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sábado, 1 de agosto de 2026

REFLEXÃO

PETIÇÃO PELO FIM DO SISTEMA “VOLTA” E PELA CRIAÇÃO DE UM MODELO JUSTO DE GESTÃO DE EMBALAGENS

Nós, cidadãos abaixo-assinados, vimos por este meio exigir ao Governo da República Portuguesa, à Assembleia da República e à Agência Portuguesa do Ambiente a suspensão imediata do sistema de depósito e reembolso “Volta” e a sua substituição por um modelo transparente, justo e verdadeiramente ambiental.

1. O sistema atual transfere custos das empresas para os consumidores. O sistema “Volta” foi apresentado como uma medida ambiental, mas na prática:
• Obriga o consumidor a adiantar dinheiro para financiar a logística das empresas.
• Impõe ao cidadão o trabalho de armazenar, transportar e entregar embalagens.
• Faz recair sobre o consumidor o risco de perda do depósito, mesmo quando a falha é do sistema.
Este modelo constitui uma externalização encapotada de custos, beneficiando produtores e distribuidores à custa da população.

2. A própria entidade gestora prevê que apenas 40% das embalagens serão devolvidas. A SDR Portugal, associação privada que gere o sistema, admite que só 40% das embalagens serão devolvidas. Isto significa que:
• 60% dos depósitos pagos pelos consumidores nunca serão recuperados.
• O sistema fica com milhões de euros provenientes de depósitos não reclamados.
• Quanto menos eficaz for o sistema, mais dinheiro sobra para a entidade gestora.
Este mecanismo cria um incentivo perverso e é incompatível com princípios de justiça económica e transparência.

3. O consumidor é responsabilizado por falhas que não controla. O sistema exige que as embalagens estejam:
• intactas
• com código de barras legível
• com forma reconhecível pelas máquinas
Contudo:
• As máquinas rejeitam embalagens sem explicação clara.
• Não existe um mecanismo simples e acessível de reclamação do depósito perdido.
• Não há alternativa para embalagens rejeitadas, mesmo quando o erro é do sistema.
O cidadão fica desprotegido, sem garantia de reembolso e sem via de recurso eficaz.

4. Falta de transparência sobre quem lucra com o sistema. A entidade gestora é composta por empresas privadas do setor das bebidas e do retalho, que:
• colocam as embalagens no mercado
• definem as regras do sistema
• beneficiam dos depósitos não reclamados
• reduzem custos de gestão de resíduos
• cumprem metas ambientais sem esforço real
Este modelo concentra poder e benefícios num grupo restrito de empresas, sem escrutínio público adequado.

5. O sistema não cumpre o objetivo ambiental anunciado. Um sistema ambiental deve:
• reduzir resíduos
• aumentar a reciclagem
• promover responsabilidade dos produtores
• ser acessível e justo para todos
O sistema “Volta” falha em todos estes pontos, criando barreiras, custos e injustiças que descredibilizam a política ambiental e prejudicam a confiança dos cidadãos.

Exigimos:
1. Suspensão imediata do sistema “Volta” nos moldes atuais.
2. Auditoria independente ao modelo financeiro, operacional e ambiental da SDR Portugal.
3. Criação de um sistema alternativo baseado em:• responsabilidade efetiva dos produtores
• transparência total
• proteção dos consumidores
• incentivos ambientais reais

4. Garantia de que nenhum depósito pago pelo consumidor pode ser apropriado pela entidade gestora.

5. Implementação de soluções que não penalizem economicamente os cidadãos, como:• recolha porta-a-porta
• reforço dos ecopontos inteligentes
• sistemas de responsabilidade alargada do produtor sem depósito obrigatório

Pelo fim de um sistema injusto.
Pela defesa dos consumidores.
Por uma política ambiental séria, transparente e eficaz.

domingo, 19 de julho de 2026

REFLEXÃO

VAI NA VOLTA, FICA O LUCRO
Ana Inês Patrício, Sapo.

Cartoon: P eter Kuper.

“(…) A lei que criou o sistema de depósito foi aprovada pela Assembleia da República em 2018 e mandava que ele fosse obrigatório a partir de Janeiro de 2022. Arrancou em Abril de 2026. Quatro anos a empurrar com a barriga uma obrigação legal, enquanto o país continuava a deitar fora dois mil e cem milhões de embalagens por ano. E a mesma lei mandava incluir o vidro. O vidro ficou de fora, por decisão política, apesar de ser o material que está no topo da hierarquia europeia de resíduos e aquele em que Portugal mais falha as metas de reciclagem. Guardem este pormenor, que ele volta mais à frente.

Depois, a gestão. A entidade que gere o Volta é uma associação fundada pelos produtores de bebidas e pelas empresas do retalho. Dito de outra maneira: quem coloca o plástico no mercado desenha e administra o sistema que o recolhe. Não estou a insinuar ilegalidades, a entidade é sem fins lucrativos, está licenciada e é supervisionada pelo Estado. Estou apenas a fazer o que qualquer jurista aprende a fazer com o primeiro contrato que lê: seguir o dinheiro.

E o dinheiro diz o seguinte. Os depósitos que os consumidores pagam e nunca recuperam, porque a lata estava amolgada, porque a máquina estava avariada, porque não havia ponto de recolha por perto, porque a vida é curta demais para andar com lixo no carro, ficam no sistema e são reinvestidos na atividade da própria entidade gestora, desde que as metas de recolha sejam cumpridas. A imprensa já fez as contas: com a meta de 90%, o próprio modelo prevê que uma em cada dez embalagens não regresse, o que pode representar cerca de 21 milhões de euros por ano. O manual técnico da própria entidade gestora não esconde nada disto: as embalagens rejeitadas pelas máquinas devem seguir para o ecoponto amarelo, "considerando-se o depósito perdido", assim mesmo, palavra por palavra. E se uma máquina avariar, só ao fim de 72 horas de inatividade é que as embalagens podem, note-se o verbo, podem, ser recolhidas manualmente ao balcão. Repare-se na elegância do mecanismo. Cada fricção do sistema, cada máquina parada, cada rejeição, cada desistência, traduz-se em dez cêntimos que ficam do lado de lá.

Há ainda outra peça, menos visível. A lei europeia obriga a que as garrafas de plástico incorporem uma percentagem mínima de plástico reciclado: um quarto já hoje, perto de um terço em 2030. E o plástico reciclado com qualidade alimentar é escasso e caro. O Volta resolve o problema: garante à indústria matéria-prima de primeira, recolhida garrafa a garrafa, com o trabalho, a paciência e o depósito adiantado de milhões de consumidores. Nós carregamos o saco; o material com valor volta para quem o vendeu. Chama-se a isto economia circular. Às vezes, olhando bem, parece mais um circuito fechado.

O Estado, esse, também tem as suas contas. Desde 2021, cada país da União Europeia paga a Bruxelas 80 cêntimos por cada quilo de embalagens de plástico que não recicla. Portugal, que recicla menos do que a média europeia, já entregou mais de 600 milhões de euros por essa via, cerca de 200 milhões só num ano. O Volta ajuda a baixar essa fatura no único fluxo em que é fácil baixá-la. O resto continua a pagar-se, calado, com o dinheiro de todos nós.

E é aqui que chegamos à pergunta que qualquer pessoa faz na fila do supermercado, de saco na mão. Se isto é pelo planeta, porquê só as garrafas e as latas? O supermercado está cheio de plástico. A cuvete da carne, a película do queijo, o copo do iogurte, a fruta embalada em plástico dentro de plástico, tudo isso continua sem caução, sem máquina, sem conferências de imprensa. A resposta oficial fala das contagens de lixo nas praias, onde as garrafas e as tampas aparecem sempre nos primeiros lugares. E é verdade. Mas há outra resposta, menos confessável: a garrafa de plástico e a lata de alumínio valem dinheiro no mercado da reciclagem; a película da carne, contaminada e feita de vários materiais colados, vale zero ou menos do que zero. O critério de seleção não foi o perigo. Foi o valor. O plástico que dá lucro ganhou um sistema de 150 milhões de euros. O plástico que não dá continua no ecoponto amarelo, com as taxas de sempre. Quanto à fruta embalada, o regulamento europeu só a proíbe, e apenas abaixo de quilo e meio, a partir de 2030. A garrafa de água foi promovida a inimigo público número um não por ser o pior plástico, mas por ser o único que compensa recolher.

Falta falar de quem paga sem poder devolver. Quem vive no interior paga os mesmos dez cêntimos de caução que quem vive ao lado de um hipermercado, mas pode não ter uma máquina a menos de muitos quilómetros. A associação de defesa do consumidor já avisou: para essas pessoas, a deslocação pode custar mais do que o retorno. Uma caução cega, cobrada a todos, devolvível apenas a alguns.

E há um direito de que ninguém fala, a começar por quem tinha o dever de o publicitar. O reembolso em numerário pode ser sempre exigido. A máquina despacha-nos com um talão que parece amarrar o dinheiro à loja, mas esse talão pode ser trocado por dinheiro vivo ao balcão, sem obrigação de gastar lá um cêntimo. Está no manual da entidade gestora, está no desenho legal do sistema, e a DECO confirma-o. O que não está é nos ecrãs das máquinas nem nas campanhas. Dois meses depois do arranque, a DECO avisava que os consumidores continuavam sem saber que podiam exigir o dinheiro. Um direito que não se comunica é um direito que se espera que ninguém use. E cada talão esquecido na carteira, passado o ano de validade, é mais um depósito que fica do lado de lá.

Não chamo a isto greenwashing, porque seria fazer vista grossa a uma parte da verdade: o sistema vai reciclar mais e melhor, e ainda bem. O que aqui se passa é mais subtil e, por isso, mais interessante. É a velha operação de transformar uma responsabilidade estrutural num gesto individual, agora com caução à cabeça.

A senhora da lata amolgada sai da loja a sentir que falhou qualquer coisa ao planeta. Não falhou nada. O sistema é que lhe falhou a ela, e foi desenhado por quem fica com o material que ela devolve e com o depósito que ela perde. Enquanto discutimos se a tampa está presa e o código de barras legível, ninguém faz a única pergunta que a hierarquia europeia de resíduos manda fazer primeiro: porque é que continuamos a produzir 2,1 mil milhões de embalagens descartáveis por ano, e porque é que o vidro reutilizável, que resolveria parte do problema pela raiz, ficou a ver navios? (...)”

domingo, 12 de julho de 2026

ÁGUEDA: QUERCUS DENUNCIA PLANTAÇÕES DE EUCALIPTO EM ÁREAS AFETADAS POR INCÊNDIOS


  • O Núcleo Regional da Quercus de Aveiro tem recebido denúncias de novas plantações de eucalipto em áreas sensíveis do concelho de Águeda, nomeadamente na proximidade de habitações, linhas de água, vias de comunicação e solos com condicionantes territoriais. Além da proximidade às habitações, a Quercus alerta para a presença de eucaliptos e outras espécies de elevada inflamabilidade ao longo de estradas municipais, caminhos de acesso às aldeias e vias secundárias. Perante as denúncias recebidas, a Quercus exige: (1) A reapreciação urgente das autorizações de plantação de eucalipto em áreas sensíveis, especialmente junto a habitações, linhas de água, vias de comunicação e solos com condicionantes; (2) A fiscalização efetiva das plantações realizadas no terreno, incluindo a verificação das distâncias legais, das faixas de gestão de combustível, das condicionantes territoriais aplicáveis e dos pareceres municipais; (3) A suspensão ou reversão das plantações que agravam o risco para pessoas, bens e infraestruturas; (4) O cumprimento das promessas assumidas após os incêndios de 2024 relativamente ao arranque de touças, remoção de material lenhoso e apoio à plantação de espécies autóctones; (5) A criação de programas municipais e nacionais de apoio à substituição de eucaliptal em zonas críticas por espécies autóctones, sistemas agroflorestais resilientes e modelos florestais de ciclos mais longos; (6) A responsabilização das entidades públicas e privadas que continuem a promover ou validar modelos de ocupação do território que aumentam o risco de incêndio. (7) A segurança das populações não pode continuar subordinada à expansão de um modelo florestal intensivo, inflamável e incompatível com a proteção das aldeias.
  • Para combater o calor, o Rossio de Évora vai receber floresta gigante com 1500 árvores. O projeto vai transformar um dos locais mais quentes da cidade no maior legado da Capital Europeia da Cultura 2027. Fonte.
  • TribunaL de Beja condena incendiário a pena de prisão efetiva e expulsão do País. Fonte.
  • Moradores relatam doenças em área contaminada por petróleo no litoral de São Paulo. Fonte.
  • Por dentro da obsolescência programada da Apple. Fonte.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

‘VOLTA’ CADA VEZ MAIS CONTESTADA


Dois meses após a entrada em funcionamento do sistema de depósito e reembolso “Volta”, multiplicam-se as reclamações de consumidores que dizem estar insatisfeitos com o modelo implementado. As principais críticas centram-se na forma como o reembolso é efetuado. Muitos utilizadores consideram injusto que os vales emitidos pelas máquinas só possam ser utilizados no mesmo supermercado onde as embalagens foram entregues, impedindo a sua utilização noutras superfícies aderentes. Outro dos problemas mais apontados prende-se com o funcionamento das máquinas de recolha. Várias queixas relatam situações em que garrafas e latas com o símbolo “Volta”, código de barras legível e em perfeitas condições são sucessivamente rejeitadas pelos equipamentos, obrigando os consumidores a perder tempo sem conseguirem recuperar o depósito pago. Para além disso, os reembolsos processam-se com enormes atrasos. Fonte.

Mais perspetivas poderão ser acedidas através dos links seguintes disponibilizados pelo blogue Ambiente Ondas3 entre 11 de abril e 29 de maio de 2026:


sexta-feira, 29 de maio de 2026

REFLEXÃO

A TRETA DO VOLTA
RiseUP Portugal.


O novo sistema de depósito de embalagens em Portugal, através do Programa Volta, está a gerar revolta por uma razão muito simples: transfere a responsabilidade ambiental e o custo financeiro diretamente para o bolso do cidadão.

A partir de agora, pagamos mais 10 cêntimos por cada garrafa de plástico ou lata, valor que só recuperamos se guardarmos a embalagem intacta e a devolvermos numa máquina.

Mas importa olhar para quem está no topo da cadeia de produção. Estamos a falar de colossos mundiais como a Nestlé, a Coca-Cola, a PepsiCo e a Danone. Só para dar uma ideia do volume financeiro envolvido, estas empresas registam lucros líquidos anuais absolutamente extraordinários à escala global. A Nestlé lidera o setor alimentar com lucros anuais na ordem dos 10,9 mil milhões de dólares. A Coca-Cola (Responsável por 11% de toda a poluição plástica mundial), e a PepsiCo dominam o mercado de bebidas acumulando, respetivamente, cerca de 10,6 mil milhões e 8,2 mil milhões de dólares de lucro líquido anual. A Danone fecha este grupo no topo dos laticínios e nutrição com lucros a rondar os 2 mil milhões de dólares por ano.

Diante destes números recorde, a pergunta impõe-se: por que razão se castiga o consumidor com uma espécie de taxa verde disfarçada em vez de se obrigar estas multinacionais a alterarem a sua forma de produção na origem?

Todos nós consumimos cerveja ou água em garrafas de vidro reutilizáveis no circuito de cafés e restaurantes. Esse vidro é recolhido, lavado, esterilizado e volta a entrar no mercado dezenas de vezes sem necessidade de ser destruído. É um sistema que funciona há décadas.

A reciclagem mecânica do plástico gasta quantidades brutais de energia e água, além de continuar a alimentar o ciclo de fabrico de novos polímeros. A verdadeira ecologia faz-se pela redução e pela reutilização, não pela criação de barreiras financeiras a quem compra.

NB - perspetivas complementares sobre este tema:

domingo, 24 de maio de 2026

REFLEXÃO

SDR PORTUGAL, CONSUMIR MAIS EM NOME DA ECONOMIA CIRCULAR


A SDR Portugal, uma associação sem fins lucrativos, é apresentada como uma das grandes conquistas da nova economia circular. Uma solução moderna, sustentável e inevitável para aumentar as taxas de reciclagem e aproximar Portugal dos objectivos ambientais europeus. A narrativa pública é simples, eficaz e cuidadosamente construída: devolver embalagens para salvar o planeta.
Consumir continua perfeitamente aceitável. Desde que a culpa venha com código de barras e seja colocada na máquina correcta.

O presidente da SDR Portugal é Leonardo Bandeira de Melo Mathias, antigo Secretário de Estado Adjunto e da Economia no governo de Pedro Passos Coelho. Um dos vice-presidentes é António Augusto dos Santos Casanova Pinto, vice-presidente do Conselho de Administração da Sumol Compal Marcas e administrador executivo do grupo.

Segundo o Relatório e Contas de 2024 da própria SDR, os órgãos sociais não são remunerados. No entanto, os gastos com remunerações em 2024 ascenderam a €136.333,25 antes de impostos (Seg. Social + IRS). O número de pessoas ao serviço em 31 de Dezembro de 2024 era de apenas 3, sendo referido no relatório que existia um Director-Geral contratado desde Junho de 2022 e que apenas em Dezembro de 2024 foram contratados um Director de Operações e um Director de Tecnologias de Informação.
Ou seja, durante praticamente todo o exercício de 2024, o grosso dos encargos salariais esteve concentrado numa única pessoa e com um valor (€9.738 líquidos /mês) bastante interessante para uma estrutura ainda em fase inicial de operação. Afinal, até a reciclagem moderna exige a sua pequena aristocracia técnica.

O próprio Relatório e Contas revela ainda outro detalhe particularmente curioso: existe um conjunto de grandes empresas que realizaram empréstimos à SDR, os quais, segundo o Relatório de Gestão, serão pagos “quando a associação tiver meios financeiros para o fazer”.
Traduzindo do dialecto institucional para português corrente: o dinheiro há-de voltar. Ou seja, não se trata propriamente de capital a fundo perdido nem de um gesto puramente filantrópico. Trata-se de dinheiro que deverá regressar futuramente a quem o colocou no sistema.

Entre os credores encontram-se:
Auchan Retail Portugal, S.A.: €247.000
ITMP Alimentar, S.A.: €247.000
Super Bock Bebidas, S.A.: €247.000
Pingo Doce - Distribuição Alimentar, S.A.: €247.000
Lidl & Companhia: €247.000
Modelo Continente Hipermercados, S.A.: €247.000
Sumol Compal Marcas, S.A.: €247.000
Coca-Cola Europacific Partners Unipessoal, Lda: €247.000
SCC - Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, S.A.: €247.000
Unilever Fima, Lda: €247.000
Total: €2.470.000

A pergunta verdadeiramente interessante não é se o sistema é ecológico. É perceber como, quando e através de que mecanismos financeiros estes valores serão recuperados. Porque num sistema financiado por depósitos, taxas, fluxos operacionais e receitas futuras associadas à reciclagem, alguém acabará inevitavelmente por pagar a factura final da virtude ambiental.
No entanto, quando se observa o modelo para além da superfície publicitária e das campanhas institucionais, percebe-se que talvez estejamos perante algo bastante mais complexo do que uma simples iniciativa ecológica.

O que está a ser criado não é apenas um sistema de reciclagem. É uma infraestrutura económica, logística e tecnológica de enorme dimensão, construída em torno da circulação permanente de embalagens, depósitos, dados e contratos.
A lógica do mecanismo parece inocente. O consumidor compra uma bebida, paga um valor adicional associado à embalagem e recupera esse montante caso a devolva num ponto autorizado. À primeira vista, trata-se apenas de um incentivo comportamental. Uma pequena penalização temporária destinada a ensinar adultos a colocar recipientes vazios no sítio correcto. Mas é precisamente aqui que o modelo se torna interessante. O sistema não vive apenas da reciclagem.Vive sobretudo da arquitectura financeira criada à volta da reciclagem.

Cada embalagem deixa de ser apenas um recipiente descartável e transforma-se numa unidade económica rastreável:
- alguém paga
- alguém recolhe
- alguém valida
- alguém transporta
- alguém processa
- alguém monitoriza
- alguém factura

A garrafa já não termina no lixo. Passa a circular dentro de uma cadeia económica cuidadosamente organizada, onde praticamente cada etapa gera actividade financeira.

O primeiro aspecto raramente explicado de forma transparente é a importância dos depósitos não reclamados. Nem todas as pessoas irão devolver embalagens. Nem todas terão tempo. Nem todas terão máquinas próximas. Nem todas guardarão garrafas em casa. Nem todas considerarão justificável deslocar-se por alguns cêntimos. Nem todas transformarão a cozinha numa extensão informal do centro de triagem nacional.

E é precisamente aí que surge uma das peças mais relevantes do sistema. Os depósitos pagos e nunca recuperados permanecem dentro do circuito financeiro da estrutura. Ou seja, uma parte significativa da sustentabilidade económica do modelo assenta não apenas na reciclagem, mas também na inevitável imperfeição humana.

E aqui vale a pena pegar nas próprias palavras do presidente da SDR Portugal: “Só para lhe dar um enquadramento, são consumidas em Portugal 2,1 mil milhões de garrafas de plástico (PET) até três litros. E as latas de aço e de alumínio, portanto, são 2,1 mil milhões de unidades por ano. Agora imagine…”

Sim, vamos então imaginar.
Com optimismo ambiental, admitamos que 70% das embalagens são devolvidas. Isso significa que 30% ficam fora do circuito de retorno.
2,1 mil milhões × 30% = 630 milhões de embalagens não devolvidas.
Multiplicando por um depósito de 10 cêntimos:
630 milhões × €0,10 = €63 milhões.
Ou seja, mesmo num cenário bastante optimista, estariam potencialmente 63 milhões de euros anuais a permanecer dentro do sistema apenas através de depósitos não reclamados.

Agora abandonemos por momentos o optimismo institucional e ambiental. Se a taxa de retorno fosse de 50%, então metade das embalagens não regressaria:
2,1 mil milhões × 50% = 1.050 milhões de embalagens.
Multiplicando novamente pelos 10 cêntimos:
1.050 milhões × €0,10 = €105 milhões.
Cento e cinco milhões de euros.

Naturalmente, estes valores não representam lucro directo líquido nem podem ser analisados isoladamente dos custos operacionais do sistema. Mas ajudam a perceber a dimensão financeira potencial criada por um mecanismo que depende precisamente de uma percentagem significativa de embalagens nunca ser devolvida.

Há aqui uma ironia difícil de ignorar. O sistema apresenta-se como solução para mudar comportamentos, mas beneficia financeiramente do facto de esses comportamentos nunca mudarem completamente. Se os consumidores devolvessem rigorosamente todas as embalagens, uma das maiores almofadas financeiras do mecanismo desapareceria. Isso obrigaria inevitavelmente a:
- aumentar taxas
- reforçar contribuições da indústria
- procurar mais financiamento público
- ou criar novas formas de receita

Por outras palavras, o sucesso ambiental absoluto poderia transformar-se num problema económico bastante menos sustentável do que os folhetos institucionais sugerem. Naturalmente, esta parte raramente aparece nos vídeos promocionais acompanhados por folhas verdes ao vento, crianças sorridentes e música suficientemente inspiradora para absolver moralmente uma garrafa de plástico. Mas os depósitos não reclamados são apenas uma componente do ecossistema.

Outra dimensão do modelo surge quando se observa a infraestrutura criada à sua volta.
Para operacionalizar a devolução de milhões de embalagens, torna-se necessário construir uma rede nacional composta por:
- máquinas automáticas de recolha
- software de reconhecimento e validação
- sistemas antifraude
- logística reversa
- transporte especializado
- centros de triagem
- compactação industrial
- plataformas digitais
- manutenção técnica
- monitorização estatística
- auditorias
- certificações ambientais
- contratos operacionais

Ou seja, cria-se um novo sector económico completo em torno de algo que, até aqui, cabia essencialmente num ecoponto. E como acontece frequentemente na economia contemporânea, o discurso público concentra-se na moralidade ambiental, enquanto os fluxos financeiros reais se distribuem silenciosamente pelos bastidores tecnológicos e logísticos.
Porque alguém fabrica as máquinas. Alguém fornece o software. Alguém gere os dados. Alguém assegura manutenção. Alguém opera a logística. Alguém ganha contratos. Alguém presta consultoria. Alguém vende a solução para o problema que o próprio sistema ajudou a transformar numa nova necessidade estrutural. O operador central pode apresentar-se como entidade sem fins lucrativos, o que é tecnicamente verdadeiro. Mas isso pouco diz sobre o volume de actividade económica gerada à volta da estrutura.
Aliás, um dos traços mais sofisticados dos modelos contemporâneos é precisamente este: o núcleo institucional mantém uma aparência neutra e moralmente virtuosa, enquanto a rentabilidade se espalha discretamente pelas camadas periféricas do sistema.

Existe ainda uma dimensão menos visível, mas potencialmente mais valiosa a longo prazo: os dados.
Cada devolução gera informação. Cada máquina recolhe padrões de utilização. Cada localização produz métricas comportamentais. Cada embalagem contribui para mapear hábitos de consumo. Num contexto onde indicadores ambientais, métricas ESG* e monitorização de comportamento possuem valor económico crescente, o controlo de uma infraestrutura nacional deste tipo representa muito mais do que reciclagem. Representa capacidade de observação, recolha, análise e venda de dados. (*Indicadores quantitativos e qualitativos que medem o desempenho de uma empresa nas áreas Ambiental, Social e de Gestão)

Quem gere um sistema desta escala passa a ter acesso a:
- padrões de consumo
- volumes regionais
- sazonalidade de vendas
- participação dos consumidores
- fluxos logísticos
-métricas ambientais
- indicadores de conformidade regulatória
O lixo deixa de ser apenas lixo.Torna-se informação.

Outro aspecto particularmente curioso é a transferência parcial de trabalho da indústria para o cidadão. Antes, o consumidor colocava a embalagem no ecoponto e encerrava aí a sua participação. Agora, espera-se que:
- guarde embalagens em casa sem as danificar
- organize resíduos
- transporte recipientes
- procure máquinas disponíveis
- aguarde validação
- execute parte da logística operacional

Tudo isto naturalmente apresentado como exercício de cidadania ambiental. Na prática, parte do trabalho anteriormente absorvido pelo sistema tradicional de resíduos é silenciosamente transferido para o próprio consumidor, que continua simultaneamente a financiar o processo através dos depósitos pagos.

Entretanto, os grandes produtores de embalagens conseguem algo ainda mais relevante: legitimidade. As empresas responsáveis pela colocação de milhões de embalagens descartáveis no mercado passam a operar dentro de uma arquitectura verde certificada, compatível com exigências regulatórias europeias e extremamente útil para relatórios ESG, reputação corporativa e marketing institucional.

A questão deixa então de ser: “como reduzir embalagens descartáveis?” E passa subtilmente a ser:“como integrar embalagens descartáveis num circuito economicamente rentável e ambientalmente legitimado?”
É uma diferença conceptual importante.
O sistema não elimina o consumo massivo de recipientes descartáveis. Pelo contrário: reorganiza-o, profissionaliza-o e transforma-o numa cadeia económica ainda mais sofisticada.
No fundo, o que está a emergir não é apenas um mecanismo de reciclagem. É a monetização integral da embalagem desde o momento da compra até ao momento da devolução.

A embalagem gera receita quando é vendida. Gera receita quando circula. Gera receita quando não é devolvida.Gera receita quando é devolvida. Gera receita quando é processada. Gera receita enquanto dado estatístico. E gera legitimidade política e ambiental durante todo o percurso.

Nada disto significa que reciclar seja inútil ou que a reutilização de materiais não tenha benefícios reais. O problema não está na reciclagem. Está na forma quase religiosa como certos modelos económicos são apresentados como altruísmo ambiental puro, quando na realidade envolvem estruturas financeiras altamente sofisticadas e interesses económicos evidentes.

Porque quando uma solução ecológica cria uma indústria multimilionária sustentada por depósitos, contratos, dados, logística, tecnologia e falhas previsíveis do comportamento humano, talvez seja legítimo perguntar se o principal objectivo é proteger o ambiente… ou descobrir como transformar até o lixo numa fonte permanente de rentabilidade.

E nesse aspecto, convenhamos, o modelo é brilhante.

NB - perspetivas complementares sobre este tema:


sexta-feira, 22 de maio de 2026

terça-feira, 5 de maio de 2026

VOLTA RECUA DE 70% PARA 40%

Imagem: Wildpixel/GettyImages

As metas de recolha do sistema Volta para 2026 foram revistas em baixa para 40%, escassas semanas depois de o novo modelo de devolução de embalagens ter arrancado em Portugal. A redução da meta avançada de 70% para 40% sugere dificuldades de implementação num sistema que depende de rede logística nacional, adesão dos retalhistas e mudança de hábitos dos consumidores. Fonte.

O cerne da polémica está menos na meta em si e mais na falta de transparência financeira e no planeamento que gerou esta situação. Para o governo de Luís Montenegro não há qualquer problema. Para a SDR Portugal, empresa gestora do programa, o sistema só começou a 10 de abril e tem um período de transição até 9 de agosto, resultando em apenas cinco meses de pleno funcionamento em 2026. A Associação de Municípios não vai em tretas: há nítida falta de transparência e planeamento. O aditamento que reduz a meta de 70% para 40% revela que o modelo de prestações financeiras (quem paga e quanto paga) foi entregue ao regulador apenas no final de janeiro de 2026 e ainda não foi aprovado até ao início do sistema, em abril. Isto significa que, tecnicamente, não havia financiamento garantido para atingir as metas iniciais. A ANMP critica duramente o "preâmbulo omisso" do documento, afirmando que desconhece os valores de contrapartida que a SDR pagará aos municípios. Os municípios alertam que, embora as autarquias tenham um papel crucial no sistema, estão a ser tratadas como meras espectadoras do processo.

Sente-se na opinião pública ceticismo e desconfiança generalizada. O sistema é visto como "mais um imposto" ou um "negócio para as grandes empresas", com receio de que os custos aumentem sem benefício real. Muitos consumidores acreditam que o sistema beneficia apenas as grandes empresas e os supermercados. Eles têm a percepção de que há um imposto de 10 cêntimos por embalagem, um aumento de preço disfarçado, com receio de que o valor do reembolso não compense o "trabalho" de devolver as embalagens ou que as condições para o fazer sejam demasiado restritivas.

A descida da meta de 70% para 40% pode ser tecnicamente defensável, mas revela problemas de governação, calendarização e comunicação. A mudança precoce fragiliza a confiança no sistema e sugere que as metas iniciais foram definidas mais por ambição política do que por viabilidade operacional, para não falar em eventual propaganda.

sábado, 18 de abril de 2026

LEITURAS MARGINAIS

O QUE O SISTEMA 'VOLTA' NÃO EXPLICA SOBRE O PLÁSTICO
Ricardo Meireles, Substack.


A 10 de abril de 2026, o sistema Volta entrou em funcionamento em Portugal. As máquinas azuis instalaram-se nos supermercados, há uma caução de dez cêntimos por garrafa ou lata e o Governo apresentou a iniciativa como uma reforma estrutural da política ambiental. A SDR Portugal, um consórcio que reúne os principais produtores de bebidas e retalhistas do país e gestora do sistema, resumiu a promessa numa frase que consta tanto do comunicado oficial do Governo como dos materiais de comunicação da marca: “uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa, uma lata pode voltar a ser uma lata.”

Será verdade para os dois materiais?

O que a frase promete

A ideia central do sistema Volta assenta num princípio de economia circular: as embalagens devolvidas seguem para centros de triagem em Lisboa e no Porto, são enviadas para recicladores, e o material resultante serve para fabricar novas embalagens. A garrafa fecha o ciclo e regressa às prateleiras. O plástico PET que hoje contém água mineral será, depois de processado, o plástico PET que amanhã voltará a conter água mineral.

Este modelo existe e tem um nome técnico: reciclagem em circuito fechado. O alumínio faz isso. O plástico, na maioria dos casos, não, e a razão está na física dos dois materiais.

Três ciclos muito diferentes

Uma nota antes de avançar: a reutilização, o modelo das garrafas de vidro lavadas e reenchidas, está fora de questão para o plástico. O vidro é um material inerte e impermeável, que suporta ciclos repetidos de lavagem a alta temperatura sem absorver contaminantes nem alterar as suas propriedades. O plástico PET é poroso a nível molecular e absorve resíduos do conteúdo anterior, odores e compostos químicos que os processos de lavagem convencional não eliminam. Por isso, o próprio FAQ da Volta classifica as garrafas abrangidas pelo sistema como "embalagens de bebidas não reutilizáveis." Uma garrafa de plástico é sempre triturada. Nunca é lavada e reenchida.

Antes de avaliar a promessa, é preciso perceber que existem três processos completamente distintos a que chamamos, de forma imprecisa, “reciclagem”.

O primeiro é a reutilização, o modelo que conhecemos das garrafas de vidro com depósito. A garrafa volta ao circuito, é lavada, desinfectada e enchida de novo. É a mesma garrafa. Não há transformação do material, não há degradação. É o ciclo mais perfeito que existe, mas não é possível para o plástico.

O segundo é a reciclagem mecânica simples do PET. A garrafa é triturada em flocos, lavada, fundida e reprocessada em pellets. O problema é químico: o PET é um polímero que absorve humidade, e a cada ciclo de fusão a reacção com a água degrada as cadeias moleculares do polímero. A qualidade diminui. Com este processo, uma garrafa aguenta dois a três ciclos antes de já não ter qualidade suficiente para voltar a ser garrafa. A maioria acaba em fibra têxtil ou tapete, entre outros. É o downcycling, em português uma espécie de reciclagem descendente. O material não desaparece, mas desce progressivamente na escala de qualidade.

William McDonough e Michael Braungart, autores de Cradle to Cradle, a obra de referência da economia circular, são directos a explicar: “a maior parte da reciclagem é na verdade downcycling, porque reduz a qualidade ao longo do tempo.” A afirmação foi publicada num estudo científico da revista MDPI sobre reciclagem de PET garrafa-para-garrafa precisamente para ser posta à prova.

O terceiro processo, mais sofisticado, adiciona uma etapa chamada Solid State Polycondensation, que reconstrói as cadeias moleculares após a fusão e restaura a qualidade do material para valores próximos do PET virgem. É tecnicamente reciclagem garrafa-para-garrafa, e é o processo que permite produzir rPET (plástico PET reciclado) de grau alimentar, apto para voltar a ser embalagem de contacto com alimentos.

A SDR Portugal afirma que o material produzido pelo sistema Volta será “adequado para contacto alimentar”, o que aponta para este terceiro processo. Mas no FAQ oficial da Volta, à pergunta directa sobre o que acontece às embalagens depois de devolvidas, a resposta é: “são enviadas para recicladores para se transformarem em novos materiais.” Sem referência ao processo técnico, sem identificação dos recicladores, sem menção ao tipo de reciclagem utilizado. E mesmo que o processo mais avançado seja efectivamente utilizado, exige mistura com PET virgem e não é comparável à reciclagem contínua do alumínio ou do vidro.

O que diz quem conhece o setor

Fonte ligada à industria do plástico granulado em Portugal, consultada para este artigo, confirma à Estação Agroflorestal que existe no país capacidade instalada para fazer reciclagem mecânica de PET com grau alimentar. O modelo é garrafa-para-garrafa: a embalagem entra, é triturada, lavada, descontaminada e sai como granulado rPET apto para voltar a ser embalagem de contacto alimentar. A mesma fonte refere que este material vale no mercado o dobro do rPET comum, o que torna este processo o mais interessante economicamente para os operadores.

A promessa da Volta é, portanto, tecnicamente possível, pelo menos nos primeiros ciclos. A cada vez que o plástico é fundido e reprocessado, as cadeias moleculares encurtam e o material perde qualidade. Ao fim de poucos ciclos, o PET já não reúne as propriedades necessárias para voltar a ser garrafa e segue para aplicações de menor valor: fibra têxtil, tapete, enchimento, ou incorporação em alcatrão para pavimento de estradas, onde o PET reciclado é usado como substituto parcial do betume.

A literatura científica documenta que estes pavimentos libertam microplásticos por desgaste mecânico, que as águas pluviais arrastam para os sistemas de drenagem, depois para os rios e finalmente para os oceanos, onde contaminam as cadeias alimentares e os ecossistemas. O plástico não desaparece. Muda de forma até deixar de ser visível.

Para a lata de alumínio, a promessa da Volta é legítima. O alumínio é um metal, e os metais têm uma propriedade que os plásticos não têm: a sua estrutura atómica permite que sejam fundidos e reformados repetidamente sem alteração das suas propriedades fundamentais. Não há degradação química. Não há downcycling. Uma lata pode efectivamente tornar-se outra lata, que pode tornar-se outra lata ainda, indefinidamente.

Uma frase, dois materiais, duas realidades

A SDR Portugal e o Governo português repetem, em comunicados e apresentações públicas, que o sistema Volta permite que uma garrafa volte a ser uma garrafa e uma lata volte a ser uma lata. A frase trata dois materiais como equivalentes. Não são.

Para o alumínio, a frase descreve um processo que existe e funciona. Para o plástico PET, descreve uma aspiração que depende de tecnologia específica que o sistema Volta não confirma utilizar, e que mesmo no melhor cenário não é infinita depende sempre de uma parte de matéria-prima virgem.

Uma nota sobre o modelo económico do sistema: Segundo a mesma fonte consultada, o rPET de grau alimentar vale no mercado o dobro do rPET comum. É plausível que a valorização deste material seja uma das alavancas que torna financeiramente sustentável pagar dez cêntimos por cada garrafa devolvida. Não há documentos públicos da SDR que confirmem este mecanismo, mas a lógica económica parece apontar nesse sentido.

O sistema Volta pode aumentar significativamente a recolha de embalagens de plástico, o que já seria um avanço real. Mas recolher mais plástico não é o mesmo que fechar o ciclo.

Apresentar garrafa de plástico PET e lata de alumínio como um ciclo único e simétrico, unidos na mesma frase pelo sistema Volta e pelo Governo português, ignora o que a ciência da reciclagem documenta sobre o comportamento destes dois materiais. É #AreiaParaOsOlhos.

Valerá a pena confrontar com esta perspetiva diferente.

sábado, 11 de abril de 2026

REFLEXÃO

VOLTA, ELES FATURAM MAIS


O Lidl lançou o programa «Volta», que promete devolver dinheiro ao consumidor por cada embalagem comprada e depositada nas suas lojas. À primeira vista, parece uma iniciativa amiga do consumidor e do ambiente: incentivar a reciclagem com um pequeno reembolso. Mas, olhando com mais atenção, há muito mais truque do que virtude.

Primeiro: o greenwashing. Em vez de reduzir as embalagens descartáveis, filmes multicamada difíceis de reciclar ou os produtos de utilização única, a loja empurra a responsabilidade para o consumidor. É o velho truque: recicla tu, que eu continuo a produzir lixo. A pegada ambiental mantém-se, mas a imagem da marca fica mais verde.

Segundo: um programa feito à medida da própria loja. O «Volta» não é um sistema universal: só aceita embalagens vendidas no Lidl ou de marcas parceiras. Ou seja, exclui grande parte do que realmente consumimos. O logótipo do programa serve mais para filtrar do que para incluir. O Ambiente agradece pouco; a fidelização à marca agradece muito.

Terceiro: a devolução é uma fidelização forçada. A loja admite acrescentar dez cêntimos ao preço do produto para depois os ‘devolver’ — não em dinheiro, mas num vale de compras, utilizável apenas através de uma aplicação exclusiva. É menos incentivo ambiental e mais mecanismo de retenção de clientes.

Quarto: processo pouco prático e muito frustrante. Guardar embalagens sujas, transportá-las até à loja, lidar com máquinas que recusam embalagens ligeiramente amassadas ou com códigos de barras ligeiramente danificados, para no fim receber dez cêntimos por unidade — mais parece penitência do que incentivo. E quando a máquina avaria, o que não é raro, o stresse e o tempo perdido em filas é um custo real que ninguém devolve.

Quinto: o paradoxo logístico. Deslocar-se de carro para depositar meia dúzia de embalagens pode gerar mais emissões de CO₂ do que a recolha porta-a-porta pelos sistemas municipais. Ao criar um sistema paralelo, o «Volta» arrisca prejudicar a adesão aos circuitos públicos, sem trazer ganhos ambientais líquidos.

Sexto: a desigualdade social. Consumidores com menor poder de compra sentir-se-ão pressionados a acumular embalagens para obter pequenos reembolsos, enquanto os de maiores rendimentos poderão ignorar o programa. E quem vive longe de um Lidl fica automaticamente excluído. Não é um sistema para todos, é um sistema para quem já está dentro.

O ecoponto de rua — esse herói anónimo da reciclagem portuguesa — continua a ser mais eficiente, mais inclusivo e com menor pegada carbónica. Pode não dar vales de desconto, mas pelo menos não exige carregar lixo no porta-bagagens. Faz apenas aquilo que deve: recolher para reciclar. Por isso, continuo fiel a ele. Pode não ser bonito nem moderno, mas funciona — e não precisa de marketing para provar isso.

Post scriptum:
Este texto foi originalmente publicado ontem, 10 de abril, no Substack.
Para além deste texto original do Ambiente Ondas3, este blogue tem publicado outros sobre o mesmo tema, todos com os devidos créditos autoriais:

18 abril O QUE O SISTEMA 'VOLTA' NÃO EXPLICA SOBRE O PLÁSTICO

quarta-feira, 8 de abril de 2026

FARMACÊUTICAS FALHAM NO CUMPRIMENTO DE METAS AMBIENTAIS

  • A Agência Portuguesa do Ambiente veio a público esclarecer a responsabilidade da indústria farmacêutica na gestão de resíduos, admitindo falhas no cumprimento de metas ambientais e apelando a um maior compromisso do setor. Fonte.
  • O Governo de Luís Montenegro vai avançar com um estudo técnico para avaliar o potencial de antigas áreas mineiras abandonadas para a instalação de centros eletroprodutores de energia renovável. Fonte.
  • Pelo menos quatro aeroportos no norte de Itália — Milão Linate, Bolonha, Veneza e Treviso — impuseram restrições ao combustível para aviões devido à escassez, dando prioridade aos voos de longo curso e aos voos médicos. Fonte.
  • Os EUA estão a usar o México como um depósito de lixo, o que está a provocar uma crise tóxica, afirma Marcos Orellana, especialista da ONU. Fonte.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

LÍBANO: FLORESTAS, OLIVAIS E POMARES PULVERIZADOS COM GLIFOSATO

Um avião israelita espalhando uma substância tóxica sobre a aldeia próxima da fronteira Al-Bustan, visto numa captura de ecrã de um vídeo publicado pela ONG libanesa de proteção ambiental Green Southerners, em 1 de fevereiro de 2026. CAPTURA DE ECRÃ INSTAGRAM @GREENSOUTHERNERS/Le Monde.
  • Cinquenta anos após a Guerra do Vietname, o agente laranja encontrou um sucessor: o glifosato. O exército israelita espalhou este poderoso herbicida, proibido em vários países devido aos seus efeitos cancerígenos, ao longo das suas fronteiras com o Líbano e a Síria no domingo, 1 de fevereiro. Os capacetes azuis da ONU no sul do Líbano tiveram de se proteger durante nove horas após receberem um aviso de Israel: aviões israelitas espalharam substâncias tóxicas sobre florestas, olivais e pomares libaneses durante um dia inteiro. Fonte. Jamal Ali, diretor de Agricultura em Quneitra, afirmou que a safra de trigo morreu completamente, descrevendo-a como uma perda agrícola significativa que afetaria negativamente os meios de subsistência dos agricultores que dependem principalmente da agricultura e da pecuária.
  • O governo chinês lançou uma série de políticas destinadas a regulamentar a indústria de reciclagem de baterias do país. As baterias usadas de veículos elétricos antigos deverão atingir 1 milhão de toneladas por ano em 2030, pelo que o foco do governo chinês na reciclagem de baterias também reflete a preocupação com o abastecimento de minerais críticos. Apesar de dominar a refinação de muitos minerais críticos, a China ainda depende da importação de matérias-primas. Fonte.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

REFLEXÃO

DO CONTENTOR DO SEU BAIRRO AOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS E AO PAQUISTÃO: O QUE ACONTECE COM AS ROUPAS DOADAS?
Vários autores, Climática. Trad. O’Lima.


Armazém de triagem da Fundació i Treball, localizada nos arredores de Sabadell (Catalunha), uma das maiores instalações de triagem do sul da Europa. Foto: Sara Aminiyán.

Num armazém nos arredores de Sabadell, dezenas de trabalhadores da Fundação Formação e Trabalho esforçam-se para classificar um fluxo incessante de roupas usadas: camisas de algodão, vestidos com lantejoulas, camisolas de poliéster, calças de ganga infantis. Cada peça representa, em teoria, um pequeno gesto solidário e sustentável: uma doação para «fechar o ciclo» do pronto a vestir.

O ritmo é frenético, os armazéns estão cheios e a maioria dessas peças, diz o fundador e até recentemente diretor da cooperativa social da Cáritas especializada em reciclagem têxtil Moda Re, Albert Alberich, «acabará em pacotes que serão enviados para o estrangeiro. Os volumes são enormes, a Europa simplesmente não tem capacidade de classificação para processá-los», acrescenta. De facto, a quantidade de têxteis usados exportados de países da UE para fora do bloco quase triplicou nas últimas duas décadas, atingindo 1,26 milhões de toneladas em 2024, de acordo com os últimos dados oficiais.

A Diretiva-Quadro Europeia sobre Resíduos, que entrou em vigor em 2025, obriga os Estados-Membros a estabelecer sistemas de recolha seletiva de têxteis. É um dos pilares do Pacto Ecológico Europeu e da Estratégia para Têxteis Sustentáveis e Circulares, que visa reduzir a pegada ambiental do setor. Na prática, porém, o sistema está a mostrar as suas falhas. O que deveria ser circularidade tornou-se, muitas vezes, um desvio controverso: um fluxo cada vez mais opaco de toneladas de roupa que saem da Europa para serem classificadas, revendidas ou simplesmente armazenadas a milhares de quilómetros de distância e em condições de trabalho que, frequentemente, violam as normas da legislação laboral internacional.

Esta investigação colaborativa de nove meses, baseada em dados comerciais e documentos alfandegários exclusivos, uma análise original da pegada de carbono e geolocalização através de SmartTags da Samsung, revela como a visão europeia da circularidade têxtil se tornou parcialmente um novo fardo climático. Um fluxo alimenta um comércio opaco e intensivo em carbono que se estende por milhares de quilómetros e que, em alguns casos, até regressa à Europa.

Contentor para doação de roupas, numa rua de Barcelona. Foto: Helena Rodríguez Gómez.

Um sistema à beira do colapso

A sobreprodução do pronto a vestir, impulsionada por impérios como Inditex, H&M e, mais recentemente, os gigantes chineses Shein ou Temu, inundou o mercado com roupas baratas, de baixa qualidade e vida útil curta. Essas peças, feitas em grande parte de fibras sintéticas de pior qualidade, estragam-se mais facilmente e são difíceis de reutilizar ou reciclar, como explica Urška Trunk, responsável sénior de campanhas na organização sem fins lucrativos Changing Markets Foundation.

A maior parte dessas peças de roupa ainda hoje não é recolhida de forma seletiva: estudos recentes estimam que apenas entre 10% e 12% dos resíduos têxteis pós-consumo gerados em Espanha são recolhidos separadamente para reutilização ou reciclagem, o que nos coloca entre 2 e 4 pontos abaixo da média europeia.

Mesmo assim, o aumento das doações e dos resíduos têxteis ultrapassou a capacidade dos centros sociais europeus e, em consonância com a entrada maciça da China também no mercado de segunda mão, fez com que o seu valor caísse mais de metade desde 2022, segundo Zoltan Gundisch, da Aretex Roménia. Com estas margens, «o sistema já não é viável sem apoio público», denuncia Gundish.

  

Da Europa ao Dubai e ao Paquistão... e de volta?

Entre as exportações, há um punhado de destinos que se destacam dos demais: as zonas francas dos Emirados Árabes Unidos no Dubai – Jebel Ali, Sharjah ou Hamriyah – e as zonas de exportação do Paquistão, como a EPZ de Karachi. Essas zonas económicas especiais facilitam as exportações e o comércio, mas também dificultam o cumprimento das normas laborais e ambientais.

Assim, de acordo com um relatório da Oxford Economics de 2023, os Emirados Árabes Unidos são o principal destino extracomunitário de roupas usadas da UE e do Reino Unido, com mais de 231,8 mil toneladas no valor de 147 milhões de dólares, seguidos pelo Paquistão com 208,6 mil toneladas.

Até ambos os países, entre as milhares de toneladas enviadas este ano para serem classificadas – em condições opacas e muitas vezes por trabalhadores precários –, chegaram 6 das 28 SmartTags colocadas por esta equipa. Quatro acabaram na Zona de Processamento de Exportações de Karachi (KEPZ), destacando o papel crescente do Paquistão no comércio de têxteis usados europeus, e duas nas zonas francas dos Emirados – uma delas, depositada no ponto de recolha da loja H&M de Barcelona.

O exemplo da Espanha é revelador: o volume de roupas usadas enviadas para o estrangeiro quadruplicou entre 2015 e 2023, e mais de 27% do que a Espanha declarou exportar durante esse período foi para os Emirados, seguidos pelo Paquistão, com pouco mais de 12%, de acordo com dados declarados pela Espanha ao gabinete de estatísticas comerciais das Nações Unidas (UN Comtrade).

A ModaRe, de facto, admite exportações de roupa sem triagem prévia, mas nega importar peças em segunda mão provenientes dos Emirados Árabes Unidos ou do Paquistão. Algumas das entidades da Aeress também reconhecem as exportações no Paquistão e defendem que há aspetos do funcionamento internacional deste mercado que estão fora do seu conhecimento. Perante as evidências apresentadas na reportagem, a Humana reconheceu que, em algumas ocasiões, realiza importações de países como os Emirados Árabes Unidos para abastecer as suas lojas.

Outros operadores importantes do setor, como a East West, recusaram-se a comentar. As empresas dos Emirados Árabes Unidos e do Paquistão, para onde foram enviadas as SmartTags, não responderam aos pedidos de comentários.

Um rasto invulgar que esconde uma pegada de carbono multiplicada

Grande parte destas peças não fica nesses países: são reexportadas, principalmente para mercados africanos como o Quénia, a Tanzânia ou Moçambique. Algumas dessas peças exportadas são até reexportadas para a Europa, completando um tipo de circularidade distorcida que multiplica as emissões de carbono em vez de as reduzir. Enquanto a Espanha envia volumes massivos de roupa para os Emirados, os dados comerciais revelam algo surpreendente sobre o que volta.

99% das exportações dos Emirados Árabes Unidos para Espanha são reexportações: as roupas chegam, são processadas e depois reenviadas sem transformação, geralmente através das zonas francas do Dubai.

Documentos da Guarda Nacional Ambiental da Roménia obtidos por esta equipa exemplificam o que pode estar a acontecer: em 2023, a Roménia interceptou 26 toneladas de roupa proveniente da Alemanha, destinada a uma empresa localizada na zona franca de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos. Apesar de ter sido declarada como roupa reutilizável e com certificados de limpeza, as inspeções revelaram peças sujas e danificadas, que deveriam ter sido classificadas como resíduos, e mesmo assim a exportação foi autorizada.

O comprador final era a filial eslovaca da Garson & Shaw, um gigante do setor de artigos usados. Dados posteriores indicam novos envios dos Emirados Árabes Unidos para a Europa: um percurso circular e opaco que levanta questões sobre por que uma empresa que se apresenta como sustentável desviaria mercadorias por várias jurisdições com pouca transparência.

Uma análise da consultoria Inédit, encomendada exclusivamente para esta investigação, quantifica o impacto ambiental deste modelo. Enviar a roupa para o Dubai para ser classificada e revendida em Espanha triplica as emissões de dióxido de carbono (CO₂) em relação ao que se faz localmente: 0,576 toneladas de CO₂ equivalente por tonelada de roupa contra 0,195 toneladas dentro do país. Se for feito por via aérea, o impacto é doze vezes superior. Embora a reutilização continue a ser menos poluente do que fabricar peças novas, esta logística internacional dilui parte dos benefícios climáticos.

  

Enfrentar o desafio para além da retórica verde

«Não é justo: estamos a pagar e a assumir um problema que não criámos. A responsabilidade é dos produtores», denuncia Maria Suau, da Fundació Deixalles (Maiorca).

A rede europeia reuso, da qual faz parte a Fundació Deixalles, há anos que alerta para esta tendência: falta de circularidade real, dependência das exportações, saturação dos mercados de segunda mão e ausência de financiamento público. A nível europeu, a nova Responsabilidade Alargada do Produtor (RAP) tinha de transferir os custos de gestão para os fabricantes. Mas a sua aplicação é lenta e desigual.

«É uma mudança necessária, mas tardia», adverte a eurodeputada socialista Helene Fritzon. «Entre a proibição de deitar roupa fora e a ausência de sistemas eficientes de reciclagem, existe um vazio que ameaça fazer colapsar o setor», salienta.

Em junho de 2025, a Espanha publicou uma versão preliminar do Real Decreto 1055/2022 sobre embalagens e resíduos de embalagens, mas a implementação total só ocorrerá em 2028. Esta regulamentação estabelece metas para 2035 de 10% de redução de resíduos em relação a 2027, 70% de recolha seletiva e reciclagem dos resíduos gerados e preparação para reutilização de 35% dos resíduos recolhidos seletivamente. O último ponto é aquele que os gestores da economia social, como Albert Alberich (ModaRe), consideram o mais crítico e difícil de alcançar: “O grande problema não é a recolha, mas sim a triagem. E sabemos isso em primeira mão. As instalações de triagem não surgem de um dia para o outro. Não é loucura pensar que poderemos recolher 300 000 toneladas, mas é uma loucura absoluta pensar que poderemos triar 200 000”.

Em França, a nova lei sobre Responsabilidade Alargada prevê penalizar a fast fashion com taxas mais elevadas por peça produzida, introduzindo a chamada ecomodulação que os produtores sustentáveis há muito reclamam. «Não pode ser tão barato colocar uma peça de fast fashion no mercado», afirma Suau. «Este será um dos grandes desafios para a Europa.»

O fecho do círculo?

A Europa prometeu fechar o ciclo da moda e, segundo especialistas, ativistas e eurodeputados consultados, já dispõe das ferramentas para o fazer. «Externalizar o problema não é a solução», acrescenta o eurodeputado verde dinamarquês Rasmus Nordqvist. «É essencial assumir total responsabilidade pelo que acontece com um produto desde o momento em que é criado».

O esquema de Responsabilidade Alargada do Produtor (RAP) poderá obrigar as marcas de moda a investir na infraestrutura europeia de triagem, embora ainda reste saber como será implementado e se será suficiente para resolver o problema.

O que está a esgotar-se, alertam muitos, é o tempo para o fazer de forma real: com menos produção, mais reparação e uma gestão transparente. Até lá, a circularidade continuará a viajar de barco e de avião para o Dubai, deixando para trás um rasto de CO₂ e promessas vazias.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

COP30: CONFERÊNCIAS DO CLIMA PERDERAM INFLUÊNCIA

Heatmap/Getty Images.
  • As conferências do clima da ONU, como a COP30, podem já não ser o fórum mais eficiente na tomada de decisões contra as mudanças climáticas. A avaliação é da relatora especial das Nações Unidas para Mudanças Climáticas e Direitos Humanos, Elisa Morgera, e reforça análises de diversos agentes, como a diretora executiva do evento em Belém, Ana Toni e o físico Paulo Artaxo. Fonte.
  • Consulta pública até 13 de janeiro de 2026: Licenciamento único do estabelecimento Braguinox - Indústria de Reciclagem de Metais, Lda. Fonte.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

COP30: RELAÇÕES PÚBLICAS DISSEMINAM DESINFORMAÇÃO

  • Antes da cimeira climática COP 30, que se realizará em novembro no Brasil, uma curta-metragem animada, satírica e provocadora, condena o papel da indústria de relações públicas em promover os impactos devastadores da extração e utilização de combustíveis fósseis na saúde humana, através da disseminação de desinformação. Fonte.
  • Portugal ainda está longe de cumprir a meta europeia de recolha de equipamentos elétricos usados, apesar do crescimento expressivo da recolha nos últimos anos. Em 2024, foram recolhidas e enviadas para reciclagem cerca de 57 mil toneladas de equipamentos elétricos através dos sistemas de gestão nacionais, das quais 3. 400 toneladas foram encaminhadas para reciclagem pelo Electrão. Para que Portugal tivesse atingido a meta de 65% seria necessário que tivesse recolhido cerca de 150 mil toneladas, segundo estimativas baseadas na quantidade média de equipamentos elétricos colocada no mercado nos últimos três anos, o equivalente a aproximadamente 15 quilos de equipamentos por habitante. Um dos principais problemas está nos hábitos de separação dos portugueses: muitos guardam equipamentos avariados ou fora de uso em casa durante anos ou deitam-nos no lixo comum, o que impede a sua valorização e descontaminação adequada. A acumulação doméstica e empresarial de equipamentos elétricos fora de uso, aliada à falta de separação adequada, continua a retirar do circuito de oficial da reciclagem milhares de toneladas de materiais valiosos todos os anos. Outro dos fatores que compromete os resultados nacionais é o mercado paralelo de resíduos elétricos, que continua a desviar grandes quantidades de equipamentos do circuito formal de reciclagem. Muitos desses equipamentos são recolhidos em canais paralelos e tratados como sucata metálica, sem respeitar as normas ambientais, o que constitui um risco grave para o ambiente e a saúde pública. A falta de ação efetiva das entidades inspetivas agrava o problema. Fonte.
  • A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos recomenda maior prudência no investimento previsto para o setor do gás, validando as preocupações expressadas pelo GEOTA sobre o risco de investimentos desnecessários e incompatíveis com os objetivos climáticos nacionais. Fonte.
  • O Tribunal da Relação de Guimarães confirmou a anulação da venda de um terreno baldio por parte de dois agricultores à Lusorecursos, que quer explorar lítio em Montalegre, e a sua restituição aos compartes de Rebordelo. Fonte.