sábado, 18 de setembro de 2021

UNESCO designa a primeira reserva da biosfera de cinco países na bacia do Mura-Drava-Danúbio

  • «Enquanto os atletas europeus deram o seu melhor nos Olímpicos de verão, as empresas carboníferas e os governos têm estado a jogar jogos muito pouco saudáveis. A República Checa é a campeã incontestável no salto em altura, com limites de permissão excepcionalmente elevados e até 85% da potência checa a beneficiar de derrogações. A Bulgária é vice-campeã, com 82% da sua potência produzida ao abrigo de derrogações, enquanto Malta segue com 75%. As autoridades públicas búlgaras também brilham pela concessão das licenças menos ambiciosas na Europa. Uma menção especial vai para a Eslovénia graças à central de lignite Sostanj 6. Esta central é a única na ser equipada com uma técnica de redução da poluição por NOx de última geração, que permitiria pelo menos reduzir para metade as emissões de NOx. No entanto, o operador TEŠ não está a utilizar a técnica para poupar dinheiro, transferindo assim o custo para os cidadãos, ao mesmo tempo que permite às autoridades fazer vista grossa. A Alemanha qualifica-se como o pior país da UE para a comunicação de informações sobre emissões industriais perigosas. As autoridades alemãs não fornecem dados relativos aos últimos três anos, violando a Directiva sobre Emissões Industriais. A base de dados fornecidos pela Alemanha ao Portal de Emissões Industriais do EEE contêm vários links quebrados que não levam a lado nenhum. As autoridades alemãs também aplicam procedimentos morosos e taxas injustificadas para fornecerem informações básicas. Nas regiões de Hessen e Sachsen, essas taxas são tão elevadas que constituem uma barreira disfarçada à transparência de dados. A Polónia é o segundo classificado, sem um portal nacional para aumentar a transparência e o cumprimento de normas, e com uma proliferação de autoridades responsáveis que torna difícil o rastreio eficaz da informação sobre poluição industrial. A Áustria, a Hungria e os Países Baixos partilham o terceiro lugar no pódio do slalom de transparência: os portais de notificação centralizados austríacos e húngaros não fornecem informações, enquanto as autoridades holandesas se recusam a partilhar dados sobre poluição industrial, classificando-os como confidenciais.» Roberta Arbinolo, Olimpíadas do Carvão: uma corrida para o fundo onde vencem os poluidores - EBB.
  • A UNESCO acaba de designar a primeira reserva da biosfera de cinco países na bacia do Mura-Drava-Danúbio. A área cobre 1 milhão de hectares e os peritos chamam-lhe a Amazónia da Europa devido à biodiversidade rica e ao clima único. A nova reserva da biosfera espalha-se pela a Áustria, Eslovénia, Croácia, Hungria e Sérvia, tendo os cinco países de colaborar para gerir a região e criar um modelo de desenvolvimento sustentável. Denis Balgaranov, The Mayor.

Reflexão – como estamos de educação ambiental?

Apesar de a ação e adaptação climática ser uma prioridade nacional imediata, é actualmente pouco mencionada no currículo escolar nacional do Reino Unido. De facto, a palavra "clima" aparece apenas duas vezes no currículo científico para crianças de 15 e 16 anos, com instruções aos professores para explicarem os "efeitos potenciais" dos gases de efeito de estufa. Andrew Charlton-Perez, Carbon Brief.

Há mais de 20 anos, concretamente em 1995 e 1996, a ASA publicou 2 manuais para o ensino do Inglês, respetivamente no 10º (Link-up) e no 7º ano (Gateway). Em ambos, os autores fizeram questão de explorar temas ambientais embutidos em variadas propostas de desenvolvimento de competências linguísticas. Curiosamente, estes livros não tiveram grande sucesso comercial.

Bico calado

Alexandre-Reza Kokabi, jornalista do Reporterre, foi multado em 750 euros pela sua reportagem durante uma acção do movimento ambientalista Extinction Rebellion, em junho de 2020, nas pistas do aeroporto de Orly. Ele contesta e recorda a legitimidade da sua abordagem em nome da liberdade de informação.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Abrantes: avarias no açude devem-se à fraca qualidade dos parafusos do sistema de comportas


Ribeira de Rio Maior, Paramos, Espinho

  • «Uma das apostas que apresento são os parques naturais. O concelho não tem muitos quilómetros quadrados, mas tem uma enorme mancha verde que devemos preservar. Temos três ribeiras que se estendem até ao mar e em zonas que confluem parques naturais como a zona da Picadela, o Parque da Cidade e o Castro d’Ovil. Entendemos que este é o momento de apostar na requalificação ambiental, criando percursos ao longo das ribeiras até aos parques naturais. Queremos que sejam parques naturais de lazer para as pessoas, proporcionando mais qualidade de vida.» Vicente Pinho, vice-precidente da CM de Espinho e candidato pelo PSD às eleições autárquicas, entrevistado por Lúcio Alberto para o Defesa de Espinho de 16set2021. Nada mais do que a repetição do que afirmou para o mesmo semanário de 22jul2021, aliás corroborando o previsto no PDM aprovado em 2016.
  • O Município de Arcos de Valdevez é um dos 15 finalistas de vários países europeus, do prémio “Transformative Action Award 2021” com o projeto EcoValdevez: Educar para a Ecocidadania”. O Minho.
  • Os problemas do açude de Abrantes, com as avarias e as constantes queixas sobre a escada passa-peixe, têm a ver com uma má concepção do sistema de comportas, os avultados montantes necessários para a manutenção do equipamento e uma simplificação do passa-peixes por falta de dinheiro. O projectista do açude, Mário Samora, explica que a empresa japonesa que concebeu as comportas apresentou o preço mais vantajoso para ganhar o concurso e por causa disso baixou o nível de qualidade dos parafusos. O Mirante.

Reflexão - «O horror do massacre dos golfinhos das Ilhas Faroé é apenas humano - mas roça a hipocrisia»

No domingo foram mortos 1.428 mamíferos marinhos como parte da tradição "Grind" das ilhas. Por mais emotivas que sejam estas cenas das Ilhas Faroé, e por mais feroz que seja a reacção do público e dos media a estas cenas, há contextos culturais profundos para este abate.

Ainda há muitas narrativas de caça indígena, desde o Alasca às ilhas ao largo da Indonésia e nas Caraíbas. Em Taiji, na costa sudeste do Japão, a caça anual ao golfinho começou a 1 de Setembro, convenientemente depois dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos deste ano de modo a evitar possíveis ações de boicote.

Mas talvez o incidente das Ilhas Faroé tenha tido mais impacto porque as ilhas parecem estar sob a nossa alçada, geograficamente demasiado próximas, demasiado "europeias"? De facto, as Ilhas Faroé, apesar de pertencerem ao reino da Dinamarca, colocaram-se para além dos limites da UE. Não acharam que fosse do seu interesse fazer parte desse projecto.

Nós, humanos, estabelecemos limites arbitrários nas nossas hipocrisias e projetos diários. Necessariamente. Aves selvagens abatidas sobre as margens do Mediterrâneo ou cães abandonados provocam tristeza. Mas todos os dias, a cada minuto, abatemos inúmeros animais para obter alimento. Consumimos animais como unidades sem pensar. Que diferença fará se mil ou mais golfinhos tiverem de morrer?

Será por causa do nosso antropomorfismo implacável, que projetamos o nosso físico ou nos idealizamos sobre os animais? Quando é que os animais selvagens se tornam nossos animais de estimação? Os golfinhos aparecem como nossos eus alternativos: aperfeiçoados, versões paradisíacas, humanóides antediluvianos. Inocentes, que abandonaram a terra antes de a estragarmos, descuidando-se no mar, livres das nossas necessidades.

Que queremos que eles sejam? Artistas em golfinários, prisioneiros do nosso entretenimento, pagos em peixes para desempenhar um papel? Todos os anos milhões de turistas pagam por este prazer - a dor de milhares desses animais mantidos em confinamento em todo o mundo, da China à Europa e aos EUA - é ignorada. Animais que possuem cultura são assimilados à nossa cultura. É o seu destino, e o nosso, mesmo quando nos apercebemos de que precisamos de nos referir a eles como um "quem", não um quê; como indivíduos, não como uma massa coletiva de alteridade.

E se não podemos chorar por outras espécies, como é que se pode esperar que choremos por nós próprios?»

Excertos de Philip Hoare, O horror do massacre dos golfinhos das Ilhas Faroé é apenas humano - mas corre o risco de hipocrisia - The Secret Market Report.

Bico calado

«Nós temos as competências, mas em qualquer município há imensa burocracia. Espinho não é exceção. Há processos que demoram cerca de um ano e meio a serem concretizados. Isto é imenso tempo! É quase metade de um mandato! Temos essas competências, mas oficialmente não nos são transmitidas.» Vasco Alves Ribeiro, recandidato a presidente da JF de Espinho, entrevistado por Manuel Proença para o Defesa de Espinho de 16set2021. Se assim é, ocorre-nos perguntar para que serve a Junta de Freguesia de Espinho?

O Presidente Biden anunciou que os EUA pretendem partilhar a sua tecnologia de submarinos movidos a energia nuclear com a Austrália. Em 1958, os EUA partilharam com a Grã-Bretanha tecnologia semelhante. O Reino Unido estará envolvido com a nova parceria trilateral de segurança, conhecida como AUKUS. A decisão surge no quadro de uma crescent tensão nos últimos anos sobre disputas territoriais no Mar do Sul da China - uma importante via de navegação com recursos de petróleo e gás natural. Ayesha Rascoe e Alana Wise, NPR. Imaginem a fúria dos franceses que viram um acordo semelhante com a Austrália, até agora em vigor, desfazer um negócio de milhões.

Empresas de energia nuclear ameaçam encerrar centrais se o governo espanhol tomar medidas para minimizar os impactos dos aumentos de preços. El País, via  Christina MacPherson, Nuclear News.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Póvoa de Santa Iria: descargas de efluentes da produção de hidrogénio preocupam população

Há 3 semanas, uma descarga de efluentes para o rio Tejo por parte da empresa de produção de hidrogénio HyChem (antiga Solvay), da Póvoa de Santa Iria, lançou preocupação e algum alarmismo junto da população. A mancha verde e de cheiro ácido que foi sentida e vista durante mais de uma hora nas águas do rio gerou apreensão, em particular na comunidade piscatória da cidade, que foi das primeiras a dar o alerta. Afinal a prática é legal, tratando-se de uma operação de descarga de águas residuais autorizada pela Agência Portuguesa do Ambiente. As descargas são oriundas do processo de produção, de torres de refrigeração e de águas pluviais contaminadas. A empresa está autorizada a despejar para o Tejo 174 mil metros cúbicos por mês de efluentes que têm que cumprir determinados parâmetros. O Mirante.

40% dos jovens hesitam ter filhos devido às alterações climáticas



  • A polícia londrina prendeu 25 activistas na sequência de ação de bloqueio de tráfego na M25 durante a hora de ponta da manhã. A ação visou apelar ao governo para realizar obras de isolamento nas habitações sociais do país até 2025. Josh Halliday, The Guardian.
  • 40% dos jovens entre os 16 e os 25 anos hesitam ter filhos devido às alterações climáticas e receiam que os governos estejam a fazer muito pouco para evitar a catástrofe climática, concluiu o maior estudo científico até agora sobre a ansiedade climática e os jovens. O estudo concluiu ainda que  60% dos jovens estavam muito ou extremamente preocupados com as alterações climáticas, que cerca de 50% se sentem angustiados ou ansiosos de como o clima estava a afetar a sua vida diária e que mais de 50% sentiam que teriam menos oportunidades do que os seus pais devido ao aquecimento global. A sondagem de cerca de 10.000 jovens cobriu a Austrália, Brasil, EUA, Filipinas, Finlândia, França, Índia, Nigéria, Portugal, Reino Unido e foi paga pela Avaaz. Fiona Harvey, The Guardian.

Bico calado

  • “Vamos libertar os portugueses dos boletins diários”. Graça Freitas, Directora-geral da Saúde, ao Público de 14set2021. Certos media vão sentir-se órfãos e sem material para nos triturar a vista e os ouvidos…
  • «(…) Muitas rádios transformam-se assim em emissoras gira-discos e em infindáveis parlatórios. Como os “diretos” passam a ser cada vez mais presentes nas grelhas de programação das televisões. Provocando numas e noutras um nivelamento por baixo em matéria de informação como de programação. E esta ausência de recursos faz que programas e jornais (rádio e televisão) se pareçam cada vez mais, pondo em xeque as expectativas de um pluralismo concreto.(…)» Nobre-Correia, Era uma vez o pluralismo - Público 14set2021. Via Notas de ciscunstância2.
  • Na véspera do 48º aniversário do golpe de estado de 11 de setembro de 1973 que derrubou Allende, documentos acabados de desclassificar pelos Arquivos Nacionais Australianos mostram até que ponto o Serviço Australiano de Informações Secretas (ASIS) trabalhou em estreita colaboração com a CIA na preparação do golpe. Peter Kornblu e Clinton Fernandes, MichaelWest Media.