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domingo, 24 de maio de 2026

BRASIL: A DESASTROSA PRIVATIZAÇÃO DA SABESP

Peter Dazeley/Getty Images
  • A privatização da Sabesp tornou a empresa uma máquina atamente lucrativa, contudo mortal, priorizando o lucro dos acionistas em detrimento da qualidade, segurança e direitos humanos à água e saneamento. Enquanto os lucros mais do que duplicaram, as despesas com pessoal caíram 13,5%, foram despedidos 47% dos funcionários e as remunerações dos diretores subiram 626%. Como resultado, registou-se enorme queda de qualidade – frequentes falhas de água, aumento de 70% no número de reclamações e 70% de queixas não atendidas. Pior: houve acidentes graves: rompimento de esgoto na Marginal Tietê (cratera aberta por um ano), morte de idosa em Mauá, colapso de reservatório em Mairiporã (uma morte), explosão de tubulação de gás no Jaguaré (duas mortes e 10 moradias destruídas). Fonte.
  • As autoridades do distrito de Orange, na Califórnia, ordenaram a evacuação de 40 000 pessoas devido a receios de uma fuga química que ameaçava derramar-se ou explodir. O problema surgiu numa instalação da GKN Aerospace, na cidade de Garden Grove, onde um tanque de armazenamento com metacrilato de metilo começou a libertar gases e ameaçava romper-se. O produto químico, que é altamente inflamável, é utilizado na fabricação de resinas e plásticos. Fonte.


REFLEXÃO

SDR PORTUGAL, CONSUMIR MAIS EM NOME DA ECONOMIA CIRCULAR


A SDR Portugal, uma associação sem fins lucrativos, é apresentada como uma das grandes conquistas da nova economia circular. Uma solução moderna, sustentável e inevitável para aumentar as taxas de reciclagem e aproximar Portugal dos objectivos ambientais europeus. A narrativa pública é simples, eficaz e cuidadosamente construída: devolver embalagens para salvar o planeta.
Consumir continua perfeitamente aceitável. Desde que a culpa venha com código de barras e seja colocada na máquina correcta.

O presidente da SDR Portugal é Leonardo Bandeira de Melo Mathias, antigo Secretário de Estado Adjunto e da Economia no governo de Pedro Passos Coelho. Um dos vice-presidentes é António Augusto dos Santos Casanova Pinto, vice-presidente do Conselho de Administração da Sumol Compal Marcas e administrador executivo do grupo.

Segundo o Relatório e Contas de 2024 da própria SDR, os órgãos sociais não são remunerados. No entanto, os gastos com remunerações em 2024 ascenderam a €136.333,25 antes de impostos (Seg. Social + IRS). O número de pessoas ao serviço em 31 de Dezembro de 2024 era de apenas 3, sendo referido no relatório que existia um Director-Geral contratado desde Junho de 2022 e que apenas em Dezembro de 2024 foram contratados um Director de Operações e um Director de Tecnologias de Informação.
Ou seja, durante praticamente todo o exercício de 2024, o grosso dos encargos salariais esteve concentrado numa única pessoa e com um valor (€9.738 líquidos /mês) bastante interessante para uma estrutura ainda em fase inicial de operação. Afinal, até a reciclagem moderna exige a sua pequena aristocracia técnica.

O próprio Relatório e Contas revela ainda outro detalhe particularmente curioso: existe um conjunto de grandes empresas que realizaram empréstimos à SDR, os quais, segundo o Relatório de Gestão, serão pagos “quando a associação tiver meios financeiros para o fazer”.
Traduzindo do dialecto institucional para português corrente: o dinheiro há-de voltar. Ou seja, não se trata propriamente de capital a fundo perdido nem de um gesto puramente filantrópico. Trata-se de dinheiro que deverá regressar futuramente a quem o colocou no sistema.

Entre os credores encontram-se:
Auchan Retail Portugal, S.A.: €247.000
ITMP Alimentar, S.A.: €247.000
Super Bock Bebidas, S.A.: €247.000
Pingo Doce - Distribuição Alimentar, S.A.: €247.000
Lidl & Companhia: €247.000
Modelo Continente Hipermercados, S.A.: €247.000
Sumol Compal Marcas, S.A.: €247.000
Coca-Cola Europacific Partners Unipessoal, Lda: €247.000
SCC - Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, S.A.: €247.000
Unilever Fima, Lda: €247.000
Total: €2.470.000

A pergunta verdadeiramente interessante não é se o sistema é ecológico. É perceber como, quando e através de que mecanismos financeiros estes valores serão recuperados. Porque num sistema financiado por depósitos, taxas, fluxos operacionais e receitas futuras associadas à reciclagem, alguém acabará inevitavelmente por pagar a factura final da virtude ambiental.
No entanto, quando se observa o modelo para além da superfície publicitária e das campanhas institucionais, percebe-se que talvez estejamos perante algo bastante mais complexo do que uma simples iniciativa ecológica.

O que está a ser criado não é apenas um sistema de reciclagem. É uma infraestrutura económica, logística e tecnológica de enorme dimensão, construída em torno da circulação permanente de embalagens, depósitos, dados e contratos.
A lógica do mecanismo parece inocente. O consumidor compra uma bebida, paga um valor adicional associado à embalagem e recupera esse montante caso a devolva num ponto autorizado. À primeira vista, trata-se apenas de um incentivo comportamental. Uma pequena penalização temporária destinada a ensinar adultos a colocar recipientes vazios no sítio correcto. Mas é precisamente aqui que o modelo se torna interessante. O sistema não vive apenas da reciclagem.Vive sobretudo da arquitectura financeira criada à volta da reciclagem.

Cada embalagem deixa de ser apenas um recipiente descartável e transforma-se numa unidade económica rastreável:
- alguém paga
- alguém recolhe
- alguém valida
- alguém transporta
- alguém processa
- alguém monitoriza
- alguém factura

A garrafa já não termina no lixo. Passa a circular dentro de uma cadeia económica cuidadosamente organizada, onde praticamente cada etapa gera actividade financeira.

O primeiro aspecto raramente explicado de forma transparente é a importância dos depósitos não reclamados. Nem todas as pessoas irão devolver embalagens. Nem todas terão tempo. Nem todas terão máquinas próximas. Nem todas guardarão garrafas em casa. Nem todas considerarão justificável deslocar-se por alguns cêntimos. Nem todas transformarão a cozinha numa extensão informal do centro de triagem nacional.

E é precisamente aí que surge uma das peças mais relevantes do sistema. Os depósitos pagos e nunca recuperados permanecem dentro do circuito financeiro da estrutura. Ou seja, uma parte significativa da sustentabilidade económica do modelo assenta não apenas na reciclagem, mas também na inevitável imperfeição humana.

E aqui vale a pena pegar nas próprias palavras do presidente da SDR Portugal: “Só para lhe dar um enquadramento, são consumidas em Portugal 2,1 mil milhões de garrafas de plástico (PET) até três litros. E as latas de aço e de alumínio, portanto, são 2,1 mil milhões de unidades por ano. Agora imagine…”

Sim, vamos então imaginar.
Com optimismo ambiental, admitamos que 70% das embalagens são devolvidas. Isso significa que 30% ficam fora do circuito de retorno.
2,1 mil milhões × 30% = 630 milhões de embalagens não devolvidas.
Multiplicando por um depósito de 10 cêntimos:
630 milhões × €0,10 = €63 milhões.
Ou seja, mesmo num cenário bastante optimista, estariam potencialmente 63 milhões de euros anuais a permanecer dentro do sistema apenas através de depósitos não reclamados.

Agora abandonemos por momentos o optimismo institucional e ambiental. Se a taxa de retorno fosse de 50%, então metade das embalagens não regressaria:
2,1 mil milhões × 50% = 1.050 milhões de embalagens.
Multiplicando novamente pelos 10 cêntimos:
1.050 milhões × €0,10 = €105 milhões.
Cento e cinco milhões de euros.

Naturalmente, estes valores não representam lucro directo líquido nem podem ser analisados isoladamente dos custos operacionais do sistema. Mas ajudam a perceber a dimensão financeira potencial criada por um mecanismo que depende precisamente de uma percentagem significativa de embalagens nunca ser devolvida.

Há aqui uma ironia difícil de ignorar. O sistema apresenta-se como solução para mudar comportamentos, mas beneficia financeiramente do facto de esses comportamentos nunca mudarem completamente. Se os consumidores devolvessem rigorosamente todas as embalagens, uma das maiores almofadas financeiras do mecanismo desapareceria. Isso obrigaria inevitavelmente a:
- aumentar taxas
- reforçar contribuições da indústria
- procurar mais financiamento público
- ou criar novas formas de receita

Por outras palavras, o sucesso ambiental absoluto poderia transformar-se num problema económico bastante menos sustentável do que os folhetos institucionais sugerem. Naturalmente, esta parte raramente aparece nos vídeos promocionais acompanhados por folhas verdes ao vento, crianças sorridentes e música suficientemente inspiradora para absolver moralmente uma garrafa de plástico. Mas os depósitos não reclamados são apenas uma componente do ecossistema.

Outra dimensão do modelo surge quando se observa a infraestrutura criada à sua volta.
Para operacionalizar a devolução de milhões de embalagens, torna-se necessário construir uma rede nacional composta por:
- máquinas automáticas de recolha
- software de reconhecimento e validação
- sistemas antifraude
- logística reversa
- transporte especializado
- centros de triagem
- compactação industrial
- plataformas digitais
- manutenção técnica
- monitorização estatística
- auditorias
- certificações ambientais
- contratos operacionais

Ou seja, cria-se um novo sector económico completo em torno de algo que, até aqui, cabia essencialmente num ecoponto. E como acontece frequentemente na economia contemporânea, o discurso público concentra-se na moralidade ambiental, enquanto os fluxos financeiros reais se distribuem silenciosamente pelos bastidores tecnológicos e logísticos.
Porque alguém fabrica as máquinas. Alguém fornece o software. Alguém gere os dados. Alguém assegura manutenção. Alguém opera a logística. Alguém ganha contratos. Alguém presta consultoria. Alguém vende a solução para o problema que o próprio sistema ajudou a transformar numa nova necessidade estrutural. O operador central pode apresentar-se como entidade sem fins lucrativos, o que é tecnicamente verdadeiro. Mas isso pouco diz sobre o volume de actividade económica gerada à volta da estrutura.
Aliás, um dos traços mais sofisticados dos modelos contemporâneos é precisamente este: o núcleo institucional mantém uma aparência neutra e moralmente virtuosa, enquanto a rentabilidade se espalha discretamente pelas camadas periféricas do sistema.

Existe ainda uma dimensão menos visível, mas potencialmente mais valiosa a longo prazo: os dados.
Cada devolução gera informação. Cada máquina recolhe padrões de utilização. Cada localização produz métricas comportamentais. Cada embalagem contribui para mapear hábitos de consumo. Num contexto onde indicadores ambientais, métricas ESG* e monitorização de comportamento possuem valor económico crescente, o controlo de uma infraestrutura nacional deste tipo representa muito mais do que reciclagem. Representa capacidade de observação, recolha, análise e venda de dados. (*Indicadores quantitativos e qualitativos que medem o desempenho de uma empresa nas áreas Ambiental, Social e de Gestão)

Quem gere um sistema desta escala passa a ter acesso a:
- padrões de consumo
- volumes regionais
- sazonalidade de vendas
- participação dos consumidores
- fluxos logísticos
-métricas ambientais
- indicadores de conformidade regulatória
O lixo deixa de ser apenas lixo.Torna-se informação.

Outro aspecto particularmente curioso é a transferência parcial de trabalho da indústria para o cidadão. Antes, o consumidor colocava a embalagem no ecoponto e encerrava aí a sua participação. Agora, espera-se que:
- guarde embalagens em casa sem as danificar
- organize resíduos
- transporte recipientes
- procure máquinas disponíveis
- aguarde validação
- execute parte da logística operacional

Tudo isto naturalmente apresentado como exercício de cidadania ambiental. Na prática, parte do trabalho anteriormente absorvido pelo sistema tradicional de resíduos é silenciosamente transferido para o próprio consumidor, que continua simultaneamente a financiar o processo através dos depósitos pagos.

Entretanto, os grandes produtores de embalagens conseguem algo ainda mais relevante: legitimidade. As empresas responsáveis pela colocação de milhões de embalagens descartáveis no mercado passam a operar dentro de uma arquitectura verde certificada, compatível com exigências regulatórias europeias e extremamente útil para relatórios ESG, reputação corporativa e marketing institucional.

A questão deixa então de ser: “como reduzir embalagens descartáveis?” E passa subtilmente a ser:“como integrar embalagens descartáveis num circuito economicamente rentável e ambientalmente legitimado?”
É uma diferença conceptual importante.
O sistema não elimina o consumo massivo de recipientes descartáveis. Pelo contrário: reorganiza-o, profissionaliza-o e transforma-o numa cadeia económica ainda mais sofisticada.
No fundo, o que está a emergir não é apenas um mecanismo de reciclagem. É a monetização integral da embalagem desde o momento da compra até ao momento da devolução.

A embalagem gera receita quando é vendida. Gera receita quando circula. Gera receita quando não é devolvida.Gera receita quando é devolvida. Gera receita quando é processada. Gera receita enquanto dado estatístico. E gera legitimidade política e ambiental durante todo o percurso.

Nada disto significa que reciclar seja inútil ou que a reutilização de materiais não tenha benefícios reais. O problema não está na reciclagem. Está na forma quase religiosa como certos modelos económicos são apresentados como altruísmo ambiental puro, quando na realidade envolvem estruturas financeiras altamente sofisticadas e interesses económicos evidentes.

Porque quando uma solução ecológica cria uma indústria multimilionária sustentada por depósitos, contratos, dados, logística, tecnologia e falhas previsíveis do comportamento humano, talvez seja legítimo perguntar se o principal objectivo é proteger o ambiente… ou descobrir como transformar até o lixo numa fonte permanente de rentabilidade.

E nesse aspecto, convenhamos, o modelo é brilhante.

NB - perspetivas complementares sobre este tema:


BICO CALADO

Foto: Wang Dongming/China News Service/Getty Images
  • “(...) Agora atentem nesta forma de resolver a crise da habitação, num país onde 75% dos trabalhadores recebem menos de 1000 euros por mês. Primeiro: introduzir o conceito de "renda moderada" até 2300 euros. Segundo: dar borlas fiscais a quem queira alugar a sua casa por um valor moderado. Terceiro: Dar borlas fiscais aos construtores sem exigir que essa borla apareça no preço final da venda. Quarto: Não tributar os lucros da especulação imobiliária se forem usados para comprar mais casas que, por sua vez, serão colocadas no mercado das "rendas moderadas". Quinto: fechar o circulo dando borlas fiscais a fundos imobiliários que invistam, lá está, em habitações para rendas moderadas. Em resumo, o governo não só garante que a especulação não termina como premeia quem a produz. (…)” Tiago Franco, A arte de prolongar uma crise.
  • O Governo quer que pareceres de advogados possam ilibar os políticos e gestores públicos de penalizações por despesas ilícitas. A medida consta da Proposta de Lei para a revisão - em baixa - dos poderes do Tribunal de Contas, já submetida ao Parlamento. FonteEsta vigarice é decalcada dos EUA. Paul Krugman conta como é. Tradução aqui.
  • A armadilha nada inocente da “Educação Financeira”, Rafael Guerra de Oliveira – Outras Palavras.

LEITURAS MARGINAIS

ISRAEL E A VIOLÊNCIA


Se não fosse a exibição gratuita e ofensiva do vídeo pelo ministro de Israel, Itamar Ben-Gvircom prisioneiros de joelhos, agrilhoados e agredidos, o governo português fingiria que nada tinha sabido.

Se fossem apenas dezenas de milhares de mortos, estropiados e famélicos de Gaza que Israel massacra, homens, mulheres e crianças, e expulsa do território, o ministro Paulo Rangel limitar-se-ia a dizer, como o fez o anterior PR, que foram eles que começaram. A referência ao covarde e cruel massacre do Hamas servirá de desculpa perpétua.

Se Israel se limitasse à limpeza étnica dos territórios que julga seus, por direito divino, o Governo português, que desistiu de ter política externa própria, limitar-se-ia a dizer que está sempre ao lado das democracias contra as ditaduras.

Mas desta vez foram dois médicos, portugueses e caucasianos, os cidadãos de coragem. Sabem que também se salvam vidas não deixando cair no olvido o drama dos palestinos e que é preciso arriscar para manter presente na opinião pública o drama do povo que se extingue à fome, ao frio e com doenças epidémicas, expulso de onde nasceu e onde dificilmente voltará.

E não tinham o rótulo de políticos, como sucedeu no ataque a uma deputada do BE, que teve igual coragem e determinação, Mariana Mortágua! Desta vez a coragem não foi objeto de chacota e as redes sociais não se transformaram em sarjetas do ódio a bolçar impropérios.

O destrambelhamento do ministro fascista e a exibição gratuita da humilhação grotesca aos prisioneiros seviciados levaram o PM a condenar o ato e o ministro Paulo Rangel a pedir explicações, o mínimo para salvarem a face depois de numerosas manifestações de subserviência a Israel e aos EUA de Trump.

Gonçalo Reis e Beatriz Bartilotti, os médicos cuja coragem contribuiu para reavivar na opinião pública o drama palestino, honraram a profissão e o nosso país.

Desta vez, por mais que se cubram de opróbrio na defesa de Israel as avençadas, Helena Ferro Gouveio e Helena Matos, Israel não fica impune na opinião pública.

E até o PM e o MNE foram obrigados a manifestar um módico de decência enquanto na Base das Lajes continua a cumplicidade deste governo nos crimes dos EUA, na senda da passagem de presos e voos da CIA especialmente entre 2002 e 2006, na transferência para a prisão de Guantánamo.

Esses crimes começaram quando era PM Durão Barroso, o Presidente não executivo do Banco Goldman Sachs International. Os crimes compensam.

Se Montenegro tivesse a coluna vertebral de Pedro Sanchéz!

sábado, 23 de maio de 2026

ANTÁRTIDA: GLACIAR RECUA 24 KMS EM APENAS 15 MESES

  • O glaciar Hektoria, na Antártida, ruiu a uma velocidade impressionante, recuando 24 km em apenas 15 meses e estabelecendo um recorde moderno de perda de gelo terrestre. Os cientistas afirmam que o aquecimento global e a instabilidade provocada pelo oceano transformaram o glaciar, que parecia estável, numa estrutura em rápido desmoronamento praticamente da noite para o dia. Fonte.
  • Em 2025, foi removido um número recorde de barragens e outras barreiras fluviais em toda a Europa, com o objetivo de restaurar ecossistemas e ajudar a vida selvagem a prosperar. Foram desmanteladas 602 barreiras (barragens, açudes, bueiros, eclusas), um aumento de 11 % em relação ao ano anterior e um aumento de seis vezes desde 2020. Isto reconectou 3.730 km de rios, contribuindo para o objetivo da UE de restaurar 25.000 km até 2030. A Suécia, a Finlândia e a Espanha lideraram o processo, respetivamente com 173, 143 e 109 casos. Fonte.

BICO CALADO

  • Centenas de groenlandeses manifestaram-se em frente ao novo consulado dos EUA em Nuuk, numa altura em que o enviado do presidente Donald Trump deu a entender que continua a pretender controlar o território dinamarquês autónomo que se estende entre os oceanos Ártico e Atlântico. Vários políticos groenlandeses recusaram igualmente os convites para assistir à inauguração do consulado. Fonte.
Cavaco, a múmia...
  • "Vá lá, jornalistas, perguntem à ministra --> Quem redigiu a proposta de alteração ao Código do Trabalho? Já sabemos que não foram os serviços do Estado, mas foi a ministra? Quando? --> Foi um escritóro de advogados? --> Se sim, qual? --> Quem pagou a factura? --> Se foi o Estado, houve concurso público? Porquê esse escritório? ---> Se não foi o Estado? Quem pagou? Como se deixou que um privado tenha pago a factura? Foi à borla? Não fica o Governoi capturado por quem pagou ou que lhe deu este presente?" João Ramos de Almeida.
  • Um plano conjunto entre a polícia boliviana e forças militares dos EUA para capturar o ex-presidente Evo Morales e, segundo relatos, massacrar moradores que resistissem. Comunidades indígenas rurais cercaram a residência de Morales para protegê-lo. Trabalhadores ocuparam e bloquearam o aeroporto de Chimoré (próximo à casa dele) para impedir pousos de aeronaves americanas. Há mais de duas semanas, 22 bloqueios de estradas por grupos camponeses paralisam partes da Bolívia, exigindo a renúncia do presidente centrista Rodrigo Paz (pró-EUA e Israel). Em 18 de maio, mais de 10 mil apoiadores de Morales chegaram a La Paz após seis dias de caminhada. Houve confrontos com a polícia, dinamites e 90 prisões. Evo Morales (presidente de 2006 a 2019) reduziu pobreza e desigualdade, mas foi alvo de um golpe em 2019 após vitória eleitoral contestada pela OEA (financiada pelos EUA). A militar Jeanine Áñez assumiu, com reconhecimento imediato de Trump. O principal interesse dos EUA na Bolívia é o lítio (70% das reservas mundiais). Antes do golpe de 2019, Morales fechou um contrato de US$ 2,3 bilhões com a China, rejeitando exigências de empresas americanas e canadenses. Fonte.
  • No contexto da escalada da agressão dos EUA contra Cuba, através de uma campanha de pressão máxima e da ameaça de intervenção militar, o governo dos EUA tem vindo a financiar secretamente uma vasta rede de meios de comunicação cubanos, que se dizem independentes, numa tentativa de promover uma mudança de regime contra o governo socialista independente. Estes media apresentam-se como jornalismo de investigação imparcial, mas estão a ser discretamente financiados por Washington através da [agora reestruturada] USAID, da Fundação Nacional para a Democracia e da Fundação Open Society, com o objetivo de semear o descontentamento na nação caribenha, preparando-a para uma invasão potencialmente «iminente» por parte da administração Trump. Fonte.
  • "O infeliz Paulo Rangel, que se toma pelo chefe de uma coisa inexistente, que é a nossa política externa, assim duas vezes humilhado publicamente, quis vir esclarecer, com toda a “clareza”, a declaração “não literal” de Rubio. Uma coisa, diz ele, foi a utilização das Lajes antes da ofensiva contra o Irão, outra coisa foi depois disso. Mas, tanto quanto se percebeu, antes não perguntámos para que queriam utilizar a base e autorizámos e depois de sabermos continuámos a autorizar. Literalmente. E até se dá este facto irónico: enquanto as Lajes albergam 15 gigantescos ­aviões KC-30, que abastecem em voo os aviões que vão atacar o Irão, as mesmas Lajes ficaram dias sem jet fuel para os voos comerciais com a ilha.” Miguel Sousa Tavares.

LEITURAS MARGINAIS

A PILHAGEM DA AMÉRICA
Paul Krugman, Substack. Trad. O’Lima.


A administração Trump está a criar um fundo secreto de 1,776 mil milhões de dólares — 1776, perceberam? — para indemnizar as vítimas de «guerra jurídica e instrumentalização». Só para que fique claro: se és contribuinte nos EUA, esta medida significa que quase 1,8 mil milhões de dólares do teu dinheiro serão distribuídos a quem quer que um painel nomeado por Donald Trump decida recompensar. É provável que os beneficiários incluam os insurrectos de 6 de janeiro, bem como Trump, a sua família e os seus aliados.

Poucas coisas me chocam hoje em dia, mas este desdobramento — em que um Departamento de Justiça que trabalha para Trump está a pagar uma quantia avultada para “resolver” um processo movido pelo próprio Trump — é um novo ponto baixo em termos de auto-negociação, revelando ainda mais o total desprezo de Trump pelo povo americano.

A corrupção em grande escala por parte de Trump e dos seus lacaios não é novidade. Mas a descarada audácia deste último episódio de pilhagem eleva a situação a um novo patamar. Até agora, assistimos a uma combinação de capitalismo de compadrio e abuso de informação privilegiada. Os plutocratas e as empresas têm enriquecido Trump através de canais secretos, especialmente criptomoedas, a troco de contratos governamentais e favores políticos, enquanto o próprio Trump e pessoas próximas dele têm feito apostas de mercado extremamente lucrativas graças ao conhecimento antecipado das políticas governamentais.

Mas agora Trump eliminou os intermediários, dizendo aos seus funcionários para pagarem dinheiro diretamente a ele ou a qualquer outra pessoa de sua preferência.

É verdade que já sabíamos que Trump era o presidente mais corrupto da história dos EUA. Mas agora Trump é o líder mais explicitamente corrupto do mundo atual. Afinal, Vladimir Putin roubou milhares de milhões, mas nunca de forma tão descarada. Até os ditadores do Terceiro Mundo tentam normalmente disfarçar a sua corrupção.

Não digam que este fundo secreto financiado pelos contribuintes não terá consequências políticas.

Pelo contrário, as análises de sondagens e de grupos focais que vi indicam que os eleitores estão muito indignados com a corrupção. O roubo de dinheiro dos contribuintes por parte de Trump, enquanto as pessoas estão a perder a cobertura de saúde e a ajuda alimentar e a sofrer com o aumento dos preços induzido por Trump, é munição perfeita para os democratas nas próximas eleições.

Por isso, devemos perguntar-nos por que razão os trumpistas abandonaram toda a contenção. Houve muitos políticos corruptos na história dos EUA – embora fossem insignificantes em comparação com Trump. No entanto, pelo menos tentavam esconder a sua corrupção, ou pelo menos mantê-la discreta e negável, a fim de evitar uma reação negativa dos eleitores.

Eu diria que a natureza descarada da nova pilhagem é um indicador do rumo que a América sob o trumpismo irá tomar nos próximos meses e anos.

É verdade que Trump tem uma base que o apoiará aconteça o que acontecer, acreditando, em muitos casos, literalmente que ele foi escolhido por Deus. Isto estabelece um limite mínimo para este apoio. Mas as suas recentes sondagens desastrosas, como escreve Nate Cohn no Times, sugerem que esse limite mínimo pode ser mais baixo do que muitos pensavam.

Já sabemos que Trump e os seus aliados não têm qualquer intenção de enfrentar eleições livres e justas. Com a ajuda incondicional do Supremo Tribunal de Roberts, já manipularam as eleições intercalares através da redistribuição dos círculos eleitorais. Os lacaios de Trump estão a tentar ativamente reduzir a afluência às urnas dos eleitores de tendência democrata, exigindo aos estados o direito de contestar os seus cadernos eleitorais. E seria ingénuo pensar que a redistribuição dos distritos eleitorais será o fim dos esforços do MAGA para minar a democracia.

Ainda assim, Trump está ciente de que, mesmo com a manipulação eleitoral republicana, novembro pode trazer uma onda azul suficientemente grande para entregar aos democratas a Câmara dos Representantes e, muito possivelmente, o Senado. G. Elliott Morris estima que os democratas precisarão de uma vantagem de 4 pontos no voto popular para ganhar a Câmara, mas a última sondagem do Times dá-lhes uma vantagem de 11 pontos. Por que razão, então, não está ele a tentar ser pelo menos um pouco discreto na sua corrupção?

Uma resposta é que, mesmo que o movimento MAGA sofra uma derrota esmagadora em novembro, os democratas não podem contar com uma onda eleitoral em todos os ciclos, e o panorama está agora fortemente desfavorável para eles. Como escreve Morris: “Embora a situação para os democratas não seja necessariamente grave para 2026, a situação para a democracia em 2028 e nos anos seguintes é, sem dúvida, grave.”

Assim, pode-se considerar o fundo secreto de 1,8 mil milhões de dólares como uma promessa ao mundo MAGA de que haverá uma recompensa se eles permanecerem ao seu lado durante os próximos dois anos e meio.

Para além disso, estamos, na verdade, a assistir ao que acontece quando a corrupção e a criminalidade de um regime quase autoritário ultrapassam o ponto de não retorno.

Nesta altura, Trump e os seus lacaios do MAGA já roubaram tanto, cometeram tantos crimes — não apenas roubo, mas levar os Estados Unidos à guerra ilegalmente, abusar de detidos do ICE e muito mais — que, se e quando perderem o poder, muitos deles enfrentarão, na melhor das hipóteses, a ruína pessoal e, na pior, anos de prisão. Isto aconteceria mesmo que parassem de cometer mais crimes.

Portanto, não há qualquer incentivo para que ponham fim à sua criminalidade, nem para que cessem as tentativas de subornar outros para que os sigam. Ou conseguem destruir a América tal como a conhecemos, ou não. E até que isso se resolva, mais vale envolverem-se em ainda mais corrupção e atos criminosos.

Pensem nisto desta forma: a gravidade do que os trumpistas já fizeram criou uma espécie de buraco negro no centro da vida política americana — e os trumpistas já cruzaram o horizonte de eventos, a fronteira para além da qual não há fuga. Por isso, farão coisas cada vez mais terríveis, porque já não têm mais nada a perder.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

AÇORES: PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL DISTINGUIDO COM ÓSCAR DO OCEANO

  • O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, foi distinguido com o prémio internacional “Peter Benchley Ocean Awards”, na categoria “Excellence in National Leadership”, uma das mais prestigiadas distinções mundiais na área da conservação dos oceanos. A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no Monterey Bay Aquarium, na Califórnia. Criados por Wendy Benchley e David Helvarg, os “Peter Benchley Ocean Awards” são considerados os “Óscares do Oceano”, distinguindo, todos os anos, personalidades e instituições que contribuem de forma exemplar para a proteção e recuperação do meio marinho. Fonte.
  • O Movimento Gaia Verde manifesta a sua preocupação com a realização do Festival Internacional de Forró no Parque de São Paio, junto à Reserva Natural Local do Estuário do Douro, nos dias 29 e 30 de maio entre as 13h e as 00h. Esta localização é desaconselhável para eventos desta dimensão, no qual são esperadas mais de 10.000 pessoas, devido à pressão sobre habitats, fauna e tranquilidade do espaço. A proximidade à reserva levanta riscos relacionados com ruído, afluência de público, produção de resíduos e iluminação dos espetáculos, todos fatores de enorme perturbação da avifauna. Recorde-se que este mesmo local já foi no passado objeto de uma luta intensa do movimento ambientalista de Gaia, contra a instalação do Festival Marés Vivas, precisamente devido aos impactos negativos que um evento de grande dimensão poderia causar num espaço de reconhecido valor natural.
  • Consulta públitraca até 3 de julho: O projeto de Quadruplicação do Troço Castanheira do Ribatejo – Azambuja, na Linha do Norte, entre o pk 34+100 e o pk 47+000, tem uma extensão de cerca de 12,9 km e encontra-se em fase de Projeto de Execução. Fonte.

QUÉNIA: JOVENS TRANSFORMAM RESÍDUOS AGRÍCOLAS NUM FILTRO DE ESCAPE PARA VEÍCULOS

  • A Earth Foundation, com sede na Suíça, atribui o Prémio Earth a jovens entre os 13 e os 19 anos que trabalham em soluções para os desafios ambientais. «O problema da poluição atmosférica era muito pessoal para nós, e foi por isso que começámos a pensar em encontrar uma solução», disse Fredrick Njoroge Kariuki, um dos membros da equipa vencedora da região de África. O sistema de filtragem de gases de escape HewaSafi utiliza filtros feitos de materiais de origem local, como cascas de coco, espigas de milho, malha de aço, cobre e materiais reciclados de baterias usadas. Fonte.
  • Quase uma década depois de a Escócia ter criado a Área Marinha Protegida de South Arran e proibido a pesca de arrasto pelo fundo em grande parte da mesma, a vida no fundo do mar tem prosperado, segundo um novo estudo.
  • Em março de 2026, as energias renováveis ultrapassaram oficialmenteleg o gás natural, tornando-se a maior fonte de produção de eletricidade na rede elétrica dos EUA pela primeira vez na história. Fonte.
  • Um parque solar no Minnesota plantou flores por baixo dos seus painéis, e em pouco tempo começaram a aparecer borboletas-monarca e dezenas de novas espécies de plantas. Fonte.
  • A Ensco foi multada em 287 000 libras depois de um trabalhador offshore ter caído e morrido através de um buraco numa plataforma no Mar do Norte. Fonte.
  • Os pescadores da República Democrática do Congo recorrem à pesca de arrasto de resíduos plásticos. Fonte.

REFLEXÃO

VOLTA – RECICLAGEM OU NEGÓCIO DISFARÇADO?


Sobre este tema, convirá (reler) estes artigos:

BICO CALADO

  • "Ver a Selecção no Mundial? Epá… sinceramente? Cada vez me custa mais entrar nessa histeria colectiva. Estamos a falar de um grupo de multimilionários completamente desligados da realidade de quem vive neste país. Malta que ganha numa semana aquilo que a maior parte das pessoas não ganha numa vida inteira. E depois querem vender-nos aquela conversa de ‘orgulho nacional’, como se um golo resolvesse o facto de haver gente a trabalhar 40 horas por semana e mesmo assim não consegue pagar renda, luz e comida ao mesmo tempo. (...) Há ainda outra coisa que ninguém gosta de dizer em voz alta: a Selecção parece cada vez mais um catálogo de activos do Jorge Mendes. Aquilo já não é só futebol. É uma montra do dito empresário. São jogadores valorizados, transferências inflacionadas e muito marketing disfarçado de patriotismo. O adepto acha que está a defender a bandeira, mas muitas vezes está só a ajudar os milionários a ficarem ainda mais milionários. O futebol tornou-se uma anestesia social perfeita. Enquanto o povo anda entretido com penalties, golos e debates de café, o nosso governo vai destruindo direitos, privatizando tudo, esmagando salários e transformando Portugal num país onde trabalhar já não chega para viver com dignidade. E o mais triste é ver pessoas revoltadas a culparem precisamente quem ainda tenta defender os serviços públicos, os trabalhadores e os apoios sociais. Por causa da ignorância, da iliteracia política e da avalanche de desinformação, acabam a votar em partidos que estão literalmente contra os interesses delas. (...) E depois tens o Ronaldo, que supostamente devia ser um símbolo nacional. Um homem com influência planetária. E o que é que ele faz? Anda a normalizar figuras perigosas e autoritárias como o Donald Trump, um lunático egocêntrico que representa tudo o que há de mais tóxico na política moderna. Quando alguém daquela dimensão escolhe bajular esse tipo de poder, está a escolher o lado errado da história. (...)" Pedro Lima
  • “Como prova da degenerescência das espécies, Nuno Melo é hoje o líder e Paulo Núncio, pegador de bezerrinhos, o ideólogo. Para evitar as gafes, para não tartamudear no nome de organizações a que Portugal pertence, Melo nomeou porta-voz do clube o piedoso João de Almeida. Faltou lá a D. Cristas que, em ano de seca, pediu aos portugueses para rezarem a pedir chuva, talvez porque esse ano continuou seco. Com a Pátria indiferente, o repetente presidente do CDS, empolgado, disse que «a marca do CDS está na Defesa Nacional e na revolução que estamos a fazer» [sic], a sonhar com a fábrica de drones com que invadirá Olivença, drones autografados por ele próprio, Nuno Melo, com a bandeira das 7 quinas.” Carlos Esperança, XXXII CONGRESSO DO CDS-PP.
  • Na segunda-feira, realizou-se em Itália uma greve geral a nível nacional em protesto contra as políticas de rearmamento e em solidariedade com os palestinianos em Gaza. Fonte.
  • Enviar mensagens, vídeos e piadas sem graça, em vez de conversarmos uns com os outros, interagindo pessoalmente. A par desta propaganda de lavagem cerebral, fomos levados a acreditar que o teletrabalho está repleto de vantagens. É uma mentira descarada. Esses benefícios do «trabalho a partir de casa» visam separar-nos uns dos outros para que a interação física seja evitada, tornando-nos mais manipuláveis, controláveis e dispensáveis, passíveis de ser substituídos por robôs e, eventualmente, pela Inteligência Artificial. Michel Chossudovsky, Substack.
  • O presidente croata, Zoran Milanović, recusa-se a aprovar a nomeação de um novo embaixador israelita na Croácia. Fonte.
  • Catherine Martina Ann Connolly (nascida a 12 de julho de 1957) é uma política irlandesa que ocupa o cargo de presidente da Irlanda desde 11 de novembro de 2025. Anteriormente, classificou Israel como um Estado terrorista. Fonte.