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sexta-feira, 22 de maio de 2026

QUÉNIA: JOVENS TRANSFORMAM RESÍDUOS AGRÍCOLAS NUM FILTRO DE ESCAPE PARA VEÍCULOS

  • A Earth Foundation, com sede na Suíça, atribui o Prémio Earth a jovens entre os 13 e os 19 anos que trabalham em soluções para os desafios ambientais. «O problema da poluição atmosférica era muito pessoal para nós, e foi por isso que começámos a pensar em encontrar uma solução», disse Fredrick Njoroge Kariuki, um dos membros da equipa vencedora da região de África. O sistema de filtragem de gases de escape HewaSafi utiliza filtros feitos de materiais de origem local, como cascas de coco, espigas de milho, malha de aço, cobre e materiais reciclados de baterias usadas. Fonte.
  • Quase uma década depois de a Escócia ter criado a Área Marinha Protegida de South Arran e proibido a pesca de arrasto pelo fundo em grande parte da mesma, a vida no fundo do mar tem prosperado, segundo um novo estudo.
  • Em março de 2026, as energias renováveis ultrapassaram oficialmenteleg o gás natural, tornando-se a maior fonte de produção de eletricidade na rede elétrica dos EUA pela primeira vez na história. Fonte.
  • Um parque solar no Minnesota plantou flores por baixo dos seus painéis, e em pouco tempo começaram a aparecer borboletas-monarca e dezenas de novas espécies de plantas. Fonte.
  • A Ensco foi multada em 287 000 libras depois de um trabalhador offshore ter caído e morrido através de um buraco numa plataforma no Mar do Norte. Fonte.
  • Os pescadores da República Democrática do Congo recorrem à pesca de arrasto de resíduos plásticos. Fonte.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

CUBA: REVOLUÇÃO SOLAR EM MARCHA


  • Enquanto os EUA a privam de petróleo, Cuba está a levar a cabo uma das revoluções solares mais rápidas do planeta — com a ajuda da China. Fonte.
  • Investigação sobre fugas de metano revela poluição persistente em torno de instalações petrolíferas e de gás francesas. No final de abril, duas ONG inspecionaram cerca de 60 instalações e registaram fugas deste potente gás com efeito de estufa em dois terços delas. Fonte.
  • Será que as plantas de interior conseguem mesmo purificar o ar da sua casa? seriam necessárias entre dez e mil plantas por metro quadrado para igualar o que a ventilação passiva de um edifício já consegue. Fonte.
  • Consulta pública até 25 de junho: Unidade de Produção de Biometano de Torres Novas. Fonte.

domingo, 26 de abril de 2026

EUA: 33 MILHÕES DE CRIANÇAS RESPIRAM AR TÓXICO EM NÍVEIS PERIGOSOS

  • Nos EUA, quase metade das crianças — mais de 33 milhões de crianças — vive em distritos com níveis perigosamente elevados de poluição atmosférica tóxica, informa o relatório anual sobre a qualidade do ar da American Lung Association. A 27.ª edição do relatório da ALA analisa dois dos poluentes atmosféricos mais comuns e perigosos — partículas finas e ozono troposférico, vulgarmente conhecido como smog — e atribui classificações a distritos e cidades com base nos níveis de poluição, tanto diários como anuais. No que o relatório descreve como uma indicação sombria da deterioração da qualidade do ar a nível nacional, apenas uma cidade — Bangor, no Maine — foi classificada nas três listas de cidades mais limpas, ao obter um «A» em ozono e poluição por partículas de curto prazo e ao figurar entre as 25 cidades com os níveis de partículas mais baixos ao longo do ano.
  • Uma recente sondagem realizada a meio da campanha eleitoral escocesa revelou um amplo apoio às fontes de energia renováveis para reduzir as contas de energia e combater as alterações climáticas. Questionados sobre as necessidades de segurança energética da Escócia, o apoio a um futuro nuclear baseado no urânio registou apenas 14%, em comparação com os 55% de apoio à exploração de fontes eólicas, hídricas e solares locais. Fonte.
  • Um estudo publicado na revista PLOS Climate revela que as maiores empresas mundiais do setor da carne e dos laticínios estão, de forma esmagadora, a praticar «greenwashing» — fazendo alegações ambientais que são enganosas, não verificáveis ou sem fundamento. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ENERGIA A CARVÃO CAI NA CHINA E NA ÍNDIA

  • Energia a carvão cai na China e na Índia pela primeira vez em 52 anos após recordes de energia limpa. A produção de eletricidade a partir do carvão na Índia caiu 3,0% em relação ao ano anterior (57 terawatts-hora, TWh) e na China 1,6% (58 Twh). Fonte.
  • Consulta pública até 2 de fevereiro: Central Fotovoltaica do Malhanito (Alcoutim/Tavira). Fonte.
  • Sabia que, neste momento nos EUA, as regulamentações sobre poluição do ar causam mais danos do que benefícios, se ignorarmos todas as vidas que elas salvam? A EPA planeia avaliar todas as futuras regras de poluição atmosférica exclusivamente com base nos seus custos para a indústria — e não no número de hospitalizações, doenças crónicas e mortes que evitam. Fonte.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

LEITURAS MARGINAIS

O GENOCÍDIO AMBIENTAL NÃO CONTADO DE ISRAEL
Kit Klarenberg, Substack. Trad. O’Lima.



Em 23 de setembro, a ONU publicou um relatório, pouco divulgado, destacando uma faceta pouco reconhecida do Holocausto do século XXI em Gaza. Ou seja, o genocídio da entidade sionista está causando um impacto ambiental devastador não apenas na Palestina ocupada, mas em toda a Ásia Ocidental - incluindo Israel. Os danos são incalculáveis, com o ar, as fontes de alimentos, o solo e a água amplamente poluídos, a um ponto fatal. A recuperação pode levar décadas, se é que será possível. Enquanto isso, a população remanescente de Gaza sofrerá as consequências - em muitos casos, com as suas vidas.

Em junho de 2024, a ONU divulgou uma avaliação preliminar sobre o «impacto ambiental» do genocídio em Gaza. Concluiu que a agressão bárbara da entidade sionista «exerceu um impacto profundo» sobre «as pessoas em Gaza e os sistemas naturais dos quais dependem». Devido a «restrições de segurança» — nomeadamente, o ataque contínuo de Israel —, a ONU não conseguiu «avaliar a extensão total dos danos ambientais». Conseguiu, no entanto, reunir informações que indicam que «a escala da degradação é imensa» e «piorou significativamente» desde 7 de outubro.

Por exemplo, o Holocausto do século XXI em Tel Aviv «degradou significativamente a infraestrutura hídrica, levando a um abastecimento de água severamente limitado e de baixa qualidade para a população». A ONU considera que isso «está a contribuir para inúmeros resultados adversos para a saúde, incluindo um aumento contínuo de doenças infecciosas». A contaminação das águas subterrâneas é generalizada, com implicações catastróficas «para a saúde ambiental e humana». Nenhuma das estações de tratamento de águas residuais de Gaza está operacional, enquanto «a destruição massiva dos sistemas de canalização e o uso crescente de fossas sépticas para saneamento aumentaram a contaminação do aquífero, das áreas marinhas e costeiras».

Fila para obter água em Rafah, Gaza

Como resultado, o genocídio «praticamente eliminou os meios de subsistência dos pescadores de Gaza». A «destruição da capacidade institucional» por parte de Israel nesta área significa que «não há controlos eficazes da contaminação na cadeia alimentar proveniente do abastecimento de peixe, levando ao consumo de peixe venenoso» por palestinianos famintos. «Os ecossistemas marinhos foram claramente contaminados com munições, esgotos e resíduos sólidos», conclui a ONU. A situação exige a «reinstalação urgente» do abastecimento de água da Faixa e da «capacidade de recolha de águas residuais» para «evitar mais impactos na saúde humana e prevenir futuros surtos de doenças transmissíveis».

Por outro lado, «avaliações de telemetria» realizadas pela ONU indicam que, em maio, 97,1% das árvores frutíferas de Gaza, 95,1% dos arbustos, 89% das pastagens/terras em pousio e 82,4% das culturas anuais «foram danificados». Como tal, «a produção de alimentos não é possível em grande escala» e «o solo foi contaminado por munições, resíduos sólidos e esgotos não tratados». A ONU conclui que a «atividade militar» da entidade sionista resultou na «degradação dos solos através da perda de vegetação e compactação», com resultados desastrosos.

As consequências do genocídio de Gaza repercutem-se no seio de Israel. O Ministério da Saúde de Tel Aviv calcula que, só em 2023, a poluição produzida pela blitzkrieg de Benjamin Netanyahu causou pelo menos 5.510 mortes prematuras localmente. Dado que a carnificina da entidade sionista — infligida principalmente por via aérea — se intensificou a níveis sem precedentes, só podemos especular o quanto a situação piorou desde então. As autoridades israelitas hesitaram em divulgar o relatório de 2023, e não há dados mais recentes disponíveis. A razão para esta omissão é óbvia.

«Movimento seguro»

O relatório da ONU detalha como a destruição em Gaza «é extensa», com cerca de 78% das «estruturas totais destruídas ou danificadas» na Faixa, incluindo casas, hospitais, mesquitas e escolas. Localmente, os escombros «são agora 20 vezes maiores do que o total combinado de escombros gerados por todos os conflitos anteriores em Gaza desde 2008». As estimativas atuais sugerem que «mais de 61 milhões de toneladas de escombros precisarão de ser removidos, separados e reciclados ou eliminados». Grande parte desses detritos «está contaminada com amianto e produtos químicos industriais».

Espalhados pelos escombros estarão inúmeros restos mortais humanos, cuja recuperação requer naturalmente «sensibilidade». Entretanto, os sobreviventes de Gaza têm de suportar «volumes significativos de poeira» criados pelos bombardeamentos e demolições da entidade sionista, que «contribuíram para o aumento dos casos de infeções respiratórias», com mais de 37 000 casos registados só em junho de 2025. Munições não detonadas também representam um alto risco em áreas urbanas, sendo necessária a sua remoção segura “para mitigar os riscos de explosões futuras, danos, lesões traumáticas e perda de vidas”.

Gaza hoje

No entanto, a ONU reconhece que as suas conclusões subestimam significativamente a verdadeira situação no terreno, uma vez que «os dados disponíveis sobre a qualidade do ar são limitados, devido à monitorização mínima da qualidade do ar» a nível local. Ainda assim, os «desafios conhecidos» incluem «a poluição causada por explosões e incêndios resultantes de operações de bombardeamento, e as emissões provenientes de explosões de munições e incêndios resultantes em estruturas bombardeadas, incluindo instalações industriais, que provavelmente também terão libertado produtos químicos tóxicos para o ar». Além disso, a «natureza repetitiva» dos ataques de Israel «provavelmente terá um impacto cumulativo no ambiente» em Gaza: “Reparar danos tão extensos na terra, solo, árvores, cursos de água e ecossistemas marinhos será essencial para a recuperação sustentável da Faixa de Gaza. A restauração exigirá o fim das hostilidades. A primeira fase da recuperação terá necessariamente como foco salvar vidas, através da restauração de serviços essenciais (nomeadamente água potável) e remoção de detritos para facilitar a circulação segura.”

O relatório da ONU observa que «esses problemas de qualidade do ar não melhorarão substancialmente até que o conflito cesse». Embora as negociações entre o Hamas e Israel pareçam iminentes, não há garantias de que essas conversações produzirão uma paz duradoura, muito menos que acabarão com os ataques de Tel Aviv e o roubo de terras palestinianas. Os responsáveis da entidade sionista estão determinados a reproduzir o genocídio de Gaza na Cisjordânia ilegalmente ocupada, tendo deixado bem clara a sua intenção de anexar mais território através da força bruta e da deslocação em massa de civis.

Um estudo de julho de 2025 publicado pela revista académica Environmental Research: Infrastructure and Sustainability concluiu que a violação de Gaza por Israel criou pelo menos 39 milhões de toneladas de escombros, cuja remoção poderia gerar mais de 90.000 toneladas de emissões de gases de efeito estufa e levar até quatro décadas para ser concluída. A simples remoção dos escombros equivaleria a camiões basculantes atravessando a circunferência da Terra 737 vezes, ou 2,1 milhões de veículos separados dirigindo 29,5 quilómetros até os locais de descarte.

«Níveis alarmantes»

A destruição ambiental causada pela entidade sionista desde 7 de outubro de 2023 está longe de se restringir a Gaza. Os ataques com mísseis entre o Hezbollah e Telavive culminaram na invasão criminosa do Líbano por Israel em outubro de 2024. Os combates causaram uma devastação agrícola generalizada. Os ataques da Força de Ocupação Sionista em todo o espectro queimaram mais de 10.800 hectares de terras libanesas — uma área quatro vezes maior que Beirute — incinerando dezenas de milhares de árvores, dezenas de quintas e pomares.

O uso generalizado de munições ilegais de fósforo branco por Israel contra o Líbano também devastou as principais regiões agrícolas do sul do país. Análises laboratoriais realizadas pela Universidade Americana de Beirute revelaram que, já em janeiro de 2024, o solo local estava contaminado com metais pesados em «níveis alarmantes». Algumas amostras apresentaram concentrações de fósforo de 97 000 miligramas por quilo — mais de 120 vezes a concentração segura globalmente aceita para a substância. As culturas e a água também foram perigosamente contaminadas, «representando ameaças para a saúde animal e humana» que persistirão por anos.

Ataque com fósforo branco por parte de uma entidade sionista ao Líbano, novembro de 2023

Entretanto, «danos ambientais extensivos que afetam os ecossistemas naturais» são comuns. Dos cerca de 214 milhões de dólares em danos infligidos ao Líbano durante o conflito, 198 milhões (95,2%) foram sofridos pelos recursos naturais de Beirute. Ao todo, Telavive lançou cerca de 7000 ataques aéreos em todo o Líbano, enquanto a sua marinha realizou mais de 2500 bombardeamentos na costa do país. Mais de 10 000 casas e cerca de 1000 edifícios privados foram alvo de ataques, juntamente com pontes, fábricas, estradas e outras infraestruturas.

Uma história igualmente horrível desenrolou-se durante a fracassada Guerra dos 12 Dias da entidade sionista contra o Irão, em junho de 2025. Teerão estima que o conflito produziu 150 000 toneladas de escombros localmente, enquanto os ataques israelitas aos depósitos de petróleo de Rey e Kan, na capital, incineraram 19,5 milhões de litros de combustível, lançando 47 000 toneladas de gases com efeito de estufa e 578 toneladas de poluentes atmosféricos para a atmosfera. O ataque deliberado a South Pars, um dos maiores campos de gás do mundo, queimou 5,5 milhões de metros cúbicos de gás.

Este ataque libertou mais de 12 milhões de toneladas de gases de efeito estufa e 437 toneladas de poluentes. A qualidade do ar em várias províncias do Irão deteriorou-se perigosamente desde então, enquanto o esgoto transbordou e o acesso à água potável foi interrompido em várias áreas devido aos ataques de Tel Aviv à infraestrutura associada. Felizmente, apesar de Israel e os EUA terem repetidamente atacado instalações de energia nuclear em todo o país durante o bombardeamento mal sucedido, não há até ao momento indícios de fuga de radiação que ameace não só os iranianos, mas também a Ásia Ocidental em geral.

Atualmente, não é possível quantificar a quantidade de substâncias químicas mortais e poeira libertadas na atmosfera local do Irão e do Líbano devido à selvajaria indiscriminada de Israel. No entanto, a história mostra que o impacto de tais ofensivas é duradouro e letal. O bombardeamento ilegal da NATO à Jugoslávia, que durou 78 dias em 1999, teve como alvo principal locais civis e industriais. Um relatório subsequente do Conselho da Europa concluiu que mais de 100 substâncias tóxicas circularam amplamente por toda a região devido à campanha. Não por coincidência, a antiga Jugoslávia ocupa hoje uma posição elevada nas taxas globais de cancro.


Impactos de um ataque da NATO a uma refinaria de petróleo jugoslava, Pancevo, maio de 1999

Perversamente, mesmo que a entidade sionista mantivesse os seus frágeis cessar-fogos com Beirute e Teerão e deixasse de aniquilar palestinianos, o genocídio de Telavive continuaria a todo o vapor – invisivelmente, através do ar putrefato que os civis respiram, dos alimentos que comem e da água que bebem. No entanto, numa reviravolta amarga, o legado ambientalmente devastador da sede de sangue enlouquecida de Telavive tornou nulo e sem efeito o objetivo final de Benjamin Netanyahu de erradicar Gaza para dar lugar à Grande Israel. Qualquer colonização sionista da área seria literalmente suicida.

domingo, 7 de setembro de 2025

QUE ÁRVORES FAZEM FRENTE AOS INCÊNDIOS?

João Ferreira, Daniel Pinheiro e Pedro Alves.
  • Muito se tem falado dos incêndios em Portugal. Uma das questões mais faladas, é se as espécies de árvores e plantas representadas na nossa flora, têm alguma interferência no desenvolvimento dos incêndios. Por outras palavras, se há árvores que ajudam os incêndios a propagarem-se mais e se há espécies que retardam ou até impedem o fogo de avançar. João Ferreira, Daniel Pinheiro e Pedro Alves retrataram e documentaram o que foram alguns incêndios no Minho. Evidências colhidas em Paredes de Coura, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca: o fogo arrasou eucaliptais e deteve-se perante bétulas, freixos, amieiros, salgueiros e carvalhos. Fonte.
  • Penafiel e Marco de Canaveses têm quatro vezes mais casos de tuberculose que a média nacional. Unidade de Saúde lança programa para evitar silicose nos trabalhadores das pedreiras. Fonte.
  • Um fabricante de plásticos da Pensilvânia foi multado em 2,6 milhões de dólares por violar a lei federal Clean Water Act e assegurará que não haverá mais fugas de pellets de plástico para os cursos de água, segundo uma proposta de acordo com dois grupos ambientalistas. Fonte.
  • Trump diz que a indústria petrolífera dos EUA é mais limpa do que a de outros países. Novos dados revelam emissões maciças dos poços do Texas. A indústria petrolífera apresenta o Texas como uma história de sucesso no controlo das emissões de metano, que contribuem para o aquecimento do clima. O regulador do estado, no entanto, concede quase todos os pedidos para queimar ou liberar gás na atmosfera. Fonte.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

EUROPA: FUNDOS VERDES INVESTEM MASSIVAMENTE EM GIGANTES DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

  • Há fundos "verdes" europeus que detêm mais de 33 mil milhões de dólares de investimentos em grandes empresas petrolíferas e de gás, apesar de os combustíveis fósseis serem a causa principal da crise climática. Alguns destes fundos de investimento utilizaram marcas como Sustainable Global Stars e Europe Climate Pathway. Mais de 18 mil milhões de dólares foram investidos nos cinco maiores poluidores: TotalEnergies, Shell, ExxonMobil, Chevron e BP. Estas empresas lideraram a classificação Carbon Majors de 2023 para a produção de petróleo e gás entre as empresas detidas por acionistas. Outros investimentos de fundos que seguem os regulamentos da UE em matéria de divulgação de informações sobre finanças sustentáveis (SFDR) incluem os da empresa americana de fraturação hidráulica Devon Energy e da empresa canadiana de areias betuminosas Suncor. Os investidores alegam que a detenção de uma participação numa empresa lhes permite influenciar a prossecução dos objetivos climáticos da empresa. No entanto, nenhum grande produtor de petróleo e gás tem planos compatíveis com as metas climáticas internacionais e muitas empresas enfraqueceram os seus planos no último ano. As empresas de investimento com as maiores participações em empresas fósseis nos seus fundos verdes foram a JP Morgan, a BlackRock e a DWS na Alemanha. Fonte.
  • Cerca de 156 milhões de norte-americanos vivem em áreas com níveis insalubres de poluição atmosférica, o que representa um aumento de 16% em relação a 29024, diz o último relatório anual da American Lung Association, que destaca os níveis crescentes de fuligem e smog, ambos associados a riscos graves para a saúde, como a asma, ataques cardíacos, cancro do pulmão e função cognitiva prejudicada. Fonte.
  • A administração Trump abandonou a sua decisão de bloquear o parque eólico proposto pelo gigante norueguês da energia Equinor a sul de Long Island. O projeto Empire Wind 1 inclui 54 turbinas destinadas a fornecer 810 megawatts de energia para abastecer 500 000 casas no bairro de Brooklyn. Até à data, apenas um terço do projeto foi concluído. Fonte.
  • Uma sondagem realizada em maio de 2025 pela Oraclepoll Research mostra que 80% dos ontarianos querem que a província cancele o seu contrato com os reatores nucleares GE-Hitachi, enquanto 70% preferem energia solar e eólica de baixo custo. Fonte.
  • Os Estados democráticos não estão a poluir menos, estão a transferir as suas emissões para fora do país, conclui um estudo recente. O estudo sugere que os Estados democráticos estão a alterar os seus processos de produção, de modo a que os produtos altamente poluentes sejam fabricados no estrangeiro, em vez de o serem no país, antes de serem importados. Isto aplica-se à produção de aço, produtos químicos, eletrónica e papel, mas também a muitos outros bens cuja produção é responsável por elevados níveis de poluição. Em França, a eliminação do offshoring aumentaria as emissões em cerca de uma tonelada de CO2 equivalente por habitante e por ano, segundo o estudo, o que representa um aumento de 16%. Fonte.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

BRASIL: COLAPSO DE BARRAGEM DE REJEITOS DE GARIMPO CONTAMNA RIOS CUPIXI E ARAGUARI

Agência Brasil/Forum

  • O colapso de uma barragem de garimpo ilegal levou rejeitos para os rios Cupixi e Araguari, nos municípios de Pedra Branca do Amapari e Porto Grande, no Amapá. A lama alterou a cor da água. Moradores da região, que dependem dos cursos de água, estão preocupados com o risco de contaminação. Garimpeiros usavam a barragem para conter rejeitos da mineração de ouro. Os criminosos abandonaram o garimpo ilegal assim que houve o acidente. Em quatro anos, a área do maior garimpo ilegal do estado aumentou cerca de 4,2 mil hectares, o que equivale a 4,2 mil campos de futebol. Nesse período, terão sido extraídas ilegalmente duas toneladas de ouro, o equivalente a R$ 642 milhões. Curiosamente, o grave incidente ambiental não foi citado na visita que o presidente Lula e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) fizeram a Macapá dois dias depois, quando foram inaugurar obras e reforçar a pressão sobre o IBAMA pela exploração de combustíveis fósseis pela Petrobras na foz do Amazonas, no litoral amapaense. Fonte.
  • O diretor da Agência de Proteção do Ambiente, Lee Zeldin, anunciou que vai extinguir cerca de 20 mil milhões de dólares em programas de subsídios para energias limpas. Fonte.
  • A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu objetivos ambiciosos para atingir emissões líquidas nulas até 2050, mas os pormenores sobre a forma de atingir esse objetivo ainda não foram decididos. Uma das abordagens consiste em incentivar os navios a mudarem para combustíveis alternativos através da Norma Global de Combustível, mas, na ausência de critérios claros em matéria de biocombustíveis, este quadro poderá, na realidade, agravar o impacto climático do transporte marítimo. Os óleos de palma e de soja poderão constituir quase dois terços do biodiesel utilizado para alimentar o setor do transporte marítimo em 2030, uma vez que representam os combustíveis mais baratos. Isto é um problema, uma vez que os combustíveis à base de óleo de palma e de soja estão associados a emissões indiretas de alterações do uso do solo, o que torna o impacto climático destes combustíveis pior do que o do fuelóleo pesado - o combustível típico utilizado atualmente nos transportes marítimos. O estudo mostra que uma indústria naval dependente de biocombustíveis necessitaria de grandes quantidades de terras agrícolas. Muitos no sector do transporte marítimo afirmam que utilizarão biocombustíveis residuais, como óleos alimentares usados, gorduras animais ou resíduos agrícolas. Mas os biocombustíveis residuais só poderão cobrir uma pequena parte da procura projetada de biocombustíveis para o transporte marítimo, uma vez que a sua disponibilidade é limitada. Fonte

  • Os cientistas desenvolveram um dispositivo alimentado a energia solar capaz de extrair a poluição do ar e convertê-la diretamente em combustível para carros e aviões. O novo reator, construído por uma equipa da Universidade de Cambridge, inspira-se na fotossíntese, não necessitando de cabos nem de baterias para transformar o dióxido de carbono (CO2) atmosférico em gás de síntese. Os investigadores afirmam que o reator oferece uma nova solução para a crise climática, constituindo uma alternativa às atuais tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS). O dispositivo funciona absorvendo o CO2 do ar durante a noite, através de filtros especializados, e utilizando depois a luz solar durante o dia para iniciar uma reação química que o converte em gás de síntese, que pode servir como alternativa à gasolina. O gás de síntese pode também ser utilizado para criar produtos químicos e farmacêuticos, enquanto a facilidade de utilização permitiria às pessoas que vivem e trabalham em locais remotos criar o seu próprio combustível. O dispositivo foi descrito em pormenor num estudo intitulado "Direct air capture of CO2 for solar fuel production in flow", publicado na revista Nature Energy. Os cientistas esperam agora comercializar a tecnologia com o apoio da Cambridge Enterprise. Fonte.
  • Bruxelas quer pôr travão a produtos agrícolas que contenham pesticidas proibidos na União Europeia. A soja poderá estar entre os produtos mais afetados. Fonte.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

ALGARVE: LAVAGEM DE SUSTENTABILIDADE PARA ÁRVORE DE PLÁSTICO RECICLADO

  • Há muitas maneiras de fazer publicidade e propaganda aproveitando o conceito de 'sustentabilidade', mesmo que isso envolva desinformação, manipulação e ilusão. Com especialistas envolvidos nessa operação, é certo que haverá uma grande lavagem verde. É o que acontece este ano no Algarve, onde se propagandeia uma árvore de Natal dita sustentável feita de plástico reciclado. Natal sustentável é uma farsa. O Natal é comprovadamente uma época de consumismo e desperdício imenso. A IA participou na ‘reciclagem’ de algumas ideias para este soneto: No Allgarve, onde o sol brilha ardente,/Lavagem verde é o mote do momento,/Árvore de Natal sustentável, presente,/Feita de plástico reciclado, um intento./Consumo e desperdício, um tormento,/Na época festiva, tão frequente,/Mas a promessa de um Natal diferente,/Traz esperança num gesto consciente./Porém, a verdade é dura e clara,/Embora o consumismo ainda impere e mande,/E a ilusão de sustentabilidade se mascare./Que o futuro traga mudança grande,/E que a consciência, enfim, se ampare,/Num mundo onde a verdade se expanda.
  • A Tesla pressionou o governo britânico para que os condutores de automóveis a gasolina “paguem mais” nos dias que se seguiram às eleições gerais ganhas pelos trabalhistas. A empresa apelou que o apoio às vendas de automóveis eléctricos fosse alargado aos camiões e afirmou que os subsídios aos veículos eléctricos poderiam provir da cobrança às pessoas que compram automóveis a gasolina e a gasóleo. Fonte.
  •  A Shell recebeu 1,6 mil milhões de dólares em benefícios fiscais para instalar uma fábrica de plásticos ao longo do rio Ohio em Monaca, Pensilvânia, que, segundo esta, criaria 20 000 postos de trabalho. Ainda não criou os postos de trabalho ou os lucros que prometeu, mas cumpriu 24 violações do ar e oito violações da água. Fonte.

quinta-feira, 21 de março de 2024

INGLATERRA: 90% DAS NOVAS ESCOLAS CONSTRUÍDAS EM ZONAS COM ALTA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA

Dave McGowan/Flickr

  • Novas escolas em Inglaterra estão a ser construídas numa zona com níveis inseguros de poluição atmosférica. Uma análise revelou que quase 9 em cada 10 novos locais de implantação de escolas ultrapassam três objetivos da Organização Mundial de Saúde relativos aos principais poluentes atmosféricos.  Os níveis de poluentes eram particularmente elevados nos locais de Londres, Birmingham, Manchester e Leeds. Andrew Gregory, The Guardian.
  • A companhia aérea holandesa KLM induziu os clientes em erro com alegações ambientais vagas e pintou uma imagem demasiado cor-de-rosa do seu combustível de aviação sustentável, acusa um tribunal holandês. "Uma série de anúncios feitos pela KLM no passado eram enganadores e, por conseguinte, ilegais", afirmou o tribunal num resumo da decisão escrita dos juízes, acrescentando que algumas alegações da empresa sobre sustentabilidade tinham sido demasiado vagas. A KLM, o braço holandês da Air France-KLM, diz estar satisfeita com a decisão, que lhe deu "clareza" e não impôs qualquer sanção. Toby Sterling e Joanna Plucinska, Reuters.
  • Ataques de drones da Ucrânia contra refinarias de petróleo russas marcam nova fase da guerra. Fonte.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

França: Percevejos invadem Paris

  • A onda de petroleiros russos no Ártico está a aumentar o risco de derrames de petróleo, escreve Jeremy Hsu na New Scientist. Será só ali que há perigo de derrames de petróleo? Observem a imagem, que representa captura de ecrã às 12h15 de 3 de outubro de 2023 no Marine Traffic, só com petroleiros.
  • O Ministro da Saúde, Aurelien Rousseau, pediu calma enquanto Paris enfrenta uma infestação crescente de percevejos. Apesar dos recentes relatos de percevejos encontrados nos comboios e metropolitanos da cidade, Rousseau insiste que não há razão para pânico e que o país não está a ser invadido pelos insectos sugadores de sangue. No entanto, expressou preocupação com o facto de as empresas de controle de pragas aproveitarem a situação e cobrarem taxas exorbitantes pelos seus serviços. RT/ANR.
  • Quatro organizações ambientais, - Darwin Climax Coalitions, Sea Shepherd France, Wild Legal e Stop EACOP-Stop Total -, iniciaram ações legais contra a gigante francesa TotalEnergies devido ao impacto do desenvolvimento do oleoduto do grupo no Uganda e de outros projetos de combustíveis fósseis. Alegam que a empresa aprovou mais projetos de combustíveis fósseis do que qualquer outra grande empresa petrolífera entre 2022 e 2025, incluindo o Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP), que ajudará o Uganda a exportar o seu petróleo para os mercados internacionais. Reuters.
  • A Malásia vai tentar fazer chover semeando nuvens e poderá encerrar escolas uma vez que a qualidade do ar em vários lugares se tem deteriorado substancialmente. Rozanna Latiff e Robert Birsel, Reuters.
  • A seca severa no Amazonas do Brasil provocou a morte massiva de peixes, deixando a população indígena sem uma fonte vital de alimento. Especialistas atribuem as condições de seca ao aquecimento global. DW.

terça-feira, 30 de maio de 2023

Cabo Verde: francesa Heliodon Energia e Água de Rega vão instalar tecnologia para produzir água por condensação em Santiago

  • Uma parte do Grande Canal em Veneza, em Itália, ficou verde fluorescente. A polícia já está a investigar o caso. Há várias teorias para o que se passou junto à ponte Rialto. Entre elas, a hipótese de ter sido uma ação dos ambientalistas. Mas há também quem suspeite de que a cor da água possa estar relacionada com a regata Volga Longa, que decorreu este fim de semana. RTP.
  • Mais de 1.500 pessoas foram detidas durante um protesto do grupo climático Extinction Rebellion em Haia, no sábado. Os ativistas bloquearam uma secção de uma auto-estrada durante a tarde em protesto contra os subsídios holandeses aos combustíveis fósseis. Este foi o sétimo protesto organizado pela Extinction Rebellion no mesmo troço de auto-estrada em Haia, perto do Parlamento e dos principais edifícios ministeriais. AFP. Via The Guardian.
  • Níveis muito elevados de E. coli detetados em ostras e mexilhões levaram ao encerramento de 11 zonas de produção de marisco na Cornualha. Leana Hosea and Rachel Salvidge, The Guardian.
  • A francesa Heliodon Energia assinou um memorando de entendimento com a Água de Rega para introduzir em Santiago, Cabo Verde, tecnologia capaz der produzir, através da condensação, até dois mil metros cúbicos de água/dia. Fonte.
  • Rebanho de ovelhas reduz os custos de corte de relva em mais de 44% em central solar. No momento em que os estudantes do Oberlin College abandonavam o campus na semana passada para gozar as férias de Verão, um rebanho de ovelhas foi introduzido para pastar até meados de Junho, pisando a relva e mondando a central solar, numa iniciativa que visa reduzir os custos de funcionamento e manutenção. As ovelhas passarão a pastar neste campus três vezes por ano, durante a Primavera, o Verão e o Outono. A universidade gastava entre 15 000 e 30 000 dólares por ano em despesas de corte de relva nesta central solar de 2,3 MW, enquanto a utilização do rebanho reduzirá os seus custos de para cerca de 6 600 dólares por ano. MICHAEL SCHOECK, PV Magazine.
  • A Eastman Chemical Resins concordou em pagar uma coima de 2,4 milhões de dólares à EPA dos EUA e ao Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia por poluição do rio Monongahela através de descargas não autorizadas de petróleo e violações das leis federais da qualidade do ar em Allegheny. REID FRAZIERMA, Allegheny Front.
  • A Amite BioEnergy, fábrica de pellets de madeira da Drax nos EUA, foi multada em 2,5 milhões de dólares por violar novamente as regras de poluição atmosférica do estado do Mississippi. Alex Lawson, The Guardian.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Bruxelas: Greenpeace protesta contra acordo UE-Mercosul

  • Cerca de 20 ativistas da Greenpeace concentraram-se em frente ao edifício que acolhe a reunião dos ministros europeus do Comércio, tendo cinco deles subido à fachada para colocar cartazes pedindo que se “pare com o acordo UE-Mercosul”. Segundo a Greenpeace, este acordo é um desastre para a natureza, para os agricultores e para os direitos humanos. “O acordo UE-Mercosul ameaça aumentar o comércio de carne de vaca barata, peças de automóveis e pesticidas tóxicos, mesmo aqueles cuja utilização é proibida na Europa”, critica a Greenpeace, apelando a que os ministros europeus do Comércio impeçam a Comissão Europeia de levar por diante este acordo tóxico. O acordo comercial da UE com os países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – foi estabelecido pelas partes em 2019, altura em que foram concluídas as negociações, mas a sua ratificação está paralisada por causa das reservas ambientais colocadas por diversos Estados-membros, principalmente de França. Notícias ao minuto. Notícias ao minuto.
  • A invasão da Ucrânia alimentou o boom do financiamento das energias renováveis. A Agência Internacional da Energia diz que o investimento atingirá 1,7 mil milhões de dólares este ano, muito à frente dos combustíveis fósseis. Jillian Ambrose, The Guardian.
  • A Shell vai pagar 10 milhões de dólares à Pensilvânia por ter violado as normas estatais de qualidade do ar. Reid Frazier, State Impact.
  • A Câmara Municipal de Arlington licenciou uma nova zona de perfuração e fraturação hidráulica numa área residencial, apesar das objeções dos vizinhos do subúrbio do Norte do Texas. A votação de terça-feira marcou uma grande vitória para a gigante francesa da energia TotalEnergies e para a sua filial no norte do Texas, a Total E&P Barnett USA, que tentaram e falharam repetidamente nos últimos anos para conseguir a criação de novas zonas de perfuração em Arlington. Dylan Baddour e Martha Pskowski, ICN.
  • O Export-Import Bank of the United States e a Development Finance Corporation (DFC) anunciaram um financiamento de até 3 mil milhões de dólares e mil milhões de dólares, respetivamente, para a instalação de pequenos reatores modulares (SMR) dos EUA na Polónia. Os SMRs - projetos mais pequenos e uniformes destinados a serem produzidos em fábrica para reduzir os custos da energia nuclear - beneficiaram do apoio do Congresso e do interesse inter-agências na administração Biden. Este facto vem na sequência da inversão, por parte da administração Trump, de uma antiga proibição de financiamento pelo DFC das exportações de energia nuclear dos EUA. Matt Bowen e Sagatom Saha, Energy Policy.
  • A Westinghouse e a Bechtel vão formar um consórcio para conceber e construir a primeira central nuclear comercial da Polónia, na província da Pomerânia, no norte do país. David Dalton, NUCNET.
  • As pretensões da Petrobras para explorar petróleo na região da foz do Amazonas não levantam dúvidas apenas entre os analistas técnicos do IBAMA no Brasil. “Se acontecer um acidente com petróleo e isso chegar aqui, a gente não vai ter o que comer. Aqui ninguém congela comida, a gente sai para pescar todo dia, e esse é nosso alimento”, disse o indígena Yves Tiouka, que vive a cerca de 200 km da capital do território francês, Cayenne. As projeções feitas até o momento indicam que, na eventualidade de um derrame de petróleo, o litoral da Guiana Francesa seria atingido em menos de 48 horas. Esse é quase o mesmo período de tempo que levaria a Petrobras a iniciar as ações de contenção de danos, o que significa um risco significativo de que o território vizinho seja afetado. A Guiana Francesa não explora petróleo e não possui um plano de contenção em larga escala em caso de maré negra. Para piorar, boa parte do litoral do território francês é composta por áreas de mangues, o que inviabiliza qualquer ação protetiva. “Em caso de acidente, o problematornar-se-ia internacional e entraria na área europeia, que tem leis bastante específicas. Do ponto de vista geopolítico e de conservação, isso pode ser negativo para o Brasil, que vem trabalhando para reaver uma atuação positiva no meio ambiental”, observou o pesquisador Marcelo Soares. Esses riscos não são desconhecidos e nem estavam fora do radar da Petrobras. Até porque o mesmo IBAMA já tinha vetado o licenciamento de uma área nas proximidades do bloco atual em 2018, na época em que o empreendimento ainda estava sob responsabilidade da petrolífera francesa Total. Célia Mello, ClimaInfo.

sábado, 13 de maio de 2023

Lagos: projeto do Hotel Apartamento Atalaia em consulta pública

  • Consulta pública até 23 de junho: Hotel Apartamento Atalaia, Monte da Atalaia, Lagos. Á rea de construção 23.000 m2, 201 unidades de alojamento, num total de 402 camas, 5 estrelas.
  • A Horta do Alto da Eira, na Penha de França, vai ser palco do Festival Regador, que decorre durante este fim-de-semana. Vai ser um ponto de encontro de pessoas e de projetos de agricultura coletiva, que têm florescido em Lisboa. Lisboa para pessoas.
  • O governo espanhol aprovou mais de 2 mil milhões de euros de ajudas à seca. Cerca de 636,7 milhões de euros serão ajudas diretas aos agricultores e criadores de gado. O Estado assumirá a construção de centrais de dessalinização na Catalunha, em Málaga e em Almeria. Climática.
  • Águas engarrafadas obrigadas a reduzir a sua oferta devido à seca. Wattwiller na Alsácia, Hépar nos Vosges ou Volvic em Auvergne, o futuro do setor está nublado. Marina Fabre Soundron, NovEthic.
  • Um consórcio de 7 empresas anunciou planos para uma redede hidrogénio na Alemanha. O objetivo é ligar instalações industriais e potenciais terminais de importação. Como se sabe, há um conflito sobre se o hidrogénio deve ser utilizado principalmente em aplicações industriais ou se é desejável uma utilização muito mais ampla em áreas como os transportes ou o aquecimento residencial. Parece que estas empresas, embora não o digam diretamente, estão a planear o primeiro cenário.
  • Dois grupos ambientalistas processaram a Shell, alegando que as emissões atmosféricas da sua nova e enorme fábrica petroquímica a cerca de 30 milhas a norte de Pittsburgh violaram repetidamente as leis federais e estaduais de qualidade do ar e excederam em muito os limites estabelecidos na sua licença de funcionamento. A fábrica foi inaugurada oficialmente em novembro de 2022, após meses de testes. Jon Hurdle, ICN.
  • O diretor de Transição Energética e Energias Renováveis da estatal Petrobras, Maurício Tolmasquim, afirmou que a petroleira pretende ampliar a oferta do combustível em 50 milhões de m3/dia até 2027. É cerca de 40% da atual produção brasileira, de 130 milhões de m3 diários. O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, quando ainda era senador, foi um dos autores da proposta de regulamentação das eólicas offshore no Brasil. Outra aposta da Petrobras é na captura e armazenamento de dióxido de carbono. Esta tecnologia, ainda em fase de projeto, permite que as petrolíferas adiem a sua morte já que poderiam captar gás carbônico e armazená-lo, evitando assim as emissões. Célia Mello, ClimaInfo.
  • O governo australiano aprovou a abertura de uma nova mina de carvão. A mina, a ser desenvolvida pela Bowen Coking Coal, 28 km a leste de Moranbah, junto a cinco outras minas de carvão, deverá produzir cerca de 500 000 toneladas de carvão metalúrgico por ano durante cinco anos. O carvão metalúrgico, também conhecido como carvão de coque, é utilizado na produção de aço. Os defensores do clima já apelaram ao governo para que abandonasse o projeto, de acordo com o parecer científico de que não devem ser desenvolvidos novos projetos de combustíveis fósseis se o mundo quiser limitar o aquecimento global a 1,5ºC. Lisa Cox, The Guardian.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Indústria automóvel: ganância corporativa à frente da saúde pública

  • Os fabricantes de automóveis dizem que os planos para reduzir os limites de poluição atmosférica lhes custariam muito caro, mas uma análise recente mostra que os fabricantes de automóveis europeus estão a obter lucros recorde e a pagar quantias sem precedentes aos CEOs e acionistas. Juntos, os cinco grandes fabricantes de automóveis da Europa mais do que duplicaram os seus lucros anuais desde 2019 para 64 mil milhões de euros. A Transport & Environment considera que a luta da indústria automóvel contra regras de poluição mais rígidas coloca a ganância corporativa à frente da saúde pública. T&E.
  • No início deste ano, o governo britânico comprometeu-se a gastar 20 mil milhões de libras na captura e armazenamento de carbono como parte da sua estratégia climática. Uma análise da Green Alliance afirma que este dinheiro poderia ter sido gasto na melhoria do isolamento de um quarto de todas as casas do Reino Unido, poupando a cada família cerca de 9000 libras. Daniel Capurro, The i newspaper.
  • URÂNIO EMPOBRECIDO: TRIBUNAIS ACEITAM RISCO DE CANCRO NEGADO PELO EXÉRCITO. Os tribunais europeus decidiram que o urânio empobrecido pode causar cancro nas tropas. No entanto, o exército britânico insiste que é seguro fornecer à Ucrânia os projéteis tóxicos para os tanques. PHIL MILLER, Declassified UK.

  • Um grupo de defesa dos índios canadianos, cujo líder acusou os manifestantes contra os oleodutos de estarem ligados a interesses financeiros ocultos, recebeu centenas de milhares de dólares de um dos maiores produtores de petróleo e gás do Canadá. Stephen Buffalo, diretor executivo do Conselho de Recursos Indígenas, sediado em Alberta, é uma das vozes indígenas mais francas a favor da expansão do petróleo e do gás, tendo testemunhado várias vezes perante o governo federal do Canadá e aparecido frequentemente nos principais media. Ele terá recebido discretamente contribuições da Canadian Natural (CNRL), um dos maiores produtores de petróleo e gás do Canadá, segundo informações federais recentes, que mostram que a CNRL deu $ 200,000 ao Indian Resource Council entre 2020 e 2022. Geoff Dembicki, DeSmog.
  • Um estudo realizado pela Common Wealth revelou que as gestoras de fundos norte-americanas BlackRock e State Street e a britânica Legal & General estão entre os gestores de ativos que utilizam fundos com um rótulo "ambiente, social e governança" (ESG) para investir em empresas de combustíveis fósseisPhillip Inman, TheGuardian.

terça-feira, 2 de maio de 2023

Mão pesada

  • A Coastal GasLink vai ser multada por alegadamente ter enganado os agentes da autoridade e lhes ter enviado informações falsas sobre os esforços da empresa para proteger uma área em redor do rio Anzac durante a construção a nordeste de Prince George, B.C. Matt Simmons, The Narwhal.
  • A Tesoro Refining and Marketing Company vai pagar uma coima de 27,5 milhões de dólares por ter violado um decreto de consentimento de 2016 que ordenava à empresa que reduzisse a poluição atmosférica na sua refinaria de petróleo em Martinez, na Califórnia. Fonte.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Mão pesada

Evonik Corporation foi multada em 75 mil dólares por violações da lei da qualidade do ar na sua fábrica em St. John the Baptist Parish, Rerserve, Louisiana e intimada a investir 335 mil dólares na modernização de equipamentos. TRISTAN BAURICK, Nola.

quinta-feira, 2 de março de 2023

Mão pesada

O departamento de justiça dos EUA processou a japonesa Denka e a norte-americana DuPont por emissões nas instalações da Pontchartrain Works, em Reserve, Louisiana, que violam o Clean Air Act e apresentam um perigo iminente e substancial para a saúde e bem-estar público. Oliver Laughland, The Guardian.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Reflexão: East Palestine - por que se tenta esconder uma catástrofe ambiental?

Os norte-americanos estão indignados por a administração Biden e os principais meios de comunicação social ignorarem o desastre ambiental de East Palestine, no Ohio.

Na semana passada, um descarrilamento de comboio provocou um grande incêndio, e enormes nuvens de produtos químicos tóxicos cobriram a cidade. Os media dizem que as ordens de evacuação foram canceladas, e as autoridades dizem que a área já é segura, mas os residentes queixam-se da poluição do ar e da tosse constante. Uma mulher encontrou todos os seus animais mortos a 10 milhas doacidente.

As redes sociais condenam a reação do governo e ironicamente apelam à renomeação de East Palestine para Kyiv, para que a Casa Branca também preste atenção a ela. 30 milhões de pessoas, - 10% da população dos Estados Unidos -, correm perigo na sequência da fuga de produtos químicos tóxicos. Enquanto os funcionários públicos tentam acalmar o público, os animais estão a ficar doentes e a morrer.

Os químicos tóxicos do descarrilamento e explosão do comboio em East Palestine terão contaminado o rio Ohio até à Virgínia Ocidental, uma fonte de água para mais de 5 milhõesde pessoasA nuvem de chuva ácida tóxica tem comprovadamente um raio de 200 milhas, no entanto, as pessoas foram evacuadas apenas num raio de 1 milha do local do acidente.

Descobriu-se que os vagões que descarrilaram no Ohio tinham sido rotulados como não perigosos e agora o governador do Ohio pede ao Congresso que investigue como isso aconteceu.

O descarrilamento não provocou nenhuma morte humana imediata, mas os residentes reportam mortes de animais de estimação, galinhas e raposas. Dada a proximidade do derrame à bacia do rio Ohio, que abrange 14 estados da região, surgem preocupações de que a poluição atinja os estados do Tennessee, Kentucky, Cincinnati, Ohio e Virgínia Ocidental.

Para além do cloreto de vinil, outros produtos químicos foram derramadosDe acordo com o manifesto do conteúdo dos vagões fornecido à EPA pela Norfolk Southern, havia quantidades não reveladas de acrilato de butilo, um químico perigoso conhecido por causar irritação da pele que é utilizado na produção de plástico, e de propilenoglicol, um químico geralmente não tóxico utilizado em embalagens de alimentos. Além disso, havia quantidades não reveladas de acrilato de etil-hexilo, um cancerígeno ligado à morte aquática, e petróleo derramado no local. Os reguladores ambientais do Ohio confirmaram que o acrilato de butil foi detetado em cursos de água próximos e que o derrame chegou efetivamente ao rio Ohio.

Tiffani Kavalecchefe de divisão da Agência de Proteção Ambiental do Ohio, disse que a agência estatal está a monitorizar uma pluma móvel de contaminantes no rio Ohio. Mas garantiu não haver qualquer preocupação de que os produtos químicos se infiltrem nos sistemas de água potável ligados ao rio Ohio devido à dimensão do rio e à sua capacidade de auto-filtragem. No entanto, mais perto do local do descarrilamento, funcionários da EPA do Ohio e do Departamento de Saúde Pública do estado exortaram os responsáveis pela água potável privada a beber água engarrafada, uma vez que as agências continuam a monitorizar as águas subterrâneas. O Departamento de Recursos Naturais do Ohio confirmou 3.500 peixes mortos nos cursos de água, bem como salamandras hellbender mortas, uma espécie em vias de extinção no estado.

Entretanto, um repórter foi detido ao tentar fazer um direto de uma conferência de imprensa do governador do Estado do Ohio acerca do acidente, por alegada desobediência a ordem para abandonar o local. Toda a cena foi registada pela câmara corporal deum agente da autoridadehá quem sugira que os EUA estão a tentar calar esta ocorrência com o objetivo deesconder causas insondáveis.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

CE propõe mais apoios à produção de veículos elétricos e outros produtos ditos ecológicos

  • A Comissão Europeia apresentou propostas que permitiriam aos estados membros conceder níveis mais altos de apoio estatal a empresas específicas. O objetivo é estimular a Europa a competir com os EUA como centro de fabricação de veículos elétricos e outros produtos ditos ecológicos e reduzir a sua dependência da China. Do plano fazem parte o reaproveitamento dos fundos existentes da UE, a aprovação mais rápida de projetos ‘verdes’ e selar acordos comerciais para garantir o fornecimento de matérias-primas críticas.  Entretanto, um artigo no Politico considera que a Europa está a embarcar numa guerra de subsídios que não pode vencer: ‘Este plano já enfrenta grandes críticas, por dois motivos: é amplamente baseado em linhas de financiamento existentes, que não novas, e corre o risco de colocar os países pequenos da UE contra as grandes potências Alemanha e França por temerem que a maior parte dos subsídios as beneficie. Isso significa que a UE com esta nova iniciativa ainda carece de poder de fogo para lutar contra os subsídios agressivos dos EUA – e os EUA sabem disso.’ Fontes: Reuters e Politico.
  • Companhias de água perdem fundos públicos a menos que se comprometam a impedir o derrame de esgotos no Reino Unido. Helena Horton, The Guardian.
  • Mais de 11.000 nigerianos entraram com uma ação de indemnização contra a Shell no Supremo Tribunal do Reino Unido. É um processo judicial de longa duração definido para testar a responsabilidade de empresas multinacionais por danos ambientais. Os queixosos alegam que derrames de petróleo resultantes das operações da Shell na região contaminaram a água potável, prejudicaram a qualidade do ar e destruíram terras agrícolas e estoques pesqueiros. Sandra Laville, The Guardian.
  • A administração Biden avançou com um projeto de perfuração de 8 mil milhões de dólares na encosta norte do Alasca. O projeto da ConocoPhillips Willow atraiu a forte oposição dos ambientalistas, que dizem que a sua aprovação vai contra os ambiciosos objetivos climáticos do presidente. Uma avaliação ambiental recomenda uma versão em escala do projeto originalmente proposto pela ConocoPhillips, e que produziria cerca de 600m de barris de petróleo em 30 anos, com um pico de 180.000 barris de petróleo bruto por dia. Maanvi Singh, The Guardian.
  • A China liderou o mundo em investimentos de transição energética com US$ 546 biliões, quase metade do total global, já que o mundo viu esse investimento atingir um novo recorde em 2022, reporta a BloombergNEF.

  • Colocar painéis solares em campos de pastagem é bom para as ovelhas. As ovelhas que vivem em pastagens com painéis solares beneficiam da sombra em climas quentes e da erva mais nutritiva - e impedem o crescimento de ervas daninhas entre os painéis. Christa Lesté-Lasserre, New Scientist.