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quarta-feira, 29 de abril de 2026

ESPANHA: ELÉTRICAS E PP PROPAGAM NOTÍCIAS FALSAS CULPANDO AS RENOVÁVEIS PELO APAGÃO


A Greenpeace denunciou quatro notícias falsas que estão sendo propagadas por empresas elétricas e pelo Partido Popular (PP), com o objetivo de culpar as energias renováveis pelo apagão e justificar a manutenção de centrais nucleares e de gás:

1: “Havia energia renovável em excesso”
Realidade: O apagão foi causado por falhas no controle de tensão atribuíveis a centrais de gás e nucleares (que não forneceram os serviços de segurança pelos quais foram pagas). Países com maior participação renovável (Alemanha, Grécia) não sofreram apagão.

2: “Não podemos prescindir da energia nuclear para evitar novos apagões”
Realidade: A nuclear foi um peso durante a crise. Mais de metade do parque nuclear estava operacional, mas não ajudou a estabilizar o sistema (inclusive há processos contra centrais como Almaraz, Ascó e Vandellós II). Além disso, centrais nucleares são lentas para religar (levam dias), ao contrário de outras tecnologias.

3: “Sem gás não podemos viver”
Realidade: Embora as cantrais de gás tenham ajudado na recuperação pós-apagão, 16 centrais de gás também falharam em controlar a tensão para evitar o colapso (e estão sendo sancionadas).

4: “Só com renováveis não podemos funcionar”
Realidade: Um estudo da Greenpeace (Energia para viver melhor) conclui que Espanha e Portugal podem abandonar completamente os combustíveis fósseis e a energia nuclear até 2040, com redução de 39% da procura energética total e abastecimento 100% renovável (eólica, solar, hidráulica, armazenamento e gestão da procura).

A Greenpeace sugere a aplicação de um imposto específico sobre as grandes empresas elétricas (que aumentaram lucros pós-apagão) para financiar o combate à pobreza energética e uma transição energética justa.

DENGUE: MOSQUITO DETETADO EM 28 CONCELHOS

  • O mosquito Aedes albopictus, transmissor de doenças como dengue, chikungunya, febre-amarela e Zika, foi detetado em 2025 em 28 concelhos de Portugal, informa o mais recente Relatório REVIVE, divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), que confirma a expansão da espécie no território nacional. O número representa um aumento face a 2024, quando a espécie invasora estava identificada em 18 concelhos, refletindo uma tendência de crescimento contínuo da sua presença em Portugal. Fonte.
  • Cientistas britânicos da Universidade de Manchester estão a investigar uma técnica de geoengenharia denominada «clareamento de nuvens marinhas». Pretendem lançar uma névoa fina de água salgada a grande altura no céu para tornar as nuvens mais claras, de modo a que estas reflitam mais luz solar de volta para o espaço e ajudem a arrefecer o planeta. O projeto REFLECT é financiado pela Agência de Investigação Avançada e Inovação (ARIA) do Reino Unido, que atribuiu 57 milhões de libras a 22 projetos de geoengenharia. Os investigadores e a ARIA salientam que a descarbonização continua a ser a única solução sustentável para a crise climática e que esta investigação apenas tem como objetivo criar uma base de dados objetivos que sirva de suporte para a tomada de decisões seguras. Tudo isto porque há empresas privadas, apoiadas por capital de risco, que já estão a entrar neste setor sem qualquer quadro regulamentar, o que cria uma necessidade urgente de investigação independente financiada com fundos públicos. Quaisquer ensaios futuros exigirão avaliações de segurança independentes e uma conceção conjunta com a comunidade. Ainda não foi escolhido nenhum local, e as experiências ao ar livre não terão lugar antes de 2028. Fonte.
  • A administração Trump anunciou mais dois pagamentos a empresas do setor energético para que abandonem projetos eólicos offshore em desenvolvimento nos EUA. A Bluepoint Wind e a Golden State Wind concordaram em rescindir os seus contratos de arrendamento eólico offshore em troca de reembolsos que totalizam quase 900 milhões de dólares. Fonte.
  • O ministro do Ambiente do Líbano acusou as forças armadas de Israel de cometerem «um ato de ecocídio» no prefácio de um relatório que detalha os danos causados aos recursos naturais do país durante a invasão de 2023 a 2024.
  • A tribo Stillaguamish, a norte de Seattle, está a devolver terras agrícolas ao mar para salvar o salmão e ajudar a proteger contra inundações uma comunidade que tem enfrentado dificuldades devido à subida do nível do mar causado pelas alterações climáticas. Fonte.

BICO CALADO

DINNER FOR ONE by Marian Kamensky, Courtesy CagleCartoons.com
  • Trump aproveita o tiroteio no Jantar dos Correspondentes para justificar o alargamento dos poderes de vigilância à medida que o prazo se aproxima. Julia Conley, Common Dreams.
  • O governo do Reino Unido anunciou planos para alargar a utilização do reconhecimento facial em tempo real (LFR) a todo o país, na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal que confirmou a legalidade da utilização do sistema pela Polícia Metropolitana. A ministra da Polícia, Sarah Jones, saudou a decisão, afirmando: «Os cidadãos cumpridores da lei não têm nada a temer.» Pior ainda, classificou quem se opõe à tecnologia como «incivilizado» e insinuou que essas pessoas estão do lado de assassinos e violadores. Aparentemente, é errado querer privacidade. (…) Os agentes da polícia estão a arrastar pessoas da rua e a exigir os seus dados se estas se recusarem a ter o rosto digitalizado. Apenas um pequeno número de verdadeiros criminosos está a ser apanhado, com um julgamento a resultar em zero detenções, mas a vigilância em massa está a ser vendida como o «maior avanço desde o ADN» para apanhar criminosos violentos. A solução deles para o crime é fazer com que o seu rosto se torne o seu cartão de identificação. CEM, Substack.
  • Peter Magyar derrotou Victor Orban nas eleições realizadas na Hungria no início desta semana, o que provocou uma onda de júbilo por parte dos meios de comunicação liberais e da classe política. Muitos seguiram a linha de Obama, saudando o resultado como uma vitória para a democracia e o Estado de direito. De facto, Magyar está tão empenhado no Estado de direito que convidou Netanyahu para visitar a Hungria em outubro. Nate Bear, Numa Época de Monstros, Os Piores HeróisSubstack.
  • A gigante tecnológica americana responsável pelo software de declaração de impostos mais popular dos EUA permite que os seus funcionários usem os uniformes das Forças de Defesa de Israel no trabalho e também lhes concede licenças de vários meses para combater nas guerras de Israel. No mês passado, Tom Yacobi, analista de dados da gigante de tecnologia financeira Intuit — cujos produtos incluem o TurboTax, um programa de declaração de impostos amplamente utilizado —, participou numa videoconferência da empresa no Zoom, com todos os funcionários, vestindo o uniforme completo das Forças de Defesa de Israel. Nate Bear, Substack.
  • Paris vai quase duplicar o imposto sobre os apartamentos devolutos em 2027. O imposto sobre o valor cadastral de arrendamento passará de 17 % para 30 % durante o primeiro ano de desocupação de um imóvel. Uma percentagem que subirá até 60 % após dois anos de desocupação. Fonte.
  • A BP duplicou os seus lucros para 3,2 mil milhões de dólares. Fonte.
  • O Reino Unido foi apontado como o maior violador do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares no «Nuclear Weapons Ban Monitor 2026», um relatório elaborado pela Norwegian People’s Aid (NPA). Esta classificação deve-se, em parte, ao facto de o Reino Unido possuir as suas próprias armas nucleares, bem como ao facto de se entender que começou a acolher armas nucleares dos EUA de Trump. Fonte.
  • O endurecimento do embargo de 65 anos imposto pelos EUA a Cuba pelo presidente Donald Trump ao longo dos seus dois mandatos é provavelmente a principal causa de um aumento sem precedentes da taxa de mortalidade infantil em Cuba, que disparou 148 % entre 2018 e 2025, conclui um relatório do Centro de Investigação Económica e Políticasediado em Washington, DC.

terça-feira, 28 de abril de 2026

DESTRUIR PAINÉIS SOLARES – PORQUÊ?

  • Consulta pública até 9 de junho: Construção de um espaço verde exterior integrando domínio hídrico público (três linhas de água), na Freguesia de S. Sebastião, Setúbal. O projeto contempla a ocupação de domínio hídrico público num prédio objeto de operação de loteamento. As três linhas de água identificadas apresentam características de regime torrencial, sendo influenciadas por descargas pluviais provenientes de áreas urbanas adjacentes. A intervenção proposta contempla a regularização e renaturalização da linha de água, com integração em espaço verde, e o dimensionamento hidráulico de uma secção trapezoidal apta a assegurar o escoamento de caudais de cheia para um período de retorno de 100 anos. A solução projetada apresenta capacidade hidráulica superior. A ocupação do domínio hídrico resulta da necessidade de compatibilização entre a implantação urbanística e a requalificação hidráulica da linha de água, sendo enquadrada por medidas que visam a proteção, valorização e funcionalidade do sistema hídrico. Fonte.

BICO CALADO

  • Lucro da Galp dispara 41% nos primeiros três meses do ano. O aumento dos preços do petróleo por causa da guerra beneficiou os resultados da empresa nas áreas de produção e exploração petrolífera. Fonte.
  • Ministério da Educação sem controlo: associação sem fins lucrativos é fachada para vendas agressivas através de projectos educativos. Fonte.
  • Israel assassinou ontem Imad Miqdad num ataque com drones, que teve como alvo a sua estação de carregamento de telemóveis movida a energia solar em Gaza. Fonte.
  • O que se passa, afinal, com os cientistas norte-americanos desaparecidos e mortos? CEM, Substack.




LEITURAS MARGINAIS


SER ASSASSINADO EM CASA POR UM ROBÔ ASSASSINO ENVIADO POR UM ESTADO FASCISTA JÁ NÃO É FICÇÃO CIENTÍFICA

Thom Hartmann, Common Dreams. Trad. O’Lima.


Já pensaste que um drone pudesse perseguir-te pela rua ou disparar uma bala pela janela da tua sala de estar só porque irritaste o Trump, o Miller ou os capangas do ICE? Se a resposta for «isso é ficção científica», por favor, continua a ler: essa realidade pode estar a apenas alguns meses de distância, e cada parte da infraestrutura de espionagem e morte necessária para que isso aconteça foi discretamente montada pelo regime de Trump nos últimos catorze meses.

Esta terça-feira, enquanto a América assistia obsessivamente às últimas reviravoltas bizarras no desastre de Trump com o Irão, o Pentágono de Whiskey Pete apresentava um pedido de orçamento de 1,5 biliões de dólares que continha uma rubrica de que quase ninguém fala: um aumento de 24 000 por cento, de 225 milhões de dólares no ano passado para 54,6 mil milhões de dólares este ano, para uma unidade chamada Defense Autonomous Warfare Group.

Este é o maior aumento anual registado por qualquer programa em todo o orçamento da defesa, e está destinado à criação de sistemas autónomos de extermínio humano baseados em IA no âmbito do Comando de Operações Especiais, com sede na Base Aérea de MacDill, na Flórida.

O USSOCOM «fornece forças de elite prontas para o combate... As suas responsabilidades incluem contraterrorismo, guerra não convencional, ação direta, reconhecimento especial, defesa interna estrangeira e operações psicológicas.»

No dia seguinte, o Comando Sul dos EUA anunciou o seu próprio Comando de Guerra Autónoma, focado nas Caraíbas e na América Central, onde Trump e Hegseth já têm vindo a explodir ilegalmente pequenas embarcações sem mandados, julgamentos ou autorização do Congresso, desafiando tanto a legislação dos EUA como o direito internacional.

Se leres esses dois comunicados lado a lado descobrirás o manual de instruções para o que se segue. Para compreender por que razão isto diz respeito a todos os americanos que alguma vez pensaram em protestar contra o Partido Republicano de Trump e o seu monstro de Frankenstein, o ICE, pessoalmente ou nas redes sociais — e não apenas aos pescadores venezuelanos que morreram à deriva ao largo de Curaçao —, teremos primeiro de recuar três meses até uma rua arborizada no sul de Minneapolis, e à manhã em que Renee Nicole Good deixou o seu filho de seis anos na escola.

Tinha 37 anos, era uma poetisa publicada que se tinha licenciado em Inglês pela Old Dominion, mãe de três filhos e esposa de Becca Good. A poucos quarteirões da escola, deparou-se com uma operação do ICE no seu próprio bairro, com veículos sem identificação, agentes mascarados e os apitos estridentes que os vizinhos de Minneapolis vinham a fazer soar há seis semanas sempre que os bandidos mascarados apareciam.

Renee parou o seu SUV de lado na rua e pegou no telemóvel; alguns minutos depois, o capanga do ICE, Jonathan Ross, disparou três tiros através do pára-brisas e da janela, matando-a a cerca de um quilómetro e meio do local onde George Floyd tinha morrido cinco anos antes. A sua esposa, que estava atrás do veículo a questionar os agentes, foi filmada por transeuntes a correr pela rua coberta de neve e a cambalear de volta, a chorar e coberta com o sangue do seu marido.

Começo pela Renee porque ela é o rosto humano da realidade em que este país já se encontra sob o estado policial que Trump e Miller estão a construir, e não do rumo que estamos a tomar. Quando ela foi alvejada, os agentes do ICE já tinham disparado contra nove pessoas em cinco estados e em Washington, D.C., desde setembro. Nenhum deles foi acusado criminalmente.

Apenas alguns dias após o seu assassinato, agentes federais em Minneapolis terão dito a transeuntes e observadores jurídicos «é por isso que aquela cabra lésbica está morta», e em Portland, no Maine, um capanga do ICE foi filmado a dizer a uma mulher que o estava a filmar: «temos uma bela base de dados, e agora és considerada uma terrorista doméstica».

É essa a cultura que Trump, Miller e o Partido Republicano construíram, recorrendo a agentes humanos armados com armas automáticas, máscaras e matrículas falsas, enquanto partiam vidros de carros, arrombavam portas de entrada, espancavam e matavam impunemente e, agora, «detêm» cerca de 70 000 pessoas sem o devido processo legal exigido pela Constituição.

O que os republicanos se preparam agora para fazer é dotar essa cultura mortal, violenta e invasiva de um algoritmo de alvos e de uma frota de drones assassinos autónomos.

Para compreender o que está para vir, a menos que o Congresso intervenha para o impedir agora, é preciso primeiro saber o que já foi construído em Gaza, que serve de modelo para o regime de Trump. Um denunciante dos serviços secretos israelitas revelou à revista israelita +972, em abril de 2024, a existência de um sistema de IA chamado Lavender que classificava toda a população de Gaza de acordo com a «probabilidade de filiação militante».

Então, o Lavender gerou automaticamente uma «lista de alvos a abater» com cerca de trinta e sete mil pessoas que viviam em Gaza, com base em dados como metadados de telemóveis interceptados e atividade nas redes sociais. Essa lista foi entregue a agentes humanos, que demoravam, em média, vinte segundos a aprovar cada nome antes de a Força Aérea Israelita bombardear a casa de cada alvo, matando esses «militantes» e as suas famílias.

O sistema apresentava uma taxa de erro estimada em cerca de dez por cento, o que, numa população de dois milhões de habitantes de Gaza, se traduz em milhares de civis mortos porque o computador com IA cometeu erros ou tirou conclusões erradas das suas atividades nas redes sociais, no telemóvel ou nas viagens.

Ainda mais brutal, um sistema israelita complementar chamado «Onde está o papá?» localizava esses homens identificados para que pudessem ser bombardeados quando estivessem em casa com as suas mulheres e filhos, porque, como um oficial admitiu aos jornalistas, era «muito mais fácil» bombardear a casa de uma família do que tentar atingir uma instalação militar ou empresarial.

E quanto às famílias destes «militantes»? O comando israelita aprovou até vinte mortes de civis — homens, mulheres, crianças — por cada «militante» de baixo escalão morto, e mais de uma centena de mortos quando se bombardeava para eliminar um «comandante sénior».

É assim que o assassinato automatizado em escala industrial funciona realmente em tempo real, como funciona neste preciso momento enquanto lês estas palavras, e não é ficção científica.

Vê agora o que está a ser montado aqui, peça por peça, com base no modelo israelita da Lavender e nas lições retiradas da sua experiência.

O ICE assinou contratos no valor de mais de 60 milhões de dólares com a Palantir, de Peter Thiel, para desenvolver algo chamado ImmigrationOS e uma aplicação de segmentação chamada ELITE, sigla para «Enhanced Leads Identification and Targeting for Enforcement» (Identificação e Segmentação Avançadas de Pistas para Aplicação da Lei).

O ELITE extrai dados do IRS, da Administração da Segurança Social, dos registos do DMV, dos ficheiros do Medicaid, das contas de serviços públicos, de leitores de matrículas e de corretores de dados comerciais (que normalmente incluem publicações nas redes sociais e, muitas vezes, até e-mails quando estes provêm de fornecedores de e-mail «gratuitos»), preenche depois um mapa com dossiês e atribui uma «pontuação de confiança» ao endereço atual de cada pessoa. Se atualizares o teu endereço para obteres cuidados médicos, por exemplo, isso atualiza a tua pontuação. Ou se publicares algo nas redes sociais.

Stephen Miller, o arquiteto deste regime distópico de fiscalização, detém alegadamente uma participação financeira de seis dígitos na Palantir, sobre a qual, tanto quanto sei, ninguém no Congresso exigiu ainda explicações.

Entretanto, o ICE tem vindo a adquirir e a utilizar drones Skydio para monitorizar protestos, a Alfândega e Proteção de Fronteiras tem vindo a utilizar drones MQ-9 Predator (a mesma plataforma que matou pessoas no Iémen e no Paquistão) sobre manifestações anti-ICE em Los Angeles, e a FAA emitiu discretamente um aviso a nível nacional em janeiro, criando zonas de exclusão aérea de 3000 pés em torno de todos os veículos do DHS e do ICE, para que cidadãos e jornalistas não possam filmar operações federais de imigração a partir do ar.

Este último ponto é o mais alarmante de todos: não se fecha o espaço aéreo sobre uma agência de aplicação da lei a menos que se pretenda fazer lá coisas que não se quer que sejam fotografadas.

E não são só as autoridades federais a utilizar este tipo de equipamento. Há quatro dias, o The Intercept noticiou que o Departamento de Polícia de Los Angeles utilizou a sua frota de «Drones como Primeiros Socorros», um programa que inicialmente apresentou ao público como uma «ferramenta de emergência para a segurança pública», para vigiar a manifestação «ICE Out» de 31 de janeiro no centro de Los Angeles e, posteriormente, a manifestação «No Kings» do mês passado.

Os drones são Skydio X10s, que, segundo a publicidade do fabricante, são capazes de detetar uma pessoa a mais de 2 438 metros de distância, identificar facialmente um indivíduo a 800 metros e ler uma matrícula a 244 metros. Dois agentes podem operar oito destes drones ao mesmo tempo, cada um seguindo automaticamente «pessoas de interesse».

É assim que acontece a «derrapagem da missão». Uma ferramenta vendida para salvar vidas acaba por nos espiar durante um protesto pacífico, registando os nossos rostos, as matrículas dos nossos carros e as pessoas com quem marchámos. É assim que esses dados são recolhidos, fluem — tal como todos os dados das forças da ordem na América fluem atualmente — para as mesmas bases de dados federais criadas pela Palantir, das quais o ELITE e o ImmigrationOS estão a extrair dados neste preciso momento.

Depois, há o Pentágono. Aquele pedido de 54,6 mil milhões de dólares do Grupo de Guerra Autónoma da Defesa que mencionei está enterrado num orçamento de 1,5 biliões de dólares, suficientemente grande para esconder quase tudo. O novo Comando de Guerra Autónoma do Comando Sul já está a usar drones para fazer explodir pequenas embarcações nas Caraíbas que o regime de Trump alega estarem a traficar narcóticos, sem nada que se assemelhe a um devido processo legal ou a uma autorização do Congresso.

Ken Klippenstein relatou esta semana que o mesmo orçamento elimina totalmente o financiamento destinado à «mitigação de danos a civis» — ou seja, evitar mortes desnecessárias de civis — no âmbito das operações do Pentágono. Por outras palavras, estamos a construir, abertamente, a infraestrutura que deu origem ao Lavender e que mata pessoas de forma automatizada, e estamos a fazê-lo sem qualquer debate público e sem qualquer oposição perceptível por parte de ninguém no Congresso.

Já passámos por isto antes, embora em escala muito menor e no estrangeiro. Entre 1967 e 1972, a CIA conduziu um programa no Vietname do Sul chamado Phoenix que gerou listas de captura ou morte, baseadas em informações secretas, de suspeitos do Vietcongue e acabou por matar entre vinte e seis e quarenta mil pessoas, muitas delas civis vietnamitas inocentes erradamente sinalizados por informadores e dados pouco fiáveis.

O programa Phoenix foi aprovado sem objeções ao longo da cadeia de comando e gerou a mesma «lacuna de responsabilidade» atrás da qual os defensores de Lavender se escondem agora em Israel, onde ninguém em particular é responsabilizado porque a lista veio do «sistema».

A lição do Phoenix é que temos de incorporar atrito, supervisão e responsabilização humana na maquinaria da violência estatal. Mas agora estamos prestes a eliminar tudo isso, e Trump quer usar o sistema contra pessoas que já rotulou de «terroristas domésticos» por filmarem uma detenção, publicarem online, criticarem o cristianismo ou as «visões tradicionais americanas sobre a moralidade», ou participarem num protesto.

No caso de Renee Good, a decisão de a matar foi tomada por um ser humano que atuava no âmbito de um sistema que já tinha determinado que o seu bairro, a sua oposição ao ICE e o seu estatuto de observadora faziam dela um alvo legítimo. O que acontecerá quando essa decisão for tomada em vinte segundos por uma máquina na Flórida e executada por um drone armado em voo estacionário, após a FAA ter encerrado o espaço aéreo civil para que ninguém esteja a observar?

Se o Congresso não agir agora, antes de esta arquitetura estar operacional, não terá outra oportunidade. O momento de proibir sistemas letais autónomos para a aplicação da lei a nível nacional é antes de o primeiro Predator explodir alguém numa rua de Minneapolis, não depois.

O momento de exigir transparência sobre os índices de confiança da Palantir é antes de o ELITE estar totalmente implementado, não depois. (...)

domingo, 26 de abril de 2026

EUA: 33 MILHÕES DE CRIANÇAS RESPIRAM AR TÓXICO EM NÍVEIS PERIGOSOS

  • Nos EUA, quase metade das crianças — mais de 33 milhões de crianças — vive em distritos com níveis perigosamente elevados de poluição atmosférica tóxica, informa o relatório anual sobre a qualidade do ar da American Lung Association. A 27.ª edição do relatório da ALA analisa dois dos poluentes atmosféricos mais comuns e perigosos — partículas finas e ozono troposférico, vulgarmente conhecido como smog — e atribui classificações a distritos e cidades com base nos níveis de poluição, tanto diários como anuais. No que o relatório descreve como uma indicação sombria da deterioração da qualidade do ar a nível nacional, apenas uma cidade — Bangor, no Maine — foi classificada nas três listas de cidades mais limpas, ao obter um «A» em ozono e poluição por partículas de curto prazo e ao figurar entre as 25 cidades com os níveis de partículas mais baixos ao longo do ano.
  • Uma recente sondagem realizada a meio da campanha eleitoral escocesa revelou um amplo apoio às fontes de energia renováveis para reduzir as contas de energia e combater as alterações climáticas. Questionados sobre as necessidades de segurança energética da Escócia, o apoio a um futuro nuclear baseado no urânio registou apenas 14%, em comparação com os 55% de apoio à exploração de fontes eólicas, hídricas e solares locais. Fonte.
  • Um estudo publicado na revista PLOS Climate revela que as maiores empresas mundiais do setor da carne e dos laticínios estão, de forma esmagadora, a praticar «greenwashing» — fazendo alegações ambientais que são enganosas, não verificáveis ou sem fundamento. 

BICO CALADO

  • Quando a Kellogg’s anunciou, no auge da crise das sanções contra a Venezuela em 2018, que iria abandonar o país de um dia para o outro e despedir centenas de pessoas, os trabalhadores entraram em ação. Com a ajuda do governo, abriram a fábrica e continuaram a trabalhar. A fábrica continua em funcionamento — e muito bem — até hoje, empregando centenas de pessoas diretamente, mantendo a economia local em movimento e apoiando também os agricultores venezuelanos — porque as matérias-primas são 100% venezuelanas. Craig Murray, Uma história inspiradora sobre o poder dos trabalhadoresSubstack.
  • A 22 de abril de 1976, ocorreu um atentado à Embaixada de Cuba em Lisboa, reclamado pelo Movimento Anticomunista Português, que tinha ligações ao Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), uma organização de extrema-direita. Colocaram uma bomba em frente ao elevador principal da Embaixada com mais de 6 quilos de TNT que destruiu completamente o piso. O atentado matou dois trabalhadores cubanos da Embaixada, Adriana Corço Callejas, de 36 anos e Efrén Monteagudo Rodríguez, de 33 anos. O processo judicial durou mais de 5 anos e a maioria dos envolvidos acabou por não ser julgado. Este atentado fez parte de uma onde de ataques a embaixadas cubanas em dezenas de países, durante os anos 70, bem como uma onda de atentados de extrema-direita em Portugal, em 1976. Importa lembrar que o MDLP teve apoio das ditaduras espanhola, chilena e brasileira, da igreja católica, da direita - inclusive do PS. Entre os membros, que eram desde militantes do PSD a ex-PIDEs, estão o General Spínolao atual comentador televisivo José Miguel Júdice e Diogo Pacheco de Amorimdeputado e vice-presidente do Chega, um partido de extrema-direita portuguesa.