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sábado, 11 de abril de 2026

ÁGUA CONTAMINADA E FALTA DE HIGIENE MATAM QUASE TRÊS MIL EM SEIS ANOS

  • 2850 mortes foram registadas em Portugal associadas a problemas de qualidade da água, saneamento deficiente e condições de higiene degradadas entre 2019 e 2024, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE). A evolução recente revela um crescimento acelerado e consistente nos últimos três anos, sem que seja conhecida qualquer explicação pública estruturada por parte das autoridades. Os dados do INE permitem ainda identificar um forte impacto nos grupos etários mais vulneráveis. Em 2024, das 602 mortes registadas, 343 ocorreram em pessoas com mais de 85 anos, enquanto 158 diziam respeito a indivíduos entre os 75 e os 84 anos. Ainda assim, registaram-se 101 mortes em pessoas com menos de 75 anos, observando-se um agravamento a partir dos 55 anos, o que evidencia que este fenómeno não se limita exclusivamente à população mais idosa. Fonte.
  • A Câmara de Anadia emitiu parecer desfavorável ao pedido da Simões Sá Pereira, S.A. para a atribuição de uma área destinada à prospeção e pesquisa de depósitos minerais, nomeadamente caulinos, areias siliciosas e outras argilas especiais no lugar 'Barro do Moleiro’, abrangendo as freguesias de Avelãs de Cima, Moita e a União de Freguesias de Arcos e Mogofores. Fonte.
  • Milei apresentou, e o parlamento aprovou, um projeto de lei que permite a exploração mineira em áreas ecologicamente sensíveis, como glaciares e permafrost. Fonte.
  • Análises exclusivas revelam níveis de urânio preocupantes para a saúde nas proximidades das instalações de extração de urânio da Orano no Cazaquistão. A filial local da multinacional foi condenada por infrações ambientais. Fonte.

REFLEXÃO

VOLTA, ELES FATURAM MAIS


O Lidl lançou o programa «Volta», que promete devolver dinheiro ao consumidor por cada embalagem comprada e depositada nas suas lojas. À primeira vista, parece uma iniciativa amiga do consumidor e do ambiente: incentivar a reciclagem com um pequeno reembolso. Mas, olhando com mais atenção, há muito mais truque do que virtude.

Primeiro: o greenwashing. Em vez de reduzir as embalagens descartáveis, filmes multicamada difíceis de reciclar ou os produtos de utilização única, a loja empurra a responsabilidade para o consumidor. É o velho truque: recicla tu, que eu continuo a produzir lixo. A pegada ambiental mantém-se, mas a imagem da marca fica mais verde.

Segundo: um programa feito à medida da própria loja. O «Volta» não é um sistema universal: só aceita embalagens vendidas no Lidl ou de marcas parceiras. Ou seja, exclui grande parte do que realmente consumimos. O logótipo do programa serve mais para filtrar do que para incluir. O Ambiente agradece pouco; a fidelização à marca agradece muito.

Terceiro: a devolução é uma fidelização forçada. A loja admite acrescentar dez cêntimos ao preço do produto para depois os ‘devolver’ — não em dinheiro, mas num vale de compras, utilizável apenas através de uma aplicação exclusiva. É menos incentivo ambiental e mais mecanismo de retenção de clientes.

Quarto: processo pouco prático e muito frustrante. Guardar embalagens sujas, transportá-las até à loja, lidar com máquinas que recusam embalagens ligeiramente amassadas ou com códigos de barras ligeiramente danificados, para no fim receber dez cêntimos por unidade — mais parece penitência do que incentivo. E quando a máquina avaria, o que não é raro, o stresse e o tempo perdido em filas é um custo real que ninguém devolve.

Quinto: o paradoxo logístico. Deslocar-se de carro para depositar meia dúzia de embalagens pode gerar mais emissões de CO₂ do que a recolha porta-a-porta pelos sistemas municipais. Ao criar um sistema paralelo, o «Volta» arrisca prejudicar a adesão aos circuitos públicos, sem trazer ganhos ambientais líquidos.

Sexto: a desigualdade social. Consumidores com menor poder de compra sentir-se-ão pressionados a acumular embalagens para obter pequenos reembolsos, enquanto os de maiores rendimentos poderão ignorar o programa. E quem vive longe de um Lidl fica automaticamente excluído. Não é um sistema para todos, é um sistema para quem já está dentro.

O ecoponto de rua — esse herói anónimo da reciclagem portuguesa — continua a ser mais eficiente, mais inclusivo e com menor pegada carbónica. Pode não dar vales de desconto, mas pelo menos não exige carregar lixo no porta-bagagens. Faz apenas aquilo que deve: recolher para reciclar. Por isso, continuo fiel a ele. Pode não ser bonito nem moderno, mas funciona — e não precisa de marketing para provar isso.

BICO CALADO

Foto: Martin Lelievre/AFP/Getty Images
  • Carlos Monteiro, atual presidente da junta de freguesia da Guarda, eleito pelo PSD, está na calha para ser nomeado pelo Governo como diretor da Segurança Social naquele distrito. A esperada nomeação está a provocar indignação dentro da própria estrutura porque Carlos Chaves Monteiro exerceu funções como advogado enquanto recebia o subsídio de desemprego total, como provam documentos enviados a entidades públicas. Como a inscrição na Ordem dos Advogados estava suspensa, o ato pode ser procuradoria ilícita. Fonte.
  • Deputados do Chega pediram ajudas de custo por reunião em dia sem trabalhos no Parlamento. Aguiar-Branco recusou pedido porque a bancada do partido de André Ventura não pediu autorização para se reunir num dia em que decorriam as jornadas parlamentares do PSD. Fonte.
  • Quem reza pelas chefias intermédias? Entre as ordens de cima, a pressão das metas a impor aos de baixo e as queixas dos clientes, o chefe intermédio é esmagado e ainda sai com as culpas. Catarina Teixeira, Substack.
  • Rutte, o agente funerário da NATO. Fonte.
  • Nos EUA, os 1% mais ricos receberão 117 mil milhões de dólares em reduções fiscais este ano, enquanto os 95% mais pobres pagarão mais. Fonte.
  • O grande doador do Partido Republicano, Leonard Leo, financia um site que partiu para a guerra contra os Somalis. O Maine Wire apresenta-se como um novato corajoso que luta pelos cidadãos comuns do Maine, mas é financiado por poderosos financiadores da direita. Fonte.
  • Visões gerais sobre IA e a erosão silenciosa da credibilidade do Google. Enrique Dans, Medium.
  • O presidente da FCC nomeado por Trump, Brendan Carr, ameaça retirar as licenças de transmissão a órgãos de comunicação que classifica como «notícias falsas». A mensagem da FCC não tem precedentes na história dos EUA: noticiem o que aprovamos ou perderão a vossa licença. Os esforços de Carr para fazer cumprir a lei baseiam-se num flagrante duplo padrão: os programas de rádio de direita podem transmitir com total proteção, sem ameaças e imunes ao escrutínio da FCC, enquanto qualquer notícia ou programa de entretenimento que desagrade à Casa Branca, especialmente a cobertura negativa da guerra no Irão, é alvo de repressão. Fonte.
  • Israel bombardeou o Líbano 100 vezes em 10 minutos. Menos de um dia após o acordo de cessar-fogo com o Irão, Israel matou pelo menos 303 pessoas. Hoje, Netanyahu afirmou que iria iniciar negociações de paz com o Líbano, embora já tenha dito isso anteriormente. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

A TUA PRIVACIDADE POR UM DOCE
Ana Ordaz, Democráter. Trad. O’Lima.


Este fim de semana, a minha vizinha, que é encantadora, voltou a animar-me para me juntar a uma sessão de corrida em grupo no parque. Apesar de ter as minhas reservas, sacudi os lençóis e a preguiça e preparei-me para o plano: calças de treino, ténis, café com creatina, protetor solar, e cá vamos. «Vá lá, alinho! [emoji bíceps emoji carinha sorridente]», respondi-lhe com a minha melhor atitude motivada. Sábado de manhã, exercício ao ar livre, conviver um pouco e terminar com um doce na pastelaria do bairro. O que poderia correr mal? Bem, muitas coisas.

Acontece que há pouco mais de um mês «uns rapazes» criaram um grupo de corrida na zona. Desde então, todos os fins de semana organizam encontros «gratuitos» para dar uma corridinha pelo parque, tudo num ambiente muito amigável e nada competitivo; além disso, no final, um café nas proximidades oferece 15% de desconto ou oferece um biscoito aos participantes. Pensei: «Que bom, finalmente uma iniciativa para criar espírito de bairro e, de passagem, apoiar o comércio local». Como eu estava enganada.

A primeira, na frente

O primeiro sinal de alerta surgiu rapidamente. Para participar na atividade, não bastava aparecer no local e à hora marcados; não: era preciso inscrever-se através de uma aplicação de fitness, a Strava. Eu desconhecia-a, tal como desconhecia a história, absolutamente surreal mas real, de que, neste mesmo mês de março, o jornal francês Le Monde localizou a posição exata do porta-aviões Charles de Gaulle —destacado no Mediterrâneo Oriental no contexto da guerra entre Israel, os Estados Unidos e o Irão— porque um dos oficiais a bordo se dedicou a correr pelo navio almirante da Marinha Francesa enquanto partilhava o seu treino na aplicação de corrida.

Publicação anonimizada que mostra a rota registada no mar, em 13 de março de 2026 | Le Monde.

Este primeiro passo deixou-me furiosa e pareceu-me igualmente absurdo. Estou absolutamente farta de que qualquer trâmite tenha de passar por uma aplicação; de que cada atividade, por mais simples que seja, implique um toque no smartphone. Como é que, para ir correr meia hora, tenho de me registar numa aplicação e fornecer uma infinidade de dados pessoais a uma empresa privada? No entanto, já tinha dito que sim à minha vizinha, por isso decidi não dar muita importância ao assunto e simplesmente ignorar o registo e aparecer lá à hora combinada.

Nada é de graça

Encontrei ela e os restantes corredores, agrupados em rodas que se cumprimentavam e conversavam animadamente. Após alguns minutos de cortesias, subidos a um banco a servir de púlpito, os organizadores do «clube» tomaram a palavra. E aí surgiu o segundo sinal de alerta, muito maior do que o anterior: «Passamos agora a palavra ao Fulano, da [inserir aqui o nome de uma empresa de bebidas e alimentos], que, após o treino, nos oferecerá uma degustação de [colocação de produto aqui]».

Já te enganaram. Levantas-te para ir fazer desporto e, de repente, dás por ti no meio de um anúncio de televenda do qual não consegues mudar de canal. Foi aí que percebi que aquilo não era a iniciativa de bairro que me tinham apresentado, um grupo informal de pessoas que combina pelo WhatsApp para ir correr, mas sim um projeto planeado desde o início, rentável e até com patrocinadores. O meu nível de irritação a esta hora da manhã já era elevado. Mas ainda iria piorar.

O produto és tu

Enquanto ouvia de soslaio o Fulano a soltar o seu discurso promocional e algo sobre a importância de cuidar de si, olhei à minha volta e surgiu o terceiro sinal de alerta, mais ou menos do tamanho da Plaza de Colón. Na verdade, era tão óbvio que nem sequer conta como sinal de alerta, mas sim como «amiga-alerta». Entre leggings e camisolas de cores fluorescentes estava a única pessoa que não estava vestida de desporto, uma rapariga com estabilizador de imagem e telemóvel na mão, a gravar tudo para posterior publicação nas redes sociais.

É difícil explicar o nível de indignação que senti naquele momento, a sensação de vulnerabilidade, a cara de idiota com que fiquei. Estamos fartas de ouvir isso e até de repetir, mas continuamos a cair nessa: se o produto é de graça, o produto és tu.

Afastei-me instintivamente e disse-lhe para não me filmar. Mas ainda havia uma última surpresa. À espera em frente ao pelotão, a filmar em plano fixo o início da corrida, o Fulanito. Ou seja, não é só que estes «eventos gratuitos» tenham patrocinadores e até dinheiro para pagar a uma pessoa exclusivamente para as redes sociais, é que o patrocinador também fica com algumas imagens de arquivo.

Tudo é monetizável

Chegados a este ponto, convém recordar que, em Espanha, de acordo com a Lei Orgânica de Proteção de Dados, é permitido gravar sem pedir autorização individual em eventos públicos e quando as imagens são de caráter geral (como, por exemplo, uma corrida popular ou um comício). Mas isso não faz com que me sinta menos incomodada. De boa, e em menos de cinco minutos, acabaste por ver um anúncio que não querias ver; uma organização captou a tua imagem e vai usá-la para se promover na Internet.

No entanto, o que mais me alarmou neste episódio foi que, quando identifiquei a câmara e saí do seu campo de visão, fui a única a fazê-lo. O resto do grupo parecia não se aperceber, ou não se importava, alguns até acenavam. Em que momento normalizámos tudo isto? Quando é que nos habituámos à presença de câmaras nos momentos e locais mais insuspeitos? Como é que chegámos a aceitar que as empresas nos gravem para promover a sua atividade? Por que é que tudo, até o lazer ou a atividade mais inocente, é suscetível de ser monetizado?

A M. tinha razão

Tenho uma amiga, a M., que tem uma obsessão por certos assuntos. Um deles é a privacidade e os cookies — não aqueles que davam na pastelaria do bairro depois da corrida, mas sim os que rastreiam o nosso comportamento na Internet e partilham os nossos dados com terceiros. Antes, às vezes achava que a M. exagerava um pouco ou que, afinal, não fazia diferença.

Mas os anos passam e o tempo mostrou-me que talvez a minha amiga não fosse de todo exagerada, que sim, que a M. tinha razão. Por isso, cada vez mais, dou por mim a clicar em todas as abas de «recusar cookies», a desinstalar aplicações e a deixar apenas aquelas de que não tenho outra escolha, não escrevendo uma crítica a um restaurante que adorei, ou marcando a caixa de «não aceito» na autorização de uso de imagens que me apresentam na academia de línguas, no ginásio e até na escola de condução. Nem sempre é confortável, porque ninguém gosta de ser o Grinch, mas às vezes é preciso ser um pouco o Grinch.

Assim, o encontro de corrida social acabou logo no início: saí do pelotão e corri sozinha enquanto refletia sobre tudo isto. Não ganhei nenhum doce de recompensa, mas consegui proteger a minha privacidade.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

EUA: FORTALEZA YELLOWSTONE

O rio Yellowstone atravessa Paradise Valley, no Montana, onde uma avalanche de riqueza está a afastar quem não é rico. 
Foto: WILLIAM CAMPBELL/CORBIS VIA GETTY IMAGES
  • Sete dos dez maiores proprietários de terras de Park e Sweet Grass, em Montana — que abrigam alguns dos habitats de vida selvagem mais famosos do Grande Ecossistema de Yellowstone — são investidores e industriais extremamente ricos que acumularam as suas fortunas através de indústrias que estão a destruir ativamente ecossistemas noutros locais. A família MacMillan, proprietária maioritária da Cargill Inc. e do rancho Wild Eagle Mountain, com 44 000 acres, nas Crazy Mountains, ilustra este padrão de forma mais evidente: A inauguração pela Cargill, em 2003, de um terminal de exportação de soja em Santarém, no Brasil, desencadeou uma explosão do cultivo industrial de soja no Planalto Santarém que, desde 2000, arrasou mais de 660 milhas quadradas de cobertura florestal amazónica, envenenou cursos de água e deslocou os Mundurukú e outras comunidades indígenas que geriam a terra de forma sustentável há várias gerações. Fonte.
  • Ação judicial acusa a ExxonMobil e a Empire Petroleum de fraude contabilística no valor de 200 milhões de dólares no Novo México. Alega-se que as subsidiárias da ExxonMobil e da Empire Petroleum subvalorizaram fraudulentamente as suas obrigações de limpeza em cerca de 33 vezes o seu custo real ao transferirem várias centenas de poços de petróleo obsoletos em 2021, deixando o estado potencialmente responsável por quase 200 milhões de dólares em custos de remediação. O Novo México já deverá enfrentar custos totais de limpeza entre 700 milhões e 1,6 mil milhões de dólares se as suas regras de garantia e transferência não forem revistas, de acordo com um relatório da comissão de finanças da legislatura estadual. Fonte.
  • Uma mancha de óleo proveniente de um navio iraniano avariado ameaça contaminar uma das zonas húmidas mais importantes do Médio Oriente, segundo sugere a análise de imagens de satélite, tornando-se assim mais um dos vários derrames que representam um risco para os meios de subsistência das comunidades costeiras do Golfo. O Shahid Bagheri, um navio transportador de drones, começou a derramar óleo combustível pesado em águas territoriais iranianas perto do estreito de Ormuz, depois de ter sido atingido por um avião de guerra norte-americano nos primeiros dias do ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irão. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

OS MEDIA SÃO MAUS, MAS TAMBÉM SÃO MUITO BURROS
Caitlin Johnstone, Substack. Trad. O’Lima.


O New York Times publicou um artigo intitulado «Uma Organização do Tratado da América do Norte sem a América?», aparentemente tendo passado toda a guerra na Ucrânia sem ter a menor noção de que NATO significa Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Ao mesmo tempo, a CNN exibiu uma reportagem sobre um piloto americano cujo bombardeiro foi abatido sobre o Irão, na qual a analista Amy McGrath sugeriu que os iranianos poderiam ajudar o piloto porque estão «felizes» por ele estar a bombardear o seu país, dizendo que o piloto estaria preocupado porque não sabe «se vai ser capturado por alguém que o vai entregar às forças iranianas, que vão usá-lo e capturá-lo, ou se a população está feliz por ele estar lá?»

Isto ilustra mesmo como o jornalismo ocidental está lixado, não é?


Quero dizer, o que se vê aqui é mesmo um raciocínio de criança. Aquela manchete do New York Times passou por várias etapas de revisão antes da publicação sem que a ninguém sequer ocorresse fazer uma pesquisa rápida no Google para descobrir se o «A» da NATO significa realmente «Americano» e, se sim, por que razão há tantos países europeus na aliança? Aquela analista da CNN tem realmente uma visão de mundo tão infantil e de desenhos animados sobre as guerras americanas que pensa que as pessoas que estão a ser bombardeadas por pilotos americanos vão querer abraçá-los, beijá-los e dar-lhes presentes quando eles se ejetarem de emergência em território inimigo. É incrível que qualquer uma das pessoas envolvidas em qualquer um destes incidentes esteja a trabalhar na comunicação social.

Se alguma vez se perguntaram por que razão tantos americanos são tão ignorantes sobre o que se passa no mundo, é porque, há várias gerações, têm sido este tipo de pessoas a informá-los sobre os acontecimentos mundiais. São estes os media responsáveis por formar uma população informada. E as suas reportagens são partilhadas com todo o mundo ocidental.

Critico constantemente a imprensa ocidental pelo seu papel na propaganda dirigida ao público, com o objetivo de fabricar consentimento para guerras malignas e normalizar um status quo político abusivo. Nunca é demais desprezar estes manipuladores pelo seu papel na disfunção do mundo atual. Mas estes dois incidentes destacam o facto de que as pessoas que dirigem a imprensa ocidental não são apenas más — são também muito, muito estúpidas.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

FARMACÊUTICAS FALHAM NO CUMPRIMENTO DE METAS AMBIENTAIS

  • A Agência Portuguesa do Ambiente veio a público esclarecer a responsabilidade da indústria farmacêutica na gestão de resíduos, admitindo falhas no cumprimento de metas ambientais e apelando a um maior compromisso do setor. Fonte.
  • O Governo de Luís Montenegro vai avançar com um estudo técnico para avaliar o potencial de antigas áreas mineiras abandonadas para a instalação de centros eletroprodutores de energia renovável. Fonte.
  • Pelo menos quatro aeroportos no norte de Itália — Milão Linate, Bolonha, Veneza e Treviso — impuseram restrições ao combustível para aviões devido à escassez, dando prioridade aos voos de longo curso e aos voos médicos. Fonte.
  • Os EUA estão a usar o México como um depósito de lixo, o que está a provocar uma crise tóxica, afirma Marcos Orellana, especialista da ONU. Fonte.

REFLEXÃO

O BOMBARDEAMENTO DO IRÃO PELOS EUA E POR ISRAEL ESTÁ A PROVOCAR UMA CATÁSTROFE AMBIENTAL
Pat Elder, CoverAction Magazine. Trad. O’Lima.


Aviões de guerra israelitas incendiaram o campo de gás de South Pars, no Irão

A 18 de março de 2026, aviões de guerra israelitas atacaram o campo de gás de South Pars, no Irão, provocando incêndios num dos complexos energéticos mais críticos do planeta. O ataque teve como alvo infraestruturas no coração do sistema global de gás natural, provocando chamas nas instalações que sustentam uma parte significativa da produção mundial de fertilizantes.

O ataque a South Pars e o encerramento do Estreito de Ormuz não são apenas uma questão energética — são também uma questão relacionada com o abastecimento alimentar global. A agricultura moderna depende fundamentalmente do gás natural, que é utilizado para produzir fertilizantes à base de amoníaco e ureia. A região do Golfo Pérsico fornece uma parte substancial dos fertilizantes azotados do mundo, pelo que as perturbações neste sistema repercutem-se imediatamente nos mercados globais, na produção agrícola e, em última análise, no abastecimento alimentar.

Em resposta, os países mais afetados, como o Japão, estão a recorrer à aplicação de lamas de esgoto contaminadas com PFAS nos campos agrícolas.

O presidente Donald Trump procurou distanciar os EUA do bombardeamento, afirmando: «Os Estados Unidos não sabiam nada sobre este ataque em particular.» Atribuiu a responsabilidade a Israel, dizendo que este país tinha «atacado violentamente o campo de gás de South Pars».

O Japão é o país mais vulnerável

A grave perturbação do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz reduziu o fluxo de ureia, amoníaco e outros fertilizantes para o Japão, um país que depende quase inteiramente de nutrientes importados produzidos a partir de gás natural. Uma vez que cerca de um terço dos fertilizantes comercializados a nível mundial, e uma parte significativa do gás natural utilizado na sua produção, passa por este estreito corredor, o conflito no Golfo Pérsico traduziu-se imediatamente em perturbações no abastecimento para as economias agrícolas a jusante.

A palavra «ureia» deriva do grego «ouron», que significa «urina». Mais tarde, os cientistas adotaram o termo latinizado «ureia» para designar o composto identificado pela primeira vez na urina.

Sem gás natural, não conseguimos produzir amoníaco facilmente e, sem amoníaco, não conseguimos produzir ureia. Sem ureia, a agricultura moderna tem dificuldade em produzir alimentos suficientes. É por isso que acontecimentos que afetam o gás natural — como uma greve no campo de gás de South Pars — podem ter repercussões que vão desde os mercados energéticos até ao preço e à disponibilidade de alimentos no Japão e em toda a Ásia.

A transição para o lodo

Os países mais expostos a crises de fertilizantes — em particular o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan e as nações dependentes de importações do Sul e Sudeste Asiático — estão a recorrer cada vez mais às lamas de esgoto como fonte alternativa de nutrientes, uma mudança que corre o risco de transferir a contaminação industrial por PFAS dos fluxos de resíduos urbanos diretamente para os solos agrícolas. É terrível!

A Universidade de Agricultura de Tóquio relatou, já em 1997, que a utilização de lamas de esgoto no Japão estava a aumentar gradualmente. Ao longo das décadas de 1990 e 2000, várias mudanças políticas incentivaram a aplicação de lamas de esgoto nos solos.

Esta tendência assumiu uma nova urgência, à medida que o Japão enfrentava a guerra entre a Rússia e a Ucrânia de 2022, que fez subir os preços globais dos fertilizantes e reforçou o interesse nas lamas de esgoto. A atual crise no Golfo desferiu um segundo golpe. Para o Japão, isto representa uma grave ameaça ao sistema de fertilizantes azotados do qual a sua agricultura depende.

Embora o Japão tenha construído um sistema altamente sofisticado para transformar lamas de esgoto numa mercadoria agrícola regulamentada, muitos países, incluindo o Bangladesh, a Indonésia e as Filipinas, carecem da infraestrutura necessária para tratar e normalizar estes materiais em grande escala.

‍Milhões de toneladas de lamas de esgoto são produzidas anualmente nos sistemas de tratamento de águas residuais do Japão, contendo azoto e fósforo recuperáveis. Em condições normais, apenas uma pequena fração é aplicada em terrenos agrícolas. O restante é incinerado.

O Japão depende fortemente da incineração de lamas, mas os incineradores típicos de lamas de esgoto operam frequentemente a cerca de 800-900°C. Os compostos PFAS requerem geralmente temperaturas significativamente mais elevadas para uma destruição fiável, muitas vezes acima dos 1000-1200 °C. A temperaturas mais baixas, podem persistir, transformar-se ou ser redistribuídos nas cinzas e nas emissões.

Com o passar do tempo, estas substâncias químicas persistentes entram na cadeia alimentar — acumulando-se nas culturas, no gado e nos produtos do mar — e acabam por expor as populações humanas através da água potável e da alimentação, aumentando os riscos de cancro, disfunção imunitária e outros efeitos crónicos para a saúde.

Já há programas em vários municípios em todo o Japão. À medida que os preços da ureia voltam a subir, é provável que programas semelhantes se expandam.

Quando a guerra ameaça as infraestruturas energéticas e o transporte marítimo no Golfo, os mercados de fertilizantes reagem imediatamente. Os danos não se limitam ao que é fisicamente destruído. Os japoneses, no entanto, não parecem estar preocupados. ‍ ‍

Quando a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi se reuniu com o presidente Trump na Casa Branca, em Washington, D.C., a 19 de março de 2026, no dia seguinte ao ataque a South Pars, ela apoiou a guerra contra o Irão e elogiou o presidente americano. «Acredito firmemente que só tu, Donald, podes alcançar a paz em todo o mundo. Para tal, estou pronta para contactar muitos dos parceiros da comunidade internacional para alcançarmos o nosso objetivo em conjunto.»

Donald Trump e Sanae Takaichi na Casa Branca, a 19 de março. [Fonte: jp.usembassy.gov]

No início de dezembro de 2025, antes do início das habituais ameaças de guerra, os preços da ureia situavam-se nos 352 dólares por tonelada. Considera-se que as declarações belicistas do presidente Trump tenham impulsionado o preço da ureia para 467 dólares, no dia em que a primeira-ministra Takaichi se reuniu com ele. Três dias depois, ultrapassou os 600 dólares por tonelada, enquanto atualmente é negociada a cerca de 683 dólares. Isto está a afetar o Japão talvez mais do que qualquer outro país. O Japão importa 80-90% dos seus fertilizantes, enquanto os EUA importam menos de 25% dos seus fertilizantes.

Preços da ureia por tonelada em dólares americanos (maio de 2025–março de 2026)

[Fonte: militarypoisons.org]

O dia 5 de dezembro de 2025 marcou uma viragem no mercado da ureia

Os mercados de matérias-primas reagem habitualmente não só a acontecimentos, mas também às expectativas de perturbações futuras. Nesse contexto, o aumento rápido e previsível dos preços da ureia, na sequência da escalada da retórica e da ação militar, levanta questões sobre se alguns participantes no mercado próximos da administração Trump se terão posicionado antecipadamente para lucrar com a situação.

Sistemas de tratamento de águas residuais

Os sistemas de tratamento de águas residuais não são concebidos para remover muitos produtos químicos persistentes. Em vez disso, compostos como os PFAS passam para os lamas. Isto é particularmente preocupante no Japão, onde os fluxos de águas residuais incluem não só esgotos domésticos, mas também efluentes ligados a setores de fabrico de alta tecnologia, incluindo a produção de semicondutores e eletrónica, indústrias conhecidas por utilizarem grandes quantidades de PFAS em vários processos.

Um estudo de 2026 publicado no Journal of Hazardous Materials revelou que as concentrações de PFAS em fertilizantes derivados de lamas no Japão atingiam 78 000 nanogramas por quilograma (78 000 ppt) de peso seco. Imagine isto como uma cafeteira gigante. A infusão tóxica escorre para as águas subterrâneas e os cursos de água, envenenando a cadeia alimentar.

Os modernos sistemas de energia, agricultura, resíduos e contaminação fundem-se neste admirável mundo novo. Um campo de gás arde no Golfo Pérsico. A espuma extingue incêndios industriais. Os preços dos fertilizantes disparam. As lamas de esgoto são espalhadas nas terras agrícolas. Os PFAS penetram no solo e nos alimentos. Nunca desaparecem.

Segurança alimentar

Os preços elevados da ureia e a escassez de oferta exercem pressão ascendente sobre os custos da produção alimentar interna, contribuindo para preocupações inflacionistas mais generalizadas. A preocupação a longo prazo para o Japão é que, mesmo que o conflito se acalme rapidamente, os danos nas instalações de liquefação de alta tecnologia em South Pars e Ras Laffan poderão demorar anos a reparar, levando a um prolongado período de custos elevados dos fertilizantes.

O que se está a desenrolar no Japão, portanto, não é simplesmente uma mudança na origem dos fertilizantes. É uma convergência de perturbações geopolíticas, necessidade económica e consequências ambientais. Não têm muitas opções.

A crise dos fertilizantes desencadeada pela guerra no Golfo Pérsico opera em dois níveis: à superfície, uma história de cadeias de abastecimento, preços e segurança alimentar; por baixo, uma mudança nas práticas agrícolas que reduz a dependência de mercados voláteis, ao mesmo tempo que espalha contaminantes industriais persistentes.

Ao passar dos fertilizantes importados para as lamas de esgoto disponíveis a nível nacional, o Japão pode estar a estabilizar o seu abastecimento de nutrientes a curto prazo. Mas pode também estar a incorporar uma segunda crise, de evolução mais lenta, nos seus solos e sistemas alimentares — uma crise que não se mede em picos de preços, mas em nanogramas por quilograma, acumulando-se silenciosamente ao longo do tempo.

Uma estação de tratamento de águas residuais no Japão

Não são apenas os PFAS que causam tanta preocupação. Após o processo de tratamento de águas residuais, permanece uma vasta gama de contaminantes, incluindo metais pesados, produtos farmacêuticos e hormonas que as estações de tratamento não estão concebidas para remover, juntamente com substâncias químicas que perturbam o sistema endócrino, microplásticos e poluentes industriais persistentes, como PCB e dioxinas. Quando aplicados em terrenos agrícolas, podem migrar para o solo, as águas subterrâneas, as culturas e a cadeia alimentar em geral, suscitando preocupações a longo prazo em termos de ambiente e saúde pública.


A situação no Japão é uma versão moderna de um fracasso histórico recorrente. Ao longo de séculos, as sociedades humanas têm descartado resíduos de forma imprudente, apenas para vê-los regressar com força total sob a forma de água contaminada, alimentos contaminados e doenças. Agora, esse ciclo ancestral está a desenrolar-se a nível global, ligando a guerra, a energia, a agricultura e a saúde humana num carrossel catastrófico.

BICO CALADO


  • O presidente Donald Trump prometeu na segunda-feira encontrar o «informador» que revelou que as forças americanas não conseguiam localizar o segundo piloto retido no Irão após o abate do seu caça F-15, ameaçando prender jornalistas não identificados que tenham recebido a informação caso não revelem a sua fonte. Fonte.
  • "No início do dia, Donald Trump publicou no Truth Social: 'Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar.' Isto vai dar jeito se algum dia chegarmos ao julgamento por crimes de guerra que tudo isto merece. A declaração de motivo e intenção é absolutamente clara. Não preciso dizer o quão vil isto é. É chocante, embora, de certa forma, se não se considerasse isto uma possibilidade real, então é porque não se estava a prestar atenção. Não há muito a dizer aqui, exceto falar sobre como devem comportar-se aqueles de nós que não são Donald Trump. Em primeiro lugar, qualquer comandante militar que receba ordens para começar a destruir infraestruturas civis no Irão deve desobedecer a essa ordem, deve dizê-lo, não deve sequer demitir-se discretamente. Este é o momento de se levantar e deixar claro que isto é totalmente inaceitável. Isto é uma violação de tudo aquilo que as forças armadas representam. É uma violação de tudo aquilo que a América representa. Em segundo lugar, qualquer membro da administração Trump: continuar no seu cargo a fazer o seu trabalho enquanto Trump leva a América no caminho de se tornar uma nação terrorista criminosa, não pode continuar em boa consciência." Pual Krugman, Substack.
  • Ben Roberts-Smith, um ex-soldado das forças especiais australianas de 47 anos e condecorado com a Cruz de Vitória, foi detido e acusado de cinco crimes de guerra relacionados com o alegado homicídio de cinco civis afegãos entre 2009 e 2012. Roberts-Smith é acusado de ter disparado diretamente contra afegãos que não participavam em hostilidades no momento das suas mortes ou de ter ordenado esses disparos aos seus subordinados. Cada acusação acarreta uma pena máxima de prisão perpétua. Fonte.
  • O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou a suspensão das evacuações médicas de doentes da Faixa de Gaza, na sequência da morte de uma pessoa contratada para prestar serviços à Organização. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

BASE DAS LAJES – UM AEROPORTO MILITAR CAPTURADO
João Gomes

Fonte: RTP

(…) Desde a sua última revisão em 1995, o chamado Acordo das Lajes tem sido interpretado como um instrumento técnico de cooperação no quadro da NATO e da relação transatlântica. Na prática, porém, tornou-se algo mais difuso e preocupante: uma autorização tácita para utilização de território português em operações cuja natureza, finalidade e enquadramento jurídico escapam ao escrutínio democrático nacional.

A questão central é simples, mas raramente colocada com frontalidade: pode Portugal aceitar que uma potência aliada utilize uma infraestrutura militar no seu território para operações de guerra que não foram formalmente declaradas, que não passaram por mecanismos multilaterais, e que podem colidir com os princípios consagrados após a Segunda Guerra Mundial, nomeadamente sob a égide da Organização das Nações Unidas?

A resposta, se levada a sério, deveria ser negativa.

A utilização da Base das Lajes por forças norte-americanas tem sido frequentemente enquadrada como compatível com o direito internacional. Mas essa compatibilidade assenta num pressuposto frágil: o de que as operações em causa respeitam, de facto, esse mesmo direito. Quando esse pressuposto deixa de ser verificável – ou sequer transparente – o acordo transforma-se num cheque em branco. E um cheque em branco em matéria de guerra não é um detalhe técnico. É uma abdicação de soberania.

O caso recente da intensificação das operações militares no Médio Oriente expõe essa fragilidade. A Base das Lajes volta a surgir como peça logística relevante – um ponto de apoio discreto, funcional, quase invisível. E é precisamente essa invisibilidade que levanta o problema: Portugal pode estar, na prática, a participar – ainda que indiretamente – em conflitos cuja legitimidade internacional é contestada, sem debate parlamentar efetivo, sem escrutínio público e, em certos casos, sem informação completa. Isto não é uma aliança. É uma captura funcional.

Comparações com outros países europeus tornam esta situação ainda mais evidente. Estados como Espanha, Itália ou mesmo a Áustria – cada um com os seus enquadramentos específicos – desenvolveram mecanismos políticos e jurídicos que permitem condicionar ou mesmo bloquear o uso do seu território em operações militares externas, exigindo clareza quanto aos objetivos, enquadramento legal e implicações estratégicas. Portugal, pelo contrário, parece operar num regime de deferência automática.

A posição do presidente do governo dos Açores, ao enfatizar a necessidade de compensações financeiras ou investimento em infraestruturas de duplo uso, revela uma leitura incompleta do problema. Não se trata apenas de saber quanto valem os Açores no tabuleiro geopolítico. Trata-se de saber se esse valor está a ser utilizado de forma compatível com os princípios que Portugal afirma defender no plano internacional. A soberania não é negociável em parcelas. E muito menos em função de contrapartidas económicas.

Se o uso da Base das Lajes continuar a ser determinado essencialmente pela vontade estratégica de administrações norte-americanas – independentemente da sua adesão ou não ao direito internacional – então Portugal não está a exercer soberania. Está a delegá-la. E delegá-la sem mecanismos de controlo eficazes.

A solução não exige ruptura, mas exige clareza. Qualquer revisão do acordo deveria assentar em três pilares fundamentais: transparência plena sobre a natureza das operações, necessidade de autorização explícita para usos que envolvam cenários de conflito, e a existência de um mecanismo rápido e vinculativo que permita a Portugal suspender ou recusar a utilização da base em caso de violação dos princípios do direito internacional.

Sem isso, a Base das Lajes deixará de ser uma infraestrutura estratégica portuguesa integrada numa aliança – para se consolidar como aquilo que já começa a parecer: um aeroporto militar capturado. E quando a soberania se torna invisível, como na advertência de Edward Bernays, é porque alguém, em algum lugar, já a está a exercer em nosso nome.