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domingo, 26 de abril de 2026

EUA: 33 MILHÕES DE CRIANÇAS RESPIRAM AR TÓXICO EM NÍVEIS PERIGOSOS

  • Nos EUA, quase metade das crianças — mais de 33 milhões de crianças — vive em distritos com níveis perigosamente elevados de poluição atmosférica tóxica, informa o relatório anual sobre a qualidade do ar da American Lung Association. A 27.ª edição do relatório da ALA analisa dois dos poluentes atmosféricos mais comuns e perigosos — partículas finas e ozono troposférico, vulgarmente conhecido como smog — e atribui classificações a distritos e cidades com base nos níveis de poluição, tanto diários como anuais. No que o relatório descreve como uma indicação sombria da deterioração da qualidade do ar a nível nacional, apenas uma cidade — Bangor, no Maine — foi classificada nas três listas de cidades mais limpas, ao obter um «A» em ozono e poluição por partículas de curto prazo e ao figurar entre as 25 cidades com os níveis de partículas mais baixos ao longo do ano.
  • Uma recente sondagem realizada a meio da campanha eleitoral escocesa revelou um amplo apoio às fontes de energia renováveis para reduzir as contas de energia e combater as alterações climáticas. Questionados sobre as necessidades de segurança energética da Escócia, o apoio a um futuro nuclear baseado no urânio registou apenas 14%, em comparação com os 55% de apoio à exploração de fontes eólicas, hídricas e solares locais. Fonte.
  • Um estudo publicado na revista PLOS Climate revela que as maiores empresas mundiais do setor da carne e dos laticínios estão, de forma esmagadora, a praticar «greenwashing» — fazendo alegações ambientais que são enganosas, não verificáveis ou sem fundamento. 

BICO CALADO

  • Quando a Kellogg’s anunciou, no auge da crise das sanções contra a Venezuela em 2018, que iria abandonar o país de um dia para o outro e despedir centenas de pessoas, os trabalhadores entraram em ação. Com a ajuda do governo, abriram a fábrica e continuaram a trabalhar. A fábrica continua em funcionamento — e muito bem — até hoje, empregando centenas de pessoas diretamente, mantendo a economia local em movimento e apoiando também os agricultores venezuelanos — porque as matérias-primas são 100% venezuelanas. Craig Murray, Uma história inspiradora sobre o poder dos trabalhadoresSubstack.
  • A 22 de abril de 1976, ocorreu um atentado à Embaixada de Cuba em Lisboa, reclamado pelo Movimento Anticomunista Português, que tinha ligações ao Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), uma organização de extrema-direita. Colocaram uma bomba em frente ao elevador principal da Embaixada com mais de 6 quilos de TNT que destruiu completamente o piso. O atentado matou dois trabalhadores cubanos da Embaixada, Adriana Corço Callejas, de 36 anos e Efrén Monteagudo Rodríguez, de 33 anos. O processo judicial durou mais de 5 anos e a maioria dos envolvidos acabou por não ser julgado. Este atentado fez parte de uma onde de ataques a embaixadas cubanas em dezenas de países, durante os anos 70, bem como uma onda de atentados de extrema-direita em Portugal, em 1976. Importa lembrar que o MDLP teve apoio das ditaduras espanhola, chilena e brasileira, da igreja católica, da direita - inclusive do PS. Entre os membros, que eram desde militantes do PSD a ex-PIDEs, estão o General Spínolao atual comentador televisivo José Miguel Júdice e Diogo Pacheco de Amorimdeputado e vice-presidente do Chega, um partido de extrema-direita portuguesa.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

CINCO EMPRESAS REFORÇAM CAPITAL DO FUNDO FLORESTAS DE PORTUGAL


O Fundo Florestas de Portugal, gerido pela Fidelidade SGOIC, reforçou o seu capital para cerca de 12 milhões de euros com a entrada de novos investidores, incluindo Corticeira Amorim, Fidelidade, Jerónimo Martins, Mota-Engil e REN. O fundo tem como objetivo valorizar o capital investido através da gestão ativa de recursos agroflorestais e dos serviços de ecossistema, incluindo a geração de créditos de carbono de elevada qualidade. Fonte.

Terá isto a ver com o alerta de Luís NevesMinistro da Administração Interna? - “O verão vai ser terrível, pode ser muito difícil, há fatores novos, extraordinários, negativos, e, por isso, eu peço, em nome de todos, que cada um possa fazer o seu trabalho. O tempo de preparação, de limpeza, de identificação de dificuldades é agora, este é o momento oportuno”.

REINO UNIDO: APLICAÇÃO DE GLIFOSATO PARA ELIMINAR ERVAS GERA INDIGNAÇÃO NA CORNUALHA

Dezenas de manifestantes reuniram-se na Câmara Municipal de Truro antes de uma reunião do conselho na terça-feira. 
Foto: Karen Robinson/The Guardian
  • Há uma acesa disputa na Cornualha, no Reino Unido, em torno de uma proposta da autarquia para utilizar o herbicida glifosato no controlo de ervas daninhas em passeios e bermas, após uma década de gradual eliminação do seu uso. Milhares de pessoas assinaram petições, e os manifestantes (incluindo apicultores com fatos de proteção e um residente com máscara de gás) argumentam que o glifosato representa riscos para a saúde humana, as abelhas, a vida selvagem, cursos de água e praias. Eles consideram as ervas daninhas como valiosas flores silvestres. Entretanto, os vereadores votaram a favor de uma moção para suspender o plano. O executivo camarário irá agora decidir se deve avançar, tendo um responsável pelo ambiente observado que seria moralmente errado ignorar uma mensagem tão clara. Algumas autarquias locais mais pequenas estão a organizar alternativas com voluntários ou cabras comunitárias. Fonte.
  • Steve Green: a ciclópica missão de remover barcos de fibra de vidro a apodrecer e a poluir a zona costeira da Cornualha. Fonte.
  • A Comissão Federal Reguladora de Energia multou a American Efficient, sediada em Durham, Carolina do Norte, em 722 milhões de dólares e ordenou que a empresa devolvesse mais de 410 milhões de dólares em lucros indevidos devido a alegadas fraudes no seu programa de eficiência energética. A FERC alega que a American Efficient ocultou informações essenciais aos operadores da rede elétrica, o que permitiu à empresa manipular os mercados de energia. Fonte.
  • Um juiz federal impediu a administração Trump de «aplicar uma série de políticas de licenciamento que, segundo grupos do setor da energia eólica e solar, têm entravado o desenvolvimento de novos projetos de produção de energia», informa a Reuters. De acordo com a agência noticiosa, o juiz «emitiu uma liminar, solicitada por nove grupos de defesa e associações comerciais do setor, que argumentaram que a administração tinha imposto obstáculos ilegais que paralisaram o desenvolvimento de projetos de energia eólica e solar em todo o país». Fonte.
  • «Cinco organizações ambientais estão a apresentar uma petição a um tribunal federal de recurso para que seja invalidada uma licença de qualidade da água emitida pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA para um controverso gasoduto da Transco.» Fonte.

BICO CALADO

  • Mais de mil artistas apelam a boicote da Eurovisão: "Branqueia genocídio". Fonte.
  • "(...) Lula da Silva está de visita a Portugal, uma honra para o País que moldou o seu, que lhe deixou a língua que nos une e o património histórico comum. Esperava-se dos portugueses o sentimento de regozijo por termos entre nós o presidente da maior democracia do continente americano, um homem que alia à dimensão afetiva e humanista verdadeira paixão por Portugal e uma genuína amizade pelo povo português. (...) Mas, há sempre um mas. Das sarjetas da política partidária, das alfurjas do salazarismo serôdio, saem marginais consumidos pelo ódio, movidos pelo ressentimento, tocados por um marginal, dispostos a insultar o homem que paira bem acima dos homúnculos que o 4.º Pastorinho arregimenta para aparecer nas televisões a grunhir impropérios. Os fascistas que saíram à rua, para insultar Lula da Silva, pretendem digerir a derrota de Orban na Hungria, a repugnância de Trump em todo o mundo, a náusea de Bolsonaro, o asco de Netanyahu e a memória dos regimes nazifascistas que os inspira. Há naqueles marginais uma sede de protagonismo que só a boçalidade e a coreografia lhes asseguram. Podia pensar-se que a manifestação contra a corrupção era contra o próprio Chega que pretende ocultar o nome dos financiadores, e era contra o presidente Lula, com gritos de apoio a Bolsonaro gritado em uníssono com brasileiros que o Chega quer reenviar para o Brasil. (...)" Carlos Esperança.
  • O recém-lançado relatório anual sobre a situação de direitos humanos no mundo diz que Portugal violou o direito humanitário ao permitir que os aviões F-35 vendidos pelos EUA a Israel aterrassem na Base das Lajes em abril de 2025.
  • Quem nos protege do Estado que protege o fascismo? Raquel Varela.
  • Uma empresa israelita incluída na lista negra da ONU devido às suas atividades na Cisjordânia arrecadou mais de mil milhões de dólares com o petróleo e o gás do Mar do Norte em apenas seis anos – e poderá vir a ganhar ainda mais se o campo de Rosebank for aprovado. Fonte.
  • O Mythos da Anthropic acaba de dar início a uma nova corrida ao armamento. Enrique Dans, Medium.

LEITURAS MARGINAIS

TRUMP, O DEUS
Chris Hedges, ScheerPost. Trad. O’Lima.
A forma como Trump se apresenta como Jesus, ou como alguém ungido por Jesus, é típica dos líderes de seitas.

Durante os dois anos que passei a escrever «American Fascists: The Christian Right and the War on America», deparei-me com inúmeros mini-Trumps. Estes autoproclamados pastores — muito poucos tinham qualquer formação religiosa formal — aproveitavam-se do desespero dos seus fiéis. Estavam rodeados de bajuladores e não podiam ser questionados. Misturavam factos com ficção, propagavam pensamentos mágicos e enriqueciam à custa dos seus seguidores. Afirmavam que a sua riqueza e estilo de vida ostentoso, incluindo mansões e jatos privados, eram um sinal de bênção. Insistiam que eram divinamente inspirados e ungidos por Deus. Dentro dos círculos herméticos das suas mega-igrejas, eram omnipotentes.

Estes pastores de seitas prometeram usar o seu poder absoluto para esmagar as forças demoníacas que tinham causado sofrimento na vida dos seus seguidores — desemprego e subemprego, despejos, falências, pobreza, dependência, abuso sexual e doméstico, e um desespero paralisante. Quanto mais poder os líderes das seitas possuem — segundo os seus seguidores —, mais certo é o paraíso prometido. Os líderes de seitas estão acima da lei. Aqueles que depositam desesperadamente a sua fé neles querem que eles estejam acima da lei.

Os líderes de seitas são narcisistas. Exigem adulação obsequiosa e obediência total. A afirmação do Secretário da Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., de que Donald Trump é capaz de traçar um «mapa perfeito» do Médio Oriente, ou a declaração da Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, de que Trump é sempre a «pessoa mais culta na sala», são dois dos inúmeros exemplos da bajulação abjeta exigida por aqueles que fazem parte do círculo íntimo de um líder de culto. A lealdade cega importa mais do que a competência.

Os líderes de seitas são imunes a críticas racionais e baseadas em factos por parte daqueles que depositam esperança neles. É por isso que os seguidores mais fervorosos de Trump não o abandonaram e não o abandonarão. Toda a conversa sobre fissuras no universo MAGA interpreta mal os adeptos de Trump.

Todas as seitas são cultos de personalidade. São extensões dos preconceitos, da visão do mundo, do estilo pessoal e das ideias do líder da seita. Trump, com o seu falso «brasão Trump», deleita-se com um kitsch de mau gosto inspirado em Luís XVI, inundado de rococó dourado e lustres cintilantes. As mulheres da corte de Trump têm «rostos Mar-a-Lago» – lábios excessivamente inchados, pele esticada e sem rugas, implantes mamários cheios de gel de silicone e maçãs do rosto salientes, rematados por montes de maquilhagem. Usam saltos agulha e roupas berrantes que Trump considera atraentes. Os homens de Trump, que aos seus olhos devem ser telegénicos e saídos de um «casting central», vestem-se como executivos de publicidade dos anos 50. Calçam sapatos pretos Florsheim oferecidos por Trump, especificamente os Lexington Cap Toe Oxfords de 145 dólares.

Os cultos impõem códigos de vestuário que refletem o estilo e o gosto do líder do culto.

Os seguidores do guru indiano Bhagwan Shree Rajneesh, também conhecido como Osho, vestiam túnicas vermelhas e laranjas, muitas vezes combinadas com uma camisola de gola alta e colares de contas. Os membros da Heaven’s Gate usavam ténis Nike Decade e calças de treino pretas. Os homens da Igreja da Unificação, conhecidos como Moonies, usavam camisas brancas impecáveis e calças de ganga passadas a ferro. As mulheres usavam vestidos. Pareciam estar a caminho da catequese.

Tal como Jim Jones, que convenceu ou obrigou mais de 900 dos seus seguidores — incluindo 304 crianças com 17 anos ou menos — a morrerem ao ingerirem uma bebida com cianeto, Trump está a promover agressivamente o nosso suicídio coletivo.

Trump descarta a crise climática como uma farsa. Retira-se unilateralmente de acordos e tratados sobre armas nucleares. Antagoniza potências nucleares, como a Rússia e a China. Lança guerras de forma impetuosa. Afasta e insulta os aliados dos EUA. Sonha em anexar a Gronelândia e Cuba. Abraça uma cruzada sagrada contra os muçulmanos. Ataca os seus adversários políticos como inimigos e traidores, menosprezando-os com insultos grosseiros. Corta programas sociais destinados a apoiar os mais vulneráveis. Expande um aparelho de segurança interna — capangas mascarados da Agência de Imigração e Alfândega (ICE) — para aterrorizar o público. As seitas não acolhem nem protegem. Elas subjugam, aniquilam e destroem.

Trump recorre às forças armadas dos EUA sem supervisão nem restrições. Por esta razão, preside ao que o psiquiatra Robert Jay Lifton designou como uma «seita destruidora do mundo». Lifton enumera oito características das «seitas destruidoras do mundo» que implantam o que ele denomina «ambientes totalitários».

Estas oito características são:

1. Controlo do ambiente. O controlo total da comunicação dentro do grupo.
2. Manipulação da linguagem. Utilizar a «linguagem do grupo» para censurar, editar e silenciar críticas ou ideias contrárias. Os seguidores devem repetir os clichés sem sentido aprovados por Trump e o jargão da seita.
3. Exigência de pureza. Uma visão do mundo do tipo «nós contra eles». Aqueles que se opõem ao grupo estão errados, são ignorantes e maléficos. São irremediáveis. São contaminantes. Devem ser erradicados. Qualquer ação é justificada para proteger esta pureza. O objetivo de todos os líderes de seitas é ampliar e tornar irreconciliáveis as divisões sociais.
4. Confissão: A confissão pública de erros passados. No caso dos apoiantes de Trump, isto inclui a renúncia, como fizeram o vice-presidente dos EUA JD Vance e outros, às críticas passadas a Trump, com a admissão pública do seu antigo pensamento errado.
5. Manipulação mística. A crença de que os membros do grupo foram especialmente escolhidos para um propósito superior. Quem faz parte do círculo de Trump age como se tivesse sido divinamente eleito. Convencem-se de que não são coagidos a aceitar as mentiras e vulgaridades de Trump — ou a repetir o jargão da seita —, mas que o fazem voluntariamente.
6. A doutrina acima da pessoa. A reescrita e a invenção da história pessoal para se adequar à interpretação de Trump da realidade.
7. Ciência sagrada. Os absurdos de Trump — as temperaturas globais estão a diminuir em vez de aumentar, o ruído das turbinas eólicas causa cancro e a ingestão de desinfetantes como o Lysol é um tratamento eficaz para o coronavírus — são apresentados como tendo fundamento científico. Esta patine científica significa que as ideias de Trump se aplicam a todos. Quem discorda não é científico.
8. Dispensa da existência. Os não membros são «seres inferiores ou indignos». Uma existência significativa significa fazer parte do culto de Trump. Aqueles que estão fora do culto são inúteis. Não merecem consideração moral.

Trump não difere dos líderes de seitas do passado, incluindo Marshall Herff Applewhite e Bonnie Lu Nettles — os fundadores da seita Heaven’s Gate —, o reverendo Sun Myung Moon — que liderou a Igreja da Unificação —, Credonia Mwerinde — que liderou o Movimento para a Restauração dos Dez Mandamentos de Deus no Uganda — Li Hongzhi — o fundador do Falun Gong — e David Koresh, que liderou a seita Branch Davidian em Waco, Texas.

Os líderes de seitas são profundamente inseguros, razão pela qual reagem com fúria à mais leve crítica. Eles mascaram essa insegurança com crueldade, hipermasculinidade e grandiosidade bombástica. São paranóicos, amorais, emocionalmente incapacitados e fisicamente abusivos. Aqueles que os rodeiam, incluindo crianças, são objetos a serem manipulados para o seu enriquecimento, prazer e, muitas vezes, entretenimento sádico.

As seitas caracterizam-se pela pedofilia e pelo abuso sexual. Aqueles que frequentavam o círculo do pedófilo Jeffrey Epstein, incluindo Trump, replicaram o abuso endémico nas seitas.

‘As crianças do Templo do Povo eram frequentemente vítimas de abuso sexual’, escreve Margaret Singer em ‘Cults In Our Midst: The Continuing Fight Against Their Hidden Menace’. ‘Enquanto o grupo ainda se encontrava na Califórnia, raparigas adolescentes com apenas quinze anos eram obrigadas a ter relações sexuais com pessoas influentes cortejadas por Jones. Um supervisor das crianças em Jonestown tinha antecedentes de abuso sexual infantil, e o próprio Jones agrediu algumas das crianças. Se maridos e esposas fossem apanhados a conversar em privado durante uma reunião, as suas filhas eram obrigadas a masturbar-se em público ou a ter relações sexuais com alguém de quem a família não gostava, perante toda a população de Jonestown, tanto crianças como adultos.’

As seitas, escreve Singer, são ‘um espelho do que está dentro do líder da seita’.

‘Ele não tem quaisquer restrições’, escreve ela sobre o líder da seita: ‘Ele consegue dar vida às suas fantasias e desejos no mundo que cria à sua volta. Consegue levar as pessoas a fazerem o que ele quer. Consegue tornar o mundo que o rodeia verdadeiramente o seu mundo. O que a maioria dos líderes de seitas consegue é semelhante às fantasias de uma criança a brincar, criando um mundo com brinquedos e objetos. Nesse mundo de brincadeira, a criança sente-se omnipotente e cria um reino próprio por alguns minutos ou algumas horas. Ela move as bonecas de brincar. Elas cumprem as suas ordens. Repetem as suas palavras. Ela castiga-as como bem entender. Ela é todo-poderosa e dá vida à sua fantasia. Quando vejo as mesas de areia e as coleções de brinquedos que alguns terapeutas infantis têm nos seus consultórios, penso que um líder de culto deve olhar à sua volta e colocar pessoas no mundo que criou, tal como a criança cria na mesa de areia um mundo que reflete os seus desejos e fantasias. A diferença é que o líder de culto tem seres humanos reais a cumprir as suas ordens, enquanto cria à sua volta um mundo que brota do interior da sua própria cabeça.’

A linguagem do líder de culto baseia-se na confusão verbal. Mentiras, teorias da conspiração, ideias bizarras e declarações contraditórias, muitas vezes proferidas na mesma declaração ou com apenas alguns minutos de intervalo, paralisam aqueles que tentam analisar o líder de culto de forma racional. O absurdo é o objetivo. O líder de culto não leva a sério as suas próprias declarações. Muitas vezes, nega tê-las proferido, apesar de estarem documentadas. Mentiras e verdades são irrelevantes. O líder da seita não procura transmitir informação ou verdade. O líder da seita procura apelar às necessidades emocionais dos membros da seita.

‘Hitler manteve os seus inimigos num estado de constante confusão e agitação diplomática’, escreveu Joost A.M. Meerloo em ‘The Rape of the Mind: The Psychology of Thought Control and Menticide’. ‘Eles nunca sabiam o que este louco imprevisível iria fazer a seguir. Hitler nunca foi lógico, porque sabia que era isso que se esperava dele. A lógica pode ser combatida com lógica, enquanto a ilógica não pode — ela confunde aqueles que pensam com clareza. A Grande Mentira e o disparate repetido monotonamente têm mais apelo emocional numa guerra fria do que a lógica e a razão. Enquanto o inimigo ainda procura um contra-argumento razoável para a primeira mentira, os totalitários podem atacá-lo com outra.’

Não importa quantas mentiras proferidas por Trump sejam meticulosamente documentadas. Não importa que Trump tenha usado a presidência para enriquecer cerca de 1,4 mil milhões de dólares ao longo do último ano, segundo a Forbes. Não importa que ele seja incompetente, preguiçoso e ignorante. Não importa que ele tropece de um desastre para outro, desde as tarifas até à guerra contra o Irão.

O sistema tradicional, cuja credibilidade foi destruída devido à sua traição à classe trabalhadora e à sua subserviência à classe bilionária e às corporações, tem pouco poder sobre os apoiantes de Trump. O seu sarcasmo apenas aumenta a popularidade dele. Os cultos políticos são os filhos bastardos de um liberalismo falhado. A taxa de aprovação de Trump pode estar em cerca de 40 por cento, a 20 de abril — de acordo com uma média de várias sondagens compiladas pelo The New York Times — mas a sua base permanece inabalável.

O Partido Democrata, em vez de mudar de rumo para abordar a desigualdade social e o abandono da classe trabalhadora — que ajudou a orquestrar —, optou pelos cortes fiscais como caminho para recuperar o poder. Mais uma vez, reduzirá a nossa crise social, económica e política à personalidade de Trump. Não proporá quaisquer reformas para corrigir a nossa democracia falhada. Isto é um presente para Trump e os seus seguidores. Ao recusarem-se a reconhecer a responsabilidade pela desigualdade e ao proporem programas para amenizar o sofrimento que ela causou, os democratas envolvem-se no mesmo tipo de pensamento mágico que os seguidores de Trump.

Não há saída para esta disfunção política, a menos que surjam movimentos populares para paralisar a máquina do governo e do comércio em nome de um público traído. Mas o tempo está a esgotar-se. Trump e os seus capangas estão decididos a invalidar ou cancelar as eleições intercalares se perceberem que vão ser derrotados. Se isso acontecer, o culto a Trump será inatacável.

terça-feira, 21 de abril de 2026

PRÉMIOS GOLDMAN 2026

  • Vencedores do Prémio Ambiental Goldman de 2026: Sarah Finch e o Weald Action Group lideraram uma campanha contra a exploração petrolífera no sudeste de Inglaterra durante mais de uma década, perseverando ao longo de cinco anos de disputas judiciais cada vez mais acirradas contra um projeto de exploração petrolífera em Surrey, até que a coligação conseguiu uma decisão do Supremo Tribunal, em junho de 2024, que finalmente obrigou ao seu encerramento; Em nome de 15 nações tribais, Yup’ik Alannah Acaq Hurley liderou uma campanha que impediu a concretização do megaprojeto da mina de cobre e ouro Pebble, na região da Baía de Bristol, no Alasca; A ativista Borim Kim e a sua organização, Youth 4 Climate Action, venceram o primeiro processo judicial sobre o clima liderado por jovens na Ásia. Em agosto de 2024, o Tribunal Constitucional da Coreia do Sul considerou que a política climática do governo violava os direitos constitucionais das gerações futuras, determinando a criação de metas de redução de emissões juridicamente vinculativas para o período de 2031 a 2049, a fim de cumprir o compromisso do país de atingir emissões líquidas nulas até 2050; Yuvelis Morales Blanco ajudou a mobilizar a sua comunidade em Puerto Wilches contra dois importantes projetos de perfuração, impedindo com sucesso a introdução da fraturação hidráulica comercial na Colômbia. Em 2022, a maior empresa petrolífera do país, a Ecopetrol, suspendeu os seus contratos relativos ao projeto-piloto de fraturação hidráulica; Theonila Roka Matbob liderou uma campanha bem-sucedida que levou a Rio Tinto, a segunda maior empresa mineira do mundo, a assinar, em novembro de 2024, um memorando de entendimento histórico para fazer face à devastação ambiental e social causada pela sua mina de Panguna, há muito inativa; Depois de redescobrir o morcego-de-cauda-curta-e-orelhas-redondas, uma espécie em perigo de extinção, na Nigéria, Iroro Tanshi identificou os incêndios florestais provocados pelo homem como a principal ameaça à espécie e lançou uma campanha bem-sucedida para proteger o seu refúgio, o Santuário de Vida Selvagem da Montanha Afi. Entre o início de 2022 e maio de 2025, ela e as brigadas de incêndio da sua comunidade impediram a ocorrência de incêndios florestais graves dentro e nos arredores do santuário, patrulhando milhares de quintas e respondendo eficazmente a mais de 70 focos de incêndio, salvaguardando as comunidades, as florestas e o frágil habitat do morcego.
  • Grupos ambientalistas entraram com uma ação judicial contra a administração Trump devido à aprovação do novo e gigantesco projeto de perfuração petrolífera em águas ultraprofundas da BP no Golfo do México, 16 anos depois do dia em que o desastre da Deepwater Horizonda mesma empresa, causou o pior derrame de petróleo da história dos EUA. Fonte.
  • As grandes petrolíferas investem milhares de milhões em locais de perfuração remotos para escapar à agitação no Irão. A Exxon apresentou um plano para investir até 24 mil milhões de dólares nos campos petrolíferos em águas profundas da Nigéria, enquanto a Chevron expandiu a sua presença na Venezuela. A BP adquiriu participações em blocos petrolíferos ao largo da costa da Namíbia e a TotalEnergies assinou um acordo de exploração com a Turquia. Fonte.
  • O que a OCDE ainda não conseguiu dizer sobre os incêndios em Portugal. O relatório final chega quase ao ponto. Depois pára, e deixa de fora o eucalipto, a celulose e a monocultura que fabricou a paisagem que arde. Ricardo Meireles.

BICO CALADO

  • “Em março de 2019, antes da fundação do Chega, o ‘número dois’ de Ventura por Lisboa nas legislativas de 2022 e presidente da comissão de éticado partido. Foi alvo de uma ação judicial em Santarém por parte da ex-mulher. Em causa, o incumprimento das responsabilidades parentais relativas ao filho menor, com necessidades especiais. Fontes judiciais e familiares próximas da queixosa, enfermeira, alegavam que o antigo sócio de empresas tecnológicas e da sociedade agrícola Villabosque fez depender da conquista de um cargo político remunerado o pagamento integral da pensão de alimentos. Enquanto isso, tentou reduzi-la de 425 euros para 50 euros mensais. Em novembro de 2020, Rui Paulo Sousa, que já falhara pagamentos e despesas médicas, descreveu ao tribunal a sua alegada - e precária - situação laboral: falou dos prejuízos na Villabosque, disse viver em casa da mulher e depender dela para o pagamento de despesas pessoais. Garantiu ainda que não recebia ordenado no Chega: «O partido paga despesas de deslocação no âmbito das campanhas eleitorais e relativas à comitiva do presidente, da qual tenho feito parte.» No final de 2020, Rui Paulo Sousa reforçou, perante o tribunal, as suas expectativas em relação ao partido: «a longo prazo» contava conquistar um cargo político e, aí sim, obteria alguma remuneração. Porém, para que tal se concretizasse, teria de vencer as eleições autárquicas em 2021. Candidato à Câmara de Castelo Branco, o dirigente não foi sequer eleito vereador. Sem vencimento e, a dada altura, apenas a receber o subsídio de desemprego de pouco mais de 765 euros, o agora deputado propusera-se recorrer à conta bancária conjunta com o filho, para onde ele e a sua família transferem dinheiro, para o pagamento da pensão de alimentos. No final de 2020, o saldo da mesma era superior a 18 mil euros. A ex-mulher contestou: tal significaria pagar a pensão com o dinheiro do próprio filho. Vai daí, transferiu o dinheiro para outra conta em nome da criança, movimentada a crédito, como ‘forma de salvaguardar o património do menor’ e precaver-se. Acusou ainda o ex-marido de enganar o tribunal sobre a sua real situação financeira. Segundo ela, Rui Paulo Sousa vendera a quota numa empresa informática por 200 mil euros e recebera subsídios públicos superiores a 300 mil euros em nome da Villabosque, de que era sócio-gerente. O diferendo solucionou-se no final de 2022. O deputado já tinha o tal cargo político remunerado que almejava. Exercido em exclusividade, garantia mais de 4000 euros mensais ilíquidos. Apresentou-se em tribunal e aceitou devolver, com juros, o dinheiro retirado da conta do filho.” Miguel Carvalho, Por dentro do Chega – Penduin/Objectiva 2025 – pp 594-59
 
  • Investigação secreta revela que uma instituição de caridade promovia como «fantásticos» os colonatos ilegais e alegava poder beneficiar de subsídios fiscais do Reino Unido. Fonte.
  • Um soldado israelita filmou-se a destruir uma estátua de Jesus Cristo numa aldeia no sul do Líbano, num incidente que suscitou uma condenação generalizada e que foi posteriormente reconhecido pelo exército israelita. Na sequência do incidente, o exército afirmou estar a «conduzir uma investigação», mas não forneceu detalhes claros sobre as circunstâncias nem indicou quaisquer medidas concretas para a responsabilização dos envolvidos. Fonte.
  • Documentos orçamentais revelam que o Departamento de Segurança Interna está a desenvolver óculos inteligentes especializados que permitirão aos agentes federais nas ruas americanas identificar automaticamente «estrangeiros em situação irregular» à distância. Estes novos «ICE Glasses», baseados em modelos já existentes que permitem a gravação de vídeo e a exibição de dados no campo de visão, serão capazes de aceder a vastos bancos de dados biométricos federais — desde o reconhecimento facial até ao modo de andar — para identificar pessoas em tempo real. Fonte.
  • O líder do Reform UK, Nigel Farage, é o deputado mais bem pago do Parlamento. Em menos de dois anos como deputado por Clacton, Farage acumulou 2 milhões de libras em rendimentos pessoais e presentes, para além do seu salário parlamentar anual de 94 000 libras. Fonte.
  • Massacre de Lisboa de 1506. Carlos Esperança, Ponte Europa.