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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Açores: armas nucleares contaminaram solos da Base Aérea das Lajes

  • «A TVI lançou, no passado fim-de-semana, duas reportagens que se debruçam sobre a possibilidade de contaminação radioativa na Terceira, em consequência do armazenamento de armas nucleares pelas forças norte-americanas estacionadas na Base das Lajes. Na última das reportagens emitida pela cadeia de televisão são apresentados os resultados de análises a amostras de solo retiradas da zona Pico Careca. Os testes foram feitos por um laboratório francês independente, o CRIIRAD. "Vocês enviaram-nos duas amostras de solo, que foram recolhidas perto do Pico Careca e observamos nessas duas amostras uma contaminação por elementos radioativos artificiais; Césio 137 e, numa das amostras, Amerício, que indica provavelmente a presença de plutónio. Esses níveis de contaminação não são muito importantes, mas são anormais", afirma Bruno Chareyron, diretor do laboratório CRIIRAD. Duas amostras de água recolhidas em locais muito próximos da base nada revelaram de anormal. A matéria já foi motivo de um estudo encomendado pelo Governo Regional ao Instituto Superior Técnico (IST), depois de ter estalado a polémica sobre esta possível contaminação. No dia 18 deste mês, DI noticiou as conclusões do relatório do Laboratório de Proteção e Segurança Radiológica do IST da Universidade de Lisboa que indica que o nível de radioatividade natural e artificial existente na Terceira está, em termos gerais, abaixo dos valores máximos previstos na legislação nacional. O relatório atribui a presença de alguma radiação artificial aos acidentes nucleares de Chernobyl e Fukushima e também aos testes nucleares efetuados na Guerra Fria pelos EUA, União Soviética e China, cujas consequências se propagaram pelo globo. A face nuclear da Base das Lajes já foi explorada em vários artigos publicados pelo Diário Insular. O trabalho da TVI explora agora este papel das Lajes como possível ponto de armazenamento de armas nucleares. Durante a Guerra Fria, a Marinha norte-americana mantinha na ilha paióis destinados a guardar bombas e torpedos, que seriam utilizados contra os submarinos soviéticos caso estalasse um conflito. É citado pela TVI, Mário Terra, ex-funcionário da Base das Lajes. "O meu pai sempre me disse: Os americanos guardam armas nucleares aqui na Base das Lajes", recordou. A denúncia da possível contaminação tem partido sobretudo do antigo funcionário da secção de Ambiente das Lajes, Orlando Lima, que garantiu ter-se deparado, nos finais dos anos 90, quando ainda trabalhava na base, com uma situação em que a chefe estava em pânico, depois de terem sido feitas análises ao solo do Cabrito. "Estás a falar de metais pesados radioativos, perguntei. A senhora respondeu-me que isso estava muito acima do seu ´nível de pagamento' e que não podia comentar", relatou. Em 2017, Orlando Lima recorreu a um contador Geiger para demonstrar que havia presença de radioatividade no Cabrito. Félix Rodrigues, investigador da Universidade dos Açores, que acompanhou esse esforço, comentou sobre o assunto: "Há nuclídeos que aqui estão que ultrapassam as explicações normais de fallout radioativo".(…)» in Diário Insular, Reportagem lançada a nível nacional confirma radiação artificial na Terceira, via Félix Rodrigues, FB. Para melhor contextualizar e compreender o problema da contaminação dos solos da Base Aérea das Lajes, convirá consultar o que este blogue já publicou sobre o assunto.
  • O Parlamento Português aprovou a criação de um sistema de incentivo e depósito de embalagens descartáveis de bebidas de plástico, vidro, metais ferrosos e alumínio. O objetivo é premiar os consumidores que devolvem as embalagens de bebidas, garantindo assim a sua reciclagem e evitando a poluição do ambiente. Os Verdes e o CDS abstiveram-se e o PCP votou contra. Até 31 de dezembro de 2019, as grandes superfícies comerciaias deverão ter implementado um sistema de incentivo ao consumidor final para a devolução de embalagens de bebidas de plástico não reutilizáveis. GS.
  • Cerca de 100 individualidades britânicas acabam de lançar o ExtinctionRebellion, que se descreve como um movimento internacional que utiliza a desobediência civil em massa para forçar os governos a entrar no modo de mobilização a dois níveis da Segunda Guerra Mundial, como resposta à crise climática e crise ecológica. O grupo exige que Reino Unido avance com medidas para criar uma economia de carbono zero até 2025 e sugere o estabelecimento de uma assembleia nacional de cidadãos para decidir como será o futuro de carbono zero. «As crianças que vivem hoje no Reino Unido enfrentarão horrores inimagináveis como resultado de cheias, incêndios florestais, condições climáticas extremas, destruição de colheitas e o inevitável colapso da sociedade quando as pressões são tão grandes. Não estamos preparados para o perigo que onosso futuro nos reserva», diz o manifesto. Os seus membros dizem-se dispostos a fazer sacrifícios pessoais, inclusive a serem detidos. Esperam, com o seu exemplo, inspirar ações semelhantes em todo o mundo e acreditam que esse esforço global deve começar no Reino Unido, hoje, onde a revolução industrial começou. CNN. Entretanto, mais de mil simpatizantes deste grupo manifestaram-se à volta do parlamento britânico, trendo 15 sido detidos por terem bloqueado, durante duas hgoras, várias ruas da zona.
  • Investigadores da Universidade de Indiana descobriram altos níveis de fosfato químico, tri (2,4-di-t-butilfenil), ou TDTBPP, em residências, numa estação de reciclagem de resíduos eletrónicos e no ambiente natural. O composto faz parte da família dos organofosforados tóxicos, que é a classe de inseticidas mais usada, mas também é usada como retardante de chama. UPI.
  • Na Argentina, a floresta Gran Chaco está a ser arrasada para o cultivo de soja para exportação para a Europa. Os locais sofrem grandes impactos negativos. The Guardian.
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4 comments:

OLima disse...

Sobre «A TVI lançou, no passado fim-de-semana, duas reportagens»

atualização:
"Lajes Confidencial: a limpeza"
sáb, 3 nov
Uma parcela do território português está contaminada com radioatividade. Um laboratório internacional independente contratado pela TVI apurou que duas antigas áreas militares da Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, estão contaminadas com substâncias radioativas relacionadas com armas nucleares. O atual grau de contaminação não é perigoso para a saúde humana, mas levanta muitas questões sobre o que terá acontecido nas Lages, durante as décadas anteriores que coincidiram em larga medida com a Guerra Fria e inúmeras operações militares mais ou menos secretas. É a terceira parte da série de reportagens "Lajes Confidencial", da autoria de Rolando Santos.
https://tvi24.iol.pt/videos/sociedade/lajes-confidencial-a-limpeza/5bde00490cf252f8f40b3263

Via Felix Rodrigues
https://www.facebook.com/antonio.rodrigues.12576/posts/10211788633293258

OLima disse...

Numa altura em que Cabo Verde abre a porta à influência americana no Atlântico Sul, a investigação da TVI tem dado conta de como a Base das Lajes foi estratégica para os interesses das várias administrações americanas. A Base das Lajes albergou pelo menos 32 bombas atómicas durante grande parte da Guerra Fria.
A explosão de uma só dessas armas no centro de Lisboa mataria cerca de 16 mil pessoas imediatamente. E muitas mais depois, por causa da radiação. As bombas serviriam para atacar submarinos soviéticos em caso de conflito.
A quarta parte da série de reportagens Lajes Confidencial mostra ainda que a base na Ilha Terceira teve um papel importante nos planos norte-americanos para uma guerra nuclear.
TVI24.
https://tvi24.iol.pt/videos/sociedade/lajes-confidencial-base-dos-eua-nos-acores-albergou-32-bombas-atomicas/5be0a34f0cf2223b6a7aeebf

OLima disse...

«(...) o diretor do CRIIRAD, que frisa que a contaminação atual não é "inquietante", contesta as conclusões do laboratório do Instituto Superior Técnico. "Não fazemos, de todo, as mesmas constatações. Por exemplo, os níveis de Césio 137 que medimos em certos solos em volta do Pico Careca são, digamos, dez vezes mais elevados, por vezes vinte vezes mais elevados que os níveis que foram medidos pelo organismo oficial português. Também ficámos bastante surpreendidos com o relatório de 2017, que dá impressão de ter sido redigido para banalizar a realidade", diz.
Entretanto, a reportagem televisiva emitida sábado prova que existiram resíduos nucleares na Terceira. É apresentada documentação que aponta que estes resíduos foram eliminados e retirados entre 1998 e 2000.
O currículo de David Ausdemore, engenheiro militar norte-americano, que foi oficial de segurança radiológica nas Lajes, indica que este coordenou a eliminação e retirada de mais de 350 materiais sujeitos a regulação legal. Em causa estavam resíduos "armazenados de forma imprópria".
Este engenheiro especializado em trabalhos de contaminação foi contactado pela TVI, mas recusou-se a prestar declarações. Porém, o seu currículo, publicado online, avança que este obteve a classificação de "excecional", incluindo pela Comissão Reguladora Nuclear dos EUA, pelo serviço desenvolvido nas Lajes.
Esta comissão avançou não ter registo de inspeções na Lajes, mas indicou que isso será natural se as operações tiverem sido classificadas como secretas pelo governo dos Estados Unidos.
À TVI, o Ministério dos Negócios Estrangeiros avançou não ter conhecimento do armazenamento de resíduos radioativos pelas forças militares dos EUA na Terceira.
A reportagem da TVI transformou a face nuclear da ilha Terceira em notícia nacional. Um dos programas com maior audiência no país, "A Tarde é Sua", conduzido por Fátima Lopes, abordou o tema. Numa entrevista à apresentadora, Pedro Proença, comentador, classificou a Terceira como historicamente "emblemática" para Portugal e defendeu que seja exigida aos norte-americanos a "limpeza" da ilha.» Diário Insular, "Radioatividade na Terceira pode ter sido grave no passado" - via Félix Rodrigues, FB.
https://www.facebook.com/antonio.rodrigues.12576/posts/10211802236193322

OLima disse...

Lajes Confidencial: base açoriana causou contaminações extensas

A zona envolvente à Base das Lajes, nos Açores, esteve a ser contaminada com hidrocarbonetos e metais pesados durante décadas. Essas substâncias estão ligadas a várias doenças graves, especialmente o cancro. A situação atingiu com especial gravidade os operários que trabalharam na construção de tanques de combustível, mas há também casos de doenças difíceis de explicar entre habitantes da zona. Esta é quinta parte da série de reportagens "Lajes Confidencial", que aborda o legado da presença norte-americana nas Lajes, incluindo o nuclear

https://tvi24.iol.pt/videos/sociedade/lajes-confidencial-base-acoriana-causou-contaminacoes-extensas/5be89d790cf2e226c2867406

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