domingo, 20 de maio de 2018

Noruega: combate à desflorestação com viabilidade e efeito incertos

Imagem colhida aqui.

Apesar dos 3 biliões de dólares investidos nos últimos 10 anos pela Noruega no seu programa 
Iniciativa Internacional de Clima e Floresta, de combate à desflorestação, o relatório do Gabinete do Auditor Geral é bastante crítico: o progresso e os resultados estão atrasados, as medidas atuais têm viabilidade e efeito incertos e o risco de fraude não tem sido bem gerido. «O ministério dos Negócios Estrangeiros e o ministério do Ambiente não têm impedido e aplicado medidas de combate à ocorrência de fraude», diz o relatório assinado por Per-Kristian Foss. «Isso inclui avaliações inadequadas de parceiros antes de subscrever um acordo e falta de resposta quando parceiros cooperantes foram investigados por possíveis fraudes financeiras. A administração não cumpriu as suas próprias orientações e assumiu riscos desnecessários de perda e abuso de fundos noruegueses», conclui o documento. A Noruega foi, entre 2008 e 2016, o maior contribuinte do programa REDD+, com 51%. REDD.

Mão pesada

Foto: Evan Dawson/Alamy
  • A Lamb Weston/Meijer UK Ltd e a Ralph Harrison & Co Ltd foram multadas em 30 mil libras por responsabilidades na contaminação do rio Stiffkey, em Little Snoring, Norfolk, com escorrências de batatas que tinham apodrecido em armazéns. GovUK.
  • Um camião basculante foi apreendido e compactado por participar na recolha ilegal de resíduos nas West Midlands, em Inglaterra. GovUK.
  • A produtora de tintas NL Industries foi intimada a pagar 60 milhões de dólares para remover material tóxico de casas na Califórnia. VC Star.

Memórias curtas

Foto: STR/EPA

Bico calado

Foto: Yang Wenbin/Xinhua/Barcroft Images

O reitor da Universidade Fernando Pessoa, Salvato Trigo, foi condenado a um ano e três meses de prisão, suspensos por igual período, por desvio, através de uma empresa, de quase 2,2 milhões de euros daquela instituição de ensino privado em benefício próprio e da sua família. No final dos anos 90, Salvato Trigo fora também condenado a dez meses de prisão, suspensos, num processo relacionado com o desvio de subsídios do Fundo Social Europeu, quando era director da Escola Superior de Jornalismo do Porto. Público

sábado, 19 de maio de 2018

A Altri insiste em pulverizar os seus eucaliptais com pesticidas ultrapassados

Foto: Prakash Singh/AFP/Getty Images
  • A Altri Florestal avisou que vai pulverizar os seus eucaliptais com o pesticida EPIK SL e EPIK SG, na União de Freguesias de São João do Monte e Mosteirinho, no concelho de Tondela. A Quercus já manifestou a sua preocupação, uma vez que o EPIK SL é um inseticida sistémico do grupo dos neonicotinóides, à base de acetamiprida e que atua por contacto e ingestão. Atua no sistema nervoso como antagonista do recetor nicotínico da acetilcolina e está homologado para aplicação em eucalipto, para controlar a praga do gorgulho do eucalipto (Gonipterus platensis). «Apesar de se referir que ambos os produtos comerciais são isentos de classificação para as abelhas, não constituindo perigo para estes insetos úteis quando usados nas doses e concentrações para os quais de encontram autorizados, existem receios de apicultores que tem apiários na zona, dado o risco de utilização de pesticidas neonicotinóides para a abelha melífera, assim como para outros polinizadores». A Quercus recorda também que o «Plano de Ação Nacional para o controlo das populações de Gonipterus platensis apresentava um horizonte de atuação de quatro anos e meio (2011-2015), pelo que, atualmente, não existe um suporte regulamentar que justifique as pulverizações com pesticidas para controlo do gorgulho do eucalipto». Além disso, as empresas de celulose avançaram com a luta biológica, utilizando um inseto parasitóide exótico para combater a praga do gorgulho do eucalipto, evitando assim os possíveis efeitos nefastos decorrentes do uso deste tipo de pesticida, pelo que «a utilização de luta química para controlo de uma praga associada às monoculturas de eucalipto em áreas serranas, é reveladora da insustentabilidade da cultura nas condições existentes». Notícias ao minuto.
  • A Comissão Europeia avançou com dois processos de infração contra Portugal por falhas na transposição de diretivas sobre resíduos nucleares e sobre segurança nuclear, dando dois meses às autoridades nacionais para responder. Público.
  • A Holanda vai proibir o uso de carvão na produção de eletricidade na próxima década e vai encerrar duas das suas cinco centrais a carvão no final de 2024. Reuters.
  • A francesa Total anunciou que vai retirar-se do projeto de exploração de gás natural offshore South Pars 11 (SP11), no Irão, que explora a maior jazida mundial de gás, na sequência da imposição de sanções pelos Estados Unidos a todas as empresas não norte-americanas que prossigam negócios com o Estado iraniano.
  • O greenwashing do governo conservador de Theresa May parece ter chegado ao fim após uma semana de anúncios de política ambientalmente regressiva e o colapso do investimento em energia renovável do Reino Unido, escreve Joseph Dutton na The Ecologist.
  • Mo Brooks, congressista republicano eleito pelo Alabama, sugere que a queda de pedras dos White Cliffs de Dover é responsável pela subida do nível das águas do mar. Science Magazine.
  • O Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas das Honduras (Copinh) e a família Cáceres avançaram com um processo contra o banco de desenvolvimento holandês FMO, um dos financiadores da barragem de Agua Zarca no rio Gualcarque. Alegam que o banco não respeitou os direitos humanos das pessoas afetadas pelo projeto e descartou as advertências sobre violações dos direitos humanos perpetradas na área, críticas levantadas por Cáceres antes da sua morte em 2016. The Guardian.

Memórias curtas

Fotyo: Ben Curtis/AP

Bico calado

  • Porque é que as forças israelitas dispararam a matar contra manifestantes palestinianos, apesar de terem amplos recursos não-letais para controlo de multidões? Pergunta o jornalista irlandês. Responde Michal Maayan, porta-voz do governo israelita: porque não podem metê-los todos na cadeia.

  • «Se um dia 60 cães vadios fossem mortos a tiro por soldados da IDF, o país inteiro levantar-se-ia em protestos. Os que tinham abatido os cães seriam julgados, Israel dedicaria orações às vítimas, um serviço Yizkor seria organizado em memória dos cães abatidos. Mas na noite do massacre dos palestinos, Sião rejubilou: temos uma embaixada e uma Eurovisão. É difícil pensar num eclipse moral mais atroz. Tampouco é difícil imaginar o cenário inverso: 60 israelitas mortos num dia e as multidões a celebrar a embaixada em Ramallah e a alegrarem-se com um concerto em El Bireh para animar a vitória do árabe “A Star is Born”, enquanto os apresentadores de televisão e os entrevistados se riem durante as transmissões ao vivo. Oh, aqueles animais palestinos, oh, os monstros». Gideon Levy, in Haaretz.

  • O Facebook anunciou que vai fazer uma parceria com o Atlantic Council, - uma associação sediada em Washington e financiada pela Arábia Saudita, petrolíferas, empresas de defesa e Charles Koch -, para impedir o uso de truques nas próximas eleições. Common Dreams.
  • Num escândalo de suborno que afeta os três ramos do governo da Colômbia, o país acaba de extraditar para os EUA uma testemunha chave: o seu ex-chefe do combate anticorrupção. Colombia Reports.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Governo vergou perante os interesses da Eni/Galp, acusa a Quercus

Imagem colhida aqui.
  • O governo de António Costa cedeu aos interesses do consórcio Eni/Galp, acusa a Quercus após o executivo ter dispensado de estudo de impacto ambiental a prospeção de petróleo ao largo de Aljezur. «Há uma cedência aos interesses do consórcio em detrimento dos interesses de outros setores da sociedade, por exemplo do turismo e das pescas e de autarcas da região que já se manifestaram contra a prospeção», disse João Branco. O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, justificou a decisão de não realizar o estudo de impacto ambiental referindo que «não foram identificados impactos negativos significativos» na realização do furo de prospeção petrolífera. DN.
  • Setúbal quer praias da Arrábida sem carros este Verão. Parques de estacionamento pago, tolerância zero ao estacionamento selvagem e circulação proibida são a estratégia para impor transporte público. Público.
  • O governo turco projeta um canal marítimo paralelo ao Bósforo apesar das advertências de cientistas e ambientalistas, que receiam alterações químicas nos mares Negro e de Mármara, bem como a destruição de aquíferos e florestas que fornecem água e oxigénio a Estambul. El País.

Memórias curtas

Foto: Andrey Nekrasov/Barcroft Images

Bico calado

Foto: Xinhua / Barcroft Images
  • Guião para a direita derrubar António Costa e tomar o poder: ler «Operação Corações ao Alto, instruções às distritais», por Francisco Louçã, in Expresso Diário, 15mai2018: «O nosso partido foi conspirativamente afastado do poder em 2015 e agora vai recuperá-lo com glória. Para tanto, o guião seguinte deve ser cumprido escrupulosamente, para transformarmos o risco da derrota na certeza da vitória. Seguimos a regra Trump: o candidato mais implausível nas sondagens pode vencer, se criar um movimento emocional que varra o país. Tudo depende disso. Em resumo, vencemos se incendiarmos todos os debates nacionais. 1 Não é difícil, basta dizer que o mundo está a acabar, ou convencer cada eleitor de que está a ser esmagado por mais impostos e que, portanto, o terrorismo está a ameaçar a sua vida. Nos temas económicos, o que é preciso é baralhar, assustar o ouvinte com algoritmos. Se ninguém perceber nada, nós sabemos tudo. Portanto, avança quem debita percentagens algarismos e esgrime gráficos. Afogado em números, o eleitor tem que se esquecer da sua vida. Tem é que olhar para nós: somos os que gritam alerta, venham os incêndios, que falta que faz outro roubo em Tancos e até dava jeito um atentado bombista no Terreiro do Paço, é isso a emoção, é assim que se ganham eleições.2 É preciso mudar os nomes às coisas e fazermo-nos malucos, a começar pela luta dos nomes, quem conquista as palavras tem as eleições na mão. A comunicação dos saldos das contas de mais de 50 mil euros é o “Big Brother fiscal”, o “fascismo tributário” ou a “devassa” que nos vai assaltar as poupanças, a maternidade de substituição deve ser chamada “barriga de aluguer”, soa a negócio, o direito à eutanásia vai ser o “holocausto” com “os médicos a matarem os idosos que tenham hipertensão”. Conclusão: em Portugal não se pode ter conta bancária, a gravidez é business e é perigoso ir a um hospital. Estão a perceber? Sigam a regra daquele homem do futebol, façam-se de malucos e depois é só manter a fama, toda a gente escuta. 3 Desviar atenções. Para explicar que os ministros do outro partido são todos trafulhas e que estão amaldiçoados é preciso mostrar que, connosco, tudo começa com a pureza dos anjos. Costa é Sócrates que é Guterres, não, talvez este não, recomeça, Costa é Sócrates que é Pinho que é Salgado, não, este também não, que contratou o Durão Barroso, recomeça, Costa é Sócrates que é Pinho que é Mário Lino, não, este não foi acusado, recomeça, Pinho é Sócrates que é Costa… O que importa é que a ideia se perceba e que o Costa esteja no barulho. Se não, aplica-se a regra anterior, fazemo-nos malucos e tudo ao molho e fé em Deus. Eles não reconheceram a culpa, não expiaram, não aceitaram o nosso direito natural a mandar, não merecem trégua, todos trafulhas. Sobretudo o Costa, é o pior de todos, é fingido e não está nos processos, o que prova que anda fugido à justiça.4 Nada de intelectuais, queremos guerra sem quartel. Qual conversa, qual propostas, qual argumentos, o que queremos são sombrios ajustes de contas, sangrentos ataques. Calem-se as finuras da Quadratura do Círculo, multipliquem-se os snipers do Observador e os valentões de outras paragens, deem o Nobel ao Saraiva, promova-se o Ribeiro a diretor de campanha. Esses são os nossos guerreiros, faca na liga. São os mestres do ódio a mulheres, que acham que são gente, ódio a desempregados, que são subsidiodependentes, ódio a miudagem que acha que a escola não é lição de praxe, ódio aos que criticam a América, ódio aos ecologistas, que só dão despesa, ódio ao arco-íris. O ódio é que gera likes e precisamos de muitos likes, inundaremos o país de ódio e de likes. 5 E, se tudo falhar, venha o Plano B. Se as eleições não nos respeitarem, é preciso convencer alguns juízes. É para isso urgente criar novos instrumentos, venha a revisão constitucional para a delação premiada, urgentíssima, a Cristas já topou a parada. Já se fazem interrogatórios para transmitir pela televisão, mas é preciso mais, é preciso encher os noticiários de prisões e informações, não pode sobrar nada dessa gente, drama todos os dias, medo nas ruas, sirenes a apitar, casos nutridos. É na pantalha que temos que os vencer, se falhar nas eleições. Precisamos de uma procuradoria de confiança, perpétua e alinhando amigos alinhados. Pois não há-de um tribunal governar, escolher os ministros, vingar as eleições, delimitar as políticas? Portugal ainda há-de ser um imenso Brasil. Perceberam? Guerra sem quartel, a nossa política é o fogo.»
  • Tiago Rodrigues cancela espetáculo em Israel e adere a boicote cultural. A 4 e 5 de Junho, o autor português deveria apresentar no Israel Festival, em Jerusalém, a peça By Heart. Público.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Aljezur: furo de prospeção de petróleo dispensado de avaliação de impacto ambiental

Empresas londrinas a extrair petróleo em África, segundo o DeSmog UK.
  • O furo de prospeção de petróleo em Aljezur vai avançar sem avaliação de impacto ambiental. Tudo porque, segundo a APA, a Sondagem de Pesquisa Santola 1X «não é suscetível de provocar impactes negativos significativos, pelo que, nos termos da lei, não carece de Avaliação de Impacte Ambiental.» O Relatório de Consulta Pública e o Parecer sobre a sujeição a Avaliação de Impacte Ambiental podem ser consultados, respetivamente, aqui e aqui. Via É Apenas Fumaça.
  • Portugal vai reforçar o apoio a Cabo Verde na área ambiental disponibilizando cerca de um milhão de euros para projetos como a continuação do roteiro dos resíduos, do plano de segurança das barragens, dos planos de albufeiras e de assistência técnica às Águas de Santiago. DN.
  • O governo francês prepara-se para dar à Total luz verde para um projeto de biorrefinaria no sul da França que vai aumentar drasticamente a procura de óleo de palma e a consequente devastação de florestas inteiras no outro lado do mundo. Greenpeace.
  • O diretor da Complexul Energetic Oltenia, a maior carbonífera da Roménia, quer que a União Europeia dilate o prazo para o início da aplicação de padrões de qualidade do ar alegando que que o país é pobre e não tem capacidade para fazer uma transição rápida para outras fontes de energia. Aljazeera.

Mão pesada

A Northern Harvest Sea Farms, uma empresa de aquacultura sediada em New Brunswick, Canadá, vai ser julgada para responder às acusações decorrentes do uso de um pesticida não identificado aplicado nas suas operações para combater os surtos de piolho do mar. Beyond Pesticides.

Reflexão – Impactos da atribuição de preços à Natureza

Foto: Diogo Sá Lima 15mai2018.

«Quase todos os documentos oficiais sobre questões ambientais são agora recheados de referências a “capital natural” e à Comissão do Capital Natural, o órgão que o governo britânico criou para estabelecer o preço do mundo vivo e desenvolver um conjunto de “contas nacionais de capital natural”.

O governo argumenta que sem um preço, a natureza não tem valor, e então tomam-se decisões irracionais. Ao atribuir preços à natureza, garante-se que ela comanda o investimento e a proteção que atraem outras formas de capital. Esta filosofia baseia-se numa série de equívocos. O próprio o nome revela uma confusão: o capital natural é uma contradição em termos. O capital é normalmente entendido como o segmento de riqueza produzido pelo homem que é incluído na produção para criar mais retornos financeiros. Conceitos como capital natural, capital humano ou capital social podem ser usados como metáforas ou analogias, apesar de serem enganadores. Mas o plano de 25 anos define capital natural como “o ar, a água, o solo e os ecossistemas que sustentam todas as formas de vida”. Por outras palavras, a natureza é capital. Na realidade, a riqueza natural e o capital humano não são comparáveis nem intercambiáveis. Se o solo for arrastado, não podemos cultivar sobre uma cama de derivados.
Uma falácia semelhante aplica-se ao preço. A menos que algo seja resgatável por dinheiro, o símbolo da libra ou do dólar colocado junto dele não faz sentido: o preço representa uma expectativa de pagamento, de acordo com as taxas de mercado. Ao atribuir um preço a um rio, uma paisagem ou um ecossistema, ou você está a colocá-lo à venda, o que é um exercício sinistro, ou não está, o que não faz sentido.
Ainda mais confusa é a expectativa de que podemos defender a natureza através da filosofia que o está a destuir. As noções de que a natureza existe para nos servir, de que o seu valor consiste nos benefícios instrumentais que podemos extrair dela, de que esse valor pode ser medido em termos de dinheiro e de que o que não pode ser medido não tem valor, provaram ser letais para a vida na Terra.
A agenda do capital natural, dizem os seus defensores, é "uma arma adicional na luta pela proteção do campo". Mas ele não adiciona, subtrai. Como argumenta o filósofo Michael Sandel em “O que o dinheiro não pode comprar”, os valores do mercado eliminam os valores de não mercado. Os mercados mudam o significado das coisas que discutimos, substituindo obrigações morais por relações comerciais. Isso corrompe e degrada os nossos valores intrínsecos e esvazia a vida pública dos argumentos morais.
É também contraproducente: os incentivos financeiros minam a nossa motivação para agir em prol do bem público. “Altruísmo, generosidade, solidariedade e espírito cívico são… como músculos que se desenvolvem e se fortalecem com o exercício. Um dos defeitos da sociedade movida pelo mercado é que ela deixa essas virtudes definharem”. Então quem vai resistir a essa mentalidade destrutiva? Não serão os grandes grupos conservacionistas. Na revista BBC Wildlife deste mês, Tony Juniper - que em outros aspectos é um defensor admirável da natureza - diz que usará o seu novo cargo como chefe de campanhas do WWF para promover a agenda do capital natural.
Talvez ele não se lembre de que, em 2014, o WWF encomendou um estudo para testar esta abordagem. Concluiu-se que quando as pessoas se lembram do valor intrínseco da natureza, elas são mais propensas a defender o planeta vivo e apoiar o WWF do que quando elas são expostas a argumentos financeiros. Concluiu-se também que usar ambos os argumentos ao mesmo tempo produz o mesmo resultado que o financeiro: a agenda do capital natural minou a motivação intrínseca das pessoas.
Isso foi esquecido? Às vezes interrogo-me se se aprende alguma coisa no conservacionismo, ou se as grandes ONGs estão para sempre destinadas a seguir uma trilha circular, repetindo constantemente os seus erros. Em vez de contribuir para a alienação e o desencanto que a mentalidade comercial promove, elas deviam ajudar a enriquecer nosso relacionamento com a natureza.
A agenda do capital natural é a expressão definitiva do nosso afastamento em relação À natureza. Primeiro perdemos a nossa vida selvagem e maravilhas naturais. Depois, perdemos as nossas ligações com o que resta da vida na Terra. Depois, perdemos as palavras que descreviam o que conhecíamos. Depois, chamamos a isso capital e damos-lhe um preço. Esta abordagem é moralmente errada, intelectualmente vazia, emocionalmente alienante e autodestrutiva.
Os que estão motivados pelo amor ao planeta vivo não devem hesitar em dizê-lo. Nunca subestimem o poder dos valores intrínsecos. Eles inspiram toda a luta por um mundo melhor.»

George Monbiot, in The Guardian 15mai2018.

Bico calado

Imagem captada aqui.
  • Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediram formalmente ao Tribunal Penal Internacional que investigue “o que considera crimes de guerra” cometidos pelos militares israelitas contra jornalistas palestinos que cobrem protestos em Gaza desde 30 de março. MEM.
  • «(…) As comemorações israelitas, que culminaram com a instalação ilegal da embaixada dos EUA em Jerusalém, foram marcadas por ataques aéreos a Gaza, e pelo assassinato de dezenas de civis palestinianos desarmados, entre eles crianças, como assinalou o coordenador especial da ONU. Só ontem foram mortas mais de meia centena de pessoas e milhares ficaram feridas. Benjamim Netanyahu, primeiro-ministro israelita, alega legítima defesa. Sempre em nome da sua defesa, Israel já ocupou 60% do território palestiniano definido em 1967, violando as fronteiras reconhecidas pela ONU e pelos EUA de Obama e que delimitam o Estado da Palestina. Foi também "para se defender" que emparedou os refugiados palestinianos em guetos que são verdadeiras prisões a céu aberto, em Gaza e na Cisjordânia. Em Gaza vivem 5046 palestinianos por quilómetro quadrado. Não podem sair, porque todas as fronteiras estão fechadas e são controlados pelo Exército israelita (…) Em nome da sua defesa, Israel mantém um boicote a todo o território, onde vivem dois milhões de pessoas. Tudo é racionado, da água ao combustível e, segundo a ONU, 80% da população sobrevive dependente de ajuda humanitária. Foi uma dessas passagens humanitárias que Israel decidiu fechar esta semana, por alegadas questões de segurança. Na Cisjordânia está o muro que inspirou Trump. Foi Israel que o construiu, 700 quilómetros de cimento e arame farpado, parte dele localizado em território palestiniano. Israel recusa-se a cumprir a sentença do Tribunal de Justiça de Haia que o declarou ilegal e ordenou a sua destruição em 2004. O muro - a que Israel chama "barreira de segurança" - cercou cidades inteiras, asfixiadas economicamente, e eliminou a liberdade de circulação dos palestinianos. Para se deslocarem, são obrigados a passar por mais de 500 chekpoints controlados por soldados israelitas fortemente armados. O acesso a rodovias, a infraestruturas e a serviços básicos é limitado para os palestinianos da Cisjordânia. A humilhação é total. É preciso ser muito hipócrita para não reconhecer a completa desproporção entre o Estado de Israel e a Palestina. Em nome da sua defesa, Israel invadiu e expulsou, construiu muros, segregou, humilhou e violou a lei internacional. Mas isso não é defesa, é agressão, é ataque, é ocupação, é apartheid. (…).» Mariana Mortágua, in A catástrofe do apartheid israelita - JN 15mai2018.
  • «(…) Em poucas palavras, é nisto que consiste, desde 1948, (…), a estratégia política israelita. Intoxicados mentalmente pela ideia messiânica de um Grande Israel que realize finalmente os sonhos expansionistas do sionismo mais radical; contaminados pela monstruosa e enraizada "certeza" de que neste catastrófico e absurdo mundo existe um povo eleito por Deus e que, portanto, estão automaticamente justificadas e autorizadas, em nome também dos horrores passados e dos medos de hoje, todas as acções próprias resultantes de um racismo obsessivo, psicológica e patologicamente exclusivista; educados e treinados na ideia de que quaisquer sofrimentos que tenham infligido, inflijam ou venham a infligir aos outros, e em particular aos palestinos, sempre ficarão abaixo dos que padeceram no Holocausto, os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira. Israel fez suas as terríveis palavras de Jeová no Deuteronômio: "Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago". Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, pelos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles já é um exercício de fato: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazistas, esses que foram perseguidos ao longo da História, esses que foram trucidados nos progrons, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o fato de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros. As pedras de Davi mudaram de mãos, agora são os palestinos que as atiram. Golias está do outro lado, armado e equipado como nunca se viu soldado algum na história das guerras, salvo, claro está, o amigo americano. Ah, sim, as horrendas matanças de civis causadas pelos chamados terroristas suicidas... Horrendas, sim, sem dúvida, condenáveis, sim, sem dúvida. Mas Israel ainda terá muito que aprender se não é capaz de compreender as razões que podem levar um ser humano a transformar-se numa bomba.» José Saramago, in Das pedras de Davi aos tanques de Golias.
  • «Ao transferir a embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, Trump provocou toda esta violência. A campanha eleitoral de Trump contou com o apoio de 25 milhões de Sheldon Adelson, que avançou com mais 5 milhões para a sua tomada de posse. Adelson é um sociopata pró-Israel. Em 2013, pedira aos EUA para porem uma bomba nuclear no Irão. Trump não esteve presente na cerimónia de transferência da sede da embaixada, mas Adelson esteve. (…) Uma nação que não consegue existir sem guerra e violência constantes é como uma casa que não se aguenta de pé sem estar sempre em obras. Se uma casa precisa de uma equipa de construção numerosa trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, para evitar que ela se desmorone, então talvez seja altura de se mudar ou pensar num novo projeto de arquitetura.(…)» Caitlin Johnston.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Cidades norueguesas proibem venda de balões de hélio durante celebração do Dia da Constituição

Imagem captada aqui.

  • Várias cidades norueguesas, incluindo a capital Oslo, decidiram proibir a venda de balões de hélio durante as festividades do Dia da Constituição da Noruega (17 de maio). Por trás desta decisão está a preocupação com a poluição causada pelos balões, quando estes caem nos campos, florestas e mar. The UniPlanet.
  • Sabem o que provocou a subida do preço da água de consumo doméstico em 25%, entre 2005 e 1016 na Alemanha? O tratamento das águas contaminadas por nitratos aplicados na agricultura, revelka a DW.




Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • Todos estes mortos palestinianos não valem sequer a expulsão de um diplomata? pergunta Domingos Lopes no Público de 15mai2018.
  • A África do Sul retirou o seu embaixador de Israel, informa o MEM.
  • 54 dos 84 embaixadores em Israel não participaram na cerimónia da transferência da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalem. Da União europeia, apenas 4 países estiveram presentes: Áustria, Hungria, Roménia e República Checa; fora da EU estiveram presentes 5: Albânia, Macedónia, Sérvia, Ucrânia e Geórgia. 12 países africanos participaram: Angola, Camarões, República Democrática do Congop, Costa do Marfim, Quénia, Sudão do Sul, Tanzania, Etiópia, Nigéria, Zâmbia e Rwanda. Da América Central, participaram os seguintes países: República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Panamá e Honduras. Da América do Sul, apenas participaram o Paraguai e o Peru. Quatro países asiáticos estiveram presentes: Myanmar, Filipinas, Tailândia e Vietname. MEM.
  • «(…) Só que vi o resultado do roubo de água, das demolições e da ocupações de casas, como se uma qualquer autoridade divina desse a um povo o direito de roubar ao outro o que lhe pertence. Vi a sabotagem organizada de forma metódica e paciente para tornar um Estado palestiniano inviável. Mais do que isso: para transformar a existência quotidiana dos palestinianos sadicamente insuportável, numa estratégia planeada e prolongada de expulsão de todo um povo da sua própria terra. Só que falei com mães palestinianas num país onde uma quantidade absurda de jovens rapazes passaram por prisões israelitas. Só que falei com os próprios jovens, que crescem na impossibilidade de não odiarem aqueles que os humilham desde o primeiro dia da sua existência. E concluí que o milagre é não haver em cada jovem palestiniano um candidato a terrorista. (…) A claustrofobia de um território com tamanho do concelho de Tomar onde se amontoam quase dois milhões de pessoas miseráveis é insuportável. Cercada por um muro, os medicamentos e alimentos só entram quando os israelitas querem. O que se produz também só sai quando e se eles quiserem, num território hermeticamente fechado onde o desemprego se aproxima dos 70%. Os bombardeamentos ou as expedições militares punitivas são frequentes, destruindo infraestruturas fundamentais para a sobrevivência das populações e matando quem esteja no caminho. (…) O Estado de Israel nasceu de um sonho de liberdade e de segurança. O sonho era legítimo e o nascimento do Estado não o discuto. Nenhum Estado teve o direito natural a nascer e todos eles se afirmaram com guerras, crimes e ocupações. O problema é aquilo em que Israel irremediavelmente se transformou. O objetivo de expulsar os palestinianos da sua terra passou a ser constitutivo da identidade do país. O sonho de liberdade acabou num estado xenófobo, militarista e profundamente corrupto. Israel perdeu a alma. (…) Israel nasceu com o apoio das forças mais progressistas no mundo, dirigido por homens e mulheres que sonharam viver numa pátria de liberdade. É hoje governada por um corrupto que depende de forças de extrema-direita e tem como maior amigo Donald Trump. Israel morreu. Foram os seus muros, os seus guetos e as suas purgas que o mataram. É uma tenebrosa prisão em que a vítima envelhecida repete muito do que aprendeu com o carrasco na sua juventude. Israel era a esperança da humanidade. Hoje é a tragédia que nos lembra que qualquer pessoa, povo ou Estado cometerá os piores crimes se nada fizermos para o impedir. Que a impunidade cria o monstro. Israel é uma das maiores deceções da humanidadeDaniel Oliveira, in Israel MorreuExpresso 14mai2018.

terça-feira, 15 de maio de 2018

União Europeia autoriza agricultores biológicos a vender as suas próprias sementes

Imagem colhida aqui.
  • A câmara de Ovar abriu concurso público para a construção de um ecocentro. A nova infraestrutura será equipada com ecopontos subterrâneos e superficiais, com contentores de recolha seletiva e com mecanismos que permitam a otimização e o reforço das infraestruturas de triagem multimaterial, nomeadamente novas centrais de seleção, linhas de tratamento adicionais e equipamentos complementares como tapetes transportadores, crivos rotativos e separadores óticos, magnéticos, balísticos e de metais não ferrosos. DN.
  • A União Europeia aprovou legislação, que entrará em vigor em 2021, que autoriza os agricultores biológicos a vender as suas próprias sementes. Um decreto publicado em 1981 proibiu a comercialização de sementes não inscritas no catálogo oficial. Para serem registadas, as variedades propostas devem passar por uma série de testes, como os ensaios de DHE (distinção, homogeneidade e estabilidade) e de VA (valor agronómico). Mas a inscrição de uma nova semente custa aos produtores entre 6000 e 15 mil euros. É óbvio que, desta maneira, a maioria das variedades listadas no catálogo pertence a gigantes como a DowDuPont ou a Monsanto. The UniPlanet.
  • A maior unidade de reprocessamento e armazenamento de resíduos nucleares do Reino Unido poderá ser multada em milhões de libras após um funcionário ter sido exposto a altos níveis de radiação em 2017. Sellafield foi multada em 700 mil libras por enviar sacos de resíduos nucleares para uma lixeira normal. The Guardian.

Mão pesada

Foto: Marco Bertorello/AFP/Getty Images

O Tribunal da Relação de Coimbra condenou a Agropecuária Valinho, SA, de Santarém a pagar uma multa de 240 mil euros por descarga de efluentes de suinicultura para afluente do rio Arnoia. A multa tinha um valor inicial de 720 mil euros, que depois de um primeiro recurso da Agropecuária Valinho, SA, foi reduzida pelo Tribunal Judicial da Comarca de Leiria para 320 mil euros, acabando por ser fixada em 13 de dezembro, sem possibilidade de recurso, em 240 mil euros. DN.

Bico calado

Foto: Toby Melville/Reuters
  • «(…) por que razão o Presidente, que já fala muito todos os dias e produz um metadiscurso quotidiano sobre tudo o que acontece, resolveu dar uma série de longas entrevistas a vários órgãos de comunicação social? Aconteceu algum drama político, existe uma qualquer crise previsível a curto prazo, há alguma tensão escondida nalgum lado que precise da sua palavra para deixar de ser tensão? Não e não e não. Talvez porque, como a sua natureza de comentador tenha horror ao vácuo, ele perceba que está a mergulhar nele, com a continuidade de um ciclo político no qual o seu papel acaba por se centrar nas questões “fracturantes”, um pouco como o Bloco de Esquerda. Talvez porque desde os incêndios ele não tem estado no centro dos acontecimentos por muito que fale. E talvez seja por isso mesmo que recorrentemente volta a falar dos incêndios, acabando por produzir numa das entrevistas a mais absurda das afirmações, a de que não se recandidataria, caso se repetisse o que aconteceu nos grandes incêndios do ano passado. O que é que tem uma coisa que ver com a outra? Para além de que é muito pouco provável que se repita a tragédia do ano passado — ou seja, o Presidente vai-se recandidatar —, significa a frase que considera nula a sua influência sobre o Governo, que não faz nada do que o Presidente pediu, ou considera que, como procedeu nesses meses todos como se fosse ele o chefe do Governo, assumiria a responsabilidade pessoal pela repetição da tragédia? Não se percebe.(…)» José Pacheco Pereira, in O Rei parece vestido - Público 12mai2018.
  • Israel concedeu direitos de exploração de petróleo no território ocupado dos Montes Golan, na Síria, à Genie Energy. Os principais acionistas da Genie Energy - que também tem interesses em gás de xisto nos Estados Unidos e do óleo de xisto em Israel - incluem Rupert Murdoch e Lord Jacob Rothschild. Craig Murray.

sábado, 12 de maio de 2018

Quénia: barragem colapsa e arrasa duas aldeias

Aquífero Guarani. Imagem captada aqui.
  • Uma barragem colapsou sobre uma quinta de flores no Vale do Rift, no Quénia, após semanas de chuvas torrenciais, desencadeando um mar de água que atingiu duas aldeias e matou pelo menos 32 pessoas. 
  • As idas à emergência por asma e doença pulmonar obstrutiva crónica caíram 37,9% em Pittsburgh um ano após o encerramento da fábrica Shenango Coke Works. As idas à emergência por doenças cardiovasculares incluindo ataques cardíacos e derrames diminuíram 26,5%. EHN.
  • A Nestlé confirmou a venda do seu negócio da água engarrafada no Brasil ao grupo brasileiro Edson Queiroz, que comprou as cinco fábricas responsáveis pela produção e engarrafamento, localizadas nas cidades de São Lourenço (MG), Perus (SP), Santa Bárbara (SP), Petrópolis (RJ) e Vale do Sol (RJ). O anúncio da venda dos negócios de exploração das águas da Nestlé no Brasil ocorreu uma semana depois dos protestos na fábrica de São Lourenço. No dia 20 de março, um grupo de mulheres, que pertence ao Movimento Sem Terra, manifestou-se na fábrica no Sul de Minas contra a privatização das águas. Em 12 de abril de 2018, várias ONGs protestaram contra as atividades da Nestlé no setor de águas minerais durante a assembleia de acionistas da empresa. The UniPlanet.

Reflexão - usar máscara protege-nos da poluição?

Imagem captada aqui.

Cientistas do Instituto de Medicina Ocupacional de Edimburgo testaram nove máscaras diferentes compradas em lojas de Pequim. Geralmente, o filtro em cada máscara funcionou bem,: o melhor bloqueou mais de 99% da poluição de partículas e o pior bloqueou entre 70% e 80%. Em seguida, usaram-se as máscaras numa câmara de teste cheia de fumos de diesel. A poluição dentro da máscara foi medida enquanto eles caminhavam e conversaram. Uma máscara bloqueou 90% da poluição de partículas, enquanto outras quase não ofereceram proteção. 
Conclusões: a rigidez do ajuste é crucial. O pelo facial impede uma boa vedação e o ajuste também depende da forma do rosto do utente. Se encaixa bem, não será fácil respirar através de uma máscara. Portanto, usar uma máscara pode representar problemas para quem já tem dificuldades respiratórias ou cardíacas. Por isso, as máscaras não são a resposta para a poluição. Caminhar por estradas tranquilas em vez de movimentadas pode ajudar, e geralmente teremos menos impactos da poluição se caminharmos ou andarmos de bicicleta em vez de andarmos de carro. 
Temos mesmo que reduzir a poluição nas nossas cidades.

Memórias curtas

Rela meridional (Hyla meridionalis) S. Brás de Alportel. Foto: Fernando Delgado 
  • 12mai2007 - Em Vila Nova de Ceira, Góis, foram abatidas oliveiras sem autorização na Quinta da Savana, apesar de auto de contra-ordenação e desafiando ordens da GNR.