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quarta-feira, 22 de julho de 2026

PROSSEGUE INVESTIGAÇÃO SOBRE MINERAÇÃO EM ÁGUAS PROFUNDAS

IA
  • O Tribunal Internacional do Direito do Mar rejeitou um pedido para suspender um inquérito sobre a mineração em águas profundas apoiado pela ONU, o que significa que a investigação irá prosseguir. A investigação foi lançada pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) sobre duas subsidiárias — a TOML (Tonga Offshore Mining Ltd.) e a NORI (Nauru Ocean Resources Inc.) — ambas propriedade da empresa canadiana TMC (The Metals Company). A ISA está a investigar se estas empresas violaram as obrigações decorrentes dos seus contratos de exploração da ONU. O processo foi desencadeado quando, no início deste ano, a TMC contornou a ISA e solicitou diretamente aos EUA uma licença de exploração mineira comercial em áreas onde já detém licenças de exploração da ONU. Essa medida levantou dúvidas sobre se a TOML e a NORI estavam a cumprir os termos dos seus contratos, o que levou à abertura do inquérito da ISA. A TOML e a NORI intentaram uma ação judicial contra a ISA, argumentando que a investigação era «processualmente injusta» e carecia de «boa-fé», e solicitaram ao tribunal que a suspendesse. O tribunal permitiu que a investigação prosseguisse, mas ordenou à ISA que garantisse o devido processo às empresas — mais concretamente, a ISA deve explicar os fundamentos factuais e jurídicos da investigação e os procedimentos que estão a ser seguidos. Fonte.
  • Consulta pública até 31 de agosto: O Projeto da Concessão C-14 “Gavião” tem como objetivo construir e explorar uma nova mina subtrerrânea, em terrenos próximos da atual mina da Concessão C-9 “Aljustrel”, continuando a explorar minérios de enxofre, ferro, cobre, chumbo, zinco, prata e ouro. Fonte.

REFLEXÃO

IMAGENS ALTERADAS POR IA EM FÓRUNS DE OBSERVAÇÃO DE AVES COLOCAM A INVESTIGAÇÃO EM RISCO
Patrick Greenfield, The Guardian. Rev. O’Lima.

«Ninguém acredita que se tenha avistado um tucano na Sibéria»… Esta imagem foi gerada por IA, utilizando o ChatGPT. Ilustração: ChatGPT

Para muitos observadores de aves, registar uma espécie fora da sua área de distribuição normal é o Santo Graal. No Reino Unido, estas descobertas costumam ser notícia a nível nacional. A garça-dos-recifes-ocidental, por exemplo, normalmente encontrada em África e no sul da Europa, foi avistada numa cidade costeira no norte do País de Gales em junho e amplamente comemorada nos fóruns de observação de aves.

Mas um novo flagelo ameaça perturbar a diversão: o uso indevido da IA.

Os cientistas estão a apelar aos observadores de aves para que limitem o uso da IA na edição de imagens, devido ao receio de que isso possa comprometer a credibilidade de plataformas populares de ciência cidadã, como o iNaturalist e a Macaulay Library, que são habitualmente utilizadas na investigação científica para monitorizar a área de distribuição das espécies.

A ascensão de plataformas de IA generativa levou a um aumento acentuado de imagens falsas e retocadas de aves raras e célebres nos fóruns de fotografia da vida selvagem. Os utilizadores podem criar imagens falsas de alta qualidade em segundos — ou retocar uma fotografia, pedindo à IA para remover um ramo ou uma folha que possa estar a obscurecer parte do objeto, o que pode, inadvertidamente, introduzir alterações significativas.

Num comentário recente publicado na revista científica Nature, os investigadores denunciaram a descoberta de centenas de imagens falsas em bases de dados populares destinadas ao registo de espécies. Afirmaram que a verdadeira dimensão do problema é desconhecida — uma vez que muitas podem passar despercebidas — e que isso pode contaminar os registos recolhidos pelo público.

«A minha experiência ao navegar no Facebook nos últimos tempos é que um volume enorme de fotografias de vida selvagem são agora simplesmente imagens geradas por IA», afirmou o Dr. Alexander Lees, ecologista da Universidade Metropolitana de Manchester e autor do artigo científico. «A ideia de que poderíamos talvez utilizar essas fotografias para nos ajudar a compreender onde as espécies se encontram no espaço e no tempo é muito difícil de concretizar.»

As fraudes evidentes continuam a ser raras e são frequentemente fáceis de identificar, afirmou Lees — ninguém acredita num avistamento de um tucano na Sibéria —, mas ele refere que os observadores de aves utilizam frequentemente a IA para editar e melhorar uma imagem, e o algoritmo pode então introduzir partes de diferentes espécies de aves para criar a nova imagem.

Lees refere o exemplo de um falso avistamento de um melro-de-asa-vermelha no centro do Brasil, ave que normalmente se encontra na América do Norte e que nunca tinha sido vista nesta região do Brasil até ao avistamento relatado. A ave era, na verdade, um papa-figo-de-epauletas — uma espécie comum do Novo Mundo —, mas o fotógrafo tinha pedido a uma plataforma de IA para tornar a fotografia «mais bonita», o que levou à adição de partes do melro-de-asa-vermelha, resultando no avistamento falso.

«Os fotógrafos de vida selvagem podem ficar bastante obcecados em conseguir uma fotografia bonita, mas existe o risco de que a imagem possa, na verdade, causar problemas no futuro, quando for editada com recurso à IA», afirmou Lees.

As organizações de ciência cidadã continuam a trabalhar para compreender a dimensão do problema. No iNaturalist, uma rede social onde os entusiastas da natureza podem registar observações de plantas e animais, apenas 1 400 das mais de 610 milhões de imagens na plataforma foram sinalizadas para utilização de IA. Desde monitorizar a forma como as plantas e os animais se movem em resposta às alterações climáticas até registar novos comportamentos nas espécies, foram feitas dezenas de descobertas através da ciência cidadã.

Tony Iwane, diretor de apoio à comunidade do iNaturalist, que foi coautor do artigo publicado na revista Nature, afirmou que era improvável que a maioria destes casos fosse maliciosa, mas apelou aos utilizadores para que se mantivessem vigilantes.

«Em plataformas como a nossa, pessoas comuns estão a publicar informações que um cientista provavelmente nunca conseguiria obter em grande escala. É também quase como um sensor do que está a acontecer na Terra em tempo real: as plantas estão a florescer mais cedo? As espécies estão a deslocar-se para norte à medida que o clima aquece? Quanto mais soubermos sobre a localização das espécies, mais bem informados poderemos estar enquanto conservacionistas. Mas a informação tem de ser precisa», afirmou.

BICO CALADO

  • "O que fez o atual executivo da Câmara de Gaia? Suspendeu o Gaia+65, restringiu o 'Gaia Amiga' a quem ganha menos de 750€ e mantém a mesma linha vermelha: nunca tornar os transportes gratuitos para todos. Enquanto o Porto transforma a mobilidade num direito, Gaia insiste em mantê-la como privilégio condicionado. Se no Porto é possível… porque é que em Gaia o presidente Luís Filipe Menezes continua a dizer que não dá?" Jose Flores Martins.
  • A Câmara da Mealhada aprovou a intenção de resolução sancionatória do contrato da empreitada de construção de oito fogos de habitação na Póvoa da Mealhada após incumprimento reiterado das obrigações contratuais por parte do empreiteiro, que será alvo, ainda, de uma multa de 128.345,36 euros. Fonte.
  • O Departamento de Justiça dos EUA tem vindo a adotar sistematicamente uma abordagem mais branda em relação à criminalidade empresarial, deixando que empresas e executivos que admitiram ter cometido irregularidades fiquem impunes, sem que lhes sejam apresentadas acusações. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

CARTA AOS PROFESSORES DE TODOS OS GRAUS DE ENSINO EM PORTUGAL.
AOS ESTUDANTES E PAIS DESTE POBRE PAÍS, QUE É TAMBÉM UM PAÍS POBRE.

“(…) As detestáveis reuniões onde impera o silêncio estratégico, ou a alarvidade grunha do espírito de equipa, com professores mais velhos exercendo poder – a vários níveis – sobre os mais novos; professores que sempre se servem do tempo de serviço para jamais reconhecerem a competência científica de alguém mais novo; o compadrio universitário que põe na formação de professores, a dirigir essa formação, numa certa faculdade, quem nunca pensou sobre ensino, nada escreveu e é, como docente, uma prova cabal da ignorância e do carreirismo. Quando tudo cansa por tudo ser em Portugal uma máquina perfeita para os medíocres vencerem sempre, que fazer? Nós, os professores, nós, nós unicamente, invejando o outro, pactuando com a ignorância, cultivando-a, somos os responsáveis por esta degradação absoluta. Os estudantes, no seu português mal falado e mal escrito, na sua viciada vida refém das redes sociais, do tiktok, eles são o espelho da nossa indigência.

Pactuámos com muita coisa e não discutimos o essencial: a nossa prática didáctica, o saber que transferimos para uma geração totalmente divorciada da cultura livresca, da História, das Artes, da Literatura, das Ciências, da Matemática…

Fui ofendido na minha dignidade pessoal e profissional. A minha indignação, proporcional à minha convicção profunda de que a escola só sobreviverá se tiver professores cultos, bem pagos e livres para pensarem, isso traduz-se no meu tom de voz e postura. Não agrado nem tenho de agradar a todos. Não preciso nem quero. Porém, confesso: é triste ver tanta inveja e ódio numa classe que forma pessoas. É triste ver tanta cobardia e tanta forma insidiosa de vender a alma ao diabo. Não pactuo com e não subscrevo o servilismo, humildadezinha, esta portuguesa forma cordata de nunca chamarmos os bois pelos nomes.

Ontem, no Expresso da Meia-Noite fui, sim, duro na contenda com uma deputada da nação que não sabe conjugar verbos, que defende um ministro que mente e acusa uma classe corrompida até à medula, de tanto seguidismo e obediência nos últimos 20 anos. Uma classe que está doutrinada para facilitar, industriada para perseguir e vigiar e punir todo o professor que, culto, livre, original, corajoso, questionador, incomode o lodaçal educativo, denuncie a paz podre de escolas e universidades, de departamentos e grupos…

E não, não falo de mim, mas de muitos que, no seu quotidiano, sofreram processos de delação e perseguição por parte de colegas para os quais o professor é o classificador, o avaliador, o tutor, mas nunca o leitor, o crítico atento, o exigente que não é facilitador de aprendizagens. (…)

Hoje, em 26, pressinto que ao brutalismo e estupidez e cobardia actuais, é o medo que fará o seu caminho. A tutela dividiu-nos, fez-nos adversários uns dos outros. Funcionários pidescos e mangas de alpaca do poder. Não, não irei por aí. O chamado dever de lealdade para com a tutela fere o princípio educativo da liberdade e da consciência.

Não, nunca fui e não serei adepto do digital que, mesmo facilitando, em teoria, processos de classificação, transforma, repito, os professores em funcionários correctores de itens em catadupa, ainda por cima monitorizados. Pressinto que está em processo um sistema tenebroso, de base digital, em que todos seremos vigiados. E não posso aceitar esta classificação imposta, que estudantes e professores não pediram. Exames suspensos, uma suspeição total, a degradante imagem de escolas abertas até à meia-noite, pais e estudantes, tudo num alvoroço que, sustentado por professores, lembra o verso de Cesário “O populacho diverte-se na lama” – tudo isto merece debate profundo, profundíssimo.

Quem somos? Em que é que nos tornámos? Que gerações estamos a preparar? Não posso aceitar exames infantis, de cruzinhas e exercícios básicos e estúpidos exercícios de V/F, de espaços em branco, de correspondências.

Não posso aceitar curricula que estupidificam e, sobretudo, não posso aceitar que, na base, estes exames mintam sobre as competências reais dos estudantes de 26, os quais são brutalizados sistematicamente ao longo de toda a escolaridade obrigatória, chegando à universidade num estado de semi-analfabrutismo. Igualmente deploro o modelo concentracionário de gestão das escolas, antecâmara do regresso do poder totalitário do Reitor e da sua equipa. Isso vai gerar ínvias perseguições, declaradas formas de controlo, evidentes preferências… (…)

Não serei voz de ninguém, pois muitos o poderão fazer. Encerro aqui a minha inscrição no problema maior que temos de resolver. Nas minhas aulas, resolvê-lo-ei. E desejo que a fábrica de cretinos digitais em que a educação se está a transformar vos prove a verdade dita por Ramos Rosa no seu “Estamos nus e gramamos”. Leiam. Boa sorte, colegas.

E aos estudantes, pensem: a quem convém que não saibam escrever e pensar bem? A quem convém que nada leiam e tenham da própria vida uma visão pueril, grosseira, ou meramente sustentada pela sede de dinheiro ou pela mais nefanda incuriosidade?

E aos pais, o meu abraço solidário. Com os vossos filhos enredados nas redes sociais, esmagados por um sistema educativo que raramente os faz amadurecer felizes e conscientes, vós, pais e mães deste país, teríeis de assumir o que é mais duro: que tanto telemóvel, tiktok, digital e tanta rede social destruiu a personalidade de quem mais amam.

Sem hábitos de trabalho, reféns de jogos online, viciados no digital, sem capacidade de se concentrarem, sem nada lerem, os vossos filhos foram assassinados na sua personalidade. Todos nós estamos a pactuar para com o facilitismo, a bestialidade e a degradação dos valores humanistas…

terça-feira, 21 de julho de 2026

PAÍSES BAIXOS: REGRAS MAIS APERTADAS PARA FOTOVOLTAICAS PERTO DE AEROPORTOS

  • Os Países Baixos propõem regras mais rigorosas para a energia solar nas proximidades dos aeroportos. Esta medida surge na sequência de um incidente ocorrido em março de 2025, que obrigou a pista Polderbaan do aeroporto de Schiphol a ficar indisponível para aterragens durante duas horas devido ao encandeamento provocado pelos painéis solares. O incidente levou as autoridades holandesas a ordenar a remoção de cerca de 78 000 painéis nas proximidades e fez com que os responsáveis pelo projeto substituíssem todos os painéis restantes. Fonte.
  • Penafiel vai ter 2 parques eólicos (19 aerogeradores) instalados em várias freguesias. Fonte.
  • Comissão Europeia enfraquece regras para mercado de carbono e beneficia grandes poluidores. Fonte.
  • A Adbri, fabricante de cimento de Adelaide, Austrália, poderá queimar mais resíduos plásticos como combustível na sua fábrica de Birkenhead. Este período experimental de seis semanas enfrenta a oposição do presidente da câmara local, da autarquia e de um grupo de residentes. Alega-se maus cheiros e perigos para a saúde dos vizinhos. Fonte.

BICO CALADO

Foto: Anadolu/Getty Images
  • A Galp fixa os preços dos combustíveis não com base nos custos que suporta, mas utilizando os do mercado internacional especulativo devido às guerras, aumentando assim os seus lucros 5,8 vezes (os lucros médios subiram de 247 milhões de euros para 1421 milhões por ano). Governo, Ense e Erse, capturados pela Galp, mantêm-se passivos, nada fazem, anunciam os aumentos de preços e dizem “tudo está conforme”. Eugénio Rosa.
  • O Pentágono está a roubar aos trabalhadores pobres para financiar a guerra e enriquecer os empreiteiros. Em 2025, foi deduzido mais de 4 000 dólares do salário médio dos contribuintes norte-americanos para financiar o Pentágono; nos próximos anos, esse montante deverá aumentar, uma vez que o Congresso está a ponderar um orçamento de guerra de 1,5 biliões de dólares para 2027. Fonte.
  • PJ detém israelita que transportava drogas sintéticas para festival em Ponte de Sor. Fonte.
Cartoon: Carlos Latuff.
  • As imobiliárias israelitas estão a promover e a vender terrenos na Cisjordânia ocupada — terrenos que pertencem aos palestinianos — a compradores judeus norte-americanos. A expansão dos colonatos que está a ser promovida é impulsionada pelas contínuas expropriações de terras palestinianas. As expropriações recentes incluem aproximadamente 700 dunams para Karnei Shomron e 2 640 dunams perto de Ma’ale Adumim. Estas fazem parte de planos mais amplos, como o «plano E1», que visa construir milhares de novas habitações e dividir efetivamente a Cisjordânia em duas partes. O Estado israelita recorre a um processo em várias etapas para confiscar terras, declarando-as frequentemente «terras do Estado» alegando que estão «insuficientemente cultivadas» ou designando-as como zona militar fechada. As terras são depois arrendadas aos compradores por um período de 99 anos renováveis, mantendo o Estado a propriedade. Os colonatos são promovidos como subúrbios pacíficos e acessíveis de Jerusalém, uma estratégia que, segundo os especialistas, encobre o projeto dos colonatos e o normaliza na consciência pública. Isto é reforçado por benefícios estatais, como isenções fiscais e infraestruturas subsidiadas para os colonos. Em última análise, trata-se de uma batalha viciada, em que os direitos dos potenciais compradores judeus de Nova Iorque têm prioridade sobre os dos palestinianos, proprietários das terras, refletindo a mesma lógica de força que expulsou os palestinianos das suas casas em 1948. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

POR QUE DEIXÁMOS DE PUBLICAR NAS REDES SOCIAIS (E O QUE ISSO SIGNIFICA PARA A NOSSA SAÚDE MENTAL)
Enrique Dans, Medium. Rev. O’Lima.


Tempos houve em que as redes sociais serviam um propósito tão simples como saber o que os nossos amigos e familiares andavam a fazer. Usávamo-las para retomar o contacto com antigos colegas de turma, partilhar fotos de férias, desejar um feliz aniversário a alguém ou estabelecer contacto com pessoas com quem partilhávamos interesses. A proposta de valor residia no gráfico social: escolhíamos quem seguir e a plataforma mostrava-nos o que essas pessoas publicavam.

Essa promessa desapareceu. Não por acaso, nem porque nos cansámos delas, mas porque ligar as pessoas revelou-se um negócio muito menos lucrativo do que manipular a nossa atenção. As plataformas substituíram gradualmente o gráfico social pelo algoritmo de recomendação: deixaram de nos mostrar o que pedíamos para ver e começaram a impor-nos aquilo que, segundo os seus cálculos, nos manteria a olhar para o ecrã durante mais tempo.

O resultado é que sabemos cada vez menos sobre os nossos amigos e, em vez disso, vemos cada vez mais vídeos de estranhos a fazer coisas ridículas, controvérsias inventadas e teorias da conspiração, conteúdo sem sentido gerado automaticamente e figuras totalmente banais que confundem notoriedade com relevância. As redes sociais deixaram de ser um espaço de relacionamento e tornaram-se um canal de televisão interminável, «personalizado» através da vigilância e sem botão para desligar.

Um inquérito da Incogni mostra até que ponto este modelo chegou ao fim: 55% dos norte-americanos afirmam que publicam menos do que há cinco anos, são mais seletivos quanto a quem pode ver o seu conteúdo e quase metade já eliminou uma rede social ou uma aplicação de mensagens devido ao stress ou à ansiedade que lhes causava. Para 51%, manter uma presença online já se assemelha muito a um trabalho — um valor que sobe para 60% entre os membros da Geração Z.

Considero a expressão «parece um trabalho» extraordinariamente reveladora. Publicar implica escolher uma imagem, editá-la, escrever uma legenda, antecipar reações, responder a comentários e, depois, verificar quantos «gostos» recebeu. Cada pessoa torna-se gestora de comunicação da sua própria existência, obrigada a construir uma marca pessoal e a mantê-la ativa para que o algoritmo não a condene à irrelevância.

Isto cria uma competição constante, estressante… e inútil. Já não basta apenas viver — é preciso mostrar que se está a viver. Não basta viajar, comer, ler ou fazer exercício — é preciso demonstrá-lo publicamente e fazê-lo de uma forma suficientemente fotogénica. Cada publicação é comparada às vidas cuidadosamente selecionadas dos outros, numa gigantesca feira de vaidades onde todos parecem mais felizes, mais atraentes, mais produtivos e mais interessantes do que realmente são.

No topo desse monte de lixo encontram-se os influenciadores, que se tornaram modelos a seguir numa economia baseada na simulação da autenticidade. O seu suposto valor reside em parecerem espontâneos enquanto vendem os seus fretes ao melhor licitante. Recomendam hotéis, cosméticos, restaurantes, suplementos, roupa ou destinos turísticos sem a mínima objetividade, tornando completamente impossível distinguir uma opinião genuína e acrítica de uma mera transação comercial. A amizade simulada transforma-se em publicidade; a intimidade, numa vitrine.

Mas o problema não é apenas a banalidade do conteúdo. Por baixo deste circo reside uma infraestrutura de vigilância extraordinariamente sofisticada. A Comissão Federal do Comércio dos EUA concluiu que plataformas como o TikTok, o YouTube e o Facebook recolhem enormes quantidades de informação tanto sobre utilizadores como sobre não utilizadores, podem retê-la indefinidamente, adquirir dados de intermediários e partilhá-la amplamente. O objetivo fundamental é rentabilizar esse conhecimento através de publicidade direcionada.

Cada pausa, cada deslize, cada vídeo reproduzido e cada reação servem para completar um perfil. As plataformas não precisam que publiquemos nada — basta que olhemos. Na verdade, o afastamento dos utilizadores da participação ativa não significa necessariamente que estejam a abandonar as aplicações. Muitos deixam de falar, mas continuam a percorrer passivamente o conteúdo como zombies, como se as suas vidas e felicidade dependessem disso. É o triunfo perfeito deste modelo: menos conversa, menos comunidade e mais consumo silencioso.

É por isso que o facto de milhões de pessoas estarem a publicar menos não significa que as redes sociais estejam a recuperar a sanidade. Significa que o contrato social em que se basearam foi quebrado. Continuamos a iniciar sessão em plataformas originalmente concebidas para nos ajudar a relacionarmo-nos, mas já não encontramos lá as pessoas que procurávamos. Em vez disso, encontramos anúncios, propaganda, esquemas fraudulentos de todos os tipos, polarização, conteúdo produzido em massa e recomendações concebidas para provocar qualquer emoção suscetível de prolongar a nossa sessão.

Tal como escrevi ao descrever as redes sociais como uma experiência falhada, o problema não é que estas plataformas estejam a funcionar mal — é que funcionam exatamente como o seu modelo de negócio exige. E, no caso da Meta, pensar que alguns ajustes cosméticos, melhores controlos parentais ou novas opções de privacidade são suficientes é ignorar completamente a raiz do problema.

As redes sociais prometeram conectar-nos, mas acabaram por isolar-nos em silos, constantemente observados por máquinas que leiloam a nossa atenção. Já não resta nada de «social», apenas entretenimento sem fim, competição exaustiva e um sistema de vigilância que conhece as nossas fraquezas para nos poder vender algo no momento mais oportuno. Talvez seja por isso que já não publicamos nada: porque, finalmente, percebemos que ninguém está a prestar atenção. Apenas os algoritmos, a observar-nos em silêncio.

domingo, 19 de julho de 2026

REFLEXÃO

VAI NA VOLTA, FICA O LUCRO
Ana Inês Patrício, Sapo.

Cartoon: P eter Kuper.

“(…) A lei que criou o sistema de depósito foi aprovada pela Assembleia da República em 2018 e mandava que ele fosse obrigatório a partir de Janeiro de 2022. Arrancou em Abril de 2026. Quatro anos a empurrar com a barriga uma obrigação legal, enquanto o país continuava a deitar fora dois mil e cem milhões de embalagens por ano. E a mesma lei mandava incluir o vidro. O vidro ficou de fora, por decisão política, apesar de ser o material que está no topo da hierarquia europeia de resíduos e aquele em que Portugal mais falha as metas de reciclagem. Guardem este pormenor, que ele volta mais à frente.

Depois, a gestão. A entidade que gere o Volta é uma associação fundada pelos produtores de bebidas e pelas empresas do retalho. Dito de outra maneira: quem coloca o plástico no mercado desenha e administra o sistema que o recolhe. Não estou a insinuar ilegalidades, a entidade é sem fins lucrativos, está licenciada e é supervisionada pelo Estado. Estou apenas a fazer o que qualquer jurista aprende a fazer com o primeiro contrato que lê: seguir o dinheiro.

E o dinheiro diz o seguinte. Os depósitos que os consumidores pagam e nunca recuperam, porque a lata estava amolgada, porque a máquina estava avariada, porque não havia ponto de recolha por perto, porque a vida é curta demais para andar com lixo no carro, ficam no sistema e são reinvestidos na atividade da própria entidade gestora, desde que as metas de recolha sejam cumpridas. A imprensa já fez as contas: com a meta de 90%, o próprio modelo prevê que uma em cada dez embalagens não regresse, o que pode representar cerca de 21 milhões de euros por ano. O manual técnico da própria entidade gestora não esconde nada disto: as embalagens rejeitadas pelas máquinas devem seguir para o ecoponto amarelo, "considerando-se o depósito perdido", assim mesmo, palavra por palavra. E se uma máquina avariar, só ao fim de 72 horas de inatividade é que as embalagens podem, note-se o verbo, podem, ser recolhidas manualmente ao balcão. Repare-se na elegância do mecanismo. Cada fricção do sistema, cada máquina parada, cada rejeição, cada desistência, traduz-se em dez cêntimos que ficam do lado de lá.

Há ainda outra peça, menos visível. A lei europeia obriga a que as garrafas de plástico incorporem uma percentagem mínima de plástico reciclado: um quarto já hoje, perto de um terço em 2030. E o plástico reciclado com qualidade alimentar é escasso e caro. O Volta resolve o problema: garante à indústria matéria-prima de primeira, recolhida garrafa a garrafa, com o trabalho, a paciência e o depósito adiantado de milhões de consumidores. Nós carregamos o saco; o material com valor volta para quem o vendeu. Chama-se a isto economia circular. Às vezes, olhando bem, parece mais um circuito fechado.

O Estado, esse, também tem as suas contas. Desde 2021, cada país da União Europeia paga a Bruxelas 80 cêntimos por cada quilo de embalagens de plástico que não recicla. Portugal, que recicla menos do que a média europeia, já entregou mais de 600 milhões de euros por essa via, cerca de 200 milhões só num ano. O Volta ajuda a baixar essa fatura no único fluxo em que é fácil baixá-la. O resto continua a pagar-se, calado, com o dinheiro de todos nós.

E é aqui que chegamos à pergunta que qualquer pessoa faz na fila do supermercado, de saco na mão. Se isto é pelo planeta, porquê só as garrafas e as latas? O supermercado está cheio de plástico. A cuvete da carne, a película do queijo, o copo do iogurte, a fruta embalada em plástico dentro de plástico, tudo isso continua sem caução, sem máquina, sem conferências de imprensa. A resposta oficial fala das contagens de lixo nas praias, onde as garrafas e as tampas aparecem sempre nos primeiros lugares. E é verdade. Mas há outra resposta, menos confessável: a garrafa de plástico e a lata de alumínio valem dinheiro no mercado da reciclagem; a película da carne, contaminada e feita de vários materiais colados, vale zero ou menos do que zero. O critério de seleção não foi o perigo. Foi o valor. O plástico que dá lucro ganhou um sistema de 150 milhões de euros. O plástico que não dá continua no ecoponto amarelo, com as taxas de sempre. Quanto à fruta embalada, o regulamento europeu só a proíbe, e apenas abaixo de quilo e meio, a partir de 2030. A garrafa de água foi promovida a inimigo público número um não por ser o pior plástico, mas por ser o único que compensa recolher.

Falta falar de quem paga sem poder devolver. Quem vive no interior paga os mesmos dez cêntimos de caução que quem vive ao lado de um hipermercado, mas pode não ter uma máquina a menos de muitos quilómetros. A associação de defesa do consumidor já avisou: para essas pessoas, a deslocação pode custar mais do que o retorno. Uma caução cega, cobrada a todos, devolvível apenas a alguns.

E há um direito de que ninguém fala, a começar por quem tinha o dever de o publicitar. O reembolso em numerário pode ser sempre exigido. A máquina despacha-nos com um talão que parece amarrar o dinheiro à loja, mas esse talão pode ser trocado por dinheiro vivo ao balcão, sem obrigação de gastar lá um cêntimo. Está no manual da entidade gestora, está no desenho legal do sistema, e a DECO confirma-o. O que não está é nos ecrãs das máquinas nem nas campanhas. Dois meses depois do arranque, a DECO avisava que os consumidores continuavam sem saber que podiam exigir o dinheiro. Um direito que não se comunica é um direito que se espera que ninguém use. E cada talão esquecido na carteira, passado o ano de validade, é mais um depósito que fica do lado de lá.

Não chamo a isto greenwashing, porque seria fazer vista grossa a uma parte da verdade: o sistema vai reciclar mais e melhor, e ainda bem. O que aqui se passa é mais subtil e, por isso, mais interessante. É a velha operação de transformar uma responsabilidade estrutural num gesto individual, agora com caução à cabeça.

A senhora da lata amolgada sai da loja a sentir que falhou qualquer coisa ao planeta. Não falhou nada. O sistema é que lhe falhou a ela, e foi desenhado por quem fica com o material que ela devolve e com o depósito que ela perde. Enquanto discutimos se a tampa está presa e o código de barras legível, ninguém faz a única pergunta que a hierarquia europeia de resíduos manda fazer primeiro: porque é que continuamos a produzir 2,1 mil milhões de embalagens descartáveis por ano, e porque é que o vidro reutilizável, que resolveria parte do problema pela raiz, ficou a ver navios? (...)”

BICO CALADO

Foto: Thomas Kienzle/AFP/Getty Images

“Sabem o que ensinam os professores antes de um exame? Leiam atentamente as perguntas todas antes de começar a responder a cada uma delas, no fim revejam o exame todo, se há uma questão difícil passa para a próxima, e volta a esta mais tarde. Verifica os erros ortográficos. Dorme e come bem antes do exame. Quando sair a nota fazemos a correcção colectiva, na aula, e em cada exame está a correcção individual, se tens dúvidas vem falar comigo no final da aula e ficamos a ver juntos o exame e, ao teu lado, demonstro o que está mal, bem, o que podia ser melhor.

Sabem o que disse o Ministro aos professores? Classifiquem dia e noite itens de resposta múltipla e perguntas ignorantes, não podem ver o exame todo, não durmam nem comam, se não há resposta classifiquem na mesma, se não há nota dêem na mesma, classifiquem em vez de corrigir, não sublinhem nem apontem os erros, basta classificar métricas, se o aluno tem dúvidas paga 25 euros.

O buraco destes exames é de longe o momento mais baixo da história da educação deste país porque este buraco não é sobre educação. É sobre “competências” (não conhecimento, nem currículo) para o mercado de trabalho automatizado – mede a quantidade de vezes que o aluno carregou num botão e mandou o computador fazer algo, mede a quantidade de vezes que o professor carregou num botão e mandou o computador fazer algo. Que é o que se espera deles no mercado de trabalho: se forem ser cozinheiros no Carregado carregam num botão; se forem montar drones para matar na Palestina carregam num botão; se forem montar carros na Auto Europa carregam em botões. Mas – e aqui chegámos com a IA – se forem jornalistas ou professores carregam em botões. Chegámos ao pompt. (…)

É irrelevante, diz o Ministro, se a nota saiu, se há erros da IA na escolha múltipla, se faltam folhas, o que interessa é que saia, mandou ele! Que todo este teatro seja afixado, enquanto uma mão cheia de oportunistas, com o qual este Ministro se reuniu estas semanas e acenou com a cenoura, se prepara para em setembro começar a carreira de director não eleito, e com um salário mínimo de 4 mil euros. Por isso “deram o seu melhor” para dia e noite esta fraude (assim o dizem os grandes pedagogos), este escarro na cara dos professores, alunos e pais, ser realizado.

Não chegámos aqui do nada. As grelhas e os excel demenciais, os descritores de avaliação métrica; na Universidade os papers parcializados contam mais do que livros; nas crianças os jogos de vídeo, as play stations, os reels; na medicina, o médico a preencher descritores no computador em vez de nos tocar e olhar; no jornalismo a “isenção” da linguagem, padronizada, e os comunicados de imprensa; tudo isto abriu portas ao massivo número de dados da IA e à maior operação de proletarização das classes intelectuais da história do capitalismo, e do treinamento das crianças para “gostarem” de estar horas a fio de pescoço dobrado a carregar, como viciados em cocaína, em botões.

A epidemia de saúde mental que se vive no mundo é o reflexo da alienação massiva introduzida pela metrificação da vida e IA. Mas a resistência começou já – há manifestações por esse mundo fora contra a IA, os centros de dados, o tempo ao computador, a manipulação das crianças e jovens. Resistiremos. (…)” Raquel Varela, Vamos amar-nos sem parar.

LEITURAS MARGINAIS

ESTÃO A LANÇAR UM NOVO COINTELPRO PARA O SÉCULO XXI
Caitlin Johnstone, Substack. Rev. O’Lima.


O regime de Trump anunciou uma nova cruzada contra o «terrorismo de extrema-esquerda», o que pode parecer aceitável se não se souber que a palavra «terrorismo» significa sempre e apenas «comportamento que vai contra as agendas do império ocidental».

Os EUA impuseram sanções à relatora especial da ONU Francesca Albanese por chamar a atenção para as atrocidades israelitas em Gaza, alegando que a especialista em direitos humanos «manifestou apoio ao terrorismo». No Reino Unido, a polícia tem vindo a deter pessoas sob a acusação de terrorismo apenas por segurarem cartazes com a mensagem «Oponho-me ao genocídio, apoio a Palestine Action».

Em 2024, o governo dos EUA retirou a recompensa de 10 milhões de dólares sobre o antigo líder da Al-Qaeda, Ahmed al-Sharaa (também conhecido como Abu Mohammad al-Jolani), porque este ter facilitado os planos de mudança de regime de Washington na Síria, onde é agora o presidente em exercício. É possível ser, literalmente, um líder da rede terrorista mais notória do mundo e, mesmo assim, ver essa designação evaporar-se assim que se começa a apoiar as ambições geoestratégicas do império.

A Casa Branca anunciou ter lançado «uma ofensiva global sem precedentes contra a ameaça transnacional do terrorismo da esquerda radical», no âmbito da qual «o extremismo de extrema-esquerda será tratado com a mesma seriedade e ferocidade que o mundo há muito reserva ao terrorismo jihadista».

O jornalista Ken Klippenstein relata que, de acordo com documentos divulgados do Departamento de Estado de Marco Rubio, os grupos a serem visados ao abrigo das novas ordens incluirão «redes violentas de extrema-esquerda e anarquistas e outros atores extremistas violentos», bem como «redes violentas pró-iranianas e antissemitas» e «movimentos militantes antitecnológicos e ecoterroristas».

Esta medida baseia-se num memorando da Casa Branca conhecido como NSPM-7, uma diretiva sobre a qual os críticos vêm alertando há meses devido às suas implicações perigosamente autoritárias e à falta de aprovação do Congresso. Nas palavras do conselheiro de Trump, Stephen Miller, a NSPM-7 «ordena, pela primeira vez na história dos EUA, que todas as nossas agências de aplicação da lei e de informações secretas trabalhem em conjunto para desmantelar, identificar, privar de financiamento, excluir do sistema bancário, deter e processar judicialmente estes terroristas políticos que operam no nosso país».

Esta formulação reproduz a linguagem de um memorando do FBI de 1967 que descrevia os objetivos do programa COINTELPRO, de J. Edgar Hoover, para «expor, desmantelar, desviar, desacreditar ou, de outra forma, neutralizar as atividades de organizações e agrupamentos nacionalistas negros de caráter odioso».

Entre 1956 e 1971, o FBI liderou operações secretas no âmbito do COINTELPRO para se infiltrar e minar grupos de direitos civis negros, o Partido Comunista dos EUA, organizações de protesto contra a Guerra do Vietname e grupos feministas, com o objetivo de erradicar qualquer movimento político de esquerda significativo nos EUA. É claro que as autoridades federais nunca deixaram completamente de levar a cabo tais programas — sabe-se que grupos como o Occupy Wall Street e o Black Lives Matter foram alvo de vigilância policial e infiltração. Mas é evidente que os conservadores na Casa Branca têm como objetivo algo muito mais agressivo, e o diretor do FBI, Kash Patel, parece muito entusiasmado com a oportunidade de se tornar o J. Edgar Hoover do século XXI.

«O Secretário Rubio presidiu à Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político — sob a liderança do Presidente Trump, este FBI tem tido o orgulho de apoiar este importante trabalho através do Memorando Presidencial de Segurança Nacional (NSPM) n.º 7, que concentra os esforços das forças policiais federais na investigação e desmantelamento de organizações envolvidas em violência política e terrorismo», afirmou Patel no Twitter a respeito da mais recente escalada.

Assim, parece que os EUA estão a preparar-se para um COINTELPRO revitalizado para a década de 2020, desta vez com drones policiais e vigilância em massa apoiados por IA. À medida que os americanos se tornam cada vez mais hostis em relação ao belicismo dos EUA, cada vez mais fartos do Estado de Israel, cada vez mais convencidos de que o seu governo não se preocupa com eles e cada vez mais descontentes com o que o capitalismo desenfreado está a fazer às suas contas bancárias, à sua sociedade e ao seu mundo, os seus governantes estão a responder com o punho de ferro da tirania.

E o que torna tudo isto especialmente ameaçador é que sabemos que quaisquer medidas que eles implementem enquanto os republicanos estiverem no poder permanecerão em vigor quando os democratas assumirem o poder, porque é função do Partido Democrata impedir qualquer movimento para a esquerda nos EUA. Esta será mais uma daquelas inúmeras ocasiões em que os republicanos fizeram algo perverso e os democratas simplesmente mantiveram a situação em segredo, nos bastidores, para proteger os interesses do império capitalista. Porque é essa a sua função.

Mas o facto de isto estar a acontecer, para começar, deve inspirar esperança, não desespero. Os gestores do império não estão a intensificar o autoritarismo porque é fácil e divertido; estão a fazê-lo porque precisam. Sabem que estão a perder o controlo e sabem que são amplamente superados em número pelos seres humanos comuns que apenas querem um mundo melhor para os seus filhos. Estão com medo. E estão com medo porque estão a perder.

Continuemos a lutar.