Recortes de notícias ambientais e outras que tais, com alguma crítica e reflexão. Sem publicidade e sem patrocínios públicos ou privados. Desde janeiro de 2004.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
REFLEXÃO
quarta-feira, 24 de junho de 2026
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DA TEORIA PARA A PRÁTICA
- A educação ambiental em Portugal deve deixar de se focar apenas na sensibilização teórica para preparar os cidadãos para a ação concreta face às alterações climáticas, defende a rede portuguesa de embaixadores do Pacto Climático Europeu para a revisão da Estratégia Nacional de Educação Ambiental (ENEA 2030). Para tal, sugere-se (1) a formação de “Clima Clubes" nas escolas, plataformas de aprendizagem interdisciplinar para explorar soluções ambientais, projetos de ciência cidadã e desenvolver competências práticas; (2) a introdução de uma uma unidade curricular de "Sustentabilidade Aplicada" em todos os cursos das universidades e politécnicos; (3) Formação contínua em sustentabilidade, integrada nas ofertas formativas das empresas e da Administração Pública, ao longo da vida profissional. Os especialistas defendem ainda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo áreas como História, Filosofia, Ciências e Artes. O objetivo é capacitar os cidadãos para responder a fenómenos como secas, incêndios e ondas de calor, combatendo a "ecoansiedade" ao transformar a preocupação em capacidade de intervenção. Fonte.
- A Praia do Furadouro ficou em segundo lugar no concurso “Praias Memoráveis”, promovido pela ABAAE – Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação, em parceria com a BW. Entre as 192 praias concorrentes, o Furadouro reuniu a preferência dos banhistas, refletindo o lugar especial que ocupa na memória e nas vivências de gerações de ovarenses e visitantes. Fonte. Passámos por lá no domingo à tarde. Por duas vezes tive de tapar os ouvidos com rolhões tal era o volume e intensidade da ‘música’ debitada por dois recintos, um deles defendido por meia dúzia de gorilas vestidos de preto e ar feroz. O passadiço salvou a situação. Notícias destas, muito provavelmente patrocinadas com generosidade, servem para promover um sítio, tudo temperado com enorme greenwashing.
- Consulta pública até 3 de agosto: O Projeto do Parque Eólico do Paiva e linhas elétricas associadas tem como objetivo a produção de eletricidade a partir de fonte renovável, contribuindo para o reforço da capacidade nacional de geração elétrica com origem não fóssil. O Projeto do Parque Eólico do Paiva prevê a instalação de 45 aerogeradores, distribuídos por três núcleos, bem como de quatro linhas de média tensão, a 30 kV. Enquadra-se nas Regiões Centro e Norte, e abrange os distritos de Viseu e da Guarda, integrando-se nos concelhos de Viseu, Vila Nova de Paiva, Sátão, Sernancelhe e Aguiar da Beira.
- Como se impede a pesca ilegal com redes de arrasto no Camboja. Fonte.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
ALJUSTREL LÍDER DA MINERAÇÃO?
quarta-feira, 27 de maio de 2026
REFLEXÃO
quinta-feira, 7 de maio de 2026
REFLEXÃO
A semente germinou e cresceu. Os tempos são outros, e o modelo da educação ambiental parece ter envergado outras roupagens.
Pese embora o empenho dos alunos, professores, autarcas e agentes de comunicação, toda a ação pareceu cuidadosamente encenada para transmitir uma imagem de dinamismo ambiental — quase uma operação de cosmética pública destinada a suavizar o impacto da recente perda da Bandeira Azul por parte da praia da Baía.
Curiosamente, o Defesa de Espinho — semanário propriedade da EMPS, detida maioritariamente pela Solverde (Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, SA), responsável pelos casinos de Espinho, Vilamoura e Figueira da Foz — disponibilizou, na íntegra e livremente, uma reportagem sobre o evento, ilustrada por dezenas de fotografias, embora nenhuma do conjunto dos resíduos que consta terem sido recolhidos...
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
REFLEXÃO
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
GASTRONOMIA FINA AMEAÇA SOBREVIVÊNVIA DA ENGUIA-BEBÉ
- Exibicionismo da extinção: a alta gastronomia acabará com o animal mais enigmático do mundo. Apesar de a enguia europeia estar em perigo crítico de extinção, os restaurantes mais seletos aproveitam a escassez para oferecer os seus filhotes (as enguias jovens) como um prato de luxo. Eduardo Robaina, Climática.
- Subsidiária da Shell pagou mais de US$ 10 milhões ao Museu de Queensland para moldar a educação climática das crianças. O material educativo distorce a forma como a poluição causada pelos combustíveis fósseis provocou a emergência climática, revela um novo relatório. Fonte.
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: REVISÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL EM CURSO
- A Estratégia Nacional de Educação Ambiental vai ser revista com o objetivo de criar uma renovada dinâmica ao nível da sensibilização para a sustentabilidade. A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, considera que Portugal precisa de novos projetos e iniciativas que contribuam para sensibilizar a população e motivar os mais jovens a agir em prol do ambiente. Até ao final de 2025, a Agência Portuguesa do Ambiente irá realizar um ciclo de debates visando estimular a participação e o envolvimento da sociedade, abordando temas prioritários que irão nortear a estratégia até 2030: 30 outubro | Gondomar | Tema «Promover a economia circular»; 6 novembro | Coimbra | Tema «Restaurar os ecossistemas»; 20 novembro | Évora | Tema «Usar a água com eficiência»; 27 novembro | Faro | Tema «Proteger os oceanos»; 2 dezembro | Lisboa | «Agir pelo clima». Os contributos irão enriquecer os trabalhos de preparação da ENEA 2030, prevendo-se que seja colocada em consulta pública em fevereiro de 2026, seguindo-se a sua aprovação. Fonte.
- O antigo aterro sanitário de Maceda, em Ovar, está sob ameaça devido ao avanço do mar, expondo fragilidades estruturais e um vazio institucional na gestão de resíduos. Entre alertas técnicos, críticas políticas e discursos contraditórios, cresce o receio de uma crise ambiental com efeitos nos ecossistemas e na saúde pública. Fonte.
- Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra participam num consórcio europeu para desenvolver soluções sustentáveis contra a poluição por nitratos. Fonte.
- Pelo menos 200 peixes foram encontrados mortos nas margens da albufeira do Roxo, que abrange os concelhos de Aljustrel e Beja, encontrando-se as autoridades a investigar as causas desta ocorrência. Fonte.
sábado, 4 de outubro de 2025
AVEIRO: CÂMARA RENOVA PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO COM A NAVIGATOR
- A Câmara de Aveiro celebrou um protocolo de colaboração Navigator, dando continuidade a uma parceria que se iniciou em 2010 e que tem vindo a integrar diversos projetos de relevância local, ambiental e social. O acordo enquadra-se na estratégia de valorização da Zona Industrial de Cacia, onde se situam infraestruturas estratégicas como a Variante Rodoviária de Cacia, inaugurada em 2019, e a nova fábrica de papel tissue da Navigator, em funcionamento desde 2018. Com este protocolo, as duas entidades comprometem-se a desenvolver novas ações em áreas como a Educação Ambiental, a cooperação com a comunidade e a valorização da região. Entre os objetivos está também a dinamização do espaço florestal da Quinta de São Francisco, gerido pelo Instituto de Investigação da Floresta e Papel, de que a Navigator é sócio maioritário. O Protocolo garante também a participação da Navigator na cogestão das infraestruturas da CIRA em construção no Baixo Vouga Lagunar, com especial destaque para a Ponte Açude do Rio Novo do Príncipe. A Navigator assume um apoio financeiro à CMA no valor de 1.250.000€ tendo em consideração principal a redução dos seus custos pela ativação das novas infraestruturas do Rio Novo do Príncipe e do Baixo Vouga Lagunar. Fonte.
- O número de mortes relacionadas com o calor em Espanha entre 16 de maio e 30 de setembro atingiu 3.832, um aumento de 87,6% em relação ao mesmo período de 2024, informou o Ministério da Saúde. Quase dois terços das mortes envolveram pessoas com mais de 85 anos e quase 96% tinham mais de 65 anos, informou o ministério em comunicado. Fonte.
- O governo alemão vai investir mais de 2 mil milhões de euros até 2029 para apoiar o projeto do primeiro reator de fusão nuclear no país. Fonte.
- Os ativistas que ocupavam o estaleiro de obras de um desvio rodoviário em Ardèche, França, foram expulsos pelas autoridades. Este desvio irá artificializar 3,2 hectares que abrigam numerosas espécies. Sem contar que este troço rodoviário é apenas uma parte de um projeto mais vasto de contorno da cidade de Valence, com 50 hectares de terras agrícolas e naturais. Fonte.
- Na Europa, desaparecem 1.500 quilómetros quadrados de solo por ano. O desenvolvimento imobiliário, turístico e industrial continua a destruir áreas naturais e terrenos agrícolas a um ritmo insustentável, apesar de a União Europeia se ter comprometido a reduzir a zero o consumo líquido de solo. Fonte.
- Na Lombardia, o glaciar Ventina derreteu demais: «Os geólogos já não sabem como medi-lo. Fonte.
- Incinerador de Roma: Deputado Zaratti questiona o governo sobre possível conflito de interesses. Tudo porque o Comissário exerce simultaneamente três funções - a de autoridade competente para a Avaliação de Impacto Ambiental, a de cliente da empresa e a de Prefeito de Roma, além de acionista maioritário da ACEA , líder do consórcio vencedor. Fonte.
quinta-feira, 3 de abril de 2025
CONCURSO REGIONAL DE HORTAS ESCOLARES
- A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro lançou o Concurso Regional das Hortas Escolares, «Super Horta Escolar», destinado às escolas do ensino pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico com hortas escolares já instaladas e em manutenção no presente ano letivo. Objetivo: valorizar as hortas escolares como um instrumento pedagógico de aprendizagem da alimentação, da natureza, da biodiversidade e do clima. Os Prémios são atribuídos em três categorias temáticas para cada nível de ensino: Horta Mais Sustentável – Para a escola que adota práticas ecológicas, como compostagem, reutilização de materiais e cultivo de espécies autóctones; Horta com Maior Envolvimento da Comunidade – Destaca a horta que mais incentiva a participação ativa de alunos, professores, pais e a comunidade local; Horta Mais Diversificada – Premeia a escola com a maior variedade de culturas e com um aproveitamento eficiente do espaço e da produção. As candidaturas estão abertas até dia 30 abril. Mais informação aqui. Fonte.
- O Rev. Jörg Alt, um padre jesuíta, diz que prefere ir para a prisão do que pagar uma multa de 500 euros por ter participado num bloqueio de rua dos ativistas do clima na cidade de Nuremberga, no sul da Alemanha. Fonte.
- Cerca de 70% dos pneus exportados para a Índia a partir do Reino Unido e do resto do mundo estão a ser enviados para instalações industriais improvisadas, onde são "cozinhados" para extrair aço, pequenas quantidades de óleo e negro de fumo - um pó ou pellet que pode ser utilizado em várias indústrias. As condições nestas fábricas - muitas das quais se situam em zonas rurais - podem ser tóxicas e prejudiciais para a saúde pública, para além de potencialmente perigosas. Fonte.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
CANADÁ: INDÚSTRIA DOS FÓSSEIS MINA CURRÍLO ESCOLAR
- As empresas de combustíveis fósseis estão a influenciar o que os estudantes canadianos aprendem sobre as alterações climáticas, financiando e fornecendo materiais educativos que enquadram a questão de forma a servir os seus interesses, alertam os defensores da saúde e do clima num novo relatório. Pelo menos 39 empresas de petróleo e gás e 12 organizações ligadas à indústria - incluindo a Shell, a TC Energy e a Pathways Alliance - forneceram recursos para a sala de aula que minimizam o papel do sector na condução do aquecimento global, afirma o relatório. Os materiais sublinham a responsabilidade do consumidor e as soluções tecnológicas, omitindo em grande parte a necessidade de uma transição rápida para longe dos combustíveis fósseis. Fonte.
- Uma mina gigantesca, cheia de resíduos nucleares radioativos, planeada ao lado de uma importante falha geológica em Lake District - o que pode correr mal? Quem está a aconselhar a escavação deste enorme vazio? O descartado chefe do setor do carvão da Cumbria, Mark Kirkbride, é o homem certo para aconselhar a escavação de um enorme vazio para encher com plutónio junto a uma falha importante. Fonte.
domingo, 5 de janeiro de 2025
JORGE PAIVA DESPEDE-SE AOS 91 ANOS DESILUDIDO COM A LUTA AMBIENTAL
“Camões é um valoroso e verdadeiro lírico, enquanto eu fui um ‘lírico’ irrealista”, lamenta o professor jubilado da Universidade de Coimbra, num cartão de “boas festas” e felicidades para 2025. Jorge Paiva, de 91 anos, confessa um “desalento enorme” para afirmar que, “após mais de meio século de atividade cívica pelo ambiente e pela natureza”, tem agora “plena consciência de ter sido uma luta improfícua”. Estando Portugal a comemorar os 500 anos do nascimento de Camões, que estudou em Coimbra, e “sendo ‘Os Lusíadas’ a sua obra mais estudada pelos alunos”, nas escolas e demais instituições onde proferiu 2.500 palestras, o investigador recorda que os jovens “ficavam sensibilizados para o desastre ambiental do planeta”. “É penoso chegar ao limiar [não será ‘ocaso’?] da vida com a consciência de não ter conseguido resultados nenhuns e de que a ‘gaiola’ em que vivemos está imunda”, admite o ambientalista. Sugerindo aos governantes portugueses que considerem “fundamental estabelecer e incrementar o rápido ordenamento florestal do país”, Jorge Paiva informa que deixou “de ser um lírico”, tendo concluído que “não vale a pena continuar com a atividade cívica de educação ambiental”.
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
INGLATERRA: DANONE QUER ABATER FLORESTA PLANTADA POR ALUNOS DE UMA ESCOLA HÁ CERCA DE 20 ANOS
- A Harrogate Spring Water, propriedade da multinacional Danone, está a planear cortar uma floresta plantada por crianças de uma escola para expandir a sua fábrica de engarrafamento na cidade de North Yorkshire. Duas escolas primárias, juntamente com outros voluntários locais, ajudaram a plantar 450 árvores num projeto organizado pelo Rotary Club de Harrogate há quase 20 anos. "Ensinaram-nos que as árvores produziam oxigénio e eram boas para nós", disse Lily Stockburn, que participou na plantação de árvores quando tinha seis anos. "Estou devastada por quererem destruí-las. Cortar árvores para fazer mais garrafas de plástico vai contra tudo o que aprendemos." "É um bosque encantador. Muitas pessoas passeiam lá os seus cães e há muita vida selvagem", acrescentou. O bosque, conhecido como Rotary Wood, inclui carvalhos, bétulas, salgueiros, carpas, pinheiros e cerejeiras selvagens e é gerido pelo Pinewoods Conservation Group. Fonte.
- Consulta pública até 31 de dezembro: Pedido de Título de Utilização Privativa do Espaço Marítimo Nacional, apresentado pela HOPE ZONES ASSOCIATION, para efetuar uma experiência de plantação de algas ancorada nos recifes artificiais da Nazaré com o objetivo de criar um habitat propiciador ao desenvolvimento de algas castanhas. Fonte.
- Como a aplicação permissiva das autorizações REACH permite que as empresas fiquem impunes. O regulamento europeu relativo aos produtos químicos REACH procura assegurar um elevado nível de proteção da saúde humana e do ambiente. Este objetivo inclui a eliminação progressiva das "substâncias que suscitam elevada preocupação" (SVHC). As SVHC podem, por exemplo, causar cancro, afetar o sistema endócrino ou ser tóxicas e não se degradam no ambiente. O regime de autorização REACH exige que a indústria se abstenha de utilizar estas substâncias químicas - exceto se lhes for concedida autorização. Um relatório de 2023 da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) revela que 40% das empresas em toda a UE não cumprem as suas obrigações ao abrigo da Autorização REACH. Tendo em conta os riscos significativos que estas substâncias representam, a elevada taxa de incumprimento revelada pela ECHA é alarmante. Ainda mais preocupante é a resposta indulgente da aplicação da lei a um incumprimento tão generalizado. Além disso, para além do relatório da ECHA, há uma preocupante falta de informação disponível ao público sobre a aplicação da regulamentação relativa aos produtos químicos, incluindo o regime de autorização. Fonte.
- MÉDIO ORIENTE: A MALDIÇÃO DO GÁS E DO PATRÓLEO. A Autoridade Palestiniana, que governa a Cisjordânia, tentou explorar petróleo em 2014, num esforço para desenvolver uma economia autossustentável, mas Israel bloqueou o projeto. Os relatórios da ONU mostram que a Cisjordânia está no topo de uma reserva de petróleo considerável, mas Israel ocupou a zona e as empresas apoiadas pelos EUA estão a perfurar o "petróleo de Deus". Gaza também possui reservas de gás natural. Em 1999, a Autoridade Palestiniana, que governava antes do Hamas, assinou um contrato de 25 anos com o British Gas Group para a exploração de petróleo, mas Israel voltou a bloqueá-lo e, em 2007, ficou com ele. Em julho de 2024, Israel anunciou a maior apropriação de terras de gás natural e petróleo da Palestina e Cisjordânia em décadas. Este é um video muito esclarecedor sobre o que Israel fez para roubar petróleo e gás aos palestinianos.
- Exploração da biodiversidade brasileira: quem lucra com a biopirataria? Monica Piccinini, The Canary.
sábado, 7 de setembro de 2024
REFLEXÃO: A ECOLOGIZAÇÃO TENTA CRIAR RAÍZES NAS ESCOLAS FRANCESAS
A educação para o desenvolvimento sustentável faz parte integrante da missão das escolas. Foram desenvolvidos programas e criadas medidas como os eco-delegados. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Ao longo dos anos, os programas escolares foram alargados, desde o ensino pré-escolar até ao último ano do ensino secundário. Foram introduzidas medidas como os delegados ecológicos. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer: os professores carecem de formação e de apoio e algumas iniciativas são dificultadas pela falta de margem de manobra em escolas ainda com poucos recursos. Em março de 2023, o Conselho Superior de Programas escreveu: "No final da sua escolaridade, os alunos devem ser capazes de compreender os desafios do desenvolvimento sustentável, de adotar um comportamento individual e coletivo responsável, de prever um futuro justo e realista, de participar nos debates sociais e até de se envolverem".
A nível do ensino secundário, alguns conceitos como resíduos, poupança de energia e recursos renováveis foram explicitamente incluídos nos programas de física e química em 2020. A subida do nível dos mares e dos oceanos e o aquecimento global também foram incluídos no programa de ciências e tecnologias.
Estamos a assistir a uma ecologização do currículo, com alguns aditamentos", admite Maud Valegeas, secretária federal adjunta de Sud Éducation. Mas ainda é muito superficial. O ensino baseia-se essencialmente na noção de desenvolvimento sustentável". Cita as ciências económicas e sociais, onde se aborda a globalização e o fluxo de bens e pessoas, elementos que contribuem para a crise ecológica. "Mas em vez de abrandarmos, estamos simplesmente a adaptar-nos a um mundo em crise", lamenta, citando como prova o extrato do programa de estudos do último ano de Ciências Económicas e Sociais que estabelece o objetivo de "compreender que o crescimento económico sustentável esbarra nos limites ecológicos e que a inovação pode ajudar a fazer recuar esses limites". Em vez de inovação, Maud Valegeas preferia que a tónica fosse colocada na sobriedade e na redução do consumo de energia.
Formação insuficiente dos professores
Para Frédérick Heissat, da Profs en transition, "Temos tudo o que precisamos para trabalhar, graças aos conteúdos e aos recursos disponibilizados, que nos permitem melhorar as nossas competências". Esta é também a opinião de Francesca Pasquini, ex-membro do grupo Ecologiste-Nupes, que em 2023, juntamente com Graziella Melchior, liderou uma missão de investigação sobre a adaptação das escolas aos desafios das alterações climáticas. “Os professores não estão privados. Têm uma enorme quantidade de material, por vezes quase demasiado. O problema é que não recebem formação suficiente sobre estas questões e as ferramentas disponíveis não são suficientemente utilizadas. Quando são bem tratadas em algumas escolas, é quase sempre por um único professor que tem conhecimento da questão e que se voluntaria para liderar projetos e falar sobre o assunto em diferentes turmas. Mas se o ensino assenta nos ombros de uma só pessoa, não vai durar muito tempo.”
Alguns professores, sem formação científica, podem não se sentir no direito de abordar questões complexas. São assuntos que exigem conhecimentos especializados, afirma Maud Valegeas. Os professores precisam de ser formados no âmbito da sua formação contínua. Mas esta formação foi posta em causa ao nível do ensino secundário. Já não é possível fazer formação no local de trabalho. Se quiserem receber formação, os professores têm de o fazer à noite ou ao fim de semana, nomeadamente através de webinars.
No que diz respeito aos professores do ensino primário, recomenda-se que dediquem as dezoito horas anuais obrigatórias de formação contínua à educação para o desenvolvimento sustentável. "Precisamos de reservar um ano para formar todos os professores do ensino primário", afirma Francesca Pasquini.
A educação para o desenvolvimento sustentável assenta muito no trabalho transversal e interdisciplinar, mas "nem sempre é claro que professor deve ser responsável por estas matérias", observa Frédérick Heissat. "É mais fácil na escola primária, onde não há necessidade de quebrar barreiras ou de encontrar horas extra", acrescenta. É por isso que Francesca Pasquini considera que é necessário investir fortemente desde o jardim de infância até ao CM2, "pondo em prática um programa de ensino muito sólido, trabalhado progressiva e equitativamente ao longo dos oito anos de escolaridade".
Eco-delegados, o risco de desmobilização
Para além dos programas, foram introduzidas várias medidas, incluindo a obrigação, desde 2020, de eleger pelo menos um eco-delegado por turma, do sexto ano ao último ano. Acompanhados por um conselheiro adulto, estes representantes eleitos são encorajados a agir e a conceber projetos para o seu colégio ou liceu, como a instalação de caixas de nidificação, a triagem de resíduos, a plantação de árvores, etc. É uma iniciativa muito boa, diz Frédérick Heissat. A dificuldade é que muitas vezes são os professores de ciências e tecnologia que se envolvem, ou os professores que estão envolvidos em assuntos cívicos. Não se consegue envolver todos os professores. Maud Valegeas, de Sud Éducation, chama a atenção para outra limitação do projeto: "É uma montra. Os diretores das escolas estão satisfeitos, mas tudo se resume a uma eleição e a 2 ou 3 horas de formação, por exemplo com o Fresque du climat.
A representante sindical lamenta a falta de vida democrática nas escolas e a falta de recursos. Na Bretanha, explica, foram disponibilizadas subsídios para a instalação de bebedouros nas escolas, mas este tipo de projeto é difícil de realizar em Seine-Saint-Denis ou Bouches-du-Rhône, regiões com poucos recursos. A responsável alerta também para o efeito contraproducente das ações realizadas sem reflexão coletiva e sem a vontade da escola no seu conjunto: "Se, por exemplo, os alunos fazem uma triagem do lixo com cartazes informativos, mas no final vai tudo para o mesmo contentor, vão aperceber-se de que é inútil e desanimam.”
Thierry Lerévérend, diretor-geral da Teragir, uma associação de educação para o desenvolvimento sustentável que trabalha nas escolas, tem a mesma reserva: "Os eco-delegados não são uma má ideia, mas é preciso levá-los até ao fim. Acima de tudo, há que evitar sobrecarregar os jovens com a responsabilidade de fazer o que a sociedade e os adultos não conseguiram fazer. De outra forma, eles deparar-se-ão simplesmente com os limites de um papel em que não têm realmente o poder de mudar as coisas, correndo o risco de perderem a motivação para sempre.” Para ele, é preciso criar condições para que os jovens tenham a experiência de poder mudar as coisas. É isto que Teragir tenta fazer ao longo do ano através dos seus três programas: Éco-école, Jeunes reporters de l'environnement e La Forêt s'invite à l'école. Todos os anos, estas iniciativas chegam a 120.000 alunos em França. A Éco-école existe há mais de vinte anos. O programa é totalmente gratuito e acessível desde o jardim de infância até ao liceu, e é financiado por parceiros e patrocinadores: o Ministério da Ecologia francês, a Ademe, o Gabinete Francês para a Biodiversidade, a Agência Francesa de Desenvolvimento, a Citéo, a MGEN, etc.
O objetivo é fornecer uma metodologia, materiais e ferramentas para apoiar a comunidade educativa em projetos de desenvolvimento sustentável. A Éco-école apoia-se igualmente numa rede de centros locais. Um dos aspetos mais interessantes do programa é o envolvimento dos alunos no projeto, sublinha Thierry Lerévérend. Eles têm de ser partes interessadas e estar envolvidos em todas as fases. Outro aspeto importante do programa é a criação de projetos no terreno que combinem várias disciplinas e tornem os alunos mais ativos. As escolas estão a fazer progressos nesta matéria, mas continua a haver um modelo educativo muito disciplinar que ainda não foi transformado. "Assim que os alunos querem fazer alguma coisa, são frequentemente confrontados com uma organização escolar que não está concebida para integrar projectos fora da sala de aula", afirma Maud Valegeas.
Francesca Pasquini cita a falta de recursos. Cita o bom exemplo de Poitiers, onde os professores foram questionados sobre as suas necessidades de equipamento para as aulas ao ar livre. "E a cidade forneceu a todas as escolas um pequeno carrinho, lupas e instrumentos para observar árvores e pássaros". Mas nem todas as autoridades locais estão tão dispostas a isso.
Levar as crianças para o exterior também é visto como algo complicado de pôr em prática: Para levar as crianças ao exterior, não é preciso ir pedir um autocarro à Câmara Municipal e ir para longe. A escola ao ar livre também pode ter lugar no recreio, em parques próximos. Recomenda-se que se dedique meio dia por semana à educação ao ar livre nas escolas primárias. Quanto às turmas verdes, o seu número tem vindo a diminuir de forma constante ao longo dos anos. Um projeto de lei para relançar estas viagens escolares foi apresentado pelos republicanos e aprovado na Assembleia Nacional em fevereiro de 2024.
Teragir não é a única organização a oferecer programas à comunidade educativa para levar os alunos para fora da sala de aula. Graines de reporters scientifiques (Fondation Tara Océans), aires éducatives (Office français de la biodiversité), J'agis je plante (Fondation pour la nature et l'homme), etc. São inúmeros os projetos, concursos e outros desafios propostos por atores exteriores ao sistema educativo nacional. "Estes programas são uma grande ajuda. É muito, muito valioso", diz Frédérick Heissat.
Mas Sud Éducation adverte que é indispensável proteger as escolas dos interesses privados e dos lóbis das empresas poluidoras. "Por exemplo, para realizar qualquer projeto, é preciso pedir um financiamento à Odyssée Jeunes, cujo principal financiador é o BNP Paribas, um dos bancos mais poluidores, que apoia grandes projetos de combustíveis fósseis contrários aos acordos de Paris, afirma Maud Valégeas.
Fabienne Loiseau, Na escola, a ecologização está a lutar para criar raízes – Reporterre.
sábado, 27 de julho de 2024
‘QUANDO PORTUGAL ARDEU’ 31
quinta-feira, 21 de março de 2024
CHAVES: CRIANÇAS E IDOSOS PLANTAM CENTENAS DE ÁRVORES
- Crianças e idosos juntam-se hoje para plantar cerca de 870 árvores em Chaves, numa iniciativa que simbolicamente abrange área ardida do grande incêndio que atingiu o concelho em 2022. Trata-se de uma ação intergeracional e educativa que pretende a partilha de valores ambientais e envolve as escolas do concelho, Instituições Particulares de Solidariedade Social e baldios. A plantação das 870 árvores, fruteiras e folhosas, vai acontecer em área de dois equipamentos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, nomeadamente a Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) de Casas dos Montes e ERPI de Vidago, bem como o baldio de Ervededo, junto ao Santuário do São Caetano. CM Chaves.
- João Rocha, antigo presidente da União de Freguesias de Caniçada e Soengas (Vieira do Minho), vai ser julgado, com outros cinco arguidos, pela construção ilegal de uma moradia na área protegida da Albufeira da Caniçada, no Gerês. Os arquitetos Duarte Barros e João Pimenta, da Câmara de Vieira do Minho, uma agente da Polícia Municipal, Isabel Ribeiro, e dois irmãos promotores imobiliários de Braga, Alberto e António Antunes, também serão julgados. Em causa está a construção de uma moradia, em violação do Plano de Ordenamento da Albufeira da Caniçada. JN 20mar2024.
terça-feira, 12 de março de 2024
OVAR: VAGAS INVADEM MARGINAL DO FURADOURO
Foto: Fernando Sardo.
- As ondas tornaram-se gigantes e destruíram o que encontraram pelo caminho. O muro da marginal desintegrou-se, os bancos de cimento partiram e as peças foram arrastadas 250 metros. Pedras da calçada saíram do lugar, troncos de árvores foram projetados contra prédios, a água salgada jorrou como um rio selvagem pelas ruas. Ovar News.
- Os carros dos “papás” estão a criar uma grande dor de cabeça no trânsito em Lisboa. Por toda a cidade, ao início e ao fim do dia, há engarrafamentos junto às escolas. Cenário resulta da dependência do automóvel. Soluções? Entre eles conta-se o ‘Comboios de Bicicletas’, focado no estímulo à deslocação casa-escola em bicicleta, providenciando percursos acompanhados, ou o ‘Amarelo’, feito em articulação com a Carris e as juntas de freguesia. Através dele, estimulase a utilização das carreiras de bairro nas deslocações, acompanhadas por monitores. O projecto abrange Benfica, Estrela, Olivais e Parque das Nações, Campolide e Penha de França. A essas iniciativas somam-se ainda a ‘Mexe-te pela tua cidade!’, promovendo encerramentos de frentes escolares uma vez por semana, no período de entrada da manhã, para testar intervenções mais definitivas, e os ‘BICI-Schoolinks’, de criação de ciclovias protegidas de ligação entre a rede existente e a entrada das escolas. Samuel Alemão, Público 11mar2024.
- Como uma cidade colombiana arrefeceu drasticamente em apenas três anos. Com corredores verdes que imitam a floresta natural, Medellin está a fazer baixar as temperaturas - e poderá tornar-se cinco graus mais fresca nas próximas décadas. Fonte.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
DAVOS: RICOS E PODEROSOS LUCUBRAM À PORTA FECHADA
- As alterações climáticas estão entre os maiores riscos que o mundo enfrentará na próxima década, de acordo com o relatório Riscos Globais do FEM publicado na véspera da reunião de líderes mundiais em Davos. Os ativistas têm tido pouca fé que os políticos e os super-ricos possam resolver eficazmente questões vitais como a crise climática em reuniões como esta. Acreditam que a elite do FEM é perigosamente complacente com a realidade da crise climática. Este ano, já houve protestos antes da reunião anual. Ativistas climáticos estavam entre os que bloquearam a estrada para o local do WEF no domingo, causando um engarrafamento de 18 Kms. “Enquanto a guerra, o fascismo, a injustiça e a crise climática ameaçam a humanidade, os mais ricos e poderosos dão pancadinhas nas costas uns dos outros, a portas fechadas”, disse Nicola Siegrist, presidente da JUSO Suíça – a secção jovem do Partido Social Democrata da Suíça – na manifestação de domingo. Uma das principais exigências da manifestação foi um imposto global sobre os maiores ativos para financiar uma proteção climática socialmente justa. Euronews.
- As desigualdades não são apenas financeiras. Embora as cinco maiores fortunas do mundo tenham duplicado nos últimos 20 anos, um novo relatório destaca o impacto climático dos investimentos dos mais ricos. Resultado: os 10% mais ricos têm uma pegada de carbono muito superior à calculada até agora. Concepcion Alvarez, Novethic.
- A capacidade solar e eólica na região da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN - Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname) aumentou 20% em 2023, elevando o total para mais de 28 gigawatts (GW). Estas tecnologias representam agora 9% da capacidade de produção de eletricidade nos países da ASEAN. CB.
- A Shell vai vender o seu negócio petrolífero onshore na Nigéria a um consórcio de empresas locais por mais de 1,3 mil milhões de dólares. Durante décadas, a empresa enfrentou atritos com as comunidades locais por causa de derrames de petróleo e acusações de violações dos direitos humanos. A Shell manterá ligações à Nigéria através do seu negócio de gás natural e campos de petróleo em águas profundas. Laura Hurst, Bloomberg.
- 'A Educação Ambiental sozinha não vai ‘salvar o planeta’. Educação Ambiental para as crianças só funciona para as crianças, mas quem modifica o mundo são os adultos e esses é que precisam ser educados.” Luiz Eduardo Corrêa Lima, EcoDebate.












