AS LIGAÇÕES DE LIONEL MESSI A NETANYAHU, ÀS FORÇAS ARMADAS ISRAELITAS E À SUA UNIDADE DE ESPIONAGEM DE ELITE 8200
Alan Macleod, MPN. Rev. O’Lima.
Na quarta-feira à noite, [15 julho 2026] os olhos do mundo estarão postos em Lionel Messi, quando a Argentina defrontar a Inglaterra na meia-final do Mundial. A pequena superestrela conquistou uma enorme legião de fãs em todo o planeta, nomeadamente em Israel, graças às suas inúmeras ligações empresariais e de segurança com o Estado do Apartheid. Desde ser o rosto de uma empresa israelita de inteligência artificial liderada e gerida por espiões israelitas, até confiar a sua segurança privada a uma equipa de agentes secretos israelitas, a MintPress explora as razões pelas quais Benjamin Netanyahu o considera o seu jogador de futebol favorito.
A FAZER AMIZADE COM EX-AGENTES SECRETOS ISRAELITAS
A maior estrela do futebol mundial, Lionel Messi é, compreensivelmente, muito cuidadoso com a sua imagem. O avançado argentino escolhe cuidadosamente com quem se associa e assinou contratos lucrativos de longo prazo com grandes marcas globais, como a Adidas, a Pepsi e a Mastercard.
Foi por isso que muitos ficaram surpreendidos quando, em 2020, ele anunciou uma parceria com a OrCam, uma empresa israelita relativamente pequena especializada em inteligência artificial que fabrica dispositivos vestíveis de visão artificial (semelhantes aos Google Glass). A OrCam apresenta-se como uma empresa que ajuda as pessoas com deficiência visual a terem vidas mais plenas. Messi tornou-se o seu embaixador global da marca e o rosto da empresa.
No entanto, o que suscita mais controvérsia é o facto de a OrCam ser um desdobramento do aparelho de segurança nacional israelita, empregando dezenas de antigos agentes da agência de espionagem militar israelita, a Unidade 8200, muitos dos quais em cargos altamente influentes. O principal deles é Adi Levitski, um agente secreto de longa data da Unidade 8200, que, em 2024, foi nomeado diretor de operações da OrCam.
Muitos funcionários da OrCam foram comandantes daquela obscura agência de espionagem, responsáveis por alguns dos piores crimes da guerra pós-7 de outubro de 2023, bem como por muitas das operações internacionais de pirataria informática e vigilância mais escandalosas. Mor Shamy, por exemplo, ascendeu ao cargo de chefe de análise de informações na Unidade 8200 em 2015 e viria mais tarde a ser contratado como programador de algoritmos na OrCam. A trabalhar ao seu lado estava Matan Albeck, o antigo chefe do departamento de análise de dados da Unidade 8200.
Apesar das grandes demissões nos últimos anos, a empresa continua a ser composta, em grande parte, por ex-agentes secretos, existindo uma porta giratória entre as duas entidades. Alguns, como Eliya Segev e Eli Corn, passaram da OrCam para a Unidade 8200, enquanto o currículo de Amitai Edrei revela que trabalhou simultaneamente para a OrCam e para a Unidade 8200, sublinhando a estreita relação entre ambas.
Para Messi, isto deveria ter sido um grande sinal de alerta ao colaborar com a OrCam, uma vez que a Unidade 8200 é a principal arquiteta e operadora do genocídio de alta tecnologia levado a cabo por Israel em Gaza e arredores. E os seus agentes são responsáveis pela produção de grande parte do software de espionagem mais invasivo do mundo.
Recorrendo a big data recolhida pela sua vasta rede de vigilância digital palestiniana, a organização criou enormes listas de alvos a abater, geradas por inteligência artificial, de habitantes de Gaza, e levou a cabo dezenas de milhares de operações de bombardeamento com drones, que constituíram o elemento central da destruição em Gaza.
Os seus agentes também desenvolveram software de espionagem altamente invasivo, como o Pegasus, que foi utilizado para espiar dezenas de milhares de líderes estrangeiros, jornalistas, ativistas e defensores dos direitos humanos em todo o mundo. O governo israelita vendeu o Pegasus a ditaduras e regimes autoritários em todo o mundo, ajudando-os a reprimir os direitos humanos. Talvez o caso mais conhecido tenha sido o da Arábia Saudita, que utilizou o Pegasus para monitorizar o jornalista do Washington Post Jamal Khashoggi, antes de o desmembrar com uma serra de ossos na sua embaixada na Turquia.
É, portanto, altamente questionável que Messi tenha decidido tornar-se o rosto de uma empresa deste tipo.
OS ASSESSORES ISRAELITAS DE MESSI
O argentino fez várias visitas a Israel ao longo da sua carreira. Em 2013, ele e o seu clube, o F.C. Barcelona, deslocaram-se a Israel e à Palestina numa suposta «Digressão pela Paz». Durante a viagem, encontrou-se e conversou com Netanyahu e com o presidente Shimon Peres, e cumprimentou soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF). Também vestiu um yarmulke e visitou o Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo.
No entanto, mesmo depois de partir, Messi leva consigo uma pequena parte de Israel para onde quer que vá. A sua segurança está a cargo de uma força de elite composta por antigos agentes israelitas, que planeiam cada um dos seus movimentos, especialmente a nível internacional. Ele leva a sua segurança muito a sério, tendo chegado ao ponto de faltar ao casamento da sua cunhada na Argentina devido a preocupações de segurança.
Essas mesmas forças israelitas estiveram encarregues da segurança no seu próprio casamento, em 2017, segundo a ESPN, embora a emissora não tenha especificado se esses agentes pertencem ao Mossad, ao Shin Bet ou a um grupo de comando de elite.
Messi, que evita controvérsias políticas, não fez quaisquer declarações sobre Israel/Palestina desde 7 de outubro de 2023, apesar de muitas notícias (falsas) sugerirem o contrário.
O avançado do Inter Miami causou boa impressão a Netanyahu quando os dois se encontraram em 2013. Numa entrevista recente, Netanyahu revelou que está a torcer pela Argentina no Mundial deste ano. «Ele tem agora 39 anos», disse ele sobre Messi; «Eles têm sorte em ter um jogador tão experiente que sabe marcar golos.»
A opinião pública israelita concorda claramente. Uma sondagem recente revelou que 38% dos israelitas estão a apoiar ativamente a Argentina no torneio – bem à frente do Brasil, que ocupa o segundo lugar. Yoav Berkowitz, diretor desportivo da emissora pública israelita Kan, afirmou que isto se deve, em grande parte, ao «efeito Messi».
IRMÃOS SIONISTAS
Outros, incluindo o próprio Netanyahu, citam o presidente argentino Javier Milei como outro fator. Desde que assumiu o poder em 2023, Milei fez do apoio a Israel um pilar central da sua plataforma política. A nível internacional, Israel tem poucos amigos restantes. Mas a Argentina de Milei surgiu como um dos seus defensores mais veementes. Em maio de 2024, votou contra uma moção esmagadoramente popular nas Nações Unidas para eleger a Palestina como membro de pleno direito do organismo. Quatro meses depois, fez o mesmo com uma resolução que exigia o fim da ocupação israelita dos territórios palestinianos.
O seu governo também declarou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão e as Forças Quds como organizações terroristas, e aplaudiu o ataque dos EUA e de Israel ao Irão, tendo o próprio Milei referido que era «a coisa certa a fazer». A Argentina declarou ainda que iria transferir a sua embaixada em Israel para Jerusalém, legitimando assim efetivamente a ocupação. A medida foi, no entanto, suspensa depois de a empresa petrolífera israelita Navitas ter anunciado que iria iniciar perfurações perto das Malvinas/Falklands — um arquipélago controlado pelo Reino Unido, mas reivindicado pela Argentina.
COMO ISRAEL AJUDOU A ARGENTINA A MASSACRAR A SUA POPULAÇÃO JUDIA
Desde 7 de outubro de 2023, Israel perdeu uma enorme quantidade de apoio público em todo o mundo, mesmo nos países ocidentais. Um inquérito da YouGov de 2025 revelou que, por exemplo, o número de italianos com opiniões «muito desfavoráveis» (43%) sobre Israel é mais de 20 vezes superior ao dos que têm opiniões «muito favoráveis» (2%). Mesmo na Alemanha, onde o apoio popular a Israel é mais elevado, apenas 21% afirmaram ter opiniões favoráveis sobre o Estado (incluindo apenas 4% que o consideram altamente favorável), com 65% a manifestarem oposição aberta (incluindo 32% que o rejeitam veementemente).
É amplamente afirmado que o dia 7 de outubro constituiu o maior massacre de judeus desde o Holocausto. No entanto, isso não é verdade. Na realidade, a ditadura militar fascista que governou a Argentina nas décadas de 1970 e 1980 perseguiu implacavelmente os judeus, matando ou fazendo «desaparecer» milhares deles.
Inspirando-se em Hitler e nos nazis, a ditadura equiparou o judaísmo ao socialismo e prendeu e assassinou um número enorme de opositores políticos, chegando mesmo a transformar estádios de futebol em campos de extermínio improvisados. Muitos dos envolvidos eram filhos de nazis alemães que fugiram para a Argentina após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Israel ajudou ativamente a ditadura no seu massacre, vendendo-lhe equipamento militar sofisticado e aumentando os níveis de assistência militar, mesmo à medida que os ataques à comunidade judaica do país se intensificavam.
UMA RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO
Embora Israel apoie a Argentina, essa boa vontade certamente não é recíproca, por mais que Milei tente. Uma recente sondagem da Pew revelou que a maioria dos argentinos tem uma visão negativa de Israel, incluindo 34% que têm opiniões altamente desfavoráveis sobre o país — sete vezes mais do que aqueles que, alegadamente, têm opiniões muito positivas sobre Israel (5%).
Neste aspeto, estão a seguir os passos de outra sensação do futebol argentino: Diego Maradona. A estrela, frequentemente considerada o melhor futebolista de sempre, declarou-se o «fã número um do povo palestiniano» e afirmou que «no meu coração, sou palestiniano».
Maradona condenou consistentemente as ações dos EUA e de Israel, e alinhou-se com causas revolucionárias em todo o mundo. Em contraste, Messi tem evitado constantemente as questões políticas. Mas, tal como aqui discutido, tomou várias decisões — abraçar Netanyahu, visitar Jerusalém, tornar-se o rosto de uma empresa tecnológica israelita cujo quadro é composto por espiões e rodear-se de agentes secretos israelitas como guarda-costas — que devem levar muitos a questionar esta suposta neutralidade.
A Argentina defronta hoje [15 julho 2026] a Inglaterra por um lugar na final do Mundial. Embora o resultado ainda esteja por ver, não é segredo que Israel e Netanyahu vão torcer pela Argentina — e por Leo Messi.