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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

REFLEXÃO

QUANDO AS EMPRESAS DO SETOR DO PLÁSTICO ELABORAM OS PLANOS DE AULA

A indústria do plástico está a oferecer às escolas programas curriculares que apresentam os plásticos como seguros, recicláveis e uma fonte de bons empregos. Os críticos afirmam que se trata de propaganda.

Joseph Winters, Grist. Rev. O’Lima.

Nic Antaya / The Washington Post via Getty Images

Este outono, 54 milhões de alunos do ensino básico e secundário regressam às salas de aula para mais um ano de aulas nas disciplinas tradicionais: matemática, inglês, história e biologia. Mas há outra disciplina que tem vindo a infiltrar-se nos programas escolares: os plásticos.

Um novo relatório da organização sem fins lucrativos Plastic Pollution Coalition documenta as várias formas como a indústria do plástico tem vindo a introduzir a sua agenda nas salas de aula norte-americanas — incluindo, através de planos de aula e fichas de trabalho, experiências científicas práticas e um programa chamado «PlastiVan», que viaja de cidade em cidade a ensinar os alunos sobre «a contribuição dos plásticos para a vida moderna».

De acordo com o relatório, os interesses da indústria disponibilizam estes recursos aos professores gratuitamente ou a preços reduzidos. Os materiais tendem a destacar a necessidade dos plásticos, ao mesmo tempo que minimizam os seus efeitos negativos significativos para a saúde humana e para o ambiente.

«Quando essa informação é transmitida às crianças, obscurece os verdadeiros impactos da poluição por plástico», afirmou Madison Dennis, gestora sénior de políticas e defesa da Plastic Pollution Coalition e uma das principais autoras do relatório. Além de prejudicar a vida marinha, os plásticos podem expor as pessoas a substâncias químicas perigosas, obstruir as redes de pluviais e contribuir para inundações, bem como libertar gases com efeito de estufa que aquecem o planeta. A organização de Dennis apela à adoção de políticas escolares mais rigorosas contra a utilização de materiais didáticos patrocinados pela indústria.

O relatório apresenta quatro estudos de caso sobre a «propaganda» da indústria do plástico dirigida a crianças em idade escolar. Um deles envolve a Sociedade de Engenheiros de Plásticos (SPE). Os planos de aula da SPE incluem atividades como uma «caça ao tesouro do plástico», que visa que os alunos «compreendam que os plásticos estão em todo o lado e a sua importância para a sociedade e para a sua vida pessoal». Um vídeo intitulado «A tua garrafa significa empregos» explica como a reciclagem de plásticos contribui para o emprego local.

Outro estudo de caso destaca a Associação Americana de Professores de Química, uma iniciativa da Dow Chemical Company. Um dos planos de aula da associação ensina alunos do ensino básico e secundário a comparar a resistência de vários tipos de sacos de plástico que podem ser encontrados numa mercearia. Após uma breve experiência, a aula convida-os a «fingir que são funcionários da Dow Chemical Company» e que estão a conceber um saco de plástico para um cliente.

Eve Vitale, diretora executiva da Fundação SPE, numa sala de aula da Escola Secundária Warren Mott, no Michigan, em 2024. O programa PlastiVan da SPE percorre escolas por todo o país para ensinar às crianças a ciência por trás dos plásticos e despertar o interesse numa futura carreira neste setor. Nic Antaya / The Washington Post via Getty Images

Embora muitos desses materiais afirmem apoiar os objetivos de aprendizagem das disciplinas STEM, fazem-no ao mesmo tempo que promovem argumentos habituais da indústria, enfatizando a acessibilidade e a segurança dos plásticos. Alguns reconhecem a poluição por plásticos como um problema grave, mas atribuem a culpa a comportamentos irresponsáveis dos consumidores e, em vez de recomendarem que se produza menos plástico, propõem o aumento da reciclagem como a principal forma de o resolver.

Na realidade, apenas 9% de todos os plásticos são reciclados a nível mundial, e os cientistas têm alertado repetidamente que a reciclagem não conseguirá acompanhar o crescimento previsto na produção de plástico. Reportagens de investigação revelaram que os grupos da indústria sabiam disto há décadas, mas promoveram a reciclagem na mesma, a fim de acalmar a crescente preocupação com a poluição por plástico.

Wendy Johnson, especialista em ensino de ciências do Centro Nacional para o Ensino das Ciências, afirmou que os planos de aula e as fichas de trabalho da indústria não refletem uma boa pedagogia. Os materiais que afirmam estar alinhados com os padrões estaduais de STEM não especificam quais os padrões que apoiam, nem de que forma estão alinhados. Os planos de aula instruem os alunos a ler as notas dos professores ou enumeram termos de vocabulário específicos da indústria, como «moldagem por sopro com estiramento» ou «termoendurecimento».

«Ao utilizar todos estes termos técnicos, está-se a induzir as pessoas a pensar… que estão a fazer ciência», disse Johnson à Grist. O que os materiais realmente ensinam, afirmou ela, são «perspetivas ideológicas sobre a economia», como a conveniência de bens de consumo baratos.

«A ideia não é ensinar», acrescentou Johnson, mas sim introduzir os argumentos da indústria nas salas de aula. O relatório documenta como a propaganda da indústria do plástico tem vindo a infiltrar-se nas escolas, pelo menos desde a década de 2000. Entre 2009 e 2011, por exemplo, uma associação do setor dos plásticos exerceu pressão sobre o Departamento de Educação da Califórnia para que fosse adicionada uma secção sobre «As vantagens dos sacos de compras» aos manuais escolares do ensino secundário do estado. A iniciativa PlastiVan está em curso desde 2011, e a SPE afirma que já chegou a mais de 132 000 alunos no total.

A Plastic Pollution Coalition sugere que o problema é particularmente grave nas escolas situadas perto de instalações petroquímicas. No Condado de Beaver, na Pensilvânia, por exemplo, a Shell opera um complexo de produção de plásticos e investiu milhões de dólares no desenvolvimento de programas curriculares relacionados com os plásticos e de programas de reciclagem, tanto para alunos do ensino básico como para estudantes de faculdades. Também doou centenas de mochilas cheias de material escolar e ofereceu a uma escola um campo de basquetebol — aparentemente em troca da integração da reciclagem de plásticos no currículo.

A Shell não respondeu ao pedido de comentário da Grist. O mesmo aconteceu com a SPE, a Associação Americana de Professores de Química, e com o distrito escolar do Condado de Beaver.

O relatório sugere a existência de um problema mais vasto no ensino das disciplinas STEM nas escolas públicas dos EUA. Os professores carecem frequentemente do tempo e dos recursos financeiros necessários para conceber os seus próprios programas curriculares ou para adquirir materiais e planos de aula de alta qualidade, indispensáveis para as experiências laboratoriais em sala de aula ou para projetos científicos. Quando grupos de interesses se apresentam a oferecer apoio — quer se trate da indústria do tabaco, da indústria da comida de plástico, da indústria dos pesticidas ou da indústria dos combustíveis fósseis —, pode ser difícil recusar.

«Como professora, estou sempre à procura de materiais gratuitos», afirmou Suzie Hicks, uma educadora ambiental do ensino básico (do jardim de infância ao 8.º ano) na Califórnia, que prestou consultoria no relatório da Plastic Pollution Coalition. Hicks referiu que a sua formação e experiência permitem-lhe avaliar com facilidade se os materiais contêm «greenwashing» — mas provavelmente não é esse o caso da maioria dos professores.

Dennis recomendou que os agrupamentos escolares adotassem políticas que proibissem materiais educativos patrocinados pelas indústrias química, dos combustíveis fósseis e do plástico. Ela também sublinhou a necessidade de um melhor financiamento escolar de forma mais geral, para que os professores e os municípios não fiquem tão desesperados por materiais didáticos prontos a usar.

Uma forma de alcançar este objetivo seria eliminar os benefícios fiscais concedidos às instalações de processamento petroquímico e de produção de plásticos, que privam as comunidades de recursos financeiros tão necessários.

Katie Allen, diretora executiva da Algalita, uma organização ambiental sem fins lucrativos sediada na Califórnia que desenvolve materiais educativos sobre a poluição por plástico, contestou a ideia de que as escolas devam proibir todo o conteúdo patrocinado pela indústria.

«Quando se começa a proibir uma coisa, onde é que isso acaba? O que eu quero é dar aos educadores o benefício da dúvida e permitir que tomem as suas próprias decisões», disse. Defendeu que se deve confiar nos professores para contextualizarem adequadamente os materiais da indústria — e que estes poderiam até utilizá-los para ensinar competências de pensamento crítico.

Dito isto, há muitos materiais educativos sobre plásticos desenvolvidos por fontes não ligadas à indústria. A Algalita, por exemplo, disponibiliza planos de aula gratuitos sobre temas como as ilhas de lixo plástico nos oceanos e a biomagnificação — o fenómeno em que os plásticos se acumulam no interior dos animais marinhos à medida que se sobe na cadeia alimentar. A The Story of Stuff, outra organização sem fins lucrativos, oferece um currículo mais abrangente para o ensino secundário, centrado nos custos e nas consequências da produção de bens de consumo — incluindo os fabricados a partir de plásticos.

Esses materiais didáticos continuam a provir de organizações com uma agenda própria. No entanto, Hicks argumentou que são mais fiáveis, uma vez que as organizações sem fins lucrativos normalmente não estão a tentar vender nada.

Outra opção é os professores simplesmente conceberem os seus próprios programas curriculares. Foi isso que Jacqueline Omania, uma professora do ensino básico recentemente aposentada em Berkeley, na Califórnia, fez em 2015. Transformou a sua sala de aula num laboratório «zero resíduos» e, todos os anos, durante 11 anos, Omania e os seus alunos desenvolveram um conjunto de acordos de «zero resíduos» para a sala de aula, comprometendo-se a minimizar o uso de plástico — por exemplo, trocando os tubos de cola individuais por um recipiente comum de cola —, ao mesmo tempo que defendiam mudanças mais sistémicas, como a campanha a favor de uma política que obrigasse os restaurantes de Berkeley a deixar de distribuir talheres de plástico descartáveis.

«Há muitos desafios no mundo, mas o plástico é algo tangível», afirmou Omania. «Está mesmo ali à frente deles, e conseguem ver a diferença que estão efetivamente a fazer através das suas ações.»

quarta-feira, 24 de junho de 2026

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DA TEORIA PARA A PRÁTICA

  • A educação ambiental em Portugal deve deixar de se focar apenas na sensibilização teórica para preparar os cidadãos para a ação concreta face às alterações climáticas, defende a rede portuguesa de embaixadores do Pacto Climático Europeu para a revisão da Estratégia Nacional de Educação Ambiental (ENEA 2030). Para tal, sugere-se (1) a formação de “Clima Clubes" nas escolas, plataformas de aprendizagem interdisciplinar para explorar soluções ambientais, projetos de ciência cidadã e desenvolver competências práticas; (2) a introdução de uma uma unidade curricular de "Sustentabilidade Aplicada" em todos os cursos das universidades e politécnicos; (3) Formação contínua em sustentabilidade, integrada nas ofertas formativas das empresas e da Administração Pública, ao longo da vida profissional. Os especialistas defendem ainda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo áreas como História, Filosofia, Ciências e Artes. O objetivo é capacitar os cidadãos para responder a fenómenos como secas, incêndios e ondas de calor, combatendo a "ecoansiedade" ao transformar a preocupação em capacidade de intervenção. Fonte.
  • A Praia do Furadouro ficou em segundo lugar no concurso “Praias Memoráveis”, promovido pela ABAAE – Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação, em parceria com a BW. Entre as 192 praias concorrentes, o Furadouro reuniu a preferência dos banhistas, refletindo o lugar especial que ocupa na memória e nas vivências de gerações de ovarenses e visitantes. Fonte. Passámos por lá no domingo à tarde. Por duas vezes tive de tapar os ouvidos com rolhões tal era o volume e intensidade da ‘música’ debitada por dois recintos, um deles defendido por meia dúzia de gorilas vestidos de preto e ar feroz. O passadiço salvou a situação. Notícias destas, muito provavelmente patrocinadas com generosidade, servem para promover um sítio, tudo temperado com enorme greenwashing.
  • Consulta pública até 3 de agosto: O Projeto do Parque Eólico do Paiva e linhas elétricas associadas tem como objetivo a produção de eletricidade a partir de fonte renovável, contribuindo para o reforço da capacidade nacional de geração elétrica com origem não fóssil. O Projeto do Parque Eólico do Paiva prevê a instalação de 45 aerogeradores, distribuídos por três núcleos, bem como de quatro linhas de média tensão, a 30 kV. Enquadra-se nas Regiões Centro e Norte, e abrange os distritos de Viseu e da Guarda, integrando-se nos concelhos de Viseu, Vila Nova de Paiva, Sátão, Sernancelhe e Aguiar da Beira.
  • Como se impede a pesca ilegal com redes de arrasto no Camboja. Fonte.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

ALJUSTREL LÍDER DA MINERAÇÃO?


400 milhões de euros foram investidos na mina de Aljustrel no âmbito do projeto "Feeding the Global Energy Transition" (Alimentar a Transição Energética Global). O objetivo é modernizar e expandir a mina, tornando-a uma das mais avançadas do mundo e posicionando-a "na linha da frente da mineração moderna. A principal obra foi a ampliação da lavaria industrial da mina. Com esta melhoria, a instalação passa a ter capacidade para tratar anualmente seis milhões de toneladas de minério (cobre e zinco) em simultâneo, interligando as duas linhas de produção e otimizando a recuperação dos metais com criação de mais valor. O projeto inclui a construção de uma unidade de produção de energia solar fotovoltaica para autoconsumo, o que permitirá reduzir significativamente a pegada carbónica da mina e os seus custos com energia. O projeto foi visitado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro que garantiu que Portugal "faz corar de inveja qualquer economia da União Europeia”. Fonte.


A propósito de minas... Em julho de 1998, o Clube de Ambiente da Escola Secundária do Dr Manuel Gomes de Almeida organizou um acampamento em Unhais-O-Velho. Do programa de atividades fizeram parte uma caminhada em Piódão e uma visita de estudo às minas da Panasqueira orientada por um funcionário da empresa. Tudo com o apoio logístico da Câmara Municipal de Espinho nas pessoas do saudoso Prof. Moutinho, do Sr Maduro e do Sr Virgílio. Na altura nunca imaginámos que as nossas minas e a nossa economia pudessem um dia fazer corar de inveja qualquer economia da antiga CEE.


quarta-feira, 27 de maio de 2026

REFLEXÃO

LIPOR E BP PORTUGAL INAUGURAM ESCOLA DA NATUREZA PARA PROMOVER A BIODIVERSIDADE


Localizada nas margens do rio Tinto, a iniciativa nasce numa área anteriormente utilizada como aterro, agora recuperada e devolvida à comunidade como espaço de aprendizagem, regeneração e contacto direto com a natureza.

Segundo António Silva Tiago, presidente da LIPOR, o projeto reflete a ambição da entidade de ir além da transformação de resíduos em recursos. “Mais do que transformar resíduos em recursos, é cuidarmos da vida que renasce”, afirma o responsável, sublinhando a integração da biodiversidade na estratégia da LIPOR, através do conceito “Lado B — o lado da Biodiversidade”.
Para Silvia Barata, presidente da bp Portugal, a dimensão de recuperação ambiental e o impacto positivo do projeto justificaram o apoio da empresa. A responsável destaca que a iniciativa está alinhada com as metas de sustentabilidade da bp Portugal, nomeadamente no que diz respeito à colaboração com outras entidades para apoiar a restauração da biodiversidade.

A Escola da Natureza foi concebida como um espaço de sensibilização ambiental e aprendizagem experiencial, destinado a visitantes de todas as idades. O projeto incluiu a renaturalização e recuperação de uma área florestal com recurso a soluções de base natural, bem como a criação de um trilho off-road e sensorial, postos de observação da biodiversidade e abrigos para a fauna.
Mais do que um espaço físico, a Escola da Natureza pretende proporcionar uma experiência imersiva e pedagógica, aproximando a comunidade dos ecossistemas naturais. Através de atividades interativas, o projeto procura estimular comportamentos responsáveis, reforçar a consciência ambiental e promover uma relação mais sustentável com a biodiversidade. Fonte.

A BP é uma empresa historicamente associada a atividades de alto impacto ambiental (exploração e comercialização de combustíveis fósseis), setor responsável por uma parcela significativa das emissões de gases com efeito de estufa.
Projetos como escolas da natureza, plantio de árvores ou ações de educação ambiental podem servir para desviar a atenção das atividades principais poluentes da empresa, sem mudanças estruturais no seu modelo de negócio.
Quando uma empresa poluidora apoia pequenos projetos ambientais locais, há o risco de estes serem usados mais para melhorar a sua imagem pública — uma "operação de charme" — do que para compensar os danos reais causados.


Estamos, pois, conversados.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

REFLEXÃO

ESPINHO, QUE EDUCAÇÃO AMBIENTAL?

Imagens de algumas ações de limpeza de praias de Espinho e Paramos levadas a cabo pelo Clube do Ambiente da ESMGA 
em 1997, 1998, 1999 e 2000.

Longe vão os tempos em que um punhado de professores e alunos da Escola Secundária Dr Manuel Gomes de Almeida, agrupados no seu Clube do Ambiente, levavam a cabo inúmeras atividades, incluindo observações costeiras, visitas de estudo, acampamentos, caminhadas e ações de limpeza de praias. Noutras localidades, grupos semelhantes faziam o mesmo e, quiçá, melhor.

A semente germinou e cresceu. Os tempos são outros, e o modelo da educação ambiental parece ter envergado outras roupagens.
Dezenas de professores e alunos do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira passaram a manhã de quarta‑feira, 6 de maio, na Praia da Baía, recolhendo resíduos ao longo do percurso até à Praia dos Pescadores. O evento integrou também uma aula ao ar livre sobre o impacto dos resíduos marinhos e contou com atuações de dança artística e ginástica acrobática.
Pese embora o empenho dos alunos, professores, autarcas e agentes de comunicação, toda a ação pareceu cuidadosamente encenada para transmitir uma imagem de dinamismo ambiental — quase uma operação de cosmética pública destinada a suavizar o impacto da recente perda da Bandeira Azul por parte da praia da Baía.
Curiosamente, o Defesa de Espinho — semanário propriedade da EMPS, detida maioritariamente pela Solverde (Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, SA), responsável pelos casinos de Espinho, Vilamoura e Figueira da Foz — disponibilizou, na íntegra e livremente, uma reportagem sobre o evento, ilustrada por dezenas de fotografias, embora nenhuma do conjunto dos resíduos que consta terem sido recolhidos...



Isabel Faustino/DE



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO

A ECOLOGIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: ESTUDANTES NORTE-AMERICANOS APRENDEM NOVAS COMPETÊNCIAS À MEDIDA QUE A CRISE CLIMÁTICA SE INTENSIFICA
Ariel Gilreath, The Hechinger Report. Trad. O’Lima.

Numa extremidade da sala de aula, alunos do segundo ano do ensino médio examinavam pequenos brotos verdes — futuras cenouras baby e ramos de alface romana — que despontavam do solo de um sistema de irrigação gota a gota que eles mesmos haviam construído algumas semanas antes.

No lado oposto da sala, um modelo de uma central hidroelétrica mostrava aos alunos como o movimento da água pode estimular correntes elétricas. Nesta aula no distrito escolar de Greenville County, na Carolina do Sul, os alunos aprendem principalmente sobre um tema: energia renovável.

«É algo extremamente importante de se estudar, especialmente agora com todas as novas tecnologias surgindo», disse Beckett Morrison, aluno do 11.º ano. Em 2023, o distrito escolar construiu esta instalação, chamada Centro de Inovação, para alternar entre diferentes programas de formação profissional, com base nas necessidades das empresas locais.

Apesar do presidente Donald Trump declarar que as alterações climáticas são uma «farsa» e a cortar o financiamento para combatê-las, os sistemas escolares dos estados democratas e republicanos estão a adicionar aulas em áreas como energia limpa e a incorporar lições de sustentabilidade ambiental na construção, culinária e outras áreas profissionais, como parte de um esforço para preparar os alunos para um mercado de trabalho alterado pelas alterações climáticas.

A tendência surge à medida que as indústrias adotam tecnologias emergentes num esforço para se manterem competitivas globalmente, se adaptarem às mudanças ambientais e reduzirem custos, afirmaram líderes estaduais e escolares. Mesmo empregos que historicamente não eram considerados carreiras ambientais estão-se adaptando às mudanças nas necessidades da indústria.

Há outra razão pela qual as escolas estão a lançar cursos focados na sustentabilidade: um número crescente de jovens, muitos dos quais viveram furacões severos, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos exacerbados pelas alterações climáticas, estão preocupados com o aquecimento global e procuram maneiras de o aliviar.

«Eles querem garantir que o mundo seja seguro e limpo para as gerações futuras», disse Dan Hinderliter, diretor associado de políticas estaduais da Advance CTE, uma organização que representa líderes estaduais e escolares da educação profissional e técnica.

Eckett Morrison, aluno do 11.º ano, aponta para uma nova cultura num canteiro com irrigação gota a gota. Esta aula de tecnologia de energia limpa prepara os alunos para carreiras no Centro de Inovação em Greenville, Carolina do Sul. Crédito: Ariel Gilreath/The Hechinger Report

Na vanguarda deste movimento está o Delaware, um estado com planos para que todos os seus cursos de CTE do ensino fundamental e médio incluam aulas sobre meio ambiente nos próximos anos. A ideia é que os alunos de todos os setores — da carpintaria à formação de professores — tenham algum conhecimento sobre sustentabilidade e impacto ambiental, disse Jon Wickert, diretor estadual de educação profissional e técnica e iniciativas STEM.

O objetivo é ajudar os alunos a entender como reduzir não apenas as emissões de carbono, mas também outros danos ambientais e à saúde, em todas as profissões, disse ele. Contabilistas e gerentes de edifícios devem considerar maneiras de reduzir o consumo de energia, o que também levará à redução de custos. Os alunos de carpintaria devem saber o impacto na saúde e no meio ambiente da poeira da madeira, do plástico e da fibra de vidro, e o que acontece quando esses materiais poluem os cursos de água, disse Wickert.

“Como empresa, se os nossos funcionários estiverem saudáveis, isso vai ajudar os nossos resultados financeiros em termos de custos com seguro de saúde. Queremos que os nossos alunos pensem dessa maneira ao saírem dos nossos programas do ensino médio”, disse Wickert. “Assim, quando entrarem no mercado de trabalho, eles serão capazes de pensar melhor e de maneira mais conectada.”

Em vez de criar percursos profissionais específicos para empregos na área ambiental, a agência decidiu adicionar essas lições aos cursos de educação profissionalizante já existentes no ensino fundamental e médio. Por exemplo, o estado está a integrar lições sobre instalação de painéis solares e redução de energia nos cursos para percursos profissionais na área elétrica, em vez de iniciar aulas específicas sobre instalação de painéis solares.

O impacto das alterações climáticas é particularmente grave no Delaware, que é o estado mais plano do país e fica logo acima do nível do mar. Estima-se que o estado perderá cerca de 10% do seu território para o oceano até ao final do século.

«Todos os empregos são empregos verdes», disse Denise Purnell-Cuff, associada educacional do Departamento de Educação de Delaware que trabalhou no progtrama estadual. «Não há como separar o nosso avanço em qualquer área — não há como separá-lo do ambiente.»

Os alunos utilizam uma casa modelo para ver a produção de energia a partir de diferentes fontes de calor nesta aula sobre tecnologia de energia limpa no Centro de Inovação em Greenville, Carolina do Sul. Crédito: Ariel Gilreath/The Hechinger Report

Nos últimos anos, os empregos na área de energia limpa cresceram mais rapidamente do que o resto da economia dos EUA. Até 2030, espera-se que dois terços de todos os carros vendidos globalmente sejam elétricos, e mais países dependerão da energia renovável como sua principal fonte de energia.

Sob a administração Biden, as escolas puderam aceder a alguns fundos federais que os seus estados receberam da Lei de Investimento em Infraestruturas e Emprego, aprovada por ambos os partidos, para lançar iniciativas de mão de obra limpa e amiga do clima. Essa lei impulsionou o progresso em estados onde o financiamento para programas climáticos é escasso, disse Hinderliter, mas grande parte desse financiamento foi cancelado no ano passado pela administração Trump.

Sem verbas federais para estes programas, as escolas agora estão à procura de outras fontes de financiamento para criar programas de CTE mais ecológicos, devido às necessidades ambientais ou económicas das suas comunidades.

No ano passado, o Sindicato dos Professores de Chicago negociou com sucesso várias iniciativas ecológicas no seu contrato com o distrito escolar, incluindo percursos profissionais em energia limpa para os alunos. Nas escolas públicas de Washington, D.C., os líderes estão a criar aulas de sustentabilidade, como jardinagem hidropónica, ao programa de agricultura do distrito.

Em Cook, os professores da Buffalo Grove High School, a noroeste de Chicago, estavam à procura de maneiras de adicionar mais cursos de ciências ao catálogo da escola, o que levou, em 2023, à criação do curso de sustentabilidade. Desde então, as matrículas na academia cresceram mais de cinco vezes, para cerca de 80 alunos, que têm aulas como Introdução à Sustentabilidade, Aplicações da Sustentabilidade e Ciência Ambiental Avançada.

«Sentimos que era importante envolver os alunos nestes temas e fazê-los pensar sobre políticas», disse Michael McPartlin, professor de ciências da academia. «Eles serão a geração que moldará os próximos passos.»

A escola secundária fica na bacia hidrográfica de Buffalo Creek, em Illinois. Durante o segundo ano de aulas, os alunos fazem um curso sobre Sistemas Aquáticos Sustentáveis, onde têm a oportunidade de testar a química da água e aprender sobre o impacto da sua comunidade no ecossistema.

A existência de empregos locais que exigem este tipo de aulas reforçou a ideia de criar a Academia de Sustentabilidade, disse Angel Johnson, chefe da divisão de matemática e ciências da Buffalo Grove High.

«É uma área em crescimento e com grandes oportunidades no mercado de trabalho», disse Johnson. «Percebemos que havia muitos empregos diferentes disponíveis na nossa comunidade imediatamente após a formatura.»

Estudantes a colher os produtos da sua horta em Delaware. Crédito: Cortesia de Brandi Henderson

A Advance CTE não mantém uma base de dados específica sobre percursos «verdes» de CTE, mas a organização tem trabalhado com mais comunidades nos últimos anos que desejam adicionar sustentabilidade aos seus programas, disse Hinderliter. «Notámos que esta tendência continua, particularmente com os investimentos da última administração em infraestruturas», afirmou.

Em estados conservadores, onde as alterações climáticas não são uma prioridade estadual, especialmente perante os ataques de Trump, as comunidades estão percebendo que esses tipos de programas CTE sustentáveis têm um benefício económico e para a força de trabalho que vai para além de ajudar o meio ambiente.

«Ohio é um bom exemplo disso», disse Hinderliter. «Um estado muito conservador agora tem três grandes áreas metropolitanas que possuem planos de educação climática, planos de ação climática e estão todas a concentrar os programas em resultados ambientais, tanto em programas CTE como em programas não CTE.»

Em Greenville, onde fábricas de automóveis e de energia como a BMW e a GE Vernova estão entre as maiores indústrias, os alunos estão a aprender sobre veículos elétricos e híbridos e fontes de energia renováveis. Por mais benéficas que essas aulas sejam para o meio ambiente, os alunos estão a aprender sobre a tecnologia para impulsionar as suas opções de carreira.

«Toda a produção industrial tem uma componente de sustentabilidade», afirmou Katie Porter, diretora do Centro de Inovação CTE. Funcionários dessas indústrias do condado de Greenville ajudaram a decidir que cursos o Centro de Inovação ofereceria aos alunos quando foi inaugurado há três anos.

Estudantes como Morrison viajam de escolas secundárias de todo o condado para frequentar o centro e inscrever-se num dos cinco programas: energia limpa e renovável, tecnologia aeroespacial, automação e robótica, investigação automóvel emergente ou redes e cibersegurança.

Os alunos das aulas de energia limpa podem usar o que aprenderam para estudar engenharia na faculdade ou seguir carreiras como eletricistas e auditores de energia — empregos que não exigem necessariamente diploma universitário. Nas aulas de automóveis do centro, os alunos aprendem sobre veículos elétricos e híbridos, além dos motores a gasolina tradicionais.

Cerca de 25 alunos do ensino médio estão matriculados neste programa de tecnologia de energia limpa no Centro de Inovação. O programa de três anos culmina com um projeto de cada aluno do último ano que reflete o que aprenderam ao longo dos cursos. No ano passado, um aluno construiu uma placa piezoelétrica — um azulejo que se parece com uma balança de peso corporal, mas acende e gera eletricidade quando pisado. A sua proposta era instalá-las em zonas pedonais no centro da cidade para gerar pequenas quantidades de eletricidade para a cidade de Greenville. Ao longo da aula, os alunos apresentam o seu trabalho aos líderes da indústria na comunidade.

«Os miúdos são impressionantes com tudo o que aprenderam», disse Ethan Cox, que leciona as aulas de energia limpa. Os alunos podem formar-se no programa com certificação da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional, certificação introdutória em painéis solares e modelagem 3D, entre outras competências.

Os alunos que frequentam esta aula têm objetivos profissionais diferentes — alguns estão a pensar seguir carreiras na área da engenharia ou do ambiente, outros podem ingressar em cursos de eletricista na faculdade comunitária local.

A aula ensinou a Morrison, aluno do 11.º ano do ensino secundário que participa no programa, sobre fontes de energia que ele nunca tinha imaginado. Para o seu próximo projeto, ele está a aprender sobre um tipo de alga que, quando exposta a frequências ultrassónicas, liberta lípidos que podem ser convertidos em biocombustível.

Ele preocupou-se sempre com a proteção do meio ambiente, mas os cursos de energia nesta escola ajudaram a cristalizar essa questão para ele. Ao aprender sobre energia limpa, ele também está a aprender sobre soluções, independentemente da área que decidir seguir após formar-se. Para Morrison, reduzir o impacto da sociedade no meio ambiente é tão importante para os seus planos de carreira como encontrar um bom emprego.

“É uma das coisas mais importantes”, disse Morrison. “Não há como reverter completamente os nossos efeitos, mas a energia renovável é algo que pode ajudar, vai ajudar e já ajudou.”

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

GASTRONOMIA FINA AMEAÇA SOBREVIVÊNVIA DA ENGUIA-BEBÉ

  • Exibicionismo da extinção: a alta gastronomia acabará com o animal mais enigmático do mundo. Apesar de a enguia europeia estar em perigo crítico de extinção, os restaurantes mais seletos aproveitam a escassez para oferecer os seus filhotes (as enguias jovens) como um prato de luxo. Eduardo Robaina, Climática.
  • Subsidiária da Shell pagou mais de US$ 10 milhões ao Museu de Queensland para moldar a educação climática das crianças. O material educativo distorce a forma como a poluição causada pelos combustíveis fósseis provocou a emergência climática, revela um novo relatório. Fonte.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: REVISÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL EM CURSO

  • A Estratégia Nacional de Educação Ambiental vai ser revista com o objetivo de criar uma renovada dinâmica ao nível da sensibilização para a sustentabilidade. A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, considera que Portugal precisa de novos projetos e iniciativas que contribuam para sensibilizar a população e motivar os mais jovens a agir em prol do ambiente. Até ao final de 2025, a Agência Portuguesa do Ambiente irá realizar um ciclo de debates visando estimular a participação e o envolvimento da sociedade, abordando temas prioritários que irão nortear a estratégia até 2030: 30 outubro | Gondomar | Tema «Promover a economia circular»; 6 novembro | Coimbra | Tema «Restaurar os ecossistemas»; 20 novembro | Évora | Tema «Usar a água com eficiência»; 27 novembro | Faro | Tema «Proteger os oceanos»; 2 dezembro | Lisboa | «Agir pelo clima». Os contributos irão enriquecer os trabalhos de preparação da ENEA 2030, prevendo-se que seja colocada em consulta pública em fevereiro de 2026, seguindo-se a sua aprovação. Fonte.
  • O antigo aterro sanitário de Maceda, em Ovar, está sob ameaça devido ao avanço do mar, expondo fragilidades estruturais e um vazio institucional na gestão de resíduos. Entre alertas técnicos, críticas políticas e discursos contraditórios, cresce o receio de uma crise ambiental com efeitos nos ecossistemas e na saúde pública. Fonte.
  • Investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra participam num consórcio europeu para desenvolver soluções sustentáveis contra a poluição por nitratos. Fonte.
  • Pelo menos 200 peixes foram encontrados mortos nas margens da albufeira do Roxo, que abrange os concelhos de Aljustrel e Beja, encontrando-se as autoridades a investigar as causas desta ocorrência. Fonte.

sábado, 4 de outubro de 2025

AVEIRO: CÂMARA RENOVA PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO COM A NAVIGATOR

  • A Câmara de Aveiro celebrou um protocolo de colaboração Navigator, dando continuidade a uma parceria que se iniciou em 2010 e que tem vindo a integrar diversos projetos de relevância local, ambiental e social. O acordo enquadra-se na estratégia de valorização da Zona Industrial de Cacia, onde se situam infraestruturas estratégicas como a Variante Rodoviária de Cacia, inaugurada em 2019, e a nova fábrica de papel tissue da Navigator, em funcionamento desde 2018. Com este protocolo, as duas entidades comprometem-se a desenvolver novas ações em áreas como a Educação Ambiental, a cooperação com a comunidade e a valorização da região. Entre os objetivos está também a dinamização do espaço florestal da Quinta de São Francisco, gerido pelo Instituto de Investigação da Floresta e Papel, de que a Navigator é sócio maioritário. O Protocolo garante também a participação da Navigator na cogestão das infraestruturas da CIRA em construção no Baixo Vouga Lagunar, com especial destaque para a Ponte Açude do Rio Novo do Príncipe. A Navigator assume um apoio financeiro à CMA no valor de 1.250.000€ tendo em consideração principal a redução dos seus custos pela ativação das novas infraestruturas do Rio Novo do Príncipe e do Baixo Vouga Lagunar. Fonte.
  • O número de mortes relacionadas com o calor em Espanha entre 16 de maio e 30 de setembro atingiu 3.832, um aumento de 87,6% em relação ao mesmo período de 2024, informou o Ministério da Saúde. Quase dois terços das mortes envolveram pessoas com mais de 85 anos e quase 96% tinham mais de 65 anos, informou o ministério em comunicado. Fonte.
  • O governo alemão vai investir mais de 2 mil milhões de euros até 2029 para apoiar o projeto do primeiro reator de fusão nuclear no país. Fonte.
  • Os ativistas que ocupavam o estaleiro de obras de um desvio rodoviário em Ardèche, França, foram expulsos pelas autoridades. Este desvio irá artificializar 3,2 hectares que abrigam numerosas espécies. Sem contar que este troço rodoviário é apenas uma parte de um projeto mais vasto de contorno da cidade de Valence, com 50 hectares de terras agrícolas e naturais. Fonte.
  • Na Europa, desaparecem 1.500 quilómetros quadrados de solo por ano. O desenvolvimento imobiliário, turístico e industrial continua a destruir áreas naturais e terrenos agrícolas a um ritmo insustentável, apesar de a União Europeia se ter comprometido a reduzir a zero o consumo líquido de solo. Fonte.
  • Na Lombardia, o glaciar Ventina derreteu demais: «Os geólogos já não sabem como medi-lo. Fonte.
  • Incinerador de Roma: Deputado Zaratti questiona o governo sobre possível conflito de interesses. Tudo porque o Comissário exerce simultaneamente três funções - a de autoridade competente para a Avaliação de Impacto Ambiental, a de cliente da empresa e a de Prefeito de Roma, além de acionista maioritário da ACEA , líder do consórcio vencedor. Fonte.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

CONCURSO REGIONAL DE HORTAS ESCOLARES

CM Seixal.
  • A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro lançou o Concurso Regional das Hortas Escolares, «Super Horta Escolar», destinado às escolas do ensino pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico com hortas escolares já instaladas e em manutenção no presente ano letivo. Objetivo: valorizar as hortas escolares como um instrumento pedagógico de aprendizagem da alimentação, da natureza, da biodiversidade e do clima. Os Prémios são atribuídos em três categorias temáticas para cada nível de ensino: Horta Mais Sustentável – Para a escola que adota práticas ecológicas, como compostagem, reutilização de materiais e cultivo de espécies autóctones; Horta com Maior Envolvimento da Comunidade – Destaca a horta que mais incentiva a participação ativa de alunos, professores, pais e a comunidade local; Horta Mais Diversificada – Premeia a escola com a maior variedade de culturas e com um aproveitamento eficiente do espaço e da produção. As candidaturas estão abertas até dia 30 abril. Mais informação aqui. Fonte.
  • O Rev. Jörg Alt, um padre jesuíta, diz que prefere ir para a prisão do que pagar uma multa de 500 euros por ter participado num bloqueio de rua dos ativistas do clima na cidade de Nuremberga, no sul da Alemanha. Fonte.
  • Cerca de 70% dos pneus exportados para a Índia a partir do Reino Unido e do resto do mundo estão a ser enviados para instalações industriais improvisadas, onde são "cozinhados" para extrair aço, pequenas quantidades de óleo e negro de fumo - um pó ou pellet que pode ser utilizado em várias indústrias. As condições nestas fábricas - muitas das quais se situam em zonas rurais - podem ser tóxicas e prejudiciais para a saúde pública, para além de potencialmente perigosas. Fonte.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

CANADÁ: INDÚSTRIA DOS FÓSSEIS MINA CURRÍLO ESCOLAR

    • As empresas de combustíveis fósseis estão a influenciar o que os estudantes canadianos aprendem sobre as alterações climáticas, financiando e fornecendo materiais educativos que enquadram a questão de forma a servir os seus interesses, alertam os defensores da saúde e do clima num novo relatório.  Pelo menos 39 empresas de petróleo e gás e 12 organizações ligadas à indústria - incluindo a Shell, a TC Energy e a Pathways Alliance - forneceram recursos para a sala de aula que minimizam o papel do sector na condução do aquecimento global, afirma o relatório. Os materiais sublinham a responsabilidade do consumidor e as soluções tecnológicas, omitindo em grande parte a necessidade de uma transição rápida para longe dos combustíveis fósseis. Fonte.
    • Uma mina gigantesca, cheia de resíduos nucleares radioativos, planeada ao lado de uma importante falha geológica em Lake District - o que pode correr mal? Quem está a aconselhar a escavação deste enorme vazio? O descartado chefe do setor do carvão da Cumbria, Mark Kirkbride, é o homem certo para aconselhar a escavação de um enorme vazio para encher com plutónio junto a uma falha importante. Fonte.

    domingo, 5 de janeiro de 2025

    JORGE PAIVA DESPEDE-SE AOS 91 ANOS DESILUDIDO COM A LUTA AMBIENTAL

    “Camões é um valoroso e verdadeiro lírico, enquanto eu fui um ‘lírico’ irrealista”, lamenta o professor jubilado da Universidade de Coimbra, num cartão de “boas festas” e felicidades para 2025. Jorge Paiva, de 91 anos, confessa um “desalento enorme” para afirmar que, “após mais de meio século de atividade cívica pelo ambiente e pela natureza”, tem agora “plena consciência de ter sido uma luta improfícua”. Estando Portugal a comemorar os 500 anos do nascimento de Camões, que estudou em Coimbra, e “sendo ‘Os Lusíadas’ a sua obra mais estudada pelos alunos”, nas escolas e demais instituições onde proferiu 2.500 palestras, o investigador recorda que os jovens “ficavam sensibilizados para o desastre ambiental do planeta”. “É penoso chegar ao limiar [não será ‘ocaso’?] da vida com a consciência de não ter conseguido resultados nenhuns e de que a ‘gaiola’ em que vivemos está imunda”, admite o ambientalista. Sugerindo aos governantes portugueses que considerem “fundamental estabelecer e incrementar o rápido ordenamento florestal do país”, Jorge Paiva informa que deixou “de ser um lírico”, tendo concluído que “não vale a pena continuar com a atividade cívica de educação ambiental”.

    O Ambiente Ondas3, blogue que há 21 anos partilha recortes de notícias sobre temas ambientais nacionais e internacionais, - sem qualquer tipo de apoios púbicos ou privados nem truques de monetização -, também está muito desiludido com o jornal pago pela sonae. Tudo porque não disponibiliza o texto na íntegra, obrigando o leitor a pagar uma coisa que foi inserida em secção especial, dita ‘azul’, alimentada por subsídios da gulbenkian, da biopolis e da eletrão. Outros media são, sem sombra de dúvida, honestos neste ponto: não fazem lavagem verde.

    terça-feira, 10 de dezembro de 2024

    INGLATERRA: DANONE QUER ABATER FLORESTA PLANTADA POR ALUNOS DE UMA ESCOLA HÁ CERCA DE 20 ANOS

    Foto: Mark Doherty

    • A Harrogate Spring Water, propriedade da multinacional Danone, está a planear cortar uma floresta plantada por crianças de uma escola para expandir a sua fábrica de engarrafamento na cidade de North Yorkshire. Duas escolas primárias, juntamente com outros voluntários locais, ajudaram a plantar 450 árvores num projeto organizado pelo Rotary Club de Harrogate há quase 20 anos. "Ensinaram-nos que as árvores produziam oxigénio e eram boas para nós", disse Lily Stockburn, que participou na plantação de árvores quando tinha seis anos. "Estou devastada por quererem destruí-las. Cortar árvores para fazer mais garrafas de plástico vai contra tudo o que aprendemos." "É um bosque encantador. Muitas pessoas passeiam lá os seus cães e há muita vida selvagem", acrescentou. O bosque, conhecido como Rotary Wood, inclui carvalhos, bétulas, salgueiros, carpas, pinheiros e cerejeiras selvagens e é gerido pelo Pinewoods Conservation Group. Fonte.
    • Consulta pública até 31 de dezembro: Pedido de Título de Utilização Privativa do Espaço Marítimo Nacional, apresentado pela HOPE ZONES ASSOCIATION, para efetuar uma experiência de plantação de algas ancorada nos recifes artificiais da Nazaré com o objetivo de criar um habitat propiciador ao desenvolvimento de algas castanhas. Fonte.
    • Como a aplicação permissiva das autorizações REACH permite que as empresas fiquem impunes. O regulamento europeu relativo aos produtos químicos REACH procura assegurar um elevado nível de proteção da saúde humana e do ambiente. Este objetivo inclui a eliminação progressiva das "substâncias que suscitam elevada preocupação" (SVHC). As SVHC podem, por exemplo, causar cancro, afetar o sistema endócrino ou ser tóxicas e não se degradam no ambiente. O regime de autorização REACH exige que a indústria se abstenha de utilizar estas substâncias químicas - exceto se lhes for concedida autorização. Um relatório de 2023 da Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) revela que 40% das empresas em toda a UE não cumprem as suas obrigações ao abrigo da Autorização REACH. Tendo em conta os riscos significativos que estas substâncias representam, a elevada taxa de incumprimento revelada pela ECHA é alarmante. Ainda mais preocupante é a resposta indulgente da aplicação da lei a um incumprimento tão generalizado. Além disso, para além do relatório da ECHA, há uma preocupante falta de informação disponível ao público sobre a aplicação da regulamentação relativa aos produtos químicos, incluindo o regime de autorização. Fonte.

    • Exploração da biodiversidade brasileira: quem lucra com a biopirataria? Monica Piccinini, The Canary.

    sábado, 7 de setembro de 2024

    REFLEXÃO: A ECOLOGIZAÇÃO TENTA CRIAR RAÍZES NAS ESCOLAS FRANCESAS

    A educação para o desenvolvimento sustentável faz parte integrante da missão das escolas. Foram desenvolvidos programas e criadas medidas como os eco-delegados. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

    Ao longo dos anos, os programas escolares foram alargados, desde o ensino pré-escolar até ao último ano do ensino secundário. Foram introduzidas medidas como os delegados ecológicos. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer: os professores carecem de formação e de apoio e algumas iniciativas são dificultadas pela falta de margem de manobra em escolas ainda com poucos recursos. Em março de 2023, o Conselho Superior de Programas escreveu: "No final da sua escolaridade, os alunos devem ser capazes de compreender os desafios do desenvolvimento sustentável, de adotar um comportamento individual e coletivo responsável, de prever um futuro justo e realista, de participar nos debates sociais e até de se envolverem".

    A nível do ensino secundário, alguns conceitos como resíduos, poupança de energia e recursos renováveis foram explicitamente incluídos nos programas de física e química em 2020. A subida do nível dos mares e dos oceanos e o aquecimento global também foram incluídos no programa de ciências e tecnologias.

    Estamos a assistir a uma ecologização do currículo, com alguns aditamentos", admite Maud Valegeas, secretária federal adjunta de Sud Éducation. Mas ainda é muito superficial. O ensino baseia-se essencialmente na noção de desenvolvimento sustentável". Cita as ciências económicas e sociais, onde se aborda a globalização e o fluxo de bens e pessoas, elementos que contribuem para a crise ecológica. "Mas em vez de abrandarmos, estamos simplesmente a adaptar-nos a um mundo em crise", lamenta, citando como prova o extrato do programa de estudos do último ano de Ciências Económicas e Sociais que estabelece o objetivo de "compreender que o crescimento económico sustentável esbarra nos limites ecológicos e que a inovação pode ajudar a fazer recuar esses limites". Em vez de inovação, Maud Valegeas preferia que a tónica fosse colocada na sobriedade e na redução do consumo de energia.

    Formação insuficiente dos professores

    Para Frédérick Heissat, da Profs en transition, "Temos tudo o que precisamos para trabalhar, graças aos conteúdos e aos recursos disponibilizados, que nos permitem melhorar as nossas competências". Esta é também a opinião de Francesca Pasquini, ex-membro do grupo Ecologiste-Nupes, que em 2023, juntamente com Graziella Melchior, liderou uma missão de investigação sobre a adaptação das escolas aos desafios das alterações climáticas. “Os professores não estão privados. Têm uma enorme quantidade de material, por vezes quase demasiado. O problema é que não recebem formação suficiente sobre estas questões e as ferramentas disponíveis não são suficientemente utilizadas. Quando são bem tratadas em algumas escolas, é quase sempre por um único professor que tem conhecimento da questão e que se voluntaria para liderar projetos e falar sobre o assunto em diferentes turmas. Mas se o ensino assenta nos ombros de uma só pessoa, não vai durar muito tempo.”

    Alguns professores, sem formação científica, podem não se sentir no direito de abordar questões complexas. São assuntos que exigem conhecimentos especializados, afirma Maud Valegeas. Os professores precisam de ser formados no âmbito da sua formação contínua. Mas esta formação foi posta em causa ao nível do ensino secundário. Já não é possível fazer formação no local de trabalho. Se quiserem receber formação, os professores têm de o fazer à noite ou ao fim de semana, nomeadamente através de webinars.

    No que diz respeito aos professores do ensino primário, recomenda-se que dediquem as dezoito horas anuais obrigatórias de formação contínua à educação para o desenvolvimento sustentável. "Precisamos de reservar um ano para formar todos os professores do ensino primário", afirma Francesca Pasquini.

    A educação para o desenvolvimento sustentável assenta muito no trabalho transversal e interdisciplinar, mas "nem sempre é claro que professor deve ser responsável por estas matérias", observa Frédérick Heissat. "É mais fácil na escola primária, onde não há necessidade de quebrar barreiras ou de encontrar horas extra", acrescenta. É por isso que Francesca Pasquini considera que é necessário investir fortemente desde o jardim de infância até ao CM2, "pondo em prática um programa de ensino muito sólido, trabalhado progressiva e equitativamente ao longo dos oito anos de escolaridade".

    Eco-delegados, o risco de desmobilização

    Para além dos programas, foram introduzidas várias medidas, incluindo a obrigação, desde 2020, de eleger pelo menos um eco-delegado por turma, do sexto ano ao último ano. Acompanhados por um conselheiro adulto, estes representantes eleitos são encorajados a agir e a conceber projetos para o seu colégio ou liceu, como a instalação de caixas de nidificação, a triagem de resíduos, a plantação de árvores, etc. É uma iniciativa muito boa, diz Frédérick Heissat. A dificuldade é que muitas vezes são os professores de ciências e tecnologia que se envolvem, ou os professores que estão envolvidos em assuntos cívicos. Não se consegue envolver todos os professores. Maud Valegeas, de Sud Éducation, chama a atenção para outra limitação do projeto: "É uma montra. Os diretores das escolas estão satisfeitos, mas tudo se resume a uma eleição e a 2 ou 3 horas de formação, por exemplo com o Fresque du climat.

    A representante sindical lamenta a falta de vida democrática nas escolas e a falta de recursos. Na Bretanha, explica, foram disponibilizadas subsídios para a instalação de bebedouros nas escolas, mas este tipo de projeto é difícil de realizar em Seine-Saint-Denis ou Bouches-du-Rhône, regiões com poucos recursos. A responsável alerta também para o efeito contraproducente das ações realizadas sem reflexão coletiva e sem a vontade da escola no seu conjunto: "Se, por exemplo, os alunos fazem uma triagem do lixo com cartazes informativos, mas no final vai tudo para o mesmo contentor, vão aperceber-se de que é inútil e desanimam.”

    Thierry Lerévérend, diretor-geral da Teragir, uma associação de educação para o desenvolvimento sustentável que trabalha nas escolas, tem a mesma reserva: "Os eco-delegados não são uma má ideia, mas é preciso levá-los até ao fim. Acima de tudo, há que evitar sobrecarregar os jovens com a responsabilidade de fazer o que a sociedade e os adultos não conseguiram fazer. De outra forma, eles deparar-se-ão simplesmente com os limites de um papel em que não têm realmente o poder de mudar as coisas, correndo o risco de perderem a motivação para sempre.” Para ele, é preciso criar condições para que os jovens tenham a experiência de poder mudar as coisas. É isto que Teragir tenta fazer ao longo do ano através dos seus três programas: Éco-école, Jeunes reporters de l'environnement e La Forêt s'invite à l'école. Todos os anos, estas iniciativas chegam a 120.000 alunos em França. A Éco-école existe há mais de vinte anos. O programa é totalmente gratuito e acessível desde o jardim de infância até ao liceu, e é financiado por parceiros e patrocinadores: o Ministério da Ecologia francês, a Ademe, o Gabinete Francês para a Biodiversidade, a Agência Francesa de Desenvolvimento, a Citéo, a MGEN, etc.

    O objetivo é fornecer uma metodologia, materiais e ferramentas para apoiar a comunidade educativa em projetos de desenvolvimento sustentável. A Éco-école apoia-se igualmente numa rede de centros locais. Um dos aspetos mais interessantes do programa é o envolvimento dos alunos no projeto, sublinha Thierry Lerévérend. Eles têm de ser partes interessadas e estar envolvidos em todas as fases. Outro aspeto importante do programa é a criação de projetos no terreno que combinem várias disciplinas e tornem os alunos mais ativos. As escolas estão a fazer progressos nesta matéria, mas continua a haver um modelo educativo muito disciplinar que ainda não foi transformado. "Assim que os alunos querem fazer alguma coisa, são frequentemente confrontados com uma organização escolar que não está concebida para integrar projectos fora da sala de aula", afirma Maud Valegeas.

    Francesca Pasquini cita a falta de recursos. Cita o bom exemplo de Poitiers, onde os professores foram questionados sobre as suas necessidades de equipamento para as aulas ao ar livre. "E a cidade forneceu a todas as escolas um pequeno carrinho, lupas e instrumentos para observar árvores e pássaros". Mas nem todas as autoridades locais estão tão dispostas a isso.

    Levar as crianças para o exterior também é visto como algo complicado de pôr em prática: Para levar as crianças ao exterior, não é preciso ir pedir um autocarro à Câmara Municipal e ir para longe. A escola ao ar livre também pode ter lugar no recreio, em parques próximos. Recomenda-se que se dedique meio dia por semana à educação ao ar livre nas escolas primárias. Quanto às turmas verdes, o seu número tem vindo a diminuir de forma constante ao longo dos anos. Um projeto de lei para relançar estas viagens escolares foi apresentado pelos republicanos e aprovado na Assembleia Nacional em fevereiro de 2024.

    Teragir não é a única organização a oferecer programas à comunidade educativa para levar os alunos para fora da sala de aula. Graines de reporters scientifiques (Fondation Tara Océans), aires éducatives (Office français de la biodiversité), J'agis je plante (Fondation pour la nature et l'homme), etc. São inúmeros os projetos, concursos e outros desafios propostos por atores exteriores ao sistema educativo nacional. "Estes programas são uma grande ajuda. É muito, muito valioso", diz Frédérick Heissat.

    Mas Sud Éducation adverte que é indispensável proteger as escolas dos interesses privados e dos lóbis das empresas poluidoras. "Por exemplo, para realizar qualquer projeto, é preciso pedir um financiamento à Odyssée Jeunes, cujo principal financiador é o BNP Paribas, um dos bancos mais poluidores, que apoia grandes projetos de combustíveis fósseis contrários aos acordos de Paris, afirma Maud Valégeas.

    Fabienne Loiseau, Na escola, a ecologização está a lutar para criar raízes – Reporterre.

    sábado, 27 de julho de 2024

    ‘QUANDO PORTUGAL ARDEU’ 31


    “’Eu [escultor Francisco Simões] era jovem, impreparado como professor, embora tivesse a intuição e leituras a meu favor. E lembrava-me dos meninos que desmaiavam. Os professores tinham o 7.º ano do liceu, nunca tinham tido dinheiro para estudar em Lisboa. Criámos uma comunidade em que a família era parte da escola. Nunca senti desconforto, pelo contrário. Os pais ajudaram a arranjar o campo. Na disciplina de Trabalhos Manuais, que eu chamava «atividades úteis», em vez de gastarmos dinheiro em cartolinas e papéis, cavámos uma horta. Tínhamos morangos, cenouras, fazíamos sumos. Criámos trutas, coelhos e até havia uma vaca. Era uma escola comunitária, com uma noção de democracia muito intensa, onde até usava a matemática para gerir a venda dos produtos. O dinheiro servia para comprar roupas para os alunos. Eram eles que decidiam quem mais necessitava, não eram os professores. Mas não havia caridadezinha. Ganhavam o dinheiro deles, o respeito pela noção de trabalho, de ética. Mesmo o professor de Moral, o padre Ramos, com quem também conversei, entendeu isto. Disse-lhe que não tinha nada contra os mandamentos, o Pai-Nosso, a Ave-Maria, mas fiz-lhe ver que a catequese devia estar fora da escola. O que eu pretendia para a disciplina de Religião e Moral era ensinar o civismo e o respeito pelos mais desfavorecidos. Ele concordou, foi impecável.’”

    Miguel Carvalho, Quando Portugal ardeu (2017) – Oficina do Livro 2022, p 195.

    quinta-feira, 21 de março de 2024

    CHAVES: CRIANÇAS E IDOSOS PLANTAM CENTENAS DE ÁRVORES

    • Crianças e idosos juntam-se hoje para plantar cerca de 870 árvores em Chaves, numa iniciativa que simbolicamente abrange área ardida do grande incêndio que atingiu o concelho em 2022. Trata-se de uma ação intergeracional e educativa que pretende a partilha de valores ambientais e envolve as escolas do concelho, Instituições Particulares de Solidariedade Social e baldios. A plantação das 870 árvores, fruteiras e folhosas, vai acontecer em área de dois equipamentos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, nomeadamente a Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) de Casas dos Montes e ERPI de Vidago, bem como o baldio de Ervededo, junto ao Santuário do São Caetano. CM Chaves.
    • João Rocha, antigo presidente da União de Freguesias de Caniçada e Soengas (Vieira do Minho), vai ser julgado, com outros cinco arguidos, pela construção ilegal de uma moradia na área protegida da Albufeira da Caniçada, no Gerês. Os arquitetos Duarte Barros e João Pimenta, da Câmara de Vieira do Minho, uma agente da Polícia Municipal, Isabel Ribeiro, e dois irmãos promotores imobiliários de Braga, Alberto e António Antunes, também serão julgados. Em causa está a construção de uma moradia, em violação do Plano de Ordenamento da Albufeira da Caniçada. JN 20mar2024.

    terça-feira, 12 de março de 2024

    OVAR: VAGAS INVADEM MARGINAL DO FURADOURO

    Foto: Fernando Sardo.

    • As ondas tornaram-se gigantes e destruíram o que encontraram pelo caminho. O muro da marginal desintegrou-se, os bancos de cimento partiram e as peças foram arrastadas 250 metros. Pedras da calçada saíram do lugar, troncos de árvores foram projetados contra prédios, a água salgada jorrou como um rio selvagem pelas ruas. Ovar News.
    • Os carros dos “papás” estão a criar uma grande dor de cabeça no trânsito em Lisboa. Por toda a cidade, ao início e ao fim do dia, há engarrafamentos junto às escolas. Cenário resulta da dependência do automóvel. Soluções? Entre eles conta-se o ‘Comboios de Bicicletas’, focado no estímulo à deslocação casa-escola em bicicleta, providenciando percursos acompanhados, ou o ‘Amarelo’, feito em articulação com a Carris e as juntas de freguesia. Através dele, estimulase a utilização das carreiras de bairro nas deslocações, acompanhadas por monitores. O projecto abrange Benfica, Estrela, Olivais e Parque das Nações, Campolide e Penha de França. A essas iniciativas somam-se ainda a ‘Mexe-te pela tua cidade!’, promovendo encerramentos de frentes escolares uma vez por semana, no período de entrada da manhã, para testar intervenções mais definitivas, e os ‘BICI-Schoolinks’, de criação de ciclovias protegidas de ligação entre a rede existente e a entrada das escolas. Samuel Alemão, Público 11mar2024.
    • Como uma cidade colombiana arrefeceu drasticamente em apenas três anos. Com corredores verdes que imitam a floresta natural, Medellin está a fazer baixar as temperaturas - e poderá tornar-se cinco graus mais fresca nas próximas décadas. Fonte.

    quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

    DAVOS: RICOS E PODEROSOS LUCUBRAM À PORTA FECHADA

    • As alterações climáticas estão entre os maiores riscos que o mundo enfrentará na próxima década, de acordo com o relatório Riscos Globais do FEM publicado na véspera da reunião de líderes mundiais em Davos. Os ativistas têm tido pouca fé que os políticos e os super-ricos possam resolver eficazmente questões vitais como a crise climática em reuniões como esta. Acreditam que a elite do FEM é perigosamente complacente com a realidade da crise climática. Este ano, já houve protestos antes da reunião anual. Ativistas climáticos estavam entre os que bloquearam a estrada para o local do WEF no domingo, causando um engarrafamento de 18 Kms. “Enquanto a guerra, o fascismo, a injustiça e a crise climática ameaçam a humanidade, os mais ricos e poderosos dão pancadinhas nas costas uns dos outros, a portas fechadas”, disse Nicola Siegrist, presidente da JUSO Suíça – a secção jovem do Partido Social Democrata da Suíça – na manifestação de domingo. Uma das principais exigências da manifestação foi um imposto global sobre os maiores ativos para financiar uma proteção climática socialmente justa. Euronews.
    • As desigualdades não são apenas financeiras. Embora as cinco maiores fortunas do mundo tenham duplicado nos últimos 20 anos, um novo relatório destaca o impacto climático dos investimentos dos mais ricos. Resultado: os 10% mais ricos têm uma pegada de carbono muito superior à calculada até agora. Concepcion Alvarez, Novethic.
    • A capacidade solar e eólica na região da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN - Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname) aumentou 20% em 2023, elevando o total para mais de 28 gigawatts (GW). Estas tecnologias representam agora 9% da capacidade de produção de eletricidade nos países da ASEAN. CB.
    • A Shell vai vender o seu negócio petrolífero onshore na Nigéria a um consórcio de empresas locais por mais de 1,3 mil milhões de dólares. Durante décadas, a empresa enfrentou atritos com as comunidades locais por causa de derrames de petróleo e acusações de violações dos direitos humanos. A Shell manterá ligações à Nigéria através do seu negócio de gás natural e campos de petróleo em águas profundas. Laura Hurst, Bloomberg.
    • 'A Educação Ambiental sozinha não vai ‘salvar o planeta’. Educação Ambiental para as crianças só funciona para as crianças, mas quem modifica o mundo são os adultos e esses é que precisam ser educados.” Luiz Eduardo Corrêa Lima, EcoDebate.