sábado, 23 de setembro de 2017

Califórnia contra ilegalidades na construção de muro na fronteira com o México

Foto: Will Reynolds Photography/Alamy
  • Os negacionistas do clima querem proteger o status quo que os tornou ricos, escreve John Gibbons, no The Guardian.
  • O Procurador-Geral da Califórnia, Xavier Becerra, anunciou que o estado havia instaurado um processo contra a administração de Trump sobre o seu projeto de construção de um muro na fronteira em San Diego e Imperial County. Becerra disse que o objetivo é obrigar Trump a respeitar a lei. TP.

Mão pesada

12 serrações nos municípios de Novo Progresso e Altamira, no Pará, foram encerradas e sobre elas foram aplicados 13 autos de infração totalizando R$ 2,6 milhões, pela disposição e queima irregular de resíduos. Ibama.

Reflexão - O Brexit transformará o Reino Unido numa fortaleza para os poluidores europeus

Lagoa do Fogo, SMiguel-Açores. Foto de Paulo Machado 17set2017.

O Brexit transformará o Reino Unido numa fortaleza para os poluidores europeus,
por Jolyon Maugham, in Unearthed
(Trad. livre de excertos)

O governo britânico prometeu preservar toda a atual legislação ambiental europeia, adaptando-a às necessidades concretas do país.

Acontece que os sistema metereológicos não mostram os seus passaportes nas fronteiras. Se a Ruritânia, ao lado, tem controlos mais ligeiros sobre a poluição do ar, os seus filhos terão mais doenças respiratórias. Há problemas que não podem ser abordados a nível nacional e aqui entra o princípio da subsidiariedade. Significa que devolvemos a legislação ao nível mais baixo de governo consistente com essa legislação atingindo os seus objetivos. Se os estados membros puderem fazê-lo adequadamente por conta própria, Bruxelas não se envolverá.
É um princípio particularmente importante num mundo globalizado onde as empresas são maiores - e às vezes mais poderosas - do que os governos. Vejo isto pela minha experiência – os impostos - onde as multinacionais escolhem e distribuem as suas atividades por vários estados, escolhendo sempre onde a carga tributária é mais leve.

O resultado final é que perdemos coletivamente. Só quando os estados nacionais se agrupam é que adquirimos a capacidade de extrair do capital uma parcela justa de impostos.
Por isso, o que quer o governo britânico dizer com readquirir o controlo? Na melhor das hipóteses, significa uma quimera de controlo legal, que o seu parlamento adquire a capacidade de agitar o punho, impotente, perante problemas que ultrapassam a sua influência. Na pior das hipóteses, é muito mais prejudicial do que isso.

Se o Reino Unido achar que o Brexit o tornou um lugar menos atrativo para os negócios, se é pior para as empresas estarem lá do que dentro do maior mercado económico mundial, o que faremos? Somos obrigados a promover-nos com base nas "vantagens" que oferecemos.
Uma dessas vantagens pode muito bem ser a nossa capacidade de oferecer às empresas dentro desse mercado a oportunidade de evitar os custos de proteções ambientais específicas. A palavra de ordem será: estabeleçam-se aqui e evitem despesas.

Essa ameaça de arbitragem regulatória, para reduzir a regulamentação para "recuperar a competitividade", não é ideia nova. Basta parar e pensar sobre o que isso significa. Não é uma oferta para negócios responsáveis. Os padrões legais mais baixos não atraem empresas que reconheçam o imperativo moral para proteger nosso planeta.

É apenas um passo para a escola do capitalismo radical: apenas os seus adeptos vão mudar-se para onde os padrões mais baixos são tolerados. Isso é mau para todos. A capacidade da UE de manter padrões ambientais será prejudicada. Aumentarão as ameaças colocadas pela poluição e pelas alterações climáticas.
O Reino Unido transformar-se-á num baluarte para os poluidores europeus. Sofrerão a nossa paisagem, a saúde dos nossos filhos e dos nossos pais. Ao enfraquecer ou abandonar a cooperação com os nossos vizinhos, trocando a realidade do controlo real pela ilusão do controlo legal, criando incentivos para enfraquecer as salvaguardas, o Brexit representa um grande risco para o ambiente aqui e no estrangeiro.

Bico calado

Foto: Jean-Paul Ferrero/Auscape/Alamy
  • Quanto ganha o executivo municipal em Portugal? JN.
  • «(…) o homem nasceu num programa de televisão sobre futebol. Foi o que criou a persona pública, que lhe fez sentir que não importa o que diga desde que seja chocante, que o que é preciso é abanar-se muito e interromper toda a gente. Ou seja, o exemplo pode vir a ser radicalizado: há canais de televisão prontos para inventar os seus candidatos e promover delinquentes (…)» Francisco Louçã in Anda demasiado nervosismo pelo arPúblico 22set2017.
  • «Contactada pela Lusa, a deputada do PS na Assembleia Municipal, Autora Morais, diz que o problema é o processo "ser pouco claro desde o início" e envolver uma "permuta incorreta de terrenos", já que a cedência de 7.000 metros quadrados por parte da câmara implica que, em troca, a corporação lhe ceda os dois quartéis que ocupa atualmente na zona nobre da cidade. "De forma muito sintética, a câmara querer permutar uma bicicleta por um Ferrari", diz a deputada que já presidiu à associação humanitária dos extintos Bombeiros Espinhenses. "Comprou o terreno de Anta por uma bagatela, com recurso a expropriações, e agora avaliou-o em 1,341 milhões de euros para ele corresponder melhor ao valor dos dois quartéis no centro da cidade, cada um avaliado em cerca de 650.000 euros", explica. Disso resulta assim "um claro prejuízo para os bombeiros, que, se vendessem os quartéis por sua própria iniciativa, ficavam a ganhar muito mais".» Bombeiros de Espinho "atónitos e desmotivados" com chumbo de novo quartel na AM - DN 22set2017.
  • «(…) De entre as hierarquias de prioridades políticas, as estratégias da reforma florestal e da conservação da natureza não possuem peso eleitoral ou valor intrínseco na consciência das sociedades para obrigar os políticos a valorizar um território cada vez mais votado ao abandono. É o eterno dilema da economia versus ecologia: os economistas dão poder, os ecologistas trazem reivindicações. Mas ao contrário destes, que se associaram a movimentos políticos, os ecólogos são cientistas que olham e vêm os problemas como um todo, de forma holística.(…)» Maria Améllia Martins-Louçã in O continuum Ecologia-EconomiaPúblico 22set2017.
  • «A Guarda Civil espanhola anunciou, na passada quarta-feira, a detenção do principal colaborador do vice-presidente da Catalunha, Josep Maria Jové. Segundo a comunicação social espanhola, o executivo prendeu 12 membros do governo catalão por causa do referendo pela independência. Ena, Espanha voltou a ter presos políticos.(…) quando vi as imagens da polícia a entrar, à força, pela porta de uma casa e a prender políticos, pensei, maldita Venezuela. Este Maduro só a tiro. Depois é que percebi que era em Barcelona porque, apesar de tudo, havia mais turistas que polícias. (…) Independentemente de a Catalunha ter direito, ou não, a fazer um referendo sobre a independência, Rajoy reagiu à Erdogan. Mandou prender parte do governo autónomo, queimou boletins de voto e arrancou cartazes. Só faltou mandar fuzilar os senhores que fizeram as urnas de voto. Foi à bruta. Acho que até com a ETA houve mais negociações. Depois desta decisão de Rajoy, imagino que, com o apoio do Rei, o referendo está condenado porque Rajoy garantiu a vitória do sim à independência. (…)» António Quadros in A sagrada CatalunhaJNegócios 22set2017
  • «Sejamos honestos e aceitemos que a posição de cada um não resulta de nenhuma questão de princípio mas de cálculos bem interesseiros: as novas independências no bloco de leste foram boas para as potências ocidentais – incluindo as que resultaram no regresso da guerra ao solo europeu –, as do bloco ocidental são más. O nacionalismo é um anacronismo quando se quer ver livre de Espanha ou do Reino Unido, mas absolutamente natural quando se quis ver livre da Jugoslávia ou da URSS.» Daniel Oliveira, via A estátua de sal.
  • «(…) Previstas por quem? Pelos sistemas mediáticos de amplificação, que se preparam sempre para o grande espectáculo do Dilúvio e do sopro colossal (mas nunca para a morte lenta e silenciosa provocada pela seca, que é certamente a catástrofe mais comum do nosso tempo). (…) o mesmo acontece com essa “dura cicatriz” a que chamamos estupidez - que os media anunciam as catástrofes naturais com júbilo e demagogia. Nesse momento, eles jogam aos dados com os cidadãos, tal como Deus com as suas criaturas. São os grandes encenadores e anunciam que vamos assistir a um espectáculo transcendente. É o sublime a que temos direito, aquele sentimento que dantes era experimentado durante a representação da tragédia clássica, onde a emoção sentida pelo espectador se transformava em capacidade de resistência moral.(…)» António Guerreiro in O sublime a que temos direitoPúblico 22set2017.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

22 setembro, Dia Europeu Sem Carros


Sob o slogan “A partilhar chegamos mais longe”, a campanha de 2017 pretende sublinhar a utilização de bens ao invés da posse dos mesmos. Os prestadores de serviços disponibilizam os seus bens, recursos ou competências a vários utilizadores através de uma plataforma fornecida por intermediários. APA.

Lista dos municípios portugueses com eventos/atividades previstas. Veja se o seu está aqui.

Ponte de Lima: Crianças abraçam o rio

Imagem colhida aqui.
  • O Serviço Educativo das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos leva a efeito mais uma edição do Abraço ao Rio Lima. O objetivo é sensibilizar a população para a necessidade de preservação do recurso hídrico mais importante do concelho de Ponte de Lima, o Rio Lima. Este ano o Abraço ao Rio Lima realiza-se no dia 22 de setembro e conta com a parceria dos Centros Educativos do concelho de Ponte de Lima, com uma escola de Ponte da Barca e com uma delegação de Xinzio de Limia, localidade da Galiza onde nasce o Rio Lima, mais concretamente na Serra de S. Mamede, e que tem estreita ligação com Ponte de Lima quer pelo rio quer pelo nome Lima. Semanário V.
  • A WWF processou os responsáveis pelo derrame de milhares de toneladas de combustíveis do petroleiro Agia Zoni II ao largo da ilha grega de Salamina. NYTimes.

Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • O Valentim, em Gondomar, dava-lhes eletrodomésticos. O Pinto Moreira, em Espinho, dá-lhes esfregonas.
  • «Adjudicar-se uma obra à empresa A.B.B. por ser a única que não reclamou do caderno de encargos e apresenta um valor abaixo do valor base de concurso, é estranho. A concurso foram empresas muito experientes, como a Mota Engil e a Dragados, etc. habituadíssimas a concursos públicos, quase todas garantiam ser impossível efectuar a obra por aquele preço base, e algumas fundamentaram tecnicamente. Acresce a este facto, esta mesma empresa, meses antes ter intentado uma acção judicial contra a Câmara solicitando mais de um milhão de euros e logo na audiência prévia terem efectuado um acordo por 200 mil euros.» Leonor Fonseca, vereadora da CMEspinho (PSD), candidata «Pela minha Gente» - Maré Viva de 20set2017.
  • O Hospital Multiperfil, em Luanda, é público, mas há gente que pensa que é privado. Uma consulta custa 100 dólares e exige-se 200 dólares aos pacientes antes de serem atendidos. Mas foi construído em 2002 com fundos solidários e é mantido com dinheiros públicos. A insuspeita BBC  é que descreve o filme. 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Rio Tâmega eutrofizado em Amarante, Mondim e Chaves

Imagem captada aqui.

O rio Tâmega sofre de elevado nível de eutrofização em Amarante, Mondim de Basto e Chaves, alerta a equipa do projeto Rios Livres, do GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente. O rio está verde, cheio de algas, fétido e moribundo. A eutrofização ocorre quando a água está parada, as temperaturas são elevadas e há excesso de nutrientes, fruto de poluição. O problema acontece pelo menos desde 2008 e é do conhecimento dos municípios afetados e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Ana Brazão avisa que a qualidade da água do rio ficará ainda pior com a construção das barragens do Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET) – Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, concessionadas à Iberdrola. Beachcam.


Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar plagia estudo da Monsanto

Foz dos Ouriços. Foto: Portugal em Caminhadas 17set2017.
  • A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA ) copiou parágrafos inteiros de páginas de um estudo da Monsanto sobre o glifosato (principal ingrediente do RoundUp) para o seu relatório que será analisado para a futura renovação da licença deste herbicida na Europa. A EFSA tinha ficado de elaborar um relatório científico independente sobre os efeitos deste herbicida na saúde humana. Em 2015, um estudo da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha considerado o glifosato como um «carcinogénio provável», enquanto que a EFSA considerou que não existiam tais indícios. Sobre o plágio, afirmou Franziska Achterberg responsável pela política alimentar da Greenpeace na Europa: «Quer isto seja uma questão de negligência ou seja propositado, é completamente inaceitável».  A Comissão Europeia decidiu, no dia 28 de junho de 2016, prolongar por 18 meses (até 31 de dezembro de 2017) a licença do glifosato. A França votou contra; Portugal, Alemanha, Itália e Áustria abstiveram-se. UniPlanet.
  • As frequentes falhas de energia na Florida têm provocado derrames consideráveis de esgotos não tratados. As autoridades têm aconselhado as pessoas a ferverem a água e a evitarem tomar banho nas praias próximas dessas ocorrências. AP.
  • As cidades californianas de San Francisco e Oakland avançaram com processos contra cinco petrolíferas (Chevron, ConocoPhillips, Exxon Mobil, BP e Shell) exigindo compensações de biliões de dólares para se protegerem contra a subida do nível do mar provocada pelas alterações climáticas. Reuters.
  • Aprenda a fazer bombas de sementes de forma simples e fácil. Use em terrenos baldios e áreas que precisem de árvores. Youtube.

Reflexão – o que é gentrificação climática?

Foto: Sean Gallup/Getty Images

«Gentrificação climática, por sua vez, é a gentrificação (expulsão dos menos abastados) causada por melhorias que pautam o contexto das mudanças climáticas.
A adaptação climática, que é algo imprescindível para a sobrevivência da humanidade, muitas vezes acaba não incluindo alguns aspectos sociais em suas considerações.
Cidades que passaram por reformas com o intuito de se adaptarem às mudanças climáticas acabam fazendo desta melhoria um instrumento de expulsão dos mais pobres - esse processo caracteriza a gentrificação climática.
Cidades inteligentes que passam a incluir mais espaços verdes bem cuidados, certificação LEED, espaços para inclusão de bicicletas, tecnologias de energia renovável e, portanto, soluções “sustentáveis”, abrem espaço para especulação imobiliária, que, por sua vez, acaba expulsando indiretamente os mais pobres - pelo elevado custo de vida - ou diretamente, por meio de remoções e negociações.
Às vezes, nem são necessárias mudanças espaciais de origem antropocêntrica para ocorrer a gentrificação climática.

Um exemplo neste sentido é o de Little Haiti, um bairro de grupos minorizados localizado no sul da Flórida, nos Estados Unidos, que, por ocupar um terreno mais alto, teve os preços de suas casas se elevando de US$ 100 mil para US$ 229 mil dólares depois dos anúncios de elevação do nível do mar.
Projetos destinados a expandir estruturas verdes, que melhorem eficiência na utilização da energia, que reduzam o uso do transporte a combustível, que promovam jardins comunitários em bairros historicamente marginalizados também acabam promovendo gentrificação climática ao expulsar moradores mais pobres - diretamente ou indiretamente.

Outro exemplo aconteceu em Nova Iorque, também nos Estados Unidos, onde uma linha férrea suspensa abandonada passou por revitalização e deu origem ao parque verde High Line, o que fez aumentar especulação imobiliária, causando a expulsão dos antigos moradores mais pobres.

o Brasil, também há um exemplo que pauta o conceito de gentrificação climática: trata-se da transformação do elevado Presidente João Goulart (popularmente conhecido como "Minhocão") em parque. Com menor circulação de carros, maior disponibilidade de áreas verdes (devido aos jardins verticais em empenas cegas de prédios) e espaços compartilhados - portanto uma mudança de cenário que melhora a vida de quem habita pelas proximidades ao local - acaba havendo abertura para especulação imobiliária, que torna mais alto o custo de vida ali e, portanto, obriga antigos moradores com menor poder financeiro a se mudarem.
Nesse contexto, caberia o questionamento: como as cidades podem se adaptar às mudanças climáticas sem excluir a dimensão socioambiental? Noutras palavras: como as cidades podem se adaptar às mudanças climáticas incluindo os mais pobres? Como evitar a gentrificação climática?»


Bico calado

Uma família finlandesa, residente no Algarve, defraudou o Estado português em mais de 200 mil euros provenientes de subsídios para plantar um olival de regime intensivo numa zona de Reserva Ecológica Nacional. Nem uma árvore foi plantada. O dinheiro, recebido a fundo perdido, circulou por várias contas bancárias até chegar à sociedade offshore Commonwealth Venture Capital Group, LLC, com sede em Delaware, EUA.  A acusação recai sobre crimes de branqueamento de capitais, falsificação e fraude na obtenção de subsídios. Público.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Barrinha de Esmoriz: dique fusível e redução da área dragada não garantem sustentabilidade do ecossistema

Imagem reciclada daqui.

As recentes obras de requalificação da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, com a implantação de um dique fusível na sua foz e a redução da sua bacia não garantem a sustentabilidade deste ecossistema, alerta Domingos Monteiro em ofício enviado à Assembleia Municipal de Espinho. 

Primeiro, porque com a redução da sua bacia, a Barrinha viu diminuída a sua capacidade recetora das chuvadas mais intensas, o que poderá significar menos segurança para pessoas e bens, uma vez que o risco de inundações terá aumentado. 
Segundo, porque o dique fusível retém muito lodo e impede a renovação de toda a bacia, enquanto que, antes da primeira intervenção há 12 anos, «desaguando de forma natural e com a suficiente capacidade, o canal da foz refundava, as marés mais vivas entravam e deixavam em substituição areia limpa e permitiam a entrada de muitos peixes e mariscos, importantes para a subsistência das populações vizinhas e para a manutenção da avifauna que lhe deu estatuto com interesse internacional». 
Domingos Monteiro alerta para o pior que poderá estar para vir, uma vez que os responsáveis decidiram reduzir a área dragada para 21 hectares. Por isso, o munícipe paramense apela: «Agradeço que esta mensagem seja entregue à nossa Câmara e aos membros desta Assembleia para que ponderem e atuem.»

Valerá a pena (re)ver o que o Ambiente Ondas3 escreveu sobre este assunto em 4 de maio e em 24 de abril.

Moda do chocolate está a dizimar florestas na Costa do Marfim

Imagem colhida aqui.
  • A Zero considera que as duas centrais fotovoltaicas previstas para as herdades de Alcaboucia, em Portel, e Vale da Cota, em Santiago do Cacém, ameaçam 135 hectares de sobreiros e azinheiras. A Reserva Ecológica Nacional sai prejudicada, havendo riscos elevados de erosão e impactos que podem vir a ser provocados em cabeceiras de linhas de água. O contributo destas centrais para o combate às alterações climáticas é, assim, anulado pelas consequências negativas que acarreta. Público.
  • Ella & Pitr criaram um mural gigante na barragem de Piney, em La Valla-En Gier, Rhone-Alpes, França. Chama-se «O Naufrágio do Bem-vindo». This is Colossal.
  • A febre do chocolate está a dizimar as florestas na Costa do Marfim, alerta uma investigação do The Guardian.
  • O lago Al Qudra, no Dubai, registou a morte de uma série de aves e peixes durante as férias da Eid. GN.
  • Uma vez mais, Trump falou em baixar os impostos durante uma catástrofe. «Perante a destruição do Irma e do Harvey, nunca como agora são precisos cortes nos impostos e uma reforma fiscal», disse antes de partir para a Florida. As reações não se fizeram esperar. Enquanto alguns o criticaram por querer, mais uma vez, beneficiar os ricos e privilegiados numa altura que exigia medidas contra as alterações climáticas, outros sublinharam que a reforma fiscal de Trump iria impactar negativamente sobre os que mais têm sofrido com as tempestades e os incêndios florestais. CD.
  • A indústria imobiliária norte-americana bloqueia os alertas da subida do nível das águas do mar que poderiam reduzir os seus lucros nas propriedades na orla costeira. McClatchy.

Reflexão: Os negacionistas do clima jogam à política com os desastres naturais

Cartoon captado aqui.

Os negacionistas do clima jogam à política com os desastres naturais
por David Horsey, in LATimes 11set2017
(Tradução livre de excertos)

Os negacionistas das alterações climáticas, desde Trump a Rush Limbaugh e ao governador da Flórida, Rick Scott, optam por acreditar que a ciência do clima é uma estória diabólica inventada pelos chineses ou por uma cabala de investigadores malignos para tentar subverter o capitalismo e o cristianismo. Eles escolhem ver as coisas dessa maneira porque os propagandistas apoiados por grandes corporações que lucram imenso com a manutenção do status quo lhes deram razões para negar o que é tão evidente para os líderes em todos os outros países do mundo.

Scott pensa assim porque assim o querem os interesses que financiam a sua carreira política. Na Flórida, as quatro maiores empresas de serviços públicos - Duke Energy, Gulf Power, Florida Power e Light e Tampa Electric - bloquearam de facto o desenvolvimento da energia solar neste estado cheio de sol, injetando milhões de dólares nas campanhas de políticos compatíveis, incluindo mais de um milhão dado a Scott.

Limbaugh, Ann Coulter, Alex Jones e outros animadores de direita, plantam a narrativa de que atuar para mitigar as causas humanas das alterações climáticas mudando para fontes alternativas de energia representaria o fim da economia americana. Eles ignoram convenientemente o facto de que, enquanto os empregos na indústria do carvão estão a desaparecer, o emprego nas empresas de energia solar e eólica está a crescer. Neste momento, o número de pessoas que trabalham em energia limpa, só na Califórnia, é 10 vezes o número total de empregos de mineração de carvão em todo o país.


Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • Portugal ocupa o 8º lugar numa lista de 38 países segundo a riqueza que detêm em paraísos fiscais, tendo em conta a percentagem do seu PIB. O ranking é liderado pelos Emiratos Árabes Unidos, seguidos pela Venezuela, Arábia Saudita, Rússia, Argentina, Grécia e Taiwan. O estudo foi realizado poe Annette Alstadsaeter, da Norwegian University of Life Sciences, Niels Johannesen, da University of Copenhagen e Gabriel Zucman, da University of California, Berkeley. MWHá quem argumente que os milionários norte-americanos, cujo país é 22º neste ranking, estão legalmente autorizados a comprar os seus representantes políticos, pelo que não sentem tanta necessidade de transferir os seus lucros para paraísos fiscais para «otimizar» os seus impostos.  
  • Entre 12 e 15 de setembro, representantes militares e funcionários do governo de todo o mundo reunir-se-ão no Excel Center de Londres, na Feira de Armas DSEI. Arábia Saudita, Israel, Bahrein e Paquistão são alguns dos países regularmente convidados para este tipo de eventos. Políticos britânicos e militares também estarão presentes para cumprimentar os convidados e tentar convencê-los a comprar armas de empresas baseadas no Reino Unido. Essas empresas geralmente oferecem empregos bem remunerados a ministros e figuras militares aposentados. Metade dos 38 representantes das empresas de armas previstos para darem palestras nesta feira de armas costumava trabalhar para as forças armadas. Trata-se de uma fantástica porta giratória. NI.
  • «(…) Há aqui uma visão paternalista da abstenção, há quem pense que o eleitorado é um rebanho e que ocorrências como os jogos de futebol, os supermercados abertos ou os cinemas contribuem para que algumas ovelhas fiquem tresmalhadas. E ninguém coloca uma dúvida: de que vale o voto de alguém que não sabe muito bem se deve votar ou beber umas cervejas enquanto a bola começa ou depois da bola acabar? (…)» O Jumento.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Paris: mais bicicletas do que automóveis em 2030?

Foto: Alamy
  • Voluntários retiraram cerca de 300kg de lixo do Rio Paiva. A campanha «Vamos Limpar o Rio Paiva» decorreu no sábado passado, 9 se Setembro, em três municípios - Castelo de Paiva, Arouca e Castro Daire. SOS Rio Paiva.
  • A Espanha é uma referência europeia na recolha seletiva de resíduos. Porém, registou-se uma diminuição da qualidade do material recuperado nos municípios devido à presença de materiais inadequados (matéria orgânica, plásticos, vidro e metais, entre outros), o que pode representar 10% do peso total, perdas para o setor entre 11 e 20 milhões de euros por ano, sem contabilizar a ausência de lucros das vendas que não foram realizadas, estimados entre 5 e 7 milhões de euros. Ecotícias.
  • Em 2030 haverá mais bicicletas do que automóveis a circular em Paris, prevê o economista e urbanista Frédéric Héran. Télérama. Entretanto, a polícia parisiense já se manifestou preocupada com possíveis engarrafamentos de bicicletas, conta o Le Figaro.
  • A Ilha de Salamis, na Grécia, foi vítima de uma maré negra provocada por um derrame de crude proveniente do naufrágio de um petroleiro. O capitão e o engenheiro chefe foram detidos, acusados de negligência, e libertados sob fiança. BBC.
  • Uma cegonha é a melhor amiga de um viúvo croata, conta a Deutsche Welle.
  • O Pentágono anunciou ter autorizado aviões militares C-130H a executarem ações de ajuda na recuperação do leste do Texas, devastado pelo furacão Harvey. No entanto, esses «esforços de recuperação» têm pouco a ver com a reconstrução de estruturas danificadas ou com o realojamento de evacuados. Em vez disso, estão preparados para pulverizar produtos químicos, para ajudar a controlar as pragas de insetos, que, alegam, representam um «risco para a saúde dos trabalhadores de resgate e moradores de Houston». Segundo a Força Aérea, o protocolo de controlo de mosquitos envolve a pulverização de «material aprovado e regulado pelo ministério do Ambiente, o Naled», que a Força Aérea insiste não será usado em quantidades suficientemente grandes para «causar qualquer preocupação com a saúde humana». No entanto, o inseticida Naled, fabricado e vendido por um parceiro estratégico da Monsanto, está atualmente proibido na União Europeia devido ao «risco inaceitável» que representa para a saúde humana. O Naled é uma neurotoxina conhecida pelos seus impactos nos em animais e humanos, pois inibe a acetilcolinesterase - uma enzima essencial para a função nervosa e a comunicação - e pode até provocar paralisia. Um estudo recente da Harvard, também apontou a responsabilidade da Naled pela morte em massa de abelhas norte-americanas. Apenas num dia de pulverização de Naled na Carolina do Sul matou mais de 2,5 milhões de abelhas no ano passado. Pior: o Naled tem a capacidade de atravessar a barreira placentária - o que significa que o Naled atravessa livremente a mãe até ao feto. Um estudo realizado na Universidade de Oslo descobriu que o produto de degradação da Naled, o diclorvós, causou uma diminuição de 15% no tamanho do cérebro dos recém-nascidosquando as suas mães foram expostas ao Naled por apenas três dias durante a gravidez. Médicos de Porto Rico também alegaram que Naled prejudica os fetos. MPN.
  • A Greenpeace processou as regiões da Flandres e da Valónia por não estarem a tomar medidas para reduzir as emissões de óxido nitroso. FT.
  • O Banco Mundial alertou para o facto de as alterações climáticas poderem ameaçar 100 milhões de pobres até 2030 se não se modificarem as tendências atuais. Kristalina Georgieva, diretora-geral do BM, sublinhou que havia 500 milhões de pessoas em situações frágeis, sobretudo em África, mas também no Haiti, no Iraque, na Síria e na Líbia. Efeverde.

Reflexão – Quer que impostos britânicos ajudem a reconstrução de um paraíso fiscal onde se instalou para evitar pagar tantos impostos

Imagem captada aqui.

Ricard Branson foge e evita pagar impostos no Reino Unido mas agora, depois da destruição provocada pelo furacão Irma, quer que os britânicos ajudem na reconstrução. Tudo através de um Plano Marshall, claro que coordenado pela sua Fundação. 

O governo de Theresa May já anunciou 32 milhões de libras para apoiar a reconstrução daquele paraíso fiscal.

Richard Branson é a 324ª pessoa mais rica do mundo, com um património líquido de cerca de biliões de acordo, segundo a Forbes, e que comprou a ilha Necker por 180 mil.

Mão pesada

Imagem apangada aqui.

Penas de até nove anos de prisão e multas de um milhão de euros foram proferidas em Paris no processo «Crépuscule». Este processo tem o nome de uma empresa que operava no mercado de cotas de carbono, num esquema de fraude muito bem organizada e que custou ao estado francês 1,6 biliões de euros. O esquema consistia na compra de emissões de CO2 isentas de impostos num país estrangeiro antes de as revender em França a um preço incluindo o IVA, e depois investir os fundos numa nova transação. O IVA nunca foi devolvido ao Estado. Le Figaro.

Bico calado

Contrastes – Texas  e Cuba.

O Ministério Público acusou o cantor Tony Carreira de plagiar 11 músicas de autores estrangeiros, com a colaboração do compositor Ricardo Landum, também arguido, considerando que se «arrogaram autores de obras alheias» após modificarem os temas originais. Público.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Quem ganha com a madeira ardida?

Imagem colhida aqui.

Quem ganha com a madeira ardida? 
A Resolução do Conselho de Ministros n.º 101-A/2017, de 12 de junho, no seu ponto terceiro dá a resposta, diz a Acréscimo.

«As empresas do sector energético, concretamente as de produção de energia elétrica e de pellets associadas à utilização de biomassa florestal, que se diz ser residual, têm motivos para, no curto prazo, poderem auferir de um balão de oxigénio decorrente dos grandes incêndios florestais de 2017. 
O acréscimo anormal de oferta a este sector, decorrente dos incêndios em povoamentos florestais, vem adiar um processo de definhamento futuro, face à indisponibilidade, já constatada e justificada, de biomassa florestal residual para dar resposta à capacidade industrial licenciada pelo Ministério da Economia. Para as empresas do sector energético associadas à produção de energia elétrica ou de pellets a partir de biomassa florestal, que no após incêndios não é residual, a catástrofe potencia a utilização de troncos de árvores com baixo teor de humidade. Uma mais valia muito considerável! A eventual abertura de parques de madeira queimada, com preço de aquisição garantido pelo Estado, potenciará ainda mais um negócio claramente oportunista, que sobrevive através do apoio do Orçamento e tem elevadíssimo potencial de agravamento da desflorestação já em curso no país. 
Sobre a criação destes parques, estranha-se que a exigência parta do sector do comércio de madeiras e não das organizações da produção florestal, que supostamente mais se preocupam com a quebra do rendimento dos proprietários florestais. 
A Acréscimo apoia, todavia, os esforços que o Estado venha a desenvolver no apoio às organizações de produtores florestais que se predisponham a apoiar os seus associados no escoamento gradual da oferta anormal de madeira decorrente dos incêndios florestais, bem como nas operações de contenção de riscos pós-incêndios, designadamente de controlo da erosão e da contaminação dos recursos hídricos. 
No que respeita ao sector energético e à sustentabilidade das florestas, a Acréscimo insiste: A aposta em recursos naturais renováveis não é sinónimo de florestas sustentáveis em Portugal. Nem na Europa, nem em outras partes do globo! A aposta em bioenergias não é sinónimo de preservação dos recursos naturais em Portugal. Nem na Europa, nem em outras partes do globo! A aposta em biomassa florestal residual para energia não é sinónimo de redução do risco de incêndios em Portugal! Talvez até os estimule!»

Reino Unido cria zona de proteção de aves marinhas

Imagem captada aqui.
  • O Reino Unido  acaba de criar uma zona de proteção de aves marinhas, como a Sterna paradisaea e e o papagaio-do-mar. Situada ao largo de Northumberland, a zona estende-se por 12 milhas, cobrindo uma área maior que 120 mil campos de futebol. The Guardian.
  • Até mesmo a miss América, Cara Mund, do Dakota do Norte, eleita a 10 de setembro, diz que a saída dos EUA do acordo de Paris foi uma má decisão. BI.
  • A Índia poderá vir a exportar luz do sol, uma vez que a tecnologia torna mais fácil produzir, armazenar, transportar e entregar "combustíveis solares". O processo envolve a exposição de moléculas de água à luz solar para separar os átomos de hidrogénio e oxigénio e, em seguida, combinando o hidrogénio com dióxido de carbono para criar combustíveis líquidos. O hidrogénio produzido também pode ser condensado (sob pressão a temperaturas muito baixas) em combustíveis de hidrocarbonetos líquidos (LH2), hidrogénio simples e hidreto metálico, ou convertidos em metanol. Outra técnica é combinar hidrogénio com nitrogénio para produzir amónia, que pode então ser comprimida num líquido a temperaturas muito mais moderadas e que é relativamente fácil de transportar. REWorld.
  • Colónias inteiras de flamingos destruídos em Cayo Coco, Cuba. FB.
  • As autoridades brasileiras estão a investigar o massacre de cerca de 10 pessoas de uma tribo no Vale do Javari, na Amazónia, por mineiros de ouro ilegais. The Guardian.

Reflexão - Recuperação após o furacão Harvey: haverá justiça para todos?

«Não evacuo, as alterações climáticas são uma treta.». Cartoon captado aqui.

Recuperação após o furacão Harvey: haverá justiça para todos?
(Tradução livre de excertos)

O que acontecerá quando as comunidades menos seguras financeiramente, principalmente as de minorias étnicas, tentarem reconstruir? Será que receberão oportunidades iguais para recuperarem? 

Duvido, porque conheço a história. O ano passado fiz um relatório analisando os impactos desproporcionais de risco químico e exposição química tóxica em quatro zonas de Houston: Harrisburg / Manchester e Galena Park, no leste de Houston, ao longo do canal altamente industrializado, e Bellaire e West Oaks / Eldridge, uma zona mais rica, a oeste de Houston. O estudo descobriu que 90% da população de Harrisburg / Manchester e cerca de 40% da população de Galena Park vivem a menos de uma milha de uma fábrica de produtos perigosos, em comparação com menos de 10 e menos de 15% dos residentes de Bellaire e West Oaks / Eldridge. E houve muito mais acidentes em fábricas dentro e à volta das zonas pobres de Houston.

Quanto aos impactos para a saúde: os residentes de Harrisburg / Manchester têm um risco de cancro 24-30% maior e os de Galena Park têm um risco de 30-36% maior, quando comparados com Bellaire e West Oaks / Eldridge, respetivamente. O potencial para os residentes sofrerem de doenças respiratórias em Harrisburg / Manchester e Galena Park foi de 24% e 43% maior do que em Bellaire e West Oaks / Eldridge, respetivamente. Também descobriu que 97% e 86% dos respetivos residentes das comunidades do leste de Houston são pessoas de cor, e as comunidades têm até dez vezes mais pobreza do que as duas no oeste de Houston. 

Já temos provas de que os impactos do Harvey podem não ser tão iguais. Cito o meu colega, Juan Declet-Barreto: "As comunidades que vivem à volta destas fábricas dizem há anos que os regulamentos que protegem as pessoas dos impactos negativos da indústria petroquímica não são adequados". A precipitação sem precedentes e as inundações subsequentes estavam contaminadas com resíduos tóxicos de fábricas, expondo as pessoas a um coquetel de poluentes nocivos. O caos causado pelo furacão Harvey foi intensificado pelo derrame de mais de 1 milhão de quilos de poluentes tóxicos de refinarias e instalações químicas, incluindo substâncias cancerígenas como o benzeno e o 1,3-butadieno e irritantes respiratórios como o sulfeto de hidrogénio, o dióxido de enxofre e o xileno. As pessoas referiram de fumos ásperos que queimavam a garganta e os olhos, dificultando a respiração em circunstâncias já difíceis.

Embora não possamos impedir os furacões de desabarem sem serem convidados, podemos mitigar a gravidade das suas consequências. Por exemplo, as explosões e os incêndios nas instalações da Arkema poderiam ter sido evitados com alternativas mais seguras, e os trabalhadores e as comunidades poderiam ter tido mais informações e coordenação com os serviços de socorro. No entanto, em janeiro passado, as emendas para fortalecer o Programa de Gestão de Riscos, o programa de supervisão projetado para estabelecer salvaguardas em instalações químicas para proteger a saúde pública e a segurança, foram adiados até 19 de fevereiro de 2019.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Papa Francisco: líderes devem ser moralmente responsabilizados pela sua inércia no combate às alterações climáticas

Foto de Luís Afonso 7ago2017.
  • Na Galiza, os soutos com 15-18 anos estão a gerar entre 6 e 8 mil euros anuais por hectare, enquanto os eucaliptais, nas mesmas condições, estão a gerar entre 1 e 2 mil. Estas conclusões foram divulgadas pelo diretor geral de produção florestal, Tomás Fernández Couto. La Voz de Galicia.
  • O Papa Francisco disse que a recente onda de furacões deve levar as pessoas a compreender que a humanidade destruir-se-á se nada for feito contra as alterações climáticas e a história julgará aqueles que negam a ciência sobre as suas causas. Falando para jornalistas a bordo do avião que o trazia da Colômbia, o Papa Francisco afirmou que os líderes políticos que não querem trabalhar com outros países para impedir o aquecimento global devem ser moralmente responsabilizados pelos futuros impactos no planeta. Reuters.
  • Devíamos chamar Exxon e Chevron aos furações, e não Harvey e Irma, conclui um estudo da 350.org. Os autores do estudo dizem que não só descobriram quanto as empresas poluidoras emitiram, mas o quanto as suas emissões contribuíram para a subida do nível dos oceanos e o aquecimento global. O estudo afirma que os 90 maiores produtores de carbono - incluindo BP, Chevron, ConocoPhillips e ExxonMobil - causaram cumulativamente até 50% do aumento da temperatura média global da superfície desde 1880 e até 32% do aumento global do nível do mar. Empresas como a BP, a Chevron, a ConocoPhillips e a ExxonMobil causaram o aumento de 16% da temperatura média global e o aumento de 11% do nível global do mar. A 350.org pensa que as empresas de combustíveis fósseis devem pagar os impactos económicos negativos das alterações climáticas. Muitos processos, semelhantes aos levantados contra a indústria do tabaco, foram arquivados contra empresas de combustíveis fósseis por não terem avisado o público de que os seus produtos poderiam causar o aquecimento global. New Republic.

Mão pesada

A United Utilities foi multada em 666 mil libras por poluir o rio Medlock, em Ashton-under-Lyne, com cerca de 22 mil metros cúbicos de esgotos não tratados. BBC.

Reflexão - Capitalismo, um campeão improvável para a ação climática

Capitalismo, um campeão improvável para a ação climática
por Kristen Kleiman, in Triple Pundit.
(Tradução livre de excertos)

Os capitalistas sempre se esquivaram às políticas das alterações climáticas, considerando-as um sorvedouro de impostos que aumenta os custos de produção. As grandes empresas e investidores institucionais não adotaram a noção de que prestar atenção às alterações climáticas é um bom investimento. Mas os capitalistas e os investidores são (em geral) pessoas bastante inteligentes. Eles gostam de dados. Gostam de analisar dados para avaliarem os riscos. E o mais engraçado é que, depois de menosprezarem os dados, muitos dos investidores mais inteligentes e certamente alguns dos mais influentes, perceberam que a avaliação do risco climático é essencial para os seus negócios. Como em todos os investimentos, onde há risco, deve haver recompensa.

O custo de ignorar as alterações climáticas é mais alto do que abordá-lo. Os investidores profissionais parecem entender que ignoramos os riscos das alterações climáticas em nosso perigo e, capitalistas que são, entendem que identificar os riscos atempadamente significa que podemos encontrar soluções (ou seja, investimentos) que irão combater as alterações climáticas ou que se adaptarão aos seus efeitos futuros antes da concorrência de forma a gerar lucros acima da média. 

Virar as costas ao futuro é uma má política de investimento. E os investidores institucionais, apesar dos negacionistas das alterações climáticas, são muito inteligentes para ignorar os dados sobre as alterações climáticas. Como o governo [dos EUA] não parece disposto a identificar, quantificar e gerir os riscos como ameaças ou oportuinidades, talvez o capitalismo, com toda a sua brutal eficiência, possa liderar o caminho.

Bico calado

Foto: Ionel Onofras/2017
  • «(…) não percebo como pode a bastonária da Ordem dos Enfermeiros apoiar um movimento que recorre a processos anti-deontológicos para reivindicar salários. As Ordens não têm nem devem ter funções sindicais e muito menos devem dar suporte a actos que conflituam com a deontologia e a ética profissionais.(…)» Germano de Sousa, ex-bastonário da Ordem dos Médicos. – Observador.
  • «(…) ninguém desde a queda de Salazar encarnou melhor do que Cavaco o que é, bem lá no fundo, a direita portuguesa, por mais Marcelos, Paulos Portas, Durões e Passos que apareçam. Cavaco voltou a enunciar o essencial da sua visão do mundo: a de que a realidade é de direita (conservadora nos valores; hierárquica e desigualitária na ordem social e política; na economia, liberal nas intenções e corporativista na prática), a esquerda é que é ideológica, e a ideologia (isto é, o que Cavaco e a direita acham que ela é) é feita de “delírio e ignorância”, como voltou ele a dizer há dias. Esta é, aliás, uma das suas obsessões recorrentes sobre a natureza da mudança social em geral, e a da Revolução Portuguesa de 1974-76 em particular: para Cavaco, aquele não foi mais do que um período de "loucura política" (Autobiografia, vol. I, 2002) e "loucura ideológica", como dizia ele em 1987 sobre os movimentos sociais no Sul. É por confundir a sua própria ideologia com a realidade que a direita acha, mais do que "loucura", inútil tentar mudá-la porque ela "acaba sempre por derrotar a ideologia". (…)» Manuel Loff in Cavaco, a realidade e o pio, Público9set2017.
  • «Dois militantes do CDS, Cláudia Sofia P. Alves e Torcato Caridade da Silva possuem 99% de uma empresa denominada Yupido, criada em 2015, que elevou o seu capital para a fabulosa quantia de 28.768.199.972 euros sem ter faturado um cêntimo até agora. Os dois sócios foram já candidatos à Assembleia Municipal de Loures e nada dizem na Net sobre a origem dos fundos. (…) O Expresso que dá a notícia coloca no mesmo quadrado os valores da rede profissional Linkedin avaliada em 26 mil milhões de dólares e do Facebook como que a tentar explicar que uma empresa sem faturação que ninguém ouviu alguma vez falar se pode comparar com plataformas mundiais conhecidas de toda a gente, incluindo o Facebook  (…)» Dieter Dellinger, FB. Bruno Nogueira, no Mata-bicho de 11set2017, sobre este tema.
  • «(…) Era previsível. Deixou-se o mercado funcionar. E agora aí temos a conflitualidade agudizada, a turismofobia, que atravessa todos os espectros ideológicos. Poder-se-á pensar que o que aconteceu recentemente em Barcelona e San Sebastian, com grupos a hostilizarem turistas, não chegará a Portugal. Mas as marcas de zanga já estão aí. A vontade de adaptar, regular, diversificar ou gerir fluxos é imperativa. Mas o antagonismo não é tolerável. Todos somos turistas. Todos sabemos que o turismo traz problemas novos e agrava outros que nunca foram realmente enfrentados e que agora se intensificaram gravosamente (como a habitação e o imobiliário, que já antes gerava exclusão, por impossibilidade de acesso ao mercado, por parte de quem desejava e não conseguia viver nos centros), mas se queremos viver em cidades onde coabitação, diversidade e mobilidade é possível, não se pode cair na estigmatização. Não é o turismo, nem os turistas, que devem ser combatidos, mas sim a ausência de equilíbrio. (…)» Vítor Belanciano, in Turismofobia, Madonna e eleiçõesPúblico 11set2017.
  • Allison Blake, diplomata britânica, foi acusada de ter ajudado a British American Tobacco a não pagar 170 milhões de libras de imposto devido ao Bangladesh. The Guardian.