segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

REN encolhe no litoral alentejano

Imagem captada aqui.
  • O litoral dos municípios de Alcácer do Sal e Grândola viram reduzidas as zonas incluídas na Reserva Ecológica Nacional. Os fins serão imobiliários e turísticos, acusa João Branco, da Quercus, lamentando este «poder arbitrário» manifestado por certas autarquias. Público.
  • O número de zonas poluídas sobe para 38 na Escócia, diz a BBC.
  • O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, propôs que o Canadá reduzisse gradualmente a sua produção de petróleo via fraturação hidráulica, conta a DW.  Imaginem como não estará o pessoal de Alberta…
  • A tribo Chippewa exige a retirada de 12 milhas de oleoduto do seu território, Bad River Band of Lake Superior. Não querem que a fonte da água que consomem seja contaminada por derrames. ABC.
  • No leste e sudeste asiático, o volume de resíduos eletrónicos aumentou cerca de dois terços entre 2010 e 2015. Só a China mais que duplicou a produção de resíduos. PHYS.
  • Os anfíbios não perdem a memória enquanto hibernam, conclui uma investigação cordenada por Anna Wilkinson, da University of Lincoln.

Reflexão: quem leu o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?


Boston. Imagem retirada daqui.

No Ambiente Ondas3, os três textos mais populares dos últimos oito dias foram, segundo a Google Analytics:


Durante o mesmo período, as visitas vieram dos seguintes países, por ordem decrescente: Portugal, Brasil, EUA, França, Reino Unido, Espanha, Suíça, Índia, Alemanha e Holanda.

Ainda durante este período, a proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa foi a seguinte: Espinho, Porto, Lisboa, Coimbra, São Paulo, VN de Gaia, São João da Madeira, Wolcott e Boston.

Bico calado

Lake Erie. Foto de Dave Sandford.
  • «(...) promovemos programas de suposto debate que, exacerbando clubites já de si agudas, não debatem coisa nenhuma e só contribuem para degradar o nível do debate público; somos, enquanto jornalistas, veículo da publicidade dos patrocinadores de campeonatos ou clubes; fazemos entrevistas rápidas em cenários de marcas comerciais; designamos campeonatos com o nome dos patrocinadores... Há anos, o Parlamento quis impor restrições à livre circulação dos jornalistas em S. Bento; durante um mês, omitimos o noticiário parlamentar, em protesto contra essa ideia e os deputados recuaram. Pelos vistos, é mais fácil enfrentarmos o poder político que o poder do futebol (…) Claro que não é só o futebol o problema. Matamos o jornalismo e o melhor de nós, também, pelo facto de não querermos saber, muitas vezes, da vida das pessoas. Saúde, educação ou justiça, por exemplo, interessam, na maior parte dos casos, mais pelas guerras políticas do que pelos efeitos para cidadãos e utentes. Suspiramos por equipas Soptlight mas não investigamos coisas básicas até ao fim: em Fevereiro de 2010, o então presidente do governo regional da Madeira decretou que havia 47 mortos nas inundações no Funchal. Bastaria perguntar aos vários padres da cidade quantos funerais tinham feito e contar a história de cada pessoa que morrera para perceber se aquele número é verdadeiro ou não. (…) Suicidamo-nos enquanto profissionais quando misturamos informação e entretenimento; quando abdicamos de ser jornalistas e entregamos esse papel a comentadores que mais não são que políticos ou economistas com interesses a defender; quando destratamos a língua, adoptando o “economês”, o “politiquês” ou o inglês porque é mais sexy; quando nos encerramos cada vez mais numa bolha, sem conhecer a realidade de tantas vidas; quando as questões laborais passam a interessar quase só na sua vertente económica ou economicista; quando o emprego e o desemprego são estatísticas que se debitam sem rosto e sem nome; quando não somos críticos para com os verdadeiros poderes que hoje nos dominam e que ninguém elegeu – o financeiro e o económico. O que se passou, por exemplo, com a inconsequente divulgação dos Panama Papers, é revelador. Mas essa falta de espírito crítico revela-se na forma como se acolhe cada vez mais, no jornalismo, a legitimidade de banqueiros, agências de notação financeira e outras entidades que não são escrutinadas por ninguém e que ameaçam a sobrevivência da própria democracia enquanto escolha livre dos cidadãos sobre a forma como querem ser governados (…) Também desvirtuámos o nosso papel: passámos a ter directores e editores que, em boa parte do tempo, abdicam dessas funções e da exigência de pensar o trabalho editorial, para passar a ser gestores do tempo, de orçamentos e de dinheiro; pior: em vez de assumirem o seu papel de jornalistas e se colocarem ao lado dos seus jornalistas e redacções, colocam-se, muitas vezes, contra eles, ao lado das administrações.» Antónmio Marujo in Sobre o futebol e outros suicídios do jornalismo (ou como jornalistas e católicos são tão parecidos) - Religionline.
  • «No dia 15, o congresso será encerrado com o debate “E Agora?”. Entre jornalistas e entidades responsáveis pelo sector, o debate será marcado (condicionado?) pela presença de algumas das pessoas mais poderosas e influentes do país: Daniel Proença de Carvalho, Francisco Pinto Balsemão, Paulo Fernandes e Rosa Cullell, dos grupos Global Media, Impresa, Cofina e Media Capital, respectivamente. Ou seja, após passarem alguns dias a falar da importância da imparcialidade e da independência, os jornalistas chamaram os patrões para encerrarem o debate. Os verdadeiros responsáveis pela precariedade e pelo eventual condicionamento da informação vão fechar o debate que falará, precisamente, da precariedade e do condicionamento da informação. Irónico, não é?» Uma página numa rede social, FB.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Almaraz: Portugal pede à Comissão Europeia que intervenha no caso do cemitério nuclear

Pateira de Fermentelos. Foto de Carla de Menezes.
  • Portugal vai solicitar a intervenção da Comissão Europeia no caso da construção de um cemitério nuclear em Almaraz, afirmou o Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, no final de uma reunião com os Ministros da Energia, Turismo e Agenda Digital, Álvaro Nadal, e da Agricultura, Pesca, Alimentação e Meio Ambiente, Isabel Tejerina, em Madrid. Tudo isto após o governo de Espanha não ter aceitado a exigência portuguesa de que se fizesse a avaliação de impactos transfronteiriços, que deveria ter sido feita antes do licenciamento, considerando que a construção «está licenciada e tem condições para poder iniciar-se», disse Matos Fernandes. Ministério do Ambiente.
  • O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes apresentou o Programa de Monitorização da Faixa Costeira de Portugal Continental (COSMO). O programa conta com um investimento de 3 milhões de euros e visa melhorar a acessibilidade à informação sobre a dinâmica e tendências evolutivas da faixa costeira, por forma a dar suporte ao planeamento estratégico e gestão costeira. O Programa COSMO terá uma duração de 36 meses e integra a realização de vários trabalhos de monitorização das praias, dunas, arribas, designadamente a realização de levantamentos topográficos e hidrográficos numa série de locais da faixa costeira de Portugal Continental, permitindo assim a identificação dos problemas atuais, a programação das intervenções de gestão e/ou de proteção/defesa costeira, a avaliação do grau de sucesso das intervenções de engenharia e a compreensão dos impactos das intervenções no sistema costeiro. Ministério do Ambiente.
  • António Costa defendeu parceria com a Índia na área das energias renováveis. O Instalador.
  • Ciclovia é um site fabuloso. Resulta de um projeto pessoal sem fins lucrativos, assente em trabalho voluntário realizado nos tempos livres, que pretende ser, apenas, um apontador das Ciclovias, Ecopistas, Ecovias e Circuitos Cicloturísticos de Portugal. O sítio reúne páginas que incluem dados relevantes e informação específica sobre cada Ciclovia, bem como hiperligações para os respetivos mapas e outros sítios ou páginas sobre as mesmas. Ciclovia é  jurídica, política e financeiramente independente das entidades responsáveis pelas Ciclovias apresentadas, não recebendo delas qualquer tipo de contrapartida financeira, económica ou outra.

A Fiat Chrysler fez o mesmo que a Volkswagen

Imagem captada aqui.
  • Quatro crianças morreram em Amarillo, Texas, depois que alguém, na sua casa, ter pulverizado água sobre um pesticida previamente aplicado, causando uma reação que produziu gás fosfina tóxico. CNN.
  • As autoridades norte-americanas anunciaram o cancelamento de dois contratos de concessão de petróleo e gás numa zona selvagem que faz fronteira com o Parque Nacional Glacier, que é sagrado para as tribos Blackfoot de Montana e do Canadá. CSMonitor.
  • O ministério do Ambiente dos EUA acusa a Fiat Chrysler de manipulação das emissões dos seus veículos a gasóleo, nomeadamente os jipes Grand Cherokees e os Dodge Ram 1500. EPA.

Reflexão - Só a gestão pública da água garante a sua universalidade e acessibilidade

Ermesinde. Grafito de Daniel Eime

Só a gestão pública da água garante a sua universalidade e acessibilidade
por Paula Santos in Expresso 11jan2017.


«Os defensores da privatização dos serviços públicos de abastecimento de água e saneamento (podem chamar-lhe o que quiserem, privatização, concessão, a verdade é que há uma gestão privada em que, obviamente a sua principal preocupação não é qualidade do serviço público prestado, mas a obtenção de lucro) veem na água não um direito, mas mais uma mercadoria e uma oportunidade de negócio.
Não foi por acaso que muitos fontanários foram fechados no nosso país. Foram fechados exatamente para criar as condições de rentabilidade económica e financeira, em claro prejuízo das populações.
Embora procurem enaltecer as vantagens da gestão privada, a verdade é que no mundo se constata que há uma tendência de remunicipalização dos serviços de água. Muitas populações compreenderam da pior maneira que a privatização dos serviços públicos de água não era solução. São disso exemplo as cidades de Berlim, de Paris, de Buenos Aires, de Atlanta ou de Maputo. Há países europeus, como a Dinamarca, o Luxemburgo, a Holanda e a Áustria em que os serviços de água são exclusivamente públicos. Em Portugal conhece-se as consequências profundamente negativas da privatização dos serviços públicos de águas em Barcelos e veio a público recentemente que Mafra iria remunicipalizar os serviços públicos de água.
As razões para a remunicipalização são comuns: mau desempenho das empresas privadas, aumento de preços e das tarifas, dificuldades na monitorização da gestão privada, redução de trabalhadores e desrespeito pelos seus direitos e degradação da qualidade do serviço.
A realidade já demonstrou que só a gestão pública dos serviços de abastecimento de água e de saneamento é que defende os interesses públicos e os interesses das populações, bem como a universalidade e a acessibilidade à água. (…)»

Mão pesada

  • A Innophos Holdings Inc., de Cranbury, New Jersey, foi multada em 1,4 milhão de dólares por envio de resíduos perigosos para sítio não licenciado. AP/Newsday.
  • O Ibama multou em  R$ 122,5 mil o proprietário da embarcação que naufragou no litoral do Rio Grande do Norte em 23 de dezembro, derramando cerca de 4,5 mil litros de gasóleo nas proximidades dos Parrachos de Maracajaú, polo turístico da região. O empresário foi autuado por não instalar barreiras de absorção de óleo em torno da embarcação, por omitir informações no Cadastro Técnico Federal e por deixar de apresentar os Relatórios Anuais Obrigatórios do CTF referentes a 2014 e 2015. 

Bico calado

Lago Erie. Foto de Dave Sandford.

«Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África tem a sua empresa-fantasma no offshore da Madeira, a NIARA, com uns míseros 6 mil euros de capital social, que usufruiu de benefícios fiscais que ascenderam a 2,6 milhões de euros em 2015. Isabel dos Santos é filha do presidente de Angola e CEO da petrolífera estatal Sonangol, que por mero acaso tem duas subsdiárias-fantasma no offshore da Madeira e que também por mera coincidência não figuram nas contas consolidadas da petrolífera angolana. Já não é por acaso que através do offshore da Madeira passem grande parte dos negócios de corrupção do Estado angolano e que ali funcione o epicentro de uma sofisticada rede de paraísos fiscais que passa por Malta e vem controlar a banca, as comunicações, a imprensa e outros setores importantes da atividade económica em Portugal.» João Pedro Martins in Petróleo fantasma e diamantes santos, FB.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Cemitério nuclear de Almaraz: acordo à vista?

Imagem captada aqui.
  • Terminou a operação de limpeza de cerca de 20 km de areal das praias das ilhas da Armona, Culatra e Deserta, na jurisdição das capitanias de Olhão e de Faro, nas quais, no passado dia 3 de janeiro, apareceu uma substância poluente na linha de costa. A remoção deste resíduo envolveu mais de 500 pessoas. Foram recolhidas cerca de 90 toneladas de substância poluente, que foi colocada em cerca de 3.000 sacos. As análises feitas às amostras da substância poluente recolhidas no local confirmaram as suspeitas: a substância poluente é um óleo vegetal, muito provavelmente óleo de palma. AMN, FB.
  • O Secretário de Estado do Ambiente avisou em Torres Novas que as empresas poluidoras seriam fechadas, porque o desenvolvimento não podia ser feito à custa do ambiente. Carlos Martins respondeu desta forma quando questionado sobre os casos de poluição em Torres Novas, sobretudo o da Fabrióleo, que tem sido acusada de fazer descargas para as linhas de água. O Mirante.
  • Finalmente, a RTP informa que a S.O.S. Rio Paiva - Associação de Defesa do Vale do Paiva tem em curso uma petição. Já em 1 de abril de 2016 o Ambiente Ondas3 falava desta petição. Não, não era peta.
  • Espanha admite que há espaço de manobra para um diálogo com Lisboa sobre o futuro do cemitério nuclear que Madrid pretende construir junto à central nuclear de Almaraz, banhada pelo rio Tejo e a 100 Km da fronteira portuguesa. Alfonso Dastis terá falado com o seu homólogo Augusto Santos Silva sobre a questão e admitiu que vai haver um encontro, esta quinta-feira, em Madrid, com titulares das pastas do Ambiente dos dois países. Público 11jan2017. Sabe-se, entretanto, que o Rei de Espanha, Felipe VI, garantiu a Marcelo Rebelo de Sousa que nada vai ser decidido sem ter em conta a posição portuguesa sobre este cemitério nuclear. 
  • A Câmara do Porto vai plantar dez mil novas árvores no espaço público da cidade até 2021. Os novos núcleos, designados biospots, são, por enquanto, 14, e muitos deles estão instalados ao longo da Via de Cintura Interna (VCI), em nós ou taludes. Público 11jan2017.
  • O Governo português vai apostar na criação de mais centrais de biomassa mas de menor dimensão, afirmou o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. Ambiente Magazine.

Atitude de Trump estimula adesão de cidadãos a organizações ambientalistas

Nelson Miller, um agricultor do Idaho, libertou um pássaro que estava com as patas presas pelo gelo.
  • A pequena aldeia de Newtok, perto da costa oeste do Alasca, tem vindo a deslizar para o rio Ninglick. A subida das temperaturas tem vindo a descongelar o permafrost debaixo da aldeia, provocando a perda anual de 21 metros por ação da erosão. A aldeia quer que Washington declare a área como zona de desastre e que financie a sua deslocalização. NPR.
  • A Câmara dos representantes aprovou uma lei que poderá facilitar a entrega a privados de enormes áreas incluídas em parques nacionais, florestas e rios até agora controladas pelo governo federal. Os ambientalistas norte-americanos estão preocupados porque, se concretizada, esta medida vai permitir a introdução de operações de mineração e extração de gás e petróleo em espaços até agora protegidos para atividades lúdicas. BuzzFeed.
  • A eleição de Trump provocou uma corrida à inscrição de mais sócios em organizações ambientais, fenómeno que só encontra paralelo nos tempos de George W. Bush, conta o BuzzFeed. Quem mandou ele fazer chacota das alterações climáticas e convidar executivos das petrolíferas para o seu governo?
  • Os enormes impactos da barragem de Belo Monte, no rio Xingu, estão bem à vista. Uma reportagem da BBC evidencia-os:  deslocalização de comunidades e destruição dos seus modos de vida e desflorestação massiva. Outra barragem com impactos desastrosos é a do Tapajós, numa zona que é berço da comunidade Munduruku. Tudo para transformar aquele rio pouco profundo num canal que permita o transporte industrial de soja e outros produtos do centro e do sul do Brasil para o estrangeiro. Entretanto, o Congresso cozinha nova legislação favorável à flexibilização e à agilização de antigas leis ambientais e à redução dos poderes que os departamentos do Ambiente, como o IBAMA, ainda detêm. Informação complementar pode ser consultada neste artigo, - Belo Monte: A sociedade brasileira não tem consciência do seu custo social e ambiental -, publicado pelo EcoDebate.

Reflexão – Eólicas escocesas ultrapassam a procura


As eólicas escocesas produziram mais energia do que a procura durante 4 dias seguidos. Aconteceu em 23, 24, 25 e 26 de dezembro. The Independent.

Situação idêntica se verificou, durante o mesmo período, na Suécia, onde as as eólicas geraram tanta energia como seis centrais nucleares. A tempestade Urd, que atingiu o sul da Suécia durante o Natal, foi responsável por este recorde. O custo da eletricidade diminuiu cerca de um terço para os suecos.

Também em Portugal, durante 4 dias e num total de 107 horas, apenas se consumiu energia renovável. O recorde foi estabelecido entre as 6h45 de sábado, 7 de maio, e as 17h45 de quarta-feira, 11 de maio. Portugal ultrapassava, assim, a Alemanha na produção de energia proveniente de fontes renováveis. Naquele país, por volta da 1h da tarde de domingo, 8 de maio, as renováveis forneceram tanta energia que os preços permaneceram negativos por várias horas. Ambiente Ondas3 3jan2017.

Bico calado

Lago Erie. Foto de Dave Sandford.
  • «Os directores ocupam o seu tempo a procurar patrocínios, a frequentar feiras empresariais, a promover produtos, a almoçar com clientes, a cortejar anunciantes. Ou seja, a concorrência entre órgãos de comunicação é determinada pelo mercado a montante e não pela qualidade da informação e pelo público a jusante. Não escolhemos o que vemos e lemos, o mercado é que nos escolhe.» Francisco Louçã in Não sei se o jornalismo morreu, também não sei se quer viver, FB.
  • «Regra mais simples não há: quando o passeio é estreito, quem vem contra o sentido dos carros é que deve ir de fora - e mesmo, se necessário, descer do passeio. Confere? Há bocado tive de explicar a uma senhora, com a mais paciente das pedagogias, que ela tinha dois olhos à frente e eu só um atrás, para mais tapado por umas boxers caríssimas (25 euros) e um par de calças baratas (9 euros), por isso ela estava em vantagem. Moral: a senhora chamou-me malcriado» Rui Zink, FB.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quem quer facilitar a privatização da água?

Por motivos desconhecidos, a poeira de enxofre que cobre a superfície da zona hidrotermal de Dallol, na Etiópia, começou subitamente a arder gerando as espetaculares chamas azuis da imagem. O incêndio durou três dias, libertando ácido sulfúrico para a atmosfera. Foto de Olivier Grunewald.


  • O Parlamento português rejeitou, com os votos do PS, PSD e CDS, os projetos de lei que retomavam na íntegra o conteúdo da iniciativa legislativa de cidadãos «Proteção dos direitos individuais e comuns à água», apresentada em 2013. Em 2014, esta iniciativa legislativa merecera o apoio do PS, mas fora rejeitada pela maioria PSD-CDS. Ficam, assim, abertas as portas da privatização da água que submete este bem essencial à lógica do lucro, lesando gravemente os direitos das populações. FB.
  • A Procuradoria-Geral da República considera que a Portfuel, de Sousa Cintra, não tem direito à devolução de rendas e taxas pagas desde 2015 para a prospeção e exploração exclusiva de petróleo no Algarve. Lusa/ASMAA.
  • Em Moçambique, apesar da proibição da exportação de madeira em bruto, apinham-se contentores cheios de madeira nos portos do norte com destino à China. Madeireiras como a Mofid e a Peng Pai Forest Company andam muito ativas no porto de Pemba, e os cargueiros à sua conta navegam sob bandeiras de Singapura e das ilhas Marshall. As autoridades de Cabo Delgado cancelaram a licença de exploração à Mofid por abate ilegal de madeira, mas a empresa continua a operar através de empresas a que se associa, como a Henderson International, a Jian International e a Kam Wam, ou através de filiais como a Pemba Construction e a Hui Yuan Fishery.  A Environmental International Agency já denunciou o envolvimento neste negócio ilegal de pessoas como o ministro da agricultura José Pacheco e o antigo ministro Tomas Mondlane. Entretanto, as autoridades já apreenderam 1.300 contentores de madeira no porto de Nacala. Oxpeckers.

Reflexão – agricultura intensiva estimula a erosão


«Alguns dos responsáveis pela destruição do Tejo são os agricultores. A ganância de cultivar mais dois palmos de terra levou à destruição dos caminhos marginais ao rio. A destruição sistemática do salgueiral, sem qualquer fiscalização (apesar de ilegal), leva à perda de margem, de terras aráveis e consequente assoreamento do leito do rio. 

Os pescadores Avieiros protegiam as margens ganhando terra com uma técnica simples de cortar os Salgueiros até metade do tronco derrubando-os para dentro de água onde cresciam e protegiam a margem (maracha, como lhe chamavam). 

Hoje, temos a voracidade do lucro imediato. Destruímos, não pensando nas gerações futuras. Raros são os pontos onde se consegue chegar ao rio. Os caminhos foram lavrados, tragados na ganância de obter terra arável. Sabem que num futuro próximo vão pagar a factura. Muitos já a estão a pagar agora. Não querem saber! São tão criminosos como os que poluem. A culpa a quem a tem.» 

Bico calado

Causeway, Antrim-Ireland.
  • «Clones, drones, gigantones: a procissão humana cada vez vai mais bizarra. A supervisão sistemática das belezas naturais torna-as monótonas. Onde antes havia pasmo — e segredo e excitação em lá chegar — sobram apenas desktop wallpapersMiguel Esteves Cardoso, Pùblico 10jan2017.
  • A gigante da construção brasileira Odebrecht pagou apenas 900 mil dólares em subornos para ganhar o projeto de construção do aeroporto de Nacala orçado em 216,5 milhões de dólares. O aeroporto tornou-se um elefante branco, mas Moçambique ainda deve imenso ao Brasil. CM.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Paris: 2017, o ano da bicicleta

Pico, Açores. Foto de Álvaro Lopes.
  • «Através de conversa, enquadrada no programa “Chá na Montanha”, aos domingos à tarde, na Casa da Montanha do Pico, o “Montanha Pico Festival” incentiva debate sobre as nossas ações e atitudes para com o ambiente. Assuntos de erosão, lixo, apoio à nossa montanha e ambiente, em geral, são debatidos com artistas a liderar as conversas falando sobre seus trabalhos.» Info Fajãs.
  • Um movimento de grande contestação tenta suspender um empreendimento residencial e comercial no porto de Bulloch, em Dalkey, a sul de Dublin. Os críticos não querem nada que se pareça com uma qualquer urbanização ao estilo de uma Costa del Sol. The Irish Times.
  • 2017, o ano da bicicleta, proclama Paris. Para além de reduzir significativamente o trânsito automóvel no centro da cidade, o município vai investir imenso em mais infraestruturas de apoio ao uso da bicicleta. 
  • Mais de 400 mil belgas receberam uma verba por terem utilizado a bicicleta nas suas deslocações para o trabalho. São as empresas que lhes pagam, deduzindo depois nos seus impostos. Os empregados, por sua vez, podem deduzir a compra e manutenção de suas bicicletas ma sua declaração de impostos. Em 2015, cerca de 406 mil belgas beneficiaram deste programa, que custou 93 milhões de euros ao governo. Cycling Today.
  • A partir do início deste ano, toda a energia elétrica que alimenta os edifícios e instalações municipais de Madrid é proveniente de fontes renováveis. Energías Renovables.
  • Nos últimos dois anos, a cobertura florestal dos Cárpatos, na Ucrânia, foi reduzida drasticamente por ação humana. A exportação da madeira desta zona é ilegal porque provém de uma zona considerada reserva. Mas parece que as autoridades competentes estão conluiadas com os negociantes, porque as denúncias não surtem efeito e os ativistas são mal tratados e agredidos. A madeira exportada para países ocidentais é posteriormente transformada e usada no fabrico de móveis que são vendidos a preços altos na Ucrânia. As multas são ridiculamente baixas. Os impactos já se fazem notar: as margens dos rios daquela zona já estão desprotegidas e agora estão expostas à erosão. Mais pormenores aqui.

Mão pesada

  • A Shell foi judicialmente intimada a indemnizar a cidade de Clovis, Califórnia, em 22 milhões de dólares por responsabilidades na contaminação da rede de abastecimento de água ao domicílio com 1,2,3- tricloropropano, uma substância cancerígena. Aquela verba será aplicada na descontaminação dos poços de água que abastecem a cidade. Chemistry World.
  • O FBI deteve um executivo da Volkswagen por conspiração para defraudar os EUA. Este é o segundo funcionário detido no âmbito da investigação sobre o escândalo do software instalado nos automóveis VW para manipular os resultados doas análises às suas emissões. NYTimes.

Bico calado

Lake Erie. Foto de Dave Sandford.

O governo regional dos Açores e a câmara municipal de Lagoa apoiam o projeto «Produção de microalgas e suplementos». O objetivo é «a produção intensiva da microalga Haematococcus pluvialis através de processo industrial patenteado, a sua desidratação e obtenção por processo extractivo de um dos seus metabolitos, designadamente a Astaxantina para posterior incorporação em suplementos alimentares de efeito antioxidante para comercialização fundamentalmente no mercado internacional».
Mais informação na página do FB da CM de Lagoa.

O projeto é liderado, entre outros, por Luís Filipe Teves e Gonçalo Teixeira da Mota, que já desempenharam funções importantes na Fábrica de Tabaco Micaelense
Curiosamente, em 2010, Diana Rita da Silva Duarte defendeu uma tese de mestrado, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, intitulada «Alimentos funcionais com microalgas: nova fonte de pigmentos, antioxidantes e ácidos gordos ómega 3»

Mais curioso ainda é saber-se que este produto já se encontra à venda no portal do Alibaba.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Eólicas fazem mover comboios holandeses

Imagem captada aqui.
  • Os comboios elétricos holandeses passaram a ser totalmente alimentados por energia eólica.  Clean Technica.
  • A Argentina foi o último país a proibir o triclosan, uma substância usada em sabões e outros produtos de higiene pessoal, responsável por perturbar os hormônios. Este produto químico polui os cursos de água e é tóxico para o ambiente, especialmente para organismos aquáticos. A Food and Drug Administration dos EUA já o proibiu. No Canadá, foi lançado um abaixo-assinado pela proibição desta substância.
  • Cerca de 10 milhões de abelhas morreram em apiário de Porto Ferreira. O proprietário suspeita que o herbicida usado no canavial próximo terá sido a causa da destruição de 136 colmeias, fruto de cerca de 40 anos de trabalho. Globo.

Reflexão – Quem beneficia com o rali Dakar?


A Bolívia continua a não avaliar impactos ambientais do rali Dakar. Pior: os responsáveis fazem orelhas de mercador às recomendações do Consejo Federal de Medio Ambiente (Cofema) para que nenhum itinerário passe por áreas protegidas. Sintomaticamente, os responsáveis pelo Ambiente a nível regional e nacional estão de férias. 
Já o ano passado o rali passara pelo Parque Nacional Los Cardones apesar do alerta da Cofema. Tentando suavizar o problema, uma técnica disse que os estudos de impacto ambiental tinham sido feitos própria empresa organizadora, a Amaury Sport Organization! 
«Este rali tem um enorme impacto ambiental sobre o solo, a flora e a fauna, e não traz qualquer benefício», afirma Lucio Yazlle, engenheiro agrónomo e professor de Engenharia em Recursos Naturais da UNSa. «Muitos dos territórios por onde o rali passa são virgens. Isto é uma brincadeira para os ricos e nós somos espetadores do mal que se está a fazer ao Ambiente. Isto é uma questão elitista, que causa enormes transtornos à população porque se cortam estradas e ruas para facilitar o exibicionismo dos ricos», sublinha. La Gaceta Salta.

Em 2014, o rali Dakar correu o perigo de ser bloqueado por comunidades de zonas montanhosas da Bolívia. Tudo porque o governo não lhes respondeu a uma simples pergunta: qual o impacto ambiental da corrida sobre as suas terras.

O problema já é velho: em 2013, organizações ecológicas e de defesa do património da Argentina, do Chile e do Perú tinham solicitado aos seus governos a avaliação dos danos causados pela edição anterior do rali Dakar, que se disputara em estradas destes três países.

Veja aqui cenas dos protestos contra o rali Dakar e a favor de mais e melhores serviços de abastecimento de água ao domicílio, de mais e melhores redes de esgotos.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Câmara da Maia vai premiar funcionários que usem bicicleta

Imagem captada aqui.

A Câmara da Maia vai premiar os funcionários que se desloquem de casa para o trabalho de bicicleta. Todos os funcionários que adotem esta forma de deslocação, vão receber diariamente um reforço de pequeno-almoço. O projeto tem a ambição de sensibilizar a população para a matéria.

Antártida: aumento de fissura em plataforma de gelo preocupa cientistas

  • Uma fissura numa plataforma de gelo da Antártida cresceu 11 milhas em apenas um mês. Um pedaço do tamanho do estado de Delaware poderá romper no final do inverno, alertam cientistas britânicos. E se isso acontecer, poderá haver uma nova separação da camada de gelo, removendo um enorme tampão de gelo que impede alguns glaciares da Antártida de deslizar o oceano. A longo prazo, isso poderá fazer subir os níveis globais do mar em 10 centímetros. The Washington Post.
  • Cerca de 540 toneladas de metais, - principalmente ferro e alumínio -, contaminaram o rio Animas durante nove horas durante um enorme derrame de águas residuais de uma mina de ouro abandonada perto de Silverton, no Colorado, informou a Agência de Proteção Ambiental num relatório sobre a explosão que em 2015 pintou de amarelo rios no Colorado, no New México e no Utah. Star Tribune.
  • As secretas norte-americanas acusam agora o Kremlin de atacar a fraturação hidráulica para favorecer os interesses da Rússia nos negócios de energia. Tudo pela mão da RT que, segundo essas secretas, tem uma agenda, uma programação anti fraturação hidráulica onde não se cansam de denunciar problemas ambientais e impactos para a saúde pública provocados por essa polémica tecnologia de extração de gás e petróleo. The Washington Free Beacon.
  • Os ambientalistas da Acción Ecológica, tentam tudo para impedir que o governo do Equador ilegalize a sua organização. A decisão governamental foi tomada 6 dias depois de confrontos entre a polícia, soldados e naturais de Shuar durante um protesto contra o projeto de uma mina de cobre chinesa, e dois dias depois da Acción Ecológica ter exigido a constituição de uma Comissão da Verdade para investigar aqueles incidentes. A decisão do governo já mereceu diversas críticas por parte de ativistas dos direitos humanos. The Guardian.

Bico calado

Lago Erie. Foto de Dave Sandford.
  • «Obama decidiu expulsar 35 diplomatas russos por alegada interferência nas eleições presidenciais norte-americanas. Ao não aplicar o clássico princípio da reciprocidade, que levaria à expulsão de 35 diplomatas norte-americanos, Putin agiu como se estivesse num combate de karaté, fazendo que o ainda presidente americano se estatelasse no chão, desequilibrado pelo facto de o seu próprio impulso não ter encontrado resistência. Se é verdade que Trump é o mais atípico presidente-eleito da história norte-americana, Obama parece destinado a uma das mais desastradas saídas de cena. A sua russofobia é um sinal de profunda fraqueza. Primeiro, um estadista não confunde a política eleitoral e partidária com a política externa. Admitir que os russos podem ter mudado a trajetória eleitoral em novembro de 2016, é uma confissão pública de fragilidade da democracia americana, inadmissível em alguém que já ensinou direito constitucional. Segundo, se é verdade que os russos, ou quaisquer outros serviços estrangeiros, têm acesso a informações domésticas delicadas, um verdadeiro estadista faz rolar cabeças nos serviços de segurança, como já deveria ter sido o caso quando a chanceler Merkel descobriu que os aliados de Washington gostavam tanto de si que não se cansavam de lhe escutar todas as conversas telefónicas. (…) Não foi a Rússia que conduziu a UE para a agonia lenta de uma união monetária onde uma parte significativa dos Estados integrantes se sente como num avião capturado por piratas do ar. (…) Não foi a Rússia que armou fundamentalistas islâmicos no Afeganistão e na Bósnia, as escolas dos terroristas que hoje flagelam o Ocidente. Não foi a Rússia que iniciou esta vaga ingovernável de sofrimento humano, traduzida nas multidões rompendo as fronteiras da Europa em 2015, forçando a UE a acordos com Ancara que nos envergonham. Foram G.W. Bush e Blair com a ignóbil invasão do Iraque, em 2003. Foram Sarkozy e Cameron, com a cumplicidade de uma NATO que há muito entrou em roda livre, derrubando e assassinando Kadafi (com quem a UE tinha assinado em 2010 um positivo acordo sobre refugiados). Foi o próprio Obama, deixando Hillary Clinton ensarilhar-se, ao lado de Hollande e Cameron, no caos da Líbia e no inferno da Síria. (…) Mas a Rússia, além do seu arsenal nuclear, só vale 10% do PIB da UE e tem pouco mais de um quarto da população dos 28! A Rússia só mete medo a uma Europa à deriva, governada por líderes imaturos, que não sabem quem são, quem representam, nem para onde devem ir.» Viriato Soromenho Marques in A culpa não é da RússiaDN 4jan2017.
  • «Não embandeirei em arco. Não alinhei na costumada saloiice, tão à portuguesa, de me sentir feliz, honrado ou vingado na nossa pequenez por haver alguém, Guterres ou Durão, presidente bancário ou CEO de multinacional, agente da Goldman Sachs ou sequaz do FMI, que ande lá por fora a lutar pela vidinha. A dúvida que me assalta é sempre a mesma: será que os "grandes" do mundo, os senhores da alta finança, os homens que, tal como os cães, mijam em Portugal, na Grécia, no Iraque, na Síria, no Chile, na Argentina, no Brasil, para marcar território, fizeram eleger tão unanimemente Guterres para que ele combata os seus interesses, os seus planos de domínio do mundo, de contínua escravização das plebes? Ou querer-se-á que Guterres não passe de um Durão Barroso, um pau-mandado das grandes corporações e centros de decisão financeiros?» Manuel Cruz in Oxalá me enganeQuatro almas.