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quinta-feira, 28 de maio de 2026

ÉVORA E BEJA COMBATEM CALOR COM MUDANÇAS NA PAISAGEM URBANA

  • Évora e Beja lideram a transformação urbana no Alentejo através de um projeto-piloto nacional desenhado para reverter o efeito das ilhas de calor e baixar as temperaturas extremas no verão. A estratégia assenta na reconversão de pavimentos áridos, plantação massiva de árvores e instalação de sistemas inovadores de arrefecimento natural por água. As intervenções estruturais nas duas cidades alentejanas vão muito além da jardinagem tradicional, consistindo em engenharia urbana focada na resiliência climática para reter a humidade e bloquear a radiação solar direta. Uma das principais frentes de obra foca-se na substituição do asfalto escuro e dos pavimentos cimentados por pisos permeáveis de cores claras, que refletem a radiação solar e evitam a acumulação de calor no solo. Em paralelo, decorre a plantação estruturada de árvores de copa densa e espécies autóctones, selecionadas especificamente por necessitarem de pouca água e por garantirem a criação imediata de vastas zonas de sombra natural. Para maximizar o arrefecimento por evaporação, os projetos integram a instalação de espelhos de água dinâmicos, fontes decorativas, pulverizadores urbanos e pequenas bacias de retenção que ajudam a humedecer o ar circundante. Estas medidas são interligadas através de redes de conforto climático, que consistem em corredores pedonais sombreados por toldos térmicos e vegetação vertical, permitindo a circulação segura dos cidadãos entre as áreas residenciais e os novos refúgios climáticos da cidade. Em Évora, os trabalhos de requalificação do Rossio de São Brás já arrancaram. O antigo espaço descampado, historicamente exposto ao sol e responsável por acumular níveis críticos de calor, está a ser transformado num grande pulmão verde multifuncional preparado para acolher a abertura da Capital Europeia da Cultura 2027. Em Beja, o foco coi a criação de micro-oásis urbanos e caminhos sombreados distribuídos por pontos críticos da cidade, especialmente junto a habitações e infraestruturas sociais. O município delineou uma rede de percursos urbanos frescos equipados com pontos de água potável gratuita e áreas de descanso protegidas do sol, visando mitigar o impacto do calor extremo na saúde de franjas mais vulneráveis da população, como idosos e crianças, com um horizonte de conclusão previsto até 2027. Fonte.
  • Limpeza florestal em Leiria cria excesso de madeira e ninguém a quer comprar. FonteOs campeões das celuloses querem-na mais barata, e o que é feito das centrais de biomassa?

DINAMARCA PINTA ESTRADA DE VERMELHO PARA FACILITAR CIRCULAÇÃO DE MORCEGOS

  • A Dinamarca está a desligar a luz branca dos seus candeeiros de rua e a pintar uma estrada de vermelho para resolver uma crise noturna que quase ninguém repara: a luz urbana estava a bloquear o caminho dos morcegos. Fonte.
  • “Grande parte da vida moderna está concebida de forma a que nunca se veja diretamente o custo ambiental do que consumimos. Os alimentos surgem embalados e prontos a consumir. Recebemos eletricidade através das paredes. O lixo desaparece do passeio. As compras online transformam a produção e o transporte globais num único clique. Às vezes pergunto-me como seria diferente a forma como as pessoas pensariam sobre o consumo se a extração, a poluição, os resíduos e a destruição de habitats associados à conveniência do dia a dia fossem fisicamente visíveis para nós em tempo real. Não estou a tentar ser pessimista. Apenas sinto que a desconexão ambiental pode ser uma das maiores barreiras a uma mudança significativa.” Anónimo.
  • A InnoEnergy, uma das principais entidades europeias de investimento em tecnologias limpas, afirma que as empresas do seu portefólio poderão evitar 2,3 gigatoneladas de CO2 equivalente atá 2030, o que seria o mesmo que retirar 534 milhões de veículos de combustão interna da estrada durante um ano. Uma investigação independente revela, no entanto, que essas estimativas aceites pela EU vêm das próprias empresas beneficiárias, sem utilizarem uma metodologia uniforme e que, na sua grande maioria se recusam divulgar os seus números individualmente. Fonte.

REFLEXÃO

CEGADAS PELA POLUIÇÃO LUMINOSA: AS CIDADES PROCURAM RECUPERAR A NOITE
Jeannette Cwienk, DW. Revisão: O’Lima.

Cidades de todo o mundo, como Frankfurt, estão inundadas de luz. Imagem: S. Ziese/blickwinkel/picture alliance

Um poste de iluminação mesmo em frente à sua casa pode facilitar a entrada em segurança à noite — mas não consegue tentar dormir sem cortinas grossas. Esse é apenas um exemplo de como a luz artificial é útil em muitos aspetos da nossa vida quotidiana, mas também constitui um grande problema.

O nosso mundo está mais iluminado por luz artificial do que nunca. Um estudo norte-americano recente revelou que as emissões de luz artificial à noite aumentaram cerca de 16% a nível global entre 2014 e 2022, de acordo com uma investigação publicada na revista Nature. As áreas que registaram um aumento da luminosidade também viram a intensidade da luz aumentar, em média 9%.


O excesso de luz artificial pode fazer-nos mal

Podemos desligar fontes de luz como computadores, telemóveis, televisões e candeeiros. Mas outras fontes estão fora do nosso controlo: iluminação pública, faróis de automóveis, monumentos iluminados, painéis publicitários intermitentes e holofotes em estaleiros de construção, montras, paragens de autocarro, parques de estacionamento, campos desportivos e estádios, para citar apenas alguns exemplos.

A exposição excessiva à luz artificial pode perturbar o nosso ciclo natural de sono-vigília, desestabilizando o nosso equilíbrio hormonal e aumentando o risco de distúrbios metabólicos, como diabetes, depressão e obesidade.

A cor da luz também tem um efeito. Quanto mais fria, ou mais branca, for a luz, mais se assemelha à luz do dia — e mais suprime a hormona melatonina, que é o que nos faz sentir sonolentos à noite.

Nenhuma outra condição ambiental permaneceu inalterada ao longo dos milénios como a luz natural do sol, da lua e das estrelas. Todos os seres vivos adaptaram-se a este ritmo. Mais de metade de todas as espécies são noturnas — se as noites se tornarem mais claras, isso poderá ter consequências devastadoras.

As aves migratórias utilizam a lua e as estrelas para se orientarem. A luz artificial pode distraí-las e desviá-las das suas rotas, levando a desvios e à exaustão. Outras aves podem ser induzidas a pôr os seus ovos demasiado cedo na estação, quando ainda não há insetos suficientes para alimentar os filhotes recém-nascidos.

Insetos como traças e besouros usam a luz do céu noturno estrelado para encontrar alimento e parceiros de acasalamento. Mas as luzes artificiais são muito mais brilhantes e inevitavelmente atraem-nos para longe. Eles circulam continuamente em torno da fonte de luz até caírem no chão, mortos de exaustão. Biliões são mortos desta forma todos os anos, um número devastador quando os insetos já estão ameaçados pela poluição, pela diminuição da biodiversidade e por outros perigos.

Mamíferos noturnos, como ouriços e morcegos, evitam geralmente locais bem iluminados; no nosso mundo mais iluminado, o seu habitat está a encolher progressivamente. E a luz pode criar uma barreira artificial que algumas espécies de peixes não atravessam. As luzes projetadas na superfície da água a partir de uma ponte, por exemplo, podem impedir as enguias de nadar — um grande problema durante o seu período migratório de desova.

Os céus noturnos mais iluminados na China e na Índia

O estudo publicado na revista Nature revelou que o aumento das emissões de luz noturnas desde 2014 foi mais acentuado na Ásia, particularmente nas regiões em crescimento económico da China e da Índia.

Nos EUA, a poluição luminosa aumentou mais na Costa Oeste devido ao crescimento económico e populacional nas cidades da Califórnia. A Costa Leste e partes do Centro-Oeste dos EUA, em contrapartida, tornaram-se mais escuras — em parte devido ao encolhimento do setor industrial, ao menor número de residentes e à iluminação mais eficiente em termos energéticos.

Na Europa, a intensidade luminosa global, em comparação com 2014, diminuiu 4%, tendo os investigadores observado uma redução da poluição luminosa em toda a região. Esse declínio foi mais notório em França (33%), no Reino Unido (22%) e nos Países Baixos (21%). Ao contrário do que acontece nos EUA, os céus noturnos mais escuros na Europa nem sempre são resultado de um declínio económico. Em França, por exemplo, novos regulamentos exigem agora que a iluminação de todos os edifícios comerciais, montras, parques de estacionamento, parques públicos e locais de património cultural seja desligada, o mais tardar, à 1 da manhã.

Outros países europeus abordaram a questão do céu noturno cada vez mais iluminado muito mais cedo. A República Checa aprovou a primeira lei do mundo contra a poluição luminosa em 2002, que estipula, entre outras regras, que a iluminação pública só pode ser direcionada para o solo, sob pena de uma multa superior a 3.000 € (3.500 $). A Eslovénia tem vindo a combater a poluição luminosa desde 2007, com um regulamento que limita o consumo anual de eletricidade para iluminação por residente a 50 quilowatts-hora. Outras regras garantem também que a iluminação pública não brilhe com demasiada intensidade à noite em zonas residenciais.

Fulda, a «cidade estrela» da Alemanha, ilumina o caminho

A Alemanha ainda não aprovou qualquer legislação nacional contra a poluição luminosa. No entanto, a Lei Federal de Conservação da Natureza está atualmente a ser atualizada, numa tentativa de controlar este fenómeno. A nível regional, o estado de Baden-Württemberg já aprovou uma lei que proíbe a iluminação de fachadas entre abril e setembro — os meses em que a vida selvagem está mais ativa na Alemanha.

A cidade de Fulda, a cerca de 100 quilómetros a nordeste de Frankfurt, é pioneira no que diz respeito à iluminação. A Catedral de Fulda é iluminada com holofotes direcionados com precisão, em vez dos holofotes convencionais. Nos novos bairros fora do centro da cidade, os passeios e as ciclovias são iluminados apenas a 20 %; quando alguém passa, os detetores de movimento aumentam brevemente a intensidade das luzes de rua para o máximo.

«As armadilhas para insetos instaladas antes e depois da entrada em vigor destas medidas demonstraram que as novas luzes matam menos 90 % de insetos», afirmou Marcel Cire, engenheiro ambiental do departamento de planeamento urbano de Fulda. Ele referiu que Fulda estava a começar a instalar os novos postes de iluminação na cidade, substituindo as lâmpadas antigas à medida que necessário, para manter os custos baixos.

Fulda tem sido reconhecida pelos seus esforços para trazer de volta a noite. A DarkSky International, uma organização sem fins lucrativos sediada nos EUA que sensibiliza para os efeitos nocivos da luz artificial excessiva, designou a cidade como a primeira «cidade das estrelas» da Alemanha em 2019. Juntou-se a outros 11 locais certificados no país com «condições de céu escuro e práticas de proteção excecionais».

Trazer de volta o pirilampo

Como demonstrado na República Checa, na Eslovénia e em Fulda, as luzes devem iluminar apenas onde for absolutamente necessário — passeios, por exemplo, e não todo o céu noturno. As luzes reguladas por sensores de movimento são uma boa alternativa à iluminação exterior sempre acesa.

Quanto mais quente for a luz, menos prejudicial é — para os seres humanos e outras criaturas. As organizações de conservação recomendam a utilização de uma temperatura de cor não superior a 3000 Kelvin para a iluminação exterior, uma luz quente, amarelo-esbranquiçada, comummente utilizada em salas de estar e quartos.


Como reduzir a poluição luminosa

Seguir estas recomendações pode ajudar a trazer de volta os pirilampos aos nossos parques e jardins. O pirilampo é outro inseto ameaçado pela poluição luminosa, uma vez que a luz artificial impede que os machos e as fêmeas se encontrem.

O simples facto de fechar as cortinas em casa à noite pode ajudar não só a bloquear o brilho incómodo proveniente do exterior, mas também a impedir que a luz interior perturbe a vida noturna no exterior.

BICO CALADO

Dimitar Dilkoff/AFP/Getty Images
  • No espaço de uma semana, a Jerónimo Martins, dona dos supermercados Pingo Doce, sofreu duas derrotas pesadas na Justiça na sua batalha para silenciar a associação de defesa do consumidor Citizen’s Voice. A Jerónimo Martins/Pingo Doce tentara silenciar denúncias sobre discrepâncias entre preços anunciados e preços cobrados. Os tribunais entenderam aquilo que numa democracia madura deveria ser evidente: a defesa dos consumidores e a liberdade de expressão não se calam com processos intimidatórios. Fonte.
  • Queimaduras solares graves em “estudo” que, afinal, é marketing. Fonte.
  • Um podcast do Observador sobre a covid-19 e patrocinado pela Hipra, empresa que comercializa uma "nova vacina" contra a doença. Nos três primeiros episódios foram convidados médicos com relações profissionais e financeiras com empresas que comercializam vacinas contra a covid-19 e que integraram o conselho consultivo da Bimervax, a vacina da Hipra. Apesar de, em pelo menos dois episódios, existirem referencias implícitas e comentários favoráveis à vacina do patrocinador, nem o Observador nem os médicos declaram os múltiplos conflitos de interesse existentes. Fonte.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

ALENTEJO: GALP ABANDONA EÓLICA DAS CACHENAS

  • A Galp abandonou o projeto do Parque Eólico das Cachenas, que previa a instalação de 19 aerogeradores nos territórios de Vila Nova de Milfontes, Porto Covo, Sines e Santiago do Cacém, com uma capacidade total de 129,2 megawatts. O projeto destinava-se ao autoconsumo para abastecer de energia renovável a unidade de produção de hidrogénio verde GalpH2Park, em Sines. A decisão surge após um processo marcado por forte oposição popular e institucional. A desistência cria um problema estratégico para a Galp. O GalpH2Park, com um eletrolisador de 100 MW — o maior da Europa —, deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2026, e sem produção própria de energia renovável, a empresa terá de recorrer à rede elétrica, com impacto nos custos e nas credenciais “verdes” do hidrogénio produzido em Sines. Fonte.
  • A Águas de Santo André e a Universidade de Évora vão estudar a utilização da água residual tratada na produção de hidrogénio verde, no âmbito do projeto H2tALENT — Alentejo Green Hydrogen Valley. A iniciativa representa uma aposta inédita na convergência entre economia circular e transição energética. A produção de hidrogénio verde por eletrólise exige grandes volumes de água — um recurso escasso numa região sujeita a episódios crescentes de seca. A utilização de água residual tratada em vez de água potável ou de recursos hídricos naturais constituiria uma resposta inovadora a esse desafio, transformando um resíduo numa matéria-prima para o combustível do futuro. Fonte.

GRÉCIA: QUEDA DE NEVE BATE MÍNIMOS EM 40 ANOS

Uma vista aérea mostra a neve a derreter nas encostas do Monte Parnassos, no centro de esqui de Kelaria, na Grécia central, a 5 de maio de 2026. (AP Photo/Thanassis Stavrakis)
  • A Grécia perdeu mais de metade da sua cobertura de neve nas montanhas nos últimos 40 anos, a um ritmo mais rápido do que noutras grandes cadeias montanhosas, como os Andes ou os Himalaias, impulsionado principalmente pelo aumento das temperaturas devido às emissões de gases com efeito de estufa. Isto torna a vegetação mais seca, o que representa maior risco de incêndio em florestas que, anteriormente, não arderiam. As nascentes estão a secar e os reservatórios não estão a encher. Os impactos económicos são visíveis, nomeadamente no setor do esqui, cujas empresas registaram uma redução de 30% durante o Natal. O município estuda a construção de pequenas barragens para captar água e os residentes estão a tornar-se mais conscientes do desperdício de água. Fonte.
  • Nos últimos cinco anos, pelo menos 67 enfermarias, departamentos e outras instalações hospitalares do Serviço Nacional de Saúde em todo o Reino Unido foram obrigadas a encerrar temporariamente ou a mudar de local devido a inundações causadas por condições meteorológicas. Fonte.
  • Milhões de salmões de criação morreram em instalações de aquicultura escocesas e a Agência de Saúde Animal e Vegetal do Reino Unido tentou impedir a divulgação de informações sobre as causas dessas mortes. Fonte.
  • Técnicos do sistema de drenagem de Nueces, no Texas, descobriram um tubo desconhecido durante uma inspeção de rotina a uma vala de drenagem em janeiro de 2026. O tubo estava a descarregar um líquido muito escuro, quase preto, numa vala de drenagem pública. Confirmou-se que o tubo estava ligado à refinaria de lítio da Tesla. A Tesla possuía uma licença de descarga de águas residuais emitida pelo estado, que permitia a descarga de até 231 000 galões/dia de águas residuais tratadas na vala. No entanto, os responsáveis afirmam nunca terem sido notificados e que a Tesla não tinha permissão para instalar um tubo na sua servidão. Fonte.

REFLEXÃO

LIPOR E BP PORTUGAL INAUGURAM ESCOLA DA NATUREZA PARA PROMOVER A BIODIVERSIDADE


Localizada nas margens do rio Tinto, a iniciativa nasce numa área anteriormente utilizada como aterro, agora recuperada e devolvida à comunidade como espaço de aprendizagem, regeneração e contacto direto com a natureza.

Segundo António Silva Tiago, presidente da LIPOR, o projeto reflete a ambição da entidade de ir além da transformação de resíduos em recursos. “Mais do que transformar resíduos em recursos, é cuidarmos da vida que renasce”, afirma o responsável, sublinhando a integração da biodiversidade na estratégia da LIPOR, através do conceito “Lado B — o lado da Biodiversidade”.
Para Silvia Barata, presidente da bp Portugal, a dimensão de recuperação ambiental e o impacto positivo do projeto justificaram o apoio da empresa. A responsável destaca que a iniciativa está alinhada com as metas de sustentabilidade da bp Portugal, nomeadamente no que diz respeito à colaboração com outras entidades para apoiar a restauração da biodiversidade.

A Escola da Natureza foi concebida como um espaço de sensibilização ambiental e aprendizagem experiencial, destinado a visitantes de todas as idades. O projeto incluiu a renaturalização e recuperação de uma área florestal com recurso a soluções de base natural, bem como a criação de um trilho off-road e sensorial, postos de observação da biodiversidade e abrigos para a fauna.
Mais do que um espaço físico, a Escola da Natureza pretende proporcionar uma experiência imersiva e pedagógica, aproximando a comunidade dos ecossistemas naturais. Através de atividades interativas, o projeto procura estimular comportamentos responsáveis, reforçar a consciência ambiental e promover uma relação mais sustentável com a biodiversidade. Fonte.

A BP é uma empresa historicamente associada a atividades de alto impacto ambiental (exploração e comercialização de combustíveis fósseis), setor responsável por uma parcela significativa das emissões de gases com efeito de estufa.
Projetos como escolas da natureza, plantio de árvores ou ações de educação ambiental podem servir para desviar a atenção das atividades principais poluentes da empresa, sem mudanças estruturais no seu modelo de negócio.
Quando uma empresa poluidora apoia pequenos projetos ambientais locais, há o risco de estes serem usados mais para melhorar a sua imagem pública — uma "operação de charme" — do que para compensar os danos reais causados.


Estamos, pois, conversados.

BICO CALADO

  • Israel abriu 25 quilómetros de valas de terra ao longo da «linha amarela» em Gaza e está a fortificar 38 bases militares na parte oriental do território que controla. Imagem de Forensic Architecture.
  • Grupo Águas de Portugal aumenta resultado líquido para 107,9 milhões em 2025. Fonte.
  • Perícia ao navio NRP Mondego desmente Gouveia e Melo. Análise técnica pedida pelo tribunal concluiu que navio, ao contrário do que a Marinha defendeu, apresentava "um estado generalizado de degradação com impacto direto na segurança", tal como 13 marinheiros têm alegado desde março de 2023, quando se recusaram a embarcar numa missão. Fonte.
  • O governo salvadorenho de Bukele tem promovido os interesses comerciais da irmã da primeira-dama através de contratos públicos milionários, promoção oficial e opacidade, recorrendo a uma empresa intermediária (Apamo) para ocultar o vínculo familiar e o possível conflito de interesses. Fonte.
  • As operações secretas de «propaganda negra» da Grã-Bretanha. JOHN McEVOY, Declassified UK.

terça-feira, 26 de maio de 2026

BRAGANÇA: MINA TRAVADA JUNTO À FRONTEIRA

  • A Junta de Castela e Leão decidiu não atribuir a licença ambiental ao projeto mineiro, designado Valtreixal, situado em Calabor a cerca de cinco quilómetros do Parque Natural de Montesinho. Rui Loureiro, membro do Movimento Uivo, explica que “pela sua dimensão e caraterísticas, este projeto teria um impacto significativo na qualidade de vida da população raiana, na economia local e no Parque Natural de Montesinho. Esta mina estava projetada em área da Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica e da Rede Natura 2000, classificações reconhecidas a nível mundial pelo excecional valor do seu património natural. A execução do projeto colidiria com a preservação deste património classificado, com os interesses e direitos da população e com os interesses ambientais, sociais e económicos não só da região, mas também de todo o nosso país, uma vez que a mina previa a utilização de toneladas de dinamite, a construção de uma linha de alta tensão de 10 quilómetros e de uma fábrica de tratamento de minério, a passagem diária de dezenas de veículos pesados, o armazenamento e aterragem de resíduos perigosos e a criação de uma escombreira de grande dimensão. Estas ações teriam impactes transfronteiriços na paisagem, na biodiversidade, na qualidade do ar e da água, destruindo a flora e habitat de animais selvagens tais como veados, águias e raposas, alguns classificados como ameaçados ou em risco de extinção, como o lobo ibérico, a águia-real e a cegonha preta. Fonte.
  • Soutos do Zoio, em Bragança, enfrentam pior cenário desde o aparecimento da praga da vespa da galha do castanheiro. Fonte.
  • Apoiantes do Climaximo atiraram tinta vermelha à fachada da Thales, numa ação de protesto contra a crescente militarização da sociedade, e como alerta da urgência de parar o imperialismo fóssil. A Thales é a 4ª maior empresa de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos. Tem sido um alvo regular de protestos internacionais, pela sua parceria com a empresa israelita Elbit Systems, uma das principais produtoras de armas usadas no genocício em Gaza. Fonte.
  • Referindo-se a uma taxa de cancro 25% superior na sua comunidade em comparação com o resto de Alberta, o chefe Billy-Joe Tuccaro, da Primeira Nação Mikisew Cree, está a processar os governos provincial e federal, alegando que décadas de desenvolvimento industrial e a incapacidade de gerir os impactos cumulativos na saúde violaram os direitos da Nação decorrentes do Tratado 8. Fonte.

REFLEXÃO

LEGISLAÇÃO CONFERE AO RIO WYE O DIREITO DE ESTAR LIVRE DE POLUIÇÃO
Nicola Goodwin, BBC. Trad. O’Lima.


O rio Wye tornou-se o primeiro rio do Reino Unido a receber direitos transfronteiriços que o abrangem desde a nascente até ao mar.

A carta, lançada em Hay-on-Wye, reconhece a importância do rio para as pessoas e para a natureza, tanto no presente como no futuro. Foi aprovada por câmaras municipais, ativistas e grupos ambientalistas de Inglaterra e do País de Gales.

«O rio tem o direito de desempenhar as suas funções naturais e de estar livre de poluição», afirmou a vereadora Elissa Swinglehurst, que assinou a carta em nome da Câmara Municipal de Herefordshire.

A vereadora de Herefordshire, Elissa Swinglehurst (à esquerda), ajudou a elaborar a carta

O rio Wye tem 250 km de comprimento e nasce no País de Gales, atravessa os condados de Herefordshire e Gloucestershire, em Inglaterra, antes de voltar a atravessar a fronteira.

«Esperamos que o que fizemos aqui hoje chegue às salas paroquiais, às comunidades, aos salões das aldeias, às quintas e às escolas», afirmou Swinglehurst, que ajudou a elaborar a carta.

«Esperamos que isto sensibilize as pessoas para o facto de que o rio tem o direito de ser respeitado. Imaginem se o rio Severn o fizesse, depois o Avon, depois o Tamisa. Se todos os rios fizessem isto, então certamente a alteração constitucional para considerar os direitos da natureza seria, pelo menos, possível.»

A carta foi lançada por centenas de apoiantes que caminharam desde o local do Hay Festival até ao Warren, um espaço público aberto junto ao rio Wye.

O rio Wye tem sido afetado por algas que tornam a água verde

O rio Wye é um dos rios mais famosos do Reino Unido, mas tem vindo a ficar mais poluído nos últimos anos. Tem sido alvo de muitos processos judiciais, com ativistas a alegarem que a poluição proveniente da agricultura e das águas residuais tem levado à proliferação de algas, privando a vida selvagem de oxigénio.

Está protegido pela legislação de conservação, mas o estado do rio foi rebaixado para «desfavorável – em declínio» pela Natural England.

A nova carta foi aprovada pelos conselhos de Herefordshire e Forest of Dean, bem como pela Associação dos Parques Nacionais de Bannau Brycheniog (Brecon Beacons) e pela Wye Valley National Landscape.

Os conselhos de Powys e Monmouthshire também estiveram representados na cerimónia.

O rio Ouse, em Sussex, foi o primeiro na Inglaterra a obter uma carta de direitos, mas o rio Wye é o primeiro rio no País de Gales a ser abrangido por um documento deste tipo.

O Conselho de Herefordshire afirma que a carta confere ao rio Wye uma série de direitos «destinados a orientar a proteção e recuperação a longo prazo do rio e da sua bacia hidrográfica».

O direito de fluir e desempenhar funções naturais, o direito à biodiversidade O direito de estar livre de poluição, o direito de ser sustentado por uma bacia hidrográfica saudável, direito de se regenerar, o direito à representação.

A marioneta «Deusa do Wye» participou na cerimónia em Hay-on-Wye

A ecologista Dra. Louise Bodnor foi nomeada «Voz do Wye» em abril de 2025. Foi escolhida pelo Conselho de Gestão de Nutrientes da Bacia Hidrográfica do Wye, do Conselho de Herefordshire, para falar em nome do rio e votar em seu nome nas reuniões oficiais.

Esta função foi criada para proteger o rio da poluição, conferindo-lhe uma voz jurídica e ecológica nas decisões de gestão.

BICO CALADO

Foto: 
Elli Birch/IPS/Shutterstock
  • A Direção‑Geral da Educação (DGE) autorizou, desde 2011, que a empresa privada Advance Station (antiga Joviform) recolhesse dados de alunos do ensino público através de “inquéritos” e “testes vocacionais”. Esses dados foram posteriormente usados para vendas agressivas e enganosas de cursos, prática que está agora sob investigação criminal. A DGE permitiu que a empresa aplicasse um “inquérito” chamado Inventariação de Interesses – AIST em alunos do 2.º ciclo ao secundário. O inquérito tinha erros ortográficos, falta de rigor científico e era inadequado para as idades. A autorização classificava a empresa como “entidade privada”, apesar do conflito de interesses: a Advance Station vendia cursos. A empresa recolhia contactos e informação pessoal dos alunos, a partir dos quais contactava encarregados de educação para vender cursos, alegando parcerias com escolas. O método incluía “reuniões” onde eram oferecidas “bolsas” e “descontos” — práticas consideradas enganosas. A partir de 2014, a empresa passou a atuar através da suposta associação AILE, que não tem registos públicos (NIF, órgãos sociais, escritura), usou o NIF de outra associação (NCDC) e submeteu vários inquéritos à DGE, alguns aprovados, outros suspensos. Os “investigadores” da AILE eram, na verdade, funcionários e comerciais da empresa. A DGE não verificou a credibilidade científica dos testes, a identidade e credenciais dos “investigadores” e o u uso posterior dos dados recolhidos. Queixas sobre práticas abusivas da empresa existem desde 2006, mas nunca travaram o acesso às escolas. Após a denúncia do Página Um, o Ministério da Educação suspendeu todas as atividades da AILE/Advance Station nas escolas, estando o caso a ser investigado pelo DIAP de Lisboa. Apesar disso, a empresa continua a contactar pais fora das escolas. Fonte.
Filipe Froes promoveu Paxlovid como absolutamente fantástico para curar a covid-19, mesmo numa altura em que a sua necessidade era questionável. Contribuiu para fazer aumentar a facturação da Pfizer em 2022. Quatro anos depois, um estudo internacional mostra que serve de pouco mais do que nada. Foto: D.R.
  • Paxlovid: a deplorável história do antiviral da Pfizer promovido por Filipe Froes (e outros delegados de propaganda farmacêutica). Um novo estudo publicado no New England Journal of Medicine, com mais de quatro dezenas de investigadores, concluiu que o medicamento não reduziu hospitalizações nem mortes. Portugal gastou cerca de 20 milhões de euros neste fármaco só em 2022 e continuou a adquiri-lo até ao ano passado. Globalmente, a Pfizer encaixou cerca de 28 mil milhões de dólares com este produto. Fonte.
  • Através da FLAD, Durão Barroso dá prémio (e 100 mil euros) a um instituto da Universidade Católica onde é director. Frederico Duarte Carvalho, Página Um.
  • A Sonae Sierra, em parceria com o grupo alemão Hahn Gruppe, criou um novo fundo imobiliário focado no retalho alimentar no sul da Europa, tendo já realizado as suas primeiras aquisições, envolvendo lojas Continente em Marinha Grande e Benedita e um hipermercado Eroski em Espanha. O fundo pretende expandir-se para Portugal, Espanha, Alemanha e Itália, incluindo segmentos como retalho alimentar, centros comerciais, lojas de rua, escritórios, logística, hotelaria e residencial especializado. A Sonae Sierra cCriou um fundo com o Crédito Agrícola (CA Mais Capital), comprou hotéis em Lisboa através de um veículo com a norte‑americana PGIM e está entre os finalistas para adquirir 17 centros comerciais da família Balkany em Espanha. Entrou no segmento Build to Rent em Portugal, em parceria com a construtora Casais. Fonte.
  • A um ano do fim do seu mandato, Emmanuel Macron recorre intensamente ao seu poder de nomeação para colocar pessoas próximas em cargos-chave do Estado com o objetivo de bloquear de forma duradoura as instituições e dificultar a ação de um eventual futuro presidente que se afastasse da sua linha política. Estas práticas ilustram uma deriva autoritária da Quinta República, já fragilizada por as crises sociais e ambientais. Fonte.
  • A Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp) vive hoje uma contradição profunda: lucros recorde, mas moral interna em colapso. Os funcionários, antes atraídos por salários altos, prestígio e a sensação de “mudar o mundo”, agora percebem que ajudaram a construir uma máquina cujo propósito real sempre foi explorar atenção, dados e emoções — e que essa mesma máquina está agora a voltar‑se contra eles. Fonte.