A ROLAGEM DE ÁRVORES DÁ-LHES FORÇA?
Tavira. Amigo doAlgarve.
Depois de uma poda drástica, a árvore costuma rebentar com uma força impressionante. Mas o que muitos interpretam como "pujança" e "vitalidade" é, na verdade, um grito de desespero e um mecanismo de sobrevivência.
Quando despimos uma árvore dos seus ramos e folhas, retiramos-lhe a capacidade de fazer fotossíntese. Ela entra em modo de emergência e gasta as suas últimas reservas de energia para produzir rapidamente novos ramos (chamados ramos epicórmicos) para não morrer à fome.
O problema? A ilusão da "pujança" esconde dois perigos graves:
Ramos "colados com cuspo": Estes novos ramos crescem muito rápido, mas nascem na camada mais superficial da casca. Eles não têm a ligação estrutural profunda e sólida que os ramos originais tinham.
Apodrecimento invisível: Os cortes brutais deixam feridas enormes que a árvore não consegue cicatrizar. Fungos e bactérias entram ali, apodrecendo o tronco por dentro.
O resultado final: Daqui a uns anos, esses ramos novos tornam-se grandes, pesados e frondosos, mas estão presos a uma base podre e frágil. Ironicamente, a poda que foi feita para "dar segurança" cria uma árvore muito mais perigosa, com um risco altíssimo de queda de ramos grandes em dias de tempestade.
A natureza é resiliente e tenta sobreviver a tudo, mas confundir rebentação de emergência com saúde é o maior erro da gestão urbana. Uma árvore podada com respeito e ciência não precisa de "ressuscitar" com pujança; cresce equilibrada, segura e saudável para todos nós.
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