O antigo diretor executivo da Southern Water, Matthew Wright, compareceu em tribunal, acusado de conluio com intenção de defraudar, na sequência de alegações de que os testes de qualidade da água foram manipulados para evitar sanções. Fonte.
Recortes de notícias ambientais e outras que tais, com alguma crítica e reflexão. Sem publicidade e sem patrocínios públicos ou privados. Desde janeiro de 2004.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
BICO CALADO
- Vários bancos centrais europeus estão a transferir as suas reservas de ouro para fora dos EUA, motivados por duas preocupações principais: (1) Risco geopolítico e fiabilidade dos EUA – Receios de que os ativos detidos noutra jurisdição possam ficar temporariamente inacessíveis durante um cenário extremo de sanções, questões jurídicas ou geopolíticas; as preocupações com a imprevisibilidade das políticas da administração Trump e a sua crescente antipatia em relação à UE (incluindo ameaças relativas à Gronelândia) vieram agravar estas preocupações; (2) Preparação para situações de crise – A necessidade de manter o ouro mais perto de casa, ou num centro de negociação dinâmico, para que possa ser rapidamente mobilizado e aproveitado em caso de crise. O Banco Central dos Países Baixos transferiu cerca de 86 toneladas de ouro de Nova Iorque para Londres, invocando «instabilidade geopolítica» e uma melhor «preparação para situações de crise». França retirou a sua exposição remanescente em ouro do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque entre julho de 2025 e janeiro de 2026 (embora a França tenha afirmado que tal não teve motivação política). Alemanha e Itália: Os políticos de ambos os países (que detêm a segunda e a terceira maiores reservas de ouro do mundo) apelaram também para que o seu ouro fosse retirado dos EUA. Fonte.
- A menos de dois meses da primeira edição do MEO Commedia a La Carte Fest, vários artistas nacionais cancelaram os respetivos espetáculos num gesto de contestação à presença de Jerry Seinfeld, um defensor de Israel que já afirmou que "a Palestina não existe". Fonte.
- Israel mantém 37 jornalistas palestinianos nas suas prisões, incluindo 19 em detenção administrativa, sem acusação nem julgamento. Fonte.
- ‘Eis a idade de consentimento para as raparigas, em 1880, em todo o mundo: 7 a 12 anos nos EUA, 10 anos na Rússia, 12 anos na Austrália, no Canadá, na Dinamarca, em Portugal, na Escócia e em Espanha, 13 anos na Bulgária, na Inglaterra e no País de Gales, em França e na Polinésia Francesa, 14 anos na Alemanha e na Áustria, 15 anos na Roménia e na Turquia.’ Quando a idade de consentimento para as meninas era de 10 anos nos Estados Unidos. Linda Caroll, Medium.
LEITURAS MARGINAIS
DE GUIMARÃES AO GENOCÍDIO
O presidente da câmara de Guimarães, município com o cognome ‘cidade berço de Portugal, recebe o embaixador de Israel, para estreitar a cooperação, entre outras áreas, na “protecção civil”.
Sim, Guimarães vai recorrer a Israel para “explorar novas possibilidades de cooperação em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território”, e a autarquia destaca “a protecção civil” (ler texto infra).
Como o presidente da câmara é identificado com o nome “Ricardo Araújo” pensei, por um instante, que fosse mais uma boa pilhéria do nosso RAP e que faltava só o último nome dele neste número burlesco. Mas não. Trata-se mesmo do presidente da câmara de Guimarães e não do cómico homónimo.
Israel é obviamente a parceria que os municípios portugueses devem procurar para reforçar a segurança dos seus cidadãos, sobretudo se forem lusitanos da primeira hora, claro.
O governo de Netanyahu dispõe dos maiores especialistas na área da protecção civil. O seu trabalho está bem patente na Palestina (Faixa de Gaza e Cisjordânia), mas também no Líbano, na Síria e até em remotas aldeias do Iraque e Irão. Onde houver casas ainda de pé, onde houver mercados, aldeias, hospitais, escolas, onde viverem famílias com crianças, o governo de Netanyahu tem uma solução para acabar, de vez, com o problema.
Outras autarquias que queiram resolver os seus problemas urbanos, por exemplo bairros étnicos ou minorias contestatárias que exijam água e comida ou direitos cívicos, deviam, desde já, aderir a esta iniciativa do autarca de Guimarães.
Mas também noutras áreas, como “a inovação” e “a tecnologia” a câmara municipal de Guimarães e o seu autarca querem estreitar as relações com Israel. Ora sabemos que programas de reconhecimento facial, para identificar minorias e delinquentes, tal como drones guiados por Inteligência Artificial que atacam zonas residenciais, podem ser programados para reconhecer e atacar outros alvos. A imaginação será o limite para o senhor presidente da câmara Ricardo Araújo. Quanto à imaginação do embaixador de Israel, não tenho grandes dúvidas quanto aos alvos que tem na mira. A história repete-se, uma e outra vez, primeiro como tragédia, depois como número de comédia stand up dum autarca oportunista.
domingo, 13 de setembro de 2026
AZAMBUJA: EXPLORAÇÕES PECUÁRIAS AUTUADAS POR POLUÍREM RIBEIRA
- Explorações pecuárias foram alvo de três acções de fiscalização relacionadas com denúncias de poluição causada por efluentes pecuários na zona de Azambuja que deram origem a autos de contra-ordenação por infracções que, nos casos mais graves, podem levar a coimas entre 24 mil e 144 mil euros. As fiscalizações surgem num contexto de queixas sobre a poluição da ribeira do Valverde, que atravessa Azambuja e que é há vários anos motivo de preocupação. Nas últimas semanas, os maus cheiros voltaram a provocar protestos, com um munícipe a denunciar em reunião pública do executivo da Câmara de Azambuja, um odor intenso associado a efluentes pecuários. Fonte.
- “17 horas de sábado, 35 graus em Monte Córdova. Um vento quente e perigoso que se levanta. Na festa de Valinhas prepara-se mais um bombardeamento dos nossos ouvidos, que matará também passarada, deixará outros animais abalados, surdos, etc. Este ano a festa tem também o apoio da Edilages, a pedreira que vai ser responsável pelos próximos rebentamentos, bem ali perto de casas e de onde hoje o fogo de artifício vai iluminar o céu de uma noite de verão e ventania. Já não é o primeiro ano que este fogo provoca incêndio nesta zona. Boa sorte para logo. E como não há vigilância nem autoridades para suspender o fogo, até um ateu como eu não tem escolha senão confiar na nossa senhora de Valinhas.” Ricardo Meireles.
BICO CALADO
- Ali Bábá e os Sessenta Coirões. Luís Rocha.
- Entidades públicas entregam mais de 1,2 milhões de euros ao jornal britânico Financial Times. O P1 identificou pelo menos 22 operações financeiras entre entidades públicas portuguesas e o universo Financial Times, num valor nominal superior a 1,22 milhões de euros desde 2019. Só o Turismo de Portugal concentrou 766.643 euros em "acções de promoção". Entre os melhores clientes nacionais seguem-se a Nova SBE, presença assídua e quase sempre elogiosa nas páginas do jornal britânico, e a Câmara do Porto, com mais de 200 mil euros em contratos.
LEITURAS MARGINAIS
COMO A GRÃ-BRETANHA PERMITIU QUE PINOCHET ESCAPASSE À JUSTIÇA PELAS ATROCIDADES COMETIDAS
JOHN McEVOY, Declassified UK. Rev. O’Lima.
Há 25 anos, o governo do Reino Unido permitiu que o antigo ditador do Chile escapasse à extradição para Espanha. Documentos desclassificados revelam como essa decisão foi tomada. Documentos revelam que Margaret Thatcher fez um acordo secreto com Pinochet durante a década de 1980. Um conselheiro sénior de Tony Blair comentou: «Seria obviamente embaraçoso se tudo isto viesse a público»
A 2 de março de 2000, Augusto Pinochet atravessou com passos vacilantes a pista da base aérea da RAF Waddington, em Lincolnshire, e embarcou num jato da Força Aérea chilena, dando assim os seus últimos passos em solo britânico. O antigo ditador acabara de ser declarado inapto para ser julgado pelo ministro do Interior britânico, Jack Straw, e foi autorizado a regressar ao Chile com efeito imediato. Pinochet tinha passado os 16 meses anteriores em prisão domiciliária na Grã-Bretanha, aguardando o desfecho de um pedido de extradição espanhol por violações dos direitos humanos cometidas sob o seu regime.
Entre 1973 e 1988, agentes do Estado chileno foram responsáveis por mais de 3 000 mortes ou desaparecimentos e por dezenas de milhares de casos de tortura e detenções políticas. O pedido de extradição espanhol relativo a Pinochet incluía acusações de homicídio e tortura. A decisão do governo britânico de permitir que Pinochet escapasse à justiça foi, consequentemente, recebida com indignação, especialmente depois de o ditador ter dado sinais milagrosos de recuperação à chegada a Santiago. Muitos suspeitaram que tivesse sido alcançado um acordo político para permitir o regresso de Pinochet ao Chile, sob o pretexto de um relatório médico controverso que alegava que ele estava incapaz de dar instruções aos seus advogados.
Documentos recentemente desclassificados revelam agora como o processo judicial tinha sido complicado por um acordo secreto feito com Pinochet por Margaret Thatcher durante a década de 1980. Segundo os documentos, Thatcher teria prometido ao ditador assistência médica no Reino Unido em troca do apoio militar e dos serviços secretos do Chile durante a Guerra das Malvinas, em 1982. Os documentos revelam ainda como a ideia de libertar Pinochet por motivos de saúde tinha sido discutida em pormenor à porta fechada, com as autoridades chilenas a defenderem uma solução «humanitária» para a crise.
O deputado Jeremy Corbyn, um proeminente apoiante da campanha pela extradição de Pinochet, comentou: «Houve sempre pressão para permitir que Pinochet regressasse… Esta história inventada sobre a sua saúde foi elaborada e disseram-nos que ele era um homem que estava a perder a memória, que a idade estava a fazer-se sentir e que não estaria apto para ser julgado».
«Seria embaraçoso se isto viesse a público»
O mandado de detenção de Pinochet foi executado pouco antes da meia-noite de 16 de outubro de 1998 na London Clinic, um hospital privado na capital inglesa. Foi emitido tão tarde porque «os serviços secretos indicavam que Pinochet planeava deixar o hospital e o país de forma iminente», segundo uma nota informativa desclassificada da Polícia Metropolitana. Os agentes britânicos à paisana destacados no hospital estavam também «discretamente armados» para impedir a «fuga assistida de Pinochet da custódia policial» para a embaixada chilena nas proximidades.
À medida que os agentes de polícia cumpriam os seus deveres legais, as notícias da detenção de Pinochet começaram a chegar a Whitehall, desencadeando discussões internas frenéticas que antecipavam uma potencial tempestade política.
Uma das comunicações mais notáveis foi enviada ao então primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, pelo seu secretário particular principal, John Holmes, no dia da detenção de Pinochet. «Deve saber que as autoridades espanholas solicitaram a extradição do general Pinochet, que se encontra atualmente em Londres a receber tratamento médico», soube Blair. «A situação é um pouco mais complicada do que pode parecer», continuou Holmes. «Aparentemente, temos um acordo com ele, estabelecido no passado, devido à nossa cooperação com os chilenos contra a Argentina na altura da crise das Malvinas, no sentido de o ajudarmos com o tratamento médico em Londres». Holmes observou de forma ameaçadora: «Seria obviamente embaraçoso se tudo isto viesse a público».
Temendo o expansionismo argentino, o regime de Pinochet tinha prestado apoio militar e de informações à Grã-Bretanha durante a guerra das Malvinas, em troca de lucrativos negócios de armas que incluíam a venda de jatos Hawker Hunter e de aviões de reconhecimento fotográfico Canberra.
Vários documentos relativos ao apoio do regime chileno à Grã-Bretanha durante a guerra continuam classificados como confidenciais pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido.
Apesar destas complicações, Holmes manteve-se cautelosamente otimista em relação ao caso Pinochet. «Com sorte, tudo isto pode acabar por não dar em nada», disse ele a Blair. Holmes acrescentou: «O Ministério do Interior partilha a minha opinião de que é melhor que o pedido de extradição não vá para a frente», aparentemente contrariando a posição inicial de Jack Straw sobre o assunto.
Motivos humanitários
O otimismo de Holmes era infundado. Pinochet foi colocado em prisão domiciliária enquanto os tribunais britânicos deliberavam sobre como proceder relativamente ao pedido de extradição. A Câmara dos Lordes proferiu uma decisão histórica segundo a qual os antigos chefes de Estado não podiam gozar de imunidade judicial relativamente aos crimes internacionais mais graves.
Ao longo deste período, as autoridades chilenas pressionaram constantemente o governo britânico para que libertasse Pinochet por motivos «humanitários», ao mesmo tempo que salientavam que as relações entre o Reino Unido e o Chile ficariam prejudicadas caso Pinochet fosse extraditado, revelam os arquivos desclassificados.
Em novembro de 1998, o ministro dos Negócios Estrangeiros chileno, José Miguel Insulza, reuniu-se com ministros britânicos em Downing Street, informando-os de que o seu governo «pretendia defender a libertação por motivos humanitários». Pinochet era «um homem doente de 83 anos» e «deveria ser libertado» por razões de saúde, declarou ele. Insulza salientou ainda que «o Chile mantinha melhores relações com o Reino Unido do que com qualquer outro país europeu há 150 anos», e que essas relações seriam prejudicadas por qualquer decisão de aprovar a extradição de Pinochet.
O presidente do Senado do Chile, Andrés Zaldívar, também exerceu pressão sobre o governo do Reino Unido para que libertasse o antigo ditador por motivos humanitários. No início de dezembro, Zaldívar disse a Blair que o Senado lhe tinha dado «apoio unânime» na pressão para a libertação de Pinochet, sublinhando que «fatores políticos e humanitários» deveriam ser utilizados para recusar a extradição.
Os argumentos das autoridades chilenas foram, em alguns aspetos, apoiados por pareceres jurídicos internos fornecidos a Blair e a Straw. A 27 de novembro de 1998, o ministro do Governo Charles Falconer informou Downing Street de que a decisão de Straw sobre a extradição deveria ter em conta questões como «a saúde de Pinochet» e «o efeito noutros países… caso estes sentissem que os seus antigos líderes poderiam estar em risco desta forma». Falconer, que é casado com a filha do antigo embaixador britânico no Chile, David Hildyard, acrescentou: «A vantagem de tratar deste assunto agora é que o regresso seria provavelmente mais fácil do que após uma longa batalha judicial em que as atrocidades fossem detalhadas e Pinochet saísse derrotado».
«Perigo nacional extremo»
Não foram apenas as autoridades chilenas que pressionaram pela libertação de Pinochet. Margaret Thatcher escreveu a Blair a 25 de novembro de 1998 para afirmar que «a decisão certa neste momento é agir rapidamente para o libertar e permitir que regresse a casa». Pinochet era «um homem idoso e doente que, apenas por razões humanitárias, deveria ser poupado ao que o futuro lhe reservaria de outra forma», declarou ela. Referindo-se à guerra das Malvinas, Thatcher acrescentou que «só poderia prejudicar a reputação deste país se se soubesse que aqueles que, tal como o senador Pinochet, foram nossos amigos íntimos em momentos de perigo nacional extremo, podem posteriormente esperar ser tratados desta forma».
Até o Vaticano se pronunciou. Poucas semanas após a detenção de Pinochet, o equivalente ao secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros da Santa Sé escreveu a Blair para sublinhar a sua convicção de que «existem todos os requisitos para um gesto humanitário a favor de um homem de 83 anos, doente e que se tinha deslocado a Londres para uma operação cirúrgica grave».
Em meados de 1999, a pressão conjunta sobre o governo britânico para libertar Pinochet parecia estar a dar frutos quando foi elaborado um acordo entre o Chile, a França, a Espanha e o Reino Unido para que Straw rejeitasse o pedido de extradição e «devolvesse Pinochet ao seu país por “razões humanitárias”». O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Robin Cook, terá dito ao seu homólogo espanhol, Abel Matutes, que «não o deixaria [Pinochet] morrer na Grã-Bretanha», ao que Matutes respondeu: «Não o deixarei vir para Espanha».
Após o regresso de Pinochet ao Chile, este tornou-se alvo de dezenas de processos judiciais relacionados com violações dos direitos humanos e corrupção. No entanto, nunca foi condenado e faleceu em 2006.
sábado, 12 de setembro de 2026
CAÇADORES PAGOS POR ABATEREM JAVALIS
- Governo vai pagar a caçadores por cada javali abatido, para travar prejuízos na agricultura. Fonte.
- A Chemours, a DuPont e a Corteva chegaram a um acordo no valor de 455 milhões de dólares com a Carolina do Norte e 11 entidades locais relativamente a queixas de contaminação por PFAS associadas à fábrica «Fayetteville Works» da Chemours e a outras descargas históricas. Fonte.
BICO CALADO
- Isto de entrentar pela frente tem muito que se lhe diga. Está claramente visto.
- Ladrão que grita “agarra que é ladrão! Garcia Pereira, Notícias Online.
- Cristiano Ronaldo no vermelho: 29 empresas e prejuízos de 264 mil euros. P1.
- A fiscalidade nos combustíveis é um escândalo nacional. P1.
- Educação: o “emburrecimento” do ocidente. Arnaud Bertrand.
- ERC: três asnas e dois jumentos confundem associação com causalidade. Pedro Almeida Vieira, P1.
- A imprensa israelita publicou três revelações significativas sobre o holocausto de Gaza, relatando (1) que Benjamin Netanyahu ocultou o facto de ter conhecimento prévio do ataque do Hamas a 7 de outubro, (2) que Israel rejeitou uma proposta do Hamas para libertar todos os reféns civis imediatamente após 7 de outubro e (3) que, segundo um operador de drones das Forças de Defesa de Israel (IDF), as forças armadas israelitas estavam a disparar intencionalmente contra civis em toda a Faixa de Gaza durante as suas operações no território palestiniano. Caitlin Johnstone, Substack.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu enviar a cada adulto norte-americano um cheque no valor de 5 000 dólares, caso os republicanos mantenham o controlo do Congresso nas próximas eleições intercalares. Fonte.
LEITURAS MARGINAIS
CONCLUSÕES SOBRE O NOVO RELATÓRIO DA ONU
Ayana Elizabeth Johnson, Substack. Rev. O’Lima
(...)
Em breve ultrapassaremos os 1,5 °C de aquecimento global.
De forma contundente, o relatório começa com: «Não há cenários favoráveis com um aumento da temperatura global superior a 1,5 °C.» E explicam: «Mesmo num cenário otimista baseado nos atuais compromissos dos governos (implementação total de todos os planos nacionais para o clima, além do cumprimento de metas adicionais de emissões líquidas nulas), o aumento máximo previsto da temperatura situa-se nos 1,8 °C [3,2 °F].»
Deixam também claro que «os compromissos climáticos nacionais estão longe de ser suficientes» e que «a implementação dos compromissos existentes é fraca». Isto é, estamos a caminhar para um aquecimento superior a 2,0 °C, a menos que ocorram mudanças radicais. Uma situação extremamente insegura e instável. Entretanto, «muitas das premissas de planeamento existentes já não se sustentam. As políticas, as instituições, os sistemas financeiros e de planeamento foram concebidos com base em pressupostos de mudança gradual e de relativa estabilidade climática», etc.
A remoção de dióxido de carbono (CDR) não nos vai salvar.
A CDR (plantação de árvores + algumas tecnologias muito mais avançadas que ainda não foram comprovadas em grande escala) é um dos principais focos deste relatório, mas o PNUA é muito claro ao afirmar que não se trata de uma solução milagrosa. E certamente não é um «livre trânsito» para continuarmos a queimar combustíveis fósseis. Nas suas próprias palavras: «Em termos gerais, mesmo uma expansão otimista da CDR dificilmente conseguirá reverter a tendência de aumento da temperatura para além de algumas décimas de grau neste século. Isto sublinha a importância de nos concentrarmos na redução das emissões de gases com efeito de estufa agora.»
O relatório é firme na sua posição de que a CDR é uma componente necessária, mas certamente não se trata de um «Viva a CDR!», como os tecnólogos poderiam sentir-se tentados a interpretar. Em vez disso, o relatório afirma que poderá ajudar um pouco, mas que precisamos de ser muito cautelosos. Há uma grande ênfase na necessidade de uma governação «cuidadosa» e «a longo prazo», algo que, definitivamente, não temos em vigor neste momento.
Os combustíveis fósseis têm de desaparecer.
Historicamente, os documentos da ONU têm evitado abordar a necessidade de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, sem conseguir que todos os países membros concordem com essa formulação. Por isso, receava que este relatório fosse fraco nesse ponto. Mas, embora eu tivesse utilizado uma linguagem mais agressiva, o texto é firme e inequívoco: «A transição para longe dos combustíveis fósseis é, portanto, um investimento fundamental na resiliência e no bem-estar público.» O relatório aprofunda este ponto: «Evitar o “lock-in” do carbono nas infraestruturas é fundamental para este esforço. Os investimentos em infraestruturas de longa duração e de elevadas emissões, tais como centrais elétricas a combustíveis fósseis, sistemas de transportes e instalações industriais, podem limitar as futuras reduções de emissões e prender os países em trajetórias de elevado carbono. Só as infraestruturas de combustíveis fósseis existentes e planeadas poderiam exceder em 120 % as emissões de CO₂ compatíveis com o objetivo de 1,5 °C em 2030.»
Ou seja, acabem-se os oleodutos de combustíveis fósseis, acabem-se as centrais elétricas a combustíveis fósseis. Referem que «a redução da procura é uma peça importante do quebra-cabeças» e que «a redução do metano e de outros gases com efeito de estufa superpotentes e de vida curta é fundamental». De facto.
E depois... apelam a uma revolução: Acelerar a revolução das energias renováveis é crucial. Do lado da oferta, os cenários de «overshoot» limitado sugerem aumentar a quota das energias renováveis para 60–70% da produção global de eletricidade até 2030, apoiada pela expansão da rede, pelo armazenamento e pela flexibilidade da procura. Estas são PALAVRAS FORTES por parte das Nações Unidas.
Precisamos de resolver os problemas da agricultura.
A agricultura é afetada pelas alterações climáticas, ao mesmo tempo que constitui um dos principais fatores que as impulsionam. Este relatório aborda a agricultura de forma superficial, centrando-se na importância de «reduzir as emissões de metano “difíceis de abater”, particularmente as provenientes da agricultura». O relatório é pouco enfático quanto à necessidade de uma transição para dietas à base de vegetais («Mudanças na alimentação poderiam reduzir significativamente as emissões e libertar terras para o sequestro de carbono») e, curiosamente, não menciona o uso de combustíveis fósseis pelo setor nem o impacto da pecuária no desmatamento. Por isso, permitam-me complementar com alguns factos essenciais:
A agricultura é responsável por, pelo menos, 90 % da desflorestação tropical.
O sistema alimentar industrial é responsável por 33 % da poluição global por gases com efeito de estufa, sendo cerca de metade desse valor proveniente da produção de carne e lacticínios, que utiliza mais de um terço das terras habitáveis a nível mundial.
A agricultura industrial levou à libertação de mais de 133 mil milhões de toneladas métricas de carbono presente no solo. Grande parte da camada superficial do solo dos EUA perdeu entre 30% e 50% da sua matéria orgânica nos últimos 100 anos.
Só os fertilizantes azotados sintéticos (112 milhões de toneladas por ano) são responsáveis por 2,1% das emissões globais de gases com efeito de estufa.
Esta questão merece muito mais atenção.
Precisamos de investir fortemente na adaptação.
O segredo já foi revelado. Os fenómenos meteorológicos extremos já estão aqui. Os elementos de ponto de viragem correm o risco de atingir esse ponto. «O desencadeamento de elementos de ponto de viragem pode conduzir a alterações irreversíveis. A possibilidade de reduzir os riscos a longo prazo em componentes do sistema terrestre de resposta lenta, através da reversão do aquecimento global, é especialmente relevante para os elementos de ponto de inflexão — sistemas em grande escala que podem sofrer alterações irreversíveis assim que forem ultrapassados limiares críticos. Estes incluem as camadas de gelo da Antártida Ocidental e da Gronelândia, a AMOC e o sistema clima-biosfera da floresta amazónica.»
Por isso, não podemos concentrar-nos apenas na redução das emissões (embora também seja realmente necessário fazê-lo); precisamos igualmente de investir fortemente na construção de um mundo capaz de lidar com a nossa nova e em evolução realidade climática. Apelam a uma «adaptação transformacional», que requer «uma adaptação que altere os atributos fundamentais de um sistema socioecológico em antecipação às alterações climáticas e aos seus impactos — uma reorganização fundamental e abrangente de todo o sistema que vai além da tecnologia e das estruturas económicas, estendendo-se a paradigmas, objetivos e valores, e que aborda os fatores subjacentes ao risco climático de forma inclusiva, reforça a capacidade de lidar com os impactos futuros e de recuperar deles, e protege contra resultados de adaptação inadequada, agora e no futuro»
Por outras palavras, «Em vez de depender de ajustes faseados, a adaptação deve abordar os fatores subjacentes à vulnerabilidade e apoiar uma mudança transformacional.» Isto pode parecer-lhe insípido, mas pode ser a coisa mais radical que já li da ONU.
Resumindo
Em muitos aspetos, este relatório não traz grandes novidades para quem tem vindo a acompanhar a ciência e as políticas climáticas a nível global. Há muito que se considera quase certo que se ultrapassará o limite de 1,5 °C, e há muito que o objetivo tem sido minimizar o aumento da temperatura global e a consequente desestabilização dos ecossistemas e proliferação de fenómenos meteorológicos extremos. A ONU também tem sido clara, desde há muito, quanto às implicações desta situação em termos de justiça e responsabilidade: «Os países com maior responsabilidade histórica pelas alterações climáticas e maior capacidade para as enfrentar devem agir com maior determinação e rapidez.»
Este relatório é tão contundente e tão claro. (É realmente muito fácil de ler, não hesitem em lê-lo.) Não só os cientistas nos têm alertado, repetidamente e em pormenor, como também têm vindo a apresentar continuamente planos de ação para evitar a catástrofe. Este relatório é mais um desses planos de ação. É preciso dar crédito a quem o merece.
E atribuir a culpa a quem a merece.
As empresas de combustíveis fósseis, obviamente. (Sinceramente, não faço ideia de como é que aqueles executivos conseguem dormir à noite.) E já dei a minha opinião sobre o agronegócio.
E ainda:
Grandes bancos: desde que o Acordo de Paris foi assinado em 2015, 60 bancos concederam 7,9 biliões de dólares em financiamento a empresas de combustíveis fósseis, tendo só os quatro maiores bancos — JPMorgan Chase, Citi, Wells Fargo e Bank of America — concedido mais de 1,64 biliões de dólares.
Grandes empresas tecnológicas: os centros de dados de IA estão a consumir imensa, e a frenética construção que se verifica não quer esperar que passem a ser alimentados por energia limpa. Na sua newsletter, Bill McKibben referiu uma análise da Bloomberg segundo a qual «a construção prevista do centro de dados irá aumentar as emissões de gases com efeito de estufa do setor da eletricidade em, pelo menos, vinte por cento, e talvez até um terço.»
E, tal como Emily Atkin relatou na HEATED, «o problema climático da IA é pior do que pensávamos», porque: as emissões resultantes da utilização da IA pela indústria dos combustíveis fósseis são provavelmente muito superiores às emissões geradas pelo consumo energético da IA no seu conjunto. Mais concretamente, descobriram que a utilização da IA pelas grandes petrolíferas para produzir mais petróleo e gás poderia gerar 3,3 a 13,3 vezes mais poluição climática do que o consumo energético dos centros de dados da IA.»
Entretanto, Elon Musk voltou subitamente a preocupar-se com as alterações climáticas, mas também afirma, de forma absurda, que não precisamos de nos preocupar com isso durante 50 anos e diz que vai resolver o problema com satélites... catapultados a partir da Lua. Mais uma manobra desonesta para ganhar dinheiro.
Estes postes foram escritos na mesma semana em que o aquecimento do nosso planeta derreteu o permafrost que mantinha um glaciar no seu lugar no Nepal e no Tibete. O colapso causou tantas mortes e tanta devastação. Uma injustiça climática, se é que alguma vez houve uma.
O que me leva a…
Grandes bilionários: Há dinheiro suficiente no mundo para resolver esta crise. É necessário investimento governamental, claro. É necessário eleger políticos empenhados em soluções climáticas e que não tenham medo de responsabilizar as empresas. (Além disso, acabem com o «Citizens United»!) É necessário pôr fim aos investimentos especulativos desenfreados em IA. (A vossa resistência aos centros de dados está a dar frutos, não desistam!). É necessário que os megamilionários deixem de acumular riqueza e de comprar mega iates. Neste momento, a nível global, apenas 2% do financiamento filantrópico é destinado ao clima — nos EUA, apenas 0,5%. (Tributem os ricos!) Podemos financiar a revolução e a transformação.
(…)
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
AÇORES: ORGANIZAÇÃO DO FESTIVAL DE MÚSICA ABANDONA RESÍDUOS
O Bloco de Esquerda formalizou uma queixa junto da Inspeção Regional do Ambiente devido à presença de grandes quantidades de resíduos abandonados na zona da praia do Monte Verde, no concelho da Ribeira Grande. A denúncia surge cerca de um mês após a realização do festival de música naquele local, registando-se a permanência de plásticos dispersos pelo recinto e amontoados de materiais no extremo leste da praia.
EUA: MISSISSIPPI NÃO GARANTE O DIREITO À ÁGUA POTÁVEL
- Tribunal de recurso indefere ação judicial movida por residentes de Jackson que alegavam que a água potável contaminada violava os seus direitos. O tribunal decidiu que a Constituição federal não garante o direito à água potável. Fonte. Mais um caso de racismo ambiental, uma vez que a região é de maioria negra. Já o antigo CEO da Nestlé defendia o mesmo.
- A Pensilvânia multa a Shell em 15 milhões de dólares por poluição causada pela fábrica de plásticos do Condado de Beaver. Fonte.
BICO CALADO
- “(…) um membro do Governo pode ter opiniões, naturalmente. Pode expressá-las politicamente, em conferências de imprensa, no Parlamento, em entrevistas ou nas suas próprias redes sociais. Não faltam lugares e momentos para se expressar. O que não pode, ou pelo menos não deveria, é ocupar regularmente espaço editorial na comunicação social para comentar a atualidade política enquanto exerce funções governativas. Muito menos quando esse membro do Governo é precisamente o responsável político pela tutela da comunicação social. Não é uma questão de censura, nem de liberdade de expressão. É uma questão de bom senso, de separação de papéis e, sobretudo, de aparência de imparcialidade. Quem tem a responsabilidade política de tutelar a comunicação social deve ser particularmente cuidadoso para não transformar essa posição numa espécie de lugar privilegiado de comentário sobre a própria realidade política que integra. (…)” Pedro Arruda.
- CONTOS DO ESQUECIMENTO - Documentário. Argumento e realização: Dulce Fernandes. RTP2, 27 de agosto de 2026, 22h53. O papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Achados arqueológicos recentes em Lagos, no sul de Portugal, revelaram o passado esquecido do papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Numa manhã quente de verão em 1444, na aldeia piscatória de Lagos, no sul de Portugal, foi desembarcado um grupo de pessoas africanas. No campo junto ao porto, foram entregues como escravos aos nobres e comerciantes locais. Durante os 400 anos seguintes, mais de seis milhões de africanos seriam traficados em navios portugueses para a Europa e para o outro lado do Atlântico. Numa tarde chuvosa de inverno de 2009, em Lagos, arqueólogos que escavavam o local onde estava a ser construído um parque de estacionamento subterrâneo, começaram a encontrar esqueletos humanos. Trabalhando no local durante os cinco meses seguintes, enquanto o parque de estacionamento estava a ser construído à sua volta, os arqueólogos descobriram os esqueletos de 158 homens, mulheres e crianças africanos escravizados. Os seus corpos tinham sido depositados numa lixeira do século XV. Entrelaçando estas duas histórias, Contos do Esquecimento cruza histórias de violência e brutalidade do passado com imagens e sons do presente.
- O poder do sionismo - até quando? João Gomes.
- Donald Trump afirmou que irá pedir aos países europeus que reembolsem os EUA pela ajuda militar e pelas munições anteriormente enviadas à Ucrânia, e pareceu insinuar que as vendas aos países aliados seriam suspensas. Fonte.
- O Procurador-Geral da Ucrânia demitiu-se. É acusado de encobrir centros de chamadas fraudulentos que roubaram milhares de milhões a idosos na UE e nos EUA. Fonte.
LEITURAS MARGINAIS
A MENTIRA TEM PERNA CURTA
Entre Outubro de 1941 e Outubro de 1942, a propaganda alemã mentiu desavergonhadamente às tropas, ao povo e à comunidade internacional, asseverando que ganhara a guerra e que a Rússia estava derrotada. Da primeira vez, anunciou que as pinças blindadas estavam prestes a entrar em Moscovo. Dois meses depois, os russos empurraram-nos das cercanias da sua capital e inflingiram aos alemães a primeira grande derrota na guerra. Um ano volvido, anunciaram que Estalinegrado caíra e qwue a URSS perdera a guerra. Três meses volvidos, estes rendiam-se.
A propaganda de guerra deve assentar no equilíbrio de ouro entre a verdade e o realismo. Não deve mentir, senão em aspectos acessórios, deve preservar o essencial que garanta a credibilidade de quem a usa para infundir segurança, esperança e ânimo elevado entre os soldados da frente e a confiança da frente interna, mas, sobretudo, nunca deve correr o risco de desautorização internacional do governo que a produz. A Ucrânia tem mentido repetidamente desde 2022, movimento no qual é acompanhada e incentivada pelos ocidentais. Desde a Ilha das Serpentes, do levantamento do cerco russo a Kiev (resultado do cumprimento russo dos gorados acordos de Istambul), dos falsos massacres de Bucha e Irpin, das grandes batalhas pelas cidades do Donbas, da tão anunciada contra-ofensiva de 2023, das mil mentiras sobre o esgotamento militar russo, da iminente derrocada económica russa e do anedotário que insistia que os russos combatiam com pás, recorriam ao canibalismo, trocavam munições por víveres, a Ucrânia esgotou a sua reputação. Hoje, ninguém assisado acredita numa palavra de Zelensky e destes propagandistas atoleimados que enxameiam a comunicação social ocidental.
Tomo conhecimento do ataque devastador que hoje fez tremer Kiev. Centenas de alvos tocados, edifíos, instalações militares, unidades industriais e grandes superfícies logísticas arrasadas. Após semanas de propaganda em que nos fizeram crer que a Rússia estava a ser destruída pelos ataques ucranianos a refinarias na Rússia, a Ucrânia está desesperada. Não há luz, gás, circulação ferroviária, as estantes dos supermercados vazias. A mentira tem vida curta e quanto maior for, maior a factura de credibilidade exigirá. É aí que estamos.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
DINAMARCA: EÓLICA CONTESTA APOIO ESTATAL A CONCORRENTE SUECA
- A Dansk Vindenergi, uma empresa dinamarquesa do setor da energia eólica terrestre, interpôs uma ação no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) contra o novo sistema de leilões de energia eólica marítima da Dinamarca. A empresa argumenta que o apoio estatal à energia eólica marítima distorce a concorrência, podendo fazer baixar o futuro preço de venda da energia eólica terrestre. A empresa sueca de energia Vattenfall já ganhou contratos para dois projetos eólicos offshore dinamarqueses. Se o processo for bem-sucedido, esses contratos poderão ser revogados, o que poderá paralisar novamente a construção de energia eólica offshore na Dinamarca. Fonte.
- Um em cada 12 clubes de golfe em Inglaterra infringiu as regras relativas à captação de água nos últimos cinco anos. Os clubes oram apanhados a retirar água ilegalmente do meio ambiente, quer por terem retirado mais do que o permitido, quer por o terem feito fora do período autorizado. E tudo isto sem terem sido multados. Fonte.
- Um pequeno número de agricultores está a incluir cereais perenes na rotação de culturas para reforçar a resiliência face a fenómenos meteorológicos extremos, como a seca e as chuvas intensas. Os investigadores estão a trabalhar no desenvolvimento de versões perenes de cereais anuais comuns, como o trigo, o sorgo e o arroz, mas o trabalho avança lentamente. Além disso, a adoção generalizada por parte dos agricultores constitui um desafio, uma vez que as culturas perenes não têm um rendimento tão elevado, a colheita pode ser difícil e o mercado ainda está em desenvolvimento. «Kernza» é uma das várias culturas perenes em desenvolvimento no Land Institute, em Salina, no Kansas. Fonte.
- Várias estações de dessalinização ao longo da costa de Israel foram encerradas ou estão a funcionar com capacidade reduzida devido a uma turbidez invulgarmente elevada da água do mar, associada à proliferação de algas microscópicas. Fonte.
BICO CALADO
- O ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur, anunciou esta quarta-feira que ia abandonar o cargo político depois de se saber que o governo usou fundos da União Europeia para comprar projéteis de artilharia para a Ucrânia a empresas sem qualquer histórico na produção deste tipo de armamento. Fonte.
- Volkswagen vende fábrica a empresa militar israelita. Fabricante automóvel alemão assinou acordo de intenção de venda da fábrica de Osnabrück ao grupo Rafael. Componentes da “Cúpula de Ferro” israelita passarão a ser fabricados na Alemanha. Fonte.
LEITURAS MARGINAIS
O TRÁFICO DE DROGA NEOCOLONIAL E AS GUERRAS DO ÓPIO DO IMPÉRIO BRITÂNICO
Michel Chossudovsky, Substack. Rev. O’Lima.
Abuso de drogas e tráfico ilícito
Nos termos da Resolução 42/112, de 7 de dezembro de 1987, a Assembleia Geral da ONU decidiu celebrar o dia 26 de junho como o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, como forma de manifestar a sua determinação em reforçar as medidas e a cooperação para alcançar o objetivo de uma sociedade internacional livre do abuso de drogas.
Sensibilizar a população
A lavagem de dinheiro consiste no tratamento de rendimentos de atividades criminosas com o objetivo de dissimular a sua origem ilegal. Este processo reveste-se de importância crucial, uma vez que permite ao criminoso usufruir desses sem comprometer a sua origem.
Embora raramente reconhecido, o tráfico de drogas («legal») foi iniciado pelo Império Britânico.
Há uma continuidade. O rótulo «colonial» foi abandonado. Hoje em dia, o comércio de drogas («ilícitas») é uma operação «neocolonial» que movimenta milhares de milhões de dólares.
Os dois principais centros de produção atuais são:
- O Afeganistão, que produz aproximadamente 90% do abastecimento mundial ilegal de ópio (transformado em heroína, morfina e produtos relacionados com opiáceos). Em 2000-2001, houve um programa bem-sucedido de erradicação de drogas, iniciado (com o apoio da ONU) e conduzido pelo governo talibã. Este programa decorreu no ano anterior à invasão liderada pelos EUA e pela OTAN, em outubro de 2001.
- Desde a invasão e a ocupação militar, segundo o UNODC, a produção de ópio aumentou 50 vezes, atingindo 9 000 toneladas métricas em 2017.
- A região andina da América do Sul (Colômbia, Peru, Bolívia), onde se produz cocaína.
- O tráfico de droga é protegido por poderosos interesses financeiros, que, por sua vez, controlam os políticos latino-americanos.
- O tráfico ilegal de narcóticos está intimamente relacionado com o caos político orquestrado e com a «mudança de regime» (por exemplo, no Peru).
Retrospectiva. O papel do Império Britânico
Historicamente, o tráfico de drogas era parte integrante do colonialismo britânico. Era «legal». O ópio produzido em Bengala pela Companhia Britânica das Índias Orientais (BEIC) era enviado para o porto de Cantão, no sul da China. A exportação de ópio patrocinada pelo Estado da Índia Britânica para a China foi, sem dúvida, a maior e mais duradoura operação de tráfico de drogas da história. No seu auge, em meados do século XIX, representava cerca de 15% da receita colonial total na Índia e 31% das exportações indianas. Para abastecer este comércio, a Companhia das Índias Orientais (EIC) — e, mais tarde, o Governo britânico — desenvolveu um sistema de cultivo altamente regulamentado, no qual mais de um milhão de agricultores por ano estavam sob contrato para cultivar papoilas de ópio. O sistema de agências garantia que os agricultores não participassem nos grandes lucros do comércio de ópio. Dado o seu poder de monopólio, as agências de ópio conseguiam «manter o preço do ópio bruto precisamente no limite económico» (Jonathan Lehne, 2011).
Embora a percentagem de terras agrícolas destinadas ao cultivo de ópio fosse comparativamente pequena, a produção de ópio sob o domínio colonial contribuiu, ainda assim, para o empobrecimento da população indiana, desestabilizando o sistema agrícola e provocando inúmeras fomes.
De acordo com uma reportagem incisiva da BBC: «A cultura comercial [o ópio] ocupava entre um quarto e metade da propriedade de um camponês. No final do século XIX, o cultivo de papoila tinha um impacto na vida de cerca de 10 milhões de pessoas naquilo que são hoje os estados de Uttar Pradesh e Bihar. O comércio era gerido pela Companhia das Índias Orientais, a poderosa empresa multinacional criada para o comércio com uma carta real que lhe concedia o monopólio sobre os negócios com a Ásia. Este comércio estatal foi alcançado em grande parte através de duas guerras, que obrigaram a China a abrir as suas portas ao ópio da Índia britânica. … As metas de produção rígidas fixadas pela Agência do Ópio também significavam que os agricultores — o cultivador típico de papoila era um pequeno camponês — não podiam decidir se queriam ou não produzir ópio. Eram obrigados a submeter parte das suas terras e mão-de-obra à estratégia de exportação do governo colonial.»
Fábrica de ópio e armazém de empilhamento da BEIC, Patna, década de 1850
A China e as Guerras do Ópio
Quando o imperador Daoguang da dinastia Qing ordenou a destruição dos stocks de ópio no porto de Cantão (Guangzhou) em 1838, o Império Britânico declarou guerra à China, alegando que esta estava a obstruir o «livre fluxo» do comércio de mercadorias.
O termo «tráfico» aplica-se à Grã-Bretanha. Este foi tolerado e apoiado ao longo de todo o reinado da rainha Vitória (1837-1901). Em 1838, eram exportadas anualmente 1 400 toneladas de ópio da Índia para a China. Na sequência da Primeira Guerra do Ópio, o volume destes carregamentos (que se prolongou até 1915) aumentou drasticamente.
A chamada Primeira Guerra do Ópio (1838-1842), que representou um ato de agressão contra a China, foi seguida pelo Tratado de Nanquim de 1842, que não só protegia as importações britânicas de ópio para a China, como também concedia direitos extraterritoriais à Grã-Bretanha e a outras potências coloniais, levando à formação dos «portos do tratado».
As colossais receitas do comércio de ópio foram então utilizadas pela Grã-Bretanha para financiar as suas conquistas coloniais. Hoje, isso seria designado como «branqueamento de capitais provenientes do tráfico de drogas». O encaminhamento das receitas do ópio serviu também para financiar o Hong Kong Shanghai Bank (HKSB), fundado pela BEIC em 1865, na sequência da primeira guerra do ópio.
Em 1855, Sir John Bowring, em nome do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, negociou um tratado com o rei Mongkut (Rama IV) do Sião, intitulado «Tratado Anglo-Siame de Amizade e Comércio» (abril de 1855), que permitia a importação livre e irrestrita de ópio para o Reino do Sião (Tailândia).
Embora o comércio de ópio da Grã-Bretanha com a China tenha sido abolido em 1915, o monopólio britânico do tráfico de drogas continuou até à independência da Índia, em 1947.
Empresas afiliadas da BEIC, como a Jardine Matheson, desempenharam um papel importante no comércio de drogas.
É de salientar que, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, os interesses financeiros dos EUA assumiram o controlo do comércio de drogas, que se tornou amplamente «dolarizado».
Racismo, Narcóticos e Colonialismo
Os historiadores têm-se centrado no comércio triangular de escravos no Atlântico: escravos provenientes de África exportados pelas potências coloniais para as Américas, seguidos de mercadorias produzidas nas plantações com recurso ao trabalho escravo e exportadas de volta para a Europa.
O comércio colonial de drogas da Grã-Bretanha apresentava uma estrutura triangular semelhante. O ópio produzido nas plantações coloniais por agricultores empobrecidos de Bengala era exportado para a China, cujas receitas (pagas em moedas de prata) eram utilizadas, em grande parte, para financiar a expansão imperial da Grã-Bretanha, incluindo a exploração mineira na Austrália e na África do Sul.
Não foi paga qualquer compensação às vítimas do comércio de drogas do Império Britânico: os agricultores empobrecidos de Bengala, os povos da Índia e da China.
Juntamente com o comércio triangular de escravos no Atlântico, o tráfico colonial de drogas constitui um crime contra a humanidade.
Tanto o tráfico de escravos como o tráfico de drogas foram sustentados pelo racismo. Em 1877, Cecil Rhodes apresentou um «projeto secreto» que consistia em integrar os impérios britânico e norte-americano num único império anglo-saxónico «supremacista branco»: «Defendo que somos a melhor raça do mundo… Imaginem aquelas regiões que, atualmente, são habitadas pelos exemplares mais desprezíveis da humanidade… Por que não formávamos uma sociedade secreta… para tornar a raça anglo-saxónica num único império… África continua à nossa espera; é nosso dever conquistá-la. … É nosso dever aproveitar todas as oportunidades para adquirir mais território e devemos manter sempre presente esta ideia: que mais território significa simplesmente mais da raça anglo-saxónica, mais da melhor, mais humana e mais honrada raça que o mundo possui.”
Há uma continuidade entre a «guerra contra a droga» legítima, de estilo colonial, liderada pelo Império Britânico, e as atuais estruturas de tráfico de droga: o Afeganistão sob ocupação militar dos EUA, o narco-Estado na América Latina.
O tráfico de droga é um negócio de vários biliões de dólares. O Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime estima que a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de droga e de outras atividades criminosas seja da ordem dos 2 a 5 por cento do PIB global, ou seja, entre 800 mil milhões e 3 biliões de dólares. O dinheiro da droga é branqueado através do sistema bancário global.
Recorde-se o escândalo do crack revelado em 1996 pelo jornalista Gary Webb. O crack era vendido às comunidades afro-americanas de Los Angeles.
Desde 2001, a venda a retalho de heroína e opióides tem-se tornado cada vez mais uma «arma» dirigida contra a perpetuação do racismo, da pobreza e da desigualdade social.
Embora o tráfico de drogas atual seja fonte de riqueza e enriquecimento, a toxicodependência disparou. Em 2001, 1 779 americanos morreram em resultado de overdose de heroína.
Em 2016, a dependência da heroína resultou em 15 446 mortes. Essas vidas teriam sido salvas se os EUA e os seus aliados da OTAN NÃO tivessem invadido e ocupado o Afeganistão em 2001.
Mortalidade relacionada com drogas. Impactos do confinamento devido à COVID-19 (março de 2020)
As principais categorias de opiáceos (CDC) são as seguintes: heroína ilegal, opiáceos sintéticos, como o fentanil, os chamados «analgésicos», incluindo a oxicodona (OxyContin®) e a hidrocodona (Vicodin®), codeína, morfina, etc.
Nos últimos acontecimentos, decorrentes do confinamento devido à COVID-19, a mortalidade resultante do consumo de cocaína, heroína e opiáceos aumentou drasticamente. Este aumento teve início em fevereiro de 2020 (coincidindo com a crise financeira). Na sequência do confinamento de meados de março de 2020, as mortes por overdose dispararam. Em maio de 2020, o número de mortes por overdose ultrapassou as 3 000, ou seja, um aumento de mais do triplo em relação às mortes por overdose registadas antes da crise do coronavírus (ver gráfico). Nos EUA, as mortes mensais por overdose registadas em 2020 mais do que triplicaram.
Os dados do CDC confirmam que o aumento das mortes atribuíveis a overdose de drogas tem continuado a aumentar: De 71 130 mortes em 2019 (final de dezembro de 2019) para 92 478 em 2020 (final de dezembro de 2020), ou seja, um aumento de 21 348 mortes ao longo de 2020 em relação a 2019. Esta tendência ascendente manteve-se ao longo de 2021. (Ver Michel Chossudovsky, The Worldwide Corona Crisis. Global Coup d’État Against Humanity). No período de doze meses que terminou em junho de 2021, o número de mortes por overdose registadas atingiu quase 100 000 vítimas mortais (final de junho de 2021: 98 022) (Ibid.).
Mortes relacionadas com opiáceos no Canadá
A tendência no Canadá é consistente com a observada nos EUA. Registou-se um aumento dramático das mortes relacionadas com opiáceos em Ontário, na sequência do estado de emergência de confinamento de 17 de março de 2020, que se juntou ao desemprego resultante da paralisação da atividade económica: o número de mortes relacionadas com opiáceos aumentou rapidamente nas semanas que se seguiram à declaração do estado de emergência em Ontário, a 17 de março de 2020. No total, verificou-se um aumento de 38,2% nas mortes relacionadas com opióides nas primeiras 15 semanas da pandemia da COVID-19 (695 mortes; média de 46 mortes por semana), em comparação com as 15 semanas imediatamente anteriores (503 mortes; média de 34 mortes por semana)[ibid].
Vale a pena referir que, durante a pandemia, o fentanil (opioide farmacêutico) foi responsável por 87% das mortes relacionadas com opiáceos (87,2% [N=538 de 617]), em comparação com a coorte pré-pandémica (79,2% [N=399 de 504]).22
O gráfico seguinte apresenta uma imagem clara do aumento dramático das consultas de emergência por overdose de opiáceos em Ottawa, desde janeiro de 2020 até dezembro de 2020.
Fonte: Saúde Pública de Ontário
terça-feira, 8 de setembro de 2026
ALEMANHA APOIOU COLONATOS SIONISTAS
- O governo alemão canalizou secretamente milhões de euros para um projeto de investigação que contribui diretamente para a expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada. O projeto MedWater, coordenado pela Universidade Técnica de Berlim entre 2017 e 2021, recebeu 1 818 348 euros para desenvolver uma ferramenta de gestão da água para modelar o impacto da adição ou remoção de poços de água. A ferramenta foi desenvolvida em colaboração direta com as autoridades responsáveis pela água de Israel e acabou por ser transferida para a Mekorot, a empresa nacional de água de Israel, que gere poços nos colonatos israelitas em toda a Cisjordânia. Os palestinianos estiveram completamente ausentes das sessões de trabalho do projeto e não há qualquer forma de poderem beneficiar desta ferramenta. Na verdade, à Autoridade Palestiniana da Água, inicialmente designada como parceira, não foi atribuído qualquer subcontrato. A ferramenta identifica áreas ideais para novos poços num território onde as fontes de água palestinianas são sistematicamente demolidas e aos palestinianos são rotineiramente recusadas licenças para abrir novos poços. A demonstração pública da ferramenta chegou mesmo a calcular o impacto da criação de novos poços na província de Hebron — uma área acessível apenas aos colonos israelitas. O projeto viola as obrigações jurídicas internacionais da Alemanha, citando especificamente um Parecer Consultivo do TIJ de julho de 2024 que obriga todos os Estados a «não prestar ajuda ou assistência» à ocupação israelita. A própria «Cláusula Territorial» de Berlim é também citada como estando repleta de lacunas que foram exploradas. Fonte.
- O Novo México proíbe o arrendamento de terrenos estatais para a exploração de urânio. Esta medida para bloquear novos projetos mineiros surge num momento em que a administração Trump procura relançar a produção de urânio nos EUA. Fonte.
REFLEXÃO
INGLATERRA: EMPRESAS UTILIZAM SECRETAMENTE MILHARES DE MILHÕES DE LITROS DE ÁGUA PÚBLICA
Rachel Salvidge, The Guardian. Rev. O’Lima.
A refinaria de petróleo de Fawley, em Southampton, é o maior consumidor industrial da rede pública de abastecimento de água.
Fotografia: Daniel Leal/AFP/Getty Images
As empresas em toda a Inglaterra consomem 2,6 mil milhões de litros de água por dia provenientes da rede pública — cerca de 30 % do consumo total, dois terços dos quais são consumidos em zonas com escassez de água. Isto acontece numa altura em que milhões de famílias enfrentam proibições de rega com mangueira e três quartos da Inglaterra se encontram em situação de seca.
Entre os maiores consumidores contam-se refinarias de petróleo, fábricas de produtos químicos e fábricas de papel. A refinaria da ExxonMobil em Fawley, perto de Southampton, foi identificada como o maior consumidor individual da rede pública de abastecimento de água, embora a empresa tenha contestado os números e alegado que o seu consumo é informação comercial confidencial. Outros grandes consumidores incluem fábricas de papel e empresas de refrigerantes.
Rastrear o consumo de água industrial é extremamente difícil. Uma em cada dez empresas não dispõe de contadores — o seu consumo não é medido nem comunicado e das que dispõem de contadores, apenas 11 % têm contadores inteligentes. Além disso, os dados recolhidos não podem ser partilhados livremente, nem mesmo com os departamentos governamentais, devido às regras de «sigilo comercial». As entidades reguladoras afirmam que esta falta de dados já está a afetar o planeamento nacional da água.
As empresas não têm qualquer obrigação de comunicar todo o seu consumo de água e, para algumas, quanto mais água consomem, mais barata se torna cada unidade — um incentivo perverso. Existe também uma enorme lacuna legal que permite a qualquer pessoa retirar até 20 000 litros por dia de ribeiros, furos ou nascentes sem licença nem obrigação de comunicação — abrangendo cerca de 850 000 pessoas e organizações.
Os planos oficiais partem do princípio de que o consumo de água pelas empresas diminuirá 9 % até 2038, mas a Water UK defende que tal não é realista, tendo em conta a crescente procura por parte dos centros de dados, da produção de hidrogénio e das novas habitações. Os ativistas condenaram a situação, com Feargal Sharkey a classificá-la de «ineptidão regulatória» e Richard Benwell, da Wildlife and Countryside Link, a referir-se a ela como uma «injustiça», dado que as empresas de combustíveis fósseis estão a esgotar os recursos hídricos.
O governo afirma estar a tomar medidas através da construção de reservatórios, enquanto a Agência do Ambiente e a Ofwat apelam à apresentação obrigatória de relatórios em todos os setores. Entretanto, as empresas de abastecimento de água continuam a perder cerca de 2,2 mil milhões de litros por dia devido a fugas.
BICO CALADO
- CHEGA ameaça fechar a Lusa, mas jornal do partido vai buscar à agência 57% das ‘suas’ notícias. Fonte.
- Dois altos dirigentes e conselheiros de Farage pediram a demissão dos cargos após terem sido apanhados a negociar com supostos doadores dos EUA - que eram na verdade os repórteres de investigação - o pagamento de três sondagens encomendadas pelo partido e que no total custaram 32,5 mil libras. Fonte.
- Segundo notícias, o Departamento de Defesa do presidente dos EUA, Donald Trump, está a trabalhar no sentido de desviar milhares de milhões de dólares de financiamento federal dos Institutos Nacionais de Saúde para reforçar o orçamento do Pentágono, numa altura em que a administração trava uma guerra dispendiosa, destrutiva e de duração indeterminada contra o Irão. Fonte.
LEITURAS MARGINAIS
DESMASCARANDO OS MITOS DA DIREITA SOBRE A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NA GRÃ-BRETANHA
Irfan Chowdhury, Substack. Rev. O’Lima.
Propriedade florestal, Guiana Britânica (Demerara), 1834. Fonte: Thomas Staunton St. Clair, A Residence in the West Indies and America (Londres, 1834), vol. 2, página oposta à p. 187. (Cópia na Library Company of Philadelphia).
1 A Grã-Bretanha não foi o primeiro país a abolir a escravatura
O primeiro país a pôr fim à escravatura de forma completa e permanente foi o Haiti, em 1804, com o sucesso da Revolução Haitiana, na qual os escravos se revoltaram contra o domínio imperial francês. Em contrapartida, a Grã-Bretanha só pôs fim à escravatura de forma completa e permanente em 1838.
A França revolucionária tinha abolido formalmente a escravatura em 1794, mas a aplicação da abolição nas colónias francesas foi limitada. Por exemplo, a Ilha de França e a Ilha da Reunião mantiveram a escravatura porque os colonos desses locais simplesmente recusaram os emissários que vieram informá-los da abolição em 1796. Além disso, a abolição não foi aplicada na Martinica; os colonos locais entregaram o território aos britânicos a 22 de março de 1794, e os britânicos permitiram que os plantadores franceses mantivessem os seus escravos. De qualquer forma, Napoleão Bonaparte restabeleceu formalmente a escravatura nas colónias francesas em 1802.
2 A Grã-Bretanha aboliu a escravatura em grande parte devido às revoltas de escravos nas Caraíbas
Conforme referido pelos Museus Reais de Greenwich, «A campanha [na Grã-Bretanha] para pôr fim à escravatura coincidiu com as revoltas da Revolução Francesa e com a retaliação das comunidades de escravos nas colónias britânicas.» Um ponto de viragem crucial que contribuiu para que a Grã-Bretanha tomasse medidas para abolir a escravatura foi a Revolução Haitiana: «A Revolução Haitiana, como ficou conhecida, foi a única rebelião de escravos bem-sucedida na história mundial. Tornou-se um ponto alto da resistência dos africanos escravizados nas Caraíbas e nas Américas e constituiu um ponto de viragem na luta pela abolição da escravatura transatlântica. Três anos mais tarde, a 25 de março de 1807, o rei Jorge III promulgou a Lei para a Abolição do Tráfico de Escravos, proibindo o comércio de pessoas escravizadas no Império Britânico.»
A Guerra Batista de 1831-32 foi uma importante revolta de escravos na Jamaica, que envolveu cerca de 60 000 escravos que se levantaram contra o domínio imperial britânico. A revolta foi brutalmente reprimida pelos britânicos. No entanto, o historiador Samuel Momodu observou que «A Guerra Batista, contudo, levou a Grã-Bretanha a adotar a emancipação total em todas as suas colónias, incluindo a Jamaica e as Índias Ocidentais, em 1838.»
Rebeliões de escravos anteriores, como a Revolta de Tacky na Jamaica, em 1760-61, também ajudaram a preparar o caminho para a abolição, ao criarem perturbações e suscitarem simpatia em parte da população britânica, na sequência das brutais represálias coloniais que se seguiram. Estas revoltas demonstraram gradualmente que a instituição da escravatura era insustentável.
3 A Marinha Real não libertou os africanos escravizados
Na sequência da aprovação da Lei para a Abolição do Tráfico de Escravos em 1807 — que proibiu o tráfico de escravos no Império Britânico, embora não proibisse a prática da escravatura em si —, a Marinha Real começou a intercetar navios negreiros a partir de 1808. No entanto, os escravos que foram «libertados» através destas missões foram sujeitos a novos maus-tratos e exploração por parte dos seus «libertadores» britânicos.
Estima-se que 150 000 homens, mulheres e crianças escravizados tenham sido intercetados pela Marinha Real nestes navios e transportados para as colónias britânicas da Serra Leoa e de Santa Helena. Após atracarem, os britânicos obrigaram estes ex-escravos a permanecer a bordo dos navios em condições terríveis durante longos períodos de tempo — por vezes meses — enquanto decorriam os trâmites burocráticos. O resultado foi que um grande número destes ex-escravos morreu e sofreu de doenças enquanto se encontrava confinado nos navios atracados.
Além disso, assim que lhes foi permitido desembarcar dos navios, estes antigos escravos não foram repatriados para os seus países de origem; em vez disso, foram sujeitos a condições não muito diferentes da escravatura da qual tinham sido «libertados». Os homens foram obrigados a cumprir o serviço militar obrigatório; as crianças foram obrigadas a entrar em regimes de aprendizagem, nos quais, durante vários anos, tiveram de trabalhar sem remuneração para um mestre; e as mulheres foram frequentemente forçadas a casar com homens escolhidos ao acaso, incluindo soldados britânicos.
4 A Lei de Abolição da Escravatura de 1833 manteve a prática da escravatura, com ligeiras modificações
A aprovação da Lei de Abolição da Escravatura em 1833 não pôs fim à escravatura. Na verdade, os escravos com mais de seis anos de idade tinham de entrar num sistema de «aprendizagem», no qual continuavam a trabalhar sem remuneração durante quarenta horas e meia por semana nas plantações dos seus antigos senhores. Esta situação prolongou-se por mais cinco anos.
Aos magistrados britânicos foi concedido o poder de ordenar castigos corporais contra estes trabalhadores não remunerados e de prolongar a duração do seu serviço, caso fossem considerados pouco cooperantes. Aqueles que não cumpriam as ordens eram ainda mais punidos, sendo detidos em novas prisões equipadas com rodas de treino, para que pudessem continuar a ser explorados.
A Elizabeth Heyrick Society observou: «A crueldade não foi reduzida. Foi simplesmente transferida para um magistrado e transformada em burocracia.» A razão pela qual este sistema foi finalmente abolido em 1838 é que, segundo a Elizabeth Heyrick Society, «as pessoas a ele sujeitas recusaram-se a aceitá-lo. Em todas as Caraíbas, os aprendizes entraram em greve, largaram as ferramentas e simplesmente recusaram-se a trabalhar sob um regime que identificaram, com razão, como escravatura com um novo nome.»
5 Após a abolição, a Grã-Bretanha indemnizou os proprietários de escravos — e não os escravos
Em 1835, a Grã-Bretanha indemnizou os proprietários de escravos pela «perda de bens». Os escravos não receberam qualquer indemnização.
O governo britânico contraiu um empréstimo de 20 milhões de libras para indemnizar os proprietários de escravos — o que, na altura, correspondia a 40 % das receitas anuais do Tesouro e a 5 % do PIB da Grã-Bretanha. Os contribuintes britânicos só terminaram de saldar esta dívida em 2015.
Estes factos demonstram que a Grã-Bretanha foi forçada a abolir a escravatura em grande parte devido às revoltas dos próprios escravos; que se arrastou neste processo; que a Marinha Real intercetou navios negreiros, mas depois entregou os escravos «resgatados» a mais maus-tratos e exploração nas colónias britânicas; que a escravatura foi, de certa forma, renomeada, e não abolida, em 1833; que foi finalmente abolida em 1838, mais uma vez em grande parte devido à desobediência dos próprios escravos; e que foi paga uma indemnização aos proprietários de escravos, enquanto os escravos não receberam nada.
Esta não é uma história de que nos possamos orgulhar.
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