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quinta-feira, 19 de março de 2026

AÇORES: RECONSTRUÇÃO DO PORTO DAS LAJES DAS FLORES CONCLUÍDA EM ABRIL DE 2030


Imagem 3D do projeto a executar
  • Consulta pública até 8 de abril: Reconstrução integral do Porto das Lajes das Flores, colapsado a 2 de outubro de 2019 na sequência do Furacão Lorenzo. Prazo de execução: abril de 2025 a abril de 2030. Custo: 195 milhões (+ IVA). Execução: Tecnovia Açores – Sociedade de Construções S.A. (35,5%), Etermar – Engenharia de Construção S.A., (34,5%), Teixeira Duarte – Engenharia e Construções S.A. (20%) e Marques S.A. (10%). Fonte.
  • Portugal: 77,3% da eletricidade produzida em fevereiro teve origem renovável. Fonte.

ESPANHA: FORESTALIA INVESTIGADA POR ALEGADO SUBORNO NO PROCESSO DE LICENCIAMENTO DE PARQUES EÓLICOS E SOLARES

Vista da região do Maestrazgo. Foto: Manel Zaera
  • A Espanha deu início a uma importante investigação de corrupção que envolve alegações de suborno e manipulação de licenças ambientais para parques eólicos e solares ligados à Forestalia. As autoridades realizaram várias detenções e buscas, centrando-se em supostas aprovações irregulares de dezenas de projetos de energias renováveis em Aragão, incluindo o grande complexo eólico de Maestrazgo. As autoridades estão a examinar pelo menos 52 projetos de energias renováveis para detetar irregularidades, incluindo parques eólicos em Maestrazgo (Teruel e Castellón), parques solares associados e potenciais impactos na avifauna, morcegos, paisagens e habitats que podem não ter sido devidamente avaliados. Esta Operação Perserte, envolve alegações de irregularidades ambientais, suborno, branqueamento de capitais, ligação a organização criminosa. Os investigadores acreditam que as avaliações de impacto ambiental (AIA) possam ter sido manipuladas para beneficiar projetos específicos de energia eólica e solar. Fonte.
  • Cientistas apelam à redução em 9 vezes do limite de nitratos na água. Em mais de metade dos municípios espanhóis com medições, já se estará a beber água contaminada. A ciência recomenda reduzir de 50 para 6 mg de nitratos permitidos por litro de água para prevenir doenças como o cancro colorretal. 51% dos municípios espanhóis que analisam as suas águas atingiram e/ou ultrapassaram os 6 mg/l em algum momento de 2024. Fonte.
  • Oklahoma lançou-se num projeto ambicioso para catalogar todos os poços de injeção do estado, que rejeitam no solo os resíduos tóxicos gerados pela perfuração petrolífera. Apesar dos registos indicarem o risco de poluição da água potável, o estado optou por não agir. Fonte.
  • Em Sydney, Austrália, a área média dos jardins da frente diminuiu 46% em zonas onde as casas mais antigas de baixa densidade foram substituídas por casas maiores e modernas. Fonte.

BICO CALADO

  • “(…) O Pacote laboral foi derrotado com uma greve geral que mobilizou 3 milhões de pessoas, a maioria da opinião pública e até alguns sectores de empresários, pequenos, que sabem que a restrição dos salários destrói o que resto do mercado interno. A UGT respondeu ao pacote laboral exigindo a reposição dos direitos pré troika (e claro a CGTP também). Agora querem enganar os trabalhadores dizendo que é preciso um consenso, a UGT senta-se à mesa a recuar, a CGTP fica à porta a querer entrar. Está tudo errado. Quem faz uma greve de 3 milhões não recua, nem fica à porta, avança. Tem força para isso. O fascismo derrota-se com outra greve geral, que derrote o pacote laboral e o Governo. A força dos trabalhadores a vencer, conquistar direitos é que barra o caminho a Ventura. A assinatura de um único artigo deste pacote laboral vai dar força ao Governo e a André Ventura que com a IL já se disse que o quer aprovar. (…)” Raquel Varela.
 
  • A Venezuela conseguiu uma vitória surpreendente por 3-2 sobre os EUA, conquistando pela primeira vez o World Baseball Classic em Miami, Florida, numa final tensa disputada num contexto de tensões políticas. FonteJoshua Diemert critica o comportamento da Seleção dos EUA durante o World Baseball Classic (WBC) por constituir uma glorificação inadequada e perturbadora das forças armadas norte-americanas. A identidade da equipa estava fortemente ligada às forças armadas, recorrendo a imagens e figuras associadas à guerra. Isto incluiu jogadores a usar camisolas com a frase «FRONT TOWARD ENEMY» (encontrada nas minas Claymore) e o treinador a convidar um ex-membro dos Navy SEAL para motivar a equipa, em vez de uma lenda do basebol. Para além de dizer que jogadores como Aaron Judge e David Bednar são jogadores de basebol, e não soldados, Diemert refuta diretamente a ideia de que a política deve ser mantida fora do desporto, afirmando que foram precisamente as ações da Seleção dos EUA que introduziram a política no jogo, ao tomarem partido e envolverem-se em simbolismo militar.
  • A conta média de eletricidade nos EUA subiu 110 dólares — ou 6,4% — durante o mandato de Trump em 2025, revela estudo da Comissão Económica Conjunta do Congresso. Fonte.
  • Mais de 40 % de todos os adultos norte-americanos não conseguem liquidar totalmente o saldo dos seus cartões de crédito todos os meses, ficando assim presos em ciclos de endividamento persistente, admite uma análise da The Century Foundation e da Protect Borrowers. Fonte.

quarta-feira, 18 de março de 2026

PAMPILHOSA DA SERRA: ÁRVORE EÓLICA PARA FAZER ESQUECER DESORDENAMENTO FLORESTAL?

  • A instalação de uma árvore eólica, parte integrante da empreitada de arranjo urbanístico da entrada oeste da vila de Pampilhosa da Serra, encontra-se em fase de testes e será responsável por alimentar a quase totalidade das necessidades energéticas do espaço assim que a obra estiver finalizada. A estrutura é composta por 36 microturbinas eólicas, com uma potência total de 10.800 W, O projeto de requalificação urbanística é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Regional do Centro – Centro 2030. FonteOra aqui está um projetozinho que custou uma pipinha de massinha e que vai fazer arregalar o olhinho ao Zé Povinho e fazê-lo distrair-se dos graves problemas de desordenamento florestal naquela região. Não me admiraria se, daqui a algum tempo, ouvisse dizer que houve romariazinhas aquando da sua estreiazinha. Além de serem caras para a baixa produção energética, vão ser um trambolho após os primeiros momentos de espanto.
  • O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, José Guerreiro, assinou três contratos por ajuste directo com o empresário Jaime Oliveira, através da empresa Tagus Plus, actualmente acusado pelo Ministério Público de falsificação de amostras de amêijoas no estuário do Tejo — amostras que estiveram na origem de 348 intoxicações em cinco países europeus. Fonte.
  • Em Oeiras, nos anos de 1980 e 90 construíram-se parques empresariais isolados, totalmente dependentes do automóvel, à imagem do modelo suburbano americano, atraindo empresas e classes médias e altas para polos monofuncionais localizados sobre os melhores solos do país. O regime de Isaltino, O Maio.
  • Está a ocorrer o corte de uma grande quantidade de pinheiros-mansos na Herdade do Cabeço da Flauta, em Sesimbra, propriedade da António Xavier de Lima – Empreendimentos Imobiliários e Turísticos S.A. Moradores e ativistas (Meco Livre) criticam a falta de transparência e a dimensão do abate. O movimento argumenta que a destruição da mata fragiliza o ecossistema lagunar, fragmenta habitats e reduz a biodiversidade, mesmo estando fora dos limites oficiais da área protegida. Fonte.
  • Três em cada quatro medidores urbanos de poluição atmosférica em Espanha estão mal localizados. Fonte.
  • Pescadores do Nilo ganham mais com a recolha de plástico do que com a pesca. O declínio das populações de peixes, causado pela poluição plástica no rio, obrigou cerca de 180 pescadores de al-Qarsaya a passar da pesca tradicional para a recolha de resíduos. A VeryNile, lançada em 2018 pela empresa social egípcia Bassita, tem como objetivo limpar o rio pagando aos pescadores preços acima dos valores de mercado pelos resíduos plásticos recolhidos. A iniciativa compra plástico a preços significativamente mais elevados do que os que uma central de reciclagem normal pagaria, proporcionando uma alternativa económica à medida que as populações de peixes diminuem devido à poluição. Fonte.
  • O ex-consultor jurídico da DC Solar, Ari J. Lauer, foi condenado a mais de 11 anos de prisão pelo seu papel num esquema de fraude fiscal no setor solar no valor de mil milhões de dólares. Fonte.

BICO CALADO


O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, Joseph Kent, demitiu-se, alegando a sua oposição à guerra em curso dos EUA no Irão. Numa carta partilhada na X, argumentou que o Irão não representava uma ameaça iminente para os EUA e afirmou que o conflito foi iniciado sob pressão externa. Kent, um veterano que afirmou ter sido destacado para combate 11 vezes, também fez referência a uma perda pessoal, descrevendo-se como um «marido Gold Star», cuja esposa foi morta numa guerra anterior. «Não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer numa guerra que não traz qualquer benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas», escreveu ele. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

Como o petróleo de Churchill e a visão de Khomeini alimentaram décadas de agitação no Médio Oriente
Jasim Al-Azzawi, MEM. Trad. O’Lima.


A guerra no Irão não começou com um ataque com mísseis nem com uma declaração. Começou no sufocante mês de agosto de 1953, nos escritórios de um agente da CIA chamado Kermit Roosevelt Jr., neto de um presidente e arquiteto de um golpe de Estado. Começou quando as agências de inteligência americanas e britânicas decidiram que a democracia era demasiado perigosa — que o direito de um povo ao seu próprio petróleo, à sua própria soberania, ao seu próprio futuro, era um inconveniente a ser eliminado.

Mohammad Mosaddegh era tudo o que o Ocidente do pós-guerra afirmava querer: um líder secular, eleito democraticamente, confirmado tanto pelo parlamento como pelo xá, que acreditava — ingenuamente, fatalmente — que a lei poderia proteger o direito de uma nação aos seus próprios recursos. Quando nacionalizou a Anglo-Iranian Oil Company em 1951, cometeu o pecado imperdoável. Ele estava a falar a sério. Winston Churchill, relutante em aceitar que o império tivesse data de validade, dirigiu-se a Dwight Eisenhower com a mão estendida. Eisenhower acedeu. Nasceu a Operação Ajax.

Roosevelt gastou mais de um milhão de dólares a desmantelar uma democracia. Subornou jornalistas para difamar a imprensa. Comprou políticos e oficiais militares em massa. Pagou a multidões para provocarem motins nas ruas de Teerão, criando o caos que justificaria o golpe. A 19 de agosto de 1953, Mosaddegh foi derrubado.

O Xá — maleável, decorativo, ocidental — foi reinstaurado no seu Trono do Pavão. O petróleo voltou a fluir para Londres e Washington. Aos iranianos ficou a lição que definiria os setenta anos seguintes: que a democracia americana é uma arma que ela emprega contra os outros, nunca um presente que ela oferece.

O Xá, agora protegido pelo patrocínio americano, abandonou até mesmo a pretensão de moderação. Criou a SAVAK — polícia secreta treinada pela CIA e pelo Mossad israelita —, uma máquina de tortura e desaparecimentos que se tornou a personificação viva do que a intervenção estrangeira realmente produz. Dissidentes foram detidos, espancados e mortos. Os movimentos democráticos liberais e seculares foram sistematicamente exterminados. O centro político foi esvaziado. Nesse vácuo, uma força sobreviveu: a mesquita.

Os americanos não se limitaram a derrubar um governo. Escolheram, em nome dos iranianos, a sua liderança revolucionária seguinte.

Em 1979, chegou o momento. O aiatolá Ruhollah Khomeini, moldado pelo exílio e pela fúria, conduziu a revolução até ao seu destino. A crise dos reféns que se seguiu não foi um ato de barbárie irracional — foi uma resposta direta e lógica aos acontecimentos de 1953.

Os revolucionários sabiam, por experiência própria, que a Embaixada dos EUA era um centro de comando para a mudança de regime. Tinham visto isso acontecer. Tinham crescido sob as suas consequências. «Morte à América» não era retórica. Era uma memória.

Mas a revolução de Khomeini não se limitou às fronteiras do Irão. Aqui está o segundo pecado original — aquele que transformou uma potência regional numa catástrofe regional. Khomeini declarou que a revolução islâmica não era um acontecimento nacional, mas universal. Ele iria exportá-la. Ele iria destruir as monarquias corruptas do Golfo, os reis e emires fantoches que serviam os interesses americanos enquanto as suas populações sofriam. Ele iria inflamar as comunidades xiitas do Iraque, do Bahrein, do Kuwait e da Arábia Saudita — transformando-as na vanguarda de uma nova ordem política.

As monarquias do Golfo compreenderam a ameaça de forma imediata e visceral. Não se tratava de governos habituados a desafios ideológicos; eram autocracias sustentadas pela riqueza petrolífera e pelas garantias militares ocidentais. Khomeini classificou-os de anti-islâmicos, ilegítimos e servos do Grande Satã. Para ele, isso equivalia a uma sentença de morte. A Arábia Saudita, que tinha a sua própria minoria xiita rebelde e já tinha sofrido a tomada da Grande Mesquita de Meca em 1979, viu em Teerão um inimigo existencial. O Conselho de Cooperação do Golfo, fundado em 1981, não era um acordo económico — era uma aliança quase defensiva contra o contágio revolucionário iraniano.

No Iraque, Saddam Hussein não esperou que o contágio se alastrasse. Ele desencadeou uma guerra. Oito anos, um milhão de mortos — uma guerra que os Estados Unidos apoiaram discretamente, porque Khomeini era o inimigo maior. Washington forneceu informações de inteligência a Saddam.

Esta é a arquitetura do «blowback». O golpe de 1953 não se limitou a derrubar Mosaddegh. Impediu a possibilidade de um Irão moderado e democrático durante gerações. Entregou o futuro aos radicais — primeiro aos radicais do Xá, depois aos dos clérigos. E a estratégia revolucionária de exportação de Khomeini não se limitou a desestabilizar o Golfo. Envolveu toda a região numa guerra fria sectária entre os países árabes do Golfo e Teerão, que desde então consumiu o Líbano, o Iémen, a Síria, o Iraque e o Bahrein em conflitos por procuração que não mostram sinais de abrandamento.

Estamos a viver as longas consequências das decisões tomadas por homens de fato em Washington e Londres que acreditavam que o mundo lhes pertencia e que podiam organizá-lo à sua vontade.

Kermit Roosevelt regressou a casa para escrever as suas memórias e receber condecorações. Os iranianos recolheram os seus mortos. A região acumulou as suas guerras.

Cada míssil disparado neste conflito traz as marcas de 1953. Cada atrocidade sectária ecoa a arrogância revolucionária de Khomeini. Os fantasmas de Mosaddegh e dos mártires da guerra Irão-Iraque não descansam. São os arquitetos não reconhecidos do presente. Até nomearmos o que foi feito — honestamente, sem eufemismos — continuaremos a construir novas catástrofes sobre os alicerces das antigas.

O fogo foi aceso há muito tempo. Continuamos a arder.

segunda-feira, 16 de março de 2026

AMADORA: AUTARQUIA CRIA ‘LINHA BUFO’ PARA DENUNCIAR DESPEJO ILEGAL DE RESÍDUOS EM ESPAÇOS PÚBLICOS

Amadora, dezembro 2019. Etc. e Tal Jornal.

A Câmara Municipal da Amadora lançou um sistema de denúncias que incentiva os munícipes a enviarem fotografias e vídeos de alegadas infrações relacionadas com deposição de entulho e resíduos no espaço público.

Esta “Linha Bufo” , oficialmente chamada ‘Missão: Cidade Limpa’ –, lançada na semana passada pelo município liderado pelo socialista Vítor Ferreira, inclui um formulário online onde o denunciante tem de preencher o seu nome completo, endereço de e-mail, número de identificação fiscal e número de telemóvel, descrevendo a alegada infração e anexando aquilo que o próprio município designa como “Elementos de Prova”.

A Câmara Municipal da Amadora defende a iniciativa como um instrumento de participação cívica destinado a combater um problema que considera crescente na cidade, sustentando que o nível de deposição de entulhos, monos e outros detritos no espaço público se tornou “incomportável”.

O incentivo explícito para que os cidadãos fotografem ou filmem alegados infratores — e que essas imagens incluam matrículas de veículos — pode abrir a porta a situações de vigilância informal entre vizinhos, criando um ambiente de denúncia permanente que lembra sistemas de delação social historicamente controversos.

Mais problemático ainda é o facto de tais imagens poderem ser facilmente manipuladas. Num contexto em que ferramentas de inteligência artificial generativa permitem alterar fotografias, inserir elementos inexistentes ou modificar matrículas com poucos segundos de trabalho, a utilização de imagens enviadas por terceiros como base de processos contra-ordenacionais levanta sérias dúvidas quanto à fiabilidade probatória.

A Administração Pública não pode, em regra, basear decisões sancionatórias exclusivamente em denúncias de terceiros, sobretudo quando estas não são confirmadas por um agente público ou por mecanismos formais de fiscalização. Com efeito, as denúncias podem desencadear uma averiguação administrativa, mas a prova da infração — especialmente quando envolve aplicação de coimas — deve resultar de um ato de verificação efetuado por autoridade competente, garantindo assim a autenticidade dos factos e a possibilidade de contraditório. Caso contrário, abrir-se-ia espaço para situações potencialmente abusivas: denúncias motivadas por conflitos pessoais, interpretações erradas de situações legais ou até manipulação deliberada de imagens.





INGLATERRA: PERENCO PAGA MILHÕES POR FUGA EM OLEODUTO


Em março de 2023, uma fuga num oleoduto operado pela empresa de petróleo e gás Perenco provocou um derrame de petróleo no porto de Poole, em Dorset. Foi declarado um incidente grave, o que levou ao encerramento da zona ao público, incluindo banhistas, pescadores e velejadores. A empresa afirmou que a fuga foi causada por corrosão microbiana num oleoduto subterrâneo. A Perenco foi obrigada a pagar um total de 6,1 milhões de libras para fazer face aos danos ecológicos. A indemnização inclui também pagamentos específicos a grupos locais para projetos ambientais e comunitários. Fonte.

REFLEXÃO

NÃO SE PODE BLOQUEAR O SOL
Julien Jreissati, Greenpeace. Trad. O’Lima.


As manchetes são cada vez mais dominadas pela subida dos preços do petróleo e do gás e pela volatilidade do mercado. Quando a economia global depende de uma fonte de energia centralizada que só está disponível em muito poucos locais no mundo, os mísseis fazem muito mais do que simplesmente interromper o fluxo dessa energia. Abalam os próprios alicerces da estabilidade global, pois toda a sociedade depende de que essa energia continue a fluir.

A crise atual é um argumento trágico e inegável por que devemos acelerar a transição para um sistema baseado em energias renováveis.

Não se trata apenas de emissões de carbono nem de objetivos climáticos. Trata-se de resiliência, segurança e sobrevivência. Eis porque uma transição descentralizada, impulsionada pelas energias renováveis, é um caminho para a paz, a segurança energética e económica:

Fortalecimento da rede elétrica: Não se pode destruir o sol. É incrivelmente difícil desativar uma rede descentralizada de milhões de painéis solares, turbinas, baterias, centrais hidráulicas, etc. A energia distribuída é mais resistente à sabotagem do que algumas centrais térmicas e nucleares massivas e vulneráveis.

Acabar com a dependência energética: Os conflitos provocam bloqueios e colapsos na cadeia de abastecimento. Um país que produz a sua própria energia a partir do sol, do vento e da água não fica à mercê da interrupção das rotas marítimas ou da volatilidade dos mercados do petróleo e do gás.

Soberania económica: Com o aumento dos preços, as nações que dependem de combustíveis importados enfrentam uma inflação devastadora. A transição para as energias renováveis locais funciona como uma proteção contra as crises provocadas pela guerra, mantendo os custos previsíveis para as famílias quando estas estão mais vulneráveis.

Descentralização como defesa: Ao eliminar os «Ormuz» do nosso sistema energético, que podem falhar ou ser bloqueados propositadamente, garantimos que hospitais, escolas e residências possam manter o fornecimento de eletricidade mesmo que a rede nacional seja comprometida. Não é apenas um objetivo energético, mas um imperativo de segurança.

Há muito que defendemos a soberania energética, mas a situação atual demonstra que não se trata de um «luxo verde». É uma necessidade estratégica.

A transição para as energias renováveis é frequentemente apresentada como um objetivo climático. Mas numa região onde a estabilidade é frágil, é também um imperativo de segurança.

Precisamos de construir sistemas energéticos que sejam tão resilientes quanto as pessoas que deles dependem. As energias renováveis são a melhor (e muito necessária) forma de o conseguir.

BICO CALADO

Foto: Grayson Bell/Comedy Wildlife awards
  • O Reino Unido adverte os seus cidadãos contra a realização de fotografias de ataques nos Emirados Árabes Unidos. Isto acontece depois de um britânico de 60 anos ter sido acusado ao abrigo da legislação sobre crimes cibernéticos no Dubai, por alegadamente ter filmado mísseis iranianos a sobrevoar a cidade. Fonte.
  • 22 países vão intervir no processo contra Israel por genocídio. Fonte.