sexta-feira, 15 de junho de 2018

Gaia: transporte gratuito na frente marítima entre S. Félix e Afurada

  • Toda a frente marítima de Gaia entre S. Félix da Marinha e a Afurada vai ter serviço de transporte gratuito durante época balnear. Enquanto o município de Gaia promove o descongestionamento do trânsito automóvel na orla costeira, o vizinho de Espinho faz precisamente o contrário - concentra tudo na praia da Baía: obras de requalificação da alameda, obras no esporão, auditório para ver o mundial de futebol…

Memórias curtas

Rio Douro, Porto-Gaia. Imagem colhida aqui.
  • 15jun2017 - Castro Verde Reserva da Biosfera da UNESCO
  • 15jun2006 - A Câmara do Porto mandou fechar o River Caffé após várias queixaspor causa do ruído noturno.

Mão pesada

A Decostar Industries, Inc. foi multada em 378 mil dólares por infrações nas emissões da sua fábrica em Carrollton, Georgia, estando intimada a investir 2,7 milhões em obras e desenvolvimento de programa de controlo da qualidade do ar. EPA.


Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • «(…) Em particular com a criação e o modo de funcionamento das SAD’s, estas e os clubes a elas ligados transformaram-se em robustas e mais ou menos eficientes “máquinas de lavar” (dinheiro, obviamente…). E, transformada uma associação desportiva em algo que é suposto render euros ou dólares, foi-se cada vez mais impondo a lógica capitalista da proclamada “ética dos negócios”. (…) Começa-se pela criação e tráfico de influências com os decisores políticos e financeiros, com uns lugares de camarote para aqui, uma viagem ao estrangeiro a acompanhar a equipe para acolá, com tudo, desde a própria viagem, alojamento, refeições e bilhetes para o jogo, generosamente pagos. Segue-se a “normalidade” da troca de atenções e favores: uma cedência, mais ou menos gratuita, de terrenos municipais (normalmente justificada com o “fomento do desporto” e formalizada em tão pomposos quanto espectacularmente apresentados “protocolos”), uma isenção (mais clara ou mais encapotada) do IMI, uma “alteraçãozinha” cirúrgica do PDM ou até – porque não? –um perdão da dívida bancária ou fiscal. E, pelo meio, o elogio do “sucesso” a todo o custo e o “fechar de olhos” perante a sucessiva imposição da teoria de que a suposta legitimidade do fim – a vitória dita “desportiva” –, afinal, justificará o mais sórdido dos meios, desde a obtenção de favores da arbitragem (a troca seja de dinheiros ou serviços sexuais, por exemplo, seja da progressão na carreira ou da atribuição de cargos importantes nos vários organismos desportivos) até à compra de resultados e de jogadores. No meio de toda esta podridão (…) o “jogo” das comissões e respectiva repartição pelos amigos, decorrentes de transferências, a promiscuidade mais absoluta entre o mundo dito do “desporto”, o da política e o das Finanças e até o da Justiça (já repararam que os dirigentes desportivos de grandes clubes só são presos depois de deixarem tais cargos?) vai-se impondo sucessivamente. E quem aparece a defender e a proclamar princípios é, no mínimo, apresentado, com um sorriso condescendente, como “um autêntico lírico” e, no máximo, apontado como um alvo a abater por não ser “eficaz” na obtenção dos tão almejados sucessos e vitórias. (…)» António Garcia Pereira, in Anatomia de um ditador - Notícias Online.
  • «Em 2003, o deputado Paulo Pedroso foi preso em plena AR, com um aparato mediático nunca visto até então.  O juiz Rui Teixeira  irrompeu na AR, precedido de uma multidão de jornalistas  e câmaras de televisão e deu voz de prisão ao deputado. Paulo Pedroso foi acusado de práticas pedófilas e permaneceu na prisão  quatro meses e meio, até a justiça reconhecer  que estava inocente e  fora preso injustamente.  Pediu uma indemnização ao Estado que inicialmente lhe foi parcialmente concedida, mas acabou por ser recusada por um tribunal superior, depois do inenarrável Pedro Namora se ter insurgido contra a atribuição da indemnização.  (…) Quinze anos depois, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem dá razão a Paulo Pedroso e condena o Estado português a pagar-lhe uma indemnização de cerca de 68 mil euros, acrescidos de juros. Algumas televisões deram a notícia sem grande alarido, mas  nenhum dos jornal teve coragem de trazer o  assunto para primeira página e pedir desculpa  a Paulo Pedroso pelo mal que lhe causou com as acusações. UMA VERGONHA para os jornalistas e mais uma machadada na  credibilidade dos jornais que se assumem como refúgio de incendiários e cobardes. (…)» Carlos Barbosa de Oliveira, in Crónicas do Rochedo.
  • «Governo-sombra da EDP vai ao Parlamento: Há, na cúpula da EDP, ministros de cada um dos quatro governos que decidiram sobre as polémicas "rendas" que o Estado paga à empresa. O conflito de interesses entre público e privado é um tema central da comissão de inquérito no Parlamento. DN.
  • Uma empresa holandesa terá exportado 38 toneladas de materiais químicos, nomeadamente acetona, para a Síria para aí serem manipulados no fabrico de armas químicas. MEM.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Marcas a laser poderão substituir os autocolantes que identificam produtos


Hogenakkal Falls, Índia. Imagem colhida aqui.
  • Marcas a laser poderão substituir os autocolantes que identificam produtos em lojas e eliminar embalagens de plástico. A holandesa Eosta e a sueca ICA criaram e testaram a tecnologia necessária para tal, tendo a primeira recebido o Dutch Packaging Award em março. A nova tecnologia ainda não funciona em uvas, fisális e citrinos. DW.
  • Depois do estado de Odisha, Índia, ter encerrado em Tamil Nadu uma fundição de cobre administrada pela Vedanta Resources após protestos que registaram a morte de 13 manifestantes, a empresa londrina enfrenta outro desafio a 1.600 km de distância, onde cidadãos e ambientalistas se uniram para exigir o encerramento de uma refinaria de alumínio em local considerado sagrado pelos locais. Há muitas provas e queixas relacionadas com a poluição do ar e a contaminação de águas. Reuters.

Mão pesada

  • A Volkswagen foi multada em 1 bilião de euros pelo escândalo das emissões de diesel. A multa alemã acontece depois de um acordo judicial nos EUA, em janeiro de 2017, quando a VW concordou pagar 4,3 biliões de dólares para resolver penalidades criminais e civis por instalar software ilegal em motores a diesel para falsificar os testes antipoluição dos EUA. Reuters.
  • A VW acordou indemnizar o estado de Vermont em 6,5 milhões de dólares para resolver alegações de publicidade enganosa. Segundo o acordo, a VW concordou em pagar até mil dólares aos proprietários de automóveis cobertos pelo acordo. Reuters.

Reflexão – Um dos grandes truques do NAFTA

GerÊs. Foto: Portugal em caminhadas.

«(…) O NAFTA ilustra perfeitamente o motivo pelo qual todos os tratados de comércio devem conter uma cláusula de rescisão. As condições que faziam sentido para os negociadores no início dos anos 90 não fazem sentido para ninguém hoje, exceto para as empresas de combustíveis fósseis e os advogados gananciosos. O exemplo mais óbvio é o modo como as suas regras de solução de controvérsias entre investidor e estado foram interpretadas. Essas cláusulas (capítulo 11 do tratado) deveriam impedir os estados de expropriar injustamente os ativos de empresas estrangeiras. Mas eles geraram uma nova indústria, na qual advogados agressivos descobrem meios cada vez mais lucrativos de derrotar a democracia.
As regras fornecem cobertura opaca a gabinetes de advogados, reuniões a portas fechadas, autoridade suprema sobre os tribunais e parlamentos dos seus estados membros. Esses gabinetes de advogados foram usados para suspender casos litigiosos, revogar penalidades impostas a vigaristas condenados, permitir que empresas escapem impunes de ações de desflorestação e envenenamento de aldeias e, ao colocar empresas estrangeiras acima da lei, intimidar os governos a ponto de os obrigar a abandonar as proteções públicas.
Segundo o Nafta, essas provisões tornaram-se, metaforicamente e literalmente, tóxicas. Quando o Canadá tentou proibir um aditivo de combustível chamado MMT por ser uma neurotoxina potencialmente perigosa, o fabricante norte-americano usou as regras do NAFTA para processar o governo. O Canadá foi forçado a suspender a proibição e conceder à empresa 13 milhões de dólares de compensação. Depois das autoridades mexicanas recusarem a licença de uma empresa norte-americana para construir uma unidade de resíduos perigosos, a empresa processou-as num tribunal especial do NAFTA e recebeu uma indenização de 16,7 milhões. A norte-americana Lone Pine Resources está a processar o Canadá em119 milhões porque o governo de Quebec proibiu a fraturação hidráulicas sob o rio St. Lawrence.
(…)
O Nafta obriga o Canadá não apenas a exportar a maior parte de seu petróleo e metade do seu gás natural para os EUA, mas também a garantir que a proporção desses combustíveis produzidos a partir de areias betuminosas e fraturação hidráulica não mude. Por isso, o governo canadiano não pode aderir a ambos os compromissos assumidos no acordo de Paris sobre mudança climática e os seus compromissos para com o Nafta. Enquanto os compromissos de Paris são voluntários, os do Nafta são obrigatórios. 
Os negociadores do Nafta previram todos estes desastres? Se assim for, o acordo comercial foi um atentado contra o povo. Se não - como as evidências sugerem fortemente – os seus resultados imprevistos são um poderoso argumento para uma cláusula de rescisão.(…)»

George Monbiot, in The Guardian 13jun2018.


Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • «(…) Os que negam o direito que, repito, não obriga quem quer que seja, hão de sempre dizer que o assunto não está suficientemente discutido ou assimilado, e confundir o direito à vida com a proibição de escolher a morte quando aquela se torna de todo insuportável. Há sempre uma Vera, uma Isabel ou um Aníbal à espera de fazerem prova de vida e de intolerância, mas a sociedade, cujos costumes evoluem, deixará os moços de recados a falar sozinhos enquanto os legisladores acautelam abusos e aceitam os direitos de quem nunca pensou passar pelo desespero de escolher “antes a morte do que tal vida”». Carlos Esperança, FB.
  • «Como políticos andam certamente a angariar clientes para a sua sociedade de advogados - clientes sobretudo do Estado, Hospital São João, câmaras municipais, ministérios disto e ministérios daquilo. Quando produzem um documento jurídico, a questão que se põe é se esse documento é um documento profissional ou, pelo contrário, é um documento político para compensar a mão que lhe dá de comer?!» - Pedro Arroja, Porto Canal 25mai2015 - a propósito do alegado envolvimento do gabinete de advogados de Paulo Rangel (PSD) na paralisação da obra no Hospital de S. João, financiada por mecenato - DN 12jun2018.
  • «Começou o circo da Copa do Mundo de Futebol, desta vez na Rússia. Quatro anos depois da última Copa (aquela famosa pelo 7X1), o Brasil está em pior situação econômica, vive um caos político e ainda está pagando pelos “elefantes brancos” que começou a construir, convive com obras inacabadas e ainda investiga a corrupção que favoreceu os espertos que souberam manipular o futebol como ópio do povo e capitalizar o mito do país do futebol de drible e ginga fáceis. (…) No Rio de Janeiro, o projeto de gentrificação do Porto Maravilha ficou pelas tabelas e está se transformando em um grande desastre financeiro (…) e a Prefeitura do Rio terá que injetar dinheiro público para a manutenção que deveria estar sendo feita pela iniciativa privada. (…) o Maracanã – “maior estádio de futebol do mundo”  (…) A reforma do estádio estava orçada em R$ 700 milhões, mas custou R$ 1,2 bilhão, e virou uma “arena” com menos de 80 mil lugares. O resultado é que os jogos no Maracanã não dão retorno financeiro para os clubes, pois o custo de manutenção e funcionamento levam toda a renda dos jogos. Desta forma, o ex-“maior estádio do mundo” fica mais fechado do que aberto ao público. (…) em Belo Horizonte, obras prometidas para a Copa de 2014 ainda estão inacabadas. No Aeroporto Internacional de Confins há obras de ampliação e modernização do terminal paradas desde setembro de 2014. (…) Em Cuiabá, nove obras prometidas para a Copa de 2014 seguem inacabadas, o que tem custado caro aos cofres públicos. Entre elas, está a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que já consumiu R$ 1,066 bilhão e está parada desde dezembro de 2014. Só 6 km de trilhos foram concluídos, do total de 22 km. Em Curitiba, quatro das 13 obras prometidas para a Copa ainda não foram concluídas, três de responsabilidade do governo estadual, e duas, da Prefeitura de Curitiba. Todas elas fazem ligação entre a capital e a Região Metropolitana, como o corredor Aeroporto-Rodoferroviária, onde já foram investidos mais de R$ 44 milhões e a reforma e ampliação do Terminal do Santa Cândida. Em Brasília, ainda há cinco obras prometidas para a Copa atrasadas, entre elas a urbanização do entorno do estádio Mané Garrincha e a construção do VLT entre o Aeroporto de Brasília e o Plano Piloto. (…) Em Manaus, o BRT, sistema de ônibus rápido, seria o principal meio de transporte para os torcedores até a Arena da Amazônia. Porém, em 2012, o governo estadual e a prefeitura desistiram de entregar a obra para a Copa, alegando atraso na liberação de recursos para o projeto. Até hoje a obra ainda nem foi licitada. Dos três Centros de Atendimento aos Turistas prometidos para a Copa, um está com as obras paradas e os outros nem saíram do papel. Em Porto Alegre, a obra na Avenida Cristóvão Colombo está parada desde que o consócio que ganhou a concorrência desistiu do contrato alegando dificuldades financeiras. Das 18 obras previstas para a Copa de 2014 na capital gaúcha, dez estão atrasadas e duas nem começaram. Em Recife, cinco das obras de mobilidade prometidas para a Copa ainda não foram entregues. Além disso, o governo do estado rescindiu no ano passado o contrato para construir a Cidade da Copa, projeto apresentado como primeiro modelo de cidade inteligente no Brasil. Em Salvador, as reformas no aeroporto internacional da capital baiana se arrastam até hoje. (…) Em São Paulo, a Linha 17-Ouro do monotrilho, que chegou a ter a inauguração anunciada para antes da Copa de 2014, até hoje não teve nenhuma estação entregue. O projeto foi retirado da lista de obras do Mundial por causa da mudança do estádio da Copa para Itaquera, na Zona Leste. Desde então, os valores da obra aumentaram, e os prazos foram sucessivamente ampliados. A megalomaníaca proposta de fazer ou reformar 12 estádios de futebol para a Copa do Mundo de 2014 só se justifica pelo interesse daqueles políticos e empreiteiros que visavam lucrar com a corrupção das obras superfaturadas. Cidades com Manaus, Cuiabá, Brasília e Natal nem possuem times na primeira divisão do campeonato brasileiro. As obras feitas estão ociosas, as obras inacabadas dão prejuízos e transtornos e toda a população brasileira foi onerada com o desperdício do dinheiro público e a ineficiência das construções. O grande destaque foram os protestos de rua contra a Copa, contra a ilusão midiática dos grandes eventos e contra a manipulação do mito da “pátria de chuteiras” e a paixão cega pelo futebol. Em 2015 estourou o escândalo da Fifa, quando 7 dirigentes da entidade máxima do futebol foram presos na Suíça, após serem acusados por suspeitas de corrupção envolvendo um montante de até US$ 150 milhões. A Fifa se mostrou uma das entidades mais corruptas do mundo. Três brasileiros foram implicados no esquema de corrupção, de acordo com o departamento de Justiça dos EUA. O ex-presidente da CBF José Maria Marin, José Hawilla, dono da Traffic Group (que morreu recentemente) e José Lazaro Margulies, proprietário das empresas Valente Corp. e Somerton Ltda. A CBF e a Fifa saíram com a imagem totalmente arranhadas e a população já percebe que há “algo de podre” no reino do futebol (…) Quatro anos depois da Copa do Mundo de 2014, muitas verdades vieram à tona sobre o circo do futebol enquanto as promessas do Brasil grande foram afogadas em uma crise econômica sem precedentes. O déficit fiscal brasileiro é monstruoso e a dívida pública cresce de maneira explosiva. O país não tem dinheiro para investimento em infraestrutura e o desemprego atingiu níveis astronômicos. A violência é desesperadora. (…)» José Eustáquio Diniz Alves, in O desastroso legado da Copa do Mundo de Futebol de 2014EcoDebate

quarta-feira, 13 de junho de 2018

15 ONGs unidas na preservação dos recursos marinhos

Graciosa, Açores. Imagem colhida aqui.

15 organizações não-governamentais de conservação marinha de Portugal e Espanha reuniram pela primeira vez em Lisboa – no veleiro Diosa Maat dos Ecologistas en Accíon e na sede da Liga Para a Protecção da Natureza – para coordenar o seu trabalho em assuntos-chave. O stock ibérico de sardinha, as oportunidades de pesca de espécies de profundidade e a implementação da Política Comum das Pescas (PCP) estiveram entre os principais temas discutidos. Como resultado, será solicitada uma reunião ao Comissário Europeu para o Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, Karmenu Vella. Muitas outras ações conjuntas estão a ser planeadas, assim como uma plataforma de comunicação partilhada, de forma a aumentar a capacidade conjunta das organizações para lidarem com os desafios que as águas ibéricas enfrentam. PONG-Pesca. Ver comunicado conjunto aqui.

Memórias curtas

Foto: Paul Hilton/Greenpeace
  • 13jun2012 - 11 escolas algarvias foram premiadas por terem conseguido reduzir o seu consumo de água; cerca de metade de Portugal Continental está em seca extrema; a câmara de Alenquer aprovou aumentos de 1240% nas tarifas do lixo.
  • 13jun2009 - A Câmara de Vila Nova de Famalicão vai criar uma brigada de limpeza ambiental para recolher resíduos despejados ilegalmente nas bermas das estradas que atravessam áreas florestais; o projeto Laurissilva Sustentável, a decorrer no nordeste da ilha de S. Miguel, Açores, já permitiu o controlo e remoção de sementes de Gigante,  uma espécie invasora, em 80 hectares de zonas de Turfeiras, no Planalto dos Graminhais.

Bico calado

Foto: Zhang Guojun/Xinhua/BarcroftImages
  • «A greve de comboios a sul de Coimbra, que se inicia hoje às 12 horas e se prolonga até final do dia 13, já me parecia inusitada mas, ao saber que os sindicatos marcaram greve a norte de Coimbra para os dias 23 e 24 de junho, confirmei as minhas suspeitas: as greves decretadas pelo sindicato ferroviário são manifestamente contra o povo e nada têm a ver com reivindicações dos trabalhadores. Desmontado que já fora o argumento da falta de segurança (o governo e a empresa garantem que os comboios continuarão a circular com dois funcionário, não havendo por isso qualquer alteração, como aliás acontece desde 1998) as greves dos comboios marcadas para as vésperas e dias que assinalam as festas populares mais concorridas do país são greves contra o povo, cujos interesses os sindicatos dizem defenderCarlos Barbosa Oliveira, in Crónicas do Rochedo. As indústrias ligadas ao petróleo agradecem, «penso eu de que».
  • «(…) Acaba de ser conhecida a notícia de que “O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos criticou a decisão do juiz Rui Teixeira que não deu acesso à defesa dos testemunhos e dos relatórios médicos das alegadas vítimas e condenou ainda os tribunais da Relação e o Supremo por terem negado uma indemnização ao antigo governante por detenção ilegal.” O juiz Rui Teixeira procedeu bem quando investigou Paulo Pedroso, mas foi intolerável quando foi à Assembleia da República, com câmaras da televisão, para prender um dos membros e humilhar o mais representativo órgão de soberania. Foi a afronta gratuita, na vertigem mediática, por um cidadão medíocre. O 25 de Abril não saneou os cúmplices do fascismo e os raros juízes demitidos, por colaboração com a Pide, foram imediatamente reintegrados, com retroativos, após o 25 de novembro de 1975. Nem os juízes fascistas dos Tribunais Plenários foram julgados. A Paulo Pedroso não há sentença que consiga ressarci-lo da humilhação, a ele que logo pediu o levantamento da sua imunidade parlamentar, para se deixar prender, sem haver perigo de fuga ou flagrante delito. O juiz que teve a glória a prender um deputado, foi recebido em delírio, com foguetes e banda de música na comarca de Torres Vedras, quando aí foi colocado. Depois de um acórdão da Relação referir que “cometeu erros grosseiros na investigação” do processo Casa Pia, veio a ser classificado de Muito Bom o seu desempenho. O país lembra-se das câmaras que o seguiam e da satisfação com que era filmado em ralis de todo o terreno. O deslumbramento e a certeza da impunidade levaram-no a proferir um despacho em que proibia “no seu Tribunal” o novo Acordo Ortográfico, a todos os funcionários e, pasme-se, aos advogados. O juiz que tão grosseiramente violou o tratado assinado pelo Estado Português, não se limitou à desobediência, quis impô-la ao arrepio da lei e da decência, como se ao juiz não coubesse apenas a aplicação da lei e, jamais, a sua violação. Isso, sim, foi grave, e não consta que tenha sido punido. (…)» Carlos Esperança, FB.
  • Os músicos de uma banda palestina foram detidos e as suas casas confiscadas por as letras das suas canções promoverem o incitamento à resistência. MEM.
  • Um centro de tratamento à cólera acabado de construir em Abs, no centro do Yemen foi bombardeado por forças da coligação da Arábia Saudita e dos Emiratos Árabes Unidos, denuncia Chris Murphy, senador democrata pelo Connecticutt, citado pela Common Dreams.

terça-feira, 12 de junho de 2018

China atribui prémio Embaixadora Global dos Oceanos a Ana Paula Vitorino

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  • A Quercus vai exigir junto do Ministério do Ambiente a revisão urgente do plano de ordenamento da albufeira de Santa Águeda, em Castelo Branco. A associação recorda que no início de maio confirmou no local a presença de peixes mortos e a aplicação ilegal de pesticidas, a presença de gado e viaturas na zona reservada da albufeira, com a água a apresentar uma alteração significativa das suas características de cor e cheiro indiciando contaminação e eutrofização da albufeira. Reconquista.
  • Ana Paula Vitorino recebeu o prémio Embaixadora Global dos Oceanos, atribuído pela State Oceanic Administration, uma agência chinesa responsável pelos assuntos marítimos. Jornal da economia do Mar. O que virá atrás disto?

Memórias curtas

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  • 12jun2009 - Depois de, em 1998, ter sido aprovada a Estratégia para a Orla Costeira e, em 2006, as Bases para a Estratégia de Gestão Integrada da Zonas Costeira Nacional, terminou no dia 5 de Junho a discussão pública de mais uma estratégia sem que as anteriores tivessem saído do papel, diz a Quercus.
  • 12jun2006 - O ministro do Ambiente, Nunes Correia, garantiu que a demolição do prédio Coutinho é para ser concretizada até ao final de 2006.

Bico calado

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  • «Há menos de uma semana, durante uma conferência de imprensa, Emmanuel Macron foi perguntado sobre o telefonema que tivera recentemente com Donald Trump. Correra pelo mundo a notícia de que aquela conversa fora tempestuosa... Perguntado, o presidente francês esquivou-se e citou um chanceler prussiano do séc. XIX, quando ainda não havia a tradição de tudo, ou quase tudo, até a diplomacia, ser transparente e hipócrita. Macron disse, então: "Como dizia Bismarck, se explicássemos a receita da salsicha às pessoas, não é evidente que elas continuassem a comê-la." Passaram-se poucos dias e ontem, do Canadá, do encontro dos líderes do G7, quer dizer, de quase todos os chanceleres dos tempos modernos, o mundo recebeu fotos sobre o momento em que eles discutiam o acordo dos países mais ricos do mundo. Esses quase todos, de um lado da mesa, enfrentavam o único sentado do grupo. A alemã Merkel apoiava as mãos no tampo, Macron só sobre um punho, a britânica May no nada que ela já é, o japonês Shinzo Abe tinha ar derrotado e o canadiano Trudeau só um sorriso postiço para oferecer... Era um grupo de poderosos com um poder fraco como tudo. Quando a foto nos chegou, o sentado, de birrentos braços cruzados, já deitara para o lixo o acordo e chamara ao anfitrião (o canadiano) "desonesto e fraco". Quer dizer, os Bismarks dos tempos modernos preferiram dizer-nos não só a receita da salsicha mas mostrar-nos também que do cozinheiro, o único que à mesa impõe o menu, exala um odor putrefacto. Anthony Bourdain dizia: "Nunca trabalhem num restaurante que cheire mal." Ingénuo conselho! Hoje somos obrigados a frequentar esse restaurante e o seu execrável proprietário.» Ferreira Fernandes, in A salsicha de Trump e o próprio Trump - DN 11jun2018.
  • «O tribunal constituiu arguido 12 trabalhadores, incluindo dois comandantes de bombeiros, no processo interposto por vítimas do fogo de Pedrógão e cometeu a suprema injustiça de não constituir UM SÓ INCENDIÁRIO arguido daquele gigantesco incêndio e de não ter esclarecido como foi ateado o incêndio. Isto tornou-se numa DITADURA infame e injusta. A empresa francesa concessionária da estrada não é arguida, mas são dois ou três explorados e mal pagos trabalhadores seus.» Dieter Dellinger, FB.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Brasil: derrame de petróleo na Baía de Todos os Santos

Borrelho-pequeno-de-coleira (Charadrius dubius)
Foto de Nuno Reis/Aves de Portugal 5jun2018.
  • França: telemóveis proibidos nas escolas e universidades. Glifosato autorizado nas cantinas escolares.
  • «Bom dia, seu pedaço de lixo», disse Jahan Wilcox, porta-voz do ministério do Ambiente dos EUA à repórter da Atlantic Elaina Plott. Washington Post.
  • O alto funcionário do Novo México, Aubrey Dunn, disse que havia proprietários do Texas a roubar milhões de litros de água para a vender à indústria da fraturação hidráulica, conta o Texas Tribune.
  • Quilombolas denunciam derrame de petróleo na Baía de Todos os Santos, no rio São Paulino, perto da Ilha de Maré, em Candeias.

Mão pesada

A Northern Ireland Water foi multada em 40 mil libras por complacência na resolução de um derrame de esgotos para o rio Moyola, em Tobermore. Belfast Telegraph.

Reflexão - «Os arquitectos da eucaliptização de Portugal»


«Embora seja amplo o número de representantes das celuloses em cargos de governação, há figuras com destaque como Álvaro Barreto, Jorge Godinho ou Luís Todo Bom. Mas poucos têm papéis tão evidentes e claros na definição da arquitectura das políticas públicas florestais em momentos-chave como João Manuel Soares. 

Se hoje é na imprensa que João Manuel Soares cumpre a sua missão, durante a maior parte das últimas três décadas esteve entre o governo e o grupo Navigator (Portucel-Soporcel), organizando de um lado a disponibilização do território nacional para a eucaliptização e, do outro, executando essa eucaliptização. 
Até ao fim dos anos 80, Soares esteve na Administração Pública, passando pela chefia da Divisão de Estudos Económicos do Instituto dos Produtos Florestais até chegar à sua direcção e presidência, em 1985 e 1988. No exercício destas últimas funções terá tido um papel importante no Programa de Acção Florestal. Enquanto desempenhava cargos no Estado, participou no Comité da Madeira da Comissão Económica para a Europa, na Comissão Europeia para as Florestas, das Nações Unidas, no Comité Consultivo do Sector das Madeiras da Comissão das Comunidades Europeias. O Instituto dos Produtos Florestais, entidade de regulação económica, seria extinto em 1989, ocupando nessa altura João Manuel Soares o lugar cimeiro na Direcção-Geral das Florestas. Foi chamado para a chefia da Direcção-Geral pelo então ministro da Agricultura, Álvaro Barreto, designado por Soares como o “meu último patrão público e o meu «primeiro patrão privado». Em 1988 elaborou o “Pacote Florestal”, com a primeira legislação para a plantação de espécies de crescimento rápido, isto é, eucaliptos. No período de entrada de Portugal para a CEE, estava no sítio certo. Em 1990 entra para a Portucel. Álvaro Barreto sairia também do governo nessa altura, directamente para a Presidência do Conselho de Administração da empresa de celulose. 
No sector florestal, Soares actuou tanto nas áreas técnicas como políticas. Entre 1997 e 1998 participou na elaboração do Livro Verde da Cooperação Ensino Superior/Empresa. A nível internacional, foi vice-presidente e depois presidente do Comité Florestal da Confederação Europeia da Indústria Papeleira, entrando por essa via no Comité Consultivo da Floresta e da Cortiça da Direcção-Geral de Agricultura da Comissão Europeia. Mais tarde seria um dos fundadores do BCSD Portugal — Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. 
Após os incêndios florestais de 2003 (os maiores de sempre, até 2017), foi chamado por Armando Sevinate Pinto, ministro da Agricultura, para ocupar o cargo de secretário de Estado das Florestas no XV Governo Constitucional, tendo exercido funções entre Outubro de 2003 e Julho de 2004, saindo com a demissão do primeiro-ministro Durão Barroso. Durante o seu mandato, e como urgência, foi feita nova “reforma florestal”, criado um novo quadro para o Sistema Nacional de Prevenção e Protecção da Floresta contra Incêndios, o Fundo Florestal Permanente e a Agência para a Prevenção de Incêndios Florestais. Soares tentou ainda fundir o Instituto de Conservação da Natureza com a Direcção-Geral dos Recursos Florestais para retirar competências à primeira entidade no licenciamento de plantações florestais. Esta proposta só viria a passar em 2011, sob a ministra Assunção Cristas. 

Acabado o mandato, saiu do Estado para a Portucel-Soporcel, enquanto o seu “último patrão público”, Álvaro Barreto, saiu da presidência da Portucel-Soporcel para ser ministro da Agricultura de Santana Lopes. João Manuel Soares voltou para as celuloses, tendo exercido, ao longo de mais de 20 anos, funções de direcção e administração em várias empresas: Emporsil, Soporcel, Raiz, Portucel e Portucel-Soporcel. Entre 2009 e 2014 foi cooptado para ser Presidente do Conselho de Escola do Instituto Superior de Agronomia. O tom agressivo com que tem opinado nos tempos mais recentes parece ser sinal de decrescente capacidade de influência nos corredores do Poder. 
No entanto, num processo de ascensão para a posição de arquitecto está Tiago Martins Oliveira, actualmente no exercício de um cargo equiparado ao de secretário de Estado. Doutorado em Engenharia Florestal, este quadro da The Navigator Company preside à recém-criada Estrutura de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais. Não é a primeira vez que este quadro das celuloses participa em governos. Pela mão de João Manuel Soares, Tiago Oliveira ingressou no governo de Durão Barroso como adjunto do secretário de Estado das Florestas. Já em 2005 entrou como assessor no gabinete de Jaime Silva, ministro da Agricultura de José Sócrates. Na altura, foi um dos técnicos que elaboraram o Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios. Veio das celuloses, regressou às celuloses. Doze anos depois é novamente chamado ao exercício de funções públicas, por António Costa, primeiro-ministro. No discurso de Tiago Oliveira não há responsabilização de espécies nos incêndios em floresta. A responsabilidade deixa-a à gestão, ou à falta dela. É um discurso recorrente e incompleto, alimentando uma narrativa que vem de ainda antes de João Manuel Soares. Nunca se debruça sobre os condicionalismos à gestão, ao rendimento que a possa suportar. Claro, isso seria pôr em xeque a sua origem (e eventual futuro) profissional. Não é, pois, de estranhar a sua análise tecnicista, mas incompleta, na abordagem da problemática dos incêndios e, sobretudo, das florestas e do meio rural. Apesar disso, é sempre difícil negar a natureza do eucalipto, como o próprio Tiago Oliveira faz: “Trata-se de uma espécie florestal que reage bem ao fogo. Aquilo é uma árvore. Não pode ser considerada a culpada. Está a reagir ecologicamente àquilo que ela sabe fazer: está a regenerar, a sair das cinzas e a entrar no verde.” Há claras linhas vermelhas na sua intervenção em funções públicas, designadamente as que possam pôr em causa interesses da indústria da celulose. A abordagem da questão florestal através dos incêndios é um exercício perdedor, como tentar melhorar os resultados de uma equipa de futebol focando-se só no guarda-redes ou tentar controlar uma infecção apenas com antipiréticos. Pode controlar surtos febris, mas não controla a infecção. Dificilmente Tiago Oliveira terá sucesso na abordagem ao problema sem se imiscuir nas suas causas. Mas as causas estão para lá da linha vermelha da sua intervenção em funções públicas. 
Em comum, para além do exercício de funções no mesmo grupo empresarial ligado à produção de celulose, João Manuel Soares e Tiago Martins Oliveira protagonizaram-se também enquanto subscritores, em 2011, de um manifesto pela floresta contra a crise. Nesse manifesto, subscrito entre outras personalidades pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio, era apontado o valor “simplificado” da perda de mais de mil milhões de euros por ano devido aos incêndios florestais em Portugal. Os “arquitectos” colocam-se sempre nos locais estratégicos para estancar que as questões possam ser levadas até às últimas consequências: será que ao volume anual bruto do negócio das celuloses em Portugal não haveria que descontar este encargo social, para a determinação do seu valor líquido para a Sociedade? 
O “cimento” 
O modelo é conhecido. Para desenvolver as vendas da indústria farmacêutica, houve/há que influenciar o ensino e a investigação nas Faculdades de Medicina. Para cimentar a sua influência mediática e política, foi imprescindível às celuloses intervir directamente na academia, o que foi naturalmente facilitado pelo desinvestimento crescente no Ensino Superior e na Investigação. Não é por isso de estranhar a existência de uma sala “Portucel-Soporcel” no Instituto Superior de Agronomia ou de um “Laboratório Celtejo” na Universidade da Beira Interior. O nível de articulação entre uma parte da academia portuguesa e a indústria das celuloses é relevante, como podemos reparar no Instituto Raiz, de Investigação da Floresta e Papel, iniciativa financiada pela The Navigator Company, que tem como parceiros a Universidade de Coimbra, a Universidade de Aveiro ou o Instituto Superior de Agronomia, ou no desenvolvimento de programas de ensino e formação conjuntos de universidades e empresas como o Programa Doutoral em Biorrefinarias da Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra, The Navigator Company e CELBI. 
A ideia de que a empregabilidade e a inovação só podem ser conseguidas através da estrita ligação entre as universidades e a indústria alimenta a desuniversalização das universidades e a perda, em muitos casos, de sentido crítico. A entrega do sentido da investigação e do estudo à orientação de um determinado sector industrial reduz o conhecimento à técnica a aplicar em determinados processos, amputando alternativas, privando alunos e investigadores de amplitude e de múltiplas perspectivas. Infelizmente esta privatização encapotada do ensino superior público é muitas vezes levantada como bandeira pelos governos e celebrada. Assim tem sido com as celuloses. 
Devem ainda chamar-nos particular atenção os “laboratórios colaborativos”, a nova maneira de o Estado patrocinar a ciência. Como exemplo acabado da porta aberta para entrega da Ciência à técnica, o Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo “ForestWise”, que receberá financiamento público para estudar as dinâmicas da floresta e dos incêndios. Os parceiros deste laboratório de investigação? O INESC-TEC, o Instituto Superior de Agronomia, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, as Universidades de Évora, Coimbra e Aveiro, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a EDP, a REN, a Sonae Arauco, a Corticeira Amorim, a Europac, a Altri Florestal e a The Navigator Company. O lançamento do laboratório teve total pompa e circunstância, com a presença de Tiago Oliveira Martins, presidente da Estrutura de Missão para o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, de Capoulas Santos, ministro da Agricultura e até do primeiro-ministro, António Costa. 
No entanto, nenhuma porta fica por explorar. A Liga para a Protecção da Natureza, mais antiga organização ambientalista de Portugal, que teve entre as principais campanhas da sua história a oposição à eucaliptização do país, recebeu recentemente o patrocínio da The Navigator Company num Jantar de Gala e tem prevista uma parceria com a empresa de celulose a nível da Educação Ambiental, “no âmbito da promoção da floresta sustentável”. A inclusão de um dos principais arquitectos da eucaliptização de Portugal, João Manuel Soares, numa das listas para a direcção da organização parece, no entanto, ter sido a gota de água, tendo surgido, pela primeira vez na sua história, duas listas de oposição. 
Participando em todas as fases de concepção da “obra”, as celuloses conseguiram levantar o frágil edifício do engano, fazendo curto-circuitar os processos de escrutínio democrático, político, científico, mediático e social à sua actividade. Como se viu depois dos incêndios de 2017.» 

João Camargo e Paulo Pimenta de Castro, in Os arquitectos da eucaliptização de Portugal – Público 10jun2018.

Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • Dizem Os truques da imprensa portuguesa: «em menos de uma hora (17h42 e 18h20) a Bola diz uma coisa e o seu contrário. (...) A pressa é inimiga da verdade.»
  • A Argentina cancelou um jogo amigável com Israel, que deveria ter sido realizado sábado, 9 de junho. O Público omitiu este facto e agora conta uma estorinha: «Argentina foi obrigada a trocar Lanzini por Enzo Pérez». Deixei de estranhar os critérios deste diário. Nem o facto de Portugal ter-se sagrado tricampeão de canoagem mereceu a primeira página. Empurraram isso para uma página «lá para os fundos do quintal». Mesmo no dia 10 de junho!

domingo, 10 de junho de 2018

Açores: depósito de amianto na Base das Lajes

Terceira, Açores. Foto colhida aqui.
  • A Base das Lajes tem no seu seio um depósito de amianto, que nunca terá sido alvo de qualquer intervenção. Denominado como "Asbestos Landfill Site", está localizado junto à parte desativada da pista da base militar [das Lajes], ainda dentro da rede de delimitação, revela o Diário Insular citando estudo realizado em 2005 pelos próprios norte-americanos. Este será apenas um de vários pontos onde eram depositados resíduos tóxicos no interior da base. Segundo testemunhas, o sítio terá enterrados também dois contentores com vários materiais nocivos, incluindo tintas à base de chumbo. Os contentores em causa poderão estar a poucos metros da superfície do solo. O "HydrogeologicalReport" (Estudo Hidrogeológico) desenvolvido pela empresa "CH2MHILL" para os norte-americanos, em 2005, também refere a existência desta lixeira repleta de amianto. É sublinhado no estudo que "o extremo nordeste do triângulo da pista de aviação foi utilizado para depositar resíduos, devido à sua localização remota". O depósito de amianto e a "Praia Dump" (Lixeira da Praia) são mencionados neste relatório. Sublinha-se que a «infiltração gradual em sentido descendente deve ser esperada, em vez de um movimento lateral (em direção ao oceano)». O investigador da Universidade dos Açores Félix Rodrigues escrevia, em janeiro, num artigo de opinião no DI: «Esta lixeira não está no perímetro militar da base, fica fora dele e qualquer pessoa pode lá aceder na atualidade. É um problema, porque aí também foram despejadas lamas de lavagem de tanques de combustíveis e antigos transformadores, cheinhos de PCBs (Bifenilospoliclorados), que são substâncias persistentes no ambiente e cancerígenas». FBFélix Rodrigues relembra que, há 10 anos, negavam e até o ameaçaram com o tribunal por difamar a água da Praia da Vitória. «Pelo menos agora assume-se que há contaminação e que há que descontaminar».
  • Organizações ambientalistas portuguesas e espanholas manifestaram-se em Salamanca contra a continuação da central nuclear de Almaraz e a abertura de uma mina de urânio em Retortillo, informa o Observador.
  • A Famille Michaud, uma cooperativa de apicultura do norte da França, avançou com um processo contra a Bayer, após vestígios de glifosato terem sido detetados em lotes de mel. PHYS.

Mão pesada


O Ibama realizou operação para coibir o plantio de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) em Terras Indígenas no oeste de Mato Grosso. De acordo com a Lei 11.460/2007, o cultivo de transgênicos em TIs é proibido.
Foram autuados 16 arrendatários, 2 fazendas e 5 associações indígenas. Agentes ambientais aplicaram 44 multas, que totalizam R$ 129,2 milhões, e embargaram 16,2 mil hectares explorados ilegalmente por arrendatários nas TIs.
De acordo com o art. 231 da Constituição Federal e o art. 22 da Lei 6.001/1973 (Estatuto do Índio), cabe aos indígenas o usufruto exclusivo de suas terras. Considera-se, portanto, que o arrendamento dessas áreas é ilegal. A transgenia dos produtos foi comprovada por testes laboratoriais realizados pelo Ibama.

Reflexão-ação – Pedir o fim dos contratos das concessões à GALP/ENI para exploração de petróleo ou gás ao largo de Aljezur!

                                                                    Imagem colhida aqui.
«Requeremos e exigimos o fim dos contratos das concessões à GALP/ENI para exploração de petróleo ou gás ao largo de Aljezur!
São as nossas vidas, as nossas actividades, as nossas heranças que estão a ser colocadas em risco! NÃO AUTORIZAMOS! Se salvam bancos com milhões dos nossos Euros, salvem uma região que tanto contribui para o PIB e defenda a população, para variar!
Somos um País de HERÓIS DO MAR, não de carrascos do mar! Tomem a única decisão lúcida nesta loucura e terminem estes contratos, antes que custem muito mais do que dinheiro!
JÁ PAGÁMOS TANTOS ERROS DOS GOVERNOS, PAGAMOS MAIS ESTE, PORQUE PAGAREMOS DE QUALQUER MODO, E INFINITAMENTE MAIS, SE NÃO HOUVER RESCISÃO! Fiquem para a História como o Salvadores da Pátria e não como os carrascos do Algarve e Costa Alentejana!
EXIGIMOS QUE FAÇAM CUMPRIR O ARTIGO 66.º DA CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA TERMINANDO ESTES CONTRATOS, PORQUE NÓS CUMPRIREMOS O DEVER DE O DEFENDER!»

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Bico calado

Foto: Silas Stein/AFP/Getty Images
  • «(…) O futebol é a coisa mais parecida com a máfia que existe em Portugal — ou melhor, é a nossa máfia lusitana. Eles produzem a cocaína, muitas vezes em sentido literal, mas a rede de distribuição é a comunicação social. Como o negócio antigo das notícias não vende, o negócio moderno é tornar o futebol, como agora se diz, “incontornável”, ou seja, as pessoas não podem fugir dele, como os distribuidores de droga nas escolas, e ficam tão “agarrados” que já não sabem ver, ouvir e ler outra coisa. (…)» José Pacheco Pereira, in A nossa cocaína caseira - Público 9jun2018.
  • «(…) Não há nada a fazer com os alemães: são mesmo arrogantes, convencidos de que têm de dar lições a todos os outros. Há cinco anos, no auge da crise, cuja dimensão em grande parte nos impuseram sem necessidade, Angela Merkel, dignou-se visitar-nos por umas horas. Quando um jornalista lhe perguntou humildemente se a Alemanha nos poderia ajudar, respondeu que sim, poderiam importar alguns engenheiros portugueses (porque, surpreendentemente, em algumas áreas, os nossos engenheiros são melhores do que os alemães). Recebi isto como um insulto: nós pagávamos a formação dos engenheiros com os nossos impostos e, uma vez ela terminada, a Alemanha dava-nos a “ajuda” de os receber nas suas fábricas de excelência, onde se factura o maior excedente comercial do mundo. Desta vez, de visita de dois dias, António Costa levou-a a ver o que de melhor produz a tecnologia portuguesa ao serviço das multinacionais alemãs em Portugal. E, de caminho, lembrou que também tínhamos bons vinhos para exportar. “Nein!”, disse a chanceler Merkel, “na Alemanha também temos excelentes vinhos!”. A sério, Angela? Aquela droga do Riesling? Nem os vinhos, Angela? O país com piores vinhos do mundo nem sequer está aberto a importar vinhos decentes dos seus parceiros europeus? E depois de matarem a Europa com essa visão de Tio Patinhas, o que vão vocês fazer, sentados em cima de pilhas de dinheiro acumulado e de Mercedes e BMW que ninguém terá dinheiro para vos comprar?» Miguel Sousa Tavaraes, in E lembraram-se de Marx! - Expresso, 9jun2018 - via A estátua de sal.

sábado, 9 de junho de 2018

Índia: escassez de água é fonte de conflitos diários

Rwanda. Foto: Xinhua / Barcroft Images
  • Um grupo de cidadãos britânicos que se autointitulam Plan B Earth vai processar o governo britânico por pouco ou nada estar a fazer para contrariar os impactos negativos provocados pelas alterações climáticas. Renewable Energy Magazine.
  • A Desert Control, fundada pelo cientista norueguês Kristian Olesen, desenvolveu uma nova tecnologia chamada Liquid Nano Clay que combina nanopartículas de argila e água e as transforma num novo componente que permite que até mesmo o solo árido do deserto seja usado para cultivar árvores. Parece uma coisa de ficção científica, mas é bem simples. Ecocosas.
  • Em várias regiões da Índia, a escassez de água é tal que ocorrem conflitos diários pela obtenção do precioso líquido. Terra Daily.

Reflexão: «Quando os campos e florestas ficarem completamente limpos…»

Foto: Greg Norgaard/Alamy Stock Photo

«(…) Quando os campos e florestas ficarem completamente limpos, de modo a evitar qualquer catástrofe, quando à beira das estradas forem abatidas todas as árvores que chocavam contra os carros ou avançavam para os focos de incêndio, teremos realizado o ideal da paisagem biopoliticamente construída por uma demência ortomaníaca. Aí, tudo é ordem e beleza, luxo, calma e voluptuosidade. É um convite à viagem? Pois é. Mas não convida ninguém a lá ficar.(…)»
António Guerreiro, in O Mundo sem nós – Público 8jun2018.



Bico calado

Foto: Andrew Fusek-Peters/SWNS
  •  «Há dias, uma televisão convidou-me a dar um testemunho, por ocasião da morte de Frank Carlucci, o embaixador que os americanos enviaram para Portugal, alguns meses depois do 25 de abril. Agradeci, mas não aceitei. (…) Segundo alguns historiadores, Carlucci terá convencido o chefe da diplomacia do presidente Nixon, Henry Kissinger, de que a deriva revolucionária portuguesa, subsequente ao 25 de abril, não condenava necessariamente o país a converter-se numa república socialista radical, que este via como uma espécie inevitável de "vacina" para a Europa ocidental. Para o embaixador, havia a opção de apoiar os líderes dos partidos moderados, tentando, com a ajuda de regimes pluralistas europeus, promover a instauração da democracia no país. O facto de isso ter assim sucedido é tido por muitos a crédito de Carlucci. Por este facto, Carlucci transformou-se, aos olhos de alguns, num "herói" da democracia portuguesa, uma espécie de "santo padroeiro" do 25 de novembro. E os descendentes políticos dessa gratidão apresentaram, na Assembleia da República, votos (diferenciados) de pesar pelo passamento do político americano. Esse voto tem de ser respeitado. Quero, porém, deixar aqui claro que, se acaso fosse deputado, não me teria associado a ele, abstendo-me ou saindo da sala. Porquê? Porque não aplaudo cínicos. Frank Carlucci apoiou os democratas portugueses, não pelo sentido humanista decorrente de uma opção a favor da vida política em liberdade no nosso país, mas exclusivamente porque esse era o interesse geoestratégico americano de ocasião. Mas não será isto um preconceito? Não creio. Em outras ocasiões, a História prova que o mesmo Frank Carlucci deu apoio, claro e deliberado, a golpes políticos conducentes à instauração de ditaduras e regimes opressivos noutras partes do Mundo. Com orgulho declarado e sem o menor remorso. Aliás, não é necessário ir muito longe para constatar essa duplicidade: a mesma administração americana que enviou Carlucci, para substituir um diplomata que não tinha "visto chegar" a Revolução cujas consequências pretendia combater, era precisamente o mesmo que até então se mostrara plenamente confortável com o regime ditatorial de Marcelo Caetano. (…).» Francisco Seixas da Costa, FB.
  • »(…) Alcindo Monteiro teria hoje 50 anos. Em 1995 era um jovem pacato de 27 anos, que trabalhava numa oficina no Barreiro, que poupava para um dia construir uma vivenda, e que fora cozinheiro durante o serviço militar. Nascera português em Cabo Verde e depois de vir para Portugal com os pais tivera de conquistar a nacionalidade portuguesa de novo. Era discreto e tinha apenas uma extravagância conhecida: gostava de dançar. Naquele dia 10 de junho de 1995 veio a Lisboa para dançar. Foi assassinado por um grupo de criminosos racistas que o espancaram até à morte por não ser branco. Fará este domingo 23 anos e por isso eu já tinha decidido escrever sobre Alcindo Monteiro. (…) Alcindo Monteiro não teve oportunidade de levar a vida pacata de que gostava. Os seus sonhos foram cortados pela raiz. A sua família tem de lidar com a dor há mais de duas décadas. Por outro lado, um dos criminosos que o matou está em todo o lado na TV, nos jornais e nas redes sociais. Chama-se Mário Machado e está nas notícias por causa do futebol, mas poderia ser outra coisa qualquer. Durante todos estes anos, sempre que não esteve preso por um dos seus vários crimes — não só as agressões que levaram à morte de Alcindo Monteiro, mas diversas outras condenações por extorsão, posse de arma ilegal, ofensas à integridade física, coação agravada e discriminação racial — Mário Machado conseguiu sempre um acesso fácil ao tempo de antena por que tanto anseia. Seja para mostrar as armas ilegais que tem em casa, como há uns anos. Seja porque a televisão pública o decide entrevistar, como há poucos dias, para lhe dar oportunidade de dizer que quer estar mais ativo na vida do seu clube de futebol. Seja porque se decide candidatar à chefia de uma claque de adeptos — cujos anteriores líderes estão a ser investigados por sequestro e terrorismo, nada menos do que isso — e então aí está em todo o lado. No café onde entrei há pouco a televisão mostrava em letras garrafais o título: “Extrema-direita chega às claques de futebol”. Chega?! Agora é que deram por isso? Já se esqueceram que Alcindo Monteiro foi assassinado precisamente num dia de final de Taça de Portugal, por um grupo de skinheads que tinha assistido ao jogo umas horas antes integrados numa claque de futebol, Mário Machado incluído? Para cúmulo, as televisões e os sites que mostram um “comunicado” de Mário Machado noticiam também que no mesmo dia e local do lançamento da candidatura à claque de futebol o criminoso racista que ajudou a matar Alcindo Monteiro vai também lançar um novo partido nacionalista. Se isto se passasse em qualquer outra área que não o jornalismo, que tem por obrigação informar-se para poder informar, esta dificuldade em juntar 2+2 seria ingenuidade. Aqui nem irresponsabilidade se poderia chamar: é cumplicidade. Cumplicidade com uma estratégia escancarada para usar as audiências em torno das notícias do futebol como forma de aproveitamento político em favor de um assassino. Mas ninguém se dá conta de que estão a promover um sujeito que é apenas e unicamente conhecido, não pelas suas ideias, não pelas suas realizações, não por nada que alguma vez tenha pensado ou dito, mas exclusivamente por ser um criminoso que ajudou a matar um concidadão inocente que tinha a pele de outra cor? No esgoto a céu aberto das notícias sobre futebol nada parece ter já gravidade. E por isso ninguém se pergunta como pode uma claque ser apoiada por uma instituição de utilidade pública como é um clube de futebol, ainda que em crise, e ao mesmo tempo admitir a candidatura à sua presidência de um criminoso. E ninguém se pergunta como podem jornalistas fingir que caem na armadilha de divulgar essa candidatura apenas e só porque dá audiências. Quando a vítima é esquecida e o perpetrador aparece quase que celebrado em todo o lado estamos perante o sinal claro de um falhanço coletivo. Que provocará novas vítimas, estejam certos. Vítimas que vos ficarão na consciência quando as audiências já estiverem esquecida» Rui Tavares, in Só faltava o assassino racista no esgoto a céu aberto - Público 8jun2018.