segunda-feira, 27 de março de 2017

Cabras comem erva à beira da estrada e previnem incêndios

  • João Marques, pedreiro de profissão, criou peças escultóricas para colocar na Serra de Arada, vítima dos grandes incêndios de 2016.
  • FASE é o acrónimo de Fórum Ambiental, Social e Económico, uma associação criada por dezenas de associações e centenas de cidadãos em nome do ambiente, do desenvolvimento local e da economia social e solidária. Expresso.
  • Em West Sacramento, 400 cabras fazem parar o trânsito para atravessarem a avenida Jefferson e comerem a erva que cresceu imenso junto da berma das estradas. Alimentam-se, limpam o terreno e combatem possíveis incêndios. Passados alguns dias, mudam de poisam e fazem o mesmo. Será que o Trump gosta deste esquema?


Reflexão: quem lê o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?

Imagem captada aqui.

No Ambiente Ondas3, os três textos mais populares dos últimos oito dias foram, segundo a Google Analytics:
Durante o mesmo período, as visitas vieram dos seguintes países, por ordem decrescente: Portugal, EUA, Brasil, Índia, França, Alemanha, Espanha, Austrália, Bélgica e Suíça.

Ainda durante este período, a proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa foi a seguinte: Espinho, Lisboa, Porto, Boston, VNGaia, San Jose, São Paulo, Leiria e Kolkata.

domingo, 26 de março de 2017

O maior sol artificial do mundo vai produzir hidrogénio

Foto de Karim Sahib/AFP/Getty Images
  • Cientistas alemães estão a testar o que chamam «o maior sol artificial do mundo», que esperam possa preparar o caminho para a produção de hidrogénio para usar como combustível verde. O sistema chamado Synlight, desenvolvido pelo Centro Aeroespacial Alemão, perto de Colónia, é uma plataforma de 149 projetores capazes de produzirem luz cerca de 10 mil vezes mais forte do que a luz solar normal. Reuters.
  • Kay Holtzmann, um ex-colaborador da Shell, acusa a petrolífera de ter escondido dados acerca dos impactos provocados na saúde das pessoas por dois enormes derrames de petróleo em duas comunidades nigerianas em 2008 e 2009. The Independent.
  • Uma empresa sul-coreana entrou na corrida a projetos nucleares britânicos, numa altura em que a indústria enfrenta enormes dúvidas em relação a questões de segurança e de custos. A Kepco afirmou estar interessada em participar com a NuGen, detida a 60% pela japonesa Toshiba e 40% pela francesa Engie, no desenvolvimento da central nuclear de Moorside, perto da famigerada Sellafield. The Guardian.

Reflexão – O Brexit foi provocado pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas?


O Brexit foi provocado pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas?
Sim, diz Al Gore, vice-presidente de Clinton entre 1992 e 2000 perto de ser eleito presidente dos EUA em 2000. Fê-lo em Londres, durante a apresentação do seu novo documentário An Inconvenient Sequel: Truth to Power, sequela do seu An Inconvenient Truth.

As condições climáticas extremas no Médio Oriente, nomeadamente na Síria, - que sofreu a sua pior seca em 900 anos -, despoletaram movimentos migratórios em massa para a Europa, o que causou ainda mais instabilidade dentro da União Europeia e ajudou os eleitores britânicos a defender a saída da UniãoExpress.

Bico calado


Novos números publicados pelo Instituto Universitário das Nações Unidas para Pesquisa em Economia do Desenvolvimento fornecem uma discriminação por país das perdas fiscais estimadas para a transferência de lucros pelas multinacionais. Aplicando uma metodologia desenvolvida por investigadores do Fundo Monetário Internacional a um conjunto de dados melhorado, os resultados indicam perdas globais de cerca de 500 biliões de dólares por ano. 
As perdas são mais acentuadas nos países de baixos rendimentos em relação ao PIB e em proporção ao total das receitas tributárias.

Os dados mostram que enquanto as maiores perdas ocorreram em economias ricas como os Estados Unidos, os países pobres foram as maiores vítimas da transferência de lucros. Alguns países, como a Argentina (4,42%) perderam uma proporção significativa de seu PIB para a transferência de lucros. No Chade, as perdas estimadas para a transferência de lucros foram maiores do que todos os impostos (não relacionados com recursos) cobrados no país naquele ano. No Paquistão, as perdas foram de 40% das receitas fiscais. Embora as estimativas deste fenómeno deliberadamente oculto sejam necessariamente incertas, a ordem de grandeza indica que o desenvolvimento económico dos países pode, em alguns casos, ser significativamente minado pelas atividades das empresas multinacionais.

As perdas calculadas para cada país podem ser vistas neste mapa global interativo.
Uma planilha com os dados pode ser consultada aqui.
O estudo completo pode ser encontrado aqui.

sábado, 25 de março de 2017

Petrolíferas investem em eólicas no mar

Ilha do Pico, Açores. Imagem colhida aqui.
  • As grandes petrolíferas começam a desafiar a concorrência na instalação de aerogeradores no mar. A Shell, a Statoil ASA e a Eni já avançaram com projetos de parques eólicos no Mar do Norte, ultrapassando concorrentes como a Dong Energy e a Vattenfall em leilões para contratos de compra de energia. Bloomberg.
  • O colapso de uma lixeira que vitimou dezenas de pessoas na Etiópia foi um desastre provocado pela mão humana. Em 2013, a agência francesa de desenvolvimento (AFD) deu ao governo de Addis Abeba 20 milhões de euros para fechar e reabilitar Reppi e construir um novo aterro em Sendafa, cerca de 25 milhas fora da capital, no estado de Oromia. Entretanto, Oromia tem sido palco de violência generalizada desde novembro de 2015. Tudo depois da divulgação de um projeto para integrar o desenvolvimento de Addis Ababa com os arredores de Oromo. Enquanto o governo insiste que o projeto representa um progresso harmonioso, os adversários consideram-no um truque para capturar terras, o que significaria o despejo de milhares de agricultores de Oromo. O lixo passou, entretanto a ser levado para Sendafa, até que os agricultores locais se queixaram e revoltaram por a lixeira estar a contaminar a água e o gado. O Por isso, o lixo voltou a ser despejado em Reppi, apesar de as autoridades saberem que Reppi era instável e tinha atingido o ponto de saturação. The Guardian.

Reflexão - a geoengenharia no controlo das alterações climáticas já não é teoria da conspiração

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Legenda à imagem:
Tem um problema com alterações climáticas? 
Experimente pulverizar a estratosfera com aerossóis, a solução rápida e eficaz!
Aviso! Possíveis efeitos secundários: alterações no ciclo hidrológico, secas, perda de ozono, aquecimento da camada superior da atmosfera, alterações nos ecossistemas…
Consulte primeiro o seu advogado.

Cientistas da universidade de Harvard vão lançar dentro de algumas semanas o maior estudo de geoengenharia solar do mundo. O programa de pesquisa inclui o envio de injeções de aerossóis para a atmosfera superior da Terra para estudar os riscos e benefícios de uma futura solução de tecnologia solar para as alterações climáticas. 
«Este não é o primeiro ou o único estudo universitário», disse Gernot Wagner, co-fundador do projeto, «mas é certamente o maior e o mais abrangente».

Alguns cientistas climáticos das Nações Unidas vêem estes projetos com alarme, temendo a transferência de dinheiro de tecnologias comprovadas de mitigação, como a energia eólica e a solar, para projetos com potencial para desastres não intencionais.
Kevin Trenberth, lider do painel intergovernamental das NU sobre mudanças climáticas afirmou que o desespero perante o arrastar de soluções para as alterações climáticas e a ascensão de Donald Trump tinham alimentando a atual tendência tecnológica.
«A geoengenharia solar não é a resposta», sublinhou. «Cortar a radiação solar afeta o clima e o ciclo hidrológico. Promove a seca. Desestabiliza as coisas e pode causar guerras. Os efeitos secundários são muitos e os nossos modelos ainda não são suficientemente bons para prever os resultados».

Um estudo do Met Office de 2013 considerou que a pulverização de partículas finas na estratosfera poderia precipitar uma seca calamitosa no norte da África.
Frank Keutsch, professor de ciências atmosféricas em Harvard, que liderou a experiência, disse que o desenvolvimento de um sistema de geoengenharia solar era «uma perspetiva aterradora» que ele esperava nunca ter de ser considerado. «Ao mesmo tempo, nunca devemos sobrepor a ignorância ao conhecimento numa situação como esta», acrescentou.
«Se você injetar calor na estratosfera, isso pode mudar a quantidade de água transportada da troposfera para a estratosfera, e o problema é calcular ou prever o volume de consequências em efeito dominó. Para quantificar isso será necessário começar com estudos laboratoriais e tentar entender as propriedades relevantes desses aerossóis.»

Bill Gates e outras fundações estão a financiar substancialmente o projeto, e presume-se que as empresas aeroespaciais estarão a considerar o interesse comercial da tecnologia.


Mão pesada

A fábrica de antibióticos e produtos farmacêuticos Atral Cipan, na Vala do Carregado, tem 15 dias para remover uma conduta ilegal que ligava a empresa ao rio Tejo. O Mirante.

Bico calado

Rembrandt. Imagem colhida aqui.
  • «Eu sou dos que gastam dinheiro em álcool, mas confesso que a minha dúvida, quando vou para borga, é sempre a mesma: “bebo mais um Famous Grouse ou poupo para pagar uma tese de mestrado a um indivíduo que perceba disso e aldrabo o meu currículo?” (…) Resumindo, percebo que um indivíduo com o ar do Dijsselbloem ache que para ter mulheres é preciso pagar. Felizmente, não tenho esse problema. O meu problema tem sido o dinheiro que tenho gasto com homens, dado que não há banqueiros do sexo feminino. Em Portugal, temos um vício terrível em gastar dinheiro com malta do sexo masculino, basta dizer que o Mexia ganhou 5,5 mil euros por dia na EDP em 2016. Ou seja, acabo a gastar uma fortuna com um homem e depois não posso desfrutar do sexo feminino, na sua plenitude, porque tenho de apagar a luz porque está caríssima. No fundo, isto não passa de inveja. Temos boas praias, mulheres bonitas, bom vinho, boa comida e eles têm tulipas. E só não temos mais para gastar nos nossos belos vícios porque muitas das nossas empresas fogem para os “paraísos fiscais” na Holanda. Dá vontade de beber para esquecer.» João Quadros in O holandês erranteJNegócios 24mar2017.
  • «Será então que o ministro holandês se limitou a exagerar os seus preconceitos, em contraste com a frieza equilibrante dos burocratas europeus, nada dados a exageros? A experiência diz que não. Afinal, tivemos a Grécia (vendam as ilhas, dizia um ministro alemão). Afinal, temos Guenther Oettinger, o comissário europeu promovido para dirigir o Orçamento e que exigia que os países endividados ficassem com a bandeira a meia haste (além de outras aleivosias racistas). Afinal, temos Juncker, que afirma que a França deve ser isenta das obrigações dos Tratados por ser a França. Se portanto nos perguntamos se Dijsselbloem é simplesmente uma anedota que se pode descartar com o abanar da mão, a prudência pede que se olhe para a floresta e não só para a árvore: o homem foi simplesmente a voz do governo europeu. Claro que em Portugal, apesar da indignação espraiada até entre os partidos de direita contra “as mulheres e os copos”, ainda sobrou a brigada conservadora que veio defender Dijsselbloem. Helena Garrido já tinha dito que o chefe dele, Schauble, tinha razão, aliás os chefes têm sempre razão e, se anuncia que vem um resgate, é porque sim e até é um favor que nos faz. Camilo Lourenço, um homem do CDS, alinhou imediatamente com Dijjselbloem, que andava tudo a exagerar e no fundo o homem tem razão. José Manuel Fernandes reconhece, pesaroso, que a frase é “infeliz”, para logo também concluir que tem razão. Mais ainda, entusiasmado com a ideia, Fernandes ensaia no Observador a sua própria versão do dijsselbloemês, advertindo-nos paternalmente: “a próxima vez que um filho vosso (ou um irmão) que está em riscos de chumbar o ano vos vier pedir dinheiro para ir ‘com a malta’ para ‘a noite’ na véspera de um exame decisivo, passem-lhe logo o cartão do multibanco e o respectivo código, não vá ele acusar-vos de ‘moralismo’ e ‘preconceitos’, talvez mesmo de ‘xenofobia’, porventura de ‘racismo’ e ‘sexismo’. Como sabem, assim ele irá longe na vida”. Este catálogo de pecados é maravilhoso e serve para explicar porque é que Dijsselbloem, no fim das contas, é como o nosso pai quando cuida de nós e não cede à tentação de nos deixar ir para a “noite”. Os conservadores continuam a lastimar a falta do Diabo, que vinha e não veio, e ficam-se por agora pela certeza de que “copos e mulheres” ou os “copos” e a “noite” na “véspera de um exame decisivo” nos levam pelo caminho da condenação aos infernos. Ainda não perceberam que de inferno sabemos todos muito, vivemos a caminho dele desde que Passos Coelho nos explicou que, com a troika, precisamos mesmo de empobrecer – sem “copos” e sem “mulheres”, diria o presidente do EurogrupoFrancisco Louçã in Em Roma já não sobra nada - Público, 24mar2017

sexta-feira, 24 de março de 2017

São Pedro da Cova: 10 milhões para descontaminar solos

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Autarquias sem glifosato. 
  • No Dia Mundial da Água deste ano, a ONU  pediu que as águas residuais fossem muito mais tratadas e recicladas. Tudo porque mais de 80% das águas residuais são descartadas no ambiente sem qualquer tratamento e, por isso, a água com bactérias, nitratos, fosfatos e solventes é descarregada em rios e lagos, acabando por desaguar nos oceanos, com consequências nocivas para o ambiente e para a saúde pública.
  • O Ministério do Ambiente vai disponibilizar 10 milhões de euros para descontaminar os solos em São Pedro da Cova, Gondomar, e remover as mais de 100 mil toneladas de resíduos perigosos, depositados nas minas locais. O caso remonta a 2001/2002, quando toneladas de resíduos industriais perigosos provenientes da Siderurgia Nacional, que laborou entre 1976 e 1996, foram depositadas nas antigas minas de São Pedro da Cova. Ao longo dos anos foi avançado que existiriam 88.000 toneladas de resíduos, mas o caderno de encargos do concurso público feito com vista à primeira remoção, que decorreu entre outubro de 2014 e maio de 2015, aludia a 105.600 toneladas. Em fevereiro, o Ministério Público acusou seis arguidos da prática de um crime doloso de poluição com perigo comum, relacionado com a deposição de resíduos perigosos em São Pedro da Cova, Gondomar. A procuradoria revelou que três dos suspeitos são membros do conselho de administração de uma sociedade à qual cabia dar destino aos resíduos, já os outros três são responsáveis de sociedades que tinham a disponibilidade das escombreiras. Segundo a acusação, os arguidos conheciam a perigosidade dos resíduos, mas afirmaram ser inertes para possibilitar a operação de remoção e deposição, usando para tal um estudo que sabiam não ter virtualidade para essa caracterização. Observador.
  • Waldomiro Costa Pereira, proeminente ativista dos direitos da terra (MST), foi morto a tiros por cinco homens armados no hospital de Parauapebas, Brasil, onde estava a recuperar de uma anterior tentativa de assassinato. BBC.
  • Em profunda crise económica, a Venezuela testemunha uma corrida ao ouro. Desesperados e sonhando enriquecer depressa, muitas pessoas arriscam a vida num submundo sem lei, em contato com a malária e o envenenamento através do mercúrio. IBTimes.

Bico calado

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Esquema russo de lavagem de dinheiro passou pelo offshore, perdão, zona franca da Madeira. Pelo menos duas empresas portuguesas referenciadas na investigação jornalística «The Russian Laundromat», sobre um esquema de lavagem de dinheiro criado na Rússia que entre 2011 e 2014 terá branqueado mais de 20 mil milhões de dólares, a partir de 19 bancos russos. A Endutex, têxtil instalada no distrito do Porto, e a Fabesco Consulting Unipessoal Lda, empresa que esteve instalada na Zona Franca da Madeira, foram o destino final de 229 mil dólares oriundos de contas que alegadamente integraram o esquema russo de branqueamento de capitais. Expresso.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Tejo: cádmio, chumbo e fósforo matam-no

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  • Água não cobrada gera perdas de 235 milhões de euros ao ano no país, lamenta a Zero. DN. Os ambientalistas da Zero, depois de longos anos de «estágio» na Quercus, vieram realçar aspetos económicos e financeiros do negócio da água em vez de apelarem ao investimento na conservação e gestão socialmente sustentável deste líquido precioso. É pena a água ser vista como uma mercadoria e não como um bem comum.
  • Cádmio, chumbo e fósforo poluem o Tejo, revelam as análises feitas nas albufeiras mais próximas da fronteira. DN. E medidas de combate?

Barcelona lidera frente comum para a remunicipalização da água

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  • Barcelona lidera uma frente comum de 7 municípios que pretende remunicipalizar a água. Tudo porque as privadas que exploram o negócio não tratam a água como um bem comum mas sim como uma mercadoria. El País.
  • No Dia Mundial da Água, convém relembrar que Israel sonega água à Palestina. A denúncia é da Amnistia Internacional.
  • Os 38 milhões de toneladas de cascas de laranja, mandarina e toranja produzidas anualmente podem vir a ser recicladas e aplicadas na limpeza de águas contaminadas por metais pesados e compostos orgânicos, garantem investigadores espanhois e mexicanos da Universidad de Granada, do Centro de Investigación y Desarrollo Tecnológico en Electroquímica e do Centro de Ingeniería y Desarrollo Industrial, no México. La Vanguardia.
  • O comboio é 12% mais rápido do que o avião em trajetos entre cidades europeias. É também o meio de transporte menos poluente: produz apenas 1% das emissões de gases de efeito de estufa registados no setor dos transportes. Conclusões do Laboratorio de Ecoinnovación, citadas pelo Energías Renovables.
  • O Malawi destacou patrulhas militares para defenderem as principais florestas do país. Objetivo: defender as reservas de água que abastecem a capital do país. Reuters.
  • Isidro Baldenegro Lopez foi assassinado em 15 de janeiro deste ano. Defendia as florestas autóctones da sua comunidade, os Tarahumara, México e, por is, foi um dos vencedores do prémio Goldman de 2005. Já o pai, Julio Baldenegro, tinha tido o mesmo destino em 1987 e por se opor contra o abate massivo de floresta na sua região. Quinze dias depois, Juan Ontiveros Ramos, outro líder e ativista ambiental de Tarahumara, teve o mesmo fim. Entre 2010 e 2015, pelo menos 33 ativistas ambentais foram assassinados no México. LATimes.
  • A Pepsi, a McDonalds, a Nestlé, a Unilever e a a Procter & Gamble estão envolvidas na destruição ilegal de habitats críticos do elefante, do tigre e do orangotango em Sumatra. Tudo porque, segundo a investigação da Rainforest Action Network, estas marcas têm patrocinado o abate generalizado de florestas autóctones para permitir a monocultura do óleo de palma a cargo da gigante Wilmar. Alternet.
  • Os rios Ganges e Yamuna passam a ter personalidade jurídica, o estatuto jurídico de entidades humanas vivas, conta a BBC. A Nova Zelândia fez o mesmo, há pouco tempo, em relação ao rio Whanganui. 
  • As autoridades nipónicas lançaram uma caça generalizada aos porcos que abandonaram a serra e se instalaram em Fukushima a partir de 2011. Por registarem elevadíssimos níveis de radioatividade, representam um perigo para a saúde pública. EnviroNews.

Mão pesada

  • A Thames Water foi multada em 20 milhões de libras por despejos de esgotos não tratados  ETARs de Aylesbury, Didcot, Henley, Little Marlow e Littlemore em 2013 e 2014. The Guardian.
  • Um britânico foi condenado a pagar multa de 7 mil libras e a pena de prisão de 20 meses por despejo de resíduos em vários sítuos rurais de Devon. O indivíduo ainda anda a monte… GovUK.

Bico calado

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  • «Ah, o que o noticiário de ontem me trouxe de arte e luxúria! Passeei-me pela Holanda, quando ela era grande e não só entreposto de impostos dos outros. Rembrandt em autorretrato, uma mão pousada no nadegueiro da sua mulher Saskia e outra levantando o cálice. Mulheres e copos. (…) E eu, confesso, não gastei o meu dinheiro num curso rápido sobre a pintura holandesa. Limitei-me a ler uma brochura da Académie Amorim, fundação de Américo Amorim, um homem do Sul da Europa, grato ao vinho e à cortiça. A brochura chama-se O Copo de Vinho na Pintura Holandesa na Idade do Ouro, porque os verdadeiros europeus estão gratos à grande Holanda.» Ferreira Fernandes in Resposta ao pequeno holandês - DN 22mar2017.
  • «Como se explica a um holandês, líder dos socialistas locais, que há países onde as mulheres não estão à venda junto com uma garrafa de champanhe? Que nem tudo na vida são negócios? Que no sul temos o hábito de fazer amor sem gastar dinheiro? Porque amamos, desejamos, queremos e não porque isso faz subir bolsas ou alegra mercados? Que os meus colegas holandeses decentes hoje taparam a cara com vergonha alheia e - sem culpa - me pediram desculpas? Aconselho o bronco em causa a um estágio de boa educação e internacionalismo junto dos estivadores dos Países Baixos - sem ironia, têm muito para lhe ensinar, de política a chá.» Raquel Varela, FB.
  • O Deutsche Bank, que emprestou 300 milhões de dólares a Donald Trump, está envolvido num escândalo de lavagem de dinheiro protagonizada por criminosos russos com ligações ao Kremlin, conta o Guardian.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Espinho: árvore implora folhas


21 de março de 2017, Dia Mundial da Árvore. Em Portugal, um pouco por todo o lado, gente importante fez questão de posar para a fotografia, fingindo plantar uma árvore do princípio ao fim, ferramenta em estreia absoluta e mãos ignorantes de calos. 

Em Espinho, no pacato recreio de uma escola primária, uma árvore mandada decepar por gente que diz saber da poda, ergue os braços ao céu implorando a vinda de rebentos e folhas, que teimam em não brotar mesmo com tanto sol. Uma bandeira nacional, pregada ao tronco durante a euforia do europeu de futebol, jaz a meia haste, em luto por tanta falta de sensibilidade. Terá esta árvore e a irmã ao lado secado?

Em outubro de 2014, era este o aspeto deste mesmo recreio, segundo imagem da Google:


SIGRE: Ministério e Sociedade Ponto Verde chegam a acordo

Carriça a fazer ninho num velho capacete pendurado numa oficina?
Arlindo Consolado Marques testemunhou e registou. Momentos mágicos!
  • O Ministério do Ambiente e a Sociedade Ponto Verde chegaram a um acordo que vai permitir repor o normal funcionamento do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos Sólidos de Embalagens (SIGRE). A Sociedade Ponto Verde, que detinha até ao início deste ano, o monopólio como entidade gestora de resíduos de embalagens, tinha anunciado que havia deixado de pagar pelos materiais da recolha seletiva, colocados nos ecopontos para reciclagem, alegando custos acrescidos relacionados com as novas regras e a entrada de outra empresa na atividade. Na sequência deste anúncio, várias entidades do setor dos resíduos alertaram para a crise iminente na retoma de embalagens usadas, o que poderia impedir Portugal de cumprir metas europeias. A SPV cobra um valor às empresas que colocam embalagens no mercado (ecovalor ou ponto verde) e financia o Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), pagando os custos de recolha e triagem das embalagens realizadas nomeadamente pelas autarquias. Lusa/JNegócios.
  • A Angus Energy foi acusada de fazer um furo para extração de petróleo junto de uma cintura agrícola em Surrey sem a licença necessária. The Independent.

Reflexão - Multado em 30 mil euros por plantar mais eucaliptos?

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Multado em 30 mil euros por plantar mais eucaliptos?

Conta o jornal Região da Nazaré que o proprietário de um terreno na Quinta de Val Ventos, em Turquel, Alcobaça, foi notificado a pagar uma multa de 30 mil euros por ter plantado eucaliptos.

Esta notícia tresanda a frete. Desconfio que terá sido plantada para levantar os ânimos contra a aplicação da lei e a fiscalização e penalização de abusos, tentando fazer tudo confluir numa opinião pública favorável ao plantio de ainda mais eucalipto.

Digo isto porque é raríssimo, é excecional, um jornal português referir o montante, ainda por cima tão elevado, de uma multa aplicada a um indivíduo ou a uma empresa portuguesa que cometeu uma infração ambiental em Portugal. Enquanto no Reino Unido e nos EUA, por exemplo, se sabe quem, quando, onde e porquê foi aplicada a multa e em quanto ficou a multa, aqui em Portugal verificamos que divulgar esses pormenores e esses montantes é coisa que não acontece, quedando-se as notícias por generalidades inócuas, ambíguas e pouco claras. Assume-se, geralmente, uma espécie de sigilo que flutua entre o medroso e o envergonhado. Sei do que falo: ando quase diariamente, deste 2004, a «cobrir» temáticas ambientais no Ambiente Ondas3.

Bico calado

Foto de José Freitas 27jun2015.
  • «Portugal tem das energias mais caras da Europa. Na fatura da eletricidade, grande parte do valor não corresponde ao preço da energia, mas a rendas. São milhões de euros que, a cada mês, entram nos cofres da EDP a vários pretextos: subsidiar as energias renováveis ou continuar a compensar a EDP pelos riscos do mercado, tal como garantido desde a liberalização do setor. Os preços aumentaram muito nos últimos anos, mas nem sempre o suficiente para pagar todas estas rendas. Por isso, a EDP reclama que os utilizadores de eletricidade têm, para com ela, uma enorme dívida: a dívida tarifária. É esse o argumento que justifica novos aumentos quando, em abono da verdade, boa parte dessa dívida já nem está registada nas contas da EDP. É que a empresa já vendeu a nossa dívida a outros - a quem agora devemos como consumidores de energia - e lucrou com isso. Os lucros maravilhosos da EDP são portanto conseguidos à custa dos preços astronómicos pagos pelos consumidores de energia em Portugal.» Mariana Mortágua in Rendas da energia mais garantidas que a primavera - JN 21mar2017.
  • Relatório Mundial da Felicidade 2017Portugal é 89º em 155 países. Parâmetros de avaliação: PIB per capita, anos de expectativa de vida, apoio social, confiança (ausência de corrupção no governo e nas empresas), perceção de liberdade para tomar decisões e generosidade.
  • Poucos dias depois de Passos Coelho ter anunciado o nome de Teresa Leal Coelho como candidata do partido à autarquia de Lisboa, Carlos Carreiras, coordenador autárquico do PSD, assume em entrevista à TSF ser-lhe indiferente se a capital vier a ser conquistada pela sua colega social-democrata ou por Assunção Cristas, a cabeça de lista do CDS. O importante, aponta Carreiras, é que a Câmara não continue nas mãos do Partido Socialista. Expresso.  Este presidente da câmara de Cascais mostra mesmo que é pequenino no pensamento. 

terça-feira, 21 de março de 2017

11 já atingiram as metas de energia renovável para 2020

Foto: Norbert Rosing, National Geographic
  • A ausência de regulamentação à data, de procedimentos de retoma das embalagens separadas e da definição dos ecovalores para os embaladores vai provocar o colapso no funcionamento do SIGRE, alerta a Quercus. O funcionamento do SIGRE deveria ser assegurado através da implementação de um organismo de compensação capaz de uniformizar os critérios para o seu funcionamento, que garanta o registo dos produtores, assegure o controlo das quantidades retomadas pelos sistemas, atribua um mecanismo de alocação e quotas de mercado para cada entidade, acautele a equidade e garanta a compensação entre as entidades gestoras, administre e fiscalize o cumprimento das regras definidas e publique estudos e estatísticas sobre o mercado. A Quercus responsabiliza o Ministério do Ambiente por esta situação e apela a uma atuação urgente para implementar a adaptação ao novo modelo concorrencial, de forma a não pôr em risco a continuidade da recolha seletiva e da triagem dos resíduos de embalagem, e o cumprimento das metas previstas no PERSU 2020.
  • Em 2015, a quota de energias renováveis no consumo total de energia da União Europeia chegou praticamente aos 17%, com onze países a atingir as suas metas individuais para 2020. Contudo, os Estados-Membros já acordaram aumentar esta meta para 27% até 2030, demonstrando o papel fundamental desempenhado pelas energias renováveis na realização dos futuros objetivos da UE em matéria de energia e de redução das emissões. De acordo com a Eurostat, a Suécia lidera o ranking com mais de metade (53,9%) do seu consumo final bruto de energia proveniente de energias renováveis em 2015, seguida da Finlândia, com 39,3%, da Letónia, com 37,6%, e da Áustria, com 33%. No extremo oposto da lista, surgem países como o Luxemburgo e Malta, ambos com 5%. Portugal conseguiu que 28% do seu consumo final bruto de energia em 2015 fosse proveniente de energias renováveis. A meta nacional para 2020 é de 31%. TechITT.
  • A Dinamarca projeta a construção de uma ilha artificial de 6 km2 em pleno Mar do Norte para instalar, à sua volta, uma imensa central eólica capaz de produzir eletricidade  para cerca de 80 milhões de consumidores europeus. ABC.
  • A PHS desenvolveu, com base em investigação levada a cabo na universidade de Birmingham, processo de incineração de tampões e fraldas descartáveis, até agora um pesadelo para as indústrias de tratamento de resíduos. The Guardian.
  • Um terço das ETARs da Andaluzia não cumpre integralmente as regras estabelecidas, alertam os Ecologistas en Acción. O incumprtimento deve-se, entre outros fatores, às quantidades de nitrogénio e fósforo total registadas em mais de 12 mil amostras analisadas emtre 2013 e 2015. Ecoticias.
  • O estado do Iowa processou a Benjamin Johnson e as suas empresas Osmosis Skin Care e Harmonized Water por tentarem vender água normal a preços astronómicos alegando ter sido tratada com alta tecnologia e meios especiais de modo a proteger o consumidor contra raios ultra violetas, mosquitos portadores do vírus Zica, contra o acne e outras caraterísticas miraculosas.

Mão pesada

  • A Thames Water pode ser multada em 1 milhão de libras por responsabilidade na contaminação do Tamisa com esgotos não tratados. Tudo por causa de resíduos de tampões, preservativos e pensos higiénicos. Daily Mail.
  • O Ibama combate garimpo ilegal de ouro e apreende 19 dragas no rio Madeira. Foi ainda apreendido 1,1 kg de ouro, 3 kg de mercúrio metálico, instrumentos de garimpo e embarcações de apoio. Foram aplicados até o momento 11 autos de infração que totalizam R$ 11 milhões.

Bico calado

«Henrique Granadeiro não quer que o Ministério Público tenha acesso às suas contas bancárias na Suíça e contestou o pedido de levantamento do sigilo bancário feito pelos procuradores responsáveis pelo inquérito nos tribunais suíços. Henrique Granadeiro, que foi constituído arguido juntamente com outro ex-presidente da PT, Zeinal Bava, é suspeito de ter recebido mais de 20 milhões de euros do Grupo Espírito Santo.» Sábado.