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quarta-feira, 27 de maio de 2026

ALENTEJO: GALP ABANDONA EÓLICA DAS CACHENAS

  • A Galp abandonou o projeto do Parque Eólico das Cachenas, que previa a instalação de 19 aerogeradores nos territórios de Vila Nova de Milfontes, Porto Covo, Sines e Santiago do Cacém, com uma capacidade total de 129,2 megawatts. O projeto destinava-se ao autoconsumo para abastecer de energia renovável a unidade de produção de hidrogénio verde GalpH2Park, em Sines. A decisão surge após um processo marcado por forte oposição popular e institucional. A desistência cria um problema estratégico para a Galp. O GalpH2Park, com um eletrolisador de 100 MW — o maior da Europa —, deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2026, e sem produção própria de energia renovável, a empresa terá de recorrer à rede elétrica, com impacto nos custos e nas credenciais “verdes” do hidrogénio produzido em Sines. Fonte.
  • A Águas de Santo André e a Universidade de Évora vão estudar a utilização da água residual tratada na produção de hidrogénio verde, no âmbito do projeto H2tALENT — Alentejo Green Hydrogen Valley. A iniciativa representa uma aposta inédita na convergência entre economia circular e transição energética. A produção de hidrogénio verde por eletrólise exige grandes volumes de água — um recurso escasso numa região sujeita a episódios crescentes de seca. A utilização de água residual tratada em vez de água potável ou de recursos hídricos naturais constituiria uma resposta inovadora a esse desafio, transformando um resíduo numa matéria-prima para o combustível do futuro. Fonte.

GRÉCIA: QUEDA DE NEVE BATE MÍNIMOS EM 40 ANOS

Uma vista aérea mostra a neve a derreter nas encostas do Monte Parnassos, no centro de esqui de Kelaria, na Grécia central, a 5 de maio de 2026. (AP Photo/Thanassis Stavrakis)
  • A Grécia perdeu mais de metade da sua cobertura de neve nas montanhas nos últimos 40 anos, a um ritmo mais rápido do que noutras grandes cadeias montanhosas, como os Andes ou os Himalaias, impulsionado principalmente pelo aumento das temperaturas devido às emissões de gases com efeito de estufa. Isto torna a vegetação mais seca, o que representa maior risco de incêndio em florestas que, anteriormente, não arderiam. As nascentes estão a secar e os reservatórios não estão a encher. Os impactos económicos são visíveis, nomeadamente no setor do esqui, cujas empresas registaram uma redução de 30% durante o Natal. O município estuda a construção de pequenas barragens para captar água e os residentes estão a tornar-se mais conscientes do desperdício de água. Fonte.
  • Nos últimos cinco anos, pelo menos 67 enfermarias, departamentos e outras instalações hospitalares do Serviço Nacional de Saúde em todo o Reino Unido foram obrigadas a encerrar temporariamente ou a mudar de local devido a inundações causadas por condições meteorológicas. Fonte.
  • Milhões de salmões de criação morreram em instalações de aquicultura escocesas e a Agência de Saúde Animal e Vegetal do Reino Unido tentou impedir a divulgação de informações sobre as causas dessas mortes. Fonte.
  • Técnicos do sistema de drenagem de Nueces, no Texas, descobriram um tubo desconhecido durante uma inspeção de rotina a uma vala de drenagem em janeiro de 2026. O tubo estava a descarregar um líquido muito escuro, quase preto, numa vala de drenagem pública. Confirmou-se que o tubo estava ligado à refinaria de lítio da Tesla. A Tesla possuía uma licença de descarga de águas residuais emitida pelo estado, que permitia a descarga de até 231 000 galões/dia de águas residuais tratadas na vala. No entanto, os responsáveis afirmam nunca terem sido notificados e que a Tesla não tinha permissão para instalar um tubo na sua servidão. Fonte.

REFLEXÃO

LIPOR E BP PORTUGAL INAUGURAM ESCOLA DA NATUREZA PARA PROMOVER A BIODIVERSIDADE


Localizada nas margens do rio Tinto, a iniciativa nasce numa área anteriormente utilizada como aterro, agora recuperada e devolvida à comunidade como espaço de aprendizagem, regeneração e contacto direto com a natureza.

Segundo António Silva Tiago, presidente da LIPOR, o projeto reflete a ambição da entidade de ir além da transformação de resíduos em recursos. “Mais do que transformar resíduos em recursos, é cuidarmos da vida que renasce”, afirma o responsável, sublinhando a integração da biodiversidade na estratégia da LIPOR, através do conceito “Lado B — o lado da Biodiversidade”.
Para Silvia Barata, presidente da bp Portugal, a dimensão de recuperação ambiental e o impacto positivo do projeto justificaram o apoio da empresa. A responsável destaca que a iniciativa está alinhada com as metas de sustentabilidade da bp Portugal, nomeadamente no que diz respeito à colaboração com outras entidades para apoiar a restauração da biodiversidade.

A Escola da Natureza foi concebida como um espaço de sensibilização ambiental e aprendizagem experiencial, destinado a visitantes de todas as idades. O projeto incluiu a renaturalização e recuperação de uma área florestal com recurso a soluções de base natural, bem como a criação de um trilho off-road e sensorial, postos de observação da biodiversidade e abrigos para a fauna.
Mais do que um espaço físico, a Escola da Natureza pretende proporcionar uma experiência imersiva e pedagógica, aproximando a comunidade dos ecossistemas naturais. Através de atividades interativas, o projeto procura estimular comportamentos responsáveis, reforçar a consciência ambiental e promover uma relação mais sustentável com a biodiversidade. Fonte.

A BP é uma empresa historicamente associada a atividades de alto impacto ambiental (exploração e comercialização de combustíveis fósseis), setor responsável por uma parcela significativa das emissões de gases com efeito de estufa.
Projetos como escolas da natureza, plantio de árvores ou ações de educação ambiental podem servir para desviar a atenção das atividades principais poluentes da empresa, sem mudanças estruturais no seu modelo de negócio.
Quando uma empresa poluidora apoia pequenos projetos ambientais locais, há o risco de estes serem usados mais para melhorar a sua imagem pública — uma "operação de charme" — do que para compensar os danos reais causados.


Estamos, pois, conversados.

BICO CALADO

  • Israel abriu 25 quilómetros de valas de terra ao longo da «linha amarela» em Gaza e está a fortificar 38 bases militares na parte oriental do território que controla. Imagem de Forensic Architecture.
  • Grupo Águas de Portugal aumenta resultado líquido para 107,9 milhões em 2025. Fonte.
  • Perícia ao navio NRP Mondego desmente Gouveia e Melo. Análise técnica pedida pelo tribunal concluiu que navio, ao contrário do que a Marinha defendeu, apresentava "um estado generalizado de degradação com impacto direto na segurança", tal como 13 marinheiros têm alegado desde março de 2023, quando se recusaram a embarcar numa missão. Fonte.
  • O governo salvadorenho de Bukele tem promovido os interesses comerciais da irmã da primeira-dama através de contratos públicos milionários, promoção oficial e opacidade, recorrendo a uma empresa intermediária (Apamo) para ocultar o vínculo familiar e o possível conflito de interesses. Fonte.
  • As operações secretas de «propaganda negra» da Grã-Bretanha. JOHN McEVOY, Declassified UK.

terça-feira, 26 de maio de 2026

BRAGANÇA: MINA TRAVADA JUNTO À FRONTEIRA

  • A Junta de Castela e Leão decidiu não atribuir a licença ambiental ao projeto mineiro, designado Valtreixal, situado em Calabor a cerca de cinco quilómetros do Parque Natural de Montesinho. Rui Loureiro, membro do Movimento Uivo, explica que “pela sua dimensão e caraterísticas, este projeto teria um impacto significativo na qualidade de vida da população raiana, na economia local e no Parque Natural de Montesinho. Esta mina estava projetada em área da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica e da Rede Natura 2000, classificações reconhecidas a nível mundial pelo excecional valor do seu património natural. A execução do projeto colidiria com a preservação deste património classificado, com os interesses e direitos da população e com os interesses ambientais, sociais e económicos não só da região, mas também de todo o nosso país, uma vez que a mina previa a utilização de toneladas de dinamite, a construção de uma linha de alta tensão de 10 quilómetros e de uma fábrica de tratamento de minério, a passagem diária de dezenas de veículos pesados, o armazenamento e aterragem de resíduos perigosos e a criação de uma escombreira de grande dimensão. Estas ações teriam impactes transfronteiriços na paisagem, na biodiversidade, na qualidade do ar e da água, destruindo a flora e habitat de animais selvagens tais como veados, águias e raposas, alguns classificados como ameaçados ou em risco de extinção, como o lobo ibérico, a águia-real e a cegonha preta. Fonte.
  • Soutos do Zoio, em Bragança, enfrentam pior cenário desde o aparecimento da praga da vespa da galha do castanheiro. Fonte.
  • Apoiantes do Climaximo atiraram tinta vermelha à fachada da Thales, numa ação de protesto contra a crescente militarização da sociedade, e como alerta da urgência de parar o imperialismo fóssil. A Thales é a 4ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos. Tem sido um alvo regular de protestos internacionais, pela sua parceria com a empresa israelita Elbit Systems, uma das principais produtoras de armas usadas no genocício em Gaza. Fonte.
  • Referindo-se a uma taxa de cancro 25% superior na sua comunidade em comparação com o resto de Alberta, o chefe Billy-Joe Tuccaro, da Primeira Nação Mikisew Cree, está a processar os governos provincial e federal, alegando que décadas de desenvolvimento industrial e a incapacidade de gerir os impactos cumulativos na saúde violaram os direitos da Nação decorrentes do Tratado 8. Fonte.

REFLEXÃO

LEGISLAÇÃO CONFERE AO RIO WYE O DIREITO DE ESTAR LIVRE DE POLUIÇÃO
Nicola Goodwin, BBC. Trad. O’Lima.


O rio Wye tornou-se o primeiro rio do Reino Unido a receber direitos transfronteiriços que o abrangem desde a nascente até ao mar.

A carta, lançada em Hay-on-Wye, reconhece a importância do rio para as pessoas e para a natureza, tanto no presente como no futuro. Foi aprovada por câmaras municipais, ativistas e grupos ambientalistas de Inglaterra e do País de Gales.

«O rio tem o direito de desempenhar as suas funções naturais e de estar livre de poluição», afirmou a vereadora Elissa Swinglehurst, que assinou a carta em nome da Câmara Municipal de Herefordshire.

A vereadora de Herefordshire, Elissa Swinglehurst (à esquerda), ajudou a elaborar a carta

O rio Wye tem 250 km de comprimento e nasce no País de Gales, atravessa os condados de Herefordshire e Gloucestershire, em Inglaterra, antes de voltar a atravessar a fronteira.

«Esperamos que o que fizemos aqui hoje chegue às salas paroquiais, às comunidades, aos salões das aldeias, às quintas e às escolas», afirmou Swinglehurst, que ajudou a elaborar a carta.

«Esperamos que isto sensibilize as pessoas para o facto de que o rio tem o direito de ser respeitado. Imaginem se o rio Severn o fizesse, depois o Avon, depois o Tamisa. Se todos os rios fizessem isto, então certamente a alteração constitucional para considerar os direitos da natureza seria, pelo menos, possível.»

A carta foi lançada por centenas de apoiantes que caminharam desde o local do Hay Festival até ao Warren, um espaço público aberto junto ao rio Wye.

O rio Wye tem sido afetado por algas que tornam a água verde

O rio Wye é um dos rios mais famosos do Reino Unido, mas tem vindo a ficar mais poluído nos últimos anos. Tem sido alvo de muitos processos judiciais, com ativistas a alegarem que a poluição proveniente da agricultura e das águas residuais tem levado à proliferação de algas, privando a vida selvagem de oxigénio.

Está protegido pela legislação de conservação, mas o estado do rio foi rebaixado para «desfavorável – em declínio» pela Natural England.

A nova carta foi aprovada pelos conselhos de Herefordshire e Forest of Dean, bem como pela Associação dos Parques Nacionais de Bannau Brycheniog (Brecon Beacons) e pela Wye Valley National Landscape.

Os conselhos de Powys e Monmouthshire também estiveram representados na cerimónia.

O rio Ouse, em Sussex, foi o primeiro na Inglaterra a obter uma carta de direitos, mas o rio Wye é o primeiro rio no País de Gales a ser abrangido por um documento deste tipo.

O Conselho de Herefordshire afirma que a carta confere ao rio Wye uma série de direitos «destinados a orientar a proteção e recuperação a longo prazo do rio e da sua bacia hidrográfica».

O direito de fluir e desempenhar funções naturais, o direito à biodiversidade O direito de estar livre de poluição, o direito de ser sustentado por uma bacia hidrográfica saudável, direito de se regenerar, o direito à representação.

A marioneta «Deusa do Wye» participou na cerimónia em Hay-on-Wye

A ecologista Dra. Louise Bodnor foi nomeada «Voz do Wye» em abril de 2025. Foi escolhida pelo Conselho de Gestão de Nutrientes da Bacia Hidrográfica do Wye, do Conselho de Herefordshire, para falar em nome do rio e votar em seu nome nas reuniões oficiais.

Esta função foi criada para proteger o rio da poluição, conferindo-lhe uma voz jurídica e ecológica nas decisões de gestão.

BICO CALADO

Foto: 
Elli Birch/IPS/Shutterstock
  • A Direção‑Geral da Educação (DGE) autorizou, desde 2011, que a empresa privada Advance Station (antiga Joviform) recolhesse dados de alunos do ensino público através de “inquéritos” e “testes vocacionais”. Esses dados foram posteriormente usados para vendas agressivas e enganosas de cursos, prática que está agora sob investigação criminal. A DGE permitiu que a empresa aplicasse um “inquérito” chamado Inventariação de Interesses – AIST em alunos do 2.º ciclo ao secundário. O inquérito tinha erros ortográficos, falta de rigor científico e era inadequado para as idades. A autorização classificava a empresa como “entidade privada”, apesar do conflito de interesses: a Advance Station vendia cursos. A empresa recolhia contactos e informação pessoal dos alunos, a partir dos quais contactava encarregados de educação para vender cursos, alegando parcerias com escolas. O método incluía “reuniões” onde eram oferecidas “bolsas” e “descontos” — práticas consideradas enganosas. A partir de 2014, a empresa passou a atuar através da suposta associação AILE, que não tem registos públicos (NIF, órgãos sociais, escritura), usou o NIF de outra associação (NCDC) e submeteu vários inquéritos à DGE, alguns aprovados, outros suspensos. Os “investigadores” da AILE eram, na verdade, funcionários e comerciais da empresa. A DGE não verificou a credibilidade científica dos testes, a identidade e credenciais dos “investigadores” e o u uso posterior dos dados recolhidos. Queixas sobre práticas abusivas da empresa existem desde 2006, mas nunca travaram o acesso às escolas. Após a denúncia do Página Um, o Ministério da Educação suspendeu todas as atividades da AILE/Advance Station nas escolas, estando o caso a ser investigado pelo DIAP de Lisboa. Apesar disso, a empresa continua a contactar pais fora das escolas. Fonte.
Filipe Froes promoveu Paxlovid como absolutamente fantástico para curar a covid-19, mesmo numa altura em que a sua necessidade era questionável. Contribuiu para fazer aumentar a facturação da Pfizer em 2022. Quatro anos depois, um estudo internacional mostra que serve de pouco mais do que nada. Foto: D.R.
  • Paxlovid: a deplorável história do antiviral da Pfizer promovido por Filipe Froes (e outros delegados de propaganda farmacêutica). Um novo estudo publicado no New England Journal of Medicine, com mais de quatro dezenas de investigadores, concluiu que o medicamento não reduziu hospitalizações nem mortes. Portugal gastou cerca de 20 milhões de euros neste fármaco só em 2022 e continuou a adquiri-lo até ao ano passado. Globalmente, a Pfizer encaixou cerca de 28 mil milhões de dólares com este produto. Fonte.
  • Através da FLAD, Durão Barroso dá prémio (e 100 mil euros) a um instituto da Universidade Católica onde é director. Frederico Duarte Carvalho, Página Um.
  • A Sonae Sierra, em parceria com o grupo alemão Hahn Gruppe, criou um novo fundo imobiliário focado no retalho alimentar no sul da Europa, tendo já realizado as suas primeiras aquisições, envolvendo lojas Continente em Marinha Grande e Benedita e um hipermercado Eroski em Espanha. O fundo pretende expandir-se para Portugal, Espanha, Alemanha e Itália, incluindo segmentos como retalho alimentar, centros comerciais, lojas de rua, escritórios, logística, hotelaria e residencial especializado. A Sonae Sierra cCriou um fundo com o Crédito Agrícola (CA Mais Capital), comprou hotéis em Lisboa através de um veículo com a norte‑americana PGIM e está entre os finalistas para adquirir 17 centros comerciais da família Balkany em Espanha. Entrou no segmento Build to Rent em Portugal, em parceria com a construtora Casais. Fonte.
  • A um ano do fim do seu mandato, Emmanuel Macron recorre intensamente ao seu poder de nomeação para colocar pessoas próximas em cargos-chave do Estado com o objetivo de bloquear de forma duradoura as instituições e dificultar a ação de um eventual futuro presidente que se afastasse da sua linha política. Estas práticas ilustram uma deriva autoritária da Quinta República, já fragilizada por as crises sociais e ambientais. Fonte.
  • A Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp) vive hoje uma contradição profunda: lucros recorde, mas moral interna em colapso. Os funcionários, antes atraídos por salários altos, prestígio e a sensação de “mudar o mundo”, agora percebem que ajudaram a construir uma máquina cujo propósito real sempre foi explorar atenção, dados e emoções — e que essa mesma máquina está agora a voltar‑se contra eles. Fonte.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

NORUEGA: COMO SE EXPORTA A CADEIA DE ABASTECIMENTO MAIS POLUÍDA

Foto de Katja Ano no Unsplash

A Noruega apresenta-se como líder ambiental, com fiordes imaculados e salmão de viveiro «sustentável», mas os verdadeiros custos ecológicos e sociais da indústria são exportados — especialmente para a África Ocidental —, enquanto os danos ambientais no próprio país são minimizados ou ocultados.

A indústria de criação de salmão da Noruega é gigantesca — 1,25 milhões de toneladas exportadas em 2024. Mas as imagens idílicas dos fiordes escondem vários problemas: os surtos de piolhos do mar, intensificados pelo aquecimento das águas, afetam tanto o salmão de criação como o selvagem; cerca de 57,8 milhões de salmões de viveiro morreram em 2020; os tratamentos químicos e térmicos prejudicam os ecossistemas e o bem-estar dos peixes; centenas de milhares de salmões de viveiro escapam anualmente, causando poluição genética nas populações selvagens; o excesso de ração e resíduos acumula-se sob as gaiolas, alterando os ecossistemas bentónicos; o cobre das redes antivegetativas aumenta a toxicidade; a aplicação dos regulamentos é fraca e depende fortemente da autoavaliação da indústria.

Dados: Instituto para os Oceanos e a Pesca da UBC, 2025, e Conselho Norueguês dos Produtos do Mar, 2024. Fluxo de farinha de peixe e óleo de peixe das fábricas costeiras da África Ocidental para as jaulas de salmão norueguesas, e de filetes de salmão de viveiro para os mercados europeus. Ilustração do autor utilizando Python.

O salmão norueguês «limpo» depende de uma cadeia de abastecimento suja e extrativista no estrangeiro, especialmente na Mauritânia e no Senegal. Tudo porque o salmão de viveiro não produz ómega-3 e tem tem de ser obtido do óleo de peixe, que provém da Sardinella, da Anchoveta e da Menhaden, peixes essenciais na alimentação da África Ocidental. O seu desvio contribui para a insegurança alimentar, a desnutrição infantil e a perda de meios de subsistência nas comunidades costeiras. O ómega-3 comercializado nas embalagens do salmão norueguês é, literalmente, ómega-3 retirado dos pratos da África Ocidental. Fonte.

REFLEXÃO

BARRAGENS NÃO RESOLVEM DESERTIFICAÇÃO; RESOLVEM ESTATÍSTICA


A desertificação é hoje apresentada como uma consequência inevitável das alterações climáticas. Um fenómeno quase abstracto, explicado em gráficos e mapas de risco, que parece acontecer apesar das decisões humanas e não por causa delas. No terreno, porém, a leitura é outra. O que se observa, de forma consistente, é um processo acelerado por escolhas técnicas erradas, repetidas durante décadas, muitas vezes com boa intenção e maus resultados.

Entre essas escolhas, a aposta recorrente em grandes barragens ocupa um lugar central. São obras visíveis, quantificáveis, politicamente defensáveis. Aumentam a capacidade instalada de armazenamento de água, geram indicadores claros e permitem comunicar acção. O problema é que resolvem estatística, não resolvem paisagem.

A desertificação começa no solo. Começa quando o solo perde estrutura, quando a matéria orgânica desaparece, quando a vida biológica entra em colapso e a capacidade de infiltração é reduzida a quase nada. Um solo compactado transforma cada episódio de chuva num evento de escoamento superficial. A água não entra; foge. Arrasta partículas finas, nutrientes e o pouco capital ecológico que resta.

Quando isto acontece de forma generalizada numa bacia hidrográfica, o efeito é conhecido. Picos de cheia mais rápidos e violentos, seguidos de longos períodos sem água disponível na paisagem. O paradoxo instala-se: mais chuva anual, menos água útil. É aqui que entra a barragem como resposta padrão. Capta-se a água a jusante, armazena-se num grande volume, regula-se o caudal. O indicador melhora. O processo ecológico mantém-se degradado.

Barragens não actuam sobre o território a montante. Não reconstroem solos, não aumentam infiltração, não restauram ciclos biológicos. Pelo contrário, tendem a cristalizar o problema, ao legitimar a continuação de práticas que degradam a paisagem. Se a água «já está assegurada» mais abaixo, a montante pode continuar compactada, exposta e simplificada.

Este modelo ignora uma evidência básica: a água só é recurso quando está no lugar certo, à velocidade certa e no tempo certo. Um reservatório cheio não significa uma paisagem funcional. Significa apenas que a água foi deslocada para um ponto específico, muitas vezes longe dos locais onde deveria infiltrar, alimentar aquíferos e sustentar sistemas vivos.

O planeamento regenerativo propõe uma lógica inversa. Em vez de concentrar, distribuir. Em
vez de acelerar, abrandar. Em vez de tratar a água como um volume, tratá-la como um fluxo
integrado na paisagem. Retenção distribuída, infiltração lenta e contínua, gestão do relevo, do
solo e da vegetação como um sistema único.

Isto não é teoria. É prática aplicada em contextos semiáridos em todo o mundo, incluindo no sul da Península Ibérica. Pequenas intervenções bem posicionadas; valas de infiltração, linhas de nível funcionais, recuperação de linhas de água degradadas, aumento de cobertura vegetal permanente; produzem efeitos cumulativos significativos. Reduzem picos de cheia, aumentam a recarga dos aquíferos, estabilizam microclimas e devolvem produtividade à terra.

O ponto crítico é a escala de decisão. Estas soluções não cabem bem em modelos centralizados nem em calendários políticos curtos. Exigem leitura fina do território, planeamento informado e acompanhamento técnico continuado. Exigem aceitar que a solução não é uma obra isolada, mas um processo distribuído no espaço e no tempo.

A desertificação não se combate com infraestruturas desconectadas do território. Combate-se com planeamento territorial integrado. Com decisões que partem do solo e não do betão. Com investimento em conhecimento local, em cartografia funcional, em leitura hidrológica real e não apenas em médias estatísticas.

Isto não significa que todas as barragens sejam inúteis ou que não tenham lugar em determinados contextos. Significa que, quando são tratadas como solução principal para um problema sistémico, falham. Falham porque não actuam sobre a causa. Apenas mitigam, temporariamente, alguns sintomas.

Enquanto continuarmos a medir sucesso pela quantidade de água armazenada e não pela água efectivamente infiltrada e utilizada pela paisagem, continuaremos a confundir gestão com controlo. E controlo, em sistemas vivos, é quase sempre uma ilusão de curto prazo.

Se queremos enfrentar a desertificação de forma séria, temos de mudar a pergunta de base. Não é «onde armazenar mais água?», mas «como manter a água no território, viva e funcional, durante mais tempo?». A resposta a essa pergunta raramente cabe numa barragem.

Cabe num mapa bem lido, num solo bem tratado e numa paisagem planeada como um sistema.

Enquanto isso não acontecer, continuaremos a construir grandes obras para resolver pequenos gráficos. E a paisagem, essa, continuará a secar.

BICO CALADO

  • Uma investigação da Al-Jazeera publicada a 23 de maio revelou que produtos de uso militar provenientes de pelo menos 51 países e territórios autónomos continuaram a entrar em Israel, mesmo depois de o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) ter proferido uma decisão provisória sobre o genocídio dos palestinianos em Gaza. Fonte.
  • Unidades militares e de inteligência ucranianas estão a operar secretamente no Mali em nome da França, em coordenação tanto com rebeldes da etnia tuaregue como com forças ligadas à Al-Qaeda, determinadas a derrubar o governo revolucionário do país. Além disso, Kiev está empenhada em expandir e intensificar ainda mais as suas operações em África, bem como em desestabilizar os países vizinhos. A militância ucraniana, há muito encorajada pela CIA e pelo MI6, tornou-se agora, de forma decisiva, uma ameaça internacional. Fonte.
  • “O nome dela é Maria do Rosário Palma Ramalho. O cargo não é apenas Ministra do Trabalho. É, com uma ironia que roça o SADISMO, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Mas solidariedade com QUEM? Vamos aos FACTOS, porque a realidade não precisa de adjetivos para ser escandalosa. Segundo a declaração entregue no Tribunal Constitucional, a mulher que decide o valor do teu salário e as horas do teu descanso acumula um PATRIMÓNIO superior a 5,3 milhões de euros. Leste bem. Cinco. Vírgula. Três. MILHÕES. Ela não é apenas uma académica. Ela é a ELITE FINANCEIRA personificada. A teia familiar explica a quem ela deve lealdade. O seu marido é António Ramalho. Soa-te familiar? É o EX-CEO do Novo Banco, o homem que geriu a instituição enquanto nós, contribuintes, injetávamos lá milhares de MILHÕES. Onde está o marido dela agora? É o chairman da Lusoponte. Percebem o ciclo? O marido gere as pontes onde tu PAGAS portagem para ir trabalhar. A mulher gere as leis que permitem que tu sejas EXPLORADO quando chegas ao trabalho. O dinheiro sai do teu bolso e do teu tempo. Fica tudo em CASA DELES. Não pensem que o CONTROLO se fica pelos bancos e pelas portagens, pois a TEIA fecha-se sobre si mesma. Enquanto a mãe dita as regras de como o teu trabalho deve ser flexível, a FILHA, Inês Palma Ramalho, senta-se na cúpula do PSD como vice-presidente do partido que sustenta o governo, selando o Dinheiro, o Governo e o Partido numa SANTÍSSIMA TRINDADE do poder. Com um ECOSSISTEMA natural feito de administrações bancárias e partidárias, como pode alguém que acumula mais de 5 milhões de euros legislar sobre o salário mínimo? Passou a vida inteira nos corredores seletos e asséticos da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e em presidências de associações de elite, trancada numa TORRE DE MARFIM a escrever os manuais que ensinam como a lei pode SERVIR o patrão.” Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O TRIBUNAL DE CONTAS FOI CLARO: O GOVERNO QUER CRIAR VAZIOS PARA A CORRUPÇÃO


O governo de Luís Montenegro está a executar, neste momento, um plano orquestrado para destruir a fiscalização independente sobre o dinheiro público em Portugal.
A prova está numa proposta de lei (n.º 72/XVII/1.ª) que o próprio Tribunal de Contas (TdC) já classificou como criadora de “zonas sem escrutínio” e de “mais espaço para a corrupção”. Em paralelo, o mesmo poder político promove como “moralizador” do Estado um gestor que construiu a sua carreira no Goldman Sachs, no Lehman Brothers, no centro do colapso do BES/Novo Banco e como consultor de regimes autocráticos no Golfo Pérsico.

Isto não é coincidência.
É uma operação de tomada de controlo das empresas públicas com uma cortina de fumo técnica. E os contribuintes vão pagar a factura.

O TRIBUNAL DE CONTAS FOI CLARO: O GOVERNO QUER CRIAR VAZIOS PARA A CORRUPÇÃO

No dia 15 de Maio de 2026, o Tribunal de Contas, liderado por Filipa Urbano Calvão, entregou na Assembleia da República um parecer contundente. As conclusões são devastadoras e o governo não as pode negar porque estão escritas a preto e branco.

Citação exata do ECO: “O Tribunal de Contas emitiu um parecer contundente sobre a Proposta de Lei n.º 72/XVII/1.ª, que visa alterar as suas competências e o seu modelo orgânico. No documento enviado à Assembleia da República, a instituição liderada por Filipa Urbano Calvão alerta para o surgimento de zonas sem escrutínio na gestão de dinheiros públicos, o que poderá comprometer a transparência e a legalidade na utilização dos impostos dos contribuintes.”

Citação exata do Observador: “Tribunal de Contas: proposta de lei do governo cria zonas de vazio que geram mais espaço para a corrupção.”

Citação exata do DN: “Tribunal de Contas acusa governo de querer deixar sem controlo oito mil milhões em contratos públicos.”

O que é que está em causa? O governo quer acabar gradualmente com o visto prévio do TdC – o mecanismo que hoje trava contratos ilegais antes de serem assinados.

A despesa controlada anualmente vai cair de 13 mil milhões de euros para menos de 5 mil milhões. Um corte de 60%. Isto significa que oito mil milhões de euros em contratos públicos vão passar a ser assinados sem qualquer travão preventivo.

O governo quer também excluir todo o sector empresarial do Estado da jurisdição plena do Tribunal de Contas. Empresas como a TAP, Efacec, CP, NAV, ANA – Aeroportos e a Caixa Geral de Depósitos vão ficar entregues a uma fiscalização interna – ou seja, feita pelos próprios órgãos que o governo controla.

Como alertou o TdC, as ilegalidades só serão detectadas “quando o dinheiro já foi gasto”.

Mas a norma mais nojenta desta proposta é aquela que o Tribunal de Contas classifica como “inédita no direito sancionatório público”: um decisor público pode escapar a qualquer responsabilidade se alegar que seguiu um parecer de um advogado… que ele próprio contratou.

É a institucionalização da impunidade. É o governo a dizer aos seus gestores: “Podem fazer o que quiserem, arranjem um advogado amigo e está tudo justificado.”

ENQUANTO DESMANTELA A FISCALIZAÇÃO, O GOVERNO USA UM HOMEM DO GOLDMAN SACHS E DO LEHMAN BROTHERS PARA DAR UM SELO DE “BOA GOVERNANÇA”

A jogada de manipulação mediática é perfeita. Ao mesmo tempo que o governo tira o Tribunal de Contas do terreno, o Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) – liderado por João Moreira Rato – apresenta 23 recomendações para “moralizar” a gestão pública. E a imprensa aplaude, sem perguntar quem é este senhor.

Pois bem: João Moreira Rato trabalhou no Goldman Sachs – o banco que manipulou mercados, ajudou a Grécia a esconder a sua dívida e colocou os seus homens em governos um pouco por todo o mundo. Trabalhou no Lehman Brothers – o banco que faliu em 2008 devido a fraudes contabilísticas monumentais, arrastando a economia mundial para a maior crise desde 1929. Este é o currículo do homem que vem a Portugal dar lições de transparência.

Foi nomeado pelo governo de Pedro Passos Coelho para liderar o IGCP (gestão da dívida pública) durante a Troika. Em Julho de 2014, no auge do escândalo do BES, foi colocado como Administrador Financeiro (CFO) do BES – numa nomeação concertada entre o governo e o Banco de Portugal. Um mês depois, com o banco em colapso, transitou diretamente para o Novo Banco. Esteve no centro do maior rombo financeiro da história democrática portuguesa – um rombo que os contribuintes pagaram com milhares de milhões de euros. E depois foi administrador não-executivo da Caixa Geral de Depósitos, o maior banco público, onde o Estado é o único accionista.

E não pára por aqui. João Moreira Rato foi consultor dos governos do Kuwait e de Abu Dhabi – regimes autocráticos, paraísos fiscais agressivos, fundos soberanos opacos. Transferiu o conhecimento que adquiriu no Goldman Sachs e no Lehman Brothers para estruturas que operam à sombra da democracia. E é membro do conselho de curadores da Plataforma de Crescimento Sustentável, o think tank do antigo ministro do PSD Jorge Moreira da Silva.

Portanto, o governo de Montenegro escolhe como arauto da “boa governação” um homem que mamou no Goldman Sachs e no Lehman Brothers, nadou no esgoto do BES, aconselhou ditadores do petróleo e sentou-se na CGD. E nós é que havemos de acreditar que este senhor quer acabar com o clientelismo? É um insulto à inteligência dos portugueses.

O PARADOXO DA RAPOSA NO GALINHEIRO – E A CULPA DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

As mesmas pessoas que agora aplaudem as 23 medidas do IPCG são as que se recusam a ligar os pontos. O Goldman Sachs assessorou o governo português na privatização da TAP (depois anulada) e na reestruturação da dívida da CGD. O Lehman Brothers pode ter falido, mas o seu espírito – assunção de riscos criminosos sem consequências – continua vivo em bancos de investimento que rodam os seus quadros pelos cargos públicos. E João Moreira Rato é o produto perfeito deste sistema.

Ora o provérbio é velho: não se pede ao lobo para tomar conta do rebanho. E aqui temos um governo que, por um lado, desata as amarras do Tribunal de Contas e, por outro, exibe um gestor do Goldman Sachs e do Lehman Brothers como modelo de virtude.

É daqui que eles querem que os portugueses não olhem.

É UMA TOMADA DE ASSALTO ÀS EMPRESAS PÚBLICAS – E OS CONTRIBUINTES VÃO PAGAR

Não há teoria da conspiração.

(...)

Luís Montenegro e o seu governo estão a desmantelar deliberadamente a fiscalização independente sobre as empresas públicas para poderem nomear gestores sem escrutínio, assinar contratos de oito mil milhões de euros sem controlo prévio e garantir que, se algo correr mal, um parecer de um advogado comprado serve como salvo-conduto para a impunidade.

E para dar uma aparência de “modernização”, usam um homem que fez fortuna e carreira nos bancos que destruíram a economia ocidental e no maior escândalo financeiro português.