quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Europa sem acordo para reduzir captura do atum

  • Dois mortos e vários desaparecidos são o resultado do colapso da estrada 255 entre Vila Viçosa e Borba, estrangulada no meio de um autêntico queijo suíço de pedreiras de mármore. Até agora, assistimos ao filme do costume: a situação era tão perigosa que, há quatro anos, a então Direção Regional de Economia promoveu uma reunião com os empresários do ramo e com a câmara no sentido de cortar esta estrada, numa parte que era perigosa, visto que servia não só para acesso às pedreira mas também para a circulação rodoviária dos habitantes em geral. Os técnicos do Ministério da Economia, ligados à área de geologia, alertaram para a insegurança da estrada, aliás baseados em estudos entretanto realizados pelo Instituto Superior Técnico e pela Universidade de Évora. Não saiu nada de concreto dessa reunião por não ter havido consenso entre os 10 empresários de mármore. Alguns até chegaram a ser criticados por estarem a levantar um problema que não existia e acusados de quererem lucrar com o encerramento da estrada. Do memorando dessa reunião de 27 de junho de 2014, consta que «para a Câmara de Borba, proprietária da estrada, será transferido todo o ónus decorrente do que possa suceder em termos de um colapso do talude que sustenta a estrada». Resta saber, à data da concessão das pedreiras em causa, qual era a linha de segurança mínima exigida, se ela foi respeitada ou se foi ultrapassada em nome dos argumentos do costume. 
  • A Câmara Municipal de Santa Maria da Feira vai apresentar queixa às autoridades competentes contra desconhecidos que provocaram descarga poluente na ribeira de Rio Maior, em Paços de Brandão. Diário de Entre Douro e Vouga.
  • O Rio Nabão, em Tomar, sofreu mais uma descarga poluente a coberto de uma chuvada recente, denuncia Américo Costa, Aqua Tomar.
  • Cerca de 50 países e Estados membros da União Europeia concluíram uma reunião da Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico (ICCAT) na cidade croata de Dubrovnik, não tendo conseguirchegar a um acordo sobre medidas para preservar um dos peixes mais valiosos do planeta, o atum-patudo, a espinha dorsal de um negócio de biliões de dólares que está sendo excessivamente explorado. EURactiv.

Reflexão – Lajes confidencial: uma reportagem investigativa que dá que pensar


A TVI24 concluiu a divulgação da série de 6 reportagens que investigou os impactos negativos dos resíduos tóxicos abandonados pelos militares norte-americanos na Terceira, Açores. 
Embora o Ambiente Ondas3  tenha dedicado vários postes a este tema, achamos por bem concentrar aqui as referências principais desta poderosa reportagem da TVI24.


Bico calado

  • O escultor canadiano Timothy P. Schmalz fala da sua obra mais recente inspirada por migrantes e regugiados. Youtube.
  • Segundo estatísticas oficiais, entre outubro e dezembro de 2017 havia 901 mil trabalhadores com Contratos Zero-Horas no Reino Unido. São 2,8% dos empregados naquele país. The Canary.
  • Ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da UE concordaram em criar uma escola de formação de espiões e desenvolver novos equipamentos, como drones e tecnologia de guerra eletrónica, no âmbito de um possível exército da EU. EUObserver.
  • A Universidade de Pequim avisou os estudantes que eles serão presos se se associarem à Jasic Workers Solidarity, uma organização de direitos trabalhistas que obteve apoio num recente surto de ativismo no campus chinês. Terra Daily.
  • O Pentágono não conseguiu passar na sua primeira auditoria financeira, o que significa que o Departamento de Defesa não sabe para onde vai o dinheiro. O relatório «Costs of War», do Watson Institute, vem a propósito revelar custos astronómicos de $ 5,9 triliões e pelo menos 500.000 mortos devido à interminável guerra contra o terrorismo. The Real News Network.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Furadouro: mar volta a galgar a terra

  • O mar do Furadouro voltou a galgar as proteções. Foi no sábado, 17 de novembro. Há vizinhos que apontam o dedo aos trabalhos de reforço do esporão da praia da Baía, em Espinho. Ovar News. Calma, em Tenerife, no domingo, foi muito pior.
  • 85 cidadãos foram detidos durante os protestos que levaram milhares a ocupar 5 pontes no centro de Londres o sábado passado para expressarem a sua preocupação acerca da atual crise climática.  The Guardian.
  • Grandes empresas estão a apoiar um fundo sul-africano para erradicar as árvores invasoras à volta da Cidade do Cabo e gerar biliões de litros de água à medida que a cidade emerge da sua pior seca num século. Reuters.
  • Milhões de dólares da Commonwealth estão a ser atribuídos a grupos ligados ao turismo para proteção da Grande Barreira de Corais, apesar de pareceres oficiais serem contra e terem avisado que não estão a resultar. Segundo os contratos, essas operadoras de turismo devem separar a estrela-do-mar coroa-de-espinhos que come coral. Os fundos continuam a ser distribuídos, apesar dos investigadores terem concluído que o projeto não só falhou como parece ter piorado a situação. O contrato disponibiliza ainda 2,2 milhões de dólares para um projeto de instalação de ventoinhas gigantes numa pequena parte do recife para arrefecer a água para evitar o seu branqueamento. The Guardian.
  • 90% de todo o plástico mundial chega aos oceanos através de 10 rios, por esta ordem: Yangtze, Indo, Yellow River, Hai, Nilo, Ganges, Pearl, Amur, Niger e Mecão. Centenas de milhões de pessoas vivem nas suas bacias hidrográficas, mas em muitos casos não há consciencialização, não há recolha, não há reciclagem. O resultado está à vista, mostra a Deutsche Welle.

Reflexão – Quando uma garrafa é uma afirmação de status


Contra a diabolização da garrafa de plástico que contém água avançam as celebridades e chiques quejandos com garrafas com desenho especial. 
Consciencialização ambiental? Treta. Imagem e status, pois claro. É a moda. É o que está a dar. E lá vamos nós, cantando e rindo na marchinha do consumismo. 
Entretanto, os produtores destes «novos» artefactos faturam que se fartam e dizem-se amigos do Ambiente.

Bico calado

  • «Não fomos educados para pensar. O que eles chamam de opinião pública é, na verdade, a opinião dos media criada pelos poderosos». José Luis Sampedro, maio 2011.
  • «(…) o currículo devia começar no fim: foi pelos cargos políticos que teve em Portugal que Portas tem os vários empregos de lobista que elenca por todo o lado, do México a Angola, passando por Portugal. Se tivesse de fazer uma declaração de interesses, mesmo para presidente de uma Junta de Freguesia, e este fosse um País a sério nestas matérias, ele não podia ter nenhum cargo político em qualquer lugar da hierarquia de um Estado. Se fosse um estado a sério seria assim, mas suspeito que a carreira política de Portas esteja acabada. Ele entrará, voltará e sairá, o que é fundamental para um lobista, para refrescar os seus contactos e as suas informações. Portas, como acontece com outros lobistas, não tem especial preparação para estas funções, se elas fossem definidas pelos seus títulos pomposos. Mas tem os contactos, e tem a informação que anos de governação em áreas sensíveis lhe deram. Aliás, como se viu no Ministério da Defesa, não a terá só na cabeça, mas no papel, visto que está por esclarecer o que aconteceu aos milhares de fotocópias que teria levado para a casa, em violação da lei. Mas nestas matérias, o País também não se toma a sério. Hoje bastava uma pen, é mais discreto.(…)» José Pacheco Pereira, in Sábado.
  • «O Governo da Madeira e a Assembleia Regional continuam a dar mostras de incompetência ou de algo bem pior de que nos escusamos de qualificar. Já não bastando que tenham nomeado para Diretora Regional da Economia uma arguida em substantivo processo de fraude com fundos europeus, queriam agora forçar o ministro Pedro Marques a comparecer numa comissão regional sobre o serviço da TAP para as duas ilhas do arquipélago. Terá sido por má-fé ou desconheciam que um ministro da República só presta contas junto da Assembleia sedeada em São Bento, não estando obrigado a qualquer dever semelhante para com os poderes regionais? E quanto à TAP, não sendo empresa sob tutela regional, também o governo do Funchal, nem a respetiva Assembleia, têm qualquer competência para sobre ela decidir o que quer que seja. (…)» Jorge Rocha, in Ventos Semeados.
  • «Na Inglaterra, a falta de habitação aumentou 60% desde 2010, e o índice de sem abrigo aumentou 134%. Há 1,2 milhões de pessoas na lista de espera de habitação social, mas menos de 6.000 casas (habitações sociais) foram construídas o ano passado.» Philip Alston, relator especial das Nações Unidas.
  • O uso de bombeiros privados por parte das celebridades para proteger as suas propriedades de incêndios florestais oferece um quadro inquietante - se previsível - em relação ao nosso futuro climático: os desastres vão piorar, e os ricos pagarão para ficar de fora. Desde o início deste século, companhias de seguros como a Chubb e a AIG despacharam bombeiros privados para salvaguardar a propriedade dos seus clientes ricos. Entretanto, o investimento público em gestão de incêndios estagnou e o financiamento federal para alívio de desastres desceu imenso. Para cúmulo, o governo Trump recusa-se a reconhecer e muito menos a preparar-se para os grandes impactos climáticos que se prevêem até 2040. As alterações climáticas já afetam principalmente os pobres. O que está a acontecer na área do combate aos incêndios faz lembrar o passado. Os EUA consideraram o combate ao fogo um bem público desde meados do século XIX. Antes disso, as cidades seguiam um modelo desastroso importado da Europa: corpos de bombeiros particulares apoiados por companhias de seguros respondiam a incêndios que ameaçavam os clientes pagantes, deixando queimar algumas casas sem seguro. Em alguns sítios, placas sobre as portas identificavam o serviço de bombeiros contratado pelo residente. A proteção contra incêndios, como a educação e a água limpa, é geralmente considerada um bem público. Esses serviços beneficiam todos e refletem o princípio de que toda a pessoa tem direito à segurança básica. Mas a partir de Reagan, os EUA adotaram agressivamente a privatização dos serviços públicos: educação, saúde, água, prisões, proteção contra incêndios e muito mais. Casey Williams, in Medium.
  • Atualização do caso Odebrecht na Colômbia: a principal testemunha que morreu na semana passada, possivelmente envenenada por cianeto, contatou as autoridades americanas em busca de proteção. Bloomberg.
  • A TV Globo e a GloboNews foram proibidas de noticiar quaisquer informações a respeito do inquérito policial que investiga os assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março.
  • Steve Bannon era, em outubro de 2015, vice-presidente da Cambridge Analytica e esteve profundamente envolvido com os líderes da Leave.EU, uma organização nacionalista de extrema-direita, revelam mensagens eletrónicas divulgadas por Emma Briant, professora da George Washington University, perita em desinformação. No mês seguinte, a Leave.EU lançou publicamente uma campanha destinada a convencer os eleitores britânicos a apoiar um referendo a favor da saída da União Europeia. O Reino Unido votou por pouco para o chamado Brexit em junho de 2016. The New Yorker.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

EUA: mariscadores californbianos processam petrolíferas

  • As grandes cadeias britânicas de supermercados continuam a usar sacos de plástico três anos depois da introdução de uma taxa de 5 pence que pretendia fazer reduzir o seu uso por parte dos concumidores. Embora tenha sido registada uma redução de  30% no consumo de sacos de plástico logo no primeiro ano da aplicação da taxa, a Greenpeace diz que, atualmente, 810 toneladas de sacas são descartadas por ano para embalar fruta e legumes e lamenta que muitos supermercados ainda não tenham estabelecido objetivos para reduzir as embalagens de plástico (Aldi, Co-op, Sinsbury, Tesco, Waitrose) e que a maioria dos que já os definiram fizeram-no de tal maneira que só daqui a 20 anos se verão livres das embalagens de plástico. The Guardian.
  • Mariscadores californianos acabam de processar 30 petrolíferas (Chevron, ExxonMobil, BP, etc) acusando-as de contribuirem para as alterações climáticas e exigindo indemnizações pela destruição da indústria do marisco naquela zona. Esta atitude segue o exemplo de cidades como New York e San Francisco e o estado de Rhode Island que também processaram petrolíferas alegando os mesmos motivos. The Guardian.
  • A manter-se o atual estado de emissões poluentes por parte das 20 maiores economias mundiais, as temperaturas planetárias deverão sofrer, nos próximos anos, um aumento médio de 3,2 graus, mais do dobro da fasquia de 1,5 graus estabelecida pelo Acordo de Paris de 2015, alerta a Climate Transparency. Apenas a Índia tem cumprido os objeticos estabelecidos.  «Há uma grande luta por parte da indústria dos combustíveis fósseis contra as renováveis baratas. A velha economia está bem organizada e eles têm aplicado uma enorme pressão de lobbying sobre os governos para que gastem dinheiro dos impostos a subsidiar o velho mundo». RTP.
  • Na Austrália, as indústrias mais poluidoras, - mineração e centaris a carvão -,  estão implantadas em áreas pobres como os vales de Hunter e Latrobe, Mount Isa, Newman e Collie, diz a Australian Conservation Foundation. A poluição do ar mata 3 mil australianospor ano e agudiza problemas de asma, bronquite crónica e outras doenças respiratórias. The Guardian.

Reflexão – Reforçar albufeiras e barragens é sustentável?


Um grupo de investigadores internacionais coordenados por Giuliano Di Baldassarre, da Uppsala University, concluiu que, embora muitas barragens e albufeiras sejam construídos para minimizar os impactos da escassez de água e da seca elas podem, paradoxalmente, agudizar esses problemas. . 
Os investigadores argumentam que existem dois fenómenos contraintuitivos que devem ser considerados ao projetar ou expandir albufeiras: o ciclo de procura-oferta e o efeito de reservatório.
O ciclo de procura e oferta representa casos em que o aumento do abastecimento de água leva a uma maior procura de água, o que pode rapidamente compensar os benefícios iniciais dos reservatórios. Esses ciclos podem ser vistos como um efeito rebote, também conhecido na economia ambiental como o paradoxo de Jevon: quanto mais água está disponível, o consumo de água tende a aumentar.
Isso pode provocar um círculo vicioso: uma situação de escassez de água pode ser abordada pelo aumento do armazenamento do reservatório para aumentar a disponibilidade de água, o que permite mais consumo de água, até à próxima escassez. Assim, o ciclo de oferta-procura pode desencadear uma espiral acelerada em direção à exploração insustentável dos recursos hídricos e à degradação ambiental.
O efeito de reservatório representa casos em que a dependência excessiva de reservatórios aumenta o dano potencial causado pela seca e escassez de água. A expansão dos reservatórios geralmente reduz os incentivos para ações de preparação e adaptativas, aumentando assim os impactos negativos da escassez de água.
Além disso, períodos extensos de abastecimento abundante de água, apoiados por albufeiras, podem criar maior dependência dos recursos hídricos, o que, por sua vez, aumenta a vulnerabilidade social e os danos económicos quando a escassez de água se verifica.
Este estudo também fornece implicações políticas. Os autores argumentam que as tentativas de aumentar o abastecimento de água para lidar com a crescente procura de água, que é alimentada pelo aumento da oferta, são insustentáveis. Por isso, eles sugerem menos dependência de grandes infra-estruturas de água, como represas e albufeiras, e mais esforços em medidas de conservação de água.
Por outras palavras, lidar com a seca e escassez de água reduzindo o consumo de água, em vez de aumentar o abastecimento de água. 


Bico calado

  • Dilma Rousseff pedala com o vereador Marcelo Sgarbossa, pela orla do Guaíba, em Porto Alegre.
  • Angela Merkel pressionou o president da Roménia Klaus Iohannis em abril passado para o governo não transferir a embaixada para Jerusalém, informa o Jerusalem Post, citado pelo EUObserver.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Prémio Nacional do Ambiente entregue a Arlindo Marques, o guardião do rio Tejo

  • Arlindo Marques foi distinguido pela Confederação das Associações de Defesa do Ambiente com o Prémio Nacional do Ambiente em reconhecimento pela sua luta em defesa do rio Tejo. O dirigente do Movimento pelo Tejo contou que «foram três anos a lutar, três anos a ir ao rio, três anos a ir aos focos de poluição, a mostrar os peixes mortos, as águas escuras, porque o cheiro não se conseguia mostrar, e a espuma que parecia a espuma da morte». Arlindo Marques sublinhou todo o apoio que teve de pescadores, moradores, trabalhadores das barragens, profissionais das empresas que o alertavam para situações de poluição que estavam a acontecer, e com quem pretende partilhar o prémio. MSN.
  • Os incêndios que deflagraram em Portugal não se deveram à presença do eucalipto, mas sim ao reduzidíssimo nível de gestão da floresta e do excesso de matos e de incultos. O manifesto é subscrito por, entre outros, Celpa, Altri, Navigator, CIP, Fórum para a Competitividade, CAP, algumas  câmaras municipais, professores e antigos governantes, como Bagão Félix, Mira Amaral e Daniel Beça. JNegócios.



França: menos importações de óleo de palma, soja e carne bovina poderão refrear a desflorestação

  • O governo francês estabeleceu planos para combater o problema da desflorestação através da restrição das importações de produtos como óleo de palma, soja e carne bovina. Reuters.
  • Dezenas de ativistas ambientalistas e pescadores montenegrinos fizeram-se às águas no porto de Bar no Adriático para protestar contra a prospeção de petróleo, que, dizem, colocará em risco a vida selvagem e a pesca. Em 2016, o Montenegro aprovou a concessão de exploração marítima de petróleo e gás por 30 anos a um consórcio da italiana Eni e da russa Novatek. A Eni ofereceu 175 mil euros a 127 pescadores, mas eles consideram que isso não cobre a proibição de acederam àquela zona pesqueira. Reuters.
  • Uma alteração introduzida na lei dos parques nacionais de Israel permitirá a implantação de mais colonatos do grupo Elad em Wadi Hilweh, Silwan, na zona ocupada de Jerusalém Oriental, colidindo com uma lei antiga que impedia a construção de habitações naquela zona de parque nacional. Tudo em nome do turismo explorado por privados amigos de Israel, queixam-se os palestinianos. MEM.
  • Na China, as condições de trabalho difíceis, nomeadamente punições por delitos menores, estresse, negação de bónus prometidos e ansiedade sobre a segurança do emprego e a alta rotatividade de pessoal nas fábricas que alimentam a cadeia global de equipamentos eletrónicos, contribuem para o suicídio dos funcionários, admite um estudo do Economic Rights Institute , sedeado em Honk Kong. France24.

Mão pesada

  • A Ablebox Ltd foi multada em mais de 13 mil libras por poluir o rio Yeo, em Yeovil, com resíduos de tinta de impressão. GovUK.
  • Um indivíduo de Solihull foi condenado a cumprir 220 horas de trabalho comunitário por despejo ilegal de resíduos em Smethwic, Birmingham. GovUK.

Bico calado

  • «A cultura de empresa que a CME desenvolveu é de um desrespeito por tudo e todos. Hoje desloquei-me às 11,45h ao EcoCentro de Anta e apesar de no horário fixado referir que o fecho é às 12.00h o mesmo estava fechado. Soube posteriormente que fechava sempre mais cedo porque o funcionário tinha que ir picar o ponto a Silvalde, ou seja no outro lado de Espinho, de manhã e de tarde. A isto podemos chamar uma excelente gestão dos recursos humanos. A rapaziada gosta!!!!!» João Curral.
  • «O Parlamento admite pagar a deputados senhas de presença e ajudas de custo mesmo sabendo comprovadamente que eles faltaram às sessões, mas não admite pagar aos professores a progressão na carreira pelo tempo em que comprovadamente trabalharam. Depois admiram-se por as pessoas, desalentadas e por vezes desesperadas, votarem num fascista qualquer só porque ele promete mudança.» Francisco Bruto da Costa.
  • Na última década, Israel tornou-se um ninho de vigarices financeiras, empregando mais de 10 mil cidadãos, vendendo esquemas de opções binárias fraudulentas, investimentos de cripto moedas e faturando entre 5 e 10 biliões de dólares por ano. As vítimas acabam perdendo imenso dinheiro, e, quando protestam, o «corretor» já desapareceu misteriosamente, alguns deles migrando depois para a Rússia, Ucrânia, Filipinas, Panamá, Polónia, Albânia, Bulgária, Chipre e Sérvia. A envergadura da vigarice é tal que já obrigou o FBI a entrar em Acão. Mas as autoridades israelitas têm-lhe dado música através de um esquema burocrático muito sofisticado, conta o Times of Israel. Tem acontecido o mesmo com as tentativas levadas a cabo pelas autoridades francês no intuito de recuperar o dinheiro perdido por 3 mil franceses que caíram no logro. Mais pormenores aqui

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Lembram-se do Prestige, há 16 anos?


Para relembrar o filme da tragédia, o Ambiente Ondas3 sugere a consulta dos textos publicados em 4 de janeiro de 2006, 11 de dezembro, 13 de novembro de 2007 e 9 de junho de 2010. Posteriormente, em 12 de outubro de 2012, o Ambiente Ondas3 referia, citando os Ecologistas en Acción e o Público, que, «dez anos após o naufrágio do petroleiro que pintou de negro as costas da Galiza, das Astúrias, da Cantábria e do País Basco, não há protocolo nenhum a seguir em caso de situação semelhante», e que «nem Nem Mariano Rajoy, nem Miguel Arias Cañete, nem José María Aznar nem Francisco Álvarez-Cascos foram responsabilizados e penalizados (…) Os políticos não sofreram nenhuma penalização política pela sua incompetência e nem sequer se criou uma comissão parlamentar para investigar a gestão da catástrofe». Recentemente, em 28 de janeiro de 2016, o Ondas3 registava que o Supremo Tribunal espanhol condenou o capitão do Prestige a 2 anos de prisão e o proprietário e a seguradora britânica do petroleiro (London P&I Club) a pagar indemnizações calculadas em 920 milhões de euros. O naufrágio do Prestige ocorreu em novembro de 2002, tendo provocado uma enorme maré negra que contaminou cerca de 3 mil quilómetros das costas da Galiza e de Portugal. A Greenpeace considera que o capitão do Prestige foi usado como bode expiatório para encobrir figuras de proa com enorme responsabilidade no evoluir dos acontecimentos que descambaram em catástrofe, nomeadamente o ex primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy (PP). Na altura, como vice-primeiro ministro de José María Aznar, ordenou que o navio se afastasse da costa em vez de desencadear uma operação de emergência exigindo que fosse rebocado para dentro de um porto onde o ´crude pudesse ser confinado. Pior: menosprezou a gravidade do desastre, inclusive repetindo que as manchas negras que se viam junto do navio que se afundava não passavam de pequenos fios de barro.

Em Malta, a Oposição exigiu a demissão do ministro do turismo e do principal assessor do primeiro-ministro na sequência de uma investigação da Reuters e do Times of Malta ter revelado que receberam dinheiro da offshore 17 Black, sediada no Dubai, via Panamá. O ministro do Turismo, Konrad Mizzi, era o ministro responsável pela energia na época em que um grande contrato de uma central de energia foi adjudicado pelo governo a outra empresa, um de cujos diretores possuía secretamente a 17 Black. EURactiv.

Bico calado

  • Os EUA também celebraram o Armistício. Na sua terra e à sua maneira. E aproveitaram para medalhar um dos 4 (Blair, Barroso, Bush e Aznar) por muitos considerados criminosos de guerra por terem cozinhado a invasão do Iraque sabendo que a existência de armas de destruição massiva era uma enorme treta. Ao agradecer a medalha, Bush discursou e quase declarava que McCain era um criminoso de guerra. Caitlin Johnstone assistiu a toda a cena e descreve pormenores que os media de reverência omitem, como uma enorme manifestação no exterior da tenda onde a cerimónia decorreu, a projeção de imagem de caras de responsáveis norte-americanos considerados criminosos da guerra do Iraque e muito mais.
  • A Comissão Europeia acusou o Grão-Ducado do Luxemburgo de não ter implementado completamente as regras de combate ao branqueamento de capitais previstas pela quarta directiva. Este impasse levou a Comissão a remeter o Luxemburgo para o Tribunal de Justiça da UE, em 8 de novembro de 2018, por apenas transpor parcialmente estas regras. EURactiv.
  • As vendas de armas europeias à coligação liderada pela Arábia Saudita somam mais de 55 vezes o valor dado em ajudas ao Iémen, denuncia um relatório do Middle East Eye.
  • Um tribunal egípcio retomou o julgamento do futebolista Mohamed Aboutrika, acusado de evasão fiscal no valor de cerca de 40 mil dólares. MEM.
  • O Brexit mostra que os idiotas e os incompetentes é que comandam o Reino Unido – título de artigo de Chris Johns no The Irish Times.
  • A CNN acaba de processar Trump por ter violado a Primeira Emenda da Constituição ao retirar as credenciais ao seu jornalista Jim Acosta. Common Dreams.
  • O custo do TGV entre Los Angeles e San Francisco voltou a sofrer nova inflação. O orçamento original de 33 biliões atinge agora 77 biliões de dólares. Mother Jones.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Ecologistas, Plataforma Ibérica de Estradas Públicas e Podemos querem vias públicas e trilhas de gado protegidas em todas a Europa

Começou a grande migração do caranguejo vermelho na Christmas Island.
  • Quinta parte da série de reportagens "Lajes Confidencial", que aborda o legado da presença norte-americana nas Lajes, incluindo o nuclear. TVI24.
  • O Reino Unido tem suficientes reservas de petróleo e gás para sustentar a produção por mais 20 anos, garante a reguladora britânica Oil and Gas Authority. JE do Mar.
  • Eurodeputados de países onde há um número significativo de empregos na indústria automóvel foram menos propensos a apoiar medidas climáticas mais fortes do que aqueles onde os empregos em automóveis são menos importantes, confirma a European Data Journalism Network com base em dados recolhidos pela Votewatch. EURobserver.
  • Uma delegação composta por representantes dos Ecologistas en Acción, da Plataforma Ibérica de Estradas Públicas e do Podemos deslocaram-se ao Parlamento Europeu para pedir a aprovação de um regulamento europeu que proteja e mantenha as vias públicas e as trilhas de gado não só em Andaluzia como em todos os países membros, uma vez que o governo espanhol pouco ou nada tem feito nesse sentido.
  • As ameaças à democracia no Brasil pelo governo de Bolsonaro, que põem em risco também compromissos assumidos pela proteção da biodiversidade, das florestas, dos territórios indígenas e tradicionais no Brasil, vão ser denunciadas na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP14) que decorre no Egito entre 13 e 29 de novembro. Brasil 247.
  • O tribunal de Brisbane, na província de Queensland, Austrália, acusou uma supervisora agrícola de contaminar morangos com agulhas, o que provou pânico generalizado e alegadas falências. Reuters.

Bico calado

  • «Steve Bannon, ex-banqueiro do Goldman Sachs, organizador e ideólogo da campanha para eleger Donald Trump, vai dirigir a partir de Bruxelas a campanha dos partidos de extrema-direita na União Europeia para as eleições do Parlamento Europeu a realizar no próximo ano.» Pilar Camacho, in O Lado Oculto.
  • O líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn é criticado por ter levado ao peito um alfinete pequeno para uma cerimónia sobre paz. Mas ninguém diz nada sobre o criminoso de guerra que, por trás dele, na fotografia, enviou largas dezenas de soldados britânicos para uma morte prematura depois da invasão ilegal do Iraque.
  • O partido da alternativa de extrema-direita da Alemanha, Alice Weidel, está sob pressão para se demitir após os media alemães terem revelado que aceitou 130 mil euros de uma empresa farmacêutica suíça para a sua campanha eleitoral. A Alemanha só permite o financiamento de partidos políticos de cidadãos alemães no estrangeiro e o governo tem de ser informado sobre doações superiores a 50 mil euros de um único doador. EUObserver.
  • «Tanto o juiz Fernando Andreu como o chefe do Gabinete do Procurador do Tribunal Nacional estavam cientes no momento da prisão do franquista que tinha um arsenal e planeava matar Pedro Sánchez, [primeiro-ministro de Espanha] mas decidiram não investigar o caso. Um mês e meio depois, quando o 'Público' revelou a notícia em exclusivo, a Corte negou saber, mas acabou se retratando 24 horas depois, porque a falta de conhecimento era um escândalo ainda maior do que ter sido inibido.» 
  • «O paradoxo brasileiro: Elegeram um fascista de verdade, pensando ser mentira, por medo de um comunismo de mentira, acreditando ser verdade.» Carta Maior.
  • «O fósforo branco é uma substância que se inflama espontaneamente em contacto com o ar, criando uma densa nuvem de fumo e temperaturas da ordem dos 800 graus Celsius. Os efeitos não podem ser combatidos com água. Os seres humanos que sejam atingidos podem sofrer queimaduras extremas e ferimentos graves nos órgãos internos se a substância for absorvida pela pele, ingerida ou inalada. (…) As munições de fósforo branco não são consideradas armas químicas, mas sim incendiárias e, como tal, igualmente proibidas pelo Protocolo III relacionado com algumas armas convencionais e cuja utilização contra civis já era vedada pelas Convenções de Viena. (…) Oficialmente, o Pentágono nega a utilização de fósforo branco. Porém, foi forçado a admiti-lo perante a evidência dos bombardeamentos contra a cidade iraquiana de Fallujah, em 2004. E o jornal Washington Post publicou fotografias de fuzileiros navais dos Estados Unidos equipados com projécteis de fósforo branco na chamada “batalha de Raqqa”. O leque de imagens divulgadas provou também o recurso a esse tipo de munições em operações militares norte-americanas fora do Iraque e da Síria.» Edward Barnes, in O Lado Oculto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Portugal com dificuldade para cumprir metas de recolha seletiva de materiais recicláveis

  • Portugal não está a conseguir aumentar o lixo reciclado ou diminuir aquele que vai para aterro, estando muito longe da meta europeia para 2020 (50%). A recolha seletiva de materiais recicláveis ainda não é eficaz, alerta a Comissão Europeia. Os incentivos económicos de apoio à reciclagem são insuficientes e os regimes de responsabilidade alargada do produtor não cobrem integralmente os custos da recolha seletiva. A Comissão Europeia sugere várias medidas, nomeadamente mais apoios aos municípios, a revisão das taxas pagas pelos sistemas de resíduos que não cumprem os objetivos e o reforço das campanhas de sensibilização com mensagens claras e coerentes. TSF.
  • Um consumidor da Califórnia processou a Quaker Oats por não divulgar que 17 dos seus produtos contêm o herbicida mais usado no mundo, o glifosato. Sustainable Pulse.
  • Um júri federal do Tennessee decidiu a favor dos operários após uma operação de limpeza de cinzas de carvão ter provocado a morte de 30 mortos e 250 gravemente doentes. NPR.
  • A mineração de ouro em pequena escala destruiu mais de 170.000 acres de floresta primária na Amazónia peruana nos últimos cinco anos, diz uma nova análise feita por cientistas do Centro de Innovación Científica Amazónica da Wake Forest UNiversity. Terra Daily.

Reflexão – Defender a floresta tropical é ser político, radical e extremista?


Um vídeo clip de animação foi proibido pelas autoridades alegando que violava regras de publicidade, nomeadamente porque tinha objetivos políticos.
O vídeo estava incluído na campanha natalícia e mostrava um pequeno orangotango no quarto de uma criança e relacionava-o com a destruição do seu habitat às mãos da indústria do óleo de palma.

Para os patrões da publicidade, promover produtos que contêm óleo de palma não é ser político, mas denunciar os problemas do óleo de palma já é ser político. Para os reis da publicidade, neutralidade política significa estar do lado do status quo. Por isso, somos politicamente neutros se destruirmos ou ajudarmos a destruir o planeta, os ecossistemas, a vida das pessoas e dos animais, mas se desafiarmos ou denunciarmos os interesses que movem essa destruição já somos radicais ou extremistas. É triste e lamentável constatar que não são só os patrões da publicidade que pensam assim. Quase todos os media fazem o mesmo.

Bico calado

  • Doze pessoas morreram na sequência de fortes chuvas e inundações em algumas zonas da Jordânia. Ainda recentemente, 21 pessoas - a maioria crianças em idade escolar numa excursão ao Mar Morto – morreram pelas mesmas causas. Reuters. A latitude e a longitude deste país colocam-no fora da mira dos nossos media e, por isso, é notícia que não é repetida hora a hora durante dias seguidos.
  • «(…) O primeiro e mais grave processo de dissolução da democracia por parte destes ditadores com votos é essencialmente a apropriação do poder judicial, o ataque à sua independência, não só para garantirem a sua imunidade, como para o usar contra os seus adversários. O que Bolsonaro está a fazer, dando o poder político da Justiça a um juiz envolvido no processo de corrupção dos seus adversários, lança uma luz sinistra sobre esse processo, tanto mais que a sanha justiceira foi selectiva. Não tenho muitas dúvidas sobre a corrupção no PT, mas também não tenho nenhuma dúvida que a perseguição a essa corrupção foi politicamente motivada. A uma corrupção soma-se outra. O mesmo acontece com Trump, cujas medidas mais gravosas estão na moldagem de todo o sistema judicial nacional e federal, assim como nas polícias e serviços de segurança, no seu poder, através de escolhas de homens e mulheres sem carreira ou currículo, sem perfil moral mínimo para cargos vitalícios, pelo critério da lealdade pessoal ao Presidente. Destruindo todas as instituições de mediação e de contrapoder, o poder torna-se autoritário e quem o ocupa um autocrata. (…)» José Pacheco Pereira, in Os ditadores com votos mas sem lei – Público 10nov2018, via A estátua de sal.
  • Luís Carito, ex-vice-presidente da Câmara de Portimão, acusado por engolir folha A4 durante buscas à sua residência em Ferragudo, conta o Correio da Manha.