Recortes de notícias ambientais e outras que tais, com alguma crítica e reflexão. Sem publicidade e sem patrocínios públicos ou privados. Desde janeiro de 2004.
Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:
Os EUA têm um problema com os aterros sanitários. Os aterros sanitários em todo o país estão a verter lixiviados tóxicos para os cursos de água e, quando os proprietários entram em falência ou desaparecem, são os vizinhos e os contribuintes que ficam a arcar com os custos. Fonte.
Derrames de petróleo no Irão: a guerra está a deixar marcas ambientais que os cessar-fogos não conseguem sanar. Nima Shokri, The Conversation.
A fabricante de impressoras Epson vai ser julgada por crime de obsolescência programada e enfrenta uma multa de 300 000 euros. A associação HOP denuncia um desperdício «desolador». Fonte.
Uma expedição recolheu amostras em torno dos barris que continham resíduos radioativos imersos no Oceano Atlântico até 1990. Chegou agora o momento de proceder à análise para compreender os efeitos desta prática nos fundos marinhos. Fonte.
Cinco projetos de energia solar na Tunísia foram adjudicados a multinacionais, em benefício exclusivo do capital estrangeiro. Estamos perante a prossecução de políticas neocoloniais sob o pretexto da «transição verde». Fonte.
Nos primeiros seis meses de 2026, jornais britânicos como o The Sun, Daily Telegraph e The Times já publicaram 63 editoriais defendendo mais perfuração de petróleo e gás no Mar do Norte. Isto contradiz um facto: a extração no Mar do Norte já vinha em declínio há décadas, e a viabilidade/impacto de aumentar perfurações teria pouca influência sobre contas de energia no curto prazo e apenas efeito limitado na segurança energética, dada a forma como os combustíveis são comprados/vendidos a preços internacionais e a dependência do Reino Unido de gás e importações. Fonte.
Interdita nos últimos dias devido ao mau tempo e ao risco de inundações, a Rua da Praia, na freguesia de Paramos, junto ao Regimento de Engenharia, vai reabrir à circulação automóvel, a partir da tarde de sexta-feira, 6 de fevereiro, tal como na zona junto à capela de São João. Fonte. Precisamente num dia em que a Proteção Civil alerta repetidamente para o agravamento das condições meteorológicas provocadas pela chegada da tempestade Marta e para a tomada de providências adequadas a situações de perigo iminentes.
A área a nascente da Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida, em Espinho, sofre inundações sistemáticas sempre que ocorrem chuvas, situação vivida novamente nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, como documenta a fotografia acima. Este problema, que se arrasta há mais de três décadas, para além dos evidentes riscos e incómodos que representa, tem um impacto direto no trânsito local. Nas horas de ponta de entrada e saída dos alunos, as ruas 30, 33 e 35 ficam completamente paralisadas, gerando engarrafamentos ruidosos. Esta situação causa não apenas arrelias, mas também graves transtornos para os utentes das vias e moradores da zona, comprometendo a sua mobilidade e qualidade de vida. Para quando uma intervenção definitiva das entidades responsáveis para resolver esta situação crónica?
As fortes chuvas registadas nos últimos dias provocaram um novo colapso de uma estrutura de rejeitados mineiros nas Minas da Panasqueira, em São Jorge da Beira, no concelho da Covilhã, com o arrastamento de grandes volumes de resíduos para a ribeira de Cebola, afluente do rio Zêzere. A Empresa Portuguesa das Águas Livres recolheu amostras de água em vários pontos da região para avaliar eventuais impactos na qualidade da água destinada ao consumo humano, incluindo na albufeira de Castelo de Bode, principal origem de água para a Área Metropolitana de Lisboa. Este é o terceiro colapso conhecido desta infraestrutura de rejeitados nas últimas décadas. As Minas da Panasqueira são exploradas pela Beralt Tin and Wolfram Portugal, subsidiária da mineira canadiana Almonty Industries. A exploração gerou ao longo de mais de um século enormes volumes de resíduos mineiros, muitos deles ricos em sulfuretos e suscetíveis à drenagem ácida. Alguns depósitos, como os do Cabeço do Pião, encontram-se em contacto direto ou muito próximo do rio Zêzere. Vários estudos científicos têm identificado níveis elevados de arsénio e outros metais pesados nos solos, sedimentos e cursos de água associados aos rejeitados da Panasqueira, apontando para riscos ambientais persistentes e potenciais impactos na saúde humana. Apesar desse conhecimento, não foram implementadas soluções estruturais de remediação nem programas de reaproveitamento dos rejeitados, que continuam a conter quantidades relevantes de volfrâmio e outros materiais críticos, acusa a MiningWatch Portugal. Paralelamente, têm sido denunciadas descargas recorrentes de águas residuais não tratadas ou insuficientemente tratadas para a ribeira do Bodelhão durante os meses de maior precipitação. Observadores ambientais consideram que a repetição de acidentes e incumprimentos revela uma tolerância prolongada por parte das autoridades responsáveis pela fiscalização ambiental. O colapso mais recente afetou diretamente tolivais e vinhas adjacentes. Os proprietários exigem agora o apuramento de responsabilidades e compensações pelos prejuízos sofridos. Os materiais libertados são potencialmente ácidos e podem conter concentrações elevadas de arsénio e outros elementos perigosos, levantando preocupações quanto à contaminação dos solos e à perda de produtividade a médio e longo prazo. Fonte.
Foto: Unidos Em Defesa de Covas do Barroso
A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso e a ClientEarth intentaram uma ação contra a Comissão Europeia, no Tribunal de Justiça da União Europeia, por atribuir o estatuto de “projeto estratégico” à mina do Barroso. As organizações defendem que a Comissão Europeia “ignorou lacunas evidentes na avaliação dos impactos ambientais, incluindo os impactos sobre espécies protegidas e a segurança da infraestrutura prevista para o armazenamento de rejeitados (…) Classificar um projeto como ‘estratégico’ e de interesse público, enquanto se fecha os olhos a riscos bem documentados para a água, os ecossistemas, a saúde humana e os meios de subsistência locais, é simplesmente inaceitável. A transição energética tem de assentar no direito, na ciência e na justiça – não em atalhos políticos que transformam regiões rurais em zonas de sacrifício”. Em junho de 2025, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, a MiningWatch Portugal e a ClientEarth apresentaram uma queixa contra a Comissão Europeia, para que reconsiderasse a classificação “projeto estratégico”, desta mina de lítio situada em Covas do Barro, concelho de Boticas, tendo em conta o Regulamento das Matérias-Primas Críticas. Em novembro, a Comissão Europeia recusou-se, alegando que o seu papel é apenas “identificar erros manifestos nas candidaturas de projetos” e que só recusaria o estatuto “se fosse manifestamente claro que o projeto não seria implementado de forma sustentável”. A mina de lítio a céu aberto obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023 e a Savannah prevê iniciar a produção de lítio em 2027, no concelho de Boticas, no distrito de Vila Real. Fonte.
Várias minas numa importante jazida de coltan no leste do Congo desabaram devido a deslizamentos causados por fortes chuvas. O coltan contém tântalo, um componente essencial de telemóveis e computadores portáteis. Pelo menos 300 pessoas morreram no desastre, e muitas ainda estão soterradas. Fonte.
A Malásia anunciou uma proibição imediata e total da importação de resíduos eletrónicos. O governo afirma que o país não será um «depósito de lixo» para os resíduos do mundo. A proibição surge no momento em que as autoridades ampliam uma investigação de corrupção relacionada a gestão de resíduos eletrónicos. Em 2025, o governo informou ter apreendido mais de 70 contentores de resíduos eletrónicos perigosos, principalmente provenientes dos EUA, num porto da Ilha de Batam. No mês passado, quatro desses contentores — contendo computadores usados, discos rígidos, dispositivos de áudio e vídeo, modems, placas de alimentação e placas de circuito impresso — foram devolvidos aos EUA. Fonte.
Além dos graves riscos à saúde associados ao uso de cigarros eletrónicos, esses dispositivos também representam uma ameaça significativa ao meio ambiente. O seu descarte inadequado gera uma série de consequências nocivas.
Frequentemente, quando os dispositivos chegam ao fim da sua vida útil, são abandonados como lixo comum em locais públicos, como parques, calçadas ou beiras de estrada. Além do impacto visual, esse descarte irregular pode causar danos materiais — como furos em pneus de veículos — e contribuir para a poluição ambiental.
No entanto, os problemas são ainda mais profundos. Os cigarros eletrónicos contêm metais pesados, como antimónio, níquel e chumbo, que podem infiltrar-se no solo e nos corpos de água quando descartados de forma incorreta. Muitos modelos, especialmente os descartáveis, são alimentados por baterias de íon-lítio, que oferecem risco de incêndio ou explosão se manuseadas inadequadamente, mesmo em aterros sanitários. Além disso, as carcaças de plástico podem degradar-se em microplásticos, agravando a contaminação do solo e da água.
De acordo com as normas ambientais, os cigarros eletrónicos usados devem ser encaminhados para pontos de coleta especializados em resíduos eletrónicos ou para instalações autorizadas a manusear resíduos perigosos, garantindo assim um descarte seguro e responsável.
O Prémio Átila deste ano foi atribuído ao Partido Popular, Vox,
PNV e Junts, pela aprovação de alterações à Lei dos Resíduos
Alimentares e para retirar o lobo da Lista de Espécies da Fauna
Selvagem em Regime de Proteção Especial. O Prémio Cavalo de Átila
vai para a Endesa, Iberdrola e Naturgy pela sua campanha pró-nuclear,
com uma menção ao PP, Vox, Junts e ERC como cúmplices necessários.
Fonte.
A abertura da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os
Oceanos, que se realiza em Nice a 8 de junho, não contará com a
presença da Greenpeace. A organização do desfile marítimo critica
a associação por uma ação levada a cabo a 21 de maio no parque
marinho do Golfo de Lion. A organização depositou quinze blocos de
calcário com peso entre 1 e 2 toneladas para impedir a pesca de
arrasto de fundo nesta zona protegida. Esta técnica, que a
Greenpeace e outros ativistas utilizam há vários anos, evita a
pesca de arrasto pelo fundo, criticada por consumir combustíveis
fósseis, não ser suficientemente seletiva e ter consequências
nefastas para os fundos marinhos. As redes correm o risco de se
rasgarem contra as rochas. "Isto é uma aberração. Há mais de
cinquenta anos que defendemos os oceanos, nomeadamente a bordo dos
nossos navios. Sempre agimos de forma não violenta para proteger o
alto mar, proibir a exploração mineira do fundo dos mares, proteger
rigorosamente as zonas marinhas protegidas, acabar com os plásticos
de utilização única... e não podemos participar numa manifestação
a favor dos oceanos?", reagiu Jean-François Julliard, da
Greenpeace França. Fonte.
Alguns dos maiores apoiantes de Donald Trump na sua campanha
contra a energia eólica offshore viraram-se contra a sua
administração por causa da suspensão do projeto Empire Wind da
Equinor - e estão a instaurar uma ação judicial numa tentativa de
fazer com que o projeto seja novamente suspenso. Uma coligação de
grupos de pressão e de intervenientes na indústria da pesca e do
marisco interpôs uma ação judicial em Nova Jérsia, procurando
restabelecer a ordem de paragem do projeto de 5 mil milhões de
dólares da Equinor, que foi levantada a 20 de maio. Fonte.
Defensores das florestas do Camboja em risco por exporem o abate
ilegal de árvores. As florestas luxuriantes que durante muito tempo
sustentaram os povos indígenas do Camboja têm vindo a ser
constantemente vítimas do abate ilegal de árvores. Atualmente, os
membros da comunidade enfrentam intimidações e correm o risco de
serem presos quando patrulham as suas florestas para documentar as
perdas e tentar pressionar o governo a pôr termo ao abate. Fonte.
Mais de 100 antigos aterros sanitários em Inglaterra, potencialmente contaminados com substâncias tóxicas, sofreram inundações desde 2000, colocando sérios riscos de segurança. Alguns destes locais, que podem conter materiais perigosos, estão localizados perto de parques públicos e bairros sociais, colocando em risco centenas de famílias. Apesar de as autarquias serem responsáveis pela monitorização destes perigos, o financiamento foi cortado, deixando muitas autarquias locais sem saberem quais são os seus deveres de supervisão. Esta falta de recursos e de sensibilização aumenta a ameaça potencial para a saúde pública e o ambiente. Fonte.
A primeira das sete centrais nucleares britânicas de reatores avançados arrefecidos a gás foi esvaziada de combustível, dando início a um processo de desativação que custará pelo menos 27 mil milhões de libras no total e demorará quase um século. Fonte.
A partir de 1942, a produção de urânio para a bomba atómica provocou uma contaminação generalizada em St Louis, Missouri, sendo os resíduos nucleares do Projeto Manhattan despejados perto de Coldwater Creek, onde se infiltraram no ambiente. Os residentes, desconhecendo o perigo, brincaram e viveram perto da água contaminada durante décadas. Muitos, como a família de Linda Morice, sofreram e morreram de cancro. Um estudo federal de 2019 concluiu que as pessoas expostas ao rio entre as décadas de 1960 e 1990 correm maiores riscos de cancro como o do pulmão, dos ossos e leucemia. Os esforços de limpeza estão em curso, mas muitos acham que é muito pouco e muito tarde. Fonte.
Túnel Trafaria-Algés: associações e movimentos pedem alternativa mais sustentável. Em vez de um túnel rodoviário que, dizem, reforçará a dependência do automóvel, 15 associações, movimentos e coletivos defendem que a solução para a mobilidade Trafaria-Algés passa por investir no transporte público. Fonte.
As Terras Raras e a Ucrânia: verdade e embuste. Fernando Oliveira, Tertúlia Orwelliana.
Os resíduos nucleares são armazenados em contentores subterrâneos no Laboratório Nacional de Idaho, perto de Idaho Falls.
Foto AP/Keith Ridler
Nos EUA, cerca de 90.000 toneladas de resíduos nucleares estão armazenadas em mais de 100 locais em 39 estados, numa série de estruturas e contentores diferentes.
Durante décadas, a nação tem tentado enviar tudo para um local seguro. Uma lei federal de 1987 nomeou a Montanha Yucca, no Nevada, como local de eliminação permanente de resíduos nucleares - mas os desafios políticos e legais levaram a atrasos na construção. O trabalho no local mal tinha começado quando o Congresso terminou o financiamento do projeto em 2011.
Os 94 reactores nucleares atualmente em funcionamento em 54 centrais eléctricas continuam a produzir mais resíduos radioativos. O interesse público e comercial pela energia nuclear está a aumentar devido às preocupações com as emissões das centrais de combustíveis fósseis e à possibilidade de novas aplicações para centrais nucleares de menor escala para alimentar centros de dados e indústrias transformadoras. Este interesse renovado confere uma nova urgência ao esforço para encontrar um local para colocar os resíduos.
Em março de 2025, o Supremo Tribunal dos EUA ouviu argumentos relacionados com o esforço para encontrar um local de armazenamento temporário para os resíduos nucleares do país - espera-se uma decisão no final de junho. Independentemente do resultado, a luta de décadas para encontrar um local permanente para a eliminação dos resíduos nucleares irá provavelmente continuar durante muitos anos.
Sou um académico especializado em corrosão; um dos focos do meu trabalho tem sido a contenção de resíduos nucleares durante o armazenamento temporário e a eliminação permanente. Há dois tipos de resíduos significativamente radioativos nos EUA: resíduos provenientes do fabrico de armas nucleares durante a Guerra Fria e resíduos provenientes da produção de eletricidade em centrais nucleares. Há também pequenas quantidades de outros resíduos radioativos, como os associados a tratamentos médicos.
Resíduos do fabrico de armas
Os restos do processamento químico do material radioativo necessário para o fabrico de armas nucleares, frequentemente designados por "resíduos de defesa", acabarão por ser derretidos juntamente com vidro, sendo o material resultante vertido em contentores de aço inoxidável. Estes contentores têm 10 pés de altura e 2 pés de diâmetro, pesando aproximadamente 5.000 libras quando cheios.
Por enquanto, porém, a maior parte do material é armazenada em tanques de aço subterrâneos, principalmente em Hanford, Washington, e Savannah River, Carolina do Sul, locais-chave no desenvolvimento de armas nucleares nos EUA. No Rio Savannah, alguns dos resíduos já foram processados com vidro, mas grande parte continua sem tratamento.
Em ambos os locais, alguns dos resíduos radioativos já se infiltraram no solo por baixo dos tanques, embora as autoridades tenham afirmado que não há perigo para a saúde humana. A maior parte dos esforços atuais para conter os resíduos centra-se na proteção dos tanques contra a corrosão e as fissuras, para evitar novas fugas.
Resíduos da produção de eletricidade
A grande maioria dos resíduos nucleares nos EUA é constituída por combustível nuclear usado proveniente de centrais nucleares comerciais.
Antes de ser utilizado, o combustível nuclear existe como pastilhas de óxido de urânio que são seladas dentro de tubos de zircónio, que por sua vez são agrupados. Estes feixes de barras de combustível têm cerca de 12 a 16 pés de comprimento e cerca de 5 a 8 polegadas de diâmetro. Num reator nuclear, as reações de cisão alimentadas pelo urânio contido nessas barras emitem calor que é utilizado para criar água quente ou vapor para acionar turbinas e gerar eletricidade.
Após cerca de três a cinco anos, as reações de cisão num determinado feixe de combustível abrandam significativamente, embora o material continue a ser altamente radioativo. Os feixes de combustível usado são retirados do reator e transferidos para outro local na propriedade da central elétrica, onde são colocados numa enorme piscina de água para arrefecerem.
Cinco anos mais tarde, os feixes de combustível são removidos, secos e selados em contentores de aço inoxidável soldados. Estes recipientes ainda são radioativos e termicamente quentes, pelo que são armazenados ao ar livre em abóbadas de betão que assentam em plataformas de betão, também na propriedade da central elétrica. Estes cofres têm aberturas para garantir que o ar passa pelos contentores para continuar a arrefecê-los.
Em dezembro de 2024, havia mais de 315 000 feixes de barras de combustível nuclear irradiado nos EUA e mais de 3800 contentores de armazenagem a seco em câmaras de betão acima do solo, localizados em centrais elétricas atuais e antigas em todo o país.
Mesmo os reatores que foram desativados e demolidos continuam a ter cofres de betão que armazenam resíduos radioativos, que devem ser protegidos e mantidos pela empresa de energia que era proprietária da central nuclear.
A névoa salina do oceano pode corroer os contentores de resíduos em locais próximos de armazenamento de resíduos nucleares, como este na Central Nuclear de San Onofre, na Califórnia. Allen J. Schaben/Los Angeles Times via Getty Images
A ameaça da água
Uma ameaça a estes métodos de armazenamento é a corrosão. Como necessitam de água para transferir a energia nuclear para a eletricidade e para arrefecer o reator, as centrais nucleares estão sempre localizadas junto a fontes de água.
Nos EUA, nove estão a menos de duas milhas do oceano, o que representa uma ameaça particular para os contentores de resíduos. Quando as ondas quebram na costa, a água salgada é pulverizada no ar sob a forma de partículas. Quando essas partículas de sal e água se depositam nas superfícies metálicas, podem causar corrosão, razão pela qual é comum ver estruturas fortemente corroídas perto do oceano.
Nos locais de armazenamento de resíduos nucleares perto do oceano, essa névoa salina pode depositar-se nos contentores de aço. Geralmente, o aço inoxidável é resistente à corrosão, mas, em determinadas circunstâncias, podem formar-se buracos e fissuras localizadas nas superfícies de aço inoxidável.
Nos últimos anos, o Departamento de Energia dos EUA financiou investigação sobre os potenciais perigos deste tipo de corrosão. As conclusões gerais são que os recipientes de aço inoxidável podem furar ou rachar quando armazenados perto de uma costa marítima. Mas uma fuga radioativa exigiria não só a corrosão do contentor, mas também das barras de zircónio e do combustível dentro delas. Assim, é improvável que este tipo de corrosão resulte na libertação de radioatividade.
Um longo caminho para caminhar
Uma solução mais permanente está provavelmente a anos, ou décadas, de distância. Não só um local de longa duração tem de ser geologicamente adequado para armazenar resíduos nucleares durante milhares de anos, como também tem de ser politicamente palatável para os norte-americanos. Além disso, haverá muitos desafios associados ao transporte dos resíduos, nos seus contentores, por via rodoviária ou ferroviária, dos reatores de todo o país para onde quer que seja o local permanente.
Talvez venha a existir um local temporário cuja localização seja aceite pelo Supremo Tribunal. Mas, entretanto, os resíduos ficarão onde estão.
Cadeiras vazias num debate para o qual foram convidados funcionários do governo. Foto de Yeimi Alonzo
Na Guatemala, a indústria de óleo de palma tem vindo a expandir-se significativamente no norte do país, contaminando rios e reservas de água e matando peixes impunemente há pelo menos oito anos. Fonte.
Na Tanzânia, o que começou com uma chávena de chá "salgada" terminou com um casal a perder a sua casa devido à subida do nível do mar induzida pelas alterações climáticas. As soluções, como os muros marítimos, a recuperação dos mangais e a gestão dos recursos hídricos, são demasiado lentas para impedir a ruína de comunidades costeiras outrora prósperas. Fonte.
Toxic Town, uma minissérie dramática da Netflix, acompanha a história de três mães que lutam por justiça no caso dos resíduos tóxicos de Corby. A decisão histórica foi a primeira no mundo a estabelecer uma ligação entre resíduos tóxicos atmosféricos e defeitos congénitos - todos os casos anteriores envolviam poluição da água - e teve implicações para outros programas de recuperação do concelho e para os métodos de recuperação em Inglaterra e no País de Gales.
Um grupo de eurodeputados conservadores e maioritariamente de extrema-direita contestam o financiamento de todo o programa LIFE para 2025, 2026 e 2027 - uma medida que colocaria em risco todos os beneficiários, não só as ONG ambientais a nível da UE que recebem subvenções de funcionamento que ficam a perder, mas sobretudo as empresas locais, as instituições de investigação. E tudo isto apesar das revelações de que alguns desses mesmos eurodeputados receberam discretamente somas generosas dos seus companheiros de lóbi. Contratos recentemente divulgados também revelam que corporações e grupos empresariais, incluindo a Shell, a BusinessEurope e o gigante agrícola BayWa, receberam fundos do programa LIFE - com provisões para atividades de “sensibilização” dirigidas aos decisores políticos. Fonte.
A Agência de Proteção do Ambiente do regime Trump criou um novo endereço eletrónico, onde as empresas que exploram centrais elétricas a carvão e a petróleo podem solicitar uma isenção presidencial das suas obrigações de redução de toxinas perigosas ao abrigo da Lei do Ar Limpo. Fonte.
Patrões do setor petrolífero alertam que as tarifas de Trump e a sua mensagem “drill, baby, drill” estão a perturbar os mercados energéticos, o que já está a afetar o investimento e a criar uma enorme incerteza para os seus negócios. Os produtores de petróleo dos EUA estão também a debater-se com limites geológicos ao crescimento da produção, à medida que a bacia do Permiano - o principal campo petrolífero do país - se aproxima do pico de produção. Fonte.
O potencial local da mina perto de Narsaq. Os locais receiam que os resíduos da mina possam contaminar a terra e a água. Foto: Patrick Greenfield/The Guardian
Com receio de resíduos tóxicos, a Gronelândia pôs fim à extração de urânio. Agora, poderá ser obrigada a recomeçar - ou a pagar 11 mil milhões de dólares. A ilha está a ser processada por uma empresa mineira por causa da sua decisão e arrisca-se a pagar nove vezes o seu orçamento anual em indemnizações se perder. Fonte.
O Tribunal Federal canadiano indeferiu um pedido de revisão judicial apresentado por grupos de cidadãos e cientistas que se opunham ao local de eliminação de resíduos nucleares de Chalk River, em Deep River, Ontário. Fonte.
Os habitantes de Gaza pagam um preço elevado por baterias perigosas para iluminar as tendas.Fonte.
No Brasil, o Ministério Público Federal avançou com uma ação civil pública contra a mineradora Vale, a União e o governo do Pará pela contaminação por metais pesados de Comunidades Indígenas na Terra Xikrin do Cateté, no sudeste paraense. Segundo o MPF, o problema foi causado pela mina de níquel de Onça Puma, operada por uma subsidiária da Vale na Serra dos Carajás. A partir de amostras de 720 indígenas, que representam cerca de 40% da população do território Xikrin, identificou-se altos níveis de concentração de metais pesados em 98,5% dos indivíduos, com índices bem acima dos limites seguros. Entre as 121 crianças analisadas, todas apresentam um ou mais metais em teores excessivos e perigosos à saúde em seus organismos. Fonte.
"Permitir que as empresas estrangeiras processem os governos por lucros cessantes é terrorismo jurídico - tem de acabar. Os litígios entre investidores e Estados não significam apenas o aumento do peso da dívida dos países: são também um obstáculo à ação contra a crise climática." Joseph Stiglitz.
Foto: Câmara de Comércio e Indústria Thérèse-De Blainville
A proposta de expansão de um aterro sanitário do Quebeque que aceita resíduos perigosos dos EUA desencadeou uma guerra entre o governo provincial do Quebeque e os líderes locais, que dizem opor-se à colocação de lixo norte-americano numa turfeira local. Os dirigentes locais protestam contra a medida, afirmando que o Quebec está a capitular perante uma empresa norte-americana. Há um ano que o subúrbio de Blainville, em Montreal, se recusa a vender um terreno florestal propriedade da cidade para facilitar a expansão da Stablex, uma empresa americana que trata e armazena resíduos perigosos, incluindo 33 000 toneladas exportadas dos EUA em 2023. Bill Gates é um dos acionistas da empresa. "Não somos o caixote do lixo dos Estados Unidos", diz Ruba Ghazal, membro da oposição no parlamento do Quebeque. Fonte.
A criação de insetos deveria contribuir para tornar a produção alimentar mais ecológica. As dificuldades financeiras de dois pioneiros estão a pôr em causa a sua viabilidade económica e os seus benefícios ecológicos. O negócio consome muita energia pois os insetos precisam de uma temperatura constante de pelo menos 25°C para crescer. A forma como os insetos são alimentados também não é tão "verde" como se esperava. A utilização de resíduos alimentares como alimento para as larvas, inicialmente prevista, era uma opção atrativa: teria permitido explorar um material não utilizado. Mas revela-se impraticável devido a constrangimentos regulamentares, dificuldades logísticas na recolha de volumes suficientes de resíduos, qualidade variável dos fatores de produção, etc. Por isso, os criadores de insetos tendem a comprar subprodutos de cereais (sêmeas de trigo, grãos de cerveja, etc.) que desviam dos seus outros mercados, nomeadamente das explorações pecuárias tradicionais. Esta situação tem um impacto negativo: em vez de eliminar o desperdício alimentar e de se integrar numa economia circular, coloca uma pressão adicional sobre a utilização de produtos agrícolas. Fonte.
A União Europeia vai subsidiar as companhias aéreas que utilizem "combustíveis de aviação sustentáveis" (hidrocarbonetos líquidos que podem ser utilizados pelas aeronaves em substituição da parafina derivada do petróleo). Objetivo: atenuar o impacto financeiro de um novo regulamento que entrará em vigor em 2026 - a obrigação de comprar licenças de emissão de gases com efeito de estufa.Problemas: enquanto os biocombustíveis produzidos a partir de biomassa prejudicam os recursos naturais (terras agrícolas e desflorestação) e ameaçam o ambiente e a biodiversidade, os combustíveis sintéticos (e-fuels) produzidos a partir de fontes não biológicas (principalmente hidrogénio) exigem quantidades consideráveis de energia. Fonte.
Uma investigação
da Stanford e da Universidade de British Columbia concluiu que os
pequenos reatores modulares agravariam os desafios colocados pelos
resíduos nucleares altamente radioativos: "Descobrimos que os
pequenos reatores modulares gerarão pelo menos nove vezes mais aço
ativado por neutrões do que as centrais elétricas convencionais.
Estes materiais radioativos têm de ser cuidadosamente geridos antes
de serem eliminados, o que será dispendioso". O estudo concluiu
igualmente que o combustível nuclear irradiado dos pequenos reatores
modulares será descarregado em maiores volumes por unidade de
energia extraída e pode ser muito mais complexo do que o combustível
irradiado descarregado das centrais elétricas existentes. Fonte.
Em Espanha, os
resíduos radioativos de alto nível, o combustível usado produzido
pelo parque nuclear, aumentam em 125 toneladas de urânio por ano de
funcionamento. E a taxa sobre a eletricidade nuclear, que financia o
Fundo de Resíduos Radioativos, é "insuficiente" para
garantir que o Estado não tenha de pagar a sua gestão após o
encerramento das centrais. Até 2005, as empresas não pagavam pelos
seus resíduos, os cidadãos pagavam-nos nas suas faturas de
eletricidade. Ecologistas en Acción denunciou as "falsidades"
da resolução aprovada no Congresso pelo PP, Vox e UPN. A resolução
propõe prolongar o funcionamento das centrais nucleares espanholas
(fala-se de até 80 anos de funcionamento). Estas deverão encerrar,
conforme acordado entre os seus proprietários e o Governo, o mais
tardar em 2035, altura em que todas elas terão mais de 40 anos de
atividade.
Bruxelas resiste a
Trump e mantém recusa aos alimentos transgénicos. Fonte.
O parlamento
norueguês aprovou a abertura de rios protegidos a centrais
hidroelétricas, o que provocou a fúria de grupos conservacionistas
que temem pelo destino dos peixes e de outros animais selvagens.
Fonte.
A energia solar
barata está a fazer com que as redes elétricas entrem numa espiral
de morte, titula o The Economist. Isto significa que a crescente
adoção da energia solar leva a uma redução da procura de
eletricidade fornecida pelos serviços públicos, levando-os a
aumentar os preços, o que, por sua vez, leva mais clientes a
instalar energia solar, diminuindo ainda mais a procura. Este ciclo
pode criar instabilidade financeira para as empresas de eletricidade
e custos mais elevados para os consumidores que não podem pagar as
opções de energia solar.
As empresas do grupo
californiano J.H. Baxter declararam-se culpadas de acusações de
tratamento ilegal de resíduos perigosos e de violação consciente
da Lei do Ar Limpo. Fonte.
Um colono israelita
destruiu uma rede de água potável na aldeia de Kisan, a leste de
Belém, na Cisjordânia ocupada. Cerca de 15 famílias dependem da
rede para obter água. Fonte.
Trabalhadores
indocumentados preparam-se para limpar as zonas incendiadas de Los Angeles
enquanto decorrem os raids da polícia de imigração. Fonte.
A presidente
mexicana, Claudia Sheinbaum, avisou que o seu governo irá instaurar
um processo civil contra a Google se esta não voltar a designar a
massa de água internacional como Golfo do México. Acrescentou que
Trump não tem autoridade para mudar o nome do golfo porque os EUA só
têm soberania até 22 milhas náuticas da costa. A Enciclopédia
Britânica não vai usar o nome Golfo da América, sublinhando que o
golfo "é um corpo de água internacional, e a autoridade dos
EUA para lhe dar um novo nome é ambígua". A Associated Press
continua a usar o nome Golfo do México, pelo que os repórteres da
agência fossem impedidos de entrar na Casa Branca esta semana.
Fonte.
A Associação
Agrária e para a Proteção Ambiental da Costa da Caparica e a ZERO
solicitaram à Câmara Municipal de Almada que procedesse à remoção
de um grande depósito de resíduos resultantes da demolição de
várias construções clandestinas existentes nas Terras da Costa e
que estão depositados em terrenos que integram a Reserva Agrícola e
a Reserva Ecológica Nacionais. Estas operações de
demolição foram adjudicadas a um empreiteiro que não terá
cumprido algumas das obrigações que a lei estabelece para estas
situações, nomeadamente a remoção prévia e encaminhamento para
tratamento adequado das telhas com amianto, a separação e
encaminhamento para reciclagem dos resíduos de construção e
demolição passíveis desse destino e a emoção total dos resíduos
remanescentes. Fonte.
A nova lei dos solos
vai provocar um aumento dos preços dos terrenos agrícolas, alerta
Guilhermina Marques. Para a professora da Universidade de
Trás-os-Montes e Alto Douro a lei não vai resolver a crise da
habitação e vai criar novos problemas, sobretudo para os pequenos
agricultores. Segundo ela, muitas áreas que estarão dedicadas à
produção agrícola e têm um determinado valor no mercado, vão
sofrer uma sobrevalorização e a dependência agrícola do país vai
intensificar-se. Fonte.
A Entidade
Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos assegurou que, até
2030, a cobrança dos serviços de gestão de resíduos deixará de
estar agregada ao consumo da água e passará a contabilizar o lixo
produzido. Fonte. O ‘como’ deve
estar no segredo dos gabinetes dos lóbis das águas.
Especialista da
Escola Superior Agrária de Coimbra avisam que o atual modelo de
limpeza da floresta e das faixas de proteção contra os incêndios
está errado. Consideram que a desmatação total não é solução
para o combate ao fogo.Fonte.
Na freguesia de
Arroios, em Lisboa, as árvores substituem os carros mal
estacionados. Ao todo, são 52 árvores, como oliveiras, romãzeiras
e árvores de fruto. Itineram em vasos produzidos a partir de
resíduos plásticos não recicláveis. Fonte.
Em França, milhares
de quilómetros de condutas de água potável estão contaminados com
o agente cancerígeno CVM. O problema é conhecido desde a década de
1970. Novas análises revelam a dimensão do escândalo sanitário e
a inação do Estado. Fonte.
A utilização de
níveis elevados de fertilizantes reduz para metade o número de
polinizadores e “drasticamente” o número de flores, concluiu um
estudo da Universidade de Sussex e da Rothamsted Research. A
investigação concluiu que o aumento da quantidade de nitrogénio,
potássio e fósforo aplicado nos terrenos agrícolas reduziu cinco
vezes o número de flores e metade o número de insetos
polinizadores. As abelhas foram as mais afetadas, tendo a análise
verificado que existiam cerca de nove vezes mais abelhas nas frações
de terreno sem produtos químicos do que nas parcelas com os altos
níveis de fertilizantes. Fonte.
A ONU decidiu fazer
de 2025 "o ano da proteção internacional dos glaciares".
Em França, "existe uma ambição nacional de os proteger, mas
sem quaisquer recursos", resume o glaciologista Jean-Baptiste
Bosson. Fonte.
A China instalou
80GW de energia eólica e 277GW de energia solar em 2024, o que
representa um aumento da capacidade eólica e solar de 18% e 45,2%,
respetivamente. Isto significa também que a China ultrapassou o
objetivo fixado em 2020 de atingir 1,2TW de energias renováveis
cinco anos mais cedo. Fonte.
As empresas
americanas enviam mais de 1 milhão de toneladas de resíduos
perigosos para outros países todos os anos, levantando questões
sobre possíveis impactos na saúde e no meio ambiente. As
exportações de resíduos tóxicos, a maioria das quais é enviada
para o México e o Canadá, aumentaram 17% desde 2018. Na área
metropolitana de Monterrey, no México, a investigação revelou
níveis elevados de chumbo, cádmio e arsénico em casas e escolas
nas imediações de uma fábrica que recicla poeiras tóxicas
produzidas pela indústria siderúrgica dos EUA. No Quebeque, no
Canadá, crianças e adultos que vivem perto de uma fundição que
processa resíduos eletrónicos, incluindo materiais provenientes de
Silicon Valley e de outros locais dos EUA, apresentam níveis
elevados de arsénico nas unhas. Fonte.
Uma das primeiras
ações de Trump foi retirar os EUA do Acordo de Paris, da mesmíssima
forma que fez quando governou o país pela primeira vez, em 2017.
Embora o incentivo aos combustíveis fósseis por Trump seja certo,
ainda há dúvidas se o novo presidente terá, de fato, poder legal e
político para retirar os incentivos fiscais dados pela administração
de Joe Biden aos produtores de energia renovável por meio da Lei de
Redução da Inflação (IRA, sigla em inglês). Fonte.
Em Portugal, há
registo de cerca de 500 horas de pesca de fundo em zona proibida ao
largo de Sines por três embarcações nacionais entre novembro de
2023 e outubro de 2024, conclui um estudo coordenado por
Lissette Victorero. O estudo refere que
os navios espanhóis ultrapassaram as violações dos congéneres
portugueses, sendo responsáveis por 1 769 horas de pesca com
contacto com o fundo.
Os caranguejos
verdes, nativos da Europa costeira e do Norte de África, podem ser
extremamente destrutivos enquanto espécies invasoras. Podem
danificar os leitos de ostras e ervas marinhas e também consumir
pequenos invertebrados de lodaçal que servem de alimento às aves
costeiras. Acontece que as lontras marinhas - que estão listadas
como ameaçadas ao abrigo da Lei das Espécies Ameaçadas - adoram
comer estes caranguejos. Um novo estudo, publicado na revista
Biological Invasions, concluiu que há uma relação direta entre as
duas espécies: se uma zona tiver uma população saudável de
lontras marinhas, terá também uma população reduzida de
caranguejos verdes.
A BP vai dispensar
quase 5 000 postos de trabalho no âmbito de uma iniciativa de
redução de custos. Os cortes surgem numa altura em que a BP
transfere a sua atividade eólica offshore para uma nova empresa
comum e reduz os investimentos em energias renováveis em geral.
Fonte.
A 3M sabia que as
espumas de combate a incêndios que continham PFAS eram tóxicas.
Documentos recém revelados mostram que o gigante dos químicos sabia
que os produtos "neutros para o ambiente" não se
biodegradavam. Fonte.
Na Namíbia, uma
empresa canadiana de cobre deixa um legado de resíduos tóxicos. As
doenças são comuns há anos em Tsumeb, onde a Dundee Precious
Metals foi o maior empregador durante mais de uma década. Os testes
revelaram agora que o solo está contaminado com arsénico e outros
metais pesados. Fonte.
Dias comemorativos
inventados, reais e naturais. Jorge Paiva, Público 12jan2025.
Igor
Metelskiy/2024 Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano
O crescimento da
capacidade de produção de energia solar na Alemanha abrandou
acentuadamente em 2024. O abrandamento da procura e o ritmo mais
lento das instalações levaram à insolvência de várias empresas
de energia solar sediadas na Alemanha ao longo do último ano, como a
ESS Kempfle, a PV Fellensiek e a Solarmax. Outras empresas alemãs do
setor da energia solar, como a Zolar, despediram trabalhadores,
devido ao colapso da procura de energia solar residencial por parte
dos proprietários de casas. Os principais
mercados da UE, incluindo a Alemanha, a Áustria, a Itália, a
Polónia, os Países Baixos, a Bélgica, a Suécia, a Espanha e a
Hungria, registaram declínios substanciais no segmento dos sistemas
solares residenciais, diz a SolarPower Europe. "Não se pode ter
uma transição verde com números vermelhos. O sector tem de ser
rentável", afirmou Dries Acke, diretor executivo adjunto da
SolarPower Europe, comentando o abrandamento do mercado alemão e
europeu da energia solar. Fonte.
O salmão está a
desaparecer no sudoeste de França. Este esgotamento obrigou a
prefeitura de Nouvelle-Aquitaine a proibir a pesca do salmão em toda
a bacia do Adour, bem como nas costas das Landes e do País Basco,
durante todo o ano de 2025. Fonte.
Os reguladores da
Califórnia aprovaram uma proposta para adiar o encerramento da
instalação de gás natural de Aliso Canyon, o local da maior fuga
de metano conhecida na região, que obrigou milhares de famílias a
abandonar as suas casas em Los Angeles em 2015. Fonte.
"Daqui a 10
anos podemos deixar de existir": a subida do mar e o afluxo de
turistas ameaçam engolir a ilha do Panamá.Fonte.
O governo indiano é acusado de golpe de relações públicas depois de ter
retirado 337 toneladas de resíduos tóxicos que estavam em
contentores, o que representa menos de 1% das mais de 1 milhão de
toneladas de materiais perigosos deixados após o desastre de há 40
anos e que a limpeza não fez nada para resolver a contaminação
química da área. Os resíduos da catástrofe de Bhopal de 1984 (fuga de gás de isocianato de metilo de uma fábrica de pesticidas pertencente à empresa norte-americana Union Carbide Corporation), que matou mais de 25
000 pessoas e deixou pelo menos meio milhão de pessoas com graves
problemas de saúde, foram enviados para uma incineradora.
O governo português
aprovou no Decreto-Lei n.º 122/2024, de 31 de dezembro, a
criação da Agência para o Clima, I. P. (ApC, I. P.), agregando
serviços que transitam da Secretaria-Geral do Ministério do
Ambiente, potenciando assim o planeamento e execução em matérias
essenciais como o combate às alterações climáticas. A agência
coordenará e gerirá fundos nacionais, europeus e internacionais,
como o Fundo Ambiental, EEA Grants, Fundo Social para o Clima, Fundo
de Modernização e Fundo Azul. A ApC também assumirá as
competências da Agência Portuguesa do Ambiente (dela recebendo 140
funcionários) em matéria de clima e acompanhará o desenvolvimento
do Mercado Voluntário de Carbono.
Na Bélgica, um
milhar de ativistas bloqueou várias instalações da TotalEnergies.
Fonte.
Os deputados
eslovenos votaram a anulação de um referendo sobre a construção
de uma nova central nuclear, depois de grupos ambientalistas e
especialistas terem apresentado queixas ao Tribunal Constitucional
questionando a sua legalidade. Fonte.
O Ministério da
Defesa impediu o organismo de vigilância ambiental do Governo
escocês de divulgar informações sobre a poluição radioativa das
bases de bombas nucleares de Clyde nos últimos nove anos. Fonte.
As autoridades
albanesas impediram que o navio Moliva XA443A, de pavilhão turco,
suspeito de transportar uma grande quantidade de resíduos perigosos,
atracasse no porto de Durres. Os procuradores ordenaram que os
contentores fossem apreendidos e armazenados ‘num local ambiental e
fisicamente seguro’ para monitorização. Fonte.
O Japão está a
enfrentar dificuldades na escolha de um local para a eliminação
final dos resíduos radioativos de alto nível deixados pelo
combustível usado nas centrais nucleares de todo o país. Fonte.
A Federação
Nacional de Apicultores de Portugal estima que os incêndios que
lavraram no país desde o início do ano provocaram a perda de cerca
de 9.000 colmeias. Só nos incêndios que lavraram em agosto no
distrito de Bragança, no Parque Natural do Montesinho, e nos
concelhos de Vimioso e Miranda do Corvo, as perdas chegam às 1.500
colmeias. Fonte.
Do
Reino Unido à Noruega, os perfuradores despejam legalmente toneladas
de resíduos tóxicos e radioativos no Mar do Norte Há décadas que
a indústria do petróleo e do gás utiliza a bacia como local de
eliminação gratuita. Fonte.
A
Suécia reduz o imposto sobre as viagens de avião, apesar de admitir
que aumentaria as emissões Os activistas criticam a decisão de
eliminar o imposto introduzido em 2018, no contexto do aumento do
movimento "vergonha de voar. Fonte.
O
plástico também sufoca as aves urbanas. Mais de um terço dos
ninhos de andorinhões estudados em diferentes países europeus estão
contaminados por plástico, especialmente em ambientes urbanos.
Fonte.
Um
súbito corte de água secou o rio Kern em Bakersfield, deixando
milhares de peixes mortos. Fonte.
A
Yashika Energy Systems estabeleceu uma parceria com a Next2Sun da
Alemanha e a Wattkraft India para lançar projectos-piloto que
integram a tecnologia solar bifacial vertical com a agricultura. Fonte.
O
termo "Eco Máfia" foi cunhado pela organização
ambientalista italiana Legambiente em 1994. Não se refere a
Greenwashing ou a uma máfia iluminada que prometeu substituir as
balas de chumbo por bambu. Refere-se, antes, a um grupo criminoso que
lucra com a deposição ilegal de resíduos. O "eco", neste
sentido, refere-se aos danos ambientais causados.
A
Itália produziu cerca de 175 milhões de toneladas métricas de
resíduos, o terceiro maior valor da UE. A eliminação de resíduos
é um negócio multimilionário do qual os criminosos pretendem tirar
partido: desde 2012, estima-se que 30% dos resíduos italianos foram
eliminados ilegalmente por grupos de crime organizado, que embolsaram
cerca de 20 a 30 mil milhões de dólares.
A
atividade da Eco-Máfia centra-se
na
Campânia, uma das regiões mais pobres do país, onde
22,8% dos
agregados familiares vivem abaixo do limiar de pobreza e têm um PIB
per capita de 21200 euros. Infelizmente, as regiões mais pobres são
propensas ao crime, e o tráfico de resíduos tem devastado os
residentes que já vivem em condições difíceis. Os aterros ilegais
com 8 a 20 metros de profundidade estão cheios de contentores de
resíduos tóxicos e corrosivos. No norte de Nápoles (também
conhecido como o "triângulo da morte", uma vez que a área
contém a maior lixeira ilegal da Europa), estima-se que 11,6 milhões
de toneladas de resíduos tóxicos estejam enterrados ou queimados
debaixo de terrenos
agrícolas,
pedreiras ou terrenos abandonados.
Entretanto, os resíduos industriais tóxicos, como as dioxinas e o
arsénico, também se instalaram na zona.
Consequentemente,
a região da Campânia tem as taxas de cancro mais elevadas de todas
as províncias de Itália, com 10 em cada 10000 mortes causadas por
tumores. Accerra é responsável por 70% da produção da região. As
dioxinas foram detetadas em animais de criação e na vegetação,
provocando malformações congénitas em cordeiros e a morte de
vacas. Numa tentativa de eliminar os resíduos de forma barata, as
vidas dos habitantes da Campânia foram o maior custo, não escrito.
No entanto, os políticos protegem os criminosos, aceitando subornos,
enquanto os habitantes locais protestam, tentando lutar pela sua
comunidade.
No
entanto, não são apenas os habitantes da Campânia que são vítimas
do monopólio multibilionário; os bandidos expandiram o seu modelo
de negócio para todo o Mediterrâneo e estão agora a comprometer
também o continente africano.
Tráfico
de resíduos em África
Somália
Depois
de o ditador Said Barre ter sido deposto em 1991, a Somália entrou
numa guerra civil até 2012. Durante este período de anarquia, a
Somália não dispunha de uma marinha, pelo que não podia defender o
seu mar. Por conseguinte, os 3330 km de costa da Somália estavam à
venda, uma oportunidade perfeita para os países descarregarem o seu
lixo a troco de meia
dúzia de tostões.
O
infame grupo mafioso italiano Ndrangheta utilizou a Somália como
local de despejo já na década de 1980 e intensificou a eliminação
de resíduos após 1991 e os caóticos 20 anos que se seguiram. A
ENEA, uma empresa italiana de tecnologia e energia, foi acusada de
pagar à Ndrangheta para enterrar na Somália 600 bidões de resíduos
radioactivos provenientes da Europa e dos EUA. O ex-primeiro-ministro
italiano Ciriaco De Mita estaria alegadamente envolvido, enquanto
políticos italianos foram acusados de fazer com que as tropas
italianas na Somália ignorassem a entrada de transportes de
resíduos.
Depois
de 1991, as empresas europeias de resíduos, que procuravam uma forma
de escapar às rigorosas políticas e impostos ambientais da UE,
trocaram resíduos tóxicos como urânio, chumbo, cádmio e mercúrio
por armas para ajudar as facções beligerantes na Guerra Civil. Além
disso, na década de 1990, uma investigação do governo
italiano revelou que 35 milhões de toneladas de resíduos foram
exportados para a Somália por 6,6 mil milhões de dólares. Para
agravar o problema dos resíduos na Somália, após o tsunami do
Oceano Índico de 2004, a região de Putalnd, no norte da Somália,
foi inundada por resíduos industriais nucleares e tóxicos. As
consequências levaram os residentes da zona afetada a sofrer de
"hemorragias bucais, hemorragias abdominais, doenças de pele
invulgares e dificuldades respiratórias".
A
Somália é mais conhecida pelos seus piratas (graças ao filme de
2013 Capitão Phillips). Enquanto os media
noticiam o
impacto dos piratas somalis na economia mundial, os maiores
criminosos permanecem ocultos. Homens pobres, sem meios de ganhar
dinheiro e sem governo para defender os seus mares, radicalizam-se e
recorrem a métodos não convencionais mas perigosos para proteger a
sua costa e alimentar as suas famílias.
Tunísia
De
maio a julho de 2020, navios de carga provenientes de Itália
despejaram 7900 toneladas de resíduos domésticos (282 contentores)
no porto de Sousse, na Tunísia. Esta transação de resíduos foi
efetuada entre a italiana SRA e a tunisina SOREPLAST, tendo as duas
empresas assinado um contrato de 5,7 milhões de euros em 2019. No
entanto, os
criminosos
organizados mascaram frequentemente a ilegalidade das suas atividades
com operações legítimas.
O negócio implicava que a SOREPLAST
receberia plástico que seria selecionado, reciclado e eventualmente
exportado, mas os resíduos em questão eram resíduos urbanos não
recicláveis e tóxicos provenientes de Nápoles. Além disso, a
SOREPLAST não está equipada com uma incineradora, o que torna a
transação ilegal nos termos da Convenção de Basileia e da
legislação europeia, segundo a qual os países terceiros que
recebem resíduos exportados devem ter capacidade e instalações
para os reciclar. A Comissão Parlamentar Tunisina para a Reforma
Administrativa, a Boa Governação e a Luta contra a Corrupção
confirma que a SOREPLAST "não dispõe nem dos recursos
materiais e humanos nem da tecnologia necessária para a triagem dos
resíduos importados".
O custo de transporte e tratamento
previsto no contrato foi de 52 euros e 85 euros, respetivamente. A
SOREPLAST ganhou 230 mil euros com esta transação. Para a
Eco-Máfia, a eliminação de resíduos é um negócio em que só os
lucros interessam; numa carta entre a SRA e a Campânia, a SRA
gabava-se de que a eliminação de resíduos no estrangeiro era "mais
rentável em comparação com o país de origem". Tal como os
políticos italianos no negócio de eliminação de resíduos com os
belicistas somalis e a Campânia, os políticos do consulado tunisino
em Nápoles seguiram o dinheiro. A Agence Nationale de Gestion des
Déchets, sob a tutela do Ministério do Ambiente, autorizou a
entrada dos primeiros 70 contentores de resíduos e falsificou
documentos alegando que os resíduos eram plásticos recicláveis. No
entanto, num relatório italiano de 2019, apenas 55% dos resíduos
continham plástico.
Dado que a SOREPLAST não podia
separar os resíduos e que a maior parte dos resíduos recebidos não
eram recicláveis, foram armazenados nas cidades rurais vizinhas de
Mourredine, Sidi El Héni e Oued Laya. Depois de o escândalo se ter
tornado público, a Itália foi chamada a recuperar os resíduos, o
que a SRA recusou, a menos que recebesse uma indemnização. Os
resíduos continuam na Tunísia, apesar de "apresentarem um
risco importante de contaminação devido à presença de lixiviados
e de emissões de gases indesejáveis".
As máfias continuam a ser
retratadas nos media ocidentais como impérios familiares, senhores
da droga e até mesmo como galãs. Mas para o povo campiniano e para
os pobres de todo o mundo, elas são venenosas. Em 2023, foram
registados 35 487 crimes ambientais em Itália (+15,6% em relação a
2022), com uma média de 97,2 crimes por dia e 4 por hora. A
indústria de eliminação ilegal de resíduos vale 8,8 mil milhões
de dólares em Itália e 378 gangues mafiosos, principalmente no sul
da Itália, são cúmplices. Como descreve a Justice Info, os crimes
ambientais são transnacionais: "São dispendiosos. O seu número
está a aumentar rapidamente. E estão frequentemente ligadas a
empresas ou ao crime organizado". Ao cunhar o termo "EcoMáfia"
quisemos denunciar a perversa interligação entre o crime
organizado, o crime económico e, na verdade, o crime ambiental",
explica Enrico Fontana, da Legambiente. E, no entanto, 30 anos
depois, o crime ambiental é um negócio gigantesco, enquanto os
manifestantes da Just Stop Oil são condenados a 4-5 anos de prisão.
Tal como um lobo com pele de
cordeiro, os empresários e políticos de colarinho branco continuam
a apertar discretamente a mão aos bandidos, enquanto fingem
preocupar-se com as pessoas comuns. O seu gangster preferido vive
para lá do seu ecrã de televisão, infernizando discretamente a
vida em bairros pobres, ao mesmo tempo que é apoiado por
funcionários democraticamente nomeados. É isso que estamos a
enfrentar.
Algumas das empresas de resíduos mais conhecidas de New South Wales, nomeadamente a Bingo Industries, a Aussie Skips Recycling, a Benedict Recycling e a KLF Holdings, estão entre as que violaram as regras de segurança que levaram a que solos potencialmente contaminados fossem fornecidos a paisagistas de quintais, escolas, centros de acolhimento de crianças e parques em todo o estado.Lisa Cox e Catie McLeod, The Guardian.
Agricultura em grande parte destruída,
poluição, resíduos... Em Gaza, levantam-se vozes para denunciar o
ecocídio e pedir um processo penal contra Israel.
Campos revirados, árvores arrancadas,
solos contaminados com fósforo branco: em Gaza, o ambiente é a
vítima silenciosa da guerra. Em vez dos pomares, das praias de areia
e dos campos de morangos que eram o orgulho dos habitantes de Gaza,
está a surgir uma paisagem distópica de bases militares, crateras e
ruínas. "Estamos atualmente a viver uma catástrofe ambiental
que conduzirá a outras catástrofes no futuro", afirma Samar
Abou Saffia, um ativista ambiental de Gaza.
Mais de 80.000 toneladas de bombas
israelitas não pouparam nem os campos, nem as oliveiras, nem os
limoeiros. Esta destruição ambiental anda de mãos dadas com os
massacres e o genocídio. Quando os tanques invadem os terrenos,
também destroem a sua fertilidade.
"O ambiente não é apenas um dano
colateral, mas um alvo do exército israelita", afirma Lucia
Rebolino, coautora de um estudo da Forensic Architecture, um coletivo
que trabalha com dados de satélite de fonte aberta. "Os
bulldozers estão a arrasar campos e pomares para limpar uma zona
tampão com mais de 300 metros de profundidade", ao longo da
fronteira norte entre Israel e a Faixa de Gaza, explica. "O
exército está a construir diques e montes de terra para proteger os
seus tanques e desimpedir a vista. Os números do seu estudo falam
por si: dos 170 km2 de terras agrícolas existentes em Gaza antes da
guerra - metade do território - 40% terão sido destruídos. Foram
bombardeadas 2.000 instalações agrícolas, incluindo quintas e
estufas. O norte de Gaza foi o mais afetado, com 90% das suas estufas
destruídas.
Um estudo conjunto realizado pela ONU,
pelo Banco Mundial e pela União Europeia estima em mais de 1,5 mil
milhões de dólares (cerca de 1,4 mil milhões de euros) os
prejuízos causados à agricultura, às zonas naturais e às
infra-estruturas de tratamento de resíduos, sem contar com a
recuperação e a reconstrução do ambiente.
Esta destruição faz parte de uma
estratégia israelita que está em vigor há cerca de dez anos",
explica Lucia Rebolino. Durante as guerras de 2014 e 2021, Israel
também visou instalações agrícolas, mas em menor escala.
"Observámos regularmente aviões israelitas a lançar
herbicidas nas zonas fronteiriças agrícolas no início e no fim das
épocas de colheita de 2014 a 2019, aproveitando os ventos favoráveis
para atingir o maior número possível de áreas", diz. A
Forensic Architecture publicou vários relatórios sobre esta "guerra
de herbicidas", que terá destruído a subsistência de muitos
agricultores.
Um outro exemplo notável, mais a sul, é
a reserva natural de Wadi Gaza, um rio cujas margens foram limpas com
grandes custos por ONG internacionais, alguns meses antes da guerra.
“Voltou a ser uma região cheia de vida e de agricultura, com boas
infra-estruturas", afirma Samar Abou Saffia. “Agora está tudo
destruído e os palestinianos estão proibidos de entrar, é muito
perigoso. A zona é atravessada por uma estrada militar que divide
Gaza em duas, uma terra de ninguém que foi arrasada e transformada
num campo de batalha.”
Para além dos objetivos militares de
Israel, a guerra está a gerar uma poluição significativa. As
emissões de gases com efeito de estufa geradas durante os dois
primeiros meses da guerra em Gaza foram superiores à pegada de
carbono anual de mais de vinte das nações mais vulneráveis ao
clima do mundo.
A ONU calcula também que os
bombardeamentos produziram 37 milhões de toneladas de detritos. "É
mais do que toda a Ucrânia em dois anos", sublinha Wim
Zwijnenburg, investigador dos efeitos dos conflitos no ambiente na
PAX, uma organização holandesa. Os perigos são múltiplos:
contaminação por amianto e metais pesados, poeiras e partículas
finas, resíduos tóxicos dos hospitais e das indústrias, doenças
transmitidas pelos cadáveres em decomposição, etc. "Como é
que vamos ter toda esta informação na ponta dos dedos? Como é que
vamos eliminar todos estes detritos, quando não existem
infra-estruturas de triagem de resíduos?"
Enquanto a maior parte das
infra-estruturas públicas foram destruídas, lixeiras improvisadas
surgiram por toda a Faixa de Gaza. "Graças às imagens de
satélite, podemos ver como milhares de poluentes se infiltram no
solo e nas águas subterrâneas, e até como os fumos tóxicos tornam
o ar irrespirável", explica. Ao mesmo tempo, a ONU alerta para
o facto de mais de 130 000 m3 de águas residuais serem despejados
diariamente no Mar Mediterrâneo, causando grandes danos à flora e à
fauna subaquáticas.
Algumas organizações estão a acusar
Israel de cometer genocídio e ecocídio. "A destruição da
terra é uma prática sistemática de genocídio, tal como a
destruição da produção alimentar, das escolas e dos hospitais",
afirma Lucia Rebolino, da Forensic Architecture.
Para Saeed Bagheri, professor de Direito
Internacional Humanitário na Universidade de Reading, em Inglaterra,
a resposta é menos clara. "Do ponto de vista jurídico, o
ecocídio não tem uma definição clara. A Convenção de Genebra e
o Estatuto de Roma enumeram os crimes de guerra contra o ambiente e
contra os civis, mas é preciso que se cumpram os seus critérios",
explica. A discussão entre os juristas centra-se na noção de
proporcionalidade: "De acordo com o direito internacional, mesmo
que aceitemos que Israel tem o direito de se defender atacando o
Hamas, o ambiente natural não pode ser atingido, a menos que seja
uma necessidade militar imperativa". É assim que o exército
israelita tenta justificar-se. O Hamas opera frequentemente a partir
de pomares, campos e terrenos agrícolas", explica um porta-voz.
“O exército não danifica intencionalmente os terrenos agrícolas
e esforça-se por evitar qualquer impacto no ambiente, na ausência
de necessidade operacional".
Mas para Saeed Bagheri, "o
princípio da humanidade tem precedência sobre tudo o resto, por
outras palavras, a obrigação de não causar sofrimento desumano e
evitável” aos civis e ao ambiente. E é aqui que Israel poderia
ser levado ao Tribunal Penal Internacional ou ao Tribunal
Internacional de Justiça. "Em todo o caso, deve haver uma
investigação", afirma o jurista.
Como sinal da gravidade da situação, a
ONU abriu um inquérito sobre a destruição do ambiente. Estas
medidas levarão tempo, e teremos de esperar pelo fim da guerra para
conhecer as conclusões. É também o que espera a população de
Gaza, presa numa distopia sangrenta. "Só espero que a guerra
acabe, para que possamos recuperar a nossa terra e restaurar o nosso
solo, os nossos lençóis de água e o nosso mar, que foram
destruídos pelos israelitas", suspira Samar Abou Saffia.