quinta-feira, 25 de junho de 2020

Contratos mineiros assinados na véspera da publicação de lei que reforça medidas ambientais

  • Foram assinados 16 contratos mineiros na véspera da publicação de uma lei que diz querer reforçar as medidas ambientais para estas explorações. A nova regulamentação permite aos municípios travar os processos. «Nenhum destes 16 contratos, relativos a 2020, tem como substância o mineral lítio», esclarece o gabinete do secretário de Estado, João Galamba. Ainda assim, mesmo que os contratos mineiros assinados em 2020 não contenham lítio, este mineral pode ser adicionado depois à exploração, caso exista esse interesse de quem explora. A informação sobre a identidade dos promotores privados destes contratos e do tipo de minerais a que se referem só será disponibilizada em julho ou agosto. Interior do Avesso.
  • A Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis instala 598 painéis fotovoltaicos na cobertura das piscinas municipais. Isto permitirá a produção de cerca de 32 mil euros de energia por ano e uma redução da fatura mensal energética na ordem dos 42%”, afirma o presidente da Câmara Municipal, Joaquim Jorge.
  • Devido ao turismo e à sua posição periférica, Portugal é o sexto país da União Europeia com maiores emissões intraeuropeias da aviação. Ambientalistas consideram inadmissível apoiar TAP sem tributar aviação. Público.
  • Peixes mortos e muita espuma acastanhada acumulada na beira da albufeira da Barragem das Cainhas, entre Oliveira de Frades e Vouzela é o cenário denunciado pelo BE de Viseu, que reportou a ocorrência às entidades competentes. A barragem das Cainhas capta água para consumo da população e é palco de zona de pesca associada, o que representa inúmeros riscos para a saúde pública.

Brasil: 29 empresas de investimento querem pressionar Bolsonaro a abrandar o abate da floresta amazónica

  • A Zenobe Energy garantiu um empréstimo de 20 milhões de libras do NatWest para financiar baterias suficientes para alimentar cerca de 100 autocarros elétricos pertencentes a empresas municipais e privadas de transportes em todo o Reino Unido, reporta o The Guardian.
  • Um grupo de 29 empresas de investimento globais que gerem US $ 3,7 milhares de milhões exigem reunir-se com diplomatas brasileiros em todo o mundo para pedir ao governo de Jair Bolsonaro que pare de aumentar a desflorestação da floresta amazónica. Reuters.
  • Pelo menos 15 pessoas foram espancadas até a morte com pedras e blocos de cimento, e alguns corpos foram parcialmente queimados, em Huazantlán del Río-San Mateo del Mar, Oaxaca, - localidade indígena no sul do México -, no quadro de um conflito por causa de uma central eólica. As vítimas, da comunidade Ikoots, terão sido embuscadas por 6 indivíduos a mando de um cacique local. AP/Reuters/The Guardian.

Reflexão – EUA: o preço combinado da água e do saneamento aumentou em média 80% entre 2010 e 2018 e há milhões que não podem pagar


Milhões de norte-americanos enfrentam contas crescentes e inacessíveis de água encanada e correm o risco de serem desligados ou perder suas casas se não puderem pagar, revela uma investigação do The Guardian, numa parceria com o Consumer Reports

A análise exclusiva de 12 cidades dos EUA mostra que o preço combinado da água e saneamento aumentou em média 80% entre 2010 e 2018, havendo mais de dois quintos dos residentes com contas que dizem não poder pagar. 

A investigação constatou que entre 2010 e 2018 as contas de água aumentaram pelo menos 27%, enquanto o aumento mais alto foi de 154% em Austin, Texas, onde a fatura média anual aumentou de US $ 566 em 2010 para US $ 1.435 em 2018 - apesar dos esforços de mitigação da seca que forçou o uso reduzido de água.
Entretanto, os apoios federais a empresas de serviços públicos de água, que abastecem cerca de 87% das pessoas, caiu significativamente, enquanto a manutenção, as ameaças ambientais e à saúde, os choques climáticos e outras despesas dispararam.
«Uma emergência hídrica ameaça todos os cantos do nosso país. A escala desta crise exige nada menos que uma transformação fundamental dos nossos sistemas de água. A água nunca deve ser tratada como uma mercadoria ou um luxo para benefício dos ricos», disse Mary Grant, advogada da justiça hídrica, da Food and Water Watch, reagindo à investigação do Guardian. Em Washington, 90 legisladores de todo o país - todos Democratas -exigem reformas abrangentes de financiamento para garantir o acesso a água corrente limpa e acessível a todos os norte-americanos.

Bico calado

  • Suketu Meta (10): «A City de Londres funciona de facto como como o maior paraíso fiscal do mundo. É uma corporação, com a sua própria constituição, uma entidade legal separada do resto de Londres e até do Reino Unido. Até a rainha Elizabeth, quando deseja entrar na cidade, é recebida na fronteira pelo “lord mayor”, que a envolve num ritual de entrada. A City de Londres tem um curioso sistema de votação, com cerca de 9.000 votos atribuídos aos seres humanos que lá vivem e mais do dobro deste número atribuído às empresas que se estabeleceram na milha quadrada. (…) Os países pobres perdem três vezes mais em paraísos fiscais do que os 125 mil milhões de dólares de ajudas que recebem. Há cerca de sessenta paraísos fiscais no mundo, a maioria deles controlados pelo Ocidente. O dinheiro contrabandeado da África Subsaariana para eles cresce 20% ao ano. Em 2011, os paraísos fiscais detinham US $ 4,4 triliões da riqueza de todos os países pobres. É uma riqueza que devia ser investida para cultivar, educar crianças e desenvolver cidades nos países pobres. Em vez disso, está no Luxemburgo e na City de Londres.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019.
  • «O Museu Americano de História Natural de Nova York anunciou que vai remover a sua famosa estátua do presidente Teddy Roosevelt da sua entrada. O presidente do museu sublinhou que a decisão foi tomada com base na "composição hierárquica" da estátua - Roosevelt está a cavalo, ladeado por um africano e um índio a pé - em vez de apenas retratar Roosevelt. O museu, cofundado pelo pai de Roosevelt, manterá o nome de Roosevelt np seu Salão Memorial Theodore Roosevelt, na Rotunda Theodore Roosevelt e no Parque Theodore Roosevelt. Isso sugere que os americanos ainda não se confrontaram com o lado negro da história de Roosevelt. Roosevelt nasceu em 1858 numa família rica de New York. Quando o seu pai morreu,  Roosevelt estudava em Harvard, ele herdou o equivalente hoje a cerca de US $ 3 milhões. Na casa dos vinte anos, Roosevelt investiu uma porcentagem significativa desse dinheiro em negócios de gado no oeste. Isso levou-o a passar grandes temporadas em Montana e nos Dakotas nos anos imediatamente antes de se tornarem estados em 1889. Durante esse período, Roosevelt desenvolveu uma atitude em relação aos índios americanos que pode ser descrita como genocida. Num discurso de 1886 em New York, ele declarou: “Não me custa pensar que o único bom índio é o índio morto, mas acredito que nove em cada dez são e não gostaria de investigar muito de perto o caso do décimo. O cowboy mais cruel tem mais princípios morais do que o índio médio. Peguem em trezentas famílias reles de New York e New Jersey, apoiem-as, durante cinquenta anos, numa ociosidade viciosa, e terão uma ideia do que são os índios. Impetuosos, vingativos, cruéis. Nesse mesmo ano, Roosevelt publicou um livro em que escreveu que “o chamado Massacre de Chivington ou Sandy Creek, apesar de certos detalhes mais questionáveis, foi, no fundo, uma ação justa e benéfica”. O massacre de Sand Creek tinha acontecido 22 anos antes no Território do Colorado, arrasando uma comunidade com mais de 100 pessoas das tribos de Cheyenne e Arapaho. Foi em todos os aspectos comparável ao massacre de My Lai durante a Guerra do Vietname. Nelson A. Miles, um oficial que viria a ser o principal general do Exército, escreveu nas suas memórias que "era talvez o crime mais sujo e injustificável dos anais da América". O ataque foi liderado pelo coronel John Chivington, que disse: “Vim matar índios. ... Matar e escalpelar tudo, grande e pequeno." Mais tarde, os soldados relataram que, depois de matar homens, mulheres e crianças, mutilaram os seus corpos para troféus. Um tenente afirmou numa investigação do Congresso que "ouvi dizer que os soldados do antílope branco tinham sido cortados para fazer um saco de tabaco". Num livro posterior, "The Winning of the West", [A conquista do Oeste] Roosevelt explicou que as ações dos EUA em relação aos índios americanos faziam parte do grande e nobre esforço do colonialismo europeu: "Todos os homens de pensamento sadio têm que rejeitar com desprezo a ideia de que estes continentes têm de ser reservados para o uso de tribos selvagens dispersas. (...) Felizmente que os homens duros, enérgicos e práticos que cumprem o duro trabalho pioneiro da civilização em terras bárbaras, não são propensos a falsos sentimentalismos. Essa gente tipo donas de casa são demasiado egoístas e indolentes, sem imaginação para entender a importância racial do trabalho que os seus irmãos pioneiros realizam em terras selvagens e distantes. (...) A mais justa de todas as guerras é uma guerra com selvagens. (...) Americanos e índios, Boers e Zulus, Cossacos e Tártaros, Neozelandezes e Maoris - em todos os casos, o vencedor, por mais horríveis que sejam muitos dos seus atos, lançou as bases da futura grandeza de um povo poderoso." Não é exagero considerar isto hitleriano. E, embora seja extremamente impopular dizer isto, o nazismo não foi apenas retoricamente semelhante ao colonialismo europeu, foi uma consequência disso e o seu ponto culminante lógico. Num discurso em 1928, Adolf Hitler já falava de maneira aprovadora sobre como os norte-americanos “abateram os milhões de Redskins [Índios], reduzindo-os para algumas centenas de milhares e agora mantêm os modestos restantes sob observação numa gaiola”. Em 1941, Hitler confidenciou a simpatizantes sobre os seus planos para "europeizar" a Rússia. Não eram apenas os alemães que fariam isso, disse, mas escandinavos e norte-americanos, "todos aqueles que têm um sentimento pela Europa". O mais importante era "encarar os nativos como Redskins". O que isto significa para as inúmeras celebrações de Roosevelt nos EUA depende de nós. Mas se agirmos honestamente, enfrentaremos um acerto de contas com algo ainda mais monumental do que a história da América.» Jon Schwarz, in As Teddy Roosevelt’s statue falls, let’s remembre how truly dark his histoty wasThe Intercept.
  • Trump assinou um projeto de lei atribuindo ao Congresso a capacidade de sancionar líderes chineses pela detenção em massa de uigures e outras minorias. Mas esta votação histórica foi ofuscada por trechos recente do livro do ex-conselheiro do presidente John Bolton, alegando que Trump disse ao presidente chinês Xi Jinping que a construção dos campos de detenção era a "coisa certa a fazer". ICIJ.
  • «Na opinião da maioria dos partidos do parlamento alemão a saída de Ursula von der Leyen do governo em Berlim para a presidência da Comissão Europeia em Bruxelas foi uma 'fuga' às investigações ao seu 'fracasso total como ministra', sob suspeita de 'má gestão' e de 'esbanjamento de fundos públicos' com 'indícios de corrupção'. Com o envio de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, ou de Constâncio para vice-presidente do Banco Central Europeu, pode dizer-se que Portugal é há muito um pioneiro da estratégia alemã para a EuropaMiguel Szymanski, in Portugal e a Alemanha: olhos nos olhos, FB.
  • As administraçõesde várias empresas estão a distribuir milhões pelos seus principais executivos antes de declararem falência, e os tribunais não podem fazer muito sobre isso, titula o NYTimes.
  • O ‘Vouguinha’, comboio da CP que faz a ligação entre Espinho e Oliveira de Azeméis, na Linha do Vouga, não conseguiu chegar ao seu destino porque ficou sem combustível. O incidente gerou revolta porque não foi a primeira vez que aconteceu, havendo registo de ocorrências semelhantes em abril deste ano e em agosto de 2018. CM.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Índia: Covid-19 mata mais em Bhopal

  • A Eletricé de France e o grupo chinês General Nuclear Power vão avançar na construção de uma central nuclear em Bradwell-on-Sea, em frente da Reserva Natural do Estuário de Blackwater, na costa do Essex. A consulta pública está a ser menosprezada. The Ecologist.
  • No norte da Itália, o glaciar Presena perdeu mais de um terço do seu volume desde 1993. Quando a temporada de esqui terminar, os conservacionistas vão tentar impedir que derreta usando lonas brancas que bloqueiam os raios do sol. Terra Daily.
  • Antártica perdeu 1 milhão de km2 de gelo em cinco anos, titula a ClimaInfo.
  • Os sobreviventes da tragédia da fuga de gás de 1984 em em Bhopal, Índia, afirmam-se desproporcionalmente vítimas do coronavírus por representarem 75% das mortes por Covid-19. Numa uma carta ao ministro-chefe de Madhya Pradesh, Shivraj Singh Chouhan, eles dizem que os expostos ao isocianato de metila tóxico por ocasião da fuga de gás de pesticidas da Union Carbide sofrem agora o impacto da epidemia de maneira severa. As mortes entre os sobreviventes da fuga de gás causados pelo novo coronavírus mostram que, mesmo 35 anos depois do pior desastre industrial do mundo, a sua condição médica é tão frágil, sofrendo danos permanentes devido à referida exposição. Vivek Trivedi, in News18. Ler o que Suketu Mehta, abaixo citado em Bico calado, escreve sobre o «acidente» de Bhopal.
  • plantas nas florestas tropicais que conseguem mascarar os seus aromas químicos para evitar serem detetadas e comidas por insetos, sugere uma investigação de peritos europeus e norte-americanos. AFP/Science.

Bico calado

  • «Ao olhar para o que sucedeu no caso BES/GES, é imprescindível observar a génese, o desenvolvimento, os fluxos e refluxos, a nacionalização em 75, a privatização em 91, o crescimento sem limites e com o apoio das políticas de sucessivos Governos, a promiscuidade com outras grandes empresas de dimensão nacional e internacional, a ramificação tentacular do grupo por vários sectores de actividade.»
  • Razão para a paragem de 7 meses nas obras do parque de estacionamento subterrâneo [na Alameda, Espinho], segundo versão oficial veiculada pelo Maré Viva: «A falta de mapeamento das diversas tubagens, com especial incidência no cruzamento da rua 23 com a rua 8 foi um dos problemas técnicos que acabaram por atrasar todo o processo.»
  • «A Grã-Bretanha é o "país mais corrupto do mundo", diz Roberto Saviano, especialista em máfia. 90% dos proprietários de capital em Londres têm as suas sedes emparaísos fiscais. Jersey e as Ilhas Cayman são os portões de acesso ao capital criminal na Europa e o Reino Unido é o país que permite isso.» Jamie Bullen, in Evening Standard.
  • Famílias pobres não levantaram computadores emprestados com medo do custo em caso de avaria. Pior: ME não fez levantamento destas situações "uma vez que esses meios foram disponibilizados maioritariamente pelas autarquias. DN 22jun2020.
  • «Fábrica de carne deve ser responsabilizada pelo surto de Covid-19, diz ministro alemão. Hubertus Heil, ministro do Trabalho, diz que a região de Gütersloh foi tomada como refém pela falha dos proprietários em proteger os seus 1.500 trabalhadores trabalhadores, a maioria dos quais da Roménia e da Bulgária.» The Guardian.
  • John Bolton está contando a verdade, mas não podemos esquecer da sua carreira terrível e perigosa. Jon Schwarz, in The Intercept.
  • Suketu Meta (9): «Percebi isso quando fui a Bhopal em 1995 para relatar o que acontecera àquela cidade indiana onze anos depois da catástrofe feita pela América. Uma fábrica de pesticidas pertencente à empresa química Union Carbide, sedeada nos EUA, explodiu e expeliu uma enorme nuvem de gás venenoso que pairou sobre a cidade, logo após a empresa ter desativado os mecanismos de segurança para economizar dinheiro. A nuvem de gás matou mais de 20.000 pessoas e mutilou meio milhão, com defeitos genéticos nos filhos dos sobreviventes que continuam na geração atual. A Carbide safou-se de assassinato porque era uma multinacional. Atribuiu responsabilidades à sua representante na Índia e depois desapareceu. Ela não podia ser processada nos Estados Unidos, e os Estados Unidos recusaram-se a extraditar o presidente da Carbide, Warren Anderson, procurado por acusações de homicídio doloso na Índia. Ele viveu uma longa vida nos Hamptons e morreu em paz em Vero Beach, Flórida, enquanto as suas vítimas continuavam a tentar sobreviver com os pulmões e os olhos danificados nos bairros de lata de Bhopal.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019.

terça-feira, 23 de junho de 2020

Cosabe, do grupo Amorim, capta um terço dos apoios para substituir eucaliptais por espécies autóctones


Quase um terço do programa lançado pelo governo para compensar proprietários que queiram substituir eucaliptais por espécies autóctones foi atribuído a uma empresa do grupo Amorim. 

A Cosabe (Companhia Silvo-Agrícola da Beira), que detém a Herdade da Baliza, no Parque Natural do Tejo Internacional, vai receber 438 mil euros – dos 1,46 milhões disponibilizados pelo Fundo Ambiental em 2020. O valor de 438 mil euros corresponde a duas candidaturas que a corticeira viu aprovadas, de dois lotes de 99 e 98,73 hectares. Fontes: Público e Expresso, via Agroportal.

Índia lança grande leilão de minas de carvão

  • Um eurodeputado do PPE propõe adendas a favor da indústria num projeto de lei para regular as emissões de carbono nos navios. A campanha do eurodeputado dinamarquês de centro-direita Pernille Weiss para as eleições europeias recebeu apoio financeiro da Danish Shipping, o que, segundo um grupo pró-transparência, será um conflito de interesses. EUObserver.
  • A Índia lançou um leilão de 41 blocos de mineração de carvão. A medida ameaça florestas valiosas e direitos de terra indígena, enquanto expande uma indústria poluidora e com problemas financeiros, criticam os ambientalistas. Fontes: Climate Home News, Business Standard e Times of India.
  • A tribo índia Makah e vários grupos ambientalistas do estado de Washington processaram a Agência de Proteção Ambiental por tentar reverter os padrões de qualidade da água dos seus rios e ribeiras. Inlander.

Mão pesada

A Fabriweld Tubular Steel Products foi condenada a pagar uma multa de 15.300 libras por violar regras de reciclagem de embalagens. A multa foi convertida em doação à Nottinghamshire Wildlife Trust para restaurar e melhorar o habitat de charnecas para pássaros e habitat de conservação nacional na reserva natural de Rainworth Heath. GovUK. Uma zona muito frequentada por Robin Hood.

Bico calado

  • Suketu Meta (8): «Entre 1761 a 1808, os britânicos afastaram 1.428.000 africanos de suas famílias e enviaram-nos para o todo o mundo. Com este crime monstruoso, eles acumularam 8 mil milhões de libras na cotação atual. A Grã-Bretanha acabou oficialmente com a escravidão em 1833. Os seus escravos das Caraíbas foram libertados por um preço: teriam que trabalhar 45 horas por semana por mais quatro a seis anos para os seus ex-senhores, como 'aprendizes' sem remuneração. Mesmo depois de a Grã-Bretanha ter abandonado o tráfico de escravos no Atlântico e abolido a escravatura nas suas colónias, continuou a beneficiar do trabalho escravo. "Em 1860", escreve Blackburn, "seis milhões de escravos trabalhavam em campos da América do Sul, Cuba e Brasil, produzindo grandes quantidades de algodão, açúcar e café. Os milhares de milhões de horas de trabalho escravo ajudaram a sustentar a ascensão global da Grã-Bretanha vitoriana... A Grã-Bretanha levou um grande avanço na época da Revolução Industrial, e ainda hoje os britânicos desfrutam dessa prosperidade. Entretanto, no Congo, o rei da Bélgica, Leopoldo, foi à procura de borracha e marfim e acabou matando dez milhões de pessoas. Crianças congolesas cujos pais não podiam cumprir com a sua cota de borracha para seus senhores belgas eram presas e as suas mãos e pés cortados à frente dos pais. Em cinquenta anos de governo belga, dos anos 1870s aos 1920s, a população do Congo caiu para metade.» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019
  • «(…) A propósito da célebre Cimeira das Lajes, que deu luz verde à segunda guerra do Iraque, e que deve ficar a constar dos anais como um dos episódios mais vergonhosos da nossa diplomacia, veio agora Durão Barroso, ressalvando que “não gosta de julgamentos retroactivos”, reconhecer que se fosse hoje, com o que se sabe, “provavelmente, teria feito diferente”. Mente: o que se sabe hoje já se sabia na altura. Ou, pelo menos, o que Durão Barroso garantiu na altura que sabia — que tinha visto com os seus olhos as “provas” da existência de armas de destruição maciça no Iraque — era mentira. Não havia provas algumas, porque não havia armas. No Conselho de Segurança da ONU, o MNE francês, Dominique de Villepin, desfez na cara do secretário de Estado, Colin Powell, as supostas provas, em termos que se tornaram humilhantes para os americanos e evidentes para quem quer que não fosse idiota ou desonesto. E, no terreno, a Agência de Energia Atómica, por mais que procurasse, não encontrava quaisquer vestígios do tal armamento nuclear que Washington e Barroso garantiam existir. Foi então, exactamente porque se estava a tornar óbvio para todos que não tinha provas, que George W. Bush tomou a decisão de invadir. Ou, citando as inesquecíveis palavras do ex-director do Expresso, José António Saraiva, porque só invadindo é que se podia saber se havia ou não armas. Sem provas que não umas ridículas montagens fotográficas, com a oposição do Conselho de Segurança e da maioria dos seus aliados, restava a Bush o apoio dos Governos de Aznar e de Tony Blair. Mas chamá-los a Washington para decidir a guerra numa cimeira a três pareceria às divididas opiniões públicas de Espanha e Inglaterra um acto de vassalagem, e pior ainda se fosse em Espanha ou no Reino Unido. E foi então que Barroso cheirou a oportunidade e ofereceu o apoio de Portugal e a Base das Lajes, com a justificação simplista de que “não podíamos ficar neutros” quando o nosso “aliado” resolvia invadir um país só para satisfazer o desejo pavloviano de glória militar do seu Presidente. É claro que Bush teria invadido o Iraque com ou sem a Cimeira das Lajes, pois tinha isso decidido desde o primeiro dia em que tomou posse. Portugal é que não precisava de ficar ligado a esse triste episódio de uma mentira orquestrada que conduziu a uma guerra que custou directamente 100 mil mortos, fora os que resultaram e ainda resultam indirectamente do terrorismo do Daesh, nascido dessa invasão. (…) As Lajes, o silêncio sobre o massacre de Luanda, a diplomacia conivente com a Indonésia são três episódios da nossa política externa de que devemos ter sincera vergonha. E todos eles tiveram a assinatura de Durão Barroso e de todos escapou incólume ou melhor ainda. (…)» Miguel Sousa Tavares, in Vaidade e leviandade - Expresso, 20jun2020.
  • Philipp Amthor, a estrela em ascensão meteórica no partido da chanceler Angela Merkel, está a ser criticado por fazer lóbi a favor de uma empresa americana. Entre outras habilidades, omitiu ao fisco ter recebido cerca de 3 mil ações da AI. DW.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Barragem de Ribeiradio/Ermida: «Em Sever do Vouga, a EDP manda e a Câmara Municipal obedece.»


A construção, em 2014, da albufeira e barragem de Ribeiradio, pela EDP, submergiu a praia fluvial do Rodo, na confluência do rio Teixeira com o Vouga, em Couto de Esteves, Sever do Vouga. O Estudo de Impacto Ambiental considerava esse facto um impacto negativo IMPORTANTE.
Decorridos 6 anos, a EDP passou a batata quente da praia do Rodo para a Câmara Municipal de Sever do Vouga, que até hoje nada construiu.
Em 19 de dezembro de 2019, a EDP abriu descontroladamente as comportas da barragem, provocando uma onda de inundação que destruiu a praia fluvial da Quinta do Barco e até hoje ainda não foram encontrados os responsáveis pela destruição.
«Por este andamento ainda não vai ser este ano que vamos ter a praia fluvial da Foz do rio Teixeira reposta... E a praia fluvial da Quinta do Barco?» interroga-se Sérgio Soares, presidente da Junta de Fregueisa de Couto de Esteves, que lança um desabafo: «Em Sever do Vouga, a EDP manda e a Câmara Municipal obedece.»

China aumenta 7,5% nos subsídios às renováveis

  • Um relatório especial da Agência Internacional de Energia e do Fundo Monetário Internacional estabelece um "plano de recuperação sustentável" para criar rapidamente empregos, impulsionar o crescimento económico e reduzir as emissões. O plano "exigiria um investimento anual de US $ 1 milhão nos próximos três anos", relata a Reuters, cobrindo 30 medidas de política energética em eletricidadetransportes, edifíciosindústriacombustíveis e tecnologias emergentes de baixo carbono. A AIE diz que esse plano poderia impulsionar o crescimento económico global numa média de 1,1 pontos percentuais por ano entre 2021 e 2023. Também poderia salvar ou criar cerca de 9 milhões de empregos por ano e reduzir os gases de efeito estufa em 4,5 mil milhões de toneladas.
  • Após uma redução acentuada nesta primavera, as emissões globais de gases de efeito estufa estão agora a recuperar bastante à medida que os países levantam os seus bloqueios por coronavírus e o tráfego volta às estradas. Paris e Milão estão a adicionar milhares de novas ciclovias. Londres aumentou as taxas de congestionamento nos carros que viajam para a cidade nas horas de ponta. As autoridades de Berlim discutiram a obrigatoriedade de os residentes comprarem passes de transportes públicos para tornar a viagem de carro menos atraente. Mas esses esforços ainda estão longe de serem universais. Brad Plumer e Nadja Popovich, no NYTimes.
  • Mais de 100 milhões de metros cúbicos do fundo do mar são removidos da baía Novatek, no Golfo de Ob, no Ártico, para dar lugar a um grande projeto de gás natural. Peritos na matéria acreditam que a dragagem destroi os ecossistemas locais e elimina os estoques locais de peixes. Atle Staalesen, no The Barents Observer.
  • Vários grupos ambientalistas estão a processar o presidente Trump pela decisão de abrir um monumento marítimo nacional na costa sul da Nova Inglaterra à pesca comercial, argumentando que a decisão do presidente viola a lei federal. Central Maine.
  • Em 2019, o mundo acrescentou cerca de 200 GW de fontes renováveis à sua matriz energética, sendo 57% (115 GW) solares. Na América Latina, o Brasil foi o principal motor do crescimento das renováveis, especialmente da energia solar, com a instalação de 2,1 GW, segundo dados de relatório da REN21. ClimaInfo.
  • A China aumentou o seu orçamento para subsídios às renováveis para 13 mil milhões de dólares, 7,5% mais do que gastou em 2019. A energia solar é a privilegiada, com incentivos a aumentar 14% em comparação ao ano passado. Energy Voice.
  • O governo indonésio está a criar chuvas artificiais para tentar impedir a repetição dos incêndios devastadores que destruíram milhões de acres de florestas e terras o ano passado e provocaram prejuízos calculados em, pelo menos, 5,2 mil milhões de dólares, para além de elevados danos na saúde de muita gente. The Guardian.

Mão pesada

  • Um ex-executivo da Volkswagen, acusado de fazer parte de uma conspiração para fugir ao cumprimento da legislação norte-americana da qualidade do ar foi detido na Croácia, sinal de que as autoridades continuam empenhadas no caso cerca de cinco anos após a revelação de das fraudes da fabricante. NYTimes.
  • A Range Resources concordou pagar multa de 150 mil dólares por responsabilidades em fugas e derrames de efluentes de fraturação hidráulica em Washington County, Pensilvânia, reporta o The Allegheny Front.

Bico calado

  • Suketu Meta (7): «Como vimos, a migração de países pobres para ricos é muitas vezes o resultado inevitável da depredação colonial. Mas como é que os colonizadores roubavam as colónias? Primeiro, saqueavam os tesouros dos reis locais. Foi assim com o diamante indiano Koh-i-Noor nas joias da coroa. Segundo, impunham impostos extorsivos sobre os seus súditos. Terceiro, forçavam os indivíduos a cultivar algodão, mas impediam-nos de criar indústrias que pudessem transformar o algodão em têxteis, poupando isso para as indústrias na metrópole. Assim, as fábricas de Manchester transformavam o algodão indiano em tecido, que era depois vendido de volta aos indianos com grandes lucros, lucros pelos quais os indianos tinham que pagar porque eram impedidos de abrir as suas próprias fábricas têxteis. (É por isso que a dobadoura de Gandhi não era apenas um símbolo poderoso; era também uma forma extremamente eficaz de guerra económica contra os britânicos, porque dava a cada indiano uma pequena fábrica de tecidos em sua própria casa.)» Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019
  • A França entrega ajuda de 15 mil milhões de euros à Airbus e Air France, informa a WSWS.
  • O Conselho Nacional de Combate à Discriminação decidiu multar o Google Roménia em 2 mil euros depois de, em maio, o rótulo no Google Maps para a localização da Catedral da Salvação do Povo ter sido alterado para «Catedral do Engano do Povo». EurActiv.
  • «Mas dar benefícios lay-off a empresas sediadas em “offshores” é receita típica dos “austeritários”, a favor de quem foge ao fisco. Resulta em sobrecarregar quem trabalha e paga impostos,além de roubar recursos a Estado para apoiar quem mais precisa. Indecente e injusto!» Ana Gomes.
  • «Quando os políticos dizem "deixe para o mercado", o que eles querem dizer é "substituir a democracia pelo poder do dinheiro". O que significa, é claro, o poder daqueles que o possuem». George Monbiot.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

“Quando do velho se faz novo, todos ganham. Ganha o planeta!”


  • O projeto “Quando do velho se faz novo, todos ganham. Ganha o planeta!”, arrancou a 13 de Março e está atualmente em 23 grandes superfícies comerciais do país. Quem ali entregar garrafas vazias de plástico PET – de águas, sumos, refrigerantes ou bebidas alcoólicas – recebe dois cêntimos por cada unidade entre 0,1 e 0,5 litros e cinco cêntimos por unidade acima de 0,5 e até 2 litros. O valor pode ser doado a uma instituição de caráter social ou utilizado em compras na superfície comercial. A gestão depende de um consórcio composto pela Associação Águas Minerais e de Nascente de Portugal, Associação Portuguesa das Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas e Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição. Esta etapa, até Setembro de 2021, é relevante para a preparação do futuro sistema de depósito de embalagens de bebidas, a partir de 1 de Janeiro de 2022. Jornal de Leiria.
  • Durante o período de verão, até ao início do mês de setembro, o Município da Murtosa disponibiliza bicicletas gratuitamente para visitas ao território. Dispiníveis no Centro de Educação Ambiental da Ribeira de Pardelhas, no posto de informação da Porta da Ria e no Posto de Turismo da Torreira.

Namíbia invadida por praga de gafanhotos vermelhos

  • A rede de energia britânica garantiu um empréstimo de 580 milhões de libras para ajudar a financiar o desenvolvimento a ligação de energia entre a Grã-Bretanha e a Dinamarca. Quando concluído em 2023, espera-se que o interconetor de 1400 megawatts forneça energia renovável a cerca de 1,4 milhão de residências. Reuters.
  • A Namíbia sofre uma devastadora invasão de gafanhotos vermelhos provenientes do Bostwana e da Zâmbia. Reuters.
  • Em Maringue, Sofala – Moçambique, foram apreendidos 13 camiões transportando diversas espécies de madeira ilegal, informa a Carta de Moçambique.
  • Nos EUA, milhões de poços de petróleo abandonados estão a libertar metano, uma ameaça climática, reporta Nichola Groom, na Reuters.
  • O Mississippi está prestes a tornar-se o 13º estado nos últimos três anos a aplicar novas sanções a protestos contra as infraestruturas de combustíveis fósseis. Um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa esta semana considera a invasão consciente de uma propriedade com oleodutos, gasodutos ou petroquímicos ou tanques como uma contravenção punível até seis meses de prisão e uma multa de US $ 1.000. Huffington Post.

Reflexão – O glifosato vai queimar as plantações de coca na Colômbia. E que mais?


«A Colômbia está prestes a aplicar uma arma controversa do período mais sangrento da batalha de décadas da nação sul-americana contra a produção de cocaína: a pulverização aérea dos campos de coca. O ingrediente base usado para fazer cocaína, a coca, é ilegal para cultivo e há muito tem um efeito desestabilizador sobre a Colômbia. Mas a reativação do programa de erradicação, dizem os ambientalistas, causará danos devastadores à saúde e à ecologia nas comunidades vulneráveis a que se destina e em ecossistemas sensíveis em todo o país.
A Colômbia é o único país produtor de coca no mundo que utilizou a pulverização aérea de desfolhantes à base de glifosato, que destroem a vida das plantas indiscriminadamente, como parte de um programa antidrogas. O programa de fumigação aérea do país, iniciado na década de 1990 e aplicado durante 21 anos, teve um impacto ecológico devastador e exacerbou a desflorestação. O governo interrompeu o programa em 2014 após um relatório da Organização Mundial da Saúde ter descoberto que o principal ingrediente do spray, o glifosato era provavelmente a causa do cancro em humanos.
Mas mesmo antes da publicação do relatório da OMS, o uso do glifosato na Colômbia tinha uma história controversa, com críticos alegando que o programa de pulverização aérea era contraproducente, ecologicamente e economicamente devastador (os pequenos agricultores geralmente cultivam coca ao lado de culturas alimentares e a pulverização aérea destrói a folhagem indiscriminadamente) e um desperdício de dinheiro. Vários especialistas na Colômbia dizem que estão particularmente preocupados com o efeito do glifosato em crianças, cujos corpos em desenvolvimento são especialmente sensíveis a produtos químicos cáusticos.
Mas então, porque se relançou o programa? Em 2019, a produção de cocaína na Colômbia atingiu o nível mais alto de todos os tempos. Em janeiro passado, em parte devido às ameaças americanas de revogar mais de meio bilhão de dólares em ajuda externa, caso a Colômbia não atendesse ao aumento da produção de cocaína, o presidente Iván Duque anunciou planos de retomar o controverso programa. A decisão veio após as queixas do presidente Donald Trump, que no ano passado alegou que a Colômbia "não fez nada por nós" e ameaçou revogar o status do país como parceiro na Guerra às Drogas - uma medida que colocaria o aliado mais próximo da América na América Latina, na mesma categoria que a Venezuela, que tem sido acusada pelos EUA de promoverem o narcotráfico organizado contra o governo federal.
Ao mesmo tempo que o governo dos EUA diminui discretamente as restrições ambientais nos últimos meses, também o governo federal da Colômbia intensificou os esforços de erradicação manual de coca sob a proteção de rigorosas medidas de bloqueio em todo o país devido à crise global do coronavírus. Como os governos municipais, organizações de direitos humanos e ambientalistas da Colômbia criticaram o programa a nível municipal, a sua implementação foi adiada. Apesar disso, o governo federal anunciou o objetivo conseguido da pulverização aérea até ao final de junho.
O botânico e ecologista Alberto Gómez trabalhou com o governo colombiano no seu programa de erradicação da coca entre 2002 a 2009. Depois de testemunhar uma operação de pulverização em Putamayo, uma zona importante na produção de coca na fronteira com o Equador, Gómez disse estar impressionado com a devastação ecológica que testemunhou. "Lembro-me de estar perto da fronteira, observando milhares de hectares de floresta colombiana queimada em cinzas", disse ele a Sierra. “E a poucos metros de distância, vi as florestas virgens, intocadas do Equador. Foi quando eu soube que precisávamos de encontrar uma solução alternativa. "
Gómez explica que há 40 espécies de flora apenas na região florestal de Putamayo, na Colômbia. "Estávamos destruindo o nosso maior presente nacional, a nossa biodiversidade, por um programa que não estava funcionando".
Um relatório de 2019 da WOLA, um grupo de defesa dos direitos humanos na América Latina, descreve detalhadamente os danos que o glifosato causa no lençol freático nas regiões em que é usado e o que a WOLA descreve como "desflorestação tripla". Eis como funciona: as florestas são abatidas para adaptar a terra às plantações ilícitas; depois, a pulverização aérea provoca a desflorestação indiscriminada e danos às culturas alimentares antes de, finalmente, os produtores fugirem para novas regiões para plantar novamente, lançando novos ciclos de desflorestação.
Num país que só recentemente assinou um acordo de paz em 2017 após uma guerra civil de 50 anos, a decisão de pulverizar os campos de coca não só arrisca efeitos ambientais desastrosos - ela também pode ameaçar um acordo de paz cada vez mais instável uma vez que grupos armados em grandes regiões do país conhecidas pelo cultivo de coca estão a usar a situação a seu favor.
O recrutamento entre rebeldes quase dobrou, à medida que os residentes em zonas de conflito percebem cada vez mais que o governo colombiano é incapaz ou não está disposto a dar paz ou cumprir as suas promessas segundo o acordo de 2017.» 
Joshua Collins, in Sierra Club.

Bico calado

  • A Pacific Gas & Electric (PG&E), com sede na Califórnia, declarou-se culpada de 84 acusações de homicídio decorrentes de um incêndio em 2018 no norte da Califórnia, desencadeado pelas linhas de energia elétrica da empresa, informa a Reuters.
  • 17 anos depois ou como se tritura as hipocrisias de Durão Barroso e seus amigos. Tubo de Ensaio/TSF.
  • Suketu Meta (6): «Poucas pessoas fora de França percebem que a maioria dos norte-africanos que vivem hoje em França são filhos ou netos de cidadãos franceses. A França conquistou a Argélia em 1848 e fez todos cidadãos franco-argelinos em 1947. A França transformou Marrocos e Tunísia em 'protetorados'. Em 1962, após uma guerra sangrenta onde terão morrido mais de um milhão de argelinos, a França saiu, abandonando à sua sorte o país recém-independente. Mais de um milhão de argelinos, brancos e árabes, mudaram-se para a França nos anos seguintes, porque a economia argelina estava em frangalhos. Mas havia um problema. A França negligenciara a educação dos seus ex-cidadãos franco-argelinos. Quando a França deixou a Argélia em 1962, 85% da população era analfabeta. Quando eles emigraram, levaram consigo o analfabetismo: 35% dos migrantes do sexo masculino e 45% das mulheres nunca tinham frequentado a escola. Não havia empregos para eles, e eles foram desviados para os subúrbios das cidades francesas. Os norte-africanos são agora responsabilizados por tudo, desde furtos em lojas ao terrorismo na França de hoje. » Suketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Buçaco: Mata ao abandono


A Mata Nacional do Buçaco encontra-se  em significativo estado de abandono, alerta o BE.
Para além da degradação dos acessos e de vários deslizamentos, o espaço está invadido por  espécies exóticas invasoras, particularmente acácias (Acacia delabata, Acacia melanoxylon, Acacia longifolia) e outras espécies como Pitósporo (Pittosporum undulatum), Erva-da-fortuna (Tradescantia fluminensis) e espanta-lobos (Ailanthus altissima). 
Além disso, o viveiro florestal tem plantas não usadas e que já findaram o seu prazo útil de planta em vaso para plantação, madeira valiosa de cedro está amontoada e em decomposição em pilhas, não tendo sido integrada nos solos caso fosse necessário, não tendo sido utilizada para necessidades da Mata ou vendida para garantir mais financiamento para as ações na Mata. 
Para agudizar o desastre, a Mata está cercada de floresta desordenada de monocultivo de eucalipto, o que representa um risco de incêndio e de infestação por sementes e não respeitando a zona geral de proteção ao monumento nacional Mata Nacional do Buçaco. Notícias de Aveiro.

«Muito triste sentir que o trabalho que fizemos na MNB está a perder-se. O Estado depois de passar a Mata a Fundação lavou as mãos. É preciso dinheiro para manter a mata de boa saúde. São precisas ideias e dinamismo para também gerar dinheiro com aquele património natural e construído, que é o que acontece por essa Europa fora. E eu me pergunto muitas vezes, de que forma o Hotel que beneficia e muito daquele enquadramento, contribui para a sua preservação? Ainda a semana passada ganhou um prémio de melhor hotel do estilo na Europa, ou coisa que o valha. Fico muito triste mesmo!! Foram 10 anos a trabalhar naquela mata que amo.» Rosa Pinho.

Espanha: ambientalistas apoiam cidadãos de Cáceres contra mina de lítio

  • Cerca de 30 mil toneladas das escórias de alumínio da antiga Metalimex, em Setúbal, que deveriam ter sido enviadas para a Alemanha nos anos 90, devido à sua perigosidade, estão ainda, 22 anos depois, no Vale da Rosa, perto do Complexo Municipal de Atletismo de Setúbal e a cerca de um quilómetro das instalações da antiga empresa. Em 1991, a Metalimex importara os resíduos sem ter condições adequadas para a sua reciclagem e armazenamento, quando não tinha ainda a unidade industrial preparada para o efeito, tendo o último carregamento para Setúbal coincidido com a entrada em vigor da legislação nacional sobre o transporte transfronteiriço de resíduos perigosos. Anteriormente, membros da Greenpeace tinham bloqueado a entrada da empresa suíça produtora dos resíduos — a Refonda SA, em Niederglatt, perto de Zurique — exigindo o seu encerramento preventivo. A Greenpeace acusava a Refonda de exportar resíduos perigosos para Portugal, Grã-Bretanha e Noruega e de emitir substâncias tóxicas em Niederglatt. Não é a primeira vez que se descobre que houve deposição de escórias da Metalimex em locais proibidos. Em 1992 foi encontrada uma grande quantidade numa pedreira abandonada, na serra de S. Luís, no perímetro do Parque Natural da Arrábida. Mais uma trapalhada ambiental reportada pelo Público de 16jun2020.

  • «No Pinhal Interior, a empresa de águas divide os municípios. A Apin nasceu para gerir águas de 11 concelhos. Os preços para os munícipes aumentaram e Penacova pediu para sair. Tudo bem, dizem as autarquias que ficam, desde que pague uma indemnização». Camilo Soldado, no Público de 16jun2020.
  • 134 organizações locais e ambientais da Espanha e de todo o mundo expressaram o seu apoio aos cidadãos de Cáceres, Espanha, e seu direito de dizer não ao projeto de lítio San José de Valdeflórez da Infinity Lithium. A Infinity Lithium, uma empresa de mineração australiana, quer extrair lítio de uma mina a céu aberto, a apenas 800 m do centro histórico de Cáceres - uma cidade reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO que depende muito do turismo e da beleza natural da região para sua prosperidade. O projeto de mineração recebeu apoio financeiro da InnoEnergy - uma empresa apoiada pela União Europeia - em março de 2020, apesar da crescente oposição pública de cidadãos organizados na Plataforma Salvemos a Montanha de Cáceres (Plataforma Salvemos la Montaña de Cáceres). Na carta ao Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, as 134 organizações exigem que a UE retire todo o apoio financeiro e promocional ao projeto de lítio de San José de Valdeflórez. Sublinham que a União Europeia não deve apoiar uma mina que não possui as permissões necessárias para avançar, é proibida pelo próprio Plano Geral de Desenvolvimento Urbano de Cáceres e que enfrenta grande oposição entre os moradores de Cáceres, incluindo o presidente da Câmara da cidade, Luis Salaya. Hannibal Rhoades, in The Ecologist.
  • Mais de 300 mil alemães subscreveram um abaixo-assinado da Campact exigindo às três maiores redes de supermercado do país, Lidl, Edeka e Aldi Nord -, que não vendam produtos brasileiros em protesto contra a escalada da desflorestação na Amazónia. ClimaInfo.
  • Mais de uma década depois de um poço de água ter explodido em Dimock, no nordeste da Pensilvânia, o estado da Pensilvânia apresentou acusações criminais contra a empresa que, segundo eles, causou a explosão. O procurador-geral Josh Shapiro vai avançar com 15 acusações criminais contra a Cabot Oil and Gas, sedeada em Houston, responsável por indiferença e persistência na violação de legislação ambiental relacionada com a prática de fraturação hidráulica para extração de gás e petróleo. Susan Phillips, in State Impact/NPR.
  • A HAGL, uma gigante do agronegócio vietnamita é acusada de ter desmatado ilegalmente terras no Camboja, destinadas a comunidades indígenas locais, escreve Michael Tatarski in Mongabay.

Reflexão - vamos continuar a desperdiçar os recurtsos naturais para o benefício de meia dúzia de milionários?

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O jornalista e ativista ambiental George Monbiot sugere a transformação completa da economia global do capitalismo para um novo sistema em que podemos desfrutar de "suficiência privada e luxo público".
Cita o exemplo dos sem-abrigo. Nos últimos 10 anos de governo conservador britânico, o número de pessoas que vivem e morrem nas ruas aumentou. Mas quando os ricos consideraram os sem-abrigo como potenciais portadores e transmissores da Covid-19, os recursos foram encontrados para acabar com a crise.
"Esta pandemia horrível tem de ser um ponto de viragem", diz. "Esta deve ser uma oportunidade de transformação, para passarmos de um sistema político e económico explorador para um sistema completamente diferente.
Há recursos naturais básicos suficientes - ouro, aço e sumidouros para emissões de carbono - para pouquíssimas pessoas usarem luxos desnecessários, como iates, carros desportivos e jatos particulares. E - para ser franco - você nunca será um desses poucos.
E ao desperdiçar esses recursos naturais, os super-ricos estão a negar ao resto da da humanidade o básico para atender às necessidades humanas. 
Brendan Montague, in The Ecologist.

Mão pesada

O Departamento de Justiça propôs uma multa de US $ 350.000 para a Sprague Operating Resources LLC, sediada em New Hampshire, por emissões excessivas de compostos orgânicos voláteis de tanques de petróleo em instalações em toda a Nova Inglaterra, incluindo o complexo de Providence com problemas de maus cheiros. EcoRI.

Bico calado

  • Inauguração de exposição mural na Piscina Solário Atlântico sobre a historia  do casino de Espinho, por ocasião do 47º aniversário da elevação de Espinho a cidade. Via Gazeta de Espinho.
  • Os canais de corrupção aguardam ansiosamente o dinheiro da UE, alertam peritos búlgaros citados por Georgi Gotev na EurActive.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Almada: APA e ICNF aprovam asfaltamento de estradão em cima de duna primária em área de paisagem protegida

  • A estrada da Praia da Fonte da Telha passa por cima de uma duna primária, em Área de Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica. Está a ser alcatroada pela Câmara de Almada, com a aprovação da APA e do ICNF. A Zero considera que além de "impermeabilizar de forma dramática um troço considerável junto à linha de água e à arriba fóssil", as obras em curso vão também "aumentar o acesso e a implantação de mais atividades numa zona já sensível e vulnerável às alterações climáticas e à subida do nível do mar". A Zero entende que se está perante um "precedente grave", uma vez que "abre a possibilidade a intervenções análogas ao longo das zonas costeiras, aumentando a vulnerabilidade do litoral português". O Partido Comunista Português questionou o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, questionando nomeadamente “que medidas estão a ser tomadas para assegurar o cumprimento da lei e defender o equilíbrio ambiental daquela área sensível”. A deputada Mariana Silva, do grupo parlamentar Os Verdes, diz que a obra é “desadequada face à sensibilidade da zona” e critica a autorização concedida pelo ICNF e pela APA. O vereador do pelouro da rede viária, mobilidade e trânsito, Miguel Salvado, do PSD, diz que a obra garante “a proteção das dunas (impedindo-se a circulação e o estacionamento no cordão dunar)”, assegurando ainda que “será criada uma via pedonal e ciclável do lado das praias e também ordenado o estacionamento em toda da extensão da estrada”. Fontes: TVI24CM e O Almadense.
ATUALIZAÇÃO
  • Nos últimos seis anos, o eucalipto continuou a dominar o mapa das novas espécies arbóreas plantadas no país com 81.475 hectares plantados. Entre outubro de 2013 e junho de 2020, autorizou-se a plantação de 81.475 hectares de eucaliptos em Portugal. No Centro foram 31.849 hectares, em Lisboa e Vale do Tejo 24.704 hectares, no Alentejo 13.233, no Algarve 6297 hectares e no Norte 5392 hectares. Em segundo lugar, a muita distância, vem o pinheiro-manso com 5.931 hectares, o sobreiro com 4.810 hectares, o pinheiro-bravo com 2.671 hectares e as folhosas com 4358 hectares. Os dados são do ICNF e foram compilados e divulgados pelo Público
  • A outra face do sucesso do Alqueva é um Alentejo envenenado por químicos, por Rui Rosa, in Público 6fev2020.

Bélgica: Valória e Bruxelas rejeitam plano para enterrar resíduos nucleares em furos profundos

  • A Valónia e a região de Bruxelas rejeitaram a ideia de enterrar resíduos nucleares em furos profundos, solicitando à ONDRAF alternativas para uma solução reversível e controlável. "A posição é, portanto, abandonar o projeto de descarte em poços profundos e optar pelo chamado enterro subterrâneo. Esta posição foi reforçada por protestos de ativistas da Greenpeace Luxembourg junto da embaixada belga. Fontes: The Brussels Times e Chronicle.lu.
  • Em agosto passado, Donald Trump terá pedido às autoridades de segurança nacional que considerassem o uso de bombas nucleares para enfraquecer ou destruir furacões. Agora, um membro do Congresso quer tornar ilegal a concretização dessa ideia ineficaz e extremamente perigosa. Sylvia Garcia, representante democrata do Texas, apresentou ao Congresso um projeto de lei que proíbe explicitamente o presidente, juntamente com qualquer outra agência ou autoridade federal, de empregar uma bomba nuclear ou outra arma estratégica com o objetivo de alterar os padrões climáticos ou abordar as alterações climáticas. The Independent.
  • O Brasil aprovou um plano para concluir o  seu terceiro reator nuclear Angra 3, com ou sem parceria para ingressar na Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras que opera as outras duas centrais. A Eletrobras, estatal, precisa de um parceiro privado para a ajudar a finalizar o reator de 1.400 megawatts iniciado em 2010. Os possíveis candidatos incluem empresas da China, Rússia, França e Coreia do Sul. Reuters.
  • Esforços para minar a ciência das alterações climáticas no governo federal, outrora orquestrados em grande parte pelos comissários nomeados por Trump, são cada vez mais conduzidos por chefias intermédias que tentam proteger os seus empregos e orçamentos e desconfiam do escrutínio de altos funcionários, admite uma investigação de Lisa Friedman publicada no NYTimes.

Bico calado

  • 'Tudo mentira': como os militares dos EUA encobriram a morte de dois jornalistas no Iraque. O ex-jornalista da Reuters Dean Yates chefiava a agência em Bagdá quando os seus colegas iraquianos Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh foram mortos. Um vídeo do WikiLeaks chamado Collateral Murder revelou mais tarde pormenores da sua morte. The Guardian. Pormenores aqui.
  • Aproveitando a pandemia: como os grandes gabinetes de advogados se preparam para processar os estados por causa das medidas de resposta À Covid-19. CEO.
  • Empresas ligadas a offshores sem restrições nos apoios da covid-19, titula o Público de 15jun2020. Costa, meteste o pé na poça.
  • «O antigo autarca social-democrata Júlio Sarmento, que esteve à frente da Câmara de Trancoso durante 27 anos, até 2013, e foi agora acusado de corrupção passiva na contratação de uma parceria público-privada, é sócio, numa empresa brasileira, de um empresário de Castelo Branco, António Realinho, que está a cumprir quatro anos e meio de prisão por burla e falsifiação.» Público 15jun2020.
  • Se Trump retomar os testes de armas nucleares, a Índia fará o mesmo. Yahoo.
  • Suketu Mehta (5): «Em 1770, a Companhia Britânica das Índias Orientais - a primeira multinacional do mundo - aumentou os impostos que coletava à força sobre as colheitas e dez milhões de pessoas, um terço de Bengala, morreram à fome. Outros 29 milhões de indianos sob o domínio britânico morreram à fome no século XIX, em parte porque a Índia era forçada a exportar dez milhões de toneladas de alimentos por ano. É uma época que o escritor americano Mike Davis chama de "o holocausto vitoriano tardio". Depois, em 1942, os britânicos, temendo uma invasão japonesa no leste da Índia, interromperam a importação de arroz da Birmânia. Eles também destruíram os estoques de arroz existentes segundo uma política chamada 'negação de arroz'. Os navios australianos que transportavam cereais foram desviados para os Balcãs, antecipando uma futura invasão da Grécia. No ano seguinte, mais de dois milhões de pessoas morreram À fome; muitos outros foram vítimas de doenças que se seguiram. No total, entre três e cinco milhões de pessoas morreram naquela fome de origem britânicaSuketu Mehta, This land is our land – an immigrant’s manifesto – Penguin 2019