e por quem quer que sejam detidos, estarão imunes a busca, requisição, confisco, expropriação ou qualquer outra forma de apreensão por ação executiva ou legislativa. Secção 5. Imunidade de arquivos: Os arquivos do Banco serão invioláveis. Secção 6. Liberdade de ativos contra restrições: Na medida do necessário para realizar as operações previstas neste Contrato e sujeito às disposições deste Contrato, todas as propriedades e ativos do Banco estarão livres de restrições, regulamentos, controles e moratórias de qualquer natureza. Secção 8. Imunidades e privilégios de executivos e funcionários: Todos os governadores, diretores executivos, suplentes, executivos e funcionários do Banco estarão imunes a processos legais com relação a atos praticados por eles em sua capacidade oficial, exceto quando o Banco renunciar essa imunidade. Secção 9. Imunidades tributárias: (a) O Banco, seus ativos, bens, receitas e suas operações e transações autorizadas por este Contrato, estarão imunes a toda a tributação e a todos os direitos aduaneiros. O Banco também estará isento de responsabilidade pela cobrança ou pagamento de qualquer imposto ou taxa. (b) Nenhum imposto será cobrado sobre ou em relação a salários e emolumentos pagos pelo Banco a diretores executivos, suplentes, funcionários ou funcionários do Banco que não sejam cidadãos locais, assuntos locais ou outros cidadãos locais. (…) O outro ramo do Banco Mundial, a Associação Internacional de Desenvolvimento, possui nos seus estatutos uma linguagem protetora semelhante. As seções 4,5,6,8 e 9 de seu artigo VIII contêm praticamente as mesmas estipulações que as do BIRD. E isso também acontece nos Artigos do Acordo do FMI. (…)». Bill Willers, in World Bank, the IMF, and their Iron-clad SecrecyDissident Voice.
  • Israel está a construir mais uma estrada secundária para uso exclusivo de colonos judeus e, mais uma vez, está a roubar terras palestinas para o conseguir. O terreno em questão fica em Huwwara, ao sul de Nablus, na Cisjordânia ocupada. MEM.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Bico calado

  • Este vídeo provocou imensa polémica, despoletada em especial por franjas da extrema-direita anti-imigração. Mas afinal qual é a mensagem da SAS? Vejam e não se arrependerão. A agência de publicidade dinamarquesa &Co, responsável pela campanha da SAS, recebeu ameaças de bomba por email. Em Copenhaga, a rua onde está sediada a companhia aérea foi fechada. Nas redes sociais, a recepção à campanha pelos partidos anti-emigração foi negativa. Mas não foi só a extrema-direita a rejeitar a mensagem da SAS. E qual é a mensagem polémica? Vejam o anúncio. SAS - Scandinavian Airlines
  • «Ao contrário do que escrevi no meu artigo de opinião da passada segunda-feira, Ana Gomes não vendia passaportes indonésios a timorenses no tempo em que esteve na Secção de Interesses Portugueses, que funcionava na embaixada da Holanda na Indonésia.(…)» Pedro Tadeu, in TSF.
  • «Quando aparece um cidadão infetado com o coronavírus, tão ansiosamente esperado, o primeiro comprovadamente português, à falta de um em território nacional, não é uma pandemia que se teme, é o orgulho nacional que se resgata do desprezo do vírus.» Carlos Esperança, FB.
  • Quando Isabel dos Santos estava sob intenso escrutínio, ela voltou-se para um dos maiores paraísos fiscais opacos do mundo: os EUA. Isabel dos Santos e seu marido, Sindika Dokolo, usaram empresas do estado do Delaware para ocultar a posse de uma penthouse em Lisboa no valor de 1,8 milhão de dólares. ICIJ.
  • «Benfica contrata figurantes para marcar presença na Gala Cosme Damião. Empresa Egor colocou um anúncio numa plataforma online de emprego que pedia "figurantes para Gala do Clube de Futebol Português com maior número de sócios". Candidatos tinham de ter "formação ao nível do 12º ano", "excelente apresentação" e "disponibilidade imediata".» Sábado.
  • Benfica pagou milhões ao Limassol por Jovic... que nunca lá jogou, titula o Expresso.
  • Nos EUA, os bilionários têm uma taxa de imposto efetiva menor que as classes médias, confirma estudo de Zuckman e Saez, dois economistas que estudam as desigualdades. NYTimes.
  • Protestos violentos quando Trump chega à Índia e negocia acordo de armas de 3 biliões com Modi, titula a Mint Press News.
  • «O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) condenou Portugal a pagar mais de quatro mil euros ao advogado Ricardo Sá Fernandes, no caso da gravação ilícita de uma conversa com o empresário da Bragaparques, Domingos Névoa. O caso remonta a 2006, quando Ricardo Sá Fernandes foi convidado por Domingos Névoa para um reunião num hotel e gravou, às escondidas, o encontro, no qual o sócio da Bragaparques propôs o pagamento de 200 mil euros para que o seu irmão, José Sá Fernandes e ex-vereador na Câmara de Lisboa, desistisse da ação judicial que impedia que a empresa de Braga trocasse os seus terrenos no Parque Mayer pelos da antiga Feira Popular, que pertenciam à autarquia.» Observador.
  • «(…) É evidente que a suspensão dos voos por 90 dias é uma medida arbitrária e uma vingança por Portugal ter reconhecido Juan Guiadó e a companhia aérea o ter transportado, sem qualquer relação com a segurança do país. (…) Neste momento, o Estado português encontra-se na situação absurda de tentar negociar uma solução para suspensão de voos da companhia nacional para um país onde vivem centenas de milhares de lusodescendentes com um governo que até há uns dias não reconhecia. (…) Mas do governo democrático português esperaria alguma responsabilidade. Não a teve. Agora, ficou na situação caricata de reconhecer quem já não reconhecia e deixar de reconhecer quem tinha reconhecido. Sempre a fingir que ficou tudo na mesma. Por um seguidismo acrítico que pôs os interesses de terceiros à frente dos nossos. (…)» Daniel Oliveira, in Já percebeu o disparate, Augusto Santos Silva? - Expresso.
  • Lufthansa negoceia compra da TAP em parceria com a United Airlines, titula o Expresso.