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sábado, 18 de abril de 2026

REFLEXÃO

PAINÉIS SOLARES ESTÃO A PROVOCAR CHUVAS NUM DOS LOCAIS MAIS SECOS DO PLANETA
Efosa Udinmwen, TechRadar. Trad. O’Lima.


Nos Emirados Árabes Unidos, onde a água é mais valiosa do que o petróleo, uma nova investigação sugere que os grandes parques solares podem provocar as suas próprias tempestades.

Um estudo de modelação liderado pelo cientista climático Oliver Branch, da Universidade de Hohenheim, descobriu que os painéis solares escuros absorvem mais calor do que a areia refletora do deserto circundante.

Esta diferença de temperatura gera correntes ascendentes que podem provocar chuva, fornecendo potencialmente água a dezenas de milhares de pessoas.

Os investigadores modelaram os painéis solares como superfícies quase negras que absorvem 95% da luz solar incidente.

Quando os parques solares ultrapassavam os 15 quilómetros quadrados, o aumento do calor contrastava fortemente com a areia refletora à sua volta, intensificando as correntes ascendentes que impulsionam a formação de nuvens, mas é necessária uma fonte de humidade atmosférica.

No entanto, o modelo demonstrou que os ventos húmidos de alta altitude provenientes do Golfo Pérsico seriam suficientes.

Um parque solar de 20 quilómetros quadrados aumentaria a precipitação em quase 600 000 metros cúbicos nas condições certas. Se essas tempestades ocorressem dez vezes num verão, forneceriam água suficiente para mais de 30 000 pessoas durante um ano.

«Algumas centrais solares estão a atingir a dimensão adequada neste momento… Talvez não seja ficção científica conseguirmos produzir este efeito», afirmou Branch.

Uma limitação é que os painéis solares simulados eram mais escuros do que a maioria dos fabricados atualmente, uma vez que alguns painéis solares modernos são concebidos para serem refletores, de modo a arrefecer o ambiente circundante, o que reduziria o efeito de produção de chuva.

Zhengyao Lu, cientista climático da Universidade de Lund, considerou o novo trabalho «muito estimulante», mas manifestou esta preocupação.

Branch acredita que a ideia possa ser testada no mundo real, salientando que os parques solares que estão a entrar em funcionamento na China têm dimensões quase suficientes.

Ele sugere o plantio de culturas escuras e resistentes à seca, como arbustos de jojoba, entre as linhas de painéis para potenciar o efeito.

Os Emirados Árabes Unidos financiaram a investigação de modelação de Branch, mas o país continua empenhado no seu programa de semeadura de nuvens, realizando aproximadamente 300 missões por ano.

Isto implica que as autoridades locais ainda não estão convencidas de que a precipitação induzida pela energia solar seja uma alternativa prática.

Segundo Branch e a sua equipa, este modelo poderia funcionar noutras regiões áridas, incluindo a Namíbia e a Península da Baixa Califórnia, no México.

Se futuras investigações validarem estas conclusões, o potencial de produção de chuva dos parques solares poderá proporcionar um incentivo inesperado para a expansão das energias renováveis nas regiões mais secas do mundo.

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