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domingo, 13 de setembro de 2026

AZAMBUJA: EXPLORAÇÕES PECUÁRIAS AUTUADAS POR POLUÍREM RIBEIRA

Foto: Correio de Azambuja
  • Explorações pecuárias foram alvo de três acções de fiscalização relacionadas com denúncias de poluição causada por efluentes pecuários na zona de Azambuja que deram origem a autos de contra-ordenação por infracções que, nos casos mais graves, podem levar a coimas entre 24 mil e 144 mil euros. As fiscalizações surgem num contexto de queixas sobre a poluição da ribeira do Valverde, que atravessa Azambuja e que é há vários anos motivo de preocupação. Nas últimas semanas, os maus cheiros voltaram a provocar protestos, com um munícipe a denunciar em reunião pública do executivo da Câmara de Azambuja, um odor intenso associado a efluentes pecuários. Fonte.
  • “17 horas de sábado, 35 graus em Monte Córdova. Um vento quente e perigoso que se levanta. Na festa de Valinhas prepara-se mais um bombardeamento dos nossos ouvidos, que matará também passarada, deixará outros animais abalados, surdos, etc. Este ano a festa tem também o apoio da Edilages, a pedreira que vai ser responsável pelos próximos rebentamentos, bem ali perto de casas e de onde hoje o fogo de artifício vai iluminar o céu de uma noite de verão e ventania. Já não é o primeiro ano que este fogo provoca incêndio nesta zona. Boa sorte para logo. E como não há vigilância nem autoridades para suspender o fogo, até um ateu como eu não tem escolha senão confiar na nossa senhora de Valinhas.” Ricardo Meireles.

BICO CALADO

  • Entidades públicas entregam mais de 1,2 milhões de euros ao jornal britânico Financial Times. O P1 identificou pelo menos 22 operações financeiras entre entidades públicas portuguesas e o universo Financial Times, num valor nominal superior a 1,22 milhões de euros desde 2019. Só o Turismo de Portugal concentrou 766.643 euros em "acções de promoção". Entre os melhores clientes nacionais seguem-se a Nova SBE, presença assídua e quase sempre elogiosa nas páginas do jornal britânico, e a Câmara do Porto, com mais de 200 mil euros em contratos.

LEITURAS MARGINAIS

COMO A GRÃ-BRETANHA PERMITIU QUE PINOCHET ESCAPASSE À JUSTIÇA PELAS ATROCIDADES COMETIDAS
JOHN McEVOY, Declassified UK. Rev. O’Lima.


Há 25 anos, o governo do Reino Unido permitiu que o antigo ditador do Chile escapasse à extradição para Espanha. Documentos desclassificados revelam como essa decisão foi tomada. Documentos revelam que Margaret Thatcher fez um acordo secreto com Pinochet durante a década de 1980. Um conselheiro sénior de Tony Blair comentou: «Seria obviamente embaraçoso se tudo isto viesse a público»

A 2 de março de 2000, Augusto Pinochet atravessou com passos vacilantes a pista da base aérea da RAF Waddington, em Lincolnshire, e embarcou num jato da Força Aérea chilena, dando assim os seus últimos passos em solo britânico. O antigo ditador acabara de ser declarado inapto para ser julgado pelo ministro do Interior britânico, Jack Straw, e foi autorizado a regressar ao Chile com efeito imediato. Pinochet tinha passado os 16 meses anteriores em prisão domiciliária na Grã-Bretanha, aguardando o desfecho de um pedido de extradição espanhol por violações dos direitos humanos cometidas sob o seu regime.

Entre 1973 e 1988, agentes do Estado chileno foram responsáveis por mais de 3 000 mortes ou desaparecimentos e por dezenas de milhares de casos de tortura e detenções políticas. O pedido de extradição espanhol relativo a Pinochet incluía acusações de homicídio e tortura. A decisão do governo britânico de permitir que Pinochet escapasse à justiça foi, consequentemente, recebida com indignação, especialmente depois de o ditador ter dado sinais milagrosos de recuperação à chegada a Santiago. Muitos suspeitaram que tivesse sido alcançado um acordo político para permitir o regresso de Pinochet ao Chile, sob o pretexto de um relatório médico controverso que alegava que ele estava incapaz de dar instruções aos seus advogados.

Documentos recentemente desclassificados revelam agora como o processo judicial tinha sido complicado por um acordo secreto feito com Pinochet por Margaret Thatcher durante a década de 1980. Segundo os documentos, Thatcher teria prometido ao ditador assistência médica no Reino Unido em troca do apoio militar e dos serviços secretos do Chile durante a Guerra das Malvinas, em 1982. Os documentos revelam ainda como a ideia de libertar Pinochet por motivos de saúde tinha sido discutida em pormenor à porta fechada, com as autoridades chilenas a defenderem uma solução «humanitária» para a crise.

O deputado Jeremy Corbyn, um proeminente apoiante da campanha pela extradição de Pinochet, comentou: «Houve sempre pressão para permitir que Pinochet regressasse… Esta história inventada sobre a sua saúde foi elaborada e disseram-nos que ele era um homem que estava a perder a memória, que a idade estava a fazer-se sentir e que não estaria apto para ser julgado».

«Seria embaraçoso se isto viesse a público»

O mandado de detenção de Pinochet foi executado pouco antes da meia-noite de 16 de outubro de 1998 na London Clinic, um hospital privado na capital inglesa. Foi emitido tão tarde porque «os serviços secretos indicavam que Pinochet planeava deixar o hospital e o país de forma iminente», segundo uma nota informativa desclassificada da Polícia Metropolitana. Os agentes britânicos à paisana destacados no hospital estavam também «discretamente armados» para impedir a «fuga assistida de Pinochet da custódia policial» para a embaixada chilena nas proximidades.

À medida que os agentes de polícia cumpriam os seus deveres legais, as notícias da detenção de Pinochet começaram a chegar a Whitehall, desencadeando discussões internas frenéticas que antecipavam uma potencial tempestade política.

Uma das comunicações mais notáveis foi enviada ao então primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, pelo seu secretário particular principal, John Holmes, no dia da detenção de Pinochet. «Deve saber que as autoridades espanholas solicitaram a extradição do general Pinochet, que se encontra atualmente em Londres a receber tratamento médico», soube Blair. «A situação é um pouco mais complicada do que pode parecer», continuou Holmes. «Aparentemente, temos um acordo com ele, estabelecido no passado, devido à nossa cooperação com os chilenos contra a Argentina na altura da crise das Malvinas, no sentido de o ajudarmos com o tratamento médico em Londres». Holmes observou de forma ameaçadora: «Seria obviamente embaraçoso se tudo isto viesse a público».

Temendo o expansionismo argentino, o regime de Pinochet tinha prestado apoio militar e de informações à Grã-Bretanha durante a guerra das Malvinas, em troca de lucrativos negócios de armas que incluíam a venda de jatos Hawker Hunter e de aviões de reconhecimento fotográfico Canberra.

Vários documentos relativos ao apoio do regime chileno à Grã-Bretanha durante a guerra continuam classificados como confidenciais pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido.

Apesar destas complicações, Holmes manteve-se cautelosamente otimista em relação ao caso Pinochet. «Com sorte, tudo isto pode acabar por não dar em nada», disse ele a Blair. Holmes acrescentou: «O Ministério do Interior partilha a minha opinião de que é melhor que o pedido de extradição não vá para a frente», aparentemente contrariando a posição inicial de Jack Straw sobre o assunto.

Motivos humanitários

O otimismo de Holmes era infundado. Pinochet foi colocado em prisão domiciliária enquanto os tribunais britânicos deliberavam sobre como proceder relativamente ao pedido de extradição. A Câmara dos Lordes proferiu uma decisão histórica segundo a qual os antigos chefes de Estado não podiam gozar de imunidade judicial relativamente aos crimes internacionais mais graves.

Ao longo deste período, as autoridades chilenas pressionaram constantemente o governo britânico para que libertasse Pinochet por motivos «humanitários», ao mesmo tempo que salientavam que as relações entre o Reino Unido e o Chile ficariam prejudicadas caso Pinochet fosse extraditado, revelam os arquivos desclassificados.

Em novembro de 1998, o ministro dos Negócios Estrangeiros chileno, José Miguel Insulza, reuniu-se com ministros britânicos em Downing Street, informando-os de que o seu governo «pretendia defender a libertação por motivos humanitários». Pinochet era «um homem doente de 83 anos» e «deveria ser libertado» por razões de saúde, declarou ele. Insulza salientou ainda que «o Chile mantinha melhores relações com o Reino Unido do que com qualquer outro país europeu há 150 anos», e que essas relações seriam prejudicadas por qualquer decisão de aprovar a extradição de Pinochet.

O presidente do Senado do Chile, Andrés Zaldívar, também exerceu pressão sobre o governo do Reino Unido para que libertasse o antigo ditador por motivos humanitários. No início de dezembro, Zaldívar disse a Blair que o Senado lhe tinha dado «apoio unânime» na pressão para a libertação de Pinochet, sublinhando que «fatores políticos e humanitários» deveriam ser utilizados para recusar a extradição.

Os argumentos das autoridades chilenas foram, em alguns aspetos, apoiados por pareceres jurídicos internos fornecidos a Blair e a Straw. A 27 de novembro de 1998, o ministro do Governo Charles Falconer informou Downing Street de que a decisão de Straw sobre a extradição deveria ter em conta questões como «a saúde de Pinochet» e «o efeito noutros países… caso estes sentissem que os seus antigos líderes poderiam estar em risco desta forma». Falconer, que é casado com a filha do antigo embaixador britânico no Chile, David Hildyard, acrescentou: «A vantagem de tratar deste assunto agora é que o regresso seria provavelmente mais fácil do que após uma longa batalha judicial em que as atrocidades fossem detalhadas e Pinochet saísse derrotado».

«Perigo nacional extremo»

Não foram apenas as autoridades chilenas que pressionaram pela libertação de Pinochet. Margaret Thatcher escreveu a Blair a 25 de novembro de 1998 para afirmar que «a decisão certa neste momento é agir rapidamente para o libertar e permitir que regresse a casa». Pinochet era «um homem idoso e doente que, apenas por razões humanitárias, deveria ser poupado ao que o futuro lhe reservaria de outra forma», declarou ela. Referindo-se à guerra das Malvinas, Thatcher acrescentou que «só poderia prejudicar a reputação deste país se se soubesse que aqueles que, tal como o senador Pinochet, foram nossos amigos íntimos em momentos de perigo nacional extremo, podem posteriormente esperar ser tratados desta forma».

Até o Vaticano se pronunciou. Poucas semanas após a detenção de Pinochet, o equivalente ao secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros da Santa Sé escreveu a Blair para sublinhar a sua convicção de que «existem todos os requisitos para um gesto humanitário a favor de um homem de 83 anos, doente e que se tinha deslocado a Londres para uma operação cirúrgica grave».

Em meados de 1999, a pressão conjunta sobre o governo britânico para libertar Pinochet parecia estar a dar frutos quando foi elaborado um acordo entre o Chile, a França, a Espanha e o Reino Unido para que Straw rejeitasse o pedido de extradição e «devolvesse Pinochet ao seu país por “razões humanitárias”». O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Robin Cook, terá dito ao seu homólogo espanhol, Abel Matutes, que «não o deixaria [Pinochet] morrer na Grã-Bretanha», ao que Matutes respondeu: «Não o deixarei vir para Espanha».

Após o regresso de Pinochet ao Chile, este tornou-se alvo de dezenas de processos judiciais relacionados com violações dos direitos humanos e corrupção. No entanto, nunca foi condenado e faleceu em 2006.

sábado, 12 de setembro de 2026

CAÇADORES PAGOS POR ABATEREM JAVALIS

  • Governo vai pagar a caçadores por cada javali abatido, para travar prejuízos na agricultura. Fonte.
  • A Chemours, a DuPont e a Corteva chegaram a um acordo no valor de 455 milhões de dólares com a Carolina do Norte e 11 entidades locais relativamente a queixas de contaminação por PFAS associadas à fábrica «Fayetteville Works» da Chemours e a outras descargas históricas. Fonte.

BICO CALADO

  • Isto de entrentar pela frente tem muito que se lhe diga. Está claramente visto.
  • Cristiano Ronaldo no vermelho: 29 empresas e prejuízos de 264 mil euros. P1.
  • A fiscalidade nos combustíveis é um escândalo nacional. P1.
  • ERC: três asnas e dois jumentos confundem associação com causalidade. Pedro Almeida Vieira, P1.
  • A imprensa israelita publicou três revelações significativas sobre o holocausto de Gaza, relatando (1) que Benjamin Netanyahu ocultou o facto de ter conhecimento prévio do ataque do Hamas a 7 de outubro, (2) que Israel rejeitou uma proposta do Hamas para libertar todos os reféns civis imediatamente após 7 de outubro e (3) que, segundo um operador de drones das Forças de Defesa de Israel (IDF), as forças armadas israelitas estavam a disparar intencionalmente contra civis em toda a Faixa de Gaza durante as suas operações no território palestiniano. Caitlin Johnstone, Substack.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu enviar a cada adulto norte-americano um cheque no valor de 5 000 dólares, caso os republicanos mantenham o controlo do Congresso nas próximas eleições intercalares. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

CONCLUSÕES SOBRE O NOVO RELATÓRIO DA ONU
Ayana Elizabeth Johnson, Substack. Rev. O’Lima

(...)

Em breve ultrapassaremos os 1,5 °C de aquecimento global.

De forma contundente, o relatório começa com: «Não há cenários favoráveis com um aumento da temperatura global superior a 1,5 °C.» E explicam: «Mesmo num cenário otimista baseado nos atuais compromissos dos governos (implementação total de todos os planos nacionais para o clima, além do cumprimento de metas adicionais de emissões líquidas nulas), o aumento máximo previsto da temperatura situa-se nos 1,8 °C [3,2 °F].»

Deixam também claro que «os compromissos climáticos nacionais estão longe de ser suficientes» e que «a implementação dos compromissos existentes é fraca». Isto é, estamos a caminhar para um aquecimento superior a 2,0 °C, a menos que ocorram mudanças radicais. Uma situação extremamente insegura e instável. Entretanto, «muitas das premissas de planeamento existentes já não se sustentam. As políticas, as instituições, os sistemas financeiros e de planeamento foram concebidos com base em pressupostos de mudança gradual e de relativa estabilidade climática», etc.

A remoção de dióxido de carbono (CDR) não nos vai salvar.

A CDR (plantação de árvores + algumas tecnologias muito mais avançadas que ainda não foram comprovadas em grande escala) é um dos principais focos deste relatório, mas o PNUA é muito claro ao afirmar que não se trata de uma solução milagrosa. E certamente não é um «livre trânsito» para continuarmos a queimar combustíveis fósseis. Nas suas próprias palavras: «Em termos gerais, mesmo uma expansão otimista da CDR dificilmente conseguirá reverter a tendência de aumento da temperatura para além de algumas décimas de grau neste século. Isto sublinha a importância de nos concentrarmos na redução das emissões de gases com efeito de estufa agora.»

O relatório é firme na sua posição de que a CDR é uma componente necessária, mas certamente não se trata de um «Viva a CDR!», como os tecnólogos poderiam sentir-se tentados a interpretar. Em vez disso, o relatório afirma que poderá ajudar um pouco, mas que precisamos de ser muito cautelosos. Há uma grande ênfase na necessidade de uma governação «cuidadosa» e «a longo prazo», algo que, definitivamente, não temos em vigor neste momento.

Os combustíveis fósseis têm de desaparecer.

Historicamente, os documentos da ONU têm evitado abordar a necessidade de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, sem conseguir que todos os países membros concordem com essa formulação. Por isso, receava que este relatório fosse fraco nesse ponto. Mas, embora eu tivesse utilizado uma linguagem mais agressiva, o texto é firme e inequívoco: «A transição para longe dos combustíveis fósseis é, portanto, um investimento fundamental na resiliência e no bem-estar público.» O relatório aprofunda este ponto: «Evitar o “lock-in” do carbono nas infraestruturas é fundamental para este esforço. Os investimentos em infraestruturas de longa duração e de elevadas emissões, tais como centrais elétricas a combustíveis fósseis, sistemas de transportes e instalações industriais, podem limitar as futuras reduções de emissões e prender os países em trajetórias de elevado carbono. Só as infraestruturas de combustíveis fósseis existentes e planeadas poderiam exceder em 120 % as emissões de CO₂ compatíveis com o objetivo de 1,5 °C em 2030.»

Ou seja, acabem-se os oleodutos de combustíveis fósseis, acabem-se as centrais elétricas a combustíveis fósseis. Referem que «a redução da procura é uma peça importante do quebra-cabeças» e que «a redução do metano e de outros gases com efeito de estufa superpotentes e de vida curta é fundamental». De facto.

E depois... apelam a uma revolução: Acelerar a revolução das energias renováveis é crucial. Do lado da oferta, os cenários de «overshoot» limitado sugerem aumentar a quota das energias renováveis para 60–70% da produção global de eletricidade até 2030, apoiada pela expansão da rede, pelo armazenamento e pela flexibilidade da procura. Estas são PALAVRAS FORTES por parte das Nações Unidas.

Precisamos de resolver os problemas da agricultura.

A agricultura é afetada pelas alterações climáticas, ao mesmo tempo que constitui um dos principais fatores que as impulsionam. Este relatório aborda a agricultura de forma superficial, centrando-se na importância de «reduzir as emissões de metano “difíceis de abater”, particularmente as provenientes da agricultura». O relatório é pouco enfático quanto à necessidade de uma transição para dietas à base de vegetais («Mudanças na alimentação poderiam reduzir significativamente as emissões e libertar terras para o sequestro de carbono») e, curiosamente, não menciona o uso de combustíveis fósseis pelo setor nem o impacto da pecuária no desmatamento. Por isso, permitam-me complementar com alguns factos essenciais:

A agricultura é responsável por, pelo menos, 90 % da desflorestação tropical.

O sistema alimentar industrial é responsável por 33 % da poluição global por gases com efeito de estufa, sendo cerca de metade desse valor proveniente da produção de carne e lacticínios, que utiliza mais de um terço das terras habitáveis a nível mundial.

A agricultura industrial levou à libertação de mais de 133 mil milhões de toneladas métricas de carbono presente no solo. Grande parte da camada superficial do solo dos EUA perdeu entre 30% e 50% da sua matéria orgânica nos últimos 100 anos.

Só os fertilizantes azotados sintéticos (112 milhões de toneladas por ano) são responsáveis por 2,1% das emissões globais de gases com efeito de estufa.

Esta questão merece muito mais atenção.

Precisamos de investir fortemente na adaptação.

O segredo já foi revelado. Os fenómenos meteorológicos extremos já estão aqui. Os elementos de ponto de viragem correm o risco de atingir esse ponto. «O desencadeamento de elementos de ponto de viragem pode conduzir a alterações irreversíveis. A possibilidade de reduzir os riscos a longo prazo em componentes do sistema terrestre de resposta lenta, através da reversão do aquecimento global, é especialmente relevante para os elementos de ponto de inflexão — sistemas em grande escala que podem sofrer alterações irreversíveis assim que forem ultrapassados limiares críticos. Estes incluem as camadas de gelo da Antártida Ocidental e da Gronelândia, a AMOC e o sistema clima-biosfera da floresta amazónica.»

Por isso, não podemos concentrar-nos apenas na redução das emissões (embora também seja realmente necessário fazê-lo); precisamos igualmente de investir fortemente na construção de um mundo capaz de lidar com a nossa nova e em evolução realidade climática. Apelam a uma «adaptação transformacional», que requer «uma adaptação que altere os atributos fundamentais de um sistema socioecológico em antecipação às alterações climáticas e aos seus impactos — uma reorganização fundamental e abrangente de todo o sistema que vai além da tecnologia e das estruturas económicas, estendendo-se a paradigmas, objetivos e valores, e que aborda os fatores subjacentes ao risco climático de forma inclusiva, reforça a capacidade de lidar com os impactos futuros e de recuperar deles, e protege contra resultados de adaptação inadequada, agora e no futuro»

Por outras palavras, «Em vez de depender de ajustes faseados, a adaptação deve abordar os fatores subjacentes à vulnerabilidade e apoiar uma mudança transformacional.» Isto pode parecer-lhe insípido, mas pode ser a coisa mais radical que já li da ONU.

Resumindo

Em muitos aspetos, este relatório não traz grandes novidades para quem tem vindo a acompanhar a ciência e as políticas climáticas a nível global. Há muito que se considera quase certo que se ultrapassará o limite de 1,5 °C, e há muito que o objetivo tem sido minimizar o aumento da temperatura global e a consequente desestabilização dos ecossistemas e proliferação de fenómenos meteorológicos extremos. A ONU também tem sido clara, desde há muito, quanto às implicações desta situação em termos de justiça e responsabilidade: «Os países com maior responsabilidade histórica pelas alterações climáticas e maior capacidade para as enfrentar devem agir com maior determinação e rapidez.»

Este relatório é tão contundente e tão claro. (É realmente muito fácil de ler, não hesitem em lê-lo.) Não só os cientistas nos têm alertado, repetidamente e em pormenor, como também têm vindo a apresentar continuamente planos de ação para evitar a catástrofe. Este relatório é mais um desses planos de ação. É preciso dar crédito a quem o merece.

E atribuir a culpa a quem a merece.

As empresas de combustíveis fósseis, obviamente. (Sinceramente, não faço ideia de como é que aqueles executivos conseguem dormir à noite.) E já dei a minha opinião sobre o agronegócio.

E ainda:

Grandes bancos: desde que o Acordo de Paris foi assinado em 2015, 60 bancos concederam 7,9 biliões de dólares em financiamento a empresas de combustíveis fósseis, tendo só os quatro maiores bancos — JPMorgan Chase, Citi, Wells Fargo e Bank of America — concedido mais de 1,64 biliões de dólares.

Grandes empresas tecnológicas: os centros de dados de IA estão a consumir imensa, e a frenética construção que se verifica não quer esperar que passem a ser alimentados por energia limpa. Na sua newsletter, Bill McKibben referiu uma análise da Bloomberg segundo a qual «a construção prevista do centro de dados irá aumentar as emissões de gases com efeito de estufa do setor da eletricidade em, pelo menos, vinte por cento, e talvez até um terço.»

E, tal como Emily Atkin relatou na HEATED, «o problema climático da IA é pior do que pensávamos», porque: as emissões resultantes da utilização da IA pela indústria dos combustíveis fósseis são provavelmente muito superiores às emissões geradas pelo consumo energético da IA no seu conjunto. Mais concretamente, descobriram que a utilização da IA pelas grandes petrolíferas para produzir mais petróleo e gás poderia gerar 3,3 a 13,3 vezes mais poluição climática do que o consumo energético dos centros de dados da IA.»

Entretanto, Elon Musk voltou subitamente a preocupar-se com as alterações climáticas, mas também afirma, de forma absurda, que não precisamos de nos preocupar com isso durante 50 anos e diz que vai resolver o problema com satélites... catapultados a partir da Lua. Mais uma manobra desonesta para ganhar dinheiro.

Estes postes foram escritos na mesma semana em que o aquecimento do nosso planeta derreteu o permafrost que mantinha um glaciar no seu lugar no Nepal e no Tibete. O colapso causou tantas mortes e tanta devastação. Uma injustiça climática, se é que alguma vez houve uma.

O que me leva a…

Grandes bilionários: Há dinheiro suficiente no mundo para resolver esta crise. É necessário investimento governamental, claro. É necessário eleger políticos empenhados em soluções climáticas e que não tenham medo de responsabilizar as empresas. (Além disso, acabem com o «Citizens United»!) É necessário pôr fim aos investimentos especulativos desenfreados em IA. (A vossa resistência aos centros de dados está a dar frutos, não desistam!). É necessário que os megamilionários deixem de acumular riqueza e de comprar mega iates. Neste momento, a nível global, apenas 2% do financiamento filantrópico é destinado ao clima — nos EUA, apenas 0,5%. (Tributem os ricos!) Podemos financiar a revolução e a transformação.

(…)

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

AÇORES: ORGANIZAÇÃO DO FESTIVAL DE MÚSICA ABANDONA RESÍDUOS


O Bloco de Esquerda  formalizou uma queixa junto da Inspeção Regional do Ambiente devido à presença de grandes quantidades de resíduos abandonados na zona da praia do Monte Verde, no concelho da Ribeira Grande. A denúncia surge cerca de um mês após a realização do festival de música naquele local, registando-se a permanência de plásticos dispersos pelo recinto e amontoados de materiais no extremo leste da praia.


EUA: MISSISSIPPI NÃO GARANTE O DIREITO À ÁGUA POTÁVEL

  • Tribunal de recurso indefere ação judicial movida por residentes de Jackson que alegavam que a água potável contaminada violava os seus direitos. O tribunal decidiu que a Constituição federal não garante o direito à água potável. FonteMais um caso de racismo ambiental, uma vez que a região é de maioria negra. Já o antigo CEO da Nestlé defendia o mesmo.
  • A Pensilvânia multa a Shell em 15 milhões de dólares por poluição causada pela fábrica de plásticos do Condado de Beaver. Fonte.

BICO CALADO

  • “(…) um membro do Governo pode ter opiniões, naturalmente. Pode expressá-las politicamente, em conferências de imprensa, no Parlamento, em entrevistas ou nas suas próprias redes sociais. Não faltam lugares e momentos para se expressar. O que não pode, ou pelo menos não deveria, é ocupar regularmente espaço editorial na comunicação social para comentar a atualidade política enquanto exerce funções governativas. Muito menos quando esse membro do Governo é precisamente o responsável político pela tutela da comunicação social. Não é uma questão de censura, nem de liberdade de expressão. É uma questão de bom senso, de separação de papéis e, sobretudo, de aparência de imparcialidade. Quem tem a responsabilidade política de tutelar a comunicação social deve ser particularmente cuidadoso para não transformar essa posição numa espécie de lugar privilegiado de comentário sobre a própria realidade política que integra. (…)” Pedro Arruda.
  • CONTOS DO ESQUECIMENTO - Documentário. Argumento e realização: Dulce Fernandes. RTP2, 27 de agosto de 2026, 22h53. O papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Achados arqueológicos recentes em Lagos, no sul de Portugal, revelaram o passado esquecido do papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Numa manhã quente de verão em 1444, na aldeia piscatória de Lagos, no sul de Portugal, foi desembarcado um grupo de pessoas africanas. No campo junto ao porto, foram entregues como escravos aos nobres e comerciantes locais. Durante os 400 anos seguintes, mais de seis milhões de africanos seriam traficados em navios portugueses para a Europa e para o outro lado do Atlântico. Numa tarde chuvosa de inverno de 2009, em Lagos, arqueólogos que escavavam o local onde estava a ser construído um parque de estacionamento subterrâneo, começaram a encontrar esqueletos humanos. Trabalhando no local durante os cinco meses seguintes, enquanto o parque de estacionamento estava a ser construído à sua volta, os arqueólogos descobriram os esqueletos de 158 homens, mulheres e crianças africanos escravizados. Os seus corpos tinham sido depositados numa lixeira do século XV. Entrelaçando estas duas histórias, Contos do Esquecimento cruza histórias de violência e brutalidade do passado com imagens e sons do presente.
  • Donald Trump afirmou que irá pedir aos países europeus que reembolsem os EUA pela ajuda militar e pelas munições anteriormente enviadas à Ucrânia, e pareceu insinuar que as vendas aos países aliados seriam suspensas. Fonte.
  • O Procurador-Geral da Ucrânia demitiu-se. É acusado de encobrir centros de chamadas fraudulentos que roubaram milhares de milhões a idosos na UE e nos EUA. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

A MENTIRA TEM PERNA CURTA


Entre Outubro de 1941 e Outubro de 1942, a propaganda alemã mentiu desavergonhadamente às tropas, ao povo e à comunidade internacional, asseverando que ganhara a guerra e que a Rússia estava derrotada. Da primeira vez, anunciou que as pinças blindadas estavam prestes a entrar em Moscovo. Dois meses depois, os russos empurraram-nos das cercanias da sua capital e inflingiram aos alemães a primeira grande derrota na guerra. Um ano volvido, anunciaram que Estalinegrado caíra e qwue a URSS perdera a guerra. Três meses volvidos, estes rendiam-se.

A propaganda de guerra deve assentar no equilíbrio de ouro entre a verdade e o realismo. Não deve mentir, senão em aspectos acessórios, deve preservar o essencial que garanta a credibilidade de quem a usa para infundir segurança, esperança e ânimo elevado entre os soldados da frente e a confiança da frente interna, mas, sobretudo, nunca deve correr o risco de desautorização internacional do governo que a produz. A Ucrânia tem mentido repetidamente desde 2022, movimento no qual é acompanhada e incentivada pelos ocidentais. Desde a Ilha das Serpentes, do levantamento do cerco russo a Kiev (resultado do cumprimento russo dos gorados acordos de Istambul), dos falsos massacres de Bucha e Irpin, das grandes batalhas pelas cidades do Donbas, da tão anunciada contra-ofensiva de 2023, das mil mentiras sobre o esgotamento militar russo, da iminente derrocada económica russa e do anedotário que insistia que os russos combatiam com pás, recorriam ao canibalismo, trocavam munições por víveres, a Ucrânia esgotou a sua reputação. Hoje, ninguém assisado acredita numa palavra de Zelensky e destes propagandistas atoleimados que enxameiam a comunicação social ocidental.

Tomo conhecimento do ataque devastador que hoje fez tremer Kiev. Centenas de alvos tocados, edifíos, instalações militares, unidades industriais e grandes superfícies logísticas arrasadas. Após semanas de propaganda em que nos fizeram crer que a Rússia estava a ser destruída pelos ataques ucranianos a refinarias na Rússia, a Ucrânia está desesperada. Não há luz, gás, circulação ferroviária, as estantes dos supermercados vazias. A mentira tem vida curta e quanto maior for, maior a factura de credibilidade exigirá. É aí que estamos.