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quarta-feira, 8 de julho de 2026

ALCOCHETE: CONDENADA POR PLANTAR SOBREIROS

  • Bianca Castro, ativista da Climáximo, recebeu uma pena suspensa de um ano e seis meses na sequência de uma ação simbólica realizada em maio de 2025 nos terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, local apontado para a construção do futuro aeroporto de Lisboa. A ação consistiu na plantação de sobreiros e na colocação de uma faixa com a mensagem “Aeroporto de Alcochete p’ró cacete – Nem aqui, nem em lado nenhum!”, numa manifestação contra a expansão aeroportuária e o aumento das emissões de gases com efeito de estufa. O Ministério Público acusou Bianca Castro do crime de entrada ou permanência ilegítima, tendo o processo sido tratado como um caso de natureza militar. Na altura do protesto, a porta-voz da iniciativa justificou a ação com o impacto ambiental previsto para o projeto aeroportuário. “A construção de um novo aeroporto é o equivalente a lançar bombas de carbono na atmosfera”, afirmou Bianca Castro, defendendo que o empreendimento representa um agravamento da crise climática. Os ativistas argumentam que o projeto implica o abate de dezenas de milhares de sobreiros e explicam que a plantação das árvores teve um valor sobretudo simbólico. FonteVejamos a desproporção da nossa Justiça: ex-dirigente do Chega condenado a pena suspensa a um ano e três meses por prostituição infantiltrês e meio de cadeia, com pena suspensa para agente da PSP que matou Odair Moniz, Padre condenado a 1 ano e 8 meses suspensos por tentativa de abuso sexual de menor, Professor condenado a três anos de prisão com pena suspensa por abuso sexual de crianças.
  • Estes ‘editores’ não se entendem? Sensivelmente à mesma hora, o mesmo portal publica duas notícias com títulos referindo 13 e 15 mil hectares de floresta ardida em Vouzela. Para eles parece não haver qualquer diferença entre 13 mil e 15 mil hectares.
  • Em 2025, as emissões dos voos com partida da Europa atingiram um recorde de 195 Mt de CO₂, ultrapassando pela primeira vez os níveis pré-pandémicos. A Ryanair continua a ser a companhia aérea mais poluente da Europa, sendo agora as suas emissões globais 50 % superiores às de 2019 — o maior aumento entre as 20 companhias aéreas mais poluentes do mundo. Dois terços das emissões da aviação europeia escapam ao Sistema de Comércio de Emissões da UE, uma vez que este abrange apenas as rotas intra-europeias de curta distância, isentando os voos de longa distância. Isto cria condições de concorrência desiguais — a Ryanair paga cerca de 50 € por tonelada de carbono, enquanto a Lufthansa paga cerca de 20 € e as companhias aéreas do Golfo, como a Emirates, pagam quase nada. A T&E recomenda alargar o mercado de carbono a todos os voos de partida e canalizar as receitas para combustíveis de aviação sustentáveis e para a prevenção de rastos de condensação. Sublinhe-se que o aumento dos preços dos bilhetes é impulsionado pela dependência dos combustíveis fósseis, e não pelas políticas climáticas. Fonte.

terça-feira, 30 de junho de 2026

REFLEXÃO

O MILAGRE DOS EUCALIPTOS DE MELRES
Ricardo Meireles, Substack.


A 28 de Junho, o jornal Nascer do Sol publicou uma peça com um título que vale por si: “Eucaliptos resistem onde ardeu tudo”. O ponto de partida é real. Dois povoamentos de eucalipto ficaram intactos no meio de um incêndio que, em 2024, queimou cerca de quatro mil hectares em Penafiel, Paredes e Gondomar. Quem sobe ao miradouro de Melres vê hoje duas ilhas verdes numa encosta carbonizada. A imagem é forte e a pergunta que ela levanta é legítima. A resposta que o jornal lhe dá é que o problema do fogo está na gestão e não na espécie, e o título dá um salto que o resto do texto não sustenta.

A rubrica #areiaparaosolhos existe também para separar as frases que seduzem daquilo que as frases escondem. Vamos por partes.

O que o título promete e o que o próprio texto admite

O título diz “eucaliptos resistem”. Sugere que a espécie tem uma qualidade de resistência ao fogo. A explicação que o jornal apresenta aponta para o contrário. Segundo o jornalista a peça jornalística, aquele povoamento aguentou porque foi plantado em terraços, porque as máquinas conseguem entrar para controlar a vegetação, e porque beneficiou de preparação do terreno e de redução de combustível. Por outras palavras, o que ali resistiu foi um regime de gestão intensiva, assente no uso de petróleo como energia barata, com solo trabalhado e biomassa retirada à mão e à máquina.

A própria peça responde, portanto, ao seu título. Aquelas árvores não pararam o fogo por serem eucaliptos. Pararam o fogo apesar de o serem, graças a um esforço de limpeza que removeu quase tudo o que era inflamável à volta delas. Atribuir esse mérito à espécie é o primeiro grão de areia para os olhos de quem lê. O mérito é do trabalho, e o trabalho foi feito precisamente porque o eucalipto, sozinho e em quantidade, arde com violência.

A frase que viaja sem o seu contexto

O artigo cita um investigador da Universidade de Lisboa para sustentar a ideia de que a espécie não é o problema e que o que conta é a quantidade de biomassa disponível para as chamas. A frase é defensável em termos estritos de comportamento do fogo. A carga de combustível pesa, e muito, na forma como um incêndio se propaga. O investigador é uma fonte independente e o reparo que aqui se faz não é sobre ele. É sobre o uso que o artigo faz das suas palavras.

A frase chega ao leitor decapada do contexto. “A espécie não é o problema” é verdade quando se fala apenas de física da combustão num talhão específico. Deixa de ser verdade quando se usa essa meia-ideia para ilibar um modelo inteiro de ocupação do território. Já o escrevi noutro texto neste site: o que desertifica o solo não é a árvore em si, é o regime de monocultura em que é plantada e explorada. A reportagem do Nascer do Sol fica-se pela primeira metade dessa frase, a que tira o foco do eucalipto, e descarta a segunda, a que devolve o foco ao regime que o multiplica em talhões de idade igual, sem estratos, sem sombra e sem água retida no solo.

O que a montra esconde: água, solo, microclima

Ao fixar todo o problema na quantidade de combustível e na limpeza do chão, o artigo apaga a dimensão que mais importa quando se fala de paisagens que ardem. Uma floresta biodiversa e estratificada, com plantas a ocupar diferentes alturas, funciona como um condensador. A atividade fotossintética arrefece o ar à sua volta, atrai humidade da atmosfera, condensa-a e prende-a no primeiro palmo de terra. Esse solo húmido e sombreado abranda o fogo. Um eucaliptal em monocultura faz o oposto. Deixa o vento seco correr, aquece, evapora e prepara o terreno para arder.


A ciência feita em Portugal já mediu estes factos. O investigador Joaquim Sande Silva ordenou, num estudo de 2009, as formações florestais por propensão para arder, e colocou o pinheiro-bravo e o eucalipto no topo, com o sobreiro, o castanheiro, a azinheira e o pinheiro-manso no fundo da lista. Vale a pena reter que o pinheiro-manso, também ele uma resinosa, fica entre os menos inflamáveis, sinal de que a etiqueta da espécie não decide tudo. Trabalho posterior da equipa de Jordi Garcia-Gonzalo, no mesmo Instituto Superior de Agronomia, mostrou que os povoamentos mistos e de folhosas reduzem o risco de fogo face ao pinheiro-bravo e ao eucalipto. O risco mora na monocultura densa e contínua de espécies inflamáveis, e a diversidade trabalha como corta-fogo.

E há uma razão económica para que estas espécies menos inflamáveis ocupem hoje tão pouco terreno. O carvalho, o castanheiro e o sobreiro são de crescimento lento, próprios das fases maduras da floresta, daquilo a que se chama o regime de abundância, e que podem levar décadas ou séculos a instalar-se. Esse tempo longo não serve o modelo da indústria da pasta de papel, que vive de cortar depressa e em grande quantidade. A própria Navigator descreve o eucalipto globulus como a espécie que está na origem dos seus papéis e valoriza-o justamente por ser de crescimento rápido, com ciclos de plantação e corte de cerca de doze anos, em povoamentos plantados exclusivamente para esse fim. Uma floresta que arde menos é, quase sempre, uma floresta que amadurece devagar, e uma floresta que amadurece devagar é tudo o que um modelo da industria da celulose não pode permitir.

A “limpeza” que a reportagem celebra é, vista por este ângulo, parte do problema e não a solução. Um chão raspado até ao osso é um chão que perde água por evaporação, que regride na sucessão ecológica e que precisa de recomeçar do zero o trabalho de se cobrir. A peça apresenta o solo exposto como virtude. Em rigor, é a assinatura de um ecossistema mantido em estado de adolescência permanente, ao serviço da extracção, sempre pronto a recomeçar e nunca autorizado a amadurecer até à fase em que a paisagem se torna húmida e pouco inflamável.

Incêndio a atravessar a A3 entre o Porto e Valença, na zona da Trofa, há cerca de vinte anos, em pleno território de monocultura de eucalipto gerido por empresas de celulose. O problema é antigo e é estrutural. Fotos: ©Ricardo Meireles 2006

A escala que falta à fotografia

A reportagem mostra dois talhões. O país tem outra dimensão. Portugal tem perto de oitocentos mil hectares de eucalipto e mais de um milhão de hectares de plantações industriais de espécies de crescimento rápido. As áreas onde o eucalipto não arde de forma explosiva são as parcelas bem geridas e protegidas pelas celuloses, uma minoria do total. A larga maioria, a que alimenta a indústria, é onde se exprimem as características mais combustíveis da espécie, a biomassa que se acumula depressa e o material incandescente que salta a quilómetros de distância e abre novas frentes.

Há ainda um problema de método na própria escolha do caso. Mostrar dois povoamentos que sobreviveram dentro de quatro mil hectares ardidos é seleccionar pelo resultado. Falta a pergunta que daria sentido ao número: quantos talhões de eucalipto, geridos ou não, arderam naquele mesmo incêndio? Sem essa conta, dois sobreviventes são uma anedota fotogénica e não uma prova.

Quem explica o “milagre”

A fonte que explica a resistência daqueles povoamentos é um engenheiro florestal da Navigator, a empresa proprietária dos eucaliptais. O perito que elogia a gestão dos talhões trabalha para a dona dos talhões. A reportagem apresenta-o entre especialistas, sem uma palavra sobre o conflito de interesse evidente. Não é preciso supor má-fé de ninguém para reconhecer o óbvio. Quem tem o ativo a defender não é uma fonte neutra sobre o valor ou risco desse ativo.

O desvio para os quatrocentos mil proprietários

No fim, a peça empurra a culpa. Diz que o problema da floresta portuguesa está nos mais de quatrocentos mil proprietários com parcelas minúsculas, sem escala para oferecerem rentabilidade. Repare o leitor neste movimento. Um problema de água, de solo e de modelo ecológico é convertido num problema de escala empresarial. E a solução implícita nesse diagnóstico é concentrar a terra em explorações grandes e geridas, ou seja, mais do mesmo modelo que produziu a paisagem inflamável e influenciou o clima seco. A pergunta que falta é simples. A floresta serve para dar rentabilidade a um sector que a quer tornar num chão de fábrica, ou serve para segurar água, sombra e comunidades? A reportagem responde à primeira e finge que é a única.

Veredito

O mais difícil de desmontar num texto destes não são as mentiras. São os factos verdadeiros postos ao serviço de uma conclusão falsa.

O facto de base é verdadeiro. Dois povoamentos de eucalipto sobreviveram ao incêndio em Melres, e sobreviveram por terem sido geridos, com terraços, acessos e remoção de combustível. Isso aconteceu e está correctamente descrito.

O título é falso. “Eucaliptos resistem onde ardeu tudo” generaliza dois talhões geridos para a espécie inteira e afirma quase o contrário do que a ciência e o próprio corpo do artigo dizem. O que resistiu foi a gestão do deserto verde.

A tese geral é descontextualizada. Constrói-se a partir de uma frase verdadeira retirada do seu contexto técnico, ilustra-se com um caso escolhido pelo resultado, sustenta-se numa fonte com interesse directo no assunto, e omite a água, o solo, a estratificação e a escala real do eucaliptal português. Cada peça, isolada, quase se defende. O conjunto conduz o leitor a uma conclusão que os factos não autorizam.

Por tudo isto esta notícia, tendo em conta a disposição dos factos e a falta de independência da fonte é #AreiaParaOsOlhos.


terça-feira, 16 de junho de 2026

CASCA DE PINHEIRO PODE REMOVER RESÍDUOS FARMACÊUTICOS

  • Investigadores da Universidade de Oulu, na Finlândia, desenvolveram um material à base de casca de pinheiro capaz de remover com elevada eficiência resíduos de medicamentos presentes nas águas residuais, apresentando-se como uma alternativa sustentável e economicamente competitiva face às tecnologias convencionais. Este material contém elevadas concentrações de polifenóis, compostos naturais capazes de se ligar quimicamente a diversos contaminantes. Através da modificação da casca com compostos de ferro, nomeadamente magnetite, os investigadores criaram um adsorvente capaz de capturar resíduos farmacêuticos e de ser facilmente separado da água após a sua utilização. Fonte.
  • 251 toneladas de urânio produzidas: 68% destinadas à exportação para a Bélgica, Finlândia e França — a Espanha exporta cada vez mais combustível nuclear enquanto debate o encerramento das suas centrais. Fonte.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

REFLEXÃO

A ROLAGEM DE ÁRVORES DÁ-LHES FORÇA?

Tavira. Amigo doAlgarve.

Depois de uma poda drástica, a árvore costuma rebentar com uma força impressionante. Mas o que muitos interpretam como "pujança" e "vitalidade" é, na verdade, um grito de desespero e um mecanismo de sobrevivência.

​Quando despimos uma árvore dos seus ramos e folhas, retiramos-lhe a capacidade de fazer fotossíntese. Ela entra em modo de emergência e gasta as suas últimas reservas de energia para produzir rapidamente novos ramos (chamados ramos epicórmicos) para não morrer à fome.

​O problema? A ilusão da "pujança" esconde dois perigos graves:

​Ramos "colados com cuspo": Estes novos ramos crescem muito rápido, mas nascem na camada mais superficial da casca. Eles não têm a ligação estrutural profunda e sólida que os ramos originais tinham.

​Apodrecimento invisível: Os cortes brutais deixam feridas enormes que a árvore não consegue cicatrizar. Fungos e bactérias entram ali, apodrecendo o tronco por dentro.

​O resultado final: Daqui a uns anos, esses ramos novos tornam-se grandes, pesados e frondosos, mas estão presos a uma base podre e frágil. Ironicamente, a poda que foi feita para "dar segurança" cria uma árvore muito mais perigosa, com um risco altíssimo de queda de ramos grandes em dias de tempestade.

​A natureza é resiliente e tenta sobreviver a tudo, mas confundir rebentação de emergência com saúde é o maior erro da gestão urbana. Uma árvore podada com respeito e ciência não precisa de "ressuscitar" com pujança; cresce equilibrada, segura e saudável para todos nós.


sábado, 16 de maio de 2026

OVAR: AUTARQUIAS ACUSADAS DE PRESTAREM INFORMAÇÃO INCORRETA SOBRE ABATE DE ÁRVORES

  • A associação ambiental +Pinhal acusou a Câmara de Ovar e a Junta de Cortegaça de prestarem esclarecimentos incorretos sobre o abate de árvores no Parque do Buçaquinho. O abate é injustificado porque a área (talhões 4 e 5 do Perímetro Florestal das Dunas de São Jacinto) devia ter regressado automaticamente ao Perímetro Florestal das Dunas de Ovar ao abrigo do Decreto n.º 18/2001, dado que não foi utilizada para equipamentos desportivos no prazo de 3 anos. Um plano de requalificação que implica “abate massivo” de árvores é “à partida, um mau plano” e destrói o património natural em vez de o valorizar. As autarquias defendem que o projeto de requalificação preserva a história e memórias do local, mas a associação ambiental contesta a versão oficial e critica a falta de transparência. Fonte.

REFLEXÃO

O SILÊNCIO CÚMPLICE PERANTE O ABATE DAS ÁRVORES EM OVAR
Fernando Almeida, Ovar News.


O recente abate de árvores no Parque de Merendas do Buçaquinho não pode ser tratado como uma simples operação de manutenção florestal. O que aconteceu naquele espaço representa mais um episódio de uma política ambiental marcada pela falta de transparência, pela ausência de escrutínio público e por uma inquietante banalização do corte de árvores em zonas de elevado valor ecológico e social no concelho de Ovar.

O Buçaquinho é muito mais do que um parque de lazer. É um dos poucos espaços naturais onde ainda se consegue encontrar equilíbrio entre floresta, biodiversidade e usufruto público. Durante anos foi apresentado pela própria autarquia como símbolo da valorização ambiental do concelho. Porém, quando chega o momento de justificar o desaparecimento de dezenas de árvores, instala-se o silêncio, surgem explicações vagas e os cidadãos são tratados como meros espectadores de decisões já tomadas.

A Câmara Municipal de Ovar tem obrigação de explicar, com detalhe e frontalidade, quem autorizou os abates, quais os critérios técnicos utilizados, quantas árvores foram efetivamente cortadas e que estudos sustentaram essas decisões. Mais do que isso, deve explicar porque razão a população só toma consciência da dimensão das intervenções quando os troncos já estão no chão.

Mas também o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) não pode continuar refugiado numa postura tecnocrática e distante, como se a gestão florestal pudesse ser feita apenas em gabinetes e mapas administrativos, ignorando a realidade local e a sensibilidade das populações. O ICNF existe para proteger património natural, não para se limitar a validar operações que, aos olhos de muitos cidadãos, parecem cada vez mais agressivas e desproporcionadas.

Nos últimos anos, o que se tem verificado em várias zonas florestais de Ovar é um padrão preocupante de cortes sucessivos que transformam profundamente a paisagem. Áreas densamente arborizadas dão lugar a clareiras extensas, alterando ecossistemas, destruindo habitats e empobrecendo visualmente territórios que demoraram décadas a consolidar-se.

E sempre com o mesmo discurso repetido até à exaustão: “gestão florestal”, “limpeza”, “segurança”, “prevenção”. Conceitos importantes, sem dúvida, mas que não podem servir de argumento automático para justificar qualquer intervenção sem debate público, sem transparência e sem verdadeira avaliação ambiental independente.

Porque importa dizer aquilo que muitos pensam, existe hoje uma crescente sensação de que se corta primeiro e se explica depois, quando se explica… E isso mina a confiança das populações nas instituições que deveriam proteger o património natural coletivo.

Mais grave ainda é a aparente ausência de uma estratégia coerente de reflorestação e recuperação ambiental. Cortar árvores maduras e anunciar posteriormente pequenas ações simbólicas de plantação não resolve o problema. Uma árvore centenária não é substituída por meia dúzia de mudas fotografadas para redes sociais ou cerimónias institucionais. O valor ecológico perdido leva décadas a recuperar, quando recupera.

Num contexto de alterações climáticas, aumento das temperaturas, erosão costeira, perda de biodiversidade e crescente vulnerabilidade ambiental, assistir ao desaparecimento sistemático de árvores adultas deveria preocupar seriamente qualquer entidade pública responsável. As árvores não são obstáculos administrativos nem meros elementos decorativos da paisagem. São infraestrutura ambiental essencial. Produzem oxigénio, regulam temperaturas, fixam carbono, protegem solos e contribuem diretamente para a qualidade de vida das populações.

Por isso, torna-se incompreensível que tanto a autarquia como o ICNF continuem a comunicar estas intervenções quase sempre numa lógica defensiva e minimalista, como se o incómodo estivesse na reação das pessoas e não na dimensão dos cortes realizados.

A população de Ovar merece respeito. Merece informação prévia, acesso aos pareceres técnicos, identificação clara das árvores em risco, planos de reflorestação concretos e fiscalização independente. Merece participar nas decisões sobre espaços naturais que pertencem à comunidade e não apenas assistir ao desaparecimento gradual da sua floresta.

Existe uma diferença enorme entre gerir a floresta e desfigurá-la e, infelizmente, essa fronteira parece estar cada vez mais ténue em várias zonas do concelho.

Ovar construiu parte da sua identidade em torno da natureza, da floresta e da paisagem. Destruir silenciosamente esse património enquanto se multiplicam discursos institucionais sobre sustentabilidade é um exercício de contradição política que os cidadãos começam legitimamente a questionar.

Porque chega um momento em que já não basta plantar algumas árvores para compensar aquilo que se permite destruir. E talvez esse momento tenha chegado.

Quando o som das motosserras se torna mais frequente do que o som do vento nos pinhais, não estamos apenas perante operações florestais. Estamos perante escolhas políticas. E essas escolhas têm responsáveis.

terça-feira, 5 de maio de 2026

ISRAEL: COLONOS ARRANCAM CENTENAS DE OLIVEIRAS

Soldados israelitas assistem enquanto retroescavadoras israelitas destroem terrenos agrícolas e arrancam oliveiras centenárias na aldeia de Karyut, a sul da cidade de Nablus, na Cisjordânia, em 8 de dezembro de 2025. [Issam Rimawi – Agência Anadolu]
  • Colonos israelitas arrancaram e vandalizaram pelo menos 1 000 oliveiras na localidade de Turmus Ayya, a nordeste de Ramallah. A região tem enfrentado uma campanha de colonização cada vez mais intensa nos últimos três anos, incluindo ataques repetidos a terras agrícolas e restrições que impedem os agricultores de aceder às suas terras. Durante os últimos três anos, foram arrancadas cerca de 25 000 oliveiras na região, sem ordens militares formais nem procedimentos de confiscação de terras. Fonte.
  • A Ecoloxistas en Acción e a Greenpeace exigem que a Altri, no Porto, retire o seu projeto de macrocelulose em A Ulloa. Fonte.
  • A Alemanha foi o maior exportador de resíduos plásticos em 2025, enviando 810 000 toneladas para o estrangeiro. O Reino Unido ficou logo atrás, exportando 675 000 toneladas, com grande parte dos resíduos enviados para a Turquia, a Malásia e a Indonésia. Fonte.
  • A Suíça transforma os carris dos comboios em centrais solares. Fonte.
  • O projeto-piloto Nexus de 1,6 MW, na Califórnia, demonstrou que os painéis solares instalados sobre canais de irrigação podem reduzir significativamente a evaporação da água e o crescimento de algas em 85 %, ao mesmo tempo que revelam eficiência operacional. Fonte.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

REFLEXÃO

SOBREIRO: COMO EXTINGUIR UMA ESPÉCIE, PROIBINDO O SEU CORTE
Ricardo Meireles, Substack.

 Sobreiro com cortiça antiga, fenda viva e marca de fogo. Uma árvore feita para resistir e permanecer. Trás-os-Montes. Foto: Ricardo Meireles

Há uns dias um vizinho parou o carro ao passar por mim na estrada e avisou-me, com a melhor das intenções, que tinha sobreiros a nascer junto ao muro. O conselho foi directo: arrancar enquanto era cedo, antes de ficarem mapeados. Antes de se tornarem um problema.

Fiquei com aquele conselho a trabalhar dentro de mim durante dias. Um país que ensina os seus proprietários a temer o crescimento de uma árvore está a proteger qualquer coisa, mas talvez não seja a árvore.

A lei de 2001 não proíbe em absoluto o corte ou arranque de sobreiros e azinheiras. Exige autorização. Na prática quotidiana, a diferença é pequena: o que o proprietário ouve é que um sobreiro mapeado complica tudo o que vier depois. A resposta racional, à escala do indivíduo, é o arranque preventivo, feito cedo, feito em silêncio, feito no estado em que ninguém repara. Protege-se assim a árvore adulta visível e elimina-se a regeneração invisível, que é a fase mais barata e mais decisiva de qualquer floresta.

O próprio preâmbulo da lei admite uma coisa que raramente entra na conversa pública: o montado é paisagem de origem antrópica e só se mantém enquanto as actividades económicas que o sustentam continuarem activas. O próprio legislador sabe que é um sistema agro-silvo-pastoril gerido à mão, todos os dias, há séculos. A lei, contudo, trata o sobreiro como peça de museu, e o efeito é o oposto do declarado: o medo de cada rebento que é calcado, arrancado, mal germina.

A questão maior, porém, está por baixo desta. E é aqui que mexe numa das vacas mais sagradas da identidade económica portuguesa.

Portugal produz cerca de metade da cortiça mundial a partir de aproximadamente 8% do seu território continental. O sobreiro ocupa cerca de 720 mil hectares, perto de um quarto da floresta nacional. O sobreiro é, até hoje, a única espécie cuja casca regenera depois de ser retirada do tronco, o que faz dele a única fonte comercial de cortiça no mundo. Esta singularidade ecológica transformou-se em singularidade económica, e a singularidade económica transformou-se em orgulho nacional. Somos os maiores. Repete-se isto como prova de competência.

Recentemente, a cortiça portuguesa voltou ao espaço. Foi notícia em todo o lado. Um compósito desenvolvido a partir da casca dos nossos sobreiros, baptizado P50, integrou o sistema de proteção térmica da cápsula Orion na missão Artemis II da NASA, depois de já ter servido na Artemis I. Funcionou como escudo: aguentou fluxos térmicos de dezenas de megawatts por metro quadrado durante o lançamento e a reentrada, e protegeu os astronautas que orbitaram a Lua. A imprensa celebrou. Estávamos a contribuir, a partir do nosso pedaço de terra, para uma nova ida ao espaço de uma potência alheia. É um orgulho conhecido: o orgulho do fornecedor de matéria-prima de luxo, vaidoso por servir um projecto que não decide nem partilha. E é este tipo de orgulho que imuniza o sector contra qualquer pergunta incómoda.

A pergunta que poucos formulam é se faz sentido manter um quarto da floresta de um país pequeno fixado num único degrau de um processo ecológico muito mais longo, em nome dessa posição no mercado mundial.


Deserto verde de sobreiros. Solo pelado, espécie única, sucessão travada. Uma plantação que a lei protege como se fosse floresta. 
© Ricardo Meireles, 2006.

O sobreiro é uma espécie de ciclo secular e estrato emergente, própria dos consórcios secundários tardios e de transição. Prepara o solo, fixa carbono, dá sombra, retém humidade. Cria as condições para que se sucedam sistemas mais complexos, no caminho para o estádio de abundância, onde o ser humano poderia viver com muito mais resiliência do que vive hoje.

O montado, esse, é uma fotografia parada a meio da escadaria. Existe porque é limpo, gerido, podado, descortiçado, pastoreado. Este não é o destino do sobreiro mas sim um arranjo humano que congela o sistema num ponto que dá rendimento previsível. Eternizar esse arranjo é escolher a renda certa e adiar indefinidamente a abundância que viria depois se o sistema não fosse travado.

Há ainda um mantra que a indústria comunica com particular cuidado. Diz-se que o descortiçamento beneficia a árvore. O que as fontes técnicas descrevem é outra coisa: em cada extracção, o felogénio é destruído, e a árvore regenera-o. A operação faz-se durante o período mais stressante do ano para o sobreiro, expõe células vivas que perdem água, e nos anos seguintes a árvore fica mais vulnerável a pragas e a incêndios. Em anos de seca severa, a extracção deve ser adiada precisamente para evitar danos. Quando é mal executada, deixa feridas que dificultam a regeneração e podem levar à morte prematura da árvore. Estamos perante um processo de stress real, suportável dentro de certos limites, e a afirmação de que "faz bem" à árvore pertence ao registo do marketing, não ao da ecologia verificável. Pode não a matar. Daí a beneficiá-la vai uma distância que ninguém demonstrou.

Linha de produção de rolhas em corticeira de Santa Maria da Feira. © Ricardo Meireles, 2006.

Tudo isto seria um debate académico se não houvesse pessoas reais agarradas a este modelo. Mas há famílias inteiras cuja sobrevivência material depende, há gerações, da venda da sua força de trabalho ao sector corticeiro. Foram perdendo, ao longo do tempo, outras formas de autonomia económica e ficaram amarradas a um único circuito produtivo. Qualquer reflexão honesta sobre o futuro do montado tem de começar por reconhecer isto. Não se transforma um ecossistema sem transformar, ao mesmo tempo, as condições materiais de quem dele depende. Pensar o sobreiro para lá do montado obriga a pensar, em paralelo, que outras formas de vida, que outros rendimentos, que outras autonomias podem ser construídas para essas famílias.

A retracção, entretanto, já está em curso sem que tenhamos decidido nada. A área de montado tem vindo a diminuir há décadas, por seca, por doença, por substituição, por abandono. A dependência económica de um ecossistema que encolhe é, por si só, um argumento para repensar o modelo antes que seja a desgraça a fazê-lo por nós.

A saída passa por mudar o desenho do incentivo. O proprietário que hoje vê um rebento como ameaça não tem medo da árvore, tem medo do que ela representa no mapa: uma restrição futura à venda, à herança, à construção. O problema está no ordenamento do território, que usa o sobreiro como desculpa para travar decisões que deviam ser tratadas noutro plano. Separar uma coisa da outra é o primeiro passo. O segundo é tornar a regeneração natural num activo concreto para o proprietário, com apoio técnico e benefícios fiscais. O terceiro é dar previsibilidade ao licenciamento, porque o medo nasce sempre da incerteza. E há ainda uma questão de fundo: assumir publicamente que o montado é uma das formas possíveis do sobreiro, e que a floresta densa com Quercus suber e outras espécies do mesmo porte a partilhar o mesmo espaço também tem direito a existir.

Se este medo se mantiver, a lei que diz proteger o sobreiro será o mecanismo que o extingue. Não desaparecerá pela força da motosserra mas pela aniquilação silenciosa de cada rebento arrancado antes de ser “apanhado pelo satélite”. Perderemos com isso uma espécie que faz de ponte para sistemas mais complexos e mais abundantes. O Alentejo, que hoje associamos quase de forma automática à paisagem do montado aberto, poderia ser muito mais do que essa fotografia repetida. Poderia ser território vivo, estratificado, húmido, capaz de alimentar e abrigar muito para lá da cortiça. Estamos a recusar essa hipótese antes sequer de a discutir.

O meu vizinho continua a passar na estrada. Os sobreiros junto ao muro continuam lá, pequenos, ainda quase invisíveis. Decidi deixá-los crescer. Sem medo da fotossíntese. Na esperança de que Portugal não se torne num imenso Alentejo.

terça-feira, 31 de março de 2026

MÉXICO: DERRAME DE PETRÓLEO IMPACTA 600 KMS DE COSTA

Praia de Tenantitanapan, em Pajapan, Veracruz. Foto: NAYELI CRUZ/El País.
  • Um enorme derrame de petróleo ocorreu no Golfo do México e já afetou mais de 600 km de litoral nos estados de Tabasco, Veracruz e Tamaulipas, causando danos a ecossistemas costeiros e marinhos, com registos de animais mortos (tartarugas, peixes, golfinhos) aparecendo nas praias. As progens do desastre ambiental permanecem por esclarecer. As autoridades mexicanas, incluindo a Pemex e a governadora de Veracruz, afirmaram inicialmente que o derrame não teve origem em instalações da empresa estatal, atribuindo o desastre a um navio privado e a fugas naturais de hidrocarbonetos. Mas dados de satélite mostram que o Árbol Grande, da Diavaz, empresa contratada pela Pemex desde 2018 para manutenção de tubos submarinos, esteve ancorado por mais de oito dias (9 a 16 de fevereiro de 2026) exatamente sobre um oleoduto ativo na área onde havia um grande derrame. Imagens de satélite e dados de rastreamento marítimo mostram uma mancha de óleo de mais de 50 km² à volta da embarcação durante esse período. O navio estava posicionado sobre o oleoduto "Old AK C", que transporta óleo Maya (mais viscoso) da plataforma AKAL-C para o terminal marítimo de Dos Bocas. O mesmo oleoduto já havia sofrido um derrame em maio de 2025. Fonte.
  • Uma árvore a cada 15 metros: como Berlim se prepara para enfrentar as alterações climáticas. A capital alemã, impulsionada por uma iniciativa cidadã, estabeleceu como objetivo para 2040 arrefecer 170 «bairros quentes» em dois graus e aumentar as áreas verdes. Fonte.

quarta-feira, 18 de março de 2026

PAMPILHOSA DA SERRA: ÁRVORE EÓLICA PARA FAZER ESQUECER DESORDENAMENTO FLORESTAL?

  • A instalação de uma árvore eólica, parte integrante da empreitada de arranjo urbanístico da entrada oeste da vila de Pampilhosa da Serra, encontra-se em fase de testes e será responsável por alimentar a quase totalidade das necessidades energéticas do espaço assim que a obra estiver finalizada. A estrutura é composta por 36 microturbinas eólicas, com uma potência total de 10.800 W, O projeto de requalificação urbanística é cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Regional do Centro – Centro 2030. FonteOra aqui está um projetozinho que custou uma pipinha de massinha e que vai fazer arregalar o olhinho ao Zé Povinho e fazê-lo distrair-se dos graves problemas de desordenamento florestal naquela região. Não me admiraria se, daqui a algum tempo, ouvisse dizer que houve romariazinhas aquando da sua estreiazinha. Além de serem caras para a baixa produção energética, vão ser um trambolho após os primeiros momentos de espanto.
  • O presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, José Guerreiro, assinou três contratos por ajuste directo com o empresário Jaime Oliveira, através da empresa Tagus Plus, actualmente acusado pelo Ministério Público de falsificação de amostras de amêijoas no estuário do Tejo — amostras que estiveram na origem de 348 intoxicações em cinco países europeus. Fonte.
  • Em Oeiras, nos anos de 1980 e 90 construíram-se parques empresariais isolados, totalmente dependentes do automóvel, à imagem do modelo suburbano americano, atraindo empresas e classes médias e altas para polos monofuncionais localizados sobre os melhores solos do país. O regime de Isaltino, O Maio.
  • Está a ocorrer o corte de uma grande quantidade de pinheiros-mansos na Herdade do Cabeço da Flauta, em Sesimbra, propriedade da António Xavier de Lima – Empreendimentos Imobiliários e Turísticos S.A. Moradores e ativistas (Meco Livre) criticam a falta de transparência e a dimensão do abate. O movimento argumenta que a destruição da mata fragiliza o ecossistema lagunar, fragmenta habitats e reduz a biodiversidade, mesmo estando fora dos limites oficiais da área protegida. Fonte.
  • Três em cada quatro medidores urbanos de poluição atmosférica em Espanha estão mal localizados. Fonte.
  • Pescadores do Nilo ganham mais com a recolha de plástico do que com a pesca. O declínio das populações de peixes, causado pela poluição plástica no rio, obrigou cerca de 180 pescadores de al-Qarsaya a passar da pesca tradicional para a recolha de resíduos. A VeryNile, lançada em 2018 pela empresa social egípcia Bassita, tem como objetivo limpar o rio pagando aos pescadores preços acima dos valores de mercado pelos resíduos plásticos recolhidos. A iniciativa compra plástico a preços significativamente mais elevados do que os que uma central de reciclagem normal pagaria, proporcionando uma alternativa económica à medida que as populações de peixes diminuem devido à poluição. Fonte.
  • O ex-consultor jurídico da DC Solar, Ari J. Lauer, foi condenado a mais de 11 anos de prisão pelo seu papel num esquema de fraude fiscal no setor solar no valor de mil milhões de dólares. Fonte.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

ALGARVE: MAIS DUAS ÁREAS PROTEGIDAS

  • O concelho de Loulé, que detém até à data 30% das áreas protegidas locais da Rede Nacional de Áreas Protegidas, vê agora duas novas áreas protegidas de âmbito local serem reconhecidas com a publicação oficial da Reserva Natural Local da Nave do Barão e do Monumento Natural Local da Gruta de Vale Telheiro, em Diário da República. Fonte.
  • A jornada de renascimento do aço naval, algures no Paquistão. Video clip.
  • As árvores nos ensinam a educarmos nossos filhos. Rosângela Trajano, EcoDebate.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

ALCÁCER DO SAL: CÂMARA EXPÕE PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS AO GOVERNO

Foto: Tribuna Alentejo
  • A presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, reuniu com o secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, para apresentar ao Governo as suas principais preocupações de âmbito ambiental. Entre os temas abordados estiveram a ZEC (Zona Especial de Conservação) Comporta – Galé; a exploração do aquífero que abastece a região e, com relação ao mesmo, o projeto da Mina da Lagoa Salgada e a pressão exercida pelas explorações de produção agroalimentar no eixo Alcácer do Sal – Comporta. Estas têm igualmente sido responsáveis pelo abate massivo de pinheiros que, embora não sendo uma espécie protegida, tem relevância económica e para a proteção dos habitats presentes. A presidente alertou igualmente o secretário de Estado para o impacto que o areeiro localizado na zona de Castelo Ventoso tem na vida das populações próximas. A preservação dos sobreiros e os projetos para a instalação de painéis fotovoltaicos também fizeram parte das preocupações apresentadas. Fonte.
  • Remoção de microplásticos e nanoplásticos da água com um tratamento magnético que alcança 100% e 90% de remoção. Um projeto em busca de apoios. Fonte.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

LÍBANO: INSETO DIZIMA PINHEIROS

  • Os pinheiros históricos do Líbano estão a morrer. O inseto, Leptoglossus occidentalis, (sugador das pinhas) está a sugar a vida das árvores, tornando-as vulneráveis. O aumento das temperaturas e as secas prolongadas, exacerbadas pelas alterações climáticas, estão a enfraquecer as defesas naturais das árvores e a criar condições ideais para o desenvolvimento das pragas. Para cúmulo, uma grave crise económica e a paralisia política deixaram o governo sem recursos ou planos para combater a praga, levando a um estado de total impotência. Fonte.
  • Cerca de 13 500 km² de extensões de água na Ucrânia, incluindo o rio Dnieper, os lagos e a costa do Mar Negro, estão potencialmente contaminados por minas e restos de explosivos, calcula o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Fonte. Aguarda-se resultados de estudo semelhante em relação aos impactos do genocídio em Gaza. Irá Israel permitir a circulação de técnicos das NU no território?

terça-feira, 21 de outubro de 2025

BARRAGEM DO ROXO: TEMPERATURA ALTA E NÍVEL BAIXO DA ÁGUA MATARAM CENTENAS DE PEIXES

  • A Agência Portuguesa do Ambiente admitiu que as altas temperaturas e o baixo nível de armazenamento da Barragem do Roxo, no concelho de Aljustrel, distrito de Beja, poderão ter causado a morte de duas centenas de peixes, sobretudo carpas e pimpões, nesta albufeira. Fonte.
  • Três jacarandás e um cipreste estavam marcados para abate na Quinta do Lambert, no Lumiar. A razão: a construção de uma rotunda de acesso a um futuro supermercado Mercadona. Contudo, depois de alguma pressão popular, a Câmara de Lisboa mudou o projeto para salvaguardar todas as árvores. Fonte.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

"O CARVALHO NÃO É APENAS UMA ÁRVORE"

  • “O carvalho não é apenas uma árvore. É uma obra da natureza e da cultura, porque só resiste onde a comunidade o respeita e o integra na vida do lugar. À volta das aldeias, os carvalhos formam muralhas vivas. São eles que mantêm a frescura do solo, protegem a água das nascentes, dão abrigo aos animais e travam a marcha do fogo. Onde há carvalhos, há equilíbrio; onde há equilíbrio, há vida. Cuidar destes carvalhais não é só defender-nos dos incêndios: é continuar uma tradição que vem de séculos, quando a árvore era sombra, alimento e encontro. É assumir que a paisagem é responsabilidade de todos, porque dela depende o futuro comum. Cada aldeia que protege os seus carvalhos protege também a sua memória e a sua esperança. E cada vez que plantamos um carvalho, plantamos tempo: tempo para a natureza, tempo para as pessoas, tempo para a vida.” Arq. Gonçalo Ribeiro Teles [1922-2020], Carvalhos, Guardiões da Paisagem. Citado por oxisdaquestao.
  • O aproveitamento da biomassa poderia reduzir a área ardida em Espanha até 60%. Fonte.
  • O Estado subsidia os lucros absurdos da BENCOM — porque só com a compensação tarifária pode a EDA comprar-lhes o combustível a preços tão altos — e, ainda, os da EDA. O Grupo Bensaúde ganha duas vezes; o erário público perde duas; e a boa-fé dos contribuintes diminui. Francisco Mesquita, BE.
  • Praias da Florida ao Maine sob aviso de contaminação fecal. Um relatório publicado em julho de 2025 pela agência do Ambiente revelou que 61% das praias testadas nos EUA registaram pelo menos um dia em que a contaminação fecal atingiu níveis potencialmente inseguros. O relatório examinou se os níveis de bactérias fecais excederam os padrões estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), níveis que podem causar doenças em 32 de cada 1000 banhistas. O relatório indica que 453 praias eram potencialmente inseguras para nadar em pelo menos 25% dos dias testados. Fonte.
  • Trump quer aumentar as exportações de gás natural liquefeito, mas os residentes das cidades da Pensilvânia tudo fazem para impedir um projeto de terminal de GNL. Fonte.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

SHEIN: DUAS MULTAS NUM MÊS POR GREENWASHING

  • A gigante chinesa da moda rápida, Shein, protagoniza um novo embate internacional envolvendo alegações ambientais enganosas, aumento das emissões de carbono e pressão por maior transparência nas práticas de produção. Só no último mês, a retalhista recebeu duas multas milionárias de autoridades europeias: uma de €40 milhões na França e outra, mais recente, de €1 milhão na Itália. A multa italiana, aplicada pela Autoridade de Concorrência da Itália (AGCM), apontou que a Shein divulgou, no seu site europeu e em páginas promocionais, mensagens vagas e exageradas sobre sustentabilidade, circularidade e reciclabilidade das suas roupas. Segundo o órgão, essas afirmações não condizem com os materiais utilizados nem com a realidade atual dos sistemas de reciclagem. Fonte.
  • O Tribunal Europeu de Justiça rejeitou o argumento dos ambientalistas de que o direito do público à consulta havia sido violado, validando os procedimentos de aprovação de projetos eólicos. A decisão beneficia dezenas de parques suspensos após ações judiciais de moradores e ambientalistas. Neste momento, 92 parques eólicos na Galiza enfrentam ações judiciais e 86 foram suspensos antes da construção. Fonte.
  • Demolição de casas para salvar a floresta protetora da capital do Níger causa consternação entre os moradores locais. Fonte.
  • O jardim zoológico de Aalborg, no norte da Dinamarca, está a pedir aos residentes uma solução pouco convencional: a doação de pequenos animais de estimação e cavalos para sustentar os seus predadores em cativeiro, assegurando dietas naturais e bem-estar, ao mesmo tempo que trata de forma responsável as populações excedentárias de animais. Fonte.
  • A missão espacial da NASA para monitorizar as emissões de dióxido de carbono está ameaçada devido a cortes orçamentais, oposição política e eventual privatização. A missão tem como objetivo fornecer dados críticos sobre fontes e sumidouros de gases de efeito estufa, ajudando a acompanhar o progresso das alterações climáticas. Fonte.
  • Ecologistas em Ação denunciam o transplante incorreto e a secagem por falta de rega de uma centena de árvores junto ao Hospital Rey Juan Carlos.

terça-feira, 8 de julho de 2025

OVAR: FLORESTA VAI PERDER 40 HECTARES PARA EXPANSÃO DE FÁBRICA DE ESPUMA

RTP/A Prova dos Factos.
  • Ovar vai perder perto de 40 hectares de floresta. A maioria será para a expansão de uma empresa industrial de espuma. A população contesta este projeto e o novo Plano de Gestão Florestal, que prevê o corte total de pinheiros em 360 hectares. Uma reportagem do programa A Prova dos Factos, que pode ser vista a partir do minuto 11:15.
  • O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, prepara-se para autorizar a construção de uma residência universitária de luxo, no Lumiar. Isto implica o abate de 157 árvores, das 249 ali existentes. Porém, o terreno está qualificado, no PDM, como 'Espaço de Uso Especial de Equipamentos Consolidado'. "É uma zona de equipamentos e não pode ser de habitação. Existem ali escolas, a Associação dos Deficientes das Forças Armadas e a CRINABEL, cooperativa de solidariedade social", explica, João Ferreira, vereador do PCP e candidato da CDU à câmara da capital, que se opõe ao novo projeto. A residência universitária é composta por três blocos, com piscina e cerca de 700 estúdios e quartos. João Ferreira acusa: "Para contornar o PDM, inventaram uma ligação entre os três edifícios, pela cave, dizendo que assim é um edifício único." Foi pedido um parecer à Direção do Ambiente, que veio negativo. O arvoredo e a impermeabilização dos solos são os motivos do chumbo. "É mais um exemplo de uma ocupação desregulada do solo e de um grande abate de árvores", prossegue o vereador do PCP. Fonte.
  • Cerca de 1000 banhistas por dia poderão utilizar três zonas balneares no rio Sena, em Paris. A abertura seguiu-se a um vasto programa de limpeza acelerado pela utilização do rio como local dos Jogos Olímpicos de Paris de 2024, depois de as pessoas que regularmente nadavam no rio de forma ilegal terem feito pressão para que fosse transformado. Foram investidos cerca de 1,4 mil milhões de euros no projeto, incluindo a ligação de mais de 20 000 casas ao sistema de esgotos (cujos resíduos eram até então despejados diretamente no Sena), a melhoria das instalações de tratamento de águas e a construção de reservatórios de armazenamento de águas pluviais de dimensão equivalente a 20 piscinas olímpicas, para evitar o transbordamento das águas residuais durante as tempestades. Fonte.
  • O diquato, substância ativa utilizada para substituir o glifosato no Roundup e noutros herbicidas, pode matar as bactérias intestinais e danificar os órgãos de várias formas, segundo uma nova investigação. É comercializado em Portugal pela Sapec. CUIDADO!

terça-feira, 24 de junho de 2025

IRLANDA: MONEYPOINT DEIXA DE PRODUZIR ELETRICIDADE A PARTIR DO CARVÃO

  • A Irlanda termina a produção de eletricidade a partir do carvão em Moneypoint, tornando-se assim o sexto país da Europa a abandonar o carvão, à medida que as energias renováveis continuam a aumentar a sua quota-parte na produção de eletricidade. Fonte.
  • As campanhas de desinformação sobre o clima levadas a cabo por empresas de combustíveis fósseis e por grupos populistas de direita tornaram-se mais sofisticadas e capazes de influenciar a elaboração de políticas através de "canais secretos", de acordo com um relatório recente. Com base numa análise de mais de 300 artigos científicos, o estudo do Painel Internacional sobre o Ambiente da Informação concluiu que a divulgação de informações falsas e enganosas passou da negação da existência das alterações climáticas para a sementeira de dúvidas sobre as suas causas e soluções. Fonte.
  • Uma floresta vertical a crescer nos Países Baixos: em imagens. Uma nova torre traz apartamentos, escritórios e dezenas de milhares de plantas para o coração de Utrecht. Fonte.

terça-feira, 3 de junho de 2025

REFLEXÃO: O “ALGODÃO” DOS CHOUPOS

Árvore no Centro.

A imprensa tem vindo a abordar ao longo de anos, sempre no mês de maio, o problema do “algodão” libertado pelos Choupos. Ora, nem o plantio de choupos é proibido, nem o seu “algodão” causa alergias.

Os choupos são árvores do género Populus com espécimes masculinos e femininos. São os espécimes masculinos que libertam o pólen, no início da Primavera (março, abril). O “algodão” que se vê em maio, libertado pelos exemplares femininos, não contém pólen mas sim sementes conglomeradas por uma substância sedosa que lhe confere o aspeto de “algodão”.

Se é verdade que os pólenes do choupo são moderadamente alergénicos, já o tal “algodão” não causa alergias. Pode, quando muito, provocar irritação por ação mecânica se entrar em contacto direto com os olhos ou com as mucosas nasais. Assim, as queixas, a surgirem, deveriam surgir em março/abril, quando os exemplares masculinos libertam o pólen, e não em maio.

Acontece que a libertação das sementes do choupo é coincidente com o período de produção de pólen pelas gramíneas (ervas), pelo que muitas das reações alérgicas atribuídas ao “algodão dos choupos” são, na realidade, da responsabilidade das gramíneas, essas sim, bastante alergénicas, mas cujo pólen é praticamente invisível.

No site da Rede Portuguesa de Alergologia, pode ler-se: "Atribui-se frequentemente a estas árvores [Choupos] a responsabilidade de certo tipo de alergias respiratórias mas erradamente…".

A Provedoria do Ambiente do Município de Coimbra escreveu exatamente o mesmo e, entre outras autoridades, cita o médico alergologista Professor Doutor Antero Palma Carlos, que afirma: “As alergias primaveris são uma reação do organismo aos pólenes dos fenos, de algumas urtigas e das oliveiras e não às flores e/ou sementes do choupo e plátanos que enchem o ar de flocos de algodão.”

O Centro Suíço de Alergias considera raras as alergias provocadas pelo pólen do Choupo. A Rede Nacional Francesa de Vigilância Aerobiológica considera nulo o risco de alergia provocadas por choupos.

Nuno Gomes Oliveira



quinta-feira, 29 de maio de 2025

VESPA ASIÁTICA: 90 EUROS POR NINHO ELIMINADO

  • O combate à vespa-asiática já custou 11 milhões de euros. Cada ninho destruído custa 90 euros. Fonte.
  • A vespa da galha do castanheiro está a atacar de forma severa os soutos de algumas aldeias do concelho de Bragança, depois de dois anos de situação controlada. A vespa da galha do castanheiro foi detetada, pela primeira vez, em 2017 no distrito de Bragança e no ano seguinte começaram a ser feitas largadas de parasitoide. Até agora já foram feitas mais de duas mil. Durante este mês de maio estava previsto fazer 70 largadas em Vinhais, cinco em Macedo de Cavaleiros, quatro em Mogadouro e 130 em Bragança. Fonte.