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sábado, 24 de outubro de 2026

O BANCO MUNDIAL INVESTE 35,89 MIL MILHÕES DE DÓLARES EM FALSAS SOLUÇÕES CLIMÁTICAS, ENQUANTO AS COMUNIDADES ARCAM COM OS CUSTOS

  • Entre janeiro de 2015 e agosto de 2026, o Grupo do Banco Mundial aprovou 35,89 mil milhões de dólares em 59 projetos identificados como «falsas soluções» — iniciativas que não combatem a poluição nem as alterações climáticas, ao mesmo tempo que podem prejudicar a saúde humana ou dos ecossistemas, atrasar medidas de redução da produção ou ignorar a conservação dos recursos materiais. Destes, 40 envolveram empréstimos no valor total de 34,23 mil milhões de dólares, ou seja, 95% do montante total aprovado, agravando o peso da dívida dos países. A incineração de resíduos ocupa um lugar de destaque neste financiamento. Quarenta e dois dos 59 projetos incluem componentes de incineração de resíduos, tais como incineradores municipais de valorização energética de resíduos, pirólise ou gaseificação. Outros 10 envolvem combustível derivado de resíduos ou resíduos processados queimados em incineradores, fornos de cimento e outras instalações industriais. As conclusões revelam também lacunas na proteção das comunidades e dos trabalhadores. 18 projetos estão classificados como de alto risco, o que indica impactos ambientais e sociais adversos potencialmente significativos, sensíveis, irreversíveis ou sem precedentes. No entanto, apenas 15 projetos mencionam ou incluem planos que abordem as preocupações dos trabalhadores do setor dos resíduos, e apenas seis dispõem de um Plano de Ação de Reassentamento ou equivalente, o que levanta questões sobre os interesses subjacentes ao financiamento climático, numa altura em que milhares de milhões são canalizados para projetos que correm o risco de prejudicar as comunidades, enquanto as proteções para as pessoas afetadas continuam a ser inadequadas. Fonte.
  • Uma nova investigação da Greenpeace Canadá, intitulada «Manufacturing Petro-Populism: Exposing the secretive network of front groups shilling for Big Oil in Canada» (A criação do petro-populismo: Desvendando a rede secreta de grupos de fachada que defendem os interesses das grandes petrolíferas no Canadá), identificou uma rede coordenada de mais de 30 organizações pró-combustíveis fósseis e um grupo desconhecido de financiadores que está a influenciar a opinião pública e a política energética no Canadá, apresentando-se como vozes independentes e, em alguns casos, de base.
  • Um derrame de petróleo proveniente de um petroleiro atacado perto do Estreito de Ormuz está a alastrar-se ao longo da costa dos Emirados Árabes Unidos, obrigando ao encerramento de algumas praias e zonas costeiras. Fonte.

BICO CALADO

Foto: Robin Loznak/Zuma Press Wire/Shutterstock
  • Dois antigos Presidentes de Junta de Freguesia do Marvão acusados de fraude na obtenção de subsídio através da inflação de despesas e introdução de informações falsas. Fonte.
  • André Ventura gastou 3,7 milhões na campanha das presidenciais, o triplo de António José Seguro. Fonte.
  • Uns acampam nas praças das cidades, outros acaampam nos estúdios de televisão.
  • A Meta está a ignorar uma ordem de um tribunal brasileiro para pôr fim ao favoritismo em relação a Bolsonaro, à medida que segunda volta das eleições presidenciais se aproxima, daqui a poucos dias. Funcionários da Meta admitiram em comunicações internas obtidas por jornalistas brasileiros que o Facebook censurou as contas do presidente Lula da Silva. O Supremo Tribunal Eleitoral do Brasil afirmou que irá multar a Meta em 200 000 dólares por dia até que esta consiga demonstrar que o presidente Lula e o seu adversário de extrema-direita, Flávio Bolsonaro, apoiado por Trump, recebem tratamento igual nas suas plataformas. Têm-se registado protestos em frente à sede da Meta, em São Paulo. Fonte.

REFLEXÃO

O MAIOR ESCÂNDALO DA ATUALIDADE NUM ÚNICO TÍTULO
Ken Klippenstein, Substack. Rev. O’Lima.

«As exportações de petróleo do Médio Oriente voltam aos níveis pré-guerra», noticiou o Financial Times na quarta-feira, numa manchete que deveria estar a causar um alvoroço nos meios de comunicação, se não mesmo motins.

Pensem no que esta manchete significa. A oferta voltou ao nível em que se encontrava antes da guerra, mas os preços dos combustíveis continuam a tornar a vida num inferno para milhões de pessoas. Portanto, isto nunca foi apenas uma realidade infeliz da Guerra do Irão, como nos foi dito. Trata-se de uma especulação de preços, com as grandes petrolíferas a esconderem-se atrás da ideia de escassez em tempo de guerra como pretexto para aumentar os preços.


Disseram-nos que os preços elevados eram apenas uma realidade inevitável, uma vez que o Estreito de Ormuz estava fechado. Era uma treta na altura, como tentei alertar há meses. Agora é ainda mais difícil negá-lo.

E o escândalo vai muito além dos mais de 4 dólares por galão que as pessoas estão a pagar na bomba (ou mais de 6 dólares na Califórnia). O petróleo influencia o preço de praticamente tudo devido a custos como o transporte; por isso, quando os preços dos combustíveis se mantêm elevados, o mesmo acontece com os produtos alimentares, as passagens aéreas e até mesmo as hipotecas.

A defesa preferida do setor é que não é ele quem define o preço do crude. Tudo bem. Mas define sim o preço do que produz a partir do crude (também conhecido como os seus lucros), e é aí que está o dinheiro.

A diferença entre o que um barril de crude custa a uma refinaria e o preço a que esta vende o combustível resultante é designada por «crack spread». É a margem do setor, e esta disparou. O «crack spread» do gasóleo subiu de 33 dólares por barril em fevereiro para 92 dólares em agosto, tendo depois ultrapassado os 106 dólares no início de setembro, um recorde histórico.

Basta dar uma olhadela nos lucros da indústria petrolífera.


Os executivos do setor mal conseguem conter a sua alegria. «Os lucros ajustados do setor a jusante aumentaram principalmente devido às margens de refinação mais elevadas e a efeitos temporários favoráveis», afirmou Eimear Bonner, diretora financeira da Chevron, numa teleconferência sobre os resultados realizada a 31 de julho de 2026. Esses efeitos temporários favoráveis representaram 1,4 mil milhões de dólares para a Chevron nesse trimestre!

«O que o ambiente atual proporcionou foi a perspetiva de a PBF gerar um valor significativo para os nossos investidores», afirmou Matt Lucey, diretor executivo da PBF Energy, numa teleconferência sobre resultados realizada a 30 de julho de 2026. O «ambiente atual» é o seu eufemismo para a especulação em tempos de guerra. «Valor para os nossos investidores» significa que Wall Street ganha dinheiro enquanto você mal consegue fazer face às despesas.

O setor dirá que o petróleo bruto continua caro, e isso é verdade. O Brent atingiu quase 112 dólares por barril na quinta-feira, à medida que o Irão continua a atacar petroleiros, e o transporte de um superpetroleiro do Golfo para a China custa agora mais de dez vezes o que custava antes da guerra. Mas isso explica o preço do petróleo bruto. Não explica, porém, por que razão a margem do setor por cada barril disparou para níveis recorde, nem por que razão as empresas optaram por exportar combustível enquanto os abastecimentos internos atingiam mínimos históricos.

Até Trump reparou nisso. Ele instruiu o Departamento de Justiça a investigar se as empresas de energia estavam a praticar preços abusivos, acusando-as no Truth Social de manter os preços nas bombas elevados, apesar de o petróleo bruto que estavam a comprar estar a ficar mais barato. No entanto, na mesma frase, também não consegue deixar de se gabar da bonança de lucros. «O nosso país está a ganhar mais dinheiro do que nunca devido ao facto de o petróleo estar tão caro», afirmou Trump a 14 de outubro, num comício em Bullhead City, no Arizona. Por outras palavras, o presidente vê a bonança de lucros. Só não percebe que não é o «nosso país» que está a beneficiar com isso.


Então, porque é que não há um alvoroço? Porque a especulação descarada foi disfarçada como uma questão de «segurança nacional». Toda a gente compreende o que é a especulação de preços e toda a gente fica indignada com isso. Mas basta dizer «Estreito de Ormuz» e, de repente, torna-se um assunto para os especialistas: rotas marítimas, prémios de risco de guerra, bloqueios, lanchas rápidas do IRGC. A mensagem é que isto é demasiado complicado para si, por isso pague e confie nos especialistas «estratégicos» que percebem do assunto. Entretanto, as gigantes petrolíferas escondem-se atrás da bandeira enquanto lhe esvaziam os bolsos.

Quando o Irão fechou o Estreito de Ormuz, o petróleo encontrou uma forma de contorná-lo. Agora, são as companhias petrolíferas que estão a cobrar portagens.

LEITURAS MARGINAIS

A MINHA REAÇÃO À MAIS RECENTE FARSA DO PRÉMIO NOBEL DA ECONOMIA
Michael Hudson. Rev. O’Lima.


Deixei de me considerar economista ainda na década de 1970, quando se tornou óbvio que aquilo de que falava — principalmente dívida, balança de pagamentos, imperialismo monetário e história — não era o cerne do currículo académico.

Quando Paul Samuelson recebeu o Prémio Nobel pela sua insistência irrealista de que o comércio livre beneficiava todos os países e tornava as suas relações trabalho/capital mais equitativas, escrevi um artigo na publicação católica «Commonweal» apelando a que o prémio deixasse de ser atribuído. Era óbvio que os membros do júri eram de direita, e a Suécia já estava a caminho de se tornar a economia mais desigual da Europa no que diz respeito à concentração de riqueza nas mãos de uma estreita camada superior.

Publiquei na «Commonweal» porque fazia parte do movimento da Teologia da Libertação, apoiado pelos dois bons papas (antes de os dois reacionários se terem empenhado em desmantelá-lo). Os católicos eram o único grupo a apoiar e a publicar as minhas opiniões, incluindo o meu primeiro livro, sobre «O Mito da Ajuda», que revelava que esta era uma alavanca de exploração do imperialismo norte-americano.

E eis que chega hoje o Prémio Nobel de 2026, atribuído a dois economistas ortodoxos. Já não leio as revistas económicas dominantes e não vou a congressos de economia há mais de meio século, pelo que tudo o que sei sobre os dois novos laureados é o que li no Wall Street Journal e no New York Times.

O vencedor mais controverso, Robert Hall, de Stanford e da Hoover Institution, foi coautor do livro The Flat Tax (O Imposto Único), publicado em 1985, no qual insistia que as pessoas ricas (principalmente os gestores financeiros do setor financeiro, os senhorios absentistas e os monopolistas cujas fortunas se baseavam em rendimentos de rendas) não deveriam ter de pagar impostos mais elevados do que os trabalhadores. Este era um tema central da «Reaganomics» na altura. Ele e o seu coautor, Alvin Rabushka, afirmaram que isto seria «menos distorcionário», de acordo com a crítica do WSJ.

Hall trabalhou durante trinta anos no NBER, cuja doutrina defende que as recessões económicas são todas auto-curativas graças aos «ajustamentos de mercado», que constituem «estabilizadores automáticos». Tal como o seu co-vencedor, Michael Woodford, escreveu sobre o conceito macroeconómico keynesiano da função de consumo (a proporção do rendimento gasta em consumo) — sem mencionar o tema tabu da dívida, cujo serviço da dívida tem aumentado de forma constante em todas as recuperações económicas desde a Segunda Guerra Mundial, reduzindo o consumo em conformidade através da deflação da dívida.

Woodford alinhou-se com a crítica de Milton Friedman a Keynes, argumentando que o rácio consumo/rendimento (C/Y para os macroeconomistas) não era uma função estável, mas refletia o rendimento esperado. No entanto, não havia qualquer expectativa em relação à dívida. O objetivo desta crítica era argumentar que a redução de impostos numa recessão era inútil, porque os beneficiários não gastariam necessariamente mais se não esperassem que o ganho afetasse o seu consumo a longo prazo.

O artigo de Woodford, de 1978, foi escrito há quase cinquenta anos, numa altura em que quase não havia discussão (à exceção dos meus próprios textos, que não eram bem-vistos nos círculos mais respeitáveis) sobre como a dívida afetaria esta questão. Quando o Presidente Trump enviou o seu cheque de 2 000 dólares aos americanos em 2020, no auge da crise da Covid, a maioria dos americanos utilizou o dinheiro para pagar os seus cartões de crédito e outras dívidas, e não para consumir mais. Assim, estatisticamente, o rácio C/Y teria, na verdade, diminuído (se considerarmos o cheque de Trump como rendimento).

Mas tudo isto é um mundo diferente do passado. Woodford afirmou ao New York Times que a «política de estabilização» do presidente Obama, baseada na ZIRP — o resgate do setor bancário do colapso das hipotecas de alto risco e das apostas em derivados — «contribuiu efetivamente para uma melhor estabilização».

Mas todos sabemos o que isso fez. Quase todo o aumento da riqueza desde 2008 foi para os 10% mais ricos, especialmente o 1%, e acima de tudo para os 0,1% — graças aos constantes cortes fiscais e isenções fiscais no setor FIRE, cujos beneficiários agora dominam o resto da economia. A sua riqueza consiste em créditos de serviço da dívida e em créditos de rendas crescentes.

“A noção de «estabilização» do Comité do Prémio Nobel está, assim, em consonância com uma desindustrialização constante e com a austeridade.”

O Prémio de Economia deve ser extinto. O seu papel consiste em popularizar um conjunto de «antolhos» para impedir o público de perceber que a economia atual, sobrecarregada pela dívida, não possui «estabilizadores automáticos» ao estilo do NBER, mas sim uma constante desestabilização exponencial causada pela deflação da dívida, à medida que as economias ocidentais substituem a dinâmica clássica do capitalismo industrial pela dinâmica predatória e polarizadora do capitalismo financeiro.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

BEJA: FERTILIZANTE A PARTIR DE BAGAÇO DE AZEITONA, CASCAS DE AMÊNDOA, ENGAÇO DE UVA E RESTOS DE PODAS

  • Um novo fertilizante orgânico desenvolvido no Alentejo a partir de subprodutos agrícolas recebeu luz verde para ser utilizado em produções de agricultura biológica. Criado pela Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha, sediada em Beja, o produto batizado de NORG reaproveita matérias-primas que habitualmente seriam descartadas — como o bagaço de azeitona, cascas de amêndoa, engaço de uva e restos de podas — transformando-as num recurso valioso para o setor agrícola. A validação de conformidade agora obtida garante que o fertilizante cumpre todos os requisitos legais para este modo de produção sustentável, representando uma importante mais-valia para os produtores que procuram alternativas ecológicas. Fonte.
  • A Quercus Aveiro denunciou alegados danos ambientais nas margens do rio Marnel, em Valongo do Vouga, no concelho de Águeda, onde terá ocorrido o corte de vegetação e de árvores autóctones numa extensão considerável do curso do Rio Marnel. Fonte.
  • Os recentes motins nas Maurícias foram desencadeados principalmente pela escassez crónica de água e pelo aumento do custo de vida, o que levou a protestos generalizados e a atos de violência após um incidente em que a polícia abriu fogo. Fonte.

BICO CALADO

  • O NAZA não se resume apenas a Israel e à Faixa de Gaza. Trata-se do mal que se esconde em todos nós. Este novo filme premiado deixa-nos sem palavras, não por causa da monstruosidade do que Israel fez, mas porque serve como prova irrefutável da nossa própria monstruosidade. Jonathan Cook, Substack.
  • Um novo relatório da Amnistia Internacional descreve como, enquanto Israel perpetrava um genocídio em Gaza, as universidades colaboraram para responder aos protestos com medidas repressivas e de mão pesada, em contradição com o seu dever de proteger os direitos humanos e promover um diálogo significativo. O relatório identifica interferências e violações do direito à liberdade de expressão. Estudantes e académicos foram punidos por entoarem cânticos, baterem palmas e usarem keffiyehs, enfrentando suspensões, proibições de acesso ao campus, revogação de diplomas e ameaças ao seu estatuto de visto. Em vários casos, foram impostas sanções antes da conclusão das audiências, transformando medidas cautelares em punições e, assim, agravando o efeito dissuasor. Por vezes, as universidades prolongaram as investigações sem esclarecer prazos, resultados ou vias de recurso. Os estudantes que eram visivelmente muçulmanos e aqueles que exibiam símbolos da identidade palestiniana foram afetados de forma desproporcionada. A Amnistia revela que as universidades não agiam isoladamente, mas sim no âmbito de uma rede que encorajava a repressão, moldada pela pressão governamental, pelas orientações regulamentares, pelo lobbying de grupos de defesa e pelo aconselhamento de escritórios de advogados e empresas de segurança. Algumas universidades chegaram mesmo a partilhar estratégias jurídicas e planos de segurança com colegas de outras instituições e seguiram as instruções do Ministério da Educação, reprimindo aqueles que eram vistos como apoiantes das vítimas do apartheid e do genocídio perpetrados por Israel em Gaza. Entre as universidades mencionadas nos estudos de caso contam-se a Universidade de Oxford, a Universidade de Cambridge e a London School of Economics and Political Science (LSE).
  • Por que razão os bilionários estão tão interessados em controlar os nossos media, televisivos e online? Porque controlar o que os americanos podem ver e ouvir protege tudo o resto que lhes pertence. Thom Hartmann, Common Dreams.
  • O município de Ourique, Beja, está prestes a concluir a reconversão de um antigo imóvel municipal num complexo residencial com cinco novas habitações, localizadas em pleno centro da vila. O projeto exigiu um investimento aproximado de um milhão de euros, integralmente financiado pelo PRR. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

SE UMAS CENTENAS DE JOVENS


Se umas centenas de jovens insistem em montar tendas numa praça pública em protesto contra a crise na habitação estamos perante uma perturbação da ordem pública e crimes graves que exigem uma intervenção rápida e musculada das autoridades; se um alto funcionário do estado contrata uma empresa, a quem antes deu contratos públicos, para construir uma piscina e remodelar as casas de banho da sua casa de campo, trata-se, no pior dos casos, de um lamentável deslize de cavalheiro sanável com um pedido de desculpa.

Se meia dúzia de extremistas partem a montra de uma loja estamos perante uma acto de pilhagem e terror; se um fundo imobiliário compra 300 apartamentos e duplica as rendas no centro da cidade regista-se mais uma normal iniciativa económica. Se jovens grafitam a fachada de um banco é um acto hediondo de vandalismo; se o mesmo banco corre com os lojistas de bairro e os velhotes da mercearia para depois financiar lojas de sardinhas para turistas ou um coffeeshop para ex-pats é a economia de mercado a funcionar.

Quando os serviços públicos são mutilados e desmantelados por cortes de financiamento estamos num civilizado cenário de rigor orçamental, já uma argola no nariz ou cabelo pintado de vermelho são claros sinais de selvajaria. Quando a política fiscal beneficia grupos privilegiados trata-se de um saudável mecanismo para assegurar a competitividade, já o aumento de propinas e das taxas moderadoras é um imperativo incontornável que se resolve apertando o cinto à população.

Este sistema politico e económico precisa dos jovens como eleitores e consumidores, mas nega-lhes direitos, empregos dignos e meios de subsistência (quando a procissão da IA ainda vai no adro). Exige aos jovens flexibilidade, produtividade e disponibilidade total, mas nega-lhes o suficiente para uma vida independente e autónoma. Os jovens já perceberam isso.

Aos jovens é dito que se trabalharem muito, se reunirem as qualificações necessárias, irão realizar os seus sonhos. Se não os realizarem é por falta de iniciativa, de empenho e empreendorismo. Se as promessas não se cumprem é por fracasso individual. Os jovens estão fartos dessas justificações.

Mas a violência nas televisões é excelente: dá audiências e desvia a atenção das suas causas. E é eficaz: mostra que a contestação espontânea vinda debaixo é claramente um crime. Já destruição sistemática da sociedade vinda de cima é benéfica e necessária, não devendo passar nas televisões porque equilibra as contas, dá dividendos aos accionistas, financia os partidos, assegura avenças e sinecuras.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

BRASIL: DESFLORESTAÇÃO FORTALECEU CRIMINOSOS NA AMAZÓNIA

  • A devastação promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) na Amazônia não se resumiu à floresta. O desmonte da fiscalização ambiental, associado a ataques aos Direitos Indígenas, incentivos à exploração de áreas florestais e à política armamentista, fortaleceu grupos criminosos na região, que aproveitaram para dominar vastos territórios e oprimir as comunidades locais. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista Transportation Research Part D, desenvolvido por investigadores de instituições brasileiras e europeias com a colaboração do Ministério da Defesa. Segundo a análise, organizações criminosas ganharam terreno entre o final dos anos 2010 e o começo dos anos 2020 na Amazônia, beneficiadas pela omissão do poder público federal da época — comandado por Jair Messias Bolsonaro. Fonte.
  • Uma fuga de combustível al longo de 4 kms no rio Taff, que causou a morte de peixes e levou à emissão de um aviso para que as pessoas fechassem as janelas, foi resolvida cinco dias depois do acidente. O derrame de querosene ocorreu durante trabalhos de reparação nas instalações da GE Aerospace. Fonte.
  • O estado de Maryland gastou 15 milhões de dólares em tecnologias destinadas a reduzir a poluição proveniente de grandes explorações pecuárias, mas um novo relatório alega que projetos mal sucedidos, uma supervisão deficiente e provas limitadas de benefícios ambientais comprometeram o programa. Fonte.
  • Praga de ratos leva ao encerramento das USF da Gafanha da Nazaré. Fonte.

BICO CALADO

Foto: Miguel Szimanski.
  • Breve nota para todos os que criticam e se insurgem contra a confluência de causas nos protestos pela habitação. Já percebemos que vos irritam as bandeiras da Palestina, as do arco-íris, os cartazes contra o capitalismo insano e também contra o fascismo. Não será tanto por oportunismo ou por confusão mental de quem protesta, é simplesmente porque todas essas causas têm um inimigo comum que tem conquistado espaço na última década e que é a prepotência e o poder desmesurado de poucos sobre a vida de muitos. Nuno Camarneiro.
  • "Há uma guerra de classes em curso, é verdade, mas é a minha classe, a dos ricos, que está a fazer essa guerra - e estamos a ganhá-la” (Warren Buffett). É por muitos jovens terem percebido exactamente isso que tivemos um acampamento com tendas no Rossio, até os funcionários dos fundos terem cumprido as suas instruções, dando ordem para arrasar o acampamento e fazendo dezenas de prisões. Se for necessário farão centenas ou milhares de prisões, enquanto nos explicam que a culpa é dos imigrantes do Bangladesh e dos subsídios dos ciganos. Miguel Szymanski, As tendas do Rossio explicadas por um bilionário.
  • Síndrome de Sherwood é uma das práticas mais sujas que um estado pode usar contra um protesto: infiltrar a polícia entre os manifestantes, aumentar as tensões, provocar altercações e depois usar esse caos como justificativa para atacar todos. Fonte.
  • “Podemos dizer que na Europa temos hoje um complexo militar-mediático. O "jornalismo" institucional e empresarial serve para justificar a guerra dos Governos contra as "pessoas". Feito para nos convencer que estes jovens, esmagados pelo preço da habitação, os baixos salários, que os trabalhadores, exaustos e sem serviços públicos, são meros ladrões de lojas que não compreendem a necessidade da UE - a direcção financeira da Europa dos palácios - investir, ou sejam roubar-nos, 800 mil milhões de euros do Estado Social para a guerra e a lucrativa indústria militar de destruição em massa. Não é a roubar lojas que se fazem mudanças, não serve para nada tal acção, é injusto e burro, são aliás necessários comités de auto defesa das manifestações contra os ladrões e os provocadores, parte deles polícias, há farta prova disso, publicada até por deputados, polícias a atacar bens... É na organização política, estruturada e democrática, por conselhos, que se vence. Eles querem-nos desorganizados. Mas Brecht está hoje a ver TV, este deserto mediático que tenta roubar-nos a palavra jornalismo, quando o que fazem é spinismo, e pergunta-se - afinal o que é o crime de roubar uma loja comparado com o crime de roubar um Continente inteiro? Raquel Varela.
  • Jorge Silva Carvalho, um ex-espião, perigoso ideólogo e polícia reformado. Carlos Esperança, Ponte Europa.
  • Gouveia e Melo humilhou e condenou publicamente, a PJM e o Ministério Público trataram de construir uma acusação totalmente infundada e, finalmente e ao fim de 3 anos, uma decisão justa, muito bem fundamentada e intelectualmente séria, absolveu estes 3 honrados militares! aAntónio Garcia Pereira.
  • Sofia Liguori, uma engenheira de investigação que trabalhava na DeepMind, demitiu-se em sinal de protesto, do laboratório pioneiro de inteligência artificial da Google. Desiludida e perturbada pelos contratos militares da Google com os EUA e Israel, Liguori afirma que já não suportava trabalhar numa empresa que iria ajudar a matar pessoas ou a desenvolver tecnologia que «facilita automaticamente a escalada da brutalidade da guerra». Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

CABEÇAS FALANTES: OS COMENTADORES


“(…) Hoje, chocado com um artigo de opinião, em destaque num jornal ‘de referência’ da autoria de alguém só identificado com fotografia e nome, fui ver quem é e o que faz a personagem. Aproveitei e continuei a pesquisa, durante mais meia hora, para ver quem são e o que fazem alguns dos opinadores e comentadores nas principais televisões e jornais que habitualmente me irritam. O primeiro, apologista da repressão policial e da nova lei das rendas, que aparece, com ar de genro perfeito, de fato e gravata, é actualmente gestor do sector privado ligado a fundos de investimento, outro é dono de uma agência de comunicação, ou seja, faz campanhas para os clientes que lhe pagam, um terceiro trabalha para um grande escritório de advogados, um quarto está ligado a institutos privados que representam os interesses dos EUA, o quinto é lobista duma federação, o sexto administrador duma empresa ligada à indústria do armamento e o professor universitário é regularmente convidado para viagens aos EUA e a Israel, depois aparecem alguns lobistas, assessores e avençados disto e daquilo. Nada disto é dito ou explicado pelas televisões ou jornais no espaço que conferem a estes ‘analistas’ e ‘especialistas’.

Tirando algumas ‘vedetas’ do comentário, especializadas em generalidades e posicionadas em destaque para concorrerem mais tarde a cargos políticos, a maioria dos colunistas e opinadores não precisam de ser autoridades nas suas áreas, muito menos reconhecidas. A sua importância advém, aparentemente, de terem a sua fotografia no jornal ou busto na televisão.

Quando um serviço é ‘gratuito’, o ‘produto’ somos nós, neste caso como receptores da opinião e das narrativas que permitimos que os donos da imprensa e da televisão nos imponham. O ‘produto’ são os eleitores, que, nas próximas eleições, votarão de acordo com as opiniões que lhes foram apresentadas, dia após dia, em permanente repetição, até se tornarem factos, verdades e princípios.

Ao contrário de um jornalista que leve o código deontológico a sério (tarefa cada vez mais dificultada pela falta de autonomia editorial das redacções e a crise de emprego na Comunicação Social), os opinadores, comentadores, ‘analistas’ e ‘especialistas’ são convidados pelos donos das televisões e jornais para opinarem aquilo para que foram escolhidos. O que dizem e escrevem passa a ser relevante, porque aparece permanentemente nos jornais e nas televisões (o ‘pluralismo’ atinge-se com uma ou duas vozes, isoladas e em segundo plano, a servir de álibi).

Em vez do actual excesso de opiniões deveria obviamente haver mais jornalismo de investigação e jornalismo especializado (mas aí os resultados são incertos). Para aquilo que se pretende é mais eficaz ter pessoas a debitar opiniões e ‘análises’ em torno da sua visão do mundo que, em destaque online e em ‘prime-time’ nas televisões, fazem eco, só por coincidência, claro, das agendas e dos interesses dos donos e dos anunciantes das televisões e jornais.

Uma dúzia de cabeças a opinar sai muito mais barato e é mais fácil de manipular do que o trabalho de jornalistas, aliás, a maioria dos opinadores e comentadores opinam e comentam de borla. O filho duns amigos, muito mais novo do que eu, perguntou-me, há anos, se devia aceitar escrever uma crónica regular num jornal que não lhe pagava nada. Desaconselhei-o. Disse-lhe que, na minha opinião, o trabalho deveria ser remunerado. Ele ignorou o meu conselho e, após anos de colunas gratuitas a comentários de borla, acabou na vice-presidência dum partido.”