A TRETA DO VOLTA
RiseUP Portugal.
O novo sistema de depósito de embalagens em Portugal, através do Programa Volta, está a gerar revolta por uma razão muito simples: transfere a responsabilidade ambiental e o custo financeiro diretamente para o bolso do cidadão.
A partir de agora, pagamos mais 10 cêntimos por cada garrafa de plástico ou lata, valor que só recuperamos se guardarmos a embalagem intacta e a devolvermos numa máquina.
Mas importa olhar para quem está no topo da cadeia de produção. Estamos a falar de colossos mundiais como a Nestlé, a Coca-Cola, a PepsiCo e a Danone. Só para dar uma ideia do volume financeiro envolvido, estas empresas registam lucros líquidos anuais absolutamente extraordinários à escala global. A Nestlé lidera o setor alimentar com lucros anuais na ordem dos 10,9 mil milhões de dólares. A Coca-Cola (Responsável por 11% de toda a poluição plástica mundial), e a PepsiCo dominam o mercado de bebidas acumulando, respetivamente, cerca de 10,6 mil milhões e 8,2 mil milhões de dólares de lucro líquido anual. A Danone fecha este grupo no topo dos laticínios e nutrição com lucros a rondar os 2 mil milhões de dólares por ano.
Diante destes números recorde, a pergunta impõe-se: por que razão se castiga o consumidor com uma espécie de taxa verde disfarçada em vez de se obrigar estas multinacionais a alterarem a sua forma de produção na origem?
Todos nós consumimos cerveja ou água em garrafas de vidro reutilizáveis no circuito de cafés e restaurantes. Esse vidro é recolhido, lavado, esterilizado e volta a entrar no mercado dezenas de vezes sem necessidade de ser destruído. É um sistema que funciona há décadas.
A reciclagem mecânica do plástico gasta quantidades brutais de energia e água, além de continuar a alimentar o ciclo de fabrico de novos polímeros. A verdadeira ecologia faz-se pela redução e pela reutilização, não pela criação de barreiras financeiras a quem compra.
NB - perspetivas complementares sobre este tema:
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