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sábado, 18 de julho de 2026

BIODIVERSIDADE: PROMESSAS VAGAS DE EMPRESAS SÃO GERALMENTE ENGANADORAS

  • Apenas 13% dos compromissos em matéria de biodiversidade assumidos por 180 grandes empresas «chave» são suficientemente detalhados para permitir uma verdadeira prestação de contas, de acordo com um estudo da Universidade de Oxford e do Stockholm Resilience Centre publicado na revista One Earth. Embora 79% destas empresas influentes tenham assumido algum tipo de compromisso em matéria de biodiversidade, a maioria das promessas é demasiado vaga, carece de metas mensuráveis ou baseia-se em evidências seletivas ou enganosas. Isto torna impossível avaliar se as empresas estão efetivamente a reduzir o seu impacto nos ecossistemas. Fonte.
  • A crescente tendência de pavimentar os jardins da frente para criar entradas de garagem está a contribuir para o aumento das temperaturas noturnas nas zonas urbanas. Superfícies duras e impermeáveis, como o asfalto e o betão, absorvem uma grande quantidade de radiação solar durante o dia (até 95 %) e libertam lentamente esse calor armazenado durante a noite, tornando as zonas urbanas significativamente mais quentes. Isto contribui para o efeito de ilha de calor urbana, levando a noites desconfortavelmente quentes que podem dificultar o sono. A solução será substituir as entradas de garagem pavimentadas por espaços verdes, como relva. O benefício é ainda maior quando se plantam árvores, o que pode duplicar o efeito de arrefecimento. Fonte.
  • A Southern Water foi multada em mais de 7 milhões de libras por ter despejado águas residuais ilegalmente ao largo da costa de Kent entre 2019 e 2021. Fonte.
  • Índia põe em funcionamento o primeiro comboio a hidrogénio. O comboio é composto por duas carruagens motoras a hidrogénio e oito carruagens rebocadas, com uma capacidade total para cerca de 2 600 passageiros. Cada carruagem motora alberga células de combustível, baterias de fosfato de ferro e lítio e cilindros de armazenamento de hidrogénio que funcionam em conjunto para fornecer potência de tração, garantindo simultaneamente um funcionamento fiável em condições operacionais variáveis. Cada vagão motor fornece 1,2 MW de potência de tração, proporcionando, em conjunto, uma potência combinada de 2,4 MW, suficiente para impulsionar todo o comboio a velocidades até 110 km/h. Fonte.

REFLEXÃO

CENTRAIS FOTOVOLTAICAS NO SOLO NÃO!

Ourique.

O governo decidiu criar um mapa de zonas de norte a sul do território continental onde se facilita o processo de instalação de “unidades de produção de energia renovável” e que pode ocupar 7% do território nacional.

A DGOT estima em 5% a área urbana e artificializada do país, alguma da qual, essa sim, sem ónus ambiental, poderia ser utilizada para o desenvolvimento da energia solar e deveria constituir prioridade para promover a transição energética! Ora o PSZAER prevê cerca de 7% do solo continental para a energia solar fotovoltaica!

De Norte a Sul aparecem projectos, e instalações, de centrais fotovoltaicas.

Em cima de telhados, armazéns, fábricas, pedreiras, minas, nos eixos rodoviários ou ferroviários, nos aeroportos, não será problema. Estou de acordo e podem ser uma boa alternativa.

O PROBLEMA está nas que ocupam vastos espaços de solos, centenas e centenas de hectares. Admite-se que possam vir a ocupar milhares e milhares de hectares!!!

Claro que as empresas deste negócio preferem sempre solos aplanados e sem pedregosidade… Sai mais barato para esse negócio.

Para a sua instalação é destruída a flora e a fauna existentes. Aquilo que é a função do solo e da vegetação, também na fixação do Carbono, é eliminada.

O solo é um bem limitado. Esses espaços ocupados pelas placas fotovoltaicas deixam de ter qualquer utilização agrícola ou florestal.

Com frequência, alteram os limites da Reserva Ecológica Nacional (REN) para passarem os licenciamentos. São atribuídos PINs, projectos de interesse nacional, para ultrapassarem as condicionantes da Reserva Agrícola ou da Ecológica…

Destrói a paisagem rural que deixa de ter qualquer atractividade.

Não permite a natural infiltração da água nos solos, o abastecimento dos aquíferos. As águas da chuva deslizando sobre os painéis podem provocar mais arrastamento de solo e eventualmente inundações estranhas e prejudiciais.

Em Antuzede (Coimbra) já houve queixas pelas enxurradas. Os moradores reclamaram que a falta de escoamento das águas se agravou com a construção da central fotovoltaica (Diário de Coimbra, 16/09/3023).

Em Souselas e Brasfemes, a Cimpor quis instalar placas fotovoltaicas num espaço florestal, em vez de utilizar as suas próprias pedreiras, nomeadamente nas áreas já exploradas, ou os telhados da sua fábrica. A Junta de Freguesia de Brasfemes opôs-se, mas a Câmara Municipal de Coimbra deixou passar.

Os exemplos de destruição de espaços florestais sucedem-se de Condeixa a Sines, na Beira Baixa, em muitos, demasiados, concelhos.

Em Itália o governo proibiu por Decreto-lei, e bem, a instalação de fotovoltaicas em solos agrícolas (Portal Energia, 22/05/2024). E em Portugal?

Bem ao contrário do que agora está em cima da mesa com a “consulta pública”, é urgente legislação que impeça a utilização de solos agrícolas e/ou florestais para a instalação destas placas fotovoltaicas.

São um negócio, um mau negócio, em que mais uma vez as populações são ignoradas. No solo, são um ATENTADO AO AMBIENTE.

LEITURAS MARGINAIS

A COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA IGNORÂNCIA

«Esquece o que eu disse antes! Come mais disto! Faz-te bem... e faz bem ao país! Espalha-o em tudo!»

Francisco Lima brindou-nos com uma verdadeira disenteria cerebral. Primeiro, diz que falar da contaminação prejudica a imagem da ilha Terceira. Depois, incapaz de rebater os factos, refugia-se no apelido do autor, como se a composição química de um osso dependesse de árvores genealógicas ou de cartões partidários. Felizmente, a ciência não depende do estado de espírito do Chega nem do humor de Francisco Lima.

Considera agora inaceitável que o Vice-Presidente do Governo apoie uma tese sobre a contaminação apenas porque quem a desenvolve, sendo formado na área, é filho e irmão de pessoas ligadas ao CDS. Pela lógica de Francisco Lima, um investigador só merece credibilidade se tiver nascido numa qualquer tribo isolada da Amazónia, sem família, sem contactos e sem nunca ter conhecido o próprio pai.

O Chega já nos habituou à sua iliteracia cientifica. Francisco Lima voltou a confirmá-la. Ainda assim, deixo-lhe uma nota de descanso: os esqueletos estudados por Félix Rodrigues estão ao serviço da ciência. Já os esqueletos que Francisco Lima guarda no armário (é uma metáfora, não vá o visado
ter dificuldades com figuras de estilo) contam uma história bem diferente. Félix Rodrigues procurou respostas e produziu conhecimento para a sociedade. Bem pior é legislar em matérias
que podem beneficiar interesses próprios. E o mesmo Chega que se apresenta como paladino da luta contra a corrupção, onde os corruptos são sempre os outros, nunca eles, porque se julgam donos da virtude. É também o mesmo Chega que tem um deputado, Francisco Lima, a legislar sobre glifosato enquanto é proprietário de uma empresa que comercializa produtos à base de glifosato. Confesso que a sua literacia cientifica me preocupa. Ainda acaba a beber glifosato por achar que faz bem à flora intestinal.

A ciência não precisa da aprovação de Francisco Lima para existir. Precisa apenas de investigadores que procurem a verdade. Já Francisco Lima precisa que a verdade se adapte às suas conveniências. Os factos têm um defeito terrível: não votam, não militam e não se deixam intimidar pela ignorância.


sexta-feira, 17 de julho de 2026

MUNICÍPIOS CONTESTAM ZONAS DE ACELERAÇÃO PARA AS ENERGIAS RENOVÁVEIS


Imagem criada com o apoio de IA
  • O espaço da antiga lixeira da Carvalha em Arruda dos Vinhos, que começou a ser encerrada em 2001 e foi entretanto requalificada, vai dar lugar a um espaço de produção de energia fotovoltaica e uma comunidade energética para servir a comunidade. Fonte.

REFLEXÃO

SE NÃO HOUVER REVOLTA…


Abram o Geoportal da Energia e Geologia e procurem Santo Tirso, na mancha mais rural. A mancha laranja desce pelo vale do Leça, cobre Monte Córdova, encosta a encosta, até ao rio. Debaixo daquela cor estão bouças, capoeiras, campos de Reserva Agrícola Nacional, linhas de água, castanheiros, caminhos que alguém abriu há centenas de anos e que continuam lá porque alguém continua a passar neles.

O que está a laranja chama-se aceleração. Traduzindo, licenciamento simplificado, prazos curtos e menos perguntas para implantação de parques de painéis solares.

Isto é colonização urbana do espaço rural. A cidade precisa de energia para receber a comida que não produz, para receber a água que não guarda, para despachar os esgotos que fabrica. Esse apetite tem de aterrar em algum sítio. Aterra aqui, no chão de quem ficou.

Se este mapa avançar como está, o vale do Leça fica um deserto com espelhos. Solo selado, sombra permanente, vedação e um portão com cadeado, no meio de terra que ainda dá comida e água.

A consulta pública fechou a 15 de julho. O mapa continua em aberto, mas se não houver revolta, vamos acabar todos expulsos pela maldita transição energética desenhada à medida dos donos dos Tesla.

BICO CALADO

A processar. Gargalo/Sábado.
  • Caos nos exames resulta da «reforma» que cortou 50% dos trabalhadores no Ministério. Fonte.
  • Rodrigo Queiroz e Melo, Presidente do Conselho Geral do EduQa, responsável pelo processo de digitalização dos exames, é diretor da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular. O EduQa é o instituto recentemente criado pelo atual Ministro da Educação ao desmantelar o Ministério da Educação e substituir as direções gerais por institutos/empresas públicas
  • Tribunal anula homologação da eleição da diretora do Agrupamento Dr. Manuel Laranjeira. O documento do juiz refere que “os candidatos ao concurso foram graduados com base em critérios e subcritérios ilegais”. Fonte.
  • Gaspar Borges, o dono e CEO da ABB, empresa de construção de Barcelos que está a realizar, e realizou, algumas das principais obras do concelho, como o fecho da Circular Urbana, a Ciclovia, ou a requalificação das estradas municipais e nacionais, foi acusado pelo Ministério Público (MP) de entregar 7.500 em dinheiro a um director de obras do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, numa alegada tentativa de "o incentivar a favorecer os interesses da ABB nos contratos presentes e futuros". Fonte.
  • Retiro de surf para genocidas na Ericeira. Fonte.
  • A greve na Airbus São Paulo paralisa a fábrica de Sevilha, com uma adesão de 99,5%. O SIPA afirma que apenas uma dezena dos cerca de 2 000 funcionários compareceu ao trabalho e anuncia que as paralisações por tempo indeterminado continuarão na próxima semana. Fonte.
  • Os soldados franceses na Ucrânia já não se escondem: soldados voluntários franceses treinam com a Legião Internacional Ucraniana, concentrando-se em táticas de assalto, manobras em pequenas unidades e no manuseamento de armas. Fonte.
  • O ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, alerta que, neste momento, o principal desafio para a defesa europeia não são as armas, nem o financiamento, mas sim a disponibilidade de pessoal militar suficiente e a falta de vontade de combater por parte dos cidadãos. Na cimeira da OTAN, Häkkänen afirmou que o objetivo de conseguir soldados e reservistas operacionais é o problema mais crítico para o continente. Fonte.

  • As Forças Armadas Reais de Marrocos e o Comando Africano dos EUA (Africom) formalizaram a criação de um novo centro militar em Tan-Tan, no sul de Marrocos. O Centro Africano de Experimentação e Formação Multidomínio (AMTEC) assentará em três infraestruturas complementares. A primeira será dedicada à formação multidomínio. A segunda consistirá numa academia especializada em drones. A terceira será dedicada à investigação, à experimentação e ao desenvolvimento de novas tecnologias. Fonte.
  • O Parlamento Europeu aprovou o novo Regulamento de Regresso, que permite aos países-membro deportar os migrantes para centros de detenção situados em países fora da União Europeia. Em conjunto com o Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, o Regulamento constitui um novo instrumento de controlo social e repressão sobre a população migrante. A União Europeia já tem os seus campos de concentração ao estilo de Guantánamo. Os centros servirão como locais de trânsito, onde os internados aguardarão o seu repatriamento para os países de origem. Podem permanecer detidos durante longos períodos de tempo, potencialmente sem limite temporal nem garantia de regresso. Fonte.
  • Os EUA condenaram oito manifestantes a um total de 450 anos de prisão por um protesto em frente ao centro de detenção de migrantes Prairieland, em Alvarado, no Texas, na noite de 4 de julho de 2025. As penas são mais severas do que qualquer uma das impostas aos participantes no assalto ao Capitólio dos EUA, a 6 de janeiro de 2021. Assaltar a sede do Congresso sai muito mais barato; manifestar-se em frente a um centro de detenção faz disparar o preço a pagar. A hierarquia de valores não deixa margem para dúvidas. Fonte.
  • Responsáveis da administração Trump promoveram planos para levar a cabo detenções políticas em massa e processos judiciais contra pessoas que consideravam terroristas de extrema-esquerda. Num discurso proferido no Departamento de Estado dos EUA, Stephen Miller, vice-chefe de gabinete do presidente Donald Trump, descreveu a violência política de esquerda como um «cancro fatal para a civilização» e gabou-se dos planos para utilizar o poder do Estado para reprimir as pessoas a quem chamou de «terroristas políticos». «O fascismo está aqui», escreveu o The Tennessee Holler. «Se não estão alarmados, é porque não estão a prestar atenção. O “terrorismo político de esquerda” irá referir-se àqueles que se opõem ao regime — enquanto o verdadeiro extremismo de direita é deixado a crescer e a prosperar. Estamos muito perto do precipício, pessoal.» Fonte.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

COIMBRA: BARRAGEM DE GIRABOLHOS É ERRO ESTRATÉGICO PARA O MONDEGO E O PAÍS

  • O GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) considera que o relançamento do projeto da barragem de Girabolhos, no rio Mondego, é um erro estratégico, com impacto ecológico significativo e utilidade prática limitada, desviando recursos de soluções mais eficazes e sustentáveis para gerir o território e prevenir cheias. Para o GEOTA, o histórico de decisões demonstra esta falta de viabilidade; se o projeto avançar será mais um buraco nas contas públicas. Não resolve o problema das cheias do Baixo Mondego. As cheias nesta região não resultam da falta de barragens, mas da má gestão do território: desflorestação das cabeceiras deliberada ou por força dos incêndios, assoreamento do rio, ocupação de leitos de cheia, impermeabilização dos solos, destruição de zonas húmidas. Girabolhos não terá capacidade para amortecer de forma eficaz episódios de chuva intensa, nem é essa a missão principal das barragens. Tem impactos ecológicos e territoriais muito elevados. A construção implicaria a submersão de territórios rurais e ecossistemas ribeirinhos (entre os melhores do Mondego), afetando também a paisagem, os modos de vida, a agricultura e o ecoturismo, e contrariando as metas de restauro da conectividade fluvial. É ilegal. Não foi realizada a devida e obrigatória avaliação de impacte ambiental. “Girabolhos é uma falsa solução para problemas reais e não parece ser a melhor solução a nível de gestão de bacia. Não protege eficazmente contra cheias, e não é necessária para o abastecimento de água nem para a produção elétrica. Em vez de investir numa grande obra de elevado impacto e baixa eficácia, o país deve apostar em soluções baseadas na natureza, na recuperação dos rios e numa verdadeira gestão integrada da bacia do Mondego”, afirma Ana Catarina Miranda, coordenadora do Programa Rios Livres do GEOTA.
  • O Bloco de Esquerda pediu esclarecimentos sobre os impactos sociais e ambientais da refinaria de antimónio prevista para Sines, exigindo a suspensão do processo de reconhecimento como Projeto de Interesse Nacional desta unidade industrial. O BE alertou para os riscos associados à operação industrial de um metal potencialmente cancerígeno e altamente tóxico, com elevada capacidade de contaminação das águas e por via atmosférica. Além da suspensão do processo de reconhecimento” como PIN, o BE quer ainda saber qual o destino final deste novo metal a refinar em Sines. O antimónio é um metal essencial para o desenvolvimento de grandes empresas tecnológicas, nomeadamente para equipamentos bélicos, como produção de balas, cartuchos, estilhaços ou em dispositivos de visão noturna e radares. Fonte.
  • Praias do Furadouro e do Areinho (Ovar) interditad a banhos devido, respetivamente, a obras e má qualidade das águas. Fonte.

REFLEXÃO

ISRAEL LANÇA BOMBAS DE FÓSFORO CONTRA POPULAÇÃO LIBANESA


Israel lançou bombas de fósforo branco contra a população libanesa. O fósforo provém da fábrica de glifosato da Bayer em Soda Springs, nos EUA

O Ministério da Agricultura do Líbano encontrou amostras de solo que contêm níveis de glifosato que excedem os «níveis normais em cerca de 20 a 30 vezes».

A utilização de herbicidas cancerígenos como armas militares amplia uma doutrina tática já testada pelo exército israelita na Faixa de Gaza em 2014, violando uma promessa anterior de eliminar gradualmente a substância das áreas povoadas.

Embora, em abril, a direção da Bayer tenha negado o fornecimento direto de glifosato ao exército israelita ou norte-americano, não negou a entrega das matérias-primas com as quais se fabrica o fósforo branco.

A Amnistia Internacional afirma que a utilização de fósforo branco em Gaza teve início a 7 de outubro de 2023, quando Israel desencadeou a guerra contra os palestinianos na Faixa de Gaza.

A Human Rights Watch verificou a utilização desta munição em, pelo menos, 17 municípios libaneses desde outubro de 2023, enquanto investigadores independentes documentaram mais de 200 utilizações que resultaram em 600 incêndios.

No sul do Líbano, residentes e profissionais de saúde relataram que nove civis sofreram lesões respiratórias causadas por fumo «semelhante ao do alho» em outubro de 2023.

Em abril, foram formalmente apresentadas acusações contra as forças armadas israelitas, com relatos de 25 000 milhões de dólares em danos, incluindo a destruição de milhares de hectares de floresta e uma contaminação extrema do solo que «remodelou a paisagem física e ecológica» do sul do Líbano (*).

Uma reportagem publicada a 6 de junho pelo New York Times forneceu uma extensa documentação visual do exército israelita, que lançou repetidamente fósforo branco sobre áreas povoadas do Líbano.

Imagens verificadas mostraram vestígios de fumo e explosões no ar em áreas povoadas como Tiro, Nabatieh, Qlayaa, Khiam e Yohmor durante o mês de maio deste ano.

A investigação identificou projéteis de artilharia M825A1 fabricados nos EUA, que libertam 116 cunhas de feltro em chamas capazes de provocar incêndios num raio de 250 metros, embora sejam frequentemente transportadas pelo vento para distâncias ainda maiores.


BICO CALADO


  • “Salvam-nos os professores, tantos, que resistiram, os que o PM despreza, porque se recusaram a receber trabalho ao fim de semana e noite que não visava salvar a educação dos alunos mas o enterro da própria ideia de educação; os que meteram baixa, preferiram ficar sem salário uns dias do que embarcar nisto, numa insanidade digital que destrói o cérebro dos alunos; os que disseram em público sem medo que um exame não se classifica, muito menos por itens; que avaliar conhecimentos não é dar escolha múltipla. Que bolinhas e cruzinhas é abandonar os jovens das classes médias e trabalhadoras à ignorância que permite a manipulação de políticos que fazem e dizem sem vergonha as maiores ignomínias. Salvam-nos os professores que quando o PM pediu resiliência responderam com resistência.” Raquel Varela, Contra o comboio desgovernado, subimos na automotora.
  • O deputado do Chega Pedro Frazão foi condenado no Tribunal Criminal de Lisboa ao pagamento de uma multa e de uma indemnização que totalizam quatro mil euros, por ter difamado, em 2021, José Manuel Pureza, atual coordenador do Bloco de Esquerda. Fonte.
  • A PragerU está a tentar tomar conta das escolas norte-americanas. Este grupo pseudoeducativo de direita é agora parceiro educativo oficial em pelo menos dez estados e bombardeia as crianças com mensagens altamente questionáveis sobre raça, história e política. Ainda mais preocupante é o facto de a PragerU ser liderada pela ex-espiã israelita Marissa Streit, que afirmou utilizar contra o povo americano as táticas e técnicas aperfeiçoadas pelos serviços de inteligência militar das Forças de Defesa de Israel. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

AS LIGAÇÕES DE LIONEL MESSI A NETANYAHU, ÀS FORÇAS ARMADAS ISRAELITAS E À SUA UNIDADE DE ESPIONAGEM DE ELITE 8200
Alan Macleod, MPN. Rev. O’Lima.


Na quarta-feira à noite, [15 julho 2026] os olhos do mundo estarão postos em Lionel Messi, quando a Argentina defrontar a Inglaterra na meia-final do Mundial. A pequena superestrela conquistou uma enorme legião de fãs em todo o planeta, nomeadamente em Israel, graças às suas inúmeras ligações empresariais e de segurança com o Estado do Apartheid. Desde ser o rosto de uma empresa israelita de inteligência artificial liderada e gerida por espiões israelitas, até confiar a sua segurança privada a uma equipa de agentes secretos israelitas, a MintPress explora as razões pelas quais Benjamin Netanyahu o considera o seu jogador de futebol favorito.

A FAZER AMIZADE COM EX-AGENTES SECRETOS ISRAELITAS

A maior estrela do futebol mundial, Lionel Messi é, compreensivelmente, muito cuidadoso com a sua imagem. O avançado argentino escolhe cuidadosamente com quem se associa e assinou contratos lucrativos de longo prazo com grandes marcas globais, como a Adidas, a Pepsi e a Mastercard.

Foi por isso que muitos ficaram surpreendidos quando, em 2020, ele anunciou uma parceria com a OrCam, uma empresa israelita relativamente pequena especializada em inteligência artificial que fabrica dispositivos vestíveis de visão artificial (semelhantes aos Google Glass). A OrCam apresenta-se como uma empresa que ajuda as pessoas com deficiência visual a terem vidas mais plenas. Messi tornou-se o seu embaixador global da marca e o rosto da empresa.

No entanto, o que suscita mais controvérsia é o facto de a OrCam ser um desdobramento do aparelho de segurança nacional israelita, empregando dezenas de antigos agentes da agência de espionagem militar israelita, a Unidade 8200, muitos dos quais em cargos altamente influentes. O principal deles é Adi Levitski, um agente secreto de longa data da Unidade 8200, que, em 2024, foi nomeado diretor de operações da OrCam.

Muitos funcionários da OrCam foram comandantes daquela obscura agência de espionagem, responsáveis por alguns dos piores crimes da guerra pós-7 de outubro de 2023, bem como por muitas das operações internacionais de pirataria informática e vigilância mais escandalosas. Mor Shamy, por exemplo, ascendeu ao cargo de chefe de análise de informações na Unidade 8200 em 2015 e viria mais tarde a ser contratado como programador de algoritmos na OrCam. A trabalhar ao seu lado estava Matan Albeck, o antigo chefe do departamento de análise de dados da Unidade 8200.

Apesar das grandes demissões nos últimos anos, a empresa continua a ser composta, em grande parte, por ex-agentes secretos, existindo uma porta giratória entre as duas entidades. Alguns, como Eliya Segev e Eli Corn, passaram da OrCam para a Unidade 8200, enquanto o currículo de Amitai Edrei revela que trabalhou simultaneamente para a OrCam e para a Unidade 8200, sublinhando a estreita relação entre ambas.

Para Messi, isto deveria ter sido um grande sinal de alerta ao colaborar com a OrCam, uma vez que a Unidade 8200 é a principal arquiteta e operadora do genocídio de alta tecnologia levado a cabo por Israel em Gaza e arredores. E os seus agentes são responsáveis pela produção de grande parte do software de espionagem mais invasivo do mundo.

Recorrendo a big data recolhida pela sua vasta rede de vigilância digital palestiniana, a organização criou enormes listas de alvos a abater, geradas por inteligência artificial, de habitantes de Gaza, e levou a cabo dezenas de milhares de operações de bombardeamento com drones, que constituíram o elemento central da destruição em Gaza.

Os seus agentes também desenvolveram software de espionagem altamente invasivo, como o Pegasus, que foi utilizado para espiar dezenas de milhares de líderes estrangeiros, jornalistas, ativistas e defensores dos direitos humanos em todo o mundo. O governo israelita vendeu o Pegasus a ditaduras e regimes autoritários em todo o mundo, ajudando-os a reprimir os direitos humanos. Talvez o caso mais conhecido tenha sido o da Arábia Saudita, que utilizou o Pegasus para monitorizar o jornalista do Washington Post Jamal Khashoggi, antes de o desmembrar com uma serra de ossos na sua embaixada na Turquia.

É, portanto, altamente questionável que Messi tenha decidido tornar-se o rosto de uma empresa deste tipo.

OS ASSESSORES ISRAELITAS DE MESSI

O argentino fez várias visitas a Israel ao longo da sua carreira. Em 2013, ele e o seu clube, o F.C. Barcelona, deslocaram-se a Israel e à Palestina numa suposta «Digressão pela Paz». Durante a viagem, encontrou-se e conversou com Netanyahu e com o presidente Shimon Peres, e cumprimentou soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF). Também vestiu um yarmulke e visitou o Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo.

No entanto, mesmo depois de partir, Messi leva consigo uma pequena parte de Israel para onde quer que vá. A sua segurança está a cargo de uma força de elite composta por antigos agentes israelitas, que planeiam cada um dos seus movimentos, especialmente a nível internacional. Ele leva a sua segurança muito a sério, tendo chegado ao ponto de faltar ao casamento da sua cunhada na Argentina devido a preocupações de segurança.

Essas mesmas forças israelitas estiveram encarregues da segurança no seu próprio casamento, em 2017, segundo a ESPN, embora a emissora não tenha especificado se esses agentes pertencem ao Mossad, ao Shin Bet ou a um grupo de comando de elite.

Messi, que evita controvérsias políticas, não fez quaisquer declarações sobre Israel/Palestina desde 7 de outubro de 2023, apesar de muitas notícias (falsas) sugerirem o contrário.

O avançado do Inter Miami causou boa impressão a Netanyahu quando os dois se encontraram em 2013. Numa entrevista recente, Netanyahu revelou que está a torcer pela Argentina no Mundial deste ano. «Ele tem agora 39 anos», disse ele sobre Messi; «Eles têm sorte em ter um jogador tão experiente que sabe marcar golos.»

A opinião pública israelita concorda claramente. Uma sondagem recente revelou que 38% dos israelitas estão a apoiar ativamente a Argentina no torneio – bem à frente do Brasil, que ocupa o segundo lugar. Yoav Berkowitz, diretor desportivo da emissora pública israelita Kan, afirmou que isto se deve, em grande parte, ao «efeito Messi».

IRMÃOS SIONISTAS

Outros, incluindo o próprio Netanyahu, citam o presidente argentino Javier Milei como outro fator. Desde que assumiu o poder em 2023, Milei fez do apoio a Israel um pilar central da sua plataforma política. A nível internacional, Israel tem poucos amigos restantes. Mas a Argentina de Milei surgiu como um dos seus defensores mais veementes. Em maio de 2024, votou contra uma moção esmagadoramente popular nas Nações Unidas para eleger a Palestina como membro de pleno direito do organismo. Quatro meses depois, fez o mesmo com uma resolução que exigia o fim da ocupação israelita dos territórios palestinianos.

O seu governo também declarou o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão e as Forças Quds como organizações terroristas, e aplaudiu o ataque dos EUA e de Israel ao Irão, tendo o próprio Milei referido que era «a coisa certa a fazer». A Argentina declarou ainda que iria transferir a sua embaixada em Israel para Jerusalém, legitimando assim efetivamente a ocupação. A medida foi, no entanto, suspensa depois de a empresa petrolífera israelita Navitas ter anunciado que iria iniciar perfurações perto das Malvinas/Falklands — um arquipélago controlado pelo Reino Unido, mas reivindicado pela Argentina.

COMO ISRAEL AJUDOU A ARGENTINA A MASSACRAR A SUA POPULAÇÃO JUDIA

Desde 7 de outubro de 2023, Israel perdeu uma enorme quantidade de apoio público em todo o mundo, mesmo nos países ocidentais. Um inquérito da YouGov de 2025 revelou que, por exemplo, o número de italianos com opiniões «muito desfavoráveis» (43%) sobre Israel é mais de 20 vezes superior ao dos que têm opiniões «muito favoráveis» (2%). Mesmo na Alemanha, onde o apoio popular a Israel é mais elevado, apenas 21% afirmaram ter opiniões favoráveis sobre o Estado (incluindo apenas 4% que o consideram altamente favorável), com 65% a manifestarem oposição aberta (incluindo 32% que o rejeitam veementemente).

É amplamente afirmado que o dia 7 de outubro constituiu o maior massacre de judeus desde o Holocausto. No entanto, isso não é verdade. Na realidade, a ditadura militar fascista que governou a Argentina nas décadas de 1970 e 1980 perseguiu implacavelmente os judeus, matando ou fazendo «desaparecer» milhares deles.

Inspirando-se em Hitler e nos nazis, a ditadura equiparou o judaísmo ao socialismo e prendeu e assassinou um número enorme de opositores políticos, chegando mesmo a transformar estádios de futebol em campos de extermínio improvisados. Muitos dos envolvidos eram filhos de nazis alemães que fugiram para a Argentina após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Israel ajudou ativamente a ditadura no seu massacre, vendendo-lhe equipamento militar sofisticado e aumentando os níveis de assistência militar, mesmo à medida que os ataques à comunidade judaica do país se intensificavam.

UMA RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO

Embora Israel apoie a Argentina, essa boa vontade certamente não é recíproca, por mais que Milei tente. Uma recente sondagem da Pew revelou que a maioria dos argentinos tem uma visão negativa de Israel, incluindo 34% que têm opiniões altamente desfavoráveis sobre o país — sete vezes mais do que aqueles que, alegadamente, têm opiniões muito positivas sobre Israel (5%).

Neste aspeto, estão a seguir os passos de outra sensação do futebol argentino: Diego Maradona. A estrela, frequentemente considerada o melhor futebolista de sempre, declarou-se o «fã número um do povo palestiniano» e afirmou que «no meu coração, sou palestiniano».

Maradona condenou consistentemente as ações dos EUA e de Israel, e alinhou-se com causas revolucionárias em todo o mundo. Em contraste, Messi tem evitado constantemente as questões políticas. Mas, tal como aqui discutido, tomou várias decisões — abraçar Netanyahu, visitar Jerusalém, tornar-se o rosto de uma empresa tecnológica israelita cujo quadro é composto por espiões e rodear-se de agentes secretos israelitas como guarda-costas — que devem levar muitos a questionar esta suposta neutralidade.

A Argentina defronta hoje [15 julho 2026] a Inglaterra por um lugar na final do Mundial. Embora o resultado ainda esteja por ver, não é segredo que Israel e Netanyahu vão torcer pela Argentina — e por Leo Messi.