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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

BRASIL: DESFLORESTAÇÃO FORTALECEU CRIMINOSOS NA AMAZÓNIA

  • A devastação promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) na Amazônia não se resumiu à floresta. O desmonte da fiscalização ambiental, associado a ataques aos Direitos Indígenas, incentivos à exploração de áreas florestais e à política armamentista, fortaleceu grupos criminosos na região, que aproveitaram para dominar vastos territórios e oprimir as comunidades locais. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista Transportation Research Part D, desenvolvido por investigadores de instituições brasileiras e europeias com a colaboração do Ministério da Defesa. Segundo a análise, organizações criminosas ganharam terreno entre o final dos anos 2010 e o começo dos anos 2020 na Amazônia, beneficiadas pela omissão do poder público federal da época — comandado por Jair Messias Bolsonaro. Fonte.
  • Uma fuga de combustível al longo de 4 kms no rio Taff, que causou a morte de peixes e levou à emissão de um aviso para que as pessoas fechassem as janelas, foi resolvida cinco dias depois do acidente. O derrame de querosene ocorreu durante trabalhos de reparação nas instalações da GE Aerospace. Fonte.
  • O estado de Maryland gastou 15 milhões de dólares em tecnologias destinadas a reduzir a poluição proveniente de grandes explorações pecuárias, mas um novo relatório alega que projetos mal sucedidos, uma supervisão deficiente e provas limitadas de benefícios ambientais comprometeram o programa. Fonte.
  • Praga de ratos leva ao encerramento das USF da Gafanha da Nazaré. Fonte.

BICO CALADO

Foto: Miguel Szimanski.
  • Breve nota para todos os que criticam e se insurgem contra a confluência de causas nos protestos pela habitação. Já percebemos que vos irritam as bandeiras da Palestina, as do arco-íris, os cartazes contra o capitalismo insano e também contra o fascismo. Não será tanto por oportunismo ou por confusão mental de quem protesta, é simplesmente porque todas essas causas têm um inimigo comum que tem conquistado espaço na última década e que é a prepotência e o poder desmesurado de poucos sobre a vida de muitos. Nuno Camarneiro.
  • "Há uma guerra de classes em curso, é verdade, mas é a minha classe, a dos ricos, que está a fazer essa guerra - e estamos a ganhá-la” (Warren Buffett). É por muitos jovens terem percebido exactamente isso que tivemos um acampamento com tendas no Rossio, até os funcionários dos fundos terem cumprido as suas instruções, dando ordem para arrasar o acampamento e fazendo dezenas de prisões. Se for necessário farão centenas ou milhares de prisões, enquanto nos explicam que a culpa é dos imigrantes do Bangladesh e dos subsídios dos ciganos. Miguel Szymanski, As tendas do Rossio explicadas por um bilionário.
  • Síndrome de Sherwood é uma das práticas mais sujas que um estado pode usar contra um protesto: infiltrar a polícia entre os manifestantes, aumentar as tensões, provocar altercações e depois usar esse caos como justificativa para atacar todos. Fonte.
  • “Podemos dizer que na Europa temos hoje um complexo militar-mediático. O "jornalismo" institucional e empresarial serve para justificar a guerra dos Governos contra as "pessoas". Feito para nos convencer que estes jovens, esmagados pelo preço da habitação, os baixos salários, que os trabalhadores, exaustos e sem serviços públicos, são meros ladrões de lojas que não compreendem a necessidade da UE - a direcção financeira da Europa dos palácios - investir, ou sejam roubar-nos, 800 mil milhões de euros do Estado Social para a guerra e a lucrativa indústria militar de destruição em massa. Não é a roubar lojas que se fazem mudanças, não serve para nada tal acção, é injusto e burro, são aliás necessários comités de auto defesa das manifestações contra os ladrões e os provocadores, parte deles polícias, há farta prova disso, publicada até por deputados, polícias a atacar bens... É na organização política, estruturada e democrática, por conselhos, que se vence. Eles querem-nos desorganizados. Mas Brecht está hoje a ver TV, este deserto mediático que tenta roubar-nos a palavra jornalismo, quando o que fazem é spinismo, e pergunta-se - afinal o que é o crime de roubar uma loja comparado com o crime de roubar um Continente inteiro? Raquel Varela.
  • Jorge Silva Carvalho, um ex-espião, perigoso ideólogo e polícia reformado. Carlos Esperança, Ponte Europa.
  • Gouveia e Melo humilhou e condenou publicamente, a PJM e o Ministério Público trataram de construir uma acusação totalmente infundada e, finalmente e ao fim de 3 anos, uma decisão justa, muito bem fundamentada e intelectualmente séria, absolveu estes 3 honrados militares! aAntónio Garcia Pereira.
  • Sofia Liguori, uma engenheira de investigação que trabalhava na DeepMind, demitiu-se em sinal de protesto, do laboratório pioneiro de inteligência artificial da Google. Desiludida e perturbada pelos contratos militares da Google com os EUA e Israel, Liguori afirma que já não suportava trabalhar numa empresa que iria ajudar a matar pessoas ou a desenvolver tecnologia que «facilita automaticamente a escalada da brutalidade da guerra». Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

CABEÇAS FALANTES: OS COMENTADORES


“(…) Hoje, chocado com um artigo de opinião, em destaque num jornal ‘de referência’ da autoria de alguém só identificado com fotografia e nome, fui ver quem é e o que faz a personagem. Aproveitei e continuei a pesquisa, durante mais meia hora, para ver quem são e o que fazem alguns dos opinadores e comentadores nas principais televisões e jornais que habitualmente me irritam. O primeiro, apologista da repressão policial e da nova lei das rendas, que aparece, com ar de genro perfeito, de fato e gravata, é actualmente gestor do sector privado ligado a fundos de investimento, outro é dono de uma agência de comunicação, ou seja, faz campanhas para os clientes que lhe pagam, um terceiro trabalha para um grande escritório de advogados, um quarto está ligado a institutos privados que representam os interesses dos EUA, o quinto é lobista duma federação, o sexto administrador duma empresa ligada à indústria do armamento e o professor universitário é regularmente convidado para viagens aos EUA e a Israel, depois aparecem alguns lobistas, assessores e avençados disto e daquilo. Nada disto é dito ou explicado pelas televisões ou jornais no espaço que conferem a estes ‘analistas’ e ‘especialistas’.

Tirando algumas ‘vedetas’ do comentário, especializadas em generalidades e posicionadas em destaque para concorrerem mais tarde a cargos políticos, a maioria dos colunistas e opinadores não precisam de ser autoridades nas suas áreas, muito menos reconhecidas. A sua importância advém, aparentemente, de terem a sua fotografia no jornal ou busto na televisão.

Quando um serviço é ‘gratuito’, o ‘produto’ somos nós, neste caso como receptores da opinião e das narrativas que permitimos que os donos da imprensa e da televisão nos imponham. O ‘produto’ são os eleitores, que, nas próximas eleições, votarão de acordo com as opiniões que lhes foram apresentadas, dia após dia, em permanente repetição, até se tornarem factos, verdades e princípios.

Ao contrário de um jornalista que leve o código deontológico a sério (tarefa cada vez mais dificultada pela falta de autonomia editorial das redacções e a crise de emprego na Comunicação Social), os opinadores, comentadores, ‘analistas’ e ‘especialistas’ são convidados pelos donos das televisões e jornais para opinarem aquilo para que foram escolhidos. O que dizem e escrevem passa a ser relevante, porque aparece permanentemente nos jornais e nas televisões (o ‘pluralismo’ atinge-se com uma ou duas vozes, isoladas e em segundo plano, a servir de álibi).

Em vez do actual excesso de opiniões deveria obviamente haver mais jornalismo de investigação e jornalismo especializado (mas aí os resultados são incertos). Para aquilo que se pretende é mais eficaz ter pessoas a debitar opiniões e ‘análises’ em torno da sua visão do mundo que, em destaque online e em ‘prime-time’ nas televisões, fazem eco, só por coincidência, claro, das agendas e dos interesses dos donos e dos anunciantes das televisões e jornais.

Uma dúzia de cabeças a opinar sai muito mais barato e é mais fácil de manipular do que o trabalho de jornalistas, aliás, a maioria dos opinadores e comentadores opinam e comentam de borla. O filho duns amigos, muito mais novo do que eu, perguntou-me, há anos, se devia aceitar escrever uma crónica regular num jornal que não lhe pagava nada. Desaconselhei-o. Disse-lhe que, na minha opinião, o trabalho deveria ser remunerado. Ele ignorou o meu conselho e, após anos de colunas gratuitas a comentários de borla, acabou na vice-presidência dum partido.”


quarta-feira, 21 de outubro de 2026

BICO CALADO

Da série Dois pesos e duas medidas.
  • O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que tentou vender fora do Brasil um sistema que usa inteligência artificial para manipulação política em eleições de forma clandestina. O PL também declarou ter pago R$ 131,9 mil à mesma companhia. Fonte.
Maquinaria pesada do exército israelita, acompanhada por soldados israelitas, arranca de raiz dezenas de oliveiras na aldeia de Kafr Malik, a leste de Ramallah, na Cisjordânia, na Palestina, a 14 de outubro de 2026. [Fotógrafo independente – Agência Anadolu]
  • Um comunicado de imprensa recente publicado pelo Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos realçou o aumento da violência por parte dos colonos israelitas contra os agricultores durante a colheita da azeitona. Os Relatores Especiais da ONU que assinaram o comunicado de imprensa descreveram como o facto de se impedir os agricultores palestinianos de acederem às suas terras está a causar dificuldades económicas, a deslocar comunidades beduínas e de pastores e a comprometer a soberania alimentar palestiniana. O comunicado salientou ainda que Israel alterou a sua política este ano para impedir os palestinianos de colherem azeitonas em terras classificadas como «terras do Estado». Via MEM.
  • A FIFA suspendeu o treinador principal do Egito, Hossam Hassan, por três jogos, na sequência de comentários que fez após a derrota da equipa nos oitavos de final do Mundial frente à Argentina. O avançado Mostafa Zico também foi punido com uma suspensão de cinco jogos. As sanções decorrem da derrota do Egito por 3-2 frente à Argentina, em Atlanta, nos EUA, a 6 de julho, durante o Mundial. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

OS JOVENS PERCEBERAM QUE ESTÃO A SER ENGANADOS POR
POLITICOS QUE LEGISLAM EM INTERESSE PRÓPRIO


Parece que, em média, membros do actual governo e deputados dos partidos de direita têm, cada um, cinco imóveis. A média estatística vale o que vale: se em média cada um tem cinco casas ou apartamentos, na realidade alguns, coincidentemente no topo da hierarquia, onde se tomam as decisões políticas, têm dezenas de imóveis - em seu nome ou em nome de familiares. Os pobres deputados nas bancadas de trás, que só têm uma ou duas casas, estão lá para subir no ranking imobiliário e fazer o seu trabalho: levantarem-se das cadeiras para aprovar as leis que a bancada do governo decide.

Os jovens já perceberam que estão a ser enganados por políticos que legislam em interesse próprio. São, em parte, os mesmospolíticos e deputados que antes aprovavam leis a pedido dos advogados e consultores fiscais do grupo Espírito Santo e companhia, pedidos esses que hoje vêm de todo o lado, dos casinos aos fundos imobiliários, passando pelos donos das estâncias de luxo dos milionários importados dos EUA, da Rússia, de Angola ou do Brasil. São os mesmos políticos, do PSD ao Chega, especializados em criar regimes fiscais obscenamente favoráveis a oligarcas, milionários, ‘visto gold’, ‘residentes não habituais’ ou 'nómadas digitais’ (isto sem excluir o contributo que o PS foi dando ao longos dos anos).

De repente, os jovens portugueses que estudam e trabalham em Lisboa, no Porto ou em Faro, em vez de continuarem a deixar-se enganar e iludir, têm o descaramento de um dia quererem sair de casa dos seus pais, ou de quartos mobilados, e de irem viver para o centro das cidades, numa casa só sua, como se fossem jovens finlandeses em Helsínquia ou austríacos em Viena, onde, por políticas e leis pensadas para esse efeito, as rendas representam menos de 30% do rendimento médio (em Lisboa, arrendar uma casa custa mais de 100% do ordenado médio).

Quando se entrega a gestão do galinheiro a raposas, ao final do dia tem-se muita pena mas não se tem ovos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

PESCAR MENOS PARA PESCAR MELHOR


  • É este o título da reportagem, publicada na revista Climática a 25 de junho de 2025, que acaba de ser galardoada com o Prémio de Jornalismo Positivo, atribuído pela Associação de Jornalistas de Ávila. A sua autora, a jornalista Ana Iglesias, conta uma história de colaboração que permitiu melhorar o ecossistema marinho: há mais de uma década, os pescadores de Roses (Girona) chegaram a um acordo verbal para deixar de pescar bacalhau na zona. A proibição de pesca criou uma aliança atípica entre o setor das pescas, a comunidade científica e as ONG. Fonte.
  • As praias de uma cidade da Califórnia estão a desaparecer. Será que os seus habitantes conseguem inverter a situação? Lois Beckett, The Guardian.

BICO CALADO

  • Sondagens globais abrangentes revelam que Israel é atualmente o país mais impopular do mundo, na sequência do genocídio amplamente documentado que cometeu contra o povo palestiniano em Gaza. A organização «Aliança das Democracias» realiza todos os anos um estudo abrangente denominado «Índice de Perceção da Democracia». Este grupo é financiado pelos aliados mais próximos de Israel, incluindo a União Europeia, organizações financiadas pelo governo dos EUA, a Ucrânia, Taiwan e grandes empresas norte-americanas como a Microsoft e a Palantir. Fonte.
  • Colonos israelitas espancaram violentamente a fotojornalista do «Washington Post» Heidi Levine, de 63 anos, durante ataques generalizados contra apanhadores de azeitonas palestinianos em várias aldeias a leste e a norte de Ramallah. Levine sofreu fraturas e ferimentos depois de colonos a terem espancado e pontapeado repetidamente, arrastado pelo chão e roubado o seu equipamento, segundo o jornalista Jasper Nathaniel. As imagens do ataque captadas pelo jornalista Andrey X podem ser vistas aqui, aqui e aqui. Os ataques deixaram numerosos palestinianos feridos, incluindo um que foi alvejado com munições reais, enquanto os colonos queimavam veículos e oliveiras, roubavam colheitas e expulsavam os agricultores das suas terras. Esta é a maior vaga de ataques deste género por parte de colonos israelitas contra agricultores e produtores de azeite – mais de 200 ataques, segundo a ONU. Fonte.
  • Katie Zacharia demitida após menos de uma semana. «Katie Zacharia não foi despedida por ter mentido», afirmou um estratega democrata. «Foi porque não sabia mentir bem. É uma diferença fundamental.» Fonte.
  • Conheça os jornalistas portugueses mais ‘amigos’ da BigPharma. Página Um.
  • Políticos que estão a mudar leis do arrendamento detêm mais de mil imóveis. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O QUE A NOTÍCIA DO PÚBLICO NÃO DIZ
Jorge Van Krieken.


O Público fez hoje o trabalho que a Entidade para a Transparência devia ter feito há anos. Leu as 220 declarações de quem governa e de quem vota, e contou. 1039 imóveis, 55,6 milhões de euros, 807 mil euros de rendas, 43 sociedades imobiliárias. É um bom retrato, as jornalistas merecem aplauso, mas é um retrato pequeno.

Os 55,6 milhões são valor patrimonial tributário. O VPT (Valor Patrimonial Tributário) não é o valor da casa, é o valor que o Estado inventa para cobrar IMI. Nasce de um valor base de 665 euros por metro quadrado que o Parlamento fixa e não actualiza, e de coeficientes de localização que ninguém revê. Nas transacções reais, o VPT vale entre um terço e metade do preço, e nos prédios rústicos, nem isso. Ainda se calcula a partir do rendimento agrícola de 1989, dezenas de euros por prédio. Álvaro Castelo Branco, secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, declarou quotas em 33 imóveis a um cêntimo cada, 33 cêntimos de património, sem explicar porquê. Não é fraude, é a lei.

Feitas as contas por zona, o património real destes 220 políticos anda entre 150 e 220 milhões de euros. Três a quatro vezes o que o Público publicou. E as declarações são de 2024, antes de mais 20% de subida de preços.

Quem fixa o VPT? Eles. Quem decide se os rústicos são reavaliados? Eles. Actualizar o VPT é aumentar o IMI a si próprios e isso não vai acontecer.

Segunda coisa que a notícia não diz. 807 mil euros de rendas sobre 55 milhões de património dá 1,5%. Sobre o valor real, menos de meio por cento. Dirão que vivem nas casas. Vivem numa, talvez em duas. Isso explica 440 dos 623 imóveis urbanos, não explica os outros 183, nem os 412 rústicos, que são terrenos. Mas o ponto não é esse. O ponto é que a declaração não distingue a casa onde se dorme do apartamento que se arrenda, nem o T3 da garagem, nem a renda cobrada da renda englobada no salário ou paga em dividendos por uma das 43 sociedades. Com estes documentos não se sabe quantos senhorios há na Assembleia. Foram desenhados para não se saber. Por quem? Pela Assembleia.

Terceira coisa. Os 412 rústicos. Olivais, pinhais, courelas de herança, o minifúndio do Norte e do Centro. Património pobre, dirão, e é verdade, enquanto for rústico. Esta mesma maioria aprovou a nova Lei dos Solos, que permite reclassificar rústico em urbano por deliberação da Câmara e da Assembleia Municipal, desde que 70% da construção vá para habitação pública ou a "valor moderado". Parece um travão, mas não é. O valor moderado é 125% da mediana do concelho, com tecto em 225% da mediana nacional, calculado à data da escritura. Quando a lei saiu, esse tecto era 3.737 euros por metro quadrado. Hoje é 5.258. Subiu 41% em dezoito meses, porque sobe com o mercado. Um T2 de 90 metros em Lisboa, a valor moderado, custa 473 mil euros. Quem possui terra e vota a lei que decide o que a terra pode vir a ser não precisa de ser corrupto. Basta que a definição de acessível suba com os preços, e ela sobe.

Quarta coisa. A redução do IRS sobre rendas de 25% para 10% tem um tecto de 2.300 euros. Não é um tecto, é uma amnistia. Cobre praticamente todas as rendas do país e todos os senhorios da bancada.

A Iniciativa Liberal diz que ser proprietário não configura conflito de interesses porque a lei se aplica a milhões. Tem razão na técnica e nisso está o problema inteiro. Quando a classe que legisla coincide com a classe beneficiada, não há conflito de interesses. Há identidade de interesses.

Quinta coisa. O ranking por número de imóveis engana. No topo estão os herdeiros de minifúndios, o primeiro-ministro com 49 rústicos em Espinho, um secretário de Estado com 45 em Vouzela. O dinheiro está mais abaixo na lista. O presidente da Assembleia com 16 imóveis e perto de três milhões de VPT, seis a oito milhões reais. A ministra do Trabalho com 14 imóveis e dois milhões de VPT. Estes são os senhorios urbanos. Os que a lei do arrendamento vai servir.

Sexta coisa, e a que me importa. Tenho 68 anos. Pertenço à geração que comprou casa quando uma casa custava três anos de salário. Esta Assembleia é a minha geração. 88% são proprietários, mais de metade tem dois ou mais imóveis. No país, nem um quarto das famílias tem mais do que uma casa. Legisla-se a partir de quem já tem, para quem já tem, e a factura vai para os filhos. Não é corrupção. É pior, é só uma classe de políticos a legislar para si própria, convencida de que legisla para todos.

O Público pergunta se houve pedidos de escusa.

Não houve.