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sexta-feira, 29 de novembro de 2024

LEI DOS SOLOS: ALTERAÇÃO VIABILIZA CONSTRUÇÃO EM SOLOS RÚSTICOS

  • O governo de Luís Montenegro aprovou alteração à lei dos solos. “Flexibilizar o uso dos solos criando um regime excecional que permite que, por decisão da Assembleia Municipal, seja possível construir onde hoje não é possível, designadamente em solos classificados como rústicos”, explicou um ministro. Fonte

  • A Paróquia de Guetim pondera requalificar o Parque da Gruta da Lomba, com o apoio da Junta de Freguesia e da comunidade. O espaço está visivelmente degradado, coberto de folhagem e de ervas daninhas, mas os responsáveis dizem que não está ao abandono. Defesa de Espinho 28nov2024.
  • Rua da Portela, Anta, Espinho: fuga de água há mais de uma semana. Fonte.
  • A ANP|WWF vai remover o açude Horta do Fialho, localizado na Ribeira de Oeiras, que já não cumpre a função para a qual foi construído e que está apenas a obstruir o curso natural da ribeira. A remoção vai permitir restaurar a conectividade fluvial da Ribeira de Oeiras, recuperando 2,34 quilómetros desta ribeira e melhorando o seu estado ecológico. Vai ainda contribuir para melhorar não só a vegetação ripícola na área de intervenção, mas também o habitat para peixes nativos e espécies de mexilhões ameaçadas. Fonte.

TRATADO MUNDIAL SOBRE OS PLÁSTICOS: QUE MEDIDAS?

  • O Tratado Mundial sobre os Plásticos aborda a poluição por plásticos de forma abrangente. Esta semana, as negociações finais estão a decorrer em Busan, na República da Coreia. O movimento Break Free From Plastic exige medidas ambiciosas, incluindo limites obrigatórios para a produção de plástico virgem, proibições de produtos químicos tóxicos e objetivos juridicamente vinculativos para aumentar os sistemas de reutilização e recarga, rejeitando simultaneamente práticas nocivas como a incineração, os créditos de plástico e a reciclagem química. FonteA produção mundialde plástico triplicará nos próximos 40 anos, a menos que sejam efetuadas mudanças drásticas. Há uma tendência preocupante para o crescimento exponencial - dois terços de todo o plástico produzido desde 1950 foram fabricados nos últimos 20 anos.
  • Mais de cinquenta organizações ambientais de todo o mundo exigem que a Xunta e o governo central rejeitem o projeto da fábrica de pasta de papel da Altri. Consideram que há uma saturação das fábricas de pasta de papel na região e apelam ao fim da expansão das monoculturas de eucalipto. Fonte.
  • Estudo revela falhas na transparência de bases de dados para apuramento de crimes ambientais no Brasil. Fonte.

REFLEXÃO: QUAL É A VERDADEIRA PEGADA HÍDRICA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?


                                                                                                                      media.wired.com

A Espanha está a investir fortemente em infra-estruturas digitais e tem atualmente o ritmo mais rápido de expansão de centros de dados na Europa. Uma cidade da área metropolitana de Barcelona, Cerdanyola del Vallés, irá em breve albergar quatro novos centros de dados. Ainda é impossível calcular quantos recursos a infraestrutura de IA precisa para funcionar à escala - incluindo a água, um recurso que a Espanha está a esgotar rapidamente, com 78% da sua massa terrestre ameaçada pela desertificação. Ao optarem pelo crescimento impulsionado pela indústria da IA, será que os urbanistas espanhóis vão pôr em risco a sua água amanhã?

Quando a IA generativa começou a dominar as manchetes após o lançamento do ChatGPT da OpenAI em 2021, surgiram relatórios preocupantes sobre a quantidade de água e energia necessária para treinar um grande modelo linguístico. Agora que a tecnologia está a ser incorporada num número crescente de aplicações de consumo, desde aplicações de fitness à pesquisa do Google, está a tornar-se evidente que o problema não se limita ao processo de criação, mas também à sua utilização diária em massa. Isto deve-se às exigências de recursos dos centros de dados, os armazéns de computadores que processam todos os cliques e percursos que os utilizadores fazem em aplicações baseadas na nuvem, incluindo ferramentas de IA em linha. A computação em nuvem consome pouca energia do dispositivo do utilizador final, não porque a tecnologia tenha evoluído para um ponto em que o processamento é efémero - embora isso pareça ao utilizador final - mas porque o processamento é externalizado para um computador num centro de dados. Estas "quintas de servidores" exigem energia equivalente à da indústria pesada e funcionam ininterruptamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Dependem também de sistemas de arrefecimento para evitar o sobreaquecimento e o mau funcionamento das filas de servidores, que consomem eletricidade e água.

Há diferentes técnicas para arrefecer um centro de dados e, embora a escolha mais consciente do ponto de vista ambiental dependa da sua localização, a utilização de água ou de energia situa-se geralmente em extremos opostos de uma serra: se a utilização de uma for reduzida, a outra tem de ser aumentada para compensar. Se os operadores utilizarem o arrefecimento evaporativo - em que o ar quente do centro de dados é passado sobre a água e evaporado numa torre de arrefecimento - o consumo de eletricidade cairá a pique, mas são necessárias enormes quantidades de água. Se utilizarem um sistema de circuito fechado - em que a água é arrefecida com ar condicionado e canalizada para arrefecer os servidores, voltando a ser arrefecida novamente - os operadores utilizarão muito menos água, mas uma grande quantidade de eletricidade. A maioria dos centros de dados modernos combina um destes métodos com algum grau de arrefecimento livre que, como o nome sugere, envolve a utilização de ventoinhas para soprar ar fresco do exterior para os servidores. No entanto, exceto em circunstâncias muito raras, este método não é suficiente por si só. Em suma, não há como contornar o facto de os centros de dados consumirem água.

Os centros de dados que suportam aplicações de IA consomem uma quantidade particularmente grande de energia e água para funcionar devido aos seus processadores especializados, unidades de processamento gráfico (GPUs). As previsões climáticas pré-pandémicas da Big Tech não tiveram em conta as necessidades energéticas da utilização desenfreada da IA.

Por exemplo, o ChatGPT necessita de até três garrafas de água para gerar um único e-mail de 100 palavras. Se a procura global de IA mantiver a sua trajetória atual, as melhores estimativas colocam a sua retirada de água em cerca de 4,2 a 6,6 mil milhões de metros cúbicos até 2027; o equivalente ao consumo anual de metade do Reino Unido.

Embora os centros de dados existam desde a década de 1990, as empresas que os operam nunca foram obrigadas por lei a comunicar os números relativos ao consumo de água. Ainda no ano passado, no meio do que os especialistas da ONU rotularam de crise mundial da água, apenas 41% dos operadores de centros de dados comunicaram qualquer métrica de utilização de água. O setor dos centros de dados é notoriamente privado, com intervenientes importantes como a Google a fazerem lóbi publicamente para que esta informação permaneça um segredo comercial. Estas instalações são talvez a derradeira metáfora física da "caixa negra" algorítmica e tornaram-se uma espécie de objeto fetiche para os investigadores das humanidades digitais. Para entrar num deles é geralmente necessário um passaporte ou outra identificação governamental, e são frequentemente ocultos no Google Maps.

Entre o secretismo da indústria e a complexidade de fazer cálculos exatos graças ao nexo água-energia, não há formas fiáveis de estimar a quantidade de água que um centro de dados de IA irá utilizar. Assim sendo, é de esperar que os urbanistas os abordem com cautela, especialmente os que se situam em zonas com escassez de água - das quais Espanha é uma das mais industrializadas do mundo. A primavera de 2024 assistiu à pior seca de que há registo na região nordeste da Catalunha. No auge da crise, o reservatório que abastece a área metropolitana de Barcelona, incluindo Cerdanyola, desceu para 15% da sua capacidade. Foi declarado o estado de emergência e foram adotadas uma série de leis temporárias. As icónicas fontes públicas de Barcelona foram desligadas e foram introduzidos limites diários de água a nível dos cidadãos. O setor agrícola, responsável por um pouco menos de um quinto do PIB da região, foi obrigado a reduzir o seu consumo em 80%, uma medida que deu origem a bloqueios de tratores nas ruas principais de Barcelona.

O futuro da água em Barcelona é precário e poucas das soluções propostas pelos políticos locais são isentas de controvérsia. Falou-se em trazer água fresca de barco de Marselha ou por condutas do Ebro, um rio mais a sul, mas a opção escolhida, ao que parece, foi investir 500 milhões de euros em centrais de dessalinização flutuantes.

O plano de dessalinização foi criticado pelos 30 grupos de campanha envolvidos no debate em torno das questões de gestão da água em Barcelona, que se reúnem na Cimera Social da Água (Cimera Social de l'Aigua). Em nome da Plataforma Defensa de l'Ebre, Matilde Font Ten disse:

‘Estamos a consumir muito mais água do que a que temos disponível. As alterações climáticas estão a reduzir os níveis de precipitação, a diminuir os caudais dos rios e a provocar a subida do nível do mar. Combinados, estes fatores oferecem pouca esperança de um futuro sustentável para a água na Catalunha. Para que os cidadãos possam ter um futuro com menos doenças e melhor saúde, é fundamental usufruir de um ambiente saudável. Esta deveria ser a prioridade de qualquer governo, em vez de colocar as preocupações económicas acima de outros sectores.’

A COP29 apela à recuperação dos aquíferos para aumentar a capacidade de recarga de água da região a longo prazo, bem como a uma informação transparente sobre a quantidade de água utilizada pelos vários segmentos da sociedade, o que poderia servir de base para reduções. O problema com esta sugestão é que, de acordo com a legislação regional, os dados relativos ao consumo de água dos consumidores industriais estão protegidos da publicação devido à sua ligação aos dados fiscais, que são legalmente considerados sensíveis.

A expansão dos centros de dados em Cerdanyola torná-la-á um dos, se não o mais importante centro de dados em Espanha. Os dois maiores serão um centro de dados de 42 megawatts explorado por uma imobiliária norte-americana, a Panattoni, e um de 60 megawatts da AQ Compute, uma filial da empresa de investimento alemã Aquila Capital. Para colocar a sua escala em perspetiva, um único megawatt de energia pode alimentar uma média de 173 casas nos EUA. Até há relativamente pouco tempo, os únicos centros de dados desta dimensão eram os "hiperescaladores", construídos em nome de um gigante da tecnologia como a Google ou a Meta, mas agora estão a ser construídos cada vez mais por empresas menos conhecidas, para as quais os centros de dados são uma atividade secundária lucrativa, em vez de uma oferta principal. Esses centros de dados não têm o mesmo escrutínio público das suas credenciais de sustentabilidade.

Carlos Dapena, responsável pelo projeto do parque industrial de Cerdanyola, o Parc de l'Alba, explica que os centros de dados da cidade serão arrefecidos com "arrefecedores de condensação a ar que evitam o consumo de água potável" e que nenhum dos centros de dados que virão para a cidade pediu autorização para uma quantidade anormal de água para uma atividade no parque industrial.

Mas há precedentes de operadores de centros de dados que subestimam a quantidade de água que os seus serviços irão consumir. No início deste ano, a Meta anunciou planos para construir a sua sede no Sul da Europa na cidade espanhola de Talavera de la Reina - planos que, segundo o governo local, utilizariam "pouca ou nenhuma" água. Quando os pormenores foram divulgados, sob pressão do grupo de activistas Tu Nube Seca Mi Río (A Tua Nuvem Seca o Meu Rio), veio a lume que o projeto consumiria 665,4 milhões de litros de água por ano - apesar dos meros 40,6 milhões que lhe foram atribuídos nos acordos municipais. Não se trata de um incidente isolado; em 2022, descobriu-se que um centro de dados nos Países Baixos consumia mais de quatro vezes a quantidade de água que o seu operador alegava. Quando a Microsoft avaliou a pegada hídrica de um dos seus centros de dados no Texas, descobriu que o verdadeiro custo da água era 11 vezes superior ao que estava a pagar.

De acordo com a imprensa tecnológica e as publicações comerciais do sector, o problema da água nos centros de dados está sempre prestes a ser resolvido, seja com chips mais eficientes ou com o advento da energia de fusão limpa. Houve muito alarido em torno da descoberta de que é agora, tecnicamente, possível arrefecer um centro de dados sem água. No entanto, a viabilidade de gerir centros de dados em grande escala sem recursos hídricos consideráveis é geralmente exagerada. O centro de dados subaquático da Microsoft, por exemplo, um exemplo frequentemente citado dos avanços de arrefecimento da indústria, fechou no início deste ano. O ritmo acelerado de expansão está a ultrapassar de longe a procura de soluções técnicas revolucionárias.

Uma minoria de profissionais do setor dos centros de dados admite-o abertamente. John Booth é um consultor em sustentabilidade de centros de dados e uma voz franca no setor. Embora acredite que o setor tenha melhorado consideravelmente as práticas nos últimos dez anos, Booth ainda vê os centros de dados como longe da questão da sustentabilidade.

Booth é coautor de uma nova Diretiva de Eficiência Energética da UE (EED) que vai forçar os operadores a apresentar relatórios sobre a questão. A legislação, que entrou em vigor em setembro de 2024, exige que os centros de dados europeus comuniquem 14 itens de utilização de recursos, incluindo o seu consumo de água e a quantidade de água proveniente de fontes potáveis. Espera-se que, com o tempo, isto conduza às primeiras referências verdadeiramente representativas da pegada de recursos dos centros de dados.

Sem oposição e sem planos disponíveis para discussão pública, a pegada hídrica dos centros de dados planeados para Cerdanyola parece, à primeira vista, não ser um problema. Afinal, para colher os benefícios económicos do boom da IA, a sua infraestrutura tem de estar localizada algures - e Barcelona, com o seu ecossistema saudável de empresas tecnológicas, parece estar entre os beneficiários. Mas com tão pouca clareza sobre a utilização dos recursos, como podem os planeadores urbanos pesar os potenciais benefícios de tais infra-estruturas em relação ao efeito sobre os recursos hídricos, e muito menos comunicá-los suficientemente para que os cidadãos tenham uma palavra a dizer?

Um primeiro passo seria encomendar mais avaliações independentes dos efeitos dos centros de dados na área que albergam. Com demasiada frequência, os relatórios de impacto são patrocinados pelo próprio setor e as conclusões são tiradas antes da investigação. No caso de Barcelona, foi recentemente publicado um panfleto que explica que, graças a "um círculo virtuoso entre inovação e desenvolvimento económico", os investimentos em centros de dados de 1,04 mil milhões de euros renderão sete vezes mais. O panfleto é da autoria da Digital Realty, uma empresa de centros de dados presente na cidade. O problema não é apenas que as avaliações tendenciosas pesam no ganho económico de uma área sobre questões relacionadas com a sua segurança hídrica; os poucos relatórios não industriais realizados sobre este tópico revelam que não é claro se os centros de dados trazem benefícios financeiros significativos para a sua área de acolhimento. Em 2016, uma análise da Good Jobs First concluiu que os subsídios estatais dos EUA pagam 2 milhões de dólares por cada emprego criado num centro de dados.

Esses relatórios independentes também poderiam ser instrutivos para os operadores de centros de dados. Atualmente, as empresas enfrentam um dilema quando decidem onde construir os seus centros de dados. Se "seguirem o sol" e localizarem os seus armazéns em locais quentes como Cerdanyola, necessitarão de uma quantidade considerável de água para arrefecimento, mas podem aceder a energia solar abundante, o que significa que necessitarão de menos utilização de água de "âmbito 2". Se "não seguirem o sol" e os localizarem em regiões mais frias, utilizarão menos água diretamente, mas com menos acesso a energia solar renovável, provavelmente terão de aumentar o seu consumo de combustíveis fósseis, aumentando a utilização de água de âmbito 2. Isso seria menos intensivo em termos de recursos e, por conseguinte, mais barato e potencialmente mais fácil de gerir através da teia de leis de sustentabilidade da UE. Seria útil dispor de números concretos para responder a esta questão.

Em segundo lugar, se, como parece, os centros de dados representam uma carga considerável para os recursos hídricos do local onde se encontram, seria sensato garantir que não se concentram numa única área, talvez através de um planeamento nacional centralizado. Os centros de dados tendem a multiplicar-se em tamanho, uma vez que há uma vantagem de conetividade em colocar um perto do outro. Isto levou a uma situação em que quatro cidades europeias se tornaram os locais preferidos dos operadores para a construção - Frankfurt, Londres, Amesterdão e Paris. Embora Cerdanyola possa ter a capacidade de recursos para acolher um ou dois centros de dados planeados com cautela, permitir que uma área com problemas de água se transforme num grande centro de centros de dados seria claramente insensato.

No entanto, estas são apenas soluções parciais. Infelizmente, a única solução duradoura para o problema da localização das infra-estruturas que consomem muita água num planeta que está a secar tem de passar pela redução da procura. Isto exigiria uma reavaliação da velocidade e da amplitude da adoção da IA em todas as facetas da vida do consumidor. Com base no que sabemos sobre a pegada hídrica da IA, parece irresponsável que o Google, operador do motor de busca mais utilizado do mundo, tenha integrado a tecnologia em todas as pesquisas por defeito. Até porque os resumos da IA têm mais probabilidades de serem incorretos do que os resultados de pesquisa tradicionais. A IA está a ser implementada em massa, independentemente de ser a ferramenta mais adequada para uma determinada tarefa. Do ponto de vista da utilização de recursos, utilizar o ChatGPT para gerar um e-mail de 100 palavras é como desentupir a casa de banho com uma barra de dinamite. Sim, vai funcionar, mas havia caminhos que poderia ter tentado primeiro e que fariam o trabalho de forma mais fiável - e sem danificar o seu ambiente imediato.

Neste momento, as bacias internas da Catalunha estão a atingir pouco mais de 30% da sua capacidade. No entanto, o futuro da água na região é incerto e é impossível avaliar em que medida os grandes centros de dados de Cerdanyola o afectarão. Numa crise climática, em que qualquer grande consumidor de água deve ser avaliado, é absurdo que os centros de dados não tenham de declarar os seus números. Se essa declaração fosse pública, o imaginário popular da IA como algo que só existe no mundo imaterial do ciberespaço poderia mudar para algo coerente com os seus impactos ambientais. Com essa mudança, pareceria correto reservar a tecnologia para situações que mereçam uma solução com recursos intensivos. Os operadores de centros de dados podem também ter um nível de responsabilidade local proporcional ao seu impacto local. Na ausência de números concretos, só podemos esperar que as definições do operador de "praticamente nenhuma" utilização de água sejam feitas de boa fé.

Miranda Gabbott, Tech Policy Press.


BICO CALADO

  • Gouveia e Melo: o “Messias” da Marinha ou o naufrágio da Democracia? António Garcia Pereira, Notícias Online.
  • “(…) Quem não tem vergonha todo o mundo é seu. Pinto Balsemão não é conhecido por ser uma personalidade coerente, nem ter um pensamento político estruturado, nem sequer por se orientar por princípios. A cultura das tias de Cascais e dos meninos da Quinta da Marinha não produz exemplares de caráter. Nem fiáveis. É malta mais de canapés do que de boa fé. Mais de valores da bolsa do que dos de inteligência moral. Pinto Balsemão abrilhantou com um toque de modernidade e burguesia pós II Guerra a ditadura do Estado Novo. Foi deputado de uma ditadura. Fundou um jornal importante para lavar a cara da ditadura. Mas quanto a ditaduras e Balsemão, ele deve estar convenientemente esquecido que foi chefe do 8º governo constitucional de 1983 a 1985. Não viu qualquer inconveniente em defender regimes como a ditadura brasileira (1964-1988) e a do Chile (1973-1990) e de defender o regime de ditadura teocrática da Arábia Saudita. (…)” Carlos Matos Gomes, A cultura das tias de Cascais.
  • TOMAR: Assembleia Municipal não se realizou devido a não estarem presentes a maioria dos deputados eleitos que compõem o órgão. Com as ausências do PS, CDU, BE e os Independentes do Nordeste, apenas os deputados do PSD, CDS e Chega marcaram presença na sessão que pretendia comemorar o 25 de Novembro de 1975Fonte.
  • Comentador Ireneu Teixeira do NOW justifica divulgação de informações falsas com “falta de tempo” para as confirmar. Fonte.
  • A longo prazo, as interações repetidas com chatbots podem diminuir a nossa paciência e capacidade de lidar com conflitos e aceitar as imperfeições naturais das interações interpessoais. Cristian Augusto Gonzalez Arias, A empatia artificial do ChatGPT é um truque de linguagem. Eis como funciona – The Conversation.
  • No início da época de férias, os empregados de limpeza dos aviões de Charlotte, Carolina do Norte, ficam sem abrigo e passam fome. Fonte.
  • Brasil Paralelo: programa que capta ‘mecenas’ para combater a esquerda já chegou a 284 escolas e ONGs. Fonte.
  • Israel troca a ajuda alimentar que entra em Gaza por sacos de areia. Fonte.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

ERSAR PASSA A FIXAR TARIFAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO

Cascatas do Rio Poio, Alvão

  • O governo de Luís Montenegro volta a retirar competências aos Municípios, atribuindo à Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos as competências para a fixação das tarifas de abastecimento de água e saneamento. A juntar a esta medida, tem havido aumentos da taxa geral de resíduos, que vieram onerar não só a despesa das autarquias no que diz respeito ao tratamento dos resíduos sólidos urbanos, mas também a fatura da água das populações. Também aqui a ERSAR tem vindo a impor o aumento do valor da tarifa, sem nunca propor outra solução que vise minimizar o impacto financeiro destas medidas sobre os orçamentos municipais. Fonte.

  • O regato do Bolhão, também conhecido por Ribeira de Fiães, afluente do rio Uima voltou a correr branca. Apesar de várias denúncias a quem de direito, o crime persiste, denuncia a Quercus Aveiro, que apela à comunidade a ação pela defesa da Ribeira de Fiães e a partilha deste crime ambiental.
  • 25% as famílias residentes no concelho de Barcelos recusam-se a ligar à rede pública de saneamento e de água, apesar de terem as infraestruturas à porta, prontas a ligar e continuam a optar por meios mais rudimentares, como fossas sépticas. Fonte.
  • A Câmara de Torres Novas considera que a fábrica da Cratoliva, instalada em Parceiros de Igreja e responsável pelo processamento de bagaço de azeitona, não tem condições para continuar a laborar por causa dos constantes maus cheiros que emite e que são motivo de queixas da vizinhança. Por isso, deu um prazo de 3 meses à empresa para regularização e legalização de alguns licenciamentos, após uma vistoria efetuada às instalações da fábrica. A empresa veio dizer que já encomendou um eletrofiltro, que será montado até ao final do ano, para evitar os fumos e os cheiros. Recorde-se que em Julho de 2024, esta fábrica foi alvo de uma operação da ASAE, tendo sido instaurado um processo-crime por suspeita de fraude sobre mercadorias e apreendidos 18.200 litros de óleo alimentar e 177.690 rótulos com menção de azeite. Fonte.

REINO UNIDO: PRAIAS CONTAMINADAS POR ESGOTOS NÃO TRATADOS DUPLICARAM

Bexhill beach/BBC

  • O número de águas balneares monitorizadas em Inglaterra classificadas como medíocres e impróprias para nadar mais do que duplicou, de 18 para 37. Apenas 53% dos locais em rios/lagos cumpriram as normas mínimas. Fonte.
  • O Maine juntou-se a um grupo de oito outros estados norte-americanos que processaram grandes empresas de petróleo e gás por enganarem o público sobre o papel dos seus produtos na crise climática. Fonte.
  • A soja usada para alimentar galinhas europeias tem implicações no desmatamento no Cerrado brasileiro, sendo dois dos produtores certificados pela Mesa Redonda sobre Soja Responsável (RTRS), que fornece um selo de sustentabilidade para mais de 66.000 produtores de soja. Este caso lança dúvidas sobre a eficácia dos sistemas de certificação na limpeza das cadeias de abastecimento. A RTRS baseia-se, em grande parte, na venda de 'créditos', que as empresas podem comprar para afirmar que estão apoiando a produção responsável de soja. No entanto, isso não significa que eles parem de comprar soja ligada ao desmatamento ou a violações dos direitos humanos. O sistema de créditos da RTRS dá aos consumidores globais uma imagem enganosa de sustentabilidade, enquanto desencoraja as empresas de tomar medidas significativas para abordar os impactos de suas cadeias de suprimentos. Mas mesmo se a norma fosse reforçada, a eficácia do regime continuaria a ser prejudicada pela aplicação fraca e por um processo de auditoria com falhas. Fonte.


  • PFAS: os perigos das substâncias químicas “eternas”

REFLEXÃO: A SEDE E A POLUIÇÃO DA ÁGUA PODEM SER USADAS COMO ARMAS DE GUERRA?

Palestinianos enchem contentores com água em Beit Lahia, no norte da Faixa de Gaza, a 3 de novembro de 2024. - © AFP

Israel está a usar a sede da população de Gaza e a poluição da água como armas de guerra. Em julho de 2024, a Oxfam calculou que a quantidade média de água disponível em Gaza era de pouco menos de 5 litros por pessoa e por dia, em comparação com os 15 litros diários considerados necessários para a sobrevivência numa situação de emergência, de acordo com as Nações Unidas.

Os habitantes de Gaza utilizam agora águas residuais não tratadas para se lavarem a si próprios e à sua roupa. E enquanto alguns fazem sistemas dedessalinização improvisados com seixos, areia, carvão e algodão, cada vez mais crianças estão a matar a sede em poças de água contaminada porresíduos.

A utilização da água como instrumento por parte de Israel não é imediatamente visível nas imagens cataclísmicas que nos chegam das fontes noticiosas locais. Todo um sistema emerge da repetição de ações denunciadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por várias ONG: a destruição ou a danificação de mais de dois terços dos poços e dos reservatórios de água, bem como das instalações de dessalinização; a desativação das bombas e das instalações de dessalinização ainda operacionais, através da obstrução do fornecimento de combustível, como acontece atualmente no norte de Gaza; a desativação de todas as instalações de tratamento de águas residuais; a interrupção total ou parcial do fornecimento de água pela empresa nacional israelita Mekorot, cujas três linhas apenas forneceram 22% das quantidades anteriormente fornecidas desde 7 de outubro de 2023; a destruição dos dois únicos laboratórios de controlo da qualidade da água; a contaminação das fontes de água e da costa mediterrânica por águas residuais e por metais pesados e tóxicos (fósforo branco, amianto, etc.) provenientes de armas e detritos da Faixa de Gaza.) provenientes das armas e dos detritos; o bloqueio dos equipamentos necessários para reparar as infra-estruturas hídricas destruídas; as deslocações forçadas que tornam inacessíveis certas instalações ainda em funcionamento; os assassínios de profissionais que trabalham nas infra-estruturas; os assassínios de civis que se ocupam do abastecimento de água…

A sujeição metódica da população de Gaza à sede e à poluição é um dos atos de genocídio em curso. A sua natureza intencional foi explicitada nas declarações de vários políticos israelitas, como Giora Eiland, conselheiro do Ministro da Defesa, que afirmou a 10 de outubro de 2023 na GLZ, a estação de rádio do exército israelita: "Se a escassez de energia em Gaza impossibilitar o bombeamento de água, isso será bom. Caso contrário, teremos de atacar as infra-estruturas de tratamento de água para provocar sede e fome em Gaza e, diria eu, pressagiar uma crise económica e humanitária sem precedentes."

Não faltam provas de que estas declarações estão a ser postas em prática. Em 26 de julho de 2024, por exemplo, um soldado israelita do 601º Batalhão de Combate de Engenheiros publicou um vídeo mostrando a destruição premeditada de uma importante instalação em Rafah, capaz de fornecer água potável a metade da população da cidade.

A situação é tal que as doenças transmitidas pela água (hepatite A, poliomielite, cólera, disenteria, diarreia aguda, febre tifoide) e a desidratação estão a proliferar. 669 000 casos de diarreia, uma das principais causas de mortalidade infantil, foram registados desde 7 de outubro de 2023 pelo Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas, que também estimou, no final de setembro, que 76% dos hospitais parcialmente em funcionamento não dispunham de abastecimento de água suficiente.

Mesmo que a guerra terminasse amanhã, Gaza permaneceria inabitável durante muito tempo. Centenas de milhares de m3 de águas residuais continuarão a correr para o mar durante vários anos após o fim dos bombardeamentos, condenando a vida marinha e as atividades de pesca.

À destruição das infra-estruturas hídricas junta-se a poluição que resultará de todas as outras destruições de edifícios, as dezenas de milhões de detritos (incluindo 800.000 toneladas potencialmente contendoamianto) que, para além de provocarem doenças respiratórias e cancro através do ar, contaminarão o aquífero já poluído pelas escorrências.

William Mina, Tribune/Reporterre.

BICO CALADO

Tomar na rede.

  • Tomar tem um novo mural artístico dedicado a Salgueiro Maia. É da pintora Sílvia Marieta e está no antigo colégio Nuno Álvares. Fonte.
  • A hipocrisia e o anti-jornalismo do jornal PÚBLICO. Nuno Machado, The Blind Spot.
  • Num noticiário do canal NOW, na passada sexta-feira, [22nov2024] o comentador Ireneu Teixeira mostrou um vídeo em que, na Fox News, uma ex-juíza e apresentadora americana exclamava “Bomb them! [bombardeiem-nos!]” repetidas vezes – interpretando-o como uma intenção dos EUA de bombardear a Rússia. No entanto, é falso que, como afirmou o comentador, o vídeo tenha sido transmitido no dia anterior e que os apelos da apresentadora tivessem como alvo os russos. Na verdade, as declarações datam de 2014, e visavam o Estado Islâmico. Esta não é a primeira vez que Ireneu Teixeira, antigo jornalista desportivo e casado com uma cidadã ucraniana, tem espalhado desinformação sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Recentemente, alegou no mesmo canal que 30% da população russa nunca tinha visto sanitas e eletrodomésticos. Fonte.
  • “(…) Os únicos que ficaram de fora, quer dos governos provisórios, quer da maioria de 93% dos deputados que aprovaram a Constituição, foram o CDS e, como é mais do que evidente, a extrema-direita (por definição) armada, que, uma vez tendo Spínola perdido a batalha da descolonização, optou diretamente pelo golpe (11 de Março) e pelo terrorismo do Verão Quente e dos meses seguintes ao 25 de Novembro (16 mortos, todos sem verem justiça feita até hoje). São estes e os seus herdeiros (o CDS, o Chega, a IL), que, sem nunca terem deixado de comemorar o 25 de Novembro, conseguiram arrastar o PSD para a deplorável cerimónia de anteontem no Parlamento. Os mesmos que, na campanha para a reeleição de 1980, gritavam “Eanes cheira mal, cheira a Cunhal!” hoje desfazem-se em elogios ao homem que, se fosse reeleito, Sá Carneiro declarara não aceitar continuar como primeiro-ministro...(…)” Manuel Loff, Público 27nov2024.
  • Neste dia, os povos indígenas e os seus aliados confrontam as narrativas coloniais dos colonos sobre o "Dia de Ação de Graças", observando-o antes como um Dia Nacional de Luto. A história branqueada de unidade com o povo Wampanoag - que há muito vive no sudeste de Massachusetts e no leste de Rhode Island - obscurece a verdadeira história e a violência contínua contra a vida indígena. Fonte.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

COMISSÃO EUROPEIA VAI SIMPLIFICAR LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PARA IMPULSIONAR INDÚSTRIA E ECONOMIA

  • A Comissão Europeia vai simplificar radicalmente as regulamentações verdes da UE, numa tentativa de impulsionar a indústria europeia em dificuldades e competir com economias de crescimento mais rápido na Ásia e na América. As mudanças afetarão três leis que obrigam as empresas a assumir mais responsabilidade pelos seus impactos ambientais. As empresas queixaram-se de que estas regras eram complicadas e onerosas e sufocavam a competitividade da Europa. É um afastamento decisivo do programa Green Deal dos últimos cinco anos, que colocou o clima e o ambiente no centro da legislação europeia. Reflete também a nova realidade política da Europa, onde uma mudança para a direita nos governos nacionais e no Parlamento Europeu trouxe um ceticismo crescente sobre as regulamentações ambientais da Europa. Fonte.
  • Uma auditoria realizada pelo Alto Comissariado para a Energia Atómica revela que muitas empresas subvencionadas em fase de arranque no sector nuclear não cumprirão as suas promessas. Fonte.
  • O Prémio Nobel da Paz de 2024 foi atribuído à Nihon Hidankyo, uma organização popular japonesa criada por sobreviventes dos bombardeamentos atómicos norte-americanos de Hiroshima e Nagasaki em 1945. A Nihon Hidankyo forneceu milhares de relatos de testemunhas e apelos públicos dos sobreviventes, conhecidos como hibakusha, e enviou delegações anuais à ONU. Fonte.

BICO CALADO

  • “Celebrar o 25 de Novembro sem referir Kissinger e Carlucci é tão sério, ou tão desonesto, como celebrar o Santo António sem falar do Santo, ou como celebrar a invenção da guilhotina sem referir o doutor Guilhotin, ou festejar o estratagema do Cavalo de Troia sem lembrar Odisseu, o pai da ideia e Epseu o seu ajudante. Pois foi o que fizeram os participantes da farsa. Podiam ter estudado. Ou terem um pingo de vergonha. Ficam aqui as fotos dos autores, os soldados desconhecidos do 25 de Novembro - ou são clandestinos a quem o Ventura anda atrás a farejar?” Carlos Matos Gomes.
  • “(…) O que acabou em 25 de novembro foram 19 meses de democracia participativa como nunca se viveu antes na história de Portugal. A contra revolução não nos “salvou” de ditadura soviética, impôs sim um regime de democracia formal nas eleições, e ditadura, cada vez mais severa, nos locais de trabalho, retirando a voz a quem nas fábricas, escolas, hospitais e serviços geriu ( com uma eficácia sem paralelo) este país por 19 meses mostrando que era possível viver de outra forma. Não lhes pergunto onde estavam no 25 de novembro claro, já sabemos, mas onde estão hoje face à NATO e a Israel. Porque é isso que se debate na AR a propósito do 25 de Novembro. Onde estão face ao rearmamento da Europa e ao genocídio em Gaza, hoje?” Raquel Varela.

  • O programa Entrevista Central, da TSF, de 22 de novembro de 2024, entrevistou Isabel do Carmo, médica endocrinologista e ativista política envolvida na resistência armada à ditadura fascista em Portugal. Foi co-fundadora das Brigadas Revolucionárias, organização responsável por várias ações bombistas levadas a cabo nesse período. 50 anos de democracia depois, garante que, mesmo com medo, não se arrepende de nada do que fez e continua a afirmar que a ação pela força era “indispensável” para mudar o paradigma político do país. Isabel do Carmo assume que foi uma das derrotadas no 25 de Novembro de 1975, e lamenta que a data tenha colocado um ponto final num período em que, na sua opinião, Portugal “foi o país mais livre da Europa e talvez do Mundo”.
  • O número de palestinianos que chegaram ao Canadá em dez meses está muito longe dos cerca de 300.000 ucranianos que chegaram ao país desde 2022, ao abrigo de um programa semelhante para o qual foram processados quase um milhão de pedidos. Fonte.
  • No casino da Guerra as pessoas são encaradas como fichas. António Gil, Substack.
  • Ex-ministra acusada de crimes de guerra vem a Portugal. Tzipi Livni integrou o gabinete de guerra israelita nos massacres de Gaza em 2008 e 2009. Desde então já cancelou viagens ao Reino Unido e à Bélgica, onde a justiça a quis interrogar pelos crimes de guerra de que foi responsável. O Movimento BDS diz que “continua a ser uma obrigação legal e uma prioridade prender a criminosa de guerra Tzipi Livni se ela entrar em território português”. Fonte.
  • Israel usou armas americanas no ataque que matou 3 jornalistas enquanto dormiam, tendo ferido outros três jornalistas nos alojamentos próximos do alvo atingido na madrugada de 25 de outubro. Fonte.

  • Israel fez questão de visar os líderes locais eleitos durante a sua invasão, matando vários presidentes de câmara no Sul. Fonte.
  • O exército israelita fez-se acompanhar por um arqueólogo na sua invasão do Sul do Líbano para procurar provas da antiga ocupação hebraica - para justificar a anexação. Na altura da sua morte, encontrava-se no local do santuário do Profeta Shamoun Al-Safa, que os cristãos conhecem como Simão Pedro, o primeiro Papa. É um reflexo da loucura da ideologia sionista o facto de uma invasão armada ser acompanhada por arqueólogos que a justificam. É altamente provável que, há milhares de anos, houvesse hebreus no Sul do Líbano. A ideia de que isso justifica a anexação é tão lunática que é difícil de descrever. No mesmo período, a Suíça foi ocupada pelos Celtas. A cultura de La Tène é uma das várias culturas celtas que se estabeleceram na Suíça durante o período clássico. Eventualmente, o povo celta e a sua cultura deslocaram-se, como fazem os povos ao longo de milénios. Mas se eu dissesse "sou celta" e exigisse o direito de me mudar para Genebra, ocupar a casa de alguém e atirá-lo para a rua, hoje em dia, diriam que sou um lunático. Ninguém aceitaria que os escoceses ou os irlandeses reclamassem terras na Suíça. E com razão. No entanto, essa é de facto a premissa do sionismo. E, espantosamente, Keir Starmer, Joe Biden, David Lammy, Donald Trump, Ursula von der Leyen e a maioria da população de Estados como a Alemanha e os EUA subscrevem de facto este absurdo, místico e medievalista.” Craig Murray.

  • “Encontre a sua felicidade e continue a lutar ferozmente, sem dar muita importância ao facto de os seus esforços serem hoje bem ou mal sucedidos. Tudo o que podemos fazer é continuar a lançar nosso punhado de areia nas engrenagens da máquina, sabendo que um dia, com areia suficiente, tudo vai começar a parar. Entretanto, não há nenhuma boa razão para desperdiçarmos o nosso tempo nesta terra privando-nos da felicidade.” Caitlin Johnstone, In The Fight Against Tyranny, Don't Let Your Happiness Depend On Big WinsSubstack.
  • A Câmara da Mealhada aprovou a atribuição de apoios financeiros à Associação de Carnaval da Bairrada e às escolas de samba para realização do Carnaval Luso-Brasileiro 2025, num total de 73.715 euros. Fonte.

LEITURAS À MARGEM

“Fala-se muito do Jaime Neves. O Jaime Neves era, naquela hierarquia militar, um comandado, isto é, um subordinado do Major Eanes. As outras unidades da região militar de Lisboa estavam sob as ordens do brigadeiro Vasco Lourenço. O próprio Salgueiro Maia, quando veio de Santarém com as suas tropas de cavalaria, tal como tinha feito no 25 de Abril, conseguiu a rendição pacífica do Regimento de Artilharia de Lisboa, que era um Regimento que nós tínhamos como esquerdista e fora de controle. Conseguiu pela palavra, tal como tinha feito no dia 25 de Abril de 74, pela sua coragem, pela sua persistência em não utilizar a violência, ele conseguiu que o Regimento se rendesse. (…) Ouviu algum político falar no general Costa Gomes? Só historiadores, só a Academia é que poderá falar, porque o resto são fogos-fátuos, são demagogias, são tentativas de apropriação política de nomes. (…)

Nós ouvimos estes betinhos, porque eu lhes chamo betos porque não viveram os acontecimentos (…) estes que agora são os políticos e mandam no país. Eles não sabem o que é que aconteceu, inventam, na cabeça deles, um Governo comunista. Não havia Governo comunista, nunca houve, mas muito menos em novembro, porque o quinto Governo, que era o único que podia ser chamado de grande influência do Partido Comunista, caiu ao fim de 30 dias, em setembro. (…) O Otelo não fez nada. Apareceu no Conselho da Revolução, na Presidência da República, onde estava reunido o Conselho da Revolução em ação permanente. (…) acabou por ser preso, saiu do Conselho da Revolução ele e o Fabião. E depois, infelizmente, para os homens do 25 de Abril, para nós que fizemos o 25 de Abril com os riscos inerentes, mas também com a vontade e com entusiasmo inerentes, uma das coisas piores que nos aconteceu foi o Otelo ter-se metido como uma máfia de bandidos. Isso foi o pior que nos aconteceu, porque durante estes anos todos, a direita aproveitou isso. E depois ele morreu e, como as pessoas não tiveram coragem de dizer, independentemente do que este homem fez, ele é o protagonista, o comandante militar das tropas que derrubaram a ditadura, o homem foi enterrado e não lhe prestaram a mínima homenagem, nem António Costa nem Marcelo Rebelo de Sousa. Não tiveram coragem. (…) A extrema-direita tinha um ídolo na altura - que ainda hoje tem -, que era o Major Jaime Neves. (…) há um jornalista que grava uma frase do Jaime Neves para o Presidente da República, General Costa Gomes, que diz esta coisa bizarra: “Os comandos não estão satisfeitos.” Ele está a pôr os seus homens no mesmo plano que nós púnhamos os esquerdistas, isto é, na extrema contrária. O Jaime Neves era um homem de extrema-direita, adorado pelo Chega. Só que, como era um homem (…) pouco inteligente, que não era um político, ele não constituía perigo nenhum, além de ser um homem absolutamente obediente aos militares superiores. A extrema-direita militar também existia, também sonhava uma certa revanche, até porque a extrema-direita militar nunca suportou o 25 de Abril. Nós prendemos o Presidente da República, prendemos o primeiro-ministro, dissolvemos a Assembleia Nacional, mudamos radicalmente os quadros institucionais da ditadura, por isso é que foi uma revolução

(…) nós fomos muito meiguinhos em relação aos fascistas, àqueles que durante 48 anos oprimiram o povo português, levaram à frente uma guerra de 13 anos e puseram o país numa situação absolutamente precária. Fomos muito meiguinhos e agora temos a resposta. Temos os filhotes deles, os netos e os filhos, os betinhos a dizer, 'Ah isto do 25 de Abril, isso nem existiu. O Dia da Liberdade é o 25 de Novembro'. (…) O Sá Carneiro (…) teve um percurso político de fogo-fátuo. Foi uma espécie de cometa que passou de rompante. Diga uma rua, uma cidade, uma vila ou uma freguesia onde não haja uma rua, uma praça, um beco, uma travessa que não tenha o nome de Sá Carneiro. Por que é que a direita faz isto? Porque precisa dos seus ídolos, precisa de estabelecer as suas referências ideológicas. Por que é que esta direita mais recente - o Chega e a Iniciativa Liberal -, estão tão interessados no 25 de Novembro? Porque eles têm as mãos vazias. Eles são simpatizantes da ditadura que foi derrubada. (…) o CDS, Iniciativa Liberal, o Chega são órfãos de qualquer coisa palpável que tenha que ver com a história de Portugal, sobretudo com a história do Portugal democrático. (…)  O General Eanes tem uma definição do 25 de Novembro, que é absolutamente rigorosa: ele diz que é um acontecimento fraturante que deve ser lembrado, mas que os acontecimentos fraturantes não se comemoram. Foi ele que disse isto, por isso é que eu estou muito admirado que ele lá esteja. (…) Quando acaba o mandato e há a reeleição do Eanes, a direita volta-se toda contra ele e vão arranjar um general rival que era o Soares Carneiro, para o tirarem da Presidência. Os betinhos não sabem a história de Portugal e o Eanes é eleito pela esquerda toda, incluindo o Partido Comunista. Portanto, quando eu vejo o meu general, o meu general, o meu querido General Ramalho Eanes, estar presente nesta fantochada, eu digo uma coisa, hoje o 25 de Novembro é dos dias mais tristes da minha vida. Quando eu vejo o meu querido General Eanes a dar o agreement a uma palhaçada, que quer equiparar o 25 de Novembro, ou qualquer outro acontecimento que tivesse ocorrido depois da data fundadora do 25 de Abril, o dia 25 de Novembro deste ano de 2024, é um dos dias mais tristes da minha vida e tenho pena de dizer isto, muita pena.(…)” 

Sousa e Castro, O 25 de novembro deste ano é um dos dias mais tristes da minha vidaTSF.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

MEALHADA ENCANTADA COM LEDS

Robin Loznak/Zuma Press Wire/Rex/Shutterstock

  • O Município da Mealhada está a reduzir drasticamente o consumo de energia elétrica na iluminação pública do concelho, graças à substituição das luminárias para a tecnologia LED, processo que deverá chegar aos 70 por cento no final deste ano, prevendo-se que até ao término de 2025 esteja toda a iluminação pública munida desta tecnologia. Atualmente, e com um total de 7.848 pontos de luz, o concelho da Mealhada deverá fechar o corrente ano com um total estimado de 1,8 milhões de kWh, quando em 2023 gastou 2 milhões, em 2022 o gasto foi de 2,2 milhões de kWh e em 2021 o total foi superior a 2,4 kWh, mesmo com a criação de mais pontos de luz com a abertura de novos arruamentos ao longo dos últimos anos. Este hino tem sido cantado em vários tons por várias autarquias encantadas com os dotes dos LEDs. Autoelogiam-se, aplaudem-se e patrocinam notícias sobre a sua caridade ambiental de poupança de dinheiro e energia mas persistem no eterno erro: aumentam o número de luminárias e continuam a deixar a iluminação pública acesa demasiado tempo depois do sol nascer e acendem-na muito tempo antes de o sol se pôr. Substituir LEDs é, pois, uma mera operação de cosmética, de greenwashing.
  • A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra quer construir uma marina no estuário do Sado na zona em que atualmente está a Doca do Clube Naval Setubalense na zona central da cidade de Setúbal. O processo de consulta pública decorreu entre julho e agosto passado e do relatório divulgado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo pode-se concluir que a maior parte das participações são contra. Um hotel de 15 pisos, o corte da relação entre a cidade e o rio, um impacto ambiental enorme, com dragagens permanentes e elevado tráfego marítimo são algumas razões contra o avanço do projeto. Fonte.
  • Consulta pública até 6 janeiro 2025: Central Fotovoltaica da Sobreira de Baixo (Vidigueira/Portel) para aumentar a produção anual de energia elétrica a ser injetada no Sistema Elétrico Nacional, partilhando infraestruturas da ligação à Rede Elétrica Nacional da Central Hidroelétrica de Alqueva II. Fonte.
  • O Fundo Ambiental lançou dois avisos — o primeiro em 2019, o segundo já em 2020 — para apoiar a construção de ciclovias entre concelhos. No total das suas fases, foram aprovadas 16 candidaturas que envolviam 17 câmaras municipais e um montante de 7,3 milhões de euros. Cinco anos depois de o Fundo Ambiental ter lançado o primeiro aviso, nenhuma destas ligações foi construída. Público.


COP29: DESASTRE TOTAL

  • Ativistas e ambientalistas criticam acordo financeiro frágil na COP29. Greta Thunberg: “A decisão da COP29 é um desastre completo. As pessoas no poder estão mais uma vez prestes a concordar com uma sentença de morte para as inúmeras pessoas cujas vidas foram e serão arruinadas pela crise climática. O texto está cheio de falsas soluções e promessas vazias”. Claudio Angelo, do Observatório do Clima: “O acordo de financiamento fechado em Baku distorce a UNFCCC e subverte qualquer conceito de justiça. Com a ajuda de uma presidência incompetente, os países desenvolvidos conseguiram mais uma vez abandonar suas obrigações e fazer os países em desenvolvimento literalmente pagarem a conta”. Tasneem Essop, da Climate Action Network, acusou os países desenvolvidos de má-fé nas negociações em torno do financiamento climático: “Esta deveria ser a COP das finanças, mas o Norte Global apareceu com um plano para trair o Sul Global. No final, assistimos à mesma história, com os países em desenvolvimento ficando com pouca opção a não ser aceitar um acordo ruim”. Tracy Carty, da Greenpeace International: “A nova meta é uma amarga decepção. US$ 300 biliões anuais até 2035 é muito pouco, muito tarde. Essa meta de financiamento não vem com nenhuma garantia de que não será entregue por meio de empréstimos ou financiamento privado, em vez do financiamento público baseado em subsídios os quais os países em desenvolvimento precisam desesperadamente”. Fonte.
  • Um delegado da Arábia Saudita foi acusado de fazer alterações diretas a um texto oficial de negociação da COP29, diz o Guardian: “As presidências das COP costumam distribuir os textos de negociação como documentos PDF não editáveis a todos os países em simultâneo, sendo depois discutidos. No sábado, a presidência do Azerbaijão fez circular um documento com atualizações ao texto de negociação sobre o programa de trabalho para uma transição justa (JTWP). Este programa tem por objetivo ajudar os países a avançar para um futuro mais limpo e mais resistente, reduzindo simultaneamente as desigualdades. O documento foi enviado com ‘alterações registadas’ em relação à versão anteriormente distribuída. Em dois casos, o documento mostrava que as alterações tinham sido feitas diretamente por Basel Alsubaity, que pertence ao Ministério da Energia saudita e é o líder do JTWP.
  • Namíbia aproveita a cimeira sobre o clima COP29 para promover investimentos em petróleo e gás. Fonte.
  • Cerca de 200 pessoas foram detidas depois de terem interrompido a atividade no maior porto de carvão do mundo, no âmbito de um protesto climático. Os manifestantes bloquearam o porto de Newcastle no terceiro dia de agitação, apelando ao governo federal para que exclua novas minas de carvão e gás e para que aplique um imposto de 78% sobre as exportações de carvão e gás. Fonte.
  • Richard Flanagan, vencedor do prémio Baillie Gifford de não ficção pelo seu livro Questão 7, disse não aceitar o prémio de £ 50.000 enquanto o patrocinador não reduzir os seus investimentos em combustíveis fósseis e investir nas renováveis. A empresa de gestão de investimentos Baillie Gifford tem sido alvo de controvérsia nos últimos anos não só devido aos seus investimentos em combustíveis fósseis mas também por se relacionar com empresas ligadas a Israel. Fonte.

BICO CALADO

Alastair Grant/AP

EUA: uma democracia fantasma. Quem comanda aquele navio? António Gil, Substack.

LEITURAS À MARGEM

O presidente dos EUA, Joe Biden, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na Sala Oval da Casa Branca, em 25 de julho de 2024, em Washington, D.C. Foto: Andrew Harnik/Getty Images

Em 2002, o Presidente George W. Bush promulgou um projeto de lei que dava ao Presidente dos EUA o poder de invadir os Países Baixos - ou qualquer outro lugar do mundo - para libertar um cidadão americano ou um cidadão de um aliado dos EUA que estivesse detido por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional, com sede na cidade holandesa de Haia. Entre os legisladores que votaram a favor do projeto de lei encontra-se o então senador do Delaware Joe Biden. O projeto de lei destinava-se a afastar o espetro de tropas americanas a serem julgadas por atrocidades cometidas durante a incipiente "guerra contra o terrorismo", mas o horror dos EUA a Haia tem as suas raízes na política de longa data de apoio incondicional a Israel. Nesse mesmo ano, Bush e o seu homólogo israelita, Ariel Sharon, retiraram as assinaturas dos EUA e de Israel do Estatuto de Roma, o tratado que criou o TPI. Desde então, a oposição dos EUA e de Israel a qualquer tentativa do tribunal de responsabilizar Israel por possíveis violações do direito internacional tem sido inflexível.

O TPI emitiu mandados de captura contra o Primeiro-Ministro israelita Benjamin Netanyahu e o antigo Ministro da Defesa Yoav Gallant na quinta-feira [21nov2024], alegando que os líderes impediram intencionalmente a entrada de ajuda humanitária em Gaza para atingir civis palestinianos e que atingiram civis com ataques militares em Gaza. Os mandados exigem que os 124 países membros do Estatuto de Roma prendam Netanyahu e Gallant e os entreguem às autoridades de Haia para julgamento, no momento em que qualquer um dos procurados pisar o seu território.

Embora o governo Biden ainda não tenha comentado os mandados de prisão, quando o procurador do TPI Karim Khan solicitou os mandados pela primeira vez em maio, o presidente considerou a ideia de "ultrajante". "Estaremos sempre ao lado de Israel contra as ameaças à sua segurança”, disse Biden. Biden tem mantido a sua palavra, continuando a enviar armas para Israel e a votar contra todas as medidas internacionais que critiquem a conduta israelita - ou mesmo que apelem a um cessar-fogo - nas Nações Unidas. Em setembro, os EUA votaram contra uma resolução da ONU que apelava ao fim da ocupação israelita dos territórios palestinianos na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza, com 124 dos 181 países da Assembleia Geral da ONU a votarem a favor da medida. Na quarta-feira [20nov2024], a administração Biden vetou mais uma resolução de cessar-fogo no Conselho de Segurança das Nações Unidas - a quarta resolução que rejeitou.

Jonah Valdez, Os crimes de guerra nunca detiveram os EUAThe Intercept.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

COP29: RICOS GASTAM MAIS EM ARMAS E GUERRAS DO QUE NO COMBATE ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

  • Os países ricos foram fortemente criticados durante a conferência COP29 por quererem gastar mais em guerras e armas do que na prevenção das alterações climáticas. “A despesa militar global ascende a 2,5 biliões de dólares por ano”, disse o enviado panamiano para o clima, Juan Carlos Monterrey Gómez, aos delegados presentes nas hesitantes conversações anuais patrocinadas pelas Nações Unidas. “Para alguns, 2,5 biliões de dólares para nos matarmos uns aos outros não é suficiente, mas 1 bilião de dólares para salvar vidas não é razoável. “Causar a nossa própria extinção é a coisa mais ridícula. Pelo menos os dinossauros tiveram um asteroide. Qual é a nossa desculpa?” Fonte.
  • O genocídio em Gaza é uma catástrofe climática e ambiental. Fonte.
  • Há gente que sugere a inclusão dos resíduos urbanos no regime de comércio de licenças de emissão da UE e que garante que as incineradoras estão preparadas para se tornarem a fonte de energia com maior intensidade de carbono quando o carvão for gradualmente eliminado. FonteTudo isto apesar dos inúmeros exemplos de perversão exibidos pelo famigerado comércio de emissões. Confira exemplos na janela de busca no canto superior esquerdo desta blogue. Basta digitar ‘comércio de emissões’ e ler os postes que o Ambiente Ondas3 tem publicado sobre o tema.
  • As importações europeias de gás são quase um terço mais poluentes do que se pensava, o que constitui um problema, uma vez que a UE está a promover o GNL como uma alternativa mais limpa aos combustíveis tradicionais para a navegação, prevendo-se que um quarto da navegação da UE seja alimentada a GNL até 2030. Fonte.
  • Análises efetuadas pela organização mediática bretã Splann! revelam como a mina a céu aberto de Glomel, na Bretanha, está a contaminar o ambiente com metais tóxicos. Apesar disso, o governo prolongou a sua exploração por mais vinte anos. Fonte.


REFLEXÃO: MAPEAMENTO DO IMPACTO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NAS DESLOCALIZAÇÕES A NÍVEL MUNDIAL

De acordo com o Relatório Global sobre Deslocações Internas de 2024, pelo menos 6,6 milhões de pessoas em todo o mundo foram deslocadas por catástrofes relacionadas com o clima até ao final de 2023. No entanto, muitas pessoas foram deslocadas várias vezes, principalmente devido a inundações, tempestades, secas e incêndios florestais, o que resultou num total de, pelo menos, 20,3 milhões de deslocações forçadas ao longo do ano. Mais 1,1 milhões de pessoas foram deslocadas por catástrofes naturais não diretamente atribuídas às alterações climáticas, como terramotos e atividade vulcânica.

Os países com o maior número de deslocações relacionadas com as condições meteorológicas em 2023 foram a China (4,6 milhões) e as Filipinas (2,1 milhões). Em África, a Somália registou o maior número de deslocações do continente, com 2 milhões, em grande parte devido às piores inundações das últimas décadas.

As inundações e as tempestades foram responsáveis pela grande maioria das deslocações, com 9,8 milhões e 9,5 milhões, respetivamente, seguidas das secas (491 000) e dos incêndios florestais (435 000). Os movimentos de massa húmidos, como os deslizamentos de terras, provocaram pelo menos 119 000 deslocações, enquanto a erosão e as temperaturas extremas causaram 7 000 e 4 700 deslocações, respetivamente.

O número de incidentes de deslocação relacionados com as condições meteorológicas aumentou acentuadamente nos últimos 16 anos. As inundações registaram uma clara tendência ascendente, passando de 272 incidentes relacionados com as condições meteorológicas em 2015 para um pico de 1710 incidentes em 2023 - um aumento de mais de seis vezes. Do mesmo modo, os eventos de tempestade, incluindo furacões, ciclones e tufões, registaram um aumento significativo, crescendo mais de sete vezes, de 163 incidentes registados em 2015 para 1 186 em 2023.

Pushker Kharecha, vice-diretor do programa de Ciência, Sensibilização e Soluções Climáticas do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, afirma que as alterações climáticas induzidas pelo homem desempenharam um papel significativo no agravamento dos extremos relacionados com a temperatura. O agravamento dos extremos deverá persistir se "milagrosamente conseguirmos atingir o objetivo de 1,5 graus Celsius até 2100" - que visa limitar o aquecimento global a 1,5C acima dos níveis pré-industriais até ao final do século para reduzir os graves impactos climáticos.

Alice Baillat, conselheira política do Centro de Monitorização de Deslocações Internas, afirma que a resolução das deslocações por desastres requer que se abordem "tanto as suas causas profundas, incluindo as vulnerabilidades criadas pelas alterações climáticas, como as perdas e danos que provocam".

Usaid Siddiqui, Marium Ali e Hanna Duggal, Mapeamento do impacto das alterações climáticas nas deslocações a nível mundialAljazeera.

BICO CALADO

 Stephan Morris Photography/Alamy

  • O Tesla regista a maior taxa de acidentes fatais entre todas as marcas de automóveis, mostra o relatório da National Highway Transportation and Safety Administration, conduzido pela iSeeCars, que analisou veículos do ano modelo 2018-22 em acidentes onde pelo menos um ocupante morreu, durante os anos de 2017-22. Fonte.
  • "A embaixadora da Ucrânia diz que as leis portuguesas são demasiado abertas e que querer proteger a liberdade de expressão pode ser "um grande problema" por causa da Rússia. Usar o inimigo externo como desculpa para restringir e limitar direitos é uma prática habitual do fascismo. Recordo que a Embaixada da Ucrânia interferiu várias vezes nos assuntos internos do nosso país e tentou condicionar debates e outras iniciativas pela paz. É absolutamente inqualificável que a representante de outro país afirme que Portugal deve limitar a liberdade de expressão. A Ucrânia proibiu praticamente toda a oposição, também todos os idiomas que não o ucraniano nas instituições, fechou canais de televisão, impôs um telejornal único supervisionado pelo Estado e persegue padres que não rompam com o papa ortodoxo." Bruno Amaral de Carvalho.
  •  “(…) O golpe do 25 de Novembro foi financiado pelos Estados Unidos, com transferências feitas através da Internacional Socialista, que suportaram os novos órgãos de propaganda. Assim, de cor: Jornal NovoLutaTempo, Europeu entre outros foram criados com fundos americanos, assim como a UGT foi financiada pelos sindicatos americanos e europeus. Também armas foram fornecidas e ainda hoje não se lhe conhece o paradeiro. Todas estas afirmações estão provadas e constam de documentos e publicações disponíveis pelo público. Não há desculpa para invocar ignorância. Não será, com certeza, esta a narrativa oficial de cosi fan tutte (…) que vai ser cantada sucessivamente e a várias vozes na Assembleia da República. As lenga-lenga carregarão as cores negras do perigo comunista (que tinha sido arredado em Agosto à margem do Acordo de Helsínquia) e do levantamento nacional dos bons portugueses contra o totalitarismo (ação do ELP/MDLP e do clero ultramontano, devidamente olvidado — Pacheco de Amorim representará o ELP, mas virá alguém da arquidioceses de Braga? Ou Nuno Melo tomará esse encargo?), uma narrativa que esconde o fabuloso negócio da desnacionalização da banca, das Parecerias Publico-Privadas, do saque aos fundos europeus destinados a formação profissional, do desordenamento do território, em particular no litoral, para construção e corrupção. (…) A narrativa oficial do 25 de Novembro que vai ser apresentada na liturgia na Assembleia da República é um ato de cobardia e de vergonhosa humilhação. De cobardia pela não assunção do papel de gente por conta que desempenharam os celebrados e homenageados, e de vergonhosa humilhação por se apresentarem como homens livres quando foram meros caddies, os carregadores do saco com os tacos do golfista. (…) Por mim, propunha que a cerimónia terminasse com um magusto oferecido pela associação de bancos e pela embaixada dos Estados Unidos, uns porque que tiveram este ano lucros nunca vistos, e os outros porque andam de vitória em vitória desde o Iraque à Ucrânia, prova de que o 25 de Novembro valeu a pena. (…)” Carlos Matos Gomes, Coca Cola e DemocraciaMedium.
  • Os Comentadores #86 - Quem precisa de um 25 Novembro?
  •  Há sempre uma história atrás da História. A propósito do 25 de Novembro e do seu São Jorge. Carlos Matos Gomes – Medium.

  •  “Nunca o PS ou o PSD instituíram a celebração oficial que hoje acontece. Foi Soares que, como PR, pôs fim a uma cerimónia anual no RALIS, concentrando tudo no 25 de abril. E não eram contra o 25 de novembro. Rompendo o consenso, a direita usa o 25 de novembro para, no 50º aniversario de abril, criar uma equiparação simbólica. Em 2015, Eanes disse: ‘Foi um momento fraturante e os momentos fraturantes não se comemoram, recordam-se para refletir sobre eles.’ A presença de Eanes nas comemorações que há 10 anos recusava resulta de uma mudança de ambiente político, a que ele, mas não Vasco Lourenço, cedeu. O 25 abril faz a síntese: queda da ditadura, em 74; eleição de quem viria a aprovar a CRP; em 75; e eleições que consumam a democracia representativa, em 76. O único vencedor claro de novembro foi o grupo dos nove. Foi derrotado o PCP, que recuou, evitando uma guerra civil e mantendo-se, com o apoio de Melo Antunes, legal e no VI governo provisório. Foi derrotada a extrema-esquerda, que isolava a revolução da vontade popular. E foram derrotados, nos dias seguintes, os setores da direita e da extrema-direita que desejavam a ilegalização do PCP, o fim do pluralismo e a interrupção do processo que levou à aprovação desta CRP. Como disse Lourenço, a 27 de novembro, queriam “aproveitar-se da situação para deitar as garras de fora.” 49 anos depois da tentativa de revanche política ter falhado, querem fazer a revanche simbólica. (…)” Daniel Oliveira, Falhada a revanche, em 1975, derrotados de abril e novembro tentam a revanche, em 2024.