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sábado, 4 de outubro de 2025

AVEIRO: CÂMARA RENOVA PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO COM A NAVIGATOR

  • A Câmara de Aveiro celebrou um protocolo de colaboração Navigator, dando continuidade a uma parceria que se iniciou em 2010 e que tem vindo a integrar diversos projetos de relevância local, ambiental e social. O acordo enquadra-se na estratégia de valorização da Zona Industrial de Cacia, onde se situam infraestruturas estratégicas como a Variante Rodoviária de Cacia, inaugurada em 2019, e a nova fábrica de papel tissue da Navigator, em funcionamento desde 2018. Com este protocolo, as duas entidades comprometem-se a desenvolver novas ações em áreas como a Educação Ambiental, a cooperação com a comunidade e a valorização da região. Entre os objetivos está também a dinamização do espaço florestal da Quinta de São Francisco, gerido pelo Instituto de Investigação da Floresta e Papel, de que a Navigator é sócio maioritário. O Protocolo garante também a participação da Navigator na cogestão das infraestruturas da CIRA em construção no Baixo Vouga Lagunar, com especial destaque para a Ponte Açude do Rio Novo do Príncipe. A Navigator assume um apoio financeiro à CMA no valor de 1.250.000€ tendo em consideração principal a redução dos seus custos pela ativação das novas infraestruturas do Rio Novo do Príncipe e do Baixo Vouga Lagunar. Fonte.
  • O número de mortes relacionadas com o calor em Espanha entre 16 de maio e 30 de setembro atingiu 3.832, um aumento de 87,6% em relação ao mesmo período de 2024, informou o Ministério da Saúde. Quase dois terços das mortes envolveram pessoas com mais de 85 anos e quase 96% tinham mais de 65 anos, informou o ministério em comunicado. Fonte.
  • O governo alemão vai investir mais de 2 mil milhões de euros até 2029 para apoiar o projeto do primeiro reator de fusão nuclear no país. Fonte.
  • Os ativistas que ocupavam o estaleiro de obras de um desvio rodoviário em Ardèche, França, foram expulsos pelas autoridades. Este desvio irá artificializar 3,2 hectares que abrigam numerosas espécies. Sem contar que este troço rodoviário é apenas uma parte de um projeto mais vasto de contorno da cidade de Valence, com 50 hectares de terras agrícolas e naturais. Fonte.
  • Na Europa, desaparecem 1.500 quilómetros quadrados de solo por ano. O desenvolvimento imobiliário, turístico e industrial continua a destruir áreas naturais e terrenos agrícolas a um ritmo insustentável, apesar de a União Europeia se ter comprometido a reduzir a zero o consumo líquido de solo. Fonte.
  • Na Lombardia, o glaciar Ventina derreteu demais: «Os geólogos já não sabem como medi-lo. Fonte.
  • Incinerador de Roma: Deputado Zaratti questiona o governo sobre possível conflito de interesses. Tudo porque o Comissário exerce simultaneamente três funções - a de autoridade competente para a Avaliação de Impacto Ambiental, a de cliente da empresa e a de Prefeito de Roma, além de acionista maioritário da ACEA , líder do consórcio vencedor. Fonte.

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

ESCÓCIA: RESÍDUOS RADIOTIVOS CONTAMINAM O LOCH LONG

  • Loch Long, no Clyde, Escócia, foi contaminado por resíduos radioativos provenientes do armazém de bombas nucleares do Reino Unido, onde velhos canos de água rebentaram repetidamente e causaram inundações. Em maio de 2025, The Ferret noticiou a ocorrência de 12 incidentes nucleares que poderiam ter provocado fugas de radioatividade em Faslane desde 2023. Fonte.
  • A incineradora de Beddington, operada pela Viridor, que serve quatro concelhos do sul de Londres (Croydon, Sutton, Merton e Kingston), ultrapassou os limites de poluição atmosférica em 916 ocasiões entre 2022 e 2024. Fonte.
  • A Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA (FEMA) suspendeu vários funcionários após críticas aos cortes e à suposta interferência do presidente Donald Trump na agência. Os funcionários estão entre aqueles que assinaram recentemente uma carta aberta alertando que outra catástrofe nacional semelhante ao furacão Katrina seria possível após as recentes ações da administração. Fonte.
  • O MSN alojou conteúdos gerados por IA que citavam peritos e instituições inexistentes no domínio do clima. No início de junho, o MSN, o quarto maior agregador de notícias do mundo, publicou um artigo de uma nova publicação centrada no clima, Climate Cosmos, intitulado: "Why Top Experts Are Rethinking Climate Alarmism". O artigo, da autoria de Kathleen Westbrook M.Sc Climate Science, citava uma descoberta do Global Climate Research Institute segundo a qual “65% dos profissionais do clima inquiridos defendem mensagens pragmáticas e centradas em soluções, em vez de avisos motivados pelo medo". Mas havia dois grandes problemas: o Global Climate Research Institute não existe, nem Kathleen Westbrook, cujo perfil no Climate Cosmos foi agora renomeado para "Henrieke Otte". O artigo acusava aqueles que defendem a ação climática de exagerarem os danos causados pela queima de combustíveis fósseis. Também promovia o trabalho de Bjorn Lomborg, que tem apelado repetidamente aos governos para suspenderem as despesas com a ação climática. Pior: este artigo viola as regras do próprio MSN em matéria de "conteúdos proibidos" para a publicação de informações falsas, que os parceiros do MSN têm de respeitar para aceder ao enorme alcance do agregador de cerca de 200 milhões de visitantes mensais. Fonte.

quinta-feira, 13 de março de 2025

NOVAS INCINERADORAS VÃO AUMENTAR FATURA DOS RESÍDUOS

  • O Governo de Luís Montenegro apresentou o plano TERRA – Transformação Eficiente de Resíduos em Recursos Ambientais. O plano prevê 1.500 milhões de euros para a construção de duas novas unidades de incineração (uma na região Centro e outra no Alentejo/Algarve), e da ampliação das unidades de Lipor e Valorsul. Considerando que este montante não poderá ser financiado através de fundos comunitários, pois a taxonomia não permite financiar soluções fim de linha, o Governo propõe que Portugal se endivide junto do Banco Europeu de Investimento. Portanto, direta ou indiretamente, cada português irá pagar mensalmente o aumento de custos na fatura dos resíduos causado por esta decisão, ao longo de muitos anos, e colocará uma enorme pressão sobre as contas das autarquias, diz a Zero. Para além do desperdício de recursos naturais, produzir eletricidade a partir da queima de resíduos urbanos implica emissões de gases com efeito de estufa acima das restantes fontes usadas para o mesmo fim. Fonte.
  • “Castro Almeida afirmou ao jornal Público, com o tom mais demagógico desde os tempos de Matos Fernandes, ex-Ministro do Ambiente, que a lei "muda completamente as regras sobre o uso do solo já que, a partir de agora, quem vai decidir sobre o alargamento da capacidade construtiva são as câmaras e as assembleias municipais, 'sem necessidade de colher um conjunto grande de pareceres que até aqui era obrigatório, achando ainda 'quase indecoroso pensar que esta alteração pode favorecer a corrupção". Indecoroso, já agora, cínico, é achar que somos todos parvos! No início do século passado, durante o crescimento da cidade de Lisboa uma vaga de construtores civis, oriundos de Tomar, fez fortuna à conta de construções de duvidosa qualidade e negócios pouco claros. Ficaram para sempre conhecidos como patos bravos, nome que ainda hoje define os empresários da construção civil, sejam sérios ou menos sérios. Castro Almeida, com a sua lei, ascendeu a encantador de patos bravos, câmaras municipais e suas assembleias. É caso para dizer, "only in Portugal"! Esta lei vai criar um El Dourado para a construção civil e, por tabela, para as autarquias com custos ambientais incalculáveis. Nada como branquear os obscuros esquemas montados que le- varam ao assassinato da península de Troia, assim como tantos outros locais por este país fora, querendo-nos fazer acreditar que as câmaras e suas assembleias são compostas por angelicais meninos do coro.” Pedro Vieira, Lei dos solos – o encantador de patos bravos. Jornal de Azeitão, fevereiro 2025.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

ENERGIA SOLAR: ABRANDAMENTO DA PROCURA PROVOCA FALÊNCIAS

Igor Metelskiy/2024 Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano

  • O crescimento da capacidade de produção de energia solar na Alemanha abrandou acentuadamente em 2024. O abrandamento da procura e o ritmo mais lento das instalações levaram à insolvência de várias empresas de energia solar sediadas na Alemanha ao longo do último ano, como a ESS Kempfle, a PV Fellensiek e a Solarmax. Outras empresas alemãs do setor da energia solar, como a Zolar, despediram trabalhadores, devido ao colapso da procura de energia solar residencial por parte dos proprietários de casas. Os principais mercados da UE, incluindo a Alemanha, a Áustria, a Itália, a Polónia, os Países Baixos, a Bélgica, a Suécia, a Espanha e a Hungria, registaram declínios substanciais no segmento dos sistemas solares residenciais, diz a SolarPower Europe. "Não se pode ter uma transição verde com números vermelhos. O sector tem de ser rentável", afirmou Dries Acke, diretor executivo adjunto da SolarPower Europe, comentando o abrandamento do mercado alemão e europeu da energia solar. Fonte.
  • O salmão está a desaparecer no sudoeste de França. Este esgotamento obrigou a prefeitura de Nouvelle-Aquitaine a proibir a pesca do salmão em toda a bacia do Adour, bem como nas costas das Landes e do País Basco, durante todo o ano de 2025. Fonte.
  • Os reguladores da Califórnia aprovaram uma proposta para adiar o encerramento da instalação de gás natural de Aliso Canyon, o local da maior fuga de metano conhecida na região, que obrigou milhares de famílias a abandonar as suas casas em Los Angeles em 2015. Fonte.
  • "Daqui a 10 anos podemos deixar de existir": a subida do mar e o afluxo de turistas ameaçam engolir a ilha do Panamá. Fonte.
  • O governo português aprovou no Decreto-Lei n.º 122/2024, de 31 de dezembro, a criação da Agência para o Clima, I. P. (ApC, I. P.), agregando serviços que transitam da Secretaria-Geral do Ministério do Ambiente, potenciando assim o planeamento e execução em matérias essenciais como o combate às alterações climáticas. A agência coordenará e gerirá fundos nacionais, europeus e internacionais, como o Fundo Ambiental, EEA Grants, Fundo Social para o Clima, Fundo de Modernização e Fundo Azul. A ApC também assumirá as competências da Agência Portuguesa do Ambiente (dela recebendo 140 funcionários) em matéria de clima e acompanhará o desenvolvimento do Mercado Voluntário de Carbono.


domingo, 29 de dezembro de 2024

REFLEXÃO: 2024, O BOM E O MAU

Zsolt Czeglédi/EPA

O BOM

  • A expansão da Rede de Áreas Marinhas Protegidas nos Açores.
  • O aumento do valor pago aos municípios e aos sistemas de gestão de resíduos pelo seu esforço na promoção da recolha seletiva de embalagens
  • O Plano Nacional Energia e Clima aumenta a participação das energias renováveis no consumo final de energia de 47% para 51% até 2030.
  • A Lei da Restauração da Natureza exige que todos os países restaurem pelo menos 20% dos ecossistemas terrestres e aquáticos da UE até 2030, com objectivos ainda mais ambiciosos para 2050.
  • As energias eólica e solar atingiram novos máximos na UE, ultrapassando pela primeira vez os combustíveis fósseis na produção de eletricidade.
  • A aprovação de lei que estabelece normas mínimas de eficiência, durabilidade e reciclabilidade para quase todos os produtos do mercado da UE.
  • A aprovação de novas regras que estabelecem limites mais rigorosos para os poluentes atmosféricos nocivos, obrigando os países a limpar o ar mais rapidamente e a garantir um futuro mais saudável para todos.
  • A adoção de uma nova lei que exige que as grandes empresas identifiquem e tratem as violações dos direitos humanos e os danos ambientais nas suas cadeias de abastecimento.

O MAU

  • A alteração ao regime de reclassificação do solo rústico em urbano.
  • A insistência na construção injustificada de barragens e a ausência de caudais ecológicos nos rios transfronteiriços
  • A insistência na incineração como solução da eliminação de resíduos
  • A exposição das áreas protegidas e classificadas à mineração


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

REINO UNIDO: QUEIMA DE LIXO DOMÉSTICO PRODUZ ELETRICIDADE E POLUI QUE SE FARTA

  • A queima de lixo doméstico em incineradores gigantes para produzir eletricidade é agora a forma mais suja de produzir energia no Reino Unido. Quase metade do lixo produzido nos lares britânicos, incluindo quantidades crescentes de plástico, está agora a ser incinerado. Os cientistas alertam para o facto de se tratar de um desastre para o clima - e alguns apelam à proibição de novas incineradoras. Fonte.
  • A Europa atravessa uma preocupante crise de dispersão de sementes, alerta um estudo de investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Segundo a investigação, um terço das 398 espécies de animais que dispersam sementes ou está já ameaçado de extinção ou as suas populações estão em declínio e poderão vir a enfrentar risco de extinção num futuro próximo. Por outro lado, pelo menos 190 espécies de plantas selvagens na Europa têm a maioria dos seus dispersores conhecidos ameaçados ou em declínio. Fonte.
  • A Solbian e a Sunspeker desenvolveram novos módulos solares para aplicações em sistemas fotovoltaicos integrados em veículos. Os módulos utilizam autocolantes personalizáveis e totalmente recicláveis que podem reproduzir imagens de alta definição, mantendo-se permeáveis à luz. Fonte.
  • 56 moléculas com um elevado risco de contaminação da água potável em França não são monitorizadas. Estas moléculas são metabolitos de pesticidas, ou seja, resultam da decomposição dos pesticidas após a sua disseminação no ambiente. Fonte.
  • Mais de 85% dos países não cumprirão o prazo estabelecido pelas Nações Unidas para apresentarem novos compromissos em matéria de natureza antes da Cimeira da Biodiversidade COP16 na Colômbia. Fonte.

domingo, 14 de janeiro de 2024

BÓSNIA: RESÍDUOS COBREM BACIAS HIDROGRÁFICAS

Vista aérea de resíduos flutuando no rio Drina, perto de Visegrad, Bósnia, 10 janeiro 2024. AP Foto: Armin Durgut
  • O lixo proveniente de lixeiras não autorizadas que pontilham os Balcãs Ocidentais é transportado durante todo o ano pelo rio Drina e pelos seus afluentes na Bósnia, Sérvia e Montenegro em direção a Visegrad, e a jusante até ao rio Danúbio, onde o Drina desagua. Mas no Inverno e no início da Primavera, os cursos de água da região incham e varrem uma quantidade tão grande de lixo de dezenas de aterros ilegais ao longo das suas margens que não conseguem escapar à vedação do rio instalada pela central hidroelétrica da Bósnia. Como resultado, pelo menos duas vezes por ano e durante algumas semanas, a cerca transforma-se na borda exterior de uma acumulação flutuante de garrafas de plástico, barris enferrujados, pneus usados, electrodomésticos, madeira flutuante, animais mortos e outros resíduos. Este cenário representa um perigo para a saúde publica e afasta os turistas. Todos os anos, cerca de 10.000 metros cúbicos de resíduos são removidos desta zona e levados para o aterro municipal da cidade para serem queimados. A fumaça e o lixiviado do aterro sempre em chamas também são um perigo para a saúde. Tudo isto é o resultado da destruição da Jugoslávia e das suas infraestruturas. De momento, a solução para este problema que se repete noutros sítios não passa da instalação  de barreiras de lixo como a de Visegrad. AP/Euronews.
  • A Agência de Controle de Poluição de Minnesota aconselhou os moradores a não abusarem da aplicação  de sal nas estradas neste inverno. O material é mau para lagos e rios, porque, uma vez que certos compostos de sal entram no abastecimento de água, é virtualmente impossível retirá-los. Neste momento, 50 lagos e cursos de água estão na lista de águas prejudicadas por causa do cloreto, e mais 75 estão perto de ser incluídos na lista. CHRISTOPHER INGRAHAM, Minnesota Reformer.
  • A temporada de férias é um ótimo momento para descansar, recarregar energias e, se estiver no governo, despejar um monte de anúncios enquanto o pessoal está distraído. Uma província que aperfeiçoou a arte do noticiário de dezembro no ano passado? Alberta. Entre as coisas que você pode ter perdido: As minas de areias betuminosas usaram mais água doce do que toda a cidade de Calgary. O governo de Alberta quer retirar algumas regras para limitar a expansão urbana. A província está a ficar para trás na garantia de que há dinheiro suficiente para a limpeza de petróleo e gás – mesmo que o regulador de energia torne possível às empresas obterem reconhecimento pela limpeza “parcial” de antigos poços. Drew Anderson, The Narwhal.

terça-feira, 2 de maio de 2023

Reflexão: As taxas de reciclagem de embalagens de plástico na Europa estão muito aquém dos objetivos da UE

Como cidadãos europeus, somos obrigados a separar os nossos resíduos domésticos, e muitos de nós fazem-no obedientemente. Em troca dos nossos esforços de separação, esperamos um sistema de resíduos circular, em que os resíduos de embalagens são reciclados e reutilizados vezes sem conta. É nisto que os produtores de plástico e os políticos querem que acreditemos. Mas esta imagem é uma ilusão. Cerca de 60% dos resíduos de embalagens não são reciclados. São queimados em incineradoras, exportados ou depositados em aterros - legal ou ilegalmente. E, enquanto as pilhas de resíduos aumentam e os oceanos e as paisagens ficam mais poluídos, a produção de plástico está a aumentar vertiginosamente. Prevê-se que triplique até 2060.

Os europeus produzem, em média, cerca de 35 kg de resíduos de embalagens de plástico por ano e, ao contrário do que se pensa, a maior parte não é reciclada. A investigação revela que as tentativas da UE para criar uma economia circular para os plásticos estão a falhar. E a enorme procura de plástico novo tem consequências dramáticas. A queima de resíduos aumentou 40% nos últimos anos e dezenas de novas incineradoras estão a ser construídas em todo o continente.

Além disso, os governos não estão a conseguir reprimir as operações ilegais de recolha de resíduos. A influência dos fabricantes e das marcas de plástico nos programas de gestão de resíduos está também a ter um impacto negativo nos esforços de reciclagem, uma vez que atuam como intermediários entre os municípios. Tudo isto está a conduzir a Europa para uma enorme crise de resíduos de proporções sem precedentes.

A maior parte das pessoas não tem conhecimento de que os plásticos reciclados estão de alguma forma contaminados ou ficam contaminados quando são novamente reciclados. Quando incinerados, libertam resíduos nocivos, bem como dióxido de carbono. E embora os sistemas modernos tenham ajudado a aliviar alguns receios ecológicos, os toxicologistas alertam contra a complacência, uma vez que os riscos de poluição permanecem ocultos.

InvestigateEurope.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Europa: floresce o negócio do lixo entre cidades

  • Roma vai passar a exportar 900 toneladas de lixo todas as semanas. A capital italiana está a afogar-se em lixo. Os quatro milhões de habitantes da cidade produzem mais lixo doméstico do que aquele que pode eliminar. Um comboio especial transportará parte deste lixo 1.700 km a norte para Amesterdão para incineração. A energia gerada a partir deste lixo irá aquecer casas da cidade. A AEB já o faz com cerca de 30.000 lares na cidade. O lixo é um grande negócio. A Holanda recebeu 24 milhões de toneladas de lixo em 2020. Há um intenso comércio de lixo entre cidades europeias. Hamburgo importa lixo dos Países Baixos. Copenhaga importa resíduos do Reino Unido. Viena importa resíduos de Itália e da Alemanha, que converte em energia. Mas grande parte dos resíduos da UE é exportada para fora do bloco - muitas vezes para a Turquia e Índia. Esta não é uma boa opção para o planeta. Uma abordagem sustentável envolve a minimização da quantidade de lixo produzido. Charlotte Elton, Euronews.
  • A gigante anglo-suíça do carvão Glencore confirmou a sua intenção de transformar a mina de carvão de Wandoan numa matéria-prima para a produção de hidrogénio sujo no projecto de hidrogénio da bacia do Surat. Isto significa ainda mais poluição do que a utilização direta dos combustíveis. Callum Foote, MWM.
  • A maquinaria pesada produzida pela coreana HD Hyundai Construction Equipment  é utilizada para a extração ilegal de ouro em Territórios Indígenas na Amazónia. Greenpeace.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Açores: Incineradora em S. Miguel é desnecessária porque não há resíduos suficientes

Incineradora da Ilha Terceira

  • Salvar a Ilha, movimento que une as associações ambientalistas Amigos dos Açores, ARTAC, núcleo de São Miguel da Quercus e Zero, quer que os 58 milhões de euros alocados à construção daquela estrutura sejam aplicados noutras utilizações "muito mais relevantes" a nível ambiental. Na base da afirmação estão os dados da última revisão do documento orientador da gestão de resíduos da Região, que prevê a produção de 155 mil toneladas de resíduos urbanos nos Açores em 2035, "das quais 100 mil serão recicladas e 18 mil irão para aterro, sobrando apenas 37 mil para incineração". Ora, para a Salvar a Ilha, este número (37 mil toneladas), "é inferior à atual capacidade instalada da incineradora da ilha Terceira, a qual é da ordem das 40 mil toneladas/ano". E uma vez que os resíduos para incineração não chegam sequer a esgotar a capacidade do equipamento gerido pela TERAMB, o movimento considera que se torna "desnecessário" avançar para a construção de uma incineradora na ilha de São Miguel. Além de desnecessário, "a construção deste mega incinerador vai impedir o cumprimento das futuras metas de reciclagem nessa ilha e mesmo em todo o arquipélago". "O projeto do incinerador prevê uma capacidade máxima de incineração de 89 mil toneladas por ano, pelo que, a concretizar-se, vai forçosa- mente ter de ser alimentado com muitos dos resíduos que poderiam ser reciclados, pois, caso isso não aconteça, o projeto torna-se financeiramente inviável" Uma situação que, dizem, já se verifica no equipamento existente na ilha Terceira, onde a taxa de reciclagem "tem vindo a diminuir desde que o incinerador entrou em funcionamento", bem como em outras regiões do país, onde foram instaladas incineradoras "sobredimensionados e que têm taxas de reciclagem bastante abaixo das metas comunitárias", como a Madeira, Lisboa (Valorsul) e Porto (Lipor). Entre as formas de aplicar a verba prevista para a incineradora da responsabilidade da MUSAMI, empresa intermunicipal que agrega os seis concelhos da ilha de São Miguel - o movimento suge- re a sua aplicação na "melhoria da recolha seletiva multimaterial (embalagens e papel) e de biorresíduos (resíduos orgânicos), através da recolha porta-a-porta", bem como na instalação de uma unidade de Tratamento Mecânico e Biológico na incineradora da TERAMB. Nuno Neves, AO.
  • Donos da Fabrióleo alvo de buscas em megaoperação que envolve herdade em AlmeirimAntónio e Isabel Gameiro, assim como os filhos que são donos de uma fábrica de tratamento de óleos semelhante à que laborava em Torres Novas, foram alvo de buscas domiciliárias. Megaoperação está relacionada com crimes de poluição na Herdade do Salgueiral e falsificação de guias de transporte. A GNR realizou buscas domiciliárias à residência de António e Isabel Gameiro, proprietários da Fabrióleo, empresa localizada em Carreiro da Areia no concelho de Torres Novas que o Estado encerrou em 2018. As buscas fizeram parte de uma megaoperação por crime de poluição e falsificação de documentos e  que para já culminou com apreensões e detenção de um homem de 40 anos por poluição e posse de arma proibida, no concelho de Almeirim. Depois de terem sido denunciados crimes ambientais na Herdade do Salgueiral, a megaoperação incidiu em 14 locais, entre os quais, a herdade, residências em empresas do grupo, incluindo três que pertencem à família Gameiro da Silva, dona da herdade. As empresas são a Extraoils, que tal como a antiga Fabrióleo transforma óleos vegetais usado em Vendas Novas, a Copalcis, que efectua lavagem de cisternas e a empresa de transportes Caltransvia, ambas sediadas no concelho de Alenquer. O Mirante.

sábado, 20 de agosto de 2022

Açores: incineradora incumpriu metas de reciclagem

O projeto não cumpriu as metas de reciclagem impostas na Declaração de Impacte Ambiental para 2020, tendo apenas atingido uma taxa de reciclagem de resíduos urbanos de 32,6% em 2020 quando o exigido é de 50%. BE quer ouvir Governo Regional sobre este incumprimento. Esquerda.

domingo, 17 de julho de 2022

José Trincão Marques: Falta músculo político e fiscalização para travar a proliferação de eucaliptos em Portugal

  • Perto das 20 horas desta sexta-feira (15jul2022) André Rafael Serra pilotava o avião anfíbio Fire Boss no combate ao incêndio em Urros, Torre de Moncorvo, quando foi abastecer junto ao rio Douro em Castelo Melhor, Vila Nova de Foz Côa. Com a aeronave atestada, logo à saída do abastecimento, na quinta do Crasto, bateu no primeiro socalco de uma vinha e bateu ainda em mais dois antes de cair. Carlas Soares, FamaTV.
  • A Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais (FNAPF) e a Associação da Indústria Papeleira (Celpa) pediram o aumento da área de eucalipto e de outras espécies de árvores de crescimento rápido em zonas de mato abandonadas para reduzir o risco de incêndio e desenvolver o setor. Lusa, via Agroportal.
  • Falta músculo político e fiscalização para travar a proliferação de eucaliptos em Portugal, um dos fatores que levam ao despovoamento e ao abandono dos territórios, sobretudo no interior, afirma José Trincão Marques, especialista em direito do Ambiente. Salienta a forte pressão do lóbi das celuloses, que agora até vem com o argumento de que os eucaliptos são dos maiores sumidouros de carbono, contribuindo para o combate às alterações climáticas. “Pode ser verdade, mas a que preço?”, questiona. “É necessário músculo político, porque o poder é um princípio constitucional. O poder económico deve estar subordinado ao poder político. Este é um princípio fundamental da nossa Constituição da República. E, volto a repetir, o lóbi das celuloses é fortíssimo em Portugal”. Lusa, via Agroportal.
  • Os ambientalistas da Zero e do Geota condenam o desordenamento florestal e lamentam o abandono da terra e a falta de gestão. Defendem o ordenamento florestal, alternando a mancha florestal com várias espécies. Lusa, via Agroportal.
  • Mario Draghi, primeiro-ministro de Itália, apresentou a sua demissão na sequência da abstenção do Movimento 5 Estrelas, seu parceiro de coligação, num voto de confiança no governo para avançar com um projeto de construção de uma incineradora para queimar os resíduos produzidos em Roma. O presidente Sergio Mattarella rejeitou a demissão.  HOMAS FAZI, Unherd.
  • George Monbiot vence prémio Orwell de jornalismo. Autor reconhecido pelo seu empenho de décadas em questões ambientais negligenciadas. Amelia Hill, The Guardian.

quinta-feira, 31 de março de 2022

Mão pesada

O Ministério Público albanês emitiu 12 mandados de detenção relacionados com um grave escândalo de corrupção envolvendo concessões governamentais para três incineradoras de resíduos. O escândalo das incineradoras levou à adjudicação de contratos públicos a novas empresas sem experiência na gestão de resíduos, com os mesmos indivíduos por trás delas. Os contratos obrigavam o governo albanês a pagar por cada dia em que as incineradoras não estavam operacionais, inclusive enquanto estavam a ser construídas. Isto provocou atrasos significativos enquanto as empresas embolsavam milhões. EurActiv.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Reflexão – questionando as alegações ecologicamente corretas da indústria de incineração

No Reino Unido, em média, 11% do lixo recolhido para reciclagem é incinerado. Em algumas áreas, os números são muito mais altos: 45% em Southend-on-Sea e 38% em Warwickshire. Há uma correlação direta entre regiões vinculadas a contratos de incineração e baixas taxas de reciclagem. Na Inglaterra, mais resíduos são queimados do que reciclados - 11,6 milhões de toneladas foram incineradas em 2019, enquanto 10,9 milhões foram enviados para reciclagem. Há 48 incineradores de energia de resíduos em todo o país, e os números da indústria mostram que há mais 18 na calha.

Os índices de reciclagem em Inglaterra permanecem estagnados em 45%, segundo dados do governo, o mesmo nível de 2017, e muito aquém da mudança revolucionária no lixo e reciclagem prometida pela lei do ambiente, entretanto adiada para a próxima legislatura.

No passado, as objeções à incineração centravam-se sobretudo na qualidade do ar e nas preocupações com a saúde pública, mas o foco mudou. Na era do carbon zero e antes da cimeira climática de Glasgow,  os ativistas concentram-se nas emissões e sublinham que alegações verdes da indústria de incineração estão sujeitas a escrutínio.

Enquanto os produtores tradicionais de energia são obrigados a publicar as suas emissões totais de dióxido de carbono, a indústria de energia proveniente de resíduos só está obrigada a contabilizar o CO2 da queima de resíduos fósseis, como o plástico. Não reporta as emissões de resíduos de alimentos e jardins, conhecidos como CO2 biogénico. A indústria também diz que ao desviar os resíduos do aterro (considerado o pior resultado possível na ortodoxia de resíduos) e reivindicar de volta uma percentagem da energia incorporada do lixo ao gerar eletricidade, a tecnologia de energia de resíduos representa uma fonte de eletricidade de baixo carbono.

Um relatório da consultora Eunomia, encomendado pela ClientEarth, mostra que a produção de eletricidade a partir de resíduos é mais intensiva em carbono do que a produção de gás, perdendo apenas para o carvão. Na verdade, à medida que o carvão for sendo abandonado, a energia do lixo tornar-se-á a forma mais suja de produção de eletricidade no Reino Unido. O relatório conclui que, em 2035, a incineração será um processo mais intensivo em carbono do que o aterro.

Lucy Siegle, The Guardian.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Reflexão – Resíduos, bairrismos e Ambiente

«(…) Neste processo revolucionário de solidariedade de uma ilha para com a outra (em nome do ambiente deles) o que mais me espanta, ou diria mesmo, mete nojo, não só pelo lixo que nos querem enviar é sem sombra de dúvida o nome dada ao tal grupo "Movimento Salvar a Ilha" e querer o que querem para os outros. O nome verde está agora muito associado à ideia de sustentabilidade, de natureza pura, etc. e como essa já é a sua cor, lixo lá? NÃO! O melhor é ir para a ilha com a cor mais adequada ao LIXO, à incineradora, à ilha Lilás. (…)

Já que por lá são grandes em tudo, que gerem a maior parte da riqueza dos Açores, que são a ilha com mais população, indústria, comércio, turismo, etc. e logo mais LIXO produzem, então que o tratem, que fiquem também com ele. Porque não fazerem uma incineradora "regional"? Seria apenas mais uma "coisa" a ficar centralizada em S. Miguel.

Que a incineradora da Terceira receba lixo de outras ilhas como S. Jorge e Graciosa tudo bem, até se percebe, mas de S. Miguel? O que é demais enjoa, (…)

O nosso porto da Praia não tem dimensão para receber tanto barco com tanto LIXO, tal como não pode receber grandes navios de cruzeiro como as vossas Portas do Mar nem cargueiros como o vosso porto e nem tão pouco capacidade para abastecimento de gás natural a navios, por isso tenham paciência, agradecemos mas não podemos, somos pequenos demais perante vocês.(…)» 

Luap Ferraci, Diário Insular, 27fev2021, - via InfoAçores.

O anónimo terceirense Luap Ferraci coloca pela enésima vez o dedo na ferida de um problema grave que há muito aflige os Açores – o destino a dar a tanto resíduo não só produzido localmente como resultante da importação de muitos produtos sem retorno. Porém, em vez de apontar as baterias para a raiz do problema, – o consumismo desenfreado e a carência de investimentos robustos em sistemas de recolha e reciclagem de resíduos –, e sugerir soluções, - como a redução do consumo de produtos com embalagens em demasia ou desnecessárias e a promoção do consumo de produtos locais –, atira a pedrada para o vizinho micaelense, acusando-o de descartar o lixo que produz para a Terceira para assim poder garantir a mediática, turística imagem de S. Miguel como Ilha Verde capaz de continuar a atrair mais visitantes e mais negócios. A pedrada do anónimo terceirense acaba por exacerbar ódios entre vizinhos que só enfraquecem a união de todos, - açorianos, madeirenses, cabo-verdianos, continentais, canarinhos, norte-americanos, canadianos, etc, etc. na tomada de medidas sérias em prol do Ambiente.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Oliveira de Azeméis: ETAR de Ossela não cumpre normas de descarga, e autarquia não revela resultados de análises à água do Caima

  • A ETAR de Ossela não cumpre com as normas de descarga, encontrando-se a empresa concessionária e a entidade responsável pela ETAR em incumprimento para com o estabelecido na legislação aplicável, denunciou a Quercua Aveiro em agosto de 2020, após estudos e análises exaustivas levadas a cabo no rio Caima. Na sequência desta denúncia, a Associação de Municípios de Terras de Santa Maria anunciou ter realizado, também em Agosto, 51 inspeções a várias unidades industriais na sequência das descargas poluentes provenientes da ETAR de Ossela, mas os resultados ainda não foram tornados públicos, apesar de a Quercus os ter solicitado em dezembro. Se não houver resposta e divulgação dos dados solicitados, a Quercus irá avançar com queixas junto das entidades competentes. Azemeisnet.
  • A MUSAMI adjudicou a incineradora de São Miguel por 57,9 milhões de euros à Termomecânica Ecologia,  a mesma empresa que construiu a central na ilha Terceira. A Tecnovia poderá recorrer da decisão para o Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada, interpondo uma Providência Cautelar A Tecnovia verificou que no processo da Termomecânica faltava o alvará de construção, pelo que notificou a comissão de análise que o concorrente deveria ser excluído, o que não aconteceu. Correio dos Açores.
  • «Quanto menos energia a Europa importar da Rússia, maior será a autonomia estratégica da Europa e isso consegue-se com o desenvolvimento das relações com os EUA no domínio da energia, sobretudo quando Biden diz que vai liderar a transição energética no seu país, tornando a produção energética norte-americana menos dependente de hidrocarbonetos e mais ligada aos gases verdes e outras energias renováveis» (sic). Augusto Santos Silva, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros em audição parlamentar, a propósito da 44.ª reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América. Canal Parlamento (aos 54').

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Incineração: Avaler pressiona eurodeputados para votarem contra proposta de redução da queima de lixos

  • Prossegue a reabilitação das margens dos rios Águeda e Alfusqueiro. Os trabalhos decorrem no âmbito do LIFE Águeda – Ações de Conservação e Gestão para Peixes Migradores da Bacia Hidrográfica do Vouga, um projeto do município tendo em vista a reabilitação das zonas ribeirinhas, nomeadamente trabalhos de limpeza em ambas as margens dos rios, desde os (rio Alfusqueiro) e presa da Carvalha (Redonda) até Águeda. Estão a ser realizadas podas de formação a plantas de espécies nativas e removidos espécimes que estejam doentes. A intervenção passa pelo controlo de plantas exóticas invasoras, nomeadamente as que pertencem ao género das acácias (mimosa, acácia-australiana, acácia-de-espigas e outras), cana, tintureira, espanta-lobos e robínia. Vão ser plantadas mais de 7.000 árvores e arbustos de espécies autóctones de zonas ribeirinhas, para além de serem implementadas algumas técnicas de engenharia natural (muros e enrocamento vivo, bem como estacaria, com recurso a espécies e exemplares locais) para a estabilização de margens e adensamento da vegetação. Notícias de Aveiro.
  • Uma petição subscrita por mais de dois mil cidadãos tenta impedir a destruição do Jardim de Sophia (à Praça da Galiza) e o abate de 503 sobreiros em Gaia na construção das linhas Rosa e Amarela da Metro do Porto. Os signatários denunciam o incumprimento da Declaração de Impacte Ambiental pela Metro do Porto e exigem alternativas mais baratas e com menores prejuízos ambientais. 
  • A Avaler, associação das empresas portuguesas que exploram unidades de incineração de resíduos urbanos, recusa ver limitada a capacidade nacional de queima de lixo, tendo, para tal, instado os eurodeputados portugueses a votarem contra a proposta de redução da queima de lixos em incineradoras. Dizem que votar contra a incineração só beneficia os países do Norte da Europa, onde dizem haver capacidade excedentária instalada. Receia-se que, ao promover as incineradoras se venha a queimar mais lixo, o que prejudicaria os esforços de reciclagem e de reintrodução de matérias-primas no mercado, defraudando a urgente necessidade de diminuir a extracção de novos recursos. Não é por acaso que o movimento ambiental critica a política de gestão de resíduos portuguesa — que beneficia a valorização energética de duas maneiras: com um desconto de 75% na taxa de gestão de resíduos a pagar por cada tonelada de lixo queimado; e com uma bonificação no preço pago a estas empresas pela electricidade que produzem. Abel Coentrão, Público 8fev2021.
  • A Zero e a Troca — Plataforma por um Comércio Internacional Justo, lançaram uma petição apelando ao governo que promova, junto da Comissão Europeia, uma saída coordenada dos Estados-membros do Tratado da Carta da Energia (TCE), que a própria Comissão Europeia considera ultrapassado e incompatível com o Acordo de Paris. O tratato permite que as empresas petrolíferas, de gás e de carvão a processem os Estados signatários do Tratado num sistema de justiça privada, quando estes tomam medidas em prol do clima que possam afectar as suas expectativas de lucros. Aliás, 428 cientistas e líderes climáticos e ainda Federação Europeia para as Energias Renováveis tinham apelado aos Estados signatários do Tratado da Carta da Energia que se retirassem do TCE, por se tratar de um importante obstáculo a uma transição energética que evita a dependência dos combustíveis fósseis. Abel Coentrão, Público 8fev2021.
  • A Direcção Regional de Cultura do Centro participou à GNR a destruição de um sítio arqueológico em Vila Velha de Ródão onde se localizava uma antiga mina romana após o plantio de eucaliptos no local. Abel Coentrão, Público 8fev2021. Refira-se que a Câmara Municipal de Vila Velha do Ródão não tem nenhum arqueólogo ao serviço. O município tem 400 sítios identificados.
  • O Governo vai avançar com avaliação de impacto ambiental para atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de lítio em oito áreas, em vez das 11 que tinham sido consideradas na lista inicial: serra d'Arga; Barro/Alvão; Seixo/Vieira; Almendra; Barca d'Alva/Canhão; Guarda; Segura e Maçoeira e nos três lugares com contratos já anunciados - serra da Argemela, Montalegre, Covas do Barroso/Boticas. Diário da República. Via O Minho.
  • Alok Sharma, presidente da cimeira do Clima em Glasgow, em novembro, está a ser pressionado para se demitir por estar a pactuar com o licenciamento de uma mina de carvão em Cumbria. Apesar disso, conta com o apoio da ministra da Energia, Anne-MarieTrevelyan, para quem o carvão extraído da mina será aplicado na indústria de aço de que o Reino Unido precisa por razões de segrança nacional. «Como podemos exigir à China e à Rússia para que reduzam as suas emissões quando estamos a abrir mais uma mina de carvão? Permitir isso fará cair uma espessa camada de pó de carvão sobre a presidência do Reino Unido numa importante cimeira climática», escreve Nada Farhoud. Fontes: BBC, The Telegraph e Daily Mirror.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Açores: Movimento Salvar a Ilha apresenta queixa à Comissão Europeia para travar incineradora

  • O Movimento Salvar a Ilha, através da associação Zero, enviou uma queixa à Comissão Europeia para travar o projecto da incineradora da MUSAMI, considerando que o mesmo irá impedir o cumprimento das metas de reciclagem na ilha de São Miguel e nos Açores. O Movimento aponta dados do estudo em causa, frisando que em 2025 a MUSAMI pretende reciclar 39,7% dos resíduos, quando a meta é de 55%. Em 2030 a MUSAMI pretende reciclar 51,5% quando a meta é de 60%”. Entretanto, o Movimento Salvar a Ilha solicitou uma reunião com o Secretário Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, Alonso Miguel, para apresentar o modelo de gestão integrada e sustentável regional para os resíduos defendido pelas associações ambientalistas e para questionar o Governo Regional sobre como irá garantir o cumprimento das metas de reciclagem, da hierarquia da gestão de resíduos e a transição para a economia circular em São Miguel, na ilha Terceira e nos Açores. «A obsessão pela incineração em São Miguel tem mais de 20 anos e foi contestada desde o início. Trata-se de um processo polémico, com quatro concursos públicos falhados e a caminho do terceiro processo em tribunal. É lamentável que, ao fim de três quadros comunitários, a MUSAMI, a AMISM e o Governo dos Açores não tenham sido capazes de inovar nas soluções para uma gestão sustentável de resíduos em São Miguel que seja, também, solidária com as restantes ilhas dos Açores» diz o Movimento. Diário dos Açores.
  • A iniciativa Pacto Português para os Plásticos (PPP) pretende, até 2025, fazer com que 100% das embalagens de plásticos sejam reutilizáveis, recicláveis e compostáveis. Depois de ter sido estabelecida uma lista de plásticos de uso único e apontadas medidas para a sua abolição, arrancou a segunda fase, que decorre  até 25 de fevereiro, será de com a sensibilização para a necessidade de reutilização e reciclagem de plásticos, havendo 3 prémios de 200 euros cada para os consumidores que evidenciarem boas práticas de reutilização de plástico. O PPP é coordenado pela Associação Smart Waste Portugal e pertence à rede internacional de Pactos dos Plásticos da Fundação Ellen MacArthur. Via Esquerda.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Irlanda: empresa estatal compra e vende carvão ‘manchado com sangue colombiano’

  • Carvão ‘manchado com sangue colombiano’ é comprado e vendido em Dublin. A Irlanda patrocina diretamente o caos climático e as violações dos direitos humanos. Sorcha Pollak, The Irish Times. Contra a estatal ESB, a Global Legal Action Network, a Christian Aid Ireland e outros grupos de direitos humanos e ambientais, fizeramuma reclamação formal à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico através do seu representante na Irlanda.
  • O distrito de Los Angeles suspendeu por 10 dias as regras de qualidade do ar para permitir que as vítimas da covid-19 sejam cremadas nos seus 28 crematórios. Perante mais de 2.700 corpos atualmente guardados em câmaras frigoríficas devido ao influxo de pacientes mortos da crise covid-19, as autoridades locais decidiram que o ar mais sujo é o preço que os cidadãos terão de pagar. Matt Novak, Gizmodo.
  • As bases militares do Hawaii despejaram 630.000 libras de nitrato tóxico no oceano em 2019, informa o ministério do Ambiente dos EUA. Cory Lum, Civil Beat.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Reflexão - A Europa deve incluir as incineradoras de resíduos no programa do comércio de emissões

«Desde a introdução do imposto sobre aterros em 1996, os resíduos para aterros no Reino Unido diminuíram de mais de 90% em 1993 para menos de 10% hoje. Foi um instrumento fiscal de grande sucesso. As taxas médias de reciclagem em todo o Reino Unido aumentaram até 2010, ano a partir do qual diminuíram e, desde então, não ultrapassaram os 40%. No entanto, a incineração aumentou acentuadamente em 15% em 2010 para mais de 45% hoje e continua a crescer bastante. Nos últimos três anos, as taxas de reciclagem e compostagem começaram a cair, apesar do facto de que a proporção de plástico reciclável, tecido e embalagens nas nossas lixeiras terem aumentado muito. Apesar de toda a conversa sobre economia circular, a realidade está cada vez mais distante.

Neste momento há cerca de 500 incineradores na Europa. No ano passado, estes incineradores criaram 52Mt de CO2 fóssil - isso é mais do que as emissões anuais de gases com efeito de estufa de Portugal. Considerandovo número de incineradores que atualmente aguardam licenciamento, a capacidade de incineração europeia poderá facilmente chegar a 600 nos próximos anos. Estamos nas garras da insanidade da incineração. Mas porquê?

As empresas não ganham dinheiro com a redução de resíduos, mas há muito lucro com a incineração. Ao contrário do aterro, os operadores de incineração não pagam impostos nem como rota de eliminação de resíduos nem como grandes emissores de CO2, ao contrário das centrais de combustível fóssil que queimam carvão ou gás. Também não há metas de emissões de carbono ou requisitos para reduzir as emissões de CO2 ao longo do tempo. No Reino Unido, empresas e serviços públicos como escolas têm que pagar pela recolha de reciclagem de mistura a seco e a maioria das famílias também tem de pagar pela recolha de lixo verde. (…)

As regras diferem entre os distritos, há pouca educação sobre o desperdício e nenhuma penalidade por não separar. A falta de imposto sobre a incineração e a capacidade dos operadores de energia proveniente de resíduos de serem pagos pelo “combustível” que queimam e pela energia que produzem permite que eles reduzam a reciclagem e ofereçam descarte barato para empresas e autoridades locais.

Como descobri que o princípio do poluidor-pagador não funcionava, comecei a investigar os mecanismos que impedem a gestão sustentável de resíduos. Não precisei de procurar muito.

Em 1 de junho, o governo do Reino Unido publicou “The Future of UK Carbon Pricing” - um documento que estabelece um novo ETS de carbono do Reino Unido como mecanismo para medir e reduzir as nossas emissões nacionais de CO2 pós-Brexit. No entanto, a incineração de resíduos é excluída do esquema, deixando um grande poluidor fora de qualquer mecanismo de regulação de carbono e indo contra os compromissos do Acordo de Paris. Portanto, em 1 de setembro, a minha equipa jurídica apresentou documentos ao Supremo Tribunal questionando o governo do Reino Unido sobre esta política, exigindo que a incineração fosse incluída no âmbito do ETS do Reino Unido. Uma audiência pública terá lugar em 1 de dezembro. Na Europa, para garantir o objetivo de emissões líquidas zero da UE até 2050, a Comissão terá de reescrever todas as políticas ambientais relevantes, incluindo o ETS europeu.

Na quinta-feira passada, a “Avaliação de impacto inicial para a revisão do RCLE-UE” foi finalmente divulgada pela Comissão com o objetivo de propor o alargamento do RCLE a novos setores da economia. 

Atualmente, o EU ETS inclui a aviação, a produção de energia a partir de combustível fóssil, mas, apesar de serem grandes emissores de CO2 que apresentam enorme crescimento, os incineradores de resíduos municipais e perigosos estão excluídos do esquema. Isso deixa os incineradores operando na sombra, aplicando práticas criativas de contabilidade de carbono para reporter as suas emissões, emitindo CO2 à vontade, sem nenhuma “cenoura ou chicote” para reduzir os gases de efeito estufa.

A próxima revisão do EU ETS é uma oportunidade para corrigir o fracasso passado e manter os nossos compromissos com o Acordo de Paris. Ao incluir operadores de incineradores no Reino Unido e no EU ETS, eles serão forçados a um regime em que as emissões são reportadas, geridas, tributadas e reduzidas com precisão ao longo do tempo. A economia promoverá investimentos em alternativas como reciclagem e reutilização, investimentos em tecnologia de captura e armazenamento de carbono.(…)» 

GeorgiaElliott-Smith, EurActiv.