Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

ESCÓCIA: AUTOCARROS ELÉTRICOS SUBSTITUEM AUTOCARROS A HIDROGÉNIO

  • A Câmara Municipal de Aberdeen, na Escócia, decidiu substituir a sua frota de 25 autocarros de dois andares a hidrogénio por autocarros elétricos, apenas cinco anos após a sua introdução. Os autocarros a hidrogénio estavam fora de serviço desde setembro de 2024 devido à disponibilidade limitada de hidrogénio. Esta decisão põe também fim à colaboração da Câmara com a BP, que teve início em 2022 como parte de uma estratégia para tornar Aberdeen num centro de hidrogénio do Reino Unido. A Câmara referiu que os fabricantes e operadores se estão a inclinar cada vez mais para os veículos elétricos e salientou que, embora o reabastecimento de hidrogénio seja mais rápido, a produção de hidrogénio limpo requer uma enorme quantidade de eletricidade verde. Os novos autocarros elétricos serão alimentados diretamente pela rede elétrica, e a Câmara planeia reforçar a infraestrutura urbana de carregamento elétrico. Fonte.
  • O executivo camarário de Azambuja invocou a falta de estudos e o princípio da precaução para rejeitar o estatuto de Potencial Interesse Nacional a investimento de dois mil milhões de euros para um mega centro de dados em Alcoentre. Vereadores do PSD recusaram participar na votação, acusando a maioria socialista de falta de transparência. Fonte.
  • Samuel Alito obteve até 2,9 milhões de dólares com ativos do setor do petróleo e do gás desde que integrou o Supremo Tribunal. Estas conclusões surgem num momento em que o Supremo Tribunal se prepara para analisar um processo no qual as petrolíferas Suncor Energy e Exxon solicitaram aos juízes que determinassem que a legislação federal impede os governos subnacionais de intentarem ações judiciais contra os produtores de combustíveis fósseis pelos efeitos de aquecimento global dos seus produtos. Fonte.
  • A Justiça Federal brasileira determinou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis suspenda em definitivo a oferta de 39 blocos exploratórios terrestres da oferta permanente do órgão regulador. As áreas estão localizadas nas bacias Potiguar, Sergipe-Alagoas e Espírito Santo, e algumas já foram concedidas. Fonte.
  • As costas iranianas, em particular na zona da Ilha de Qeshm, encontram-se agora cobertas por espessas camadas de petróleo bruto e alcatrãona sequência de repetidos derrames de petróleo provenientes de petroleiros danificados durante o conflito em curso no Estreito de Ormuz. Fonte.

REFLEXÃO

ISRAEL ESTÁ A PROVOCAR DELIBERADAMENTE INCÊNDIOS FLORESTAIS NO SUL DO LÍBANO
William Christou, The Guardian. Rev. O’Lima.
Guardian graphic. Source: Nasa FIRMS VIIRS data to 11.00 GMT 11 Aug 2026

Os bombeiros, os residentes e os grupos ambientalistas do sul do Líbano acusam as forças armadas israelitas de provocarem deliberadamente incêndios florestais na região. De acordo com as equipas de primeira intervenção, as forças armadas israelitas têm lançado sinalizadores e materiais incendiários, bem como disparado granadas de fósforo branco, provocando incêndios que devastam florestas, olivais e terras agrícolas. Estas ações terão continuado desde que o cessar-fogo com o Hezbollah entrou em vigor, a 17 de junho.

A situação tem sido agravada pelas restrições impostas aos esforços de combate aos incêndios. Num caso, os bombeiros foram obrigados a retirar-se quando um drone atingiu uma zona próxima enquanto tentavam extinguir um incêndio. Noutro caso, as equipas só receberam autorização para combater os incêndios em dois locais, deixando outras áreas a arder. Os grupos ambientalistas descrevem os incêndios como parte de um padrão de longa data de ataques israelitas contra o ambiente natural do Líbano, tendo um especialista referido que se trata de um «ecocídio» que ameaça a biodiversidade, degrada os ecossistemas e compromete os meios de subsistência locais.

BICO CALADO

Agosto 12, 2026. [Ramiz Dallah – Anadolu Agency]
  • As forças israelitas bombardearam edifícios no sul do Líbano na madrugada de ontem, incluindo uma escola, e atacaram um local utilizado para comemorar o Ashura, causando feridos, apesar das negociações de cessar-fogo em curso. Fonte.
  • "Uma semana após assumir o cargo de primeiro-ministro, Andy Burnham cumpriu a missão que lhe foi atribuída: intensificar o militarismo britânico e o apoio à Ucrânia na guerra por procuração da NATO contra a Rússia. Receber Zelensky a bordo do porta-aviões HMS Queen Elizabeth — e não em Downing Street — foi um sinal calculado de que Londres «não vai recuar». Burnham está a pressionar por um envolvimento mais profundo: mais mísseis antibalísticos, fabrico de drones, acesso ao sistema de guerra eletrónica «Stone Cloak» para ataques no interior da Rússia e treino naval para ataques no Mar Negro. A nomeação de Burnham foi um golpe do sistema — orquestrado depois de a demissão de John Healey ter forçado Starmer a sair por não ser suficientemente belicista. Com Healey como ministro das Finanças para financiar as despesas militares, os gestos populistas de Burnham (tarifas de autocarro mais baratas, cerveja) são meras manobras de diversão. A Grã-Bretanha é agora governada por um regime fantoche cujo objetivo é vender a guerra — conduzindo o país para um conflito total, enquanto ignora a crise do custo de vida no país." Finian Cunningham.

LEITURAS MARGINAIS

pAI
José Estêvão de Melo, Diário da Lagoa.

Ilustração: asad_afrdii

Quando era criança, o meu pai sabia tudo. Sabia porque é que o mar era salgado, como se mudava uma torneira, qual o caminho mais curto para qualquer lugar da ilha e o que fazer quando o carro não pegava. A palavra dele encerrava discussões. Se o pai disse, estava dito. Não me ocorria verificar, duvidar ou pedir uma segunda opinião, porque não havia segunda opinião. O pai era, na prática, o meu motor de busca, a minha enciclopédia e o meu sistema de navegação, tudo numa figura só, com a vantagem de também saber assobiar.

Crescer, percebi mais tarde, foi em grande parte o processo de descobrir que o meu pai não sabia tudo. Que havia perguntas para as quais ele encolhia os ombros, respostas que estavam erradas e assuntos em que eu, com o tempo, passei a saber mais do que ele. Essa descoberta não foi uma desilusão, foi uma promoção. Deixar de depender da omnisciência paterna é precisamente o que distingue um adulto de uma criança: aprender a procurar, a comparar fontes, a errar por conta própria e a formar juízo. A autonomia intelectual conquista-se contra a comodidade de ter alguém que responde a tudo.

Ora, é exatamente essa comodidade que a inteligência artificial nos veio devolver, agora em versão melhorada. Os modelos de linguagem atuais respondem a tudo, a qualquer hora, sem impaciência e sem nos mandarem ir brincar para a rua. Escrevem os nossos emails, resumem os documentos que já não lemos, decidem o restaurante, planeiam a viagem, corrigem o código e, cada vez mais, formam a opinião que depois repetimos como nossa. O trocadilho do título não é apenas gracioso: estamos a instalar em casa um novo pai, o pAI, e a regressar voluntariamente à condição de crianças que perguntam antes de pensar.

A diferença, e é uma diferença que me inquieta, está no sentido do movimento. Em relação ao meu pai, o percurso natural era de dependência para autonomia. Em relação à IA, o percurso está a fazer-se ao contrário. Estudos recentes sobre o uso destas ferramentas no trabalho e no ensino apontam para aquilo a que os investigadores chamam «descarga cognitiva»: quanto mais confiamos na máquina, menos exercitamos a capacidade de raciocinar, escrever e decidir sem ela. Um músculo que não se usa atrofia, e o pensamento crítico não é exceção. A criança que eu fui não tinha alternativa ao pai; o adulto que sou tem todas as alternativas ao pAI, e mesmo assim escolhe não as usar, porque perguntar é mais rápido do que pensar.

Sejamos honestos quanto à outra face da moeda, porque ela existe. Eu próprio uso estas ferramentas diariamente e reconheço-lhes um valor real: poupam-me horas de trabalho mecânico, ajudam-me a encontrar o fio de um raciocínio e dão acesso a conhecimento que antes exigia bibliotecas inteiras. O meu pai também não me ensinou menos por eu lhe fazer perguntas; pelo contrário, foi a perguntar-lhe que aprendi. O problema nunca foi perguntar. O problema é deixar de fazer o resto: verificar a resposta, desconfiar dela, contrapor, decidir por nós. Uma criança aceita a resposta do pai como definitiva. Um adulto usa-a como ponto de partida. A questão é saber em qual das duas categorias nos estamos a colocar quando aceitamos, sem pestanejar, o que o modelo nos devolve.

Há ainda um detalhe que torna esta paternidade artificial menos inocente do que a original. O meu pai não tinha acionistas. Não registava as minhas perguntas para me conhecer melhor, não otimizava as respostas para eu voltar mais vezes e não pertencia a uma empresa sediada noutro continente, sujeita a leis e interesses que não são os meus. O pAI, esse, pertence quase sempre a meia dúzia de empresas norte-americanas, e cada pergunta que lhe fazemos é também um dado que lhe entregamos. Já escrevi nestas páginas sobre a nossa vassalagem digital; esta é a sua versão mais íntima, porque já não se trata de onde estão alojados os nossos ficheiros, mas de quem molda a nossa maneira de pensar.

Todos passámos pelo dia em que percebemos que o nosso pai era falível. Foi um dia estranho, talvez até triste, mas foi o dia em que começámos a crescer. Pergunto-me se teremos a lucidez de provocar esse mesmo dia na nossa relação com a inteligência artificial, ou se preferiremos ficar, confortavelmente e para sempre, na idade em que o pai sabia tudo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

ECLIPSES HÁ MUITOS!


Os pastorinhos prontos para ver o eclipse e lançar a sua linha de óculos Fátima Vision.

  • Três burros pastam nas ecostas da aldeia do Amieiro, em Anadia. A sua função é comer toda a vegetação espontânea que cresce perto das habitações, reduzindo o perigo de incêndios florestais. As vantagens dos burros são evidentes: conseguem atuar em encostas íngremes onde tratores não chegam, Cada animal come o equivalente a dez ovelhas, mantendo os terrenos limpos de forma contínua, exercem menos pressão sobre o sol o, limitando a erosão e favorecendo a infiltração da água e fertilizam naturalmente os terrenos. Fonte.
  • Grandes quantidades de sargaço estão a acumular‑se nas praias do Caribe mexicano, especialmente em Playa del Carmen, transformando a água turquesa num mar castanho, com cheiro intenso a ovos podres devido à decomposição. Este fenómeno está a afastar turistas e a causar perdas significativas na restauração e hotelaria. A Marinha mexicana mobilizou 27 navios especializados, barreiras, veículos anfíbios e equipas de limpeza para recolher o sargaço no mar antes de chegar à costa. Apesar disso, a quantidade continua a aumentar: já foram recolhidas mais de 96 mil toneladas em 2026, ultrapassando o total de 2025. Os cientistas apontam várias causas possíveis: aquecimento dos oceanos, excesso de nutrientes e alterações nas correntes marítimas. Fonte.

REFLEXÃO

OS REATORES NUCLEARES MODULARES PEQUENOS NÃO SÃO PEQUENOS
Noel Wauchope, AIMN. Rev. O’Lima.

O SMR NuSCale não é pequeno (repare no homenzinho)

Os grandes argumentos a favor dos pequenos reatores nucleares são o facto de serem modulares e de serem pequenos. Modulares – sim. São uma espécie de LEGO ou IKEA – peças fabricadas num local, depois enviadas para outro local e montadas. (Esse processo também tem os seus problemas – mas hoje vou concentrar-me apenas no aspeto do tamanho reduzido.)

Um reator modular pequeno (SMR) é uma classe emergente de reatores de fissão nuclear com uma potência elétrica nominal inferior a 300 megawatts (MWe). MWe (megawatts elétricos) refere-se especificamente à quantidade de energia elétrica que um sistema pode produzir. Os grandes reatores geram mais de 700 MW(e). Os microrreatores têm uma capacidade que varia entre 1 e 20 MWe.

Agora temos os SMR a serem apresentados como a grande nova fonte de eletricidade – uma espécie de visão de pequenos reatores nucleares espalhados aos milhares por todo o mundo.

Mas isso não é propriamente um plano prático. Então, e se juntássemos vários deles – para poderem produzir uma grande quantidade de eletricidade, e ainda assim pudéssemos chamá-los de Pequenas Centrais Nucleares Modulares?

Estudo de caso 1 – NuScale – a experiência americana


O SMR da NuScale é um reator de água pressurizada (PWR) – um tipo de reator nuclear de água leve. Num PWR, a água é utilizada tanto como moderador de neutrões como fluido de arrefecimento do núcleo do reator. Por isso, é basicamente uma versão reduzida dos grandes reatores nucleares «testados e comprovados». Este foi o primeiro projeto de SMR a obter a licença da Comissão Reguladora Nuclear. O Departamento de Energia aprovou 1,35 mil milhões de dólares para o projeto, ao longo de 10 anos, sujeito a dotações orçamentais.

Em 2015, a NuScale Power e a Utah Associated Municipal Power Systems (UAMPS) planearam uma única central de 12 «módulos» — ou seja, 12 SMRs, que forneceriam 924 MWe — o mesmo que um grande reator nuclear. Portanto, já não era pequeno. Os custos estimados continuaram a aumentar, atingindo 9,3 mil milhões de dólares em 2023. Assim, o plano, agora denominado VOYGR, foi alterado de 12 módulos para 6. Mesmo com 6 módulos e 462 MWe, continua a ser um grande projeto.

Em novembro de 2023, a UAMPS rescindiu oficialmente o acordo CFPP. O projeto de Idaho teria sido a primeira implantação comercial da NuScale. O projeto que deveria demonstrar a viabilidade dos SMR nos EUA estava morto. A NuScale registou uma redução de valor superior a 100 milhões de dólares. O cancelamento causou um choque na indústria dos SMR. O interesse dos investidores, sempre fraco, desmoronou-se. Numa ação coletiva interposta a 15 de novembro, os investidores afirmam que a NuScale «fez declarações materialmente falsas e/ou enganosas e não divulgou factos adversos relevantes sobre os negócios, as operações e as perspetivas da empresa».

A NuScale continua a promover o seu plano VOYGR – na Roménia, Polónia, Cazaquistão, Ucrânia e Filipinas. A empresa continua a queimar dinheiro sem qualquer receita proveniente da exploração dos reatores. O projeto VOYGR continua a ser o único SMR certificado pela NRC.

Estudo de caso 2 – Central MWe Xe-100 da X-Energy – a experiência britânica

Em setembro de 2025, a X-energy e a Centrica assinaram um Acordo de Desenvolvimento Conjunto para a primeira frota nuclear avançada do Reino Unido, com o objetivo de atingir 6 GW a nível nacional, tendo Hartlepool sido identificado como o primeiro local preferencial para uma central Xe-100 de 12 unidades/960 MWe.

O Xe-100 é um reator de 200 MWt (75 MWe). O SMR Xe-100 é um reator modular de leito de esferas (HTGR) arrefecido a gás de alta temperatura. «Utiliza esferas do tamanho de uma bola de ténis, compostas por milhares de micropartículas de combustível TRISO, que consistem em U-235 físsil rodeado por grafite pirolítica, que atua como moderador – abrandando os neutrões rápidos para que dividam de forma mais eficiente o núcleo de U-235.»

Este plano do Reino Unido difere do projeto pioneiro americano, o Nuscale. Utiliza um combustível diferente — um reator nuclear de leito de esferas. Esta tecnologia já foi testada no passado num reator de grande dimensão e revelou-se um fracasso. O Xe-100 apresenta uma nova variante — o TRISO (combustível de partículas isotrópicas triestruturais). Milhares de partículas do tamanho de sementes de papoila são combinadas em formas compactas de combustível. Estes minúsculos grânulos de urânio são envoltos por três camadas de revestimento cerâmico, necessárias para absorver os subprodutos nocivos que se formam durante o processo de fissão atómica.

Tal como o projeto americano NuScale, esta será uma estreia mundial. Ambos os projetos foram amplamente apresentados como seguros. E é verdade – não podem sofrer uma fusão nuclear como aconteceu em Chernobyl ou em Fukushima. Mas, com 462 MWe (o projeto do Utah) e 960 MWe (Hartlepool), são ambas centrais de grande dimensão, com potencial para que acidentes ou ataques terroristas, incluindo perturbações cibernéticas, provoquem a libertação de uma grande quantidade de radiação ionizante para a área circundante. Mesmo dentro da hierarquia nuclear, há receios quanto à segurança do combustível TRISO. E o TRISO gera o maior volume de resíduos de combustível nuclear usado do setor.

O projeto Nuscale do Utah fracassou porque se estava a tornar cada vez mais caro. Apesar do apoio do governo, continuava a ser um projeto de iniciativa privada, e a Utah Associated Municipal Power Systems recusou-se a arcar com os custos.

O projeto Hartlepool X Energy pretende tornar-se um projeto empresarial privado de sucesso, mas conta com o forte apoio da iniciativa «Great British Energy – Nuclear» do governo do Reino Unido, com financiamento proveniente do seu «Future Nuclear Enabling Fund». No entanto, o combustível TRISO é extremamente caro de produzir e, com as incertezas que ainda subsistem quanto à sua segurança, não é provável que esta iniciativa pioneira para Hartlepool venha realmente a atrair a onda de investimento privado que o governo do Reino Unido tem vindo a esperar.

Em ambos os casos, tratou-se de tentativas de mostrar ao mundo ocidental que os pequenos reatores nucleares modulares são um negócio realmente lucrativo — irão alimentar as poderosas centrais de dados, etc.

A aceitação da comunidade é o grande trunfo de que a indústria nuclear necessita desesperadamente

Isto constitui um problema muito menor em nações totalitárias como a Rússia e a China. Ambos os países têm apenas um pequeno reator nuclear em funcionamento e, em ambos os casos, este não tem tido grande sucesso. Tanto a China como a Rússia estão a reforçar o seu arsenal nuclear e não precisam de se preocupar tanto com a aceitação pública da indústria nuclear «pacífica» nem com o consenso da comunidade em questões nucleares.

No mundo ocidental, temos esta ideia pitoresca de democracia, em que as pessoas têm uma grande palavra a dizer na criação de uma nova indústria. A iniciativa privada é muito valorizada e as indústrias de sucesso, com os postos de trabalho que proporcionam, são da máxima importância. Assim, para a indústria nuclear, é vital para a sua sobrevivência ser vista como economicamente viável. Estes dois casos-teste são fundamentais para provar essa viabilidade. A NuScale não cumpriu essa tarefa necessária — talvez a X-Energy o consiga.

De qualquer forma, tudo isto pode mudar. O lóbi nuclear está a promover os microrreatores para uso militar. Nos EUA, estão a pressionar o governo a simplificar regulamentações excessivamente onerosas e a eliminar obstáculos burocráticos desnecessários ao desenvolvimento dos SMR. A segurança, a defesa, etc., tornam-se uma vaca sagrada, e o público parece não se importar que se gaste muito dinheiro nessas áreas. Afinal, é dinheiro dos contribuintes, pelo que não é tão óbvio que precise do «meu» investimento. Assim, no fim de contas, o público em geral poderá vir a aceitar o verdadeiro objetivo da indústria nuclear, e deixará de ser necessário provar que os pequenos reatores nucleares modulares são financeiramente viáveis ou mesmo pequenos.

BICO CALADO

Foto: Prabhat Kumar Verma/Zuma Press Wire/Shutterstock
  • O ministro, a Misericórdia e um cheque de 13,85 milhões por ano. Castro Almeida presidiu à Assembleia-Geral da Misericórdia de São João da Madeira. O Governo a que pertence acaba de lhe entregar o hospital público da cidade e um cheque milionário. Fonte.
  • Portugueses não foram expulsos de restaurante indostânico por falarem português mas por insultarem funcionária. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

HÁ CARTEIRISTAS E CARTEIRISTAS*


Já fui vítima de carteiristas em Lisboa, na Baixa, e em Berlim, dentro de um autocarro. Não tenho qualquer simpatia pela profissão. Mas fico em estado de choque ao ler que um carteirista lisboeta, pouco hábil, cujo maior golpe foi de 600 euros, vai passar muito mais tempo efectivo na prisão do que os últimos três presidentes de bancos condenados em Portugal em conjunto, esses sim, três carteiristas altamente especializados, que pagavam a ministros e políticos, que com os seus métodos criminosos destruíram as poupanças de milhares de portugueses, que causaram prejuízos a privados e ao estado de mais de dez mil milhões de euros (à época dos crimes mais de 5% do PIB de Portugal).

O Supremo Tribunal de Justiça concluiu que o carteirista dos eléctricos 15 e 28 fazia da actividade criminosa um "modo de vida".

Isto para não falar dos gestores públicos e privados das Portugal Telecom, EDP e companhia que aguardam há dez, 15 ou mais anos o desfecho dos processos, instalados nas suas quintas no Douro e no Alentejo, nas suas casas de campo e na praia. Dos demais ex-governantes supeitos ou acusados de corrupção e dos que o deveriam ter sido, mas nunca o foram, nem falo, sob o risco do post cair no populismo. E esse não é o objectivo. O objectivo é passar a mensagem que a democracia tem mecanismos para as pessoas exigirem uma Justiça que funcione contra mais gente do que só contra os pequenos delinquentes que roubam e furtam na rua. A justiça tem também de funcionar de forma efectiva contra os criminosos que se escondem, todos os dias, atrás de empresas, de bancos e cargos públicos, sejam eles empresários da construção civil, donos de grupos de distribuição, banqueiros, gestores públicos e privados, políticos ou governantes.

Autoridades policiais e um sistema judicial que são fortes contra os fracos mas não têm pulso contra os poderosos não tornam o país mais seguro, nem mais próspero, nem mais cumpridor, nem garantem Justiça. Um regime que permite que quem tem dinheiro e poder actue impunemente - sacrificando só de quando em quando ritualmente uma figura do jogo demasiado descarada ou incómoda em longos e espectaculares processos judiciais sem fim - é um regime em que as pessoas deixam de confiar e torna-se uma porta de entrada para o populismo de extrema-direita que corre sempre atrás dos mais vulneráveis. Um populista só denuncia os poderosos corruptos que se opõem à sua agenda, na esperança de os substituir por outros que façam avançar o seu programa. O fundo de comércio do populista de extrema-direita é exigir cada vez mais força contra os fracos e contra as minorias, porque essa é a fórmula redutora, a fórmula simples e fácil de explicar, enquanto ele próprio é financiado pela elite financeira que recorre a todos os truques para não pagar impostos e que, depois de vendidas a electricidade, telecomunicações, autoestradas e parte da saúde, quer privatizar o que resta do Estado.

*O título é da responsabilidade do blogue Ambiente Ondas3.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

REINO UNIDO: SUBMARINOS NUCLEARES PROTEGEM POPULAÇÃO?

  • Os submarinos nucleares irão «proteger a população», afirma o primeiro-ministro britânico Andy Burnham numa visita a Barrow para anunciar um investimento de 8,4 mil milhões de libras em mais armas de destruição maciça. Fonte.
  • À medida que a IA consome grandes quantidades de água e energia, já nos vemos perante uma escolha: centros de dados ou residências? John Harris, The Guardian.

REFLEXÃO

O TELHADO CHEGAVA
Ricardo Meireles, Substack. (Resumo: O'Lima)

Academia de Ginástica de Guimarães, classe A++ no sistema LiderA e projectada para ser energeticamente independente. A avaliação do PSZAER enumera as áreas artificializadas como alternativa ao solo rústico. A alternativa já existe, e o mapa ignorou-a. Foto: Ricardo Meireles

Durante um apagão na Península Ibérica, uma casa com painéis solares ligados à rede ficou às escuras, enquanto outra, com painéis e baterias de chumbo num sistema isolado, manteve a luz acesa porque os sistemas ligados à rede desligam-se por segurança quando a rede cai. Mas há aui um truque: o sistema foi desenhado para privilegiar a rede em detrimento da família.

Em 2007, o Estado português incentivou a microprodução doméstica com tarifas bonificadas. Em 2014, esse regime foi revogado e a remuneração passou a ser definida por licitação, sempre a descer. A partir de 2022, os excedentes de autoconsumo ficaram indexados ao mercado grossista, onde o preço da energia frequentemente chega a zero nas horas de sol. Quem investiu viu o retorno fugir.

Entretanto, o Estado manteve intactas as rendas da EDP — 3,4 mil milhões de euros em indemnizações, incluindo 510 milhões consideradas "rendas excessivas". Durante a austeridade, o governo preservou essas rendas para não desvalorizar a empresa antes da sua privatização.

Agora, o Programa PSZAER designa 456 mil hectares de solo rústico para acelerar projetos de energias renováveis, dispensando avaliação ambiental individual. A área necessária para cumprir as metas do PNEC 2030 ronda 1% do território, mas o mapa identifica 7% — sete vezes mais. E, curiosamente, o mapa afasta-se das áreas artificializadas (telhados, cidades) e concentra-se em zonas rurais, muitas delas ocupadas por eucaliptais.

Vai alimentar toda esta área? Tudo aponta para os centros de dados. Só o projeto da Start Campus em Sines prevê 1,2 gigawatts, praticamente um quinto do pico de consumo nacional. Para alimentar um único cliente industrial com solar são precisos 10 a 12 mil hectares de painéis. O cabo submarino da Google anunciado para Sines e os 40 mil milhões de dólares em investimento em IA fazem de Portugal o quintal solar dos EUA.

No fundo, está a sacrificar-se solo que poderia criar húmus, reter água e resistir ao fogo para vender energia barata a compradores que podem mudar de continente. Estamos perante a velha tragédia portuguesa: vender a matéria-prima e ficar sem o valor acrescentado, como aconteceu com a celulose, o azeite, o lítio. "Que país continua a vender a terra a metro quadrado, quando é da terra, e só dela, que vai depender sobreviver ao que aí vem?"

BICO CALADO

Foto: Ronen Tivony/NurPhoto/Shutterstock
  • A Deloitte e a implosão do Ministério da Educação. António Teodoro, Público.
  • Donos do Pingo Doce registam influência nos media: 4.751 notícias valeram 165 milhões. A Fundação Francisco Manuel dos Santos construiu uma extensa presença mediática, com parcerias que alcançam praticamente todos os grandes grupos de comunicação social. O relatório da fundação contabiliza milhares de notícias e atribui-lhes um valor publicitário equivalente de 165 milhões de euros, mas omite aquilo que importa conhecer: quanto é pago aos órgãos de comunicação social no âmbito dessas relações. Página Um.
  • Entrou em vigor o Decreto-Lei n.º 160/2026, de 4 de agostoque altera o Código das Expropriações e atribui às Assembleias Municipais a competência para declarar a utilidade pública das expropriações promovidas pelas Câmaras Municipais, eliminando a necessidade de validação prévia por parte do Governo. Esta manobra não é mais do que a descentralização da coação. Os autarcas passam a ser os testas de ferro de uma engrenagem forjada em secretarias tecnocráticas, que visa transformar o país numa zona franca industrial para a transição energética e a inteligência artificial de gigantes como a Sonnedix ou a Lightsource bp. Aquilo que nos vendem como modernização e autonomia é, pura e simplesmente, a delegação de poderes de espoliação. Assim que uma câmara municipal ganha o poder de expropriar ao abrigo de critérios de utilidade pública desenhados pelas prioridades climáticas ibéricas, o território deixa de ser de quem o trabalha para ser de quem primeiro apresentar um projeto de painéis ou de cabos. A lei acomoda-se, os fundos entram pela porta do cavalo, os escritórios de advogados montam os negócios e os autarcas assinam os despejos.

LEITURAS MARGINAIS

DON CORLEONE TRUMP
Chris Hedges, Substack. Rev. O’Lima.

A Casa Branca de Trump gere um esquema de extorsão ao estilo da máfia que vai levar o país à falência, tal como Trump levou os seus casinos à falência.


Visitei o Taj Mahal Casino, de Donald Trump, em Atlantic City, na véspera do seu encerramento, em outubro de 2016. O casino tinha dois enormes portões brancos ladeados por elefantes brancos de pedra moldada, de 2 toneladas cada. A sua entrada era coroada por um conjunto de 70 minaretes de fibra de vidro em tons de turquesa e azul-petróleo e por uma dúzia de cúpulas com pontas douradas. Um letreiro de néon com letras vermelhas e douradas dizia: «Trump Taj Mahal Casino and Resort». Uma fonte iluminada em frente às portas de vidro do casino estava decorada com duas filas de seis urnas brancas e douradas.


O Trump Taj Mahal, o edifício mais alto de Nova Jérsia e o maior casino do mundo, custou 1,2 mil milhões de dólares a construir. As suítes opulentas, aquando da sua inauguração, receberam nomes de figuras históricas — Alexandre, o Grande, Miguel Ângelo, Napoleão e Cleópatra. As suítes custam cerca de 10 000 dólares por dia. Trump, cujo nome e imagem estavam espalhados por todo o casino, recorreu à sua habitual hipérbole para o designar como a «oitava maravilha do mundo». Os operadores do casino receberam instruções para atender as chamadas com as seguintes palavras: «Obrigado por ligar para o Trump Taj Mahal, onde as maravilhas nunca cessam.» As empregadas de mesa usavam trajes de «raparigas do harém».

O casino entrou em falência cinco vezes.

Trump está a fazer ao país o que fez ao Taj Mahal. A sua administração está a funcionar muito acima das suas possibilidades, com um orçamento de 7,4 biliões de dólares para o ano fiscal de 2026, face a receitas previstas de apenas 5,6 biliões de dólares. A idiotice de Trump envolveu os EUA numa guerra interminável e impossível de vencer contra o Irão, o que poderá afundar a economia global. Está prestes a cortar a cobertura de saúde a 15 milhões de pessoas, juntamente com a ajuda alimentar e outros programas de necessidades básicas. Desempregou milhares de funcionários públicos. Encerrou a USAID, o Instituto da Paz dos EUA e o Kennedy Center. Esvaziou a Voz da América e promete encerrar o Departamento de Educação. Retirou-se da Organização Mundial de Saúde e do Acordo de Paris sobre o Clima (duas vezes). Manteve a suspensão do financiamento à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos no Próximo Oriente (UNRWA), que tinha sido iniciada durante a administração Biden. Cancelou milhares de projetos de desenvolvimento internacional financiados pelos EUA. Apagou bases de dados governamentais e páginas web relacionadas com o clima. Reduziu drasticamente os orçamentos destinados a iniciativas de energias renováveis, ao mesmo tempo que revogou regulamentos federais relativos às emissões de carbono e à poluição.

As suas políticas de terra queimada, que estão a minar os alicerces da república, são acompanhadas por uma cultura de corrupção e engano sem paralelo na história dos EUA.

Trump, cujos responsáveis enfrentam acusações de abuso de informação privilegiada e cuja família lucrou mais de 1,4 mil milhões de dólares com empreendimentos relacionados com criptomoedas desde que assumiu o cargo, lucra descaradamente com a fusão entre mercados de previsão baseados em criptomoedas não regulamentados e a política, pioneira em aplicações de apostas, como a Polymarket.

A empresa de capital de risco de Donald Trump Jr., a 1789 Capital, é um dos principais investidores na Polymarket, onde ele integra o conselho consultivo. Tem um património líquido estimado em 400 milhões de dólares. Desempenha também funções de consultor estratégico na Kalshi, que lhe concedeu uma participação na empresa no valor de cerca de 300 000 dólares — cujo valor está agora estimado em milhões. A Kalshi anunciou recentemente que permitirá aos utilizadores apostar se a FDA irá aprovar medicamentos específicos como «seguros e eficazes».

A Truth Social, de Trump, está desenvolvendo um mercado de previsões chamado Truth Predict. A sua administração processou Connecticut, Arizona e Illinois na tentativa de impedir que esses estados regulem os mercados de previsões. A Truth Social também lançou um serviço de US$ 100 mil por mês que oferece acesso mais rápido às postagens manipuladoras de mercado de Trump — uma versão disfarçada de insider trading.

A Casa Branca, replicando as extorsões no estilo mafioso da cultura dos casinos de Atlantic City, exige grandes pagamentos de corporações e bilionários em troca de favores políticos e desregulamentação. O Wall Street Journal escreve que Trump acumulou um fundo secreto de US$ 800 milhões para projetos pessoais, incluindo o seu salão de baile, biblioteca presidencial, super PACs e comitês de pautas políticas.

A principal arrecadadora de fundos de Trump, Meredith O'Rourke, apelidada de "a princesa das trevas", recolhe os subornos com a proposta direta: "O chefe quer esse dinheiro." A exigência inegociável foi tirada do manual de Nicodemo "Little Nicky" Scarfo, o chefe da família criminosa Bruno-Scarfo, cujo esquema de extorsão arrecadou milhões de empresas de construção, comércios, bares, restaurantes e sindicatos de Atlantic City — que viram os seus fundos de saúde e bem-estar saqueados — além de casinos. E, assim como a máfia, uma vez nunca é suficiente para o sindicato do crime de Trump. Eles voltam sempre para pedir mais.

Trump, que como a maioria dos mafiosos é acompanhado por uma "comare" muito mais jovem — sendo a mais recente sua assistente executiva Natalie Harp — tem um longo histotial de retaliação no estilo mafioso. Ele emitiu ordens executivas visando escritórios de advocacia que anteriormente empregavam advogados que o investigavam. As firmas perderam credenciais de segurança e acesso aos tribunais federais. Tentando apaziguar Trump, elas submeteram-se covardemente às suas exigências.

Quando cheguei ao casino de Trump, o terminal de autocarros turísticos com 22 vagas estava vazio. A maioria dos 12 restaurantes do casino estava fechada. A arena do casino, com capacidade para 5.500 pessoas, havia fechado as portas.

“Ao entrar no Taj Mahal, freluzentes lustres de cristal austríaco, que custam 14 milhões de dólares cada, pendiam sobre o interior suavemente iluminado”, escrevi em America: The Farewell Tour. “Muitos estavam sem colares de contas. As paredes estavam cobertas de espelhos. Olhei para fileiras de mesas de jogos, mesas de blackjack, roletas e três mil máquinas caça-níqueis que cintilavam com luzes coloridas. As máquinas emitiam bipes, zumbidos e sons de vários tons. Estendiam-se por uma área do tamanho de três campos de futebol. O salão de jogos estava quase vazio. Os crupiês estavam em frente a mesas vazias, cobertas de feltro. A maioria dos jogadores que se acomodavam nas cadeiras almofadadas em frente às máquinas caça-níqueis eram idosos e abatidos. Puxavam alavancas mecanicamente ou apertavam botões quadrados. Olhavam fixamente para as telas giratórias à sua frente. Uma única máquina caça-níqueis gera entre 200 e 300 dólares por dia para o casino. Os jogadores assíduos recebem bebidas de cortesia. As camareiras ocasionalmente entram nos quartos e encontram os cadáveres de homens ou mulheres idosos que passaram horas bebendo mais álcool do que os seus corpos conseguiram absorver. Não é incomum que os jogadores de caça-níqueis se urinem e se sujem.”

“Os dezessete balcões de check-in computadorizados perto da entrada estavam vazios”, continuei. “Um funcionário solitário estava atrás do longo balcão, de frente para cordas vazias. Os sifões das casas de banho, adornados com mármore Carrera, estavam cobertos com sacos plásticos com cartazes dizendo 'Avariado'. Caminhei ao longo do carpete sujo e gasto por corredores longos, desertos e mal iluminados nos andares superiores. Luzes de parede bege semicirculares, algumas com lâmpadas queimadas, estavam colocadas a cada poucos metros de cada lado do corredor. Estavam sujas e rachadas. O teto tinha manchas acastanhadas de água. O ar cheirava a mofo. Três quartos dos 1.250 quartos estavam desativados. O casino parecia um navio fantasma.

O jogo, assim como a universidade fraudulenta de Trump e a sua criptomoeda $TRUMP, consiste em vender fantasias escapistas. Consiste em explorar o desespero das pessoas. Os rolos giratórios das máquinas caça-níqueis, por exemplo, são uma ilusão. Eles não perdem o impulso gradualmente. São programados para parecerem assim. Chips de computador determinam o resultado no momento em que o botão é pressionado ou a alavanca é puxada. O mapeamento virtual dos rolos garante que um símbolo de jackpot apareça acima ou abaixo da linha de pagamento. O jogador tem a impressão de estar quase a ganhar, o que o incentiva a apostar mais dinheiro.

Desde os seus primeiros dias como empreendedor imobiliário, Trump esteve envolvido com a máfia, incluindo o seu advogado implacável, Roy Cohn. Cohn representava Anthony "Fat Tony" Salerno, chefe da família criminosa Genovese, e Carmine Galante, da família criminosa Bananno. Trump foi instruído por Cohn e outros na arte da extorsão, chantagem, ameaças e corrupção. Ao longo da sua carreira, ele cercou-se de mafiosos, vigaristas e bajuladores.

Joseph Weichselbaum, um criminoso reincidente que acabou preso por tráfico de maconha e cocaína, administrava a frota de helicópteros de Trump. Os helicópteros transportavam grandes apostadores de e para os casinos de Trump. Esses grandes apostadores podiam obter tudo o que desejassem, desde sexo com acompanhantes até cocaína. O fácil acesso de Weichselbaum às drogas provavelmente era uma vantagem. Quando Weichselbaum aguardava a sentença, Trump escreveu ao juiz dizendo que ele era "um exemplo para a comunidade". O traficante recebeu uma sentença de três anos, embora tenha cumprido apenas 18 meses. Os correios que entregavam fisicamente as drogas para Weichselbaum receberam penas de até 20 anos. Quando foi libertado da prisão, Weichselbaum mudou-se para a Trump Tower com a sua namorada.

O casino de Trump foi inaugurado em 1990 com um show de Michael Jackson. Era uma extravagância construída com US$ 820 milhões em dívidas insustentáveis, incluindo a emissão de US$ 675 milhões em títulos de alto risco com juros de 14%. Marvin B. Roffman, analista de casinos da empresa de investimentos Janney Montgomery Scott, de Filadélfia, disse ao The Wall Street Journal que o Taj Mahal precisaria de faturar US$ 1,3 milhão por dia para pagar os juros. Nenhum casino tinha arrecadado tanto dinheiro.

“O Taj estava fadado ao fracasso desde o início”, escrevi. “Trump teve logo que arcar com juros de US$ 95 milhões por ano. Ele conseguiu novos empréstimos durante algum tempo e depois faliu. Foi um breve e vertiginoso momento de excessos insanos. Mas foi bom para a sua marca gigantesca, mesmo que tenha demonstrado uma terrível falta de senso comercial. Trump pediu dinheiro emprestado a juros altos e mentiu sobre as taxas para os órgãos reguladores. Trump repassou os prejuízos para os acionistas e detentores de títulos, que foram lesados ​​em mais de US$ 1,5 bilião. Numerosos empreiteiros e fornecedores locais, nunca pagos por Trump, faliram.”

Trump teve sempre sorte. Investiu pouco do próprio dinheiro. Transferiu dívidas pessoais para o casino e recebeu milhões de dólares em salários, bônus e outros pagamentos. Os seus funcionários do casino perderam coletivamente milhões de dólares nas suas economias para a aposentação, além do seus empregos. As suas dívidas comerciais foram repassadas para os seus investidores.

Trump possuía três casinos em Atlantic City e um em Gary, Indiana. Os casinos Trump Plaza e Trump Taj Mahal foram fechados. O Trump Marina, seu terceiro casino, foi vendido para o bilionário texano Tilman Fertitta. Fertitta, atualmente embaixador de Trump na Itália, renomeou-o para The Golden Nugget. O cassino de Trump em Indiana, uma embarcação de 104 metros chamada Trump Princess, declarou falência em 2004. Todos fracassaram devido à ganância insaciável e à má administração de Trump.

Trump está fazendo com a nação o que fez com o Taj Mahal. Ele está explorando e extorquindo as organizações que supervisiona para obter lucro pessoal, enquanto o resto do país nós fica desolado no meio de ruínas.