Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

terça-feira, 25 de agosto de 2026

DESLARRRGUEM A ARRÁBIDA: SÁBADO, 29 AGOSTO - 19H

  • A luta contra a privatização das praias continua. O movimento Deslarrrguem a Arrábida continua a convocar ações de protesto para que o tema não caia no esquecimento. A ação convocada pelo movimento está marcada o próximo sábado, dia 29 de agosto, às 19h, na Praça do Bocage, em Setúbal. É uma concentração que terá um elemento de flashmob. Por isso, o movimento está a apelar a que toda a gente traga toalhas de praia como sinal de protesto pelo que nos querem tirar.
  • A Quercus considera que a renovação da licença ambiental das Minas da Panasqueira não deve avançar enquanto não forem esclarecidas as dúvidas existentes sobre os riscos e os passivos ambientais associados à exploração mineira. Segundo o relatório técnico do MiningWatch Portugal, há lacunas relacionadas com a estabilidade geotécnica e sísmica das barragens de rejeitados, a capacidade da Estação de Tratamento de Águas Mineiras para responder a períodos de elevada pluviosidade e a inexistência de estudos atualizados sobre possíveis cenários de rotura. O documento aponta ainda para a ausência de um inventário completo dos passivos ambientais históricos ainda presentes na exploração. A Quercus destaca também o deslizamento ocorrido a 29 de janeiro na Ribeira de Cebola, que arrastou resíduos inertes tóxicos, incluindo metais pesados como chumbo e arsénio, levando à suspensão preventiva de uma captação de água local. Seis meses depois do incidente, a captação continua suspensa, sem que tenham sido divulgados os resultados da monitorização ou os critérios para uma eventual reativação. Outro dos principais alertas da Quercus está relacionado com a qualidade da água e os potenciais impactos nas populações a jusante. A associação lembra que a Ribeira do Bodelhão integra o mesmo curso de água que alimenta a albufeira de Castelo de Bode, uma das principais origens da água captada e tratada pela EPAL para consumo humano em Lisboa e em cerca de 20 municípios da Área Metropolitana e do Oeste.
  • O rio Cáster transformado num “esgoto a céu aberto”. Fonte.

BRUXELAS REJEITA DEBATER MECANISMOS PARA TRIBUTAR LUCROS DAS PETROLÍFERAS

  • Breuxelas rejeitou o pedido de 6 países da União Europeia, - Alemanha, Espanha, Portugal, Itália, Polónia e Áustria -, para a UE debater em setembro um mecanismo para tributar os lucros extraordinários das empresas petrolíferas resultantes do bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão. Fonte.
  • Na Nova Zelândia, um novo projeto de lei impede que as empresas sejam processadas pelos danos climáticos causados pelas suas emissões, uma vez que o governo defende que as medidas climáticas devem ser tratadas a nível nacional e não nos tribunais. Fonte.

BICO CALADO

Cartune: Tjeerd Royaards
  • “(…) Porque acham que o Chega ganhou em Albufeira, logo em Albufeira? Onde domina um turismo trambiqueiro, muito álcool, drogas, prostituição, chico espertos a gamar turistas, discotecas com seguranças privadas, violência, estilo milícias, vencedores imobiliários, cabeleireiros e gestores de resorts? Tudo alimentado por trabalhadores do Bangladesh e da Índia que não podem votar, que nos servem sem nos olhar nos olhos, com medo, escravos, criminalizados por este Governo, que assim garantem que ali em Albufeira esta “economia” funciona – eles carregam as garrafas de rum e vodka, limpam a merda dos WCs, conduzem os consumidores de prostituição ao hotel, cozinham ovos líquidos com tomate a boiar em feijão, servem e morrem de medo de ser expulsos deste paraíso, enquanto os jornalistas, sem se organizarem como classe e por isso a chicote de editores cuidam, penteiam e afagam Ventura e Montenegro, escolhendo sempre para a capa as melhores fotos, sorridentes, de ambos. Um país a saque, sim.” Raquel Varela.
  • Os EUA estão a interferir nas eleições presidenciais brasileiras, pressionando o eleitorado brasileiro a votar no candidato de direita Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente desacreditado Jair Bolsonaro. Se isso não funcionar e o presidente Lula da Silva garantir um quarto mandato, já estão a ser lançadas as bases para uma potencial intervenção militar. Desde sanções e guerra económica até à orientação de influenciadores e jornalistas sobre a melhor forma de atacar o governo de esquerda, a administração Trump está a fazer tudo o que pode para derrubar Lula. Alan Macleod, MPN.
  • Em arquivos franceses desclassificados, foi encontrada uma carta da OAS (Organização do Exército Secreto), datada de 1961, na qual se ameaçava de morte o Secretário-Geral da ONU, Dag Hammarskjöld, seis semanas antes de este ter morrido num «acidente» de avião no norte da Rodésia, a atual Zâmbia. O diplomata sueco morreu a 18 de setembro de 1961, juntamente com outras quinze pessoas, num DC-6 que o levava para Ndola, na Rodésia do Norte, com o objetivo de pôr fim aos combates na província separatista de Katanga, no Congo, onde lutavam muitos mercenários franceses. A OAS era um grupo terrorista que defendia o colonialismo francês na Argélia. Foi fundada em Madrid, em fevereiro de 1961, e, a partir dessa data, os atentados multiplicaram-se na Argélia e em França. Entre 1961 e 1962, a OAS assassinou cerca de 2 000 pessoas, na sua maioria civis, em atentados na França e na Argélia, tendo mesmo tentado assassinar De Gaulle em duas ocasiões. Após desaparecer, regressou a Madrid, onde, a pedido dos governos, cometeu alguns dos atentados da transição política. Fonte.
Foto: 
Moiz Salhi – Anadolu Agency/MEM
  • Agir com firmeza contra os papagaios é uma das mais recentes supostas preocupações de segurança de Israel. «A minha diretiva às forças de defesa e às Forças de Defesa de Israel é fazer tudo o que for necessário contra esta arma letal — atacar o papagaio, atacar quem o opera, atacar o local de onde foi lançado, fazer tudo para proteger os nossos cidadãos nas comunidades fronteiriças de Gaza e em qualquer outro lugar», afirmou o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu. O ministro da Defesa, Israel Katz, reiterou a declaração de Netanyahu, afirmando que instruiu as forças armadas «a agir de imediato e com firmeza» contra quaisquer lançamentos a partir de Gaza, que, segundo ele, constituem «um ato de guerra em todos os aspetos». Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

AS UCRANETES EMOCIONAM-ME
RiseUp Portugal/A estátua de sal


Chamemos-lhes, por comodidade, «ucranetes»: aquela curiosa espécie de adepto incondicional da Ucrânia e de Zelensky para quem qualquer crítica a Kiev é automaticamente uma defesa da Rússia, qualquer pergunta sobre corrupção é propaganda de Putin e qualquer tentativa de discutir factos exige primeiro uma declaração pública de fidelidade à causa. Antes de mencionar um caso de corrupção em Kiev convém esclarecer que Putin é mau, que a invasão é condenável e, se houver tempo, dizer qualquer coisa sobre a Crimeia. Só depois desta pequena cerimónia de purificação se pode, talvez, perguntar onde foi parar o dinheiro. E mesmo assim há riscos.

Publica-se uma investigação sobre corrupção envolvendo ministros, antigos ministros, responsáveis do gabinete presidencial, amigos e antigos parceiros de Zelensky e aparece inevitavelmente alguém com a objecção que julga definitiva: «E na Rússia?» Sim, na Rússia também há corrupção. Bastante. Há, aliás, corrupção em muitos países. O que continua por explicar é de que maneira a corrupção russa torna irrelevante a corrupção ucraniana. Se estivermos a falar de um assalto em Lisboa, ninguém especialmente lúcido interrompe a conversa para exigir uma posição sobre os carteiristas de Barcelona. Mas a geopolítica parece conceder certas liberdades ao raciocínio que a vida comum não permite.

Mais divertido é quando aparece o comunismo. Critica-se Zelensky e alguém descobre imediatamente uma inclinação comunista no autor da crítica. É uma associação que exige uma relação muito livre com a realidade. Putin é sustentado politicamente pela Rússia Unida, um partido nacionalista, conservador, autoritário, defensor dos chamados valores tradicionais e situado à direita. O Partido Comunista da Federação Russa existe, por acaso, e é outro partido.

Mas isto já obriga a distinguir a Rússia de hoje da União Soviética, coisa que para algumas pessoas parece constituir uma exigência historiográfica excessiva. Rússia é Rússia, portanto comunismo. Putin nasceu na URSS, logo provavelmente passa as noites a estudar Marx entre um jantar com oligarcas multimilionários e um discurso sobre Deus, família, pátria e valores tradicionais.

A ignorância, apesar de tudo, não é o problema mais grave. A ignorância pode corrigir-se. O problema começa quando a ignorância ganha convicção e passa a exigir respeito. É aí que a Ucrânia se torna particularmente interessante. Se a corrupção é russa, demonstra a natureza do regime. Se é ucraniana, deve ser imediatamente acompanhada por uma explicação sobre Putin. Se aparece um homem próximo de Zelensky numa investigação, é um caso isolado. Se aparecem ministros, antigos ministros, altos responsáveis da Presidência, um antigo chefe de gabinete, amigos e um velho parceiro empresarial, continuamos perante vários casos isolados que tiveram apenas o azar de se conhecerem todos. Uma pessoa menos emocionalmente investida talvez começasse a achar curiosa a frequência das coincidências. O adepto prefere aumentar o número de coincidências.

Depois há o dinheiro. Centenas de milhares de milhões em apoio militar, financeiro e humanitário foram mobilizados para a Ucrânia e seria razoável imaginar que perguntar como esse dinheiro é fiscalizado constituísse uma preocupação banal num continente que passa metade do tempo a falar de transparência, controlo da despesa pública e responsabilidade democrática. Mas não. Perguntar pelas contas pode transformar uma pessoa, num instante, em simpatizante de Putin. E quando aparece um caso de corrupção ucraniano, a primeira preocupação das ucranetes é invariavelmente lembrar que na Rússia também há corrupção.O que seria um argumento formidável se os contribuintes europeus estivessem a financiar o Estado russo. Não estão.

E é aqui que a coisa ganha uma beleza especial. Há europeus muito mais indignados com a corrupção praticada com dinheiro que não é deles do que com a possibilidade de corrupção num Estado para o qual seguem centenas de milhares de milhões em dinheiro, armas e recursos pagos, directa ou indirectamente, pelos seus próprios impostos. Ou seja, perante dois corruptos, interessa-lhes sobretudo fiscalizar aquele a quem não deram dinheiro. É uma forma tão extraordinária de zelo pelo erário público que quase merece estudo. Se um vizinho lhes roubar a carteira, talvez chamem a polícia para investigar as contas do homem que vive três ruas abaixo. É preciso ser-se muito especial.

Chegámos assim a uma situação curiosa: as próprias autoridades ucranianas podem investigar corrupção na Ucrânia, fazer buscas, prender suspeitos e acusar altos responsáveis ucranianos, mas um português que mencione essas mesmas investigações arrisca-se a ser acusado de propaganda russa. A NABU investiga em Kiev. A imprensa internacional noticia. Alguém em Portugal reproduz a informação. E há sempre um cérebro particularmente treinado que, depois de percorrer toda esta cadeia, consegue encontrar Putin escondido na publicação portuguesa.

A Rússia pode ser autoritária, corrupta, responsável por uma invasão ilegal e governada por um homem que ninguém é obrigado a admirar. Nada disso altera uma factura falsificada, uma comissão ilegal ou um suborno cometido na Ucrânia. Uma coisa não apaga a outra. Não é uma conclusão particularmente sofisticada. Exige apenas a capacidade de conservar duas ideias na cabeça ao mesmo tempo.

Talvez seja precisamente aí que esteja o problema.

O fanático não começa por perguntar se um facto é verdadeiro. Começa por perguntar a quem esse facto aproveita. Se prejudica o adversário, é informação. Se prejudica o seu lado, é propaganda. Depois procura um russo, um comunista ou qualquer outro culpado suficientemente distante para não ter de discutir aquilo que estava diante dele.

No fundo, o fanatismo político começa exactamente onde acaba a curiosidade: quando saber se é verdade passa a ser menos importante do que saber de que lado está. E há poucas formas de ignorância mais resistentes do que aquela que se julga esclarecida.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

REINO UNIDO: INCÊNDIOS CAUSADOS POR BATERIAS NOS CENTROS DE RECICLAGEM CUSTAM MIL MILHÕES DE LIBRAS POR ANO

  • Estão a ocorrer mais de 10 incêndios por semana em centros de reciclagem, causados por pilhas de lítio descartadas de forma incorreta, como as encontradas nos cigarros eletrónicos. Os especialistas afirmam que o grande volume de incêndios provocados por pilhas que se verifica atualmente nas instalações de tratamento de resíduos atingiu uma situação de crise que está a colocar vidas em risco, a custar mil milhões de libras por ano e a frustrar os responsáveis pelos bombeiros. Fonte.
  • Mais de 50 preguiças morreram numa atração de vida selvagem na Flórida. A investigação descreve animais emaciados e desidratados e levanta preocupações sobre as operações do Sloth World, mas concluiu que não havia provas de negligência ou abuso de natureza criminal. Fonte.
  • Toneladas de algas tóxicas obstruem as praias das Caraíbas. Fonte.
  • A EDF comunicou 36 incidentes ocorridos nas instalações entre 1 de janeiro de 2025 e maio de 2026 à Autoridade de Regulação Nuclear na sua central nuclear de Hartlepool, Inglaterra, carvque se encontra sob uma atenção regulatória «significativamente reforçada». Fonte.
  • Roménia volta a colocar em funcionamento central a carvão, à medida que a seca no Danúbio obriga ao encerramento de centrais nucleares. Fonte.

BICO CALADO

  • Já em junho de 2015 o governo de Passos Coelho/Paulo Portas queimou 75 mil euros por estudo sobre a falência da Segurança Social.
  • O congressista norte-americano Greg Casar voltou a pedir à administração Trump para encerrar o centro de detenção de imigrantes no sul do Texas, onde foram mantidas milhares de crianças nos últimos 18 meses — crianças que, segundo o democrata progressista, «deveriam estar a jogar futebol, a ir à escola, a viver as suas vidas, e não a ser detidas nas ruas», como aconteceu no início desta semana com um dos mais recentes detidos do centro, Liam Tadeo, de 5 anos. Casar exigiu a libertação de, pelo menos, 112 crianças que se encontram detidas no South Texas Family Residential Center, em Dilley, Texas, nos arredores de San Antonio, dias depois de Tadeo ter sido levado, juntamente com o pai, por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) durante uma operação de controlo de trânsito em Austin. Tadeo e o seu pai estavam a caminho do jogo de futebol do menino, dias antes de ele começar o jardim de infância, quando foram detidos e levados para o centro de detenção. Este centro, de fins lucrativos e gerido pela CoreCivic, tem sido alvo de escrutínio devido a relatos de negligência médica e más condições para as dezenas de famílias aí detidas. Fonte.
  • Especialistas médicos: Trump está «mentalmente incapacitado», é urgente a sua «destituição do cargo». Fonte.
  • Centenas de pessoas deitaram-se no chão em frente ao Museu Guggenheim, em protesto contra o genocídio perpetrado pelo regime sionista contra a Palestina. Fonte.
  • O Império americano chegou ao fim – e a Europa está a pagar o preço. Ian Proud, Substack.

LEITURAS MARGINAIS

SOBRE HELENA FERRO GOUVEIA


«Helena Ferro Gouveia é o rosto podre da desumanização contemporânea, aquela que vendeu a sua capacidade de distinguir o certo do errado por um salário de embaixada, e que todas as manhãs acorda para justificar a morte de crianças com o mesmo sorriso profissional de quem vende automóveis usados.

Quando abre a boca para dizer que há jornalistas em Gaza, está a mentir conscientemente, porque sabe que esses jornalistas entram como prisioneiros de guerra, escoltados por soldados armados até aos dentes, em zonas pré-lavadas pelo exército de ocupação, sem possibilidade de ver as fossas comuns, ou os corpos esmagados pelas bombas de mil libras, ou as crianças a morrer de fome nos braços das mães.

E quando cita a Tânia Krämer, omite propositadamente que a jornalista disse que entrava de forma condicionada, o que é o oposto absoluto da liberdade de imprensa, e a prova de que Helena Ferro Gouveia confunde jornalismo com propaganda militar. Quando fala dos mais de 160 jornalistas assassinados em Gaza, tem a desfaçatez de os acusar de serem combatentes, como se isso justificasse o assassinato de civis protegidos pelo direito internacional humanitário, como se o assassinato de jornalistas não fosse um crime de guerra explícito, e como se Israel não tivesse um historial documentado de visar deliberadamente jornalistas para silenciar testemunhas.

Quando menciona médicos e enfermeiros como combatentes, está a repetir a lógica nazista que transformava civis em alvos legítimos, para justificar a destruição deliberada de hospitais e a morte de mais de 500 profissionais de saúde em Gaza, e está a tentar apagar o facto de que o Al-Shifa foi invadido duas vezes, destruído, e transformado em campo de concentração temporário, onde médicos foram torturados, enquanto ela sorria para as câmaras em Lisboa.

Quando fala de História, comete o crime de usar a memória do Holocausto para justificar o genocídio actual, omitindo que os palestinianos não têm culpa pelo que os nazis fizeram aos judeus europeus, e que a Palestina não nasceu no século VII, como ela mente descaradamente, mas é uma terra habitada continuamente por milénios, por cananeus, filisteus, judeus, cristãos e muçulmanos, e que os ashkenazim que fundaram Israel em 1948 têm mais ancestralidade europeia do que semita.

Quando evoca a partição de 1947, omite propositadamente a Nakba de 1948, quando 750 mil palestinianos foram expulsos das suas casas em pijama, à ponta da baioneta, e as suas aldeias destruídas, e os seus campos deitados abaixo, e as suas oliveiras arrancadas. E quando fala de Camp David, omite que Israel nunca aceitou um estado palestiniano viável, mantendo sempre a expansão colonial ilegal na Cisjordânia, com 700 mil colonos que roubam terra, água e vida aos palestinianos, sob a proteção de um exército de ocupação que ela chama de forças de defesa.

Quando afirma que não é genocídio, está a negar a realidade que o Tribunal Internacional de Justiça já reconheceu como plausível, quando determinou que Israel deve parar de matar em Gaza, e quando o Tribunal Penal Internacional pediu a detenção de Netanyahu por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Quando ela diz que o tribunal ainda não decidiu, está a mentir, porque a decisão da CIJ é vinculativa, e ela sabe disso. Quando menciona os 23 mil atentados contra judeus, está a tentar criar uma equivalência moral obscena, entre vandalismo e postagens na internet, e o massacre de 40 mil pessoas em Gaza, onde 70% das vítimas são mulheres e crianças, e onde se destruiu propositadamente todos os hospitais, todas as escolas, todas as universidades, todas as bibliotecas, todos os museus, e se impõe a fome como arma de guerra, matando crianças por desnutrição, enquanto ela almoça em restaurantes de luxo em Telavive ou em Lisboa.

Quando fala da campanha de 640 milhões de euros, está a admitir que Israel gasta fortunas em relações públicas, para comprar consciências, influenciadores, políticos e jornalistas dispostos a repetir que o preto é branco, que o massacre é autodefesa, que o genocídio é guerra, e que as crianças assassinadas são culpadas do seu próprio assassinato.

Helena Ferro Gouveia não é uma “comentadora”, é uma negacionista de genocídio profissional, uma negacionista dos crimes de guerra, uma negacionista da realidade, que usa o sofrimento histórico do povo Judeu como escudo, para justificar o sofrimento que Israel impõe a outro povo.

E o pior é que o faz com a frieza de quem sabe que tem impunidade garantida pelo ocidente colonial, que financia e arma este massacre diário, e que aplaude enquanto Gaza é transformada num cemitério a céu aberto, sob o silêncio cúmplice de quem, como ela, transforma a linguagem humana num instrumento de tortura moral, dizendo guerra quando quer dizer extermínio sistemático, dizendo combatentes quando quer dizer crianças de seis meses, dizendo defesa quando quer dizer dominação colonial racista, dizendo verdade quando quer dizer propaganda de guerra, dizendo jornalismo quando quer dizer lavagem cerebral, e dizendo diplomacia quando quer dizer cumplicidade com crimes contra a humanidade.

Este é o fascismo sionista em ação, não é uma opinião política, é a negação sistemática da humanidade do outro, e Helena Ferro Gouveia é a sua voz em Portugal, a voz que justifica o injustificável, que nega o inegável, que transforma vítimas em culpados e algozes em vítimas, numa inversão perversa da realidade, que só pode existir num mundo onde o poder colonial ainda decide quem merece viver e quem merece morrer em silêncio.

Ela é a porta-voz dessa decisão, a cara amiga do genocídio, a mulher que vendeu a sua alma por uns quantos “trocos”, e que todas as noites deve olhar para o espelho e ver, não um ser humano, mas um instrumento de propaganda de um regime de apartheid assassino.

domingo, 23 de agosto de 2026

RENOVÁVEIS ASSEGURARAM MAIS DE DOIS TERÇOS DA ELETRICIDADE EM JULHO

Açores, Geotermia
  • 70,5% da eletricidade produzida em Portugal Continental teve origem em fontes renováveis. A energia solar fotovoltaica liderou a produção de eletricidade, representando 25,8% do total do mix de geração e a hídrica ocupou a segunda posição, com 21%, seguida de perto pela energia eólica, com 17,7%. Analisando o acumulado dos primeiros sete meses do ano (janeiro a julho de 2026), a incorporação renovável na produção elétrica alcançou os 75%, atrás da Noruega (97,3%), da Dinamarca (94,3%) e da Áustria (78,9%). Nos Açores, a incorporação renovável situou-se nos 31,5% do total gerado durante o mesmo período, tendo a energia geotérmica sido responsável por 18,8% da produção, seguida pela tecnologia eólica com 7,8%. Na Madeira, a eletricidade de origem renovável representou 46,1% da geração elétrica acumulada nos primeiros seis meses do ano. As tecnologias que mais contribuíram para este valor no arquipélago foram a hídrica (19,5%) e a eólica (16,7%). Fonte.
  • Grande parte do que é rotulado como “reciclagem de painéis solares” nos EUA é, na verdade eliminação de painéis em aterros sanitários dentro dos EUA, frequentemente após processamento mínimo, transferência da produção de painéis para países com deficiente fiscalização ambiental, reciclagem de baixo valor (recuperação apenas de materiais de baixo valor) em vez da reciclagem propriamente dita e informações enganosas por parte de empresas que alegam elevadas taxas de reciclagem que não correspondem à realidade. Fonte.
  • O vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia recuou na intenção anunciada de vedar o jardim quase centenário, controlar as entradas e fechá-lo à noite. Derrotado pela contestação, Firmino Pereira diz agora que “foi só uma ideia pessoal”. Fonte.
  • Mais de 75 % das zonas húmidas do Reino Unido foram destruídas – a sua recuperação ajudaria a prevenir incêndios florestais. Fonte.

REFLEXÃO

QUE PRETENDE O ‘CLUSTER’ IPG E QUEM O MOVE?


O Industrial Portugal Gateway (IPG), um cluster de defesa promovido pela Luso Defense Group, fundada em 2025 em Portalegre, vai ser apresentado oficialmente no dia 25 de setembro. O foco tecnológico do cluster abrange setores de ponta altamente estratégicos, com especial destaque para sistemas de defesa aérea e anti-drone, robótica, veículos autónomos, aeroespacial, sensores, cibersegurança, comunicações encriptadas e proteção de infraestruturas críticas. E ainda Tecnologias de proteção civil, incluindo supressão de fogo por laser e indução de chuva localizada. Fonte.

Este cluster surge de forma abrupta e com aparência de mera fachada, parecendo mais uma estratégia para captar investimento do que uma iniciativa sustentada por uma massa crítica real de empresas, universidades ou centros de investigação. A própria estrutura do projeto confirma essa fragilidade: não atribui nem garante fundos públicos às empresas, limitando-se a “avaliar e preparar possíveis vias de financiamento”, cuja elegibilidade depende sempre de cada programa e projeto. Esta indefinição não oferece segurança financeira aos investidores e pode ser interpretada como uma promessa vaga.

Sem incentivos financeiros claros, o cluster dificilmente será competitivo face a alternativas em Espanha, Polónia ou nos países bálticos, que disponibilizam pacotes agressivos de apoio industrial. O risco é que o IPG se transforme numa mera “plataforma de facilitação”, sem capacidade para gerar investimento real.

A concentração num setor sensível — defesa, segurança e tecnologias de dupla utilização — numa região de fronteira levanta apreensão. A proximidade a Espanha pode ser vista como um ponto de vulnerabilidade em termos de segurança nacional, sobretudo num contexto europeu marcado por crescente militarização e tensão geopolítica.

Portalegre enfrenta ainda limitações estruturais significativas: baixa densidade populacional, dificuldades na retenção de talento e fraca conectividade logística quando comparada com polos industriais consolidados. Assim, esta aposta pode revelar-se mais simbólica do que realista, criando expectativas difíceis de cumprir.

A dependência do cluster em relação ao mercado externo constitui outro fator de risco. Alterações nas políticas de defesa dos países compradores ou crises económicas que reduzam os respetivos orçamentos podem afetar diretamente a sustentabilidade do projeto. Isto tornaria a economia local dependente de um setor politicamente volátil, sujeito a ciclos de investimento influenciados por tensões geopolíticas, prioridades da NATO ou decisões governamentais externas.

Importa também sublinhar que iniciativas deste tipo tendem a atrair mão de obra altamente especializada vinda de fora, não contribuindo para resolver o desemprego local nem a falta de qualificações na região.

O IPG afirma querer “substituir a fragmentação” através de um interlocutor único, mas existe o risco de duplicação de funções, conflitos de competência ou aumento da burocracia. A apresentação pública marcada para 25 de setembro ocorre sem que tenha havido um debate público alargado sobre os objetivos e impactos do cluster, deixando a população e os decisores locais perante um “facto consumado”.

Há igualmente um potencial conflito de interesses: a Luso Defense Group, promotora do cluster, é simultaneamente uma empresa do setor da defesa. Isto levanta dúvidas sobre a imparcialidade da iniciativa e sobre se os benefícios serão distribuídos de forma equitativa ou se servirão sobretudo os interesses da entidade promotora. A falta de transparência quanto ao modelo de negócio e à governança reforça essa desconfiança.

Por fim, a referência a tecnologias de indução de chuva — há muito contestadas pela comunidade científica — acrescenta mais inquietação. A geoengenharia da sementeira de nuvens, frequentemente apresentada por alguns empreendedores como solução milagrosa para proteger colheitas, tem sido associada a fenómenos meteorológicos imprevisíveis e, por vezes, destrutivos em regiões não antecipadas.


BICO CALADO

  • Governo de Luís Montenegro dá luz verde à produção de caças Super Tucano em Beja. FonteComo o Alentejo parece enveredar por um futuro ligado à indústria da guerra através deste projeto e do da IGP/LDGnão seria boa ideia Nuno Melo, o nosso ministro da Guerra, contratar António Barreto, o grande coveiro da Reforma Agrária e douto pensador do Pingo Doce, para seu assessor?
  • Desde Taylor Swift e Kim Kardashian a Jennifer Aniston e Lionel Messi, celebridades de todo o mundo estão a contratar equipas de guarda-costas israelitas compostas por ex-agentes do Shin Bet, do Mossad e das forças especiais israelitas. Mas até que ponto é seguro confiar a sua vida e os seus pormenores mais íntimos a agentes de agências de espionagem com um longo historial de infiltração, vigilância e chantagem de alvos estrangeiros? A MintPress explora como a segurança israelita conquistou Hollywood e o mundo.
  • A corrupção ucraniana tem uma característica extraordinariamente conveniente para Volodymyr Zelensky: nunca é dele. É sempre do homem ao lado. Primeiro foi um ministro. Depois outro. Depois um vice-primeiro-ministro. Depois começaram a aparecer homens do Gabinete Presidencial. Depois antigos sócios. Depois amigos. Finalmente chegou Andriy Yermak, que durante anos não era propriamente um funcionário que Zelensky encontrava ocasionalmente junto à máquina do café, mas o seu chefe de gabinete, braço direito e segundo homem do regime. Yermak acabou constituído suspeito num processo de alegado branqueamento de cerca de 10,5 milhões de dólares e foi detido preventivamente em Maio deste ano. RiseupPortugal.