sábado, 21 de outubro de 2017

Alemanha: 3/4 dos insetos voadores desapareceram das reservas naturais

Imagem captada aqui.
  • Três quartos dos insetos voadores desapareceram das reservas naturais alemãs nos últimos 25 anos, conclui um estudo de investigadores da Radboud University, na Holanda, e da Sussex University, no Reino Unido, publicado na revista Plos One.
  • Na República Checa, nem um único hectare foi cultivado com milho transgénico em 2017. Em Portugal, a previsão oficial é de uma redução de 10,3%. InfOGM.
  • Ali and Aysin Büyüknohutçu foram assassinados após terem conseguido uma vitória judicial para o encerramento de uma pedreira de mármore na Turquia. The Guardian.
  • Um grupo de cidadãos está a lutar judicialmente contra a concretização de um megaprojeto em Miami-Dade Couty, na Florida. O centro comercial da Walmart e 900 apartamentos vão arrasar uma floresta junto do parque nacional de Everglades, uma área de riquíssima biodiversidade. OIANews.
  • A popularização de carros de auto-condução poderá aliviar o congestionamento rodoviário, mas vai incentivar a expansão urbana. OIANews.

Reflexão – Como recuperar florestas ardidas?

Foto: Zé Manel/National Geographic

Se queremos recuperar as florestas ardidas, é fundamental proteger o solo e reduzir os processos erosivos agravados pelas chuvas, sugere a Greenpeace

Duas estratégias: 
  • (1) extrair a madeira queimada sem a arrastar no chão, evitando a formação de sulcos que só facilitam a circulação de água e dificultam a recuperação natural do coberto vegetal
  • (2) erguer pequenos diques perpendiculares à inclinação de encostas íngremes para travar o arrastamento de terra, evitar a perda de solo e, consequentemente, reduzir o perigo de cheias e de contaminação de cursos de água 

Bico calado


Imagem captada aqui.
  • «(...) Talvez a culpa seja minha, porque fui deputado e participei na construção de uma democracia que a páginas tantas se distraiu e não soube resolver problemas estruturais, como o reordenamento do território e das florestas, assim como o combate ao abandono e à desertificação do país. Não se ouviu como se devia ter ouvido o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles. É certo que por vezes protestei, mesmo contra o meu próprio partido. Mas não foi suficiente. Não consigo calar-me e sinto-me culpado. Já disse que não sou um especialista. Mas acho que os meios de combate aos incêndios devem passar para o Estado. Os meios aéreos para a Força Aérea Portuguesa. E é óbvio que se torna urgente a criação de um corpo nacional de bombeiros profissionais organizado segundo normas e regras de tipo militar (...)» Manuel Alegre in Não consigo ficar caladoDN 18out2017.
  • «Moçambique é um dos países mencionados no relatório. O consórcio de jornalistas africanos destaca o caso de Montepuez, na província de Cabo Delgado, onde os habitantes são violentamente expulsos dos campos de exploração de rubis detidos por generais e ministrosMacua.
  • A autoridade bolsista dos EUA acusou a mineira Rio Tinto e dois antigos executivos de fraude por inflacionarem o valor de ativos de carvão adquiridos por 3,7 mil milhões de dólares. Lusa/Macua.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Suiniculturas na mira do ministro do Ambiente

Imagem: Biju Boro/AFP/Getty Images
  • O ministro do Ambiente vai apertar as regras aplicadas aos resíduos e efluentes das suiniculturas. João Matos Fernandes pretende que as indústrias percebam que têm de cumprir a lei e afirma que outras medidas de fiscalização, já aplicadas anteriormente, como os drones que vigiam o Tejo e a equipa de intervenção rápida, têm ajudado. TSF. Ouço este fadinho há anos...
  • As nossas cidades precisam de menos automóveis, não de automóveis limpos, lê-se no The Guardian.
  • Um grupo de fotógrafos uniu-se para, através das suas imagens, recolher fundos para ajudar a combater o tráfico ilegal de vida selvagem. The Guardian.
  • Uma plataforma de petróleo explodiu no lago Pontchartrain, na Louisiana durante uma operação de limpeza de substâncias químicas, hvendo um morto e 6 feridos a lamentar. HP.

Bico calado

  • «(…) é evidente que o combate a fogos tem que ser público e militarizado - enquanto der lucro apagar fogos não teremos segurança. O "pior dia do ano" vai repetir-se quantos anos mais?» Raquel Varela, FB.
  • «(...) Enquanto incendiários apanhados em flagrante continuarem a ser mandados em paz, ou a serem punidos  com penas ridículas (quase sempre suspensas); Enquanto as autoridades continuarem a fechar os olhos a quem faz queimadas; Enquanto não forem proibidos os foguetes e fogos de artifício em tudo quanto é romaria, durante os meses de Verão; Enquanto não forem punidas severamente as faltas de civismo dos condutores, propiciadoras de provocar ignições; Enquanto não se repensar a Floresta e o Ordenamento do Território; Enquanto os partidos políticos continuarem a usar os incêndios como arma de arremesso político, em vez de se porem  de acordo sobre as medidas essenciais e urgentes que são necessárias para diminuir o risco de incêndios ( repensar a Floresta, o Ordenamento do Território, a política dos baldios e um conjunto alargado de penas dissuasoras para comportamentos cívicos que funcionam como ignição de incêndios); Enquanto as estradas florestais continuarem a ser caminhos de cabras destinados apenas a veículos todo terreno; Enquanto não houver coragem de combater as mafias dos fogos; Enquanto continuarmos a ser este maldito país de Brandos Costumes, onde proliferam os irresponsáveis e egoístas, os incêndios continuarão a consumir o país e os nossos recursos naturais.  Tudo isto, aliado à incontornável questão das alterações climáticas ( que muitos continuam a negar, apesar das evidências ) contribuirá para destruir o nosso património Natural. (...)» Carlos Barbosa de Oliveira in Crónicas do rochedo.
  • Um carro-bomba assassinou Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, a jornalista que coordenou a divulgação de casos de corrupção incluídos nos Panama Papers, entre as  quais das ligações entre o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, e o governo deo Azebaijão. Mais pormenores aqui.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Construtoras e imobiliárias acusadas de usar dados de tráfego desatualizados para ocultar o impacto da qualidade do ar

Ponte Nova ou Cava da Velha, Rio Laboreiro. Foto: Portugal em caminhadas 7out2017
  • Imobiliárias e construtoras na região de Northampton estão a ser acusadas de usar dados de tráfego desatualizados para ocultar o impacto da qualidade do ar. Tudo para avançarem com um mega projeto de construção de 380 casas no norte da cidade, o que, segundo estudo do Green Party, vai despejar diariamente mais de 3 mil automóveis em Kingsthorpe, aumento substancialmente a poluição. Northampton Chronicle.
  • Cientistas da Sussex University alertaram os deputados britânicos para o facto de o governo está a usar o projeto da central nuclear de Kinkley Point C para subsidiar os militares através da manutenção das suas capacidades nucleares. The Guardian.
  • A França e a Índia vão assinar em dezembro um acordo de cooperação em energia solar, informa o The Times of India.
  • A Toyota está a testar camiões pesados, movidos a hidrogênio, numa uma série de viagens curtas no final deste mês, transportando carga de portos e terminais em Los Angeles. As células de combustível de hidrogênio permitem que os camiões funcionem com energia limpa, com apenas emissões de vapor de água. Futurism.

Mão pesada

Yiannis Kourtoglou/Reuters

A «fraternidade» Pi Kappa Alpha da California State University, em Chico, foi intimada a realizar 9 800 horas de serviço comunitário por abater 32 árvores na Floresta Nacional de Lassen durante uma praxe. Além disso, a «fraternidade» foi multada em 4 mil dólares e intimada a indemnizar a Lassen National Forest em 4.388 dólares. O seu ex-presidente foi multado em mil dólares. SacBee.

Bico calado

Imagem captada aqui.

Cerca de 4 mil prisioneiros combatem os incêndios florestais na Califórnia. Ganham 1 dólar por hora. Após cumprirem as suas penas, não poderão trabalhar como bombeiros por a lei regional não permitir bombeiros com cadastro criminal. Mais pormenores no Daily Beast.


domingo, 15 de outubro de 2017

Poluição e seca destroem pesca no Tejo

Um caixote de lixo flutuante está a ser testado em rios ingleses. Consegue recolher mais de um quilo de plástico, cerca de 80 mil sacos de plástico por dia.
  • A poluição, aliada cada vez mais à seca, está a afetar a atividade piscatória no rio Tejo, originando o desaparecimento ou a escassez de peixes como a enguia ou o linguado. DN.
  • A despesa total consolidada do Ministério do Ambiente vai ascender a 2142,2 milhões de euros em 2018, um aumento de 923,6 milhões de euros (+75,8%) em relação à estimativa de execução prevista para o final de 2017. Este crescimento é justificado com o pagamento dos contratos swap celebrados pelo Metropolitana de Lisboa, Metro do Porto, Sociedade Transportes Coletivos do Porto e a Carris – no final de 2016 o valor em dívida era de 317,6 milhões. O ministério destaca ainda o acréscimo da despesa relativa à reabilitação do parque habitacional e às transferências para as empresas públicas reclassificadas, em particular no setor dos transportes (332 milhões de euros). As receitas consignadas geradas pelo imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) e adicional ao ISP também aumentam 8,5 milhões (+33,3%). Estas verbas destinam-se a apoiar a expansão das redes do metro de Lisboa e do Porto. O ministério vai ainda ajudar os municípios na resolução do problema das dívidas aos sistemas de água e saneamento, através de um empréstimo ao BEI com um prazo máximo de 25 anos, no valor de 200 milhões de euros. DV.
  • As florestas continuam a desaparecer em Moçambique, apesar de há 7 anos ter sido lançado um projeto de fundo para contrariar a desflorestação. Jordão Matimula, responsável da Associação Nacional de Extensão Rural, diz que a corrupção e o envolvimento das elites políticas na exploração de florestas vai continuar a adiar o reflorestamento no país. DW.
  • A Luminant, filial da Vistra anunciou o encerramento de 2 centrais a carvão no Texas, para além de outra anteriormente prevista. Reuters. O encerramento destas 3 centrais a carvão é irónico se soubermos que a administração Trump acaba de rechaçar a legislação de Obama que favorecia de algum modo o combate às alterações climáticas.
  • Cientistas do clima alertaram para o facto de a investigação em geoengenharia poder ser sequestrada pelos negacionistas das alterações climáticas como uma desculpa para nada fazerem para reduzir as emissões de CO2, considerando a administração Trump uma grande ameaça para o seu trabalho. No início de 2017, David Keith, professor de física aplicada em Harvard, anunciou planos para realizar um teste ao ar livre na injeção de aerossol estratosférico, envolvendo o lançamento de um balão de alta altitude que irá pulverizar uma pequena quantidade de partículas reflexivas na estratosfera. Keith acredita que a experiência pode ajudar a medir a viabilidade e os riscos envolvidos na geoengenharia, um termo abrangente para uma série de técnicas para ajustar o clima no sentido de mitigar o aquecimento global. Elas incluem refletir a luz solar do espaço, adicionar grandes quantidades de cal ou ferro nos oceanos, bombear águas profundas e ricas em nutrientes para a superfície dos oceanos e irrigar vastas áreas de deserto para cultivar árvores. Os defensores da investigação em geoengenharia argumentam que suas técnicas poderiam ajudar a diminuir alguns dos impactos das alterações climáticas. No entanto, o bom senso recomenda que as técnicas devem ser utilizadas para além de todo um trabalho de redução das emissões de CO2. «Todas as técnicas que têm sido apresentadas têm impactos ambientais potencialmente severos», sublinha Silvia Ribeiro, do Grupo ETC. Por exemplo, a injeção de aerossol estratosférico, que alguns especialistas dizem poder reduzir a quantidade de chuva das monções asiáticas e africanas, pode ter um impacto devastador no fornecimento de alimentos as biliões de pessoas. A injeção de aerossol também pode reduzir a camada de ozono e aumentar o risco de exposição à radiação ultravioleta. Outros possíveis efeitos colaterais da geoengenharia podem ser o aumento na acidificação dos oceanos, a mudança nos padrões climáticos, o rápido aumento das temperaturas e a sobreexploração dos terrenos agrícolas, o que pode provocar a migração em massa de milhões de refugiados vítimas das alterações climáticas. The Guardian.

Reflexão

Foto: Zé Manel/National Geographic

«(…) Na véspera da apresentação do relatório dos incêndios florestais, o primeiro-ministro e o ministro do Ambiente juntaram-se na Culturgest para apresentar o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. Este objectivo foi anunciado por António Costa na última Cimeira do Clima em Marraquexe, e supostamente seria o cumprimento por parte de Portugal do Acordo de Paris, isto é, manter o aumento da temperatura abaixo dos 2ºC até 2100. O evento pretendia mostrar o compromisso do Governo na redução das emissões de gases com efeito de estufa, tendo Costa destacado a importante vulnerabilidade do país aos efeitos das alterações climáticas como um dos motivos centrais da sua proposta “ambiciosa”. 
O que ficou demonstrado foi que há a percepção do tema como potencial ganho político, mas que se mantém a inação como política de Estado. A habilidade contábil pautou o evento, especialmente quando o primeiro-ministro anunciou uma redução de emissões de 30 a 40% até 2030, quando comparado com os níveis de 2005. A escolha de 2005 como base para a redução é central: as emissões nesse ano, ainda antes da crise financeira, eram particularmente altas (86,3 Mt de CO2, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente) e uma redução de 30 a 40% até 2030 significaria apenas atingir um valor entre 52 e 60 Mt. Em 2016, o nível de emissões foi de 66,5Mt de CO2, pelo que o corte anunciado por António Costa é na verdade entre 9 e 22%. Ora, para ambicionarmos sequer atingir os tais 2ºC do Acordo de Paris, devemos atingir um nível de emissões próximo das 24 Mt de CO2 em 2030. Isso significa um corte de 44 Mt. A proposta “ambiciosa” do Governo para cortes de emissões é cerca de um terço dos cortes em emissões necessários e assim, infelizmente, dirigimo-nos para o caos climático através, entre outros, de uma fraude contabilística de carbono. Para cumprir os seus objectivos, não foram elencadas quaisquer medidas concretas, baseando-se até ao momento o “Roteiro” em declarações vazias e evitando temas quentes como as concessões petrolíferas e a lei da prospecção, pesquisa e produção de petróleo (que aumentaria as emissões), o encerramento das centrais a carvão no Pego e em Sines (responsáveis por perto de 20% das emissões nacionais) e o facto de o maior sumidouro de carbono, a floresta, estar a perder uma área de dez mil hectares por ano há mais de duas décadas, além de ter recorrentemente a maior área ardida da Europa. (…)» 

João Camargo in Incêndios florestais, uma fraude de carbono e uma Ofélia ameaçaPúblico 14out2017.


Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • «Rui Rio. Para ser franco, não sei bem quem seja e seguramente não lhe recordo uma única ideia ou pensamento que me tenha chamado a atenção. Sei, claro, que foi presidente da Câmara do Porto, muito elogiado pela imprensa e intelectualidade lisboeta por se ter atrevido a enfrentar o FC Porto e Pinto da Costa. Porém, só o fez depois de ser eleito e não antes — mostrando logo aí o que viria a revelar-se uma característica muito sua: o gosto pelos combates ganhos à partida, a aversão pelos outros. (…) Quanto a Santana Lopes, a outra proposta, esse, o país inteiro conhece-o, até bem demais — com ele é como se fossemos todos família. A imprensa adora-o, porque ele é um incansável fabricante de emoções, animações e trapalhadas — o “menino guerreiro”. Tem sobre Rio essa vantagem: a ele não assustam as guerras perdidas (enfim, não todas…), e não há festa nem festança a que não compareça, convidado ou não. Infelizmente, tem, em relação a Rio, a imensa desvantagem daquele trágico e breve governo de 2002, que Durão Barroso deixou cinicamente de herança ao país quando se pirou para Bruxelas e que Santana chefiou como se chefia um clube de amigos. (…)» Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 14/10/2017 – Via A estátua de sal.
  • A China acabou de estabelecer um sistema de «pagamento versus pagamento» (PVP) para oficializar as transações entre o yuan chinês e o rublo russo. O objetivo é «reduzir os riscos e melhorar a eficiência» do seu sistema de câmbio. O novo mecanismo, que poderá rivalizar com o velho monopólio do sistema de pagamento interbancário SWIFT dos EUA (que permite a liquidação simultânea de transações em duas moedas diferentes), foi lançado na segunda-feira após ter recebido a aprovação do banco central da China. Este movimento será visto pelos oligarcas financeiros da Wall Street como um ato de agressão porque desafia a preeminência do dólar dos EUA como moeda de reserva global do planeta - que está inextricavelmente ligada e quase completamente dependente do Petrodollar dos Estados Unidos para apontar o valor da moeda fiat dos EUA. Académicos da Universidade de Georgetown consideram que este desenvolvimento coincide com outros movimentos recentes, nomeadamente notícias de que a China «obrigará» a Arábia Saudita a negociar petróleo em yuans. Se isso acontecer, o resto do mercado mundial de petróleo poderia seguir o exemplo, o que seria um desastre para o dólar americano como a moeda de reserva do mundoGR.

sábado, 14 de outubro de 2017

Período crítico do Sistema de Defesa da Floresta prolongado até ao fim de outubro

Foto: Mike Lane/Alamy.
  • O período crítico do Sistema de Defesa da Floresta, que prevê a proibição de lançar foguetes e fazer queimadas e fogueiras nos espaços florestais, foi novamente prolongado até 31 de Outubro devido às condições meteorológicas. Público.
  • O município de Baiona está a promover a construção de um "complexo desportivo" com um campo de golfe incluído, em uma área de quase 70 hectares na Serra de Groba. Esta infra-estrutura, que custaria mais de 14 milhões de euros (para uma cidade cujo orçamento anual é de 8,5 milhões de euros) exigirá tanta água como todo o município, criticam os opositores do projeto. Adega.

Reflexão – Repensando o turismo de massas

Bico calado

Foto: Luís Godinho, National Geographic.

«(…) Ele que tanto privou com Oliveira e Costa, Cavaco, Duarte Lima, com Miguel Macedo, com o irrevogável Portas, o homem dos submarinos que nunca foi devidamente investigado pela Justiça,  nunca deu por nada que indiciasse o “mau carácter” destes personagens? Só com Sócrates é que ele conseguiu antever indícios de mau comportamento moral e cívico? Onde andavas Pacheco, quando a escritura da Casa da coelha de Cavaco desapareceu? Não achaste estranho? Onde andavas Pacheco quando o caso dos submarinos foi arquivado tendo sido provada a existência de corruptores na Alemanha e de corrompidos em Portugal? Onde andavas Pacheco quando o BPN distribuía milhões pelos amigos do PSD e pela máfia laranja que o cercava?
E depois vem o Xavier falar dos milhões que circularam entre um determinado grupo dos arguidos acusados. Ó Xavier serias capaz de explicar todos os milhões que durante uma década circularam pelas tuas contas, e da tua família, se fossem passadas a pente fino? Garantes que tudo é limpo, legal e transparente? E as contas do teu patrono e amigo Belmiro de Azevedo? É um empresário “impoluto”, nunca pagou comissões a ninguém, nunca ganhou nenhum negócio “por baixo da mesa”? Talvez os herdeiros do banqueiro Pinto de Magalhães, que se viram espoliados de grande parte da sua fortuna, tenham alguma coisa a dizer sobre os métodos e o carácter desse tão aclamado empresário nortenho.
Como se só o Dr. Ricardo Salgado e Sócrates, a ser verdade aquilo de que os acusam, fossem a demonstração exemplar e única das más práticas do capitalismo, Ó Xavier, ó cínico e vendido comentador: em capitalismo, é raro haver grandes negócios que não sejam atribuídos e adjudicados sem que algo se tenha que atribuir a quem politicamente os decide e adjudica. As multinacionais e os seus gestores de topo, quando aterram num determinado país, têm já o perfil completo de quem vai decidir nas suas áreas de negócio, e até de quanto isso lhes vai custar. As escolas de gestão de topo discutem isto, ainda que de uma forma informal, e escrevem sebentas onde eufemisticamente falam em “práticas de estratégia negocial”. (…)» Estátua de Sal.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Bloomberg doa 64 milhões a organizações ambientalistas

Foto: Chris Brunskill Ltd/Getty Images
  • O milionário Michael Bloomberg anunciou que vai doar 64 milhões de dólares a organizações ambientais depois de o governo dos EUA ter revogado as medidas da administração Obama para combater as mudanças climáticas. Daily Mail.
  • Em Baltimore, os inspetores descobriram um tubo de esgoto serrado há décadas e introduzido na rede de pluviais. A descoberta aconteceu na sequência de cont+ínuos derrames de esgotos em Jones Falls, problema que só agora foi resolvido. OIANews.
  • Seis países do Médio-Oriente proibiram o uso do herbicida glifosato devido ao perigo de ser potencialmente cancerígeno: Arábia saudita, Kuwait, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, Barhain e Oman. SP.

Bico calado


  • Segundo uma análise do insuspeito The Washington Post, Donald Trump fabricou 1318 mentiras em 263 dias, o que dá uma média de pouco mais de 5 mentiras diárias, ou uma mentira de 4 em 4 horas e meia.
  • «E então o profeta Pedro disse: “E antes de passarem sete dias e sete noites virá o Diabo, sob a forma de uma conjuntura económica extremamente adversa, motivada por diversos factores, designadamente um sobreendividamento resultante da devolução das reformas e dos salários. E nessa altura haverá pranto e ranger de dentes, e a danação será completa.” Mas, naquele tempo, alguns habitantes da Judeia liam a imprensa económica. E, nem que fosse por desfastio, gostavam de confrontar Pedro com os chamados indicadores. Um dia, alguém lhe disse: “Ó Pedro, mas olha que o PIB está a subir.” E Pedro disse: “E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. E o Senhor castigará todos os que acreditarem em subidas de índices, pois terão preferido acreditar no que os seus olhos vêem, em lugar de crerem na palavra do Senhor.” E alguém disse: “Qual Senhor, Pedro?” E Pedro redarguiu: “O Senhor Schäuble. Ele também já anunciou a vinda do Diabo.” E passaram alguns meses. E então, um trabalhador a quem tinha sido devolvido o 13º mês disse: “Ó Pedro, já passaram sete dias e sete noites e não veio diabo nenhum, pá.” E Pedro disse: “Em verdade vos digo que o Diabo virá, e o seu rosto será o desemprego.” E o trabalhador disse: “Olha que não, porque o desemprego caiu para valores abaixo de 9%, que aliás é o melhor resultado dos últimos nove anos.” E Pedro disse: “Mas Satanás virá, e o seu nome será falta de investimento estrangeiro, por causa do receio que os mercados nutrem dos comunistas.” E o trabalhador respondeu: “É pouco provável, porque a Standard and Poor’s acaba de retirar Portugal do lixo”. E Pedro disse: “Mas o Demónio virá, até porque já se suicidou uma pessoa em Pedrógão.” E o trabalhador retorquiu: “Não suicidou, não. Ó Pedro, tu tens tanto jeito para profecias como para formar empregados aeroportuários.” E Pedro resmungou qualquer coisa e, como estava entretido com as profecias, acabou por escolher os candidatos autárquicos um bocadinho à balda. E então realizaram-se eleições, e o povo depositou os votos nas urnas, conjugando milagrosamente os deveres cívicos com a vontade de ir à bola. E por volta das 20h00, altura em que encerraram as assembleias de voto nas ilhas, as televisões anunciaram as primeiras projecções e o PSD tinha cerca de metade dos votos do CDS em Lisboa. E então bateram à porta e Pedro foi abrir. Era o Diabo. E o Mafarrico disse: “Chamaste?”» Ricardo Araújo Pereita, in Profecias do Diabo - VISÃO 5out2017.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ValorMar acaba de ser lançado formalmente

Foto: Marco Secchi/Getty Images
  • O projecto ValorMar, destinado a valorizar os recursos marinhos através da investigação e desenvolvimento de novos produtos e da melhoria de processos produtivos por via de novas tecnologias foi formalmente lançado em Matosinhos. O Projecto é coordenado pela Sonae para desenvolver novos produtos, serviços e tecnologias baseados em recursos marinhos e terá investimento de 8 milhões de euros, com 66% de financiamento do Portugal 2020. Dele fazem parte 31 entidades que, ao longo de três anos, o vão desenvolver: o CCMAR – Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, o EvR – Centro para a valorização de resíduos, o Instituto de Biologia Experimental e Tecnologia, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Universidade de Aveiro, a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade do Minho, a Universidade do Porto, a Alga+, a Poveira, a Bivalvia, a CERAMED, a empresa CMP, a Castro, Pinto e Costa, a Doca Pesca, a Foodintech, a Fourmag, a Hidromod, a NAVIA, a Necton, a Piscicultura Vale do Lama, a Riasearch, a Sparos, a Sociedade Portuguesa de Inovação e a Sorgal. JEM.
  • Dezenas de ETARs do Reino Unido usam minúsculas pastilhas de plástico, conhecidas como Bio-Beads, para filtrar contaminantes químicos e orgânicos de esgoto. Muitos milhões dessas pastilhas, que são apenas cerca de 3,5 mm de largura, acabaram no mar, entrando fatalmente na cadeia alimentar dos peixes e das pessoas. The Guardian.
  • A Greenpeace acusou a madeireira Resolute Forest Products de abusar das leis federais anticorrupção para atacar organizações ambientais que criticam a sua exploração madeireira na maior floresta da América do Norte. Esta acusação foi feita em resposta ao processo movido pela madeireira contra a Greenpeace alegando a divulgação de informações falsas acerca da madeireira. MP.
  • A Marinha dos EUA pensa que os gafanhotos, equipados com sensores impressos, a podem ajudar a encontrar explosivos escondidos. Um subsídio de 750 mil dólares, por 3 anos, dado à Universidade de Washington em St Louis está a permitir um estudo nesse sentido. Os responsáveis, todos indianos a residir nos EUA, chamam a tecnologia de deteção biorobótica. A razão pela qual eles querem usar gafanhotos é devido à sua elevada sensibilidade aos cheiros. O processo pelo qual o gafanhoto cheira é muito mais sensível do que qualquer tecnologia. As antenas dos gafanhotos têm centenas de milhares de sensores químicos sobre eles, enquanto os pequenos sensores químicos têm 10 ou menos. Além disso, um gafanhoto pode sentir um cheiro específico em milésimos de segundo, e pode distinguir um cheiro entre milhares de outros. 
  • Investigadores das Universidades de Plymouth e de New South Wales desenvolveram uma ferramenta que pode prever a evolução da erosão costeira e a sua posterior recuperação após tempestades extremas. Eles acreditam que esta ferramenta pode ajudar os responsáveis a tomar decisões que possam proteger as comunidades de danos severos.

Reflexão – O que faz um grupo de municípios processar as petrolíferas?

Foto: Courtesy of Sandra Goutte

Municípios do estado da Louisiana estão a processar inúmeras empresas petrolíferas por danos que causaram ao clima e que tem feito o seu território sofrer impactos graves e desastrosos. Os municípios de St. Bernard, Jefferson, Plaquemines, St. John the Baptist, Vermillion ae Cameron acusam essas empresas de terem esventrado zonas frágeis para fazerem passar oleodutos, de terem provocou a subida do nível das águas do mar e a destruição de imensas zonas húmidas que protegiam as suas áreas de residência. Exigem, por isso, indemnizações para os prejuízos sofridos e projetos de restauração e renaturalização das zonas devastadas. CLN.

Bico calado

Foto: Ernesto Arias/EPA

«Um homem sem passado conhecido, exatamente por não ser conhecido, pôde chegar a primeiro-ministro de um país.
Bastou-lhe parecer sério, manifestar enfado com a política, colocar a família acima de si próprio e Deus acima de tudo. A Revolução de Abril não conseguiu mudar radicalmente o paradigma salazarista. Deus, Pátria e Família colaram-se no subconsciente coletivo e permitiram que o regime democrático, à falta do defunto, elegesse um avatar.
Ao fim de uma década o país fartou-se dele e o homem tratou da vida, mas a amnésia do povo, que esquece o passado, deu-lhe o benefício da dúvida por mais uma década.
Resistiu à intriga, que correu mal, contra o PM, às explicações exigíveis sobre negócios privados, às ligações com vizinhos de um condomínio de luxo e acabou a estrebuchar contra a formação de um governo que a AR exigia e a Constituição lhe impunha.
Este homem pôde ser tudo em democracia, sem nunca a estimar; representar o País, sem o merecer; presidir ao 10 de Junho, sem ler Os Lusíadas; ser o PR dos portugueses, sem saber o plural de cidadão; jurar respeitar e fazer respeitar a Constituição, sem a prezar; e chefiar a República, para lhe apagar a data no calendário dos feriados.
Para cúmulo do opróbrio, num intervalo da defunção política, no rescaldo das eleições autárquicas, cujos resultados o contrariaram, numa manifestação de indigência cívica e no pior e mais degradante exemplo de cidadania, declarou:
“Acontece que não votei nas autárquicas. Estava num casamento".
O ex-PM e ex-PR e a sua inseparável prótese conjugal preferiram a boda e a missa ao cumprimento de um dever cívico e ao exemplo a que eram obrigados.
Ditosa Pátria!» 
Carlos Esperança, in O homem e a sua circunstância - FB.