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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

BICO CALADO

  • “Foi um dos momentos mais confrangedores em política. Senti vergonha alheia”. Disse Carlos Rodrigues, vice-presidente da Câmara do Funchal, referindo-se ao discurso de Luís Neves, Ministro da Administração Interna. Olhem quem fala! Que credibilidade tem este sujeito? Ele faz parte de um executivo municipal, cujo presidente foi detido e destituído. Este executivo pertence ao partido do ministro visado pelas suas críticas. O próprio sujeito é um autarca apoiado por Miguel Albuquerque — presidente do Governo Regional da Madeira — que, à semelhança do presidente do executivo autárquico, se encontra igualmente constituído arguido e à espera de julgamento.
  • Leipzig apresenta todas as características de uma operação de falsa bandeira. Pena Preta, Foicebook.
  • A Alemanha aprovou exportações de equipamento militar para Israel no valor de quase 800 milhões de euros (930 milhões de dólares) no primeiro semestre deste ano, no contexto do genocídio que continua a ser perpetrado na Faixa de Gaza. Fonte.
 
  • «O que vi por dentro da CNN deixou-me chocada». Ana Maria Monjardino deixou a CNN em outubro de 2023, depois de decidir que já não conseguia conciliar os seus princípios éticos com a cobertura que a organização fazia de Israel e da Palestina. Fonte.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

BICO CALADO

  • Jornalista finlandês detido após questionar o presidente finlandês Stubb sobre negócios de armas com Israel. (Video acima)
  • Diretor nacional da Polícia Judiciária denunciado por mentir em tribunal e por ter ordenado uma escuta proibida pelo Ministério Público. Carlos Cabreiro é acusado por um coordenador da PJ de negar existência de escutas que, afinal, terão sido feitas no caso Rui Pinto. PGR confirma receção da denúncia e diretor da PJ diz que “desconhece”. Expresso.

domingo, 30 de agosto de 2026

LEITURAS MARGINAIS

COMO OS MEDIA PROMOVEM O GENOCÍDIO
Chris Hedges, ScheerPost. Rev. O’Lima.

Joy to the World – by Mr. Fish

Os media ocidentais, ao recorrerem a dois pesos e duas medidas, à censura, a uma linguagem enganosa, ao amplificarem as mentiras israelitas e ao desumanizarem os palestinianos, facilitam o genocídio em Gaza.

Os media ocidentais criam um clima de aceitação para o genocídio. Normalizam a ocupação militar e o apartheid praticados por Israel há décadas. Ignoram as violações flagrantes do direito internacional por parte de Israel. Perpetuam a falácia de que Israel é uma vítima. Traem, desacreditam e demonizam o trabalho dos jornalistas e profissionais dos media palestinianos em Gaza, dos quais pelo menos 220 foram mortos por Israel entre 7 de outubro de 2023 e agosto de 2025. Aceitam passivamente a censura draconiana de Israel. Limitam-se a manifestar timidez através de cartas de protesto contra a recusa de Israel em permitir a entrada de repórteres estrangeiros em Gaza — um esforço de Israel para encobrir os seus crimes de guerra. Amplificam as mentiras israelitas, desde bebés decapitados até agressões sexuais generalizadas contra mulheres israelitas a 7 de outubro, para ofuscar a verdade.

Quando escrevem sobre Gaza, os verbos estão na voz passiva. Não há sujeito. Ninguém é responsabilizado. O genocídio, ao que parece, é um ato de Deus. Não é diferente de um terramoto ou de um tsunami. Clichés e adjetivos vagos, como o «ciclo de violência» ou «confrontos», distorcem e falsificam a realidade.

«Se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento», advertiu George Orwell.

Termos como «genocídio», «atrocidade», «limpeza étnica» e «territórios ocupados» desaparecem como por magia das notícias dos media sobre os palestinianos, cuja resistência é rotineiramente descrita como «selvagem» e «bárbara». Os repórteres do New York Times recebem instruções dos editores para evitar termos como «Palestina», «genocídio», «carnificina», «campo de refugiados», «massacre» e «matança» quando se referem aos palestinianos.

Os media repetem servilmente o que Israel lhes fornece. O bombardeamento de saturação transforma-se em «ataques aéreos cirúrgicos». A utilização da fome como arma por parte de Israel torna-se uma «escassez alimentar». O assassinato de civis desarmados — incluindo crianças — torna-se «confrontos». Os complexos dos colonos judeus, semelhantes a fortalezas no topo das colinas, tornam-se «bairros». O assassinato extrajudicial de um jornalista ou de um médico torna-se «faleceu».

O genocídio, referido como a «guerra entre Israel e o Hamas», é justificado como «autodefesa», parte do mantra do «direito de Israel a defender-se». Quando escolas, hospitais, clínicas, ambulâncias, mesquitas, igrejas e outros alvos civis são destruídos, são rotulados como «centros de comando do Hamas» ou tomados como alvo porque o Hamas está a «usar civis como escudos humanos» — algo que Israel faz rotineiramente, quando o exército amarra palestinianos detidos e os obriga a entrar em edifícios e túneis potencialmente armadilhados, à frente das tropas israelitas.

Quando os israelitas são detidos pelo Hamas, são «reféns», mesmo que sirvam nas forças armadas. Quando os palestinianos — incluindo crianças — são detidos sem acusação nem julgamento e desaparecem em centros de detenção israelitas, onde a tortura é «generalizada» e «sistemática», são «prisioneiros».

Os ataques com mísseis a acampamentos ou hospitais são atribuídos a grupos armados palestinianos que disparam foguetes descontrolados. Se Israel reconhecer os ataques — o que acontece muito raramente —, estes são descritos como um «erro trágico».

As instituições civis em Gaza são caracterizadas como «geridas pelo Hamas» para lançar dúvidas sobre a veracidade das suas informações. O New York Times costuma contextualizar os comunicados do Ministério da Saúde de Gaza, referindo que este «não faz distinção entre civis e combatentes», ocultando o massacre de dezenas de milhares de civis. O resultado são alguns dos textos mais confusos da história do jornalismo, incluindo a manchete do New York Times de 5 de novembro de 2023, que dizia: «Explosões que os habitantes de Gaza afirmam terem sido um ataque aéreo deixam muitas vítimas num bairro densamente povoado.»

«Quando os jornalistas do Middle East Eye, Mohamed Salama e Ahmed Abu Aziz, juntamente com o fotojornalista da Reuters, Hussam al-Masri, e os freelancers Moaz Abu Taha, e Mariam Dagga — que tinham trabalhado com vários órgãos de comunicação social, incluindo a Associated Press — foram mortos num ataque de «duplo golpe» — concebido para matar as equipas de primeiros socorros que chegavam para tratar as vítimas dos ataques iniciais — no Complexo Médico Nasser, como é que as agências noticiosas ocidentais reagiram?», perguntei na minha coluna «A Traição aos Jornalistas Palestinianos».

«As forças armadas israelitas afirmam que os ataques a um hospital em Gaza tinham como alvo o que, segundo elas, era uma câmara do Hamas», noticiou a Associated Press.

«As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmam que o ataque ao hospital teve como alvo uma câmara do Hamas», anunciou a CNN.

A câmara pertencia à Reuters, que afirmou que Israel estava «plenamente ciente» de que a agência noticiosa estava a filmar a partir do hospital.

«Quando o correspondente da Al Jazeera, Anas Al Sharif, e outros três jornalistas foram mortos a 10 de agosto na sua tenda de imprensa perto do Hospital Al Shifa, como é que isso foi noticiado na imprensa ocidental?», perguntei.

«Israel mata jornalista da Al Jazeera que, segundo afirma, era um líder do Hamas», foi o título que a Reuters deu à sua notícia, apesar de al-Sharif fazer parte de uma equipa da Reuters que ganhou um Prémio Pulitzer em 2024.

O jornal alemão Bild publicou uma notícia na primeira página com o título: «Terrorista disfarçado de jornalista morto em Gaza.»

«As acrobacias linguísticas empregadas pelos media chegaram ao ponto de redefinir palavras, tornando-as sem sentido», escreve Assal Rad em «Não digam Palestina: como os meios de comunicação fabricaram o consentimento para o genocídio»:

Os media dominantes não descreveram as repetidas quebras do cessar-fogo por parte de Israel utilizando a terminologia de «violação». Em vez disso, a cobertura seguiu os mesmos padrões de racionalização dos ataques de Israel e de repetir acriticamente as alegações de Israel para justificar as suas ações. Enquanto os palestinianos continuavam a ser mortos — durante um «cessar-fogo» — e o fluxo de ajuda não atingia o nível das necessidades nem o que tinha sido acordado, os media ocidentais enquadraram estas violações flagrantes como «testes» ou «desafios» a um «cessar-fogo instável». Enquanto organizações de direitos humanos de renome, como a Amnistia Internacional, alertavam que o genocídio, na verdade, ainda não tinha terminado, os meios de comunicação tradicionais continuaram a enquadrá-lo como uma guerra com um «cessar-fogo frágil».

As palavras importam. As palavras justificam as ações. Se não há genocídio, se Israel se está a defender numa guerra, os EUA e os aliados europeus de Israel têm o direito de fornecer dezenas de milhares de milhões de dólares em ajuda militar. Se esta é uma guerra iniciada pelo Hamas a 7 de outubro, então é possível lamentar a destruição de Gaza e o massacre em massa perpetrado por Israel como o resultado lamentável do ataque do Hamas.

Esta corrupção da linguagem destina-se, como observou Orwell, a defender o indefensável:

“Coisas como a manutenção do domínio britânico na Índia, os expurgos e deportações russos, o lançamento das bombas atómicas sobre o Japão, podem de facto ser defendidas, mas apenas com argumentos demasiado brutais para a maioria das pessoas encarar e que não se coadunam com os objetivos professados pelos partidos políticos. Assim, a linguagem política tem de consistir, em grande parte, em eufemismos, argumentos circulares e pura e simples imprecisão nebulosa. Aldeias indefesas são bombardeadas do ar, os habitantes expulsos para o campo, o gado abatido a metralhadora, as cabanas incendiadas com balas incendiárias: a isto chama-se pacificação. Milhões de camponeses são despojados das suas quintas e obrigados a caminhar penosamente pelas estradas com nada mais do que aquilo que conseguem carregar: a isto chama-se transferência de população ou retificação de fronteiras. As pessoas são presas durante anos sem julgamento, ou alvejadas na nuca, ou enviadas para morrer de escorbuto em campos de exploração florestal no Ártico: a isto chama-se «eliminação de elementos não fiáveis”.

“Adam Johnson, na obra «How to Sell a Genocide: The Media’s Complicity in the Destruction of Gaza» (Como vender um genocídio: a cumplicidade dos media na destruição de Gaza), analisou mais de 12 000 artigos do The New York Times, do The Washington Post, da CNN.com, do Politico, do Axios, do USA Today e da Associated Press, bem como 5 000 segmentos televisivos transmitidos pela CNN e pela MSNBC. O seu livro, fruto de uma pesquisa minuciosa, constitui uma acusação contundente à justificação do genocídio por parte dos media «liberais».”

A CNN e o The New York Times deram instruções aos seus editores e jornalistas para que os ataques só pudessem ser atribuídos a Israel após confirmação por parte das Forças de Defesa de Israel (IDF) e com base em coordenadas GPS. Johnson cita uma fonte da CNN: “Quer fosse na redacção ou no terreno, não podíamos atribuir nada a Israel a menos que cumpríssemos este critério impossivelmente elevado de ter de designar o acontecimento como uma «explosão», até geolocalizarmos o local da explosão, enviarmos as coordenadas aos israelitas e lhes pedirmos um comentário.

Pode ver aqui uma entrevista com Johnson sobre o seu livro no site The Electronic Intifada.

Os jornalistas da CNN que fazem reportagens sobre Israel e a Palestina têm de submeter os seus trabalhos à revisão do escritório da rede em Jerusalém antes da transmissão. O escritório da CNN, tal como todos os escritórios de notícias em Israel, é obrigado a cumprir as restrições impostas pela censura militar israelita.

Aos poucos palestinianos que aparecem na CNN e noutros media tradicionais é-lhes perguntado rotineiramente — normalmente antes mesmo de lhes ser permitido ir para o ar — se «condenam» o Hamas. Aos convidados que expressam até mesmo críticas moderadas a Israel é perguntado se Israel «tem o direito de existir». Nunca se pergunta a ninguém se condena o sionismo, o apartheid, a limpeza étnica, o genocídio ou a guerra de 100 anos de Israel contra a Palestina. Nem se lhes pergunta se os palestinianos têm o direito de se defender — o que, ao abrigo do direito internacional, têm, inclusive com armas. Os nossos jornalistas e media domesticados são, como Robert Fisk salientou, «prisioneiros da linguagem do poder». Repetem obedientemente o léxico oficial. Isto torna-os não só propagandistas, mas cúmplices de genocídio.

Aqueles que protestam contra o genocídio, incluindo estudantes nos campus universitários — muitos dos quais são judeus —, são difamados como «apoiantes do Hamas» e «antisemitas». Os jornalistas procuram estudantes sionistas, normalmente encontrados nas casas Hillel dos campus, que afirmam estar «com medo pela sua segurança» devido aos protestos. Os media dedicam pouca atenção ao aumento do preconceito antimuçulmano ou à repressão infligida aos estudantes manifestantes, que inclui não só a brutalidade policial e 3 000 detenções e prisões, mas também suspensões, períodos de prova, expulsões, retenção de diplomas e o despedimento de docentes solidários.

Os slogans que apelam à libertação da Palestina — incluindo «Do rio ao mar, a Palestina será livre» —, juntamente com a bandeira palestiniana, foram criminalizados. A mensagem é clara: as vidas dos judeus importam. As vidas dos palestinianos não.

«Os relatórios das agências da ONU, de observadores respeitados dos direitos humanos, de revistas médicas e de profissionais de saúde são, em geral, tratados com respeito e recebem destaque nos media dominantes», escreve o historiador Rashid Khalidi na introdução do livro de Robin Anderson, «The Complicit Lens: US Media Coverage of Israel’s Genocide in Gaza» (A Lente Cúmplice: A Cobertura Mediática dos EUA sobre o Genocídio de Israel em Gaza):

“Não nesta guerra: em vez disso, se é que essas fontes são citadas, é dado igual destaque mediático às calúnias e difamações escandalosas contra estas organizações e indivíduos, difamações produzidas em profusão pela legião de propagandistas profissionais de Israel e pela sua miríade de defensores nos EUA. Para além de difamar os críticos do genocídio de Israel como apoiantes do Hamas ou simpatizantes de terroristas, a principal arma no seu arsenal de difamação é o uso indevido, sistemático e escandaloso da acusação mortal de antissemitismo.”

A fuga em massa de leitores e espectadores dos media tradicionais para plataformas de redes sociais que não filtram as notícias através do lóbi israelita, do governo dos EUA ou das grandes empresas é um indicador claro da falência dos meios de comunicação. A resposta a estas migrações tem sido o «plataformicídio» — o uso de algoritmos, o «shadow banning», a restrição das capacidades de transmissão em direto e o encerramento de contas por parte de gigantes das redes sociais como o Facebook, o Instagram, o X, o YouTube e o TikTok, com o objetivo de reduzir drasticamente o alcance da cobertura jornalística sobre a Palestina. Esta censura faz parte de um esforço coordenado para ocultar do público o horror do genocídio.

Ao referir-se constantemente a 7 de outubro, a comunicação social ocidental descontextualiza o genocídio. Ignora o cerco de 19 anos imposto por Israel a Gaza. O dia 7 de outubro é caracterizado na comunicação social ocidental como «não provocado». Os massacres de palestinianos desarmados em Gaza, perpetrados por Israel no inverno de 2008 e 2009, juntamente com os seus ataques a Gaza em 2012, 2014 e durante a Grande Marcha do Regresso em 2018 e 2019, são ignorados. A Nakba de 1948 — quando os sionistas europeus se apoderaram de mais de 78 por cento da Palestina histórica, expulsaram violentamente 750 000 palestinianos, destruíram mais de 530 aldeias palestinianas e mataram 15 000 palestinianos — raramente é mencionada. Setenta por cento das pessoas expulsas das suas casas em 1948 foram forçadas a refugiar-se em Gaza. O projeto sionista assenta na promoção da amnésia histórica.

«Assim que o Hamas foi apresentado como um grupo terrorista brutal, cujos membros torturavam, desmembravam e decapitavam bebés com alegria e sem qualquer consciência, não foram necessárias mais explicações», escreve Anderson no seu livro. «Os media limitaram-se a evitar noticiar o historial de violência de Israel e, consequentemente, os media tradicionais também ignoraram as condições de vida quotidiana dos palestinianos.»

A ficção de que existe atualmente um cessar-fogo em Gaza — Israel matou pelo menos 1 286 palestinianos e feriu 4 257 desde que este supostamente entrou em vigor — tornou-se a desculpa utilizada pelos media ocidentais para virar as costas a Gaza. Esta negação do genocídio tem caracterizado a cobertura desde o seu início. Ela encobre não só os crimes de Israel, mas também a intenção declarada de Israel de realizar uma limpeza étnica de todos os palestinianos de Gaza. E neutraliza efetivamente o direito internacional. E ridiculariza a profissão de jornalista.

Quando ocorrer o último ato de limpeza étnica, a comunicação social ocidental continuará, tenho a certeza, a bombardear-nos com propaganda israelita, eufemismos e clichés. Justificará o genocídio até ao fim.

sábado, 29 de agosto de 2026

BICO CALADO

Cartune: Carlos Latuff
  • Israel financiou um falso centro de estudos norte-americano e uma rede de sites aparentemente independentes, concebidos para manipular sistemas de inteligência artificial e introduzir narrativas pró-Israel nas respostas dos chatbots. A operação faz parte de uma multimilionária campanha israelita destinada a manipular o ambiente informativo online, numa altura em que o Estado ocupante se debate para reverter um colapso sem precedentes no apoio internacional, na sequência do genocídio em Gaza e da expansão das guerras regionais. As revelações surgem poucos dias depois de uma figura de destaque no setor da comunicação israelita ter admitido abertamente ter inventado informações falsas no âmbito da guerra de propaganda de Israel. Eli Hazan, um responsável de longa data pela comunicação do Likud e antigo porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, declarou: «A verdade já não importa. Os factos já não importam.» Fonte.
  • Um antigo conselheiro eleitoral das Honduras publicou gravações que provam que as eleições de 2025 no seu país foram viciadas. Os EUA ajudaram a colocar no poder o político de extrema-direita Nasry «Tito» Asfura, que está intimamente ligado ao tráfico de droga. Trump interferiu pessoalmente nas eleições de Honduras e perdoou e libertou da prisão o antigo ditador do país, apoiado pelos EUA, Juan Orlando Hernández (JOH), que estava preso por tráfico de toneladas de cocaína e metralhadoras. JOH pertence ao mesmo Partido Nacional de direita de Asfura. Os seus comparsas do cartel de droga estão agora, mais uma vez, a governar Honduras, com o total apoio de Washington. A fraude nas Honduras foi supervisionada por um especialista argentino de extrema-direita, apoiado pelos EUA, em interferência eleitoral, Fernando Cerimedo, que foi recentemente detido na Bolívia por contratar assassinos para tentar assassinar a sua ex-namorada grávida (embora tenham falhado). Este aliado próximo dos EUA também está a ser investigado por tráfico de droga. Ben Norton.
  • Os patrões de meios de comunicação extremistas e bilionários querem roubar a vossa Segurança Social para não terem de pagar impostos ligeiramente mais elevados. Que fique claro: cortar os benefícios da Segurança Social e do Medicare para reduzir o défice não é uma posição moderada. É uma posição que ataca centenas de milhões de trabalhadores comuns para evitar tributar os ricos ou reduzir o desperdício no nosso sistema de saúde. Dean Baker, Common Dreams.
  • ‘Boys’ e ‘girls’ assaltam máquina do Estado: 37 adjuntos dos Governos Montenegro passaram para cargos públicos de liderança. P1.
  • A Entidade Reguladora para a Comunicação Social continua a desfraldar uma bandeira de obscurantismo e de clara hostilidade aos jornalistas. Na resposta à intimação apresentada pelo PÁGINA UM no Tribunal Administrativo de Lisboa, a ERC sustentou que a qualidade de jornalista e a produção de notícias de interesse público não bastam para consultar actas onde constam decisões sobre remunerações, benefícios e outras regalias dos seus dirigentes e trabalhadores. O regulador constitucionalmente criado para assegurar a liberdade de imprensa e o acesso às fontes prefere, assim, discutir a legitimidade de quem pergunta em vez de mostrar aquilo que faz com dinheiro público. P1.
  • Em 2021, a Polícia Municipal de Lisboa dizia demorar, no máximo, um dia a inspeccionar uma obra denunciada; em 2024, admitia já uma espera de 18 dias. P1.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

BICO CALADO

  • “(…) Tornar praias privadas, transformar bairros em zonas de luxo e escolas e hospitais públicos em guetos não é só o produto da especulação e da austeridade avara no investimento do Estado. É mesmo um projeto político. É garantir um sistema de castas, que concentra o poder e a riqueza num punhado pequeno de gente, ao mesmo tempo que produz hordas de espoliados, prontos a ser explorados ou dizimados sem culpa, de acordo com as necessidades do mercado. Porque tudo é mercadoria. O trabalho não é um ofício e uma arte, mas uma troca precária. A saúde e a educação não são direitos, são privilégios que se pagam. A própria inteligência pode ser alugada. Sim, alugada, porque a propriedade passou a ser temporária, feita de licenças renováveis. (...)” Margarida Davim, Visão 21ago2026.
  • Estes ‘jornalistas’ sabem o que andam a fazer?
  • Um alto dirigente da OpenAI, Dean Ball (diretor de perspetivas estratégicas e antigo colaborador da Casa Branca durante a administração Trump), provocou uma onda de críticas ao classificar a Segurança Social como «uma espécie de fraude contabilística» que deve ser desmantelada. Os críticos reagiram rapidamente. Uns assinalaram a contradição entre as promessas da indústria da IA de um rendimento básico universal e de uma abundância sem precedentes, e o apelo de Ball para eliminar um modesto subsídio de 2 000 dólares por mês destinado aos idosos. Outros salientaram que Ball ignorou o papel dos cortes fiscais republicanos a favor dos mais ricos no aumento da dívida pública. Outros ainda descreveram os comentários como «funcionalmente insanos» e desligados da realidade, questionando por que razão foi permitido que os executivos das grandes empresas tecnológicas, que pretendem destruir o programa de segurança social mais popular do país, acumulassem tanto poder. Entretanto, analistas de sondagens e comentadores destacaram que a Segurança Social goza de um vasto apoio bipartidário, tornando os ataques contra ela politicamente desastrosos. Fonte.
  • As exportações de armas israelitas per capita em 2025 foram cerca de seis vezes superiores às dos EUA e 19 vezes superiores às da Rússia. O mais recente estudo da autora palestiniana-americana Susan Abulhawa revelou que Israel exportou armas a um ritmo equivalente a cerca de 263 dólares por cidadão em 2025, em comparação com 41 dólares por pessoa nos EUA e 14 dólares na Rússia.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

BICO CALADO

  • Há 3 anos que a Comissão Europeia anda a negociar secretamente um acordo de partilha de dados com a polícia e os serviços de segurança de Israel, apesar de os seus próprios juristas o terem declarado ilegal. O acordo permitiria a transferência em massa de dados pessoais sensíveis — incluindo dados biométricos, informação genética, localização e opiniões políticas — dos sistemas da UE (através da Europol) para as autoridades israelitas, incluindo o Shin Bet. Este acordo alarga um acordo de 2018 que excluía explicitamente os dados pessoais e os territórios palestinianos ocupados. Em 2022, o Serviço Jurídico do Conselho concluiu que a Comissão tinha excedido o seu mandato, violado os tratados da UE e não tinha consultado o grupo de trabalho competente. Os juristas alertaram que a aplicação do acordo aos territórios ocupados desde 1967 violaria o direito à autodeterminação palestiniana e o direito internacional. A Comissão tomou nota destas objeções e, mesmo assim, prosseguiu com as negociações. Embora formalmente suspensas no final de 2022, os responsáveis da Comissão realizaram pelo menos sete reuniões com diplomatas israelitas entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026. A Europol recebeu pelo menos cinco delegações israelitas entre agosto de 2024 e março de 2026, ao mesmo tempo que se autodescrevia como um «observador passivo». A Comissão recusou-se a comentar o estado do processo ou se tinha dado resposta às objeções jurídicas. Os críticos alertam que os dados poderão ser utilizados como informação de inteligência para apoiar ataques contra palestinianos, tendo um jurista considerado «profundamente preocupante» a partilha de dados com um Estado «acusado de forma credível de genocídio». Fonte.
  • A MEO, que em 2025 facturou cerca de 2,8 mil milhões de euros, gerou 947 milhões de EBITDA (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização), viu as receitas crescerem e, ainda assim, conseguiu do Governo o estatuto de “empresa em reestruturação” para facilitar um programa que prevê a saída de cerca de 1.200 trabalhadores. Fonte.
  • O capitalismo ensina-nos a culpar-nos uns aos outros pelos abusos sistémicos. Caitlin Johnstone, Substack.
  • «Há 35055 bebés órfãos em Gaza. O sangue deles vai assombrar-vos.» Ayman Odeh, membro do Knesset israelita, foi retirado à força do pódio depois de ter chamado ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu «um assassino em série da paz». Fonte.
  • Mário Ferreira é o dono da TVI, da CNN Portugal e do jornal Nascer do Sol. Precisamente o grupo de comunicação que iniciou há semanas atrás uma perseguição mediática intensa, à moda da antiga PIDE, ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. E não é por acaso… Foi precisamente Luís Neves enquanto director nacional da PJ e os seus homens que caçaram Mário Ferreira por fraude fiscal qualificada num processo relacionado com a compra e venda do navio Atlântida. O empresário comprou aos estaleiros de Viana o Atlântida por 8,5 milhões e de seguida vendeu o navio a uma empresa da Noruega por 17 milhões, numa trasacção feita através de uma off-shore registada em Malta para fugir aos impostos devidos ao Estado Português.O Ministério Público pediu a condenação do empresário a uma pena de prisão e apontou uma alegada fuga aos impostos de 1 milhão de euros na venda do navio Atlântida. O processo está em julgamento no Tribunal de São João Novo, no Porto, a aguardar decisão final da justiça. (…)” António Dias. Via Manuel Santos.
  • Todos os anos, 15 de agosto é festa rija em Água de Pau, Açores. Confunde-nos ver a imagem da padroeira local carregar ao ombro argolas de notas de dinheiro apanhadas durante o trajeto da procissão.

domingo, 16 de agosto de 2026

LEITURAS MARGINAIS

BOLIEIRO, CERTAMENTE UM DOS MAIS BARROCOS POLÍTICOS PORTUGUESES DA ATUALIDADE *

Imagem criada por IA

José Manuel Bolieiro, certamente um dos mais barrocos políticos portugueses da atualidade, aderiu, mais ou menos recentemente, à tendência do pequeno vídeo político.

Inaugura-se uma estrada? Lá temos o videozinho singelo do modesto governante a calcorrear o alcatrão ainda fumegante, como se tivesse acabado de descobrir a engenharia do pavimento.

Entrega-se um apartamento? Surge o político engravatado, qual agente da Remax, a abrir portas, mostrar assoalhadas e explicar, com a solenidade de quem apresenta uma penthouse em Manhattan, as virtudes da nova habitação.

Lança-se um navio? Temos o político em pose de almirante, ao comando da nave, rodeado da mais alta tecnologia, provavelmente a imaginar que está a preparar a próxima expedição de Vasco da Gama à Índia.

E, finalmente, chegamos ao peripatético aperto de mão ao robô chinês da mais alta tecnologia, numa espécie de encontro entre o futuro da humanidade e o passado da comunicação política.

A arte do spot político é antiga e não tem, evidentemente, nada de novo. Desde o alvor da televisão nos Estados Unidos que políticos de todas as gamas e feitios perceberam que, para além de governar, era preciso saber aparecer. Obama, aliás, fez disso uma arte. De Trump a Bolsonaro, de Macron a Zelensky, muitos foram os políticos que transformaram a presença online numa extensão quase permanente da sua atividade política.

O problema, portanto, não está no meio. Está no conteúdo.

Porque a câmara é inclemente. E reveladora. Amplifica tiques, expõe maneirismos, denuncia hesitações, torna visíveis pequenas fragilidades que, no discurso escrito ou num palco preparado, poderiam passar despercebidas. A linguagem, o ritmo, o tom de voz, o sotaque, a pose e até a maneira de caminhar e de gesticular acabam por construir uma personagem que talvez o próprio político não tivesse intenção de revelar.

Assistir a alguns destes vídeos é, assim, um pouco como assistir a uma telenovela portuguesa dos anos oitenta, em que os atores pareciam todos amadores e os diálogos saíam lentos e atabalhoados, como crianças com pânico de palco, numa sucessão de momentos de involuntária vergonha alheia.

E talvez seja esse o problema maior desta nova política de proximidade digital. A política deixou progressivamente de ser a arte de convencer alguém de que se tem uma ideia para governar para se transformar numa espécie de concurso permanente de popularidade, em que os candidatos a políticos se submetem voluntariamente ao ridículo público em troca de um punhado de likes, e uma mão cheia partilhas e comentários, mesmo que de ódio.

O problema não é a tecnologia, mas uma questão de escala e, sobretudo, de substância.

Que um candidato à presidência de uma grande nação recorra às redes sociais para chegar a milhões de eleitores que jamais poderia cumprimentar pessoalmente é perfeitamente compreensível. Que os populistas demagogos se alimentem do vazio viral dos cinco segundos de atenção do ecrã digital é natural. Mas que um político regional, responsável por governar uma comunidade onde, literalmente, conhece ou pode encontrar muitos dos seus eleitores, transforme o pequeno vídeo de propaganda numa metodologia recorrente de comunicação política é outra coisa. É a substituição da política pela representação da política. É travestir a razão e a natureza da política. Talvez fosse isso que Bolieiro se estava a referir quando apelidou o seu governo de transformista.

E esse é o paradoxo maior. Quanto mais a política tenta parecer próxima, espontânea e humana através destas encenações digitais, mais artificial se torna.

Governar não é inaugurar estradas diante de uma câmara, abrir portas de apartamentos ou apertar a mão de robôs em bem iluminados vídeos de tik-tok. Governar é tomar decisões, resolver problemas, assumir responsabilidades e, sobretudo, ter alguma coisa para dizer.

E quando não se tem nada para dizer, talvez a melhor comunicação política continue a ser a mais antiga de todas: ficar calado.

Caros políticos dos Açores deixem-se de versões b do homem da Regisconta e trabalhem. O povo agradece e vão ver que tem melhor resultado nas urnas…

*O título é da responsabilidade do blogue Ambiente Ondas3


sábado, 8 de agosto de 2026

BICO CALADO

Foto: Javier Aparicio/EPA
  • "A cunha que resultou. A exceção de Salazar para os condes de Sabugosa. Um dos pilares da ponte caía sobre a propriedade dos condes de Sabugosa, que inclui um palácio e um jardim. A família, com acesso direto a Salazar, ficou alarmada e moveu influências para preservar a propriedade, conta Luís F. Rodrigues em A Ponte Inevitável. O próprio Salazar intercedeu a favor - um desvio no pilar salvou a propriedade." Fonte: Revista Sábado 5-11 agosto 2026.
  • “(…) Portugal produz, e em grande escala, comentadores. Não é uma produção qualquer. É uma produção intensiva. Quase industrial. Enquanto outras nações extraem minerais do subsolo, nós extraímos conclusões a todas as horas do dia e da noite. (…) A Suíça tem montanhas. A Arábia Saudita tem petróleo. Nós temos opiniões. E quem tem opiniões tem “opinadores”. E fazemos deste recurso a nossa melhor indústria. (…) Porque, e observando atentamente o país, percebe-se que já não existem acontecimentos. Existem apenas pretextos para interpretar. (…) Os gregos inventaram a democracia. Os romanos inventaram o direito. Portugal inventou a mesa-redonda permanente. A nossa verdadeira instituição nacional já não é o Parlamento. É o painel. (…) E o painel é uma criação genial. Reúne quatro pessoas visionárias que discordam em absoluto umas das outras para explicarem, durante uma hora, que a realidade confirma precisamente aquilo que cada uma delas pensava antes dos factos acontecerem. Isto é uma forma superior de conhecimento. Aristóteles acreditava que a observação devia preceder as conclusões. Nós ultrapassámos essa fase primitiva. As conclusões já vêm prontas de fábrica. Os acontecimentos limitam-se a confirmar a encomenda. (…) Imagine-se a perda de tempo que seria esperar pelos factos. Os factos são lentos. As convicções são imediatas. E vivemos numa época que valoriza a produtividade. (…) E nem sequer é necessário conhecer profundamente os temas abordados. Essa é práxis antiga. O comentador contemporâneo não trabalha com conhecimento. Trabalha com posicionamento. O conhecimento exige investigação, e isso cansa. O posicionamento exige apenas rapidez, e isto é produção em grande escala. É por isso que os grandes comentadores conseguem falar com igual autoridade sobre geopolítica, educação, habitação, energia, futebol, inteligência artificial, sistemas eleitorais, alterações climáticas, fertilizantes agrícolas, a sexualidade na menopausa e o comportamento reprodutivo do ornitorrinco. (…) O país gosta de ser explicado. Aliás, suspeito que gostamos mais de explicações do que de soluções. As soluções possuem um defeito irritante: exigem pensar. E o pensamento exige trabalho. (…) Se um dia desaparecer a agricultura, não tenho dúvida de que iremos sobreviver. Se desaparecer a indústria, facilmente nos iremos adaptar. Se desaparecer o turismo, reinventamo-nos. Mas se desaparecerem os comentadores, Portugal ficará perante um problema verdadeiramente existencial. (…) Não quero sequer imaginar tal cenário. Seria o caos. Milhões de cidadãos abandonados à terrível responsabilidade de pensar por conta própria. (…)” Luís Ochoa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

BICO CALADO



Foto: Rasid Necati Aslim/Anadolu/Getty Images
  • Uma megaoperação da Polícia Judiciária resultou na apreensão de um navio porta-contentores carregado com várias toneladas de cocaína, que foi interceptado e escoltado até ao Porto de Sines para uma inspeção minuciosa. Fonte.
  • Os mercados de previsão não são oráculos. São casinos para quem está por dentro. Enrique Dans, Medium.
  • Guilhermino Pedro Sousa Pereira, presidente da mesa da Assembleia de Freguesia de Anta, Espinho, antecipou-se e apresentou a sua demissão, por carta, na sessão extraordinária da mesma assembleia convocada para a destituição da mesa após graves irregularidades apontadas pelas oposições durante a reunião de 30 de junho de 2026. Fonte.
  • Ainda se ouve o grito de dor da gramática no título desta notícia.

LEITURAS MARGINAIS

OS MEDIA DOMINANTES SÃO CULPADOS DE OCULTAR A VERDADE AO PÚBLICO
John Wojcik, People’s World. Rev. O’Lima.


Em praticamente todos os aspetos em que a administração Trump tem vindo a seguir uma política que beneficia os bilionários em detrimento da classe trabalhadora, os media tradicionais têm falhado no cumprimento da sua responsabilidade de manter a população informada.

A sua cobertura da guerra contra o Irão, por exemplo, centra-se em como Trump está a conduzi-la mal — como se houvesse melhores formas de os EUA conduzirem uma guerra que, para começar, não deviam ter iniciado. A medida em que a guerra enche os bolsos dos fabricantes de armamento com lucros astronómicos e, com eles, os bolsos dos magnatas da indústria dos combustíveis fósseis, não é muito mencionada.

O enriquecimento destas pessoas e a concentração do seu poder e riqueza em resultado da guerra não são explicados. Nem, evidentemente, é dada ênfase às mortes e à destruição injustas no Irão. No que diz respeito à guerra contra o Irão, os media falham no seu dever de informar.

Os media dizem-nos que a guerra se arrasta devido à abordagem caótica de Trump em relação a tudo. A verdade é que a sua abordagem é intencional, não caótica. As mudanças diárias — um dia negociações de paz, no dia seguinte ameaças de bombardeamentos — ajudam a manter o conflito em curso, enriquecendo e tornando mais poderosas as pessoas que beneficiam do «caos».

O mesmo se aplica ao orçamento militar na sua totalidade. Além de enriquecer ainda mais os ricos, enfraquece o país. Pagamos a conta com a falta de serviços e infraestruturas, melhorias que temos o direito de esperar, mas que nos são negadas porque o Pentágono está a absorver todo o dinheiro.

Os media costumam resumir o debate sobre o orçamento militar ao facto de os republicanos quererem mais de um bilião de dólares e os democratas quererem um pouco menos. Relatam-nos como os legisladores que apoiam o orçamento militar afirmam que os aumentos são necessários porque nos garantirão segurança. O que não nos dizem é que o orçamento militar nos coloca sob ameaça. Aumenta o número de países ressentidos em todo o mundo e, ao esgotar os recursos necessários a nível interno, torna a vida mais perigosa também aqui. A imprensa também não está a informar sobre isto.

Trump afirmou que o governo não deveria, na verdade, preocupar-se com a Segurança Social, o Medicare, os cuidados de saúde e tudo o resto. «Deixem isso para os estados», disse ele. «O governo federal deveria limitar-se a cuidar das forças armadas e a garantir a nossa segurança.» Essas declarações do presidente deveriam ser amplamente divulgadas em todos os media.

A manipulação das tarifas aduaneiras é mais uma área em que a imprensa fica aquém. As empresas estão a solicitar reembolsos dos custos adicionais que já repercutiram nos consumidores. Isto equivale a um roubo das empresas ao público, e a imprensa deveria estar a afirmar que as tarifas aduaneiras também se revelaram um esquema para aumentar a riqueza das empresas à custa dos trabalhadores.

Nestes dias de verão, toda a gente está incomodada por ter de respirar o fumo dos incêndios florestais. Devemos culpar o Canadá porque as florestas canadianas, tal como muitas das nossas, estão a arder? Ou devemos culpar as alterações climáticas, alimentadas por empresas especuladoras que retiram financiamento à proteção do ambiente? Se os jornalistas dos media tradicionais estivessem a fazer o seu trabalho na íntegra, reportariam mais do que apenas os incêndios propriamente ditos e relacioná-los-iam com o facto de os ricos se tornarem ainda mais ricos e poderosos do que já são.

Depois, há a questão do anticomunismo e dos ataques aos progressistas, rotulados de «socialistas». Os media explicam, com razão, como esses ataques são divisionistas e concebidos para desviar o apoio dos candidatos progressistas para os candidatos reacionários e conservadores.

Mas a notícia fica por aí. Não se explica como o socialismo implica propriedade pública, poder para os trabalhadores se organizarem, um ambiente limpo regulado por pessoas eleitas pelo público e cuidados de saúde universais e gratuitos para todos. Os media são cúmplices em encurtar o debate antes mesmo de o público ter a oportunidade de perceber em que consistem o tão difamado socialismo e o comunismo.

A liberdade de imprensa está consagrada na Constituição porque é a forma como as pessoas exercem o seu direito de serem informadas e de participarem. É claro que devemos combater todas e cada uma das tentativas da administração Trump de reprimir e controlar os media, independentemente das suas falhas. Temos, no entanto, o direito de esperar que os media façam um melhor trabalho ao fornecer ao público a informação de que este necessita.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

BICO CALADO

  • Uma sinecura com cheiro a Espinho. Rita Rola (RR), advogada, foi cooptada para o Conselho Regulador da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) em novembro de 2023A escolha foi considerada surpreendente por não ter experiência na área dos media ou da regulação, mas o jornal Página UM aponta ligações políticas relevantes, sobretudo ao atual primeiro‑ministro Luís Montenegro, que ela substituiu várias vezes quando era secretária da Assembleia Municipal de Espinho. RR Recebe 6.166 euros mensais, incluindo despesas de representação. Desloca‑se uma vez por semana à sede da ERC, em Lisboa — normalmente à quinta‑feira — viajando de avião e regressando no mesmo dia. Raramente aparece em eventos públicos da ERC e quase não tem intervenções conhecidas. A sua entrada no Conselho Regulador terá alterado o equilíbrio interno a favor da área social‑democrata. O cargo de RR funciona como uma sinecura — um posto bem remunerado compouca atividade visível.
  • O BE quer suspender o contrato de 4 fragatas assinado pelo Governo de Luís Montenegro com a empresa alemã Thyssenkrupp Marine Systems, um negócio avaliado em 3,9 mil milhões de euros. O ponto central da crítica é que o contrato foi assinado antes de existir qualquer entidade independente de fiscalização das compras militares — algo que o próprio Governo tinha prometido criar. O BE considera que o processo é “ilegal” e pede: suspensão imediata do contrato, envio do processo para o Tribunal de Contas e criação efetiva de mecanismos de fiscalização antes de qualquer despesa desta dimensão. Fonte.

sábado, 1 de agosto de 2026

LEITURAS MARGINAIS

SOBRE OS FEIRANTES QUE QUEREM BRANQUEAR UM GENOCÍDIO*

Cartune: Carlos Latuff, 2009

A propagandista Rute Sousa, entre outros, foi a Israel numa viagem paga pelas autoridades daquele Estado. Em várias declarações diz que foram mostrar aquilo que as televisões não querem mostrar e não tem feito outra coisa senão estar nesses mesmos canais por estes dias.

Num dos seus últimos vídeos atacou os jornalistas, falou do militante do PCP que esteve como repórter de guerra no Donbass e que teria dito que ali não tinha acontecido nada. Esse jornalista sou eu. E é muito curioso porque enquanto jornalista com carteira profissional, com trabalhos publicados em meios nacionais e estrangeiros, eu fui ao lado da guerra onde mais ninguém estava. A propagandista Rute Sousa foi ao lado onde já todos estão. Não há meio conhecido que não tenha enviado alguém a Israel nos últimos anos. Aliás, Israel é tão incrível para este grupo de influencers ao serviço da propaganda de Telavive que não conseguiram explicar porque é que Israel não permite a entrada sem barreiras de jornalistas na Faixa de Gaza.

Para alguns destes elementos que se gravaram a dançar em cima do chão de um território que está a ser alvo de um genocídio, nunca surgiu a questão sobre porque é que foi aprovada uma pena de morte exclusiva para palestinianos. Tampouco conseguiram explicar porque é que foram assassinados mais jornalistas na Faixa de Gaza do que em qualquer uma das guerras modernas, incluindo a mortífera Segunda Guerra Mundial. Não conseguiram porque esse não é o seu papel.

Da mesma forma que um publicitário serve para promover uma marca ou um produto, estes influencers são pagos para lavar a cara de Israel no pior momento da sua história. E por muito que o jornalismo esteja a passar por uma grave crise existencial, os jornalistas estão obrigados a cumprir um código ético e deontológico. Quando estive no Donbass, ao contrário do que diz Rute Sousa, nunca disse que ali não tinha acontecido nada. Repeti-o várias vezes: qualquer crime de guerra deve ser condenado e isso aconteceu em ambos os lados. Nunca me pus a defender Putin ou a Rússia, como faz Rute Sousa com Israel, nem me pus a dar a minha opinião ou a fazer análises segundo as minhas crenças religiosas (mesmo sendo ateu) como Rute Sousa. O trabalho de um jornalista não é opinar.

Noutro tempo, a Alemanha nazi teria feito a mesma operação de charme para atrair influencers, quem sabe para nos convencer de que não havia qualquer genocídio contra judeus, soviéticos e comunistas. Num mundo cada vez mais dominado pelos conteúdos em redes sociais controladas por grandes oligarcas, a tendência será para que os influencers com mais seguidores acabem por determinar a opinião pública. E o problema é precisamente que o algoritmo promova apenas aqueles que pensem como os seus donos. O que disse Rute Sousa, e o seu entourage, poderia perfeitamente ser dito por Elon Musk ou Mark Zuckerberg.

E o mais grave não é apenas que tenham ido a Israel branquear um Estado assassino. O mais grave é que canais como a CNN e o Now, entre outros meios, legitimem essa operação de turismo de propaganda dando voz à desinformação. É a prova de que o jornalismo gosta de cavar a sua própria sepultura.

* Título e ilustração da responsabilidade do blogue Ambiente Ondas3

terça-feira, 21 de julho de 2026

LEITURAS MARGINAIS

POR QUE DEIXÁMOS DE PUBLICAR NAS REDES SOCIAIS (E O QUE ISSO SIGNIFICA PARA A NOSSA SAÚDE MENTAL)
Enrique Dans, Medium. Rev. O’Lima.


Tempos houve em que as redes sociais serviam um propósito tão simples como saber o que os nossos amigos e familiares andavam a fazer. Usávamo-las para retomar o contacto com antigos colegas de turma, partilhar fotos de férias, desejar um feliz aniversário a alguém ou estabelecer contacto com pessoas com quem partilhávamos interesses. A proposta de valor residia no gráfico social: escolhíamos quem seguir e a plataforma mostrava-nos o que essas pessoas publicavam.

Essa promessa desapareceu. Não por acaso, nem porque nos cansámos delas, mas porque ligar as pessoas revelou-se um negócio muito menos lucrativo do que manipular a nossa atenção. As plataformas substituíram gradualmente o gráfico social pelo algoritmo de recomendação: deixaram de nos mostrar o que pedíamos para ver e começaram a impor-nos aquilo que, segundo os seus cálculos, nos manteria a olhar para o ecrã durante mais tempo.

O resultado é que sabemos cada vez menos sobre os nossos amigos e, em vez disso, vemos cada vez mais vídeos de estranhos a fazer coisas ridículas, controvérsias inventadas e teorias da conspiração, conteúdo sem sentido gerado automaticamente e figuras totalmente banais que confundem notoriedade com relevância. As redes sociais deixaram de ser um espaço de relacionamento e tornaram-se um canal de televisão interminável, «personalizado» através da vigilância e sem botão para desligar.

Um inquérito da Incogni mostra até que ponto este modelo chegou ao fim: 55% dos norte-americanos afirmam que publicam menos do que há cinco anos, são mais seletivos quanto a quem pode ver o seu conteúdo e quase metade já eliminou uma rede social ou uma aplicação de mensagens devido ao stress ou à ansiedade que lhes causava. Para 51%, manter uma presença online já se assemelha muito a um trabalho — um valor que sobe para 60% entre os membros da Geração Z.

Considero a expressão «parece um trabalho» extraordinariamente reveladora. Publicar implica escolher uma imagem, editá-la, escrever uma legenda, antecipar reações, responder a comentários e, depois, verificar quantos «gostos» recebeu. Cada pessoa torna-se gestora de comunicação da sua própria existência, obrigada a construir uma marca pessoal e a mantê-la ativa para que o algoritmo não a condene à irrelevância.

Isto cria uma competição constante, estressante… e inútil. Já não basta apenas viver — é preciso mostrar que se está a viver. Não basta viajar, comer, ler ou fazer exercício — é preciso demonstrá-lo publicamente e fazê-lo de uma forma suficientemente fotogénica. Cada publicação é comparada às vidas cuidadosamente selecionadas dos outros, numa gigantesca feira de vaidades onde todos parecem mais felizes, mais atraentes, mais produtivos e mais interessantes do que realmente são.

No topo desse monte de lixo encontram-se os influenciadores, que se tornaram modelos a seguir numa economia baseada na simulação da autenticidade. O seu suposto valor reside em parecerem espontâneos enquanto vendem os seus fretes ao melhor licitante. Recomendam hotéis, cosméticos, restaurantes, suplementos, roupa ou destinos turísticos sem a mínima objetividade, tornando completamente impossível distinguir uma opinião genuína e acrítica de uma mera transação comercial. A amizade simulada transforma-se em publicidade; a intimidade, numa vitrine.

Mas o problema não é apenas a banalidade do conteúdo. Por baixo deste circo reside uma infraestrutura de vigilância extraordinariamente sofisticada. A Comissão Federal do Comércio dos EUA concluiu que plataformas como o TikTok, o YouTube e o Facebook recolhem enormes quantidades de informação tanto sobre utilizadores como sobre não utilizadores, podem retê-la indefinidamente, adquirir dados de intermediários e partilhá-la amplamente. O objetivo fundamental é rentabilizar esse conhecimento através de publicidade direcionada.

Cada pausa, cada deslize, cada vídeo reproduzido e cada reação servem para completar um perfil. As plataformas não precisam que publiquemos nada — basta que olhemos. Na verdade, o afastamento dos utilizadores da participação ativa não significa necessariamente que estejam a abandonar as aplicações. Muitos deixam de falar, mas continuam a percorrer passivamente o conteúdo como zombies, como se as suas vidas e felicidade dependessem disso. É o triunfo perfeito deste modelo: menos conversa, menos comunidade e mais consumo silencioso.

É por isso que o facto de milhões de pessoas estarem a publicar menos não significa que as redes sociais estejam a recuperar a sanidade. Significa que o contrato social em que se basearam foi quebrado. Continuamos a iniciar sessão em plataformas originalmente concebidas para nos ajudar a relacionarmo-nos, mas já não encontramos lá as pessoas que procurávamos. Em vez disso, encontramos anúncios, propaganda, esquemas fraudulentos de todos os tipos, polarização, conteúdo produzido em massa e recomendações concebidas para provocar qualquer emoção suscetível de prolongar a nossa sessão.

Tal como escrevi ao descrever as redes sociais como uma experiência falhada, o problema não é que estas plataformas estejam a funcionar mal — é que funcionam exatamente como o seu modelo de negócio exige. E, no caso da Meta, pensar que alguns ajustes cosméticos, melhores controlos parentais ou novas opções de privacidade são suficientes é ignorar completamente a raiz do problema.

As redes sociais prometeram conectar-nos, mas acabaram por isolar-nos em silos, constantemente observados por máquinas que leiloam a nossa atenção. Já não resta nada de «social», apenas entretenimento sem fim, competição exaustiva e um sistema de vigilância que conhece as nossas fraquezas para nos poder vender algo no momento mais oportuno. Talvez seja por isso que já não publicamos nada: porque, finalmente, percebemos que ninguém está a prestar atenção. Apenas os algoritmos, a observar-nos em silêncio.

terça-feira, 14 de julho de 2026

LEITURAS MARGINAIS

O JORNALISMO METIDO A ESPERTO


Há uma diferença fundamental entre informar e querer conduzir o pensamento do público. O bom jornalismo faz perguntas, procura respostas, confronta versões e apresenta os factos. O mau jornalismo acredita que já conhece as respostas antes de as ouvir e tenta enquadrar tudo aquilo que é dito dentro da narrativa que considera mais conveniente.

É precisamente aqui que, em muitas ocasiões, tenho a sensação de que alguns canais televisivos portugueses, em particular a CNN Portugal, se desviam da sua missão.

Convidam especialistas militares, antigos oficiais-generais, investigadores e analistas precisamente porque possuem conhecimentos que a maioria dos jornalistas não possui. No entanto, mal esses especialistas apresentam uma análise que não coincide com a linha dominante do canal, o jornalista deixa de ser entrevistador para passar a ser contraditor. Não procura compreender melhor a análise; procura desmontá-la, muitas vezes sem apresentar factos novos, apenas uma convicção. Então surge uma pergunta: se o jornalista já sabe a resposta, para que convida o especialista?

O contraditório é uma das bases do jornalismo. Mas contraditório não significa substituir conhecimento técnico por opinião. Significa confrontar uma análise com dados, documentos, declarações ou outras análises igualmente fundamentadas. Quando isso não acontece, a entrevista transforma-se num duelo entre quem estudou um conflito durante décadas e quem apenas conduz a emissão. Ora, o resultado acaba por ser mais grave do que parece.

Ao longo dos últimos quatro anos, a cobertura da guerra na Ucrânia tem sido, em muitos momentos, marcada por uma leitura predominantemente alinhada com a perspetiva política e estratégica da NATO. É natural que um meio de comunicação ocidental acompanhe de perto essa visão. O problema surge quando essa perspetiva passa praticamente a monopolizar a interpretação dos acontecimentos.

Entretanto, a realidade do terreno continua a impor-se. A Ucrânia demonstra capacidade para realizar ataques de longo alcance contra infraestruturas russas, recorrendo a meios fornecidos pelos seus aliados. Esses ataques existem e fazem parte da guerra. Mas, simultaneamente, o conflito terrestre continua a ser o fator decisivo. E é aí que se mede quem controla o território.

Uma guerra não se vence apenas pela capacidade de atingir alvos distantes. Vence-se, sobretudo, pela capacidade de manter ou conquistar terreno. A imagem talvez seja simples, mas ajuda a compreender o problema: imagine-se alguém que vê, dia após dia, a sua casa ser ocupada. Primeiro perde o quintal, depois a garagem, mais tarde um quarto, depois outro, e finalmente parte da varanda. Apesar disso, continua sobretudo preocupado em atirar pedras ao quintal do vizinho. As pedras podem causar incómodo. Podem até provocar alguns estragos. Mas não alteram o facto de a sua própria casa continuar a ser ocupada.

É esta diferença entre impacto mediático e realidade militar que nem sempre é explicada ao público com o equilíbrio necessário. O jornalismo não tem obrigação de favorecer a Rússia nem a Ucrânia. Também não deve favorecer a NATO nem qualquer outra potência. Tem apenas uma obrigação: ajudar os cidadãos a compreender a realidade.

Se uma ofensiva perde território, isso deve ser noticiado com a mesma evidência com que são noticiados os ataques de drones. Se uma operação tem êxito estratégico, deve ser explicado porquê. Se falha, também.

Porque uma sociedade bem informada toma melhores decisões do que uma sociedade alimentada por expectativas que os acontecimentos acabam por desmentir. O jornalismo deixa de cumprir plenamente a sua função quando privilegia a narrativa em detrimento da realidade observável.

Os cidadãos não precisam de comentadores que lhes digam aquilo que desejam ouvir. Precisam de profissionais que lhes expliquem aquilo que realmente está a acontecer, mesmo quando essa realidade contraria as preferências políticas, ideológicas ou emocionais de cada um.

No fim de contas, a credibilidade de um meio de comunicação não depende de confirmar aquilo em que acredita. Depende da capacidade de descrever os factos com rigor, de ouvir especialistas sem os transformar em adversários e de permitir que seja o público - e não a redação - a formar a sua própria opinião.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

BICO CALADO

  • CR7 está fortemente blindado por uma engrenagem muito bem oleada e que é suportada por agentes que pagam avenças, por vezes migalhas, a jornalistas, comentadores, influenciadores que servem de tropa de choque contra todo o tipo de dúvida, crítica ou dissidência. A imagem de marca é suportada por uma invisível frota aquartelada em paraísos fiscais, de onde flui dinheiro para alimentar toda esta engrenagem. E quanto mais referes a tal marca intocável, mais recebes consoante o teu ‘poder’ influenciador. Ao som de ‘Money’, dos Pink Floyd.
  • Francesca Albanese: «O mundo não está a dormir — está a desviar o olhar». Fonte.
  • Os membros europeus e canadianos da OTAN subornaram, na prática, o presidente Trump com uma promessa de 160 mil milhões de dólares para garantir o seu apoio e evitar que a cimeira da OTAN fracassasse. Uma vez que os EUA deixaram de enviar dinheiro para a Ucrânia, esse dinheiro será utilizado para comprar armas e equipamento americanos, canalizando assim um subsídio maciço para o complexo militar-industrial dos EUA. Antes da cimeira, Trump criticava a NATO, classificando-a de «inútil e ridícula». Os líderes europeus, desesperados por manter a guerra por procuração contra a Rússia, ‘ajoelharam-se’ com lisonjas e esta promessa financeira para convencer Trump a dar uma reviravolta e declarar a «unidade» da NATO. Fonte.
  • Um relatório divulgado pelos democratas da Câmara dos Representantes alega que Trump e a sua administração direcionaram contratos e eventos oficiais para os seus próprios estabelecimentos (como hotéis e clubes de golfe Trump) para lucrar com a celebração. Os democratas afirmam que isto permitiu que governos estrangeiros e lobistas ganhassem o favor da administração, gastando dinheiro nos negócios de Trump sob o pretexto de participar nas festividades do aniversário, esbatendo assim as fronteiras entre as funções oficiais do Estado e o ganho financeiro privado de Trump. Fonte.
  • A RTP devia ter mais cuidado nas transmissões em direto. Nesta transmissão de uma missa campal, no âmbito doas Festas do Espírito Santo, publicidade a um banco aparecem por trás dos sacerdotes. A imagem não é manipulada. De facto, atrás do palco da celebração, no Largo da Matriz de S. Sebastião, em Ponta Delgada, Açores, está a sede de um banco. A RTP deveria ter tido o cuidado de prever esta situação e dela ter chamado a atenção dos organizadores. Se não o fez, corre o risco de suspeita de pactuação com interesses insondáveis.
  • A IA na Era da Oligarquia. Por que razão a desigualdade extrema irá agravar os efeitos negativos da tecnologia a nível social, político e económico. Paul Krugman, Substack.
  • A 11 de julho de 1974, uma bomba explodiu na bagageira de um carro em Montbéliard, França. Foram encontradas mais bombas, juntamente com panfletos anticomunistas. Pertenciam a um mercenário contratado pelos dirigentes da Peugeot para se infiltrar e destruir a organização dos trabalhadores. Fonte.

sábado, 11 de julho de 2026

BICO CALADO

  • Os planos da Volkswagen para uma parceria no setor da guerra com a empresa israelita Rafael foram vetados pelos investidores do Catar da fabricante automóvel alemã. O fundo soberano do Catar, terceiro maior acionista da Volkswagen, rejeitou a proposta da administração para fabricar componentes de mísseis e veículos militares na fábrica da empresa em Osnabrück. Fonte.
  • A Comissão Nacional de Relações Laborais intimou Wendy McCaw, a controversa proprietária e editora do já extinto «Santa Barbara News-Press», a pagar 3,603 milhões de dólares em salários em atraso, juros e indemnizações aos trabalhadores que despediu ilegalmente ou a quem pagou salários a menos há cinco anos. A decisão baseou-se em provas de que McCaw retirou dinheiro do jornal e o desviou para as suas outras empresas — sendo ela a única proprietária de todas elas. Além disso, ficou com uma parte para si própria. Fonte.
  • AIMA fatura milhões com imigrantes, mas deve e não paga 88 mil euros a advogados. Público.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

ALCOCHETE: CONDENADA POR PLANTAR SOBREIROS

  • Bianca Castro, ativista da Climáximo, recebeu uma pena suspensa de um ano e seis meses na sequência de uma ação simbólica realizada em maio de 2025 nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, local apontado para a construção do futuro aeroporto de Lisboa. A ação consistiu na plantação de sobreiros e na colocação de uma faixa com a mensagem “Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!”, numa manifestação contra a expansão aeroportuária e o aumento das emissões de gases com efeito de estufa. O Ministério Público acusou Bianca Castro do crime de entrada ou permanência ilegítima, tendo o processo sido tratado como um caso de natureza militar. Na altura do protesto, a porta-voz da iniciativa justificou a ação com o impacto ambiental previsto para o projeto aeroportuário. “A construção de um novo aeroporto é o equivalente a lançar bombas de carbono na atmosfera”, afirmou Bianca Castro, defendendo que o empreendimento representa um agravamento da crise climática. Os ativistas argumentam que o projeto implica o abate de dezenas de milhares de sobreiros e explicam que a plantação das árvores teve um valor sobretudo simbólico. FonteVejamos a desproporção da nossa Justiça: ex-dirigente do Chega condenado a pena suspensa a um ano e três meses por prostituição infantiltrês e meio de cadeia, com pena suspensa para agente da PSP que matou Odair Moniz, Padre condenado a 1 ano e 8 meses suspensos por tentativa de abuso sexual de menor, Professor condenado a três anos de prisão com pena suspensa por abuso sexual de crianças.
  • Estes ‘editores’ não se entendem? Sensivelmente à mesma hora, o mesmo portal publica duas notícias com títulos referindo 13 e 15 mil hectares de floresta ardida em Vouzela. Para eles parece não haver qualquer diferença entre 13 mil e 15 mil hectares.
  • Em 2025, as emissões dos voos com partida da Europa atingiram um recorde de 195 Mt de CO₂, ultrapassando pela primeira vez os níveis pré-pandémicos. A Ryanair continua a ser a companhia aérea mais poluente da Europa, sendo agora as suas emissões globais 50 % superiores às de 2019 — o maior aumento entre as 20 companhias aéreas mais poluentes do mundo. Dois terços das emissões da aviação europeia escapam ao Sistema de Comércio de Emissões da UE, uma vez que este abrange apenas as rotas intra-europeias de curta distância, isentando os voos de longa distância. Isto cria condições de concorrência desiguais — a Ryanair paga cerca de 50 € por tonelada de carbono, enquanto a Lufthansa paga cerca de 20 € e as companhias aéreas do Golfo, como a Emirates, pagam quase nada. A T&E recomenda alargar o mercado de carbono a todos os voos de partida e canalizar as receitas para combustíveis de aviação sustentáveis e para a prevenção de rastos de condensação. Sublinhe-se que o aumento dos preços dos bilhetes é impulsionado pela dependência dos combustíveis fósseis, e não pelas políticas climáticas. Fonte.

terça-feira, 7 de julho de 2026

BICO CALADO

  • Balogun apanhou um cartão vermelho e foi expulso por pontapé no tornozelo do defesa Tarik Muharemovic no jogo frente a Bósnia-Herzegovina. Trump pediu a Infantino que reexaminasse a expulsão. A FIFA transformou a expulsão em pena suspensa de um ano., contrariando as regras de suspensão automática previstas no código da FIFA e nos regulamentos do torneio. Fonte.
  • "(...) O caso de Montenegro é pagológico, não falha um jogo lá fora, não o demove a aceitação sistemática de favores da FIFA cuja ética é ainda mais suspeita do que a sua. Com o País a arder, metódica e eficientemente, o Luís reincide em ausentar-se do País, indiferente às Jornadas Parlamentares do PSD, fuga que se compreende para não aturar os deputados do seu partido. Tal como em Sevilha, os supersticiosos da oposição, supersticiosos e fanáticos da bola há-os em todos os partidos, hão de atribuir ao Luís o efeito pernicioso da sua presença. De qualquer modo, a Pátria está hoje em Dallas a prestar homenagem ao Ronaldo, numa devoção beata e esquizofrenia futebolística enquanto o País arde, as contas do Estado se deterioram, os exames se encontram num caos e a vida dos portugueses se complica. O luís troca o retiro espiritual da bancada do seu partido pela peregrinação a Dallas. O regresso a Fátima e ao Futebol é o Fado de um país que se esquece de si próprio nos jogos de futebol onde entra sempre em euforia e sai frequentemente em depressão." (Carlos Esperança

  • O bilionário da tecnologia de direita Peter Thiel acusa o Papa Leão XIV de estar a fazer o trabalho do Partido Comunista Chinês com as suas críticas à inteligência artificial. Na sua recente encíclicao Papa apelava a uma regulamentação rigorosa da IA, uma tecnologia que, segundo o pontífice, aumenta o «risco de desumanização» em todo o mundo. Fonte.
  • A proposta da OpenAI de ceder 5% do seu capital ao governo dos EUA — apresentada como uma forma de os americanos partilharem os lucros da IA — é uma daquelas manobras que revelam muito mais do que pretendem esconder. Não se trata de um gesto generoso, mas sim de uma oferta simbólica, uma gorjeta destinada a legitimar uma apropriação maciça de valor construído com base em livros, artigos, conversas, código, imagens, ciência, trabalho académico, jornalismo, criatividade e dados produzidos por milhões de pessoas que nunca foram consultadas, reconhecidas ou compensadas. Enrique Dans, Medium.
  • O Ministério das Finanças decidiu castigar o ECO por uma notícia publicada e por isso 'desconvidou' um jornalista para um encontro informal com um secretário de Estado. Fonte.
  • Uma máquina de morte com 250 anos não é motivo para comemoração. Nate Bear, Substack.