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quarta-feira, 15 de julho de 2026

PSZAER: FUGA DE INFORMAÇÃO EXPÕE MAPAS OMITIDOS

  • Consulta pública do PSZAER (Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis) termina após fuga de informação revelar mapas nunca divulgados às populações. A Plataforma Nordeste Vivo afirma que só conseguiu identificar a localização concreta das áreas destinadas a grandes projetos de energia renovável através de uma fuga de informação e denuncia a falta de transparência do processo de consulta pública. A Plataforma acusa o Governo de Luís Montenegro de colocar os interesses económicos de grandes multinacionais acima da proteção do território, da agricultura e das comunidades do Nordeste Transmontano. Por isso, pede a suspensão do PSZAER, exige responsabilidades políticas e admite avançar para uma mobilização nacional caso o processo prossiga nos atuais moldes. Fonte. Comentário do Ambiente Ondas3 em 18 de junho de 2026.
  • Água perdida na rede poderia abastecer gratuitamente 1/3 da população – Quercus sugere 10 medidas para gestão mais eficiente.
  • Espanhóis preparam-se para controlar mercado português da alta velocidade ferroviária. Fonte.
  • O Pentágono está a bloquear mais de 150 projetos eólicos devido aos chamados receios relacionados com os drones. As turbinas eólicas podem confundir os sistemas de radar de navios e aeronaves. As suas enormes pás rotativas criam um «flash de pá» nos ecrãs de radar, enquanto as suas bases de aço refletem as ondas eletromagnéticas, tornando difícil distinguir as turbinas de aeronaves ou de outros objetos. Fonte.
  • O Congresso dos EUA está a analisar um projeto de lei extremo que tornaria ilegal processar a indústria dos combustíveis fósseis pelos danos que esta causa ao planeta, à economia e à nossa saúde. O senador Ted Cruz (R-TX) — um dos políticos mais financiados pelas grandes petrolíferas — e a deputada Harriet Hageman (R-WY) apresentaram um projeto de lei denominado «Stop Climate Shakedowns Act of 2026». Apresentaram-no como uma forma de «proteger a energia americana das cruzadas jurídicas da esquerda que punem atividades legais». Na realidade, o que faz é conceder à indústria dos combustíveis fósseis um escudo permanente contra processos judiciais e leis estaduais que procuram responsabilizar financeiramente a indústria pelas alterações climáticas e por induzir o público em erro quanto às consequências catastróficas para a saúde, a economia e o ambiente decorrentes da utilização dos seus produtos. Fonte.

BICO CALADO

  • Um raro momento de verdade e honestidade intelectual nas televisões. Miguel Szymansky.
  • O presidente executivo da Chevron ganhou 104 milhões de dólares enquanto os EUA bombardeavam o Irão. Uma nova investigação revela que os executivos do setor petrolífero dos Estados Unidos embolsaram 1,4 mil milhões de dólares com a venda de ações durante a guerra com o Irão.

LEITURAS MARGINAIS

AIR INVICTUS: MAIS DE 5 MILHÕES DE FACHADA TURÍSTICA PARA PROMOVER A INDÚSTRIA DE DEFESA NACIONAL


Entre 19 e 21 de junho de 2026, o Air Invictus decorreu no Porto, Gaia, Maia, Matosinhos e Espinho. Foi vendido como um grande evento aéreo aberto ao público, com entrada gratuita e promessa de um milhão de visitantes. Na realidade, tratou-se de uma operação financiada maioritariamente com dinheiro público que serviu, acima de tudo, para promover a indústria de defesa nacional e garantir acesso privilegiado a quem pode pagar.

O dinheiro que foi gasto

O evento consumiu pelo menos 5,45 milhões de euros de fundos públicos:
- Turismo de Portugal: 3,89 milhões de euros
- Câmaras municipais:
- Porto: 425 mil euros
- Gaia: 425 mil euros (além deste valor, a Câmara organizou duas áreas VIP)
- Matosinhos: 325 mil euros
- Maia: 325 mil euros
- Espinho: 50 mil euros (para o período de 12 a 19 de junho)

Estes apoios foram aprovados em grande parte antes de existir licença da Autoridade Nacional da Aviação Civil. A autorização só foi emitida na véspera do evento.

O que o evento realmente foi

Para além das corridas aéreas e acrobacias, o Air Invictus incluía a Eyes in the Sky, uma feira dedicada à indústria de defesa aérea, aeronáutica e aeroespacial. Participaram empresas com participação estatal, com exposição de drones, sistemas não tripulados e equipamentos militares.
O evento foi apresentado oficialmente como alinhado com a Estratégia 2035, que visa parcerias internacionais, incluindo com países árabes e asiáticos. Em junho de 2026, o ministro da Defesa anunciou que Portugal admitia participar em operações com drones no Estreito de Ormuz — capacidades que foram precisamente promovidas durante o festival.
Ou seja: o que foi justificado como “promoção turística” funcionou, na prática, como uma montra de capacidades de defesa e de posicionamento estratégico.

As promessas e a realidade

A organização repetiu que o evento atrairia 1 milhão de visitantes. No entanto, a transmissão em sinal aberto na TVI obteve uma audiência de 425 mil espectadores em todo o país. É difícil sustentar que mais gente tenha assistido presencialmente do que viu na televisão.
Também foi garantido que viriam 300 mil estrangeiros. Os preços dos hotéis no Porto não subiram de forma significativa em alguns casos chegaram mesmo a baixar, o que contraria a narrativa de grande afluência internacional.
O retorno económico de 100 milhões de euros foi amplamente anunciado. Até ao momento, não existe qualquer auditoria independente que confirme este valor.

Quem beneficiou realmente

- A indústria de defesa com participação estatal ganhou visibilidade e contactos num momento de crescimento das exportações e de discussão de novos programas europeus.
- O organizador ganhou projeção nacional e posicionamento para futuras edições ou negócios relacionados com aviação e defesa.
- As elites tiveram acesso a zonas VIP exclusivas — algumas delas organizadas pela própria Câmara de Gaia —, com bilhetes que chegavam aos 3.500 euros por experiência premium.
- Os autarcas envolvidos obtiveram imagem de grandes eventos internacionais.

Enquanto isso, o contribuinte comum pagou a maior parte da conta e setores locais, como os operadores turísticos do Douro, viram a sua atividade condicionada.

Falta de transparência

Não existe, até hoje, uma auditoria independente que confirme o número real de visitantes ou o impacto económico efetivo. Os custos operacionais das duas áreas VIP organizadas pela Câmara de Gaia nunca foram tornados públicos. Os 5,45 milhões de euros de dinheiro público nunca foram detalhados ao cêntimo.
A justificação de “evento turístico” serviu para canalizar verbas para um projeto com forte componente de promoção industrial e estratégica, com muito menor escrutínio do que teria se o financiamento viesse diretamente do Ministério da Defesa ou da Economia.
O Air Invictus não foi uma festa popular. Foi uma operação paga com dinheiro público que serviu, essencialmente, para promover interesses da indústria de defesa e garantir experiências exclusivas para quem pode pagar.
Com mais de 5,45 milhões de euros dos contribuintes, criou-se um evento em que as elites tiveram acesso privilegiado a zonas VIP, a indústria de defesa ganhou montra e contactos estratégicos, e os autarcas obtiveram projeção. O resto — a narrativa de grande evento popular e de forte retorno económico — não foi comprovado de forma independente.
Isto não foi apenas despesismo. Foi o uso de verbas públicas, justificadas como turismo, para servir objetivos industriais e estratégicos, enquanto se oferecia acesso premium a uma minoria. O povo pagou. Poucos beneficiaram. E as contas claras ainda não foram apresentadas..

terça-feira, 14 de julho de 2026

ITÁLIA DESPERDIÇA 42% DE ÁGUA

  • Em Itália, 42 % da água potável que entra na rede é desperdiçada. E isso custa-lhes 9,8 mil milhões por ano. Fonte.
  • O Lago Salton, o maior lago da Califórnia, está a secar, agravando a poluição atmosférica nas comunidades vizinhas. As autoridades estão a trabalhar a todo o vapor para conter a situação, mas, para algumas famílias, já é tarde demais. Fonte.

BICO CALADO

  • Colonos israelitas armados, equipados com espingardas M4 de fabrico norte-americano, detiveram o congressista norte-americano Ro Khanna e outros cidadãos norte-americanos na Cisjordânia, ocupada ilegalmente. Quando os soldados da ocupação israelita chegaram, terão, alegadamente, tomado o partido dos colonos e prolongado a detenção. O democrata da Califórnia viajava na semana passada perto da aldeia palestiniana de Khirbet Zanuta, nas Colinas do Sul de Hebron, quando os colonos bloquearam o veículo da delegação de Khanna. Khanna afirmou que os homens armados cercaram a carrinha, deram pontapés nos pneus, ridicularizaram e filmaram as pessoas no interior, deixando os membros da delegação a temer pelas suas vidas. Em vez de afastar os colonos e reabrir a estrada, quatro soldados israelitas juntaram-se a eles e continuaram a obstruir o caminho da delegação. Fonte.
  • "O Ocidente não vai punir os colonatos. A sua solução de dois Estados sempre foi uma farsa. Há décadas que a UE tem vindo a conceber formas cada vez mais complicadas de evitar penalizar os colonatos ilegais de Israel, mesmo quando estes destroem a solução de dois Estados que a UE afirma ser o único caminho para a paz na região." Jonathan Cook, Substack.
  • A Federação Norueguesa de Futebol e a sua presidente, Lise Klaveness, pretendem levar as exigências de sanções contra Israel para o centro das atenções do futebol europeu. Fonte.
  • Outro Luís, as mesmas obras. Tiago FrancoEsta ‘investigação’ é um biombo para esconder o caos dos Exames?
  • “O Ministério da Educação e o EduQA geriram este processo da pior forma possível, pelo menos se o avaliarmos na perspetiva dos alunos (que deveriam merecer a principal atenção), dos professores e do interesse público. Quanto aos diretores, aos secretariados de exames e restantes estruturas intermédias, tendo sido colocados numa posição ingrata, sem autonomia e com a função de absorver e executar as decisões a nível central, teriam, face ao que está em causa, a obrigação moral de assumir outras posições. O silêncio é revelador e a falta de dimensão ética fica evidente.“ João Sá.

LEITURAS MARGINAIS

O JORNALISMO METIDO A ESPERTO


Há uma diferença fundamental entre informar e querer conduzir o pensamento do público. O bom jornalismo faz perguntas, procura respostas, confronta versões e apresenta os factos. O mau jornalismo acredita que já conhece as respostas antes de as ouvir e tenta enquadrar tudo aquilo que é dito dentro da narrativa que considera mais conveniente.

É precisamente aqui que, em muitas ocasiões, tenho a sensação de que alguns canais televisivos portugueses, em particular a CNN Portugal, se desviam da sua missão.

Convidam especialistas militares, antigos oficiais-generais, investigadores e analistas precisamente porque possuem conhecimentos que a maioria dos jornalistas não possui. No entanto, mal esses especialistas apresentam uma análise que não coincide com a linha dominante do canal, o jornalista deixa de ser entrevistador para passar a ser contraditor. Não procura compreender melhor a análise; procura desmontá-la, muitas vezes sem apresentar factos novos, apenas uma convicção. Então surge uma pergunta: se o jornalista já sabe a resposta, para que convida o especialista?

O contraditório é uma das bases do jornalismo. Mas contraditório não significa substituir conhecimento técnico por opinião. Significa confrontar uma análise com dados, documentos, declarações ou outras análises igualmente fundamentadas. Quando isso não acontece, a entrevista transforma-se num duelo entre quem estudou um conflito durante décadas e quem apenas conduz a emissão. Ora, o resultado acaba por ser mais grave do que parece.

Ao longo dos últimos quatro anos, a cobertura da guerra na Ucrânia tem sido, em muitos momentos, marcada por uma leitura predominantemente alinhada com a perspetiva política e estratégica da NATO. É natural que um meio de comunicação ocidental acompanhe de perto essa visão. O problema surge quando essa perspetiva passa praticamente a monopolizar a interpretação dos acontecimentos.

Entretanto, a realidade do terreno continua a impor-se. A Ucrânia demonstra capacidade para realizar ataques de longo alcance contra infraestruturas russas, recorrendo a meios fornecidos pelos seus aliados. Esses ataques existem e fazem parte da guerra. Mas, simultaneamente, o conflito terrestre continua a ser o fator decisivo. E é aí que se mede quem controla o território.

Uma guerra não se vence apenas pela capacidade de atingir alvos distantes. Vence-se, sobretudo, pela capacidade de manter ou conquistar terreno. A imagem talvez seja simples, mas ajuda a compreender o problema: imagine-se alguém que vê, dia após dia, a sua casa ser ocupada. Primeiro perde o quintal, depois a garagem, mais tarde um quarto, depois outro, e finalmente parte da varanda. Apesar disso, continua sobretudo preocupado em atirar pedras ao quintal do vizinho. As pedras podem causar incómodo. Podem até provocar alguns estragos. Mas não alteram o facto de a sua própria casa continuar a ser ocupada.

É esta diferença entre impacto mediático e realidade militar que nem sempre é explicada ao público com o equilíbrio necessário. O jornalismo não tem obrigação de favorecer a Rússia nem a Ucrânia. Também não deve favorecer a NATO nem qualquer outra potência. Tem apenas uma obrigação: ajudar os cidadãos a compreender a realidade.

Se uma ofensiva perde território, isso deve ser noticiado com a mesma evidência com que são noticiados os ataques de drones. Se uma operação tem êxito estratégico, deve ser explicado porquê. Se falha, também.

Porque uma sociedade bem informada toma melhores decisões do que uma sociedade alimentada por expectativas que os acontecimentos acabam por desmentir. O jornalismo deixa de cumprir plenamente a sua função quando privilegia a narrativa em detrimento da realidade observável.

Os cidadãos não precisam de comentadores que lhes digam aquilo que desejam ouvir. Precisam de profissionais que lhes expliquem aquilo que realmente está a acontecer, mesmo quando essa realidade contraria as preferências políticas, ideológicas ou emocionais de cada um.

No fim de contas, a credibilidade de um meio de comunicação não depende de confirmar aquilo em que acredita. Depende da capacidade de descrever os factos com rigor, de ouvir especialistas sem os transformar em adversários e de permitir que seja o público - e não a redação - a formar a sua própria opinião.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

GRONELÂNDIA: O LEGADO TÓXICO DE 80 ANOS DE OCUPAÇÃO MILITAR NORTE-AMERICANA

  • O que os EUA deixaram para trás na Gronelândia. O legado tóxico de 80 anos de ocupação militar norte-americana. Parte 2 de uma série de três partes. A Parte 1 analisou os PFAS na Base Espacial de Pituffik. A Parte 3 irá abordar os recursos que os veteranos norte-americanos interpuseram junto da Administração dos Veteranos dos EUA, alegando cancros e doenças resultantes da sua exposição a toxinas na Gronelândia. Pat Elder, Military Poisons. Veja-se o que os mesmo fizeram na base aérea das Lajes (Terceira-Açores)
  • Os procuradores albaneses alegam que o empresário Artur Shehu, que vendeu terrenos costeiros no valor de cerca de 110 milhões de euros para um resort de luxo apoiado por Jared Kushner, utilizou escrituras de propriedade falsificadas para reivindicar a propriedade. As autoridades acusam também Shehu de branqueamento de capitais, tráfico de droga e utilização de rendimentos de atividades criminosas para construir um império imobiliário. Congelaram os rendimentos da venda, impedindo-o de receber o dinheiro. Shehu nega todas as acusações através do seu advogado. Os promotores imobiliários afirmam acreditar que a compra dos terrenos foi legal e que irão cooperar com qualquer processo judicial. Fonte.
  • Consulta pública até 21 de agosto: Projeto de aumento da Capacidade de Valorização Energética de Resíduos Não Perigosos no Centro de Produção de Souselas da CIMPOR. Pretende-se aumentar a quantidade de resíduos não perigosos usados como combustível alternativo nos fornos de Souselas, reduzindo combustíveis fósseis e alinhando a produção de cimento com políticas de economia circular. Os vizinhos alertam para o aumento do tráfego de camiões com resíduos, eventual aumento de emissões atmosféricas, cheiros, poeiras e ruído.odor, poeiras e ruído. A Cimpor de Souselas é a 4ª empresa que mais polui em Portugal.

BICO CALADO

  • CR7 está fortemente blindado por uma engrenagem muito bem oleada e que é suportada por agentes que pagam avenças, por vezes migalhas, a jornalistas, comentadores, influenciadores que servem de tropa de choque contra todo o tipo de dúvida, crítica ou dissidência. A imagem de marca é suportada por uma invisível frota aquartelada em paraísos fiscais, de onde flui dinheiro para alimentar toda esta engrenagem. E quanto mais referes a tal marca intocável, mais recebes consoante o teu ‘poder’ influenciador. Ao som de ‘Money’, dos Pink Floyd.
  • Francesca Albanese: «O mundo não está a dormir — está a desviar o olhar». Fonte.
  • Os membros europeus e canadianos da OTAN subornaram, na prática, o presidente Trump com uma promessa de 160 mil milhões de dólares para garantir o seu apoio e evitar que a cimeira da OTAN fracassasse. Uma vez que os EUA deixaram de enviar dinheiro para a Ucrânia, esse dinheiro será utilizado para comprar armas e equipamento americanos, canalizando assim um subsídio maciço para o complexo militar-industrial dos EUA. Antes da cimeira, Trump criticava a NATO, classificando-a de «inútil e ridícula». Os líderes europeus, desesperados por manter a guerra por procuração contra a Rússia, ‘ajoelharam-se’ com lisonjas e esta promessa financeira para convencer Trump a dar uma reviravolta e declarar a «unidade» da NATO. Fonte.
  • Um relatório divulgado pelos democratas da Câmara dos Representantes alega que Trump e a sua administração direcionaram contratos e eventos oficiais para os seus próprios estabelecimentos (como hotéis e clubes de golfe Trump) para lucrar com a celebração. Os democratas afirmam que isto permitiu que governos estrangeiros e lobistas ganhassem o favor da administração, gastando dinheiro nos negócios de Trump sob o pretexto de participar nas festividades do aniversário, esbatendo assim as fronteiras entre as funções oficiais do Estado e o ganho financeiro privado de Trump. Fonte.
  • A RTP devia ter mais cuidado nas transmissões em direto. Nesta transmissão de uma missa campal, no âmbito doas Festas do Espírito Santo, publicidade a um banco aparecem por trás dos sacerdotes. A imagem não é manipulada. De facto, atrás do palco da celebração, no Largo da Matriz de S. Sebastião, em Ponta Delgada, Açores, está a sede de um banco. A RTP deveria ter tido o cuidado de prever esta situação e dela ter chamado a atenção dos organizadores. Se não o fez, corre o risco de suspeita de pactuação com interesses insondáveis.
  • A IA na Era da Oligarquia. Por que razão a desigualdade extrema irá agravar os efeitos negativos da tecnologia a nível social, político e económico. Paul Krugman, Substack.
  • A 11 de julho de 1974, uma bomba explodiu na bagageira de um carro em Montbéliard, França. Foram encontradas mais bombas, juntamente com panfletos anticomunistas. Pertenciam a um mercenário contratado pelos dirigentes da Peugeot para se infiltrar e destruir a organização dos trabalhadores. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O LUÍS A TRABALHAR PARA AINDA ESTRAGAR
Jorge Rocha, Ventos Semeados.


José Luís Carneiro disse que Luís Montenegro está a trabalhar para ser o pior primeiro-ministro desde o 25 de Abril. É uma acusação séria e, convenhamos, ambiciosa. Porque a concorrência é feroz.

Pense-se em Durão Barroso, que abandonou o país a meio do mandato para ir presidir à Comissão Europeia, deixando a pasta a quem se sabe. Pense-se em Santana Lopes, precisamente esse a quem se sabe, cuja passagem por São Bento foi tão breve quanto memorável pelas piores razões. Pense-se em Passos Coelho, que empobreceu o país com método, exportou uma geração inteira e chamou-lhe "ir além da troika". Para bater este pódio, Montenegro precisa de trabalhar muito. E, justiça lhe seja feita, tem trabalhado.

A propaganda dizia "Deixem o Luís trabalhar". Era um apelo infantil, ao qual o país acedeu com a benevolência de quem dá uma oportunidade. Passados dois anos, o slogan pede revisão urgente. Deveria ler-se: "Não deixem o Luís estragar ainda mais."

Porque estragar é o que tem feito, e com aplicação. Recebeu dos socialistas uma herança que ninguém dirá famosa — havia listas de espera, faltavam médicos de família, a habitação já era um problema. Mas havia também contas certas, crescimento acima da média europeia e um Estado que ainda funcionava como Estado. Montenegro pegou nisto e conseguiu piorar tudo em simultâneo, o que exige uma coordenação notável do desastre.

Na saúde, mais gente sem médico de família do que quando chegou. Na educação, o caos nos exames nacionais e um ministro que culpa agrafadores. Na habitação, preços que continuam a expulsar a classe média das cidades onde trabalha. Nas contas, a receita inflacionada por impostos sobre combustíveis que colocam as famílias portuguesas entre as mais penalizadas da União Europeia. E nas tempestades, um relatório presidencial a falar em improviso e insuficiência de coordenação.

Vinte e cinco pacotes de medidas depois, o país continua à espera de que algum deles produza efeito. Talvez seja essa a genialidade do método: anunciar tanto que ninguém tenha tempo de verificar se alguma coisa foi feita.

Carneiro pode ter razão. Montenegro trabalha, de facto, para o pódio. Falta saber se chegará a tempo de destronar Passos Coelho, que ainda detém o recorde absoluto de devastação social por mandato. É uma corrida renhida e o primeiro-ministro tem dois anos pela frente.

A menos que...