quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Mais uma manobra do nuclear espanhol

Foto de Marco Silva 20fev2017.
  • O Terminal de Contentores de Sines foi, 6ª feira, 17 de fevereiro, palco de derrame de resíduos de hidrocarbonetos durante uma operação de descarga do produto de um navio atracado no terminal para um camião-cisterna. Rádio Sines.
  • A Espanha admite que há espaço de manobra para um diálogo com Lisboa sobre o futuro do cemitério nuclear que Madrid pretende construir junto à central nuclear de Almaraz. Este acordo amigável permitiu que Portugal suspendesse a entrega da queixa que preparava para entregar em Bruxelas. Entretanto, a Quercus considera a decisão «uma medida de caráter essencialmente político e insuficiente, e que ainda não responde às verdadeiras expectativas da sociedade portuguesa, uma vez que não dá ainda a garantia que a Declaração de Impacte Ambiental favorável à construção do ATI seja revogada e Portugal possa participar devidamente no processo de consulta pública.» Por outro lado, Francisco Ferreira, da Zero, critica a cedência do governo português, que fragiliza a posição negocial, e defende que Portugal devia ter mantido a queixaAntónio Eloy, do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), considera o acordo amigável entre Espanha e Portugal sobre a central nuclear de Almaraz «uma espada de samurai que acertou no baixo-ventre: Portugal cedeu completamente ao governo espanhol, não obteve compensação nenhuma a não ser um investimento nas redes energéticas europeias. O governo português deixou-se comprar por trocados para retirar a queixa e não fazer mais nada quanto ao encerramento da central de Almaraz».

Bico calado

Igecaptada aqui.
  • O Fisco deixou sair 10.000 milhões para offshores sem vigiar transferências realizadas entre 2011 e 2014. Público 21fev2017. «O ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais durante o Governo de coligação de Pedro Passos Coelho, Paulo Núncio, não explica por que razão o fisco não publicou, durante todo o tempo em que foi governante e tutelou a administração tributária, as estatísticas das transferências de dinheiro para contas offshores feitas a partir de Portugal. E garante que nunca soube que havia declarações (comunicadas pelos bancos ao fisco) que não tinham sido objecto de controlo pela Autoridade Tributária e Aduaneira. (ibidem).
  • «(...) por que é que nos anos mais duros do ajustamento português não foi publicada “informação estatística sobre as transferências transfronteiras”, como tinha sido determinado em 2010? Como é que, sem isso, o Governo anterior aprovou um perdão fiscal queincluiu o repatriamento de dinheiro em offshores? Como é que o fisco teve um reforço de pessoal tão signifi cativo e estas 20 transferências ficaram por ver? Como é que o fisco está tão inflexível dentro de portas e tão distraído com o que vai para fora?» David Dinis in The Lisbon Papers - Público 21fev2017.
  • Não são apenas capitais angolanos, espanhóis, norte-americanos, portugueses, que se refugiam na Madeira para poupar nas contas com o fisco: são também capitais alemães. (…) no ano de 2104, e segundo rezam as estatísticas, 1.868 empresas terão criado 2.721 postos de trabalho. Não chega a uma média de 1,5 postos de trabalho por cada empresa. Mas mesmo esta conta está viciada, porque cada pessoa empregada por esta via detém vários postos de trabalho, de modo que, segundo conclui a investigação, "muito menos habitantes da ilha beneficiam do paraíso fiscal". A disparidade entre a estatística oficial e os factos torna-se ainda mais precisa no caso dos administradores e diretores. Alguns exercem o cargo em dezenas ou mesmo centenas de empresas-fantasma. Num caso referido pela investigação, um diretor exerceu-o, ao longo dos últimos dez anos, em 300 empresas. E, como é da natureza das firmas fictícias, há também uma concentração de várias no mesmo endereço. A investigação da BR cita um edifício da Avenida Arriaga, nº 73-77, que nos últimos cinco anos albergou nada menos de 800 empresas - várias com a mesma campainha e muitas delas sem logo, nem identificação alguma visível à entrada do prédioRTP. Nada que João Pedro Martinss  não tivesse apurado em Suite 605; agora os dados foram atualizados.
  • «Uma recente investigação do canal noticioso alemão Bayrischer Rundfunk (BR) veio provar precisamente o contrário. O BR criou uma base de dados com todas as empresas registadas ao abrigo do regime fiscal da Madeira e chegou a uma conclusão pouco surpreendente: a Madeira não funciona como um regime de atração de emprego e investimento, mas sim como um offshore, para onde empresas se deslocam para pagar menos impostos através de esquemas pouco transparentes. Na realidade, o CINM alberga centenas de empresas que partilham entre si a mesma morada e os mesmos administradores. Nos últimos cinco anos, a Avenida Arriaga n.º73-77 foi sede de 800 empresas e, segundo o BR, há administradores responsáveis por mais de 300 empresas. É necessário acrescentar que, em grande parte dos casos, estas empresas fazem parte de complexas redes com ligações a outros offshores, como o Luxemburgo, as Ilhas Virgens Britânicas e o Panamá. E os trabalhadores? Segundo uma consultora contactada pela BR, para além da morada e dos administradores, as empresas também partilham trabalhadores, de forma a contornar as regras estabelecidas. Alguns dos nomes apontados como tendo ligações ao regime da Madeira estão os veículos Kardzali, Anadyr Overseas, Galactic Leisure e Lap Overseas, que pertencem, respetivamente, aos jogadores Xabi Alonso e Javier Mascherano, ao ex-secretário-geral da FIFA Valcke, e a um antigo tenente de Kadhafi. Há ainda referências a várias holdings de Isabel dos Santos.» Mariana Mortágua in Ajudas de Estado não são para quem quer... -  JN 21fev2017.
  • O ex-governador do banco central espanhol (Miguel Ángel Fernández Ordóñez  2006-2012) foi acusado por permitir que o banco Bankia constasse na lista da bolsa de valores em 2011, apesar dos repetidos avisos de que o grupo era inviável. Por causa disso, pequenos investidores perderam milhões. AFP.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A Renova admite responsabilidades na ocorrência de poluição do rio Almonda

Imagem captada aqui.
  • A Renova, implantada em Zibreira, Torres Novas, admitiu que na sexta-feira, 17 de fevereiro, uma falha de controlo no processo de produção fez com que tivesse ocorrido uma descarga de pasta de papel para o rio Almonda. A GNR já foi à fábrica e a empresa compromete-se a deixar as margens limpas nos próximos dias. A empresa alega um «incidente pontual» devido a uma «falha de controlo» no processo de fabrico de papel da Renova, resultando numa descarga de pasta de papel para o rio, na envolvente da fábrica 2. A acumulação de vegetação nas margens do rio terá ainda ajudado a «represar» a pasta de papel, o que favoreceu as imagens captadas no local durante o fim-de-semana. MedioTejo. De Mattos Sébastien, ambientalista local, exige que as autoridades apurem se foi de facto acidente, porque há testemunhos de que aquele tipo de ocorrência é recorrente. Além disso, considera coniventes os acionistas da empresa e as autoridades que permitiram o aumento da produção de pasta de papel: «E os seus acionistas, seja os de referência da gestão e os remanescentes, não sabiam que nunca poderiam aumentar de forma ilimitada a produção desta sua fábrica,  dado envolver recursos naturais hídricos e nós população em geral que temos direitos sobre os mesmos? Será que conhecem as Leis 11/87, 58/2005 (Directiva Quadro da Água) e 226-A/2007? Conhecem a Constituição e o que esta diz sobre o ambiente? Se foi acidente como dizem, não sabiam que tinham de avisar de imediato a APA, Protecção Civil, Sepna e Autarquias ribeirinhas do Almonda e eventualmente do Tejo?». Ver reportagem video do MedioTejo.
  • Seis responsáveis por uma empresa pública e por duas sociedades privadas são acusados, pelo Ministério Público de Gondomar, da coautoria de um crime ambiental, pelo depósito, em 2001 e 2002, em São Pedro da Cova, Gondomar, de uma quantidade enorme de resíduos perigososentre os quais chumbo e zinco, oriundos da fábrica da Siderurgia Nacional na Maia. Os visados, e uma empresa de capitais públicos que absorveu a firma responsável pela gestão do passivo ambiental da Siderugia, enfrentam ainda um pedido de indemnização ao Estado, no valor de 10,8 milhões. Supostamente, o que para ali foi levado por duas sociedades contratadas pela empresa pública Urbindústria eram apenas inertes e, por isso, o solo nem sequer foi impermeabilizado, abrindo a porta à possível contaminação dos lençóis freáticos. Público 20fev2017.
  • No segundo ano do novo regime de produção elétrica para autoconsumo, o número de pequenas instalações que não necessitam de registo ou licença cresceu 67%. Público 20fev2017.

China suspende importação de carvão da Coreia do Norte

  • Fayez al-Hindi, palestiniano, montou um esquema de dessalinização de água com energia solar que depura 10 litros de água por dia. EcoInventos.
  • Um camião tanque despejou milhares de litros de crude num pluvial perto de uma estação de tratamento de água em Lloydminster, Sask. 95% do crude foi recuperado e as autoridades canadianas tentam identificar responsáveis. Global News.
  • A China suspendeu, até ao fim de 2017, todas as importações de carvão da Coreia do Norte no âmbito da aplicação de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas destinadas a travar o faco de armas nucleares por parte daquele país. NYTimes.



Reflexão – A quem interessa a incineração em S. Miguel?


«O ordenado do Diretor Geral da MUSAMI daria para processar mensalmente 206 toneladas de Resíduos Sólidos Urbanos num TMB, o que significa que mais de 100 toneladas de resíduos poderiam ser reciclados, dos quais 40 toneladas poderiam gerar energia renovável e composto. O Ordenado do Diretor Geral da MUSAMI daria para tratar 2.895 toneladas de resíduos num TMB (de acordo com a tarifa praticada pela unidade de tratamento mecânico e biológico da empresa "Resíduos do Nordeste Transmontano" - 32€ por tonelada). Só para que se tenha uma noção, a capacidade de processamento de resíduos da AGRAÇOR não atinge as 2000 toneladas por ano. O unidade de processamento e valorização de resíduos da AGRAÇO foi bastante apreciada pelo Governo Regional por ser autossuficiente em termos energéticos e ainda ter a possibilidade de vender energia renovável à EDA. É lamentável que o Diretor Geral da MUSAMI venha a público com demagogias sobre o aumento das tarifas de resíduos que os munícipes pagam, quando recebe o equivalente a 11 salários mínimos!!! Se juntarmos o salário da Presidente do Júri do concurso público da construção da incineradora (funcionária da MUSAMI), concluímos que os dois salários dariam para processar anualmente 4098 toneladas de resíduos num TMB.» FB.

Bico calado

Na TVI24, Manuela Ferreira Leite e Mariana Mortágua desmontam o complot da 
Direita contra a Caixa Geral de Depósitos.
  • «Neste Portugal que continua com grandes problemas económicos e financeiros por resolver e onde as pessoas se debatem ainda com elevado desemprego, muito emprego sem qualidade e sem dignidade, baixos rendimentos, pobreza e desigualdades gritantes, é preocupante constatar-se que o programa político da Direita é hoje quase só hipocrisia e berraria. Bastou o atual Governo ir dando pequenos passos positivos a favor do país e das pessoas, para ficar a nu o total vazio dos programas do PSD e do CDS. A Direita, tão experimentada no argumento "não há alternativa", desespera-se quando se lhes dirige a pergunta "qual é a vossa alternativa"? Mais austeridade para reduzir o défice? Para quê se o défice baixou. Mais desvalorização dos salários para estimular as exportações? Para quê se as exportações até estão a aumentar. Menos impostos sobre as empresas para atrair investimento? Para quê se o investimento privado até está a recuperar. (…) A CGD deve ser entendida, não como mero estabilizador do sistema financeiro nacional, como aconteceu desde 2008, mas sim como um instrumento de política económica, sobretudo neste contexto em que as mãos do Estado parecem atadas por Bruxelas. O debate sobre qual o modelo de negócio que deve reger a CGD na forma como afeta crédito na economia é mais importante do que nunca. Além disso, é preciso assegurar que a CGD não voltará a sustentar negócios desastrosos ou processos de enriquecimento de vigaristas e oportunistas. É preciso um banco público que não cubra comissões abusivas, que tenha presença territorial e proximidade dos cidadãos, gerando-lhes confiança. Chega de entreter os portugueses com a vacuidade reinante no discurso político à Direita, órfã de um Diabo que teima em não aparecer e com instintos revanchistas cada vez mais arreigados. A azia e a sede de vingança da Direita vão perdurar e são perigosas. É preciso dar-lhe uma longa cura de Oposição, sob pena de os portugueses poderem ser sujeitos a fortes castigos.» Manuel Carvalho da Silva in Órfãos do DiaboJN 19fev2017.
  • «(…) Cavaco é um, provinciano, intriguista, dissimulado, vingativo, capaz de trair o seu mais dedicado ministro, Fernando Nogueira, para beneficiar Dias Loureiro, ou de, apesar da alegada seriedade, manter sepulcral silêncio sobre o suborno na compra dos submarinos, por Paulo Portas, a divulgação das dívidas à Segurança Social, de Passos Coelho, então PM, e no escândalo bancário SLN /BPN onde, depois de amealhar uns patacos em ações não cotadas na Bolsa, ele e a filha, viu os amigos afundarem-se na maior dos opróbrios. O silêncio ou desinteresse por privatizações ruinosas, nomeadamente Lusoponte, ANA, Telecomunicações e Energia, revelam desatenção do economista ou displicência do PR. A revelação, de duvidoso crédito, das audiências semanais com o PM é inédita num PR e suspeita por ter um único alvo. Admitindo que não foi a mera vingança de um espírito mesquinho, é forçoso concluir que foi o desejo de arredondar as várias reformas com os direitos de autor que o levou a editar um livro de encomenda que só não o arruína o seu prestígio porque ninguém perde o que não tem. (…) Curioso é o espírito pidesco revelado na co-nomeação do PGR, Pinto Monteiro, depois de recusar os dois primeiros que o PM lhe propôs, e cujos nomes omite. Só delata quem odeia. Diz o ex-PR que julgava que era da Maçonaria e que só o nomeou depois de lhe garantirem que não era, como se a eventual pertença fosse ilegal ou legítima a devassa. Quem escreveu um dia, no Expresso, um artigo laudatório sobre Escrivá de Balaguer, fascista, diretor espiritual do genocida Francisco Franco e futuro santo, é natural que o fascine o indefetível apoiante da ditadura franquista e a sua criação – Opus Dei. Pelo contrário, a maçonaria, que esteve na origem do liberalismo, da República e no combate à ditadura merece-lhe aversão e a discriminação dos seus membros.» Carlos Esperança in Cavaco Silva, a Maçonaria e o Opus Dei, FB
  • Se outros méritos não tivesse, a geringonça conseguiu o inimaginável: infiltrar um comunista na CIP e, através de manobras eleitorais, fazê-lo eleger presidente. Só assim se explica que António Saraiva tenha defendido, este fim de semana, a reestruturação da dívida portuguesa, «para aliviar Portugal desta pesada mochila».Temos de ter muito cuidado, porque os comunistas estão em toda a parte!» Carlos Barbosa de Oliveira in Cuidado! Perigoso comunista à solta.
  • A Marinha dos EUA testou 2 mísseis balísticos de capacidade nuclear a partir de um submarino ao largo da Califórnia. Os lançamentos fazem parte de um programa de rotina para testar a operacionalidade dos misseis Trident II (D5). LATimes. Das três uma: ou estava distraído quando as TVs portuguesas falaram destes testes, ou as TVs portuguesas ainda não tiveram conhecimento destes testes ou então as TVs portuguesas só falam de testes deste género quando eles são feitos pela Coreia do Norte que é para o pagode ficar cheio de medo, não sair à rua e meter-se debaixo da cama à espera que caia o céu.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Rio Almonda vítima de grande descarga poluente

Imagem captada aqui.
  • Ocorreu uma descarga poluente no rio Almonda, em Zibreira, Torres Novas, em 17 de fevereiro, sexta-feira. A situação foi denunciada no FB e republicada no MedioTejo. Um comentador, ativista local, aponta o dedo à Renova - Fábrica de Papel do Almonda, S.A.
  • Para o aeroporto do Montijo avançar será precisa uma avaliação ambiental estratégica, que incluirá um estudo sobre a migração de aves e de uma declaração de impacto ambiental positiva que só poderá ser emitida em meados de 2018. Terá de ser avaliada a afetação de uma das rotas migratórias mais importantes da Europa: por ali poisam mais de 200 mil aves no inverno) e problemas do ruído para as populações locais. «O Montijo tinha importantes restrições operacionais e ambientais: necessidade de reabilitação e ampliação de (ou das) pista(s), inclusive para fora do perímetro da Base Aérea; aproximações e descolagens conflituantes com a Portela; competição pelo espaço aéreo com a Força Aérea, incluindo a frota de busca e salvamento; existência de ventos cruzados; grande concentração de aves e interferência com rotas de migração; maior impacto sobre as populações com o aumento do ruído; etc.” (opinião de Rui N. Gonçalves, engenheiro do ambiente). (…) o país ficou refém da concessão à Vinci e de uma solução que não serve os seus interesses estratégicos, mas que é quase a única possível por depender das taxas aeroportuárias. É a diferença entre termos políticos (muitos) e estadistas (quase nenhum). Quanto aos lisboetas, eles que aguentem o barulho e a poluição. E os “pássaros”, que vão voar para outro lado. O que há mais por aqui é céu.» Nicolau Santos in Aeroporto: lixam-se os pássaros e o país - Expresso 18fev2017 


Central a carvão patrocinada pela China deve respeitar as normas europeias

Ciclovia-viaduto em Xiamen, China.
  • A União Europeia pediu à Bósnia que assegure que um projeto de central a carvão patrocinado pela China respeite as regulamentações da UE sobre redução de emissões. Tudo isto depois de ambientalistas locais terem apresentado uma queixa alegando que a autorização ambiental que aprovou a construção da central de Banovici, financiada pela Dongfang Electric Corp Ltd,  não especificou os limites de poluição como devia. Reuters.
  • As metas de reciclagem no Reino Unido foram reduzidas o ano passado, graças às pressões do poderoso lóbi da indústria de plástico. The Independent.
  • A maior ciclovia-viaduto do mundo acaba de ser contruída. Em Xiamen, na China.

Reflexão – máscaras de uma sustentabilidade marinha

Imagem captada aqui.

A Fundação Oceano Azul diz ter por objetivo «reaproximar Portugal do mar e ser um dos líderes mundiais da sustentabilidade dos oceanos». Sedeada no Oceanário de Lisboa, é patrocinada pelo Grupo Jerónimo Martins.  A comissão executiva é presidida por Tiago Pitta e Cunha, ex conselheiro de Cavaco Silva. Integram o conselho de curadores  a princesa Laurentien van Oranje-Nassau  (Holanda), Jane Lubchenco  (enviada científica dos EUA para os oceanos), Kristian Parker (Oak Foundation - Suíça) e o almirante Nuno Vieira Martins, ex-chefe do Estado-maior da Armada. Expresso 18fev2017.

Sobre a importância estratégica dos mares, afirmou José Soares dos Santos ao Expresso de 1ago2015:
«Nos últimos 100 a 150 anos dedicámo-nos à exploração dos recursos terrestres. Nos próximos 100 a 150 vamos dedicar-nos à dos fundos marítimos. As grandes nações estão a posicionar-se para comandar essa agenda. Com a nossa plataforma continental e zona económica exclusiva, temos o terceiro maior território da União Europeia e estamos no topo do mundo. Portugal tem aqui uma possibilidade única de ter um projeto geracional. É muito importante que os países tenham centros que garantam que a importância deste assunto se mantenha do ponto de vista político.»

Será que esta Fundação vai estar ancorada no conceito de «offshore», termo usado para falar de paraíso fiscal e plataformas petrolíferas no mar?

Mão pesada

  • O ministério do Ambiente português levantou autos contra Centroliva após denúncia da existência de enorme camada de espuma branca que as águas do rio Tejo em Abrantes e recolha de amostras de água em pontos de descarga de instalações industriais de Vila Velha de Ródão. As multas podem variar entre €14 mil e €5 milhões. Também a fossa sética da zona industrial de Vila Velha de Ródão, gerida pela Câmara Municipal, drenava uma espuma escura para a ribeira do Açafal, que desagua no Tejo. Expresso.
  • A Comissão Europeia processou a Irlanda por não ter investido em ETARs em 38 cidades, o que representa um elevado risco para a saúde pública. Irish Times. Os responsáveis dizem agora que é preciso muito dinheiro para cumprir as diretivas europeias quanto a tratamento de águas e esgotos. Quem mandou fazer da Irlanda um paraíso fiscal de tanta multinacional? 

Bico calado

Imagem captada aqui.

Em 19 de fevereiro de 1942, o presidente Franklin D. Roosevelt assinou uma lei que permitiu a detenção forçada de cidadãos de origem japonesa, quer fossem estrangeiros ou nacionalizados, que vivessem em zonas de exclusão militar na costa oeste dos EUA. Foram estabelecidos 10 campos de concentração, perdão, centros de recolocação, que albergaram 120 mil japoneses. Smithsonian.
Muito mais pormenores aqui.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido advertidos para reduzem a poluição

  • A oferta de sacos de plástico vai ser proibida em todas as lojas espanholas a partir de 1 de janeiro de 2018. Os pontos de venda serão obrigados por lei a cobrar um valor mínimo que varia entre os 5 e os 30 cêntimos, consoante a espessura e o material do saco. El País.
  • A Comissão Europeia advertiu a Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido para, dentro de dois meses, tomarem medidas parea reduzir os elevados níveis de poluição que flagelam as principais cidades destes países. El País.
  • Um guarda-florestal foi abatido a tiro em West Petauke, Zâmbia, por caçadores furtivos. The Guardian.
  • Um jovem empresário tanzaniano está a transformar os resíduos plásticos do país em "madeira serrada" para ajudar a satisfazer a procura de casas nas cidades em crescimento, ao mesmo tempo que reduz o desaparecimento das florestas. Zilient.
  • O agricultor chinês Wang Enlin e os seus vizinhos processaram o Grupo Qihua Group, uma empresa de processamento de minerais e produção de produtos químicos, por poluir as suas casas e terrenos agrícolas. EcoWatch.

Reflexão – Pescar menos e melhor seria bom para o ambiente e para a humanidade

Imagem capturada aqui.

Pescar menos e melhor poderia gerar mais de 83 biliões de dólares por ano para o setor pesqueiro, criando um fluxo de receita muito necessário nos países em em vias de desenvolvimento e melhorando a segurança alimentar global, diz um relatório do Grupo Banco Mundial.

O relatório mostra, entre outros aspetos, que a redução do esforço de pesca global permitiria que os recursos pesqueiros recuperassem da atual sobre-exploração e levassem a aumentos no peso, valor e preço dos peixes capturados, aumentando a rentabilidade do sector das pescas.

Mão pesada

A construtora Interserve Construction Limited foi multada em 60 mil libras por despejo de lodos num afluente do rio Rother, em Burwash, East Sussex. GovUK.

Bico calado

Imagem de Steve Cutts 10fev2017.
  • «Para um administrador de bancos isto é um suicídio, não há ninguém que esteja no seu pleno juízo, nem mesmo o seu amigo Lobo Xavier, que lhe mande SMS ou se comprometa em conversas telefónicas. António Domingues deixou de ser confiável e duvido que passada esta fase o próprio Lobo Xavier tenha confiança no seu velho amigo. O que poderá ter levado alguém experiente a imolar-se na pira da falta de princípios? O dinheiro que perdeu por não ser administrador, a vaidade ferida? Um dia saberemos. (…) É aqui que entra o Lobo, neste caso o Lobo Xavier e nesta matéria temos mais um lobo do que um frade a falar para peixinhos. E se Lobo é mesmo o lobo, o António Domingues acaba por ser o cordeiro. Lobo Xavier, apesar de bom cristão, não é conhecido como administrador do Banco Alimentar ou de muitas das IPSS da Igreja. Antes pelo contrário, Lobo Xavier é administrador de grandes empresas e na sua vida não teve uma única aula de gestão. Todas as grandes empresas têm interesses directos ou indirectos na CGD, grandes empresários mantêm litígios com a CGD, muitas empresas e personalidades têm crédito malparado para renegociar, tudo matérias em que o gestor, o administrador, o advogado ou o lobista Lobo Xavier pode dar uma preciosa ajuda, tudo dentro da maior das legalidades.» O Jumento.
  • «Todos os que acompanharam a vida política na altura da crise política sabem bem que a única preocupação do Sr. Presidente [Cavaco Silva] era aquela que revelou na noite da sua reeleição: vingança e desforra. O seu discurso de posse foi o sinal de que a direita precisava para atirar o governo abaixo e provocar eleições. Na Assembleia da República, e pela primeira vez na história democrática, chumbou-se um acordo e um compromisso com as instituições europeias que um governo legítimo tinha conseguido para que o país não fosse forçado a pedir ajuda externa. O Presidente da República de então não tem moral para dar lições de lealdade institucional. Na crise política de 2011, ele sempre foi a mão por detrás dos arbustos.» José Sócrates in A mão por detrás dos arbustosDN 18fev2017.
  • «(…) vamos fechar as contas de 2016 com o défice ainda abaixo dos 2,3% anunciados por António Costa; com o PIB a crescer mais do que os 1,4% previstos, graças ao salto de 0,6% no último trimestre; com o desemprego a descer até próximo da barreira psicológica dos 10% e, mais importante, com a criação efectiva de 90 mil postos de trabalho; e vamos para 2017 com as exportações relançadas e o regresso do investimento, embora tímido. Mário Centeno cumpriu todas e cada uma das suas previsões e, contra todas as expectativas (em parte, incluindo as minhas) deu uma tremenda bofetada de luva branca em todos os catastrofistas e, em particular, nos arautos do desastre da Comissão Europeia e nos que internamente previam orçamentos rectificativos e a vinda do Diabo à conta da “reversão” das nefastas medidas do governo Passos/Portas. Afinal, havia alternativa. (…) Manifesto assim a minha perplexidade pelas notícias que dão conta de que António Lobo Xavier, uma pessoa inteligente e bem formada (e, para mais, advogado) tenha levado ao Presidente da República os SMS que o seu cliente ou amigo António Domingues terá recebido do ministro das Finanças. E mais perplexo ainda fico por saber que Marcelo Rebelo de Sousa, outra pessoa inteligente e bem formada (e, para mais, Professor de Direito Constitucional), os tenha solicitado, os tenha lido e, com base nessa leitura, tenha feito um comunicado e enunciado uma nova opinião, fundada na violação de correspondência privada. Oxalá, repito, eu esteja a ver mal todo este filme ou esteja baseado em falsas informações, porque mal seria que, nestes tempos onde a violação da privacidade se tornou uma banalidade por todos cultivada, fosse o próprio Presidente da República a dar o mau exemploMiguel Sousa Tavares in Notícias boas, notícias manhosas e notícias preocupantes – Expresso, via Estátua de Sal.
  • «Na capa de hoje, o Record referindo-se ao pedido de reunião que o Benfica fez ao Conselho de Arbitragem, refere que o clube está "indignado" e associa essa indignação à arbitragem do jogo do Porto de ontem. Já ontem, quando a meio do jogo lançou a notícia, o Record tinha feito a mesma associação. Primeiro a notícia do pedido de reunião e, logo de seguida, na mesma notícia, um breve resumo dos casos de arbitragem do Porto-Tondela. Porém, lendo o comunicado oficial no site oficial do clube, é possível perceber que não há nenhuma relação que se possa estabelecer, especificamente, com esse jogo. O Benfica refere o "clima intimidatório" e "situações anómalas que estão a acontecer." (…) Grande parte do clima de agressividade vivido no futebol é ateado pela imprensa desportiva, que tem um comportamento verdadeiramente pirómano na forma como tenta forçar estes casos, mesmo que para isso tenha de recorrer à distorção dos factos.» Os truques da imprensa portuguesa, FB.
  • O projeto “SPEED Mais” diz ter por objetivo “apoiar o Governo de Moçambique na implementação de políticas e estratégias que visem a melhoria do ambiente de negócios e o crescimento económico baseado no investimento privado, estruturado em quatro componentes: (1) agricultura, (2) comércio, ambiente propício às empresas, (3) energia, água e (4) conservação da biodiversidade”. Porém, instado a precisar de que forma o apoio iria chegar aos moçambicanos mais pobres e desempregados, o responsável pelo projeto declarou que “primeiro temos que trazer peritos para investigar a situação, para ver quais são as regras que o País precisa e as que precisa de mudar”. Precisamente o contrário do que o ministro Ragendra dissera minutos antes: “(...) a riqueza não se faz nos salões de café, a riqueza não se faz em seminários, a riqueza faz-se com trabalho abnegado, com trabalho honesto, trabalho justo. Só transpirando é que se produz a riqueza”. Portanto, o apoio dos EUA, através da sua Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), quase não sairá das salas climatizadas da capital do País. Os 37,2 milhões de dólares foram entregues a um consórcio de empresas de consultoria: as norte-americanas Development Alternatives Inc. (DAI) e Nathan Associates Inc.; e as moçambicanas SAL Consultoria e Investimentos, Lda, Cimpogest e Impacto.  A Verdade.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros do Equador lamenta que todas as tentativas por parte de muitos países pobres têm contado com o boicote do Reino Unido e de outros países ocidentais. O Equador realiza hoje um referendo para proibir o acesso a posições de poder político de cidadãos que tenham ativos ou empresas em paraísos fiscais. NI.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Afinal os fumos de enxofre são coisa séria

Lake Karrinyup Country Club, Perth, Australia. Foto: Paul Kane/Getty Images

Os impactos do incêndio em armazéns de enxofre da SAPEC, em Mitrena, Setúbal, continuam a dar que falar, apesar de nos primeiros momentos o problema ter sido menosprezado e tratado com alguma ligeireza. A SAPEC faz publicidade dos seus produtos e os media têm que a tratar bem. Compreende-se.

Dizem uns que houve falhas na medição da qualidade do ar no local da Sapec no dia do acidente e que as medidas cautelares foram tomadas tardiamente
Diz-se também que a qualidade do ar foi boa em muitos sítios precisamente porque a nuvem de enxofre não passou onde havia estações de monitorização.
Refere-se ainda que as concentrações do poluente da Sapec atingiram o Seixal, Alverca, Chamusca, Ílhavo e Porto. Em Paio Pires registaram-se 700 microgramas na estação de monitorização de qualidade do ar em Paio Pires. 

Sublinhe-se o cuidado, a reverência com que a situação é descrita pela investigadora Joana Monjardino, do departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, a fazer fé na citação do JN: «há níveis UM BOCADINHO MAIS ELEVADOS DO QUE É NORMAL (o sublinhado e maiúsculas nossas) porque há muito tempo que não há problemas para este poluente e qualquer emissão mais elevada de dióxido de enxofre ou poluentes relacionados vai notar-se nas concentrações das estações».

Londres vai aplicar mais uma taxa sobre os veículos mais poluentes

Foto: Riau Images / Barcroft Images
  • O Mayor de Londres, Sadiq Khan, vai lançar, a partir de outubro, uma taxa extra sobre os automóveis com motores mais antigos, porque poluem mais. A taxa para circular no centro da cidade será de 10 libras. Precisamente 14 anos depois de Londres ter aplicado uma taxa diária de 11,50 libras pela circulação de um automóvel naquela cidade. The Guardian.
  • Postes de iluminação pública também funcionam como pontos de carga para veículos elétricos. Em ruas de Kensington e Chelsea, Londres.
  • A Shell e a Exxon vão desativar 4 plataformas petrolíferas no mar do Norte. Não se arrepiem ao verem os impactos ambientais, listados pelas próprias petrolíferas, da série de operações que serão levadas a cabo para concretizar a desativação. DeSmogUk.
  • Uma investigação detetou uma redução na quantidade de oxigênio dissolvido nos oceanos em todo o mundo, resultado há muito previsto das alterações climáticas que poderá ter graves consequências para os organismos marinhos. Via Washington Post.
  • Janeiro de 2017 foi o terceiro janeiro mais quente de que há registo, admite a NASA e a National Oceanic and Atmospheric Administration. Climate Central.

Mão pesada

  • O diretor da Oakham Environmental Waste & Recycling Ltd, West Midlands, foi suspendo por 5 anos e multado em 4.600 libras por gesto gal de aterro. GovUK.
  • O responsável por um aterro de Trowbridge, Bath, foi multado em 530 libras por tentar impedir fiscais de visitarem o sítio. GovUK.
  • Um juiz colombiano intimou a Metroagua a devolver ao distrito de Santa Marta (500 mil habitantes), Colômbia, todas as infraestruturas de água que explorava. Tudo porque a empresa detida em 35% por uma empresa pública de Madrid, estava a fornecer água de má qualidade. El País.

Bico calado

Pinto da Costa: «Não se mentirosa!»

«Domingues, que era tão cuidadoso com a sua intimidade e não deixava ninguém ver a declaração de rendimentos, deixa Lobo Xavier vasculhar os seus SMS. Muito estranho. Será que o Lobo Xavier foi ao telemóvel do amigo enquanto ele foi à casa de banho? (…) Parece estranho ser um administrador do BPI, concorrente directo da CGD, a ter acesso aos SMS de um ex-presidente da Caixa e a fazer o papel de defensor da ética. Parecendo que não, o indivíduo que traçou o plano da CGD e que trabalhou no BPI, troca e revela SMS sobre a Caixa com Lobo Xavier, administrador do BPI. Já vi toupeiras com menos dioptrias.» João Quadros in Ovelhas negras, lobos e toupeiras - JNegócis 17fev2017.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

GEOTA exige investigação a decisões políticas sobre a construção das barragens de Foz Tua, Tâmega e Baixo Sabor

Gerês. Foto: Carlos Pontes 19jan2017.
  • O GEOTA quer que o Ministério Público investigue pelo menos 17 anos de decisões políticas sobre a construção das barragens de Foz Tua, Tâmega e Baixo Sabor. Para tal, entregou uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República. Governantes, autarcas, banca, empresas de construção são alguns dos visados numa queixa que aponta suspeitas de corrupção, tráfico de influências, burla agravada, falsas declarações e participação económica em negócio. «Os ambientalistas contestam a construção das barragens da Foz Tua e Sistema Eletroprodutor do Tâmega que integra as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega. Também são levantadas dúvidas de segurança sobre a construção de Fridão. Em caso de uma falha grave, esta barragem liberta um ‘muro’ de água com 12 metros de altura que levaria 14 minutos a chegar a Amarante. Também o aproveitamento hidroelétrico do Baixo Sabor é colocado em causa. Refere o GEOTA que a multinacional brasileira Odebrecht é suspeita de ter efetuado seis transferências de quase 750 mil euros em subornos relacionados com a barragem do Baixo Sabor.» Joanaz de Melo garante que as barragens da Iberdrola são uma fraude, vão encarecer a fatura da luz entre 2% e 3%. Segundo o presidente da GEOTA, o empreendimento é irrelevante na produção de energia elétrica e vai afetar a economia local do Tâmega.
  • O Parque natural do Tejo Internacional vai ter um autarca como principal responsável pela sua gestão. O governo de António Costa avança com este projeto-piloto sem o submeter ao parlamento, alegando que se pretende avaliar as «competências de direção, o papel que as autarquias poderão ter na valorização dos territórios» e ainda as medidas em que serão «sempre uma prerrogativa do ICNF». O BE, o PCP e o PEV discordam deste modelo por ele implicar uma municipalização da gestão das áreas protegidas, o que obriga a um debate sério no parlamento. Público.
  • Afinal os impactos do incêndio de armazéns de enxofre da SAPEC em Mitrena, Setúbal, passados dois dias, ainda se fazem sentir. Vinte pessoas, 4 das quais crianças, foram assistidas no hospital de Setúbal por causa da nuvem de dióxido de enxofre. RTP. A Quercus considera que as declarações proferidas pelo representante da SAPEC em 14 de Fevereiro ao defender que a nuvem poluente «…não sendo um perigo para a população, não é simpático…» são totalmente irresponsáveis e de elevada gravidade, podendo em última análise ser consideradas uma tentativa de camuflagem da real dimensão e extensão do problema. Até porque nas últimas horas a estação de monitorização da qualidade do ar no centro da cidade de Setúbal registou 503 microgramas de dióxido de enxofre por metro cúbico de ar, quando o limite máximo admissível se situa nos 500 microgramas. Por isso, exige o apuramento de todas as responsabilidades através de um inquérito rigoroso, onde sejam determinadas as causas e as razões que conduziram a um incidente desta dimensão. Do mesmo modo, exige que findo este inquérito, as conclusões sejam divulgadas e tornadas públicas, devendo ser elaborado um plano específico e dedicado à monitorização da qualidade do ar, solo e água, sendo particularmente importante perceber o potencial grau de contaminação local que o incidente poderá conduzir, com particular incidência na análise de água para consumo humano (captações de água), qualidade da água do Estuário do Sado e das zonas balneares circundantes.
  • Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, pondera processar os diplomatas que não têm pago a taxa diária de 11,50 libras de circulação automóvel em Londres. A dívida total é de 100 milhões de libras, liderada pelos EUA (11,5 milhões), Japão Nigéria, Rússia, Índia e Alemanha. Esta minoria de 146 países devedores alega a imunidade diplomática garantida pela Convenção de Viena de 1961 que dá aos diplomatas estrangeiros o direito de circularem gratuitamente. RT.
  • Uma advogada envolvida em questões ambientais foi abatida a tiro em Tagbilaran, Bohol, Filipinas. Mia Manuelita Cumba Masacariñas-Green, 49 anos, foi assassinada quando transportava os seus três filhos da escola para casa. Inquirer.

Reflexão – para quem ainda nega os impactos das ações humanas sobre o clima

Serra da Freita. Foto: Óscar Valério 13fev2017.

«Na remota hipótese de 97% dos cientistas estarem certos, sabemos que as alterações climáticas já criaram até agora milhões de refugiados climáticos, já retiraram o acesso a água várias populações, especialmente em África e na Ásia, e já destruíram centenas de milhares de hectares de terreno agrícola. As vítimas desta hipotética catástrofe, que é dos maiores consensos da ciência, são sobretudo os pobres sem acesso a cuidados de saúde, são mulheres que caminham dezenas de quilómetros por semana para trazer água para as suas famílias, são pequenos agricultores sem capacidade de investimento em infraestruturas (por exemplo estufas) para manter as suas produções agrícolas. 

O aquecimento é global, mas o impacto é nos mesmos do costume. Se os 97% de cientistas estiverem certos, a vida de 2 mil milhões de trabalhadores (e não de pinguins) depende de ecossistemas frágeis, ameaçados pelas alterações climáticas. São estes os principais interessados em evitar a catástrofe. A posição de Raquel Varela é uma não solução: cabeça na areia, fé nos 3% e umas generalidades sobre a Autoeuropa.»

Miguel Heleno in Os pinguins da Autoeuropa e os macacos do sótão do negacionismo de esquerda - Esquerda.net.

Mão pesada

  • A operadora de resíduos Suez Recycling and Recovery UK Limited foi multada em mais de 500 mil libras por violações ambientais registadas no seu aterro de Connon Bridge, nomeadamente maus cheiros persistentes e contaminação de linhas de água por escorrências. GovUK.
  • Um indivíduo de Callerton, Newcastle, foi condenado a pena de 10 semanas de prisão, suspensa por 12 meses, por operar estação de resíduos ilegal. GovUK.
  • A Cyprus Amax Minerals Co. e a Western Nuclear Inc foram judicialmente intimadas a limpar 94 minas de urânio abandonadas em Four Corners, Tse Tah, Red Valley e Cove, no Arizona e no Monument Valley, territórios da Nação Navajo. O custo da operação é de 600 milhões de dólares, metade dos quais coberta pelo governo norte-americano. Indian Country Media Network.

Bico calado


Lobo Xavier, o informador privilegiado. Conselheiro de Estado, com acesso ao Presidente da República, administrador do BPI, o banco que mais beneficia com a instabilidade da CGD, administrador do Público, o campeão de artigos sobre a polémica da CGD.
  • «Escreve Manuel Carvalho, editor de economia do “Público”: “O bom desempenho da economia e das finanças tornou-se assim o álibi com que Centeno e o Governo se permitem subverter as mais elementares noções do dever e da responsabilidade política.” (…) E assim se apanha, pela pena do próprio, a confissão de um propagandista. Foi em outubro que ele fez este retrato da situação nacional: “As finanças públicas continuam no limiar do colapso, o Estado continua a gastar mais do que pode e deve, a carga fiscal é asfixiante, o investimento derrapa, o produto não cresce”. E, passados quatro meses do anúncio do Apocalipse, dá-nos, de passagem e como quem não quer a coisa, enquanto tritura Centeno, a informação, pela primeira vez por si referida, de que há um bom desempenho da economia e das finanças. Sem uma correção de tudo o que anda a escrever, sempre com adjetivação hiperbólica, há um ano. Mas o estilo do editor de economia do “Público” está plasmado na frase com que termina o texto: “Se o Governo cai tão facilmente na tentação de torpedear a verdade num caso no qual só falta uma assinatura, o que fará na penumbra dos bastidores em negócios que não sabemos sequer que existem?” Podia explicar que um editor de um jornal sério não insinua negociatas que, como o próprio diz, nem sabe se existem. Não conclui que uma mentira óbvia esconde, por automatismo ético, um governo de corruptos. Se Manuel Carvalho fosse editor do “Correio da Manhã”, muito mais condizente com o seu estilo, isto não teria de ser explicado. Mas é do “Público”, aquele que já foi o melhor jornal português.» Daniel Oliveira, FB.
  • «"Uma invenção". Refugiados não atacaram ninguém na Passagem de Ano em Frankfurt. Relatório da polícia desmente história noticiada pelo jornal Bild. Alegadamente um grupo de refugiados, 50, teria atacado sexualmente mulheres numa zona central de Frankfurt na noite de 31 para 01.» TSF.
  • O Pentágono admitiu ter usado, na Síria, munições com urânio empobrecido, uma substância que provoca problemas graves de saúde e que, por isso, é considerada ilegal e o seu uso um crime de guerra. Press TV.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O Montijo é a pior alternativa em termos de impactos ambientais

Reserva Natural do Estuário do Tejo.
  • O Montijo é a pior alternativa, em termos de impactos ambientais, para localizar a pista complementar ao aeroporto Humberto Delgado. A Reserva Natural do Tejo tem grande valor biológico, tendo as aves, que usam a reserva para nidificar ou como passagem migratória, como um dos pontos fortes. A ANA vai apresentar medidas de minimização dos impactos. Público.
  • O Tribunal de Contas criticou o desempenho do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas nas avaliações que visam otimizar a afetação de recursos de alguns fundos da área ambiental, assim como a sua baixa execução. RTP.
  • A extração de areias está a dizimar muitas praias de países africanos como o Gana, Quénia, Cabo Verde e Tanzânia. O problema é tão grave que, por exemplo, as autoridades cabo-verdianas proibiram a extração de areia em todo o país e os militares patrulham a costa com frequência. Os governos do Gana e do Quénia fizeram o mesmo. O problema é que a erosão não pára, com enormes prejuízos para as economias locais. DW.
  • O Natural Resources Defense Council acaba de processar a administração Trump por adiar a aplicação de uma lei que considera o abelhão uma espécie em perigo. Reuters.
  • O tribunal de Lago Agrio, no Equador, condenou a petrolífera Chevron a pagar 9 biliões de dólares de indemnizações por danos provocados pelas suas operações naquela região amazónica. NYTimes.

Reflexão – Do mar para o prato, ou de como o peixe que come o plástico acaba na sua mesa e na sua boca


Apontamentos de um artigo do Thew Guardian:

Os amantes de marisco comem até 11 mil fragmentos de plástico por ano, revela um estudo da universidade de Ghent, na Bélgica. Nós absorvemos menos de 1%, mas esses fragmentos vão-se acumulando no corpo ao longo do tempo. Já em agosto de 2016, estudo idêntido da universidade de Plymouth mostrava que um terço das capturas em águas territoriais britânicas, incluindo bacalhau, arinca, sarda e crustáceos, registava a presença de resíduos de plástico.
Parece que, finalmente, começamos a prestar atenção à poluição que aflige os nossos mares há anos. O governo britânico pondera o lançamento de um depósito reembolsável em garrafas de plástico, e a Johnson & Johnson substituiu as hastes de plástico das suas cotonetes por hastes de papel.

O problema é muito grave. E tudo começou com a invenção da baquelite em 1907, seguida pela criação do poliestireno, do poliéster, do PVC e do nylon. A facilidade com que se usou e deitou fora o plástico atingiu níveis insustentáveis. Em 1997, descobria-se, entre o Havaí e a Califórnia, a famigerada Great Pacific Garbage Patch, um imenso continente de resíduos de plástico flutuando no mar, visível do espaço, cobrindo, neste momento, uma área entre o Japão e a América do Norte. Já em 1999 se sabia que, nessa zona, havia 6 vezes mais plástico do que plâncton.

Os microplásticos, que variam em tamanho de 5mm a 10 nanômetros, vêm de muito lado, nomeadamente de embalagens. Aparecem também micro bolas, bolas de plástico minúsculas encontradas em alguns esfoliantes e pastas de dentes. Tal como as microfibras, - os fios de roupas sintéticas perdidas durante a lavagem e os restos de borracha dos pneus -, essas minúsculas peças de plástico não conseguem ser filtradas pelas nossas ETARs e grandes quantidades delas acabam no mar.

Mas o pior problema são os plásticos de uso único para embalagens. Não sendo biodegradáveis, fotodegradam-se pela exposição aos raios ultravioleta. São precisamente estas minúsculas partículas que parecem alimentos para algumas espécies, especialmente se se misturarem com algas.

A ideia da economia circular parece estar a ganhar terreno: é ponto assente que a indústria terá de virar-se para produtos que maximizem a reciclagem e a reutilização


Mão pesada

O Ibama apreendeu 432 troncos de madeira de ucuúba, marupá, jacareúba, cedro, cedrorana, louro e samaúma toras no rio Javari, em Atalaia do Norte, na fronteira com o Peru. Foi ainda aplicada uma multa de R$ 130,5 mil.

Bico calado – Madeira, um paraíso fiscal com a bênção da Comissão Europeia

Imagem captada aqui.

Futebolistas, milionários e multinacionais beneficiam do offshore da Madeira, revela uma investigação jornalística realizada por um grupo de media internacional, liderado pela alemã ARD  e a que pertencem o espanhol La Vanguardia, o francês Le Monde e a austríaca ORF.

A Madeira tem sido usada por várias estrelas do futebol que jogam na liga espanhola para esconder parte dos seus impostos. O esquema, funciona assim: o jogador cede gratuitamente parte dos seus direitos de imagem a uma empresa de fachada baseada na Madeira, que dificilmente paga qualquer imposto; uma parte dos direitos pagos pelo seu patrocinador vai para a conta bancária da empresa em vez de ir para a conta oficial do jogador. A empresa de fachada pertence, na realidade, ao jogador, que acaba recebendo o dinheiro sem pagar os impostos que seria obrigado a pagar se não entrasse neste esquema. Os futebolistas Javier Mascherano, Xabi Alonso e Adriano Correia beneficiaram com este esquema, diz o Le Monde.

No início dos anos 2000, a Madeira viu-se envolvida no centro de um escândalo de corrupção que implicava o consórcio TSKJ, formado pela norte-americana Halliburton, a holandesa Snamprogetti, a japonesa JGC e a francesa Technip num esquema de suborno do governo nigeriano para a obtenção de contratos de construção de refinarias. Acusadas e condenadas, as empresas foram multadas, respetivamente em 600, 365, 219 e 338 milhões de dólares, o que não as impediu que permanecessem no offshore da Madeira e continuassem a usufruír dos truques disponibilizados. 

No verão de 2015, Isabel dos Santos usou a sua empresa Winterfell Industries, sediada na Madeira, para recuperar a Efacec Power Solutions. A empresa pública de eletricidade de Angola tinha comprado algumas semanas antes 40% das ações da Winterfell por um valor desconhecido, por ordem do presidente José Eduardo Dos Santos, levantando-se a suspeita de que o dinheiro do Estado angolano estivesse a financiar a aquisição. A Autoridade Bancária Europeia acabaria por concluir, em janeiro 2017, que Portugal não aplicara as regras contra a lavagem de dinheiro, por não ter averiguado com rigor a proveniência dos fundos aplicados na compra da Efacec pela Winterfell.

Outra personagem referida pela investigação do Le Monde é Francis Louis Marie « Franky » Mulliez, um dos herdeiros da terceira família mais rica de França. Tornou-se o único acionista da sociedade madeirense Peramina e conseguiu controlar 13% da Kilinvest, holding do grupo Kiloutou, que se queixa de nunca ter recebido os dividendos a que se julga ter direito.

A Pepsi, a Chevron a Dell e a Swatch, todas criaram filiais de fachada na Madeira. Conseguiram «otimizar» os seus impostos até 2012, altura em que se deslocalizaram para a Suíça, Malta e ilhas Caimão.
O grupo de telecomunicações Orange criou duas filiais na Madeira, a OHCS I e a OHCS II, que se fundiram posteriormente. E a francesa Ponticelli criou 3 sociedades: Ponticelli Angoil Serviços Para a Indústria Petrolífera, Ponticelli Consultadoria Técnica e Portumo - Madeira - Montagem e Manutenção de Tubaria.
Também Gadafi, através de Bashir Saleh Bashir, criou uma empresa de fachada na Madeira. O mesmo fizeram empresários cubanos e mais de uma centena de espanhóis que geriram, durante cerca de 20 anos, os seus patrimónios atrás de sociedades fantasma, escreve o La Vanguadia. Tudo com a bênção da Comissão Europeia, escreve a Bayerischer Rundfunk no título que dá à sua série de 6 episídios sobre o tema. 

A Comissão Europeia aprovou a criação da chamada Zona Franca da Madeira em 1987, na condição explícita de o território não se converter em paraíso fiscal: «Recordamos que esta autorização não significa a aprovação da zona financeira offshore que o governo da Região Autónoma da Madeira intenta instaurar na Zona Franca». 
Volvidos 20 anos, o único retorno económico para a região foi a taxa anual de mil euros paga por cada empresa fantasma à Sociedade de Desenvolvimento de Madeira (SDM), a empresa que gere desde 1987 a Zona Franca. A SDM é uma empresa com 75% de capital privado e 25% de capital público. O principal acionista é o Grupo Pestana, um grupo hoteleiro que pertence a Dionísio Pestana, que, em poucos anos, passou de um hoteleiro arruinado do Funchal a um dos homens mais ricos de Portugal e sócio de Cristiano Ronaldo num dos seus últimos projetos, conta o La Vanguardia.

Sobre esta temática, os media de referência em Portugal quedaram-se pelo silêncio ou pela reverência. Apenas o Expresso fez uma espécie de frete, omitindo os dados apresentados pela equipa de jornalistas acima referida. João Pedro Martins, autor de Suite 605, coloca o dedo na ferida:

«Depois do consórcio de jornalistas formado pelo jornal espanhol La Vanguardia, do conceituado periódico francês Le Monde (com quem o Expresso trabalhou no caso dos Panama Papers), da estação de televisão pública alemã ARD e da cadeia televisiva autríaca ORF, terem desmascarado o offshore da Madeira, tendo inclusivamente mostrado extratos bancários com detalhes de transferências de milhões que já levaram à reabertura de um processo judicial em Espanha por apresentação de novas provas que foram entregues por jornalistas espanhóis ao Ministério Público, o nosso Expresso (ao contrário da restante imprensa portuguesa que optou pelo silêncio) decidiu escrever uma peça jornalística em que apenas ouve um ponto de vista, citando pessoas em Portugal e na União Europeia que foram ouvidas no âmbito do contraditório do trabalho jornalístico desenvolvido pelos colegas do Expresso.
O semanário português esqueceu-se que hoje dezenas de deputados europeus, face à gravidade das notícias pediram a Comissária da Concorrência para escrutinar todos os regimes fiscais preferenciais que existem na União Europeia. Vozes como a eurodeputada Ana Gomes, o ex-Secretário do Estado dos Assuntos Fiscais e professor de direito fiscal Sérgio Vasques, ou a eurodeputada e ex-magistrada Eva Joly que meteu na prisão a elite de França no decorrer das investigações de corrupção do caso Elf, e que hoje, juntamente com muitos outros, se levantaram contra a injustiça fiscal, não são relevantes para o Expresso.
Um leak de 20 mil documentos comprometedores, que levou os jornalistas deste consórcio a listarem os nomes dos fugitivos fiscais dos seus países que utilizaram o offshore da Madeira, parece que não é notícia em Portugal.
Afinal, não se passa nada, ou como diz os Truques da Imprensa Portuguesa, se fosse a história da mãe panda e os três pandinhas, a notícia já tinha circulado por todos os órgãos de comunicação social. Mas este não é um problema dos jornalistas do Expresso, mas do critério editorial.
O problema é que esta não é uma história comovente, mas de piratas e terroristas fiscais que capturam a economia e o poder político e nos obrigam a pagar os impostos que lhes são devidos e que eles se recusam pagar.»