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sexta-feira, 31 de julho de 2026

SOUSEL: PARQUE EÓLICO DA NORTADA EM MARCHA

  • A Hyperion Renewables já iniciou a construção do Parque Eólico da Nortada no concelho de Sousel, marcando a estreia da empresa na exploração de energia eólica em Portugal e estabelecendo a primeira infraestrutura do género no Alto Alentejo. Desenvolvido em parceria com a Vestas e a Windpark, este empreendimento destaca-se como um dos pioneiros no país ao criar um sistema totalmente híbrido. A estrutura vai fundir três vertentes tecnológicas num único ponto de ligação à rede elétrica: a captação do vento, a energia solar fotovoltaica e o armazenamento em baterias de grande escala. Fonte.
  • Os esforços da Flórida no combate à poluição continuam próximos de mínimos históricos, numa altura em que a maioria dos cursos de água do Estado não cumpre as normas de qualidade da água, revelando um programa de fiscalização «em crise», de acordo com um novo relatório.

sábado, 4 de julho de 2026

DESLARRRGUEM A ARRÁBIDA! domingo, 19 de julho

  • Nova caminhada Deslarrrguem a Arrábida: domingo, 19 de julho, 10h, com partida junto ao restaurante "A Restinguinha", em Setúbal. Contra a privatização das praias e do Parque de Merendas da Comenda, juntamo-nos para dizer que não conseguirão roubar aquilo que é de todos! Fonte.
  • Sines vai ter uma refinaria de antimónio, uma matéria-prima crítica para sistemas de defesa e semicondutores. FonteNenhum estudo de impacto ambiental foi localizado nas nossas fontes. Será possível não se estar a cumprir uma regra essencial para este tipo de projetos?
  • Movimento pelo Tejo contestou, em cartas enviadas à Provedoria de Justiça da União Europeia e à Comissária Europeia para o Ambiente, a decisão do Provedor de Justiça Europeu de recusar a abertura de inquérito ao arquivamento, pela Comissão Europeia, da denúncia sobre a ausência de caudais ecológicos no rio Tejo. O movimento acusa a Comissão de incorrer num “erro manifesto de apreciação” e exige a abertura imediata de procedimento por infração contra Portugal e Espanha. Fonte.
  • Consulta pública até 13 de agosto: Transgranitos - Mármores e Granitos do Alto Tâmega, Lda. - Pedreira Rei Mouro, Pena Verde-Aguiar da Beira.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

REFLEXÃO

AUMENTAM AS TENSÕES ENTRE OS ESTADOS QUE DEPENDEM DO RIO COLORADO


O rio Colorado — fonte de vida para 40 milhões de pessoas e 5,5 milhões de acres de terras agrícolas — está a diminuir devido a décadas de seca, aquecimento global e atribuição excessiva de direitos de água. Os sete estados norte-americanos que dele dependem (Arizona, Califórnia, Nevada, Colorado, Utah, Novo México e Wyoming) não conseguem chegar a acordo sobre como repartir um abastecimento que é agora muito inferior ao prometido pelas regras centenárias.

O Colorado River Compact de 1922 divide a água igualmente entre as bacias superior e inferior, mas o rio já não produz tanta água. Os estados da bacia inferior (CA, AZ, NV) já fizeram cortes e querem que os estados da bacia superior se comprometam com reduções permanentes. Os estados da bacia superior argumentam que já usam menos água e são forçados a reduzir naturalmente quando a cobertura de neve é baixa.

Os estados preparam processos judiciais, reservando fundos e aprimorando os seus argumentos legais. Arizona e Colorado já sinalizaram interpretações conflituantes sobre o pacto de 1922. Alguns legisladores ameaçam reter fundos de assistência para a seca dos estados que entrarem com ações judiciais. Especialistas alertam que o envolvimento do Supremo Tribunal pode levar anos e gerar ainda mais incertezas. Sem um acordo, a região enfrenta escassez crítica, instabilidade nas entregas de água e potencial colapso da gestão coordenada do rio. Os negociadores afirmam que apenas um acordo entre os sete estados pode evitar uma crise jurídica e ambiental. 

domingo, 31 de maio de 2026

EUA: ESGOTOS NÃO TRATADOS CONTAMINAM RIO POTOMAC

Em 16 de fevereiro, em Cabin John, Maryland, tubagens desviam águas residuais não tratadas para o Canal C&O, contornando uma secção danificada do coletor do Potomac. Crédito: Chip Somodevilla/Getty Images

Em janeiro, um cano de esgoto com 60 anos, conhecido como «Potomac Interceptor», que percorre a margem do rio Potomac no estado de Maryland, ruiu perto do corredor da Clara Barton Parkway, no distrito de Montgomery, derramando cerca de 243 milhões de galões de esgoto não tratado para o rio Potomac durante aproximadamente três semanas. Mas mesmo antes desse derrame, outra crise já tinha começado a desenrolar-se noutro local da bacia hidrográfica. Na Base Conjunta Andrews, no distrito de Prince George, uma falha no sistema de combustível a 11 de dezembro levou à entrada de milhares de galões de combustível de aviação na nascente do Piscataway Creek, um afluente que desagua diretamente no Potomac. A fuga continuou durante meses antes de as autoridades reguladoras estaduais terem sido notificadas. Com mais de 400 milhas de extensão, o rio Potomac é fonte de água potável para mais de 5 milhões de pessoas na área metropolitana de Washington, D.C. Em abril, a American Rivers, uma organização sem fins lucrativos dedicada à conservação, nomeou-o o rio mais ameaçado do país. Fonte.

terça-feira, 26 de maio de 2026

REFLEXÃO

LEGISLAÇÃO CONFERE AO RIO WYE O DIREITO DE ESTAR LIVRE DE POLUIÇÃO
Nicola Goodwin, BBC. Trad. O’Lima.


O rio Wye tornou-se o primeiro rio do Reino Unido a receber direitos transfronteiriços que o abrangem desde a nascente até ao mar.

A carta, lançada em Hay-on-Wye, reconhece a importância do rio para as pessoas e para a natureza, tanto no presente como no futuro. Foi aprovada por câmaras municipais, ativistas e grupos ambientalistas de Inglaterra e do País de Gales.

«O rio tem o direito de desempenhar as suas funções naturais e de estar livre de poluição», afirmou a vereadora Elissa Swinglehurst, que assinou a carta em nome da Câmara Municipal de Herefordshire.

A vereadora de Herefordshire, Elissa Swinglehurst (à esquerda), ajudou a elaborar a carta

O rio Wye tem 250 km de comprimento e nasce no País de Gales, atravessa os condados de Herefordshire e Gloucestershire, em Inglaterra, antes de voltar a atravessar a fronteira.

«Esperamos que o que fizemos aqui hoje chegue às salas paroquiais, às comunidades, aos salões das aldeias, às quintas e às escolas», afirmou Swinglehurst, que ajudou a elaborar a carta.

«Esperamos que isto sensibilize as pessoas para o facto de que o rio tem o direito de ser respeitado. Imaginem se o rio Severn o fizesse, depois o Avon, depois o Tamisa. Se todos os rios fizessem isto, então certamente a alteração constitucional para considerar os direitos da natureza seria, pelo menos, possível.»

A carta foi lançada por centenas de apoiantes que caminharam desde o local do Hay Festival até ao Warren, um espaço público aberto junto ao rio Wye.

O rio Wye tem sido afetado por algas que tornam a água verde

O rio Wye é um dos rios mais famosos do Reino Unido, mas tem vindo a ficar mais poluído nos últimos anos. Tem sido alvo de muitos processos judiciais, com ativistas a alegarem que a poluição proveniente da agricultura e das águas residuais tem levado à proliferação de algas, privando a vida selvagem de oxigénio.

Está protegido pela legislação de conservação, mas o estado do rio foi rebaixado para «desfavorável – em declínio» pela Natural England.

A nova carta foi aprovada pelos conselhos de Herefordshire e Forest of Dean, bem como pela Associação dos Parques Nacionais de Bannau Brycheniog (Brecon Beacons) e pela Wye Valley National Landscape.

Os conselhos de Powys e Monmouthshire também estiveram representados na cerimónia.

O rio Ouse, em Sussex, foi o primeiro na Inglaterra a obter uma carta de direitos, mas o rio Wye é o primeiro rio no País de Gales a ser abrangido por um documento deste tipo.

O Conselho de Herefordshire afirma que a carta confere ao rio Wye uma série de direitos «destinados a orientar a proteção e recuperação a longo prazo do rio e da sua bacia hidrográfica».

O direito de fluir e desempenhar funções naturais, o direito à biodiversidade O direito de estar livre de poluição, o direito de ser sustentado por uma bacia hidrográfica saudável, direito de se regenerar, o direito à representação.

A marioneta «Deusa do Wye» participou na cerimónia em Hay-on-Wye

A ecologista Dra. Louise Bodnor foi nomeada «Voz do Wye» em abril de 2025. Foi escolhida pelo Conselho de Gestão de Nutrientes da Bacia Hidrográfica do Wye, do Conselho de Herefordshire, para falar em nome do rio e votar em seu nome nas reuniões oficiais.

Esta função foi criada para proteger o rio da poluição, conferindo-lhe uma voz jurídica e ecológica nas decisões de gestão.

sábado, 23 de maio de 2026

ANTÁRTIDA: GLACIAR RECUA 24 KMS EM APENAS 15 MESES

  • O glaciar Hektoria, na Antártida, ruiu a uma velocidade impressionante, recuando 24 km em apenas 15 meses e estabelecendo um recorde moderno de perda de gelo terrestre. Os cientistas afirmam que o aquecimento global e a instabilidade provocada pelo oceano transformaram o glaciar, que parecia estável, numa estrutura em rápido desmoronamento praticamente da noite para o dia. Fonte.
  • Em 2025, foi removido um número recorde de barragens e outras barreiras fluviais em toda a Europa, com o objetivo de restaurar ecossistemas e ajudar a vida selvagem a prosperar. Foram desmanteladas 602 barreiras (barragens, açudes, bueiros, eclusas), um aumento de 11 % em relação ao ano anterior e um aumento de seis vezes desde 2020. Isto reconectou 3.730 km de rios, contribuindo para o objetivo da UE de restaurar 25.000 km até 2030. A Suécia, a Finlândia e a Espanha lideraram o processo, respetivamente com 173, 143 e 109 casos. Fonte.

domingo, 10 de maio de 2026

RIO TEJO: MOVIMENTO SAÚDE INICIATIVA DE CATARINA MARTINS

  • O Movimento proTEJO saúda a iniciativa da eurodeputada Catarina Martins (Bloco de Esquerda/Grupo The Left) no Parlamento Europeu. Em março de 2024, o proTEJO e 31 organizações portuguesas e espanholas apresentaram uma denúncia à Comissão Europeia sobre a falta de caudais ecológicos cientificamente definidos no rio Tejo. Em março de 2026, a Comissão encerrou o processo sem resposta substancial. O movimento não se resignou: impugnou o encerramento, recorreu ao Provedor de Justiça Europeu, apresentou uma petição ao Parlamento Europeu e prepara via jos comenudicial. Mas em 7 de maio de 2026, Catarina Martins apresentou uma pergunta com pedido de resposta escrita à Comissão Europeia, contendo três questões diretas e juridicamente fundamentadas: (1) Se um regime de caudais definido antes da Diretiva-Quadro da Água e sem fundamentação científica adequada cumpre as obrigações legais. (2) Em que fundamentos jurídicos e técnico-científicos se baseia a dispensa de caudais ecológicos para a barragem de Cedillo (classificada como Massa de Água Fortemente Modificada). (3) Se a Comissão tenciona reavaliar a compatibilidade da Convenção de Albufeira com o direito da UE em matéria de água e conservação da naturea. Por isso, a Comissão é agora obrigada a responder publicamente no prazo de 6 semanas, saindo do silêncio que manteve por dois anos. Fonte.
 
  • Os Comentadores #150 - Carlos Guimarães Pinto, da IL, associa o caso de abusos sexuais e de torturas cometidos por polícias com o debate sobre a imigração que diaboliza os imigrantes. Isabel Vaz, do grupo Luz Saúde, acusa o Estado de dar incentivos errados aos médicos. Miguel Szymansky, jornalista, denuncia que a União Europeia está a fazer na Arménia o mesmo que fez na Ucrânia. 
  • Vandalismo e roubos perturbam GIRA por toda a cidade, sobretudo em Benfica, Carnide, Estrela e São Domingos de Benfica. FonteNão há vandalismo em relação às congéneres Lime e Bolt?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

PROTEJO AVANÇA PARA TRIBUNAIS EUROPEUS NA DEFESA DO RIO TEJO

  • O movimento proTEJO – Movimento pelo Tejo vai avançar para instâncias europeias, incluindo o Parlamento Europeu e o Tribunal de Justiça da União Europeia, depois de a Provedora de Justiça Europeia ter recusado abrir um inquérito sobre a ausência de caudais ecológicos cientificamente definidos no rio Tejo. Recorde-se que em março de 2024, 31 organizações portuguesas e espanholas apresentaram uma denúncia à Comissão Europeia, alegando não haver um regime de caudais ecológicos adequado, sobretudo na barragem de Cedillo, na fronteira luso-espanhola, o que viola a Diretiva-Quadro da Água. A Provedora de Justiça Europeia encerrou o processo sem investigação, defendendo que que Cedillo é uma Massa de Água Fortemente Modificada, não exigindo caudal ecológico rígido. O proTEJO considera este argumento contraditório e juridicamente incorreto. A Convenção de Albufeira (1998), que define caudais mínimos, não tem base científica e é anterior à Diretiva-Quadro da Água. Pelo princípio da primazia do direito da UE, a Comissão deveria ter avaliado esta incompatibilidade — algo que, segundo o movimento, não fez. O moviment4o pede agora ao Parlamento Europeu para obter informação detalhada sobre avaliações de compatibilidade, realizar uma audiência pública de modo a aprovar uma resolução que pressione a Comissão a rever o regime de caudais. O proTejo prepara ações judiciais em Portugal e Espanha, visando um possível reenvio prejudicial ao Tribunal de Justiça da UE, uma nova denúncia autónoma por alegado incumprimento das Diretivas Aves e Habitats, devido à degradação de habitats protegidos ao longo do Tejo. Fonte.
  • Estratégia Nacional de Educação Ambiental em consulta pública até 16 de junho. Fonte.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

LOULÉ: CÂMARA DENUNCIA CRIME AMBIENTAL NA FOZ DO ALMARGEM


O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto (PS), manifestou a sua indignação em relação àquilo que considera ser um crime ambiental em plena Reserva Natural Local da Foz do Almargem e do Trafal, e anunciou que irá avançar com uma queixa contra os prevaricadores que estão a pôr em causa este ecossistema, com proteção legal desde 2024, e a sobrevivência de espécies únicas, algumas que se encontram em vias de extinção, nomeadamente algumas aves, mamíferos e anfíbios. Em causa está a abertura artificial indevida deste sistema húmido, em plena época de reprodução da maioria das espécies da fauna e flora aqui existente, com especial destaque para as aves, colocando em causa toda uma nova geração de espécies que ali se iriam reproduzir, durante a primavera, como acontece todos os anos. Fonte.


domingo, 12 de abril de 2026

REFLEXÃO

A AVALIAÇÃO DA SAÚDE DOS RIOS EM PORTUGAL ESTÁ INCOMPLETA

Foto: Mafalda Gama

Segundo os investigadores, medir a taxa de decomposição da matéria vegetal permite avaliar a integridade funcional dos ecossistemas aquáticos, um aspeto que não é considerado na avaliação oficial, que se baseia quase exclusivamente em indicadores estruturais, como as comunidades aquáticas ou a qualidade da água.

A equipa de investigadores analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira, e realizou uma revisão de 61 estudos prévios sobre decomposição de detritos vegetais em rios portugueses.

“Mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”, afirma Verónica Ferreira, coordenadora do estudo. “Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar desvios que indiquem perturbações, mesmo antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas.” O estudo revela, ainda, que fatores como o tipo de detrito vegetal, a presença de macroinvertebrados fragmentadores, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água influenciam a velocidade de decomposição. Ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano.

Os autores defendem a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição - incluindo o tipo de detrito a usar, a duração da incubação e o acesso dos invertebrados - como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparações entre diferentes ecossistemas.

“Este trabalho estimula a integração de indicadores funcionais na avaliação da saúde dos rios, permitindo uma visão mais completa e realista da condição destes ecossistemas”, concluem os investigadores.

quarta-feira, 25 de março de 2026

CENTRAIS DE BIOMASSA APOIADAS PARA MELHOR COMBATER FOGOS RURAIS

  • O Ministério do Ambiente e Energia reformulou o regime de cálculo da remuneração das centrais de biomassa, passando a atribuir maior peso ao contributo de cada unidade na gestão integrada de fogos rurais. A alteração procura reforçar o papel destas centrais na prevenção de incêndios e na gestão florestal. Com a nova portaria, a remuneração das centrais passa também a estar indexada à área ardida na respetiva região de influência, num período de referência até três anos. Fonte.
  • A Quercus alerta para risco de contaminação do Rio Zêzere com resíduos tóxicos da extração mineira e pede mais fiscalização à qualidade da água, especialmente depois do colapso da barragem de lamas das Minas da Panasqueira de que resultou o arrastamento de uma considerável quantidade de resíduos inertes tóxicos para os cursos de água próximos, nomeadamente a ribeira de Cebola, um afluente do rio Zêzere. Em causa estão metais pesados altamente tóxicos como o chumbo e o arsénio, decorrentes da atividade mineira, e que só por si são motivo mais do que suficiente para a existência de fiscalização mais meticulosa. Este episódio motivou, aliás, a suspensão da captação de água num ponto de abastecimento local e impulsionou a necessidade de análises para controlo da qualidade da água por parte da Câmara Municipal da Covilhã. Fonte.
  • O projeto mineiro de volfrâmio "San Juan" em A Gudiña, na província galega de Ourense, situa-se a menos de dois quilómetros do concelho português de Vinhais e do Parque Natural de Montesinho. Apesar desta proximidade, o projeto avança “sem que estejam cumpridas as obrigações internacionais de consulta e avaliação transfronteiriça que vinculam o Estado português”, refere do deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo. Fonte.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

INGLATERRA: 11% DAS NOVAS CASAS CONSTRUÍDAS EM ZONAS DE RISCO DE INUNDAÇÕES ENTRE 2022 E 2024

  • 11% das 396.602 novas casas construídas em Inglaterra entre 2022 e 2024 foram construídas em áreas de risco médio ou alto de inundações, enquanto mais de um quarto apresentam algum risco de inundações, revela uma análise da seguradora Aviva. Uma análise anterior da seguradora tinha mostrado que uma em cada 13 novas casas fora construída em zonas de risco de inundações na década até 2022. A Aviva alerta que as novas casas que estão a ser construídas em áreas de risco de inundações não são elegíveis para o programa Flood Re, que torna o seguro acessível e disponível para famílias que vivem em áreas de alto risco. A ex-presidente da Agência Ambiental, e agora presidente da ClientEarth e da London Climate Resilience Review, Emma Howard Boyd, avisou que construir casas em zonas de risco de inundações era «um escândalo futuro à espera de acontecer». Fonte.
  • Na Austrália do Sul, o preço grossista da eletricidade caiu no quarto trimestre de 2025 para 37 dólares australianos por megawatt-hora (o que equivaleria a 26,22 dólares americanos). Esse é o preço grossista de eletricidade mais baixo de todo o continente australiano. Isso equivale a 2,6 cêntimos de dólar por quilowatt-hora. A razão pela qual o preço é tão baixo é porque a Austrália do Sul tem muita energia eólica, solar e de baterias. O custo médio da eletricidade nos EUA é de aproximadamente 17 centavos por quilowatt-hora, porque é gerada principalmente por combustíveis fósseis caros, poluentes e prejudiciais ao planeta. Fonte.
  • O carro da empresa beneficia principalmente os executivos seniores e os homens, de acordo com um estudo do Forum Vies Mobiles. Caro para o Estado, ele não é nem social nem ecológico. Via Reporterre.
  • As vendas de veículos elétricos disparam com a proibição da importação de carros a combustível fóssil pela Etiópia. O país está a aproveitar a energia hidroelétrica barata e os veículos elétricos chineses para abandonar o motor de combustão interna. Fonte.
  • Depois que mais de 240 milhões de galões de esgoto terem sido despejados no rio Potomac após a ruptura de um tubo em janeiro passado, os políticos estão lançando campanhas de limpeza e atirando a culpa uns nos outros. O Potomac Interceptor, é uma linha de esgoto da DC Water, uma concessionária de água e saneamento que serve Washington, D.C., os condados de Montgomery e Prince George, em Maryland, e os condados de Fairfax e Loudoun, na Virgínia. Fonte.
  • As alterações climáticas estão a afetar o nosso café: os dias de calor extremo disparam nas plantações de café em todo o mundo. Uma análise científica da Climate Central revela que os principais países produtores de café já sofrem 57 dias adicionais de calor extremo por ano, o que ameaça a colheita, dispara o preço do grão e coloca em risco o abastecimento da variedade Arábica. Via Climática.
  • Java, uma das maiores ilhas da Indonésia, corre o risco de afundar devido à subida do nível do mar, colocando em risco milhões de pessoas na costa. Fonte.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A BARRAGEM DE GIRABOLHOS NÃO SERÁ RELEVANTE PARA CONTROLO DE CHEIAS

  • O hidrobiólogo Adriano Bordalo de Sá, investigador da Universidade do Porto que é defensor da construção da barragem de Girabolhos, desmente a ligação entre essa estrutura e o controlo de cheias, explicando que “essa barragem não fica sequer perto do Baixo Mondego”. “Para este controlo das cheias [a barragem] não é propriamente relevante. Ela está muito longe desta zona que é sistematicamente afetada por problemas estruturais do planeamento feito no passado”, disse o hidrobiólogo. “Não terá a influência que alguns políticos, porque foram informados incorretamente, pensam que poderá ter”. A barragem de Girabolhos não avançou por vontade da Endesa. A sua concessão não incluía a gestão de cheias, como a previsão do aproveitamento de Girabolhos não prevê também. Para a gestão de cheias, importa mais o projeto hidroagrícola do Baixo Mondego, que enfrenta falhas estruturais associadas aos principais problemas de gestão de água do Mondego. A conclusão da obra hidroagrícola do Baixo Mondego, que poderia prevenir as cheias, foi mesmo levada a votação na Assembleia da República no Orçamento do Estado para 2025, tendo sido chumbada com os votos contra do PSD, CDS e IL, e com as abstenções do Partido Socialista e do Chega. Fonte.
  • Estes títulos.....
  • Enfermeiro que foi adjunto da ministra da Cultura nomeado coordenador da Estrutura de Missão de energias renovávei, sem experiência profissional nem habilitações académicas. Fonte. Comentário de oxisdaquestao: “Tudo o que precise de tratamento fica melhor nas mãos e mezinhas de um enfermeiro. Já vinha de fazer curativos e dar injeções na cultura e por isso era adjunto da ministra; agora salta para as renováveis onde os sinapismos e mézinhas são bem necessários para que o vento não amorteça, o sol não se encubra e os dividendos dos accionistas não se constipem. É o que aponta o QI do indicado e de quem o indicou.”

sábado, 7 de fevereiro de 2026

ESPINHO: RUA REABERTA À CIRCULAÇÃO AUTOMÓVEL

Foto: Defesa de Espinho
  • Interdita nos últimos dias devido ao mau tempo e ao risco de inundações, a Rua da Praia, na freguesia de Paramos, junto ao Regimento de Engenharia, vai reabrir à circulação automóvel, a partir da tarde de sexta-feira, 6 de fevereiro, tal como na zona junto à capela de São João. FontePrecisamente num dia em que a Proteção Civil alerta repetidamente para o agravamento das condições meteorológicas provocadas pela chegada da tempestade Marta e para a tomada de providências adequadas a situações de perigo iminentes.
  • A área a nascente da Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida, em Espinho, sofre inundações sistemáticas sempre que ocorrem chuvas, situação vivida novamente nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, como documenta a fotografia acima. Este problema, que se arrasta há mais de três décadas, para além dos evidentes riscos e incómodos que representa, tem um impacto direto no trânsito local. Nas horas de ponta de entrada e saída dos alunos, as ruas 30, 33 e 35 ficam completamente paralisadas, gerando engarrafamentos ruidosos. Esta situação causa não apenas arrelias, mas também graves transtornos para os utentes das vias e moradores da zona, comprometendo a sua mobilidade e qualidade de vida. Para quando uma intervenção definitiva das entidades responsáveis para resolver esta situação crónica?
  • As fortes chuvas registadas nos últimos dias provocaram um novo colapso de uma estrutura de rejeitados mineiros nas Minas da Panasqueira, em São Jorge da Beira, no concelho da Covilhã, com o arrastamento de grandes volumes de resíduos para a ribeira de Cebola, afluente do rio Zêzere. A Empresa Portuguesa das Águas Livres recolheu amostras de água em vários pontos da região para avaliar eventuais impactos na qualidade da água destinada ao consumo humano, incluindo na albufeira de Castelo de Bode, principal origem de água para a Área Metropolitana de Lisboa. Este é o terceiro colapso conhecido desta infraestrutura de rejeitados nas últimas décadas. As Minas da Panasqueira são exploradas pela Beralt Tin and Wolfram Portugal, subsidiária da mineira canadiana Almonty Industries. A exploração gerou ao longo de mais de um século enormes volumes de resíduos mineiros, muitos deles ricos em sulfuretos e suscetíveis à drenagem ácida. Alguns depósitos, como os do Cabeço do Pião, encontram-se em contacto direto ou muito próximo do rio Zêzere. Vários estudos científicos têm identificado níveis elevados de arsénio e outros metais pesados nos solos, sedimentos e cursos de água associados aos rejeitados da Panasqueira, apontando para riscos ambientais persistentes e potenciais impactos na saúde humana. Apesar desse conhecimento, não foram implementadas soluções estruturais de remediação nem programas de reaproveitamento dos rejeitados, que continuam a conter quantidades relevantes de volfrâmio e outros materiais críticos, acusa a MiningWatch Portugal. Paralelamente, têm sido denunciadas descargas recorrentes de águas residuais não tratadas ou insuficientemente tratadas para a ribeira do Bodelhão durante os meses de maior precipitação. Observadores ambientais consideram que a repetição de acidentes e incumprimentos revela uma tolerância prolongada por parte das autoridades responsáveis pela fiscalização ambiental. O colapso mais recente afetou diretamente tolivais e vinhas adjacentes. Os proprietários exigem agora o apuramento de responsabilidades e compensações pelos prejuízos sofridos. Os materiais libertados são potencialmente ácidos e podem conter concentrações elevadas de arsénio e outros elementos perigosos, levantando preocupações quanto à contaminação dos solos e à perda de produtividade a médio e longo prazo. Fonte.
Foto: Unidos Em Defesa de Covas do Barroso
  • A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso e a ClientEarth intentaram uma ação contra a Comissão Europeia, no Tribunal de Justiça da União Europeia, por atribuir o estatuto de “projeto estratégico” à mina do Barroso. As organizações defendem que a Comissão Europeia “ignorou lacunas evidentes na avaliação dos impactos ambientais, incluindo os impactos sobre espécies protegidas e a segurança da infraestrutura prevista para o armazenamento de rejeitados (…) Classificar um projeto como ‘estratégico’ e de interesse público, enquanto se fecha os olhos a riscos bem documentados para a água, os ecossistemas, a saúde humana e os meios de subsistência locais, é simplesmente inaceitável. A transição energética tem de assentar no direito, na ciência e na justiça – não em atalhos políticos que transformam regiões rurais em zonas de sacrifício”. Em junho de 2025, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, a MiningWatch Portugal e a ClientEarth apresentaram uma queixa contra a Comissão Europeia, para que reconsiderasse a classificação “projeto estratégico”, desta mina de lítio situada em Covas do Barro, concelho de Boticas, tendo em conta o Regulamento das Matérias-Primas Críticas. Em novembro, a Comissão Europeia recusou-se, alegando que o seu papel é apenas “identificar erros manifestos nas candidaturas de projetos” e que só recusaria o estatuto “se fosse manifestamente claro que o projeto não seria implementado de forma sustentável”. A mina de lítio a céu aberto obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023 e a Savannah prevê iniciar a produção de lítio em 2027, no concelho de Boticas, no distrito de Vila Real. Fonte.
  • Várias minas numa importante jazida de coltan no leste do Congo desabaram devido a deslizamentos causados por fortes chuvas. O coltan contém tântalo, um componente essencial de telemóveis e computadores portáteis. Pelo menos 300 pessoas morreram no desastre, e muitas ainda estão soterradas. Fonte.
  • A Malásia anunciou uma proibição imediata e total da importação de resíduos eletrónicos. O governo afirma que o país não será um «depósito de lixo» para os resíduos do mundo. A proibição surge no momento em que as autoridades ampliam uma investigação de corrupção relacionada a gestão de resíduos eletrónicos. Em 2025, o governo informou ter apreendido mais de 70 contentores de resíduos eletrónicos perigosos, principalmente provenientes dos EUA, num porto da Ilha de Batam. No mês passado, quatro desses contentores — contendo computadores usados, discos rígidos, dispositivos de áudio e vídeo, modems, placas de alimentação e placas de circuito impresso — foram devolvidos aos EUA. Fonte.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

BRASIL: INUNDAÇÕES EM ZONA MINEIRA OCORREM NO ANIVERSÁRIO DA CATÁSTROFE DE BRUMADINHO

  • A mineradora brasileira de minério de ferro Vale SA confirmou que ocorreu um segundo transbordamento de água no fim de semana nas suas operações em Minas Gerais, um estado atingido por rompimentos de barragens em 2015 e 2019. Os transbordamentos foram controlados, informou a principal empresa de mineração, acrescentando que apenas água com sedimentos — e não resíduos conhecidos como rejeitos de mineração — foi despejada. As causas dos incidentes ainda estão a ser investigadas. A Vale afirmou que o incidente não envolve nenhuma das suas barragens de rejeitos na região, e que as barragens permanecem estáveis e seguras. Os transbordamentos não afetarão a produção, acrescentou a empresa. Os incidentes nas minas Fabrica e Viga da Vale ocorrem sete anos após o colapso da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. A água da mina Fabrica atingiu algumas áreas de Pires, uma unidade da rival CSN Mineração. A Vale tem enfrentado as consequências de dois desastres em barragens que mataram 289 pessoas, contaminaram cursos de água e lhe custaram o título de maior produtora mundial do ingrediente essencial para o fabrico de aço. Fonte.
  • A Galp completou a instalação dos 10 módulos de eletrólise de 10 M que compõem a unidade de produção de hidrogénio verde em construção na Refinaria de Sines. A instalação permitirá produzir até 15 mil toneladas de hidrogénio renovável por ano, substituindo cerca de 20% do hidrogénio cinzento atualmente utilizado nas operações da refinaria. Fonte.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

APA PROPÕE NOVO MENU DE ZONAS BALNEARES

  • A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) colocou em consulta pública uma proposta de desclassificação da praia de Matosinhos, que poderá deixar de ser considerada zona balnear. De acordo com a proposta, a classificação da qualidade da água foi considerada "má" em 2024, após várias análises terem detetado contaminação por bactéria E. coli, o que levou à interdição da praia em diversos períodos. Entre 14 de junho e 14 de setembro de 2025, a praia esteve interditada durante 14 dias devido a contaminação fecal. As possíveis origens apontadas são a ribeira da Riguinha, a sul, e o rio Leça, neste caso associado a uma avaria numa estação elevatória. A APA refere ainda o impacto da intensa circulação de embarcações na zona. A APA esclarece que a manutenção do estatuto de zona balnear em 2026 dependerá da definição, por parte da Câmara Municipal de Matosinhos, de um programa de medidas concretas para combater as fontes de poluição. A autarquia diz ter reforçadoa vigilância, feito intervenções nas ribeiras, detetado ligações indevidas de efluentes e realizado estudos científicos. A Câmara aponta ainda o excesso de gaivotas como um fator adicional para a proliferação de bactérias. Para além desta praia, há dez praias fluviais localizadas em Marco de Canaveses, Ponte da Barca, Sabugal, Arganil, Góis, Seia, Castelo Branco, Figueiró dos Vinhos e Manteigas. Na Região Autónoma da Madeira, estão igualmente em risco a Doca do Cavacas, no Funchal, e a Quinta do Lorde, no Machico. Em sentido inverso, a APA propõe a criação de novas zonas balneares, nomeadamente na praia de Santo André, Póvoa de Varzim, Cerejal, em Góis, Moenda e Moura Morta, em Vila Nova de Poiares e Ratoeira, em Celorico da Beira. Fonte.
  • Os painéis solares são normalmente vendidos com garantias de desempenho de 25 a 30 anos. Uma investigação liderada por Ebrar Özkalay, da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes do Sul da Suíça, analisou seis painéis solares na Suíça em funcionamento desde o final da década de 1980 e início da década de 1990, e concluiu que a maioria dos painéis ainda produzia mais de 80% da sua potência original após três décadas. Fonte.

sábado, 24 de janeiro de 2026

REINO UNIDO: PARLAMENTO PEDE INVESTIGAÇÃO A FRAUDES EM OBRAS DE ISOLAMENTO RESIDENCIAL

Foto: David Gee/Alamy/The Guardian
  • O parlamnto britânico solicitou ao Serious Fraud Office (Departamento de Fraudes Graves) que investigasse o setor de isolamento residencial, após milhares de proprietários sofreram com obras malfeitas e perdas financeiras decorrentes de programas introduzidos por governos conservadores anteriores. Fonte.
  • Centenas de lixeiras ilegais estão a operar em toda a Inglaterra, incluindo pelo menos 11 dos chamados «super lixeiras» que contêm dezenas de milhares de toneladas de lixo. Mais de 700 lixeiras ilegais foram fechadas em 2024/25, mas dados divulgados pela Agência Ambiental revelaram que cerca de 517 lixeiras ainda estavam ativos no final de 2025. Fonte.
  • Um voo em jato particular para cada quatro convidados do Fórum Económico Mundial em Davos. Se os governos levam a sério a proteção das pessoas, devem começar por PROIBIR os jatos particulares e TAXAR a riqueza extrema, em vez de estender o tapete vermelho para eles. Greenpeace.
  • O Ministério do Ambiente da Indonésia está a exigir US$ 284 milhões em indemnizações por danos ambientais a seis empresas, após as inundações e deslizamentos de terra mortais provocados pelo ciclone Senyar em novembro, que causaram a morte de mais de 1.000 pessoas. O governo acusa as empresas de desmatamento de florestas tropicais, o que levou à destruição de bacias hidrográficas. Fonte.
  • Indonésia toma medidas contra empresas mineiras após inundações devastarem população do macaco mais raro do mundo. Conservacionistas elogiam as medidas «desesperadamente necessárias» e pedem maior proteção após a extinção de até 11% dos orangotangos de Tapanuli, uma espécie em perigo de extinção. Fonte.
  • O armazenamento total de energia da China aumentou 85% em 2025, com 66 gigawatts de nova capacidade adicionada. Fonte.
  • Os países em desenvolvimento estão a aproveitar a queda nos preços da energia solar, eólica e das baterias. Por exemplo, a Índia está a eletrificar-se mais rapidamente e a usar menos combustíveis fósseis per capita do que a China usava em níveis semelhantes de desenvolvimento económico. O consumo per capita de carvão e petróleo da Índia é uma fração do que era o da China em níveis de rendimento semelhantes, principalmente porque a Índia tem acesso a painéis solares e carros elétricos a um preço muito mais baixo do que a China tinha há cerca de uma década. Fonte.
  • A administração Trump publicou um regulamento que acelera a concessão de licenças para empresas que buscam minerais críticos em águas internacionais. O documento de 113 páginas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica transforma um processo de licenciamento de duas etapas – uma para exploração e outra para recuperação comercial – numa única análise, reduzindo assim a supervisão ambiental. O órgão alega ter autoridade, com base na Lei de Recursos Minerais Duros do Leito Marinho de 1980, para regulamentar a extração de minerais em áreas fora da jurisdição dos EUA. Fonte.
  • O rio Sirsiya, que outrora era fundamental para a vida quotidiana, a agricultura e os rituais religiosos no sul do Nepal, está agora fortemente poluído com resíduos industriais e esgotos, tornando-se um perigo para a saúde pública. As fábricas no corredor industrial do Nepal descarregam efluentes não tratados, uma vez que a fraca fiscalização, a regulamentação ineficaz e os planos de águas residuais não implementados permitem que a poluição persista. A poluição flui para Raxaul, na Índia, contaminando a água e prejudicando as culturas, enquanto os residentes do outro lado da fronteira afirmam que os esforços indianos para tratar o esgoto local não conseguem compensar o influxo proveniente do Nepal. Fonte.
  • Por cada dólar investido globalmente na proteção e restauração da natureza, o mundo continua a gastar 30 dólares em atividades que a destroem. Em termos europeus, isto equivale a cerca de 0,85 euros investidos em soluções positivas para a natureza contra aproximadamente 25 euros canalizados para práticas nocivas. Fonte.

domingo, 14 de dezembro de 2025

REINO UNIDO: ESGOTOS EM REDE PLUVIAL CORREM POR BAIXO DE ZONAS CHIQUES DE LONDRES

LONDRES: A SECRETA CRISE DO ESGOTO
Jim Waterson, London Centric/Substack. Trad. O’Lima.


Hoje, como na maioria dos dias, alguém numa rua nobre em Crouch End enviará esgoto bruto não tratado para fora do seu edifício e diretamente para o sistema fluvial da capital — e talvez nem perceba que está a fazer isso.
É apenas uma das milhares de propriedades em Londres que têm os seus esgotos ligados diretamente à antiga rede de ribeiras e rios locais da cidade. Especialistas dizem que pode haver dezenas de milhares de outros casos na capital, enviando coletivamente «níveis medievais de esgoto» para o rio Tamisa.
Pela primeira vez, a Thames Water não é a maior vilã nesta história menos conhecida de poluição fluvial. Em vez disso, trata-se de um escândalo potencialmente mais preocupante e difícil de resolver, que passou praticamente despercebido. É causado por um número cada vez maior de construtores e canalizadores amadores — e é um problema que ameaça a promessa de Sadiq Khan de limpar os rios de Londres.


A London Centric conta um dos escândalos de poluição mais ignorados do país, acompanhando o percurso de um único cano ilegal pela capital, reunindo informações através de dezenas de pedidos de informação ambiental.

Pela primeira vez, também publicamos números que mostram quantos casos semelhantes existem em cada bairro de Londres — permitindo que veja se os seus vizinhos estão a contribuir para a poluição.

Texto: Rachel Rees, Fotografia: Jennifer Forward-Hayter, Ilustrações: Carly A-F, todos encomendados pela London Centric.

1. O local do crime: Park Road, Crouch End

Lojas na Park Road, Crouch End. Não há indícios de que essas empresas tenham o cano mal ligado que está a poluir o rio local, que o conselho municipal se recusou a identificar.

Park Road é uma rua sofisticada em Crouch End, à sombra do Alexandra Palace, o «palácio do povo» vitoriano do norte de Londres. É o lar de lojas orgânicas, bares de vinho, extensos campos de jogos, casas que são vendidas por mais de um milhão de libras — e uma propriedade que é uma pequena parte de um dos maiores escândalos de esgoto da capital.

As descargas massivas de esgoto pela contestada Thames Water tendem a chegar às manchetes. Elas ocorrem quando tempestades sobrecarregam as estações de tratamento, forçando a empresa a descarregar esgoto não tratado diretamente nos rios de Londres. A questão tornou-se politica e ambientalmente tóxica, sintomática de como uma indústria de água privatizada não invesiur na sua infraestrutura. A Thames Water, com as suas contas em rápido aumento e insegurança financeira, também serve como um alvo fácil de ódio.

Casas na Park Road, Crouch End. Não há indícios de que qualquer uma dessas propriedades esteja a poluir o rio local.

Mas a Thames Water não é responsável pela poluição de um parque em Tottenham pela propriedade Crouch End, nem pelas milhares de outras propriedades em toda a capital que também estão a verter esgoto bruto nos cursos de água locais. Em vez disso, a questão aqui é algo chamado «ligações incorretas».

A maior parte da Grande Londres tem duas redes de esgoto separadas. Uma é um esgoto de águas residuais domésticas e comerciais, que flui para uma estação de tratamento de esgoto. O outro esgoto é para a água da chuva das caleiras, que é legalmente permitida a fluir para os riachos e rios locais.


As ligações incorretas ocorrem quando sanitários e outros equipamentos, como chuveiros, pias e máquinas de lavar, são ilegalmente ligados ao esgoto destinado à água da chuva. Às vezes, isso é feito propositadamente pelos construtores como medida de redução de custos. Às vezes, é feito por preguiça. Às vezes, é pura ignorância.

De acordo com um pedido de liberdade de informação feito pela London Centric, uma propriedade na Park Road está a enviar águas residuais não tratadas para um cano de água da chuva que corre diretamente para o rio Moselle, um antigo curso de água local que flui de Highgate para Tottenham, que foi em grande parte enterrado no subsolo. A Câmara de Haringey recusou-se a identificar o edifício específico que está a causar o problema — mas era fácil ver o seu impacto mais abaixo na colina.

2. O parque local com «níveis medievais de esgoto bruto e não tratado»

Cerca de três quilómetros a leste de Crouch End fica o Lordship Recreation Ground, o maior parque de Tottenham. Neste parque, no sopé de uma colina, a ribeira Moselle surge e corre perto do bairro residencial Broadwater Farm.

As margens da ribeira Moselle, em Tottenham.

Neste ponto, a ribeira Moselle deveria levar água cristalina de nascente misturada com alguma água da chuva recolhida das calhas das propriedades domésticas e das estradas. Mas esgoto não tratado proveniente de propriedades mal conectadas nas áreas mais caras de Londres, incluindo Park Road, está a fluir ilegalmente para o rio. Como resultado, a ribeira está cheia de toalhetes húmidos usados, fungos viscosos do esgoto e outros indícios de resíduos humanos. Placas alertam o público contra a prática de natação.

Toalhetes húmidos e outros detritos acumularam-se na grade onde a ribeira Moselle emerge, no Lordship Recreation Ground.

Theo Thomas, fundador da London Waterkeeper, disse que a «poluição persistente e crónica» tornou este troço da ribeira «essencialmente morto». Testes regulares da água revelam altos níveis de amoníaco, oxigénio dissolvido e fosfato, todos indícios de esgoto. «O que deveria ser um espaço azul e verde incrível e de alta qualidade fede. Se você for lá no verão, sentirá o cheiro antes mesmo de ver.»

A poluição nesta parte da ribeira só pode ser causada por ligações incorretas, disse Thomas: «Se houver algo como 50 sanitas e algo como 150 máquinas de lavar roupa a despejar, isso é muita poluição. São níveis medievais de esgoto bruto e não tratado a despejar.»

Pelo menos duas escolas primárias locais foram encontradas a descarregar esgoto diretamente nesta ribeira devido a tubos mal conectados. A certa altura, uma única escola estava a enviar 90 000 litros de águas residuais não tratadas diretamente para o rio.

Placas alertando o público contra a prática de natação na ribeira Moselle, no Lordship Recreation Ground.

Voluntários da Haringey Water Squad realizam sessões regulares de limpeza na ribeira — mas a poluição continua, devido a ligações inadequadas antigas e novas.

«É uma questão de justiça social ambiental», acrescentou Thomas, observando a disparidade de riqueza entre as áreas arborizadas onde se encontram algumas das propriedades com ligações incorretas, como Crouch End e Muswell Hill, e os arredores mais carentes do parque em Tottenham. «A ribeira está a ser danificada e a capacidade das pessoas de desfrutar dela está a ser prejudicada.»

3. O esgoto entra no rio Lea

A antiga ribeira Moselle retorna ao seu canal subterrâneo e transporta os resíduos mal conectados de Crouch End, passando pelo estádio Tottenham Hotspur. Perto dos pântanos a oeste de Walthamstow, ela deságua no rio Lea, que corre de Bedfordshire até o Tamisa.

O Lea está normalmente repleto de praticantes de caiaque, remadores — e esgoto.

Este troço do rio enfrenta uma «poluição crónica e contínua causada por ligações incorretas», alertou Thomas, da Waterkeeper. «É um influxo constante — não apenas da Moselle, mas também de outras ribeiras que desaguam nela.»

Remadores no rio Lea, junto à foz da ribeira Mosela.

Rob Gray, diretor da FORCE, sediada na zona oeste de Londres, disse que as ligações incorretas «podem ser o maior problema em termos de poluição fluvial em Londres». Ao contrário da «dor aguda» causada quando uma estação de tratamento da Thames Water sobrecarregada descarrega grandes quantidades de esgoto, as propriedades com ligações incorretas causam um influxo constante de poluição nos cursos de água da capital, criando um «envenenamento silencioso, constante e de fundo».

É difícil quantificar a dimensão total do problema. Encontrar ligações incorretas é uma operação demorada, que exige que voluntários percorram cursos de água poluídos em busca de emissários, antes que a Thames Water tente rastrear as fontes de poluição até propriedades individuais.

De acordo com uma investigação interna da Thames Water consutada pela London Centric, mais de 3.500 ligações incorretas foram resolvidas em Londres desde 2020, embora especialistas estimem que os números reais possam ser muito maiores.

A Thames Water estimou anteriormente que cerca de 1 em cada 10 propriedades estão mal conectadas em toda a área que cobre, habitada por cerca de um quarto da população do Reino Unido. Martin Beattie, vice-presidente e cofundador da Associação Nacional de Empreiteiros de Drenagem, disse-nos que pode haver até 50.000 ligações incorretas em Londres e nos condados vizinhos.

4. A água poluída corre através dos pântanos de Hackney e do Parque Olímpico

No Lea, a poluição proveniente de ligações incorretas, como a da propriedade Crouch End, mistura-se com o esgoto de centenas de outras ligações incorretas. A mistura tóxica flui então por vastas áreas do leste de Londres, passando por áreas como Clapton, Hackney Wick e Stratford. Este rio atravessa espaços verdes como Hackney Marshes — onde muitos londrinos desafiam as placas e o esgoto para nadar em dias quentes — e o Parque Olímpico.

Quando a Thames Water encontra ligações incorretas, entra em contacto com os proprietários, que são responsáveis por corrigi-las. Mas a resolução pode ser cara e frustrante. Se os proprietários não corrigirem o problema voluntariamente, os casos são encaminhados para as autarquias locais, cuja responsabilidade é garantir que as ligações incorretas sejam corrigidas e que podem processar os proprietários que não cumprem as normas.

A London Centric pode revelar a distribuição por bairro das milhares de ligações incorretas identificadas pela Thames Water nos últimos cinco anos, com base num Pedido de Informação Ambiental que enviámos à empresa.

O número de ligações incorretas identificadas em cada bairro desde junho de 2020. Esta lista exclui bairros com um sistema de esgoto combinado, onde ligações incorretas não são possíveis.

Estes incluem apenas as novas ligações incorretas identificadas no período em questão e não aquelas descobertas anteriormente, mas que os proprietários ou Câmaras não conseguiram resolver.

Haringey tem 161 casos identificados de ligações incorretas, o maior número entre todos os bairros de Londres. Há mais de 16 anos que uma propriedade no bairro despeja esgoto continuamente, sem que nenhuma medida tenha sido tomada. Outros bairros particularmente afetados incluem Barnet, Enfield, Ealing e Harrow.

«Não é claro se Haringey [conselho] está a investir recursos para lidar com essas ligações incorretas», disse John Miles, presidente da Haringey Water Squad, uma organização local liderada por voluntários. Ele descreveu o bairro como consistentemente «o último da tabela» entre as autoridades de Londres.

Um porta-voz do conselho de Haringey afirmou: «Levamos muito a sério qualquer poluição dos nossos cursos de água locais por contaminação e o impacto que isso tem nos nossos residentes e no ambiente. A Thames Water é responsável pela infraestrutura de esgotos em Londres e tem o poder de prevenir e impedir a poluição, o que inclui tomar medidas quando são identificadas ligações incorretas. Trabalhamos em conjunto com a Thames Water para investigar e obrigar os responsáveis a reconectar os seus sistemas de drenagem quando ocorrem ligações incorretas em propriedades privadas.»

5. O esgoto de Crouch End finalmente entra no rio Tamisa, do outro lado da rua do gabinete de Sadiq Khan.

As águas residuais da propriedade de Park Road, juntamente com centenas de outras ligações incorretas no norte e leste de Londres, acabam por chegar ao rio Tamisa em Bow Creek. Em seguida, são despejadas no principal curso de água da capital, em frente ao O2 e a apenas algumas centenas de metros do gabinete de Sadiq Khan na Câmara Municipal.

A falta de consciência sobre as ligações incorretas é um dos maiores obstáculos no combate à crise secreta do esgoto em Londres. Rhiannon England, uma das voluntárias que testa regularmente a poluição da ribeira Moselle, disse que antes de se juntar ao grupo nunca tinha ouvido falar do termo. «Duvido que alguém saiba sobre ligações incorretas», disse ela, apelando às autoridades como Khan para que adicionem o tema ao currículo das escolas de Londres.

O porta-voz de Sadiq Khan sublinhou o compromisso do prsidente da Câmara em trabalhar com conselhos e outras organizações para resolver as ligações indevidas. «Trata-se de tornar os nossos rios algo de que todos os londrinos se possam orgulhar, à medida que continuamos a construir uma Londres mais verde e mais justa para todos.

A impopularidade da Thames Water junto do público — a sua montanha de dívidas, contas elevadas e infraestruturas cheias de falhas — não ajuda a melhorar a atitude do público em relação a um problema que é difícil de compreender.

No entanto, há alguma esperança. Quando a London Centric noticiou pela primeira vez esta questão em abril, divulgámos publicamente os nomes de sete blocos de apartamentos que estavam a enviar esgoto não tratado para os rios do oeste de Londres. No final de novembro, recebemos uma fotografia de grandes obras de construção a decorrer no exterior de um dos edifícios que tínhamos destacado em Ealing. Após uma década a enviar esgoto para o curso de água local, os canos em breve estarão a funcionar na direção certa.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

QUANTO CUSTOU E QUEM VAI PAGAR A AVENTURA DO JIPE NO RIO FERREIRA?

Imagem: RTP

Jipe tenta atravessar o rio Ferreira em S. Pedro da Cova e fica preso com 3 crianças e 2 adultos. Mais de meia centena de bombeiros de S. Pedro da Cova e Gondomar, estiveram envolvidos no socorro. Fonte.

Os media apresentaram a ocorrência como um enorme sucesso dos meios de socorro. Nenhum jornalista procurou, junto dos técnicos envolvidos e do autarca que apareceu para a fotografia, contextualizar a ocorrência. Que história foi essa de atravessar um rio de jipe, nomeadamente em época de chuvas e de caudais reforçados? Havia alguma competição patrocinada? Quanto terá custado a operação de socorro? Quem a vai pagar?