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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

PESCAR MENOS PARA PESCAR MELHOR


  • É este o título da reportagem, publicada na revista Climática a 25 de junho de 2025, que acaba de ser galardoada com o Prémio de Jornalismo Positivo, atribuído pela Associação de Jornalistas de Ávila. A sua autora, a jornalista Ana Iglesias, conta uma história de colaboração que permitiu melhorar o ecossistema marinho: há mais de uma década, os pescadores de Roses (Girona) chegaram a um acordo verbal para deixar de pescar bacalhau na zona. A proibição de pesca criou uma aliança atípica entre o setor das pescas, a comunidade científica e as ONG. Fonte.
  • As praias de uma cidade da Califórnia estão a desaparecer. Será que os seus habitantes conseguem inverter a situação? Lois Beckett, The Guardian.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

HUNGRIA: BARRAGEM ILEGAL PARA SALVAR CENTRAL NUCLEAR

Trabalhadores despejam pedras nas águas do Danúbio, junto às instalações da central nuclear de Paks (Hungria), a 19 de setembro de 2026. - © Attila Kisbenedek / AFP / Reporterre
  • A seca histórica que afetou o Danúbio este verão ameaça o funcionamento da central nuclear de Paks, na Hungria. Para evitar a sua paragem, o primeiro-ministro Péter Magyar deu início, em meados de agosto, à construção de um açude de pedra no rio, sem autorização ambiental nem consulta aos países vizinhos. Fonte.
  • O projeto de exploração mineira da Cobre San Rafael S.L. na Corunha e a mina de volfrâmio de Abenójar, em Ciudad Real, foram selecionados pela Comissão Europeia, num processo novamente marcado pela opacidade e pela falta de participação pública. Organizações ecologistas denunciam que os projetos selecionados apresentam inúmeras irregularidades e riscos ambientais e sociais, e a sua classificação como estratégicos implica trâmites acelerados que podem isentar da obrigação de não causar impactos negativos. Estes projetos juntam-se aos seis projetos mineiros estratégicos para a Comissão Europeia que já existiam em Espanha, apontando o país como uma zona de sacrifício. As organizações salientam que a Comissão continua a apostar na extração de matérias-primas, apesar dos graves impactos ambientais e sociais, quando deveria dar prioridade à redução da procura e à reciclagem de metais. Fonte.
  • Pelo menos 183 casas na costa leste de Inglaterra foram demolidas devido à erosão costeira e aos riscos de deslizamentos de terra nos últimos 16 anos. Fonte.
  • Agentes da polícia britânica poderão entrar nas casas dos condutores de veículos elétricos suspeitos de «adulteração dos contadores» para evitar o futuro imposto por milha percorrida. Fonte.

terça-feira, 19 de maio de 2026

RTP, LINHA DA FRENTE – BRAÇO DE FERRO

Espinho, Silvalde. Foto: Regimento de Engenharia Nº 3, 17 dezembro 2025.

A RTP, no seu programa Linha da Frente, exibiu a 14 de maio de 2026 um documentário intitulado Braço de Ferro.
Nele se exibem, sem dó nem piedade, os impactos da subida do nível do mar, da erosão que assola muitas zonas costeiras do país e as consequências para os espertos que insistem em promover a construção em cima de dunas e arribas. A reportagem aponta Esposende, Ofir, Faro, Quarteira, Fonte da Telha, Figueira da Foz, Torres Vedras, São Martinho do Porto, Mira, Furadouro e Carvoeiro como exemplos flagrantes de onde a teimosia, a irresponsabilidade e o mau ordenamento do território têm gerado situações de enorme gravidade."

Este programa veio lançar um enorme balde de água fria sobre a ideia da Iniciativa Liberal de Espinho de requalificar a rua 2 / passeio marítimo. Apresentada na Assembleia Municipal, a proposta foi aprovada por escassa maioria, apesar de várias intervenções terem alertado para as poderosas condicionantes impostas pelo constante avanço do mar e pelos frequentes galgamentos registados ao longo de toda a orla costeira espinhense. Ufano, o promotor da proposta publicou numa rede social um cartaz de estilo imobiliário, celebrando a aprovação da proposta com uma linguagem gráfica que sugeria estar garantida a execução da ideia.

Parodiando esta peregrina ideia, gerou-se um soneto humorístico intitulado ‘Ao comendador da gentrificação’


quinta-feira, 30 de abril de 2026

REINO UNIDO: TECNOLOGIA VERDE CHINESA É PERIGOSA PARA A SEGURANÇA NACIONAL?

  • Um relatório britânico, encomendado pela Loom, alerta que a dependência da tecnologia verde chinesa está a tornar os países europeus vulneráveis a riscos de segurança nacional, incluindo ciberataques, restrições comerciais e espionagem. O relatório identificou oito riscos associados a uma dependência excessiva da tecnologia verde chinesa. Entre os principais riscos destaca-se a perturbação da cadeia de abastecimtransento, uma vez que a China poderia restringir o fornecimento de tecnologia e componentes de baixo carbono. Um risco subestimado era o de os EUA poderem exigir que a Europa retirasse a tecnologia chinesa dos seus sistemas energéticos — ou enfrentasse tarifas, sanções ou compromissos de segurança reduzidos. Recorde-se que o Reino Unido, após intensa pressão dos EUA, proibiu a Huawei de fornecer equipamento para as redes de telemóveis 5G britânicas. Outro risco inclui um ataque disruptivo em grande escala que poderia utilizar os chamados «kill switches» para desativar remotamente painéis solares, turbinas eólicas e outras tecnologias. Recorde-se que em 2023, o Centro Nacional de Cibersegurança aconselhou a National Grid do Reino Unido a remover componentes fornecidos por uma empresa apoiada pelo Estado chinês da rede de transmissão de eletricidade britânica devido a receios de cibersegurança. Em março passado, o Reino Unido rejeitou os planos para a construção de uma fábrica chinesa de turbinas eólicas na Escócia por motivos de segurança nacional. Um leilão italiano realizado em 2025 exigiu que os módulos e inversores para novos projetos solares fossem de origem não chinesa. As autoridades chinesas rejeitam as preocupações relativas à dependência da tecnologia verde do seu país, afirmando que Pequim não tem qualquer intenção de a utilizar para obter vantagens políticas e que as turbinas, os painéis solares e outros produtos de energia renovável a preços acessíveis reduzem o risco muito maior decorrente das elevadas emissões de carbono. Fonte.
  • Não há dinheiro para o comboio, mas para o avião, a história é outra. No final de 2025, o governo francês eliminou os comboios noturnos Paris-Viena sob o pretexto de «fazer poupanças». Mas, alguns meses depois, decidiu subsidiar a nova linha aérea entre Estrasburgo e Munique, inaugurada no início de abril. No entanto, estas duas cidades estavam bem ligadas pelo comboio noturno Paris-Viena. Fonte.
  • Desastre ambiental no Mar Negro após ataques ucranianos à refinaria de Tuapse. Fonte.
  • Na Carolina do Norte, dezenas de casas foram engolidas pelo mar. Algumas das casas que sobreviveram estão agora a ser transportadas sobre rodas. Fonte.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

JAPÃO: CIENTISTAS ALCANÇAM EFICIÊNCIA SOLAR CONSIDERADA «IMPOSSÍVEL» NUM AVANÇO NO CAMPO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS

  • Investigadores no Japão desenvolveram um novo material que permite às células solares gerar uma quantidade de energia a partir da luz solar que antes se pensava ser impossível. A descoberta, feita por uma equipa da Universidade de Kyushu, envolve um emissor especial de «inversão de spin» capaz de captar energia solar que normalmente se perde sob a forma de calor. Esta inovação supera o limite de longa data das células solares convencionais, alcançando uma eficiência de conversão energética de 130 por cento – abrindo novas possibilidades para painéis solares ultraeficientes. Até agora, a tecnologia das células solares só tem conseguido captar energia de cerca de um terço da luz solar disponível, devido ao facto de os fotões de maior energia, como a luz azul, se perderem sob a forma de calor. Fonte.
  • Consulta pública até 21 de abril: Título de Utilização Privativa do Espaço Marítimo Nacional Pedido de licença para utilização do espaço marítimo nacional para colocação de uma estrutura flutuante entre a Quarteira e o Garrão. Fonte.
 
  • Mina da Imerys na Bretanha: mais de 3 000 litros de produtos químicos derramados a montante de uma reserva natural. A fábrica de uma mina de andalusite derramou ilegalmente uma enorme quantidade de substâncias tóxicas em julho de 2021. Este escândalo põe em evidência as práticas da multinacional. Acaba de ser enviada uma denúncia ao Ministério Público de Saint-Brieuc. Fonte.
  • Os arrastões vasculham os fundos marinhos de águas britânicas supostamente protegidas. «A preciosa vida marinha está a ser levada ao limite», afirmam os ativistas, argumentando que as áreas marinhas sobrepescadas estão «protegidas apenas no papel». Um relatório de 2025 revelou que o bacalhau do Mar do Norte, o bacalhau do Mar Céltico, o badejo do Mar da Irlanda, o arenque do Mar da Irlanda e o carapau do Mar do Norte e da parte oriental do Canal da Mancha se encontravam todos em níveis criticamente baixos, mas continuavam a ser alvo de sobrepesca. Ainda em fevereiro passado, a cadeia de supermercados Waitrose suspendeu a venda de cavala, na sequência de um aviso da Marine Conservation Society de que também esta espécie estava a ser alvo de sobrepesca e corria o risco de um colapso populacional. Fonte.

sexta-feira, 20 de março de 2026

OVAR: ATERRO SANITÁRIO JUNTO DA PRAIA DE MACEDA EM PERIGO

  • Ovar teme desastre ambiental com aterro junto à praia da Maceda. Câmara Municipal denuncia que nada foi feito para proteger o aterro situado a 550 metros do mar, na praia da Maceda, onde as tempestades comeram 20 metros de areal, o maior recuo do continente. Carlos Coelho, professor no Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, que tem desenvolvido investigação na área da protecção costeira sublinhava que se o mar continuar a avançar à razão dos últimos anos — uma média de dez metros por ano —, ainda há que esperar cerca de 50 anos até que chegue ao aterro. O que não invalida, porém, que se façam estudos que permitam aferir se já houve Infiltrações e se os solos já estão ou não lixiviados (se já há efluentes líquidos, altamente poluentes, formados pela passagem de água através de resíduos sólidos), admitiu o especialista. Fonte. Já em dezembro de 2020 o BE alertara para este problema.
  • A Junta de Freguesia de Anta, Espinho, denunciou a deposição ilegal de resíduos na Travessa do Gavião, alertando para uma situação que está a afetar as condições de salubridade e o escoamento das águas pluviais naquela zona. Perante esta enorme falta de civismo, a autarquia apela à colaboração da população para identificar os responsáveis e travar este tipo de práticas. Fonte. Espero que a autarquia, à semelhança da Amadora, não esteja a preparar uma ‘linha bufo’. Curiosamente, esta denúncia é publicada diretamente num semanário de Espinho. Na página do 'livro das caras' da autarquia só lá são partilhadas imagens de procissões e desfiles de Carnaval. Pouco mais.
  • Como os nossos sistemas hídricos passaram da crise ao colapso. À medida que mais um Dia Mundial da Água se aproxima, a ONU já não alerta para o stress ou a escassez — mas sim para o facto de termos chegado à falência hídrica. Tim Smedley, Medium.

quarta-feira, 4 de março de 2026

ESPINHO: RIBEIRAS INTERVENCIONADAS PARA GARANTIR BANDEIRAS AZUIS

Foto: Isabel Faustino/DE

Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, visitou esta segunda-feira [2 de março] a obra que decorre no esporão sul de Espinho, na praia dos Pescadores, garantindo que a empreitada estará concluída até ao final do ano e que a Ribeira do Mocho, a Ribeira de Silvalde e a de Paramos vão sofrer obras para garantir que as praias possam ter bandeira azul no próximo verão. “Vamos fazer uma obra em cada uma delas, queremos ver as questões de poluição, renaturalizar as margens, compô-las e limpá-las”, anunciou Maria da Graça Carvalho.

“A Câmara de Espinho já nos enviou toda a informação, queremos identificar as fontes poluidoras, reabilitar e recuperar as margens, com o objetivo de garantir boa qualidade da água. As ribeiras são muitos importantes e impactam muito a época balnear”, afirmou José Carlos Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA)

A intervenção que está a decorrer no esporão sul de Espinho e que tem um investimento de cerca de 2,4 milhões de euros desenvolve-se numa extensão de 350 metros. De acordo com José Carlos Pimenta Machado, “vão ser colocados 360 tetrápodes” popularmente conhecidos como pés de galinha e “cada um pesa 34 toneladas”, onde o objetivo “é refazer a cabeça do esporão” para, de seguida, “reabilitar os taludes a nível lateral que protegem o esporão”.

Para além deste esporão, os dois esporões de Paramos também vão ser reparados, estando os projetos a ser ultimados de modo a candidatar a empreitada até ao final de abril no âmbito do programa operacional Sustentável 2030. Fonte.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO

CONSTRUIR SOBRE O ESTUÁRIO DO TEJO É TERRAPLENAR O FUTURO
Carla Castelo, O Maio.

Foto: Nuno Ferreira Santos/Arquivo do Público.

Nas últimas semanas, registaram-se perdas irreparáveis de vidas humanas e elevados prejuízos materiais em todo o país. No município de Oeiras, a destruição do chamado passeio marítimo de Algés, entre a Cruz Quebrada e Algés, não é inédita e voltou a obrigar ao encerramento da via pedociclável. Mas desta vez, com um rombo mesmo junto à ferrovia, está também a causar grandes constrangimentos à circulação de comboios na Linha de Cascais, que opera em via única desde 5 de fevereiro.

Perante uma situação complexa, que afeta a vida de milhares de pessoas, a resposta do autarca de Oeiras veio, como habitualmente, em forma de vídeo nas redes sociais. Além de uma obra imediata de contenção do muro para permitir a reposição da circulação ferroviária, defende uma obra mais profunda em toda a extensão do passeio marítimo, com o alargamento do terrapleno cerca de 30 metros para cima do estuário do Tejo.

A ideia não é nova e as preocupações são óbvias face aos dados conhecidos. As alterações climáticas e a subida do nível médio do mar são mesmo para levar a sério.

São precisas soluções de proteção da costa baseadas no conhecimento científico e em estudos técnicos, para que sejam eficazes na sua funcionalidade e na utilização de dinheiros públicos.

Já no estudo encomendado pelo município de Oeiras à Faculdade de Ciências.ID – Associação para a Investigação e Desenvolvimento de Ciências, em 2017, denominado Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas de Oeiras (PMAACO) afirmava-se que as áreas sujeitas a inundações costeiras podem quadruplicar nas próximas décadas, afetando zonas residenciais, vias de circulação e infraestruturas essenciais. O mesmo estudo apontava precisamente o passeio marítimo, a Avenida Marginal e a linha ferroviária como as áreas mais vulneráveis.

O PMAACO recomendava, por isso, o reforço de defesas costeiras, elevação de infraestruturas, desde logo a cota da linha ferroviária, e outras medidas de proteção, precisamente para reduzir a exposição ao risco. O que não recomendava era construir mais em zonas vulneráveis.

No entanto, é precisamente isso que está previsto, com sucessivas autorizações e até planos aprovados pelo município de Oeiras, para a zona. Numa ponta, o empreendimento imobiliário Porto Cruz, na outra, as instalações da Information Management School da Universidade Nova e, em toda a extensão entre Pedrouços e a Cruz Quebrada, o projeto Ocean Campus. Ou seja, mais e mais construção, numa zona ribeirinha, vizinha do estuário do Tejo e às fozes de um rio, o Jamor, e de uma ribeira, a de Algés.

Construir mais nestes locais significa aumentar o risco e criar problemas que, inevitavelmente, acabarão por ser pagos por todos, quando ocorrerem novos episódios extremos.

É incompreensível a insistência em projetos urbanísticos em zonas reconhecidamente vulneráveis. Todos estes projetos seguem o mesmo padrão: ocupar zonas onde o PMAACO já em 2019 alertava para o agravamento dos riscos climáticos. Por exemplo, na Cruz Quebrada, na foz do Jamor e rente ao estuário do Tejo, não faz sentido construir megaempreendimentos imobiliários, mas sim restaurar a zona – hoje muito degradada e com um passivo ambiental perigoso de amianto –, renaturalizá-la e deixá-la o mais livre possível de construções para prevenir perdas e danos.

O ordenamento do território implica decidir onde faz sentido construir e onde devemos deixar terreno não edificado, permeável à infiltração da água da chuva ou à inundação, precisamente para não colocar pessoas e bens em perigo.

Os riscos estão identificados. O nível do mar vai continuar a subir e os fenómenos extremos vão repetir-se. A questão é simples: escolhemos soluções que reduzem a exposição ao risco ou damos cabo do futuro?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

INGLATERRA: EROSÃO COSTEIRA AMEAÇA LOCAL DE CONSTRUÇÃO DE CENTRAL NUCLEAR

  • A costa em torno de Norfolk e Suffolk é uma das que sofre uma erosão mais rápida na Europa, mas a desintegração intensificou-se em várias partes nos últimos meses, incluindo uma área a apenas 2 km do local de construção da central nuclear de Sizewell C. Mais de 27 metros de falésia na aldeia de Thorpeness foram perdidos desde dezembro de 2024. Dez casas, incluindo dois apartamentos que foram vendidos nos últimos anos por mais de £ 600.000, foram demolidas desde outubro. Fonte.
  • O Crédit Agricole foi multado pelo BCE em€7.55 milhões por não identificar riscos climáticos e ambientais. Fonte.
  • Cinzas vulcânicas estão a ser utilizadas como fertilizante na agricultura, na construção de estradas, no isolamento de paredes, na purificação de água e em tinta para impressoras 3D. Fonte.
  • A China diz ter inventado um processo que transforma areia do deserto em solo fértil em apenas 10 meses. Os cientistas utilizaram micróbios cultivados em laboratório para unir areia solta do deserto numa camada fina e estável que o vento não consegue facilmente soprar. Essa superfície mais resistente dá às equipas de restauração tempo para plantar arbustos e gramíneas antes que os ventos fortes e o calor destruam as plantas jovens. Fonte.
  • Em 2025, apenas 6% dos artigos da imprensa abordaram o tema do ambiente, conclui um estudo do Observatório dos Meios de Comunicação. Este número sobe para 8,1% na imprensa diária, nacional ou em revistas, e desce para 5% na televisão e na rádio, bem como para 4,6% na imprensa diária regional. Fonte.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

REFLEXÃO

NEM TUDO É BETÃO: ESTAS PRAIAS ESTÃO MESMO A OUVIR A CIÊNCIA
Andrés Actis, Climática. Trad. O’Lima.

Foto: Praia de Calafell, onde se pode ver a ação do projeto DUAL.

Em Matalascañas, núcleo urbano costeiro do litoral atlântico, na província de Huelva, já não sabem o que fazer para evitar que o mar devore praias, barracas de praia e casas que, durante a expansão da construção civil, o grande sonho imobiliário da costa espanhola, foram construídas muito perto das ondas. Em dezembro, as escavadoras começaram outra dragagem e a adição de milhares de metros cúbicos de areia para impedir que a erosão avance. Mas as últimas tempestades voltaram a mostrar o avanço implacável da água. O passeio marítimo está a começar a desaparecer. Os seus dias estão contados.

Panorâmica da praia de Matalascañas. José Luis Filpo Cabana.

Enquanto muitas cidades do litoral espanhol improvisam soluções para combater os impactos das novas condições climáticas e continuam incentivando a construção de hotéis e grandes complexos hoteleiros – a Costa del Sol recebeu 309 milhões de euros apenas em investimentos hoteleiros em 2025 –, alguns municípios começaram a ouvir a ciência. Não adianta restaurar praias com toneladas de areia. É caro e inútil, concordam os especialistas. São necessárias soluções profundas: demolir e recuar passeios, remover pavimentos e renaturalizar os espaços antropizados.

De acordo com a Avaliação de Riscos e Impactos decorrentes das Alterações Climáticas em Espanha (ERICC-2025), a primeira análise integral que identifica e caracteriza todas as ameaças associadas às alterações climáticas, cerca de 8000 quilómetros de costa estão expostos ao aumento do nível médio do mar, à intensificação das tempestades e à erosão costeira.

No capítulo sobre costas e meio marinho, revela-se que o litoral espanhol «já está a sofrer impactos como a perda de superfície emergida, a salinização de aquíferos e solos agrícolas e a degradação de habitats costeiros de elevado valor ecológico». Descreve-se uma «vulnerabilidade social e económica» muito elevada — mais de 40% da população reside em zonas costeiras — e alerta-se que a «concentração de infraestruturas» intensificará os riscos no futuro.

«O nível do mar continuará a subir. Isto irá gerar uma perda permanente de superfície emergida. Precisamos de nos adaptar», insiste Íñigo Losada, professor de Engenharia Hidráulica e diretor de Investigação do Instituto de Hidráulica Ambiental da Universidade de Cantábria, um dos coordenadores deste relatório.

A restauração das dunas de Calafell

Há anos que Calafell (Tarragona, Catalunha) promove ações baseadas na natureza para proteger a costa das tempestades e tornar as suas praias mais resistentes à erosão. A renaturalização, com resultados já tangíveis, foi possível graças a vários projetos simultâneos geridos pela Câmara Municipal, pelo governo central, pela Universidade de Girona e por programas da União Europeia (IMPETUS e DUAL).

A demolição do passeio marítimo, a plantação de espécies autóctones que retêm e fixam a areia, além de travar a ação das ondas, a remoção de estruturas rígidas (esporões) e a colocação de coletores com canas que retêm os sedimentos arrastados pelo vento são algumas das soluções implementadas nos últimos três anos.

A eliminação de parte do passeio marítimo permitiu que as praias, enfraquecidas pela força do mar e pela urbanização do litoral, ganhassem amplitude e recuperassem parte da areia. «O que realmente protege as infraestruturas é a praia, é uma defesa muito mais eficiente do que não a ter, é também uma forma de proteger as casas e ter um ecossistema em melhor estado», explica Aron Marcos Fernández, vereador de Ecologia Urbana da Câmara Municipal.

A última transformação consiste na criação de uma zona de dunas e zonas húmidas junto ao porto, num espaço artificial criado há anos, muito afetado pelas tempestades marítimas, para voltar a ter um espaço com vegetação autóctone. «Mais um passo na recuperação das praias que temos feito nos últimos anos. As medidas que aplicámos foram avalizadas pela ciência, mas também foram avalizadas pelos resultados», celebra o vereador.

A praia de La Pineda, em Vila-seca, a 40 quilómetros de Calafell, é outro município da costa catalã que está a desmantelar parte do seu passeio marítimo para que a areia ganhe amplitude. O projeto prevê o recuo da faixa urbanizada no litoral em vinte metros.

De acordo com dados recolhidos pela Universidade de Girona, na Catalunha, 90% das praias foram afetadas pela degradação do habitat dunar nas últimas décadas. O motivo? O planeamento urbano que impulsionou a ocupação do solo na primeira linha do mar, «origem da perda da paisagem dunar em toda a Espanha».

A demolição de um hotel em Elche e a renaturalização em Santa Pola

Nas praias de El Alted, em Elche, ninguém sente falta da estrutura de betão do antigo hotel Arenales del Sol, um edifício de quatro andares e 146 quartos, construído em 1963 no meio das dunas, que permaneceu abandonado durante décadas.

Em 2022, a Direção Geral de Costas concluiu os trabalhos de recuperação e restauração ambiental da zona onde se encontrava o edifício. A demolição e intervenção do terreno permitiu recuperar 11 000 metros quadrados de ecossistema. Quatro anos depois, a desmontagem completa da infraestrutura deu lugar a um «espaço dunar» que agora faz parte da praia, recuperando o perfil natural da costa.

Santa Pola, cidade vizinha, seguiu os passos com um projeto de restauração ambiental e renaturalização da linha costeira da Gran Playa. O plano de obras prevê a supressão de partes da via pública com «superfícies artificiais» por zonas ajardinadas com vegetação autóctone, passadiços sustentáveis e elementos de proteção paisagística.

Serão removidos do ambiente costeiro elementos obsoletos, como blocos de betão, e os serviços urbanos, como iluminação, lancis e sinalização, serão adaptados a um design mais integrado e sustentável com o meio ambiente. Além disso, para reverter a erosão da praia causada pelas tempestades, será otimizado o sistema de drenagem urbana nas avenidas adjacentes.

O recuo de um passeio marítimo em Vigo

Nos próximos dias, terá início a segunda fase da transformação integral da praia de Samil, em Vigo. A retomada da renaturalização começará com uma imagem simbólica: a demolição do San Remo, um restaurante histórico em terreno municipal cuja concessão a Câmara Municipal decidiu não renovar.

Na primeira fase do projeto, foi demolida parte do antigo passeio marítimo. A intervenção permitiu ampliar a areia em aproximadamente 25 metros. As obras permitiram o «recuo» da zona, ou seja, o deslocamento da infraestrutura pedonal para o interior.

As obras também possibilitaram a recuperação de dunas de até dois metros de altura entre o calçadão e a Praia da Fonte, uma das mais emblemáticas da cidade. «A massa de cimento que se estende pela praia, como foi batizado há 50 anos este calçadão, está a desaparecer», comemora Abel Caballero, presidente da câmara desta cidade galega.

O objetivo final do projeto é recuperar completamente toda a duna do interior de Samil, passando de 28.800 m² para mais de 61.000 m². A intervenção eliminará completamente todas as vagas de estacionamento existentes.

Praia Samil, em Vigo. Adrián Irago/Europa Press via Reuters.

Evitar a proliferação de espécies invasoras em San Javier

No final deste ano, as praias de San Javier, Múrcia, terão habitats dunares melhorados e ampliados, uma obra que permitirá amortecer os efeitos erosivos das ondas durante as tempestades.

O MITECO aprovou e encomendou o projeto da Fase I da restauração das dunas em 6 áreas de La Manga del Mar Menor. Os trabalhos visam «conservar os valores naturais numa zona altamente pressionada pelo urbanismo», explicam desde o ministério.

Um dos objetivos da ação é evitar a proliferação de espécies invasoras, um dos principais fatores de ameaça à biodiversidade em Espanha. Os trabalhos incluirão a restauração ambiental das dunas através da introdução de espécies autóctones, a sua proteção através de cercas flexíveis e a implantação de coletores de areia em diferentes zonas das praias.

Entre as diferentes espécies dunares que serão plantadas encontram-se o esparguete do Mar Menor (Asparagus macrorrhizus), o funcho marinho (Crithmum maritimum), a campânula-do-mar (Calystegia soldanella) e o lírio-do-mar (Pancratium maritimum). Precisamente, o esparguete do Mar Menor, espécie endémica do Mar Menor, entrou em abril de 2023 na categoria de «em perigo de extinção» do Catálogo Espanhol de Espécies Ameaçadas. A sua principal ameaça é a urbanização deste cordão litoral.

Os técnicos do MITECO garantem que, uma vez recuperada a vegetação própria, será restaurado o equilíbrio sedimentar costeiro, transformação que amortecerá os efeitos erosivos das ondas sobre a costa.

«É difícil dizer que salvaremos toda a costa indefinidamente. Quando se luta contra a natureza, acaba-se por perder», repete o engenheiro Agustín Sánchez Arcilla, membro do Colégio de Engenheiros de Estradas, Canais e Portos da Catalunha, quando questionado sobre o futuro das praias na sua região. Mas ele incentiva todos os decisores a «dar à natureza o espaço que ela reclama frente ao cimento».

domingo, 8 de fevereiro de 2026

OVAR: MAR APROXIMA-SE DO ATERRO SANITÁRIO DE MACEDA

Foto: Henrique Araújo (30jan2026)
  • A forte ondulação marítima dos últimos dias “engoliu” a praia de Maceda e reduziu em dezenas de metros o parque de estacionamento da Praia de Maceda. Perto há um aterro sanitário que, não estando a ser monitorizada e perante a falta de dados e de transparência sobre o seu estado, é um fator agravante do risco. Refira-se que a ERSUC assumiu a responsabilidade de monitorizar o aterro durante 20 anos mas nunca divulgou qualquer relatório. Fonte.
  • O Congresso dos EUA votou a favor de um corte de US$ 125 milhões destinados à substituição de tubulações de água potável com chumbo tóxico, que representam uma ameaça especial para as crianças. A medida afetará sobretudo o Michigan, Illinois, Texas, Nova Iorque e outros estados com os níveis mais altos de tubulações com chumbo. Fonte.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

ESPINHO: FORTE ONDULAÇÃO PROVOCA ROMBO NO ENROCAMENTO DE SILVALDE

Foto: JN

A forte ondulação registada na madrugada desta terça-feira provocou um rombo de grandes dimensões no enrocamento no bairro piscatório de Silvalde, tendo o mar galgado e atingido áreas muito próximas das habitações, gerando apreensão entre a população local. Fonte.

O litoral de Espinho é frequentemente alvo de galgamentos que provocam grandes estragos. É o preço que pagamos por querermos usufruir dele. Seguem-se registos dos impactos de alguns galgamentos passados:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

ALGARVE: REFORÇO DO AREAL NO TROÇO QUARTEIRA-GARRÃO

  • A intervenção que vai garantir a alimentação artificial no troço Quarteira-Garrão, prevista Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura-Vila Real de Santo António, vai ter início no dia 12 de janeiro. O projeto de execução prevê a alimentação artificial da praia ao longo de 6,7 quilómetros entre as praias de Quarteira e do Garrão. A intervenção representa um investimento global de 14,9 milhões de euros e deverá estar concluída antes da próxima época balnear. Fonte.
  • Trump está a processar duas cidades californianas numa tentativa de bloquear leis locais que restringem a infraestrutura e os aparelhos a gás. Argumenta-se que as regras aprovadas pelas cidades de Morgan Hill e Petaluma, na região de São Francisco, desde 2019 violam uma lei que impede os estados e as cidades de regulamentar o uso de energia, aprovada em 1975. A queixa afirma que as proibições do gás natural não só impõem custos esmagadores aos residentes da Califórnia, como também são ilegais. Fonte.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

REFLEXÃO

EXPLORAÇÃO MADEIREIRA ILEGAL EM GRANDE ESCALA ASSOCIADA ÀS INUNDAÇÕES MORTAIS EM SUMATRA

Madeira transportada rio abaixo pelas inundações em Sumatra, em novembro de 2025 © Shutterstock

Uma recente investigação realizada pela Earthsight e pela Auriga expõe uma grande empresa madeireira e de celulose por ter contribuído para inundações mortais em Sumatra, na Indonésia, por meio do desmatamento ilegal em grande escala na sua concessão.

O governo indonésio e a sociedade civil culparam o desmatamento desenfreado em Sumatra por agravar as inundações e deslizamentos de terra que mataram mais de 1.100 pessoas desde 26 de novembro de 2025.

Uma das áreas mais afetadas, Batang Toru, viu rios destrutivos de troncos e detritos de exploração florestal serem arrastados pelos vales dos rios, vídeos que tiveram milhões de visualizações nas redes sociais e levaram a protestos públicos.

Grandes áreas de floresta virgem e habitat de orangotangos foram ilegalmente desmatadas dentro da concessão da empresa de plantação de madeira e celulose PT Toba Pulp Lestari. A floresta desmatada ficava em encostas íngremes a montante de áreas fortemente afetadas, numa zona classificada como protegida e oficialmente reconhecida como de alto risco de deslizamentos de terra.

A empresa alegou que o desmatamento ilegal foi realizado por terceiros, mas pesquisas de campo indicam que algumas áreas desmatadas foram plantadas com monoculturas de eucaliptos.

A celulose produzida pela empresa foi rastreada até um grande fabricante e exportador de "rayon" feito de fibras de madeira, usado na fabricação de roupas e outros produtos vendidos em todo o mundo.

Em resposta às conclusões, a PT Toba Pulp Lestari afirmou que todas as suas operações são legais, que não abate nenhuma floresta natural e que não há qualquer ligação entre as atividades da empresa e as inundações e deslizamentos de terra.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

ALGARVE: MAR ENGOLE AREAL NA QUARTEIRA

Foto: Manuel Ricardo Simão
  • A areia da praia do Forte Novo, em Quarteira, está a ser levada pela força do mar, num cenário que é habitual no inverno, com a destruição de acessos. Aliás, ainda em abril de 2025, já acontecera algo semelhante, conforme se deu conta aqui. Refira-se que a ministra do Ambiente anunciou, em julho de 2025, que a operação de reposição de areia na Praia do Forte Novo deveria iniciar-se logo após a época balnear, numa extensão de 6,5 quilómetros até à Quinta do Lago, e num investimento de 14,3 milhões de euros.
  • Há mais de uma semana que, no cruzamento da Avenida 8 com a rua 13, em Espinho, se desperdiça água tratada. A São Silvestre não passou por lá…

sábado, 20 de dezembro de 2025

ESPINHO: MONTAGEM DE ESTALEIRO PARA OBRAS DE REFORÇO DO ESPORÃO SUL


A Hydro Stone/Irmãos Cavaco iniciou a montagem do estaleiro para as obras de reforço do esporão sul de Espinho, emSilvalde. Orçada em cerca de 2 milhões de euros, a obra deverá estar concluída dentro de um ano. Recorde-se que este esporão mereceu obras de requalificação em 2010 e que o esporão a norte foi reforçado em 2017-2018 pela Hydro Stone, empresa sediada em Santa Maria da Feira, principal empresa operacional do Grupo Irmãos Cavaco.

Entretanto, militares do Regimento de Engenharia nº 3 implantaram, a sul deste estaleiro, sacos cheios de areia como muro de contenção de galgamentos. A operação foi realizada com o apoio de duas retroescavadoras e uma multicarregadora telescópica junto da zona vulgarmente conhecida por Mata.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

ESPINHO: EXÉRCITO IMPLANTA MURO DE CONTENÇÃO DE GALGAMENTOS


Militares do Regimento de Engenharia nº 3 implantaram sacos cheios de areia como muro de contenção de galgamentos. A operação foi realizada com o apoio de duas retroescavadoras e uma multicarregadora telescópica junto da zona vulgarmente conhecida por Mata. Fonte.

domingo, 23 de novembro de 2025

ESPINHO: NOVO LIMITE DO DOMÍNIO PÚBLICO MARÍTIMO


Segundo o novo limite do DPM em Espinho, a linha que delimita a área do Estado (o DPM) foi recuada para o interior, excluindo da sua jurisdição uma faixa de território que antes era considerada pública. Este recuo legalizou a situação de várias edificações que, tecnicamente, estavam ilegalmente construídas em terreno público. A mudança baseou-se numa nova interpretação da localização da "linha da máxima preia-mar de águas vivas equinociais", um conceito técnico que define o limite do DPM.

O DPM é um bem do Estado, gerido pela Agência Portuguesa do Ambiente. Inclui a faixa de mar, as praias, os areais e uma faixa de terreno terrestre adjacente. O seu limite em terra é definido, na falta de arribas, pela linha da máxima preia-mar (ponto mais alto que a maré cheia atinge) de águas vivas equinociais (marés mais fortes que ocorrem perto dos equinócios - março e setembro).

A localização exata desta linha é, portanto, técnica e científica, e pode mudar com o tempo devido a fenómenos naturais ou a novos estudos.

Durante décadas, o limite do DPM em Espinho baseou-se numa linha definida num decreto de 1951. No entanto, a dinâmica costeira e a erosão fizeram com que, na prática, o mar recuasse em certos troços (um fenómeno conhecido como acréscimo sedimentar ou progradação). Isto significa que a linha real da máxima preia-mar estava, em muitos locais, mais a ocidente (mais perto do mar) do que a linha legal de 1951. Como consequência, várias construções foram erguidas em zonas que, pela lei antiga, ainda era considerada DPM. Estas edificações existiam num "limbo jurídico": estavam em terreno que, legalmente, era público, mas que, fisicamente, já não era atingido pelo mar.

A grande mudança ocorreu com o Aviso n.º 12395/2023, de 3 de outubro, que aprovou a 2.ª atualização da carta de delimitação do DPM do troço costeiro Espinho-Nazaré.

Alterações e impactos

1. O novo limite do DPM foi recuado para uma posição mais a leste (interior), que reflete com maior precisão a localização atual da linha da máxima preia-mar. Esta nova linha baseou-se em estudos topográficos e de monitorização costeira recentes, que comprovaram o acréscimo sedimentar na região.

2. Ao recuar, o novo limite deixou de fora (a leste) um conjunto de edificações que antes estavam dentro do DPM. Isto significa que o terreno onde estas construções se situam deixou de ser domínio público e passou a ser domínio privado (ou, noutros casos, domínio municipal). Foi, essencialmente, uma desafetação de uma parte do DPM.

3. Os donos das propriedades deixam de estar em situação de ilegalidade por estarem em solo público, podendo agora vender, hipotecar ou realizar outras transações com os seus imóveis de forma regularizada; o Estado perde a jurisdição sobre essa faixa de terreno, que sai do seu património; a Câmara Municipal de Espinho pode passar a cobrar IMI sobre esses terrenos e edificações, algo que não era possível quando eram DPM.

Polémicas

Com as alterações introduzidas, o Estado pode ser criticado por estar a privatizar uma parte do litoral que era pública, premiando quem construiu ilegalmente. Além disso, essas alterações podem criar um precedente para outras zonas do país onde existam pressões imobiliárias sobre o DPM. Por outro lado, não será de descartar perigos e riscos futuros, uma vez que a costa portuguesa está sujeita à erosão e à subida do nível médio do mar devido às alterações climáticas. Se no futuro o mar avançar, estas construções ficarão novamente em risco, mas agora em terreno privado, o que pode complicar intervenções de proteção costeira.

Em suma, o novo limite do DPM em Espinho é muito mais do que um simples ajuste cartográfico. É uma decisão política e técnica com profundas implicações: regulariza uma situação antiga, altera a propriedade de uma faixa de terra costeira, transferindo-a do domínio público para o privado e abre um debate crucial sobre a gestão do litoral, o princípio da imprescritibilidade do DPM e como lidar com as pressões antrópicas e as alterações climáticas.

Em suma, o "pormenor" mais importante é que o Estado moveu a linha do DPM para se adaptar à realidade física e humana do terreno, numa decisão que é simultaneamente uma solução prática para um problema crónico e uma potencial fonte de novos conflitos no futuro.

sábado, 8 de novembro de 2025

ESPINHO: GOLFINHO DÁ À COSTA

  • Um golfinho deu à costa junto ao Bar da 37, em Espinho, num aparente caso de morte relacionado com a atividade pesqueira. A imagem, partilhada por Joaquim Silva no grupo 'Força Espinho' em 6 de novembro, despertou de imediato a atenção da comunidade.  De acordo com especialistas, quando um golfinho fica preso acidentalmente numa rede de emalhar, o animal luta desesperadamente para se libertar, podendo enrolar-se no aparelho de pesca. Se a rede imobilizar a mandíbula ou cobrir a cabeça, o golfinho perde a capacidade de fechar a boca. Esta impossibilidade impede-o de engolir e, em conjunto com o pânico e o esforço extremo, pode levar à asfixia. A morte pode também ocorrer por afogamento, se o animal estiver submerso, ou por asfixia mecânica, se a rede comprimir a traqueia. Num comentário à publicação, Nani Canizes partilhou um pequeno vídeo que parece corroborar esta hipótese, ao mostrar claras escoriações na mandíbula e na cauda do animal. As evidências levantam questões pertinentes: terá este golfinho sido vítima de uma rede de pesca e depois descartado? Terá sido o mar revolto o responsável por esta morte?
  • A deputada da Assembleia da República do PSD, Carolina Marques, defendeu no Parlamento um “financiamento estável e acompanhamento técnico continuado” que faça face à erosão costeira que afeta o distrito de Aveiro, nomeadamente através da reposição de areias e no reforço de enrocamentos e esporões. Fonte. Media stunt desta jovem deputada, apenas para marcar terreno e dizer 'estou aqui, olhem para mim'. Então não sabe que, neste momento, decorre a intervenção de reforço do cordão dunar, entre a Costa Nova do Prado e a Praia da Barra numa extensão de cerca de 700 metros? não sabe que a Hydro Stone-Engenharia, deve estar a iniciar o reforço reforço do esporão sul de Espinho, em Silvalde, numa empreitada orçada em cerca de 2 milhões de euros, e que deverá ser executada durante um ano? 
  • A cientista climática Dra. Joëlle Gergis reflete sobre os 30 anos de cimeiras climáticas da ONU e argumenta que o mundo «ainda está desastrosamente fora do caminho para limitar as alterações climáticas perigosas». Ela observa que as políticas climáticas são «fortemente dependentes de soluções “positivas para a natureza” que visam neutralizar as emissões de carbono essencialmente plantando árvores em vez de reduzir as emissões industriais». Gergis argumenta que a «proteção, expansão e reabilitação» de sumidouros naturais de carbono, como florestas e zonas húmidas, é «intrinsecamente algo positivo a fazer». No entanto, sublinha que os investigadores demonstraram que «não há terra suficiente para atingir a meta global de emissões líquidas zero usando apenas soluções baseadas na natureza». Ela afirma que a «distorção política do líquido zero é uma lacuna insidiosa que distrai da necessidade científica de eliminar a causa principal do sobreaquecimento do nosso planeta: os combustíveis fósseis».

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

ALGARVE: MIGRAÇÃO SEDIMENTAR PARA A PRAIA DO VAU

  • Iniciou-se a Empreitada de Migração Sedimentar para a Praia do Vau – Portimão, com um prazo de execução de sete meses. Esta intervenção irá desenvolver-se na praia da Rocha e nas praias dos Careanos, Amado e Três Castelos. A obra prevê a alimentação artificial da praia, através de tubagem, ao longo de um troço com uma frente de mar de 1.350m, entre as praias do Vau e dos Três Castelos com as areias acumuladas na praia da Rocha ao longo das últimas décadas, promovendo a migração sedimentar desde o final do circuito (zona de acumulação da praia da Rocha) para o seu local original, onde a erosão das arribas potencia maior risco para os utentes das praias. Fonte.
  • Um mega-projeto planeado pela Altri para Palas de Rei, na Galiza, está a gerar um aceso debate em Espanha. Vila Velha de Ródão e Constância, onde existem fábricas da empresa produtora de pasta de papel, são os exemplos procurados pelos espanhóis para ver como coexistem a indústria, a população e o ambiente. A história oficial fala de prosperidade, mas no terreno encontram-se casos graves de poluição, populações desanimadas e vozes críticas que questionam o “verdadeiro preço” a pagar pelos territórios onde avançam este tipo de investimentos. Fonte.