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sábado, 17 de outubro de 2026

SINES: PORTO QUER SER ZONA FRANCA E CÂMARA PEDE DINHEIRO AO GOVERNO PARA OBRAS NAS REDES DE ÁGUAS E SANEAMENTO

  • Consulta pública até 26 de novembro: Máquina de Papel 2 da Navigator Tissue Aveiro, Cacia. Fonte.

FRANÇA: VIZINHOS PARTILHAM CARROS EM ZONAS RURAIS

© Line Hachem / Reporterre
  • A partilha de carros entre vizinhos: uma solução para a escassez de transportes nas zonas rurais. Em Joigny, Yonne (França), a Ginette é um Renault Zoé elétrico em segunda mão, propriedade da associação Rosalie, criada no final de 2025 para promover a mobilidade sustentável e partilhada na região de Joigny. Mas, acima de tudo, a Ginette é um carro que ninguém possui realmente e que, por isso, todos podem utilizar. Fonte.
  • As empresas chinesas do setor da energia eólica estão a substituir componentes europeus por equipamento nacional por motivos que incluem a segurança e o controlo. Fonte.
  • O boom da fraturação hidráulica na Argentina está associado a uma onda de doenças. Fonte.

BICO CALADO

  • A Alemanha fica para já com a TAP, há 15 anos Berlim quis a EDP, mas a eléctrica foi para a China, que ficou também a controlar a Fidelidade e o BCP (BCP esse que tinha ficado com o BPA), os outros bancos passaram para mãos espanholas, enquanto o Novo Banco foi para os EUA para acabar em França, tal como a velha Portugal Telecom (agora nas mãos dum empresário franco-israelo-marroquino). É olhar para Portugal e ver como esta estratégia foi avançando com uma liga de políticos privatizadores desde Cavaco Silva, passando por Durão Barroso (passou pela Comissão Europeia e acabou num banco dos EUA) até Maria L. Albuquerque (passou por um fundo de investimento dos EUA e acabou na Comissão Europeia), incluindo dezenas de outros ministros, de todos as partidos do arco da governação, que, após prestados os serviços, foram para cargos de topo das empresas anteriormente públicas, vendidas, ao desbarato, pelo mundo fora, de Angola à Alemanha. Oito ex-ministros chegaram a estar, simultaneamente, em cargos de topo na EDP (desconheço se actualmente serão mais ou menos). A soberania financeira foi para Frankfurt, a estratégia política/militar para Bruxelas, Comissão Europeia/NATO, as casas e palacetes, o centro de Lisboa, para os ‘vistos gold’ e fundos imobiliários. A seguir virão atrás das terras e minérios que ainda sobram. Finalmente, tentarão privatizar as praias e a água. Isto não é ser de esquerda, de direita ou do centro. É ser contra um país em saldos que há um quarto século teve de sacrificar a sua indústria têxtil para a Alemanha poder vender mais carros na China. Não têm sido bem ‘vendas’ ou ‘privatizações’. Tem sido um misto de burla, assalto e mutilação. Levaram-nos a camisa, venderam-nos os anéis, paralisaram-nos as mãos e as pernas. Agora levam-nos as asas.” Miguel Szymanski, Foram-se as asas.
  • A LUFTHANSA COMPRA A TAP COM O DINHEIRO DA TAP. Fonte.
  • “A polícia empática e inclusiva existiu enquanto as luzes estiveram acesas. Não há memória no Porto de uma carga policial tão desproporcional. Ao contrário do que disse o primeiro-ministro, ninguém que esteve na D. Joao I viu ameacas à ordem pública ou à tranquilidade. Chamar egoísta, como fez Luis Montenegro, a alguém que pernoita numa tenda ou ao relento para defender os interesses e os direitos de quem não tem casa é indecoroso.” Amilcar Correia, redactor principal do PÚBLICO.
  • “Quando alguém vos questionar sobre a legitimidade das acampadas como protesto, perguntem-lhes o que achavam das acampadas patrocinadas pelos Estados Unidos há 12 anos no centro de Kiev contra o presidente pró-russo escolhido em eleições democráticas. A legalidade só importa quando lhes interessa.” Bruno Carvalho.
  • “(…) em Portugal, montar tendas para reclamar direitos não tem sido tratado como uma emergência de segurança pública, como um ato de agressão ou como um atentado. Tem sido entendido como um ato de protesto legítimo. Para o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, não: montar tendas é coisa que obriga a polícia a correr as pessoas à pancada. (…) Não se pede à PSP que ignore a lei. Exige-se que a cumpra também. E que explique por que razão manifestações com tendas puderam decorrer durante dias ou semanas diante do Parlamento, de um ministério, de uma universidade e do Banco de Portugal sem recurso à violência policial, mas no Porto não. (…)” Pedro Tadeu, Quem foi o bruto que mandou carregar no Porto? – DN 16Out2026.
  • “(…) Depois do escândalo da demissão do secretário-geral da Administração Interna, a violência desproporcionada utilizada no Porto contra manifestantes pacíficos demonstra, de facto, que os dias do ministro da Administração Interna chegaram ao fim. 37 feridos! (…) É aqui que o país de Luís Neves está unido com o país de Ventura. (…) o Chega, através de Pedro Pinto, veio apoiar a violência policial. Ventura e Luís Neves, a mesma luta. (…) perante as manifestações, Luís Montenegro teve uma reacção igualzinha à que Passos Coelho teve quando os portugueses se queixavam dos tempos difíceis da austeridade. Atribuir aos manifestantes "razões egoístas" (!!!!) é o "Não sejam piegas" de Pedro Passos Coelho. Montenegro e Passos podem andar em zaragatas, mas é muito mais o que os une do que aquilo que os separa. (…)” Ana Sá Lopes, Público.
  • "(...) O que não se pode tolerar, de maneira nenhuma, é que alguém monte uma tenda de campismo numa praça pública e estrague a fotografia aos turistas. (...) Pedro Duarte, o presidente da Câmara do Porto, já tinha avisado que seria absolutamente implacável com quem voltasse a montar tendas na via pública. É extremamente reconfortante ver este aprumo estético num homem com passado na Microsoft, que olha para a miséria humana como um simples bug de sistema que se resolve limpando a memória RAM da praça. (...) Uma cidade moderna convive bem com pessoas sem casa. E convive ainda melhor com casas sem pessoas. Agora, pessoas sem casa a tornarem o problema visível a dois passos dos Aliados? Isso desvaloriza o metro quadrado e obriga o senhor engenheiro a olhar para coisas feias a caminho do gabinete. (...) Quando a violência vem de baixo, é um atentado à democracia, quando vem de cima, há sempre um regulamento camarário qualquer à mão para justificar o serviço de limpeza. (...) E o que exigiam aquelas pessoas? Não pediam uma vivenda com piscina ou uma segunda residência na Foz. Protestavam apenas, porque trabalhar quarenta horas por semana já não chega para pagar um T1 com humidade em Campanhã. Parece um pedido razoável, mas talvez esteja desactualizado face ao novo urbanismo de luxo. A nova política social da cidade deve consistir em ensinar os mais pobres a desaparecerem discretamente, de preferência por via de combustão espontânea ou camuflagem urbana, para não perturbarem o trânsito dos circuitos turísticos. A Câmara limpou as tendas. A crise ficou exatamente no mesmo sítio. Intacta. Os feridos também. E amanhã haverá quem atravesse a praça sem sequer sonhar com o que ali se passou na véspera, porque a cidade estará novamente lavada, varrida e pronta para o próximo festival de marketing territorial. Se o problema da habitação ficou assim resolvido para a autarquia Pedro Duarte já pode submeter a candidatura do Porto a Capital Europeia do Cimento Imaculado. No lugar das tendas, o executivo camarário bem podia mandar instalar uns manequins de gesso com fatos à medida vindos da sua alfaiataria presidencial, daqueles que têm um aprumo impecável, não conspiram contra o metro quadrado e, acima de tudo, não sangram para cima do granito quando a polícia os arruma ao pontapé." Luís Rocha, O Porto é lindo, desde que os pobres não apareçam.
  • Em Vigo também há uma acampada. Fonte.
  • À medida que a guerra de Trump contra o Irão faz subir os preços da gasolina, a esposa do candidato republicano ao Senado pelo Michigan, Mike Rogers, foi vista a recorrer a uma tática desesperada — e juridicamente duvidosa — para persuadir os eleitores a votarem no seu marido: distribuir cartões de combustível no valor de 10 dólares. Fonte.
  • Uma criança palestiniana de dois anos assistiu, gritando de horror, enquanto a sua mãe era queimada viva num ataque aéreo israelita contra a sua casa na Cidade de Gaza, na madrugada de quarta-feira, deixando a menina ferida órfã — e recebendo quase nenhuma cobertura dos grandes meios de comunicação norte-americanos. Reem Asaad Awad foi morta quando um helicóptero israelita atacou o apartamento da sua família no bairro de Rimal, por volta das 3h48 da manhã, hora local. Fonte.
  • “As obras paradas do Estádio Municipal poderão estar a servir de abrigo ou local de pernoita. (…) A construção daquele que deveria ser o novo estádio e a casa do SC Espinho arrancou em 2021, mas encontra-se parada desde 2023. São já mais de três anos sem avanços numa empreitada que custou, até ao momento, cerca de 2,8 milhões de euros ao Município.” DE 16Out2026. É municipal, sr jornalista. E se é municipal é para todos os clubes. Não vale a pena reciclar o fadinho cansado e esfarrapado.
  • Há um mês solicitei à Sociedade Ponto Verde o envio da lista completa das 14 câmaras Municipais acionistas da Sociedade Ponto Verde e a percentagem de participação acionista atribuída a cada uma dessas câmaras. Vou continuar a aguardar.

REFLEXÃO

MINI-VENTILADORES, CIGARROS ELETRÓNICOS E RELÓGIOS INTELIGENTES QUE NÃO SÃO UTILIZADOS: UMA MINA DE OURO DE MINERAIS ESSENCIAIS
Jennifer Collins, DW. Rev. O’Lima.


Regista-se neste momento uma crise crescente de resíduos eletrónicos impulsionada pela «tecnologia de consumo rápido» — aparelhos baratos e de curta duração, como cigarros eletrónicos descartáveis, mini-ventiladores e relógios inteligentes. Um novo relatório do WEEE Forum revela que 44% dos europeus possuem pelo menos seis dispositivos deste tipo e que mais de metade guarda em casa artigos avariados ou não utilizados, em vez de os reciclar. Este comportamento espelha a «moda rápida», com quase 40% dos compradores a deitarem fora os artigos no prazo de um mês e 60% a utilizá-los durante menos de seis meses.

Os resíduos eletrónicos a nível mundial totalizam cerca de 62 milhões de toneladas por ano, prevendo-se que atinjam os 82 milhões de toneladas até 2030. Porém, as taxas de reciclagem são baixas: apenas 40% na Europa e 17% a nível mundial. Em 2022, um milhão de toneladas de matérias-primas críticas (manganês, ouro, cobre, alumínio) estavam incorporadas nos 10,7 milhões de toneladas de resíduos eletrónicos da Europa. Estes materiais estão no centro das tensões geopolíticas em torno das terras raras e dos minerais críticos.

A reciclagem de tecnologia de curta duração e a melhoria do design dos produtos são cruciais para reduzir a dependência da Europa em relação a minerais críticos provenientes do estrangeiro e para mitigar os danos ambientais. Tornar a reciclagem fácil e prática — através de devoluções postais gratuitas, máquinas de recolha e mensagens motivadoras — pode aumentar significativamente a participação.

Alémdisso, as regras da UE precisam de ser atualizadas para melhorar a recolha, uma vez que a diretiva, com 20 anos, está desatualizada.


LEITURAS MARGINAIS

PREOCUPADOS COM A INGERÊNCIA RUSSA NA POLÍTICA DO REINO UNIDO? ESPEREM ATÉ VEREM O QUE ISRAEL ANDA A TRAMAR
Jonathan Cook, Substack. Rev. O’Lima.


“(…) Há anos que Israel recorre a trolls de «hasbara» nas redes sociais para manipular os debates públicos no Reino Unido — o cerne da acusação contra a Rússia. Mas, no caso de Israel, a situação vai muito além disso.

Este ano, o Estado israelita aumentou massivamente o seu orçamento de diplomacia pública para 730 milhões de dólares, com vista a expandir as suas operações de influência. Isso inclui levar ainda mais políticos, clérigos, académicos e influenciadores a visitar o país, para os bombardear com propaganda pró-Israel que, provavelmente, irão depois divulgar nos seus países de origem. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, a defesa dos interesses israelitas deve ser tratada «como um investimento em jatos, bombas e interceptores de mísseis».

Já havia provas abundantes no final da década de 2010 de que Israel estava a ajudar a organizar, a alimentar e a amplificar uma campanha para difamar o seu principal crítico, Jeremy Corbyn, rotulando-o de antissemita, a fim de o impedir de chegar a primeiro-ministro.

Além disso, Israel fê-lo ao promover uma nova e falsa definição de ódio aos judeus, através da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). Convenientemente para Israel, essa definição ignora em grande parte o ódio aos judeus para se concentrar, em vez disso, nas críticas a Israel.

Essa foi a intromissão mais flagrante possível naquilo que resta dos processos democráticos britânicos. Os políticos e os media do Reino Unido não só não se opuseram a isso, como procuraram ativamente amplificar as calúnias.

Guerra civil

Esta semana, o lóbi norte-americano fanaticamente pró-Israel, a Liga Antidifamação, revelou que tem vindo a trabalhar com empresas líderes em inteligência artificial — que estão cada vez mais integradas nas plataformas das redes sociais — para suprimir o que denomina «anti-semitismo» — ou aquilo a que o resto de nós se referiria como crítica a Israel.


O CEO Jonathan Greenblatt observou: «Temos tido uma excelente colaboração com o Vale do Silício.» As plataformas, afirmou ele, iriam lidar com os conteúdos de que a ADL não gosta «diretamente no código-fonte» – ou seja, antes de os utilizadores os poderem ver. Isso provavelmente não só irá eliminar as críticas às atrocidades israelitas e as críticas aos governos ocidentais, como o do Reino Unido, por serem cúmplices no genocídio perpetrado por Israel, como também transformará as redes sociais num terreno de jogo para bots e defensores de Israel, dando-lhes carta branca para espalhar a sua propaganda sem qualquer contestação.

Sabemos também, graças ao trabalho dos serviços de segurança franceses — talvez o MI5 estivesse demasiado ocupado a perseguir bots russos para se aperceber —, que uma agência cibernética israelita chamada Blackcore teve como alvo o SNP nas eleições escocesas de maio, além de se ter intrometido nas eleições em França e em Nova Iorque.

As empresas tecnológicas israelitas, especialmente as que se dedicam a software espião, operações secretas e de influência, estão normalmente estreitamente ligadas ao Estado israelita e às suas forças armadas. A maioria dos fundadores de start-ups tecnológicas são ex-membros da secreta 8200 do exército israelita.

A par do SNP, o candidato à câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, e um partido francês de esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon foram alvo de ataques. Porquê? Porque, ao contrário dos seus rivais políticos, todos se atreveram a manifestar-se contra o genocídio perpetrado por Israel em Gaza.

Com semelhanças com o que aconteceu a Corbyn, as campanhas da Blackcore foram concebidas para difamar candidatos. No caso das eleições francesas, foram criadas contas falsas para acusar um candidato de violação e outro de pedofilia.

Um novo documentário, «NAZA», mostra como Israel abriu caminho na utilização da IA para desenvolver novas formas de matar em grande escala em Gaza. Seleciona grupos de alvos para assassinato, muitas vezes matando esses «suspeitos» quando se encontram em complexos familiares, massacrando um grande número de transeuntes no processo.

Portanto, não admira que empresas tecnológicas em Israel tenham sido apanhadas a utilizar a IA de formas igualmente inovadoras e indiscriminadas na Internet, para atingir o público ocidental com desinformação.

No verão, veio a público que o governo israelita tinha criado um site para um falso grupo de reflexão «académico». Num curto espaço de tempo, este produziu quantidades prodigiosas de conteúdo gerado por IA sobre Israel, otimizado para termos de pesquisa comuns, que promovia os argumentos de Israel e sugeria constantemente que as críticas a Israel corriam o risco de alimentar o antissemitismo. Foi criado não só para influenciar os chatbots da Internet a repetirem a sua desinformação pró-Israel, mas também para integrar o seu conteúdo naquilo a que os especialistas chamam de «dados de treino subjacentes», ou seja, os pressupostos inquestionáveis com base nos quais os chatbots funcionam.

Em maio de 2024, a Meta identificou contas falsas sediadas em Israel, «que se faziam passar por estudantes judeus, afro-americanos e outros cidadãos preocupados», a divulgar conteúdo pró-Israel nos EUA e no Canadá, em apoio ao massacre de palestinianos em Gaza perpetrado por Israel.

Há dois meses, a Meta voltou a detetar o mesmo tipo de manobras sujas provenientes de Israel, desta vez dirigidas à Grã-Bretanha, França e Austrália, entre outros países. As contas geradas por IA faziam-se passar «por marcas locais empenhadas na sociedade civil, fontes noticiosas, organizações religiosas e ativistas políticos».

Nomeadamente no caso do Reino Unido e da França, as campanhas de influência foram concebidas para alimentar sentimentos «anti-imigrantes e antimuçulmanos». Israel tem estado fortemente envolvido na divulgação de conteúdos islamofóbicos, alimentando receios de uma suposta «tomada do poder pelos muçulmanos» na Europa, com o objetivo de mobilizar apoio a Israel como baluarte no Médio Oriente contra o Islão e, assim, fomentar a simpatia pelos seus ataques genocidas contra Gaza.

Como consequência, o panorama político na Grã-Bretanha foi desfigurado. O apoio à extrema-direita foi artificialmente inflacionado, polarizando a sociedade britânica. Está a ser aberto o caminho para um autoritarismo mais profundo e para a possibilidade de uma guerra civil.

Sino de morte

Nenhum destes desfechos catastróficos — o sino de morte para o pouco que resta da democracia britânica — está a suscitar sequer o mais ténue interesse por parte do governo de Burnham ou do MI5. Em vez disso, estão a investigar o que, até agora, parece ter sido uma atividade russa muito mais marginal.

Mas não é apenas a influência de Israel que nos deve preocupar. O problema é muito mais profundo, com uma série de outros intervenientes externos nocivos a tentarem distorcer e desfigurar a política britânica de formas que estão em estreita sintonia com as intenções malignas de Israel. O Centro de Defesa da Informação de Burnham não fará absolutamente nada para combater nada disso.

Eis dois outros intervenientes externos poderosos, alinhados com Israel, que contribuem para distorcer a política britânica.

A classe dos bilionários, uma elite transnacional que não tem qualquer lealdade para com a Grã-Bretanha, interfere na nossa política, tornando os nossos partidos políticos dependentes das suas doações. Utilizam o seu dinheiro para comprar influência junto dos principais partidos – e é por isso que, há décadas, pouco importa se votamos nos Conservadores ou no Partido Trabalhista. De qualquer forma, temos austeridade, enquanto os bilionários obtêm autorização para as suas guerras intermináveis, desviando a riqueza pública dos serviços públicos para as indústrias de armamento e para a apropriação de recursos.

Jeremy Corbyn tentou romper com este modelo, financiando o Partido Trabalhista com pequenas doações de pessoas comuns, em vez de recorrer aos bilionários. Como resultado, foi destruído por uma campanha orquestrada pelos bilionários, em associação com Israel e os seus trolls, para o difamar como antissemita.”


Keir Starmer, o sucessor de Corbyn, voltou imediatamente pedinchar dinheiro às grandes empresas, conseguiu o apoio dos bilionários e deu continuidade ao programa de austeridade.

Será que o partido «Reform», de Nigel Farage, é diferente? Claro que não. Mesmo antes de chegar ao poder, ele depende de «criptomiliardários» que vivem na Tailândia e em Hong Kong.

Entretanto, Elon Musk está ocupado a mobilizar as novas «camisas negras» britânicas, lideradas pelo vigarista reincidente Tommy Robinson, para perseguir alguns migrantes «ilegais», em vez de identificar os verdadeiros criminosos que estão a destruir a Grã-Bretanha: os super-ricos como o próprio Musk.

Os bilionários exercem e ocultam a sua influência através da propriedade dos media corporativos. Utilizam os meios de comunicação para promover agressivamente as suas próprias causas — políticas e medidas económicas que garantem o seu enriquecimento contínuo —, normalizando a ideologia extrema do capitalismo neoliberal, com a sua promoção da extração interminável de recursos através de guerras sem fim e do fomento do consumo desnecessário.

A consequência é a destruição das condições de vida humana no planeta. Os bilionários esperam poder sobreviver à catástrofe nos seus bunkers ou congelar os seus corpos até um momento no futuro em que possam ser transferidos para a nuvem.

Uma das funções mais importantes dos media é utilizar campanhas de difamação para destruir qualquer pessoa — como Corbyn e, agora, Zack Polanski — que ameace a posição privilegiada dos bilionários ao propor um programa ligeiramente socialista de redistribuição da riqueza.

Estado vassalo

Se os media britânicos não estivessem totalmente nas mãos da classe bilionária — funcionando como o seu departamento de relações públicas —, talvez soubéssemos mais sobre o papel dos EUA na intromissão na nossa política. As recentes alegações de um suposto «complot terrorista» nas imediações da RAF Fairford — na realidade, uma base da Força Aérea dos EUA que finge ser britânica e a partir da qual os EUA têm travado uma guerra ilegal de agressão contra o Irão — deveriam ter-nos lembrado de que o Pentágono está, em grande medida, no comando da política externa do Reino Unido.

Os EUA têm cerca de 15 bases militares importantes em solo britânico, além de meia dúzia de instalações de serviços secretos de menor dimensão. Como observou recentemente o podcaster norte-americano de direita Tucker Carlson, o facto de a Grã-Bretanha estar repleta de tropas estrangeiras faz de nós pouco mais do que um «Estado vassalo» ocupado.

Os EUA anunciaram recentemente uma modernização no valor de 4 mil milhões de dólares das suas bases no Reino Unido, incluindo a criação de locais de armazenamento para o seu arsenal nuclear. O plano mal suscitou algum interesse entre os políticos britânicos ou os media.

Embora a nossa classe política e os media finjam que o Reino Unido é um parceiro em pé de igualdade numa aliança de defesa ocidental, a NATO, a realidade é muito diferente. A NATO recebe ordens dos EUA, cumprindo as instruções de Washington. É por isso que a NATO tem vindo a orientar-se para a China, rival económico de Washington, que, como é óbvio, não fica nem de longe no Atlântico Norte.

Quando os EUA estalam os dedos, a Grã-Bretanha fica em posição de sentido e aumenta as suas despesas com as indústrias de guerra. Juntamente com os governos europeus, o Reino Unido está disposto a esvaziar os cofres do Estado e a reduzir drasticamente a despesa pública com ainda mais cortes de austeridade para apoiar a agenda militar de Washington para o «domínio global em todo o espectro».

Influência oculta

Grande parte da influência dos EUA na política britânica é cuidadosamente ocultada, operando à porta fechada. No início da década de 2010, os EUA procuravam desesperadamente um pretexto para extraditar Julian Assange do Reino Unido e prendê-lo numa prisão de segurança máxima, mantendo-o fora da vista do público depois de a sua organização, a Wikileaks, ter revelado crimes de guerra cometidos pelos EUA e pelo Reino Unido no Afeganistão e no Iraque. Foi durante este período que Sir Keir Starmer, na qualidade de procurador-geral, viajou repetidamente para Washington para reuniões secretas com responsáveis norte-americanos. Nunca saberemos o que foi discutido. Pedidos ao abrigo da lei da liberdade de informação revelaram que os seus próprios funcionários destruíram todos os registos dessas reuniões. Assim que se tornou político, Starmer foi recrutado para a obscura Comissão Trilateral, fundada originalmente na década de 1970 por responsáveis da administração de Jimmy Carter para lidar com o suposto problema de «um excesso de democracia» nos EUA. A opinião da comissão era que os eleitores se estavam a tornar menos passivos — na altura, devido à guerra do Vietname — e que era necessário encontrar formas de os fazer regressar à docilidade.

Um projeto britânico-americano semelhante consolida os laços entre as estrelas em ascensão da política, dos negócios e do jornalismo britânicos e as elites de Washington. O desequilíbrio de poder entre as duas partes garante que os líderes britânicos em ascensão sejam prontamente preparados para uma visão de mundo atlantista, na qual o Reino Unido é, sem dúvida, o parceiro secundário.

Há uma infinidade de outros «respeitados» lóbis e organizações cujo papel principal é incutir as ideias políticas dos EUA, especialmente as relacionadas com a política externa, no pensamento das elites britânicas. Entre eles contam-se o Grupo Bilderberg, a Chatham House, o Conselho de Relações Exteriores, o Conselho Atlântico, o Grupo Parlamentar Britânico-Americano e a British-American Business.

Os EUA utilizam o seu poder financeiro através destas e de muitas outras organizações para fabricar consentimento para as suas ideologias neoliberais e neoconservadoras extremas. O exemplo mais recente são as subvenções avultadas concedidas a organizações dispostas a exportar a ideologia MAGA de Trump para o Reino Unido, disfarçadas de «educação pública».

Há inúmeras provas que demonstram que foi a pressão da administração Trump que levou à decisão sem precedentes do governo de Starmer de classificar um grupo de desobediência civil, a Palestine Action, como organização terrorista, pela primeira vez na história da Grã-Bretanha. A Palestine Action tinha indignado Israel ao ter como alvo as suas fábricas de armas em solo britânico, destacando assim mais um aspeto da conivência britânica no genocídio de Gaza, e tinha enfurecido Trump pessoalmente ao pintar num dos seus campos de golfe na Escócia a frase «Gaza não está à venda».


Na verdade, as formas como os EUA se intrometem diretamente na política britânica são tão numerosas que é praticamente impossível quantificá-las. A Grã-Bretanha é pouco mais do que uma colónia dos EUA, recebendo imposições sobre questões importantes de política externa — especialmente no que diz respeito aos interesses dos EUA e de Israel — às quais o Reino Unido está invariavelmente com demasiado medo de se opor.

Burnham já está a ceder para reverter a decisão do Reino Unido de acatar um acórdão do Tribunal Internacional de Justiça e de outros tribunais internacionais, segundo o qual a Grã-Bretanha não tem qualquer direito de soberania sobre as Ilhas Chagos e deve devolvê-las às Maurícias. O Reino Unido enfrentou uma reação furiosa de Trump sobre o assunto, porque os EUA mantêm uma base militar ilegal numa das ilhas.

A desobediência por parte do Reino Unido é a exceção, não a regra. O que torna o foco exclusivo de Burnham na influência russa quase ridiculamente irrelevante. Estas acusações furiosas ao Kremlin têm um único objetivo em mente: distrair o público britânico da verdadeira origem da ingerência externa na nossa política.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

MONDIM DE BASTO: ANTIGO QUARTEL SERÁ LABORATÓRIO VIVO

  • O antigo quartel florestal do Fojo, em Mondim de Basto, será um laboratório vivo para investigação e conservação no Parque Natural do Alvão. Este projeto-piloto, com um investimento de um milhão de euros, servirá de modelo para outros parques nacionais e internacionais. O espaço acolherá em permanência uma equipa de vigilantes da natureza do ICNF e investigadores da UTAD. Além da investigação, o LivingLab criará um museu vivo, promoverá o turismo sustentável e valorizará a cultura regional. Fonte.
  • A planeada construção da Barragem da Foupana, localizada no Nordeste algarvio, está a enfrentar uma contestação veemente por parte da Plataforma para a Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e Alentejo. Os ambientalistas avisam que a iniciativa irá acelerar de forma descontrolada a agricultura intensiva no sul do país, replicando um modelo agroindustrial cujos impactos negativos já são visíveis e fortemente criticados no Alqueva e no Litoral Alentejano. Em alternativa propõe-se uma estratégia focada na eficiência hídrica que assenta na modernização urgente das redes de distribuição pública e agrícola para estancar as perdas de água, no reforço da reutilização de águas residuais tratadas em explorações agrícolas e campos de golfe, e na redução drástica dos consumos no setor agrícola, que atualmente absorve 57% de toda a água consumida no Algarve. Fonte.
  • Os maus cheiros causados pelas explorações pecuárias na freguesia da Póvoa da Isenta, no concelho de Santarém, voltaram a gerar protestos. Desta vez foi o próprio presidente da junta, Fernando Vítor, que levou o assunto à última sessão da Assembleia Municipal de Santarém para dar voz ao descontentamento da população. Fonte.
  • Em resposta à Junta de Freguesia de Benfica e à Associação de Moradores do Bairro da Boavista, a Câmara de Lisboa eliminou uma ciclovia que construiu na Estrada do Outeiro de Cima, em Monsanto. Infraestrutura não chegou a durar um mês e foi trocada por um canal de coexistência entre carros e bicicletas a 30 km/h, velocidade muitas vezes desrespeitada. Fonte.
  • Um comboio de resíduos radioativos foi interrompido na noite de 13 para 14 de outubro, perto de Dorsten, no oeste da Alemanha. Alguns ativistas desceram de rapel de uma ponte junto a um nó rodoviário, exibindo uma faixa com a mensagem «Parem com estas asneiras». Três pessoas foram detidas. Fonte.

BICO CALADO

Anadolu/Getty Images
  • A «Campaign for Accountability» solicitou formalmente à Ordem dos Advogados da Califórnia que investigue se a nova secretária de Imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, é de facto advogada. A denúncia do grupo refere que, embora Zacharia tenha obtido o grau de Juris Doctor em 2011 pela Faculdade de Direito da Universidade de Pepperdine, não há qualquer registo de que tenha sido admitida para exercer a advocacia em qualquer jurisdição dos EUA. Fonte.
  • A autora pró-palestiniana Sally Rooney foi impedida de vender livros no Reino Unido. Fonte.
  • A UPGALL – União dos Produtores e Proprietários Lesados pelos Lobos critica a falta de respeito dos media os entrevistaram vários criadores mas não transmitiram essas entrevistas: “É difícil compreender como existe espaço para divulgar projetos, financiamentos e iniciativas de conservação do lobo, mas quando são os próprios produtores a denunciar as consequências dessa proteção, os seus testemunhos aparentemente deixam de merecer atenção.” Fonte.

REFLEXÃO

MILHÕES GASTOS, MAS ANTIGAS MINAS DE JALES CONTINUAM UM HORROR AMBIENTAL
Pedro Almeida Vieira, Página Um.

As antigas minas de ouro de Jales, encerradas há mais de três décadas, continuam a constituir um horror ambiental e a contaminar as águas da região, apesar de investimentos públicos superiores a cinco milhões de euros na recuperação ambiental. Um estudo publicado no passado domingo numa revista científica revela concentrações de arsénio até 5,7 vezes acima do limite para água potável. Entretanto, uma nova empreitada de recuperação, abrangendo também as minas de Covas, prevê mais seis milhões de euros.

Mais de três décadas depois do encerramento das minas de ouro de Jales, no concelho transmontano de Vila Pouca de Aguiar, e cerca de 20 anos após a conclusão de obras de recuperação ambiental que absorveram milhões de euros de fundos públicos, a contaminação das águas subterrâneas e superficiais continua a constituir uma ameaça ambiental e um risco potencial para a saúde humana.


A persistência de concentrações elevadas de arsénio, ferro e manganês, apesar das intervenções realizadas, acaba de ser documentada por uma equipa internacional de investigadores, num estudo publicado no passado domingo, 11 de Outubro, na revista científica Hydrology.

A investigação, intitulada Tracing the Legacy of Gold Mining: Comparative Insights into Water Contamination and Human Health Risks in Italy and Portugal, resulta de uma colaboração entre investigadores da Universidade de Turim e da Universidade do Minho, tendo comparado a contaminação associada a antigas explorações auríferas em Itália e Portugal.

No caso português, a análise incidiu sobre a área mineira de Jales, onde a exploração industrial de ouro e prata decorreu entre 1929 e 1992, deixando escombreiras, resíduos de processamento mineral e galerias subterrâneas que continuam a influenciar a composição química das águas.

Antigas instalações das minas de ouro de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, com a estrutura de acesso ao Poço de Santa Bárbara, que atingia 620 metros de profundidade. Encerrada em 1992, a exploração deixou um passivo ambiental cuja recuperação já consumiu milhões de euros, sem eliminar a contaminação das águas por arsénio. Foto: EDM.

Os investigadores recolheram 17 amostras de água em diferentes pontos da antiga exploração e da sua envolvente em Dezembro de 2024, das quais sete classificadas como subterrâneas e dez como superficiais. As análises revelaram que 53% das amostras apresentavam concentrações de arsénio superiores ao limite de 10 microgramas por litro estabelecido para água destinada ao consumo humano.

O valor máximo atingiu 57 microgramas por litro, correspondendo a 5,7 vezes aquele limite. Foram ainda detectadas concentrações de ferro até 1.258 microgramas por litro e de manganês até 1.866 microgramas por litro, além de episódios de contaminação por alumínio e cádmio.
Os resultados assumem particular gravidade porque os níveis mais elevados de poluição foram encontrados em pontos directamente relacionados com o sistema construído para tratamento das águas provenientes das galerias mineiras e das escombreiras, designadamente na bacia de recepção e no canal de pré-tratamento. A contaminação foi igualmente detectada no rio Peliteira, a jusante da descarga do sistema de tratamento, revelando que os elementos tóxicos continuam a atingir os cursos de água da região.

O ouro encontra-se frequentemente associado à arsenopirite, um mineral que contém arsénio. A exposição dos resíduos mineiros ao ar e à água provoca a degradação desse mineral, libertando arsénio que pode contaminar os solos, rios e águas subterrâneas. Foto: EDM.

A avaliação dos riscos para a saúde humana, efectuada através de modelos de exposição utilizados pela Agência de Protecção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, concluiu que 57% das amostras subterrâneas apresentavam índices de risco não cancerígeno superiores aos limiares considerados aceitáveis.

No cenário de ingestão prolongada dessas águas, todas as amostras subterrâneas ultrapassaram o limiar de risco cancerígeno cumulativo adoptado pelos investigadores. O arsénio representou cerca de 78% do índice de risco não cancerígeno e mais de 99% do risco cancerígeno calculado.

Estes resultados não significam que a população local esteja a consumir as águas analisadas, nem demonstram a ocorrência de doenças provocadas pela contaminação. Contudo, evidenciam a necessidade de controlar a utilização de captações subterrâneas e de conhecer a exposição efectiva dos residentes.

As antigas instalações das minas ouro de Jales deram lugar a um centro interpretativo, dedicado à preservação da memória mineira. Mas o passivo ambiental, marcado pela persistente contaminação das águas, recorda que ainda há muito por fazer. Foto: D.R.

O arsénio inorgânico é classificado como cancerígeno para os seres humanos, estando a exposição prolongada associada, entre outras consequências, a um aumento do risco de cancros da pele, pulmão e bexiga, bem como a alterações cardiovasculares e neurológicas. A presença de manganês em concentrações elevadas também suscita preocupações, sobretudo pelos potenciais efeitos neurológicos da exposição prolongada.

A persistência da contaminação ganha outra dimensão quando confrontada com os investimentos públicos realizados desde o encerramento das minas. De acordo com documentos da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), responsável pela recuperação ambiental de antigas explorações mineiras, a primeira grande empreitada em Jales foi executada entre 2002 e 2003 e representou um investimento contratual de quase 5,4 milhões de euros, destinado à recuperação das escombreiras, impermeabilização de depósitos de resíduos, construção de sistemas de drenagem, estabilização dos terrenos e recuperação paisagística.

A empreitada foi adjudicada ao consórcio Jeremias de Macedo/MT3, numa altura em que a recuperação ambiental estava sob responsabilidade da EXMIN, posteriormente integrada na EDM. Em 2006, foi executada uma segunda intervenção, adjudicada à MT3, no valor de quase 357 mil euros, destinada à construção de um sistema passivo de tratamento das águas provenientes das galerias subterrâneas e dos depósitos de resíduos. No conjunto, as duas empreitadas representam quase 5,8 milhões de euros, sem contar com eventuais despesas adicionais de estudos, fiscalização, manutenção e monitorização.

Obras de recuperação não surtiram efeito. Foto: EDM.

O aspecto mais significativo, porém, é que a própria EDM reconhece, em relatórios, que os objectivos ambientais das intervenções anteriores não foram sequer alcançados. Segundo a empresa, mesmo depois da recuperação das escombreiras, continuaram a emergir águas contaminadas das antigas galerias subterrâneas, acabando por atingir a ribeira da Peliteira. A construção do sistema de tratamento, em 2006, procurou responder a essa situação, mas a persistência dos contaminantes obrigou à preparação de uma nova fase de recuperação.

Esta nova intervenção, denominada Recuperação Ambiental das Áreas Mineiras de Covas e Jales – Fase Complementar, apresenta um investimento global previsto de m,ais seis milhões de euros, embora abrangendo as minas de Covas, em Vila Nova de Cerveira. A empreitada principal foi adjudicada em Agosto de 2024 à empresa Alexandre Barbosa Borges, por um valor contratual ronda 3,79 milhões de euros. O calendário da operação prolonga-se até finais de 2027.

A documentação disponível não discrimina quanto dos seis milhões de euros se destina especificamente a Jales, nem permite determinar a totalidade das verbas já pagas. O Portal Mais Transparência identifica cerca de 4,7 milhões de euros de financiamento europeu para a operação conjunta e apresenta aproximadamente 2,3 milhões de euros de execução, valores que não podem ser confundidos com despesas exclusivamente realizadas na antiga exploração aurífera.

Ruínas da antiga lavaria das minas de ouro de Jales. As estruturas de betão e alvenaria que subsistem pertenciam às instalações industriais onde era processado o minério extraído da exploração, encerrada em 1992. Foto: EDM

Perante a persistência dos contaminantes e a sucessão de investimentos sem resultados positivos, o PÁGINA UM solicitou esclarecimentos à administração da EDM sobre os resultados ambientais das primeiras empreitadas, os custos acumulados de manutenção e monitorização, a eficácia dos sistemas de tratamento, os riscos para as populações e as garantias técnicas de que os novos investimentos permitirão alcançar objectivos que continuam por cumprir.

O jornal questionou ainda a empresa sobre a possibilidade de parte das verbas aplicadas ter financiado soluções insuficientes e sobre os encargos que poderão continuar a ser necessários nas próximas décadas. Não foi recebida qualquer resposta.

A grave situação ambiental e de saúde pública de Jales insere-se num programa mais vasto de recuperação de passivos ambientais mineiros financiado pelo Portugal 2030. Em Maio de 2025, foi anunciado um investimento superior a 19 milhões de euros em três operações no Norte do país, abrangendo as antigas áreas mineiras de Covas e Jales, Pintor e Pejão/Germunde, com uma comparticipação de cerca de 14,5 milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. As intervenções destinam-se à recuperação de cerca de 36,5 hectares de terrenos altamente contaminados.

A impermeabilização das escombreiras das minas de Jales não impediu a persistência de uma grave contaminação por arsénio nas águas subterrâneas e superficiais, apesar dos milhões de euros investidos na recuperação ambiental. Foto: EDM.

O investimento de seis milhões de euros previsto para Jales e Covas integra esse pacote, não constituindo uma verba adicional. O programa pretende reduzir os riscos associados aos resíduos mineiros, melhorar a qualidade das águas e recuperar áreas degradadas, mas o exemplo de Jales demonstra que a avaliação destas políticas não pode limitar-se à contabilização das empreitadas executadas ou dos milhões de euros mobilizados. Na verdade, as empreitadas só têm beneficiado os empreiteiros – e não o ambiente e a saúde pública.

Enquanto o arsénio permanece como uma herança tóxica, as antigas instalações transformam-se em centros interpretativos, promovendo-se visitas guiadas e celebrando-se o património mineiro. A preservação da memória tem o seu mérito, mas dificilmente se compreenderá que o Estado invista milhões de euros para transformar uma antiga exploração mineira num monumento ao passado sem conseguir impedir que esse passado continue a contaminar o presente. Afinal, antes de ensinar aos visitantes como se extraía o ouro, talvez convenha explicar-lhes por que razão ainda não se conseguiu eliminar o veneno que ficou para trás.

LEITURAS MARGINAIS

OBAMA EM LISBOA: O DISCURSO DA ESPERANÇA TRANSFORMADO EM NEGÓCIO DE MILHÕES
Pedro Almeida Vieira, Página Um.

O entusiasmo mediático com a presença de Barack Obama no MEO Arena, no Sábado passado, traduziu-se em aplausos de pé e elogios à sua mensagem, num evento em que voltou a surgir como contraponto ao actual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O prestígio do antigo presidente norte-americano tem, porém, uma tradução comercial: desde que deixou a Casa Branca, em Janeiro de 2017, a participação em eventos e conferências tornou-se uma actividade meticulosamente preparada, com um figurino pré-estabelecido, treinado e ensaiado, onde nenhuma nota sai do tom.

Foto: MEO Arena

Tudo isto com honorários de centenas de milhares de euros ou dólares por cada aparição, por vezes em autênticas tournées, com entrevistadores no lugar dos músicos de acompanhamento e o “vocalista” Obama a interpretar os seus maiores êxitos perante plateias que pagam para ouvir a mensagem e aplaudir a estrela.
Um levantamento a sete dessas participações de Obama ao longo da última década coloca a média do seu cachet entre os 400 mil e 500 mil euros por “performance”, incluindo as estimativas divulgadas por órgãos de comunicação social.

Mas, em regra, o valor cobrado fica no segredo dos deuses, como sucedeu com a recente presença em Lisboa, cujo cachet continua por divulgar. Contudo, o montante estará abaixo de valores cobrados imediatamente à saída da Casa Branca, já que a procura pela presença de Obama é hoje inferior à que se registava em 2017 e 2018, por exemplo.

Foto: MEO Arena

Recorde-se que a entrada neste mercado das conferências e eventos, bastante promissor nos Estados Unidos e que se tem disseminado pela Europa, foi preparada por Obama poucas semanas depois da passagem do poder a Trump. Em Fevereiro de 2017, a Associated Press noticiou a contratação da Harry Walker Agency para representar Barack e Michelle Obama nas intervenções públicas. A agência já trabalhava com Bill e Hillary Clinton, outros protagonistas da passagem dos cargos públicos para o circuito das conferências remuneradas.

Logo em 27 de Abril desse ano, Obama participou num encontro da A&E Networks, em Nova Iorque. Segundo o New York Post, citado pela MarketWatch, recebeu 400 mil dólares por uma conversa de 90 minutos com a historiadora Doris Kearns Goodwin. O “produto” vendido era uma conversa em palco, num formato que se repetiria noutras contratações, e similar à que ocorreu agora em Lisboa.

Nesse mesmo ano, três discursos de Obama em Wall Street geraram uma forte polémica, designadamente entre os democratas. Uma investigação da Bloomberg apontou um valor de encaixe de 400 mil dólares pela presença de Obama num encontro com clientes do Northern Trust, em Agosto. Em Setembro, o ex-presidente dos Estados Unidos participou num evento do influente Carlyle Group, mas o encaixe não foi divulgado. Nesse mesmo mês, ganhou mais 400 mil euros para estar numa conferência da Cantor Fitzgerald. Só estas três presenças terão totalizado 1,2 milhões de dólares de receita.

Cerca de 10.800 pessoas deslocaram-se ao MEO Arena para ver e ouvir Obama. / Foto: MEO Arena

Estes discursos pagos foram alvo de críticas, incluindo de membros destacados do partido democrata, como Bernie Sanders e Elizabeth Warren. Esta senadora tinha pedido uma investigação formal à administração Obama por não ter avançado com a instauração de processos criminais contra responsáveis de Wall Street, na sequência da crise financeira de 2007-2008 e da queda do banco Lehman Brothers. O encaixe milionário obtido por Obama naqueles eventos em Wall Street soou a “prémio” aos olhos de alguns críticos da actuação do antigo presidente dos Estados Unidos na responsabilização do sector financeiro pela crise.

Em Outubro desse ano, uma deslocação ao Brasil trouxe outro contrato de grande dimensão. O jornal digital Poder360 apurou que os honorários cobrados por Obama ascenderam a 500 mil dólares, sem despesas, pela presença num evento promovido pelo Valor Economico, em São Paulo. Obama fez um discurso de 23 minutos, conversou cerca de 40 minutos com o director-geral da Infoglobo e participou num encontro reservado com empresários de topo. Segundo o jornal, as perguntas da conversa em palco tinham sido revistas e aprovadas previamente pela equipa de Obama. Com este evento, a soma de receitas ascendia já a 1,7 milhões de dólares.

Em declarações à AFP, publicadas pela SBS, o porta-voz do gabinete do ex-presidente, Kevin Lewis, afirmou que Obama participava em iniciativas pagas e gratuitas, coerentes com os seus valores, e que os honorários tinham ajudado a financiar um donativo de dois milhões de dólares a programas de formação e emprego para jovens de baixos rendimentos em Chicago.

Foto: MEO Arena

De resto, alguns dos montantes cobrados acabam na fundação de Obama. Foi o caso da presença na conferência dos Les Napoleons, em Paris, em Dezembro de 2017. O Le Parisien indicou que o cachet terá sido fixado em 400 mil dólares e foi encaminhado para a fundação de Obama.

Portugal entrou na agenda de eventos remunerados de Obama em 6 de Julho de 2018. O ECO, citando o Expresso, noticiou que Obama receberia cerca de 500 mil euros pela Climate Change Leadership, no Porto, aproximadamente metade do orçamento de um milhão de euros atribuído à conferência. A intervenção no Coliseu durou 56 minutos, segundo a reportagem do Jornal de Negócios. Dividindo o honorário noticiado pelo tempo em palco, obtém-se cerca de 8.929 euros por minuto. Obama aproveitou a passagem pelo Porto para criticar a política ambiental do presidente republicano.

Em 2019, a conferência EXMA, em Bogotá, acrescentou outro encaixe à lista: cerca de 600 mil dólares por uma hora. A confirmar-se, esta verba eleva a soma arrecadada em dois anos para cima dos três milhões de dólares.

Obama foi presidente dos Estados Unidos entre 2009 e 2017. Após a saída da Casa Branca começou logo a facturar como orador. 
Foto: D.R.


Em Junho de 2022, Obama já cobrava menos. Numa participação num evento em Málaga, a organização terá conseguido contratar o antigo presidente norte-americano por um valor abaixo dos habituais 500 mil dólares. Os participantes pagaram entradas de 1.990 euros e não houve direito a perguntas do público.

Em Março de 2023, a digressão por Sydney e Melbourne voltou a gerar previsões de remuneração milionária na imprensa australiana, indicando-se um cachet global por duas noites. Os preços de entrada variavam entre cerca de 200 e 900 dólares australianos.

Um ano depois, a imprensa belga apontou um montante entre 400 mil e 600 mil euros pela contratação de Obama para uma iniciativa associada ao festival Supernova. O Brussels Times publicou o intervalo de valores e acrescentou que, ainda assim, a quantia cobrada era muito inferior aos dois milhões de euros que Donald Trump pedia para participar em eventos e conferências.

Cartaz do evento “A conversation with President Barack Obama”. / Foto: Game Changers Forum

Também em Março de 2024, a presença em Paris no POwR.Earth Summit permitiu comercializar um pacote de 10 mil euros com fotografia ao lado do antigo Presidente, segundo a revista E-marketing.

Em outros eventos, o secretismo manteve-se, como aconteceu em 2025. Ao anunciar a deslocação a Tampere, a televisão pública finlandesa Yle assinalou que o cachet era desconhecido, como sucedera numa visita a Helsínquia em 2018.

Fora das conferências, a escala dos negócios cresce. Em 2017, a Reuters, citando o Financial Times, referiu que o leilão dos direitos dos livros de Barack e Michelle Obama ultrapassara os 60 milhões de dólares. Quanto à “parceria” com a Netflix, anunciada em 2018, não foram reveladas as contrapartidas financeiras do negócio que foi renovado em 2024, com rumores na imprensa a apontar para receitas de dezenas de milhões de dólares para o casal Obama.

A lista de patrocinadores replica a lista de oradores do Game Changers Forum VI. / Foto: MEO Arena

Mas, ainda assim, com valores mais “acanhados”, o negócio dos eventos e das conferências prossegue. Em Lisboa, o Game Changers Forum voltou a colocar Obama no centro de um evento empresarial que contou com uma lista de 92 patrocinadores, na maioria empresas, que tiveram assim direito a “aparecer” na conferência que tinha Obama como cabeça de cartaz. Participando como orador ou moderador, os patrocinadores puderam tirar dividendos do seu apoio ao evento. Mas também houve entidades públicas ou com capitais públicos na lista de patrocínios: Governo dos Açores; Turismo de Portugal; Câmara Municipal de Loures; e Caixa Geral de Depósitos. De resto, a Agência Tecnológica para a Reforma do Estado desembolsou 10.000 euros dos cofres públicos para pagar à organizadora do evento pelo serviço de “activação de marca Gov.pt no Game Changers Forum VI”.

Além dos patrocínios, houve a receita proveniente da venda de bilhetes, cujos preços oscilaram entre os 39 euros e os 250 euros, colocando a receita mínima em redor dos 400 mil euros.

Por detrás do evento está a empresa Fenómeno Infinito, de Miguel Pina Martins — fundador da Science4you —, que recebeu um apoio de 30 mil euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para criar a plataforma do Game Changers Forum.

Foto: MEO Arena

Contactado, Miguel Pina Martins escusou-se a comentar o preço da contratação de Obama para a sua “performance” no palco do MEO Arena, invocando regras de confidencialidade.

Mas Lisboa foi apenas uma das cidades de passagem de Obama na sua “tour” de 2026. O antigo presidente dos Estados Unidos tem mais três “espectáculos” agendados no Reino Unido: Belfast; Glasgow e Manchester.

O negócio das conferências não é, contudo, exclusivo de Barack Obama. Donald Trump também aproveitou a saída da Casa Branca, após o primeiro mandato, para transformar as aparições públicas numa fonte de receitas milionárias, com honorários ainda mais elevados.

Donald Trump facturou milhões com a presença em eventos após o seu primeiro mandato na Casa Branca. / Foto: D.R.

Segundo uma investigação do The Wall Street Journal, publicada em Julho de 2023, baseada nas declarações financeiras entregues ao organismo federal de ética governamental, Trump recebeu mais de 12 milhões de dólares por 15 participações remuneradas desde Janeiro de 2021, com pagamentos individuais entre 150 mil e 2,5 milhões de dólares.

O valor mais elevado correspondeu à participação como comentador numa transmissão do combate de boxe entre Evander Holyfield e Vitor Belfort, em Setembro de 2021, pela qual recebeu 2,5 milhões de dólares. Trump recebeu ainda dois milhões de dólares por duas intervenções em eventos da Universal Peace Federation e mais de 2,3 milhões por quatro aparições promovidas pela American Freedom Tour.

Estes valores, constantes das declarações financeiras do próprio Trump, demonstram que a comercialização de intervenções de antigos presidentes norte-americanos pode atingir valores astronómicos.

Depois de Lisboa, Obama não vai ter de se esforçar para dizer algumas palavras numa língua que conhece mal, já que as próximas três “performances” vão ser em cidades no Reino Unido. / Foto: MEO Arena

O mais curioso é que Obama questionou num seu livro a influência do dinheiro nos políticos. Esta reflexão de Obama foi citada, em 2017, num artigo no Washington Post, a propósito da presença de Obama em conferências em Wall Street : “se as opiniões destes actores influentes [doadores] não coincidirem inteiramente com aquelas que [o político] outrora defendia, aprende a justificar as mudanças como uma questão de realismo, de compromisso, de aprendizagem das regras do jogo”.

Apesar de não estar na política activa, Obama é uma voz política e um influenciador de peso, com conhecimentos e uma vasta rede de contactos e influência. A questão que se coloca, tanto para Obama como para outros ex-políticos de peso, é se as mensagens que veiculam nos eventos que os contratam são as suas ou as que os patrocinadores querem pagar para ouvir.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

REFÚGIOS CLIMÁTICOS: AÇÃO CLIMÁTICA OU MARKETING?

Madrid. Foto: Ecologistas em Acción.

Turismo de Portugal financia três refúgios climáticos com 210 mil euros em Arroios (Lisboa), Valdujo (Trancoso) e Praia de Mira. Os projetos preveem o reforço das áreas verdes, a instalação de estruturas de sombra, a criação de zonas de descanso e a disponibilização de água potável, entre outras medidas destinadas a reduzir o impacto do calor nos espaços públicos. Fonte.

Neste momento, isto parece uma mera operação de cosmética e de relações públicas, para não dizer de greenwashing. Não terá sido por acaso que o ministério do Ambiente foi mantido à margem. Será, por isso, legítimo perguntar se estes investimentos estão a ser orientados prioritariamente para as populações mais expostas ao calor ou para a valorização  de destinos turísticos.

Anunciam-se contratos assinados, montantes, espaços e soluções previstas. Tudo isso é verificável, mas não demonstra, por si só, quantas pessoas serão efetivamente protegidas durante ondas de calor, quanto baixará a temperatura ou se os espaços serão utilizados por quem mais precisa deles.

O orçamento é simbólico e serve mais para gerar narrativa pública do que para criar impacto significativo. Para avaliar se o dinheiro está bem aplicado, seria útil saber quantas pessoas, sobretudo idosos, pessoas com doenças agravadas pelo calor poderão utilizar os espaços, qual a redução de temperatura prevista, quem assegura a rega, conservação, limpeza, água potável e funcionamento dos equipamentos, como se comparam estas intervenções com alternativas como arborização de ruas, sombreamento de percursos pedonais ou abertura de edifícios públicos frescos.

Se, daqui a dois ou três verões, houver espaços gratuitos, acessíveis, bem mantidos, utilizados pelas populações vulneráveis e com benefícios térmicos demonstráveis, a iniciativa terá produzido resultados para além da comunicação. Se o sucesso continuar a ser medido sobretudo pelo número de contratos, pelo investimento anunciado e pela visibilidade da rede, a crítica de media stunt ganhará fundamento.

Sublinhe-se que estes ‘refúgios climáticos’ não estão articulados com o atual ordenamento do território, a gestão da água e a mobilidade. Por isso, correm o risco de se tornarem "ilhas" de conforto num mar de planeamento urbano inadequado. Esta narrativa é excessivamente otimista, podendo o projeto servir para desviar a atenção da falta de ação estrutural mais profunda. Esta media stunt pode criar expectativas que a escala do investimento não consegue satisfazer. A propósito: 108 municípios portugueses ainda não têm um Plano Municipal de Ação Climática…

ÁFRICA DO SUL: PROTESTOS CONTRA NOVAS EXPLORAÇÕES DE GÁS E PETRÓLEO

  • Ativistas climáticos realizaram um protesto em frente à conferência «African Energy Week», na Cidade do Cabo, África do Sul, apelando ao fim de novas explorações de petróleo e gás em todo o continente e acusando as empresas do setor energético de darem prioridade aos lucros em detrimento das pessoas e do ambiente. Os ativistas da Greenpeace África e da Extinction Rebellion contestaram os esforços para posicionar África como uma nova fronteira para o desenvolvimento de combustíveis fósseis, argumentando que mais investimentos agravariam as alterações climáticas e ameaçariam as comunidades que já enfrentam os seus efeitos. Fonte.
  • Colonos israelitas entraram em olivais de propriedade de palestinianos na zona de Masafer Yatta, a sul de Hebron, na Cisjordânia ocupada, e roubaram azeitonas de árvores pertencentes a agricultores palestinianos. O incidente ocorre num contexto de relatos de repetidos ataques de colonos a agricultores palestinianos durante a época da colheita da azeitona. Fonte.
  • Um cidadão ucraniano vai a tribunal em Hamburgo, acusado de ter sabotado e feito explodir os gasodutos Nord Stream em 2022. Isto levanta questões sobre o possível papel de Kiev nas explosões. Fonte.