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sábado, 20 de dezembro de 2025

INDONÉSIA INTERCEPTA RESÍDUOS ELETRÓNICOS PROVENIENTES DOS EUA

  • A Alfândega de Batam, na Indonésia, interceptou 316 contentores provenientes dos EUA suspeitos de transportar resíduos eletrónicos, marcando uma das maiores descobertas deste tipo até à data. Ao contrário do lixo plástico, os resíduos eletrónicos têm um custo económico e ambiental totalmente diferente. Cada dispositivo descartado representa perda de mão de obra e perda de receita proveniente de materiais recuperáveis, como lítio, cobre e ouro. Fonte.
  • A nova manobra de greenwashing da Exxon: a gigante petrolífera afirma que pode eliminar mais de 90% das emissões das instalações de IA movidas a gás. Os críticos dizem que isso é um disparate. Fonte.
  • Administração Trump admite ter como alvo estados democratas para cortes em subsídios energéticos. Advogados do Departamento de Justiça argumentam em processo judicial que é constitucional a administração reter financiamento com base em políticas partidárias. Fonte.
  • Relatório afirma que subida nas exportações de gás em 2025 estão a aumentar as faturas de energia dos norte-americanos. Fonte.
  • Justiça obriga Belo Monte a fornecer mais água ao Xingu para garantir pesca. Fonte.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

NIGÉRIA: MAIS UM PAÍS COM PETRÓLEO COBIÇADO PELOS EUA

  • ‘Trump mandou as suas forças armadas ficar em estado de alerta para atacar a Nigéria, devido a alegações de assassinatos em massa de cristãos no país. Curiosamente, Israel tem bombardeado cristãos na Palestina, Síria e Líbano, tendo inclusive explodido uma igreja, e isso aparentemente está tudo bem, mas Trump finalmente encontrou alguns cristãos cujo petróleo lhe interessa. Se a guerra entre o Irão e Israel começar, o petróleo do Golfo Pérsico poderá parar e os EUA precisarão de alternativas: daí a Nigéria e a Venezuela. A Nigéria recentemente teve a audácia de construir a sua própria refinaria de petróleo para manter os lucros do petróleo dentro do país. Imagino que a Refinaria Dangote tenha irritado os americanos e a guerra seja uma retaliação.” Ricky Hale and Council Estate Media - Por estranha coincidência, todos os países que Trump quer bombardear são ricos em petróleo. Substack.
  • O Departamento de Energia dos EUA vai disponibiliza $ 100 milhões para reformar e modernizar as centrais termoelétricas a carvão. Fonte.
  • Produtor de gás da Pensilvânia processa Capital & Main por reportagem sobre riscos à saúde. Uma ação judicial movida pela CNX Resources Corporation acusa a organização jornalística de difamação por citar fontes críticas a um estudo elaborado pela indústria. Fonte.
  • Na Tunísia, intensifica-se a revolta popular contra a indústria química. Há um mês, milhares de tunisinos mobilizam-se para exigir o desmantelamento das fábricas químicas de Gabès. Vítimas de graves intoxicações, eles também estão expostos a uma poluição crónica há mais de 50 anos. Fonte.
  • O excesso de turismo e o intenso tráfego marítimo no Mediterrâneo estão a contribuir para o aumento da poluição nas águas gregas, afirmam cientistas que colocaram milhares de mexilhões no fundo do mar para ajudar a detetar microplásticos. Os mexilhões, organismos filtradores que absorvem uma variedade de contaminantes nos seus tecidos, incluindo microplásticos invisíveis, têm sido usados globalmente há décadas como um barómetro da poluição marinha. Fonte.
  • A Exxon financiou laboratórios de ideias de direita para espalhar a negação das alterações climáticas pela América Latina, de acordo com centenas de documentos inéditos que revelam uma campanha coordenada para tornar o sul global «menos inclinado» a apoiar o processo do tratado climático liderado pela ONU. Os documentos, que incluem cópias dos cheques enviados pela Exxon, consistem em documentos internos e anos de correspondência entre a empresa de combustíveis fósseis sediada no Texas e a Atlas Network, uma coligação sediada nos EUA com mais de 500 think tanks e outros parceiros em todo o mundo. Fonte.
  • Cerca de 16 000 galões de águas residuais vazaram de um tanque de armazenamento de 26 000 galões numa estação de tratamento da Eureka Resources. O fluido «oleoso» acabou por chegar ao rio Susquehanna, na Pensilvânia. A empresa já estava sob investigação. Em 2024, denunciantes acusaram a Eureka Resources de crimes ambientais envolvendo águas residuais radioativas de fraturação hidráulica. Fonte.
  • Entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024, mais de 279 milhões de reais foram concedidos a áreas sobrepostas ou no entorno das aldeias do povo Kanela, no Maranhão. Eles, que já sobreviveram a massacres, agora enfrentam um inimigo invisível, que financia a morte do Cerrado e dos povos que o defendem. Fonte.
  • O solo está a engolir casas nesta aldeia indígena no Alasca. Os residentes não têm outra escolha a não ser mudar-se. A crise climática está a causar o derretimento do permafrost no Alasca, forçando a aldeia de Nunapitchuk a mudar-se. Fonte.

sábado, 1 de novembro de 2025

INDIA: SEMEADURA DE NUVENS FALHA DEVIDO A HUMIDADE REDUZIDA

  • As autoridades da capital indiana, Deli, realizaram sem sucesso um teste de semeadura de nuvens, técnica que consiste em alterar as nuvens para provocar chuvas, com o objetivo de combater a crescente poluição atmosférica da cidade. A tentativa falhou devido à falta de humidade no ar. Fonte.
  • Cerca de 60.000 consumidores de água em Nova Jérsia irão partilhar 4,9 milhões de dólares no acordo de um processo judicial que acusava uma empresa de abastecimento de água e um fabricante de produtos químicos de violarem o limite estadual de saúde para a presença de PFOA, um «produto químico eterno» tóxico, na água  potável. Fonte.
  • A «obsolescência planeada» — fabricar produtos que não duram, para maximizar o lucro — pode ser substituída pela economia partilhada? Anouk Patel-Campillo, Medium.
  • As alterações climáticas podem ter um impacto na vida, na saúde e nos meios de subsistência das pessoas. E quando os governos em todo o mundo não agem, milhões de pessoas são afetadas. Um novo estudo, publicado pela revista The Lancet, analisa como esses «atrasos na adaptação» exacerbam os efeitos das alterações climáticas no planeta e nos seres humanos. Fonte.
  • ExxonMobil multada em £ 176.000 por queima "evitável" em Mossmorran, Escócia, em 2019. Fonte.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

ESPANHA: SOBREEXPLORAÇÃO HÍDRICA AFETA O RIO GUADIARO E SEUS AFLUENTES

  • Os Ecologistas en Acción voltam a denunciar a grave sobreexploração hídrica que afeta o rio Guadiaro e os seus afluentes, o Genal e o Hozgarganta, todos incluídos na Rede Natura 2000, como consequência do crescimento descontrolado das culturas de abacate em terrenos de sequeiro. Exigem a paralisação imediata de poços e captações ilegais, a restauração de terrenos florestais e de sequeiro degradados e a instalação obrigatória de contadores individuais em cada propriedade de irrigação, para conhecer o consumo real de água. Fonte.
  • Duas torres de refrigeração da antiga central nuclear de Gundremmingen, Alemanha, foram demolidas. Como parte da eliminação gradual da energia nuclear no país e ao abrigo da política de transição energética da Alemanha, as centrais nucleares de Gundremmingen, Brokdorf e Grohnde já tinham sido desativadas em dezembro de 2021. Fonte.
  • A Exxon Mobil Corporation está a processar o estado da Califórnia por causa de duas leis de divulgação climática de 2023 que, segundo a empresa, infringem os seus direitos de liberdade de expressão, nomeadamente ao obrigá-la a aceitar a mensagem de que as grandes empresas são as únicas culpadas pelas alterações climáticas. Fonte.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

ALGARVE: CRUDE INTERDITA DUAS PRAIAS

Lusa/Sapo

  • As praias de Cabanas Velhas e da Boca do Rio, em Vila do Bispo, no Algarve, foram interditas a banhos, devido ao derrame de crude com impacto nas águas. As autoridades competentes investigam a ocorrência. Fonte.
  • A Zero considerou a proposta de Orçamento do Estado como muito negativa em termos de sustentabilidade ambiental e climática, elogiando apenas algumas medidas na área da floresta e o alargamento do passe jovem. “A proposta do Governo não tem a ambição necessária face à necessidade urgente de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, de travar o contínuo aumento da produção de resíduos, de promover uma gestão sustentável dos recursos hídricos e de adotar um modelo de agricultura que contribua para a restauração da natureza e a coesão social”, diz a Zero. O OE nada refere sobre a taxa de embalagens de plástico colocadas no mercado. Há uma contribuição europeia que é paga desde 2022 e que já custou 578 milhões de euros e parece que o Governo “considera aceitável” que seja o OE a pagar 205,6 milhões de euros em 2025 em vez de pagar esse valor quem introduz essas embalagens no mercado, diz a associação. Fonte.
  • A área com extração ilegal de madeira na Amazônia aumentou 19% em um ano. Fonte.
  • A ExxonMobil processou o governo holandês pela sua decisão de 2018 de reduzir a produção de gás em Groningen, após anos de terramotos ligados à extração. O pedido de indemnização do gigante petrolífero, que poderá ascender a milhares de milhões de euros, parece ter sido motivado pela recente mudança de governo, uma vez que Mark Rutte, que foi primeiro-ministro liberal durante 14 anos, foi destituído após uma viragem à direita nas eleições de 2023. Fonte.
  • Uma falha na aplicação de meteorologia da BBC levou a previsões absurdas, como ventos de 14.408 mph em Maidenhead e 404C em Nottingham. A BBC pediu desculpa, alegando um erro de terceiros. Fonte.

sábado, 16 de março de 2024

FRANÇA: CEMITÉRIO FONTE DE ENERGIA SOLAR

  • Saint-Joachim está a transformar o seu cemitério numa fonte de energia solar. Os habitantes podem aderir a este invulgar programa comunitário de energia por apenas 5 euros. A Brier'energie estima que as famílias pouparão, em média, 150 a 250 euros nas suas faturas anuais de eletricidade. Lottie Limb, Euronews.
  • A Alemanha queixa-se dos preços elevados da energia, enquanto os gigantes alemães da energia RWE e E.ON anunciam elevados lucros. O lucro da RWE subiu para mais de 4,5 mil milhões de euros, um aumento de 39% em relação ao ano anterior, enquanto a E.ON viu o seu lucro líquido aumentar 12%. Até mesmo a empresa nacionalizada de energia Uniper, que o governo teve de salvar da falência em 2022, registou um lucro de 4,4 mil milhões de euros. Este aumento do lucro é atribuído ao aumento das receitas das centrais elétricas, à expansão dos parques eólicos e solares, ao sucesso do comércio internacional de energia e às medidas governamentais para limitar os custos da energia. Benedikt Müller-Arnold, Der Spiegel.
  • Segunda-feira, 11 de março, deflagrou um incêndio de grandes proporções numa unidade da refinaria Esso-ExxonMobil de Port-Jérôme-sur-Seine, perto do Havre. O local inclui uma refinaria e uma fábrica de lubrificantes da Esso, bem como um complexo petroquímico da ExxonMobil Chemical France. Reporterre.
  • O Conselho da União Europeia adotou medidas que permitem o uso de águas residuais urbanas tratadas para a rega na agricultura. Estas novas regras, que ainda necessitam da aprovação do Parlamento Europeu, visam combater a escassez de água na agricultura e adaptar-se às consequências das alterações climáticas. Agroportal.
  • De acordo com uma investigação, os jactos e tanques israelitas que bombardeiam os palestinianos são alimentados por algumas das empresas de combustíveis fósseis mais rentáveis do mundo - e pelos contribuintes dos EUA. Esta cadeia de abastecimento de combustível parece ter dependido fortemente de combustíveis fósseis do Azerbaijão, Cazaquistão, Rússia, Brasil, Gabão e EUA. A análise efetuada pela Data Desk, sugere que as principais empresas petrolíferas que facilitam o fornecimento de combustível incluem a BP, a Chevron, a ExxonMobil, a Shell e a TotalEnergies. Nina Lakhani, The Guardian.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Reflexão: A ExxonMobil quer iniciar uma guerra na América Latina?

“Em 3 de dezembro de 2023, um grande número de eleitores registrados na Venezuela votou num referendo sobre a região de Essequibo que é disputada com a vizinha Guiana. Quase todos os que votaram responderam sim às cinco perguntas. Estas questões pediam ao povo venezuelano que afirmasse a soberania do seu país sobre Essequibo. “Hoje”, disse o presidente venezuelano Nicolás Maduro, “não há vencedores nem perdedores”. O único vencedor, disse ele, é a soberania da Venezuela. O principal perdedor, disse Maduro, é a ExxonMobil.

Em 2022, a ExxonMobil obteve um lucro de 55,7 mil milhões de dólares, tornando-a uma das empresas petrolíferas mais ricas e poderosas do mundo. Empresas como a ExxonMobil exercem um poder excessivo sobre a economia mundial e sobre os países que possuem reservas de petróleo. Tem tentáculos em todo o mundo, da Malásia à Argentina. No livro Private Empire: ExxonMobil and American Power (2012), Steve Coll descreve como a empresa é um “estado corporativo dentro do estado americano”. Os líderes da ExxonMobil sempre tiveram um relacionamento íntimo com o governo dos EUA: Lee “Iron Ass” Raymond (CEO de 1993 a 2005) era um amigo pessoal próximo do vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, e ajudou a moldar a política do governo dos EUA em relação às alterações climáticas; Rex Tillerson (sucessor de Raymond em 2006) deixou a empresa em 2017 para se tornar Secretário de Estado dos EUA no governo do presidente Donald Trump. Coll descreve como a ExxonMobil utiliza o poder estatal dos EUA para encontrar cada vez mais reservas de petróleo e para garantir que a ExxonMobil se torne a beneficiária dessas descobertas.

As pessoas que votaram sabiam exatamente em que estavam votando: nem tanto contra o povo da Guiana, um país com uma população de pouco mais de 800.000 habitantes, mas estavam a votar pela soberania venezuelana contra empresas como a ExxonMobil. A atmosfera nesta votação foi mais sobre o desejo de remover a influência das empresas multinacionais e de permitir que os povos da América do Sul resolvessem as suas disputas e dividissem as suas riquezas entre si.

Logo que Hugo Chávez venceu as eleições para a presidência da Venezuela em 1998, disse que os recursos do país – principalmente o petróleo, que financia o desenvolvimento social do país – deviam estar nas mãos do povo e não nas mãos de empresas petrolíferas. Então o governo de Chávez iniciou um ciclo de nacionalizações, com o petróleo no centro (o petróleo foi nacionalizado na década de 1970 e privatizado novamente duas décadas depois). A maioria das empresas petrolíferas multinacionais aceitou as novas leis para a regulamentação da indústria petrolífera, mas duas recusaram: ConocoPhillips e ExxonMobil. Ambas exigiram dezenas de milhares de milhões de dólares em compensação, embora o Centro Internacional para a Resolução de Disputas sobre Investimentos (ICSID) tenha concluído em 2014 que a Venezuela só precisava de pagar à ExxonMobil 1,6 mil milhões de dólares.

Rex Tillerson ficou furioso. Em 2017, o Washington Post publicou uma notícia que captava o sentimento de Tillerson: “Rex Tillerson foi queimado na Venezuela. Então vingou-se.” A ExxonMobil assinou um acordo com a Guiana para explorar petróleo offshore em 1999, mas só começou a explorar a costa em Março de 2015 – depois de o veredicto negativo ter sido emitido pelo ICSID. A ExxonMobil utilizou toda a força de uma campanha de pressão máxima dos EUA contra a Venezuela, tanto para consolidar os seus projetos no território disputado como para minar a reivindicação da Venezuela sobre a região de Essequibo. Esta foi a vingança de Tillerson.

Em 2015, a ExxonMobil anunciou que havia encontrado 295 “reservatórios de arenito contendo petróleo de alta qualidade”. A gigante petrolífera iniciou consultas regulares com o governo da Guiana, incluindo promessas de financiar todo e qualquer custo inicial para a exploração de petróleo. Quando o Acordo de Partilha de Produção entre o governo da Guiana e a ExxonMobil foi divulgado, revelou o quão mal a Guiana se saira nas negociações. A ExxonMobil recebia 75% das receitas do petróleo para a recuperação de custos, sendo o restante partilhado 50-50 com a Guiana; a petrolífera, por sua vez, estava isenta de quaisquer impostos. O Artigo 32 (“Estabilidade do Acordo”) diz que o governo “não deverá alterar, modificar, rescindir, declarar inválido ou inexequível, exigir a renegociação, obrigar a substituição ou substituição, ou de outra forma procurar evitar, alterar ou limitar este Acordo ” sem o consentimento da ExxonMobil. Este acordo aprisiona todos os futuros governos da Guiana num negócio muito fraco.

Pior ainda para a Guiana é que o acordo fora feito em águas disputadas com a Venezuela desde o século XIX. A falsidade dos britânicos e depois dos EUA criou as condições para uma disputa fronteiriça na região que tinha alguns problemas antes da descoberta do petróleo. Durante a década de 2000, a Guiana manteve estreitos laços fraternos com o governo da Venezuela. Em 2009, ao abrigo do esquema PetroCaribe, a Guiana comprou petróleo a preços reduzidos à Venezuela em troca de arroz, uma benção para a indústria arrozeira da Guiana. O esquema de troca de petróleo por arroz terminou em novembro de 2015, em parte devido à descida dos preços mundiais do petróleo. Ficou claro para os observadores tanto em Georgetown como em Caracas que o esquema sofria com as crescentes tensões entre os países sobre a disputada região de Essequibo.

Entretanto, à margem da reunião da COP-28, o presidente da Guiana, Irfaan Ali, reuniu-se com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e com o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, para falar sobre a situação. Ali instou Díaz-Canel a instar a Venezuela a manter uma “zona de paz”.

A guerra não parece estar no horizonte. Os EUA retiraram parte do seu bloqueio à indústria petrolífera da Venezuela, permitindo à Chevron reiniciar vários projetos petrolíferos na Faixa do Orinoco e no Lago Maracaibo. Washington não quer aprofundar o seu conflito com a Venezuela. Mas a ExxonMobil sim. Nem o povo venezuelano nem o povo guianense beneficiarão da intervenção política da ExxonMobil na região. É por isso que tantos venezuelanos que votaram no dia 3 de Dezembro viram isto menos como um conflito entre a Venezuela e a Guiana e mais como um conflito entre a ExxonMobil e o povo destes dois países sul-americanos.”

Vijay Prashad, Peoples Dispatch.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Navios de cruzeiro fazem batota para se pintarem de ecológicos

Ben Marans/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

  • As empresas de cruzeiros afirmam que os navios gigantes, – que alguns especialistas consideram que são piores para o clima do que os aviões –, estão a reduzir as emissões desligando os seus motores e ligando-os a eletricidade com baixo teor de carbono enquanto estão atracados. Mas uma investigação realizada pela openDemocracy descobriu que os navios de cruzeiro não utilizam regularmente a “energia costeira” disponível nos portos e, em vez disso, queimam gasóleo, que é mais barato mas tem uma enorme pegada de carbono. Dados do maior porto de cruzeiros do Reino Unido, em Southampton, mostram que apenas cerca de um em cada dez navios de cruzeiro se ligou à energia em terra desde que esta foi disponibilizada no porto no ano passado. Os dados também sugerem que os poucos navios que utilizaram a energia ligaram-se apenas cerca de cinco horas por visita, em média, apesar de normalmente passarem 12 horas no porto. Ben Webster e Lucas Amin, openDemocracy.
  • O Reino Unido vai afrouxar ainda mais as regulamentações em relação aos químicos pós-Brexit. O novo slogan de três palavras do governo é ‘Toxins ‘r’ us’, diz Richard Murphy.
  • A empresa de petróleo e gás ExxonMobil vai começar a extrair lítio no Arkansas a partir de 2027. A mudança da Exxon para o lítio é a primeira de uma enorme gigante petrolífera. A Koch Industries, a Occidental Petroleum e a norueguesa Equinor têm mudado no mesmo sentido. FT.
  • Uma ação civil foi movida contra o governo dos EUA por cinco militares que alegam ter sido fisicamente afetados pelos derrames de combustível de Red Hill em 2021 enquanto estavam fora de serviço. Já se passaram cerca de dois anos desde que milhares de pessoas adoeceram na sequência de derrame de combustível de aviação num poço de água potável em Pearl Harbor. Uma grande quantidade de residentes de Oʻahu depende da água potável do aquífero que fica 30 metros abaixo da instalação de armazenamento de combustível. Mark Ladao, Rádio Pública do Havaí.
  • A petrolífera estatal equatoriana Petroecuador vai encerrar um grande projeto de perfuração na reserva ecológica Yasuni, na floresta amazônica, em agosto próximo, após um referendo para encerrá-lo para proteger a natureza e os povos indígenas. Alexandra Valencia, Reuters.

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Reflexão: Como as petrolíferas culpam os consumidores pelas alterações climáticas

A inércia política pode ser explicada, entre outras coisas, pelo domínio dos interesses dos combustíveis fósseis sobre os decisores políticos e pela forte influência que as indústrias poluentes têm nas esferas de poder na América do Norte. Estas indústrias utilizam dois tipos de discurso para proteger os seus interesses. Primeiro, desacreditam e marginalizam as questões ecológicas. Em segundo lugar, a indústria atua para convencer as pessoas de que as suas atividades poluentes são compatíveis com a gestão das crises climática e ambiental. Estas estratégias de reformulação da marca fazem parte de um objetivo mais amplo de “lavagem verde” das atividades extrativas. Nas últimas três décadas, as cinco maiores empresas petrolíferas dos EUA gastaram mais de 3 mil milhões de dólares em marketing e doações para impulsionar as suas comunicações com o público em geral e com os decisores políticos.

Uma estratégia retórica particularmente significativa que a indústria petrolífera adoptou é atribuir a responsabilidade pela mitigação e adaptação às alterações climáticas ao indivíduo. Ao colocar o fardo da redução da poluição e das emissões de gases com efeito de estufa — e, consequentemente, da luta contra as alterações climáticas — sobre os indivíduos, as empresas petrolíferas e os seus aliados políticos estão a aliviar-se da responsabilidade de fazer mudanças nas suas práticas de produção, consumo e exploração de combustíveis fósseis.

A expressão mais óbvia desta estratégia de atribuir responsabilidade ao indivíduo é a criação da pegada de carbono. Nascida de uma estratégia de comunicação da BP no início dos anos 2000 chamada “Beyond Petroleum”, a pegada de carbono mede o impacto do consumo individual nas emissões de gases com efeito de estufa. Através de numerosos anúncios que promovem a importância da ação individual na crise climática, a BP conseguiu transferir a responsabilidade pelo problema climático para o consumidor. Isto, por sua vez, elimina a responsabilidade da indústria na procura de soluções e na redução das emissões de carbono. A campanha “Beyond Petroleum” da BP também foi concebida para encorajar os indivíduos a adotarem um estilo de vida mais sustentável, mantendo ao mesmo tempo os seus níveis de consumo. Esta estratégia contribui para o que os investigadores Karl Smerecnik e Valerie Renegar, da San Diego State University e da Southwestern University, chamam de agência capitalista. Ao endossar a imagem ambientalista e ao se alhearem como fonte do problema, as gigantes petrolíferas limitam a capacidade das pessoas de pensar sobre outras formas de ação ambiental para além do consumo e, portanto, do crescimento económico. Confina o indivíduo e a sua responsabilidade relativamente às alterações climáticas na lógica do mercado, reduzindo as possibilidades de transformação sistémica.

A ExxonMobil e a Total também adotam as mesmas estratégias. Enfatizam as emissões de gases com efeito de estufa como um problema de procura e não de oferta, criando um conceito imaginário em torno do indivíduo como consumidor e único interveniente responsável pela mitigação das alterações climáticas. Esta estratégia de comunicação legitima a produção contínua de combustíveis fósseis e serve para proteger a indústria de regulamentações ambientais restritivas, apontando o dedo para a procura crescente.

O “Greenwashing” permite-lhes inverter o seu papel e apresentar-se como verdadeiros salvadores ambientais, investindo na restauração costeira e promovendo uma indústria eco-responsável e de base comunitária.

Lobistas de grandes empresas petrolíferas como a ExxonMobil e grupos de defesa como a Louisiana Mid-Continent Oil & Gas Association, bem como os seus parceiros políticos no Senado e na Câmara dos Representantes do Louisiana, insistem na natureza “verde” dos combustíveis fósseis. Esta retórica transmite a ideia de que preservar as atividades extrativas é um benefício para os EUA e para a luta contra as alterações climáticas. De acordo com esta linha de raciocínio, o petróleo e o gás americanos têm uma pegada de carbono melhor do que o petróleo e o gás produzidos internacionalmente. Ajudam, portanto, a reduzir as emissões globais face à crescente procura dos consumidores.

A narrativa dos combustíveis fósseis “verdes” também está a ganhar impulso nas esferas legislativas de outros estados, assegurando o domínio destas indústrias nas economias locais. Referindo-se às atividades ecológicas das empresas petrolíferas no Louisiana como um verdadeiro “movimento ambiental Cajun”, os lobistas solicitam identidades locais e apoio dos cidadãos num esforço para preservar as suas operações. Esta outra forma de individualização visa as políticas climáticas, particularmente as da administração Biden, como um ataque direto aos interesses e ao bem-estar das populações locais. Uma verdadeira “cultura do petróleo” emergiu assim através do investimento comunitário (por exemplo, o financiamento de longa data da Shell para o Jazz and Heritage Festival em Nova Orleães, ou para operações locais de recuperação de furacões. Também destaca o entrosamento das identidades Cajun com o desenvolvimento histórico da indústria petrolífera local.

Em particular na Louisiana, a individualização pode ser vista no apoio popular às atividades extrativas e na rejeição de regulamentações restritivas ou movimentos ambientais. Posicionadas como verdadeiras protetoras do ambiente e da comunidade, as indústrias do petróleo e do gás mantêm a sua influência nas esferas legislativas através do lóbi político e do apoio da opinião pública. Desta forma, conseguem evitar qualquer reconsideração das suas práticas operacionais.

A individualização em grande escala, seja através das campanhas da BP ou do apelo do Presidente francês, Emmanuel Macron, às crianças em idade escolar para que plantem árvores, inverte a responsabilidade na luta contra as alterações climáticas. Encoraja a inércia política que continua a proteger os interesses das indústrias poluentes.

Laura Hood, The Conversation.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

BP, Chevron, ExxonMobil, Shell e Total acumulam lucros

  • A francesa TotalEnergies informou que os preços elevados do petróleo e do gás aumentaram o seu lucro líquido para um valor recorde de 20,5 mil milhões de dólares em 2022. France24. Estes lucros acompanham os da BP, Shell, Chevron e ExxonMobil.
  • A BP traiu o seu compromisso de apoiar uma transição para uma energia de baixo carbono, denuncia Javier Blas. Agora veio prometer aos acionistas que iria investir fortemente em projetos de petróleo e gás e que, em vez de um corte de 40% na produção, a produção de petróleo e gás diminuiria 25% até ao final da década. Curiosamente, o preço das ações da empresa britânica subiu 8% após o anúncio dos executivos da BP. Fontes: Bloomberg e Financial Times, via Carbon Brief. 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Portugal: pêras e maçãs com pesticidas perigosos

  • Maçãs e pêras cultivadas em Portugal estão entre as frutas com maior quantidade de pesticidas perigosos, indica uma análise a fruta fresca europeia relativamente a 2019, da responsabilidade da rede de organizações não governamentais “PAN Europa”. Segundo o documento, as maçãs e pêras portuguesas estão no segundo lugar do “ranking” da maior proporção de frutas contaminadas em 2019. Em 85% das pêras portuguesas testadas e em 58% de todas as maçãs testadas foi encontrada contaminação por pesticidas perigosos. Observando os dados de 2011 a 2019, o estudo indica que os frutos mais contaminados foram as amoras (51% das amostras), seguidas dos pêssegos (45%), dos morangos (38%), das cerejas e dos alperces (35%). No mesmo período de anos os países que produziram frutas mais contaminadas foram, por ordem decrescente, a Bélgica, a Irlanda, a França, a Itália e a Alemanha. A organização analisou também vegetais mas nota que, por serem menos propensos a pragas e doenças a contaminação por pesticidas é menor, ainda que também tenha havido um aumento de contaminação entre 2011 e 2019. O aipo e raiz de aipo e a couve foram os legumes mais contaminados. Os consumidores estão numa “posição horrível, porque são aconselhados a comer fruta fresca, grande parte da qual está contaminada com os resíduos de pesticidas mais tóxicos ligados a graves impactos na saúde”, diz Salomé Roynel, da PAN Europa. “É claro para nós que os governos não têm qualquer intenção de proibir estes pesticidas, independentemente do que diz a lei. Têm demasiado medo do lóbi agrícola, que depende de produtos químicos poderosos e de um modelo agrícola obsoleto”, acrescentou. Lusa/Agroportal.
  • Ativistas da Greenpeace encenaram um protesto em Veneza para realçar os efeitos catastróficos que a lavagem verde poderia ter na cidade lagunar. Manifestando-se em gôndolas, os manifestantes advertiram que a cidade será em breve submersa se a indústria dos combustíveis fósseis persistir nas suas estratégias de greenwashing. Rebecca Ann Hughes, Euronews.
  • Os EUA anunciaram o fornecimento à Roménia de um simulador de formação em preparação para a construção de um novo tipo de central nuclear no país. Se o acordo se concretizar, a Roménia poderá tornar-se o primeiro país na Europa, e talvez no mundo, a ter tal central, conhecida como um pequeno reactor modular. Concebidos para serem menos caros e mais fáceis de construir do que os reatores nucleares tradicionais, os reatores modulares foram propostos por vários fabricantes. O da Roménia seria construído pela NuScale Power, uma start-up sediada em Portland, Oregon. O governo anunciou que a central seria construída em Doicesti, no local de uma central a carvão entretanto encerrada, a cerca de 55 milhas a noroeste de Bucareste. O plano envolve a construção de uma central eléctrica composta por seis das unidades modulares capaz de gerar 462 megawatts de eletricidade, orçada em cerca de 1,6 mil milhões de dólares. O simulador estaria localizado numa universidade em Bucareste e seria utilizado para treinar romenos e outros da região para operar um dos reatores. O governo dos EUA assumiria todos os custos, em sinal de compromisso com o acordo. Em 2019, a Roménia interrompeu as conversações com a China sobre o fornecimento de reatores convencionais em Cernavoda e voltou-se para os EUA como o principal parceiro nuclear do país. The Courier on Sunday.
  • O Supremo Tribunal de Massachusetts rejeitou por unanimidade a proposta da Exxon Mobil de arquivar uma ação judicial do Procurador-Geral do Estado acusando a petrolífera de enganar consumidores e investidores sobre as alterações climáticas e os perigos da utilização de combustíveis fósseis. Reuters/MSN.

quinta-feira, 24 de março de 2022

Lisboa: águas residuais recicladas regam espaços verdes do Parque das Nações

  • Os espaços verdes da zona norte do Parque das Nações, em Lisboa, começaram a ser regados com águas residuais recicladas. DN.
  • O conflito Rússia-Ucrânia ameaça a segurança alimentar de vários países africanos, uma vez que a Ucrânia exportava-lhes enormes quantidades de cereais. A Europa, que quer assumir o seu "papel nutritivo", decidiu adiar as medidas-chave do seu Pacto Verde destinadas a reduzir os pesticidas, a fim de "produzir mais". Esta estratégia tem sido muito criticada. Várias vozes apelam à regulação dos preços do trigo e, acima de tudo, a uma melhor distribuição da produção agrícola. "Há alimentos mais do que suficientes para alimentar o mundo", dizem 450 cientistas. Marina Fabre Soundron, Novethic.
  • A barragem de Ruzizi é poluída por milhares de garrafas, latas e outros objectos lançados no Lago Kivu, que se estende por 90 Km ao longo da fronteira entre a República Democrática do Congo e o Ruanda. Pilhas de resíduos podem atingir uma profundidade de 14 metros. Os mergulhadores limpam o leito do rio para evitar que os detritos entupam as turbinas e provoquem cortes de energia. O serviço de recolha e eliminação de lixo custa entre 2,70 e 4,50 euros por mês, e muitos habitantes preferem deitar o seu lixo na estrada à noite ou no lago. AFP/The Guardian.
  • A Exxon está a perfurar numa nova área offshore do Brasil que poderá ter até mil milhões de barris de petróleo e gás, informou a sua parceira Murphy Oil. Se a exploração for bem sucedida, será a primeira descoberta de petróleo da Exxon no Brasil como operadora. A Exxon lidera a prospecção na Bacia de Sergipe-Alagoas, no nordeste do Brasil, com uma participação de 50%. A ela junta-se a brasileira Enauta ENAT3.SA com 30% e a Murphy Oil Corp MUR.N, com 20%. Sabrina Valle, Reuters.
  • Um denunciante que passou anos a trabalhar na integridade do sistema de crédito de carbono do governo australiano criticou o sistema, descrevendo-o como uma fraude que está a prejudicar o ambiente e que tem desperdiçado mais de 1 milhão de milhões de dólares de dinheiros públicos. Andrew Macintosh diz que o crescente mercado de carbono supervisionado pelo governo e pelo regulador de energia limpa é uma farsa, uma vez que a maioria dos créditos de carbono aprovados não representava reduções substanciais nas emissões de gases com efeito de estufa. Macintosh diz que os métodos aprovados pelo governo para criar créditos de carbono têm graves problemas de integridade, quer na sua concepção, quer na forma como estão a ser administrados. Isto aplica-se particularmente a projetos de reflorestação de áreas desmatadas. Macintosh diz que quase dois terços dos alegados cortes nas emissões teriam acontecido de qualquer forma porque os projetos de energia eram economicamente viáveis sem receitas de créditos de carbono. Isto significa que os créditos de carbono gerados não representam cortes "adicionais" nas emissões, como exigido por lei. "O que está a acontecer é uma fraude para o ambiente, uma fraude para os contribuintes e uma fraude para os consumidores involuntários", diz ele. "As pessoas estão a receber créditos por não limparem florestas que nunca seriam limpas, estão a receber créditos por cultivarem árvores que já lá estão, estão a receber créditos por cultivarem florestas em locais que nunca irão sustentar florestas permanentes e estão a receber créditos por operarem geradores de electricidade em grandes aterros sanitários que de qualquer forma teriam operado". Adam Morton, The Guardian.
  • Angus Taylor, ministro da energia da Austrália, prometeu $50 milhões a sete projetos, quatro dos quais para uma empresa que pagou $27.500 pela adesão ao Partido Liberal em 2020-21. O Grupo APA possui e opera bens de gás natural e electricidade e é o maior negócio de infra-estruturas de gás natural da Austrália. Como parte dos 50 milhões de dólares recentemente anunciados, o Grupo APA recebeu financiamento para um projeto de expansão de um gasoduto da Victorian Southwest, dois projetos em Queensland e um projeto de expansão da rede de gás da Costa Leste. O Grupo APA é também membro do Partido Trabalhista, ao mesmo preço de $27.500 por ano. Callum Foote, MWM.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Os combustíveis fósseis russos são a última coisa que o Ocidente quer sancionar?

  • «Os combustíveis fósseis russos são a última coisa que o Ocidente quer sancionar. Os motivos são importantes. Enquanto a BP e a Shell prometeram retirar-se (embora ainda não o tenham feito) a Exxon, a Eni e a Total continuam a investir fortemente no petróleo e gás russos. Ainda em 2021, divulgámos imagens de um lobista sénior da Exxon gabando-se do seu sucesso em evitar sanções contra a Rússia que poderiam ter tido impacto nos seus investimentos. Quanto mais procura de petróleo e gás houver, mais dinheiro haverá para Putin. O preço do petróleo é global e sobe como todos os outros preços, com a procura. Não importa quem utiliza que petróleo e onde. Se houver menos procura, os ditadores recebem menos dinheiro. É por isso que os russos e os sauditas não querem intervir contra as alterações climáticas. Eles nem sequer querem que a ONU diga que as alterações climáticas são causadas pelo homem.» Damian Kahya, Unearthed.
  • Um ensaio de três meses na Arábia Saudita mostrou que um sistema acoplado a painéis solares pode colher água sem utilizar qualquer eletricidade, aproveitando o aquecimento e arrefecimento dia-noite dos painéis solares. O sistema aumenta ligeiramente a eficiência de geração de eletricidade dos painéis, mantendo-os mais frescos. Michael Le Page, New Scientist.
  • Uma mina de ouro tailandesa, propriedade da empresa australiana Kingsgate, é acusada de criar aldeias desertas com famílias desfeitas. Foi encerrada pelo governo tailandês, mas uma cláusula obscura num acordo de comércio livre permitiu que a lucrativa mina na Tailândia reabrisse. Tim Ginty, Michael West Media.
  • O porto de Brisbane, em Queensland, Austrália, foi encerrado, e os navios foram forçados a ancorar nos portos de Newcastle e Port Kembla, em Nova Gales do Sul, New South Wales (NSW) como resultado de fortes chuvas e tempestades ao longo da costa leste da Austrália. Argus.

sábado, 25 de dezembro de 2021

Reino Unido: o fiasco da Glengorm

  • Glengorm, aclamada há dois anos como a maior descoberta de gás em águas britânicas durante uma década, revela-se um fiasco e foi declarada não-comercial. Allister Thomas, Energy Voice.
  • A exploração de uma mina de carvão subterrânea em Aberpergwm, no País de Gales, poderá ser aprovada em breve, apesar das promessas feitas em sentido contrário na conferência climática COP26. O projeto será realizado pela Energybuild Ltd, que tem licença, desde 2016, para extrair até 40 milhões de toneladas de anthracite durante as próximas duas décadas. Tommy Greene, The Guardian.
  • A Rio Tinto vai suspender o seu controverso projeto de lítio perto de Loznica, Sérvia. Nas últimas semanas, manifestantes bloquearam estradas, exigindo às autoridades o fim do projeto. A assembleia municipal de Loznica, na semana passada, revogara a afetação de terras para a mina. Reuters/TheGuardian.
  • Fortes apoios estão a ser dados à indústria do hidrogénio. A administração Biden vai aprovar um subsídio de $1.04 mil milhões ao projeto da Monolith Nebraska LLC. Na Alemanha, 900 milhões de euros irão para o projeto H2Global. Fontes: Bloomberg/Yahoo e Reuters.
  • Quatro feridos numa explosão e incêndio no complexo da Exxon em Baytown, Texas, uma das maiores instalações de refinação e petroquímica dos Estados Unidos. Reuters.
  • A Grande Sede do Iraque: Os agricultores desistem porque as alterações climáticas e a política secam uma terra outrora fértil. Nabih Bulos, Los Angeles Times.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Quem disse que Londres era a cidade mais congestionada do mundo por causa das ciclovias?

  • A semana passada muitos media ingleses embarcaram na propagação de dois mitos: (1) que Londres era a cidade mais congestionada do mundo e (2) que isso se devia às ciclovias e aos ciclistas. Peter Walker investigou e contou a estória no The Guardian, desmontando estas duas tretas. Segundo a sua investigação, tudo foi fabricado por Peter Lees, da Inrix, apoiado e divulgado pela agência de notícias PA Media. «Sem querer fazer de Hercule Poirot, penso que temos aqui uma sequência plausível de acontecimentos. Uma empresa que ganha o seu dinheiro com a indústria automóvel, e que faz parte da Porsche, tenta obter algumas relações públicas gratuitas, divulgando a sua investigação em termos discutíveis. O director da agência de  notícias faz uma entrevista e divulga a teoria extra, digna de notícia», diz Peter Walker. «Foi isto um estratagema planeado? Talvez nunca o saibamos», conclui.
  • Um jovem empreendedor ugandês está a construir sanitários públicos nos bairros de lata da capital do país, Kampala, utilizando serradura. A higiene da comunidade melhorou e os agricultores estão a usar subproduto das casas de banho como fertilizante para as suas terras. DW.

  • A Halliburton e a ExxonMobil estão em conversações sobre a possibilidade desta última de vender uma participação no campo petrolífero do Qurna-1 Ocidental no sul do Iraque. Energy Voice.

  • O Canadá perdeu quase 9,2 mil milhões de dólares em receitas entre 2015 e 2019 graças a reduções no imposto sobre o rendimento das empresas de petróleo, gás e carvão, de acordo com uma análise do Gabinete do Orçamento Parlamentar produzida a pedido da Senadora Rosa Galvez. The EnergyMix.
  • Uma empresa de cacau peruana que processou uma repórter de Mongabay por relatar a sua desflorestação na Amazónia também visou outros no que os advogados consideram parecer ser um padrão de intimidação.
  • O Banco Mundial, liderado pelo economista norte-americano David Malpass, pressionou para que a declaração conjunta dos bancos de desenvolvimento na cimeira climática de Glasgow fosse encurtada e enfraquecida. O Banco Mundial concede empréstimos e subsídios aos países mais pobres e é visto como crítica na distribuição de dinheiro ao mundo em desenvolvimento para ajudar a limitar o aquecimento global à medida que essas economias crescem. Tem sido atacado pela ONU, bem como por peritos em alterações climáticas, como o antigo vice-presidente dos EUA, Al Gore, que afirmou que o Banco Mundial tinha estado ausente em acção sobre o clima e que precisa de uma nova liderança. As difíceis negociações entre o grupo de bancos de desenvolvimento sobre o seu compromisso COP26 terminaram com a emissão de uma declaração que não incluía quaisquer objetivos ou prazos específicos. Financial Times, via Carbon Brief.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

República Checa processa Polónia por mineração ilegal

  • A República Checa vai processar a Polónia junto do Tribunal de Justiça Europeu por atividades de mineração ilegal na mina de carvão Túrow. A mina de linhito de Turow, localizada na fronteira da Polónia com a República Checa e a Alemanha, afeta negativamente a vida dos cidadãos locais, especialmente o abastecimento de água nas locaidades checas próximas das fronteiras. Aneta Zachová, EurActiv.
  • As autarquias locais britânicas que assumiram a emergência climática continuam a investir cerca de £ 10 mil milhões em combustíveis fósseis através de fundos de pensões dos seus funcionários, revelam estudos da Platform e dos Friends of the Earth. Só Greater Manchester, Strathclyde, West Midlands e West Yorkshire representam cerca de um quinto dos investimentos das autarquias locais em fundos de pensões em combustíveis fósseis, principalmente em ações da BP, da Shell e da BHP. Perante a evidente contradição, as autarquias ora dizem estar a rever as suas estratégias de investimento, ora dizem estar a investir fortemente em alternativas mais amigas do ambiente. O facto é que a descarbonização vai demorar. Fiona Harvey, The Guardian.
  • A cidade de Annapolis, Maryland, entrou com um processo acusando 26 empresas, incluindo a Exxon, a Shell e o American Petroleum Institute de não alertarem as autoridades estaduais sobre os perigos das alterações climáticas causada pelo homem. A ação alega que aquelas empresas sabiam há decécadas décadas que os impactos da crise climática poderiam ser catastróficos mas não alertaram as autoridades estaduais competentes. Alega-se ainda que, como resultado direto das empresas não alertarem sobre os efeitos do uso generalizado de combustíveis fósseis, Annapolis sofreu e continuará a sofrer graves prejuízos, nomeadamente inundação e perda de propriedade da cidade, inundação de propriedades históricas, propriedades privadas e empresas, com perda associada de receita tributária, prejuízo ou destruição de infraestrutura de propriedade ou operada pela cidade, entre outros. John Bowden, The Hill.
  • A corporatização da agricultura australiana continua acelerada. Quase 14% das terras agrícolas já pertencem a investidores estrangeiros que estão isentos do pagamento de impostos sobre ganhos de capital sobre direitos de água. Callum Foote, Michael West Media.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Alemanha: Volkswagen encerra centrais a carvão na sua fábrica de Wolfsburg

  • «O governo de António Costa já fixou a taxa de carbono que incide sobre os combustíveis para 2020 e o novo valor a pagar por cada litro de gasolina ou de gasóleo quase duplica. Os consumidores vão passar a pagar 5 cêntimos de imposto por litro de gasolina e 5,8 cêntimos no caso do gasóleo, quando em 2019 a taxa era de 2,8 cêntimos e 3,1 cêntimos por litro, respetivamente.» Expresso.
  • O Royal Bank of Scotland pondera deixar de financiar petrolíferas como a Shell e a BP, a menos que elas garantam que os seus negócios estão alinhados com o acordo climático de Paris. Reuters.
  • Os patrões da ExxonMobil pediram desculpas depois de intenso e prolongado «flaring» na sua petroquímica de Mossmorran, em Fife, Escócia. Muitos vizinhos usaram as redes sociais para denunciar a situação, alguns deles garantindo que o brilho das chamas iluminavam Edinburgo, a 12 milhas. A queima terá feito parte do trabalho para reiniciar as operações na fábrica de etileno, encerrada desde agosto passado para manutenção. Organizações ambientalistas exigem uma investigação rigorosa à ocorrência, uma vez que situação idêntica aconteceu em abril de 2019 no mesmo local. Energy Voice.
  • A Volkswagen vai encerrar duas centrais a carvão na sua principal fábrica de Wolfsburg, na Alemanha, e recusou ofertas para as vender. Estas centrais a carvão vão ser substituídas centrais a gás, uma etapa que a VW diz irá ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono da fábrica da VW em 60%. Reuters.
  • Um pequeno protesto no Ontário apoiando a comunidade índia dos Mohawks of Tyendinaga que bloqueia um oleoduto a milhares de quilómetros de distância provocou o caos nas redes ferroviárias entre Toronto, Montreal e Ottawa. NYTimes. E isso pode fazer esgotar o fornecimento de cloro para tratar a água que abastece muitas cidades, alerta a iHeart Radio.
  • A Federação de Professores de Filadélfia quer que o governador da Pensilvânia, Tom Wolf, declare o estado de emergência na sequência do encerramento de mais duas escolas públicas do ensino básico para limpeza do amianto e testes de qualidade do ar. Exige ainda o reforço de 170 milhões de dólares do Rainy Day Fund para promover a descontaminação e a melhoria das instalações escolares. Philly Voice.
  • Um estudo publicado na revista Saúde Pública revela que por cada dólar gasto na compra de agrotóxicos no Paraná, são gastos 1,28 dólar no Sistema Único de Saúde com tratamento de intoxicações que ocorrem logo após da aplicação. Mais: empresas recebem isenções de impostos de 10 biliões de reais por ano. Reportagem de Mariana Della Barba, Diego Junqueira e Pedro Grigori na APublica.
  • O governo do Nepal vai pagar 7,5 milhões de dólares a militares para recolherem 35 mil quilos de resíduos dos Himalaias, uma vez que foi praticamente impossível convencer os montanhistas profissionais a responderem ao pedido. BBC.

sábado, 24 de setembro de 2016

Mão pesada

Gerês. Imagem captada aqui.
  • A McFarland Cascade Holdings foi multada em 6 mil dólares por poluir o rio South Yamhill. Statesman Journal.
  • A ExxonMobil Corp. foi condenada a indemnizar o estado de Montana em 12 milhões de dólares pelo derrame num oleoduto, em 2011, que poluiu o rio Yellowstone. Reuters.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Petrolífera bloqueia presença de jornal

Salto Angel, Venezuela – a maior queda de água do mundo.
  • A Exxon rejeitou o pedido de presença de jornalista do The Guardian na sua assembleia geral anual que começou em Dallas, Texas. Argumento: falta de objetividade por parte do jornal sobre as alterações climáticas e alinhamento com ativistas anti petróleo e anti gás.
  • A Câmara dos Representantes aprovou a lei Zika Vector Control com o objetivo de ajudar a combater a eventual propagação do vírus Zika nos EUA. A oposição e os ambientalistas já denunciaram a atitude: o vírus Zika foi utilizado para permitir as zonas húmidas de serem pulverizadas com pesticidas. Think Progress.
  • Foi declarado o estado de emergência em 11 distritos da selva para combater a generalização do envenenamento da população por mercúrio provocado pela mineração ilegal de ouro. Vice.

sábado, 3 de outubro de 2015

Mão pesada

  • Dois indivíduos de Gateshead foram multados num totale 3.200 libras, estando um deles obrigrado a cumprir um ano de serviço comunitário por armazenagem e queima ilegal de resíduos. GovUK.
  • A Mosaic Fertilizer foi obrigada a pagar várias multas, sendo uma de 5 milhões de dólares ao governo dos EUA, outra de 1,55 milhões ao estado da Louisina e outra de 1,45 milhões à Florida por violações graves na gGestão e tratamento de resíduos perigosos nas 8 unidades que tem naqueles estados. Foi ainda intimada a investir 170 milhões em projetos para reduzir os impactos do tratamento desses resíduos e 2,2 milhões em dois projetos ambientais a nível local. Deverá, para além disso, criar um fundo de 1,8 biliões de dólares para o futuro encerramento de 4 das suas unidades EPA.
  • A Exxon foi multada em 2,63 milhões de dólares por responsabilidade no derrame de crude numa zona residencial de Arkansas em 2013. SEJ.