Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

sexta-feira, 29 de maio de 2026

REFLEXÃO

A ROLAGEM DE ÁRVORES DÁ-LHES FORÇA?

Tavira. Amigo doAlgarve.

Depois de uma poda drástica, a árvore costuma rebentar com uma força impressionante. Mas o que muitos interpretam como "pujança" e "vitalidade" é, na verdade, um grito de desespero e um mecanismo de sobrevivência.

​Quando despimos uma árvore dos seus ramos e folhas, retiramos-lhe a capacidade de fazer fotossíntese. Ela entra em modo de emergência e gasta as suas últimas reservas de energia para produzir rapidamente novos ramos (chamados ramos epicórmicos) para não morrer à fome.

​O problema? A ilusão da "pujança" esconde dois perigos graves:

​Ramos "colados com cuspo": Estes novos ramos crescem muito rápido, mas nascem na camada mais superficial da casca. Eles não têm a ligação estrutural profunda e sólida que os ramos originais tinham.

​Apodrecimento invisível: Os cortes brutais deixam feridas enormes que a árvore não consegue cicatrizar. Fungos e bactérias entram ali, apodrecendo o tronco por dentro.

​O resultado final: Daqui a uns anos, esses ramos novos tornam-se grandes, pesados e frondosos, mas estão presos a uma base podre e frágil. Ironicamente, a poda que foi feita para "dar segurança" cria uma árvore muito mais perigosa, com um risco altíssimo de queda de ramos grandes em dias de tempestade.

​A natureza é resiliente e tenta sobreviver a tudo, mas confundir rebentação de emergência com saúde é o maior erro da gestão urbana. Uma árvore podada com respeito e ciência não precisa de "ressuscitar" com pujança; cresce equilibrada, segura e saudável para todos nós.


Sem comentários: