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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

BICO CALADO

Da série Dois pesos e duas medidas.
  • O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que tentou vender fora do Brasil um sistema que usa inteligência artificial para manipulação política em eleições de forma clandestina. O PL também declarou ter pago R$ 131,9 mil à mesma companhia. Fonte.
Maquinaria pesada do exército israelita, acompanhada por soldados israelitas, arranca de raiz dezenas de oliveiras na aldeia de Kafr Malik, a leste de Ramallah, na Cisjordânia, na Palestina, a 14 de outubro de 2026. [Fotógrafo independente – Agência Anadolu]
  • Um comunicado de imprensa recente publicado pelo Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos realçou o aumento da violência por parte dos colonos israelitas contra os agricultores durante a colheita da azeitona. Os Relatores Especiais da ONU que assinaram o comunicado de imprensa descreveram como o facto de se impedir os agricultores palestinianos de acederem às suas terras está a causar dificuldades económicas, a deslocar comunidades beduínas e de pastores e a comprometer a soberania alimentar palestiniana. O comunicado salientou ainda que Israel alterou a sua política este ano para impedir os palestinianos de colherem azeitonas em terras classificadas como «terras do Estado». Via MEM.
  • A FIFA suspendeu o treinador principal do Egito, Hossam Hassan, por três jogos, na sequência de comentários que fez após a derrota da equipa nos oitavos de final do Mundial frente à Argentina. O avançado Mostafa Zico também foi punido com uma suspensão de cinco jogos. As sanções decorrem da derrota do Egito por 3-2 frente à Argentina, em Atlanta, nos EUA, a 6 de julho, durante o Mundial. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

OS JOVENS PERCEBERAM QUE ESTÃO A SER ENGANADOS POR
POLITICOS QUE LEGISLAM EM INTERESSE PRÓPRIO


Parece que, em média, membros do actual governo e deputados dos partidos de direita têm, cada um, cinco imóveis. A média estatística vale o que vale: se em média cada um tem cinco casas ou apartamentos, na realidade alguns, coincidentemente no topo da hierarquia, onde se tomam as decisões políticas, têm dezenas de imóveis - em seu nome ou em nome de familiares. Os pobres deputados nas bancadas de trás, que só têm uma ou duas casas, estão lá para subir no ranking imobiliário e fazer o seu trabalho: levantarem-se das cadeiras para aprovar as leis que a bancada do governo decide.

Os jovens já perceberam que estão a ser enganados por políticos que legislam em interesse próprio. São, em parte, os mesmospolíticos e deputados que antes aprovavam leis a pedido dos advogados e consultores fiscais do grupo Espírito Santo e companhia, pedidos esses que hoje vêm de todo o lado, dos casinos aos fundos imobiliários, passando pelos donos das estâncias de luxo dos milionários importados dos EUA, da Rússia, de Angola ou do Brasil. São os mesmos políticos, do PSD ao Chega, especializados em criar regimes fiscais obscenamente favoráveis a oligarcas, milionários, ‘visto gold’, ‘residentes não habituais’ ou 'nómadas digitais’ (isto sem excluir o contributo que o PS foi dando ao longos dos anos).

De repente, os jovens portugueses que estudam e trabalham em Lisboa, no Porto ou em Faro, em vez de continuarem a deixar-se enganar e iludir, têm o descaramento de um dia quererem sair de casa dos seus pais, ou de quartos mobilados, e de irem viver para o centro das cidades, numa casa só sua, como se fossem jovens finlandeses em Helsínquia ou austríacos em Viena, onde, por políticas e leis pensadas para esse efeito, as rendas representam menos de 30% do rendimento médio (em Lisboa, arrendar uma casa custa mais de 100% do ordenado médio).

Quando se entrega a gestão do galinheiro a raposas, ao final do dia tem-se muita pena mas não se tem ovos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

PESCAR MENOS PARA PESCAR MELHOR


  • É este o título da reportagem, publicada na revista Climática a 25 de junho de 2025, que acaba de ser galardoada com o Prémio de Jornalismo Positivo, atribuído pela Associação de Jornalistas de Ávila. A sua autora, a jornalista Ana Iglesias, conta uma história de colaboração que permitiu melhorar o ecossistema marinho: há mais de uma década, os pescadores de Roses (Girona) chegaram a um acordo verbal para deixar de pescar bacalhau na zona. A proibição de pesca criou uma aliança atípica entre o setor das pescas, a comunidade científica e as ONG. Fonte.
  • As praias de uma cidade da Califórnia estão a desaparecer. Será que os seus habitantes conseguem inverter a situação? Lois Beckett, The Guardian.

BICO CALADO

  • Sondagens globais abrangentes revelam que Israel é atualmente o país mais impopular do mundo, na sequência do genocídio amplamente documentado que cometeu contra o povo palestiniano em Gaza. A organização «Aliança das Democracias» realiza todos os anos um estudo abrangente denominado «Índice de Perceção da Democracia». Este grupo é financiado pelos aliados mais próximos de Israel, incluindo a União Europeia, organizações financiadas pelo governo dos EUA, a Ucrânia, Taiwan e grandes empresas norte-americanas como a Microsoft e a Palantir. Fonte.
  • Colonos israelitas espancaram violentamente a fotojornalista do «Washington Post» Heidi Levine, de 63 anos, durante ataques generalizados contra apanhadores de azeitonas palestinianos em várias aldeias a leste e a norte de Ramallah. Levine sofreu fraturas e ferimentos depois de colonos a terem espancado e pontapeado repetidamente, arrastado pelo chão e roubado o seu equipamento, segundo o jornalista Jasper Nathaniel. As imagens do ataque captadas pelo jornalista Andrey X podem ser vistas aqui, aqui e aqui. Os ataques deixaram numerosos palestinianos feridos, incluindo um que foi alvejado com munições reais, enquanto os colonos queimavam veículos e oliveiras, roubavam colheitas e expulsavam os agricultores das suas terras. Esta é a maior vaga de ataques deste género por parte de colonos israelitas contra agricultores e produtores de azeite – mais de 200 ataques, segundo a ONU. Fonte.
  • Katie Zacharia demitida após menos de uma semana. «Katie Zacharia não foi despedida por ter mentido», afirmou um estratega democrata. «Foi porque não sabia mentir bem. É uma diferença fundamental.» Fonte.
  • Conheça os jornalistas portugueses mais ‘amigos’ da BigPharma. Página Um.
  • Políticos que estão a mudar leis do arrendamento detêm mais de mil imóveis. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O QUE A NOTÍCIA DO PÚBLICO NÃO DIZ
Jorge Van Krieken.


O Público fez hoje o trabalho que a Entidade para a Transparência devia ter feito há anos. Leu as 220 declarações de quem governa e de quem vota, e contou. 1039 imóveis, 55,6 milhões de euros, 807 mil euros de rendas, 43 sociedades imobiliárias. É um bom retrato, as jornalistas merecem aplauso, mas é um retrato pequeno.

Os 55,6 milhões são valor patrimonial tributário. O VPT (Valor Patrimonial Tributário) não é o valor da casa, é o valor que o Estado inventa para cobrar IMI. Nasce de um valor base de 665 euros por metro quadrado que o Parlamento fixa e não actualiza, e de coeficientes de localização que ninguém revê. Nas transacções reais, o VPT vale entre um terço e metade do preço, e nos prédios rústicos, nem isso. Ainda se calcula a partir do rendimento agrícola de 1989, dezenas de euros por prédio. Álvaro Castelo Branco, secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, declarou quotas em 33 imóveis a um cêntimo cada, 33 cêntimos de património, sem explicar porquê. Não é fraude, é a lei.

Feitas as contas por zona, o património real destes 220 políticos anda entre 150 e 220 milhões de euros. Três a quatro vezes o que o Público publicou. E as declarações são de 2024, antes de mais 20% de subida de preços.

Quem fixa o VPT? Eles. Quem decide se os rústicos são reavaliados? Eles. Actualizar o VPT é aumentar o IMI a si próprios e isso não vai acontecer.

Segunda coisa que a notícia não diz. 807 mil euros de rendas sobre 55 milhões de património dá 1,5%. Sobre o valor real, menos de meio por cento. Dirão que vivem nas casas. Vivem numa, talvez em duas. Isso explica 440 dos 623 imóveis urbanos, não explica os outros 183, nem os 412 rústicos, que são terrenos. Mas o ponto não é esse. O ponto é que a declaração não distingue a casa onde se dorme do apartamento que se arrenda, nem o T3 da garagem, nem a renda cobrada da renda englobada no salário ou paga em dividendos por uma das 43 sociedades. Com estes documentos não se sabe quantos senhorios há na Assembleia. Foram desenhados para não se saber. Por quem? Pela Assembleia.

Terceira coisa. Os 412 rústicos. Olivais, pinhais, courelas de herança, o minifúndio do Norte e do Centro. Património pobre, dirão, e é verdade, enquanto for rústico. Esta mesma maioria aprovou a nova Lei dos Solos, que permite reclassificar rústico em urbano por deliberação da Câmara e da Assembleia Municipal, desde que 70% da construção vá para habitação pública ou a "valor moderado". Parece um travão, mas não é. O valor moderado é 125% da mediana do concelho, com tecto em 225% da mediana nacional, calculado à data da escritura. Quando a lei saiu, esse tecto era 3.737 euros por metro quadrado. Hoje é 5.258. Subiu 41% em dezoito meses, porque sobe com o mercado. Um T2 de 90 metros em Lisboa, a valor moderado, custa 473 mil euros. Quem possui terra e vota a lei que decide o que a terra pode vir a ser não precisa de ser corrupto. Basta que a definição de acessível suba com os preços, e ela sobe.

Quarta coisa. A redução do IRS sobre rendas de 25% para 10% tem um tecto de 2.300 euros. Não é um tecto, é uma amnistia. Cobre praticamente todas as rendas do país e todos os senhorios da bancada.

A Iniciativa Liberal diz que ser proprietário não configura conflito de interesses porque a lei se aplica a milhões. Tem razão na técnica e nisso está o problema inteiro. Quando a classe que legisla coincide com a classe beneficiada, não há conflito de interesses. Há identidade de interesses.

Quinta coisa. O ranking por número de imóveis engana. No topo estão os herdeiros de minifúndios, o primeiro-ministro com 49 rústicos em Espinho, um secretário de Estado com 45 em Vouzela. O dinheiro está mais abaixo na lista. O presidente da Assembleia com 16 imóveis e perto de três milhões de VPT, seis a oito milhões reais. A ministra do Trabalho com 14 imóveis e dois milhões de VPT. Estes são os senhorios urbanos. Os que a lei do arrendamento vai servir.

Sexta coisa, e a que me importa. Tenho 68 anos. Pertenço à geração que comprou casa quando uma casa custava três anos de salário. Esta Assembleia é a minha geração. 88% são proprietários, mais de metade tem dois ou mais imóveis. No país, nem um quarto das famílias tem mais do que uma casa. Legisla-se a partir de quem já tem, para quem já tem, e a factura vai para os filhos. Não é corrupção. É pior, é só uma classe de políticos a legislar para si própria, convencida de que legisla para todos.

O Público pergunta se houve pedidos de escusa.

Não houve.

sábado, 17 de outubro de 2026

SINES: PORTO QUER SER ZONA FRANCA E CÂMARA PEDE DINHEIRO AO GOVERNO PARA OBRAS NAS REDES DE ÁGUAS E SANEAMENTO

  • Consulta pública até 26 de novembro: Máquina de Papel 2 da Navigator Tissue Aveiro, Cacia. Fonte.

FRANÇA: VIZINHOS PARTILHAM CARROS EM ZONAS RURAIS

© Line Hachem / Reporterre
  • A partilha de carros entre vizinhos: uma solução para a escassez de transportes nas zonas rurais. Em Joigny, Yonne (França), a Ginette é um Renault Zoé elétrico em segunda mão, propriedade da associação Rosalie, criada no final de 2025 para promover a mobilidade sustentável e partilhada na região de Joigny. Mas, acima de tudo, a Ginette é um carro que ninguém possui realmente e que, por isso, todos podem utilizar. Fonte.
  • As empresas chinesas do setor da energia eólica estão a substituir componentes europeus por equipamento nacional por motivos que incluem a segurança e o controlo. Fonte.
  • O boom da fraturação hidráulica na Argentina está associado a uma onda de doenças. Fonte.

BICO CALADO

  • A Alemanha fica para já com a TAP, há 15 anos Berlim quis a EDP, mas a eléctrica foi para a China, que ficou também a controlar a Fidelidade e o BCP (BCP esse que tinha ficado com o BPA), os outros bancos passaram para mãos espanholas, enquanto o Novo Banco foi para os EUA para acabar em França, tal como a velha Portugal Telecom (agora nas mãos dum empresário franco-israelo-marroquino). É olhar para Portugal e ver como esta estratégia foi avançando com uma liga de políticos privatizadores desde Cavaco Silva, passando por Durão Barroso (passou pela Comissão Europeia e acabou num banco dos EUA) até Maria L. Albuquerque (passou por um fundo de investimento dos EUA e acabou na Comissão Europeia), incluindo dezenas de outros ministros, de todos as partidos do arco da governação, que, após prestados os serviços, foram para cargos de topo das empresas anteriormente públicas, vendidas, ao desbarato, pelo mundo fora, de Angola à Alemanha. Oito ex-ministros chegaram a estar, simultaneamente, em cargos de topo na EDP (desconheço se actualmente serão mais ou menos). A soberania financeira foi para Frankfurt, a estratégia política/militar para Bruxelas, Comissão Europeia/NATO, as casas e palacetes, o centro de Lisboa, para os ‘vistos gold’ e fundos imobiliários. A seguir virão atrás das terras e minérios que ainda sobram. Finalmente, tentarão privatizar as praias e a água. Isto não é ser de esquerda, de direita ou do centro. É ser contra um país em saldos que há um quarto século teve de sacrificar a sua indústria têxtil para a Alemanha poder vender mais carros na China. Não têm sido bem ‘vendas’ ou ‘privatizações’. Tem sido um misto de burla, assalto e mutilação. Levaram-nos a camisa, venderam-nos os anéis, paralisaram-nos as mãos e as pernas. Agora levam-nos as asas.” Miguel Szymanski, Foram-se as asas.
  • A LUFTHANSA COMPRA A TAP COM O DINHEIRO DA TAP. Fonte.
  • “A polícia empática e inclusiva existiu enquanto as luzes estiveram acesas. Não há memória no Porto de uma carga policial tão desproporcional. Ao contrário do que disse o primeiro-ministro, ninguém que esteve na D. Joao I viu ameacas à ordem pública ou à tranquilidade. Chamar egoísta, como fez Luis Montenegro, a alguém que pernoita numa tenda ou ao relento para defender os interesses e os direitos de quem não tem casa é indecoroso.” Amilcar Correia, redactor principal do PÚBLICO.
  • “Quando alguém vos questionar sobre a legitimidade das acampadas como protesto, perguntem-lhes o que achavam das acampadas patrocinadas pelos Estados Unidos há 12 anos no centro de Kiev contra o presidente pró-russo escolhido em eleições democráticas. A legalidade só importa quando lhes interessa.” Bruno Carvalho.
  • “(…) em Portugal, montar tendas para reclamar direitos não tem sido tratado como uma emergência de segurança pública, como um ato de agressão ou como um atentado. Tem sido entendido como um ato de protesto legítimo. Para o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, não: montar tendas é coisa que obriga a polícia a correr as pessoas à pancada. (…) Não se pede à PSP que ignore a lei. Exige-se que a cumpra também. E que explique por que razão manifestações com tendas puderam decorrer durante dias ou semanas diante do Parlamento, de um ministério, de uma universidade e do Banco de Portugal sem recurso à violência policial, mas no Porto não. (…)” Pedro Tadeu, Quem foi o bruto que mandou carregar no Porto? – DN 16Out2026.
  • “(…) Depois do escândalo da demissão do secretário-geral da Administração Interna, a violência desproporcionada utilizada no Porto contra manifestantes pacíficos demonstra, de facto, que os dias do ministro da Administração Interna chegaram ao fim. 37 feridos! (…) É aqui que o país de Luís Neves está unido com o país de Ventura. (…) o Chega, através de Pedro Pinto, veio apoiar a violência policial. Ventura e Luís Neves, a mesma luta. (…) perante as manifestações, Luís Montenegro teve uma reacção igualzinha à que Passos Coelho teve quando os portugueses se queixavam dos tempos difíceis da austeridade. Atribuir aos manifestantes "razões egoístas" (!!!!) é o "Não sejam piegas" de Pedro Passos Coelho. Montenegro e Passos podem andar em zaragatas, mas é muito mais o que os une do que aquilo que os separa. (…)” Ana Sá Lopes, Público.
  • "(...) O que não se pode tolerar, de maneira nenhuma, é que alguém monte uma tenda de campismo numa praça pública e estrague a fotografia aos turistas. (...) Pedro Duarte, o presidente da Câmara do Porto, já tinha avisado que seria absolutamente implacável com quem voltasse a montar tendas na via pública. É extremamente reconfortante ver este aprumo estético num homem com passado na Microsoft, que olha para a miséria humana como um simples bug de sistema que se resolve limpando a memória RAM da praça. (...) Uma cidade moderna convive bem com pessoas sem casa. E convive ainda melhor com casas sem pessoas. Agora, pessoas sem casa a tornarem o problema visível a dois passos dos Aliados? Isso desvaloriza o metro quadrado e obriga o senhor engenheiro a olhar para coisas feias a caminho do gabinete. (...) Quando a violência vem de baixo, é um atentado à democracia, quando vem de cima, há sempre um regulamento camarário qualquer à mão para justificar o serviço de limpeza. (...) E o que exigiam aquelas pessoas? Não pediam uma vivenda com piscina ou uma segunda residência na Foz. Protestavam apenas, porque trabalhar quarenta horas por semana já não chega para pagar um T1 com humidade em Campanhã. Parece um pedido razoável, mas talvez esteja desactualizado face ao novo urbanismo de luxo. A nova política social da cidade deve consistir em ensinar os mais pobres a desaparecerem discretamente, de preferência por via de combustão espontânea ou camuflagem urbana, para não perturbarem o trânsito dos circuitos turísticos. A Câmara limpou as tendas. A crise ficou exatamente no mesmo sítio. Intacta. Os feridos também. E amanhã haverá quem atravesse a praça sem sequer sonhar com o que ali se passou na véspera, porque a cidade estará novamente lavada, varrida e pronta para o próximo festival de marketing territorial. Se o problema da habitação ficou assim resolvido para a autarquia Pedro Duarte já pode submeter a candidatura do Porto a Capital Europeia do Cimento Imaculado. No lugar das tendas, o executivo camarário bem podia mandar instalar uns manequins de gesso com fatos à medida vindos da sua alfaiataria presidencial, daqueles que têm um aprumo impecável, não conspiram contra o metro quadrado e, acima de tudo, não sangram para cima do granito quando a polícia os arruma ao pontapé." Luís Rocha, O Porto é lindo, desde que os pobres não apareçam.
  • Em Vigo também há uma acampada. Fonte.
  • À medida que a guerra de Trump contra o Irão faz subir os preços da gasolina, a esposa do candidato republicano ao Senado pelo Michigan, Mike Rogers, foi vista a recorrer a uma tática desesperada — e juridicamente duvidosa — para persuadir os eleitores a votarem no seu marido: distribuir cartões de combustível no valor de 10 dólares. Fonte.
  • Uma criança palestiniana de dois anos assistiu, gritando de horror, enquanto a sua mãe era queimada viva num ataque aéreo israelita contra a sua casa na Cidade de Gaza, na madrugada de quarta-feira, deixando a menina ferida órfã — e recebendo quase nenhuma cobertura dos grandes meios de comunicação norte-americanos. Reem Asaad Awad foi morta quando um helicóptero israelita atacou o apartamento da sua família no bairro de Rimal, por volta das 3h48 da manhã, hora local. Fonte.
  • “As obras paradas do Estádio Municipal poderão estar a servir de abrigo ou local de pernoita. (…) A construção daquele que deveria ser o novo estádio e a casa do SC Espinho arrancou em 2021, mas encontra-se parada desde 2023. São já mais de três anos sem avanços numa empreitada que custou, até ao momento, cerca de 2,8 milhões de euros ao Município.” DE 16Out2026. É municipal, sr jornalista. E se é municipal é para todos os clubes. Não vale a pena reciclar o fadinho cansado e esfarrapado.
  • Há um mês solicitei à Sociedade Ponto Verde o envio da lista completa das 14 câmaras Municipais acionistas da Sociedade Ponto Verde e a percentagem de participação acionista atribuída a cada uma dessas câmaras. Vou continuar a aguardar.

REFLEXÃO

MINI-VENTILADORES, CIGARROS ELETRÓNICOS E RELÓGIOS INTELIGENTES QUE NÃO SÃO UTILIZADOS: UMA MINA DE OURO DE MINERAIS ESSENCIAIS
Jennifer Collins, DW. Rev. O’Lima.


Regista-se neste momento uma crise crescente de resíduos eletrónicos impulsionada pela «tecnologia de consumo rápido» — aparelhos baratos e de curta duração, como cigarros eletrónicos descartáveis, mini-ventiladores e relógios inteligentes. Um novo relatório do WEEE Forum revela que 44% dos europeus possuem pelo menos seis dispositivos deste tipo e que mais de metade guarda em casa artigos avariados ou não utilizados, em vez de os reciclar. Este comportamento espelha a «moda rápida», com quase 40% dos compradores a deitarem fora os artigos no prazo de um mês e 60% a utilizá-los durante menos de seis meses.

Os resíduos eletrónicos a nível mundial totalizam cerca de 62 milhões de toneladas por ano, prevendo-se que atinjam os 82 milhões de toneladas até 2030. Porém, as taxas de reciclagem são baixas: apenas 40% na Europa e 17% a nível mundial. Em 2022, um milhão de toneladas de matérias-primas críticas (manganês, ouro, cobre, alumínio) estavam incorporadas nos 10,7 milhões de toneladas de resíduos eletrónicos da Europa. Estes materiais estão no centro das tensões geopolíticas em torno das terras raras e dos minerais críticos.

A reciclagem de tecnologia de curta duração e a melhoria do design dos produtos são cruciais para reduzir a dependência da Europa em relação a minerais críticos provenientes do estrangeiro e para mitigar os danos ambientais. Tornar a reciclagem fácil e prática — através de devoluções postais gratuitas, máquinas de recolha e mensagens motivadoras — pode aumentar significativamente a participação.

Alémdisso, as regras da UE precisam de ser atualizadas para melhorar a recolha, uma vez que a diretiva, com 20 anos, está desatualizada.


LEITURAS MARGINAIS

PREOCUPADOS COM A INGERÊNCIA RUSSA NA POLÍTICA DO REINO UNIDO? ESPEREM ATÉ VEREM O QUE ISRAEL ANDA A TRAMAR
Jonathan Cook, Substack. Rev. O’Lima.


“(…) Há anos que Israel recorre a trolls de «hasbara» nas redes sociais para manipular os debates públicos no Reino Unido — o cerne da acusação contra a Rússia. Mas, no caso de Israel, a situação vai muito além disso.

Este ano, o Estado israelita aumentou massivamente o seu orçamento de diplomacia pública para 730 milhões de dólares, com vista a expandir as suas operações de influência. Isso inclui levar ainda mais políticos, clérigos, académicos e influenciadores a visitar o país, para os bombardear com propaganda pró-Israel que, provavelmente, irão depois divulgar nos seus países de origem. Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gideon Saar, a defesa dos interesses israelitas deve ser tratada «como um investimento em jatos, bombas e interceptores de mísseis».

Já havia provas abundantes no final da década de 2010 de que Israel estava a ajudar a organizar, a alimentar e a amplificar uma campanha para difamar o seu principal crítico, Jeremy Corbyn, rotulando-o de antissemita, a fim de o impedir de chegar a primeiro-ministro.

Além disso, Israel fê-lo ao promover uma nova e falsa definição de ódio aos judeus, através da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). Convenientemente para Israel, essa definição ignora em grande parte o ódio aos judeus para se concentrar, em vez disso, nas críticas a Israel.

Essa foi a intromissão mais flagrante possível naquilo que resta dos processos democráticos britânicos. Os políticos e os media do Reino Unido não só não se opuseram a isso, como procuraram ativamente amplificar as calúnias.

Guerra civil

Esta semana, o lóbi norte-americano fanaticamente pró-Israel, a Liga Antidifamação, revelou que tem vindo a trabalhar com empresas líderes em inteligência artificial — que estão cada vez mais integradas nas plataformas das redes sociais — para suprimir o que denomina «anti-semitismo» — ou aquilo a que o resto de nós se referiria como crítica a Israel.


O CEO Jonathan Greenblatt observou: «Temos tido uma excelente colaboração com o Vale do Silício.» As plataformas, afirmou ele, iriam lidar com os conteúdos de que a ADL não gosta «diretamente no código-fonte» – ou seja, antes de os utilizadores os poderem ver. Isso provavelmente não só irá eliminar as críticas às atrocidades israelitas e as críticas aos governos ocidentais, como o do Reino Unido, por serem cúmplices no genocídio perpetrado por Israel, como também transformará as redes sociais num terreno de jogo para bots e defensores de Israel, dando-lhes carta branca para espalhar a sua propaganda sem qualquer contestação.

Sabemos também, graças ao trabalho dos serviços de segurança franceses — talvez o MI5 estivesse demasiado ocupado a perseguir bots russos para se aperceber —, que uma agência cibernética israelita chamada Blackcore teve como alvo o SNP nas eleições escocesas de maio, além de se ter intrometido nas eleições em França e em Nova Iorque.

As empresas tecnológicas israelitas, especialmente as que se dedicam a software espião, operações secretas e de influência, estão normalmente estreitamente ligadas ao Estado israelita e às suas forças armadas. A maioria dos fundadores de start-ups tecnológicas são ex-membros da secreta 8200 do exército israelita.

A par do SNP, o candidato à câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, e um partido francês de esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon foram alvo de ataques. Porquê? Porque, ao contrário dos seus rivais políticos, todos se atreveram a manifestar-se contra o genocídio perpetrado por Israel em Gaza.

Com semelhanças com o que aconteceu a Corbyn, as campanhas da Blackcore foram concebidas para difamar candidatos. No caso das eleições francesas, foram criadas contas falsas para acusar um candidato de violação e outro de pedofilia.

Um novo documentário, «NAZA», mostra como Israel abriu caminho na utilização da IA para desenvolver novas formas de matar em grande escala em Gaza. Seleciona grupos de alvos para assassinato, muitas vezes matando esses «suspeitos» quando se encontram em complexos familiares, massacrando um grande número de transeuntes no processo.

Portanto, não admira que empresas tecnológicas em Israel tenham sido apanhadas a utilizar a IA de formas igualmente inovadoras e indiscriminadas na Internet, para atingir o público ocidental com desinformação.

No verão, veio a público que o governo israelita tinha criado um site para um falso grupo de reflexão «académico». Num curto espaço de tempo, este produziu quantidades prodigiosas de conteúdo gerado por IA sobre Israel, otimizado para termos de pesquisa comuns, que promovia os argumentos de Israel e sugeria constantemente que as críticas a Israel corriam o risco de alimentar o antissemitismo. Foi criado não só para influenciar os chatbots da Internet a repetirem a sua desinformação pró-Israel, mas também para integrar o seu conteúdo naquilo a que os especialistas chamam de «dados de treino subjacentes», ou seja, os pressupostos inquestionáveis com base nos quais os chatbots funcionam.

Em maio de 2024, a Meta identificou contas falsas sediadas em Israel, «que se faziam passar por estudantes judeus, afro-americanos e outros cidadãos preocupados», a divulgar conteúdo pró-Israel nos EUA e no Canadá, em apoio ao massacre de palestinianos em Gaza perpetrado por Israel.

Há dois meses, a Meta voltou a detetar o mesmo tipo de manobras sujas provenientes de Israel, desta vez dirigidas à Grã-Bretanha, França e Austrália, entre outros países. As contas geradas por IA faziam-se passar «por marcas locais empenhadas na sociedade civil, fontes noticiosas, organizações religiosas e ativistas políticos».

Nomeadamente no caso do Reino Unido e da França, as campanhas de influência foram concebidas para alimentar sentimentos «anti-imigrantes e antimuçulmanos». Israel tem estado fortemente envolvido na divulgação de conteúdos islamofóbicos, alimentando receios de uma suposta «tomada do poder pelos muçulmanos» na Europa, com o objetivo de mobilizar apoio a Israel como baluarte no Médio Oriente contra o Islão e, assim, fomentar a simpatia pelos seus ataques genocidas contra Gaza.

Como consequência, o panorama político na Grã-Bretanha foi desfigurado. O apoio à extrema-direita foi artificialmente inflacionado, polarizando a sociedade britânica. Está a ser aberto o caminho para um autoritarismo mais profundo e para a possibilidade de uma guerra civil.

Sino de morte

Nenhum destes desfechos catastróficos — o sino de morte para o pouco que resta da democracia britânica — está a suscitar sequer o mais ténue interesse por parte do governo de Burnham ou do MI5. Em vez disso, estão a investigar o que, até agora, parece ter sido uma atividade russa muito mais marginal.

Mas não é apenas a influência de Israel que nos deve preocupar. O problema é muito mais profundo, com uma série de outros intervenientes externos nocivos a tentarem distorcer e desfigurar a política britânica de formas que estão em estreita sintonia com as intenções malignas de Israel. O Centro de Defesa da Informação de Burnham não fará absolutamente nada para combater nada disso.

Eis dois outros intervenientes externos poderosos, alinhados com Israel, que contribuem para distorcer a política britânica.

A classe dos bilionários, uma elite transnacional que não tem qualquer lealdade para com a Grã-Bretanha, interfere na nossa política, tornando os nossos partidos políticos dependentes das suas doações. Utilizam o seu dinheiro para comprar influência junto dos principais partidos – e é por isso que, há décadas, pouco importa se votamos nos Conservadores ou no Partido Trabalhista. De qualquer forma, temos austeridade, enquanto os bilionários obtêm autorização para as suas guerras intermináveis, desviando a riqueza pública dos serviços públicos para as indústrias de armamento e para a apropriação de recursos.

Jeremy Corbyn tentou romper com este modelo, financiando o Partido Trabalhista com pequenas doações de pessoas comuns, em vez de recorrer aos bilionários. Como resultado, foi destruído por uma campanha orquestrada pelos bilionários, em associação com Israel e os seus trolls, para o difamar como antissemita.”


Keir Starmer, o sucessor de Corbyn, voltou imediatamente pedinchar dinheiro às grandes empresas, conseguiu o apoio dos bilionários e deu continuidade ao programa de austeridade.

Será que o partido «Reform», de Nigel Farage, é diferente? Claro que não. Mesmo antes de chegar ao poder, ele depende de «criptomiliardários» que vivem na Tailândia e em Hong Kong.

Entretanto, Elon Musk está ocupado a mobilizar as novas «camisas negras» britânicas, lideradas pelo vigarista reincidente Tommy Robinson, para perseguir alguns migrantes «ilegais», em vez de identificar os verdadeiros criminosos que estão a destruir a Grã-Bretanha: os super-ricos como o próprio Musk.

Os bilionários exercem e ocultam a sua influência através da propriedade dos media corporativos. Utilizam os meios de comunicação para promover agressivamente as suas próprias causas — políticas e medidas económicas que garantem o seu enriquecimento contínuo —, normalizando a ideologia extrema do capitalismo neoliberal, com a sua promoção da extração interminável de recursos através de guerras sem fim e do fomento do consumo desnecessário.

A consequência é a destruição das condições de vida humana no planeta. Os bilionários esperam poder sobreviver à catástrofe nos seus bunkers ou congelar os seus corpos até um momento no futuro em que possam ser transferidos para a nuvem.

Uma das funções mais importantes dos media é utilizar campanhas de difamação para destruir qualquer pessoa — como Corbyn e, agora, Zack Polanski — que ameace a posição privilegiada dos bilionários ao propor um programa ligeiramente socialista de redistribuição da riqueza.

Estado vassalo

Se os media britânicos não estivessem totalmente nas mãos da classe bilionária — funcionando como o seu departamento de relações públicas —, talvez soubéssemos mais sobre o papel dos EUA na intromissão na nossa política. As recentes alegações de um suposto «complot terrorista» nas imediações da RAF Fairford — na realidade, uma base da Força Aérea dos EUA que finge ser britânica e a partir da qual os EUA têm travado uma guerra ilegal de agressão contra o Irão — deveriam ter-nos lembrado de que o Pentágono está, em grande medida, no comando da política externa do Reino Unido.

Os EUA têm cerca de 15 bases militares importantes em solo britânico, além de meia dúzia de instalações de serviços secretos de menor dimensão. Como observou recentemente o podcaster norte-americano de direita Tucker Carlson, o facto de a Grã-Bretanha estar repleta de tropas estrangeiras faz de nós pouco mais do que um «Estado vassalo» ocupado.

Os EUA anunciaram recentemente uma modernização no valor de 4 mil milhões de dólares das suas bases no Reino Unido, incluindo a criação de locais de armazenamento para o seu arsenal nuclear. O plano mal suscitou algum interesse entre os políticos britânicos ou os media.

Embora a nossa classe política e os media finjam que o Reino Unido é um parceiro em pé de igualdade numa aliança de defesa ocidental, a NATO, a realidade é muito diferente. A NATO recebe ordens dos EUA, cumprindo as instruções de Washington. É por isso que a NATO tem vindo a orientar-se para a China, rival económico de Washington, que, como é óbvio, não fica nem de longe no Atlântico Norte.

Quando os EUA estalam os dedos, a Grã-Bretanha fica em posição de sentido e aumenta as suas despesas com as indústrias de guerra. Juntamente com os governos europeus, o Reino Unido está disposto a esvaziar os cofres do Estado e a reduzir drasticamente a despesa pública com ainda mais cortes de austeridade para apoiar a agenda militar de Washington para o «domínio global em todo o espectro».

Influência oculta

Grande parte da influência dos EUA na política britânica é cuidadosamente ocultada, operando à porta fechada. No início da década de 2010, os EUA procuravam desesperadamente um pretexto para extraditar Julian Assange do Reino Unido e prendê-lo numa prisão de segurança máxima, mantendo-o fora da vista do público depois de a sua organização, a Wikileaks, ter revelado crimes de guerra cometidos pelos EUA e pelo Reino Unido no Afeganistão e no Iraque. Foi durante este período que Sir Keir Starmer, na qualidade de procurador-geral, viajou repetidamente para Washington para reuniões secretas com responsáveis norte-americanos. Nunca saberemos o que foi discutido. Pedidos ao abrigo da lei da liberdade de informação revelaram que os seus próprios funcionários destruíram todos os registos dessas reuniões. Assim que se tornou político, Starmer foi recrutado para a obscura Comissão Trilateral, fundada originalmente na década de 1970 por responsáveis da administração de Jimmy Carter para lidar com o suposto problema de «um excesso de democracia» nos EUA. A opinião da comissão era que os eleitores se estavam a tornar menos passivos — na altura, devido à guerra do Vietname — e que era necessário encontrar formas de os fazer regressar à docilidade.

Um projeto britânico-americano semelhante consolida os laços entre as estrelas em ascensão da política, dos negócios e do jornalismo britânicos e as elites de Washington. O desequilíbrio de poder entre as duas partes garante que os líderes britânicos em ascensão sejam prontamente preparados para uma visão de mundo atlantista, na qual o Reino Unido é, sem dúvida, o parceiro secundário.

Há uma infinidade de outros «respeitados» lóbis e organizações cujo papel principal é incutir as ideias políticas dos EUA, especialmente as relacionadas com a política externa, no pensamento das elites britânicas. Entre eles contam-se o Grupo Bilderberg, a Chatham House, o Conselho de Relações Exteriores, o Conselho Atlântico, o Grupo Parlamentar Britânico-Americano e a British-American Business.

Os EUA utilizam o seu poder financeiro através destas e de muitas outras organizações para fabricar consentimento para as suas ideologias neoliberais e neoconservadoras extremas. O exemplo mais recente são as subvenções avultadas concedidas a organizações dispostas a exportar a ideologia MAGA de Trump para o Reino Unido, disfarçadas de «educação pública».

Há inúmeras provas que demonstram que foi a pressão da administração Trump que levou à decisão sem precedentes do governo de Starmer de classificar um grupo de desobediência civil, a Palestine Action, como organização terrorista, pela primeira vez na história da Grã-Bretanha. A Palestine Action tinha indignado Israel ao ter como alvo as suas fábricas de armas em solo britânico, destacando assim mais um aspeto da conivência britânica no genocídio de Gaza, e tinha enfurecido Trump pessoalmente ao pintar num dos seus campos de golfe na Escócia a frase «Gaza não está à venda».


Na verdade, as formas como os EUA se intrometem diretamente na política britânica são tão numerosas que é praticamente impossível quantificá-las. A Grã-Bretanha é pouco mais do que uma colónia dos EUA, recebendo imposições sobre questões importantes de política externa — especialmente no que diz respeito aos interesses dos EUA e de Israel — às quais o Reino Unido está invariavelmente com demasiado medo de se opor.

Burnham já está a ceder para reverter a decisão do Reino Unido de acatar um acórdão do Tribunal Internacional de Justiça e de outros tribunais internacionais, segundo o qual a Grã-Bretanha não tem qualquer direito de soberania sobre as Ilhas Chagos e deve devolvê-las às Maurícias. O Reino Unido enfrentou uma reação furiosa de Trump sobre o assunto, porque os EUA mantêm uma base militar ilegal numa das ilhas.

A desobediência por parte do Reino Unido é a exceção, não a regra. O que torna o foco exclusivo de Burnham na influência russa quase ridiculamente irrelevante. Estas acusações furiosas ao Kremlin têm um único objetivo em mente: distrair o público britânico da verdadeira origem da ingerência externa na nossa política.