domingo, 23 de julho de 2017

Fórum Cidadania LX: copos, pratos e talheres de plástico deviam ser taxados

Ponte da Varela. Foto de Álvaro Reis 5jul2017.
  • Os copos, pratos e talheres de plástico deviam ser taxados, sugere o Fórum Cidadania LX. A medida permitiria financiar o esforço público de limpeza urbana, reforçar a intensidade nos locais onde se regista grande produção e abandono de copos de plástico na via pública e aumentar a fiscalização e a reciclagem de plástico de forma a alcançar as metas da reciclagem para 2020 (50% em vez dos atuais 29%). RR.
  • O governo britânico prepara-se para isentar em 130 milhões de libras algumas das indústrias mais poluentes do país para alegadamente ajudar a financiar novas tecnologias renováveis. Mas esta operação representa impactos pesados para as pequenas empresas e consumidores em geral, avisam os ambientalistas. The Independent.
  • A partir de 18 de setembro, os novos edifícios construídos em South Miami, Florida, serão obrigados a instalar painéis solares. OIA News.
  • Os moradores de St John Baptist, na Louisiana, processaram a LAPlace por sofrerem há muito com as emissões de cloroprene. Tudo porque a empresa química pouco ou nada fez para reduzir os impactos ambientais, conforme determinação legal de novembro de 2016, segundo a qual a empresa, juntamente com a Denka Performance Elastomer, se comprometera a investir 17,5 milhões de dólares em equipamentos e tecnologia para reduzir as suas emissões. Análises do feitas em março mostraram que os vizinhos estavam expostos a níveis perigosos de cloropreme, entre 12 e 58 vezes superiores aos legalmente estabelecidos. OIA News.
  • Vários grupos ambientalistas estão a processar o ministério do Ambiente dos EUA para forçar o estado do Texas a ser mais rigoroso na linguagem que usa quando emite licenças para refinarias de petróleo e centrais de energia. Reuters.

Reflexão – Queimar munições à custa da saúde de gente pobre

Imagem captada aqui.

Bombas no nosso quintal

Tradução livre de uma reportagem coordenada por Abrahm Lustgarten e que contou com a colaboração de Nina Hedevang, Razi Syed, Clare Victoria Church, Alex Gonzalez, Lauren Gurley, Alessandra Freitas e Eli Kurland.

Há dois anos, o exército norte-americano viu-se a braços com um enorme embaraço: um arsenal de explosivos velhos rebentou numa antiga fábrica de munições do Exército em Minden, Louisiana, levantando uma nuvem de detritos a mais de 2 mil metros de altura.
Os vizinhos, alarmados por causa dos contaminantes tóxicos despoletados pelo acidente, ficaram furiosos ao saber que os militares pretendiam queimar, ali mesmo, a céu aberto, 8 mil milhões de quilos de explosivos antigos que ainda estavam no depósito. 
Perante o tumulto, o Exército recorreu à Clean Harbors, uma empresa privada que colabora há décadas com o ministério da Defesa e é uma das maiores manipuladoras de resíduos perigosos nos EUA, estando autorizada a queimar resíduos de explosivos e munições sem quaisquer controlos de emissões.
Foi assim que se instalou um incinerador e se queimou, logo em 2015, cerca de 318 mil quilos de munições, tornando a vida dos moradores um autêntico inferno.

Durante muitos anos os explosivos e as munições do exército eram destruídas nos sítios onde estavam destinadas para uso. Porém, as regras foram-se tornando mais rigorosas e as comunidades cada vez mais exigentes para com a qualidade do Ambiente. A Clean Harbor, sedeada em Massachusetts, tornou possível aquilo que estava a ser cada vez mais difícil noutros lados. Por isso ela recebe explosivos e munições de, pelo menos, 42 quartéis de 22 estados.
Apesar de todos alertarem para a alta perigosidade do material, o facto é que milhares de toneladas dele são transportadas para aqui para serem queimadas: combustível de foguete de uma fábrica de mísseis perto de Los Angeles; granadas de mão de uma fábrica de munições em Arkansas; cordões detonantes de Cincinnati, propelente sólido a partir de uma fábrica de Aerojet Rocketdyne na Virgínia, chumbo explosivo de uma fábrica de aviões militares do estado da Carolina do Norte, foguetes de ogivas da fábrica da Lockheed Martin, no Alabama.

As queimadas acontecem todos os dias várias vezes, e quando elas acontecem, transformam partes de Colfax em espécie de zonas de guerra.
Em novembro, análises oficiais feitas ao ar revelaram altas concentrações de acroleína, um vapor altamente tóxico normalmente associado à queima de munições. A acroleína carateriza-se pelo seu odor sufocante e é responsável por graves problemas respiratórios e ataques cardíacos - mesmo em doses baixas e com efeitos visíveis até 18 meses após exposição a ela.
Os relatórios de laboratório também mostraram baixos níveis de outros compostos orgânicos voláteis, nomeadamente o benzeno, conhecido por causar cancro. 

Análises a água subterrânea revelaram perclorato, um tipo de combustível de foguete, com níveis 18 vezes superiores aos legalmente estabelecidos pela Louisiana e 8 vezes superiores aos estabelecidos na Califórnia. Foram também detetados RDX e HMX , ambos compostos explosivos militares, com níveis 3 vezes superiores aos legalmente estabelecidos, e níveis de chumbo 4 vezes superiores aos legalmente permitidos. Inspeções posteriores detetaram uma série de violações nomeadamente de regras de manipulação de resíduos perigosos, carência de manutenção e despejo de poluentes não autorizados.
Os técnicos de saúde do estado consideraram tudo isto inócuo para a saúde dos moradores. Estes provam o contrário: muitos sofrem de infeções pulmonares, de problemas cardíacos, de complicações de tiroide e cancro.

Em 2016, Terry Brown, representante independente do estado da Louisiana, tentou avançar com uma lei para proibir a queima a céu aberto de resíduos perigosos. O apoio da esmagadora maioria foi impotente perante a pressão da indústria que, através de baterias de advogados e profissionais de relações públicas, eliminaram a ideia.

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Relacionado: Lista parcial de sítios, nos EUA, onde foram queimadas/detonadas munições e explosivos velhos, só em 2016...


Bico calado

Foto de José Pereira 6jul2017.
  • «(…) Ele, doutorado em Direito e professor universitário, quer fazer-se notar por ser boçal. É o estilo que faz a sua candidatura, é aí que joga o seu destino. Ele quer ser conhecido no país pelo modo Trump. (…) É na pesporrência, na ligeireza, no fanatismo que determina os lugares da normalidade no comentário desportivo (há excepções), que Ventura aprendeu a lançar achas para a fogueira. Como os dirigentes dos clubes, Ventura percebeu que, para ser notícia, é preciso saber ser detestável. O facínora é quem vence na comunicação clubística. E o futebol é um bom caminho para a política (…) Que a grande maioria dos ciganos trabalhe e não depende de prestações sociais (…), que importa isso para Ventura? Ele já se colocou no mapa nacional, graças à sua exibição xenófoba. Sairá depressa, é certo, a sua derrota nas eleições em Loures é inexorável, mas ele pensa em outros voos. Para isso, só precisa de ficar agarrado a um clube de futebol numa televisão perto de si e ir proferindo uns dislates ofensivos, para que alguém vá reagindo e se fale dele.» Francisco Louçã in Um virtuoso do racismo – Público.
  • O ex-diretor provincial de Coordenação da Ação Ambiental na Zambézia, (...), está na mira do Ministério Público e incorre em pena de prisão, devido ao alegado desvio de dinheiro do Estado. É o terceiro caso de roubo do erário, num espaço de um mês, na mesma província. O primeiro implica o diretor provincial de Educação, (...), e o segundo envolve o ex-diretor provincial da Agricultura e Segurança Alimentar, (...), ora preso. A Verdade.

Avareza 20

Imagem captada aqui.

«Mas os escândalos na Alemanha parecem coisa pouca face ao que conseguiu fazer uma diocese eslovena. A basílica que preocupa Francisco e os seus homens de confiança, George Pell e Pietro Parolin acima de todos, é a de Maribor, pequena cidade do Norte da Eslovénia, famosa por albergar uma prova do slalom da Taça de Mundo de esqui. 
A cidade tornou-se inesperadamente célebre no Vaticano graças a uma das mais graves quedas financeiras da História da Igreja: de facto, a arquidiocese, além de apascentar as almas de pouco mais de cem mil fiéis, lançou-se nos últimos anos em investimentos temerários. Terá sido a incompetência do bispo, terá sido a crise económica mundial juntamente com alguns golpes de azar, mas o facto é que a pequena igreja e as sociedades por ela controladas conseguiram acumular a maravilha de mais de 800 milhões de euros de dívidas. Um buraco monstruoso que atualmente ninguém é capaz de cobrir: o vermelho é equivalente a 2 por cento do produto interno bruto esloveno e, para fazer uma comparação, é três vezes superior às receitas registadas no último orçamento do Vaticano. Para evitar 
o default, em 2014, o IOR movimentou para a diocese 40 milhões de euros, por vontade de Francisco em pessoa, mas é como tentar remendar a fenda do Titanic com um dedo. 
Como foi possível que uma minúscula arquidiocese tenha acumulado em vinte anos dívidas dignas de uma grande multinacional? Em 2011 consultámos documentos reservados e falámos com fontes eslovenas autorizadas, que descreveram uma situação catastrófica. Vamos por ordem, partindo do fim, do momento em que em São Pedro se aperceberam da enormidade da chaga causada pelas aventuras financeiras do arcebispo Franc Kramberger. A descoberta ocorre quase por acaso, quando, no final de 2007, uma televisão controlada pela Igreja eslovena começa a transmitir programas pornográficos.» 
Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ilha da Culatra: protocolo para monitorização da marinha do Recovo

Ilha da Culatra. Imagem captada aqui.
  • O Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve e a Associação de Moradores da Ilha da Culatra assinaram um protocolo para a adoção da pradaria marinha do Recovo, na Ilha da Culatra. A associação fica responsável por acompanhar a pradaria marinha do Recovo, fotografando a zona, permanecendo atenta ao local e informando as autoridades sempre que for identificada alguma situação pouco vulgar ou irregular. Pradarias marinhas são zonas marinhas compostas por plantas aquáticas e encontram-se nos oceanos, águas costeiras, rias, lagoas e estuários (em fundos de areia ou lodo) e em zonas com iluminação e profundidade a partir de 30 metros. São importantes por várias razões: libertam oxigénio e fixam dióxido de carbono, estabilizam e fixam o sedimento, ou seja, estabilizam a dinâmica costeira. Além disso, são extraordinariamente importantes para a biodiversidade marinha (constam da lista prioritária de habitats da Directiva Habitats), com especial destaque, neste caso, para os recursos pesqueiros porque fornecem maternidade, abrigo e alimento a várias espécies comerciais, “como o choco, o polvo, a amêijoa, o sargo e salmonete, importantes para a comunidade piscatória da Ilha Culatra”. JE do Mar.
  • A Bandeira Azul do Complexo Balnear do Lido, no Funchal, foi arriada uma vez que os parâmetros de qualidade da água do mar se encontram fora dos limites legalmente estabelecidos. DNMadeira.
  • A New Economics Foundation considera o sistema de distribuição de quotas de pesca pouco transparente em Portugal. Além das críticas, faz sugestões que passam por mais informação e maior peso da frota de pequena pesca nas decisões sobre a distribuição de quotas. JE do Mar.
  • A Inspeção-Geral da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território de Portugal e a Direção-Geral do Ambiente de São Tomé assinaram um protocolo para a criação de um serviço de inspetores ambientais no arquipélago. AM.

Daimler vai recolher 3 milhões de Mercedes

Suíça. Foto: Cyril Zingaro/EPA
  • A alemã Daimler anunciou que vai proceder à atualização de 3 milhões de carros da Mercedes na Europa para reduzir as suas emissões de diesel, numa tentativa de combater rumores de alegadas violações de regras que controlam os poluentes dos veículos. NYTimes.
  • A orla costeira de Ventura County foi contaminada por um derrame de esgotos não tratados na ETAR de Oxnard. As praias de Ormond e Hueneme foram encerradas e a prática do surf foi banida. O consumo de bivalves foi também proibido. LATimes.
  • 11 anos depois dos EUA terem abandonado a base militar de Busan, na Coreia do Sul, toda a zona continua contaminada por óleos e metais pesados. Utilizada pelos EUA desde 1973, a base só foi devolvida aos vietnamitas em 2015 e todas as tentativas levadas a cabo pelo governo têm merecido a indiferença dos norte-americanos. The Hankyoreh.
  • Ocorreu um derrame de petróleo de grandes dimensões junto ao porto da capital da Jamaica. Ainda no fim de novembro do ano passado o mesmo porto era palco de cenas semelhantes

Reflexão - Os offsets florestais são uma falsa solução para a crise do clima

Imagem captada aqui.

Contra as florestas no mercado de carbono

«(…) Por que os offsets florestais são uma falsa solução?

1. Apresentam uma falsa equivalência entre o carbono proveniente dos combustíveis fósseis, que está acumulado debaixo da terra, e aquele que é acumulado pelas florestas. A capacidade que árvores e ecossistemas têm de remover e fixar carbono da atmosfera é muito mais lenta que o ritmo de emissões quando se queimam combustíveis fósseis, e o carbono acumulado em florestas é vulnerável a desmatamentos e queimadas.
2. Servem como incentivo para países segurarem a ambição de seus compromissos. O Acordo de Paris é baseado em compromissos nacionais determinados voluntariamente por cada governo, e só cortes de emissões que vão além desses compromissos poderiam ser comercializados em mercados de offsets. Com offsets, quanto mais baixos fossem os compromissos nacionais, mais sobraria para vender, criando um estímulo para a baixa ambição.
3. Não trazem benefício adicional para a redução de emissões, porque é um jogo de soma zero. Nunca são reduções efetivas, pois o que há é a compensação. O que se reduz por meio da não emissão florestal continua sendo emitido em outro setor.
4. Transferem a responsabilidade que deveria ser de setores que vêm contribuindo para a crise climática para quem sempre protegeu as florestas: povos indígenas, populações tradicionais, agricultores familiares e camponeses.
5. Aprofundam e geram novas formas de desigualdades, já que quem tem dinheiro e poder pode pagar e continuar emitindo sem fazer a sua parte. O conceito de poluidor-pagador, criado inicialmente para pressionar os países e setores a reduzir sua poluição, é capturado por quem pode continuar poluindo desde que pague por isso.
6. Hipotecam as florestas para cumprir as dívidas de venda de créditos de redução de emissões. Para isso, são firmados compromissos de décadas, que implicam também na hipoteca do futuro de milhares de pessoas que já nascerão sem que o Estado e os povos em seus territórios possam ter a soberania sobre qual política e ações poderão ser criadas para a proteção e uso de seus bens comuns.
7. Abrem espaço para governos e outros atores tirarem o foco das discussões da redução da queima de combustíveis fósseis, que representam cerca de 70% do total mundial das emissões de gases de efeito estufa – e ainda em trajetória de crescimento – para as florestas.
8. Tiram o foco do enfrentamento aos reais problemas florestais nacionais promovidos por grupos de interesse que querem enfraquecer as políticas de proteção florestal no país, e ainda alimentam o discurso de quem quer solapar a legislação ambiental brasileira. (…)»

Mão pesada

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A justiça norte-americana poderá isentar a Harley-Davidson Inc do «investimento» de 3 milhões de dólares em medidas de controlo de poluição. A empresa tinha sido multada em 12 milhões de dólares por violações às regras da qualidade do ar. Reuters.

Bico calado

Índia. Foto: Anuwar Hazarika/Barcroft Images
  • O deputado do PCP e o da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), que integravam uma delegação da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu de visita aos EUA, foram impedidos de entrar no Departamento do Tesouro, em Washington. Não lhe foi dada qualquer explicação. Abril. Porque é que a restante delegação não se solidarizou e não voltou para trás? 
  • Um estudo do Pentágono conclui que a ordem internacional apoiada pelos Estados Unidos estabelecida após a Segunda Guerra Mundial está em acentuado processo de colapso, o que poderá fazer com que os EUA perca a sua hegemonia mundial. A solução proposta é, no entanto, mais do mesmo: mais vigilância, mais propaganda  e mais expansionismo militar.

Avareza 19

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«No dia 26 de março de 2014, o Papa Francisco decidiu que o copo estava cheio e "aceitou a demissão" do "Protz-Bischof", também acusado pelos fiéis de ter "um estilo autoritário". Mas o bispo não acabou num convento perdido como muitos esperavam na Alemanha: de facto, em abril de 2015 mudou-se para Roma, para a Santa Sé, nomeado para o Conselho Pontifício para a promoção da nova evangelização como novo delegado. Um cargo que não existia e inventado expressamente para ele. "Van Elst juntar-se-á ao secretário e ao subsecretário e deverá assegurar os contactos com as conferências episcopais dos vários países e preparar os catecismos, mas sem pôr a sua assinatura nos textos”, esclareceu o presidente do ministério Rino Fisichella. Palavras que não atenuaram a ira dos alemães: de facto, o bispo é o número três do  ministério pontifício.»

Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O colapso anunciado da sardinha

Imagem capturada aqui.

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês), organismo científico que aconselha a Comissão Europeia sobre as quotas de captura de peixe, traça perspetivas negras sobre a evolução da população de sardinhas e sugere a suspensão total da pesca em Portugal, sendo preciso esperar 15 anos para que os estoques recuperem. JNegócios.

Já em maio de 2012 o Ministério da Agricultura e das Pescas admitia que a quantidade de sardinha diminuíra mais de 50% na costa portuguesa nos últimos dez anos, sendo o Centro e o Sul do país as zonas mais afetadas.
Por essa altura, um estudo do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, do Porto, sugeria que um parasita andava a matar as sardinhas nos mares de Portugal e Espanha.

Mas gostamos mesmo de sardinha e tudo fazemos para a apreciar várias vezes ao ano, e em grandes quantidades. Para além do consumo massivo por altura dos santos populares, investigadores da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche fomentaram projetos para turistas verem e comerem. 

Só festa, só consumo. Preservação, nenhuma. Preservação é invenção dos ambientalistas, inimigos figadais do comércio, do consumo, do progresso. 
Um dia a coisa tinha que acabar. E assim, no fim de setembro de 2014, a captura da sardinha era proibida até ao fim do ano por causa da manifesta escassez da espécie.

Lá fora, o cenário não era diferente. Em novembro de 2012, uma reportagem do Guardian dava conta de que o colapso das capturas da sardinha nas Caraíbas podia ter sido provocado pela sobrepesca e pela redução do plancton durante a última década.
Em março de 2015, cientistas conselheiros da indústria de pescas da Costa Oeste dos EUA alertavam para a redução dramática da população da sardinha no Pacífico capaz de não poder ser capaz de sustentar a pesca comercial.
Não foi, por isso, novidade, que, em abril de 2016, as autoridades reguladoras das pescas dos EUA proibiam a captura da sardinha ao largo da costa oeste do país pelo segundo ano consecutivo.

Curiosamente, o nosso escritor Raul Brandão escrevia, em 1923, em «Os Pescadores»:
«É aos montes que a sardinha é apanhada por essa costa para enriquecer meia dúzia de felizes. Daqui a meio século não há uma escama nas nossas águas fertilíssimas. O planalto que se estende até algumas milhas da costa, e que foi revolvido pelos vapores de arrasto, matando a criação e reduzindo à pobreza os pescadores primitivos, é agora explorado pela indústria por todos os processos e feitios. Sardinha – sardinha – sardinha...»

Califórnia: Municípios processam 37 empresas responsabilizando-as por impactos das alterações climáticas

Eis o que acontece no recreio de uma escola holandesa 

  • A pesca de arrasto em grande escala está a ser apontada como responsável pela morte de pelo menos mil golfinhos que deram às costas do Reino Unido e de França. Os ativistas exigem uma proteção mais rigorosa. DW.
  • As autoridades da Libéria encerraram mais de 50 empresas que vendiam água potável em garrafas e sacos de plástico. A autoridade de saúde pública disse que a água não era adequada para o consumo humano. BBC/CM.
  • Os municípios de Marin e San Mateo, na Baía de San Francisco, juntamente com a cidade de Imperial Beach, em San Diego County, em frente de Tijuana, no México,  entraram com uma ação no Tribunal Superior de Califórnia para responsabilizar um grupo de 37 empresas pelo aquecimento global e pela subida do nível das águas do mar.  O processo alega que «os réus têm conhecido há quase 50 anos de que a poluição de dióxido de carbono a partir de combustíveis fósseis tem um impacto significativo sobre o clima e os níveis das águas do mar». Além disso, em vez de trabalharem para encontrar uma solução e minimizar os danos provocados, essas 37 empresas associados «ocultaram os perigos e procuraram minar o apoio público para a regulação de gases de efeito estufa e participaram de campanhas massivas para promover o aumento do uso de seus produtos». Efeverde.

Bico calado

Foto: Michelle Curley/Cincinnati Zoo via/AP

  • «Ligo e computador e encontro o candidato racista do PSD em Loures em tudo o que é jornal, congratulando-se pelo sucesso da sua estratégia. A publicidade que este oportunista tem tido não há dinheiro que pague nem cartaz que garanta. Das duas uma, ou Passos Coelho muda de atitude e ainda vai a tempo de retirar esta candidatura, ou arriscamo-nos a que o método do incitamento ao ódio racial como forma de ganhar votos pegue de estaca em Portugal. Nas próximas eleições, ou nestas ainda, teremos mais candidatos a autarcas a fazer este tipo de discurso, na segurança de que não serão afastados pelas lideranças partidáriasRui Tavares, FB.
  • «(…) Os movimentos anti-racistas têm feito o possível para tirar o carácter de classe às suas lutas, o que, infelizmente, é errado analiticamente e condena a luta anti-racista ao fracasso. Analiticamente é errado porque coloca na pele um problema que é desde logo e hoje sobretudo social, de classe – uma parte da sociedade é racista, mas uma parte muito maior, quem sabe maioritária, tem medo (e nojo) dos pobres, não por serem negros mas por serem pobres. É assim que modelos negras bonitas, um Obama inteligente, uma criança negra bem alimentada, vestida e limpa são acarinhados, mas se estas pessoas tiverem olhos exaustos, anémicos, roupas velhas, olhar esquivo, falta de higiene, ou seja, as marcas da pobreza na cara, são rejeitadas. Um interessante estudo internacional demonstrou aliás o mesmo em relação aos imigrantes – os que são rejeitados são só os pobres (…) Não tenho dúvidas que os movimentos anti racistas hoje não abraçam a tese do racismo/classe porque assim é menos polémico, mais aceitável para o Estado, deixa de ser uma luta de carácter económico e passa a ser uma reivindicação de direitos democráticos. Pura ilusão.» Raquel Varela, FB.
  • Foram detidos o presidente da federação espanhola de futebol, Ángel María Villar, e o filho, Gorka Villar, assim como o vice-presidente com o pelouro dos assuntos económicos, Juan Padrón por falsificação de documentos, corrupção e apropriação indevida de fundos. DN.

Avareza 18

Imagem captada aqui.

«Na Alemanha a transparência continua a ser uma utopia: o Der Spiegel contactou as vinte e sete dioceses alemãs pedindo para tornarem públicas as receitas e despesas das igrejas. Excetuando duas, todas as outras se recusaram a fornecer qualquer informação sobre a sua situação patrimonial. Também a procuradoria de Hamburgo investigou sobre Tebartz-van Elst relativamente a um inquérito paralelo sobre uma presumível declaração falsa dada sob juramento: durante um depoimento, o monsenhor tinha assegurado ter viajado em económica num voo direto para a Índia para visitar uma comunidade de pobres. Na realidade, graças aos pontos "tipo Mil milhas" do seu vigário-geral Franz Kaspar, obtivera um upgrade em primeira classe, onde servem champanhe e bolinhos. Os juízes arquivaram o caso depois de o padre ter decidido pagar uma multa de 20 mil euros.» 

Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016

quarta-feira, 19 de julho de 2017

CE quer que o tribunal europeu proíba a exploração madeireira na floresta de Białowieea

Pico do Arieiro a caminho do Pico Ruivo, Ilha da Madeira. 
Foto: Pedro Alves 25jun2017.
  • A Comissão Europeia vai processar a Polónia para tentar conter o abate massivo de floresta no país. Nesse sentido, pediu ao tribunal europeu que aprovasse a proibição imediata da exploração madeireira na floresta de Białowieea, onde foram abatidos 80 mil metros cúbicos de madeira desde que o governo polaco triplicou as operações madeireiras naquela zona que é património mundial da Unesco.
  • Um estudo da Duke University e da University of North Carolina-Wilmington concluiu que as espécies de plantas invasoras, como as algas exógenas, podem fornecer benefícios vitais, incluindo a proteção de tempestades e a produção de alimentos em ecossistemas costeiros onde os habitats originais diminuíram. «Com o declínio progressivo dos habitats costeiros em todo o mundo, as nossas conclusões sugerem que é melhor ter um habitat não-nativo do que nenhum habitat», diz Aaron Ramus, um dos cientistas responsáveis pelo estudo. PHYS.
  • A China notificou a Organização Mundial do Comércio que vai deixar de importar, a partir do fim de 2017, resíduos de plástico e papel, bem como escória de siderurgia e outros tipos de lixo, cinzas, algodão e fios. Tudo porque as autoridades descobriram que grandes quantidades de resíduos sujos ou mesmo resíduos perigosos são misturados nos resíduos sólidos que podem ser utilizados como matérias-primas e isso poluiu gravemente o ambiente do país. Reuters.

Reflexão: Os incêndios florestais são também consequência do modo de funcionamento dos mercados

Foto de Kevin Horan/Pictura Gallery, captada aqui.

«Em Portugal, 80% da área florestal pertence a centenas de milhares de famílias e 12% a comunidades rurais (baldios). Enquanto a oferta de produtos florestais está demasiado pulverizada, a procura está hoje mais concentrada do que nunca. Perante o desequilíbrio entre a oferta e a procura o Estado prima pela ausência. As consequências estão à vista.
  
A forte concentração ao nível da procura condiciona decisivamente a formação de preços à oferta. A falta de expetativas de rendimento ao nível da oferta tem promovido uma gestão de abandono. Esta última, tem impacto no acréscimo de riscos associados à atividade silvícola, seja ao nível dos incêndios, mas, menos visível, também ao nível da proliferação sem controlo de pragas e de doenças. (…)
O impacto da formação do rendimento para uma gestão ativa, desejavelmente profissional, decisiva para a mitigação dos riscos, tem sido negligenciado pelos vários governos. Tal facto, determina um favorecimento, mesmo que indireto, à procura, com consequências quer para a oferta, quer para toda a Sociedade, tal como se tem assistido a cada período estival.

A par da responsabilização da oferta, com medidas que enquadrem um conjunto de obrigações para os proprietários florestais, o governo tem de atuar sobre os mercados e, desta forma, sobre o comportamento da procura. A intervenção do Estado para a redução do risco crescente com os incêndios tem várias frentes, a dos mercados é decisiva.

No caso concreto da fileira do eucalipto, a situação é muito problemática. Esta fileira está condicionada a um duopólio ao nível da procura, bem como a uma crescente oferta de risco, associada ao minifúndio. Mais do que a espécie em si, o modo de funcionamento do mercado da rolaria de eucalipto para trituração tem tido um forte contributo para o crescente impacto das plantações desta espécie na área ardida total e em povoamentos florestais. Se em 1996, as plantações de eucalipto representavam 3% e 13%, respetivamente, na área ardida total e na área ardida em povoamentos florestais, em 2016 tais percentagens evoluíram para 17 e 45%. As plantações ocupam hoje 28% da área florestal nacional (Nações Unidas, 2015).

A ausência de uma análise financeira e comercial no licenciamento de investimentos com espécies de rápido crescimento, com um caráter marcadamente mercantil, tem sido também uma das críticas manifestada por esta associação.

A inexistência de um serviço nacional de extensão florestal, como havia sido criado nos anos 70 do século passado, é um outro alvo de críticas da Acréscimo. Igualmente, para o serviço de extensão, a associação apresentou ao Governo uma proposta para o financiamento do mesmo, sem encargos adicionais para o Orçamento do Estado

Assim, se o Governo pretende efetivamente implementar uma agenda para a redução do risco de incêndios nas florestas em Portugal, a Acréscimo sugere uma eficaz intervenção nos mercados e no apoio a investimentos de risco controlado, através:

·    Da criação de uma entidade reguladora, ou reativação do Instituto dos Produtos Florestais;
·    Da avaliação financeira e comercial nos processos de licenciamento de investimentos com espécies de rápido crescimento;
·     Da criação ou reativação de um serviço nacional de extensão florestal.»

Bico calado

Imagem colhida aqui.

«Não perdoo à Igreja nunca ter pedido perdão aos portugueses pela sua colaboração activa com a Ditadura e as iniquidades decorrentes dela, a sua total indulgência, desde a primeira hora, com a injustiça, a crueldade, a desigualdade, a intolerância, os campos de concentração
(Tarrafal, São Nicolau)
a monstruosa polícia política, a violência da censura, o desprezo pelas mulheres, a guerra colonial, a perseguição aos estudantes, aos operários, aos camponeses, a desavergonhada defesa dos 
ricos, as missas para as criadas, as homilias em que exortavam à obediência aos patrões, a violência para com os sacerdotes e os bispos que ousaram levantar-se contra o Estado Novo, a forma como abençoaram as centenas de milhares de rapazes mandados para África combater as aspirações dos povos colonizados, mandando capelães abençoar aquele horror, apoiar aquele horror, santificar aquele horror
(eu estava lá e vi)
em nome da luta contra o comunismo ateu, em nome da defesa dos valores cristãos, em nome da tolerância, em nome de Cristo. Porque carga de água não tem sequer a simples dignidade de pedir desculpa? Porque carga de água finge esquecer-se? Porque carga de água este silêncio? Eu sou cristão e aprendi a ser fiel até à morte como está escrito no Livro e pergunto: como tem coragem de tocar na Bíblia, como tem coragem de ser hipócrita para com o Senhor? O capelão do meu batalhão em África era um pobre jesuíta que se queixava das instruções que o obrigavam a fazer a apologia do colonialismo em nome do Deus e não tenho a menor dúvida que Jesus o cuspiu da Sua boca. Porque não pede perdão por ter afastado tanta gente da Virtude com as suas atitudes, as suas homilias, até com a utilização ignóbil das pobres crianças de Fátima a quem Nossa Senhora pediu em português
(que outra língua saberiam elas?)
para rezarem pela conversão da Rússia comunista, elas que nem sabiam o que comunismo queria dizer, manobradas sem vergonha pela hierarquia eclesiástica. O que terá sofrido o nosso capelão
(Tenho de fazer isto, tenho de fazer isto, dizia ele)
obrigado a louvar a guerra santa, obrigado a prometer o Paraíso aos nossos mortos, criaturas inocentes condenadas a dois anos e tal de um sofrimento injusto. E a Igreja, passados mais de quarenta, permanece em silêncio, completamente alheada da sua culpa. Isto entende-se? Isto aceita-se? Isto apaga-se? Claro que os filhos das classes altas não iam para a guerra. Conheço filhos dessas classes altas poupados a África com desculpas inacreditáveis. Conheço os seus nomes e conheço as desculpas, desde “incompatibilidade psicológica com o Exército” (posso citar nomes) até “incontinência urinária” (posso citar nomes), até “pé chato” (posso citar nomes), até classificações aldrabadas durante a especialidade (posso citar nomes), e é impossível que a Igreja não soubesse disto. Soube, claro, colaborou. E até hoje nenhuma voz oficial dela se ergueu, nenhuma voz oficial dela protestou, nenhuma voz oficial dela pediu perdão a Portugal, nenhuma voz oficial dela pediu perdão aos portugueses, nunca os sucessivos cardeais roçaram sequer este assunto quanto mais falar nele. Pelo contrário: abençoaram o Estado Novo que perseguiu os sacerdotes que ousaram, ainda que só timidamente, levantar a voz contra isto tudo. Perseguiram-nos, expulsaram-nos fizeram-lhes a vida negra. Nem disso a Igreja a que pertenço tem vergonha? Um bocadinho de vergonha ao menos? Limitou-se a arranjar bispos castrenses que aceitaram, apadrinharam, foram cúmplices desta situação. Não temos uma Igreja de Cristo, temos, sob muitos aspectos, uma Igreja hipócrita e complacente. Cristo não foi nunca hipócrita nem complacente: Porque é que a Igreja portuguesa o é? Tenho o maior orgulho no meu País, não tenho o menor orgulho nesta Igreja. Se Cristo aqui estivesse vomitá-la-ia da sua boca por não ser fria nem quente. Meu Deus será que nem arrependimento existe? Será que pensa que a memória dos homens é curta? Será que pensa que os portugueses esquecem? Será que não se importa de ser vendilhão do Templo? Será que acredita que vai ficar impune aos olhos do Senhor? Será que imagina que o Senhor não sabe? Será que toma Deus por parvo? Será que cuida que São Paulo, por exemplo, não a varreria? Onde estão as palavras do Senhor? Os Seus ensinamentos? 
O Seu exemplo? Ainda que em linguagem aparentemente críptica Cristo foi sempre muito claro. E quem quiser ouvir que oiça. A ditadura acabou em 1974, há quarenta e três anos portanto. E nem uma voz até hoje? Nem um simples pedido de perdão, nem uma confissão fácil
– Errei
não existe nenhuma humildade honesta neste silêncio, não existe o simples assumir de uma culpa, de um erro formidável, de um silêncio indecente. Dói-me na alma que a minha Igreja, o meu Deus sejam amesquinhados e esquecidos pelos que se dizem Seus filhos. Tenho vergonha. Tenho nojo. Tenho pena de vós que pagareis por isto. Será que um simples pedido de desculpa não alivia a alma? Parece que não. Por isso, quando morrer, não quero a vossa hipocrisia em torno do meu caixão. Basta-me que a sombra de Cristo ou de um dos seus Anjos se apiede, mesmo de longe, ainda que de muito longe, da minha alma pecadora. Não quero nenhum fariseu junto ao nosso diálogo. Quereria um Homem Justo. Um Homem Justo bastava-me. Onde, na hierarquia da Igreja, da minha pobre Igreja, ele estará?»

António Lobo Antunes in Isto não é uma crónica, é um vómito de indignação - VISÃO de 8 de junho de 2017

Avareza 17

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«Mas é possível que o filme preferido do arcebispo de Atlanta, no Estado americano da Geórgia, fosse E tudo o vento levou. Wilton Daniel Gregory nunca foi um apaixonado do cinema, mas em 2011 percebeu que graças ao sucesso de Rossella O'Hara e Rhett Butler, teria finalmente podido construir a casa dos seus sonhos. De facto, naquele ano, Joseph Mitchell, neto herdeiro de Margaret, a escritora do romance homónimo em que se baseou a obra-prima de Victor Fleming, decidiu deixar parte importante dos seus haveres precisamente à igreja da sua cidade, um total de cerca de 15 milhões de dólares. No testamento, como homem probo mas previdente, Joseph tinha imposto que o dinheiro fosse investido apenas “para fins religiosos e caritativos”.
Mas o padre agiu à sua maneira. Primeiro vendeu a sua velha casa a alguns funcionários e sacerdotes da sua paróquia, depois decidiu mudar-se para a vivenda do pio Joseph, também ela deixada à cúria. Um complexo residencial no bairro rico de Buckhead, o mais elitista de uma cidade vergada pela pobreza e pelo crime. Depois de uma breve vistoria, o bispo decidiu que a estrutura era demasiado modesta para ele e que necessitava de uma urgente modernização. Assim, com uma parte da herança 
que a sua diocese acabara de receber, primeiro demoliu a velha casa, depois construiu uma mansão de luxo de seiscentos metros quadrados: pelas fotografias do interior e pelo projeto do arquiteto, a luxuosa megavivenda no meio de árvores e relvados possui todo o conforto. Um tecnológico "panic room" para se proteger de eventuais intrusões, uma cozinha industrial com fogão de oito bicos, vários quartos, duas salas de refeições decoradas ao estilo Tudor, alguns espaços destinados a escritórios pessoais, um ascensor interior para o prelado não se cansar muito. Uma remodelação que custou um total de 2,1 milhões de euros. O projeto inicial previa também a realização de uma grande cave para o vinho e a compra de um antigo lustre a colocar no salão. Os paroquianos perceberam que o seu pastor não tinha sido persuadido pela nouvelle vague de Francisco e denunciaram o estilo espalhafatoso. “Estou desiludido comigo, falhei em termos de credibilidade e integridade pessoais e pastorais", declarou o monsenhor Wilton, que anunciou querer vender a sua vivenda e oferecer o montante obtido para beneficência e mudar-se para uma habitação mais modesta.» 
Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016

terça-feira, 18 de julho de 2017

Viseu vai ter duas centrais de biomassa

Imagem captada aqui.
  • A central de biomassa a instalar no concelho de Viseu até 2019, representa um investimento global de 52 milhões de euros. Instalada em Mundão, no Lugar de Chão D'Alva, a central de produção de energia elétrica através de biomassa terá uma potência instalada de 15 MegaWatts e uma necessidade anual de resíduos florestais de 140 mil toneladas. Entretanto, Mangualde apresentou um projeto para outra Central de Biomassa orçado em 54 milhões de euros.
  • O Conselho de Estado deu ao governo francês um prazo de cerca de nove meses, até até 31 de março de 2018, para elaborar um plano pormenorizando as medidas que vai tomar para manter a qualidade do ar dentro dos limites legais . EL.
  • A construção de uma barragem no rio Teles Pires, no Brasil, foi paralisada por membros da tribo Munduruku, que exigem a demarcação formal das suas terras indígenas e o retorno das urnas funerárias que dizem ter desaparecido durante as obras. Reuters.
  • A água contaminada com trítio armazenada na central nuclear de Fukushima n. ° 1 vai ser despejada no mar. Os pescadores locais estão muito preocupados pelo facto de os seus meios de subsistência estarem em risco porque o material radioativo representa um perigo para a segurança das suas capturas. The Japan Times.

Reflexão - Quem verifica as alegações corporativas de liderança climática?

Índia. Foto de Anuwar Hazarika/Barcroft Image

Quem verifica as alegações corporativas de liderança climática?
por Zack Colman in Climate Home.

As empresas do setor privado afirmam liderar a luta contra as mudanças climáticas, aproveitando a aprovação pública e o alto nível moral. Mas, para além das auto-reportadas medidas voluntárias, os especialistas consideram que é quase impossível obriga-las a provar essas alegações.

Empresas como a Apple, o Google, a IBM e a Amazon pressionaram Trump para respeitar o Acordo de Paris e desde então uniram-se à We Are Still In, uma plataforma de empresas, cidades e estados que aderiram aos objetivos de Paris, tendo muitos anunciado grandes promessas de contenção de emissões , promessas de redução do consumo de água, etc.

Muito disso pode representar uma boa publicidade para as maiores empresas multinacionais mais afetadas pela opinião pública, mas há poucas maneiras de responsabilizar o setor privado por essa informação. E no setor privado há muito pouca ênfase na sustentabilidade, especialmente quando se trata de indústrias de uso intensivo de energia, diz Cynthia Cummis, diretora de mitigação climática do setor privado no World Resources Institute.

As empresas, por vezes, reportam falsamente as reduções de emissões nos relatórios de sustentabilidade corporativa, diz Gary Cook, um ativista da Greenpeace. Ele diz que a Apple, por exemplo, é 100% renovável em instalações nos EUA e em outros 23 países, mas cerca de quatro quintos das suas emissões provêm da cadeia de fornecimento de produção.

A Amazon e a Amazon Web Services documentam quanta energia renovável adicionam, mas recusam-se a partilhar dados sobre as suas emissões líquidas - para uma empresa que está a crescer constantemente, é improvável que os megawatts adicionais de energia renovável correspondam às suas emissões crescentes apesar do objetivo da Amazon Web Services de ser 100 % Renovável.

Uma prática comum que as empresas usam para distorcer a quantidade de energia renovável que recebem é comprar créditos de energia renovável (RECs). Mas nem todas os CERs são criados da mesma maneira - alguns recebem energia da rede regional onde está localizado o comprador do crédito, enquanto noutros casos a fonte de energia pode estar distante. Neste último caso, as chamadas "desagregadas", estão no cerne do que muitos defensores do clima consideram uma falsa representação do registro do setor privado sobre o clima. Os críticos consideram isso um truque de contabilidade que permite que as empresas bem colocadas aproveitem as energias renováveis já existentes, em vez de atrair novas adições à rede elétrica.

Um grupo de trabalho formado por instituições financeiras e grandes empresas que trabalham com o Financial Stability Board, um órgão de reguladores liderado pelo ex-presidente da cidade de Nova York, Mike Bloomberg, divulgou um relatório em 29 de junho que exigia maior divulgação de como as alterações climáticas afetariam as empresas e o que as empresas estavam a fazer para lidar com o aumento das emissões. 

Avareza 16

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«Nos Estados Unidos, à parte as vicissitudes derivadas das causas legais multimilionárias contra os padres pedófilos perdidas pela Igreja norte-americana, nos últimos anos o poder do dinheiro queimou carreiras de promissoras túnicas. Em 2013, o monsenhor Kevin Wallin foi acusado pela procuradoria federal de Connecticut não só de ter feito uso de metanfetaminas, mas de se ter dedicado à respetiva venda, encaixando cerca de 300 mil dólares, gastos na compra (entre as acusações há também a tentativa de branqueamento) de uma loja de artigos para adultos. A diocese de Bridgeport, na qual o prelado dava missa, suspendeu-o, mas não foi a primeira vez que a igreja da maior cidade do Estado teve de intervir sobre os seus sacerdotes: em 2012 o reverendo Michael Moynihan foi detido por retirar dinheiro da igreja para as suas despesas pessoais, enquanto o seu colega Michael Jude Fay (hoje falecido) foi condenado por roubar 1,3 milhões de dólares da igreja de Darien. A maior parte acabou numa conta em seu nome, e em despesas em viagens de limusina, fatos de alfaiates italianos, joias Cartier, hotel de cinco estrelas, sofás, móveis da marca Ethan Allen e televisão de ecrã plano. Não sabemos o que gostava de ver nela.» 
Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Índia: o primeiro comboio a energia solar já circula

  • Praia das Milícias, perto de Ponta Delgada, em S. Miguel-Açores, juncada de copos de plástico após noite festivaleira. Foto-denúncia da associação Amigos do Calhau. Até quando as autoridades pactuarão com eventos que promovem o use-e-deite-fora de plástico? Até quando as empresas de refrigerantes manterão o espírito de predadoras do Ambiente? Até quando os cidadãos continuarão a ser egoístas e irresponsáveis por um futuro saudável em termos ambientais?
  • Américo Costa, candidato do Partido Trabalhista por Tomar, denuncia despejos ilegais e clandestinos de lamas da ETAR de Seiça.
  • Foi detetada e denunciada às entidades competentes uma descarga de efluentes contaminados na ribeira Senhora da Graça (afluente do rio Cáster) sob a ponte da Rua Elias Garcia, junto ao Mercado Municipal de Ovar. ON.
  • Gasoduto da REN ameaça paisagem do Alto Douro Vinhateiro: o projeto de construção de gasoduto entre Celorico da Beira e Vilar de Frades, Bragança, proposto para zona protegida pela UNESCO, foi discutido há um ano, mas proprietários e o ICOMOS não sabiam de nada. Público.
  • Várias aves e peixes apareceram mortos na confluência do Rio da Moita com a Caldeira da Moita, junto ao Largo da Feira, no distrito de Setúbal. «A morte repentina de tão elevado número de animais e a diversidade de espécies afetadas leva a pressupor que não se trata de uma qualquer doença súbita, mas sim consequência de uma qualquer descarga ilegal de elevada carga poluente, diz a Quercus, que exige uma atuação rápida e urgente por parte do Ministério do Ambiente - através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) - e do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA). TSF.
  • A Índia lançou o seu primeiro comboio movido a energia solar, conta o The Hindu.

Reflexão – Bandeira Azul desbotou em 30 anos?

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«O prémio que reconhece identifica as praias de excelência em 60 países está a ser criticado pela sua arbitrariedade. O promotor defende-se: "Se não quiser, não peça"

"Um dia apareceu-me na mesa uma fatura de 21 mil euros. Eu perguntei o que era e eles disseram que era o pagamento anual das Bandeiras Azuis. O problema é que nem sequer as tínhamos pedido e, por isso, recusei pagar-lhes”, conta Pilar Carbonell, diretora geral do Turismo do governo das Ilhas Baleares. Isso aconteceu em 2016 e marcou a primeira rejeição por parte de um governo regional do prestigiado sistema de praias certificadas.

Já em 2012, Rianxo (Galiza) abandonara a Bandeira Azul por discordar dos critérios de avaliação. Cinco anos depois, Rianxo garante não ter notado nenhum prejuízo. Entretanto, A Pobra do Caramiñal, Serra de Outes, Barreiros, Viveiro, O Grove, A Lanzada fizeram o mesmo.  

Esta debandada coincide com o 30º aniversário das Bandeiras Azuis, prémio criado em 1985 para certificar marinas em França, e expandido em 1987 a praias e portos em toda a Europa, com o apoio da Comissão Europeia. O seu maior promotor foi José Ramón Sánchez Moro, atual presidente da ADEAC, a associação que gere as bandeiras em Espanha sob supervisão internacional da Fundação para a Educação Ambiental (FEE na sigla em Inglês), da qual Sánchez Moro foi presidente durante mais de uma década e agora avalia praias em 60 países.

"A realidade é que ninguém fora de Espanha dá valor especial a estas bandeiras, não é um selo que um turista europeu associe a excelência e nem mesmo a União Europeia o apoia", diz a Diretora Geral do Turismo das Ilhas Baleares. "Gastar 21 mil euros por ano não nos traz qualquer retorno, porque eles [a Bandeira Azul] nem sequer faz análises próprias à água, baseiam-se nas análises do nosso Ministério da Saúde. E ainda por cima para nos darem uma bandeira exigem-nos equipamentos, como passeios, casas de banho, duches e outras coisas que vão contra o que entendemos por qualidade. Não vais construir um passeio marítimo numa praia natural só para teres uma bandeira, não faz sentido."

A posição de Rianxo é semelhante: "Há mais coisas negativas do que benefícios. É um prémio que se não o tens não há problema, não é por isso que vem menos gente. E perante a mínima falha, é uma loucura, como aconteceu uma vez connosco, com um grafito que apareceu numa parede, e mandaram-nos retirar a bandeira. Isso cria uma imagem horrível, apareceres em tudo o que é comunicação social e até parece que a praia já não é segura. Não queremos essa pressão. Continuamos a ter todas as instalações em perfeito estado e respeitamos as análises de água do Ministério da Saúde como até agora” afirma Adelina Ces, vice-presidente da autarquia.

Nenhuma organização ambiental apoia o certificado da Bandeira Azul. Além disso, há muito que o criticam. "É uma marca publicitária, um produto comercial projetado para lavar a vergonha dos políticos por não terem o litoral em condições. É mais barato dar alguns milhares de euros à ADEAC e tirar uma fotografia do que investir três milhões de euros numa estação de tratamento de água ou para evitar centenas de resíduos tóxicos ", diz Fins Eirexas, secretário-executivo da Associação para a Defesa Ecológica da Galiza (Adega).
"As bandeiras azuis há muito que deixaram de ter qualquer garantia técnica, científica ou administrativa da União Europeia. Elas são promovidas por um grupo de associações privadas ligadas a empresas de turismo. A acumulação de denúncias e de fraudes levou a Comissão Europeia a retirar o apoio financeiro e a demarcar-se há nove anos, em 2008”, acrescenta.

"Se não querem as bandeiras, não as peçam. Dizem que isto é um negócio? Claro que é, é o melhor negócio para os espanhóis, que pagam, em média, 250 euros (para praia) por um prêmio apoiado pelas Nações Unidas, em vez de 2.000 ou 4.000 euros por um cartão que ninguém conhece", contrapõe Sánchez Moro, referindo-se a Q, o selo de qualidade Aenor ISO 9001 e ISO 14001 cada vez mais frequente nas praias. E desafia: "O que aconteceu na Galiza são quatro ou seis autarcas que terão os seus motivos, talvez para promoverem os seus próprios selos, ou para nos desacreditar porque perderam o deles. O caso dsas Baleares é uma questão política, apenas isso”.

É um facto que é a classe política espanhola que apoia a Bandeira Azul. Mesmo a Organização Mundial do Turismo (OMT), a agência das Nações Unidas que a associação ADEAC muitas vezes usa como prova de seu prestígio internacional, demarca-se deste prémio. "Nós não endossamos a certificação de praias de excelência. A Bandeira Azul é um aliado da OMT no nosso programa de sustentabilidade, mas não estão vinculados a este prémio", dizem fontes do organismo. "O problema com as bandeiras azuis é que elas não garantem que a praia tenha água mais limpa ou respeite mais o Ambiente. E as Bandeiras Azuis aproveitaram-se interessadamente dessa confusão. Em vez de serem honestos e explicarem que uma bandeira azul é concedida com base em equipamentos, tais como parques de estacionamento ou passeios, fizeram as pessoas acreditar que as bandeiras bandeiras são um selo ecológico”, denuncia Iván Ortuzar, dos Ecologistas en Acción.

A fuga do prestígio das Bandeiras Azuis atinge inclusive as áreas de segurança e primeiros socorros. Enquanto o resto do continente aposta em bandeiras SAFE como marca de excelência em serviço de segurança e primeiros socorros, em Espanha apenas três praias têm essa bandeira. "Há turistas estrangeiros que perguntam por essa bandeira, e acreditam que a bandeira azul é o mesmo, quando na realidade os seus requisitos de segurança são muito mais pobres", dizem fontes do setor. O exemplo está na costa da Galiza: mais de metade dos municípios costeiros têm dificuldades em encontrar nadadores salvadores, com cidades como Boiro hasteando seis bandeiras azuis nas suas praias sem nenhum socorrista, facto que a obrigaria a perder todas as suas bandeiras se se aplicassem os critérios ADEAC.»

Bico calado

Foto: Kevin Horan/Pictura Gallery
  • «(…) O que me surpreende é o silêncio sobre o aniversário do homem que tanto se esforçou por manter esta direita no poder, que conspirou contra o PS, inventando falsas escutas, e ameaçou com o caos o apoio do BE, PCP e PEV ao atual governo. Por mais roteiros que publique, por mais fel que destile contra a esquerda, passou a ser um ativo tóxico para a própria direita. Esperava-se dos protegidos uma excursão à praia da Coelha, um bolo de aniversário e vozes afinadas a cantarem-lhe os parabéns. Nada disso. Na ingratidão do silêncio vê-se a natureza desta direita. Há 78 anos nasceu no Poço de Boliqueime Aníbal Cavaco Silva.» Carlos Esperança, FB.
  • «(…) Nove anos depois, o Conselho de Justiça da FPF reconheceu que o processo Apito Final ( que deu origem ao Apito Dourado) foi uma invenção de Ricardo Costa, o juiz benfiquista que aplicou dois anos de suspensão a Pinto da Costa e subtraiu seis pontos ao FC do Porto, por alegada tentativa de corrupção do árbitro Augusto Duarte. (Lembro aos mais distraídos que a acusação alegava que o FC do Porto tinha corrompido um árbitro para não perder o jogo da última jornada em Aveiro, num campeonato em que chegou à última jornada com 20 pontos de avanço sobre o segundo classificado). É verdade que o FC do Porto e Pinto da Costa já tinham sido ilibados pela justiça civil no processo Apito Dourado mas, como na justiça desportiva quem manda é um bando de traficantes vermelhos, só agora o CD veio reconhecer o erro (em minha opinião não foi erro, mas sim invenção arquitectada por um juiz benfiquista que agiu de má fé) É verdade que Pinto da Costa já cumpriu a pena e o FC do Porto não será ressarcido, mas a verdade foi reposta. Porquê nove anos depois? A resposta parece-me evidente. Perante o caso dos mails que provam como o SLB interferiu na classificação e nomeação de árbitros e sobre eles exerceu coacção, o CJ da FPF quer varrer rapidamente para debaixo do tapete este escândalo gerado na Luz, porque têm medo de Pedro Guerra e Luís Filipe Vieira. (…)» Carlos Barbosa de Oliveira in Apitó comboio.
  • «(…) Ver Macron a desfilar entre gendarmes de espada perfilada em Versalhes e a falar da “grandeza” da França é somente banal. O que é mais revelador é o contorcionismo político de um homem que há dois anos explicava que o que falta em França “é a figura do rei, cuja morte creio que, fundamentalmente, o povo francês não desejava” (é mesmo a Luís XVI que se refere!), e que se lança agora no projecto de remodelação das relações sociais que a direita sempre temeu promover ou a que faltaram forças para impor. Uma e outra, a figuração presidencial no registo monárquico por parte de alguém que se faz alcunhar “Júpiter” entre os funcionários do palácio, e a ambição de destroçar a contratação colectiva e a organização sindical, impondo uma negociação na empresa onde os trabalhadores são mais vulneráveis, revelam uma forma de governar: cesarista e autoritária. Resultando de um saldo eleitoral tão magro, pois os votos de confiança em Macron foram 24% na primeira volta das presidenciais e depois cerca de 30% na primeira volta das legislativas (com mais de metade de abstencionistas), estas vitórias deram-lhe uma esmagadora supremacia institucional, com dois terços do parlamento, através do truque do sistema eleitoral. Mas não lhe deram a supremacia social. Uma parada não resolve a França. (…)» Francisco Louçã in Macromania, Público.

Avareza 15

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«Suspeita-se que o tesouro das monjas tenha sido acumulado atingindo diretamente as caixas da entidade, desviando milhares de milhões dos reembolsos estatais recebidos em nome das prestações de saúde aos doentes. Uma montanha de dinheiro que, em vez de permanecer nos cofres do hospital à disposição dos seus credores (em primeiro lugar o erário público italiano), fora escondida no torreão Nicolau V. Mas não é tudo: além da conta "oficial", no IOR foi encontrada uma outra conta de 27,5 milhões de euros sob o nome de uma misteriosa Casa de Procuração Instituto Servas da Divina Providência, outra entidade fundada pela Congregação em 1999. Um organismo fictício, segundo os inquiridores, constituído e depois utilizado com o fim de ocultar as riquezas das irmãs ao Estado italiano e aos outros credores.» 
Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016

sábado, 15 de julho de 2017

Mação, Frechas e Crestuma sofrem descargas poluentes

  • Milhares de peixes mortos apareceram a boiar no rio Tua, junto à aldeia de Frechas, em Mirandela. Há suspeitas de uma descarga poluente de uma fábrica de óleos, estando o caso a ser investigado pela equipa do Ambiente da GNR, o SEPNA. SIC. Entretanto, em Mação, uma fábrica persiste em poluir o rio. A praia fluvial de Ortiga e arredores é que sofrem, denuncia Arlindo Manuel Consolado Marques. E ainda, em Crestuma, uma fábrica fez uma descarga para o Douro...
  • A Área Metropolitana do Porto está a realizar o Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas. O preenchimento do questionário é um elemento muito importante para a definição das ações de adaptação aos riscos climáticos. A sua opinião é decisiva para construirmos uma área metropolitana mais sustentável, saudável e atenta aos riscos associados às alterações climáticas. 
  • A Eslovênia vai salvar a reduzida população de lince importando gatos selvagens da Eslováquia e da Roménia. O lince desapareceu há cerca de 100 anos, mas foi reintroduzido com sucesso em 1974, quando seis exemplares foram importados da Eslováquia. O seu número aumentou até 2000, altura em que diminuiu devido a falhas genéticas causadas pela endogamia. Reuters.
  • O Camboja proibiu todas as exportações de areia por motivos ambientais, terminando oficialmente com a venda de areia para Singapura, que há anos a usa para recuperar espaço ao longo da sua orla costeira. Reuters.
  • A agência que aprova os transgénicos na Argentina está recheada de funcionários de empresas agroindustriais produtoras de OGMs e cientistas com conflitos de interesse. 26 dos 34 membros da Conabia integram representantes da  Monsanto, Bayer, Syngenta, Indear/Bioceres, Pioneer/DuPont, Don Mario, ASA, Aapresid, Argenbio e INTA. A Conabia é um grupo seleto e secreto que decide que sementes são aprovadas, mas rejeita a responsabilidade pelos impactos resultantes: uso massivo de agroquímicos, remoção de terras, despejos e condições de saúde. Eles são apresentados como "cientistas", "técnicos" ou "especialistas" e escondem as suas ligações com as empresas que produzem transgénicos. Este sistema corrupto está a provocar impactos devastadores no ambiente e na saúde das populações rurais - apenas para fornecer alimentação transgénica para animais de empresas de agropecuária na Europa. GMWatch.