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sábado, 4 de julho de 2026

DESLARRRGUEM A ARRÁBIDA! domingo, 19 de julho

  • Nova caminhada Deslarrrguem a Arrábida: domingo, 19 de julho, 10h, com partida junto ao restaurante "A Restinguinha", em Setúbal. Contra a privatização das praias e do Parque de Merendas da Comenda, juntamo-nos para dizer que não conseguirão roubar aquilo que é de todos! Fonte.
  • Sines vai ter uma refinaria de antimónio, uma matéria-prima crítica para sistemas de defesa e semicondutores. FonteNenhum estudo de impacto ambiental foi localizado nas nossas fontes. Será possível não se estar a cumprir uma regra essencial para este tipo de projetos?
  • Movimento pelo Tejo contestou, em cartas enviadas à Provedoria de Justiça da União Europeia e à Comissária Europeia para o Ambiente, a decisão do Provedor de Justiça Europeu de recusar a abertura de inquérito ao arquivamento, pela Comissão Europeia, da denúncia sobre a ausência de caudais ecológicos no rio Tejo. O movimento acusa a Comissão de incorrer num “erro manifesto de apreciação” e exige a abertura imediata de procedimento por infração contra Portugal e Espanha. Fonte.
  • Consulta pública até 13 de agosto: Transgranitos - Mármores e Granitos do Alto Tâmega, Lda. - Pedreira Rei Mouro, Pena Verde-Aguiar da Beira.

OCEANOS: CIMEIRA OMITE EXPANSÃO DA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS OFFSHORE

  • Cimeira sobre os oceanos mantém silêncio sobre a nova onda de expansão da exploração de petróleo e gás offshore. Enquanto os governos se reuniam em junho na Conferência «Our Ocean», na cidade costeira de Mombaça, no Quénia, comprometendo-se a investir mais de 6 mil milhões de dólares na proteção marinha, na pesca sustentável e na energia eólica offshore, uma questão permaneceu praticamente ausente do palco principal: a expansão contínua da exploração de petróleo e gás offshore. Fonte.
  • A gigante petrolífera TotalEnergies foi intimada por um tribunal a publicar, no prazo de seis meses, um plano climático mais robusto de redução de emissões. Fonte.
  • Como os patrões das petrolíferas moldaram um importante estudo climático há 22 anos: A BP patrocinou um centro de investigação de elite em Princeton para abordar o problema climático sem abandonar os combustíveis fósseis, selecionando cuidadosamente cientistas alinhados com os seus interesses; os cientistas da Princeton que escreveram um artigo sobre o clima, criticado por fazer com que as soluções parecessem «fáceis», coordenaram-se com os patrões da BP mostrando-lhes várias versões preliminares, apresentando a tecnologia de captura e armazenamento subterrâneo de carbono como sendo comprovada e utilizada à escala industrial, uma caracterização que distorceu os factos. Fonte.
  • O Canadá vai construir um novo oleoduto de Alberta até à costa do Pacífico, o que daria ao quarto maior produtor mundial de petróleo uma maior capacidade de exportação para a Ásia e reduziria a sua dependência dos EUA. Fonte.
  • A onda de calor no nordeste dos EUA provoca cancelamentos no 4 de julho, dia da independência. FonteO regime de Trump a impor medo, terror. As milícias do ICE podem continuar a deter 2 mil pessoas por dia, segundo as novas ordensAté prendem freiras!

BICO CALADO

11 de junho de 2026, em Newark, Nova Jérsia. (Foto de Andres Kudacki/Getty Images)
  • As autoridades federais de imigração terão detido mais de 10 000 pessoas apenas nos últimos cinco dias, intensificando o medo nas comunidades por todo os EUA. Os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foram «informados de que 2 000 detenções por dia era o novo padrão para a aplicação da lei». A agência, com recursos financeiros abundantes na sequência da assinatura, pelo presidente Donald Trump, de um pacote de reconciliação que inclui mais 70 mil milhões de dólares para a aplicação da lei em matéria de imigração, recebeu instruções para afetar 80% dos seus agentes a «operações de detenção». Fonte.
  • Atleta olímpico norte-americano indiciado por se ter envolvido na renovação da famosa e mal sucedida «Reflecting Pool» de Trump. «Estas acusações são escandalosas e devem ser motivo de preocupação para todos os norte-americanos. Esta acusação reflete os esforços da administração para desviar a culpa dos seus próprios fracassos», afirmou o advogado Norm Eisen. Fonte.
  • Burkina Faso rompe relações com a França. A França invadiu o Burkina Faso em 1896 e incorporou-o na federação da África Ocidental Francesa em 1904. Após conquistar a independência em 1960, o país está agora a romper relações diplomáticas, na sequência da contínua interferência por parte da França. A medida surge depois de o governo ter também expulsado as tropas francesas. Fonte.
 
Como a América foi realmente construída. Uma História Popular dos Estados Unidos, de Howard Zinn.
  • A América aos 250 anos - Repensar a Independência e as histórias que contamos a nós próprios: a promessa de liberdade nunca foi universal, a ‘Revolução’ protegeu os interesses económicos, os nativos americanos pagaram um preço devastador, a escravatura continuou a ser um elemento central da nova república, o excecionalismo americano molda a memória histórica. Joshua Scheer.
  • A condenação do Estado português: uma caixa de Pandora! António Garcia Pereira – Notícias OnLine.

LEITURAS MARGINAIS

A SUBMISSÃO DO FUTEBOL ÀS LEIS DO LUCRO
Pedro Tadeu, Panfletos, Shakira e “Waka Waka (This Time for Africa)”


No livro How Soccer Explains the World, Franklin Foer defende que o futebol é um indicador avançado da globalização e do capitalismo contemporâneo.

A transformação vê-se, por exemplo, na propriedade dos clubes. Em 2004, a Premier League não tinha donos do Médio Oriente ou dos Estados Unidos. Hoje, quase metade dos seus clubes tem investimento norte-americano, enquanto Estados como a Arábia Saudita, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos controlam ou influenciam emblemas globais como Newcastle, PSG e Manchester City.

O futebol tornou-se instrumento de relações públicas e de sportswashing: estados e bilionários procuram prestígio através do sucesso desportivo. O mercado de jogadores passou também a funcionar como espaço especulativo, em que os preços astronómicos se afastam frequentemente do valor real dos atletas para criar lucros fabulosos a intermediários e negociadores dos contratos.

A mobilidade do trabalho confirma esta lógica. Jogadores brasileiros abandonam o seu país em direção a ligas na Albânia ou nas Ilhas Faroé para fugirem à má gestão dos dirigentes locais. Jogadores africanos, como aconteceu com uma geração de futebolistas nigerianos na Ucrânia, são contratados por clubes geridos por novos oligarcas que procuram imitar o modelo de sucesso das grandes equipas da Europa Ocidental.

Esta dinâmica gera uma fuga de talentos em países em desenvolvimento, onde os ídolos nacionais se tornam figuras distantes que jogam maioritariamente em ligas estrangeiras. E há, agora, novas ligas ricas, como a da Arábia Saudita, que contratam jogadores de topo mundial, como Cristiano Ronaldo.

A composição das seleções nacionais também reflete as complexidades migratórias e as identidades transnacionais. Em 2022, catorze dos vinte e seis jogadores da seleção de Marrocos nasceram fora do país, integrando a diáspora europeia.

Apesar da ascensão de marcas globais como o Manchester United e o Real Madrid, a globalização não eliminou as culturas locais ou os conflitos tribais. Pelo contrário, nalguns casos, estas identidades locais ganharam poder através da oposição à normalização cultural. A rivalidade entre Celtic e Rangers, em Glasgow, de que já falei aqui em Panfletos, mostra como o futebol mantém vivos conflitos religiosos, sociais e políticos que o desenvolvimento económico não dissolveu. A distinção tribal continua a gerar identidade, emoção e... lucro.

https://www.rtp.pt/play/p8339/e939593/panfletos
https://www.rtp.pt/play/p8339/e939821/panfletos

Outro autor, Simon Kuper dá, em World Cup Fever, um exemplo concreto desta relação entre futebol, globalização e capitalismo avançado. Ele conta a história da sua prima sul-africana Kyla, violinista dos Freshlyground, grupo multirracial apresentado em 2010 como símbolo da nova África do Sul pós-apartheid. Quatro meses antes do Mundial, a banda gravava em Nova Iorque no mesmo edifício onde uma artista de fama global, a colombiana Shakira, preparava «Waka Waka (This Time for Africa)». O produtor da cantora achou que precisava de um som genuinamente sul-africano e convidou os Freshlyground para colaborar. A FIFA adoptaria “Waka Waka” como canção oficial desse Mundial.

O tema foi um sucesso global, mas Kyla estava do lado errado da globalização: ela contou a Kuper que os benefícios financeiros para a banda foram muito reduzidos. Segundo o autor, a FIFA reteve a maior parte das royalties e os músicos não receberam sequer um pagamento pelas actuações na abertura do Mundial e no encerramento. O retorno foi sobretudo simbólico: reconhecimento internacional e associação permanente à imagem cultural da África do Sul.

Certamente não é por acaso que a letra de «Waka Waka» usa a metáfora da guerra para falar de pressão e perseverança no chamado desporto-rei. O refrão «Tsamina mina zangalewa» remete mesmo para uma canção militar dos Camarões, enquanto a frase «desta vez é para África» assinala algo notável: em 2010 ocorreu o primeiro Mundial realizado nesse continente.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

AÇORES: NUNO MELO DESACREDITA TESE DE DOUTORAMENTO APROVADA COM DISTINÇÃO E LOUVOR


Nuno Melo (CDS) desacredita tese de doutoramento aprovada na Universidade de Coimbra com distinção e louvor, patrocinada pelo governo regional dos açores (PSD-CDS). Mais: o novo doutor é filho de um conhecido militante do CDS na ilha Terceira. E Artur Lima, Vice-Presidente do CDS-PP, é Vice-Presidente do XIV Governo Regional dos Açores. Pior: Nuno Melo tem o desplante, a arrogância, de dizer que só se baseia em estudos de entidades certificadas. A Universidade de Coimbra, o Governo Regional dos Açores, o INETI (NLETI), não são entidades certificadas? Este parvo (do latim parvus, que significa pequeno, de pouca importância, sem valor, pouco inteligente) merece despedimento com justa causa. Rua, já!

No Expresso da ManhãPaulo Baldaia conversa com Vítor Matos, o jornalista que tem estado a escrever sobre esta matéria no Expresso. Há terrenos contaminados na ilha Terceira, junto à base das Lages, e isso mesmo é reconhecido pelos próprios norte-americanos. Não é nada de muito surpreendente e acontece junto a bases militares nos Estados Unidos e noutros países onde a América está ou esteve presente.

Toda esta situação é, do ponto de vista institucional, científico e político, profundamente reprovável.
Primeiro, um ministro da Nação não tem legitimidade para desacreditar o mérito científico de uma tese aprovada com distinção e louvor por uma universidade. Demonstra soberba intelectual, equiparando o seu achismo político ao conhecimento validado pelo método científico. Isto é um ataque direto à autonomia e à credibilidade do ensino superior.
Segundo, sendo ele do mesmo partido do membro do governo regional que patrocinou a investigação, a atitude revela uma contradição gritante: ou o ministro está a desautorizar publicamente o seu próprio colega de partido e a estrutura regional que governa, revelando uma profunda falta de coesão e verticalidade partidária, ou, o que é muito pior, está a fazer uma leitura tacanha e egoísta da política, na qual a defesa do interesse regional (mesmo que do seu partido) é sacrificada em prol da narrativa nacional do ministério. Em ambos os casos, demonstra que o partido não fala a uma só voz e que a lealdade à verdade científica é menor do que a disputa interna de poder ou de narrativa mediática.
Terceiro, a investigação foi patrocinada por um governo regional — ou seja, com fundos públicos. Ao desacreditá-la, o ministro está, indiretamente, a classificar esse investimento público como um desperdício ou um erro. Isto é um desrespeito pelos contribuintes daquela região e uma bofetada na autonomia financeira e administrativa dos Açores.
Quarto, ao desvalorizar uma tese com selo de qualidade universitário, Nuno Melo envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que a ciência só é válida se servir a agenda política de Lisboa e que o mérito académico pode ser anulado por um despacho ministerial. Isto é um retrocesso civilizacional e um incentivo à mediocridade, pois desincentiva os investigadores a procurar a distinção se esta puder ser politicamente "cancelada" depois.
Neste episódio deplorável, Nuno Melo revela falta de verticalidade, de bom senso e de decoro. Um verdadeiro estadista, mesmo que discorde das conclusões de um estudo, valoriza o esforço da investigação e, se necessário, encomenda outro estudo com metodologia diferente para contrapor — nunca desacredita ad hominem o trabalho alheio. Nesta situação, Nuno Melo não só prejudica a imagem do próprio partido (ao expor as suas divisões), como fere a honra da universidade e desrespeita a inteligência dos cidadãos, que percebem que o ataque não é à tese, mas à origem política ou às conclusões inconvenientes que ela possa ter.

Para aceder a todo este ‘filme’ da contaminação dos solos e das águas junto à Base das Lages, na Ilha Terceira, consulte-se o Ambiente Ondas3.



ESPINHO: ANTA QUER REVER O PROJETO DA ALTA VELOCIDADE


A Junta de Freguesia de Anta defende a revisão do projeto da Linha Ferroviária de Alta Velocidade entre Campanhã e Oiã nas zonas em que considera existirem impactos mais gravosos para o território, a população e o ambiente.

Anta é uma das freguesias mais penalizadas pelo traçado, num território que já foi marcado, nas últimas décadas, pelo seccionamento provocado pelas autoestradas A29 e A41. A Junta alerta para a perda de espaços florestais, áreas ecológicas e recursos hídricos, bem como para impactos na paisagem, na mobilidade local e na qualidade de vida da população. Uma das principais preocupações diz respeito à ponte prevista sobre a Ribeira de Silvalde, com cerca de 614 metros. A Junta entende que a estrutura não apresenta preocupação suficiente de integração paisagística ou valorização arquitetónica, podendo agravar a fragmentação de um território já atravessado por grandes infraestruturas. O lugar de Esmojães é apontado como uma das zonas mais sensíveis, pelo risco de ficar cercado por vias rodoviárias e ferroviárias. A Junta de Anta reclama o reforço das medidas de compensação, defendendo a criação de corredores verdes, a rearborização das áreas afetadas e a proteção efetiva da Ribeira de Silvalde, da Ribeira da Gaiteira* e dos recursos hídricos existentes. Entre as preocupações está também a salvaguarda da Fonte do Pereirocuja água continua a ser procurada regularmente pela população. A autarquia defende ainda que o projeto deve garantir a proteção das redes de abastecimento de água, drenagem e saneamento, bem como a monitorização da estabilidade da ponte da Rua da Aldeia Nova sobre a Ribeira da Gaiteira. MV 1jul2026.

* Em 2023, os vizinhos alertavam para visíveis desgastes nos seus pilares.

FRANÇA: EPSON JULGADA POR OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA

  • A fabricante de impressoras Epson vai ser julgada por crime de obsolescência programada e enfrenta uma multa de 300 000 euros. A associação HOP denuncia um desperdício «desolador». Fonte.
  • Uma expedição recolheu amostras em torno dos barris que continham resíduos radioativos imersos no Oceano Atlântico até 1990. Chegou agora o momento de proceder à análise para compreender os efeitos desta prática nos fundos marinhos. Fonte.
  • Cinco projetos de energia solar na Tunísia foram adjudicados a multinacionais, em benefício exclusivo do capital estrangeiro. Estamos perante a prossecução de políticas neocoloniais sob o pretexto da «transição verde». Fonte.
  • Nos primeiros seis meses de 2026, jornais britânicos como o The Sun, Daily Telegraph e The Times já publicaram 63 editoriais defendendo mais perfuração de petróleo e gás no Mar do Norte. Isto contradiz um facto: a extração no Mar do Norte já vinha em declínio há décadas, e a viabilidade/impacto de aumentar perfurações teria pouca influência sobre contas de energia no curto prazo e apenas efeito limitado na segurança energética, dada a forma como os combustíveis são comprados/vendidos a preços internacionais e a dependência do Reino Unido de gás e importações. Fonte.

BICO CALADO


Ann Telnaes
  • “Num acto de extorsão por parte dos EUA, foi assinado no ano passado um acordo humilhante para a União Europeia que entra em vigor esta semana. A senhora Ursula von der Leyen viajou no verão passado até à Escócia, ao encontro do prepotente Trump de férias num dos seus campos de golf, para colocar o desacreditado nome de presidente da Comissão Europeia no documento. Para entrarem nos EUA, os produtos da UE passaram a ter uma taxa de 15% (em média três vezes mais do que antes), no sentido inverso, a taxa dos produtos dos EUA que entram na UE foi reduzida a Zero. (…) E o que faz António Costa? Congratula-se, chama-lhe um "Grande Dia". E acrescenta: "Hoje é um bom exemplo de como, através de acordos comerciais, conseguimos garantir uma relação comercial justa e previsível com os nossos parceiros, nomeadamente com os Estados Unidos". Costa pode falar mal inglês e miseravelmente francês, mas já é fluente em novilíngua, esse idioma de controlo político que distorce a realidade e foi inventado por Orwell para descrever uma distopia.” Miguel Szymanski, Costa chama "Grande dia" a humilhação da UE.
  • A Comissão Europeia recusa-se a divulgar 17 relatórios secretos sobre infraestruturas financiadas pela UE em Gaza, que poderiam revelar mais provas da destruição, por parte de Israel, de projetos civis apoiados pela Europa e aumentar a pressão sobre Bruxelas para que analise se a sua parceria contínua com Israel viola as obrigações em matéria de direitos humanos que sustentam as relações entre a UE e Israel. A recusa ocorreu no mesmo dia em que um inquérito da ONU concluiu que Israel continua a cometer genocídio em Gaza, atacando deliberadamente crianças palestinianas, o que levanta questões sobre se a UE estará a ocultar provas que poderiam reforçar os apelos para suspender ou rever os seus acordos com Israel. De acordo com o jornalista do EUobserver Nikolaj Nielsen, a recusa foi assinada a 23 de junho por Michael Karnitschnig, chefe interino do departamento da Comissão responsável pelo Médio Oriente. Fonte.
  • A Holanda é o principal destino do investimento israelita no estrangeiro. Será que isso se deve ao facto de o sistema holandês permitir que as empresas evitem o pagamento de impostos quando investem noutros países através da Holanda, recorrendo frequentemente a empresas de fachada? Fonte.
  • Israel cede por um dólar aos EUA terreno confiscado aos palestinianos para embaixada em Jerusalém. Fonte.
  • A carreira política de Nigel Farage está em crise depois de ter sido apanhado a mentir sobre um donativo de 5 milhões de libras proveniente de um bilionário tailandês do setor das criptomoedas. O seu chocante desrespeito pelas regras, as suas mentiras incessantes e a sua falta de resistência transformaram um escândalo numa tempestade mediática que não dá sinais de abrandar. Fonte.

Gosto muito deste título: ‘Lisboa, capital mundial do azeite’.
  • A transferência da Refinaria de Sines para a IndustrialCo — uma nova sociedade controlada maioritariamente pela espanhola Moeve, na qual a Galp deterá apenas cerca de 20% — está a ser alvo de fortes críticas por parte da Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da petrolífera portuguesa. Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a CCT acusou o negócio de colocar em risco a soberania energética nacional e a continuidade da infraestrutura Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O TRATAMENTO DADO À SELEÇÃO IRANIANA NO MUNDIAL REVELOU OS DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS DO OCIDENTE E DA FIFA
Fatima Bhutto, Substack. Rev, O’Lima.


Quando a seleção iraniana de futebol partiu de Los Angeles após o seu segundo jogo no Mundial de 2026, deixou para trás um bilhete escrito à mão no vestiário, agradecendo à cidade pela «sua hospitalidade».

A cortesia iraniana é famosa, mas «hospitalidade» não é a palavra que me vem à cabeça quando penso na forma como a seleção nacional iraniana tem sido tratada pela FIFA e pelos Estados Unidos, um dos países anfitriões do Mundial de 2026. Não só o presidente Donald Trump não deu as boas-vindas à equipa em marçoafirmando que não considerava «apropriada» a participação da equipa no torneio, invocando possíveis perigos para as suas «vidas e segurança», como o seu governo recusou o maior número possível de vistos, exigiu que a equipa deixasse os EUA imediatamente após cada jogo e obrigou-a a estabelecer a sua base do outro lado da fronteira, no México, permitindo inicialmente a entrada nos grandes Estados Unidos apenas nas 24 horas que antecediam um jogo. Quando o hino nacional iraniano foi tocado, como é habitual, antes dos seus dois jogos no Estádio de Los Angeles, parte da multidão vaiou.

Em todas as conferências de imprensa, jornalistas que passaram a carreira a fazer perguntas fáceis aos desportistas fizeram questão de interrogar o capitão iraniano Mehdi Taremi da forma mais irritante possível, perguntando-lhe, após o empate 1-1 da equipa contra o Egito, se apoiava as pessoas LGBT.

«Respeitamos todas as pessoas LGBT», respondeu Taremiantes de perguntar se o jornalista tinha alguma pergunta sobre o próprio jogo de futebol que tinha sido disputado. Só podemos supor que Kylian Mbappé, o capitão francês, tenha sido questionado sobre a estagnação da economia francesa provocada por Emmanuel Macron, que o capitão austríaco tenha sido questionado sobre o fascínio do seu país por políticos de extrema-direita e que o capitão da seleção argentina tenha sido obrigado a responder sobre o motivo pelo qual Javier Milei é tão excêntrico. Mas isso não aconteceu.

Será que perguntaram ao capitão dos EUA sobre o financiamento do seu país ao genocídio de Israel em Gaza, ou sobre o bombardeamento de uma escola de raparigas que matou pelo menos 100 crianças em Minab no primeiro dia da guerra de Trump contra o Irão? Não? Que surpresa.

Tenho idade suficiente para me lembrar de quando as celebridades americanas e os comentadores britânicos fizeram um alarido por o Qatar ser anfitrião do Mundial.

Taremi fala sobre o golo anulado no final do jogo e sobre a invencibilidade na Copa do Mundo. Youtube (9’)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

O PARADOXO ESTÉTICO DA CENOURA

  • “Num tempo em que tanto se fala de sustentabilidade, desperdício alimentar, cadeias curtas, remuneração justa ao produtor e soberania alimentar, continuamos presos a uma lógica absurda: a estética tornou-se critério económico da agricultura. E, demasiadas vezes, manda mais do que o sabor, a origem, a frescura, o valor nutritivo ou o modo como aquele alimento foi produzido.” António Martins Bonito, O Império da Cenoura Perfeita – Vida Rural.
  • Os dois reatores nucleares de Beznau, na Suíça, arrefecidos com água do rio Aare, foram desligados da rede devido ao sobreaquecimento da água. Fonte.
  • Condado com 37 centros de dados pede às escolas que «poupem eletricidade». O Condado de Henrico é um importante centro de centros de dados na Virgínia. As autoridades locais afirmaram que prevêem um aumento de 25% nos custos de eletricidade no próximo ano e aconselharam os trabalhadores a fechar as persianas e a desligar os computadores para compensar esse aumento. Fonte.

BICO CALADO

  • Os EUA são o principal destino mundial para a lavagem de dinheiro sujo através do setor imobiliário, revelou a mais recente atualização do Índice de Sigilo Financeiro. As leis de transparência fracas ou inexistentes valeram aos EUA a pior pontuação possível no indicador de propriedade imobiliária do Índice, com o Canadá e o México, também anfitriões do Mundial, logo atrás, em segundo e quinto lugar, respetivamente, no ranking dos destinos imobiliários para dinheiro sujo. Fonte.
  • A «Polícia Antiterrorista» do Reino Unido deteve advogado norte-americano e ativista dos direitos humanos por críticas a Israel. Dan Kovalik foi detido para interrogatório no Aeroporto Internacional John Lennon, em Liverpool, Inglaterra, por mais de duas horas. Fonte.
  • “As celebrações dos 50 anos da Autonomia continuam transformadas numa espécie de peditório anual da Liga Contra o Cancro, com políticos de todos os quadrantes a agitarem, com uma mão, a bandeira das conquistas autonómicas e, com a outra, a estenderem-na para que alguém nos pague as contas.” Pedro Arruda.
  • “A denúncia é a atitude de quem não luta, não se reúne, face a face, não vai ao plenário, não debate frontalmente, mas faz queixinhas. E o destino da queixinha? A União Europeia foi cuidadosa na diretiva: o destino é decidido pelo chefe ou o diretor ou a comissão “independente” por ele nomeada. E aí dá para tudo. Se gosta de beltrano, que é um corrupto, a queixinha serve para o corrupto ser mais fiel ao chefe e até ajudar o diretor a ser corrupto também. Se o chefe não gosta de sicrano, que fez uma denúncia de assédio moral, sicrano nunca mais passa no SIADAP, sistema de penalização e medo, autodesignado de “avaliação” na função pública. Perdão, função do Estado, que de público, já sabemos, só temos a vergonha da ausência de serviços e a condenação de impostos asfixiantes.” Raquel Varela, O delator e o chefe Maio.
  • O ataque à Escola Pública em 3 atos. Jorge Humberto Nogueira, Esquerda.

REFLEXÃO

A ONDA DE CALOR VAI DESENCADEAR MEDIDAS CONCRETAS OU VAI APENAS AGRAVAR AS GUERRAS CULTURAIS?
Christina Macpherson, Nuclear-news. Rev. O’Lima.


As condições meteorológicas extremas da semana passada deveriam impulsionar a resposta política ao aquecimento global. Mas o triste paradoxo é que isso poderá reforçar o apoio a partidos céticos em relação às alterações climáticas

Seria compreensível pensar que a onda de calor da semana passada na Europa seria um momento mobilizador para a ação face à crise climática. A certa altura, mais de 150 milhões de europeus sofreram com temperaturas superiores a 35 °C (95 °F) – com várias partes do continente a registarem valores acima dos 40 °C. Nunca se registou uma onda de calor desta magnitude tão cedo no ano.

Quando os cientistas concluírem os seus cálculos, o número de mortos provavelmente ascenderá a milhares. Espanha, um dos poucos países que produz estatísticas em tempo real sobre mortes em excesso relacionadas com o calor, registou mais de 100 por dia desde quarta-feira. As autoridades francesas afirmaram que foram registadas pelo menos mais 1 000 mortes entre 24 e 27 de junho, um número que provavelmente irá aumentar. Entre elas contam-se quatro crianças pequenas que morreram em incidentes relacionados com o calor. Um menino de três anos, num subúrbio de Paris, foi encontrado morto na semana passada depois de ter entrado num carro e ficado preso lá dentro.

Há uma inevitabilidade desoladora em torno destes acontecimentos: os cientistas há muito que alertam para a sua chegada. No entanto, os países não têm feito o suficiente para reduzir as emissões provenientes dos combustíveis fósseis que estão a causar estes fenómenos meteorológicos extremos — nem para se adaptarem às realidades da gestão do impacto nos seus sistemas de transportes e de saúde. (…)

Por vezes, os fenómenos meteorológicos relacionados com o clima podem ter um impacto temporário, afirma Ajit Niranjan, correspondente do The Guardian para assuntos ambientais na Europa: «Uma tendência que é possivelmente a mais contraintuitiva em relação a este tipo de momentos é que os partidos de extrema-direita que negam a ciência das alterações climáticas podem receber um certo impulso devido a fenómenos meteorológicos extremos», continua Ajit. «Eles apresentam o clima extremo como um fracasso da política governamental, argumentando que o foco nas alterações climáticas fez parte do problema inicial e que se trata, antes, de má gestão.»

Em muitos casos, como nas inundações de 2024 em Valência, em que mais de 230 pessoas perderam a vida depois de ter caído, em oito horas, o equivalente a um ano de chuva em algumas regiões do leste de Espanha, ambas as coisas são verdadeiras: o clima provocou o fenómeno meteorológico extremo, mas a má governação contribuiu para o desfecho mortal. É provável que esta dinâmica se torne cada vez mais comum à medida que os fenómenos meteorológicos extremos ganham frequência.

«É preciso abordar ambos os aspetos desta questão», afirma Ajit. «Há uma tendência estranha em que os partidos políticos negam completamente uma das causas, concentrando-se apenas no clima ou apenas na adaptação, sem terem um bom plano para a outra. Isto faz certamente parte da estratégia utilizada pelos partidos de extrema-direita para atacar a política climática.»

LEITURAS MARGINAIS

OS DEPLORÁVEIS E O ESPELHO II. O PARADOXO DO VOTO
Jorge Rocha, Ventos Semeados.


Há uma aldeia no interior de Portugal — escolha-se qualquer uma, servem quase todas — onde fecharam a escola, a extensão de saúde, a estação dos correios e o último café que ainda juntava gente ao fim da tarde.

Os jovens partiram. Ficaram os velhos e ficou o ressentimento.

Nessa aldeia, nas últimas eleições, o Chega cresceu. E a pergunta que a esquerda faz, perplexa, é o porquê? Porque votam estas pessoas em quem nunca lhes dará escola, saúde, correios nem café?

O mesmo se pergunta no cinturão industrial do norte de França, onde Le Pen colhe o voto de operários que outrora votavam comunista. Ou nas cidades pós-industriais inglesas que Farage convenceu a votar pelo Brexit contra os seus próprios empregos.

O paradoxo é internacional: os mais pobres votam em quem governa para os mais ricos. Trump corta impostos aos milionários e enche comícios de gente que mal chega ao fim do mês. Ventura defende o IRS proporcional, que beneficia quem mais ganha, e recolhe aplausos de quem menos tem.

A tentação de explicar isto por estupidez é grande e é errada. Não é estupidez. É outra coisa, mais funda e mais difícil de combater: é dignidade ferida à procura de quem a reconheça.

Quem perdeu a fábrica não ficou só sem o salário. Perdeu o lugar no mundo, a utilidade, o orgulho de quem produzia algo. Quem viu a aldeia esvaziar-se não se viu apenas sem os serviços — perdeu a sensação de pertencer a um país que se lembra de que existe. E durante décadas, quem deveria estar do seu lado andou distraído.

A esquerda, quando governou, geriu globalizações que deslocalizaram fábricas, assinou tratados que premiaram o capital móvel e abandonou o território profundo à sua sorte, ocupada com causas que, sendo justas, não chegavam à mesa onde faltava o pão.

O populismo de direita percebeu este vazio antes da esquerda. Não o preencheu com soluções — não tem nenhuma —, mas com algo que a esquerda deixou de oferecer: atenção. Ventura vai à aldeia, fala a sua língua, nomeia a sua raiva e dá-lhe um culpado com cara e nome. É mentira, mas é a de quem escuta.

Ora, quem se sente escutado perdoa muita mentira a quem lhe dá atenção.

O voto contra o próprio interesse material não é irracional, mas escolha de quem prefere quem lhe reconhece a existência a quem lhe explica o erro. Entre o doutor que tem razão e o demagogo que lhe dedica tempo, ganha quase sempre o segundo.

Resta saber com que matéria se constrói esta mentira reconfortante — e por que razão resiste mesmo quando a realidade a desmente todos os dias. É o que veremos a seguir.