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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

LEITURAS MARGINAIS

DE GUIMARÃES AO GENOCÍDIO



O presidente da câmara de Guimarães, município com o cognome ‘cidade berço de Portugal, recebe o embaixador de Israel, para estreitar a cooperação, entre outras áreas, na “protecção civil”.
Sim, Guimarães vai recorrer a Israel para “explorar novas possibilidades de cooperação em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território”, e a autarquia destaca “a protecção civil” (ler texto infra).

Como o presidente da câmara é identificado com o nome “Ricardo Araújo” pensei, por um instante, que fosse mais uma boa pilhéria do nosso RAP e que faltava só o último nome dele neste número burlesco. Mas não. Trata-se mesmo do presidente da câmara de Guimarães e não do cómico homónimo.

Israel é obviamente a parceria que os municípios portugueses devem procurar para reforçar a segurança dos seus cidadãos, sobretudo se forem lusitanos da primeira hora, claro.

O governo de Netanyahu dispõe dos maiores especialistas na área da protecção civil. O seu trabalho está bem patente na Palestina (Faixa de Gaza e Cisjordânia), mas também no Líbano, na Síria e até em remotas aldeias do Iraque e Irão. Onde houver casas ainda de pé, onde houver mercados, aldeias, hospitais, escolas, onde viverem famílias com crianças, o governo de Netanyahu tem uma solução para acabar, de vez, com o problema.

Outras autarquias que queiram resolver os seus problemas urbanos, por exemplo bairros étnicos ou minorias contestatárias que exijam água e comida ou direitos cívicos, deviam, desde já, aderir a esta iniciativa do autarca de Guimarães.

Mas também noutras áreas, como “a inovação” e “a tecnologia” a câmara municipal de Guimarães e o seu autarca querem estreitar as relações com Israel. Ora sabemos que programas de reconhecimento facial, para identificar minorias e delinquentes, tal como drones guiados por Inteligência Artificial que atacam zonas residenciais, podem ser programados para reconhecer e atacar outros alvos. A imaginação será o limite para o senhor presidente da câmara Ricardo Araújo. Quanto à imaginação do embaixador de Israel, não tenho grandes dúvidas quanto aos alvos que tem na mira. A história repete-se, uma e outra vez, primeiro como tragédia, depois como número de comédia stand up dum autarca oportunista.

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