Ambiente Ondas3
Recortes de notícias ambientais e outras que tais, com alguma crítica e reflexão. Sem publicidade e sem patrocínios públicos ou privados. Desde janeiro de 2004.
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
REINO UNIDO: ANTIGA BASE DA RAF DEMASIADO CONTAMINADA PARA ALBERGAR 9000 HABITAÇÕES
- A contaminação química numa antiga base da RAF, destinada à construção de 9 000 habitações, é a mais grave já detetada no Reino Unido. Análises realizadas na base da RAF em Upper Heyford, a pedido de um promotor imobiliário, revelaram níveis «inaceitáveis» de substâncias polifluoroalquílicas (PFAS), conhecidas como «químicos eternos». Fonte.
- Bruxelas insiste que o Nord Stream permanecerá encerrado após o fim da guerra na Ucrânia, contrariando uma iniciativa conjunta dos EUA e da Rússia para reiniciar o funcionamento do gasoduto no âmbito de um acordo de paz. Fonte.
- Central solar de Huatacondo, no Tarapacá, Chile, fica fora de serviço durante dois meses na sequência de um ciberataque. Fonte.
- O bambu poderá produzir um combustível 26 vezes menos poluente do que o gasóleo. Graças ao seu rápido crescimento e à sua transformação eficiente, esta planta oferece perspetivas promissoras para a descarbonização dos transportes, conclui um estudo do Worcester Polytechnic Institute.
REFLEXÃO
O QUE 11 ILHAS REVELAM SOBRE O VERDADEIRO ESTRANGULAMENTO NAS MINI-REDES DE ENERGIAS RENOVÁVEIS
Ignacio Landivar, PV Magazine. Rev. O’Lima.
Um sistema fotovoltaico instalado numa ilha da Indonésia | Imagem: ESDM
As ilhas são frequentemente apontadas como o campo de testes para a eletricidade 100% renovável — sistemas fechados, linhas claras de responsabilidade entre as partes interessadas e, na maioria dos casos, sem rede elétrica principal a que recorrer. Um novo relatório da Tarefa 18 do PVPS da AIE põe essa reputação à prova, analisando 11 ilhas que já atingiram, ou estão prestes a atingir, quotas muito elevadas de energias renováveis, desde a aldeia de Apolima, em Samoa, com 88 habitantes, até Lolland, na Dinamarca, onde vivem mais de 57 000 pessoas e que está ligada à rede dinamarquesa mais ampla. O que é evidente é que a tecnologia para abastecer uma ilha quase inteiramente com energias renováveis já existe e funciona em configurações extremamente diversas. O que determina se um projeto chega realmente a esse ponto é, na sua esmagadora maioria, de natureza social, política e organizacional — não se trata apenas de questões técnicas ou tecnológicas, mas sim da forma como estas são combinadas com as condições sociais, políticas, económicas e organizacionais adequadas.
Onze ilhas, nenhum modelo único
A evidência mais forte apresentada pelo relatório a este respeito é que não existe uma definição única do que constitui o «sucesso» na prática. A Ilha de Kodiak, no Alasca, funciona com um sistema híbrido hidroelétrico-eólico, gerido por uma empresa de serviços públicos detida pelos membros e dotada de uma cultura operacional avançada, atingindo 99-100 % de abastecimento renovável. Samsø, na Dinamarca, consegue-o quase inteiramente através de turbinas eólicas detidas pela comunidade e do investimento dos cidadãos e, estando ligada à rede dinamarquesa, não depende de armazenamento local. Yakushima, no Japão, atinge 100% de eletricidade renovável utilizando apenas pequenas centrais hidroelétricas, simplesmente porque o seu terreno montanhoso e a precipitação coincidem com a procura. A Apolima funciona com um sistema solar autónomo, sem qualquer armazenamento, porque a aldeia é suficientemente pequena para não precisar de nenhum. O sistema totalmente solar e apoiado por baterias de Tokelau existe graças ao financiamento sustentado da Nova Zelândia, enquanto nas Ilhas Canárias, em Espanha, El Hierro combina energia eólica com armazenamento hidroelétrico por bombagem, e a Ilha Graciosa, nos Açores, opera um sistema híbrido eólico-fotovoltaico-bateria cujas estratégias de despacho continuam a ser ativamente otimizadas durante a operação.
O relatório trata esta diversidade como a conclusão central, e não como uma nota de rodapé: não há uma orientação universal. Um sistema híbrido eólico-hidroelétrico com bombagem que funciona em El Hierro seria excessivo para Apolima; um modelo financiado por doadores que permitiu a Tokelau atingir o abastecimento total a energia solar não seria aplicável a uma ilha gerida por uma empresa de serviços públicos como Kodiak. O que se repete em todas as onze ilhas, independentemente da combinação de tecnologias ou da dimensão da ilha, é um conjunto específico de condições não técnicas.
A preparação é a chave, não a construção
Para identificar essas condições, os autores criaram uma matriz de fatores de sucesso de quatro fases e cinco categorias, composta pelas fases de Preparação, Conceção, Implementação e Monitorização e Avaliação, cruzadas com as dimensões Social, Política, Técnica, Económica e Ambiental, e preencheram-na com base numa revisão bibliográfica de mais de 60 publicações académicas, na análise de estudos de caso e em cinco entrevistas aprofundadas com profissionais das ilhas. Esse processo revelou 111 fatores de sucesso distintos, e o padrão mais claro nos dados é a forma como estes se agrupam: quase metade de todos os fatores de sucesso identificados situam-se na fase de preparação, antes mesmo de uma única turbina ou painel ser instalado.
O relatório descreve isto como campanhas de educação e sensibilização da comunidade, avaliações de recursos e da rede, alinhamento político precoce e trabalho preparatório em matéria de financiamento, tudo a decorrer em paralelo, muito antes da conceção do sistema. As ilhas que investiram fortemente nesta área — Lolland, Samsø, El Hierro — criaram o entendimento comum e a preparação institucional que tornaram as fases posteriores mais tranquilas. O que devem os promotores e os financiadores aprender com isto? A falta de recursos na fase de planeamento e envolvimento é uma das causas previsíveis mais evidentes de atritos posteriores, mesmo quando a própria conceção técnica é sólida.
Quatro fatores surgem em quase todos os casos
Dos 111 fatores identificados, 13 foram assinalados como fatores-chave de sucesso com base na frequência com que surgiram em várias entrevistas, e quatro destacam-se por serem quase universais — dois de natureza social e política e dois de natureza técnica. O primeiro é a presença de defensores locais ou figuras de liderança, pessoas que mobilizam o apoio da comunidade, mantêm o ímpeto ao longo de períodos que se estendem por vários anos e se situam na intersecção entre os intervenientes comunitários, políticos e técnicos. A transição de Samsø é apresentada como um caso exemplar disso, citada como o tecido conjuntivo entre a identidade local, o investimento dos cidadãos e a eventual expansão da energia eólica. O segundo é o envolvimento das partes interessadas, mantido ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, e não apenas na fase de planeamento. O relatório é explícito ao afirmar que este fator surge em todas as fases que acompanhou, tornando-o um dos fatores de sucesso mais transversais no conjunto de dados. Mesmo decisões altamente técnicas, observam os autores, tais como a escolha da tecnologia de produção de energia ou onde reforçar a rede, dependem, em última análise, da confiança das partes interessadas para serem aceites e mantidas.
A espinha dorsal técnica
Nada disto significa que a engenharia seja secundária. Os fatores técnicos constituem a maior categoria individual no conjunto de dados, representando 41 dos 111 no total, e os dois fatores restantes, de caráter quase universal, são técnicos — na verdade, os mais frequentemente mencionados: o planeamento de sistemas a longo prazo e o reforço da rede especificamente para a integração de energias renováveis variáveis. O relatório também atribui mérito a práticas operacionais concretas para sustentar elevadas quotas de energias renováveis assim que os sistemas estão em funcionamento, tais como o equilíbrio em tempo real da produção eólica e hidroelétrica em Kodiak e a utilização, em King Island, de volantes de inércia e resistências dinâmicas para estabilizar um sistema híbrido eólico-fotovoltaico-bateria-diesel. O relatório considera que a robustez técnica e a conceção de sistemas à medida constituem a espinha dorsal das transições bem-sucedidas nas ilhas. Mas a tecnologia, por si só, não determina o resultado: o que distingue as ilhas que alcançam e mantêm elevadas quotas de energias renováveis daquelas que estagnam é o facto de um projeto técnico sólido ser acompanhado por condições sociais, políticas e financeiras que permitam a sua construção e operação conforme previsto.
Uma ressalva sobre a replicabilidade
No entanto, a secção final do relatório deixa claro que as suas próprias conclusões não constituem uma lista de verificação pronta a aplicar. Os autores salientam que as condições prévias subjacentes aos seus 13 fatores-chave de sucesso — tais como uma instituição local capaz de sustentar o planeamento ao longo de vários anos, partes interessadas com continuidade suficiente para se manterem envolvidas durante todo um processo plurianual e financiamento que não dependa inteiramente de ciclos de doação de curto prazo — estão, elas próprias, distribuídas de forma desigual. Nos casos em que essas condições prévias são fracas, as mesmas intervenções tendem a estagnar, em vez de falharem completamente: o envolvimento das partes interessadas perde impulso sem um impulsionador que o sustente, as reformas tarifárias têm dificuldade em atrair investimento num contexto de regulamentação instável e os projetos técnicos comprovados em ilhas com recursos suficientes são difíceis de replicar sem cadeias de abastecimento fiáveis ou pessoal de operação e manutenção qualificado.
Os autores são explícitos ao afirmar que esta lacuna de replicação irá provavelmente afetar mais fortemente as ilhas mais pequenas, mais remotas e de rendimentos mais baixos, e de forma desproporcional no Sul Global, onde é menos provável que já existam as bases institucionais e financeiras subjacentes aos próprios estudos de caso deste relatório.
BICO CALADO
- “(…) Dentro do princípio de que as leis e os regulamentos devem ser cumpridos o melhor possível, haja o discernimento e o bom senso de não exigir o cumprimento das normas inconstitucionais e de solicitar a respectiva revogação. E se o não fizerem, como não o estão a fazer, haja o decoro para o aplicarem a todas as situações semelhantes e não apenas aos manifestantes que não são do seu agrado. Sejamos honestos, tenhamos vergonha na cara! É isso que, lamentavelmente, vem faltando a muitos responsáveis pelo País e pela manutenção da ordem pública. Olhem para o espelho, envergonhem-se. (…) Também por isso me sinto no direito de levantar a minha voz e de proclamar aos que cada vez mais parecem convencidos de que podem fazer-nos regressar à repressão neofascista que Não passarão! Podem tentar aproveitar os radicalismos vários que pululam em atitudes condenáveis, podem tentar travestir-se do que quiserem, confio que o povo português não os deixe passar – tal como não deixaram o povo brasileiro e o povo sérvio, países onde a luta pelos valores da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Paz e Justiça Social teve um desfecho feliz. Que bom é ver uma nova geração de punho erguido a gritar que “O povo unido jamais será vencido!” e a entoar a “Grândola Vila Morena” a plenos pulmões. São os nossos netos e os nossos filhos que levam a herança que lhe demos para as ruas. O 25 de Abril continua vivo no coração dos portugueses! 25 de Abril, Sempre!” Vasco Lourenço.
- Ação musculada. Henricartoon.
- Ontem, quando [o Coronel José Carmo] analisava a fuga de Flávio Bolsonaro e se esperava do garboso militar dos Comandos uma censura à covardia do fugitivo, disse: «Eu, se fosse o Bolsonaro, também fugia». Carlos Esperança.
- Tudo bons amigos. Henricartoon.
- Leitão Amaro comprou uma casa devoluta, demoliu-a e construiu uma moradia em 2021, mas paga IMI como se a casa fosse velha de 70 anos.
- Deputado do Chega fuma na galeria do Parlamento.
- A PSP também recebe ordens para intervir contra o barulho produzido em zonas nobres do Porto durante toda a noite e madrugada por notívagos e que não deixam dormir os vizinhos?
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
GANA: RESÍDUOS DO PRONTO A VESTIR MUNDIAL SUFOCAM PRAIAS
- A roupa concebida no Ocidente, produzido na Ásia e descartada pelos consumidores dos países ricos é enviado para o Gana como mercadoria em segunda mão. Uma parte significativa — estimada pela Fundação Or entre 32% e 42% do vestuário que entra no mercado de Kantamanto — é invendável e transforma-se em resíduos. Há pescadores que agora pescam «roupas» em vez de peixe. Os resíduos, que podem formar cordas enormes semelhantes a cimento, afugentaram as tartarugas marinhas e tornaram difícil o lançamento dos barcos. O sistema de gestão de resíduos de Acra não consegue dar resposta a este afluxo. A cidade gera cerca de 70 toneladas de resíduos têxteis por dia, que são frequentemente arrastados pelos esgotos e canais diretamente para o oceano durante chuvas intensas. Várias iniciativas locais, apoiadas pela organização sem fins lucrativos de justiça ambiental The Or Foundation, estão ativamente a limpar o litoral e os cursos de água. Mas estes esforços de limpeza tratam apenas o sintoma. A solução a longo prazo, segundo Solomon Noi, responsável pela gestão de resíduos de Acra, passa pela adoção de leis de Responsabilidade Alargada do Produtor — tornando as marcas globais de moda que lucram com este ciclo financeiramente responsáveis pela gestão de resíduos no Gana. Fonte.
BICO CALADO
- Francisco Gomes, deputado pelo Chega, recebeu um subsídio do Governo Regional da Madeira, então liderado por Alberto João Jardim, para estudar nos EUA. Atribuída sem candidatura prévia e sem concurso público, a bolsa foi atribuída em dezembro de 1999 para Francisco Gomes frequentar a Universidade de Denison, nos EUA. A sua tese de doutoramento, intitulada "A Autonomia na Madeira (Portugal): Definição, origens, evolução e desafios", foi defendida em 2019 na Universidade de Cádis, em Espanha, sendo posteriormente alvo de fortes críticas por parte de académicos portugueses. Jorge Fernandes, investigador do Conselho Superior de Investigação Científica classificou o trabalho como algo que "parece mais um artigo de propaganda" do que uma investigação académica séria. Os principais pontos de crítica foram: (1) Falta de distância analítica: A tese demonstra uma proximidade excessiva ao seu objeto de estudo, o antigo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim; (2) Excesso de referências a Jardim: O nome de Alberto João Jardim é mencionado mais de 300 vezes ao longo das cerca de 300 páginas, incluindo 49 citações diretas às suas memórias e (3) Fundamentação questionável: Foram apontadas insuficiências metodológicas, como a ausência de uma pergunta de investigação clara e de hipóteses testáveis, e o uso de referências bibliográficas consideradas invulgares e pouco adequadas para sustentar os argumentos.
- Espanha prepara greve aos supermercados: consumidores são chamados a não fazer compras às quartas-feiras. Fonte.
- Ajuste directo de meio milhão de euros ocultado durante seis anos. O negócio foi feito em 2020 entre o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e a UEM-Unidade de Estruturas Metálicas, com sede no Porto. A empresa tinha sido condenada por ter concertado preços em concursos públicos da Parque Escolar. Fonte.
- Netanyahu continuará como primeiro-ministro interino até que se chegue a um acordo que o mantenha no poder. O homem que já ocupou o cargo de primeiro-ministro durante 19 anos provavelmente vai ficar mais alguns anos. É como aquele cocó que simplesmente não desce pela sanita. Council Estate Media.
- A palavra trai a democracia. Alexandraa Manes, Notícias que contam (Diário da Lagoa).
LEITURAS MARGINAIS
CINCO SAQUES OMITIDOS PELOS MEDIA DOMINANTES
Simon Verdiere, Mondialisation.
Cartune: José Alberto Rodríguez Avila
O artigo examina os "saques" que os grandes media tendem a ignorar. O ponto de partida é a cobertura mediática dos saques ocorridos durante os protestos estudantis no outono de 2026. O artigo defende que, embora esses atos sejam condenáveis, eles desviam a atenção de formas de "pilhagem" muito mais profundas, sistemáticas e, muitas vezes, legais, que lesam o bem comum.
O texto identifica e detalha cinco exemplos dessas pilhagens estruturais:
- A pilhagem do nosso modelo social: Desmantelamento dos serviços públicos, com o encerramento de mais de 17.000 escolas em 40 anos, a eliminação de 10.000 postos de professores desde 2017 e a supressão de cerca de 100.000 camas hospitalares desde 2000; aumento da idade da reforma e a redução de subsídios de desemprego e habitação.
- A pilhagem das riquezas pelos bilionários: 53 bilionários possuem tanta riqueza como os 32 milhões de franceses mais pobres, e o seu património duplicou desde 2017. Isto acontece perante a complacência do Estado, que não combate eficazmente a evasão fiscal (que custa cerca de 100 mil milhões de euros por ano), e a cobertura de mais de 90% dos media que lhes pertencem.
- A pilhagem do conhecimento: Privatização e mercantilização de conhecimento produzido com financiamento público. Investigadores formados e financiados pelo Estado geram patentes que são depois exploradas comercialmente por empresas privadas, chegando à privatização do vivente através de patentes sobre sementes.
- A pilhagem dos recursos naturais: Apropriação de recursos vitais como a água por parte de empresas, a destruição de florestas para lucro, a artificialização de espaços naturais, a poluição de 1.700 rios em França e os impactos destrutivos da mineração e da perda de biodiversidade.
- A pilhagem do dinheiro público pelas grandes empresas: Estima-se que 211 mil milhões de euros em ajudas públicas sejam atribuídos anualmente a empresas privadas sem qualquer contrapartida. Este é o maior item do orçamento francês, e as empresas podem beneficiar desse apoio mesmo quando despedem, poluem ou atuam contra o interesse comum.
Em comparação com estes "saques legais de grande envergadura", os saques de lojas noticiados pelos media, embora dramáticos, funcionam como uma cortina de fumo. A indignação seletiva da comunicação social serve para desviar a atenção da responsabilidade de uma minoria abastada na destruição dos bens comuns. Se o Estado corrigisse estas injustiças sociais, os protestos e os saques que por vezes lhes estão associados provavelmente diminuiriam.
terça-feira, 27 de outubro de 2026
BICO CALADO
- “Estão com medo da união”. Unsafe Space Garden e acampadas. Para ouvir esta emissão de Panfletos (27/10/26), clicar aqui: https://www.rtp.pt/play/p8339/e963415/panfletos
- A atriz Maria João Luís juntou-se ao Movimento pela Habitação, defendendo que a discussão sobre a habitação “tem de ser mais alargada”. A atriz apelou aos jovens para que não se deixem enganar pelas forças extremistas e afirmou que a carga policial da madrugada de domingo “não teve razão de acontecer”. Veja a entrevista completa em: https://bit.ly/4yEyZp5
- “Mostra a cara!”. Um coro das Caldas da Rainha foi para a porta da casa de António José Seguro exigir que o Presidente da República apareça a público.
- “(…) este PSD e este PS, têm contribuído objetivamente para consolidar um modelo de sociedade injusto, em que a desigualdade cresce, e um modelo económico predatório, de acumulação galopante da riqueza nas mãos de cada vez menos pessoas. Enquanto a social-democracia se propunha “reformar e humanizar a economia de mercado”, o socialismo defendia um sistema de propriedade pública de sectores estratégicos, como a banca e seguros, as redes de telecomunicações, a electricidade ou os recursos naturais. Tudo isso foi para o caixote de lixo da história. Muitos daqueles que os novos fascistas no parlamento querem “encostar à parede” (a quem chamam “extremistas de esquerda”), defendem hoje nas manifestações os ideais que há 50 anos também estavam nos programas do PSD e do PS, os mesmo ideais que estão, ainda hoje, na sua essência, na Constituição e que o PSD e PS actuais estão a ignorar. A doutrina social e económica da Igreja católica é hoje mais social-democrata do que o PSD e mais socialista do que o PS. (…) A tomada de posição inequívoca - pela igualdade, a solidariedade e a liberdade - por parte de um Presidente da República teria de levar, necessariamente, à queda dum governo que descaradamente viola o que a Constituição da República Portuguesa tem de mais valioso. Esperarei sentado (se for necessário em frente a uma tenda no Rossio, em frente à Assembleia da República ou ao Palácio de Belém).” Miguel Szymanski, Embalagens enganosas.
BOTICAS: CORDÃO HUMANO PARA TRAVAR MINA DE LÍTIO
Créditos: Pedro Sarmento Costa/TSF
Dezenas de pessoas bloquearam os trabalhos para a exploração de uma mina de lítio, em Boticas. Por volta das 06h00, formou-se um cordão humano para travar progressos numa das áreas da servidão administrativa da empresa Savannah Resources. "Quando vemos, neste momento, a questão da habitação, das pessoas estarem a ser expulsas e não se poderem manifestar nos sítios públicos, nós estamos a ser expulsos daquilo que é nosso, dos nossos terrenos, dos terrenos privados", denuncia o o presidente da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, Nélson Gomes. "A terra é nossa, o baldio é nosso, a aldeia é nossa. Não vamos deixar que ninguém de fora decida o futuro da nossa gente. Savannah fora do baldio já!” Fonte.
COP31: TURQUIA QUER COMPROMISSO GLOBAL PARA REDUZIR PELA METADE O CRESCIMENTO DO VOLUME GLOBAL DE RESÍDUOS PLÁSTICOS
- A Turquia, que sediará a COP31 em novembro, tornou-se um dos principais destinos do lixo plástico da União Europeia e do Reino Unido. Só no ano passado, o país importou quase 650 mil toneladas de resíduos plásticos, um volume que cresce ano após ano. Esses resíduos frequentemente acabam em rios e praias, inclusive em Antália, a cidade costeira que receberá a conferência, contaminando o solo e a vida marinha. O problema se intensificou a partir de 2018, quando a China — até então uma grande importadora de resíduos plásticos — deixou de processar material estrangeiro. Além disso, como a UE deve proibir a exportação de resíduos para países que não são membros da OCDE, isso provavelmente aumentará ainda mais o volume direcionado à Turquia, que é membro fundador do grupo. Para os turcos, a reciclagem gera empregos e fornece materiais baratos para setores como embalagens, papel e têxteis. No entanto, falhas no processamento e centrais inadequadas resultam em contaminação do solo e de corpos d'água. A Turquia pretende usar a conferência para buscar um compromisso global com o objetivo de reduzir pela metade o crescimento do volume global de resíduos plásticos até 2035. O ministro Murat Kurum, presidente designado da COP, afirmou que a meta é "colocar o desperdício zero e a redução do metano no centro da ação climática". Fonte.
- A reeleição de Lula aumenta as probabilidades de o Brasil conseguir atingir um objetivo fundamental para pôr fim à perda de floresta na Amazónia e reforça a confiança num novo fundo destinado a proteger as florestas tropicais do mundo. Fonte.
- O governo neerlandês irá contribuir com cerca de 500 milhões de dólares ao longo da próxima década para um fundo internacional destinado a ajudar a proteger as florestas tropicais. O dinheiro irá ajudar a criar o «Tropical Forest Forever Facility», um novo fundo de riqueza público-privado que visa recompensar os países pela preservação das florestas tropicais. Fonte.
- As pessoas mais ricas do mundo não estão apenas a lucrar com as causas poluentes das alterações climáticas, como também estão, cada vez mais, a tirar proveito das consequências catastróficas. Um estudo da Oxfam constatou que os 0,1% mais ricos da população mundial têm investido fortemente na preparação para catástrofes, na recuperação e na reconstrução — um mercado que se prevê que cresça de 70 mil milhões de dólares para 92 mil milhões de dólares por ano até 2029. Isto proporciona às pessoas mais ricas e poderosas do planeta um «duplo dividendo» decorrente da crise climática e, o que é mais alarmante, um incentivo para atrasar ou impedir as medidas destinadas a resolver o problema, afirma a ONG. Além disso, agrava a desigualdade global, uma vez que aqueles que menos contribuem para o aquecimento global acabam por ter de pagar aos principais responsáveis, seja através de preços mais elevados dos alimentos, da reparação de casas danificadas por fenómenos meteorológicos extremos ou da deslocação para outras áreas. Fonte.
- Consulta pública até 9 de dezembro: Re-delimitação da Área Beneficiada do Aproveitamento Hidroagrícola do Roxo (Beja e Setúbal).
REFLEXÃO
A IMPORTÂNCIA DE UMA COBERTURA MEDIÁTICA MAIS AMPLA E PRECISA SOBRE AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
James Painter, BMJ. Rev. O’Lima.
Apesar das temperaturas globais que batem recordes e da crescente preocupação da população, a cobertura mediática das alterações climáticas tem diminuído drasticamente, o que tem graves implicações para a compreensão do público e para a preparação em matéria de saúde.
2025 foi um dos anos mais quentes de que há registo, com o CO₂ atmosférico no seu nível mais elevado em milhões de anos; no entanto, a cobertura mediática global sobre as alterações climáticas diminuiu 14 % em comparação com 2024. Desde o seu pico em 2021, a cobertura na imprensa escrita e online diminuiu 38%, com um declínio adicional de 25% nos primeiros oito meses de 2026, em comparação com o ano anterior. Este declínio é generalizado, afetando os media em África, no Médio Oriente, na América do Norte e na Europa, embora seja menos acentuado na Ásia, na América Latina e na Oceânia.
Várias razões para este declínio:
- As redações reduziram os recursos editoriais dedicados à cobertura climática.
- O «espaço noticioso» diminuiu devido a outros conflitos globais prementes, como os de Gaza, do Irão e da Ucrânia.
- Há uma sensação de «cansaço climático» entre o público, face a uma crise de longa duração que carece de soluções fáceis.
- Os jornalistas seguem frequentemente as indicações dos políticos. À medida que os governos aumentam as despesas com a defesa e limitam as contribuições para o financiamento climático, a perda de prioridade política atribuída à ação climática desempenha um papel substancial na redução da cobertura. Isto pode levar a um «silenciamento climático», em que a questão é minimizada, consciente ou inconscientemente.
Os media tradicionais continuam a ser a fonte de informação sobre o clima mais popular e fiável para a maioria das pessoas. Isto confere-lhes um papel determinante na definição da agenda, moldando o que o público considera importante e a forma como compreende a emergência climática. Uma vez que a maioria das pessoas não lê revistas científicas nem conhece diretamente cientistas climáticos, depende dos meios de comunicação para interpretar a complexidade da ciência. Quando os meios de comunicação e os políticos negligenciam uma questão, é também mais provável que o público lhe atribua menor importância na sua própria hierarquia de preocupações.
Para além da quantidade de cobertura, há também problemas significativos de qualidade. No Reino Unido, por exemplo, alguns cientistas climáticos e analistas dos meios de comunicação social têm observado uma «separação» entre as alterações climáticas e as políticas de «Net Zero» em setores da imprensa que se opõem ao «Net Zero». Isto pode minimizar ou marginalizar a questão climática e, quando ocorrem ondas de calor, a ligação às alterações climáticas muitas vezes não é estabelecida de forma suficientemente explícita. Além disso, as ilustrações podem, por vezes, sugerir «diversão ao sol» em vez de salientar os impactos nocivos nas populações vulneráveis. Quatro órgãos de comunicação de direita no Reino Unido tinham, cada um, mais de 70% dos seus editoriais ou artigos de opinião sobre o «Net Zero» que continham pelo menos uma afirmação enganosa. Isto impede os leitores de formarem uma compreensão bem fundamentada dos argumentos. Numa escala mais ampla, estudos realizados nos EUA sugerem que, entre 1984 e 2025, as alterações climáticas representaram apenas 0,55% de toda a cobertura noticiosa, uma proporção ínfima quando comparada com o desporto e o entretenimento.
Para o autor, a qualidade é tão importante como a quantidade. Ele sugere várias formas de melhorar a cobertura:
- Estabelecer ligações com a vida quotidiana: as discussões sobre o clima concentram-se fortemente na reportagem ambiental especializada, mas as questões de saúde e justiça social — onde o público sente diretamente os impactos climáticos — não recebem atenção suficiente.
- Explicar as ligações: seriam úteis explicações regulares e claras sobre as ligações científicas entre as alterações climáticas, o «Net Zero» e os fenómenos meteorológicos extremos.
- Abordagens inovadoras: embora o público continue interessado, os media têm de encontrar formas inovadoras de abordar a questão climática que forneçam a informação que as pessoas realmente querem.
Apesar do declínio na cobertura, Painter termina com uma nota de otimismo cauteloso: 74% dos inquiridos em 2025 estão preocupados com os impactos das alterações climáticas no seu país, o que representa um aumento da preocupação na maioria dos países desde 2022. Mesmo nos EUA, não há indícios de que as pessoas se tenham tornado menos preocupadas com as alterações climáticas desde abril de 2022. A preocupação do público existe — o desafio para os meios de comunicação social é responder a essa preocupação com uma cobertura precisa, relevante e envolvente.
LEITURAS MARGINAIS
O QUE A ALEMANHA PENSA DO ACORDO DE 4 MIL MILHÕES DE DÓLARES ENTRE A AUDI E TRUMP
Nik Martin, DW. Rev. O’Lima.
Imagem: Edgar Su/REUTERS
A Audi confirmou um plano de cerca de 3,6 mil milhões de euros para construir a sua primeira fábrica nos EUA, perto de Macon, na Geórgia, criando cerca de 4 500 postos de trabalho e, a longo prazo, produzindo até 200 000 SUV de gama alta por ano para o mercado americano. O presidente Trump anunciou o investimento num comício de campanha e atribuiu o mérito às suas tarifas sobre veículos fabricados na Europa, afirmando que «isto não teria acontecido sem as tarifas».
Esta fábrica ajudaria a Audi a evitar ou a reduzir essas tarifas, que, segundo a empresa, lhe custaram cerca de 1,2 mil milhões de euros no ano passado. As vendas da Audi nos EUA também caíram 16% devido à forte concorrência e à perda de subsídios para veículos elétricos no seu segundo maior mercado. O CEO da Audi enquadrou esta medida como uma decisão de crescimento, afirmando que os EUA são «um dos mercados premium mais importantes do mundo», onde a Audi ainda não atingiu todo o seu potencial.
A reação alemã é extremamente negativa. Os críticos estão a centrar-se no momento em que isto acontece — a Audi está a investir nos EUA enquanto a sua empresa-mãe, o Grupo VW, se prepara para cortar até 100 000 postos de trabalho até 2030 e a fábrica da Audi em Neckarsulm corre o risco de encerramento. Grande parte da indignação é dirigida ao CEO Gernot Döllner, por ter aparecido ao lado de Trump num comício republicano. Um porta-voz social-democrata para os transportes classificou o gesto como «apoio à campanha de um autocrata que está a travar uma guerra comercial contra a Alemanha» e uma «vergonha», enquanto o presidente do IG Metall considerou a aparição «extremamente embaraçosa, politicamente inaceitável e indigna da empresa». Um responsável do conselho de empresa da VW afirmou que Döllner tinha sido transformado «num fantoche» no «espetáculo de propaganda» de Trump, embora tenha reconhecido que a fábrica nos EUA poderia fazer sentido do ponto de vista empresarial.
Por outro lado, um porta-voz da Audi afirmou que o investimento «não é uma decisão contra a Alemanha, mas sim um passo no sentido de reforçar a nossa competitividade global», e o presidente do conselho de supervisão argumentou que a empresa precisa de coragem para investir, em vez de depender apenas da redução de custos.
O anúncio deste negócio foi visto como programado para coincidir com as eleições intercalares nos EUA e feito no estado da Geórgia, enquadrando-se na estratégia mais ampla de Trump para pressionar os fabricantes de automóveis a expandirem a produção americana.
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