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terça-feira, 8 de setembro de 2026

ALEMANHA APOIOU COLONATOS SIONISTAS

  • O governo alemão canalizou secretamente milhões de euros para um projeto de investigação que contribui diretamente para a expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada. O projeto MedWater, coordenado pela Universidade Técnica de Berlim entre 2017 e 2021, recebeu 1 818 348 euros para desenvolver uma ferramenta de gestão da água para modelar o impacto da adição ou remoção de poços de água. A ferramenta foi desenvolvida em colaboração direta com as autoridades responsáveis pela água de Israel e acabou por ser transferida para a Mekorot, a empresa nacional de água de Israel, que gere poços nos colonatos israelitas em toda a Cisjordânia. Os palestinianos estiveram completamente ausentes das sessões de trabalho do projeto e não há qualquer forma de poderem beneficiar desta ferramenta. Na verdade, à Autoridade Palestiniana da Água, inicialmente designada como parceira, não foi atribuído qualquer subcontrato. A ferramenta identifica áreas ideais para novos poços num território onde as fontes de água palestinianas são sistematicamente demolidas e aos palestinianos são rotineiramente recusadas licenças para abrir novos poços. A demonstração pública da ferramenta chegou mesmo a calcular o impacto da criação de novos poços na província de Hebron — uma área acessível apenas aos colonos israelitas. O projeto viola as obrigações jurídicas internacionais da Alemanha, citando especificamente um Parecer Consultivo do TIJ de julho de 2024 que obriga todos os Estados a «não prestar ajuda ou assistência» à ocupação israelita. A própria «Cláusula Territorial» de Berlim é também citada como estando repleta de lacunas que foram exploradas. Fonte.
  • O Novo México proíbe o arrendamento de terrenos estatais para a exploração de urânio. Esta medida para bloquear novos projetos mineiros surge num momento em que a administração Trump procura relançar a produção de urânio nos EUA. Fonte.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

REFLEXÃO

COMO RECUPERAR RIBEIRAS URBANAS ENTERRADAS
Luna Khirfan, Swati Mestri e Andrew Zinin, The Conversation. Rev. O’Lima.
Um troço do Still Creek em Burnaby, na Colúmbia Britânica. Crédito: Flying Penguin, CC BY-SA

À medida que muitas cidades se desenvolveram, os cursos de água que outrora corriam à superfície foram enterrados para dar lugar a infraestruturas em expansão. No entanto, à medida que chuvas mais intensas, fenómenos meteorológicos extremos e infraestruturas envelhecidas exercem uma pressão crescente sobre as cidades, estes cursos de água enterrados podem vir a fazer parte da solução.

A recuperação de cursos de água à superfície pode ajudar a gerir as águas pluviais, a restaurar habitats e a criar espaços públicos mais verdes e mais propícios à mobilidade pedonal. No entanto, reconhecer estes benefícios é mais fácil do que concretizar um projeto bem-sucedido.

Os municípios têm de encontrar locais viáveis, coordenar-se entre departamentos, garantir financiamento e planear a manutenção a longo prazo. Mas têm também de assegurar que as melhorias ambientais beneficiem os residentes atuais, em vez de contribuírem para a deslocalização da população.

A nossa investigação sobre a reabertura de cursos de água compara duas abordagens contrastantes em Seul, na Coreia do Sul, e em Zurique, na Suíça. Os resultados sugerem que os municípios não precisam de escolher entre um único grande projeto e muitas pequenas intervenções. Precisam de programas flexíveis que consigam identificar a abordagem certa para cada local e aplicar as lições aprendidas num projeto ao seguinte.

Duas cidades, duas abordagens

Entre 2003 e 2005, Seul restaurou o rio Cheonggyecheon através de um projeto rápido, centralizado e dispendioso ao longo de um importante corredor no centro da cidade. A cidade removeu uma autoestrada elevada e integrou o rio restaurado com transportes públicos, infraestruturas para ciclistas, pontes pedonais, passeios e espaços públicos.

Este exemplo mostra o que a reabilitação de um curso de água pode alcançar quando a liderança política, a renovação das infraestruturas e um investimento público significativo estão em sintonia. Revela também os riscos associados a grandes projetos emblemáticos. O projeto exigiu um investimento de capital substancial e continua a implicar custos de manutenção.

Os críticos têm questionado a sua integridade ecológica, uma vez que a água é fornecida ao canal por meio de bombas. A reabilitação urbana em torno do corredor também aumentou o valor dos terrenos e levou à deslocação de algumas pequenas empresas.

O «Bachkonzept» de Zurique adotou uma abordagem diferente. A cidade começou com projetos-piloto na década de 1980 e restaurou inúmeros segmentos de cursos de água de menor dimensão ao longo de várias décadas.

Zurique associou os projetos à gestão do sistema de esgotos, à renovação das infraestruturas, à restauração ecológica e ao planeamento dos bairros. Os cursos de água agora expostos à luz do dia atravessam zonas residenciais, parques e espaços públicos. Muitos deles são acompanhados por caminhos, pequenas pontes, bancos, parques infantis e áreas recreativas.

Nenhum projeto isolado em Zurique tem a visibilidade pública do Cheonggyecheon, em Seul. No entanto, em conjunto, os projetos formam uma rede distribuída que melhora o funcionamento da bacia hidrográfica, liga habitats e proporciona aos bairros um maior acesso à água.

Esta abordagem gradual pode revelar-se mais prática para muitos municípios de menor dimensão. As cidades podem começar por locais de dimensão mais reduzida, monitorizar o seu desempenho e avançar com novos projetos à medida que a renovação das infraestruturas ou a reabilitação urbana criam oportunidades.

Descobrir oportunidades antes que desapareçam

O primeiro passo não é a construção. É o mapeamento. Os municípios podem combinar inventários de bueiros e mapas históricos de cursos de água com dados sobre riscos de inundações e ondas de calor, vulnerabilidade social, terrenos públicos, parques, projetos de infraestruturas planeados e grandes áreas de reabilitação urbana. O mapeamento não implica que todos os cursos de água enterrados devam voltar à superfície. Proporciona aos municípios uma forma coerente de identificar locais que merecem um estudo técnico antes que outras decisões relativas ao uso do solo e às infraestruturas tornem a reabertura desses cursos de água difícil ou impossível.

Toronto ilustra este desafio. A cidade reconhece os cursos de água históricos e apoia a sua restauração sempre que possível. No entanto, esse apoio não identifica quais os locais que devem ter prioridade, quem deve avaliá-los ou como um projeto seria financiado e mantido.

Estudos sobre os riscos de inundações em Toronto identificam Black Creek e Flemingdon Park entre os bairros onde a exposição a inundações se cruza com a vulnerabilidade social e a capacidade limitada de adaptação. Combinar estes dados com o mapeamento de cursos de água desaparecidos, a propriedade de terrenos públicos e os planos de investimento poderia ajudar a cidade a identificar oportunidades-piloto equitativas.

Escolher a via de implementação adequada

A reabertura de cursos de água à luz do dia é geralmente incorporada nas práticas municipais através de uma de duas vias.

A primeira consiste em obras públicas de infraestruturas. A substituição de condutas, a separação de esgotos, a reconstrução de estradas, a renovação de parques, a recuperação de ravinas e os projetos de controlo de cheias oferecem aos municípios oportunidades para avaliar se um curso de água deve permanecer subterrâneo. Esta via é especialmente promissora em terrenos públicos, onde o município tem maior controlo sobre o projeto, o acesso público e a manutenção.

A segunda via é a reabilitação privada. Grandes terrenos industriais, comerciais, terrenos abandonados ou em zonas de trânsito podem proporcionar espaço suficiente para restaurar o leito de um curso de água, acomodar águas de cheia e estabelecer vegetação.

O momento certo é fundamental. Uma vez consolidados os edifícios, as estradas e as densidades de desenvolvimento, torna-se muito mais difícil a recuperação de um curso de água. Os municípios devem analisar atempadamente os grandes terrenos e tornar transparentes as decisões relativas à afetação de terrenos, aos direitos de desenvolvimento, ao acesso público, aos custos de construção e à manutenção.

O Still Creek, em Vancouver, mostra como o investimento municipal, as oportunidades de reabilitação urbana, o planeamento da bacia hidrográfica e a gestão comunitária podem apoiar uma restauração gradual, em vez de um único projeto determinante.

Ao longo de mais de duas décadas, a cidade e os seus parceiros concretizaram projetos específicos para cada local, envolvendo a restauração de habitats, a gestão das águas pluviais e o acesso público, incluindo um projeto de recuperação do curso de água financiado por um promotor imobiliário, concluído em 2009.

Os planos atualizados associam agora a futura restauração à reabilitação urbana e à gestão das cheias, enquanto as organizações comunitárias contribuem através da gestão responsável e da monitorização do salmão.

Criar um programa que aprenda

Um projeto de renaturalização de um curso de água não termina quando a construção fica concluída. A vegetação vai-se estabelecendo, as condições da água mudam e as comunidades utilizam os novos espaços públicos de formas inesperadas. Os municípios devem, por isso, seguir um ciclo adaptativo: mapear, avaliar, conceber em conjunto, implementar, monitorizar, aprender, ajustar e expandir.

A monitorização deve abranger o desempenho em caso de cheias, a qualidade da água, o habitat, a utilização pública, a acessibilidade, os custos de manutenção e a equidade. Os municípios devem, em seguida, utilizar as conclusões para gerir os locais concluídos e melhorar a seleção e a conceção de projetos futuros.

A equidade também requer uma atenção contínua. Espaços públicos atraentes podem aumentar a atratividade do bairro e a pressão de desenvolvimento. Medidas de habitação a preços acessíveis, benefícios para a comunidade e monitorização contínua podem ajudar a garantir que os residentes partilhem dos ganhos.

Ampliar um programa de recuperação de cursos de água à superfície não significa necessariamente construir um projeto de maior dimensão. Pode significar criar um conjunto interligado de intervenções de menor escala que restaurem gradualmente a função da bacia hidrográfica.

A recuperação de cursos de água à superfície não será viável em todos os locais. No entanto, sem um programa claro, os municípios nunca poderão identificar onde tal seria possível.

A principal lição de Seul e Zurique é que as cidades devem tratar os cursos de água enterrados não apenas como elementos naturais esquecidos. Trata-se de sistemas ecológicos, infraestruturas climáticas e, se desenvolvidos com cuidado, espaços públicos de que todos os residentes podem desfrutar.

sábado, 29 de agosto de 2026

OVAR: RIO CÁSTER COM ÁGUA ESCURA E MANCHAS DE ESPUMA

  • A água do rio Cáster apresentava-se muito turva e com manchas de espuma à superfície em consequência de mais uma descarga poluente. Algumas dessas massas espumosas acumulam-se junto à vegetação das margens formando camadas de sobrenadante com aspecto oleoso. Este tipo de descargas de poluentes para o rio continuam a ocorrer com alguma frequência, degradando o ecossistema e comprometendo a qualidade da água, tornando a incompatível com a vida, pelo que a associação ‘Os Amigos do Cáster’ pede investigação urgente para detetar a origem das descargas. Para além da denúncia àquela força de segurança, os Amigos do Cáster apelaram à Câmara Municipal para que se empenhe na identificação da fonte daquelas descargas poluentes, e na permanente articulação com a GNR no sentido do apuramento e atribuição de responsabilidades. Fonte.
  • O Governo aprovou o denominado “Mapa Verde” das energias renováveis depois de dois organismos públicos terem chumbado formalmente a proposta e de outros terem assinalado desconformidades legais, falhas cartográficas e riscos para a água, as florestas, os solos e o património. Foram anunciadas mais de 800 zonas, mas continua por divulgar a cartografia final e por explicar como foram ultrapassadas as objecções técnicas. P1.
  • Duas mulheres fizeram circular uma petição pedindo à sua cidade que deixasse os eleitores decidir sobre um centro de dados. Agora, a cidade está a processá-las por causa disso. O litígio centra-se num projeto de centro de dados promovido pela DAMAC Digital, com sede no Dubai, previsto para um armazém no Logistics Park Kansas City, nos arredores de Edgerton, no condado de Johnson. Kim Twente e Carrie Schmidt, juntamente com outros membros da comunidade, reuniram assinaturas suficientes para incluir uma votação sobre o centro de dados no boletim de voto de novembro, invocando preocupações com o ruído, a qualidade do ar e o impacto ambiental que estas instalações podem ter nas comunidades vizinhas. A cidade afirma na sua ação judicial que proibir centros de dados por serem considerados um «incómodo» não é legal e está agora a processar ambas as mulheres, juntamente com a organização sem fins lucrativos fundada por Twente, a Public Trust Collective. Fonte.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

SUÍÇA QUER FLORESTAS MAIS RESISTENTES AOS INCÊNDIOS

Covão da Ametade
  • Para tornar as florestas mais resistentes aos incêndios, a Suíça está a testar uma abordagem que se baseia na gestão tradicional da terra. Isto implica uma mudança deliberada, afastando-se da silvicultura moderna e uniforme, no sentido de criar paisagens mais diversificadas e abertas, muito semelhantes às que são geridas através de práticas agrícolas tradicionais. O cerne do novo método reside na fragmentação da cobertura florestal contínua, para impedir que os incêndios se propaguem facilmente. Fonte.
  • Calor extremo na Flórida: aumenta o risco de intoxicação por pesticidas para os trabalhadores agrícolas. Novas evidências científicas alertaram para uma dupla ameaça nos campos do sul dos EUA, onde milhares de trabalhadores agrícolas enfrentam uma combinação que pode agravar os danos imediatos e as sequelas a longo prazo. Fonte.
  • Os bastidores do acordo secreto para um centro de dados de 10 mil milhões de dólares na zona rural da Carolina do Norte. Os residentes afirmam que foram excluídos do processo de tomada de decisões relativo a um projeto que inclui centenas de geradores a gasóleo poluentes. Fonte.

BICO CALADO

  • “(…) Tornar praias privadas, transformar bairros em zonas de luxo e escolas e hospitais públicos em guetos não é só o produto da especulação e da austeridade avara no investimento do Estado. É mesmo um projeto político. É garantir um sistema de castas, que concentra o poder e a riqueza num punhado pequeno de gente, ao mesmo tempo que produz hordas de espoliados, prontos a ser explorados ou dizimados sem culpa, de acordo com as necessidades do mercado. Porque tudo é mercadoria. O trabalho não é um ofício e uma arte, mas uma troca precária. A saúde e a educação não são direitos, são privilégios que se pagam. A própria inteligência pode ser alugada. Sim, alugada, porque a propriedade passou a ser temporária, feita de licenças renováveis. (...)” Margarida Davim, Visão 21ago2026.
  • Estes ‘jornalistas’ sabem o que andam a fazer?
  • Um alto dirigente da OpenAI, Dean Ball (diretor de perspetivas estratégicas e antigo colaborador da Casa Branca durante a administração Trump), provocou uma onda de críticas ao classificar a Segurança Social como «uma espécie de fraude contabilística» que deve ser desmantelada. Os críticos reagiram rapidamente. Uns assinalaram a contradição entre as promessas da indústria da IA de um rendimento básico universal e de uma abundância sem precedentes, e o apelo de Ball para eliminar um modesto subsídio de 2 000 dólares por mês destinado aos idosos. Outros salientaram que Ball ignorou o papel dos cortes fiscais republicanos a favor dos mais ricos no aumento da dívida pública. Outros ainda descreveram os comentários como «funcionalmente insanos» e desligados da realidade, questionando por que razão foi permitido que os executivos das grandes empresas tecnológicas, que pretendem destruir o programa de segurança social mais popular do país, acumulassem tanto poder. Entretanto, analistas de sondagens e comentadores destacaram que a Segurança Social goza de um vasto apoio bipartidário, tornando os ataques contra ela politicamente desastrosos. Fonte.
  • As exportações de armas israelitas per capita em 2025 foram cerca de seis vezes superiores às dos EUA e 19 vezes superiores às da Rússia. O mais recente estudo da autora palestiniana-americana Susan Abulhawa revelou que Israel exportou armas a um ritmo equivalente a cerca de 263 dólares por cidadão em 2025, em comparação com 41 dólares por pessoa nos EUA e 14 dólares na Rússia.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

DESLARRRGUEM A ARRÁBIDA: SÁBADO, 29 AGOSTO - 19H

  • A luta contra a privatização das praias continua. O movimento Deslarrrguem a Arrábida continua a convocar ações de protesto para que o tema não caia no esquecimento. A ação convocada pelo movimento está marcada o próximo sábado, dia 29 de agosto, às 19h, na Praça do Bocage, em Setúbal. É uma concentração que terá um elemento de flashmob. Por isso, o movimento está a apelar a que toda a gente traga toalhas de praia como sinal de protesto pelo que nos querem tirar.
  • A Quercus considera que a renovação da licença ambiental das Minas da Panasqueira não deve avançar enquanto não forem esclarecidas as dúvidas existentes sobre os riscos e os passivos ambientais associados à exploração mineira. Segundo o relatório técnico do MiningWatch Portugal, há lacunas relacionadas com a estabilidade geotécnica e sísmica das barragens de rejeitados, a capacidade da Estação de Tratamento de Águas Mineiras para responder a períodos de elevada pluviosidade e a inexistência de estudos atualizados sobre possíveis cenários de rotura. O documento aponta ainda para a ausência de um inventário completo dos passivos ambientais históricos ainda presentes na exploração. A Quercus destaca também o deslizamento ocorrido a 29 de janeiro na Ribeira de Cebola, que arrastou resíduos inertes tóxicos, incluindo metais pesados como chumbo e arsénio, levando à suspensão preventiva de uma captação de água local. Seis meses depois do incidente, a captação continua suspensa, sem que tenham sido divulgados os resultados da monitorização ou os critérios para uma eventual reativação. Outro dos principais alertas da Quercus está relacionado com a qualidade da água e os potenciais impactos nas populações a jusante. A associação lembra que a Ribeira do Bodelhão integra o mesmo curso de água que alimenta a albufeira de Castelo de Bode, uma das principais origens da água captada e tratada pela EPAL para consumo humano em Lisboa e em cerca de 20 municípios da Área Metropolitana e do Oeste.
  • O rio Cáster transformado num “esgoto a céu aberto”. Fonte.

domingo, 23 de agosto de 2026

REFLEXÃO

QUE PRETENDE O ‘CLUSTER’ IPG E QUEM O MOVE?


O Industrial Portugal Gateway (IPG), um cluster de defesa promovido pela Luso Defense Group, fundada em 2025 em Portalegre, vai ser apresentado oficialmente no dia 25 de setembro. O foco tecnológico do cluster abrange setores de ponta altamente estratégicos, com especial destaque para sistemas de defesa aérea e anti-drone, robótica, veículos autónomos, aeroespacial, sensores, cibersegurança, comunicações encriptadas e proteção de infraestruturas críticas. E ainda Tecnologias de proteção civil, incluindo supressão de fogo por laser e indução de chuva localizada. Fonte.

Este cluster surge de forma abrupta e com aparência de mera fachada, parecendo mais uma estratégia para captar investimento do que uma iniciativa sustentada por uma massa crítica real de empresas, universidades ou centros de investigação. A própria estrutura do projeto confirma essa fragilidade: não atribui nem garante fundos públicos às empresas, limitando-se a “avaliar e preparar possíveis vias de financiamento”, cuja elegibilidade depende sempre de cada programa e projeto. Esta indefinição não oferece segurança financeira aos investidores e pode ser interpretada como uma promessa vaga.

Sem incentivos financeiros claros, o cluster dificilmente será competitivo face a alternativas em Espanha, Polónia ou nos países bálticos, que disponibilizam pacotes agressivos de apoio industrial. O risco é que o IPG se transforme numa mera “plataforma de facilitação”, sem capacidade para gerar investimento real.

A concentração num setor sensível — defesa, segurança e tecnologias de dupla utilização — numa região de fronteira levanta apreensão. A proximidade a Espanha pode ser vista como um ponto de vulnerabilidade em termos de segurança nacional, sobretudo num contexto europeu marcado por crescente militarização e tensão geopolítica.

Portalegre enfrenta ainda limitações estruturais significativas: baixa densidade populacional, dificuldades na retenção de talento e fraca conectividade logística quando comparada com polos industriais consolidados. Assim, esta aposta pode revelar-se mais simbólica do que realista, criando expectativas difíceis de cumprir.

A dependência do cluster em relação ao mercado externo constitui outro fator de risco. Alterações nas políticas de defesa dos países compradores ou crises económicas que reduzam os respetivos orçamentos podem afetar diretamente a sustentabilidade do projeto. Isto tornaria a economia local dependente de um setor politicamente volátil, sujeito a ciclos de investimento influenciados por tensões geopolíticas, prioridades da NATO ou decisões governamentais externas.

Importa também sublinhar que iniciativas deste tipo tendem a atrair mão de obra altamente especializada vinda de fora, não contribuindo para resolver o desemprego local nem a falta de qualificações na região.

O IPG afirma querer “substituir a fragmentação” através de um interlocutor único, mas existe o risco de duplicação de funções, conflitos de competência ou aumento da burocracia. A apresentação pública marcada para 25 de setembro ocorre sem que tenha havido um debate público alargado sobre os objetivos e impactos do cluster, deixando a população e os decisores locais perante um “facto consumado”.

Há igualmente um potencial conflito de interesses: a Luso Defense Group, promotora do cluster, é simultaneamente uma empresa do setor da defesa. Isto levanta dúvidas sobre a imparcialidade da iniciativa e sobre se os benefícios serão distribuídos de forma equitativa ou se servirão sobretudo os interesses da entidade promotora. A falta de transparência quanto ao modelo de negócio e à governança reforça essa desconfiança.

Por fim, a referência a tecnologias de indução de chuva — há muito contestadas pela comunidade científica — acrescenta mais inquietação. A geoengenharia da sementeira de nuvens, frequentemente apresentada por alguns empreendedores como solução milagrosa para proteger colheitas, tem sido associada a fenómenos meteorológicos imprevisíveis e, por vezes, destrutivos em regiões não antecipadas.


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

VILA REAL: DESCARGA ANORMAL DE ESGOTOS PODERÁ TER CAUSADO MORTE DE PEIXES NO RIO CORGO

  • Uma descarga anormal de águas residuais no rio Corgo, em Vila Real, pode ter sido a causa da morte de peixes e do odor anómalo. A APA adianta ainda que os indícios recolhidos até ao momento sugerem que esta descarga foi pontual e terá tido lugar entre os dias 15 e 16 de agosto, período em que se registaram episódios de trovoada acompanhados de precipitação na região. Fonte.
  • O gelo marinho tem vindo a desaparecer da Gronelândia Oriental, permitindo que baleias gigantes aproveitem a situação e se desloquem para áreas anteriormente inacessíveis. Esta é a conclusão de um estudo que se prolongou por décadas e que registou — e filmou — centenas das maiores baleias do mundo, incluindo baleias-jubarte, baleias-minke e baleias-de-barbatana, a alimentarem-se em mares sem gelo ao longo da costa durante o verão. Historicamente, nenhum destes mamíferos marinhos era encontrado nesta região, uma vez que o gelo os impedia de aceder às águas costeiras. Agora, à medida que as alterações climáticas aquecem o mar e derretem esse gelo, eles adaptaram-se. Fonte.
  • Tribunal bloqueia estrada que atravessa o Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Izembek. Fonte.

sábado, 15 de agosto de 2026

ESPANHA: NUCLEAR DE ALMARAZ VAI FUNCIONAR ATÉ 2030

  • A central nuclear de Almaraz, perto da fronteira portuguesa, vai poder funcionar pelo menos até 2030. O governo espanhol utiliza a crise no Médio Oriente como desculpa, citando a volatilidade do preço do gás como uma das razões mais significativas para esta decisão. O pedido de prolongamento do funcionamento das instalações tinha sido feito já em outubro de 2025 pelas empresas Iberdrola, Endesa e Naturgy. A Quercus e a Zero alertam para eventuais impactos negativos em caso de avaria/acidente com fuga de radiotividade. Fonte.
  • O Reino Unido está a pagar valores recorde pela importação de eletricidade da Europa este verão, devido a uma combinação de seca, ondas de calor e baixa produção eólica interna. Em maio, o país pagou £439 milhões por importações de energia, um aumento de 54% em relação a abril. A fatura total para os primeiros cinco meses do ano já atinge £1,7 mil milhões, e deve superar os £3,6 mil milhões de 2025. Fonte.
  • As faíscas provenientes da rede elétrica envelhecida da Grécia são responsáveis por uma percentagem desproporcional dos incêndios florestais mais destrutivos do país, de acordo com dados preliminares da Direção de Investigação de Crimes de Fogo Posto da Grécia e com as provas recolhidas em investigações recentes sobre incêndios. Fonte.
  • A Roménia encerrou a sua única central nuclear devido aos níveis de água extremamente baixos no rio Danúbio, causados por um período prolongado de calor que tem afetado grande parte da Europa. Não se prevê que a central de Cernavodă, onde dois reatores produzem cerca de 20 % da eletricidade da Roménia, volte a entrar em funcionamento nos próximos 10 dias. Fonte.
  • A África do Sul quer expandir a exploração de petróleo e gás offshore para impulsionar a economia, mas enfrenta forte oposição de comunidades costeiras, pescadores e organizações ambientais. Dois processos judiciais — contra a Shell e a TotalEnergies — podem travar os projetos por falhas nas consultas públicas e riscos ambientais. Críticos alertam que a exploração ameaça ecossistemas marinhos, meios de subsistência locais e compromete metas climáticas, enquanto o governo insiste que é essencial para o desenvolvimento económico. Fonte.
  • A Quercus vai apresentar queixa formal à Comissão Europeia sobre aprovação de projeto de citrinos em Alcácer do Sal. A Quercus alega que este projeto agroflorestal intensivo é altamente consumidor de água, numa região já sob severo stress hídrico, pondo em risco a sustentabilidade dos recursos hídricos e a biodiversidade local. Além disso, considera que a decisão foi feita contra a vontade expressa de praticamente todos os participantes na consulta pública, o que põe em causa a credibilidade dos processos de participação. A Quercus pondera ainda recorrer aos tribunais administrativos nacionais para solicitar a suspensão imediata da eficácia da DIA emitida e travar qualquer arranque ou execução de trabalhos no terreno. Fonte.
  • Consulta pública até 10 de setembro: Processo de Licenciamento Único Ambiental - Navigator Paper Figueira, SA (507747313), em Lavos, Figueira da Foz. Isto até parece sigiloso. Não é um processo público no sentido rigoroso do termo, será só para ‘peritos’ na matéria e não cremos que o façam pro bono. Mas ler a lista de resíduos produzidos (vd pp 49-53 do Formulário PL ) é de por os olhos em bico. É assim que se facilita a lavagem verde de uma empresa que abusa dos truques de tipo ‘greenwashing’.
  • O Ministério da Economia, a SCOF II Investments, a Entidade Nacional da Reserva Agrícola deram luz verde à construção de um hotel rural na Quinta Solar da Pousada, em Freguim, Amarante, promovido pela SCOF II Investments, empresa imobiliária local. Fonte.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

APENAS 15% DOS PORTUGUESES TÊM ACESSO ADEQUADO A ESPAÇOS VERDES URBANOS

Parque urbano de Paços de Ferreira

Segundo o relatório Lancet Countdown 2026as ondas de calor aumentaram 318% nos últimos 10 anos. Perante este agravamento, quer em termos de assiduidade, quer de intensidade, é urgente deixar de encarar os espaços verdes urbanos como um mero elemento paisagístico e sim como uma infraestrutura essencial de adaptação climática, capaz de arrefecer as cidades e proteger a saúde de quem nelas vive. De acordo com um estudo da Comissão Europeia em parceria com a Universidade de Copenhaga, abrangendo 862 cidades europeias, nenhum município português ultrapassa os 15% de população com acesso adequado a espaços verdes urbanos. Coimbra surge como o melhor exemplo nacional, ainda assim entre apenas 8% e 15%, enquanto Porto, Viseu e Paredes se situam num patamar intermédio, entre 4% e 8%. O panorama agrava-se nas maiores cidades: Lisboa não ultrapassa os 4%, e Setúbal e Faro registam os piores resultados do país, com menos de 2% da população a beneficiar de proximidade adequada à natureza. Estes números colocam Portugal entre os países europeus com pior desempenho neste indicador.
Seguindo o referencial 3-30-300 que cada pessoa consiga ver pelo menos 3 árvores a partir de sua casa; que cada bairro tenha, no mínimo, 30% de cobertura de copa arbórea; e que nenhum residente esteja a mais de 300 metros de distância de um parque ou espaço verde de qualidade.

Em relação a Portugal, o documento da Lancet destaca as normas nos riscos relacionados com o calor e os seus impactos na saúde, as alterações nos riscos de doenças infeciosas sensíveis ao clima e aumento do perigo de incêndios florestais, demonstrando como as alterações climáticas estão a moldar os riscos para a saúde em diferentes partes do país, ao mesmo tempo que considera as alterações ambientais a longo prazo, como a perda de cobertura arbórea.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

REINO UNIDO: SUBMARINOS NUCLEARES PROTEGEM POPULAÇÃO?

  • Os submarinos nucleares irão «proteger a população», afirma o primeiro-ministro britânico Andy Burnham numa visita a Barrow para anunciar um investimento de 8,4 mil milhões de libras em mais armas de destruição maciça. Fonte.
  • À medida que a IA consome grandes quantidades de água e energia, já nos vemos perante uma escolha: centros de dados ou residências? John Harris, The Guardian.

REFLEXÃO

O TELHADO CHEGAVA
Ricardo Meireles, Substack. (Resumo: O'Lima)

Academia de Ginástica de Guimarães, classe A++ no sistema LiderA e projectada para ser energeticamente independente. A avaliação do PSZAER enumera as áreas artificializadas como alternativa ao solo rústico. A alternativa já existe, e o mapa ignorou-a. Foto: Ricardo Meireles

Durante um apagão na Península Ibérica, uma casa com painéis solares ligados à rede ficou às escuras, enquanto outra, com painéis e baterias de chumbo num sistema isolado, manteve a luz acesa porque os sistemas ligados à rede desligam-se por segurança quando a rede cai. Mas há aui um truque: o sistema foi desenhado para privilegiar a rede em detrimento da família.

Em 2007, o Estado português incentivou a microprodução doméstica com tarifas bonificadas. Em 2014, esse regime foi revogado e a remuneração passou a ser definida por licitação, sempre a descer. A partir de 2022, os excedentes de autoconsumo ficaram indexados ao mercado grossista, onde o preço da energia frequentemente chega a zero nas horas de sol. Quem investiu viu o retorno fugir.

Entretanto, o Estado manteve intactas as rendas da EDP — 3,4 mil milhões de euros em indemnizações, incluindo 510 milhões consideradas "rendas excessivas". Durante a austeridade, o governo preservou essas rendas para não desvalorizar a empresa antes da sua privatização.

Agora, o Programa PSZAER designa 456 mil hectares de solo rústico para acelerar projetos de energias renováveis, dispensando avaliação ambiental individual. A área necessária para cumprir as metas do PNEC 2030 ronda 1% do território, mas o mapa identifica 7% — sete vezes mais. E, curiosamente, o mapa afasta-se das áreas artificializadas (telhados, cidades) e concentra-se em zonas rurais, muitas delas ocupadas por eucaliptais.

Vai alimentar toda esta área? Tudo aponta para os centros de dados. Só o projeto da Start Campus em Sines prevê 1,2 gigawatts, praticamente um quinto do pico de consumo nacional. Para alimentar um único cliente industrial com solar são precisos 10 a 12 mil hectares de painéis. O cabo submarino da Google anunciado para Sines e os 40 mil milhões de dólares em investimento em IA fazem de Portugal o quintal solar dos EUA.

No fundo, está a sacrificar-se solo que poderia criar húmus, reter água e resistir ao fogo para vender energia barata a compradores que podem mudar de continente. Estamos perante a velha tragédia portuguesa: vender a matéria-prima e ficar sem o valor acrescentado, como aconteceu com a celulose, o azeite, o lítio. "Que país continua a vender a terra a metro quadrado, quando é da terra, e só dela, que vai depender sobreviver ao que aí vem?"

BICO CALADO

Foto: Ronen Tivony/NurPhoto/Shutterstock
  • A Deloitte e a implosão do Ministério da Educação. António Teodoro, Público.
  • Donos do Pingo Doce registam influência nos media: 4.751 notícias valeram 165 milhões. A Fundação Francisco Manuel dos Santos construiu uma extensa presença mediática, com parcerias que alcançam praticamente todos os grandes grupos de comunicação social. O relatório da fundação contabiliza milhares de notícias e atribui-lhes um valor publicitário equivalente de 165 milhões de euros, mas omite aquilo que importa conhecer: quanto é pago aos órgãos de comunicação social no âmbito dessas relações. Página Um.
  • Entrou em vigor o Decreto-Lei n.º 160/2026, de 4 de agostoque altera o Código das Expropriações e atribui às Assembleias Municipais a competência para declarar a utilidade pública das expropriações promovidas pelas Câmaras Municipais, eliminando a necessidade de validação prévia por parte do Governo. Esta manobra não é mais do que a descentralização da coação. Os autarcas passam a ser os testas de ferro de uma engrenagem forjada em secretarias tecnocráticas, que visa transformar o país numa zona franca industrial para a transição energética e a inteligência artificial de gigantes como a Sonnedix ou a Lightsource bp. Aquilo que nos vendem como modernização e autonomia é, pura e simplesmente, a delegação de poderes de espoliação. Assim que uma câmara municipal ganha o poder de expropriar ao abrigo de critérios de utilidade pública desenhados pelas prioridades climáticas ibéricas, o território deixa de ser de quem o trabalha para ser de quem primeiro apresentar um projeto de painéis ou de cabos. A lei acomoda-se, os fundos entram pela porta do cavalo, os escritórios de advogados montam os negócios e os autarcas assinam os despejos.

sábado, 8 de agosto de 2026

REFLEXÃO

A MÁSCARA DA TRANSPARÊNCIA CAIU

Foto: Mila Brigas/Universidade FM

Enquanto nos vendem a "transição verde" como a salvação do planeta, nos bastidores do poder, em Bruxelas, o jogo é outro. A recente condenação da Comissão Europeia pela Provedora de Justiça Europeia, Teresa Anjinho, expõe uma realidade sombria: o povo está a ser mantido no escuro enquanto projetos mineiros gigantescos avançam sobre as nossas terras, as nossas águas e o nosso futuro.

A Provedora de Justiça Europeia não usou meias palavras. Concluiu que a Comissão Europeia cometeu um caso de má administração. O crime? Recusar o acesso público a documentos ambientais cruciais sobre projetos de lítio classificados como "Estratégicos". Entre eles, a nossa já bem conhecida e polémica Mina do Barroso, em Boticas.

Bruxelas tentou esconder-se atrás do argumento de que as candidaturas das mineiras eram "comercialmente sensíveis". Mas Teresa Anjinho foi implacável: essa comparação é inadequada. Estes projetos não são simples concursos comerciais; são decisões de interesse público com impactos devastadores na vida das pessoas. Ao inspecionar os ficheiros, a Provedora descobriu que muito do que Bruxelas dizia ser "secreto" era, na verdade, informação genérica ou já pública. Então, porquê o secretismo? O que é que eles não querem que o povo saiba?

Mina do Barroso: O Epicentro da Revolta

A Mina do Barroso tornou-se o símbolo desta luta. Classificada como "Estratégica" por Bruxelas, o projeto da Savannah Resources tem sido empurrado goela abaixo dos portugueses. A organização ClientEarth e a União de Defesa de Covas do Barroso (UDCB) têm denunciado o que parece ser um atropelo sistemático das salvaguardas ambientais.

Como pode um projeto ser "estratégico" se destrói a biodiversidade, ameaça os recursos hídricos e ignora a vontade de quem lá vive? A decisão da Provedora de Justiça é uma vitória moral para estas comunidades, mas é também um alerta: se Bruxelas reconhece um projeto como estratégico, tem a obrigação de explicar ao público como é que os impactos ambientais serão monitorizados e resolvidos. Até agora, a resposta tem sido o silêncio e as portas fechadas.

O Triângulo do Lítio em Portugal: Barroso, Romano e Argemela

Mas o escândalo não fica por aqui. Além do Barroso, o povo português enfrenta outras duas frentes de batalha: a Mina do Romano, em Montalegre, e a Mina da Argemela, no Fundão. Estes três projetos formam um triângulo de incerteza e medo.

A inclusão destes projetos em listas "estratégicas" da União Europeia, muitas vezes através de processos pouco claros e com indícios de pressão política, é um insulto à democracia. O projeto "Lift One", da Lifthium Energy, focado no processamento, também se junta a esta lista. A pressa de Bruxelas em garantir o "ouro branco" para as baterias europeias está a criar zonas de sacrifício em Portugal.

Onde Está a Proteção do nosso Povo?

A pergunta que todos fazemos é simples: por que mãos andamos a ser governados? A Comissão Europeia, que deveria ser a guardiã dos tratados e a defensora dos cidadãos, parece estar mais preocupada em satisfazer os interesses das grandes mineiras do que em proteger o ambiente e a saúde pública.

A invocação da Convenção de Aarhus, que garante aos cidadãos o acesso à informação ambiental, foi ignorada por Bruxelas sob o pretexto de que os dados eram "hipotéticos". A Provedora de Justiça discordou frontalmente: as emissões futuras são previsíveis e os dados são objetivos. Esconder estes dados é uma violação direta dos direitos dos cidadãos europeus.

Não Seremos Zonas de Sacrifício

Esta reportagem não é apenas sobre minas; é sobre governança, ética e dignidade. Não podemos aceitar que a transição energética seja feita à custa da destruição das nossas comunidades e do secretismo institucional.

O povo não pode ser tratado como um obstáculo ao progresso, mas sim como o seu principal beneficiário. Se Bruxelas quer lítio, tem de o fazer com transparência total, com respeito pelas leis ambientais e, acima de tudo, com o consentimento de quem vive na terra.

BICO CALADO

Foto: Javier Aparicio/EPA
  • "A cunha que resultou. A exceção de Salazar para os condes de Sabugosa. Um dos pilares da ponte caía sobre a propriedade dos condes de Sabugosa, que inclui um palácio e um jardim. A família, com acesso direto a Salazar, ficou alarmada e moveu influências para preservar a propriedade, conta Luís F. Rodrigues em A Ponte Inevitável. O próprio Salazar intercedeu a favor - um desvio no pilar salvou a propriedade." Fonte: Revista Sábado 5-11 agosto 2026.
  • “(…) Portugal produz, e em grande escala, comentadores. Não é uma produção qualquer. É uma produção intensiva. Quase industrial. Enquanto outras nações extraem minerais do subsolo, nós extraímos conclusões a todas as horas do dia e da noite. (…) A Suíça tem montanhas. A Arábia Saudita tem petróleo. Nós temos opiniões. E quem tem opiniões tem “opinadores”. E fazemos deste recurso a nossa melhor indústria. (…) Porque, e observando atentamente o país, percebe-se que já não existem acontecimentos. Existem apenas pretextos para interpretar. (…) Os gregos inventaram a democracia. Os romanos inventaram o direito. Portugal inventou a mesa-redonda permanente. A nossa verdadeira instituição nacional já não é o Parlamento. É o painel. (…) E o painel é uma criação genial. Reúne quatro pessoas visionárias que discordam em absoluto umas das outras para explicarem, durante uma hora, que a realidade confirma precisamente aquilo que cada uma delas pensava antes dos factos acontecerem. Isto é uma forma superior de conhecimento. Aristóteles acreditava que a observação devia preceder as conclusões. Nós ultrapassámos essa fase primitiva. As conclusões já vêm prontas de fábrica. Os acontecimentos limitam-se a confirmar a encomenda. (…) Imagine-se a perda de tempo que seria esperar pelos factos. Os factos são lentos. As convicções são imediatas. E vivemos numa época que valoriza a produtividade. (…) E nem sequer é necessário conhecer profundamente os temas abordados. Essa é práxis antiga. O comentador contemporâneo não trabalha com conhecimento. Trabalha com posicionamento. O conhecimento exige investigação, e isso cansa. O posicionamento exige apenas rapidez, e isto é produção em grande escala. É por isso que os grandes comentadores conseguem falar com igual autoridade sobre geopolítica, educação, habitação, energia, futebol, inteligência artificial, sistemas eleitorais, alterações climáticas, fertilizantes agrícolas, a sexualidade na menopausa e o comportamento reprodutivo do ornitorrinco. (…) O país gosta de ser explicado. Aliás, suspeito que gostamos mais de explicações do que de soluções. As soluções possuem um defeito irritante: exigem pensar. E o pensamento exige trabalho. (…) Se um dia desaparecer a agricultura, não tenho dúvida de que iremos sobreviver. Se desaparecer a indústria, facilmente nos iremos adaptar. Se desaparecer o turismo, reinventamo-nos. Mas se desaparecerem os comentadores, Portugal ficará perante um problema verdadeiramente existencial. (…) Não quero sequer imaginar tal cenário. Seria o caos. Milhões de cidadãos abandonados à terrível responsabilidade de pensar por conta própria. (…)” Luís Ochoa.

sábado, 1 de agosto de 2026

GERÊS: VOLTA A PORTUGAL NÃO PODE ENTRAR


A Lei é clara para áreas de proteção parcial de tipo I, onde se define no artigo 14 do Plano de Ordenamento o que se pode e o que não se pode fazer: a atividade humana está estritamente limitada a fins científicos, ambientais, de manutenção, de gestão de ecossistemas e ao uso tradicional pela população local, como o pastoreio extensivo ou o trânsito de residentes. As atividades de visitação e turismo são permitidas apenas em caminhos ou estradas autorizados.

A organização da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta pediu um parecer ao Instituto da Conservação da Natureza (ICNF) em relação a uma passagem pelo Parque da Peneda-Gerês.

"Eu lamento que, periodicamente, haja tentativas de utilizar o parque para eventos, sejam desportivos, ou industriais, como aconteceu no ano passado, com a questão do grande parque eólico no coração do Gerês”, afirma Miguel Dantas da Gama do Conselho Estratégico do Parque Natural da Peneda-Gerês. “Estamos a falar do melhor que temos em termos de conservação natural, de património natural. Não passa pela cabeça de ninguém fazer-se aquilo em relação a outro tipo de património, nomeadamente histórico ou arquitetónico, no Gerês, ou noutro património natural, é sistematicamente ignorado." continua.

Miguel Dantas da Gama critica ainda as declarações do presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, Manuel Tibo, que disse não ter percebido a polémica da questão, lembrando que a via é utilizada diariamente por carros e motas.

"Não podemos justificar um mal com outro mal existente. Lamentavelmente, essa zona é submetida a uma pressão principalmente nesta altura, porque as pessoas querem aceder às chamadas piscinas naturais, afirma Miguel Dantas da Gama. “ Eu lamento que a autarquia justifique uma iniciativa alegando outra realidade que também é negativa. Portanto, a questão devia passar por resolver essa pressão que existe na circulação exagerada de viaturas motorizadas numa zona especialmente sensível do parque e não justificar uma nova iniciativa e abrir um precedente grave", afirma.

Caso se concretize a passagem da Volta a Portugal pela Mata de Albergaria, Miguel Dantas da Gama admite avançar para a Justiça. Fonte.

ALBÂNIA: DE QUEM É A COSTA?


  • O boom turístico na Albânia está a acelerar projetos de construção em grande escala em zonas costeiras ambientalmente sensíveis. Os ecossistemas protegidos estão cada vez mais sob pressão devido a empreendimentos turísticos promovidos como projetos de importância estratégica nacional. Este modelo de «desenvolvimento» traz poucos benefícios às comunidades locais, concentrando os lucros num pequeno número de promotores privados à custa dos recursos naturais e dos ecossistemas da Albânia. As alterações na governação ambiental e nos procedimentos de planeamento facilitaram o desenvolvimento em áreas anteriormente sujeitas a uma proteção mais rigorosa. As alterações à legislação que rege as áreas protegidas coincidiram com uma aceleração na aprovação de empreendimentos de luxo em grande escala, suscitando sérias preocupações quanto à transparência e aos processos de tomada de decisão. Há um padrão consistente de intervenção governamental direta através de reformas legislativas, decisões estratégicas de investimento e aprovações de planeamento que tem facilitado um modelo turístico insustentável, beneficiando poderosos interesses privados e acelerando simultaneamente a degradação dos ecossistemas da Albânia. Fonte.
  • Os níveis historicamente baixos do Danúbio obrigam ao encerramento da única central nuclear da Hungria. Fonte.
  • «Toxic Ground», uma investigação transfronteiriça sobre a crise oculta dos aterros sanitários na Europa, apoiada pela Journalismfund Europe, foi galardoada com o Prémio de Jornalismo Ambiental 2026 pela Association des journalistes écrivains pour la nature et l'écologie e pela Université Paris Dauphine-PSL. Coordenada por Juliet Ferguson, a investigação foi realizada pela Investigate Europe e pela Watershed Investigations, com uma equipa de 11 jornalistas. Combinando a análise de dados originais com um extenso trabalho de reportagem no terreno, mapearam mais de 60 000 aterros em toda a Europa, revelando que milhares deles se situam em zonas de risco de inundações, áreas de proteção da água potável ou locais sensíveis de conservação. Na ausência de uma base de dados abrangente a nível da UE e face à fragmentação dos registos nacionais, a equipa elaborou o que é, até à data, a avaliação pública mais completa dos riscos associados aos aterros sanitários na região.
  • Os estados do Tennessee, Louisiana, Oklahoma, Utah e Idaho, todos com governadores republicanos, dizem aceitar resíduos nucleares de todo o país em troca de apoio federal ao desenvolvimento da energia nuclear, com vista à criação de milhares de postos de trabalho, ajudando assim os EUA a recuperar a sua liderança no domínio da energia nuclear civil. Fonte.
  • Chamas aproximam-se de central nuclear de Dunwich Heath, no Reino Unido e obrigam a ativar medidas de emergência. Fonte.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

SOUSEL: PARQUE EÓLICO DA NORTADA EM MARCHA

  • A Hyperion Renewables já iniciou a construção do Parque Eólico da Nortada no concelho de Sousel, marcando a estreia da empresa na exploração de energia eólica em Portugal e estabelecendo a primeira infraestrutura do género no Alto Alentejo. Desenvolvido em parceria com a Vestas e a Windpark, este empreendimento destaca-se como um dos pioneiros no país ao criar um sistema totalmente híbrido. A estrutura vai fundir três vertentes tecnológicas num único ponto de ligação à rede elétrica: a captação do vento, a energia solar fotovoltaica e o armazenamento em baterias de grande escala. Fonte.
  • Os esforços da Flórida no combate à poluição continuam próximos de mínimos históricos, numa altura em que a maioria dos cursos de água do Estado não cumpre as normas de qualidade da água, revelando um programa de fiscalização «em crise», de acordo com um novo relatório.

terça-feira, 28 de julho de 2026

MATOSINHOS: PRAIA DE ANGEIRAS SUL DESACONSELHADA PARA BANHOS

  • A Agência Portuguesa do Ambiente desaconselha a ida a banhos na praia de Angeiras Sul, em Matosinhos, no distrito do Porto, devido a contaminação microbiológica. Fonte.
  • A Quercus alertou que a localização do novo aeroporto de Lisboa coloca em risco o maior aquífero da Península Ibérica e o abastecimento de água ao distrito de Setúbal e reforçou a necessidade de uma avaliação ambiental rigorosa. Fonte.
  • Na Rua de S. José, em Riachos, Torres Novas, um estabelecimento que fuesgnciona como lar de idosos descarrega águas residuais na rede de pluviais. O abuso persiste, apesar de o executivo camarário ter sido alertado por um morador que se considera lesado. Fonte.

domingo, 26 de julho de 2026

BORBA: DETIDOS POR CAÇA DE OURIÇOS-CACHEIROS

Foto: Francisco Clamote. 
  • GNR de Borba detém 5 homens por caça ilegal a ouriços-cacheiros, uma espécie em declínio. Fonte.
  • Pela primeira vez em França, um projeto de centro de dados foi suspenso por via de medida cautelar pela justiça, no departamento de Drôme. Uma vitória provisória, devida à ausência de um estudo de impacto ambiental para este projeto, cujo custo está estimado em 1,5 mil milhões de euros. Fonte.
  • O Ministério do Ambiente da Alemanha aprovou um projeto franco-russo para a produção de barras de combustível utilizadas em reatores de conceção russa na cidade de Lingen, no noroeste da Alemanha. O projeto de joint venture entre uma subsidiária da francesa Framatome e da russa Rosatom suscitou receios de espionagem, mas as autoridades alemãs afirmaram que não tinham qualquer possibilidade legal de o rejeitar. Fonte.
  • Os apicultores e ambientalistas em França reagiram com indignação depois de o parlamento ter aprovado um projeto de lei que reautoriza a utilização de dois neonicotinóides para combater doenças que destroem as culturas mas que irá matar as abelhas e reduzir as colheitas. Fonte.