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domingo, 12 de julho de 2026

ÁGUEDA: QUERCUS DENUNCIA PLANTAÇÕES DE EUCALIPTO EM ÁREAS AFETADAS POR INCÊNDIOS


  • O Núcleo Regional da Quercus de Aveiro tem recebido denúncias de novas plantações de eucalipto em áreas sensíveis do concelho de Águeda, nomeadamente na proximidade de habitações, linhas de água, vias de comunicação e solos com condicionantes territoriais. Além da proximidade às habitações, a Quercus alerta para a presença de eucaliptos e outras espécies de elevada inflamabilidade ao longo de estradas municipais, caminhos de acesso às aldeias e vias secundárias. Perante as denúncias recebidas, a Quercus exige: (1) A reapreciação urgente das autorizações de plantação de eucalipto em áreas sensíveis, especialmente junto a habitações, linhas de água, vias de comunicação e solos com condicionantes; (2) A fiscalização efetiva das plantações realizadas no terreno, incluindo a verificação das distâncias legais, das faixas de gestão de combustível, das condicionantes territoriais aplicáveis e dos pareceres municipais; (3) A suspensão ou reversão das plantações que agravam o risco para pessoas, bens e infraestruturas; (4) O cumprimento das promessas assumidas após os incêndios de 2024 relativamente ao arranque de touças, remoção de material lenhoso e apoio à plantação de espécies autóctones; (5) A criação de programas municipais e nacionais de apoio à substituição de eucaliptal em zonas críticas por espécies autóctones, sistemas agroflorestais resilientes e modelos florestais de ciclos mais longos; (6) A responsabilização das entidades públicas e privadas que continuem a promover ou validar modelos de ocupação do território que aumentam o risco de incêndio. (7) A segurança das populações não pode continuar subordinada à expansão de um modelo florestal intensivo, inflamável e incompatível com a proteção das aldeias.
  • Para combater o calor, o Rossio de Évora vai receber floresta gigante com 1500 árvores. O projeto vai transformar um dos locais mais quentes da cidade no maior legado da Capital Europeia da Cultura 2027. Fonte.
  • TribunaL de Beja condena incendiário a pena de prisão efetiva e expulsão do País. Fonte.
  • Moradores relatam doenças em área contaminada por petróleo no litoral de São Paulo. Fonte.
  • Por dentro da obsolescência programada da Apple. Fonte.

BICO CALADO

Foto: Linda Nylind/The Guardian
  • «Como numa sauna»: os passageiros do metro de Londres sofrem com o calor, com temperaturas superiores ao limite legal para o gado. The Guardian.
  • Os procuradores alemães acusaram as autoridades ucranianas de terem ordenado o ataque com explosivos, em 2022, aos gasodutos Nord Stream que ligam a Rússia à Europa. Fonte.
  • O facto de Zelensky homenagear os combatentes ucranianos da Segunda Guerra Mundial que massacraram polacos e judeus não é a melhor forma de obter a ajuda da Polónia numa guerra perdida contra a Rússia. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

O PIOR MUNDIAL DE SEMPRE É UMA CRÍTICA À SOCIEDADE OCIDENTAL
Deaglan O'Mulrooney, Substack. Rev. O’Lima.
[Cartoons da responsabilidade do Ambiente Ondas3]

(…) O Campeonato do Mundo da FIFA de 2026, coorganizado pelos EUA, Canadá e México, é o maior torneio de futebol da história em quase todos os aspetos quantificáveis: 48 equipas, 104 jogos e milhares de milhões de espectadores. É apresentado ao mundo como uma celebração do «belo jogo». O que esta edição se tornou, nas mãos dos EUA, é algo bastante diferente. Este mundial é uma ilustração vívida, humilhante e, por vezes, sombriamente hilariante de tudo o que há de errado na cultura política ocidental. Não apenas nos EUA, embora este país mereça a maior parte da culpa. Com todo o sistema podre: a corrupção, o racismo, a servilidade das instituições perante o poder e a comercialização implacável e imparável de tudo aquilo em que os seres humanos alguma vez encontraram alegria.
(…)

Bem-vindos aos EUA

Há um vídeo a circular na Internet que explica tudo o que é preciso saber sobre este torneio antes mesmo de se ter dado o pontapé inicial. Mostra duas cenas contrastantes: no México, os jogadores a sair dos aviões ao som de música, rodeados de cor e num ambiente de verdadeira festa, recebidos como convidados, como desportistas e como seres humanos. Nos EUA, esses mesmos jogadores desceram as escadas e depararam-se com uma barreira de polícias e agentes de segurança, tratados como suspeitos antes mesmo de terem feito qualquer coisa, a não ser chegar.

O contraste não é subtil, mas também não é acidental. Foram os EUA a serem os Estados Unidos, sem qualquer vergonha.

O padrão de tratamento discriminatório tem-se verificado ao longo de todo o torneio como um fio condutor muito evidente. As delegações asiáticas e africanas foram as mais afetadas, enfrentando atrasos na concessão de vistos, revistas invasivas e, em alguns casos, a recusa total de entrada. O avançado estrela do Iraque, Aymen Hussein, foi detido e interrogado durante quase sete horas à chegada a Chicago, sem que lhe fossem apresentadas acusações formais nem que tais acusações fossem formuladas. O fotógrafo oficial da equipa foi detido durante mais de dez horas e acabou por ser deportado. A seleção nacional do Uzbequistão foi recebida por cães farejadores de bombas, cujas imagens circularam internacionalmente e suscitaram o tipo de críticas que os EUA nem sequer notam.

Os membros da delegação senegalesa foram obrigados a tirar os sapatos e a roupa para se submeterem a longas revistas de segurança que, ao que tudo indica, não foram aplicadas às delegações europeias ou norte-americanas. A equipa sul-africana chegou com um atraso considerável porque parte da sua delegação não conseguiu obter vistos a tempo. Até mesmo os adeptos escoceses elegíveis ao abrigo do programa ESTA viram as suas autorizações de viagem revogadas dias antes da partida, depois de já terem comprado os bilhetes e reservado o alojamento.

A milhares de adeptos marroquinos que tinham comprado bilhetes foram simplesmente recusados os vistos.

Isto não tem nada a ver com segurança, claro. Trata-se, antes, de discriminação racial disfarçada de procedimento, aplicada por um país cada vez mais fascista que nunca compreendeu bem a distinção entre as duas coisas.

Mais de 120 organizações de direitos civis e direitos humanos emitiram um aviso de viagem sem precedentes para os visitantes dos EUA antes do torneio, citando a recusa arbitrária de entrada, detenções, deportações, discriminação racial e repressão da liberdade de expressão. A FIFA, o órgão regulador cuja função é proteger a integridade da competição e o bem-estar dos seus participantes, analisou tudo isto e, essencialmente, não disse nada.


O tratamento dado ao Irão

Nenhuma equipa foi tratada de forma mais vergonhosa do que o Irão, e vale a pena debruçarmo-nos sobre este assunto com algum pormenor, porque os detalhes são extraordinários, mesmo à luz de tudo o resto que aconteceu.

A delegação iraniana passou dias a tratar dos trâmites de visto no Consulado dos EUA na Turquia. A quinze membros da delegação, incluindo a comissão técnica e o diretor da equipa, foram recusados os vistos de imediato e nunca chegaram a participar no torneio. Aos jogadores a quem foi concedida a entrada só lhes foi permitido entrar nos dias de jogo, o que impediu efetivamente a equipa de estabelecer qualquer preparação normal antes do torneio, qualquer ritmo ou qualquer aparência de rotina profissional.

Depois, ao chegarem aos EUA para jogar, foram alvo de abusos hediondos por parte de monarquistas iranianos e sionistas.

Nos seus dois primeiros jogos em Los Angeles, a equipa só foi autorizada a entrar no país na véspera do jogo e foi obrigada a sair no mesmo dia. Estavam alojados em Tijuana, no México, e atravessavam a fronteira para cada jogo em condições que nenhuma outra equipa do torneio foi obrigada a suportar.

«Como é possível que tenhamos sempre de viajar para Tijuana?», perguntou o capitão Mehdi Taremi. «Adoramos o povo do México. Mas, como jogadores profissionais, numa competição profissional, isto não está certo.» O treinador Amir Ghalenoei, com um eufemismo cansado que, na verdade, partia o coração, afirmou: «Costumava pensar que éramos realmente uma equipa totalmente oprimida, mas depois destes três jogos, percebi que também temos azar.» Um alto responsável iraniano classificou o tratamento como «um sinal claro de discriminação racial». A embaixada do Irão na Serra Leoa considerou «vergonhoso» que a FIFA tivesse atribuído os direitos de organização aos EUA.

Acho que todos concordamos.

Mas apesar de todos os obstáculos impostos, o Irão conseguiu três empates e fez uma exibição espetacular contra a Bélgica, conquistando um ponto contra uma das equipas mais fortes deste torneio. Foi eliminado apenas pela diferença de golos. Os jogadores iranianos, que se deslocavam diariamente de Tijuana, apesar de a sua comissão técnica ter sido privada de condições de preparação, conseguiram competir num Mundial. Os EUA, a nação anfitriã que deseja cometer um genocídio contra o seu país, naturalmente não conseguiram tratá-los como seres humanos.

O árbitro a quem não permitiram a entrada e o cartão vermelho que desapareceu

Embora não representem a totalidade do problema, estes dois incidentes, considerados em conjunto, ilustram a corrupção deste torneio com mais precisão do que qualquer outra coisa.

O primeiro: Omar Abdulkadir Artan, eleito Árbitro Masculino do Ano da CAF em 2025 e o primeiro árbitro somali de sempre a ser selecionado para arbitrar numa fase final do Campeonato do Mundo, viu-lhe ser recusada a entrada no Aeroporto Internacional de Miami. Viajava com um passaporte diplomático e possuía um visto válido, mas não lhe foi dada qualquer explicação no momento da recusa. A FIFA confirmou, após falar com as autoridades norte-americanas, que ele iria perder o torneio na íntegra. A administração Trump alegou posteriormente que Artan tinha «ligações a suspeitos de pertencerem a organizações terroristas», sem apresentar qualquer prova. Artan disse ao «New York Times» que tinha sido questionado sobre ligações ao Al-Shabaab e que tinha dito às autoridades que nada sabia sobre o grupo.

A Federação Somali de Futebol solicitou esclarecimentos à FIFA e Andrew Giuliani, que liderou o Grupo de Trabalho da Casa Branca para o Mundial, afirmou: «Embora não possa entrar em pormenores sobre o assunto, posso dizer-lhe que foi a decisão certa.»

Assim, temos aqui um responsável selecionado pela FIFA, a viajar com um passaporte diplomático e um visto válido, a quem foi negada a entrada com base numa alegação de terrorismo sem fundamento, sem o devido processo legal e sem possibilidade de recurso. A FIFA encolheu os ombros.


O segundo incidente acabou de acontecer. Nos oitavos-de-final, o avançado dos EUA, Folarin Balogun, recebeu um cartão vermelho direto por uma falta sobre o bósnio Tarik Muharemovic. De acordo com as regras da competição, tal como têm existido ao longo de toda a história do futebol, ele deveria ter sido suspenso para o jogo seguinte. Desta vez, porém, Donald Trump ligou ao seu amigo Gianni Infantino, o presidente da FIFA que recentemente lhe atribuiu um prémio de paz inventado, e a comissão disciplinar da FIFA suspendeu, posteriormente, a suspensão automática de um jogo por doze meses. Isto nunca tinha acontecido antes na história do desporto. A UEFA (a principal entidade do futebol europeu) classificou o caso como uma «linha vermelha» que tinha sido ultrapassada. «O futebol, tal como qualquer outro desporto, assenta em regras, que são a base para uma competição justa, honesta e transparente», afirmou o órgão regulador. «Uma suspensão automática mínima de um jogo na sequência de um cartão vermelho não é uma opção discricionária.»

Felizmente, a Bélgica não precisou dos árbitros, pois venceu os EUA por 4-1. Após o quarto golo, vários jogadores belgas executaram o que ficou conhecido como a «dança do Trump», ridicularizando o presidente diretamente em campo.

A conta oficial da Bélgica no Instagram publicou uma fotografia de Romelu Lukaku a colocar a mão em concha atrás da orelha, com a legenda «reverte isto».

Tudo isto foi, para ser totalmente sincero convosco, um dos momentos mais gratificantes de todo o torneio até agora.

A comercialização de tudo

A FIFA nunca foi uma organização limpa. Nunca esteve isenta de ganância, de interesses próprios ou da vontade de realizar os seus torneios em países capazes de passar os cheques mais avultados, independentemente do custo humano. Sabemos disso. Sempre soubemos disso. Mas os EUA conseguiram, de alguma forma, pegar no apetite já existente da FIFA pela comercialização e acelerá-lo a um ritmo que até mesmo observadores experientes como eu consideraram surpreendente.

Os intervalos para hidratação são o exemplo mais claro. A FIFA impôs intervalos de três minutos a meio de cada parte de todos os jogos, independentemente das condições meteorológicas, apresentados publicamente como uma medida para o bem-estar dos jogadores face ao calor americano. As emissoras aproveitaram-nos para exibir anúncios publicitários. Infantino indicou, desde então, que está a ser estudada a viabilidade dos intervalos para hidratação em futuros torneios, o que significa que provavelmente desaparecerão após este Mundial. O treinador do Uruguai, Marcelo Bielsa, que nunca tem meias palavras, afirmou: « Este desporto nunca teve interrupções como estas, e agora tem. Não acrescentam nada e tiram muito.» O capitão da Holanda, Virgil van Dijk, questionou por que razão as pausas estavam a ocorrer em condições que não as justificavam. A resposta, que todos no futebol compreenderam e que ninguém no departamento de comunicação da FIFA iria dizer em voz alta, é que as pausas não tinham a ver com os jogadores. Tinham a ver com os espaços publicitários. O bem-estar dos jogadores estava a fazer um trabalho de peso, verdadeiramente ao nível olímpico, como justificação.

E depois há o próprio Infantino, que fez a transição de presidente da FIFA para adepto norte-americano de forma tão completa que, por vezes, é difícil lembrarmo-nos de qual é, afinal, o cargo que ele ocupa. Foi filmado numa tribuna VIP a comemorar os golos da Argentina com um entusiasmo que a suposta neutralidade da FIFA não consegue totalmente encobrir.

Após a vitória da Argentina sobre Cabo Verde nos oitavos-de-final, ele disse à televisão argentina: «Um abraço a toda a Argentina e parabéns. O meu coração não aguentou esta noite, mesmo para mim, que sou (sic) neutro.»

Os jogadores e a comissão técnica do Egito ficaram furiosos após a derrota frente à Argentina num quarto-de-final controverso. O avançado Ziko afirmou que o campeonato foi «manipulado a favor da Argentina». O treinador Hossam Hassan foi mais direto: «Eles querem que os campeões do mundo estejam lá, querem que o Messi esteja lá. É uma questão de marketing. Não houve respeito nem fair play.»

Não vou ao ponto de dizer que o torneio foi viciado a favor da Argentina. Mas vou salientar, porque isto não passa despercebido aos leitores atentos ao espetáculo, que a Argentina, sob Milei, é um dos governos mais favoráveis aos EUA e a Israel da América Latina, que Messi é um sionista conhecido e que o presidente da FIFA foi filmado a celebrar as suas vitórias com alegria indisfarçável. Tirem daí as vossas próprias conclusões.

A acusação

Eis, então, o que o Mundial de 2026 realmente é. Um país anfitrião que pratica discriminação racial contra os atletas de todo o mundo na fronteira e chama a isso «segurança». Um órgão regulador que anula um cartão vermelho porque o presidente dos EUA fez um telefonema, e que não disse nada quando a um árbitro somali foi negada a entrada com base numa alegação de terrorismo sem qualquer prova. Pausas para hidratação inseridas no desenrolar do jogo para acomodar os horários publicitários americanos, disfarçadas de preocupação com o bem-estar dos jogadores. Uma equipa iraniana a fazer a viagem diariamente a partir de Tijuana. Milhares de adeptos marroquinos que compraram bilhetes e nunca foram autorizados a entrar. E a presidir a tudo isto, um presidente da FIFA que não consegue conter o sorriso quando a equipa certa marca um golo.

O Mundial nunca foi uma instituição pura ou inocente. Mas, nos seus melhores momentos, tem sido algo… melhor? Um encontro familiar e genuíno do mundo, uma competição em que as nações mais pequenas do futebol podem, ocasionalmente, derrotar as maiores, um torneio em que, durante algumas semanas, o desporto é o que importa. O que os EUA fizeram foi pegar nisso e submetê-lo à sua própria máquina particular: o racismo, o excecionalismo, a convicção de que as regras se aplicam a todos, exceto às pessoas que as criam, a transformação de tudo o que é alegre numa fonte de receitas.

Da próxima vez que ouvirem alguém falar sobre os valores ocidentais, sobre a ordem internacional baseada em regras, sobre o farol ao alto, lembrem-se dos jogadores iranianos que se deslocavam diariamente de Tijuana. Lembrem-se de Omar Abdulkadir Artan, detido no aeroporto de Miami com um visto válido e um passaporte diplomático, enquanto Andrew Giuliani dizia à imprensa que não podia entrar na «deterção», mas assegurava a todos que tinha sido a decisão certa. Lembrem-se do cartão vermelho de Folaron Balogun, anulado por um telefonema. Lembrem-se dos intervalos para hidratação e do seu verdadeiro propósito, porque é assim que se apresenta a cultura política ocidental quando acolhe um torneio de futebol. A sordidez, a corrupção, a hipocrisia, o racismo, a servilidade das instituições perante o poder, a comercialização de tudo — estava tudo lá, no maior palco do desporto mundial, perante quatro mil milhões de pessoas.

O Mundial de 2026 será lembrado como o pior de todos os tempos, tal como merece.

sábado, 11 de julho de 2026

ÁFRICA: AGRICULTORES CONTESTAM OLEODUTO

Kampala, Uganda, 26ago2024. REUTERS/Abubaker Lubowa
  • A francesa TotalEnergies está a construir um enorme oleoduto para transportar petróleo bruto do Uganda até à costa da Tanzânia, para exportação. Quatro agricultores ugandeses interpuseram esta semana uma ação judicial no Reino Unido contra a filial britânica da empresa responsável pelo oleoduto, numa tentativa de impedir que o petróleo comece a circular, tal como previsto, ainda este ano. Fonte.
  • Foi detetada uma bactéria rara (Cupriavidus gilardii) nas águas residuais perto do centro de dados de IA da Meta, em Cheyenne, no Wyoming. Embora seja geralmente inofensiva para pessoas saudáveis, pode causar infeções graves ou a morte em indivíduos com o sistema imunitário enfraquecido. A descoberta obrigou duas estações de tratamento de águas a interromperem o funcionamento e exigirá meses de limpeza. A cidade revogou definitivamente a autorização da Meta para descarregar águas residuais no sistema de tratamento. As autoridades salientam que a água potável não foi contaminada. Fonte.
  • Consulta pública até 20 de agosto: Projeto Concessão Mineira C-130 “Monte Redondo”, Leiria.
  • Em 2006, um vulcão de lama entrou em erupção junto a um poço de gás em Java Oriental, soterrando aldeias e transformando um conflito relacionado com a perfuração num longo desastre humanitário. Fonte.

BICO CALADO

  • Os planos da Volkswagen para uma parceria no setor da guerra com a empresa israelita Rafael foram vetados pelos investidores do Catar da fabricante automóvel alemã. O fundo soberano do Catar, terceiro maior acionista da Volkswagen, rejeitou a proposta da administração para fabricar componentes de mísseis e veículos militares na fábrica da empresa em Osnabrück. Fonte.
  • A Comissão Nacional de Relações Laborais intimou Wendy McCaw, a controversa proprietária e editora do já extinto «Santa Barbara News-Press», a pagar 3,603 milhões de dólares em salários em atraso, juros e indemnizações aos trabalhadores que despediu ilegalmente ou a quem pagou salários a menos há cinco anos. A decisão baseou-se em provas de que McCaw retirou dinheiro do jornal e o desviou para as suas outras empresas — sendo ela a única proprietária de todas elas. Além disso, ficou com uma parte para si própria. Fonte.
  • AIMA fatura milhões com imigrantes, mas deve e não paga 88 mil euros a advogados. Público.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

BOMBARRAL: FUGA DE GASES TÓXICOS EVACUA ARMAZÉM DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

  • Uma avaria no doseador que mistura hipoclorito de sódio com ácido sulfúrico, numa ação de desinfeção durante a pesagem de produtos, terá estado na origem da libertação de gases tóxicos num armazém da empresa hortofrutícola O Melro, em Sanguinhal, Bombarral. A fuga provocou a evacuação de centena e meia de pessoas do interior de um armazém, tendo 12 funcionárias sido conduzidas ao hospital. Recorde-se que, em maio de 2019, na mesma empresa, 14 trabalhadores sofreram uma intoxicação devido a um incidente durante a realização de obras na cobertura do armazém. O corte de materiais no telhado provocou a libertação de produtos e fumos tóxicos para o interior das instalações, tendo os funcionários afetados necessitado de assistência médica urgente. Fonte.
  • A Estação de Água para Reutilização de Vilamoura, capacitada para a rega de jardins, campos de golfe e agricultura, e preparada para abastecimento ao consumo humano, foi inaugurada pela ministra do Ambiente. Fonte.
  • Consulta pública até 5 de agosto: Consulta Pública AAPICO Águeda S.A. (Fundição de metais ferrosos) Fonte.
  • O Ministro Federal da Segurança Alimentar Nacional e da Investigação do Paquistão, Rana Tanveer Hussain, visitou Portugal para reforçar a cooperação bilateral no setor agrícola, com especial destaque para a indústria da azeitona. O ministro incentivou ativamente os investidores e as empresas portuguesas a explorarem joint ventures e parcerias público-privadas no setor da azeitona do Paquistão. Hussain referiu que já foram plantadas mais de sete milhões de oliveiras numa área superior a 55 000 acres no Paquistão. Para atrair parceiros portugueses, destacou incentivos aliciantes, incluindo a propriedade estrangeira a 100%, arrendamentos de terrenos a longo prazo e a importação isenta de direitos aduaneiros de maquinaria agrícola. Fonte.
  • Comissão Europeia abre processo contra Portugal por falhas no controlo das pescas. Portugal deveria ter implementado, até dezembro de 2013, um sistema de cruzamento automático, análise e verificação dos dados da atividade pesqueira, incluindo uma base de dados eletrónica destinada a validar essa informação. Para o executivo comunitário, estas falhas prolongadas prejudicam a eficácia da fiscalização e podem comprometer a igualdade de condições entre operadores do setor pesqueiro nos diferentes Estados-membros. Fonte.
  • 10 de julho de 1985: os serviços secretos franceses fizeram explodir o navio Rainbow Warrior, em Aotearoa/Nova Zelândia, matando Fernando Pereira, um fotógrafo. O navio dirigia-se para protestar contra os ensaios nucleares franceses.

BÉLGICA ALVO DE QUEIXA POR VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DEVIDO A NÍVEIS RECORDE DE POLUIÇÃO POR PFAS

  • A ClientEarth apresentou uma queixa contra a Bélgica devido à sua incapacidade de proteger os seus cidadãos dos riscos significativos para a saúde decorrentes dos «químicos eternos» (PFAS). A Bélgica apresenta os níveis mais elevados de PFAS de todos os países europeus. «Não só existe contaminação há muito tempo, como constatámos que as autoridades têm conhecimento desta contaminação há anos, se não décadas, e que muito pouco foi feito», afirma Hélène Duguy, advogada especializada em direito ambiental da ClientEarth. Fonte.
  • A companhia de águas Severn Trent foi poupada de uma multa pela entidade reguladora do setor, apesar das «violações graves e inaceitáveis» na sua gestão de águas residuais e esgotos. A Ofwat acusa a empresa de violar as suas obrigações ao não assegurar de forma eficaz a drenagem e o tratamento do conteúdo dos seus esgotos. Fonte.
  • O governo britânico concedeu à central nuclear de Sizewell B uma prorrogação da vida útil de 20 anos, o que permitirá que esta continue a produzir eletricidade até 2055. O proprietários da central irão assinar um «contrato por diferença», ao abrigo do qual receberão 70,50 libras por megawatt-hora, a preços de 2025, «indexados à inflação, durante os 20 anos entre 2035 e 2055». Fonte.
  • A ExxonMobil vai investir mil milhões de dólares no Projeto Usan Infill, na zona offshore da Nigéria, um empreendimento que se prevê que aumente a produção de petróleo em 40 000 barris por dia. Fonte.
  • A Shell decidiu vender os seus 580 postos de abastecimento na África do Sul à Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), alienando assim ativos com baixas margens de lucro. A presença da Shell na África do Sul remonta a 1902, quando começou a vender querosene. A empresa criou uma refinaria em Durban em 1921. Ao longo dos anos, a Shell foi criticada pelo seu papel durante o apartheid e pelas suas práticas ambientais, tendo sido de fortes protestos na década de 1980. Apesar de ter vendido o seu negócio de retalho, a Shell continuará a operar na África do Sul através da perfuração de poços de petróleo e gás ao largo da costa. Daily Telegraph.

BICO CALADO

Foto: Narendra Shrestha/EPA
  • O grupo bracarense DST, através da sua marca especializada em construção industrializada Zethaus, vai construir um empreendimento de 339 unidades turísticas em Vila Nova de Santo André, no concelho alentejano de Santiago do Cacém. O projeto conta com um investimento de 52 milhões de euros financiado pelo grupo chinês CALB, o qual já tem planeada a instalação de uma fábrica de baterias em Sines ae com quem a DST firmou um acordo de reciclagem de baterias no início de 2025. Fonte.
  • Uma agência criativa de 14 pessoas com ligações ao PSD gere o motor informático das escolas. As falhas nos exames abriram a caixa negra de um sistema 'low cost' ainda sem explicações do Governo. Fonte.
  • A Entidade Reguladora da Saúde alertou para a falta de concorrência no setor privado e social, destacando o monopólio de um único operador no Alentejo Litoral e Baixo Alentejo. Fonte.
  • Vexames Nacionais​. Raquel Varela, Maio.
  • A plataforma cai. Os professores ficam de pé. Bruna Oliveira Lemos, Esquerda.
  • A Comissão de Regimento da Câmara dos Representantes manipula os procedimentos parlamentares para bloquear votações que restringiriam a ajuda militar dos EUA a Israel, apesar do aumento da pressão pública e política sobre esta questão. Fonte.
  • Foram incendiadas 300 barracas de um acampamento de trabalhadores migrantes em Palos de la Frontera, Huelva, durante o processo de regularização, no qual precisam de documentação que foi consumida pelo fogo. Fonte.
  • A Amnistia Internacional exigiu uma investigação por crimes de guerra sobre os ataques aéreos israelitas no sul do Líbano. Os ataques em questão ocorreram em março e causaram a morte de 24 civis, incluindo 12 crianças, em bairros das cidades de Tiro, Saida e Nabatieh. A Amnistia afirma ter reunido provas suficientes para concluir que as forças israelitas violaram o direito internacional ao não distinguirem entre alvos civis e militares durante a condução da campanha. Fonte.
  • 39.º dia de protestos em massa em Tirana, na Albânia. Milhares de pessoas exigem a demissão do primeiro-ministro Edi Rama devido à corrupção, a um Estado dominado pela máfia e à venda de terrenos, ilhas e áreas protegidas a oligarcas e bilionários, incluindo Kushner. Fonte.

LEITURAS MARGINAIS

DE PARAÍSO FISCAL A BANQUEIRO DE GUERRA: O PAPEL DO LUXEMBURGO NO REFORÇO MILITAR DA EUROPA
Laura Ruggeri, Substack. Rev. O’Lima.


Na cimeira da NATO em Ancara, o Luxemburgo posicionou-se como um dos defensores mais veementes da aliança no que diz respeito ao rearmamento europeu acelerado. Para um país com apenas 700 000 habitantes, situado em segurança na Europa Ocidental e praticamente sem exército permanente, esta posição não é, obviamente, motivada por necessidades de defesa. O seu raciocínio é puramente financeiro.

A adesão entusiástica do Luxemburgo à retórica bélica tem origem no seu papel desproporcionado nas finanças globais. Apesar da sua dimensão minúscula, o Grão-Ducado está entre os principais centros financeiros do mundo. Os números são exorbitantes. No final de 2025, os ativos sob gestão em fundos domiciliados no Luxemburgo atingiram 8,2 biliões de euros. O Grão-Ducado gere 58 por cento de todos os fundos transfronteiriços globais. É o segundo maior domicílio de fundos do mundo, apenas atrás dos EUA, e o maior centro de fundos da Europa. Os seus ativos financeiros externos ascendem a 13 biliões de euros. Isto não é um país. É uma máquina de extração de valor, uma vasta bomba financeira que canaliza a riqueza mundial para os cofres da elite global.

E agora essa máquina encontrou um novo produto para vender: a morte. A ministra da Defesa, Yuriko Backes, deixou escapar essa verdade antes da cimeira, quando afirmou aos jornalistas: «Em cada rubrica de despesa, temos também de considerar o retorno económico para o Luxemburgo.» A guerra é um bom negócio. E o Luxemburgo pretende ser o financiador.

A contribuição mais concreta do Luxemburgo em Ancara foi o seu apoio ao novo Banco de Defesa, Segurança e Resiliência (DSRB), uma instituição multilateral que está a ser planeada para canalizar capital privado para projetos de defesa e segurança. Com sede no Canadá, e com o Luxemburgo a desempenhar um papel-chave a nível europeu, o banco visa financiar não só tecnologias de dupla utilização, mas também capacidades letais. Até ao momento, o projeto conta com o apoio de representantes da Albânia, Bélgica, Grécia, Letónia, Roménia, Turquia e Ucrânia. A ideia foi proposta pela primeira vez em 2024 por banqueiros (surpresa, surpresa) e por um grupo de antigos conselheiros de segurança da NATO e oficiais militares. O JPMorgan, o Deutsche Bank, o Commerzbank e o ING, bem como os maiores bancos do Canadá — RBC, BMO, CIBC, Banco Nacional do Canadá, Scotiabank e TD Bank —, passaram desde então a participar no projeto.

As despesas com a defesa do próprio Luxemburgo também são bastante reveladoras. Quando o primeiro-ministro Luc Frieden assumiu o cargo, a contribuição do país para a NATO situava-se em 0,4% do Rendimento Nacional Bruto. Agora, está a caminhar a passos largos para atingir os 2,3% até 2029 — cerca de 1,66 mil milhões de euros. Ao cumprir as metas da NATO, o Luxemburgo garante-se um lugar à mesa onde os contratos são atribuídos.

Para além do banco, o Luxemburgo aderiu a novos projetos da NATO, incluindo o sistema de reconhecimento GlobalEye, a cooperação em matéria de matérias-primas essenciais para a defesa e o investimento num décimo avião de transporte e reabastecimento multifuncional.

O que torna este momento particularmente obsceno é a rapidez com que o setor financeiro abandonou as suas pretensões morais. Até recentemente, muitos gestores de fundos consideravam a produção de armamento eticamente questionável. Agora, abraçam-na com entusiasmo. Os ETFs europeus do setor da defesa registaram rendimentos entre 60 e 75 por cento entre 2025 e meados de 2026. Só nos primeiros cinco meses de 2025, os investidores injetaram mais de 2,7 mil milhões de dólares nesses fundos. Os seis maiores grupos bancários franceses aumentaram o seu financiamento a empresas do setor da defesa em 25 por cento até ao final de 2025, atingindo mais de 46,6 mil milhões de euros — um aumento de 75 por cento em comparação com 2021.

A BlackRock lançou o seu ETF Europe Defence em maio de 2025. O BNP Paribas aumentou o financiamento à defesa em 2 mil milhões de euros e abandonou a sua política que proibia o financiamento de «armas controversas». O BPCE emitiu uma obrigação de defesa no valor de 750 milhões de euros, que foi subscrita em quase quatro vezes o valor previsto. A Warburg Pincus está a considerar angariar até 1,5 mil milhões de euros para um fundo dedicado à defesa.

Em 2025, o Financial Times noticiou que o Deutsche Bank tinha criado uma equipa dedicada aos setores da defesa e das infraestruturas, composta por cerca de 40 banqueiros de diferentes divisões, com o objetivo de tirar partido do impulso ao rearmamento europeu. O número de membros dessa equipa já aumentou desde a publicação do artigo.

O rearmamento é um negócio lucrativo, uma vasta transferência de riqueza pública para as mãos do setor privado, disfarçada sob o pretexto da segurança.

Yuriko Backes, que supervisiona três pastas desde que assumiu o cargo de ministra da Mobilidade e Obras Públicas, da Defesa e da Igualdade de Género e Diversidade (!), reconheceu isto diretamente quando afirmou: «Já não podemos dizer: “Os outros vão resolver isso por nós” e confiar exclusivamente nos americanos. Esses dias acabaram.» Ela tem razão, claro. Mas a alternativa que ela imagina não é a autonomia estratégica europeia ao serviço da paz. É uma nova arquitetura de lucro ao serviço da guerra, que beneficia tanto Washington como Wall Street.

A tragédia é que o rearmamento da Europa está a ser celebrado como uma oportunidade de crescimento, enquanto os corpos dos soldados ucranianos continuam por enterrar no Donbass, porque Kiev se recusa a recebê-los da Rússia.

A postura belicista do Luxemburgo é um modelo de negócio. E, tal como todos os modelos de negócio assentes no sofrimento alheio, acabará por consumir os seus criadores. Mas, entretanto, os lucros continuarão a fluir, os dividendos serão pagos e os banqueiros contarão o seu dinheiro, enquanto os europeus se despedem do bem-estar social e lhes é dito para se prepararem para a guerra.