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terça-feira, 3 de novembro de 2026

BEJA: CONTESTADO POMAR INTENSIVO DE TANGERINAS

  • Seis organizações deram entrada no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja de uma ação contra a aprovação de um pomar intensivo de tangerinas de regadio com cerca de 260 hectares nas Herdades de Murta e Monte Novo, em Alcácer do Sal, e lançam uma campanha de apoio público em defesa da água, da biodiversidade e de quem vive e trabalha na região. Fonte.
  • A Rússia está pronta para fornecer aos países africanos centrais nucleares de vários tamanhos e configurações e está em negociações com o Uganda, o Gana, a Etiópia e o Egito sobre grandes projetos nucleares. Fonte.
  • Os estados indianos de Bengala Ocidental e Assam foram colocados em alerta máximo após a ruptura de um lago glaciar no Butão, tendo sido evacuadas milhares de pessoas. Fonte.

BICO CALADO

  • O Luís Mau e o Luís Péssino estão por um fio. Só continuarão em funções, se o Presidente da República decidir ser cúmplice de um governo criminoso, se estiver decidido a desmantelar o que resta da democracia. Miguel Szymanski.
  • Este comunicado ultrapassa a estupidez que temos visto e cheira mesmo a provocação. Os Luíses parecem querer provocar e lançar o caos, à boa maneira maçónica. Não é preciso ser jurista para perceber que, conquanto sejam respeitados os limites definidos pela senhora juíza, o princípio constitucional da igualdade implica que o direito reconhecido à requerente não possa ser arbitrariamente negado a outros cidadãos em circunstâncias equivalentes. É evidente que a sentença produz efeitos no caso concreto. Mas os direitos constitucionais e os princípios jurídicos que fundamentam a decisão não são exclusivos de Renata Cambra. A Administração não pode tratar de forma diferente situações materialmente idênticas apenas porque os restantes cidadãos não recorreram ao tribunal. Tiago Mendes.
  • Ativistas destroem equipamento militar numa «fábrica da morte que abastece Israel». Fonte.
  • Como as empresas petrolíferas norte-americanas lucram 130 mil milhões de dólares com a guerra no Irão, enquanto as contas das famílias disparam. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O ESCORREGADIO LUÍS MONTENEGRO


Luís Neves foi a melhor coisa que aconteceu a Luís Montenegro. Por cada dia que o nosso MAI se aguenta em funções, mais me convenço que o CEO da Spinumviva não é tão rural como o pintaram.

Luis Neves deu caça ao Chega o verão inteiro. As televisões fizeram diretos do tanque semanas a fio. O Montenegro descansou e foi tratando da vida, evitando todas as discussões sobre os problemas reais.

Agora, no Outono, mete o Neves a arrear em campistas e, mesmo depois do tribunal dizer que as tendas são legais, o MAI vem contestar a decisão e já temos, por esta hora, 50 advogados a debater nas televisões a interpretação do acórdão.

O Montenegro volta a safar-se da discussão que importa: soluções para a habitação acessível. E melhor do que isso, consegue que passemos semanas e mais semanas a discutir a legalidade do protesto e nunca a origem do mesmo.

Já ninguém se lembra que chegámos aqui por causa da lei do arrendamento e da "moderação" dos 2300 euros. Foi essa a gota que fez transbordar o copo e que trouxe o descontentamento para a rua.

Para cúmulo da hipocrisia, enquanto Montenegro se vai escondendo, vemos o Ventura a chegar-se à frente, com a capa de herói popular, apresentando um "pacote de emergência para habitação". Ele, que fez passar a lei do arrendamento no parlamento.

São muitas volta ao pescoço e estalos na espinha. É um nível de hipocrisia que me dá náuseas. Não há nada, mesmo nada, que se aproveite na direita parlamentar.

Gente simpática, em particular nos últimos dois anos, abordou-me para contribuir de forma mais activa na vida política. Devo dizer que acho a política, enquanto forma de organização social e trabalho para a população, uma actividade muito nobre.

Agora, em Portugal, nos dias que correm, é um esgoto a céu aberto. Que me desculpem algumas pessoas decentes e honestas que ainda lá andam.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

OVAR: TRÊS ACUSADOS POR ABATE E FURTO DE MADEIRA

  • A GNR constituiu arguidos três homens com idades compreendidas entre os 29 e os 54 anos, e uma mulher, de 37 anos, pelo crime de furto de madeira na área do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar. Fonte.
  • 479 representantes de empresas e de setores industriais participam nas negociações da COP17. Entre eles, cerca de quinze representantes da Ipieca, o grupo de pressão das indústrias petrolíferas e do gás, e cinco do ICMM, que representa o setor mineiro. A indústria farmacêutica também se mobilizou. Estão presentes oito representantes da Federação Internacional de Fabricantes e Associações Farmacêuticas, incluindo dois funcionários da Bayer. Uma terceira representante do grupo alemão participa no âmbito de uma associação brasileira. O laboratório dinamarquês Novo Nordisk também está representado na delegação nacional. Na agroindústria, a CropLife International, que defende os interesses dos produtores de pesticidas BASF, Bayer e Syngenta, conta com cerca de dez delegados. Tuddo porque as negociações incidem, entre outras coisas, debates sobre a eliminação dos apoios públicos às energias fósseis e a certas práticas agrícolas prejudiciais para os ecossistemas. Fonte.
  • A COP17 terminou com todos os principais textos aprovados, tendo Quito, no Equador, sido escolhida para acolher a COP18 em 2028. Embora a sessão tenha sido elogiada pela sua organização e eficiência, os resultados foram amplamente considerados como um compromisso. As questões mais críticas — nomeadamente, o incumprimento das metas de financiamento e o Fundo de Cali praticamente vazio — ficaram por resolver ou foram adiadas. As decisões finais abriram caminho para negociações ainda mais difíceis no futuro, deixando o mundo aquém do seu objetivo de travar e reverter a perda de biodiversidade até 2030. Fonte.

BICO CALADO

Foto: Sérgio Aires.
  • Ricardo Sá Fernandes anuncia participação criminal contra o ministro da Administração Interna e o Diretor da PSP contra abuso de poder por esta noite negra da democracia portuguesa.
  • “(…) Eu não escolhi ser jornalista para estar numa redacção a reproduzir os comunicados enviados pelas agências de comunicação que trabalham para os grandes grupos económicos e financeiros. Do Donbass ao Líbano, das greves gerais às barricadas nas acampadas, o que me faz respirar é estar onde muitos não querem estar. E o que o governo está a fazer é mostrar que tem medo de quem não se cala e de quem dá voz àqueles que não se calam.” Bruno Carvalho.
  • Esta madrugada, em Lisboa, durante a carga contra os manifestantes na acampada pela habitação, a polícia de choque arrancou-me o capacete que usava como protecção e tentou impedir-me de filmar duas detenções, apesar de me ter identificado como jornalista. Se toda a acção da PSP é legal qual é o objectivo de impedir e criar obstáculos ao trabalho dos jornalistas? Bruno Carvalho.
  • “(…) Luís Montenegro deu um passo de gigante no sentido da cada vez maior legitimação e normalização do discurso do Ventura. Em breve, o medíocre calculismo do PSD passará a feitio, ou intrínseca maneira de ser. Como num poema do Fernando Pessoa, quando quiser tirar a máscara, ela estará colada à pele. Quando a tirar e se vir ao espelho, verá o Chega.” João Pedro Jorge.
  • “O Observador (patrocinado por casinos online e empresas privadas que transformam a Saúde, a Educação e a Habitação em negócios), o ‘Grupo Silvio Berlusconi’, (sic), que comprou a maior televisão privada e o maior semanário em Portugal, o senhor dos barquinhos no rio Douro, beneficiário de favores, perdões e isenções fiscais, a CNN (agora controlada pela extrema-direita pró-israelita a partir dos EUA) e o grupo de comunicação do Ronaldo da bola amigo de Trump e há anos promotor activo da extrema-direita. Por baixo da espuma de intermináveis directos, a narrativa que estão a impor é a que o Observador puxa descaradamente para título: “Manifestantes estão a subverter a democracia” e as polícias e o Estado estão a manter a ordem, claro. É um velho truque, vai de Goebbels a Trump: virar a verdade do avesso, inverter factos, repetir as mentiras até que as pessoas concordem ou deixem de se opor. Na realidade - e de acordo com a Constituição - os manifestantes estão a exercer um direito democrático fundamental, é o governo, com as suas polícias, que está a subvertê-lo.” Miguel Szymanski, Quem controla a narrativa?
  • “Não é com cargas policiais, agressões e violência sobre quem luta apenas por um teto e pelo direito a viver com um mínimo de dignidade que se resolvem os problemas deste país! É preciso acontecer mais o quê para perceberem que está na hora de largarem o poleiro? Cambada de incompetentes! Não são exemplo para os portugueses, não transmitem confiança e, pelos vistos, já perderam a credibilidade de quem esperava de vós responsabilidade, respeito e capacidade para governar. (…) Os portugueses não precisam de governantes instalados no poleiro. Precisam de quem tenha coragem, humanidade e respeito por quem trabalha, por quem sofre e por quem já pouco ou nada tem. Mas há uma coisa que convém não esquecer: os portugueses NÃO são descartáveis, NÃO são inimigos e muito menos merecem ser tratados à bastonada por exigirem dignidade! A paciência está a esgotar-se. Os portugueses estão fartos de discursos vazios, de responsabilidades sacudidas e de quem parece ter perdido completamente a noção da realidade que se vive nas ruas! O poder não é propriedade de ninguém. E governar não é apenas ocupar uma cadeira!” Maria Goretti Pereira Peralta, Força Espinho. Nota: Mareia Goretti foi durante vários anos na décadas de 1990 vogal da Assembleia Mnnicipal de Espinho eleita pelo PSD.
  • Os trabalhadores portuários de todo o mundo estão em greve pela Palestina. Fazem o mesmo que fizeram em relação ao apartheid da África do Sul em 1984. Estão envolvidos 110 portos de 22 países e ameaçam parar 40% do tráfego de mercadorias no Mediterrâneo. Fonte.
  • Antonio Acedo, o maquinista que morreu a tentar evitar a tragédia em Toledo e que temia mais acidentes em Espanha. Era fotógrafo, casado e estava à espera do primeiro filho. Nasceu em Madrid, mas vivia há anos em Barcelona. O maquinista de 36 anos já tinha avisado que o acidente de Adamuz, em janeiro, voltaria a acontecer se nada se fizesse. Fonte. Por exemplo, cada controlador da Adif da linha Madrid-Sevilha passou de gerir simultaneamente 15 comboios de alta velocidade para 40 em seis anos...

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

BOTICAS: SAVANNAH RETIRA MÁQUINA


Os populares que se apõem à exploração de lítio em Covas do Barroso, Boticas, aplaudiram a retirada da máquina de perfuração de um terreno baldio, pela Savannah, considerando que se trata de "uma vitória" para esta luta. Nélson Gomes, presidente da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, frisa que "este bloqueio mostra que a comunidade está disposta a fazer o necessário para travar este projeto. A empresa não tem a maior parte dos terrenos que precisa para avançar com a mina, e ninguém aqui lhes vai facilitar a vida. Os investidores deste projeto andam iludidos. Tudo o que a empresa promete acaba por ser mais caro e demorado do que o prometido. E tenho a certeza de que no final este projeto vai cair". Fonte.

O Prémio Quercus 2026 distingue, na categoria individual, Miguel Dantas da Gama, conservacionista e naturalista, com uma carreira especialmente dedicada à defesa da vida selvagem e do Parue Nacional da Peneda-Gerês, tendo sido ainda um dos fundadores da Quercus e, também, do FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade. Na categoria coletiva, a Quercus decidiu galardoar a Junta de Freguesia do Baraçal, no concelho do Sabugal, pelo seu pioneirismo na implementação de várias políticas ambientais (como a não utilização de herbicidas na limpeza urbana há mais de 2 décadas) e pelo forte compromisso com a sustentabilidade, incluindo a produção descentralizada de energia renovável e a gestão sustentável dos espaços verdes. Fonte.


Município de Espinho vai vender sucata em hasta pública. Fonte. 

Consulta pública até 11 de dezembro: Concessão Mineira Juncal 2 (caulino, areias, seixos, britas e argila vermelha) – Porto de Mós, Leiria. Fonte.

INGLATERRA: PARAGENS DE AUTOCARROS PARA ABELHAS EM PETERBOROUGH

  • Foram aprovados em Peterborough planos para a introdução de «paragens de autocarro para abelhas», com o objetivo de promover a biodiversidade nas zonas urbanas. A Câmara Municipal de Peterborough, Inglaterra, afirmou que 34 paragens de autocarro poderão incluir «telhados vivos», ou seja, mini-jardins plantados no topo dos abrigos de autocarro, compostos por flores silvestres e outra vegetação. Fonte.
  • Os bancos europeus que apoiam a expansão do carvão estão a financiar uma potencial «bomba climática» de grandes proporções na Austrália, que poderá libertar até 800 milhões de toneladas de CO₂ por ano, mais do dobro das emissões internas da Austrália provenientes dos setores da energia e da indústria. Fonte.
  • A TotalEnergies registou um lucro líquido que aumentou 124% em relação ao mesmo período do ano anterior no terceiro trimestre, atingindo 8,3 mil milhões de dólares. Fonte.

BICO CALADO


Um vídeo gravado a partir do carro de dois observadores jurídicos na zona de Portland, no Oregon, mostra um veículo não identificado com as luzes de emergência a piscar, a seguir de perto o carro deles numa rua do subúrbio de Hillsboro. Cerca de 15 segundos após o início do vídeo, ambos os carros param e duas pessoas mascaradas saem do veículo não identificado e aproximam-se do outro carro, uma delas trazendo um objeto afiado que utiliza para furar o pneu traseiro. Aproximam-se uma segunda vez alguns segundos depois, furando o pneu novamente. Ambas as pessoas mascaradas usam coletes com o nome da sua agência governamental: Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Fonte.

Águas do Alto Alentejo lançam alerta contra burla. Alegadas análises à água são fraudulentas e o caso já foi denunciado à GNR. Fonte.

“Todos os crimes prescreveram esta semana. Dinheiro roubado, o suficiente para, aos preços de hoje, construir 30 mil a 50 mil apartamentos familiares. Dinheiro que desapareceu em contratos fraudulentos, entregue em dinheiro vivo em envelopes aos milhões, saqueado através de empréstimos forjados e sem quaisquer garantias, transferido para contas em paraísos fiscais e off-shores, metido ao bolso por um grupo de burlões que continua à solta. Gerou fortunas o assalto ao banco, roubado e saqueado pelos seus fundadores e administradores. O banco foi fundado nos anos 90 por membros do governo, por ex-secretários de estado, e ex-ministros. Quem saía dos governos ia para lá governar-se. Abriu um buraco que os contribuintes ainda hoje estão a pagar. Deixou um bando de criminosos de colarinho branco impunes que continuam a encher os restaurantes de luxo e a ostentar os seus iates nas marinas do Algarve, próximo da terra do primeiro-ministro da altura (ele próprio accionista da sociedade que controlava o banco), de cujos governos fizeram parte. Deixou, como toda a corrupção em grande escala, um rastro de mortos, vítimas de cuidados de saúde que faltaram, de listas de espera nas cirurgias, de tratamentos adiados por faltas de pessoal, de verbas e de equipamentos. Agora, muito convenientemente, todos os crimes prescreveram. E quem fala do assunto?” Miguel Szymanski.

REFLEXÃO

OS TRABALHADORES EXPLORADOS QUE CONSTROEM OS CENTROS DE DADOS DA EUROPA
Mei-Ling McNamara e Jan Daalder, Investigate Europe. Rev. O’Lima.

O projeto de construção de um centro de dados da Google, no valor de 6 mil milhões de euros, em Saint Ghislain, na Bélgica. 
Crédito: Shutterstock

Uma investigação de cinco meses realizada em nove países, revela graves casos de exploração laboral e falhas de segurança nos estaleiros de construção de centros de dados por toda a Europa, onde as gigantes tecnológicas norte-americanas (Google, Microsoft, Amazon) contratam empresas de construção irlandesas e uma rede de subcontratados.

Principais conclusões:

1 Lesões graves e falhas de segurança

O trabalhador romeno Sandu Dumitrescu sofreu um choque elétrico (400 volts, 12 000 amperes) num local da Google em Saint Ghislain, na Bélgica, depois de lhe ter sido pedido que realizasse um teste de última hora sem equipamento de proteção. Sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus em 12 % do corpo e esteve em coma induzido durante cinco dias. Não foram aplicadas multas nem sanções; a inspeção do trabalho belga arquivou o caso sem o ter ouvido.

2 Condições de vida precárias e doenças

Numa unidade da Microsoft em Gävle, na Suécia, os trabalhadores relataram infestações de ratos, avarias nos sistemas de aquecimento e ventilação e sobrelotação (24 pessoas por cozinha, 14 homens por casa de banho). Foi confirmado um caso de tuberculose, mas não foi oficialmente comunicado qualquer surto e o rastreio de contactos não foi realizado conforme exigido. Os trabalhadores afirmam que outras 10 a 12 pessoas foram infetadas e que cerca de 40 homens — alguns com testes positivos para a tuberculose — foram transferidos para uma instalação da Microsoft na Dinamarca.

3 Terror psicológico e táticas de controlo

Os trabalhadores descreveram uma cultura de intimidação sob a supervisão das empresas subcontratadas irlandesas Collen e Benbau, incluindo um sistema de sanções de «cartão amarelo/cartão vermelho», confissões escritas forçadas e relatórios obrigatórios «Good Save», acompanhados de ameaças de deduções salariais. Um antigo gestor afirmou que as confissões foram «concebidas para humilhar» os trabalhadores.

4. Roubo de salários e exclusão sindical

Mais de 30 trabalhadores partilharam recibos de vencimento que revelavam semanas de trabalho de cerca de 60 horas sem pagamento de horas extraordinárias, numa aparente violação da legislação sueca. Um sindicato acusou a Benbau de reter quase 900 000 € em salários de 78 trabalhadores romenos. Dias antes da publicação, chegou-se a um acordo histórico no valor de 1,3 milhões de euros — o primeiro acordo coletivo da Suécia celebrado por e para trabalhadores migrantes. Sindicatos na Bélgica, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Itália relataram que lhes foi negado o acesso aos locais de trabalho; um sindicato dinamarquês afirmou que os locais estão «mais fechados do que uma prisão estatal».

5. Lacunas na aplicação da lei

A Autoridade Europeia do Trabalho não possui poderes de inspeção nem de aplicação da lei e conta com menos de 140 funcionários para toda a UE. A UE está a preparar uma «Lei dos Empregos de Qualidade» para abordar a responsabilidade solidária nas cadeias de subcontratação e promover o emprego direto.


LEITURAS MARGINAIS

GARRY KASPAROV, DE ÍCONE DO XADREZ A APOIANTE DO DEPARTAMENTO DE ESTADO
Alan Macleod, MPN. Rev. O’Lima.


O antigo campeão de xadrez Garry Kasparov desde que se retirou do xadrez, tornou-se um proeminente defensor da política externa dos EUA e uma figura-chave numa rede de organizações de «promoção da democracia» que servem a agenda geopolítica de Washington.

Kasparov fundou e preside à Renew Democracy Initiative, é vice-presidente do World Liberty Congress e foi, até 2024, presidente da Human Rights Foundation. Estes grupos, embora se apresentem como organizações de direitos humanos e democracia, estão repletos de antigos militares e funcionários do governo dos EUA (por exemplo, o general Mark Milley, o general Stanley McChrystal, Alexander Vindman), financiados pela Fundação Nacional para a Democracia (uma fachada da CIA) e centrados em países que são adversários dos EUA — Rússia, China, Venezuela, Irão, Cuba e Nicarágua.

A resposta destas organizações a Gaza revela as suas verdadeiras prioridades — limitando-se a emitir declarações vagas ou a dar total apoio a Israel, em vez de condenarem o que a ONU, a Amnistia Internacional, a HRW e outras organizações designam como um genocídio. Kasparov refere-se a Israel como uma «democracia na linha da frente» e condena o mandado de detenção emitido pelo TPI contra Netanyahu.

Kasparov apoiou as invasões do Iraque em 1991 e 2003 (tendo alegadamente apelado ao lançamento de uma bomba atómica sobre Bagdade em 1991 e à expansão da guerra para Teerão, Damasco e Riade). Ele defende uma mudança de regime no Irão e apelou à NATO para que bombardeasse a Rússia «de volta à Idade da Pedra» e à Europa para que enfrentasse a China.

Kasparov é acusado de facilitar a venda de armas a Peter Ajak, um «ativista pela paz» do Sudão do Sul acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de tráfico de armas e de tentativa de derrubar o governo. Kasparov nega qualquer irregularidade.

Após ter servido de cartaz às políticas soviéticas, Kasparov apoiou Yeltsin, concorreu à presidência da Rússia, acabando por se mudar para Nova Iorque em 2013, mantendo ligações com Peter Thiel e comparando-o a Bobby Fischer.