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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

BOTICAS: SAVANNAH RETIRA MÁQUINA


Os populares que se apõem à exploração de lítio em Covas do Barroso, Boticas, aplaudiram a retirada da máquina de perfuração de um terreno baldio, pela Savannah, considerando que se trata de "uma vitória" para esta luta. Nélson Gomes, presidente da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, frisa que "este bloqueio mostra que a comunidade está disposta a fazer o necessário para travar este projeto. A empresa não tem a maior parte dos terrenos que precisa para avançar com a mina, e ninguém aqui lhes vai facilitar a vida. Os investidores deste projeto andam iludidos. Tudo o que a empresa promete acaba por ser mais caro e demorado do que o prometido. E tenho a certeza de que no final este projeto vai cair". Fonte.

O Prémio Quercus 2026 distingue, na categoria individual, Miguel Dantas da Gama, conservacionista e naturalista, com uma carreira especialmente dedicada à defesa da vida selvagem e do Parue Nacional da Peneda-Gerês, tendo sido ainda um dos fundadores da Quercus e, também, do FAPAS – Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade. Na categoria coletiva, a Quercus decidiu galardoar a Junta de Freguesia do Baraçal, no concelho do Sabugal, pelo seu pioneirismo na implementação de várias políticas ambientais (como a não utilização de herbicidas na limpeza urbana há mais de 2 décadas) e pelo forte compromisso com a sustentabilidade, incluindo a produção descentralizada de energia renovável e a gestão sustentável dos espaços verdes. Fonte.


Município de Espinho vai vender sucata em hasta pública. Fonte. 

Consulta pública até 11 de dezembro: Concessão Mineira Juncal 2 (caulino, areias, seixos, britas e argila vermelha) – Porto de Mós, Leiria. Fonte.

INGLATERRA: PARAGENS DE AUTOCARROS PARA ABELHAS EM PETERBOROUGH

  • Foram aprovados em Peterborough planos para a introdução de «paragens de autocarro para abelhas», com o objetivo de promover a biodiversidade nas zonas urbanas. A Câmara Municipal de Peterborough, Inglaterra, afirmou que 34 paragens de autocarro poderão incluir «telhados vivos», ou seja, mini-jardins plantados no topo dos abrigos de autocarro, compostos por flores silvestres e outra vegetação. Fonte.
  • Os bancos europeus que apoiam a expansão do carvão estão a financiar uma potencial «bomba climática» de grandes proporções na Austrália, que poderá libertar até 800 milhões de toneladas de CO₂ por ano, mais do dobro das emissões internas da Austrália provenientes dos setores da energia e da indústria. Fonte.
  • A TotalEnergies registou um lucro líquido que aumentou 124% em relação ao mesmo período do ano anterior no terceiro trimestre, atingindo 8,3 mil milhões de dólares. Fonte.

BICO CALADO


Um vídeo gravado a partir do carro de dois observadores jurídicos na zona de Portland, no Oregon, mostra um veículo não identificado com as luzes de emergência a piscar, a seguir de perto o carro deles numa rua do subúrbio de Hillsboro. Cerca de 15 segundos após o início do vídeo, ambos os carros param e duas pessoas mascaradas saem do veículo não identificado e aproximam-se do outro carro, uma delas trazendo um objeto afiado que utiliza para furar o pneu traseiro. Aproximam-se uma segunda vez alguns segundos depois, furando o pneu novamente. Ambas as pessoas mascaradas usam coletes com o nome da sua agência governamental: Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Fonte.

Águas do Alto Alentejo lançam alerta contra burla. Alegadas análises à água são fraudulentas e o caso já foi denunciado à GNR. Fonte.

“Todos os crimes prescreveram esta semana. Dinheiro roubado, o suficiente para, aos preços de hoje, construir 30 mil a 50 mil apartamentos familiares. Dinheiro que desapareceu em contratos fraudulentos, entregue em dinheiro vivo em envelopes aos milhões, saqueado através de empréstimos forjados e sem quaisquer garantias, transferido para contas em paraísos fiscais e off-shores, metido ao bolso por um grupo de burlões que continua à solta. Gerou fortunas o assalto ao banco, roubado e saqueado pelos seus fundadores e administradores. O banco foi fundado nos anos 90 por membros do governo, por ex-secretários de estado, e ex-ministros. Quem saía dos governos ia para lá governar-se. Abriu um buraco que os contribuintes ainda hoje estão a pagar. Deixou um bando de criminosos de colarinho branco impunes que continuam a encher os restaurantes de luxo e a ostentar os seus iates nas marinas do Algarve, próximo da terra do primeiro-ministro da altura (ele próprio accionista da sociedade que controlava o banco), de cujos governos fizeram parte. Deixou, como toda a corrupção em grande escala, um rastro de mortos, vítimas de cuidados de saúde que faltaram, de listas de espera nas cirurgias, de tratamentos adiados por faltas de pessoal, de verbas e de equipamentos. Agora, muito convenientemente, todos os crimes prescreveram. E quem fala do assunto?” Miguel Szymanski.

REFLEXÃO

OS TRABALHADORES EXPLORADOS QUE CONSTROEM OS CENTROS DE DADOS DA EUROPA
Mei-Ling McNamara e Jan Daalder, Investigate Europe. Rev. O’Lima.

O projeto de construção de um centro de dados da Google, no valor de 6 mil milhões de euros, em Saint Ghislain, na Bélgica. 
Crédito: Shutterstock

Uma investigação de cinco meses realizada em nove países, revela graves casos de exploração laboral e falhas de segurança nos estaleiros de construção de centros de dados por toda a Europa, onde as gigantes tecnológicas norte-americanas (Google, Microsoft, Amazon) contratam empresas de construção irlandesas e uma rede de subcontratados.

Principais conclusões:

1 Lesões graves e falhas de segurança

O trabalhador romeno Sandu Dumitrescu sofreu um choque elétrico (400 volts, 12 000 amperes) num local da Google em Saint Ghislain, na Bélgica, depois de lhe ter sido pedido que realizasse um teste de última hora sem equipamento de proteção. Sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus em 12 % do corpo e esteve em coma induzido durante cinco dias. Não foram aplicadas multas nem sanções; a inspeção do trabalho belga arquivou o caso sem o ter ouvido.

2 Condições de vida precárias e doenças

Numa unidade da Microsoft em Gävle, na Suécia, os trabalhadores relataram infestações de ratos, avarias nos sistemas de aquecimento e ventilação e sobrelotação (24 pessoas por cozinha, 14 homens por casa de banho). Foi confirmado um caso de tuberculose, mas não foi oficialmente comunicado qualquer surto e o rastreio de contactos não foi realizado conforme exigido. Os trabalhadores afirmam que outras 10 a 12 pessoas foram infetadas e que cerca de 40 homens — alguns com testes positivos para a tuberculose — foram transferidos para uma instalação da Microsoft na Dinamarca.

3 Terror psicológico e táticas de controlo

Os trabalhadores descreveram uma cultura de intimidação sob a supervisão das empresas subcontratadas irlandesas Collen e Benbau, incluindo um sistema de sanções de «cartão amarelo/cartão vermelho», confissões escritas forçadas e relatórios obrigatórios «Good Save», acompanhados de ameaças de deduções salariais. Um antigo gestor afirmou que as confissões foram «concebidas para humilhar» os trabalhadores.

4. Roubo de salários e exclusão sindical

Mais de 30 trabalhadores partilharam recibos de vencimento que revelavam semanas de trabalho de cerca de 60 horas sem pagamento de horas extraordinárias, numa aparente violação da legislação sueca. Um sindicato acusou a Benbau de reter quase 900 000 € em salários de 78 trabalhadores romenos. Dias antes da publicação, chegou-se a um acordo histórico no valor de 1,3 milhões de euros — o primeiro acordo coletivo da Suécia celebrado por e para trabalhadores migrantes. Sindicatos na Bélgica, Suécia, Dinamarca, Finlândia e Itália relataram que lhes foi negado o acesso aos locais de trabalho; um sindicato dinamarquês afirmou que os locais estão «mais fechados do que uma prisão estatal».

5. Lacunas na aplicação da lei

A Autoridade Europeia do Trabalho não possui poderes de inspeção nem de aplicação da lei e conta com menos de 140 funcionários para toda a UE. A UE está a preparar uma «Lei dos Empregos de Qualidade» para abordar a responsabilidade solidária nas cadeias de subcontratação e promover o emprego direto.


LEITURAS MARGINAIS

GARRY KASPAROV, DE ÍCONE DO XADREZ A APOIANTE DO DEPARTAMENTO DE ESTADO
Alan Macleod, MPN. Rev. O’Lima.


O antigo campeão de xadrez Garry Kasparov desde que se retirou do xadrez, tornou-se um proeminente defensor da política externa dos EUA e uma figura-chave numa rede de organizações de «promoção da democracia» que servem a agenda geopolítica de Washington.

Kasparov fundou e preside à Renew Democracy Initiative, é vice-presidente do World Liberty Congress e foi, até 2024, presidente da Human Rights Foundation. Estes grupos, embora se apresentem como organizações de direitos humanos e democracia, estão repletos de antigos militares e funcionários do governo dos EUA (por exemplo, o general Mark Milley, o general Stanley McChrystal, Alexander Vindman), financiados pela Fundação Nacional para a Democracia (uma fachada da CIA) e centrados em países que são adversários dos EUA — Rússia, China, Venezuela, Irão, Cuba e Nicarágua.

A resposta destas organizações a Gaza revela as suas verdadeiras prioridades — limitando-se a emitir declarações vagas ou a dar total apoio a Israel, em vez de condenarem o que a ONU, a Amnistia Internacional, a HRW e outras organizações designam como um genocídio. Kasparov refere-se a Israel como uma «democracia na linha da frente» e condena o mandado de detenção emitido pelo TPI contra Netanyahu.

Kasparov apoiou as invasões do Iraque em 1991 e 2003 (tendo alegadamente apelado ao lançamento de uma bomba atómica sobre Bagdade em 1991 e à expansão da guerra para Teerão, Damasco e Riade). Ele defende uma mudança de regime no Irão e apelou à NATO para que bombardeasse a Rússia «de volta à Idade da Pedra» e à Europa para que enfrentasse a China.

Kasparov é acusado de facilitar a venda de armas a Peter Ajak, um «ativista pela paz» do Sudão do Sul acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de tráfico de armas e de tentativa de derrubar o governo. Kasparov nega qualquer irregularidade.

Após ter servido de cartaz às políticas soviéticas, Kasparov apoiou Yeltsin, concorreu à presidência da Rússia, acabando por se mudar para Nova Iorque em 2013, mantendo ligações com Peter Thiel e comparando-o a Bobby Fischer.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

BOTICAS: BLOQUEIO CONTINUA

  • Pelo terceiro dia consecutivo, a população de Covas do Barroso mantém um bloqueio aos trabalhos de prospeção da empresa Savannah. Fonte.
  • Açores: Santa Cruz das Flores lidera transição ecológica com recolha de resíduos 100% elétrica. Fonte.

REINO UNIDO: ANTIGA BASE DA RAF DEMASIADO CONTAMINADA PARA ALBERGAR 9000 HABITAÇÕES

  • A contaminação química numa antiga base da RAF, destinada à construção de 9 000 habitações, é a mais grave já detetada no Reino Unido. Análises realizadas na base da RAF em Upper Heyford, a pedido de um promotor imobiliário, revelaram níveis «inaceitáveis» de substâncias polifluoroalquílicas (PFAS), conhecidas como «químicos eternos». Fonte.
  • Bruxelas insiste que o Nord Stream permanecerá encerrado após o fim da guerra na Ucrânia, contrariando uma iniciativa conjunta dos EUA e da Rússia para reiniciar o funcionamento do gasoduto no âmbito de um acordo de paz. Fonte.
  • Central solar de Huatacondo, no Tarapacá, Chile, fica fora de serviço durante dois meses na sequência de um ciberataque. Fonte.
  • O bambu poderá produzir um combustível 26 vezes menos poluente do que o gasóleo. Graças ao seu rápido crescimento e à sua transformação eficiente, esta planta oferece perspetivas promissoras para a descarbonização dos transportes, conclui um estudo do Worcester Polytechnic Institute.

REFLEXÃO

O QUE 11 ILHAS REVELAM SOBRE O VERDADEIRO ESTRANGULAMENTO NAS MINI-REDES DE ENERGIAS RENOVÁVEIS
Ignacio Landivar, PV Magazine. Rev. O’Lima.

Um sistema fotovoltaico instalado numa ilha da Indonésia | Imagem: ESDM

As ilhas são frequentemente apontadas como o campo de testes para a eletricidade 100% renovável — sistemas fechados, linhas claras de responsabilidade entre as partes interessadas e, na maioria dos casos, sem rede elétrica principal a que recorrer. Um novo relatório da Tarefa 18 do PVPS da AIE põe essa reputação à prova, analisando 11 ilhas que já atingiram, ou estão prestes a atingir, quotas muito elevadas de energias renováveis, desde a aldeia de Apolima, em Samoa, com 88 habitantes, até Lolland, na Dinamarca, onde vivem mais de 57 000 pessoas e que está ligada à rede dinamarquesa mais ampla. O que é evidente é que a tecnologia para abastecer uma ilha quase inteiramente com energias renováveis já existe e funciona em configurações extremamente diversas. O que determina se um projeto chega realmente a esse ponto é, na sua esmagadora maioria, de natureza social, política e organizacional — não se trata apenas de questões técnicas ou tecnológicas, mas sim da forma como estas são combinadas com as condições sociais, políticas, económicas e organizacionais adequadas.

Onze ilhas, nenhum modelo único

A evidência mais forte apresentada pelo relatório a este respeito é que não existe uma definição única do que constitui o «sucesso» na prática. A Ilha de Kodiak, no Alasca, funciona com um sistema híbrido hidroelétrico-eólico, gerido por uma empresa de serviços públicos detida pelos membros e dotada de uma cultura operacional avançada, atingindo 99-100 % de abastecimento renovável. Samsø, na Dinamarca, consegue-o quase inteiramente através de turbinas eólicas detidas pela comunidade e do investimento dos cidadãos e, estando ligada à rede dinamarquesa, não depende de armazenamento local. Yakushima, no Japão, atinge 100% de eletricidade renovável utilizando apenas pequenas centrais hidroelétricas, simplesmente porque o seu terreno montanhoso e a precipitação coincidem com a procura. A Apolima funciona com um sistema solar autónomo, sem qualquer armazenamento, porque a aldeia é suficientemente pequena para não precisar de nenhum. O sistema totalmente solar e apoiado por baterias de Tokelau existe graças ao financiamento sustentado da Nova Zelândia, enquanto nas Ilhas Canárias, em Espanha, El Hierro combina energia eólica com armazenamento hidroelétrico por bombagem, e a Ilha Graciosa, nos Açores, opera um sistema híbrido eólico-fotovoltaico-bateria cujas estratégias de despacho continuam a ser ativamente otimizadas durante a operação.

O relatório trata esta diversidade como a conclusão central, e não como uma nota de rodapé: não há uma orientação universal. Um sistema híbrido eólico-hidroelétrico com bombagem que funciona em El Hierro seria excessivo para Apolima; um modelo financiado por doadores que permitiu a Tokelau atingir o abastecimento total a energia solar não seria aplicável a uma ilha gerida por uma empresa de serviços públicos como Kodiak. O que se repete em todas as onze ilhas, independentemente da combinação de tecnologias ou da dimensão da ilha, é um conjunto específico de condições não técnicas.

A preparação é a chave, não a construção

Para identificar essas condições, os autores criaram uma matriz de fatores de sucesso de quatro fases e cinco categorias, composta pelas fases de Preparação, Conceção, Implementação e Monitorização e Avaliação, cruzadas com as dimensões Social, Política, Técnica, Económica e Ambiental, e preencheram-na com base numa revisão bibliográfica de mais de 60 publicações académicas, na análise de estudos de caso e em cinco entrevistas aprofundadas com profissionais das ilhas. Esse processo revelou 111 fatores de sucesso distintos, e o padrão mais claro nos dados é a forma como estes se agrupam: quase metade de todos os fatores de sucesso identificados situam-se na fase de preparação, antes mesmo de uma única turbina ou painel ser instalado.

O relatório descreve isto como campanhas de educação e sensibilização da comunidade, avaliações de recursos e da rede, alinhamento político precoce e trabalho preparatório em matéria de financiamento, tudo a decorrer em paralelo, muito antes da conceção do sistema. As ilhas que investiram fortemente nesta área — Lolland, Samsø, El Hierro — criaram o entendimento comum e a preparação institucional que tornaram as fases posteriores mais tranquilas. O que devem os promotores e os financiadores aprender com isto? A falta de recursos na fase de planeamento e envolvimento é uma das causas previsíveis mais evidentes de atritos posteriores, mesmo quando a própria conceção técnica é sólida.

Quatro fatores surgem em quase todos os casos

Dos 111 fatores identificados, 13 foram assinalados como fatores-chave de sucesso com base na frequência com que surgiram em várias entrevistas, e quatro destacam-se por serem quase universais — dois de natureza social e política e dois de natureza técnica. O primeiro é a presença de defensores locais ou figuras de liderança, pessoas que mobilizam o apoio da comunidade, mantêm o ímpeto ao longo de períodos que se estendem por vários anos e se situam na intersecção entre os intervenientes comunitários, políticos e técnicos. A transição de Samsø é apresentada como um caso exemplar disso, citada como o tecido conjuntivo entre a identidade local, o investimento dos cidadãos e a eventual expansão da energia eólica. O segundo é o envolvimento das partes interessadas, mantido ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, e não apenas na fase de planeamento. O relatório é explícito ao afirmar que este fator surge em todas as fases que acompanhou, tornando-o um dos fatores de sucesso mais transversais no conjunto de dados. Mesmo decisões altamente técnicas, observam os autores, tais como a escolha da tecnologia de produção de energia ou onde reforçar a rede, dependem, em última análise, da confiança das partes interessadas para serem aceites e mantidas.

A espinha dorsal técnica

Nada disto significa que a engenharia seja secundária. Os fatores técnicos constituem a maior categoria individual no conjunto de dados, representando 41 dos 111 no total, e os dois fatores restantes, de caráter quase universal, são técnicos — na verdade, os mais frequentemente mencionados: o planeamento de sistemas a longo prazo e o reforço da rede especificamente para a integração de energias renováveis variáveis. O relatório também atribui mérito a práticas operacionais concretas para sustentar elevadas quotas de energias renováveis assim que os sistemas estão em funcionamento, tais como o equilíbrio em tempo real da produção eólica e hidroelétrica em Kodiak e a utilização, em King Island, de volantes de inércia e resistências dinâmicas para estabilizar um sistema híbrido eólico-fotovoltaico-bateria-diesel. O relatório considera que a robustez técnica e a conceção de sistemas à medida constituem a espinha dorsal das transições bem-sucedidas nas ilhas. Mas a tecnologia, por si só, não determina o resultado: o que distingue as ilhas que alcançam e mantêm elevadas quotas de energias renováveis daquelas que estagnam é o facto de um projeto técnico sólido ser acompanhado por condições sociais, políticas e financeiras que permitam a sua construção e operação conforme previsto.

Uma ressalva sobre a replicabilidade

No entanto, a secção final do relatório deixa claro que as suas próprias conclusões não constituem uma lista de verificação pronta a aplicar. Os autores salientam que as condições prévias subjacentes aos seus 13 fatores-chave de sucesso — tais como uma instituição local capaz de sustentar o planeamento ao longo de vários anos, partes interessadas com continuidade suficiente para se manterem envolvidas durante todo um processo plurianual e financiamento que não dependa inteiramente de ciclos de doação de curto prazo — estão, elas próprias, distribuídas de forma desigual. Nos casos em que essas condições prévias são fracas, as mesmas intervenções tendem a estagnar, em vez de falharem completamente: o envolvimento das partes interessadas perde impulso sem um impulsionador que o sustente, as reformas tarifárias têm dificuldade em atrair investimento num contexto de regulamentação instável e os projetos técnicos comprovados em ilhas com recursos suficientes são difíceis de replicar sem cadeias de abastecimento fiáveis ou pessoal de operação e manutenção qualificado.

Os autores são explícitos ao afirmar que esta lacuna de replicação irá provavelmente afetar mais fortemente as ilhas mais pequenas, mais remotas e de rendimentos mais baixos, e de forma desproporcional no Sul Global, onde é menos provável que já existam as bases institucionais e financeiras subjacentes aos próprios estudos de caso deste relatório.

BICO CALADO

  • “(…) Dentro do princípio de que as leis e os regulamentos devem ser cumpridos o melhor possível, haja o discernimento e o bom senso de não exigir o cumprimento das normas inconstitucionais e de solicitar a respectiva revogação. E se o não fizerem, como não o estão a fazer, haja o decoro para o aplicarem a todas as situações semelhantes e não apenas aos manifestantes que não são do seu agrado. Sejamos honestos, tenhamos vergonha na cara! É isso que, lamentavelmente, vem faltando a muitos responsáveis pelo País e pela manutenção da ordem pública. Olhem para o espelho, envergonhem-se. (…) Também por isso me sinto no direito de levantar a minha voz e de proclamar aos que cada vez mais parecem convencidos de que podem fazer-nos regressar à repressão neofascista que Não passarão! Podem tentar aproveitar os radicalismos vários que pululam em atitudes condenáveis, podem tentar travestir-se do que quiserem, confio que o povo português não os deixe passar – tal como não deixaram o povo brasileiro e o povo sérvio, países onde a luta pelos valores da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Paz e Justiça Social teve um desfecho feliz. Que bom é ver uma nova geração de punho erguido a gritar que “O povo unido jamais será vencido!” e a entoar a “Grândola Vila Morena” a plenos pulmões. São os nossos netos e os nossos filhos que levam a herança que lhe demos para as ruas. O 25 de Abril continua vivo no coração dos portugueses! 25 de Abril, Sempre!” Vasco Lourenço.
  • Ontem, quando [o Coronel José Carmo] analisava a fuga de Flávio Bolsonaro e se esperava do garboso militar dos Comandos uma censura à covardia do fugitivo, disse: «Eu, se fosse o Bolsonaro, também fugia». Carlos Esperança.
  • Leitão Amaro comprou uma casa devoluta, demoliu-a e construiu uma moradia em 2021, mas paga IMI como se a casa fosse velha de 70 anos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

GANA: RESÍDUOS DO PRONTO A VESTIR MUNDIAL SUFOCAM PRAIAS

  • A roupa concebida no Ocidente, produzido na Ásia e descartada pelos consumidores dos países ricos é enviado para o Gana como mercadoria em segunda mão. Uma parte significativa — estimada pela Fundação Or entre 32% e 42% do vestuário que entra no mercado de Kantamanto — é invendável e transforma-se em resíduos. Há pescadores que agora pescam «roupas» em vez de peixe. Os resíduos, que podem formar cordas enormes semelhantes a cimento, afugentaram as tartarugas marinhas e tornaram difícil o lançamento dos barcos. O sistema de gestão de resíduos de Acra não consegue dar resposta a este afluxo. A cidade gera cerca de 70 toneladas de resíduos têxteis por dia, que são frequentemente arrastados pelos esgotos e canais diretamente para o oceano durante chuvas intensas. Várias iniciativas locais, apoiadas pela organização sem fins lucrativos de justiça ambiental The Or Foundation, estão ativamente a limpar o litoral e os cursos de água. Mas estes esforços de limpeza tratam apenas o sintoma. A solução a longo prazo, segundo Solomon Noi, responsável pela gestão de resíduos de Acra, passa pela adoção de leis de Responsabilidade Alargada do Produtor — tornando as marcas globais de moda que lucram com este ciclo financeiramente responsáveis pela gestão de resíduos no Gana. Fonte.
  • Cheias no sul da Florida. O elétrico de North Beach circula pela Crespi Boulevard durante a «King Tide» em Miami Beach, na Florida, na terça-feira, 27 de outubro de 2026. Pedro Portal. Fonte.
  • Almeirim reforça intervenção em linhas de água para reduzir risco de cheias. Fonte.

BICO CALADO

  • Francisco Gomes, deputado pelo Chega, recebeu um subsídio do Governo Regional da Madeira, então liderado por Alberto João Jardim, para estudar nos EUA. Atribuída sem candidatura prévia e sem concurso público, a bolsa foi atribuída em dezembro de 1999 para Francisco Gomes frequentar a Universidade de Denison, nos EUA. A sua tese de doutoramento, intitulada "A Autonomia na Madeira (Portugal): Definição, origens, evolução e desafios", foi defendida em 2019 na Universidade de Cádis, em Espanha, sendo posteriormente alvo de fortes críticas por parte de académicos portugueses. Jorge Fernandes, investigador do Conselho Superior de Investigação Científica classificou o trabalho como algo que "parece mais um artigo de propaganda" do que uma investigação académica séria. Os principais pontos de crítica foram: (1) Falta de distância analítica: A tese demonstra uma proximidade excessiva ao seu objeto de estudo, o antigo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim; (2) Excesso de referências a Jardim: O nome de Alberto João Jardim é mencionado mais de 300 vezes ao longo das cerca de 300 páginas, incluindo 49 citações diretas às suas memórias e (3) Fundamentação questionável: Foram apontadas insuficiências metodológicas, como a ausência de uma pergunta de investigação clara e de hipóteses testáveis, e o uso de referências bibliográficas consideradas invulgares e pouco adequadas para sustentar os argumentos.
  • Espanha prepara greve aos supermercados: consumidores são chamados a não fazer compras às quartas-feiras. Fonte.
  • Ajuste directo de meio milhão de euros ocultado durante seis anos. O negócio foi feito em 2020 entre o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e a UEM-Unidade de Estruturas Metálicas, com sede no Porto. A empresa tinha sido condenada por ter concertado preços em concursos públicos da Parque Escolar. Fonte.
  • Netanyahu continuará como primeiro-ministro interino até que se chegue a um acordo que o mantenha no poder. O homem que já ocupou o cargo de primeiro-ministro durante 19 anos provavelmente vai ficar mais alguns anos. É como aquele cocó que simplesmente não desce pela sanita. Council Estate Media.

LEITURAS MARGINAIS

CINCO SAQUES OMITIDOS PELOS MEDIA DOMINANTES
Simon Verdiere, Mondialisation.

Cartune: José Alberto Rodríguez Avila

O artigo examina os "saques" que os grandes media tendem a ignorar. O ponto de partida é a cobertura mediática dos saques ocorridos durante os protestos estudantis no outono de 2026. O artigo defende que, embora esses atos sejam condenáveis, eles desviam a atenção de formas de "pilhagem" muito mais profundas, sistemáticas e, muitas vezes, legais, que lesam o bem comum.

O texto identifica e detalha cinco exemplos dessas pilhagens estruturais:
  1. A pilhagem do nosso modelo social: Desmantelamento dos serviços públicos, com o encerramento de mais de 17.000 escolas em 40 anos, a eliminação de 10.000 postos de professores desde 2017 e a supressão de cerca de 100.000 camas hospitalares desde 2000; aumento da idade da reforma e a redução de subsídios de desemprego e habitação.
  2. A pilhagem das riquezas pelos bilionários: 53 bilionários possuem tanta riqueza como os 32 milhões de franceses mais pobres, e o seu património duplicou desde 2017. Isto acontece perante a complacência do Estado, que não combate eficazmente a evasão fiscal (que custa cerca de 100 mil milhões de euros por ano), e a cobertura de mais de 90% dos media que lhes pertencem.
  3. A pilhagem do conhecimento: Privatização e mercantilização de conhecimento produzido com financiamento público. Investigadores formados e financiados pelo Estado geram patentes que são depois exploradas comercialmente por empresas privadas, chegando à privatização do vivente através de patentes sobre sementes.
  4. A pilhagem dos recursos naturais: Apropriação de recursos vitais como a água por parte de empresas, a destruição de florestas para lucro, a artificialização de espaços naturais, a poluição de 1.700 rios em França e os impactos destrutivos da mineração e da perda de biodiversidade.
  5. A pilhagem do dinheiro público pelas grandes empresas: Estima-se que 211 mil milhões de euros em ajudas públicas sejam atribuídos anualmente a empresas privadas sem qualquer contrapartida. Este é o maior item do orçamento francês, e as empresas podem beneficiar desse apoio mesmo quando despedem, poluem ou atuam contra o interesse comum.
Em comparação com estes "saques legais de grande envergadura", os saques de lojas noticiados pelos media, embora dramáticos, funcionam como uma cortina de fumo. A indignação seletiva da comunicação social serve para desviar a atenção da responsabilidade de uma minoria abastada na destruição dos bens comuns. Se o Estado corrigisse estas injustiças sociais, os protestos e os saques que por vezes lhes estão associados provavelmente diminuiriam.