segunda-feira, 25 de maio de 2015

Horta: praia de Porto Pim novamente com micro plásticos

Praia de Porto Pim, Horta-Açores. Foto de Tiago Redondo 24mai2015.

A Praia de Porto Pim, na Horta, apareceu novamente juncada de micro plásticos. Nos últimos 20 anos este tipo de ocorrência tem-se tornado mais frequente neste e noutros locais, sendo estas partículas plásticas trazidas pelas marés. 90% dos resíduos plásticos abandonados pelo homem acabam sendo erodidos na beira-mar e as correntes, as marés e até mesmo o vento vão transportando os resíduos plásticos até estes encontrarem terra firme, como agora voltou  a aconteceu. É, por isso, cada vez mais importante os cidadãos consciencializarem-se de que todo o cuidado é pouco com os plásticos, com o modo como lidamos com eles e como nos desfazemos deles. Se não formos cuidadosos, qualquer dia estamos a ingerir plástico sem sabermos.

Japão: edifícios públicos vão aproveitar água da chuva

  • Cidadãos de 38 países manifestaram-se em 428 cidades para, globalmente, protestarem contra as práticas agrícolas tóxicas promovidas pela Monsanto, uma empresa cujo modelo de negócio acaba por contaminar o planeta e os cidadãos, destruir o ecossitema agrícola, monopolizar as sementes e ameaçar quem a critica e enfrenta. Os manifestantes exigiram ainda a proibição do glifosato, a substância ativa do herbicida Roundup considerado cancerígeno pela Organização Mundial de Saúde. Natural News.
  • O governo japonês aprovou uma lei que obriga todos os futuros edifícios públicos a incluirem um sistema de armazenagem de águas da chuva para uso nas casas de banho enos sistemas contra incêndios. JFS.

Reflexão: quem lê o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?

Rio Li, China. Foto de Michael Sheridan.

No Ambiente Ondas3, as 3 textos mais populares dos últimos 8 dias foram, segundo a Google Analytics:
As visitas vieram, por ordem decrescente, de Portugal, do Brasil, dos EUA, de França, do Reino Unido, de Angola, da Bélgica, do Canadá, de Espanha e de Itália.
Proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa: Espinho, Lisboa, Gaia,Porto, São Paulo, Aveiro, Braga, Coimbra e Ponta Delgada

Obrigado pela vossa preferência. Voltem sempre.

Bico calado

  • A multa de 5,7 biliões de dólares do Citigroup, ao JPMorgan Chase, ao Barclays, ao Royal Bank of Scotland e ao UBS são amendoins, escreve Carey Wedler. Que é isso comparado com os 40,24 biliões de lucros realizados apenas na segunda metade de 2014? Que é isso comparado com os triliões que eles receberam de bailouts no fim da crise financeira? Isto é uma farsa, porque as multas não impedem os bancos de fazer das suas e de serem multados. Não foi o vice-presidente do Barclays que disse em 2010, acerca dos crimes pelos quais o seu banco tinha sido condenado, «Se não fizeste batota não tentaste»? The Anti-media.
  • «Pelo caminho, não perdoa a dois ex-companheiros de partido: Marques Mendes, o ex-líder do PSD que em 2005 vetou a sua candidatura a Oeiras por já estar a braços com a Justiça, e que mais tarde, como político comentador, ‘quase todos os dias pedia a minha demissão’; e Paula Teixeira da Cruz, acusada de ter influenciado o seu processo, como ministra da Justiça, com declarações públicas contra as prescrições. ‘Pessoa sem princípios e sem carácter’, escreve Isaltino da ministra, que diz ter despedido da Universidade Atlântica em 2007, depois de  Mendes a ter ‘contratado para assessoria jurídica’, tendo-lhe sido pagos ‘mais de €139 mil’. ‘Dado que não foram encontradas evidências do trabalho de PTC’, Isaltino cessou o contrato e hoje põe o dedo na ferida: ‘A hipocrisia estava patente na contradição entre as virtudes públicas de que se reclamavam e o apego às avenças e cargos que lhes conferia o vil metal’. Marques Mendes ‘é um caso de ingratidão típico’ e Isaltino não perdoa. No pátio da Carregueira, quando F., ex-armador de Sesimbra, se lhe referiu a Mendes como ‘o salafrário do baixinho’, diz que ‘nisso, fui obrigado a concordar com ele’. Uma nota de rodapé promete mais: ‘Todos estes episódios serão contados em profundidade e detalhe noutra obra, que publicarei dentro de algum tempo.’» Expresso.

domingo, 24 de maio de 2015

Estrogénio nos rios afeta truta marisca

Cascata do Arado, Gerês. Foto de Fernando Vilarinho 10mai2015.
  • O aumento da poluição dos rios com estrogénio pode afetar o desenvolvimento da truta castanha (Salmo trutta) e contribuir para o declínio da sua população, revela um estudo suíço. Vulgarmente conhecida em Portugal como truta marisca, é uma espécie considerada criticamente em perigo pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Apenas as populações dos rios Minho e Lima apresentam a forma migradora (e não a forma sedentária), ou seja, aquelas cujos peixes eclodem em água doce e, passados um a dois anos, migram para o mar onde crescem até à maturação sexual. Só depois regressam aos locais de nascimento para se reproduzirem, normalmente em zonas de baixa profundidade, com velocidades de corrente moderada e bem oxigenadas e sem poluição. A poluição, as alterações climáticas, a extracção de água para rega e a sobre-pesca são as causas apontadas para a provável extinção das populações de truta-marisca. EC e Wikipedia.
  • A petrolífera Plains All American Pipeline arroga-se o direito de manipular e censurar notícias acerca da maré negra que um oleoduto seu provocou ao longo da costa de Santa Barbara, denuncia a revista The Nation. O seu diretor executivo Greg Armstrong terá afirmado: «As nossas equipas estão a trabalhar  contra-relógio para evitar que as informações sobre o incidente se espalhem para além das páginas interiores dos jornais e os minutos finais de programas de notícias. A nossa prioridade é fazer tudo ao nosso alcance para garantir que este derrame de petróleo se limite a um segmento de 30 segundos ou a um artigo de 150 palavras no máximo. Uma vez contido, temos equipas especializadas que podem, rapidamente e com segurança, removê-lo das notícias e limitar qualquer dano que poderia causar.»
  • Uma linha de combóio de 5.300 Km vai ser financiada pela China na América do Sul, devendo ligar a costa do Pacífico à do Atlântico, atravessando um corredor na floresta amazónica. Os críticos já alertaram para os potenciais perigos do projeto e para o facto de ele forçar a deslocalização dos nativos. Relembram ainda as controvérsias e os conflitos gerados por anteriores projetos megalómanos, como a rodovia transamazónica, a barragem de Belo monte e a mina de Carajás, devido aos fortes impactos provocados. The GuardianBBC e Notícias ao Minuto.

Mão pesada

  • Um indivíduo foi multado em 2.568 libras e condenado a 100 horas de trabalho comunitário por queima ilegal de resíduos num habitat de aves, no estuário do rio Tees, em Middlesbrough. Gov.UK.
  • Um indivíduo foi condenado a 7 meses de prisão por queima ilegal de resíduos em terreno que não lhe pertencia, em Burton-upon-Trent, Staffordshire. Gov.UK.
  • A Marathon Petroleum Corporation foi multada em 2,9 milhões de dólares e obrigada a investir 2,8 milhões em equipamento de controlo de emissões de compostos orgânicos voláteis em 10 unidades à sua responsabilidade em 3 estados. EPA.

Bico calado

  • Sajid Javid, ex-secretário da Cultura eagora nomeado secretário dos Negócios, denunciou ao primeiro ministro David Cameron a intenção da secretária da Administração Interna Theresa May de aumentar poder censório da reguladora mediática britânica, alegando que se tratava de uma ameaça para a liberdade de expressão no Reino Unido. RT.
  • Gilberto Torres, dirigente sindical colombiano, processou a BP por alegada cumplicidade da petrolífera no seu rapto e tortura há 13 anos. Raptado em fevereiro de 2002 quando preparava uma greve em protesto contra o assassinado de um líder sindical, foi libertado 42 dias depois dos trabalhadores terem ameaçado lançar uma greve a nível nacional. As Nações uNidas calculam que 3 mil sindicalistas tenham sido assassinados e 6 mil tenham desaparecido na região de Casanare nos últimos 30 anos.  The Guardian.

sábado, 23 de maio de 2015

Tudo ao monte e fé na reciclagem


O coração turístico de Espinho também tem destes contentores especiais, diferentes da grande maioria. São para resíduos indiferenciados, dizem. De facto, qual a diferença entre papel, cartão, plástico, vidro e outros tipos de resíduos? Tudo ao monte e fé na reciclagem.

Política de pesticidas permeável a pressões

Imagem retirada daqui.
  • A União Europeia abandonou projetos de legislação contra 31 pesticidas contendo desreguladores endócrinos responsáveis por casos de cancro e infertilidade. Tudo depois de pressões norte-americanas e da alemã BASF no âmbito do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP). Tudo depois de se saber que os problemas de saúde provocados por estes pesticidas custaram 150 biliões de euros às vítimas. The Guardian.
  • Os patos já têm vias de circulação especiais para si. A Canal & River Trust, que conserva mais de 2 mil milhas de linhas de canais em Inglaterra e no País de Gales, já os disponibilizou em Londres, Birmingham e Manchester. City Metric.
  • Hillary Clinton, candidata às presidenciais norte-americanas, está a perder o apoio de Democratas. Alguns já lhe chamam «Noiva de Frankenfood» pelas relações íntimas que mantém com a gigante dos trangénicos Monsanto. The Washington Times.
  • A empresa responsável pelo derrame de crude que provocou uma maré negra ao longo da costa de Santa Barbara, Califórnia, tem um vasto currículo de acidentes semelhantes. A Plains All American Pipeline LP registou 175 acidentes de 2006. Mais pormenores no Switchboard.
  • O Oceano Pacífico que banha a costa leste dos EUA está a morrer e a tornar-se deserto, conclui um estudo da Ocean Health. Cada vez mais animais marinhos dão à costa mortos, um dos sinais de que algo não está bem. As capturas da sardinha têm diminuído drasticamente. A temperatura do mar está entre 3,5 e 6 graus mais quente do que a média porque, dizem os peritos, tem havido pouco vento do norte na costa leste. O vento norte conduz a corrente que traz nutrientes para os peixes e outros animais marinhos. Por outro lado, a poluição, através dos químicos lançados pelas indústrias, as escorrências de fertilizantes e pesticidas, os resíduos dos antibióticos aplicados na aquacultura e os esgotos não tratados não serão alheia a estes impactos. SHTFplan.

Reflexão – os 10 melhores países em democracia ambiental

O Índice de Democracia Ambiental analisou 70 países segundo 75 parâmetros e concluiu o seguinte:
  • 10 Melhores: Lituânia, Letónia, Rússia, EUA, África do Sul, Reino Unido, Hungria, Bulgária, Panamá, Colômbia, Irlanda, Equador.
  • 10 piores: Belize, Camboja, Jordânia, Saint Lucia, Nepal, Sri Lanka, Congo, Namíbia, Malásia, Haiti.

Bico calado

10 coisas a considerar ao votar no próximo presidente da FIFA, sugere a Transparency International:

A FIFA precisa de um presidente que possa inspirar confiança, que promova a transparência e a responsabildiade por todos os atos. Os numerosos escândalos da FIFA sob a direção de 17 anos de Blatter assim o exigem. 
(1) Durante mais de 10 anos a FIFA serviu-se de uma investigação judicial suiça por alegada corrupção para recusar responder sobre casos de suborno e corrupção. Finalmente, em 2013, a FIFA confirmou que o ex-presidente João Havelange e o ex-diretor Ricardo Texeira tinham aceitado subornos; 
(2) A FIFA organizou dois leilões para os mundiais de 2018 e 2022 que provocaram conflitos entre os concorrentes, encobrindo dados na investigação que se seguiu; 
(3) A FIFA recusou publicar os resultados da investigação sobre os leilões dos mundiais de 2018 e 2022; 
(4) A FIFA publicou apenas um sumário dessa investigação após pressões da opinião pública; 
(5) O relatório dessa investigação ainda não foi publicado; 
(6) A FIFA não declara os vencimentos pagos aos seus executivos ou membros da comissão executiva. Em 2014 diz ter pago 88,6 milhões de dólares a 474 funcionários, uma média de 186,900 por cada, mas omitiu quanto pagou aos seus executivos; 
(7) A FIFA declarou 5,7 biliões de dólares de receitas em 2014, ano de mundial, omitindo pormenores. Diz ter reservas de 1,5 biliões; 
(8) A FIFA exige que os países anfitriões dos mundiais lhe entreguem uma percentagem alta dfas receitas, livres de impostos. Isso deve ter custado 250 milhões ao Brasil; 
(9) Não há tempo limite para o execíciodo número de mandatos da comissão executiva, pelo que o nepotismo é um risco real; 
(10) A FIFA não tem, na sua comissão executiva, nenhum diretor externo nãoexecutivo. Até agora 10 comissários e diretores de federação doram expulsos por corrupção. 

E ainda: 

A FIFA gastou 24 milhões de dólares num filme elogiando as suas virtudes e as de Blatter. 24 milhões é cerca de metade do orçamento de 2016 para um fundo de apoio a projetos relacionados com o desenvolvimento do futebol em países membros da FIFA.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Era uma vez areia à procura de uma duna


Era uma vez uns grãos de areia que decidiram reencontrar-se com a sua família numa antiga, remota duna. O vento bem os ajudou, mas eles enganaram-se no caminho e acabaram bloqueando um pluvial. Alguém poderá ajudá-los a reencontrar a sua família numa duna desaparecida?

Pagou 350 mil para abater rinoceronte


Reflexão – a ecologia é um bom negócio

Os dólares e a economia verde: a ecologia é um bom negócio, escreve Cindy Wooden no Vatican Letter.

Citações de alguns intervenientes numa conferência organizada pelo Vaticano:
  • Paul Polman, da Unilever, - que comercializa marcas como Lipton, Ben & Jerry's e Suave: «O custo da inação sobre as alterações climáticas começa a ultrapassar o custo da ação. Exemplo: nos sítios onde há apagões frequentes as pessoas não podem confiar nos frigoríficos para conservarem os seus produtos, e os cortes de água fazem as pessoas tomar menos banho e, por isso, as vendas de champô diminuem».
  • Cardeal Pietro Parolin: «O estado de saúde ecológica do planeta exige uma reavaliação das teorias e das políticas de visão míopes. Quando o futuro do planeta está em causa, não há fronteiras, barreiras ou muros políticos atrás dos quais nos possamos esconder para nos protegermos dos efeitos da degradação ambiental e social. Não há espaço para a globalização da indiferença, para a economia da exclusão ou para a cultura do desperdício frequentemente denunciada pelo Papa Francisco».
  • Cardeal Donald W. Wuerl: «O florescimento do ambiente só poderá ser feito através do engenho humano. A proteção do ambiente não precisa de comprometer o progresso económico. A Igreja não condena o lucro, mas insiste que os negócios devem servir o bem comum».

Bico calado

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Poeiras de obra incomodam vizinhança

Espinho, Avenida 8.

É demais. Há uma semana que a vizinhança tem que aguentar a poeira produzida por esta obra na avenida 8. Antigamente, em situações de muito menor envergadura, tipo obras caseiras, os profissionais costumavam polvilhar com água a zona de intervenção. Parece que os atuais profissionais esqueceram as lições do passado e do bom senso. É pena.

Açores lançam caça ao estorninho, ao melro-negro e ao pombo torcaz

Ribeirinha, S. Miguel. Foto: Pedro Silva 14mei2015.

O governo regional dos Açores declarou cinegética mais uma espécie protegida, o Estorninho-dos-Açores (Sturnus vulgaris granti), entre 15 de Junho e 15 de Setembro (Despacho n.º1057/2015 da S. R. da Agricultura e Ambiente), precisamente na época de reprodução, que vai de Março a Julho. Esta autorização vem na sequência de outras semelhantes concedidas para o Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica) e para o Melro-preto-dos-Açores (Turdus merula azorensis). Parece que o bom senso anda escasso por aquelas bandas em termos de espécies e de Ambiente. Lamentável.

Cientistas alemães pedem rotulagem de produtos com ingredientes transgénicos

Passadiço em Paramos, Espinho. Foto: Paulo Duarte 15mai2015.


Mão pesada

A Basf, a Du Pont, a Monsanto, a Nufarm, a Syngenta, a Adama, a Nortox e a FMC foram acusadas de expor trabalhadores a risco de contaminação por agrotóxico. O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso pede a condenação das empresas em R$ 50 milhões por danos morais coletivos.

Bico calado

  • Um helicóptero da Força Aérea, que transportava dois doentes para o aeroporto do Funchal, voltou à pista em Porto Santo depois de estar a voar há cerca de 30 minutos para dar boleia à secretária de Estado da Defesa, Berta Cabral. O helicóptero não só voltou para trás, com os dois doentes a bordo, como ficou na pista a aguardar a chegada de Berta Cabral. Mais pormenores no insuspeito Observador de 19mai2015.
  • Os bancos JPMorgan Chase, Citigroup, Bank of America, Barclays e The Royal Bank of Scotland foram condenados a pagar mais de 5 biliões de dólares por manipulação de cotações.  O banco UBS foi multado em 203 milhões por manipulação de taxas de juros.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Eucapiptos atraem 90% do investimento privado

Lombadas, Ribeira Grande-S. Miguel. Foto: Pedro Silva 3mai2015.

A Nova Aliança quer mesmo tirar milhões de africanos da probreza e da fome?

Imagem retirada daqui.

O governo do Ghana prepara-se para fazer aprovar uma lei que proibe os agricultores de guardarem e trocarem sementes entre si. Esta medida é a contrapartida pela sua participação na Nova Aliança para a Segurança Alimentar e Nutrição do G7 (EUA, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unid).
Os promotores desta aliança alegam que ele vai tirar 50 milhões de africanos da pobreza entre 2012 e 2022, mas o esquema vai beneficiar as grandes multinacionais à custa dos pequenos agricultores, o que provocará ainda mais pobreza e desigualdade. Criada em 2012, a programa da Nova Aliança prevê a ajuda financeira de países ricos e ajuda as grandes corporações a investirem na agricultura africana. Em contrapartida, os países terão de alterar as leis que até regulamentavam as suas terras, as suas sementes e o seu comércio, tudo a favor das multinacionais. Na prática, a Nova Aliança vai 
(1) fomentar a extorção de terras aos pequenos agricultores, 
(2) vai impedir os agricultores de guardarem e trocarem sementes, 
(3) vai fazer disparar a aplicação de fertilizantes e pesticidas, o que irá endividar os camponeses, prejudicar a sua saúde e contaminar as terras, 
(4) vai fazer baixar ainda mais a mão de obra e torná-la mais precária, e 
(5) vai impedir os países de reduzirem as exportações em tempos de escassez. 
10 países africanos subscreveram este programa:  Burkina Faso, Costa do Marfim, Etiópia, Ghana, Moçambique, Tanzânia, Benin, Malawi, Nigéria e Senegal. Cerca de 50 multinationais estão envolvidas, entre as quais a Monsanto, a Cargill e a Unilever.

Entretanto, a Fundação Fé e Cooperação, organização ligada à Conferência Episcopal Portuguesa, uniu esforços com 80 entidades internacionais para contestar a utilidade da Nova Aliança para a Segurança Alimentar e Nutrição em África.
Em comunicado, os organismos salientam que apesar de o projeto ter sido lançado há mais de dois anos, com o intuito de diminuir a pobreza naquele continente,“a primeira investigação no terreno revela um fosso impressionante entre a retórica sobre o desenvolvimento e os seus impactos.
Os signatários do comunicado garantem que o programa da Nova Aliança está a servir essencialmente para permitir que as empresas privadas influenciem a política agrícola de forma a promoverem os seus próprios interesses: «As empresas privadas estão a pressionar os governos africanos a adotar reformas nas políticas internas que irão facilitar os investimentos das grandes empresas na agricultura e discriminar aqueles que atualmente estão a fazer a maioria dos investimentos, nomeadamente os pequenos produtores agrícolas». O documento questiona que benefício é que os pequenos produtores estão a retirar do Programa Integrado para o Desenvolvimento da Agricultura em África e alerta para os perigos de um projeto que está a mexer na estrutura legislativa e política das nações sem que haja espaço para o debate.

Bico calado

A Arábia Saudita publicitou a abertura de 8 vagas para carrascos após ter mandado decapitar, desde janeiro passado, o mesmo número de pessoas que decapitou durante 2014.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Que economia verde quer Jorge Moreira da Silva?

Lagoa Rasa, Flores, Açores. Foto: 9 Imagens – Audiovisual Açores 20nov2014.

«Ainda não conseguimos encontrar uma forma suficientemente eficiente para colocar o valor económico da biodiversidade no preço final de todos os produtos e processos», salientou o ministro, apontando que essa tarefa já foi cumprida nas alterações climáticas, nos resíduos e na água. 
A ideia de que a aposta na conservação da natureza representa um obstáculo ao desenvolvimento é anacrónica. admitiu Jorge Moreira da Silva, na cerimónia que marcou o início das comemorações dos 30 anos da Quercus.

Sublinho o que o ministro do Ambiente disse: « Ainda não conseguimos colocar esse valor no preço final dos produtos e dos processos e no dia em que o conseguirmos fazer estaremos em condições de remunerar esses serviços e quem vive nessas áreas passa a ter mais vantagens do que inconvenientes». 

Embora não tenha referido o conceito, o ministro fala aqui de «economia verde». E, sobre o assunto, convém recordar o que Esther Vivas escreveu no Público de 17jun2012, citado pelo Ambiente Ondas3:
«O objetivo da  economia verde é promover negócio com a natureza e a vida, é fomentar a neocolonização dos recursos naturais, aqueles que ainda não estão privatizados, e tentar transformá-los em mercadorias de compra e venda.  Os seus promotores são precisamente aqueles que nos conduziram à situação de crise em que nos encontramos: as grandes multinacionais, com o apoio ativo de governos e instituições internacionais. As prinicipais empresas que promovem a economia verde são as mesmas que monopolizam o mercado da energia (Exxon, BP, Chevron, Shell, Total), da agro-indústria (Unilever, Cargill, DuPont, Monsanto, Procter&Gamble), das farmacêuticas (Roche, Merck), da química (Dow, DuPont, BASF).» 

Já agora, convém também recoradar o que, entre outras coisas, Jeff Conant escreveu no Yes Magazine de 23ag2012, citado pelo Ambiente Ondas3
«As atuais regras dos mercados mostram que os preços dependem da procura e da oferta, isto é, da escassez; se o petróleo escasseia, o seu preço sobe, e vai acontecer o mesmo com a “economia verde”; se atribuirmos um preço às florestas, à biodiversidade, a outros bens comuns, esses preços vão subir conforme a sua escassez, e isso interessa muito aos investidores porque quanto maior for a escassez dos serviços de ecossistemas mais valor terão;  em vez de estender o poder dos mercados à natureza, uma verdadeira economia verde significaria a inversão da sua mercantilização e financialização, a redução do papel dos mercados e do setor financeiro e o reforço do controlo democrático sobre os bens comuns ecológicos do mundo.»

Como será viver numa cidade com apenas 3 horas para aceder à água?

Paramos, Espinho. Foto – Paulo Duarte 15mai2015.
  • Maldito clima bom, por Bruno Nogueira in TSF/Tubo de Ensaio de 15mai2015.
  • Na Tanzânia, a lei da rolha foi imposta para criminalizar os ativistas pela divulgação de notícias inconvenientes ou embaraçosas para o governo, nomeadamente sobre o envolvimento de funcionários do governo em crimes relacionados com a vida selvagem. Em 2014, a Tanzânia perdeu um dois terços dos seus elefantes, havendo indícios do envolvimento de funcionários do governo.  Por isso, há uma petição apelando ao presidente Kikwete para acabar com a censura porque a caça ao elefante não deve ser um segredo de estado.
  • Viver com apenas 3 horas de acesso à água por dia? Há quem já tenha aprendido a fazê-lo em vários municípios de São Paulo.
  • A Jardine Matheson, através da filial Astra Agro Lestari, está a abater áreas de floresta tropical indonésia e a colocar muitas espécies animais em risco para investir em óleo de palma, denuncia uma investigação coordenada pela Forest Heroes e citada pelo The Independent. A Jardine Matheson, que comercializou ópio no século 19, é controlada pela Scottish Keswick, família amiga de David Cameron (que trabalhou nos anos 80s no escritório da empresa em Hong Kong) e patrocinadora dos Conservadores.

Reflexão – É você que apoia a atribuição de 10 milhões de subsídios por minuto aos combustíveis fósseis?

Imagem retirada daqui.

As empresas de combustíveis fósseis recebem 10 milhões de dólares de subsídios por minuto, admite o Fundo Monetário Internacional, citado pelo The Guardian de 18mai2015. Sim, leram bem: FMI. Os cálculos do FMI têm em conta não só os subsídiios atribuídos mas também as taxas e impostos que essas empresas não pagm aos governos por poluirem o ar mas também os prejuízos causados por cheias, secas, tempestades provocadas pelas alterações climáticas e despesas de saúde provocadas pela poluição. Estes subsídios ultrapassam a soma de todos os orçamentos governamentais do mundo para a saúde. 
«Esta análise abala o mito de que os combustíveis fósseis são baratos na medida em que mostra os seus custos reais. Não se justificam estes subsídios, que aliás distorcem mercados e prejudicam economias, especialmente em países pobres», diz Nicholas Stern, economista climático da London School of Economics.
O FMI garante que o fim destes subsídios provocaria uma redução de 20% nas emissões de carbono a nível mundial. O fim destes subsídios reduziria em 50% o número de mortes prematuras provocadas pela poluição.
Países que lideram a atribuição de subsídios aos combustíveis fósseis: China, EUA, Rússia, União Europeia, Índia, Japão.

Mão pesada

A Duke Energy vai pagar multas no valor global de 102 milhões de dólares por 9 violações de regras de tratamento de cinzas de carvão na North Carolina.