INGLATERRA: EMPRESAS UTILIZAM SECRETAMENTE MILHARES DE MILHÕES DE LITROS DE ÁGUA PÚBLICA
Rachel Salvidge, The Guardian. Rev. O’Lima.
A refinaria de petróleo de Fawley, em Southampton, é o maior consumidor industrial da rede pública de abastecimento de água.
Fotografia: Daniel Leal/AFP/Getty Images
As empresas em toda a Inglaterra consomem 2,6 mil milhões de litros de água por dia provenientes da rede pública — cerca de 30 % do consumo total, dois terços dos quais são consumidos em zonas com escassez de água. Isto acontece numa altura em que milhões de famílias enfrentam proibições de rega com mangueira e três quartos da Inglaterra se encontram em situação de seca.
Entre os maiores consumidores contam-se refinarias de petróleo, fábricas de produtos químicos e fábricas de papel. A refinaria da ExxonMobil em Fawley, perto de Southampton, foi identificada como o maior consumidor individual da rede pública de abastecimento de água, embora a empresa tenha contestado os números e alegado que o seu consumo é informação comercial confidencial. Outros grandes consumidores incluem fábricas de papel e empresas de refrigerantes.
Rastrear o consumo de água industrial é extremamente difícil. Uma em cada dez empresas não dispõe de contadores — o seu consumo não é medido nem comunicado e das que dispõem de contadores, apenas 11 % têm contadores inteligentes. Além disso, os dados recolhidos não podem ser partilhados livremente, nem mesmo com os departamentos governamentais, devido às regras de «sigilo comercial». As entidades reguladoras afirmam que esta falta de dados já está a afetar o planeamento nacional da água.
As empresas não têm qualquer obrigação de comunicar todo o seu consumo de água e, para algumas, quanto mais água consomem, mais barata se torna cada unidade — um incentivo perverso. Existe também uma enorme lacuna legal que permite a qualquer pessoa retirar até 20 000 litros por dia de ribeiros, furos ou nascentes sem licença nem obrigação de comunicação — abrangendo cerca de 850 000 pessoas e organizações.
Os planos oficiais partem do princípio de que o consumo de água pelas empresas diminuirá 9 % até 2038, mas a Water UK defende que tal não é realista, tendo em conta a crescente procura por parte dos centros de dados, da produção de hidrogénio e das novas habitações. Os ativistas condenaram a situação, com Feargal Sharkey a classificá-la de «ineptidão regulatória» e Richard Benwell, da Wildlife and Countryside Link, a referir-se a ela como uma «injustiça», dado que as empresas de combustíveis fósseis estão a esgotar os recursos hídricos.
O governo afirma estar a tomar medidas através da construção de reservatórios, enquanto a Agência do Ambiente e a Ofwat apelam à apresentação obrigatória de relatórios em todos os setores. Entretanto, as empresas de abastecimento de água continuam a perder cerca de 2,2 mil milhões de litros por dia devido a fugas.
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