sexta-feira, 20 de maio de 2022

Espanha: agricultura e pecuária intensiva estão a envenenar a água

  • O modelo predominante de agricultura e pecuária está a deixar-nos com água de bosta. A pecuária industrial, com os seus excrementos excessivos derivados da elevada concentração de animais nas macro-unidades, e a agricultura industrial, com a sua utilização maciça de fertilizantes, estão a envenenar o nosso recurso mais precioso: a água. Ambas as atividades estão a gerar uma quantidade completamente anormal de nitratos que o ambiente não consegue suportar e que estão a acabar nas nossas águas. A Greenpeace promoveu a criação de uma Rede de Monitorização Cidadã e, durante o último ano, numerosos grupos e voluntários fizeram medições com equipamento que foi distribuído para descobrir a concentração de nitratos na água nos seus municípios. Durante o processo de amostragem, foi detetado que algumas cidades estão a beber água que excede os limites legais para o consumo humano sem saberem. Foram estas medições que alertaram para a situação, forçando as autarquias locais a tomar medidas. Greenpeace.
  • A vereadora bloquista Beatriz Gomes Dias denunciou que o presidente da Câmara de Lisboa quer fazer regressar a ciclovia da Almirante Reis a um modelo perigoso e que não funcionou quando foi testado. Moedas anunciou que vai desobedecer à decisão dos vereadores de proibir trânsito automóvel na Avenida da Liberdade aos domingos e feriados. Esquerda.
  • A Alemanha diz que vai votar contra os planos da UE de rotular a energia nuclear como um investimento verde.  Kate Abnett, Reuters/Euronews.
  • As principais fabricantes de automóveis e companhias aéreas estão a utilizar anúncios que pretendem tornar o seu negócio mais ecológico, enquanto continuam a promover produtos altamente poluentes que colocam em risco os objetivos climáticos mundiais. Uma investigação DeSmog, encomendada pela Greenpeace Holanda, analisou mais de mil anúncios no Facebook e Instagram colocados por dez marcas europeias de transporte bem conhecidas no último ano. A análise concluiu que as empresas de automóveis - Peugeot, Renault, Citroën, Fiat e Jeep - estão a promover produtos e iniciativas "verdes" na maioria da sua publicidade, utilizando simultaneamente anúncios para promover veículos altamente poluentes, como os SUVs. O estudo revelou que as companhias aéreas, pelo contrário, optaram, na sua maioria, por ignorar completamente a crise climática na sua publicidade. Os voos "low-carbon" apareceram em menos de 10% dos anúncios da indústria, que optaram por incentivar as viagens aéreas com acordos, ofertas e promoções de baixo custo. Apesar dos compromissos ecológicos, todas as empresas analisadas - tanto automóveis como companhias aéreas - têm feito lóbi contra medidas para reduzir as emissões, quer diretamente, quer através de grupos industriais. Rachel Sherrington, Desmog.
  • A poluição atmosférica causou mais de 2,3 milhões de mortes prematuras na Índia em 2019, o maior número de mortes prematuras em todo o mundo, de acordo com um novo estudo publicado pela The Lancet. Independent.
  • A autonomia energética da União Europeia e as histórias da Carochinha. Carlos Matos Gomes, Medium.

Reflexão - O vento espalha as secas

Tal como os incêndios florestais, as secas espalham-se com o vento, conclui um estudo publicado na Nature Geoscience. Investigadores da Universidade de Gand na Bélgica descrevem que uma área sujeita a uma seca severa se espalhará e contribuirá para a seca de áreas a favor do vento.

Este fenómeno é particularmente pronunciado em zonas áridas, onde a evaporação está diretamente relacionada com a humidade do solo e menos com a vegetação. Em períodos de seca severa, a evaporação da água do solo é reduzida e o ar é, portanto, muito seco. Este ar seco limitará o abastecimento atmosférico de água nas zonas a jusante e, por conseguinte, aumentará a seca. "É um círculo vicioso", diz Diego Miralles, co-autor do estudo. O solo seco produzirá ar seco que, por sua vez, secará o solo a jusante, e assim por diante.

Esta descoberta não é totalmente nova. Os hidrólogos sabem que uma diminuição da evaporação reduz a precipitação localmente. E inversamente, perante uma aumento de evaporação, pode verificar-se o aumento da precipitação numa região. "Mas até agora, ninguém identificou uma propagação da seca no sendido do vento", diz Diego Miralles, ecologista da Universidade de Ghent. As regiões tropicais e zonas temperadas são menos afetadas graças às florestas, que, ao humedecerem o ar, quebram este mecanismo de secagem contínua do solo e do ar.

Utilizando dados das quarenta secas mais recentes do mundo, a equipa de Gand conseguiu quantificar a parte relacionada com este mecanismo de auto-propagação. Em zonas áridas, a precipitação pode diminuir entre 15% e 30%. Em regiões mais a norte, esta proporção não excede 10%. "Com as alterações climáticas e a diminuição da humidade do solo, este fenómeno pode também tornar-se mais pronunciado na Europa", diz Diego Miralles. "À luz das projetadas reduções generalizadas da disponibilidade de água, este feedback poderá exacerbar ainda mais futuras secas", sublinham os autores.

Magali Reinert, Reporterre.

 

Bico calado


'Hei, então não se investiga este assassinato?'
'Não há tempo para investigações. Tenho funerais para atacar!' 

  • «Quero juntar-me ao, infelizmente, pequeno coro de revoltados pelo assassinato da jornalista palestiniana Shireen Abu Akleh. Quero indignar-me, unido aos poucos que me acompanham nessa revolta, com a carga policial sobre o cortejo fúnebre da também cidadã norte-americana Shireen Abu Akleh. Quero aplaudir, com os raros que não discriminam as vítimas mortais conforme a nacionalidade e a política dos agressores, as pessoas que seguraram o caixão de Shireen Abu Akleh e, enquanto recebiam bastonadas, tentaram tudo para o segurar, tenazes, da queda no chão. (…) Quero denunciar, com a rara companhia que encontrar, o Estado de Israel por transformar a luta pelo seu legítimo direito à existência num processo ilegal de expansão territorial, de desumana opressão sobre uma população, de exercício de terror sistemático sobre civis pobres, como relatava frequentemente, para a televisão Al Jazeera, a jornalista Shireen Abu Akleh. Quero recordar, com alguns que têm memória, que Israel recusa, há anos, ser investigada sobre crimes de guerra, nega a entrada no país de representantes de tribunais internacionais, rejeita receber o relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos. (…) Quero sublinhar, para resistentes a branqueamentos seletivos, que os bombardeamentos aéreos sucessivos e massivos levados a cabo por Israel sobre a Faixa de Gaza, em áreas densamente povoadas, vitimam sobretudo civis inocentes, às centenas: por exemplo, há uns tempos uma operação dessas, que durou 51 dias, matou 2250 palestinianos, incluindo 551 crianças. Este tipo de crimes era reportado por Shireen Abu Akleh. (…) Quero notificar, para o deserto dos que se importam com a dualidade de critérios que manda neste mundo, o quanto é diferente a atual paixão solidária para com o povo ucraniano, vítima cruel da invasão russa e da política de expansão da NATO, da angustiante serenidade quase indiferente com que se assiste à sucessão de, não vejo outro termo, crimes de guerra cometidos por Israel, nem à aparente lenta operação de expulsão total dos palestinianos do restinho de país que lhes deixaram na Faixa de Gaza. Posso querer isso tudo mas, inconformado, vaticino: Shireen Abu Akleh será rapidamente esquecida. Não é a única.» Pedro Tadeu, Quem se importa com este homicídio? - DN 18mai2022.
  • Segundo Wyatt Reed, ser um jornalista ocidental é fácil se se seguir algumas orientações simples: Oligarca = empreendedor; Autoritário = Lei e Ordem; Polícia secreta = polícias à paisana; Esmagar a Oposição = controlo anti-motim; Gulacs = campos de trabalho; Invasão = intervenção; Crimes de guerra = danos colaterais; Armas = Apoio letal; Rendição = Evacuação.
  • Cerca de 100 armas nucleares norte-americanas cercam a fronteira da Rússia. JACOB PAUL, Express.
  • O lado certo da História. Major-general Raul Cunha, TVI.
  • «Na economia esclavagista havia até um negócio paralelo, tão constrangedor que nunca recebeu grande destaque na história da escravidão: a reprodução sistemática de cativos, com o objetivo de vender as crianças, da mesma forma como se comercializam animais domésticos. Era uma prática tão repulsiva, que são esparsos os relatos de experiências conduzidas em Portugal, Espanha e Estados Unidos. Uma delas foi registada no Palácio Ducal de Vila Viçosa, sede dos duques de Bragança, a dinastia que assumiria o trono de Portugal a partir do fim da União Ibérica, em 1640, com a ascensão de dom João IV ao poder. Ao visitar o local em 1571, o italiano Giambattista Venturino surpreendeu-se com a existência ali de um centro de reprodução de escravos. Segundo ele, eram tratados da ‘mesma forma como as manadas de cavalos são na Itália’, com objetivo se obter o maior número possível de crianças cativas que seriam vendidas em seguida por preços entre trinta e quarenta escudos.» Laurentino Gomes, Escravidão – Porto Editora 2021, p 184

quinta-feira, 19 de maio de 2022

UE dá luz verde às empresas para comprar gás da Rússia

  • A União Europeia disse que as empresas podem continuar a comprar gás sem infringir sanções, uma vez que suavizou a sua posição num impasse com Moscovo sobre o fornecimento de energia. Nas recomendações atualizadas, a Comissão Europeia disse que as empresas deveriam fazer uma declaração clara de que consideram as suas obrigações cumpridas uma vez que paguem em euros ou dólares. Ewa Krukowska e Alberto Nardelli, Bloomberg/Aljazeera.
  • A francesa Engie assinou um acordo para comprar gás natural l.iquefeito dos EUA enquanto a Bulgária e a Polónia concordaram em importar gás de fraturação hidráulica dos EUA. Anna Shiryaevskaya, Jess Shankleman e John Ainger, Bloomberg.
  • A Earthsight não obteve da BMW provas para apoiar a alegação do fabricante de automóveis de que a a sua investigação sobre o couro do Paraguai era "incorrecta". A falta de provas convincentes mostra mais uma vez que o couro não deve ser retirado de uma próxima proibição da UE de importação de produtos ligados à desflorestação e às violações dos direitos humanos no estrangeiro. Uma alteração recente que propõe excluir o couro da nova lei não deve ser apoiada pelo Parlamento Europeu. Earthsight.
  • A Ucrânia prepara acusação de crimes ambientais contra Rússia.  O governo ucraniano já terá identificado 231 alegados crimes. Para tal, para além de imagens de satélite, representantes ucranianos estão de visita a áreas recém-libertadas no norte enao leste do país para verificar os impactos ambientais da guerra. A liberação de poluentes químicos no solo, no ar e na água, a destruição de infraestruturas do setor de petróleo e gás e ataques às centrais nucleares de Chernobyl e Zaporizhzhya constam da lista. O precedente usado pelos ucranianos é o do Kuwait nos anos 1990: depois de ter sido invadido pelo Iraque, o país recorreu ao Conselho de Segurança da ONU para exigir compensação pelos danos ambientais causados pela ação militar de Saddam Hussein no país. Durante sua retirada do país, tropas iraquianas incendiaram poços de petróleo no meio do deserto, com grande impacto ambiental. Uma comissão da ONU concordou com a proposta e o Iraque foi forçado a pagar US$ 52,4 biliões ao Kuwait. Célia Mello, ClimaInfo. Qual terá sido o montante de indemnizações pelos crimes ambientais provocados, por exemplo, pelas bombas atómicas de Hiroshima e Nagazaki, durante a Segunda Guerra Mundial e pelo agente laranja durante a guerra do Vietname ou pelas bombas de fragmentação da NATO na antiga Jugoslávia?
  • A comunidade Madera diz que os pesticidas agrícolas estão a prejudicar os residentes. A Califórnia vai ajudar? GREGORY WEAVER, The Fresno Bee.
  • O governo australiano confirmou ter assinado que um contrato no valor de $32,5 milhões para a companhia de navegação global Trafigura transportar carvão para a Ucrânia. Não é claro quanto deste dinheiro acabou nas contas da mineira Whitehaven. O governo recusou-se a comentar se este carvão chegou à Ucrânia ou mesmo se deixou as costas australianas. Um porta-voz afirmou: "Os detalhes do transporte permanecem confidenciais para proteger o navio, a tripulação e a carga". Callum Foote, MWM.

Mão pesada

O Peru processa a Repsol em 4.500 milhões de dólares por derrame de petróleo. Esquerda. Perante o imenso derrame, o Perú declarou emergênciaambiental e as pessoas correram aos barbeiros para, com osresíduos, acelerarem a operação de limpeza do litoral afetado. Posteriormente, um juiz proibiu o director da Repsol noPeru e três outros executivos de deixar o país durante 18 meses enquanto o governo investigava o derrame ocorrido a 15 de janeiro. 

A US Steel foi multada em $1,5 milhões por violações de regras ambientais numa na área de Pittsburgh. Reid Frazier, State Impact.

Reflexão – ‘Fraturação hidráulica, uma arma de arremeço - Cruzada ucraniana de Joe Biden’

Fonte: Drilling Maps

Durante a sua visita de dois dias a Kiev, o Vice-Presidente Joe Biden revelou o "Pacote de Apoio à Crise dos EUA para a Ucrânia" do Presidente Barack Obama.

Com a atual ocupação russa da Crimeia a servir de pano de fundo para a viagem, Biden fez da Rússia de Vladimir Putin e do seu domínio do mercado global do gás uma das peças centrais de um discurso chave que proferiu enquanto esteve em Kiev.

"Estamos prontos para vos ajudar a alcançar a segurança energética. Imagine onde estariam hoje se fôssemos capazes de dizer à Rússia: fiquem com o vosso gás. Seria um mundo muito diferente que teriam hoje".

A indústria norte-americana do petróleo e do gás há muito que faz pressão para 'armar' a sua proeza para se defender do domínio do mercado global russo do gás. Tem-no feito principalmente de duas maneiras. Primeiro, transformando o Departamento de Estado dos EUA num promotor global de fraturação hidráulica através do seu Programa de Envolvimento Técnico Não Convencional no Gás (anteriormente a Iniciativa Global do Gás de Xisto), que é uma parte chave, embora menos falada, do "Plano de Ação Climática" do Presidente Obama. Segundo, exportando gás de fraturação hidráulica dos EUA para o mercado global, nomeadamente para países da UE atualmente muito dependentes do gás da Rússia.

Neste sentido, a crise na Ucrânia - como Naomi Klein escreveu num artigo recente - serviu apenas como uma "doutrina de choque" para fazer passar planos que já estavam há muito em preparação. Por outras palavras, é "vinho velho numa garrafa nova".

Dentro da secção de segurança energética do pacote de ajuda, a Casa Branca promete, "nas próximas semanas, equipas de peritos de várias agências governamentais dos EUA viajarão para a região para ajudar a Ucrânia a satisfazer as necessidades energéticas imediatas e a longo prazo". 

Essa secção contém três coisas principais que os EUA farão para assegurar que as companhias petrolíferas e de gás dos EUA continuem a lucrar durante este impasse geopolítico. Ajuda com os gasodutos e garantia de acesso ao gás a meio da produção. "Hoje, chegou a Kyiv uma equipa norte-americana de peritos de várias agências para ajudar a Ucrânia a assegurar fluxos invertidos de gás natural dos seus vizinhos europeus", explica a ficha informativa da Casa Branca. "A inversão dos fluxos de gás natural fornecerá à Ucrânia fontes de energia adicionais imediatas". Assistência técnica para ajudar a impulsionar a produção de gás convencional na Ucrânia. Ou seja, gás obtido não a partir de fraturação hidráulica e perfuração horizontal, mas através da perfuração vertical tradicional.

Como explica a Casa Branca, "os EUA juntar-se-ão ao Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento e outros em maio para ajudar a Ucrânia a desenvolver uma iniciativa de investimento público-privado para aumentar a produção de gás convencional dos campos existentes para impulsionar o fornecimento interno de energia. Uma equipa técnica irá também envolver o governo em medidas que ajudarão o governo ucraniano a assegurar uma implementação rápida e ambientalmente sustentável dos contratos assinados em 2013 para o desenvolvimento do gás de xisto", diz a Casa Branca.

Ironicamente, enquanto o governo dos EUA se une ao Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento para ensinar a Ucrânia a extrair gás através da fraturação hidráulica, o "império privado" ExxonMobil com sede nos EUA está a fazer o mesmo trabalho na Rússia para ajudar o país a explorar a sua recompensa de petróleo e gás de xisto. Entre as suas inúmeras parcerias com a indústria russa de petróleo e gás, a ExxonMobil assinou uma joint venture em dezembro de 2013 com a empresa estatal Rosneft para a ajudar a explorar a enorme bacia do xisto Bazhenov. Segundo a Forbes, o Bazhenov tem cerca de 80 vezes o tamanho do xisto Bakken, neste momento, de longe, o maior campo de gás nos EUA, visível do espaço.

Tradicionalmente, os missionários fazem trabalho de caridade ao serviço da humanidade. Mas o enorme impacto climático da fraturação hidráulica - dada a matemática das alterações climáticas - põe em causa aqueles que fazem o trabalho do Senhor na esfera do gás de xisto.

Assim, no caso do governo dos EUA e da Ucrânia, o conceito de trabalho missionário virou de pernas para o ar. Ou seja, as empresas mais lucrativas à face do planeta - tanto nos EUA como na Rússia - estão dispostas a lucrar à custa de todos os outros, incluindo a estabilidade do sistema climático da Terra.

Steve Horn, The Ecologist - 25 de abril de 2014


Bico calado


  • Terrorista de Buffalo defendia supremacia branca. Público 16mai2022. O Público sabe lavar bem quando lhe convém. O terrorista ‘defendia’, mas será que agora já não defende? Mais: de ‘terrorista’ na chamada de orimeira página, o tipo é lavado e torna-se ‘atirador’. O verbo no pretérito imperfeito lava a ‘coisa’ pela segunda vez.

Loja (direita), President Albuquerque (centro) and Knut Svanholm (esquerda)na Madeira em maio de 2022. Fonte: Loja. 

  • A Madeira "adoptou" o Bitcoin. Miguel Albuquerque, o presidente do Governo Regional da Madeira, subiu ao palco em abril durante a conferência Bitcoin 2022 em Miami para anunciar: "Eu acredito no futuro, e acredito no Bitcoin". Disse também que iria trabalhar para "criar na Madeira um ambiente fantástico para o Bitcoin". na Madeira e em todo o país existe um imposto zero sobre as mais-valias de Bitcoin. Isto significa que sempre que um dos residentes da Madeira disponha, gaste ou utilize BTC, não precisa de ser declarado às autoridades fiscais. André Loja, um empresário madeirense que liderou o plano de trazer a BTC para o arquipélago, contou com o apoio de bitcoiners de todo o mundo, incluindo Daniel Prince, Jeff Booth e Michael Saylor, CEO da MicroStrategy. Para tal, Loja está a fundar a Sound Money Foundation, um centro de educação Bitcoin na Madeira. O centro procura ajudar os locais a compreender melhor a moeda criptográfica desde a mais tenra idade. Acompanhando o esforço de educação e o enfoque na melhoria da "alfabetização financeira", a cidade natal da Loja também atrai as empresas Bitcoin com incentivos fiscais atraentes. No Centro Internacional de Negócios, no Funchal, as empresas pagam apenas 5% de imposto comercial, uma taxa altamente competitiva. Portugal já era um pólo de florescimento para os Bitcoiners individuais, mas as empresas podem agora colher os benefícios. A Loja planeia que o governo autónomo da Madeira mine a Bitcoin com restos de energia renovável - uma vez que a ilha tem vento e luz solar abundantes - e até utilize "uma carteira com várias assinaturas para o governo trabalhar financeiramente com a Bitcoin". Como resultado, o governo assumiria a custódia total das minas de Bitcoin que explora, assumindo o controlo das chaves privadas. Loja salientou que a rede de energia elétrica é uma "empresa pública" autónoma, pelo que qualquer Bitcoin minada pela rede iria para as carteiras multi-sig do governo. Cointelegraph. Bitcoin afunda mais de 10%. O que explica o "mini crash" cripto? Jornal de Negócios. Querem ver que a culpa foi da Madeira?

  • Orpea, um dos maiores prestadores de cuidados domiciliários do mundo, confiou numa obscura exploração luxemburguesa chamada Lipany enquanto se expandia na Europa.  Desde pelo menos 2009, os principais executivos transferiram milhões de euros de ativos para esta estrutura paralela e cometeram várias irregularidades. A Orpea está  cotada na bolsa de Paris. Estabelecida em 23 países, dispõe de uma rede de 1.100 instalações médicas com 111.800 camas. O seu incrível crescimento encheu os bolsos dos seus accionistas e transformou Jean-Claude Marian, o seu fundador, num multi-milionário. Maxence PeignéLeïla Miñano e Lorenzo Buzzoni, Investigate Europe.
  • O novo projeto de constituição do Chile irá pela primeira vez reconhecer o direito dos povos e nações indígenas às suas terras, territórios e recursos. Fontes: MercoPress e TeleSur.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Canadá: ambientalistas processam governo por aprovar projeto de extração de petróleo

Grupos ambientalistas estão a processar o governo canadiano por aprovar um projeto de extração de petróleo dois dias depois de a principal autoridade mundial em matéria de ciência climática ter advertido que as infra-estruturas de combustíveis fósseis deviam ser reduzidas. Chloé Farand, CCN.

Reflexão – Onde irão parar tantos ‘nurdles’?

Um ‘nurdle’ é um grânulo de plástico puro. É o elemento básico de quase todos os produtos plásticos, como uma espécie de minério sintético; os seus criadores chamam-lhes "pellets plásticos de pré-produção" ou "resinas". Todos os anos, triliões de ‘nurdles’ são produzidos a partir de gás natural ou petróleo, enviados para fábricas em todo o mundo, e depois derretidos e despejados em moldes que lançam garrafas de água e tubos de esgoto e volantes e milhões de outros produtos plásticos que usamos todos os dias.

Estima-se que 200.000 toneladas métricas de ‘nurdles’ entram anualmente nos oceanos. Os grânulos são extremamente leves, cerca de 20 miligramas cada. Isto significa que, nas condições atuais, cerca de 10 triliões de ‘nurdles’ infiltram-se nos ecossistemas marinhos em todo o mundo todos os anos.

Centenas de espécies de peixes - incluindo algumas consumidas pelo homem - e pelo menos 80 tipos de aves marinhas comem plásticos. Os investigadores estão preocupados com o risco dos animais os ingerirem, arriscando bloquear as suas vias digestivas e a morrer à fome. Como a maioria dos plásticos, eles não se biodegradam, mas deterioram-se com o tempo, formando a segunda maior fonte de microplásticos oceânicos a seguir ao pó dos pneus.

Ainda não sabemos como os plásticos podem prejudicar os corpos de seres humanos e animais, mas pesquisas recentes mostraram que os microplásticos podem ser encontrados no sangue de cerca de 80% de todos os seres humanos adultos, onde podem potencialmente danificar as nossas células. Podemos não comer os micro plásticos, mas os ‘nurdles’ descobrem sempre uma maneira de vir ter connosco.

Na maior parte dos Estados Unidos, os governos federais e locais respondem aos derrames de ‘nurdles’ da mesma forma: não fazendo praticamente nada. Os ‘nurdles’ não são classificados como poluentes ou materiais perigosos, pelo que a Guarda Costeira, que normalmente se ocupa da limpeza do petróleo ou outras substâncias tóxicas que entram nos cursos de água, não tem qualquer responsabilidade por eles.

Do mesmo modo, a maioria dos governos estaduais não tem regras para fazer a monitorização, a prevenção ou limpeza de derrames de ‘nurdles’; um derrame é quase sempre uma ocasião de grande confusão à medida que as agências ambientais locais e estatais tentam descobrir quem poderá ser responsável pela sua gestão. Apenas a Califórnia começou a regular os plásticos marinhos em 2007.

Um ‘nurdle’ na natureza é uma coisa sorrateira. Mesmo antes de começar a decompor-se, é difícil de detetar de longe, ao contrário dos sacos ou garrafas de plástico que muitas vezes associamos à poluição plástica. Não emite sinais de calor nem emite fumos, nem cria um brilho na superfície da água da mesma forma que um derrame de petróleo. O que ele faz é atrair poluentes tóxicos. Um ‘nurdle’ a flutuar, por exemplo, no rio Mississippi, absorverá os poluentes que andam ao seu lado enquanto se desprende da água. Também alberga fitoplâncton, que continuará a atrair o zooplâncton, que come o fitoplâncton e emite sulfureto de dimetilo - mais conhecido como o cheiro do mar.

Para muitos animais marinhos, o cheiro do mar é o cheiro dos alimentos. Aves marinhas como albatrozes e petréis rastreiam sulfureto de dimetilo para localizar manchas de plâncton à distância, descendo para arrancar as suas presas comedoras de plâncton para fora da água. Um ‘nurdle’ é do tamanho e tem a forma de um ovo de peixe; a sua camuflagem é quase perfeita após algum tempo na água, parecendo e cheirando a apanha fácil de peixes, pássaros, tartarugas, e crustáceos.

Uma vez ingerido, os ‘nurdles’ podem enredar os intestinos de uma criatura ou fazê-la sentir como se estivesse cheia. Um relatório da EPA de 1992 descobriu que pelo menos 80 espécies de aves marinhas ingeriam ‘nurdles’, tendo esse número mais do que duplicado desde então. Os plásticos não fornecem nutrientes aos animais, mas um animal que se encha de ‘nurdles’ comerá menos comida como resultado, o que significa que pode morrer à fome sem saber que está a morrer à fome - especialmente se o seu tracto digestivo for demasiado pequeno para o ‘nurdle’ passar.

Os plásticos são desreguladores endócrinos, o que significa que podem atrofiar o desenvolvimento de um animal, e os investigadores estão a estudar se os poluentes tóxicos podem passar de um ‘nurdle’ para o tecido de um animal e subsequentemente subir na cadeia alimentar. Mas medir o impacto total é difícil, em parte porque é difícil saber exatamente o que causa a morte de um animal marinho num mundo que é cada vez mais hostil aos animais marinhos.

A prevenção de derrames de ‘nurdles’ envolveria uma série de mudanças aparentemente simples. As empresas podem colocar contentores nas áreas de carga para apanhar os ‘nurdles’ que caiam durante a sua carga e descarga de vagões ferroviários, instalar redes nos pluviais para apanhar os grânulo, ou fazer os sacos em que são embalados de um material mais resistente de modo a que tenham menos probabilidades de se romperem. Os trabalhadores podem verificar duas vezes as válvulas dos vagões para se certificarem de que estão totalmente apertadas e aspirar os ‘nurdles’ que derramam no chão da fábrica.

Limpar os ‘nudles’ depois de se terem espalhado por um ecossistema é muito mais difícil, e ninguém quer ser responsável por isso. As soluções mais promissoras até agora envolvem máquinas que são essencialmente aspiradores com peneiras que filtram a areia enquanto aspiram os ‘nurdles’. Mas ainda não foram amplamente testadas, quanto mais adotadas, e seriam de pouca utilidade para a limpeza de micro plásticos na água.

Os ‘nurdles’ também têm um impacto significativo no ambiente muito antes da sua produção. A grande maioria das fábricas de plástico nos Estados Unidos estão localizadas ao lado de comunidades de cor, que são desproporcionadamente afetadas pela poluição industrial. Estas feábricas emitem uma mistura tóxica de poluentes incluindo óxido de etileno, estireno e benzeno; há tantas fábricas petroquímicas localizadas entre Baton Rouge e New Orleans que a área ficou conhecida como "a alameda do cancro".

À medida que o mundo avança para as energias renováveis e que se espera que a procura de combustíveis fósseis atinja o seu pico num futuro próximo, a indústria do petróleo e do gás está a deslocar cada vez mais o seu foco comercial para a produção de plástico. Espera-se que a produção de plástico triplique até 2050, graças a um pico de fraturação hidráulica nos Estados Unidos que torna o gás natural extremamente barato de produzir. Isto conduzirá a um aumento da produção de ‘nurdles’. Os investigadores interrogam-se onde irão parar todos estes ‘nurdles’.

Neel Dhanesha, Vox.

Bico calado

  • Trabalhadores migrantes 'explorados e espancados' em barcos de pesca britânicos. Relatório fala de turnos de 20 horas por £3,50 por hora, racismo e abuso sexual a coberto de lacuna de vistos de trânsito. Karen McVeigh, The Guardian.
  • A vice-primeira-ministra e ministra das finanças do Canadá, Chrystia Freeland, insistiu no Parlamento que os cidadãos do seu país não se deviam queixar dos elevados preços do gás, ou estariam a ajudar o Presidente russo Vladimir Putin e a China. Freeland argumentou que culpar o seu governo pela inflação galopante é equivalente a "fazer o trabalho de Vladimir Putin para ele". Benjamin Norton, Multipolarista.
  • Um projecto de lei em elaboração no Senado permitiria aos tribunais dos EUA julgar casos de crimes de guerra mesmo que nem os autores nem as vítimas fossem norte-americanos. NYTimesO Império anda cada vez mais arrogante. «Em 2002, os EUA aprovaram a Lei de Invasão de Haia que diz que os EUA podem invadir os Países Baixos se o Tribunal Penal Internacional tentar acusar qualquer norte-americano por crimes de guerra». Tan Ching Koon.
  • Mártires do corte das videiras tombaram há 83 anos. Ainda há quem se lembre daquele fatídico dia 15 de Maio de 1939. A lápide resume a história. “Neste local, foram mortos Jaime da Costa e Manuel Maria Valente de Pinho por uma força militar que investiu contra o povo de Válega que se opôs ao corte das videiras de vinho americano”. Ovar News.