sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Açores: Ribeira Grande vai construir rede de 15 Km de ciclovias

Vila Franca do Campo, S. Miguel-Açores
  • A Câmara da Ribeira Grande adjudicou à Tecnovia – Açores, S.A., a empreitada de execução da rede de ciclovias da Ribeira Grande, obra orçada em cerca de 400 mil euros (financiada a 85% por fundos comunitários) e que visa dotar a malha urbana da cidade de cerca de 15 quilómetros de ciclovia.
  • A paisagem costeira entre Tróia e Melides está a mudar radicalmente. Há 8 novos projetos turísticos, 4 deles sobre dunas, 4 com plano de construção de campo de golfe, 6 com dimensões superiores às localidades da Comporta, Carvalhal e Melides. «Apelamos à revisão destes projetos, em conjunto com as comunidades locais e especialistas, de modo a garantir a sustentabilidade de um modelo de desenvolvimento nos contextos de coesão social, economia rural, salvaguarda de recursos hídricos, continuidade ecológica e conservação de ecossistemas sensíveis, tais como as DUNAS – que queremos LIVRES». Dunas Livres.

Alemanha quer reduzir iluminação pública para recuperar populações de insetos

  • Um grupo de parlamentares conservadores "rebeldes" que ajudaram a virar o governo do Reino Unido contra a Huawei volta agora a sua atenção para um projeto chinês proposto para construir uma central nuclear em Bradwell-on-Sea, no sudeste da Inglaterra, conta o Financial Financial. «Numa reunião privada com parlamentares o mês passado, o assunto das atividades da CGN [China General Nuclear] foi levantado secretário de estado Mike Pompeo, segundo uma fonte na sala.” Alguns parlamentares acreditam que a Grã-Bretanha não precisa mais do dinheiro da CGN porque o governo de Boris Johnson pode estar disposto a aprovar subsídios públicos. Jonathan Ford, Jim Pickard e Nathalie Thomas, Financial Times. Via CarbonBrief.
  • A Alemanha pretende proibir a iluminação pública a partir do crepúsculo durante grande parte do ano, no sentido de combater o declínio dramático nas populações de insetos. O projeto sugere, entre outros aspetos, que novas luzes de rua e exteriores sejam instaladas de maneira a minimizar o impacto nas plantas, insetos e outros animais. O uso de herbicidas e inseticidas também seria proibido em parques nacionais e a uma distância de cinco a dez metros das principais massas de água, enquanto pomares e paredes de pedra seca devem ser protegidos como habitats naturais para insetos. As reformas propostas fazem parte do "plano de ação de proteção a insetos" mais geral do governo alemão, anunciado em setembro de 2019 sob crescente pressão de ativistas ambientais e de conservação. News24.

Reflexão - As algas não são lixo


Os Ecologistas en Acción aplaudem a iniciativa da Câmara Municipal de Redondela de cuidar da biodiversidade na praia de Cesantes. Minimizar a recolha de algas acumuladas nas areias faz com que a vida reapareça nelas e evita a erosão das praias. Esperamos que mais municípios sigam este exemplo.
Remover algas das praias significa remover um pilar básico para a manutenção do ecossistema costeiro. As algas não são lixo. Quando chegam à costa, a própria "maquinaria" biológica é responsável por processá-las, para que sejam degradados, libertando os seus nutrientes e sendo consumidos por invertebrados, como a pulga-do-mar (Talitrus saltator), que por sua vez , faz parte da dieta de limícolas, como rolas-do-mar (Arenaria interpres), borrelhos (Charadrius sp.), pilritos (Calidris sp.) ou maçaricos (Actitis hypoleucos). Esse processo de "auto-limpeza" periódica é essencial para a manutenção da biodiversidade, pois uma praia sem algas é uma praia morta.
O aumento de nutrientes desse processo natural não é apenas devolvido ao mar, mas também com as marés altas, muitas algas acumulam-se nos limites das dunas ou são transportadas pelo vento, uma vez secas, para o interior, fornecendo os elementos essenciais para a sobrevivência da vegetação das dunas, ecossistemas muito frágeis, em perigo de extinção e que precisam de ser conservados e restaurados.
Os métodos de limpeza com máquinas pesadas, removendo todo o material acumulado na praia, também são agressivos, pois favorecem a erosão. A mudança no sistema de limpeza, dos métodos mecânicos para os manuais (destinados a recolher resíduos como plásticos ou latas, respeitando as algas), é aconselhável para manter a biodiversidade e conservar a própria praia.

Mão pesada

A empresa que engarrafa a Crystal Geyser Water declarou-se culpada por armazenar e transportar ilegalmente águas residuais perigosas contaminadas com arsénio a partir da sua nascente em Olancha, Califórnia. A multa a pagar é de 5 milhões. JusticeGov.

Bico calado

  • O maior corpo de segurança do país é privado. 45 mil no ativo, entre 58 mil autorizados pela Administração interna com cartão profissional. Há menos efetivos nas Forças Armadas ou na PSP e GNR juntas. Quem vigia os vigilantes? Fumaça.
  • Donald Trump injetou 400 milhões de dólares nos seus clubes de golfe de Aberdeen e Turnberry. Agora, os legisladores escoceses querem investigá-lo por lavagem de dinheiro. Russ Choma, Mother Jones.
  • Empresário de Houston, Texas, acusado de gastar 1.6 milhões de apoio à Covid-19 em despesas impróprias, incluindo Lamborghini e Clube de Striptease. JusticeGov.
  • O Conselho de Direito fez frete à Lendlease. O resgaste da gigante de construção acusada de fraudes fiscais foi feito à custa dos impostos dos contribuintes australianos, conlcui uma investigação de Michael West.
  • «"Manteve-se (...) a escravatura em Angola e noutras colónias africanas, quase até aos presentes dias. Encoberta, camuflada, sofismada, ela continuava a existir, e por certo, desmereceria se não afirmasse que a fui encontrar sob diversos nomes ou disfarces na província do Ultramar português que, em 1912 e anos seguintes, governei [Angola]." (Norton de Matos, Memórias e trabalhos da minha Vida, III vol., 1944)» Ana Barradas, Ministros da noite – Antígona 1995
  • «Nos media, os “peritos” têm um lugar à parte: sempre disponíveis para se exprimirem sobre qualquer assunto, em quaisquer condições e em qualquer momento do dia ou da noite, eles exercem uma actividade contínua de pseudo-análise. Do filósofo especializado em opiniões sobre tudo ao perito generalista em opiniões sobre o resto, estão constantemente ligados ao aparelho mediático.» Acrimed, via Clube de Jornalistas.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Espanha: julho foi o melhor mês da história para a eólica e recorde de produção solar

  • A Espanha registou, no mês de julho, um aumento de 89,9% na produção de energia fotovoltaica e de 19.8% na produção de energia eólica em relação a julho de 2019. El Español.
  • 14 arquitetos vencedores dos prémios Stirling defendem a requalificação dos edifícios velhos em vez da sua demolição, sugerindo, para tal, a atribuição de apoios aos proprietários. Argumentam que o fabrico de aço, cimento e tijolos emite quantidades insustentáveis de carbono. Roger Harrabin, BBC.
  • As barragens do rio Mekong tornaram-se outra frente na rivalidade entre a China e os EUA. Kay Johnson e Panu Wongcha-um, Público 5ago2020. Irra que esta doença é de endoidecer. Já imaginaram a China a querer controlar o rio Mississippi?

Reflexão – larvas de moscas-soldados-negras na alimentação animal?


Uma nova geração de empreendedores agrícolas no Quénia testa o uso de larvas de moscas-soldados negras (Hermetia illucens), - BSF em abreviatura -, como alternativa sustentável à farinha de peixe e à soja para alimentação de animais. Githua é um dos 1.300 agricultores e empreendedores no Quénia a produzir a BSF com o Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos (ICIPE), sedeado no país. Em outubro passado, Githua começou a documentar as suas experiências sobre como criar, alimentar e processar as suas larvas no YouTube.

Segundo o ICIPE, a BSF tem um baixo impacto ambiental, porque pode alimentar-se de uma variedade de produtos residuais, cresce rapidamente, contém altos níveis de proteína e pode ser criada localmente em gaiolas verticais.
Mas há quem duvide da sua sustentabilidade. «Não me parece uma solução lógica alimentar um animal para alimentar outro animal», diz Brett Glencross, nutricionista sénior do Instituto de Aquicultura da Universidade de Stirling, Escócia. «A melhor opção em novas tecnologias são as bactérias proteicas de célula única porque elas não estão a competir com a nossa cadeia alimentar», explica. «As bactérias não usam proteínas para produzir proteínas: elas fazem-nas novas. Sá as bactérias e as plantas podem fazer isso». DW.

Mão pesada

Há mais de cem câmaras multadas por falta de limpeza de terrenos. Grande parte das ocorrências são por falta de limpeza junto a estradas e linhas elétricas. As multas variam entre 1600 e 120 mil euros. Esquerda.

Bico calado


«Quando fui a Hiroshima, em 1967, a sombra nos degraus ainda estava lá. Era uma impressão quase perfeita de um ser humano à vontade: pernas abertas, as costas dobradas, uma mão ao lado dela enquanto ela aguardava a abertura de um banco.
Às oito e quinze da manhã de 6 de agosto de 1945, ela e a sua silhueta foram queimadas no granito.
Fiquei a  olhar a sombra durante uma hora ou mais, depois desci para o rio onde os sobreviventes ainda viviam em barracas.
Encontrei Yukio, cujo peito estava gravado com o padrão da camisa que ele usava quando a bomba atómica caiu.
Ele descreveu um enorme clarão sobre a cidade, "uma luz azulada, como um curto elétrico", após o que o vento soprou como um tornado e a chuva negra caiu. “Fui atirado no chão e notei que restavam apenas os caules das minhas flores. Tudo estava quieto e silencioso, e quando me levantei, havia pessoas nuas, sem dizer nada. Alguns deles não tinham pele ou cabelo. Eu tinha a certeza de que estava morto.”
Nove anos depois, voltei a procurá-lo, mas ele tinha morrido de leucemia.
"Nenhuma radioatividade nas ruínas de Hiroshima", dizia a primeira página do The New York Times de 13 de setembro de 1945, um clássico da desinformação plantada. "General Farrell", reportava William H. Lawrence, "negou categoricamente que [a bomba atómica] tenha produzido uma radioatividade perigosa e persistente".

Apenas um repórter, o australiano Wilfred Burchett, enfrentou a perigosa jornada para Hiroshima logo depois do bombardeamento atómico, desafiando as autoridades de ocupação dos Aliados, que controlavam a imprensa.
"Escrevo isto como um aviso ao mundo", relatava Burchett no Daily Express de 5 de setembro de 1945
Sentado nos escombros com a sua máquina de escrever Baby Hermes, ele descreveu enfermarias de hospitais cheias de pessoas sem ferimentos visíveis a morrer do que chamou de "uma praga atómica".
Por isso, retiraram-lhe as credenciais de imprensa, cruxificaram-no e humilharam-no. Nunca lhe perdoaram o seu testemunho da verdade.

O bombardeamento atómico de Hiroshima e Nagasaki foi um ato de assassinato em massa premeditado que desencadeou uma arma de criminalidade intrínseca. Foi justificado por mentiras que sustentam a base da propaganda de guerra americana no século 21, lançando um novo inimigo e alvo - a China.
Durante os 75 anos desde Hiroshima, a mentira mais duradoura é que a bomba atómica foi lançada para acabar com a guerra no Pacífico e salvar vidas.
Mesmo sem os ataques com bombas atómicas”, concluiu a Pesquisa Estratégica de Bombardeamentos dos Estados Unidos de 1946, “a supremacia aérea sobre o Japão poderia ter exercido pressão suficiente para provocar a rendição incondicional e evitar a necessidade de invasão. Com base numa investigação detalhada de todos os factos e apoiada no testemunho dos líderes japoneses sobreviventes envolvidos, é de opinião da pesquisa que (...)  o Japão ter-se-ia rendido mesmo que as bombas atómicas não tivessem sido lançadas, mesmo que a Rússia não tivesse entrado em guerra [contra o Japão] e mesmo que nenhuma invasão tivesse sido planeada ou contemplada”.
Os Arquivos Nacionais de Washington contêm propostas de paz japonesas documentadas desde 1943. Nenhuma foi concretizada. Um telegrama enviado em 5 de maio de 1945 pelo embaixador alemão em Tóquio e intercetado pelos EUA deixava claro que os japoneses estavam desesperados pela paz, incluindo "capitulação mesmo que os termos fossem difíceis". Nada foi feito.
O secretário de guerra dos EUA, Henry Stimson, disse ao presidente Truman que estava "com medo" de que a Força Aérea dos EUA já tivesse bombardeado o Japão de tal maneira que a nova arma não seria capaz de "mostrar sua força". Mais tarde, Stimson admitiu que "nenhum esforço foi feito, e nenhum foi seriamente considerado, para se conseguir a rendição para não termos de usar a bomba [atómica]".
Os colegas de política externa de Stimson (…) deixaram claro que estavam ansiosos "por enfrentar os russos com a bomba [atómica]”. O general Leslie Groves, diretor do Projeto Manhattan que fabricou a bomba atómica, testemunhou: "Nunca tive ilusões de que a Rússia era a nossa inimiga e de que o projeto estava a ser conduzido nessa base".
No dia seguinte ao extermínio de Hiroshima, o Presidente Harry Truman expressava a sua satisfação pelo "enorme sucesso" da "experiência".

A “experiência” continuou muito depois do fim da guerra. Entre 1946 e 1958, os Estados Unidos explodiram 67 bombas nucleares nas Ilhas Marshall, no Pacífico: o equivalente a mais de uma Hiroshima por dia, durante 12 anos.
As consequências humanas e ambientais foram catastróficas. Durante as filmagens do meu documentário, The Coming War on China, aluguei uma pequena aeronave e voei para o Bikini Atoll nas ilhas Marshall. Foi aqui que os Estados Unidos explodiram a primeira bomba de hidrogénio do mundo. O solo continua envenenado. Os meus sapatos foram considerados "inseguros" pelo meu sensor Geiger. As palmeiras tinham formas estranhas. Não havia pássaros.
Caminhei pela floresta até ao bunker de betão onde, às 6h45 da manhã de 1º de março de 1954, o botão foi pressionado. O sol, acabado de nascer, ressuscitou e vaporizou uma ilha inteira na lagoa, deixando um vasto buraco negro, que do ar é um espetáculo ameaçador: um vazio mortal numa belo lugar.
A radioatividade espalhou-se rapidamente e "inesperadamente". A história oficial garante que "o vento mudou de repente". Foi a primeira de muitas mentiras, como revelam documentos desclassificados e testemunhos das vítimas.
Gene Curbow, meteorologista destacado para monitorizar o local do teste, disse: “Eles sabiam para onde iria a radioatividade. No próprio dia da explosão, eles ainda tinham a oportunidade de evacuar pessoas, mas [as pessoas] não foram evacuadas (…) Os Estados Unidos precisavam de cobaias para estudar os impactos da radiação”.
Tal como Hiroshima, o segredo das Ilhas Marshall era uma experiência calculada sobre a vida de um grande número de pessoas. Este foi o Projeto 4.1, que começou como um estudo científico de ratos e se tornou uma experiência em "seres humanos expostos à radiação de uma arma nuclear".
Os habitantes das ilhas Marshall que conheci em 2015 - como os sobreviventes de Hiroshima que entrevistei nas décadas de 1960 e 1970 - sofriam de uma variedade de cancros, geralmente cancro de tiroide; milhares já tinham morrido. Abortos e nadomortos eram vulgares; os bebés que sobreviviam tinham deformações horríveis.
Ao contrário de Bikini, o atol de Rongelap não tinha sido evacuado durante o teste da bomba H. Diretamente na direção do vento de Bikini, o céu de Rongelap escureceu e caiu o que parecia à primeira vista serem flocos de neve. A comida e a água estavam contaminadas; e a população contraiu cancro. Ainda hoje isso acontece.
Nerje Joseph mostrou-me uma fotografia sua quando criança em Rongelap. Ela tinha queimaduras faciais terríveis e grande parte dela estava sem pêlo. "Estávamos a tomar banho no poço no dia em que a bomba explodiu", disse. “Começou a cair poeira branca do céu. Abaixei-me para apanhar o pó. Usamo-lo para lavar o nosso cabelo. Alguns dias depois, o meu cabelo começou a cair.
Lemoyo Abon disse: “Alguns de nós sofríamos imenso. Outros tinham diarreia. Estávamos aterrorizados. Pensávamos que era o fim do mundo. ”(…)

Estamos a ser hoje bombardeados por uma campanha de propaganda sem precedentes. (…) Tudo o que é chinês é ruim, anátema, uma ameaça: Wuhan…. Huawei. (…)
Esta campanha não começou com Trump, mas com Barack Obama, que em 2011 voou para a Austrália para anunciar a maior concentração de forças navais dos EUA na região Ásia-Pacífico desde a Segunda Guerra Mundial. De repente, a China passou a ser uma "ameaça". Isso não fazia sentido. O que foi ameaçado foi a incontestável visão psicopática dos EUA de si mesmos como a nação mais rica, mais bem-sucedida e mais "indispensável". (…)
A declaração de Obama ficou conhecida como o "pivô para a Ásia". Um dos seus principais defensores era a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, que, como o WikiLeaks revelou, queria renomear o Oceano Pacífico como "o Mar Americano".
Embora Clinton nunca tenha ocultado o seu apoio, Obama era um mestre do marketing. ”Afirmo com clareza e convicção”, disse o novo presidente em 2009, “que o compromisso da América é buscar a paz e a segurança de um mundo sem armas nucleares”.
Obama aumentou os gastos com ogivas nucleares mais rapidamente do que qualquer presidente desde o final da Guerra Fria. Uma arma nuclear "utilizável" foi desenvolvida. Conhecida como o Modelo B61 12, significa, segundo o general James Cartwright, ex-vice-presidente do Estado-Maior, que "ser mais pequena [torna o seu uso] mais pensável".
O alvo é a China. Hoje, mais de 400 bases militares americanas cercam quase completamente a China com mísseis, bombardeiros, navios de guerra e armas nucleares. Da Austrália ao norte, através do Pacífico, ao sudeste da Ásia, Japão e Coreia, e através da Eurásia, ao Afeganistão e à Índia, as bases formam, como me disse um estratega norte-americano, "o laço perfeito". (…)
Mike Pompeo, secretário de Estado de Trump, é talvez o homem vivo mais perigoso. ”Eu fui diretor da CIA” gabou-se, “nós mentimos, aldrabámos, roubámos. É como se tivéssemos o curso completo”. A obsessão de Pompeo é a China.
O objetivo final de Pompeo é raramente discutido nos media anglo-americanos, onde os mitos e as invenções sobre a China são vulgares, tal como as mentiras sobre o Iraque. Um racismo virulento é o subtexto dessa propaganda. Classificados como "amarelos", embora sejam brancos, os chineses são o único grupo étnico que foi proibido por uma "lei de exclusão" de entrar nos Estados Unidos, porque eram chineses. A cultura popular declarou-os sinistros, indignos de confiança, "sorrateiros", depravados, doentes, imorais.
Uma revista australiana, The Bulletin, dedicou-se a promover o medo do "perigo amarelo" (…) Como escreve o historiador Martin Powers, reconhecendo o modernismo da China, a sua moralidade secular e como "as contribuições para o pensamento liberal ameaçavam a imagem europeia, tornou-se necessário suprimir o papel da China no debate iluminista ...". Durante séculos, a ameaça da China ao mito da superioridade ocidental tornou-a um alvo fácil para o ataque racista.” (…)
Para combater esse “desiderato”, o governo australiano de Scott Morrison comprometeu um dos países mais seguros do mundo, cujo principal parceiro comercial é a China, com centenas de biliões de dólares em mísseis americanos que podem ser lançados contra a China.
Depois disso, os australianos de ascendência chinesa formaram um grupo de vigilantes para proteger os estafetas de entregas. (…) Entre abril e junho, houve quase 400 ataques racistas contra asiáticos-australianos.
"Não somos vossos inimigos", disse-me um alto estratega na China, "mas se vocês [no Ocidente] decidem que somos, temos que nos preparar sem demora". O arsenal da China é pequeno comparado com o dos EUA, mas está crescendo rapidamente, especialmente o desenvolvimento de mísseis marítimos projetados para destruir frotas de navios.
"Pela primeira vez", escreveu Gregory Kulacki, da Union of Concerned Scientists, "a China pondera colocar os seus mísseis nucleares em alerta máximo, para que possam ser lançados rapidamente perante um ataque ... Isso seria uma mudança significativa e perigosa em Política chinesa ... ”
Amitai Etzioni, professor de assuntos internacionais da Universidade George Washington, escreveu quehavia um plano de "ataque ofuscante à China", com ataques que poderiam ser erroneamente percebidos [pelos chineses] como tentativas preventivas de neutralizar as suas armas nucleares, encurralando-os num terrível dilema de usar-ou-perder [que] levaria à guerra nuclear ”.

Em 2019, os EUA realizaram o seu maior exercício militar desde a Guerra Fria, grande parte em segredo. Uma armada de navios e bombardeiros de longo alcance ensaiaram um "Conceito de Batalha Ar-Mar para a China" - ASB - bloqueando as rotas marítimas no Estreito de Malaca e cortando o acesso da China a petróleo, gás e outras matérias-primas do Oriente Médio e África 
É o medo de tal bloqueio que fez a China desenvolver o programa Iniciativa do Cinturão e Rota ao longo da antiga Rota da Seda para a Europa e construir pistas em recifes e ilhotas disputados nas Ilhas Spratly. (…)
As realizações épicas da China moderna, a derrota da pobreza em massa e o orgulho e satisfação do seu povo são intencionalmente desconhecidos ou mal compreendidos no Ocidente. Isso por si só é um comentário sobre o estado lamentável do jornalismo ocidental e o abandono de reportagens honestas.
O lado sombrio repressivo da China e o que gostamos de chamar de "autoritarismo" são as fachadas que podemos ver quase que exclusivamente. É como se estivéssemos alimentando histórias intermináveis do supervilão malvado Dr. Fu Manchu. E é hora de perguntarmos por quê: antes que seja tarde demais para impedir a próxima Hiroshima.» John Pilger, Outra Hiroshima à vista, a menos que a paremos jáMintPress.

«Quando os americanos souberam pela primeira vez que o povo de Hiroshima e Nagasaki tinha sido vaporizado coletivamente em menos tempo do que o coração leva para bater, muitos aplaudiram. Mas nem todos. O poeta negro Langston Hughes reconheceu imediatamente a depravação moral de executar 100.000 pessoas e considerou o racismo como o fenómeno que havia permitido a depravação: “Por que razão é que não as experimentamos [bombas atómicas] na Alemanha…. Eles não quiseram usá-las em pessoas brancas.” Embora a construção da arma tenha sido concluída somente depois da rendição da Alemanha em 7 de maio de 1945, o Japão foi apontado como alvo em 18 de setembro de 1944 e os treinos para a missão já tinham começado no mesmo mês. O jornalista negro George Schuyler escreveu: “A bomba atômica coloca definitivamente os anglo-saxões no topo, onde permanecerão por décadas”; o país, na sua “arrogância racial, alcançou o triunfo supremo de poder abater cidades inteiras de cada vez”.» Elaine Scarry, Memorial Days: the racial underpinnings of the Hiroshima and Nagasaki bombings - Bulletin of the Atomic Scientists.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Vizela: Câmara avança com queixa-crime contra a Águas do Norte

  • Em 2019, os portugueses registaram uma subida nos seus rendimentos e isso significou mais consumo e mais desperdício. O aumento da reciclagem foi inexpressivo, tendo 57,6% dos nossos resíduos urbanos sido descartados em aterros. Abel Coentrão, Público 4ago2020.
  • A Câmara de Vizela interpôs uma queixa-crime contra a Águas do Norte, responsabilizando-a pelo mau funcionamento da ETAR de Serzedo, Guimarães. Amostras recolhidas pela autarquia após mais uma descarga daquela ETAR, revelam que a poluição supera o aceitável - número de bactérias Escherichia coli era de 24 mil por cem mililitros, quando o valor máximo estipulado é de 900. Tiago Mendes Dias, Público 4ago2020. A Águas do Norte garante não ter havido qualquer anomalia, que o equipamento que gere é do melhor que há e que apenas o reduzido caudal do rio impede uma diluição ildeal. Já em novembro de 2018, perante situação idêntica, a autarquia anunciara avançar com uma queixa-crime contra aquela empresa.
  • A ZERO considera que a legislação referente à Estratégia Nacional dos Recursos Geológicos não acautela o ambiente e a sustentabilidade. Tudo porque a nova legislação permite explorações mineiras mesmo com pareceres ambientais negativos. Os ambientalistas acusam o governo de controlo político sobre os municípios porque as concessionárias serão obrigadas a financiar projetos das autarquias afetadas. 
  • A refinaria alemã de Heide vai construir uma central de 30 MW a hidrogénio por eletrólise em parceria com a francesa EDF e a dinamarquesa Orsted. Reuters.

Bico calado

  • Juan Carlos I: «Franco, para mi, es un exemplo». Youtube.
  • «Em qualquer democracia saudável, a função dos media é informar. O dever dos media consiste em relatar as atividades do Chefe de Estado, mesmo quando ele é rei. E se não o fizerem, não poderão ser consideradas de media pela mesma razão que, se os governos não forem eleitos por voto, não poderemos chamá-lo de Democracia. Se um instrumento na forma de um lápis, a madeira de um lápis etc. não possui grafite ou qualquer outra substância que permita escrever, não é um lápis. Porque, por definição, um lápis é usado para escrever, desenhar etc. Portanto, se você não pinta porque não possui o material que o permite, não é lápis. Da mesma forma, se o que você tem à sua frente se parece com um jornal ou uma televisão, se o que você ouve parece um rádio, mas eles não relatam, eles não são meios de comunicação social. Foi exatamente isto que aconteceu em Espanha durante mais de quatro décadas, nas quais consideramos ter vivido em democracia. No entanto, os media não o foram, pois não informaram (entre outras coisas) sobre as atividades do Chefe de Estado, neste caso, infelizmente, um rei. Por outras palavras, você não pode chamá-los de media.  Durante quatro décadas, todos os principais media espanhóis falharam no seu dever. Durante quatro décadas, o papel de todos os meios de comunicação deste país foi silenciar as ações do Chefe de Estado. "Todos sabíamos" é a frase mais ouvida entre os jornalistas nos últimos meses. Referem-se à fortuna do rei Juan Carlos I, as suas comissões, o uso do seu ofício para se enriquecer, as atividades impróprias do seu ofício realizadas com a reverência dos demais poderes do Estado. Durante quarenta anos, todos os principais meios de comunicação da Espanha silenciaram todas as informações relacionadas com o Chefe de Estado. O papel dos media é informar. Silenciar é o oposto de informar. Se os media se dedicam ao silenciamento, eles não podem ser considerados como tal. A democracia não existe sem os media. Que nome lhe havemos de dar?» Cristina Fallarás, Nem media nem democraciaPúblico.es.
  • O rei Juan Carlos I jura lealdade a Franco. Youtube.
  • Um documento perturbador descreve os planos para um esquema de mudança de regime dos EUA contra o governo da Nicarágua, supervisionado pela USAID, para promover uma "economia de mercado" e uma limpeza de sandinistas. Ben Norton, The Grayzone.
  • «De acordo com o Tribunal de Contas, o ministro da Economia do PSD Álvaro Santos Pereira cometeu uma ilegalidade que se traduziu num prejuízo de 9,25 milhões de euros para o Estado. João Gomes Cravinho, atual ministro da Defesa, também é acusado de lesar o erário público.» Esquerda.
  • Guerras de propaganda: Departamento de Estado dos EUA financia agência de notícias anti-China na Austrália. Funcionários do serviço de notícias em língua chinesa Decode China, apoiado pelos EUA, estão ligados ao Falun Gong, o grupo espiritual que gastou milhões apoiando Donald Trump através de contas falsas nas redes sociais. As mesmas pessoas fazem parte do conselho da Fundação Nacional para as Relações Austrália-China. Marcus Reubenstein investiga o financiamento estatal americano dos media anti-China na Austrália e relações a traficantes de armas via ASPI. Michael West Media.
  • «Aqui podem comprar-se escravos à razão de seis ou sete por cavalo, e mesmo por um mau cavalo; pode também comprar-se ouro, ainda que em menor quantidade. (Duarte Pacheco Pereira, 1506)» Ana Barradas, Ministros da noite – Antígona 1995. 

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Figueira da Foz: Navigator recebe 27,5 milhões do BEI para caldeira de biomassa

  • Na Rua do Centro Social, Canedo, Santa Maria da Feira, um tubo misterioso despeja há vários meses esgoto para uma linha de água. A Junta de Freguesia, a Câmara e a Agência Portuguesa do Ambiente conhecem a situação mas até agora foram incapazes de descobrir o(s) prevaricado(es). Correio da Feira. Via Quercus Aveiro.
  • O Banco Europeu de Investimento concedeu um financiamento de 27,5 milhões de euros à The Navigator Company para a construção e exploração de uma nova caldeira a biomassa no complexo industrial da Figueira da Foz. JNegócios.
  • Assine esta petição e exija ao governo que adote, até ao final do ano, um sistema abrangente e ambicioso, que inclua não só o plástico, mas também garrafas de vidro, latas e alumínio. Os oceanos não podem esperar mais. As nossas praias e mares estão cheias de embalagens de bebidas. Ajude-nos a combater este flagelo!

China construiu mais de metade das novas centrais a carvão do mundo

  • Embaixador dos EUA fez lóbi pelo etanol norte-americano no Brasil, escreve Célia Mello na ClimaInfo, citando a denúncia dos deputados brasileiros Eliot Engel e Albio Sires, confirmada pelo deputado federal  Alceu Moreira. Todd Chapman terá feito lóbi dentro do governo brasileiro para conseguir isenção de tarifas de importação do etanol norte-americano, argumentando que isso favoreceria uma vitória de Trump em Iowa, o maior produtor de etanol dos EUA e um estado importante na contabilidade eleitoral do presidente.
  • Ativistas dos direitos dos animais do Texas vão manifestar-se sexta-feira, 7 de agosto, para condenar a morte de mais de 5.500 peixes no rio San Antonio, devido a uma fuga de amônia da fábrica de produtos alimentaraes Kiolbassa Smoked Meats. Sanford Nowlin, San Antonio Current.
  • O número de centrais a carvão encerradas, principalmente na Europa e nos EUA, ultrapassou as que foram criadas, principalmente na Ásia. A China construiu mais da metade das novas centrais a carvão do mundo. Fontes: Reuters e The Guardian.

Mão pesada

A energética francesa EDF foi multada em 4,5 milhões de libras por divulgação de informações falsas sobre o seu acordo com o governo britânico para construir a central nuclear de Hinkley Point C perto de Burnham-On-Sea. Uma multa de 50 mil euros foi auainda aplicada a Henri Proglio, na altura diretor executivo da EDF. Burnham-on-sea.

Bico calado

  • «Não é o mais poderoso, não é o mais influente, mas é o mais intocável de Portugal: o presidente do Benfica. Não este, todos. Mas, de todos, este é o que mais poder centra e concentra. Um poder aquém e além-desporto, que faz a ação política, judicial e jornalística sentir-se condicionada. Às vezes pelo que esta faz, mais vezes pelo que não faz. É também por isso que o fim dos debates combates televisivos é um desafio em si mesmo. É apenas um dos necessários. (…) A decisão anunciada pela SIC e prenunciada pela TVI de acabar com debates com comentadores afetos aos clubes não é um saneamento, é uma medida pela nossa sanidade e de emancipação dos próprios meios de comunicação social à pressão de os clubes mandarem até no espaço em que se lhes faz contraditório. Aplaudo de pé.(…).» Pedro Santos Guerreiro, O intocável de Portugal – Expresso 1ago2020.
  • Nos EUA é cada vez maior a pressão para o lançamento de uma vacina contra a covid-19 antes das eleições de novembro. Para disfarçar, no NYTimes, Andrew E. Kramer sugere que a Rússia vai à frente nessa corrida porque terá cortado etapas através de pirataria e por uma questão de orgulho nacional.
  • James Murdoch, filho de Rupert Murdoch, demitiu-se da News Corp alegando divergências sobre as decisões editoriais da empresa, conta a CBS. Há quem diga que se fartou da política do polvo mediático que privilegia a direita e o negacionismo climático.
  • «O conceito "companhia de fachada" evoca imagens de paraísos fiscais como o Panamá ou as Ilhas Virgens Britânicas. Mas um dos principais facilitadores mundiais de sigilo financeiro são os Estados Unidos. Em todos os estados, são necessários mais pormenores pessoais e provas de identidade para obter um cartão de uma biblioteca do que para criar uma empresa; os Estados Unidos são uma das últimas economias avançadas a não exigir informações de propriedade da empresa que possam ajudar a reprimir terroristas, chefes de drogas e aqueles que fogem às sanções dos EUA. Isso pode mudar em breve. Na semana passada, a Câmara aprovou um projeto de lei de autorização de defesa de US $ 740 milhões, que inclui alterações para exigir que as empresas divulguem os seus verdadeiros proprietários. Se essas disposições sobreviverem no projeto final do congresso, esta será a medida anticorrupção mais significativa adotada pelos Estados Unidos em décadas.» Amy Mackinnon, Foreign Policy.
  • «Esta eleição corre o risco de ser roubada. Por Donald Trump. Trump é do tipo de querer ganhar a todo custo. Para ele, as regras são como a borracha, não são fixas, mas flexíveis. Todas as estruturas - leis, convenções, normas - existem para outros, aqueles que não são suficientemente espertos e astutos para as evitar, aqueles que não têm vontade suficiente para as quebrar. Trump está a mostrar a todos o que estão dispostos a ver, de todas as formas possíveis, que está empenhado a fazer tudo e mais alguma coisa para ganhar a reeleição e que vai gritar se não o fizer, cenário que pode causar uma crise nacional sem precedentes. (...) Deixando de lado o facto de que Trump não tem o poder para adiar a eleição, ele está claramente a tentar minar a legitimidade do resultado, caso perca. Se ele vencer, dirá que o fez, apesar da fraude, e se perder, alegará que o fez por causa disso (…)» Charles M. Blow, Trump prevê a sua própria fraude - NYTimes.
  • O 75º aniversário das bombas atómicas: O 'sacrifício humano' de Truman para subjugar Moscovo. Nesta introdução às memórias de uma vítima do ataque a bomba atómica em Nagasaki, o historiador Peter Kuznick mostra por que as bombas foram lançadas e como a raiva de algumas vítimas impulsionou o movimento antinuclear japonês. Peter Kuznick, Consortium News.
  • Uma corrida às armas nucleares no espaço? Parece que não aprendemos nada com Hiroshima, escreve Simon Tisdall no The Guardian.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Covilhã: herbicida com glifosato continua a ser aplicado em espaços públicos

  • Uma das plantas raras do mundo resiste nas ilhas das Flores e Corvo: a Euphrasia azorica H.C.Watson. Via Felix Rodrigues.
  • Decorrem obras de ampliação dos viveiros do Jardim Botânico do Faial, com o objetivo de duplicar a capacidade instalada de propagação ‘ex situ’ de espécies de flora endémica dos Açores. O projeto é cofinanciado no âmbito do projeto LIFE VIDALIA, coordenado pela Direcção Regional do Ambiente, e tem como principal objetivo melhorar o estado de conservação das espécies de flora endémica protegidas ‘Azorina vidalii’ e ‘Lotus azoricus’ nas ilhas do Pico, Faial e São Jorge. CA.
  • Eleições no Fapas contestadas por ex-dirigentes e fundadores. Carta aberta contesta gestão de Nuno Oliveira e o processo eleitoral que o reconduziu no cargo. Público 31jul2020.
  • A empresa Águas da Covilhã continua a aplicar em espaços públicos produtos fitofarmacêuticos que contêm Glifosato, um herbicida potencialmente cancerígeno, denuncia o Interior do Avesso.
  • Enormes investimentos promovendo e subsidiando sementes e agrotóxicos comerciais em toda a África falharam no cumprimento do objetivo de aliviar a fome e tirar pequenos agricultores da pobreza, revela um documento publicado pelo Instituto Global de Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Tufts. Stacy Malkan, US Right to Know.

Bico calado

  • «(…) a máscara tornou-se uma peça obrigatória da farda civil deste novo tempo. Os políticos em campanha já não vão poder pronunciar aquela injunção que faz sempre acordar uma velha aliança entre a política e a mentira: “Read my lips”. (…) “Querer ser” ou “passar por” (isto é, envergar uma máscara mesmo quando se tem a cara totalmente destapada) faz parte da tarefa política, para a qual há os que têm muitas faculdades e outros têm poucas. E isso é uma condição essencial do sucesso. Mas o factor fisionómico é sempre essencial no teatro político. E é tão fundamental para o político da democracia liberal moderna como para aquelas três categorias de políticos de que falou Max Weber: o demagogo, o imbecil instintivo e o palhaço carismático. Não é por acaso que os chefes políticos mais resistentes ao uso da máscara foram Donald Trump e Jair Bolsonaro. É certo que eles defenderam desde o início a inocuidade da covid-19 e, portanto, agiram em conformidade com a sua atitude de negação. Mas havia também uma outra razão fundamental: com máscara, a performance fisionómica e os sinais que remetem para o corpo, para a significação do rosto na linguagem do poder, não funcionam. E, então, estes actores políticos vêem-se destituídos de uma das armas fundamentais que detinham. Se tiveram que continuar a usar máscara, precisam de inventar novos gestos.» António Guerreiro, A máscara como ornamento – Público 31jul2020.
  • Katrina Robinson, 39, senadora democrata do estado do Tennessee, foi acusada de roubar mais de US $ 600.000 em verbas federais e usá-los para pagar eventos de campanha e despesas pessoais, incluindo casamento, lua-de-mel e subsequente divórcio. NYTimes.
  • O conselho de ministros foi muito pesado. Mariana sentia-se mal junto daquela gente que há muito tempo a olhava de soslaio. Realmente só o seu optimismo e boa disposição permanentes a faziam aturar aquele ambiente mesquinho, em que a maioria dos presentes passava o tempo a bajular o primeiro-ministro, enquanto este, que tinha passado a semana a estudar os dossiers que eram discutidos na reunião, dizia de sua justiça. Mariana Belo já os tinha apanhado múltiplas vezes em falta. Isto é, Trigo Mendes sabia mais sobre as questões ali debatidas que os próprios interessados. Também, ele era nitidamente um homem de gabinete e não havia pormenor técnico que lhe passasse despercebido, enquanto a maior parte dos ministros o que queria, e o que fazia, era andar o dia todo a bambolear-se em inaugurações com discursos bombásticos para as televisões e jornaisHelena Sanches Osório, Nana - Bizâncio 1998.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Porto: projeto-piloto de recolha de garrafas de bebida em plástico atraiu 9.500 por dia


No Porto, o projeto-piloto de recolha de garrafas de bebida em plástico mediante uma compensação, em 23 locais, permitiu em três meses a recolha de mais de um milhão de garrafas, cerca de 9.500 por dia. Em declarações à Lusa a responsável lembrou que o projeto começou em março, altura do início do estado de emergência devido à pandemia de Covid-19, e que mesmo assim as 23 máquinas de recolha receberam cada uma cerca de 400 garrafas por dia. 
Financiado pelo Fundo Ambiental, o projeto contempla o pagamento de dois cêntimos por uma garrafa das mais pequenas (até meio litro) e de cinco cêntimos pelas maiores (até dois litros), tendo até agora sido pagos em vales cerca de 44 mil euros.
Entretanto, foram assinados mais oito contratos também de projetos-piloto de sistema de reembolso de depósito de garrafas de bebidas e latas, estes no âmbito do Programa Ambiente, criado na sequência da assinatura de um acordo entre Portugal, a Noruega, a Islândia e o Liechtenstein, o chamado EEA Grants. Ambiente Magazine.

Holanda: Arnhem vai reduzir as estradas de asfalto, criando áreas com sombra à volta de zonas comerciais

  • A cidade holandesa de Arnhem está a reduzir as estradas de asfalto, criando áreas com sombra à volta de zonas comerciais movimentadas, depois de concluir que as consequências do aquecimento global são inevitáveis. Segundo um plano de 10 anos para a cidade, propõe-se um novo layout para preparar melhor os moradores para condições climáticas extremas, como chuvas torrenciais, secas e ondas de calor intensas. O município decidiu que 10% do asfalto deve abrir caminho para que as gramíneas e outras plantas dissipem melhor o calor e melhorem a absorção de chuvas na cidade. Foi estabelecida uma meta para que 90% da água da chuva seja absorvida pelo solo, em vez de correr para os esgotos da cidade. As árvores serão plantadas ao longo de uma rede de estradas para proteger as pessoas do sol e novos pontos de "arrefecimento", com lagos e áreas cobertas, serão construídos perto de praças movimentadas e centros comerciais. Daniel Boffey, The Guardian.
  • Desde 10 de junho, os habitantes de Tautavel (Pirineus Orientais) não podem consumir água da torneira porque possui um nível muito alto de pesticidas, conta o Reporterre.
  • Espécies de abelhas selvagens, como o abelhão, estão a sofrer com a perda de habitat florido, uso de pesticidas tóxicos e, cada vez mais, com a crise climática. Entretanto, as as abelhas melíferas sofrem de doenças, levando a preocupações de que três quartos das culturas alimentares do mundo dependentes de polinizadores possam ser prejudicadas devido à falta de abelhas. Oliver Milman, The Guardian.
  • A indústria de energia nuclear indiana ainda se esconde sob o manto do sigilo e da opacidade, recusando revelar dados de segurança. Observadores ambientais de renome já expressaram apreensões sobre os padrões de segurança adotados pela estrutura nuclear, onde a negligência técnica ou a manutenção deficiente são comuns, e onde os órgãos reguladores da Índia costumam varrer grandes acidentes nucleares para debaixo do tapete. Syed Zain Jaffery, Tribune.
  • Tulsi Gabbard, uma das duas representantes dos Democratas no parlamento do Hawaii, rejeita a conclusão do Departamento de Energia dos EUA de uma fuga radioativa ocorrida no cemitério nuclear das Ilhas Marshall não representarperigo para os habitantes. «O governo dos EUA é responsável por este cemitério nuclear e deve garantir a proteção das pessoas e do meio ambiente contra os resíduos tóxicos lá armazenados», afirmou. The West Hawaii Today.

Bico calado

  • Pela primeira vez, a gigante chinesa Huawei vendeu mais telemóveis do que a sul-coreana Samsung no último trimestre, titula a Deutsche Welle.
  • Tim Bray abandonou o cargo de vice-presidente da Amazon Web Services em protesto contra contra o despedimento de trabalhadores que manifestavam preocupações sobre questões de saúde e segurança nos armazéns da empresa. NYTimes.
  • Os democratas americanos votaram esmagadoramente contra um projeto de resolução que reduzia a ajuda militar dos EUA a Israel, reporta o Middle East Monitor.
  • Daniel Hernandez, um promotor de corrupção colombiano pode estar a usar a sua posição para cobrir a corrupção estatal, em vez de a investigar. O "promotor" raramente processa alguém, e tem sido credivelmente acusado de interferir nas investigações sob sua responsabilidade, o que geralmente envolve amigos e chefes. Fontes: Columbia Reports e Blu Radio.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Mais passadiços NÃO, POR FAVOR!

  • «Em Portugal, já se chegou ao ridículo de implantar passadiços por cima de trilhos com várias décadas ou séculos de existência e perfeitamente circuláveis, quando a preocupação deveria ser recuperar e manter aquilo que os nossos antepassados criaram com tanto esforço e sem o auxílio de qualquer maquinaria. Não terão os Municípios outras necessidades bem mais urgentes? Não seria muito mais correto investir todo esse dinheiro na reflorestação e ornamentação das áreas que, infelizmente, todos os anos são devastadas pelos incêndios florestais?» VAMOS PROTEGER A NATUREZA E PARAR COM A IMPLANTAÇÃO DE PASSADIÇOS! A Natureza agradece. Subscreva a petição.
  • A Câmara de Braga abateu 12 árvores para permitir a renovação e expansão da ciclovia de Lamaçães, na avenida que sobe para o Bom Jesus. O abate foi levado a efeito no sábado, 25 de julho, após associações e cidadãos terem solicitado informação à autarquia sobre o projeto e de um vereador ter agendado uma reunião para 29 deste mês. «Uma Câmara Municipal que antecipa uma parte da obra para gozar abertamente com os cidadãos preocupados com a qualidade de vida da sua cidade e que mostra bem a elevação e abertura democrática deste executivo cada vez mais deprimente», conclui Luís Tarroso Gomes, FB.
  • O governo de Portugal selecionou mais de 30 projetos bilionários de hidrogénio para a construção de unidades de produção da chamada energia "verde" no país. A EDP, a Galp e a REN são um dos consórcios interessados. O objetivo é extrair hidrogénio “verde” da água através da eletrólise, um processo intensivo em energia, mas sem carbono, se alimentado por eletricidade renovável. Entretanto, um grupo de economistas e especialistas em energia divulgou um manifesto contra esta estratégia, alertando que custaria mais do dobro ou do triplo que produzir energia usando gás natural. Sérgio Gonçalves, Reuters.

Reino Unido: governo lança pacote de 2 mil milhões para incentivar caminhadas e ciclismo

  • O governo britânico lançou um pacote de 2 mil milhões de libras com o objetivo de incentivar caminhadas e ciclismo à medida que o confinamento diminui. O pacote financiará uma série de iniciativas, incluindo melhorias nas ciclovias e percursos pedestres, implementações de bicicletários, treino de proficiência em ciclismo e um esquema nacional de bicicletas elétricas. Sarah George, EurActiv.
  • O Guardian relata que um número recorde de 212 pessoas foram mortas o ano passado por defender as suas terras e o Ambiente. Mais de quatro defensores foram mortos semanalmente em 2019, de acordo com um número anual de mortes compilado pela Global Witness, refere o diário britânico. Os números destacam «o assassinato rotineiro de ativistas que se opõem às indústrias extrativas que impulsionam a crise climática e a destruição da natureza».
  • Mustafa Santiago Ali, administrador associado do Escritório de Justiça Ambiental da Agência de Proteção Ambiental dos EUA há mais de duas décadas, escreve no Guardian que «o racismo está literalmente a matar o nosso povo e nosso planeta (…) comunidades negras, étnicas, indígenas e pobres têm sido desproporcionalmente o depósito de lixo dos poluentes tóxicos mais mortais do nosso país». Este comentário corrobora o conteúdo de relatórios sobre investigações recentes confirmando que, nos EUA, «bairros negros e de minorias étnicas serão os mais atingidos pelo aquecimento global. As ondas de calor estão a agudizar as desigualdades raciais sistémicas, devendo a subida da temperatura prejudicar ainda mais as comunidades de cor se as emissões de gases de efeito estufa continuarem a subir», escreve Nina Lakhani.
  • Acredite ou não, as florestas migram - mas não tão depressa para combater a crise climática, escreve Zach St. George no seu livro The Journeys of Trees. Ari Shapiro, NPR.

Bico calado

  • Novo Banco vendeu 13 mil imóveis, emprestou dinheiro a quem comprou e Estado cobriu perdas. Público/Esquerda.
  • «(…) Quando tanto se indigna com as malfeitorias da administração do Novo Banco, Rio não pode esquecer que a escolha do «comprador» saiu da lavra de Sérgio Monteiro, secretário de Estado do governo de Passos Coelho e militante ou simpatizante do seu partido. Para tal não só considerou virtuoso o interesse da um fundo abutre, a Lone Star, conhecido por ter ficado com as casas de muitos irlandeses, que já haviam pago 95% do crédito contraído para as adquirir, mas também logo tornou-se num dos donos de empresa apostada em entrar no mesmo tipo de negócios. Caso para questionar sobre quem encontraríamos como donos daquele Fundo nas Ilhas Caimão, que fez a negociata desvendada pelo jornalista Paulo Pena nos últimos dias.(…)» Jorge Rocha.
  • Apple evita pagar impostos de US $ 15 mil milhões em recurso judicial da EU. O segundo tribunal mais importante da Europa anulou uma decisão da Comissão Europeia num grande golpe na tentativa de reprimir a evasão fiscal de empresas tributárias. Simon Bowers e Douglas Dalby, ICIJ.