segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Duas barragens para demolir

Vista no Alto do Murouçal. Imagem captada aqui.
  • Duas barragens vão ter de ser demolidas. Ambas construídas ilegalmente na Herdade de Canelas pelo banqueiro luso-angolano Fernando Teles, presidente do Bic Angola e administrador do EuroBic. Uma das barragens (Tripeças) interfere com a linha de água que abastece a albufeira pública de Pego do Altar que serve 300 regantes e 6 mil hectares de regadio. A outra barragem (Javalis) está no centro de uma disputa de águas com a herdade vizinha de Vale da Arca, do empresário Manuel Magalhães, alegando que a escassez de água na sua barragem gerava perdas avultadas na produção de azeite. Expresso.
  • A salvínia (Salvinia molesta) é um feto anual aquático, originário da América do Sul. É uma das piores invasoras aquáticas a nível mundial que forma tapetes densos na superfície de águas paradas ou com pouco movimento. Os tapetes de salvínia sombreiam as plantas submersas e impedem a troca de oxigénio, fazendo com que a água se torne imprópria para peixes e outros animais. Além disso, podem bloquear os canais de irrigação, poluir água potável e evitar o uso das áreas invadidas para atividades recreativas como natação, pesca e passeios de barco. Ao detertar uma área com salvínia deve-se avisar as autoridades locais de ambiente (ICNF, Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) ou o SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente), enviar uma mensagem para invader@uc.pt.
  • O inseticida neonicotinóide tiametoxam, frequentemente utilizado na agricultura, poderá acabar por levar as populações de abelhões à extinção, alerta um coordenado por Nigel Raine, professor da Universidade de Gelph, no Canadá. Estima-se que 1,4 mil milhões de empregos e três quartos das colheitas agrícolas do mundo dependam dos polinizadores, especialmente das abelhas, e as suas populações têm sofrido um declínio acentuado nas últimas décadas, devido à perda de habitat, doenças e utilização de pesticidas. UniPlanet.

Mão pesada

O Marion County foi multado em mais de 23 mil dólares por contaminação da ribeira de Salem, no estado do Oregon, com resíduos de madeira e catálogos de tinta. SJ.

Reflexão - «Plataforma continental: mais mar só para furar»

Imagem colhida aqui.

«(…) Há anos que se repete a fórmula de marketing “Economia Azul” na promoção da plataforma continental. No site da estrutura de missão para a extensão da plataforma diz-se que ganharemos os direitos a explorar e extrair os recursos naturais destes 3,75 milhões de quilómetros quadrados, ou seja, os recursos minerais e os organismos vivos que estão no leito do oceano e no seu subsolo. A “economia azul” aumentaria a relação da economia com o mar, o conhecimento sobre os oceanos, protegeria os mesmos e exploraria os seus recursos, num arremate perfeito que concilia no papel o que é dificilmente conciliável no mar. 
Em 2016, no Conselho Atlântico, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, frisava o potencial das relações marítimas Estados Unidos-Portugal no desenvolvimento da exploração offshore de petróleo e gás, energia eólica no mar, energia das ondas e hidratos de metano offshore. Não era exagerado dizer, dizia a ministra, que estes “hidratos de metano são vistos como os recursos de futuro que o gás de xisto era há 15 anos”. 
Numa apresentação ao IGCP, que gere a dívida pública, o Ministério do Mar garantia que, com a extensão da plataforma continental, Portugal tornar-se-ia o 7.º maior país do mundo, maior do que a Índia. Para atrair investimento, invocava recursos estratégicos no mar profundo: petróleo e gás offshore, hidratos de metano e minas submarinas. O director do Programa de Segurança Energética da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento delineava três eixos centrais para o oceano português: transformar Portugal no porto de entrada na Europa do gás de xisto produzido pelos EUA, explorar os hidratos de metano e começar a mineração submarina nos mares dos Açores, da Madeira e na margem continental. 
A Comissão Europeia, no seu atlas marítimo, identifica no fundo do mar de Portugal a presença de depósitos de sulfuretos, crostas de manganês e nódulos polimetálicos e, através da iniciativa Blue Atlantis, anunciou que Portugal será o tubo de ensaio da exploração dos fundos marinhos, contribuindo a Missão para a Extensão da Plataforma Continental para encontrar os sítios mais adequados para furar. A Nautilus Minerals, empresa canadiana, será a responsável por começar a explorar nos Açores ainda em 2017, notícia com destaque e até referenciada em alguma literatura. No entanto, não existe qualquer processo de consulta pública para avaliação de impacto ambiental ou uma declaração de impacto ambiental, o que poderá significar que, a exemplo da prospecção e exploração de petróleo e gás, não está prevista qualquer avaliação de impacte ambiental.
(…) Os impactos já esperados enumeram-se: derrocadas submarinas devido à desestabilização de sedimentos na extracção de minerais ou de hidratos de metano, libertação de elementos tóxicos através da oxidação dos minerais expostos ao oceano depois de desenterrados, libertação rápida de metais pesados nos oceanos, libertação inadvertida de gás que altera a química do oceano e potencialmente do clima, colapso de fundos marinhos, nuvens de lama (plumas) de material expelido e que podem ser levadas pelas correntes submarinas por centenas de quilómetros e cujo impacto em microalgas fotossintéticas mais à superfície colocará em perigo as cadeias alimentares até aos grandes animais. A extracção dos nódulos polimetálicos do fundo oceânico terá grande impacto na estruturas e na biodiversidade das cadeias alimentares e dos processos ecológicos como a produção de biomassa, a reciclagem de matéria orgânica e a regeneração de nutrientes. A exposição crónica dos microrganismos, das plantas e dos animais às plumas tantas vezes tóxicas afectará os seres e o inevitável ruído da maquinaria pesada nos fundos provocará a fuga dos animais. Nas últimas quatro décadas a espécie humana conseguiu fazer desaparecer 50% das espécies marinhas. Os oceanos são o principal absorvente do aumento da temperatura do aquecimento global. Além disso, as espécies submarinas e os corais ultraprofundos crescem muito lentamente no fundo do mar a altas pressões, baixas temperaturas e sem luz, o que significa que a reposição do que for destruído é muito difícil. Isto é o que nós sabemos, e o que não sabemos é muito: espécies ainda não descobertas, sistemas e ciclos ainda desconhecidos.
(…) A proposta é explorar tudo, incluindo mais combustíveis fósseis — petróleo, gás e hidratos de metano — que são indefensáveis num contexto de alterações climáticas em que é preciso cortar emissões. Provavelmente por isso é que se mantêm as concessões petrolíferas e uma lei arcaica sobre o tema. (…) Os fundos dos nossos mares são anunciados como o novo Eldorado, mas fica claro, e sabendo nós que os efectivos e embarcações da Marinha e da Autoridade Marítima Nacional não chegam sequer para a nossa longa costa, que esta expansão se destina exclusivamente a garantir a satisfação de interesses privados, da União Europeia e dos Estados Unidos. E sem avaliar o tanto que irá destruir. Infelizmente, parece claro que só querem mais mar para, depois de o concessionar, o poderem furar.» 

João Camargo in Plataforma continental: mais mar só para furar - Público 17ago2017.


Bico calado

Only a pawn in their game, por Bob Dylan
  • Porque é que os monumentos dos confederados são facilmente derrubados? Porque foram construídos e implantados em massa, durante dois períodos distintos: nas duas primeiras décadas do século 20, período conhecido pelo Jim Crow, um pacote legislativo que pretendia retirar direitos aos negros, e durante os anos 60. Tudo com o patrocínio de grupos como As Irmãs Unidas pela Confederação, poderoso lóbi que tem tentado reescrever a história dos EUA e imposto a sua versão nos manuais escolares, deles excluindo os negros. Tweeter.
  • Não acham que, atendendo à presente época de fogos imparáveis, Azores Burning Summer é um nome provocatório e de muito mau gosto para um festival de fim de verão em Porto Formoso, S. Miguel-Açores?
  • «Após a detenção, o idoso confirmou a autoria do crime de incêndio, acrescentando que já era a quinta vez que tentava colocar fogo naquela zona do parque natural de Sintra-Cascais, tendo sido encontradas provas do crime no seu veículo. Quando foi constituído de arguido, o suspeito cometeu mais um crime de corrupção ativa na forma tentada, ao tentar oferecer 230 euros em dinheiro aos elementos da GNR para o libertar.» DN.
  • «Rui Moreira decidiu apresentar o dobro, fazendo disso um ato de propaganda e elogio à capacidade mobilizadora do seu movimento independente de cidadãos. Passadas duas semanas, o mesmo Rui Moreira assume que as assinaturas foram recolhidas com recurso a trabalho pago. Atacando os orçamentos de campanha de PS e PSD, Rui Moreira justificou os seus próprios gastos (290 mil euros) com a logística necessária à “recolha de assinaturas”, escrevendo na sua página de facebook que “pagamos aos jovens que andam a recolher assinaturas. O voluntariado não consegue recolher 30.000 de portuenses no espaço de um mês.”» Porto: agora as pessoas.
  • Após 38 anos como chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos vai ter direito, quando deixar o cargo, a imunidade, residência oficial e uma subvenção mensal vitalícia de 80% do salário base do Presidente da República. Macua.

sábado, 19 de agosto de 2017

Legislação que proíbe a aplicação de glifosato em espaços públicos e de lazer já está em vigor

Espinho, avenida 32. Foto de Manuel Adriano Martins Teixeira 19nov2016

O Decreto-Lei que proíbe a aplicação de pesticidas e herbicidas em espaços públicos e de lazer foi publicado a 24 de Março e entrou em vigor a 21 de Junho. Este decreto proíbe a utilização de produtos fitossanitários em locais públicos e de lazer. 

Excertos da lei: 

2e) - Assegurado que são previamente afixados, de forma bem visível, junto da área a tratar, avisos que indiquem com clareza a identificação da entidade responsável pelo(s) tratamento(s), o(s) tratamento(s) a realizar, a data previsível do(s) mesmo(s) e, se necessário, a data a partir da qual pode ser restabelecido o acesso e a circulação de pessoas e animais ao local, de acordo com o intervalo de reentrada que, caso não exista indicação no rótulo, deve ser, pelo menos, até à secagem do pulverizado;

5 - Sem prejuízo do disposto no artigo 31.º e nos nºs 1, 2, 3, 4, 9 e 10 do presente artigo, não são permitidos tratamentos fitossanitários com recurso a produtos fitofarmacêuticos:
a) Nos jardins infantis, nos jardins e parques urbanos de proximidade e nos parques de campismo;
b) Nos hospitais e noutros locais de prestação de cuidados de saúde bem como nas estruturas residenciais para idosos;
c) Nos estabelecimentos de ensino, exceto nos dedicados à formação em ciências agrárias."

Portugal: o consumo diário de água é o triplo do limite recomendado pela ONU

Imagem captada aqui.
  • 60% dos óleos alimentares usados são anualmente despejados nos esgotos devido à sua reduzida reciclagem, alerta a Zero. O setor hoteleiro, a restauração e as famílias são responsáveis por este desperdício de 28 milhões de euros, uma vez que esses óleos podiam ser valorizados para biodiesel. Metade das autarquias também não cumpre a legislação que obriga a instalar pontos de recolha em função do número de residentes. Por exemplo, com menos de 25.000 habitantes terá de instalar 12 pontos. Os municípios de Braga, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Amares, Vila Verde e Terras de Bouro são exemplos a seguir. O Instalador.
  • Em Portugal o consumo médio de água chega aos 150 litros diários, o triplo de água que a ONU considera ser o necessário para higiene e alimentação. Este consumo excessivo torna-se ainda mais preocupante perante o atual estado de seca extrema. Governo quer que autarquias implementem medidas de redução, mas estas dizem que tudo passa por uma eficaz campanha de sensibilização que até agora não foi feita. Sol.
  • A Águas do Centro Litoral assumiu a responsabilidade da descarga poluente ocorrida no passado dia 14, resultou de uma obstrução no Emissário do Cáster, o qual foi resolvido no dia 15 de agosto de manhã. ON.

Mais três guardas florestais e um conservacionista assassinados

Índia. Foto de Biju Boro/AFP/Getty Images. Imagem colhida aqui.
  • A Noruega apregoa a sua pequena pegada de carbono, mas prepara-se para avançar com a extração de gás e petróleo no Ártico. DW. Viva a hipocrisia!
  • Três guardas florestais foram mortos e um outro está desaparecido após um ataque dos rebeldes da Mai Mai no parque nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, elevando o número de mortes neste parque este ano para oito. O parque nacional de Virunga é patrimônio mundial da Unesco, lar de três espécies de grandes macacos e outras espécies ameaçadas de extinção, incluindo o okapi  e elefantes. Entretanto, um reconhecido conservacionista de elefantes foi abatido a tiro na Tanzânia quando seguia, de táxi, do aeroporto de Dar es Salaam para o hotel. Já tinha sido vítima de várias ameaças de morte relacionadas com o seu trabalho como dirigente da Fundação PAMS, uma organização de defesa de elefantes e de apoio a comunidades locais.
  • A legislação brasileira vai permitir que os transgressores ambientais troquem multas milionárias por investimentos em projetos de recuperação com desconto até 60% da penalização original. Reuters. É o que acontece nos EUA, onde, para além de uma reduzida coima, o prevaricador é intimado a «investir» certa quantia em equipamentos, infraestruturas ou medidas de correção às irregularidades registadas. 

Reflexão - Portugal devastado: rotina ou terrorismo?

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« (…) o fogo que alastra em Portugal, sem descanso, resulta da acumulação de incêndios isolados provocados por fenómenos naturais ou pela demência de pirómanos? Ou é uma vaga terrorista organizada para devastar o país, delapidar o que resta da sua riqueza natural e impedir o governo de governar até que mãos salvadoras venham encarreirar a pátria nos trilhos de onde jamais deveria ter saído? (…) Até à vista desarmada – sem necessitar da espionagem por satélites ou da caça aos telefones e e-mails de cada um de nós – se percebe que nem tudo é aleatório no quadro de incêndios em Portugal. O vento sopra em todo o país, mas as chamas, tal como em 1975, poupam as zonas onde prevalecem grandes interesses económicos tendencialmente sem pátria. As vítimas da catástrofe são pequenos e médios proprietários fundiários, normalmente esquecidos pelos governos e indefesos perante as calamidades; o terror ataca pequenas aldeias que até os mapas oficiais olvidam, ou então preciosidades do património humano, histórico e natural que é de todos, como no caso da Gardunha e suas aldeias, onde chegou a hora do ataque das chamas. (…) Ignorar, para os devidos efeitos, que a vaga de incêndios em curso em Portugal, pelas suas características, regiões de acção e contumácia, pode ser uma operação de terrorismo organizado é um crime contra o país e todos os portugueses. Uma hipótese como essa não pode ser descartada. (…)» 

José Goulão in Portugal devastado: rotina ou terrorismo?Abril.

Bico calado

Imagem captada aqui.
  • Os EUA provavelmente não conseguirão substituir a Rússia como principal fornecedora de gás à Europa, mesmo que ofereça gratuitamente o seu gás, afirmou o enviado russo à União Europeia, Vladimir Chizhov. Primeiro, porque não teriam quantidade suficiente para abastecer a Europa, segundo porque só têm um porto para o exportar e terceiro, porque a Europa não tem portos suficientes para o desembarcar. RT.
  • «(…) Parece-me também insustentável o clima de suspeição que se lança sobre as autoridades policiais e a impunidade com que se insulta e agride as forças da ordem. Outra opinião parece ser a de Júlia Pinheiro,  a quem a SIC paga milhares de euros mensais para lançar na opinião pública a suspeição contra a actuação das autoridades. A GNR não está acima de qualquer suspeita, mas se mantivermos constantemente esta desconfiança quanto à sua forma de actuar, não tardará o dia em que vamos precisar da sua protecção e elas nos fazem um manguitoCarlos Barbosa de Oliveira.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

150 toneladas de peixe vão ser retiradas de quatro albufeiras

Barragem do Monte da Rocha. Foto de Gonçalo Elias.
  • 150 toneladas de peixes vão ser retiradas de quatro albufeiras no Alentejo devido à seca e para não prejudicar a qualidade da água. As albufeiras que vão ser alvo desta operação, são a do Monte da Rocha, em Ourique, a da Vigia e a do Divor, em Redondo e entre Évora e Arraiolos, respetivamente, e a de Pego do Altar, em Alcácer do Sal. O peixe a retirar das barragens vai ter como destino final a produção de farinha para alimentação animal. NAM.
  • O Rio Homem foi vítima de descarga poluente entre as freguesias de Chamoim e Sequeirós, a 5 km de Vila Verde. Esta é a terceira descarga no Homem denunciada nas últimas semanas, depois de uma descarga em São Vicente do Bico e Lago, concelho de Amares. Os vizinhos acusam as ETARs da existência de salmonelas nas águas do Cávado, do qual o Homem é afluente. Semanário V.

Ilha de Moçambique: erosão ameaça 10 mil pessoas

Ilha de Moçambique. Foto de OLima, abril 2003.
  • O combate à erosão nas cidades de Nacala Porto e Ilha de Moçambique terá de esperar, em virtude de o Governo de Nampula não ter fundos. Em Nacala Porto, a erosão ameaça cerca de 10 mil pessoas, incluindo o porto, enquanto a cidade da Ilha de Moçambique corre o risco de desaparecer. Artur Afonso, investigador ambiental e docente universitário, adverte que a erosão vai continuar nos próximos tempos, porque tem origem em causas que não são do controle direto do Homem. Aquele investigador apela para o fim de construção de mais infraestruturas em áreas de risco e defende a deslocalização das famílias residentes nas referidas áreas. VOA. Que tal reforçar o plantio de árvores e tentar a recuperação do mangal?
  • A energética Eskom está a minar o desenvolvimento das energias renováveis na África do Sul, denuncia o professor Hartmut Winkler, da Universidade de Joanesburgo. Segundo ele, os lóbis do carvão e do nuclear do país estão por trás da oposição às energias renováveis. A luta faz parte de um confronto político mais amplo sobre o controle de setores-chave da economia sul-africana. The Conversation.
  • A gigante da fraturação hidráulica Cabot Oil & Gas processou um dos moradores de Dimock, Pensivânia, para exigir 5 milhões de dólares de compensações, alegando que a campanha que fez acerca da alegada contaminação da água do seu poço prejudicou a empresa. MPN.

Mão pesada

  • Pela segunda vez em 2017 a autoridade reguladora da publicidade holandesa repreendeu a indústria de petróleo e gás Statoil por defender que o gás é "energia limpa" e "combustível de baixas emissões".
  • O diretor da Arrow Gypsum Recycling Ltd, de Pershore, Worcestershire, foi condenado a 12 meses de prisão suspensa por 18 meses, a 200 horas de trabalho comunitário, ao pagamento de uma multa de 10 mil libras e impedido de ser diretor de empresas durante 7 anos por não ter acondicionado devidamente várias toneladas de resíduos de gesso. GovUK.

Reflexão – Às vezes as árvores caem

Imagem captada aqui.

Às vezes as árvores caem
por Nuno Gomes Oliveira (2010, atualizado em 2017), FB.

«Grande parte das árvores ornamentais apresenta problemas gravíssimos: doenças, deformações, podridões, inadequação da espécie ao local, e muitos outros.
O espaço urbanizado foi crescendo (quer acima, quer abaixo do solo), as infra-estruturas começaram a ser muitas e a conflitualidade com as árvores chegou.
Como se estes factos não bastassem, as práticas de poda utilizadas nas árvores ornamentais foram, e ainda são em alguns casos, exactamente as mesmas usadas nas fruteiras, isto porque muitos jardineiros têm a sua origem na agricultura.
No entanto, estamos a falar de objectivos culturais diferentes; as árvores ornamentais escolhem-se pela forma, e essa deve ser mantida ao longo de décadas ou séculos. As fruteiras podam-se para estimular a frutificação e, consequentemente, duram poucos anos.
Essas podas do passado, acabaram por prejudicar, e estão a matar, as árvores.
Nunca se devem fazer podas radicais para não causar feridas às árvores e, consequentemente, permitir a entrada de doenças (ataques de fungos, bactérias e insectos) e alteração do seu equilíbrio mecânico, (equilíbrio entre a parte área e a parte radicular); também para não lhe encurtar a vida e para não vir a ter custos desnecessários, pois árvores podadas obrigam a intervenções regulares, morrem mais cedo e a sua remoção é sempre bastante onerosa.
Árvores mal podadas são um adiar de problemas e um aumento de custos e riscos.
As intervenções em árvores ornamentais (uma poda ligeira de limpeza ou aclaramento) só devem ocorrer em fases jovens e só excecionalmente em árvores já adultas.
Cada árvore a plantar num dado local deve ser de uma espécie cuidadosamente escolhida, de modo a que se adapte ao clima e ao solo, e que a sua copa (quando adulta) possa caber no espaço aéreo disponível, sem interferir com as pré-existências (casas, fios eléctricos, etc.). O mesmo é verdade para as raízes, que necessitam de espaço para se desenvolverem e, assim, alimentarem a árvore e darem-lhe estabilidade e segurança.
Frequentemente ainda se podem ver as denominadas podas de rolagem ou seja, cortes de ramos de grande diâmetro, deixando apenas alguns cotos, ou pernadas estruturais muito reduzidas e em alguns casos só mesmo o tronco, abaixo da copa.
Ao contrário do que alguns pensam, as árvores severamente podadas ficam mais perigosas, desenvolvem, mais ramos e mais folhagem.
Uma árvore rolada é uma árvore desfigurada, enfraquecida, em risco de queda, que perdeu todas as características da espécie, e que perdeu valor patrimonial.
Se uma árvore precisa de uma intervenção severa então está na altura de pensar na sua substituição.
Mas uma árvore não é, somente, o que se vê acima do solo; uma das partes mais importantes da árvore (porventura a mais importante), e a que lhe confere estabilidade, são as raízes, frequentemente afetadas por obras públicas e de construção civil.
A maior parte das raízes desenvolve-se até cerca de 1,5 m de profundidade, indo muito além da projecção da copa da árvore (linha de goteira), podendo atingir 25 vezes o diâmetro do tronco.
Árvores instaladas em relvados com rega por aspersão, onde se usam herbicidas e adubos azotados, ou onde o nível do solo foi alterado, rapidamente apresentam problemas
São muitas as doenças que atacam as árvores; muito conhecido e grave é o caso dos plátanos, na sua maioria infectados por fungos que desencadeiam uma doença denominada “Antracnose do plátano”, provocada por um fungo (Apiognomonia veneta).
No caso dos Choupos, o “Cancro do choupo”, obriga ao abate das árvores doentes (obrigatório em França por decreto de 1951).
Toda a prevenção é pouca, para que não aconteça o que está a acontecer em Portugal com os Ulmeiros, como consequência da “Grafiose”, provocada por um insecto vector (Scolytus spp.) e um fungo (Ceratocystis ulmi) que já matou grande parte das árvores deste género.
Quando é feita uma intervenção de fundo (que inclua renovação de pavimentos, intra-estruturas eléctricas, de saneamento, etc.) num arruamento, praça ou outro espaço público com árvores velhas, é uma boa oportunidade para avaliar o seu estado fitossanitário, o desenvolvimento e a adequação da(s) espécie(s) ao local e, caso se verifique que apresentam problemas insuperáveis, devem ser abatidas e substituídas por novas árvores.

Nas avaliações de risco são feitas algumas perguntas para ajudar a tomada de decisão:
• Alvo – Se a árvore cair, será sobre viaturas, casas, linhas eléctricas, pessoas?
• Equilíbrio - Terá a árvore sofrido alteração da forma normal da espécie para outra mais perigosa?
• Ramos mortos – A árvore perdeu recentemente ramos? Há ramos mortos?
• Existem fendas abertas e profundas no tronco e ramos?
• Podas de rolagem - Há ramos de grande dimensão a crescer rapidamente a partir dos locais de corte?
• Raízes - Foram as raízes afectadas por obras de construção civil? Há carpóforos visíveis? A árvore está inclinada? Existe um relvado ou jardim instalados sobre as raízes? O solo está pavimentado?

Por isso, em muitos casos, o mal menor é o abate, para posterior plantação de outra espécie, mais adequada ao local, para que não fiquem problemas para o futuro.
A queda de uma árvore nem sempre se anuncia, e pessoas sem formação em arboricultura não devem tentar fazer previsões.
Não podemos nem devemos adiar situações de perigo para pessoas e bens; foi um eucalipto que em 2006 matou um bebé em Sintra, foi uma tília que em fevereiro de 2010 caiu e matou uma criança no Largo da Igreja em Paredes e foi a queda de uma palmeira que matou duas pessoas e feriu outra, em Porto Santo (Madeira) em 2010, tendo os autarcas locais sido condenados por homicídio por negligência.
São, agora, 13 mortos e 49 feridos no Largo da Fonte, no Funchal, com cujas famílias nos solidarizamos.»

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O rio Tejo corre o risco de secar

Imagem: The Guardian.
  • Através do diário La Voz de Galicia, a The Navigator Company, ex Portucel Soporcel, ameaça transferir as suas operações para Espanha caso avancem as medidas de contenção ao caos instalado no território português. A ACRÉSCIMO repudia estas ameaças. Como já não se satisfaz com o aumento da produção de pasta celulósica através do aumento da produtividade unitária nas plantações de eucalipto, a indústria papeleira exige ainda mais expansão da área de eucaliptal em Portugal. A estratégia é óbvia, quanto mais extensa for a oferta, mesmo que de má qualidade como é, maior a garantia que os preços a que compra a rolaria de eucalipto aos proprietários privados tenderão a permanecer baixos. Mais ainda, quando os governos, na ausência de intervenção regulatória, permitem que uma procura fortemente concentrada (duopólio) imponha os preços de venda a uma oferta extremamente pulverizada. As consequências sobram, sobretudo, para terceiros. «Está à vista de todos que o rendimento condiciona a gestão das plantações de eucalipto em Portugal. A má gestão ocorre em cerca de 80% do eucaliptal existente no país. Como temos visto, as suas consequências fazem-se sentir sobre toda a População (mesmo nos grandes centros urbanos ou nas regiões menos afetadas pelos incêndios que ocorrem em floresta. As celuloses têm usado o seu peso nas exportações para chantagear as governações, tendo até aqui usufruído de generosas vantagens legislativas (DL n.º 96/2013, 19 de julho), financeiras (agora via PDR2020) e fiscais (em cerca de 100 milhões de euros, só a Portucel Soporcel, entre 2010 e 2014). A ameaça de deslocalização para Espanha segue o mesmo propósito.» 
  • O rio Tejo, o maior da Península Ibérica, corre o risco de secar. Barragens, desvios e alterações climáticas concorrem para tal. The Guardian. Nada que as populações portuguesas ribeirinhas já não tenham dito.
  • As autoridades do Kuwait estão a tentar conter um derrame de petróleo perto do complexo petrolífero de Ras al-Zur no sul do Kuweit e que poluiu as praias e ameaça danificar centrais elétricas e estações de água. Entretanto, ocorreu um segundo derrame  de crude, na zona de Abu Fatira. 
  • Leões, elefantes e hipopótamos desapareceram do vale de Kilombero, na Tanzânia, após o Reino Unido e os projetos financiados pelos EUA terem ajudado a transformar um habitat riquíssimo num espaço de quintas, teca e plantações de açúcar. The Guardian.
  • A represa de Weston Mill, no rio Raritan, New Jersey, vai ser eliminada. A medida está a ser recebida com agrado por permitir a livre circulação de peixes e a melhoria na segurança das práticas desportivas. NJ.
  • Cerca de 63 milhões de pessoas – cerca de um quinto da população norte-americana - foram expostas a água potencialmente insegura mais do que uma vez durante a última década, revela uma investigação da News21 com base em dados fornecidos pelo próprio ministério do Ambiente. OIA News.
  • A província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhaw plantou 1 bilião de árvores em pouco mais de dois anos. VOA.
  • As plantas podem estar a fazer muito mais do que imaginávamos no combate às mudanças climáticas. Segundo um estudo publicado na revista científica Nature Communications, a vegetação terrestre aumentou a sua capacidade de absorção de dióxido de carbono em17%, em comparação com dados de há 30 anos. O que é ainda mais surpreendente, observa o estudo, é que essas plantas estão a usar menos água para executar essa função. MNN.

Reflexão – Gaivotas na área metropolitan do Porto, um problema?

Imagem captada aqui.

Gaivotas na área metropolitan do Porto, um problema?
por Nuno Gomes Oliveira, FB.


«(…) De fato a gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) – das várias espécies de gaivotas existentes em Portugal esta é a única problemática – começou a nidificar nos telhados da região do Porto há cerca de duas décadas, fruto do enorme aumento da sua população.
De espécie claramente ligada às praias, lagos e rios, a gaivota-de-patas-amarelas “urbanizou-se” devido à disponibilidade de alimento na cidade, bons locais de nidificação, ausência quase total de predadores e outros inimigos e uma longevidade até 35/40 anos.
Coloca questões de saúde pública, visto que os seus excrementos, quando secos e pulverizados pelo vento, podem espalhar Salmonella spp., Escherichia coli e outros agentes infeciosos para o Homem. A elevada capacidade de deslocação destas gaivotas, quer diária, quer ao longo do ciclo anual, faz delas disseminadoras desses agentes patogénicos em toda a costa portuguesa e na sua restante área de distribuição (Norte de África e Europa).
As “gaivotas urbanas” degradam lagos e águas para rega e consumo humano com coliformes totais e fecais, estreptococos fecais, Clostridium perfringens e outros agentes patogénicos que se podem transmitir ao Homem e a outras espécies animais.
Além disso, as “gaivotas urbanas” provocam poluição sonora (até porque voam à noite, por vezes em grandes e ruidosos bandos), degradam edifícios e viaturas, entopem caleiras e competem com outras aves, comportando-se como verdadeiras “aves de rapina”.
Mas em meio urbano a queixa que mais correntemente chega às autoridades é o ataque a pessoas como consequência da defesa dos ninhos. Em últimos andares de prédios, com pátio ou varanda, se acontece um casal de gaivota-de-patas-amarelas nidificar no telhado, fica arriscado vir ao pátio pois a curta distância ao ninho vai desencadear um ataque ao “intruso” (o morador) de que podem resultar ferimentos ligeiros.
A solução é usar uma proteção da cabeça e pescoço... e uma vassoura!
Como forma de prevenção podem colocar-se nos locais de pouso fitas com espetos plásticos que facilmente se compram na Rua do Almada (Porto) ou na internet.
Em alguns locais foi autorizado pelo ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) a anulação da nidificação mergulhando os ovos de modo a asfixiar o desenvolvimento do pinto. Mas esta é uma solução complicada até porque a maioria dos ninhos se encontra em locais de difícil acesso, requerendo o apoio dos bombeiros.
Mas porque aumentou tanto a população de gaivota-de-patas-amarelas?
Nos primeiros anos, pela disponibilidade de grande quantidade de alimento (estas gaivotas comem, praticamente, tudo) em lixeiras e falsos aterros sanitários espalhados em redor da Área Metropolitana do Porto, por vezes a dezenas de quilómetros.
Por isso era (e ainda é) frequente ver, ao fim da tarde, bandos de gaivotas vindas de sul ou do Norte para dormirem nas calmas praias de Matosinhos ou de Gaia.
Hoje essas lixeiras estão praticamente encerradas e os aterros sanitários existentes são muito cuidadosos com o controlo das gaivotas, quer por taparem com terra, de imediato, os resíduos urbanos depositados quer, em alguns casos, por recorrerem aos serviços de falcoeiros que as afastam.
Graças a isso, tenho a noção, não comprovada cientificamente, que o problema está a diminuir rapidamente.
Resta a prática condenável de alguns equivocados “amigos dos animais” que colocam restos de comida na via pública e, assim, sustentam gatos, ratos e gaivotas.
Para além de assegurarem o sustento de uns quantos casais de gaivotas que se habituam a ir, à hora certa, comer estes restos, esta prática incentiva a reprodução de gatos, um predador altamente nocivo para a biodiversidade, particularmente para pequenos pássaros, répteis, borboletas, etc.
Se se se acondicionar devidamente o lixo doméstico, se houver cuidados na descarga de peixe nas lotas, se os pseudo “amigos dos animais” deixarem de colocar restos de comida na via pública, a população urbana de gaivotas-de-patas-amarelas em poucos anos regredirá para números aceitáveis não sendo necessário recorrer a medidas mais radicais e a caros estudos que servem para concluir o óbvio.
Em ecologia designam-se por “fatores limitantes” os parâmetros que controlam o desenvolvimento das populações animais ou vegetais: no caso das “gaivotas urbanas”, a disponibilidade de alimentação, de água, de locais para nidificação, as doenças e a falta de predadores são alguns dos parâmetros que importa ter em conta; a disponibilidade de alimentação é, contudo, o fator mais fácil de controlar e de efeitos mais imediatos.»

Mão pesada

O Porto de Alicante foi multado em 120 mil euros por violação de medidas contra a poluição ao não instalar três estações para medir a qualidade do ar. Informacion.

Bico calado

Foto de Facundo Arrizabalaga/EPA
  • «Era uma bela utopia: abrir os sites dos jornais e revistas aos comentários dos leitores, promovendo assim o debate, a troca de argumentos, a socialização do saber, o ideal democrático de uma esfera pública alargada e cada vez mais esclarecida, conforme ao projecto moderno de uma sociedade transparente. Resultou, afinal, numa forma tenebrosa de obscurantismo e fomentou a exibição pública das reacções intelectualmente primárias e socialmente reprovadas, como são a injúria e a agressão.» António Guerrreiro in Os comentários dos leitores - Público 11ago2017.
  • Destruir o grupo militante do Estado islâmico poderia levar À criação de um "império radical iraniano", alertou o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, 94 anos. CAPX.
  • Cerca de 89% dos espanhóis consideram as alterações climáticas um dos maiores problemas da atualidade, pior do que a economia global ou o Daesh. CTXT.
  • «(…) Aqui no Brasil, em Santa Bárbara D´Oeste (SP), há mais de 30 anos acontece a Festa Confederada. Com patrocínio estatal e incluída no calendário oficial do Estado de São Paulo, a festa, segundo os organizadores, foi organizada para “manter viva a memória dos nossos ancestrais” – ou seja, os confederados que, depois de derrotados nos sul dos Estados Unidos, vieram procurar abrigo no Brasil, onde ainda havia escravidão. A história desses ancestrais e de como chegaram a esta região do estado de São Paulo pode ser lida no livro “Brazil: the Home for Southerners” (“Brasil, lar dos sulistas”, em tradução livre), do reverendo Ballard S. Dunn. (…)» Ana Maria Gonçalves in The Intercept.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Espinho: a ESMGA merece uma prendinha


Nem as comemorações dos 60 anos de vida da ESMGA conseguiram merecer uma prendinha da autarquia local. 
Este espaço, a nascente da Escola Secundária Dr Manuel Gomes de Almeida (ESMGA), antiga Escola Comercial e Industrial de Espinho, continua a não estar adequado às necessidades de quem lá trabalha. 
Devidamente preparado, este espaço poderia servir de estacionamento aos automóveis dos professores e funcionários que lá trabalham, aliviando imenso a forte pressão que se verifica na entrada principal, no ângulo das ruas 30 e 35. Terá a ESMGA de celebrar outros tantos 60 anos para merecer esta prendinha?

Plantações de eucaliptos antecipam-se à data da aplicação da nova lei

Imagem captada aqui.
  • A Águas do Porto levou a cabo uma operação de limpeza e desobstrução do leito da ribeira da Granja, no troço da rua de Requesende, Ramalde. Era notório o crescimento excessivo da vegetação aquática e a deposição de sedimentos, pedras e outros obstáculos, que dificultavam o escoamento da água, provocando a sua estagnação e maus cheiros, com o consequente desconforto dos vizinhos. A ribeira da Granja, também conhecida por ribeira do Ouro, de Nossa Senhora da Ajuda, das Naus ou de Lordelo, possui uma das maiores bacias hidrográficas do concelho do Porto, com afluentes que atravessam as freguesias de Paranhos, Ramalde e Lordelo do Ouro. Encontra-se maioritariamente entubada (79,4%), apresenta uma extensão de 14,4 km (no Porto) e desagua no rio Douro. P.
  • Largos hectares de oliveiras e alfarrobeiras centenárias, e também amendoeiras e figueiras estão a ser arrancadas em várias zonas do Algarve, denuncia a Almargem, alertando para a destruição da paisagem mediterrânica e do património natural. Acontece no sítio da Balieira, entre Sta. Margarida e Sto. Estevão”, para instalação de um pomar de abacate. W.
  • «(…) não conseguiram fazer um plano de saneamento básico integral, negociações nas quais participei em 1998 pela Câmara de Gaia e em conjunto com as Câmaras de Espinho e Matosinhos. (…) Para cortar uma relva não é preciso dinheiro nem chegarmos à altura das eleições para arranjar os jardins e rotundas da cidade. Isso é algo que se deve fazer recorrentemente. (…) para tirar as areias dos passadiços basta lá ir um varredor. Os passeios da cidade estão por arranjar, contudo foi renovada a rua junto ao aeródromo de Paramos com candeeiros led de metro a metro. (…)». Delfim Sousa, candidato à CM de Espinho, in Maré Viva.
  • Embora o Presidente da República tenha promulgado a reforma da floresta, a lei, que entre outras medidas proíbe novas áreas de eucalipto, poderá entrar em vigor só em fevereiro. Como se temia, muitos já estão a plantar esta espécie, nalguns casos sem a devida autorização, procurando antecipar-se à implementação de uma lei que se prevê mais dura com os prevaricadores. Jornal de Leiria.

Reino Unido e EUA líderes do comércio de marfim legal

Imagem captada aqui.
  • O ministério do Ambiente da Dinamnarca acusou a Maersk Oil de derrames de substâncias químicas no Mar do Norte, em operações relacionadas com a produção de petróleo. Reuters.
  • O Reino Unido foi o maior exportador mundial de marfim legal, entre 2010 e 2015, para a China e Hong Kong. OS EUA foram o Segundo, diz o The Guardian. Fantástico: não sabia que havia tanto elefante e tanto rinoceronte nestes dois países.
  • Excrementos e preservativos após festa nas dunas de Derrynane, Irlanda. The Irish Times. Lá como
  • Um dia depois de ser processado por 15 estados, o ministro do Ambiente dos EUA, Scott Pruitt, reverteu a sua decisão anterior de adiar a aplicação da legislação da administração Obama no sentido de reduzir a poluição atmosférica. AP/San Francisco Chronicle.
  • Dezenas de leões-marinhos têm dado à costa ce2ntral da Califórnia depois de comerem peixe envenenado por uma camada de algas tóxicas que poderão espalhar-se para norte em direção à Bay Area e causar ainda mais problemas, alertaram biólogos marinhos. San Francisco Chronicle.

Mão pesada

A Abbot Point Bulk Coal Pty Ltd, do grupo indiano Adani, foi multada em mais de 12 mil dólares por despejar águas pluviais carregadas de carvão no mar, em Abbot Point, Austrália. A água descarregada contendo mais de oito vezes a quantidade de sedimentos legalmente permitida foi despejada por uma empresa ligada à família durante o ciclone Debbie em março. The Guardian.

Bico calado

Imagem captada aqui.
  • «(…) nos jogos em casa do Benfica, quem faz a realização? Quem disponibiliza as imagens ao videoárbitro? Quem as edita depois para as televisões? Como é que na TVI24 se via Seferovic e, por exemplo, na SIC, com o plano apertado, ele já não aparecia? Mistério! Queres ver que o videoárbitro também usa óculos encarnados?» Nicolau Santos in O videoárbitro só não acertou com o BenficaTribuna Expresso.
  • «(…) Mesmo os que se comportam como democratas, em países civilizados, não se coíbem de atropelar o direito internacional noutros países. Os quatro delinquentes que invadiram o Iraque foram eleitos democraticamente e jamais manifestaram a mais leve intenção de subverter nos seus países as regras democráticas sob as quais foram eleitos. Bush, Blair, Aznar e Barroso só não são julgados, e presos, por ser maior a força que os protege do que a razão que lhes assiste.(…)» Carlos Esperança, FB.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Barcelona proíbe circulação de scooters, segways e pedicabs na sua zona histórica

Garganta do Azat, Arménia.
  • A Câmara de Barcelona proibiu a circulação de cadeiras de rodas elétricas e scooters, segways e pedicabs na zona histórica da cidade após constantes queixas dos vizinhos devido ao mau uso por parte dos turistas. Isento desta proibição está o uso deste tipo de veículos por parte dos moradores na sua deslocação para o emprego ou no transporte dos seus filhos à escola, e ainda todo o tipo de bicicletas. El País.
  • Embora a Alemanha se tenha comprometido a reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa até 2020, o carvão, especialmente a linhite, continua a ser explorado em força pela RWE, que continua a expandir a mina de Hambach, engolindo aldeias inteiras no processo. Por isso, muitos observadores duvidam de que o país consiga cumprir as metas estabelecidas em Paris. DW.
  • A Turquia inaugurou a sua primeira central solar flutuante. Instalada num lago que abastece Istanbul de água, a central tem uma capacidade instalada de 250 quilovátios. DS.
  • Salmão transgénico está a ser vendido no Canadá sem qualquer tipo de rotulagem, fornecido pela norte-americana AquaBounty Technologies, a partir do Panamá. As autoridades canadianas dizem que três anos de ensaios garantem que esse salmão é tão seguro e nutritivo com o selvagem. Os ambientalistas apelaram às cadeias de supermercados para o retirarem das suas bancas. France24.
  • Uma árvore de eucalipto transgénico e tolerante ao congelamento está prestes a ser aprovada pelo Ministério da Agricultura dos EUA (USDA). O anúncio ocorre seis anos depois da empresa florestal e biotecnológica ArborGen ter apresentado uma petição ao USDA para a desregulamentação desta nova espécie e mais de uma década depois do início dos testes com esta árvore. Embora o ministério garanta não haver impactos significativos sobre o Ambiente e ser uma excelente fonte de biomassa, os ambientalistas garantem que a energia produzida pela biomassa não traz benefícios para o clima e alertam para o facto de o eucalipto exigir enormes quantidades de água, estimular os incêndios e poder tornar-se uma espécie invasora. Por outro lado, 65 cientistas avisam que a nova política do eucalipto nos EUA vai acelerar a desflorestação e agravar as alterações climáticas. O eucalipto pode crescer depressa mas a sua queima liberta todo o carbono armazenado e a sua reabsorção levará dezenas de anos. Recorde-se que o Brasil já aprovou uma árvore de eucalipto transgénico desenvolvida pela FuturaGene. OIA News.
  • Republicanos do Texas suspeitam que uma offshore nas Bermudas serve para financiar ativistas contra a fraturação hidráulica nos EUA e favorecer a venda de gás natural russo. O alerta foi dado por Lamar Smith e Randy Weber, deputados com fortes ligações às energéticas locais. Responsáveis por várias organizações ambientalistas consideram as suspeitas como fazendo parte de uma nova teoria da conspiração. NP.

Reflexão - Diplomatas de rédea curta


Os diplomatas norte-americanos devem tornear e evitar responder a questões colocadas por governos sobre o que será preciso fazer para convencer a administração Trump a envolver-se novamente no processo do Acordo de Paris, diz uma mensagem revelada pela Reuters.

Enviada pelo Secretários de Estado Rex Tillerson às embaixadas, a mensagem diz que os diplomatas deviam sublinhar que os EUA querem ajudar outros países a usar combustíveis fósseis.

Mão pesada

  • A Harcros Chemicals Inc., sedeada em Kansas City, foi multada em 950 mil dólares por violações de regras na qualidade do ar, e intimada a desenvolver um programa de melhorias e instalação de equipamentos de controlo da poluição nas suas unidades no valor de 2,49 milhões de dólares. EPA.
  • O Sacramento Suburban Water District e o Rio Linda Elverta Community Water District estão a processara Força Aérea dos EUA e 10 grandes fornecedores de crómio e outras substâncias químicas à base aérea de McClellan, exigindo 1,4 biliões de dólares para a despoluição de terrenos e águas subterrâneas contaminadas. The Sacramento Bee.
  • Vários grupos de cidadãos da Carolina do Norte vão processar a Dupont e a Chemours pela contaminação das suas águas pela toxina industrial usada no fabrico do Teflon e de outros produtos antiaderentes. The Intercept.

Bico calado

Animação de FrédéricVayssouze-Faure.
  • A Polícia Judiciária investiga alteração ao PDM de Cascais suspeita de beneficiar fundo imobiliário, conta o DN.
  • «(…) Que algumas das vítimas se prestem a encenar pequenos sketches perante as câmaras da TV, quase convertendo em paródia aspetos trágicos da sua existência, é, na verdade, lastimável. Mas é lastimável sobretudo para os profissionais da comunicação que a isso as incentivam e delas se aproveitam, transformando o seu desespero real em pobre arte circense, para gáudio e uso e abuso político de uns tantos. O despudor imoral de toda esta mistificação deveria provocar a mais gritante indignação de todos quantos têm da intervenção cívica uma visão, não digo elevada, mas decente. A situação de anomia pública a que chegámos nem sequer permite que essa necessária indignação se expresse. Muitos – e de todos os quadrantes– a quem verdadeiramente caberia transmiti-la parecem ter-se demitido de o fazer. Os poucos que o tentam ou são silenciados pelos meios de comunicação ou, pior, são por eles enxovalhados na arena mediática. Alguns, raros, ainda tentam resistir; outros, vexados, claudicam e deixam, quais “prima donnas” inexperientes, o espaço público àqueles que justamente tentaram denunciar. As instituições públicas, mais do que criticadas pelo seu desempenho, são mediaticamente achincalhadas, sem dó nem piedade, pelos “cães que ladram pelas vozes dos seus donos”, como dizia o poeta catalão Fèlix Cucurull. O que releva é desautorizá-las, pois, em algum momento, elas podem, ainda assim, resistir à demagogia e refletir a verdade que incomoda. Perante o óbvio desmascaramento de falsas situações noticiadas com estrondo, nenhum órgão de comunicação social que delas se fez eco se autocritica e nenhum profissional dos media que delas fez alarde parece sentir qualquer vergonha pelo papel que, nessa artimanha, lhe coube desempenhar. Preferem, por isso, entrevistar-se uns aos outros, justificando-se mutuamente com uma indulgência que não aplicam àqueles que lhes ordenaram enxovalhar. Talvez por isso, como em artigo recente do “El País” se dava conta, o jornalismo comece hoje a ser olhado, mais do que como um instrumento necessário da democracia, como um instrumento de dominação, apenas útil à manutenção do statu quo.» António Cluny in Necrofilia, incêndios e falta de decência – A vida e a lei, via Clube de Jornalistas.
  • «O populista não ouve o povo — põe palavras na boca do povo. O populista não quer unir o povo, mas dividi-lo. O populista não quer, aliás, saber do povo para nada. Quer saber apenas de si mesmo e do seu sucesso. A palavra “povo” como raiz do termo “populista”, na sua acepção contemporânea, é apenas uma triste coincidência e um dano colateral à partida. Na verdade, nós nem deveríamos chamar populistas a estes demagogos. Chamar-lhes apenas mentirosos e desonestos seria analiticamente mais rigoroso.» Rui Tavares in Os populistas não querem saber do povoPúblico 9ago2017.
  • Ari Harow, braço direito de Benjamin Netanyahu, está a depor contra o primeiro-ministro israelita. Tudo relacionado com investigações sobre alegados subornos recebidos por Natanyhau. Público.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Espinho: a morte lenta das árvores


Em Espinho, na zona do Rio Largo e noutras, é assim que se prepara, lentamente, a eutanásia das árvores.

Festival Sudoeste é sinónimo de lixo

  • Campistas deixam rasto de lixo depois do festival Sudoeste, na Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar, em Odemira. A população diz-se indignada porque muitos campistas abandonaram o recinto deixando para trás montanhas de resíduos, situação que, admitem os vizinhos, é habitual todos os anos. Funcionários da autarquia procedem à limpeza. CM. Pois claro. Só falta a autarquia publicar quanto faturou por este festival.
  • Mais de 1.400 queixas oficiais de prejuízos nas culturas onde foi aplicado o herbicida dicamba foram registradas em 17 estados norte-americanos. Os danos cobrem mais de 2,5 milhões de acres levantam questões sobre se a nova formulação de dicamba é realmente a causa do dano generalizado da deriva. Frutas e vegetais, bem como outras culturas que não são geneticamente modificadas para tolerar o dicamba transformam-se muitas vezes em conchas e aparecem distorcidas quando expostas ao produto químico. EcoWatch.
  • Jacques de Queiroz Ferreira, juiz de Minas Gerais, no Brasil, suspendeu temporariamente os processos penais contra 22 pessoas e quatro empresas acusadas de matar 19 pessoas na sequência do desastre da mina Samarco em 2015, sobre a legalidade de escutas telefónicas entre executivos envolvidos e outras provas. A Vale SA e a BHP Billiton, co-proprietárias da mina de minério de ferro de Samarco, estão entre as pessoas acusadas de crimes relacionados com uma barragem de efluentes que desencadeou uma torrente de resíduos considerado o pior desastre ambiental do Brasil. Reuters. Para recordar esta triste tragédia e alguns dos seus contornos mais sujos, convirá (re)ler o que o este blogue foi registando através destas postas.
  • Mais de 9 mil toneladas de óleo de palma derramaram de um navio de carga na sequência de uma colisão, provocando o encerramento de pelo menos 11 praias em Hong Kong, avistamentos de peixes mortos a dar à costa e relatos de maus cheiros. EcoWatch.

Bico calado

Cartoon de Carlos Latuff.
  • Eu, “antidemocrata”me confesso, por Nuno Ramos de Almeida, i: «[excertos] A subida ao poder de Hugo Chávez, eleito em 1998, e tomando posse em 1999, veio alterar os dados da situação. O novo poder colocou a companhia petrolífera nas mãos do Estado e usou os rendimentos desta para fazer um conjunto de programas sociais que permitiram às populações dos bairros pobres aceder à saúde, educação e saírem do limiar da pobreza. Esta política de redistribuição dos petrodólares, não alterou a estrutura de propriedade de poder económico do país, mas retirou dezenas de milhões de venezuelanos da pobreza e permitiu que muitos deles começassem a participar no processo político. Tal como antes, a maioria esmagadora da comunicação social era propriedade de grupos privados hostis a Hugo Chávez. Em 2002, esses grupos, criaram situações de violência e manipularam imagens, fazendo passar um incidente que começou com um tiroteio contra manifestantes chavistas, por um ataque a manifestantes da oposição por forças policiais. Com base nessa manipulação, forças militares contra o governo provocaram um golpe de Estado e prenderam o presidente eleito Hugo Chávez. Esse golpe foi imediatamente reconhecido pelos EUA. Nele participaram os órgãos de comunicação social e os atuais políticos que dirigem, nos dias de hoje, a oposição. A descida de milhares de manifestantes dos bairros populares, e a ação de forças militares fiéis ao presidente, conseguiram derrotar o golpe. Nenhum dos intervenientes passou muito tempo na prisão por aquilo que tinha sido feito. Passado um breve período, tudo estava na mesma: os grupos de comunicação social continuavam a fazer “notícias” hostis ao governo e os dirigentes golpistas mantinham-se em liberdade a dirigir a oposição. Em 20 eleições democráticas realizadas, os chavistas ganharam 18. Grande parte com enormes vantagens. Nas restantes duas, Chávez foi derrotado com margem mínima num referendo para um novo texto constitucional que pressupunha a possibilidade de voltar a candidatar-se, e, mais recentemente, Maduro, depois de ter ganho as presidenciais, num país em que o poder executivo é do presidente, perdeu as eleições legislativas em que o PSUV teve 41% e a oposição do MUD, 56%. Nessas eleições verificou-se a “deserção” do voto popular das grandes cidades, dos chavistas para a oposição, tendo o PSUV vencido apenas nas regiões pobres e rurais. Essa derrota é explicada, em grande medida por um conjunto de fatores, os governos de Chávez e de Maduro não conseguiram mudar a estrutura da economia venezuelana, nem do ponto de vista da posse e do poder económico, nem da sua dependência em relação ao petróleo. Este significa 90% das exportações venezuelanas e cerca de 12% do PIB. Aquilo que tinha contribuído para diminuir a pobreza na Venezuela, tinha sido a redistribuição através de programas sociais dos lucros do petróleo. Mesmo antes da crise de 2008, a situação mudou radicalmente, os EUA, com o apoio da Arábia Saudita, conseguiram diminuir o preço do barril de petróleo de uma forma abrupta e isso prejudicou economias de países como Angola, Irão, Rússia, Venezuela e até Brasil. No caso destes dois últimos países, a aposta dos governos de esquerda tinha sido não tocar na estrutura de propriedade do tecido produtivo e apostar apenas numa maior redistribuição social dos lucros das petrolíferas. Com a crise, este programa ficou em ponto morto. A crise económica tirou margem de manobra ao governo venezuelano e a situação agravou-se com a perda de cerca de 30% do PIB, desde os anos do início da crise. No campo partidário, a oposição, apoiada e subsidiada pelos EUA, apostou num plano que tem dado frutos em outros países, agudizar a violência nas ruas, de modo a que o resto de legitimidade democrática do chavismo termine, e se esqueça o facto de ter contribuído para o fim da pobreza de grande parte da população. Estas técnicas estudadas e sistematizadas por Gene Sharp têm-se mostrado eficientes na Sérvia, na Ucrânia, no Quirguistão, na Geórgia e noutros países em que foram utilizadas, com o apoio do Pentágono. Este processo conta com uma autêntica campanha mediática, que tem muito pouco a ver com jornalismo, cujo objetivo é multiplicar o número de mortos entre os manifestantes e esconder os atos de violência da oposição. Só assim se percebe que a maioria dos jornais espanhóis publiquem a fotografia de uma explosão, dizendo que é violência chavista, quando foi um atentado numa esquadra. As televisões afirmem que foram assassinados candidatos, “esquecendo-se”, que eram chavistas que se candidatavam à Constituinte. Que a comunicação social não divulgue notícias sobre chavistas queimados vivos por opositores. E que os média garantam que os números da consulta popular realizada pela oposição são verdadeiros, sem que os registos dos votos e cadernos eleitorais sejam públicos, enquanto contestem a legitimidade da eleição da Constituinte, dizendo-a ilegal, sem se darem ao trabalho de ler o artigo 348 da Constituição, que a regulamenta. Esta cobertura enviesada não serve para denunciar a violência política e a falta de democracia na Venezuela, ela serve para legitimar um golpe de Estado ou uma maior intervenção estrangeira. É a nova lenda das “armas de destruição maciça no Iraque”. Aquilo que os EUA e as oligarquias locais e mundiais contestam na Venezuela não é serem dirigidas por um incapaz, ou até o crescente autoritarismo do governo de Caracas: os EUA e os seus aliados europeus dão-se muito bem com regimes, como o da Arábia Saudita, que condenou, recentemente, à morte 14 pessoas pelo crime de se manifestarem contra a monarquia, e onde não há nem oposição, nem órgãos de comunicação social contrários ao governo. O que esses poderes mundiais nunca perdoaram ao chavismo foi a tentativa de promover uma maior igualdade económica e colocar os pobres no centro da ação política. É isso que é imperdoável para quem manda neste mundo. Como disse Assange, se a Venezuela tivesse a constituição da Arábia Saudita, tudo estaria bem para Washington e o petróleo em “boas mãos”
  • On the beach 2017. O sinal da guerra nuclear, por John Pilger, in TruePublica: «(Trad. Livre e sumariada] O Congresso dos EUA aprovou uma lei para fazer guerra económica à Rússia, a segunda potência nuclear mais letal do mundo. A única justificação é a promessa de pilhagem. As "sanções" visam também a Europa, principalmente a Alemanha, que depende do gás natural russo e de empresas europeias que fazem negócios legítimos com a Rússia. O embargo foi concebido para forçar a Europa a importar gás americano caro. O objetivo principal parece ser a guerra - guerra real. Nenhuma provocação pode sugerir qualquer outra coisa. Eles parecem desejá-la, embora os americanos não saibam o que é a guerra. A Guerra Civil de 1861-5 foi a última no seu país. A guerra é o que os Estados Unidos fazem aos outros. A única nação que usou armas nucleares contra seres humanos, destruiu, desde então, dezenas de governos, muitas deles democracias, e destruíram sociedades inteiras - o milhão de mortes no Iraque foi uma fração da carnificina na Indochina, que presidente Reagan chamou "uma causa nobre". O ano passado, quando eu filmava no Lincoln Memorial, em Washington, ouvi um guia a falar para um grupo de jovens estudantes. "Ouçam", disse ele. "Perdemos 58 mil jovens soldados no Vietname, e eles morreram a defender a tua liberdade". Subitamente, a verdade tinha sido invertida. Nenhuma liberdade foi defendida. A liberdade foi destruída. Um país campesino foi invadido e milhões de pessoas foram mortas, mutiladas, espoliadas, envenenadas. Faz-se uma lobotomia em cada geração. Os factos são apagados. A história é apagada e substituída pelo que a revista Time chama de "um eterno presente". Harold Pinter descreveu isso como "manipulação do poder em todo o mundo, enquanto se disfarça como uma força para o bem universal, um ato de hipnose brilhante, até mesmo espirituoso e bem sucedido [o que significava] que nunca aconteceu. Nada aconteceu. Mesmo quando estava acontecendo, não estava a acontecer. Não importava. Não interessava. Prepara-se um golpe contra o homem na Casa Branca. Não porque ele seja um odioso ser humano, mas porque ele fez saber que não quer guerra com a Rússia. Este vislumbre de sanidade ou pragmatismo simples é um anátema para os gestores da "segurança nacional" que protegem um sistema baseado em guerra, vigilância, armamentos, ameaças e capitalismo extremo. Eles cercaram a Rússia e a China com mísseis e um arsenal nuclear. Eles usaram neonazis para instalar um regime instável e agressivo na fronteira da Rússia - o seu objetivo é desmembrar a Federação Russa moderna. Mas a ameaça é simultânea. A Rússia é a primeira, a China é a próxima. Os EUA acabaram de completar um grande exercício militar com a Austrália chamado O Sabre Talisman. Treinaram um bloqueio do Estreito de Malaca e do Mar da China Meridional, as principais vias económicas da China. O almirante que comanda a frota dos Estados Unidos no Pacífico disse que, "se necessário", ´mandava bombas atómicas sobre a China. Mas isto não foi considerado notícia. A reportagem honesta já não é bem-vinda em grande parte dos media. Predominam as picaretas falantes: os editores são gestores de infodiversão ou porta-vozes de partidos. Onde havia sub-edição, há agora uma catadupa de clichês. Os jornalistas que não cumprem são descartados. A lei aprovada pelo Congresso é bipartidária. Não há diferença entre democratas e republicanos. Os termos "esquerda" e "direita" já não fazem sentido. A maioria das guerras modernas da América foi iniciada não por conservadores, mas por democratas liberais. Obama presidiu a um recorde de sete guerras, incluindo a guerra mais longa dos Estados Unidos e uma campanha sem precedentes de assassinatos extrajudiciais - assassinatos - por drones. No seu último ano, segundo o Council on Foreign Relations, Obama, o "o relutante guerreiro liberal", lançou 26.171 bombas - três bombas por hora, 24 horas por dia. Tendo prometido ajudar a "livrar o mundo" das armas nucleares, o Nobel da Paz construiu mais ogivas nucleares do que qualquer presidente desde a Guerra Fria. Trump é um fraco fanfarrão. Foi Obama - com sua secretária de estado Hillary Clinton ao seu lado - que destruiu a Líbia como um estado moderno e lançou a cavalgada para a Europa. Em casa, os grupos de imigrantes chamavam-no de "deportador em serviço". Um dos últimos atos de Obama como presidente foi assinar um projeto de lei que entregou um recorde de 618 bilhões de dólares ao Pentágono, refletindo a crescente ascensão do militarismo fascista na governança dos Estados Unidos. Trump aprovou isso.»