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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

AÇORES: HERBICIDA APLICADO Á FRENTE DE DESFILE DE CARNAVAL


Herbicida foi aplicado minutos antes de passar o desfile de Carnaval das crianças da vila de Capelas, S. Miguel-Açores, sem o conhecimento da Junta de Freguesia. Deputado do BE denuncia “negligência e desleixo” do Governo Regional.

ÁGUEDA: 15 SISTEMAS DE FIXAÇÃO DE COMPORTAS FURTADOS

  • O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, denunciou o furto de quinze sistemas de fixação das comportas que integram a infraestrutura de defesa contra cheias e inundações. Estes dispositivos são fundamentais para assegurar a estanquicidade dos acessos ao leito fluvial e garantir a eficácia do mecanismo que impede a entrada de água nas ruas da cidade. Apesar do ato de vandalismo, o sistema manteve-se operacional e cumpriu a sua função de proteção. Fonte.
  • O Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, foi questionado em conferência de imprensa sobre o papel da Navigator nas intervenções no sistema hidráulico do rio Mondego — uma obra pública sob gestão da APA — mas ecusou esclarecer em que condições ou com que contrato a empresa está a atuar. A Navigator, empresa ligada à produção de papel e celulose, tem feito intervenções em situações de emergência, especialmente após colapsos no canal de rega do Baixo Mondego, que abastece agricultura, abastecimento de água e a própria fábrica da Figueira da Foz. A falta de transparência nas intervenções privadas numa obra pública tem sido criticada, e auditorias anteriores do Tribunal de Contas já questionaram intervenções privadas em infraestrutura pública, sugerindo que a responsabilidade é da APA. Fonte.
  • Consulta pública até 27 de março: Licenciamento da Pedreira n.º 6624 “Fraga do Carvalhoto”, Vila Pouca de Aguiar.
  • O órgão governamental de fiscalização ambiental no Reino Unido foi obrigado a divulgar informações importantes sobre os interesses dos seus líderes seniores após perder uma batalha judicial para manter essas informações em segredo. Fonte.

REFLEXÃO

A ECOLOGIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: ESTUDANTES NORTE-AMERICANOS APRENDEM NOVAS COMPETÊNCIAS À MEDIDA QUE A CRISE CLIMÁTICA SE INTENSIFICA
Ariel Gilreath, The Hechinger Report. Trad. O’Lima.

Numa extremidade da sala de aula, alunos do segundo ano do ensino médio examinavam pequenos brotos verdes — futuras cenouras baby e ramos de alface romana — que despontavam do solo de um sistema de irrigação gota a gota que eles mesmos haviam construído algumas semanas antes.

No lado oposto da sala, um modelo de uma central hidroelétrica mostrava aos alunos como o movimento da água pode estimular correntes elétricas. Nesta aula no distrito escolar de Greenville County, na Carolina do Sul, os alunos aprendem principalmente sobre um tema: energia renovável.

«É algo extremamente importante de se estudar, especialmente agora com todas as novas tecnologias surgindo», disse Beckett Morrison, aluno do 11.º ano. Em 2023, o distrito escolar construiu esta instalação, chamada Centro de Inovação, para alternar entre diferentes programas de formação profissional, com base nas necessidades das empresas locais.

Apesar do presidente Donald Trump declarar que as alterações climáticas são uma «farsa» e a cortar o financiamento para combatê-las, os sistemas escolares dos estados democratas e republicanos estão a adicionar aulas em áreas como energia limpa e a incorporar lições de sustentabilidade ambiental na construção, culinária e outras áreas profissionais, como parte de um esforço para preparar os alunos para um mercado de trabalho alterado pelas alterações climáticas.

A tendência surge à medida que as indústrias adotam tecnologias emergentes num esforço para se manterem competitivas globalmente, se adaptarem às mudanças ambientais e reduzirem custos, afirmaram líderes estaduais e escolares. Mesmo empregos que historicamente não eram considerados carreiras ambientais estão-se adaptando às mudanças nas necessidades da indústria.

Há outra razão pela qual as escolas estão a lançar cursos focados na sustentabilidade: um número crescente de jovens, muitos dos quais viveram furacões severos, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos exacerbados pelas alterações climáticas, estão preocupados com o aquecimento global e procuram maneiras de o aliviar.

«Eles querem garantir que o mundo seja seguro e limpo para as gerações futuras», disse Dan Hinderliter, diretor associado de políticas estaduais da Advance CTE, uma organização que representa líderes estaduais e escolares da educação profissional e técnica.

Eckett Morrison, aluno do 11.º ano, aponta para uma nova cultura num canteiro com irrigação gota a gota. Esta aula de tecnologia de energia limpa prepara os alunos para carreiras no Centro de Inovação em Greenville, Carolina do Sul. Crédito: Ariel Gilreath/The Hechinger Report

Na vanguarda deste movimento está o Delaware, um estado com planos para que todos os seus cursos de CTE do ensino fundamental e médio incluam aulas sobre meio ambiente nos próximos anos. A ideia é que os alunos de todos os setores — da carpintaria à formação de professores — tenham algum conhecimento sobre sustentabilidade e impacto ambiental, disse Jon Wickert, diretor estadual de educação profissional e técnica e iniciativas STEM.

O objetivo é ajudar os alunos a entender como reduzir não apenas as emissões de carbono, mas também outros danos ambientais e à saúde, em todas as profissões, disse ele. Contabilistas e gerentes de edifícios devem considerar maneiras de reduzir o consumo de energia, o que também levará à redução de custos. Os alunos de carpintaria devem saber o impacto na saúde e no meio ambiente da poeira da madeira, do plástico e da fibra de vidro, e o que acontece quando esses materiais poluem os cursos de água, disse Wickert.

“Como empresa, se os nossos funcionários estiverem saudáveis, isso vai ajudar os nossos resultados financeiros em termos de custos com seguro de saúde. Queremos que os nossos alunos pensem dessa maneira ao saírem dos nossos programas do ensino médio”, disse Wickert. “Assim, quando entrarem no mercado de trabalho, eles serão capazes de pensar melhor e de maneira mais conectada.”

Em vez de criar percursos profissionais específicos para empregos na área ambiental, a agência decidiu adicionar essas lições aos cursos de educação profissionalizante já existentes no ensino fundamental e médio. Por exemplo, o estado está a integrar lições sobre instalação de painéis solares e redução de energia nos cursos para percursos profissionais na área elétrica, em vez de iniciar aulas específicas sobre instalação de painéis solares.

O impacto das alterações climáticas é particularmente grave no Delaware, que é o estado mais plano do país e fica logo acima do nível do mar. Estima-se que o estado perderá cerca de 10% do seu território para o oceano até ao final do século.

«Todos os empregos são empregos verdes», disse Denise Purnell-Cuff, associada educacional do Departamento de Educação de Delaware que trabalhou no progtrama estadual. «Não há como separar o nosso avanço em qualquer área — não há como separá-lo do ambiente.»

Os alunos utilizam uma casa modelo para ver a produção de energia a partir de diferentes fontes de calor nesta aula sobre tecnologia de energia limpa no Centro de Inovação em Greenville, Carolina do Sul. Crédito: Ariel Gilreath/The Hechinger Report

Nos últimos anos, os empregos na área de energia limpa cresceram mais rapidamente do que o resto da economia dos EUA. Até 2030, espera-se que dois terços de todos os carros vendidos globalmente sejam elétricos, e mais países dependerão da energia renovável como sua principal fonte de energia.

Sob a administração Biden, as escolas puderam aceder a alguns fundos federais que os seus estados receberam da Lei de Investimento em Infraestruturas e Emprego, aprovada por ambos os partidos, para lançar iniciativas de mão de obra limpa e amiga do clima. Essa lei impulsionou o progresso em estados onde o financiamento para programas climáticos é escasso, disse Hinderliter, mas grande parte desse financiamento foi cancelado no ano passado pela administração Trump.

Sem verbas federais para estes programas, as escolas agora estão à procura de outras fontes de financiamento para criar programas de CTE mais ecológicos, devido às necessidades ambientais ou económicas das suas comunidades.

No ano passado, o Sindicato dos Professores de Chicago negociou com sucesso várias iniciativas ecológicas no seu contrato com o distrito escolar, incluindo percursos profissionais em energia limpa para os alunos. Nas escolas públicas de Washington, D.C., os líderes estão a criar aulas de sustentabilidade, como jardinagem hidropónica, ao programa de agricultura do distrito.

Em Cook, os professores da Buffalo Grove High School, a noroeste de Chicago, estavam à procura de maneiras de adicionar mais cursos de ciências ao catálogo da escola, o que levou, em 2023, à criação do curso de sustentabilidade. Desde então, as matrículas na academia cresceram mais de cinco vezes, para cerca de 80 alunos, que têm aulas como Introdução à Sustentabilidade, Aplicações da Sustentabilidade e Ciência Ambiental Avançada.

«Sentimos que era importante envolver os alunos nestes temas e fazê-los pensar sobre políticas», disse Michael McPartlin, professor de ciências da academia. «Eles serão a geração que moldará os próximos passos.»

A escola secundária fica na bacia hidrográfica de Buffalo Creek, em Illinois. Durante o segundo ano de aulas, os alunos fazem um curso sobre Sistemas Aquáticos Sustentáveis, onde têm a oportunidade de testar a química da água e aprender sobre o impacto da sua comunidade no ecossistema.

A existência de empregos locais que exigem este tipo de aulas reforçou a ideia de criar a Academia de Sustentabilidade, disse Angel Johnson, chefe da divisão de matemática e ciências da Buffalo Grove High.

«É uma área em crescimento e com grandes oportunidades no mercado de trabalho», disse Johnson. «Percebemos que havia muitos empregos diferentes disponíveis na nossa comunidade imediatamente após a formatura.»

Estudantes a colher os produtos da sua horta em Delaware. Crédito: Cortesia de Brandi Henderson

A Advance CTE não mantém uma base de dados específica sobre percursos «verdes» de CTE, mas a organização tem trabalhado com mais comunidades nos últimos anos que desejam adicionar sustentabilidade aos seus programas, disse Hinderliter. «Notámos que esta tendência continua, particularmente com os investimentos da última administração em infraestruturas», afirmou.

Em estados conservadores, onde as alterações climáticas não são uma prioridade estadual, especialmente perante os ataques de Trump, as comunidades estão percebendo que esses tipos de programas CTE sustentáveis têm um benefício económico e para a força de trabalho que vai para além de ajudar o meio ambiente.

«Ohio é um bom exemplo disso», disse Hinderliter. «Um estado muito conservador agora tem três grandes áreas metropolitanas que possuem planos de educação climática, planos de ação climática e estão todas a concentrar os programas em resultados ambientais, tanto em programas CTE como em programas não CTE.»

Em Greenville, onde fábricas de automóveis e de energia como a BMW e a GE Vernova estão entre as maiores indústrias, os alunos estão a aprender sobre veículos elétricos e híbridos e fontes de energia renováveis. Por mais benéficas que essas aulas sejam para o meio ambiente, os alunos estão a aprender sobre a tecnologia para impulsionar as suas opções de carreira.

«Toda a produção industrial tem uma componente de sustentabilidade», afirmou Katie Porter, diretora do Centro de Inovação CTE. Funcionários dessas indústrias do condado de Greenville ajudaram a decidir que cursos o Centro de Inovação ofereceria aos alunos quando foi inaugurado há três anos.

Estudantes como Morrison viajam de escolas secundárias de todo o condado para frequentar o centro e inscrever-se num dos cinco programas: energia limpa e renovável, tecnologia aeroespacial, automação e robótica, investigação automóvel emergente ou redes e cibersegurança.

Os alunos das aulas de energia limpa podem usar o que aprenderam para estudar engenharia na faculdade ou seguir carreiras como eletricistas e auditores de energia — empregos que não exigem necessariamente diploma universitário. Nas aulas de automóveis do centro, os alunos aprendem sobre veículos elétricos e híbridos, além dos motores a gasolina tradicionais.

Cerca de 25 alunos do ensino médio estão matriculados neste programa de tecnologia de energia limpa no Centro de Inovação. O programa de três anos culmina com um projeto de cada aluno do último ano que reflete o que aprenderam ao longo dos cursos. No ano passado, um aluno construiu uma placa piezoelétrica — um azulejo que se parece com uma balança de peso corporal, mas acende e gera eletricidade quando pisado. A sua proposta era instalá-las em zonas pedonais no centro da cidade para gerar pequenas quantidades de eletricidade para a cidade de Greenville. Ao longo da aula, os alunos apresentam o seu trabalho aos líderes da indústria na comunidade.

«Os miúdos são impressionantes com tudo o que aprenderam», disse Ethan Cox, que leciona as aulas de energia limpa. Os alunos podem formar-se no programa com certificação da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional, certificação introdutória em painéis solares e modelagem 3D, entre outras competências.

Os alunos que frequentam esta aula têm objetivos profissionais diferentes — alguns estão a pensar seguir carreiras na área da engenharia ou do ambiente, outros podem ingressar em cursos de eletricista na faculdade comunitária local.

A aula ensinou a Morrison, aluno do 11.º ano do ensino secundário que participa no programa, sobre fontes de energia que ele nunca tinha imaginado. Para o seu próximo projeto, ele está a aprender sobre um tipo de alga que, quando exposta a frequências ultrassónicas, liberta lípidos que podem ser convertidos em biocombustível.

Ele preocupou-se sempre com a proteção do meio ambiente, mas os cursos de energia nesta escola ajudaram a cristalizar essa questão para ele. Ao aprender sobre energia limpa, ele também está a aprender sobre soluções, independentemente da área que decidir seguir após formar-se. Para Morrison, reduzir o impacto da sociedade no meio ambiente é tão importante para os seus planos de carreira como encontrar um bom emprego.

“É uma das coisas mais importantes”, disse Morrison. “Não há como reverter completamente os nossos efeitos, mas a energia renovável é algo que pode ajudar, vai ajudar e já ajudou.”

BICO CALADO

  • Bloco questiona Governo sobre reparação da A1 em Coimbra, exigindo garantias de que é a Brisa a assumir todos os custos do colapso de 11 de fevereiro. Partido rejeita que erário público pague obras numa concessão com lucros privados milionários.
  • Risco de colapso no Terreiro do Paço: ‘chove na sala como na rua’ na sede do Ministério da Administração Interna. Fonte.
  • Os despedimentos no Washington Post afetaram desproporcionalmente membros do sindicato de cor. Fonte.
  • A construção dos campos de concentração de Trump inclui quase US$ 40 biliões para conversões de armazéns. Documentos da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) fornecidos à governadora republicana Kelly Ayotte, de New Hampshire — um dos estados onde a ICE pretende adquirir um edifício e reformá-lo para abrigar pelo menos 1.000 pessoas por vez — mostram que o governo planeia gastar US$ 38,3 biliões no seu programa de detenção em massa. Seriam comprado 16 edifícios em todo o país para serem usados como «centros de processamento regionais» com capacidade para 1.000 a 1.500 pessoas. Outros oito centros de detenção poderiam abrigar até 10.000 pessoas ao mesmo tempo, com os detidos aguardando deportação. Fonte.
  • A empresa prisional privada GEO Group anunciou um lucro recorde de 254 milhões de dólares em 2025 — um aumento de cerca de 700% em relação a 2024 — impulsionado pela venda de ativos e contratos com a administração Trump para construir novas instalações de detenção do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA em todo o país. Fonte.
  • Mais de 50.000 militares israelitas possuem pelo menos uma nacionalidade estrangeira adicional: 12.135 têm cidadania norte-americana, 6.127 com nacionalidade francesa e pouco mais de 5.000 com cidadania russa, 3.000 com nacionalidade alemã e um número semelhante com cidadania ucraniana, mais de 1.000 soldados possuem cidadania britânica, romena, polonesa, etíope e canadense. Fonte.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

'O DOURO NUNCA SAIU DA RÉGUA'

  • Os judeus investiriam ou comprariam os seus produtos se soubessem da história nazi da Shell? John Donovan.

BICO CALDO

  • Ministra do Trabalho já começou a cortar no apoio às vítimas da tempestade. Fonte.
Humberto Delgado, Porto 1958.
  • Humberto Delgado (HD) – 61.º aniversário do seu assassinato (13-fevereiro-1965). Carlos Esperança, Ponte Europa.
  • Agricultores e trabalhadores indianos entraram em greve em oposição a quatro novos códigos laborais, bem como aos acordos comerciais com os EUA e a UE. Os agricultores queimaram cópias simbólicas do pacto comercial Índia-EUA nos seus campos e em reuniões de protesto, alegando que o governo avançou sem os consultar nem considerar as suas necessidades. Fonte.
  • Uma cimeira sobre minerais realizada nos EUA na semana passada resultou em vários acordos com nações africanas para fornecer minerais essenciais a empresas tecnológicas americanas. No entanto, os acordos já enfrentam um desafio legal na República Democrática do Congo. Advogados e ativistas de direitos humanos em Kinshasa entraram com uma ação judicial, alegando que os acordos comprometem a soberania do país, embora detalhes específicos ainda não estejam disponíveis. Fonte.
  • Alunos e professores da Escola Domingos Capela manifestaram-se junto do edifício da Câmara Municipal de Espinho para exigir intervenção urgente naquele estabelecimento há muito necessitado de obras de manutenção e reparação. O executivo camarário respondedizendo que a responsabilidade do péssimo estado de conservação daquela escola se deve à falta de intervenção de executivos anteriores e sublinha o seu empenhamento na continuação das medidas lançadas pelo anterior executivo no sentido da resolução dos problemas. Omite-ser um pormenor interessante: o Ministério da Educação perdoou à Câmara uma dívida de 5 milhões de euros na condição da Câmara efetuar obras naquela escola e noutras de Espinho, o que nunca aconteceu, apesar dos vários pedidos da Escola nesse sentido. Valerá a pena ver a reportagem da CMTV de 6ª feira, 13 de fevereiro de 2026, entre as 10h12 e as 10h24 e do Porto Canal, ‘Ordem do Dia’, entre as 14h01 e as 14h08.
  • As falências agrícolas nos EUA aumentaram 46% em 2025. Fonte.
  • MP abre novo inquérito sobre casa de Luís Montenegro em Espinho por suspeitas de fraude fiscal. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O GOURMET DA VICHYSSOISE E O PAÍS QUE JÁ NÃO TEM PACIÊNCIA PARA SOPAS FRIAS



Há políticos que governam. Há políticos que trabalham. E depois há os que degustam. Marcelo Rebelo de Sousa pertence a esta última categoria. O gourmet da vichyssoise institucional, o homem que passou dez anos a provar a temperatura da sopa da República, soprando dramaticamente para as câmaras, comentando a textura democrática do caldo e explicando, com aquele ar de professor que já corrigiu mil testes, que talvez faltasse um pouco mais de sal narcisista.

Durante anos, foi o chef mediático de Belém. Selfies como amuse-bouche, abraços como entrada, comentários omnipresentes como prato principal. De sobremesa um afecto servido morno, sempre fotogénico, sempre pronto a ser partilhado nas redes sociais como quem publica a fotografia de uma sopa artesanal com hashtag # Instituições.

E no entanto, eis que chegamos ao fim do serviço e o crítico gastronómico chamado “opinião pública” decidiu deixar a crítica no Tripadvisor democrático e a popularidade caiu para níveis que já não lembram estrela Michelin, mas antes cantina de repartição pública às quatro da tarde. As sondagens do segundo mandato mostraram uma descida clara, avaliações negativas a crescer, a aura consensual a evaporar como vapor na panela esquecida no fogão. O chef continuava a explicar a receita, mas o público já tinha perdido o apetite.

Recordemos aquele momento sublime em que, qual sommelier da execução orçamental, decidiu repreender publicamente Ana Abrunhosa, então Ministra da Coesão Territorial, com a delicadeza de quem prova um creme e anuncia em voz alta: “Se isto não estiver à altura, não lhe perdoo”. A frase ecoou com aquele tempero clássico de vaidade televisiva. Não bastava alertar, era preciso fazê-lo em direto, com pose, colher na mão e sobrancelha arqueada. Um toque de pimenta mediática para reforçar o sabor da autoridade.

Ora o destino tem sentido de humor. Anos depois, quem termina o mandato com o travo amargo não é a ministra, agora autarca, mas o próprio chef presidencial. A dona da cozinha municipal revelou-se sólida, pragmática, menos interessada em filtros e mais em obra concreta. Já o gourmet de Belém ficou preso à mise-en-scène.

Entretanto, o país ofereceu-nos outro momento de alta cozinha política durante as cheias do Mondego. O rio subia, a autarca evacuava populações, a lama avançava como molho demasiado espesso. E no meio do cenário quase bíblico, o Primeiro-ministro resolveu brindar a nação com uma intervenção que parecia saída de um turista americano do Alabama, deixando no ar a sensação de que a geografia nacional é uma disciplina opcional para governantes. Foi como assistir a um cozinheiro confundir coentros com hortelã em plena final de concurso televisivo. Tecnicamente um pequeno detalhe, simbolicamente devastador. É que o Mondego é um rio nacional e discutir o seu caudal com os espanhóis é o mesmo que consultar os australianos sobre a seca na planície alentejana.

O problema não é apenas o erro, é o padrão. Um governo que, por vezes, se apresenta como elenco de gala num espetáculo de variedades, muita luz, muito discurso, pouca substância. Portugal, república com quase nove séculos, merece mais do que um casting permanente para espetáculos de revista institucionais.

Com ministras desaparecidas em combate, ministros a fazerem filminhos da sua vaidade e um Primeiro-ministro rusticamente ignorante e pomposamente aldrabão.

E assim chegamos ao fim do banquete. Marcelo sai de cena não como estadista trágico nem como herói épico, mas como aquele gourmet que passou demasiado tempo a falar da sopa e pouco a perceber que a clientela estava cansada de explicações sobre a consistência. O afeto em doses industriais perdeu eficácia. As selfies à beira-mar deixaram de comover. O país, saturado de comentário permanente, começou a desejar silêncio produtivo.

É curioso que a vichyssoise se serve fria. Talvez tenha sido esse o equívoco central, presidir a um país em ebulição com receitas concebidas para serem degustadas a temperatura controlada, em ambiente de salão, longe da turbulência real das cozinhas onde se queima, se corta e se improvisa para alimentar gente concreta.

No fim, não há aplauso de pé. Há um suspiro coletivo, como quem empurra o prato para o lado e pede a conta. A República não precisa de críticos gastronómicos em horário nobre. Precisa de cozinheiros discretos que saibam que o essencial não é explicar a sopa, é garantir que ela alimenta.

E quando o gourmet sai pela porta dos fundos, não é vaiado nem ovacionado. É simplesmente esquecido na lista de sugestões para o dia seguinte. Porque o país, ao contrário da vichyssoise, não pode ser servido frio durante uma década inteira.

A autarca, essa, segue firme e altaneira na sua função.

Beijinhos e até à próxima…

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A BARRAGEM DE GIRABOLHOS NÃO SERÁ RELEVANTE PARA CONTROLO DE CHEIAS

  • O hidrobiólogo Adriano Bordalo de Sá, investigador da Universidade do Porto que é defensor da construção da barragem de Girabolhos, desmente a ligação entre essa estrutura e o controlo de cheias, explicando que “essa barragem não fica sequer perto do Baixo Mondego”. “Para este controlo das cheias [a barragem] não é propriamente relevante. Ela está muito longe desta zona que é sistematicamente afetada por problemas estruturais do planeamento feito no passado”, disse o hidrobiólogo. “Não terá a influência que alguns políticos, porque foram informados incorretamente, pensam que poderá ter”. A barragem de Girabolhos não avançou por vontade da Endesa. A sua concessão não incluía a gestão de cheias, como a previsão do aproveitamento de Girabolhos não prevê também. Para a gestão de cheias, importa mais o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que enfrenta falhas estruturais associadas aos principais problemas de gestão de água do Mondego. A conclusão da obra hidroagrícola do Baixo Mondego, que poderia prevenir as cheias, foi mesmo levada a votação na Assembleia da República no Orçamento do Estado para 2025, tendo sido chumbada com os votos contra do PSD, CDS e IL, e com as abstenções do Partido Socialista e do Chega. Fonte.
  • Estes títulos.....
  • Enfermeiro que foi adjunto da ministra da Cultura nomeado coordenador da Estrutura de Missão de energias renovávei, sem experiência profissional nem habilitações académicas. Fonte. Comentário de oxisdaquestao: “Tudo o que precise de tratamento fica melhor nas mãos e mezinhas de um enfermeiro. Já vinha de fazer curativos e dar injeções na cultura e por isso era adjunto da ministra; agora salta para as renováveis onde os sinapismos e mézinhas são bem necessários para que o vento não amorteça, o sol não se encubra e os dividendos dos accionistas não se constipem. É o que aponta o QI do indicado e de quem o indicou.”

INGLATERRA: RELATÓRIO SOBRE RISCO DE INCÊNDIO EM MEGA LIXEIRA OCULTADO DO PÚBLICO

Até ao momento, quatro pessoas foram detidas no âmbito da investigação em curso sobre o despejo de resíduos em Kidlington.
  • Ativistas e moradores que vivem perto dos maiores aterros ilegais da Inglaterra querem saber por que os riscos de incêndio num dos aterros levaram à sua limpeza, a um custo de milhões de libras, enquanto outros permanecem intocados. Por isso, pedem a divulgação da avaliação de risco de incêndio que levou a Agência Ambiental a decidir limpar o local de Kidlington, em Oxfordshire, numa medida «excecional» que custou mais de 9 milhões de libras. Mas o Serviço de Bombeiros e Resgate de Oxfordshire recusou um pedido de Liberdade de Informação da BBC para publicá-la, alegando que isso poderia colocar a segurança pública em risco. No mês passado, uma investigação da BBC revelou que havia mais de 500 lixeiras ilegais em toda a Inglaterra, incluindo pelo menos 11 dos chamados «super locais» com capacidade superior a 20 000 toneladas. Fonte.
  • Donald Trump autoproclamou-se «Campeão do Carvão». Agora pode exibir um troféu em forma de mineiro com a inscrição «Undisputed Champion of Beautiful Clean Coal» («Campeão indiscutível do carvão limpo e bonito», (sic!) entregue por Jim Grech, CEO da Peabody Energy (a maior empresa produtora de carvão do mundo). A cerimónia foi transmitida ao vivo, estando ele rodeado de mineiros em uniforme e capacetes de proteção, trazidos para a ocasião da assinatura de duas leis que fazem os EUAdar mais passos atrás no âmbito das políticas de proteção ambiental e de combate à crise climática. Fonte.

REFLEXÃO

AS TEMPESTADES E ALGUMAS PERGUNTAS INCÓMODAS
Adriano Zilhão, O Maio.
Imagens da responsabilidade do blogue Ambiente Ondas3.

Eiras, Coimbra. Foto: PAULO NOVAIS/LUSA

Além do ímpeto solidário de acudir às populações que mais sofreram, as violentas tempestades que assolaram o país suscitam muita reflexão, muitos porquês.

Porque foram as populações forçadas a abandonar quase todo o país e a concentrar-se numas poucas zonas urbanas no litoral?

Porque se faz, nestas zonas, a construção cada vez mais longe dos centros (mesmo quando há espaço nestes), com materiais inadequados para as condições climáticas e para o conforto dos habitantes, sem planeamento urbano, transportes acessíveis, equipamentos adequados de saúde e ensino, zonas verdes e espaços seguros para crianças?

Porque se constroem fábricas e depois casas para quem nelas trabalha, em leitos de cheia, zonas inundáveis, expostas a isto que agora se chama “eventos climáticos extremos”?

Porque se plantam espécies florestais quase sempre em monocultura, de maneira que, quando acontece alguma coisa, a devastação é total, seja incêndio ou vendaval?

Imagem: Pedro Medina

Os economistas costumam usar uma palavra muito “técnica”, novilinguística, para se referirem a estas consequências nefastas do desenvolvimento capitalista: externalidades.

O princípio básico da “economia de mercado” capitalista é simples: todas as relações económicas e sociais ocorrem em mercados. Nada do que se produz se faz para satisfazer as necessidades do produtor ou da comunidade a que pertence. Tudo se produz a pensar em encontrar compradores num mercado, próximo ou longínquo, onde se possa vender o produto com lucro.

Tanto a produção de bens e serviços como o seu consumo pelos indivíduos e famílias não têm, portanto, nada que ver com as deliberações de cada comunidade sobre o que se há-de produzir, como, quando, para quê e para quem.

Em vez disso, “investidores” que dispõem de capitais estimam quanto custarão nos mercados as fábricas que terão de construir, as máquinas e matérias-primas que terão de comprar e os salários que terão de pagar aos trabalhadores que precisarem de empregar; se virem que há ou haverá mercado lucrativo para o que se propõem produzir, avançam.

A doutrina liberal ensina que nenhum método de organização social é superior a este: a miríade de decisões independentes de investimento com fim lucrativo terá o efeito miraculoso de os recursos sociais disponíveis serem usados da maneira mais eficiente possível para a sociedade como um todo. Uma espécie de mão invisível guiaria as decisões egoístas de cada capitalista para um resultado global que, nas condições dadas, é, no fundo, “altruísta”, uma vez que socialmente melhor não será possível.

O observador céptico pode achar: “Bem, se eu fosse um desses capitalistas que quer fazer dinheiro, acharia esta teoria utilíssima — apesar de parecer um bocado estapafúrdia…” Estapafúrdia, realmente: vendo bem, o único resultado evidente de organizar assim os recursos da sociedade é que o capitalista, pelo menos o capitalista bem-sucedido, atinge o seu fim, que é multiplicar o seu capital. Quanto ao mais…

Jornal de Leiria.

Voltemos às “externalidades”.

Os produtos ou serviços em cuja produção o capitalista decidiu investir não são a única consequência do seu investimento.

Por exemplo, a exploração mineira, depois de o respectivo capitalista ter comprado ou concessionado o terreno, comprado ou alugado maquinaria e combustíveis, contratado pessoal e pagado impostos, não produz apenas matérias-primas prontas para vender a compradores industriais. Também produz uma transformação profunda do território em que se faz; pode obrigar populações a deslocarem-se; polui cursos de água e a atmosfera; causa doenças graves aos operários e aos habitantes; altera ou destrói ecossistemas.

O mesmo no caso da indústria transformadora; e da agricultura intensiva; e da exploração florestal.

Soure.

No entanto, na sua esmagadora maioria, estes “efeitos colaterais” da produção capitalista não têm preço em nenhum mercado. O capitalista não tem de pagar por eles nem de incluí-los nos seus cálculos de rentabilidade.

Os efeitos colaterais não são “privados”. São custos sociais futuros. Terão, aliás, mais tarde ou mais cedo, de ser pagos: no custo de brigadas de bombeiros, de tratamentos hospitalares, de evacuações de populações, de despoluição de territórios.

Para o capitalista investidor, porém, não são custo algum.

Melhor: o preço da eventual reparação futura desses efeitos será pago por quem sofre os danos ou pelo Estado; neste caso, com o dinheiro cobrado em impostos à população em geral. Que é usado para comprar produtos e serviços em mercados — lucrativos — de construção civil, manutenção de infra-estruturas, etc.

As catástrofes total ou parcialmente resultantes de efeitos colaterais de investimentos capitalistas geram, assim, novos mercados para os mesmos capitalistas, ou outros, poderem fazer negócios lucrativos.

Pergunta-se: mas porque não têm esses capitalistas, que investem para ganhar dinheiro e, nisso, transformam “colateralmente” a natureza e a organização social e territorial, que pagar por esses efeitos colaterais?

Há uma resposta simples, que eles próprios poderiam dar: se todos esses efeitos colaterais previsíveis fossem carregados a custo do investimento privado, nenhum investimento privado se faria, porque não seria lucrativo. Ora, os tais efeitos ocorrem; e ocorrendo, têm um custo.

Esse custo representa, consequentemente, uma gigantesca subvenção dada ao capital pelo Estado — essencialmente, aliás, pelos trabalhadores em geral, que, além de arcarem quase sempre com os efeitos directos das catástrofes na saúde, nas condições de vida e de trabalho, são quem paga os impostos de onde o Estado paga as subvenções virtuais ao capital.

Alcácer do Sal. Fotografia: Rui Minderico/Lusa

A conclusão, para quem não tenha antolhos: numa sociedade complexa, em que todo o país é afectado por tudo o que se faz social e economicamente em qualquer parte do território (o mesmo se aplica ao mundo), só é possível controlar o destino social, económico e ambiental do país e do mundo se todas as decisões importantes, nos domínios social, económico e ambiental, forem tomadas não por investidores empenhados em tirar as castanhas do lume (sem se importarem que o lume pegue fogo a tudo o resto), apoiados para o efeito na propriedade privada dos meios de produção, mas por toda a população trabalhadora, democraticamente.