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quinta-feira, 16 de julho de 2026

COIMBRA: BARRAGEM DE GIRABOLHOS É ERRO ESTRATÉGICO PARA O MONDEGO E O PAÍS

  • O GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) considera que o relançamento do projeto da barragem de Girabolhos, no rio Mondego, é um erro estratégico, com impacto ecológico significativo e utilidade prática limitada, desviando recursos de soluções mais eficazes e sustentáveis para gerir o território e prevenir cheias. Para o GEOTA, o histórico de decisões demonstra esta falta de viabilidade; se o projeto avançar será mais um buraco nas contas públicas. Não resolve o problema das cheias do Baixo Mondego. As cheias nesta região não resultam da falta de barragens, mas da má gestão do território: desflorestação das cabeceiras deliberada ou por força dos incêndios, assoreamento do rio, ocupação de leitos de cheia, impermeabilização dos solos, destruição de zonas húmidas. Girabolhos não terá capacidade para amortecer de forma eficaz episódios de chuva intensa, nem é essa a missão principal das barragens. Tem impactos ecológicos e territoriais muito elevados. A construção implicaria a submersão de territórios rurais e ecossistemas ribeirinhos (entre os melhores do Mondego), afetando também a paisagem, os modos de vida, a agricultura e o ecoturismo, e contrariando as metas de restauro da conectividade fluvial. É ilegal. Não foi realizada a devida e obrigatória avaliação de impacte ambiental. “Girabolhos é uma falsa solução para problemas reais e não parece ser a melhor solução a nível de gestão de bacia. Não protege eficazmente contra cheias, e não é necessária para o abastecimento de água nem para a produção elétrica. Em vez de investir numa grande obra de elevado impacto e baixa eficácia, o país deve apostar em soluções baseadas na natureza, na recuperação dos rios e numa verdadeira gestão integrada da bacia do Mondego”, afirma Ana Catarina Miranda, coordenadora do Programa Rios Livres do GEOTA.
  • O Bloco de Esquerda pediu esclarecimentos sobre os impactos sociais e ambientais da refinaria de antimónio prevista para Sines, exigindo a suspensão do processo de reconhecimento como Projeto de Interesse Nacional desta unidade industrial. O BE alertou para os riscos associados à operação industrial de um metal potencialmente cancerígeno e altamente tóxico, com elevada capacidade de contaminação das águas e por via atmosférica. Além da suspensão do processo de reconhecimento” como PIN, o BE quer ainda saber qual o destino final deste novo metal a refinar em Sines. O antimónio é um metal essencial para o desenvolvimento de grandes empresas tecnológicas, nomeadamente para equipamentos bélicos, como produção de balas, cartuchos, estilhaços ou em dispositivos de visão noturna e radares. Fonte.
  • Praias do Furadouro e do Areinho (Ovar) interditad a banhos devido, respetivamente, a obras e má qualidade das águas. Fonte.

REFLEXÃO

ISRAEL LANÇA BOMBAS DE FÓSFORO CONTRA POPULAÇÃO LIBANESA


Israel lançou bombas de fósforo branco contra a população libanesa. O fósforo provém da fábrica de glifosato da Bayer em Soda Springs, nos EUA

O Ministério da Agricultura do Líbano encontrou amostras de solo que contêm níveis de glifosato que excedem os «níveis normais em cerca de 20 a 30 vezes».

A utilização de herbicidas cancerígenos como armas militares amplia uma doutrina tática já testada pelo exército israelita na Faixa de Gaza em 2014, violando uma promessa anterior de eliminar gradualmente a substância das áreas povoadas.

Embora, em abril, a direção da Bayer tenha negado o fornecimento direto de glifosato ao exército israelita ou norte-americano, não negou a entrega das matérias-primas com as quais se fabrica o fósforo branco.

A Amnistia Internacional afirma que a utilização de fósforo branco em Gaza teve início a 7 de outubro de 2023, quando Israel desencadeou a guerra contra os palestinianos na Faixa de Gaza.

A Human Rights Watch verificou a utilização desta munição em, pelo menos, 17 municípios libaneses desde outubro de 2023, enquanto investigadores independentes documentaram mais de 200 utilizações que resultaram em 600 incêndios.

No sul do Líbano, residentes e profissionais de saúde relataram que nove civis sofreram lesões respiratórias causadas por fumo «semelhante ao do alho» em outubro de 2023.

Em abril, foram formalmente apresentadas acusações contra as forças armadas israelitas, com relatos de 25 000 milhões de dólares em danos, incluindo a destruição de milhares de hectares de floresta e uma contaminação extrema do solo que «remodelou a paisagem física e ecológica» do sul do Líbano (*).

Uma reportagem publicada a 6 de junho pelo New York Times forneceu uma extensa documentação visual do exército israelita, que lançou repetidamente fósforo branco sobre áreas povoadas do Líbano.

Imagens verificadas mostraram vestígios de fumo e explosões no ar em áreas povoadas como Tiro, Nabatieh, Qlayaa, Khiam e Yohmor durante o mês de maio deste ano.

A investigação identificou projéteis de artilharia M825A1 fabricados nos EUA, que libertam 116 cunhas de feltro em chamas capazes de provocar incêndios num raio de 250 metros, embora sejam frequentemente transportadas pelo vento para distâncias ainda maiores.


BICO CALADO


  • “Salvam-nos os professores, tantos, que resistiram, os que o PM despreza, porque se recusaram a receber trabalho ao fim de semana e noite que não visava salvar a educação dos alunos mas o enterro da própria ideia de educação; os que meteram baixa, preferiram ficar sem salário uns dias do que embarcar nisto, numa insanidade digital que destrói o cérebro dos alunos; os que disseram em público sem medo que um exame não se classifica, muito menos por itens; que avaliar conhecimentos não é dar escolha múltipla. Que bolinhas e cruzinhas é abandonar os jovens das classes médias e trabalhadoras à ignorância que permite a manipulação de políticos que fazem e dizem sem vergonha as maiores ignomínias. Salvam-nos os professores que quando o PM pediu resiliência responderam com resistência.” Raquel Varela, Contra o comboio desgovernado, subimos na automotora.
  • O deputado do Chega Pedro Frazão foi condenado no Tribunal Criminal de Lisboa ao pagamento de uma multa e de uma indemnização que totalizam quatro mil euros, por ter difamado, em 2021, José Manuel Pureza, atual coordenador do Bloco de Esquerda. Fonte.
  • A PragerU está a tentar tomar conta das escolas norte-americanas. Este grupo pseudoeducativo de direita é agora parceiro educativo oficial em pelo menos dez estados e bombardeia as crianças com mensagens altamente questionáveis sobre raça, história e política. Ainda mais preocupante é o facto de a PragerU ser liderada pela ex-espiã israelita Marissa Streit, que afirmou utilizar contra o povo americano as táticas e técnicas aperfeiçoadas pelos serviços de inteligência militar das Forças de Defesa de Israel. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

AS LIGAÇÕES DE LIONEL MESSI A NETANYAHU, ÀS FORÇAS ARMADAS ISRAELITAS E À SUA UNIDADE DE ESPIONAGEM DE ELITE 8200
Alan Macleod, MPN. Rev. O’Lima.


Na quarta-feira à noite, [15 julho 2026] os olhos do mundo estarão postos em Lionel Messi, quando a Argentina defrontar a Inglaterra na meia-final do Mundial. A pequena superestrela conquistou uma enorme legião de fãs em todo o planeta, nomeadamente em Israel, graças às suas inúmeras ligações empresariais e de segurança com o Estado do Apartheid. Desde ser o rosto de uma empresa israelita de inteligência artificial liderada e gerida por espiões israelitas, até confiar a sua segurança privada a uma equipa de agentes secretos israelitas, a MintPress explora as razões pelas quais Benjamin Netanyahu o considera o seu jogador de futebol favorito.

A FAZER AMIZADE COM EX-AGENTES SECRETOS ISRAELITAS

A maior estrela do futebol mundial, Lionel Messi é, compreensivelmente, muito cuidadoso com a sua imagem. O avançado argentino escolhe cuidadosamente com quem se associa e assinou contratos lucrativos de longo prazo com grandes marcas globais, como a Adidas, a Pepsi e a Mastercard.

Foi por isso que muitos ficaram surpreendidos quando, em 2020, ele anunciou uma parceria com a OrCam, uma empresa israelita relativamente pequena especializada em inteligência artificial que fabrica dispositivos vestíveis de visão artificial (semelhantes aos Google Glass). A OrCam apresenta-se como uma empresa que ajuda as pessoas com deficiência visual a terem vidas mais plenas. Messi tornou-se o seu embaixador global da marca e o rosto da empresa.

No entanto, o que suscita mais controvérsia é o facto de a OrCam ser um desdobramento do aparelho de segurança nacional israelita, empregando dezenas de antigos agentes da agência de espionagem militar israelita, a Unidade 8200, muitos dos quais em cargos altamente influentes. O principal deles é Adi Levitski, um agente secreto de longa data da Unidade 8200, que, em 2024, foi nomeado diretor de operações da OrCam.

Muitos funcionários da OrCam foram comandantes daquela obscura agência de espionagem, responsáveis por alguns dos piores crimes da guerra pós-7 de outubro de 2023, bem como por muitas das operações internacionais de pirataria informática e vigilância mais escandalosas. Mor Shamy, por exemplo, ascendeu ao cargo de chefe de análise de informações na Unidade 8200 em 2015 e viria mais tarde a ser contratado como programador de algoritmos na OrCam. A trabalhar ao seu lado estava Matan Albeck, o antigo chefe do departamento de análise de dados da Unidade 8200.

Apesar das grandes demissões nos últimos anos, a empresa continua a ser composta, em grande parte, por ex-agentes secretos, existindo uma porta giratória entre as duas entidades. Alguns, como Eliya Segev e Eli Corn, passaram da OrCam para a Unidade 8200, enquanto o currículo de Amitai Edrei revela que trabalhou simultaneamente para a OrCam e para a Unidade 8200, sublinhando a estreita relação entre ambas.

Para Messi, isto deveria ter sido um grande sinal de alerta ao colaborar com a OrCam, uma vez que a Unidade 8200 é a principal arquiteta e operadora do genocídio de alta tecnologia levado a cabo por Israel em Gaza e arredores. E os seus agentes são responsáveis pela produção de grande parte do software de espionagem mais invasivo do mundo.

Recorrendo a big data recolhida pela sua vasta rede de vigilância digital palestiniana, a organização criou enormes listas de alvos a abater, geradas por inteligência artificial, de habitantes de Gaza, e levou a cabo dezenas de milhares de operações de bombardeamento com drones, que constituíram o elemento central da destruição em Gaza.

Os seus agentes também desenvolveram software de espionagem altamente invasivo, como o Pegasus, que foi utilizado para espiar dezenas de milhares de líderes estrangeiros, jornalistas, ativistas e defensores dos direitos humanos em todo o mundo. O governo israelita vendeu o Pegasus a ditaduras e regimes autoritários em todo o mundo, ajudando-os a reprimir os direitos humanos. Talvez o caso mais conhecido tenha sido o da Arábia Saudita, que utilizou o Pegasus para monitorizar o jornalista do Washington Post Jamal Khashoggi, antes de o desmembrar com uma serra de ossos na sua embaixada na Turquia.

É, portanto, altamente questionável que Messi tenha decidido tornar-se o rosto de uma empresa deste tipo.

OS ASSESSORES ISRAELITAS DE MESSI

O argentino fez várias visitas a Israel ao longo da sua carreira. Em 2013, ele e o seu clube, o F.C. Barcelona, deslocaram-se a Israel e à Palestina numa suposta «Digressão pela Paz». Durante a viagem, encontrou-se e conversou com Netanyahu e com o presidente Shimon Peres, e cumprimentou soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF). Também vestiu um yarmulke e visitou o Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo.

No entanto, mesmo depois de partir, Messi leva consigo uma pequena parte de Israel para onde quer que vá. A sua segurança está a cargo de uma força de elite composta por antigos agentes israelitas, que planeiam cada um dos seus movimentos, especialmente a nível internacional. Ele leva a sua segurança muito a sério, tendo chegado ao ponto de faltar ao casamento da sua cunhada na Argentina devido a preocupações de segurança.

Essas mesmas forças israelitas estiveram encarregues da segurança no seu próprio casamento, em 2017, segundo a ESPN, embora a emissora não tenha especificado se esses agentes pertencem ao Mossad, ao Shin Bet ou a um grupo de comando de elite.

Messi, que evita controvérsias políticas, não fez quaisquer declarações sobre Israel/Palestina desde 7 de outubro de 2023, apesar de muitas notícias (falsas) sugerirem o contrário.

O avançado do Inter Miami causou boa impressão a Netanyahu quando os dois se encontraram em 2013. Numa entrevista recente, Netanyahu revelou que está a torcer pela Argentina no Mundial deste ano. «Ele tem agora 39 anos», disse ele sobre Messi; «Eles têm sorte em ter um jogador tão experiente que sabe marcar golos.»

A opinião pública israelita concorda claramente. Uma sondagem recente revelou que 38% dos israelitas estão a apoiar ativamente a Argentina no torneio – bem à frente do Brasil, que ocupa o segundo lugar. Yoav Berkowitz, diretor desportivo da emissora pública israelita Kan, afirmou que isto se deve, em grande parte, ao «efeito Messi».

IRMÃOS SIONISTAS

Outros, incluindo o próprio Netanyahu, citam o presidente argentino Javier Milei como outro fator. Desde que assumiu o poder em 2023, Milei fez do apoio a Israel um pilar central da sua plataforma política. A nível internacional, Israel tem poucos amigos restantes. Mas a Argentina de Milei surgiu como um dos seus defensores mais veementes. Em maio de 2024, votou contra uma moção esmagadoramente popular nas Nações Unidas para eleger a Palestina como membro de pleno direito do organismo. Quatro meses depois, fez o mesmo com uma resolução que exigia o fim da ocupação israelita dos territórios palestinianos.

O seu governo também declarou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão e as Forças Quds como organizações terroristas, e aplaudiu o ataque dos EUA e de Israel ao Irão, tendo o próprio Milei referido que era «a coisa certa a fazer». A Argentina declarou ainda que iria transferir a sua embaixada em Israel para Jerusalém, legitimando assim efetivamente a ocupação. A medida foi, no entanto, suspensa depois de a empresa petrolífera israelita Navitas ter anunciado que iria iniciar perfurações perto das Malvinas/Falklands — um arquipélago controlado pelo Reino Unido, mas reivindicado pela Argentina.

COMO ISRAEL AJUDOU A ARGENTINA A MASSACRAR A SUA POPULAÇÃO JUDIA

Desde 7 de outubro de 2023, Israel perdeu uma enorme quantidade de apoio público em todo o mundo, mesmo nos países ocidentais. Um inquérito da YouGov de 2025 revelou que, por exemplo, o número de italianos com opiniões «muito desfavoráveis» (43%) sobre Israel é mais de 20 vezes superior ao dos que têm opiniões «muito favoráveis» (2%). Mesmo na Alemanha, onde o apoio popular a Israel é mais elevado, apenas 21% afirmaram ter opiniões favoráveis sobre o Estado (incluindo apenas 4% que o consideram altamente favorável), com 65% a manifestarem oposição aberta (incluindo 32% que o rejeitam veementemente).

É amplamente afirmado que o dia 7 de outubro constituiu o maior massacre de judeus desde o Holocausto. No entanto, isso não é verdade. Na realidade, a ditadura militar fascista que governou a Argentina nas décadas de 1970 e 1980 perseguiu implacavelmente os judeus, matando ou fazendo «desaparecer» milhares deles.

Inspirando-se em Hitler e nos nazis, a ditadura equiparou o judaísmo ao socialismo e prendeu e assassinou um número enorme de opositores políticos, chegando mesmo a transformar estádios de futebol em campos de extermínio improvisados. Muitos dos envolvidos eram filhos de nazis alemães que fugiram para a Argentina após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Israel ajudou ativamente a ditadura no seu massacre, vendendo-lhe equipamento militar sofisticado e aumentando os níveis de assistência militar, mesmo à medida que os ataques à comunidade judaica do país se intensificavam.

UMA RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO

Embora Israel apoie a Argentina, essa boa vontade certamente não é recíproca, por mais que Milei tente. Uma recente sondagem da Pew revelou que a maioria dos argentinos tem uma visão negativa de Israel, incluindo 34% que têm opiniões altamente desfavoráveis sobre o país — sete vezes mais do que aqueles que, alegadamente, têm opiniões muito positivas sobre Israel (5%).

Neste aspeto, estão a seguir os passos de outra sensação do futebol argentino: Diego Maradona. A estrela, frequentemente considerada o melhor futebolista de sempre, declarou-se o «fã número um do povo palestiniano» e afirmou que «no meu coração, sou palestiniano».

Maradona condenou consistentemente as ações dos EUA e de Israel, e alinhou-se com causas revolucionárias em todo o mundo. Em contraste, Messi tem evitado constantemente as questões políticas. Mas, tal como aqui discutido, tomou várias decisões — abraçar Netanyahu, visitar Jerusalém, tornar-se o rosto de uma empresa tecnológica israelita cujo quadro é composto por espiões e rodear-se de agentes secretos israelitas como guarda-costas — que devem levar muitos a questionar esta suposta neutralidade.

A Argentina defronta hoje [15 julho 2026] a Inglaterra por um lugar na final do Mundial. Embora o resultado ainda esteja por ver, não é segredo que Israel e Netanyahu vão torcer pela Argentina — e por Leo Messi.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

PSZAER: FUGA DE INFORMAÇÃO EXPÕE MAPAS OMITIDOS

  • Consulta pública do PSZAER (Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis) termina após fuga de informação revelar mapas nunca divulgados às populações. A Plataforma Nordeste Vivo afirma que só conseguiu identificar a localização concreta das áreas destinadas a grandes projetos de energia renovável através de uma fuga de informação e denuncia a falta de transparência do processo de consulta pública. A Plataforma acusa o Governo de Luís Montenegro de colocar os interesses económicos de grandes multinacionais acima da proteção do território, da agricultura e das comunidades do Nordeste Transmontano. Por isso, pede a suspensão do PSZAER, exige responsabilidades políticas e admite avançar para uma mobilização nacional caso o processo prossiga nos atuais moldes. Fonte. Comentário do Ambiente Ondas3 em 18 de junho de 2026.
  • Água perdida na rede poderia abastecer gratuitamente 1/3 da população – Quercus sugere 10 medidas para gestão mais eficiente.
  • Espanhóis preparam-se para controlar mercado português da alta velocidade ferroviária. Fonte.
  • O Pentágono está a bloquear mais de 150 projetos eólicos devido aos chamados receios relacionados com os drones. As turbinas eólicas podem confundir os sistemas de radar de navios e aeronaves. As suas enormes pás rotativas criam um «flash de pá» nos ecrãs de radar, enquanto as suas bases de aço refletem as ondas eletromagnéticas, tornando difícil distinguir as turbinas de aeronaves ou de outros objetos. Fonte.
  • O Congresso dos EUA está a analisar um projeto de lei extremo que tornaria ilegal processar a indústria dos combustíveis fósseis pelos danos que esta causa ao planeta, à economia e à nossa saúde. O senador Ted Cruz (R-TX) — um dos políticos mais financiados pelas grandes petrolíferas — e a deputada Harriet Hageman (R-WY) apresentaram um projeto de lei denominado «Stop Climate Shakedowns Act of 2026». Apresentaram-no como uma forma de «proteger a energia americana das cruzadas jurídicas da esquerda que punem atividades legais». Na realidade, o que faz é conceder à indústria dos combustíveis fósseis um escudo permanente contra processos judiciais e leis estaduais que procuram responsabilizar financeiramente a indústria pelas alterações climáticas e por induzir o público em erro quanto às consequências catastróficas para a saúde, a economia e o ambiente decorrentes da utilização dos seus produtos. Fonte.

BICO CALADO

  • Um raro momento de verdade e honestidade intelectual nas televisões. Miguel Szymansky.
  • O presidente executivo da Chevron ganhou 104 milhões de dólares enquanto os EUA bombardeavam o Irão. Uma nova investigação revela que os executivos do setor petrolífero dos Estados Unidos embolsaram 1,4 mil milhões de dólares com a venda de ações durante a guerra com o Irão.

LEITURAS MARGINAIS

AIR INVICTUS: MAIS DE 5 MILHÕES DE FACHADA TURÍSTICA PARA PROMOVER A INDÚSTRIA DE DEFESA NACIONAL


Entre 19 e 21 de junho de 2026, o Air Invictus decorreu no Porto, Gaia, Maia, Matosinhos e Espinho. Foi vendido como um grande evento aéreo aberto ao público, com entrada gratuita e promessa de um milhão de visitantes. Na realidade, tratou-se de uma operação financiada maioritariamente com dinheiro público que serviu, acima de tudo, para promover a indústria de defesa nacional e garantir acesso privilegiado a quem pode pagar.

O dinheiro que foi gasto

O evento consumiu pelo menos 5,45 milhões de euros de fundos públicos:
- Turismo de Portugal: 3,89 milhões de euros
- Câmaras municipais:
- Porto: 425 mil euros
- Gaia: 425 mil euros (além deste valor, a Câmara organizou duas áreas VIP)
- Matosinhos: 325 mil euros
- Maia: 325 mil euros
- Espinho: 50 mil euros (para o período de 12 a 19 de junho)

Estes apoios foram aprovados em grande parte antes de existir licença da Autoridade Nacional da Aviação Civil. A autorização só foi emitida na véspera do evento.

O que o evento realmente foi

Para além das corridas aéreas e acrobacias, o Air Invictus incluía a Eyes in the Sky, uma feira dedicada à indústria de defesa aérea, aeronáutica e aeroespacial. Participaram empresas com participação estatal, com exposição de drones, sistemas não tripulados e equipamentos militares.
O evento foi apresentado oficialmente como alinhado com a Estratégia 2035, que visa parcerias internacionais, incluindo com países árabes e asiáticos. Em junho de 2026, o ministro da Defesa anunciou que Portugal admitia participar em operações com drones no Estreito de Ormuz — capacidades que foram precisamente promovidas durante o festival.
Ou seja: o que foi justificado como “promoção turística” funcionou, na prática, como uma montra de capacidades de defesa e de posicionamento estratégico.

As promessas e a realidade

A organização repetiu que o evento atrairia 1 milhão de visitantes. No entanto, a transmissão em sinal aberto na TVI obteve uma audiência de 425 mil espectadores em todo o país. É difícil sustentar que mais gente tenha assistido presencialmente do que viu na televisão.
Também foi garantido que viriam 300 mil estrangeiros. Os preços dos hotéis no Porto não subiram de forma significativa em alguns casos chegaram mesmo a baixar, o que contraria a narrativa de grande afluência internacional.
O retorno económico de 100 milhões de euros foi amplamente anunciado. Até ao momento, não existe qualquer auditoria independente que confirme este valor.

Quem beneficiou realmente

- A indústria de defesa com participação estatal ganhou visibilidade e contactos num momento de crescimento das exportações e de discussão de novos programas europeus.
- O organizador ganhou projeção nacional e posicionamento para futuras edições ou negócios relacionados com aviação e defesa.
- As elites tiveram acesso a zonas VIP exclusivas — algumas delas organizadas pela própria Câmara de Gaia —, com bilhetes que chegavam aos 3.500 euros por experiência premium.
- Os autarcas envolvidos obtiveram imagem de grandes eventos internacionais.

Enquanto isso, o contribuinte comum pagou a maior parte da conta e setores locais, como os operadores turísticos do Douro, viram a sua atividade condicionada.

Falta de transparência

Não existe, até hoje, uma auditoria independente que confirme o número real de visitantes ou o impacto económico efetivo. Os custos operacionais das duas áreas VIP organizadas pela Câmara de Gaia nunca foram tornados públicos. Os 5,45 milhões de euros de dinheiro público nunca foram detalhados ao cêntimo.
A justificação de “evento turístico” serviu para canalizar verbas para um projeto com forte componente de promoção industrial e estratégica, com muito menor escrutínio do que teria se o financiamento viesse diretamente do Ministério da Defesa ou da Economia.
O Air Invictus não foi uma festa popular. Foi uma operação paga com dinheiro público que serviu, essencialmente, para promover interesses da indústria de defesa e garantir experiências exclusivas para quem pode pagar.
Com mais de 5,45 milhões de euros dos contribuintes, criou-se um evento em que as elites tiveram acesso privilegiado a zonas VIP, a indústria de defesa ganhou montra e contactos estratégicos, e os autarcas obtiveram projeção. O resto — a narrativa de grande evento popular e de forte retorno económico — não foi comprovado de forma independente.
Isto não foi apenas despesismo. Foi o uso de verbas públicas, justificadas como turismo, para servir objetivos industriais e estratégicos, enquanto se oferecia acesso premium a uma minoria. O povo pagou. Poucos beneficiaram. E as contas claras ainda não foram apresentadas..

terça-feira, 14 de julho de 2026

ITÁLIA DESPERDIÇA 42% DE ÁGUA

  • Em Itália, 42 % da água potável que entra na rede é desperdiçada. E isso custa-lhes 9,8 mil milhões por ano. Fonte.
  • O Lago Salton, o maior lago da Califórnia, está a secar, agravando a poluição atmosférica nas comunidades vizinhas. As autoridades estão a trabalhar a todo o vapor para conter a situação, mas, para algumas famílias, já é tarde demais. Fonte.

BICO CALADO

  • Colonos israelitas armados, equipados com espingardas M4 de fabrico norte-americano, detiveram o congressista norte-americano Ro Khanna e outros cidadãos norte-americanos na Cisjordânia, ocupada ilegalmente. Quando os soldados da ocupação israelita chegaram, terão, alegadamente, tomado o partido dos colonos e prolongado a detenção. O democrata da Califórnia viajava na semana passada perto da aldeia palestiniana de Khirbet Zanuta, nas Colinas do Sul de Hebron, quando os colonos bloquearam o veículo da delegação de Khanna. Khanna afirmou que os homens armados cercaram a carrinha, deram pontapés nos pneus, ridicularizaram e filmaram as pessoas no interior, deixando os membros da delegação a temer pelas suas vidas. Em vez de afastar os colonos e reabrir a estrada, quatro soldados israelitas juntaram-se a eles e continuaram a obstruir o caminho da delegação. Fonte.
  • "O Ocidente não vai punir os colonatos. A sua solução de dois Estados sempre foi uma farsa. Há décadas que a UE tem vindo a conceber formas cada vez mais complicadas de evitar penalizar os colonatos ilegais de Israel, mesmo quando estes destroem a solução de dois Estados que a UE afirma ser o único caminho para a paz na região." Jonathan Cook, Substack.
  • A Federação Norueguesa de Futebol e a sua presidente, Lise Klaveness, pretendem levar as exigências de sanções contra Israel para o centro das atenções do futebol europeu. Fonte.
  • Outro Luís, as mesmas obras. Tiago FrancoEsta ‘investigação’ é um biombo para esconder o caos dos Exames?
  • “O Ministério da Educação e o EduQA geriram este processo da pior forma possível, pelo menos se o avaliarmos na perspetiva dos alunos (que deveriam merecer a principal atenção), dos professores e do interesse público. Quanto aos diretores, aos secretariados de exames e restantes estruturas intermédias, tendo sido colocados numa posição ingrata, sem autonomia e com a função de absorver e executar as decisões a nível central, teriam, face ao que está em causa, a obrigação moral de assumir outras posições. O silêncio é revelador e a falta de dimensão ética fica evidente.“ João Sá.

LEITURAS MARGINAIS

O JORNALISMO METIDO A ESPERTO


Há uma diferença fundamental entre informar e querer conduzir o pensamento do público. O bom jornalismo faz perguntas, procura respostas, confronta versões e apresenta os factos. O mau jornalismo acredita que já conhece as respostas antes de as ouvir e tenta enquadrar tudo aquilo que é dito dentro da narrativa que considera mais conveniente.

É precisamente aqui que, em muitas ocasiões, tenho a sensação de que alguns canais televisivos portugueses, em particular a CNN Portugal, se desviam da sua missão.

Convidam especialistas militares, antigos oficiais-generais, investigadores e analistas precisamente porque possuem conhecimentos que a maioria dos jornalistas não possui. No entanto, mal esses especialistas apresentam uma análise que não coincide com a linha dominante do canal, o jornalista deixa de ser entrevistador para passar a ser contraditor. Não procura compreender melhor a análise; procura desmontá-la, muitas vezes sem apresentar factos novos, apenas uma convicção. Então surge uma pergunta: se o jornalista já sabe a resposta, para que convida o especialista?

O contraditório é uma das bases do jornalismo. Mas contraditório não significa substituir conhecimento técnico por opinião. Significa confrontar uma análise com dados, documentos, declarações ou outras análises igualmente fundamentadas. Quando isso não acontece, a entrevista transforma-se num duelo entre quem estudou um conflito durante décadas e quem apenas conduz a emissão. Ora, o resultado acaba por ser mais grave do que parece.

Ao longo dos últimos quatro anos, a cobertura da guerra na Ucrânia tem sido, em muitos momentos, marcada por uma leitura predominantemente alinhada com a perspetiva política e estratégica da NATO. É natural que um meio de comunicação ocidental acompanhe de perto essa visão. O problema surge quando essa perspetiva passa praticamente a monopolizar a interpretação dos acontecimentos.

Entretanto, a realidade do terreno continua a impor-se. A Ucrânia demonstra capacidade para realizar ataques de longo alcance contra infraestruturas russas, recorrendo a meios fornecidos pelos seus aliados. Esses ataques existem e fazem parte da guerra. Mas, simultaneamente, o conflito terrestre continua a ser o fator decisivo. E é aí que se mede quem controla o território.

Uma guerra não se vence apenas pela capacidade de atingir alvos distantes. Vence-se, sobretudo, pela capacidade de manter ou conquistar terreno. A imagem talvez seja simples, mas ajuda a compreender o problema: imagine-se alguém que vê, dia após dia, a sua casa ser ocupada. Primeiro perde o quintal, depois a garagem, mais tarde um quarto, depois outro, e finalmente parte da varanda. Apesar disso, continua sobretudo preocupado em atirar pedras ao quintal do vizinho. As pedras podem causar incómodo. Podem até provocar alguns estragos. Mas não alteram o facto de a sua própria casa continuar a ser ocupada.

É esta diferença entre impacto mediático e realidade militar que nem sempre é explicada ao público com o equilíbrio necessário. O jornalismo não tem obrigação de favorecer a Rússia nem a Ucrânia. Também não deve favorecer a NATO nem qualquer outra potência. Tem apenas uma obrigação: ajudar os cidadãos a compreender a realidade.

Se uma ofensiva perde território, isso deve ser noticiado com a mesma evidência com que são noticiados os ataques de drones. Se uma operação tem êxito estratégico, deve ser explicado porquê. Se falha, também.

Porque uma sociedade bem informada toma melhores decisões do que uma sociedade alimentada por expectativas que os acontecimentos acabam por desmentir. O jornalismo deixa de cumprir plenamente a sua função quando privilegia a narrativa em detrimento da realidade observável.

Os cidadãos não precisam de comentadores que lhes digam aquilo que desejam ouvir. Precisam de profissionais que lhes expliquem aquilo que realmente está a acontecer, mesmo quando essa realidade contraria as preferências políticas, ideológicas ou emocionais de cada um.

No fim de contas, a credibilidade de um meio de comunicação não depende de confirmar aquilo em que acredita. Depende da capacidade de descrever os factos com rigor, de ouvir especialistas sem os transformar em adversários e de permitir que seja o público - e não a redação - a formar a sua própria opinião.