quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Vila do Bispo: geomonumento da Praia do Telheiro em risco

Imagem retirada daqui.

Foto de Raimundo Quintal, 26ago2015.
  • No Funchal, na zona entre a Rua Conde Carvalhal e o Lazereto, há uma ribeira estrangulada, lixo espalhado, matagal entre as casas. A imagem de Raimundo Quintal denuncia o desordenamento, o caos resultante de décadas de poder jardinista. A imagem foi colhida em 21 de agosto, sexta-feira, precisamente na mesma altura em que políticos locais discursavam na grande tenda montada na Praça do Município. Claro, senhor professor Raimundo Quintal. Muito tempo de fraude e trapalhada. Grande Jardim, mereces uma estátua. E grande! Se vos apetecer, releiam excertos de «Jardim, a grande fraude«, de Ribeiro Carsoso.
  • A UNICEF acusa as forças envolvidas no conflito na Síria de usar os recursos hídricos para ganharem posições militares e políticas, avisando que a escassez de água agrava a miséria de milhões de pessoas. Por exemplo, houve 18 cortes deliberados de água em Alepo, cidade dividida entre o governo e os rebeldes opositores, onde o preço da água disparou 3000%. Há famílias em Damasco, Daraa, Alepo e outras localidades que recorrem a águas subterrâneas desprotegidas e sem regulamentação, expondo-se a diarreias, febres tifóides, hepatites e outras doenças. La Informacion.
  • Uma das maiores comunidades de agricultores Navajo ao longo do rio San Juan,em Shiprock, New Mexico, votou para manter os canais de irrigação fechados por pelo menos um ano na sequência de um derrame de lama tóxica da mineade ouro Gold King perto de Silverton, Colorado. Uma ETAR de Utah, que extrai água do rio San Juan, vai também continuar inoperacional até o problema estar resolvido. San José Mercury News.
  • O presidente Obama divulgou um pacote de programas para ajudar a América a adotar uma energia mais limpa, incluindo 1 bilião de dólares em garantias de empréstimos para impulsionar tecnologias inovadoras, como as redes inteligentes e telhados solares. O financiamento também irá para a instalação de painéis solares em edifícios militares e para apoiar as famílias mais desfavorecidas a tornam-se mais eficiente em termos energéticos. EDIE.

Reflexão – A Alemanha quer fazer frete à Monsanto?

«Os produtos da Monsanto são seguros. E eu tenho estudos a provar isso... em triplicado! Perito em Saúde»
Imagem retirada daqui.

A Alemanha parece estar a tentar fazer um frete à Monsanto ao pedir a reavaliação da ingestão diária de glifosato (substância ativa de herbicidas como o Roundup da Monsanto), sugerindo a subida para um máximo de 67%. Tudo baseado em alegados estudos levados a cabo pela indústria química mas ainda não publicados e que defendem que o glifosato não é cancerígeno nem representa qualquer problema para a saúde das pessoas. Há quem se queixe de que a consulta pública europeia foi restritiva, manipulada e manipuladora e que os júris de apreciação de relatórios tenham sido influenciados pela pressão de cientistas com interesses nas indústrias químicas. O próprio relatório final da avaliação de riscos foi elaborado por instituições cujos técnicos estão associados à Monsanto e um  consórcio de empresas químicas europeias que incluem, entre outras, a Syngenta UK e a Dow Italy. Tudo isto colide com as investigações, conclusões e recomendações da Organização Mundial de Saúde alertando as pessoas para o facto de o glifosato ser cancerígeno e as pessoas deverem precaver-se. Facto é que o glifosato tem, entre outras coisas, a capacidade de capturar e reter arsénio e metais nefrotóxicos fá-lo funcionar como uma espécie de condutor de toxinas para os rins. Por tudo isso, a Dinamarca e El Salvador já o proibiram e o Brasil avança nesse sentido. The Ecologist.

Mão pesada

  • Em Andalucia, 93 pessoas foram processadas e 813 acusadas de crimes ambientais durante o primeiro semestre de 2015: 74 relacionados com o ordenamento do território, 16 com incêndios florestais, 2 com atentados contra espécies e recursos naturais e 1 com despejos. A maioria das acusações dizem respeito a indivíduos implicados em despejos (368), delitos contra a proteção de espécies e recursos (216), incêndios florestais (150), acampamentos ilegais (72), explorações florestais (4) e ordenamento do território (3). La Informacion.
  • A Honeywell foi multada em 300 mil dólares e intimada a investir 13 milhões nos seus equipamentos na sequência de derrames ocorridos nas suas instalações químicas da Virginia e que contaminaram Gravelly Run, afluente do rio James, matando milhares de peixes. Richmond Times-Dispatch.
  • Um pecuarista foi condenado por abate ilegal de madeira na Floresta Nacional do Jamanxim, em Novo Progresso, município do sudeste paraense, tendo 3 meses para apresentar um plano de recuperação da área degradada, findo o qual e em caso de incumprimento, deverá pagar multa de R$ 5 mil por dia. EcoDebate.

Bico calado

  • Mariana Mortágua: lições do crash de 24 de agosto de 2015. 
  • A ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque criticou o programa eleitoral do PS, mas admitiu ainda não o ter lido na íntegra. «O programa todo não li. Li algumas coisas daquilo que são os documentos que o PS tem vindo sucessivamente a publicar e alguns comentários sobre os mesmos», disse na ‘Universidade’ de Verão do PSD.  Rádio Renascença. Falta agora ouvir dizer que o jornalista da insuspeita Renascença levou um puxão de orelhas.
  • O Governo dos Açores decidiu registar, a favor da Região, três imóveis que cessaram, manifesta e efetivamente, de prestar a sua utilidade pública ao deixarem de ser utilizados no funcionamento dos serviços públicos estatais a que estavam afetos. Notícias dos Açores.
  • «Estes casos são curiosos na medida em que os portugueses só atingem o topo quando trabalham para estrangeiros. Portugal é uma planície. O topo do mundo encontra-se sempre no escritório de empresas estrangeiras. Os estrangeiros sabem onde fica o topo do mundo, mas têm perfeita consciência de que só um português o pode ocupar. E nós sabemos que só chegamos ao topo do mundo quando um estrangeiro o afirma.» Ricardo Araújo Pereira, Visão 20ago2015.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Portugal: metade dos rios e albufeiras continuam poluídos

Foto: Sérgio Soares 7abr2015.
  • Cerca de metade dos rios e albufeiras de Portugal ainda está poluída, 15 anos após a adoção de uma diretiva europeia que pretendia que todos os cursos de água estivessem limpos em 2015, diz um relatório do Plano Nacional da Água citado pelo Público. Por exemplo, infestantes proliferam na albufeira da barragem de Ribeiradio-Ermida.
  • As empresas que estão em incumprimento ambiental podem até ao início de 2016 regularizar a situação, lembra Jorge Moreira da Silva. «Ainda temos, infelizmente, cerca de 3 mil atividades económicas, nomeadamente na área da pecuária, na área da extração de inertes, como pedreiras, mas também da gestão de resíduos, que, por uma razão ou outra, ao longo de vários anos, acabaram por não estar plenamente legalizadas», especifica o Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia. Noctula.

Maldita chuva

Imagem: KHNL/CNN
  • «Chuvas fortes causaram uma fuga de 500.000 galões de esgoto em Honolulu que invadiu a famosa praia de Waikiki, tendo as autoridades alertado as pessoas para não entrarem na água sob pena de contrairem infeções.» (sic) Reuters. A maldita chuva tem sempre culpa deste tipo de ocorrências. A culpa nunca é das ambições, dos exageros, das megalomanias dos homens, para não falar em erros de cálculo, subvalorização de impactos, ignorância e certas atitudes. É lamentável ver uma reputada agência de notícias replicar este tipo de visão distorcida da realidade. Porém, a CNN é mais objetiva e esclarece alguns pormenores: houve gente que, julgando facilitar o escoamento da água da chuva, levantou tampas de saneamento, o que fez misturar água limpa com água suja; por outro lado, uma bomba algures estava desligada, o que agudizou o problema.
  • A Solar Window Technologies lançou uma nova tecnologia de líquido que transforma janelas em painéis solares normais capazes de produzir até 50 vezes mais energia fotovoltaica do os tradicionais paineis instalados em telhados. EDIE.

Reflexão - Mais uma cena da farsa do Comércio de Emissões

Imagem retirada daqui.

Mão pesada

  • A Iowa Fertilizer Company e a Orascom E&C USA foram multadas em 80.689 dólares por alegado incumprimento de regras na sua fábrica de fertilizantes em Wever. EPA.
  • A Piini Realty, Inc. foi multada em 4.250 dólares e intimada a investir o mínimo de 38.255 dólares na remoção de tinta à base de chumbo utilizada em 12 apartamentos em Salinas, Califórnia. EPA.

Bico calado

  • «Desde que a Altice entrou no mercado português, comprando a ONI e a Cabovisão, utiliza  sempre a mesma técnica: suspende e adia os pagamentos aos fornecedores e, para quem fica com a corda na garganta e precisa de receber de imediato, propõe-lhes fazer isso mas com um corte de 30% a 50% naquilo que têm direito a receber; quanto aos trabalhadores procede rapidamente a despedimentos. No caso da PT está a seguir exatamente o mesmo padrão: suspensão e arrastamento do pagamento aos fornecedores; e prepara agora os despedimentos. Armando Pereira, o herói de Vieira do Minho, como lhe chamou o ministro António Pires de Lima,  por ter ali inaugurado um ‘call center’ para 40 pessoas em instalações cedidas pela autarquia local, não está minimamente preocupado com a qualidade de serviço que a PT presta aos seus clientes ou com a sua importância na economia portuguesa. O que verdadeiramente domina a sua ação é reduzir de imediato os custos com pessoal e fornecedores e libertar o maior montante possível de ‘cash’ para amortizar parte do enorme endividamento a que a Altice tem recorrido para fazer compras um pouco por todo o mundo. E para atingir rapidamente esse objetivo, a ética é um enorme empecilho. Até agora o que a ‘excelência’ da gestão de Armando Pereira conseguiu foi tomar sucessivas medidas que vão tornar, a não muito longo prazo, a PT numa empresa sem qualquer relevância internacional, nacional ou na área da investigação, uma empresa de vão de escada e que deixou de ser confiável para com os seus clientes e fornecedores. O facto é confirmado pela Associação Nacional de Empresas de Tecnologia de Informação e Eletrónica (ANETIE) que diz que o que a PT está a fazer, em matéria de adiamento de pagamento e pressão sobre os preços, ‘vai além do aceitável’. Há empresas que não recebem há três e quatro meses e a pressão sobre as mais pequenas está a conduzir algumas à beira do colapso. Quinze dias depois de ter assumido a gestão da PT, em meados de junho, a operadora começou a enviar cartas a todos os seus fornecedores, propondo uma redução unilateral dos preços entre 15% e 30%, uma técnica que já tinha utilizado quando comprou a ONI e a Cabovisão.» Nicolau Santos, Expresso Diário, 25/08/2015 – Via Estátua de Sal.
  • Florida, capital da fraude nos EUA? Youtube (25:00)

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Espinho também já tem direito a «chemtrails»


Era este o aspeto do céu a norte de Espinho, ao fim da manhã de segunda-feira, 24 de agosto de 2015. Não foi a primeira nem a quinta nem a décima vez que já coisas deste género nos céus de Espinho e noutros lados. Por exemplo, em 9 de dezembro de 2015 o aspeto deste mesmo céu era este:


Não consta que aqui tivesse havido um festival aéreo, e as rotas dos aviões comerciais que cruzam o nosso céu não fazem isto. 
Dizem os adeptos das alegadas teorias da conspiração que estes rastos são «chemtrails», parte de um programa militar, ultra-secreto de «geoengeneering». Vamos acreditar neles? Então digam lá para que se fazem cruzes destas?

Entretanto, se quiser e tiver tempo, saiba um pouco mais acerca destes «chemtrails». Pode ler estes sumários:



Rio Paiva muito poluído em Fráguas

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  • O Rio Paiva, especialmente na zona de Fráguas, tem sido afetado por descargas de substâncias poluentes de uma ETAR, denuncia a SOS Rio Paiva, que acrescenta que o rio está seriamente ameaçado por descargas poluentes realizadas pelas autarquias a montante de Arouca, Castro Daire e Vila Nova de Paiva. Diário Digital/ Lusa.
  • A Fundação dos Comboios Espanhois colabora com a Associação de Fabricantes de Bicicletas de Espanha e o IFEMA para a promoção e valorização do cicloturismo e das vias verdes em na feira inbternacional UniBike. O objetivo é contribuir para posicionar a Espanha como destino turístico internacional de bicicleta. Energias Renovables.
  • A Alemanha concedeu um empréstimo de 525 milhões de euros ao Brasil para o país desenvolver programas de energias renováveis e de redução da desflorestação. Business Green.
  • Residentes em Hedon e Hull levaram a cabo novo protesto contra os maus cheiros produzidos por uma ETAR em Saltend. Gerida pela Yorkshire Water, esta estação funciona mal há mais de 10 anos, tendo, em 2013, investido mais de 3 milhões de libras para resolver o problema, mas parece que tudo foi em vão.
  • É lamentável, é trágico, mas os níveis de poluição desceram 50% desde 2010 no Médio Oriente, especialmente na síria e no Iraque, países onde o caos e a destruição têm sido constantes. The Guardian.
  • Apesar das recentes descidas nos preços do petróleo poderem sugerir uma perda de poder em relação às renováveis, a indústria solar continua a avançar nos EUA. O estado do Texas, mesmo sem subsídios, vai investir 1 bilião de dólares. No Colorado, vai ser lançada uma enorme central solar. E a Marinha norte-americana acaba de encomendar 650 mil paineis solares.

Reflexão – A União Europeia quer impôr a privatização do serviço de águas na Grécia

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A EYDAP e a EYATH, duas grandes empresas públicas de águas constam da lista de bens a privatizar e que constam do«acordo» que os países da eurozona e a troika impiseram ao groverno grego. Essa privatização já tinha sido tentada anteriormente mas contou sempre com forte oposição do povo grego. Aliás, mem junho de 2014, foi o próprio conselho de Estado a sublinhar que a trasnferência do serviço de águas para o privado era inconstitucional porque o o Estado tinha a responsabilidade de proteger o direito fundamental dos cidadãos à saúde. Esta tentativa de privatizar as águas na Grécia colide com a tendência na Europa, onde muitos municípios estão a remunicipalizar as águas após experiências de privatizações desastrosas. Por outro lado, a privatização das águas gregas terá pouco peso financeiro tendo em conta o panorama geral. É, sobretudo, um ataque brutal à Democracia. Corporate Europe.

Bico calado

  • «Entretanto, soube-se também que as pessoas que aparecem, sorridentes, nos cartazes da coligação, são figurantes estrangeiros. Ao contrário do que alguns pretendem, nada há de desonesto nessa circunstância, antes pelo contrário:  é sabido que a governação do PSD e do CDS agradou muito mais a estrangeiros do que a portugueses. É natural que sejam eles a manifestar satisfação pelo trabalho do governo». Ricardo Araújo Pereira, Visão 13ago2015.
  • «’O novo Portugal é o meu país´, admite Rebelo de Sousa. analisando o passado com espírito crítico. ‘Quando se deu a revolução eu tinha pouco mais de vinte anos. Na época escrevi o manifesto que fundou o meu partido, que governa hoje. Tomámos conta da revolução, da democracia e da entrad na União Europeia. Mas os nossos investimentos públicos focaram sem controlo.’ (...) A EDP, o principal produtor de eletricidade, está já nas mãos dos chineses, tal como diversos bancos, hospitais, seguradoras, indústria alimentar e empresas vinícolas. ‘Que mudança!’, suspira Rebelo de Sousa antes de beber outro gole de vinho tinto.» Georg Blume, Die Zeit 7mai2015, trad. no Courier Inbternacional de agosto 2015, pp54-55.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A câmara de Espinho quer mesmo poupar na iluminação pública?


A câmara de Espinho acaba de adjudicar, por ajuste direto e por 848 mil euros, uma empreitada denominada «Eficiência Energética na iluminação pública do concelho de Espinho» que deverá ser executada em 2 meses.


Se a câmara exigisse à EDP que a iluminação pública no seu território fosse diariamente e de manhã desligada meia hora mais cedo e de tarde ligada meia hora mais tarde, quanto tempo seria preciso para o município poupar 848 mil euros?


Seca espreita Ibiza

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  • Há turistas que ignoram as proibições e acedem a pé ao Castelo de Almourol. A água existe, mas o Tejo está esquecido por parte do poder político, queixa-se Rui Constantino, vice-presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha: «Estará nos transvases e guardada nas barragens, para produção de energia e por uma visão meramente economicista, em prejuízo do desenvolvimento turístico e de boas condições ambientais em torno do rio». Sapo24. Esta estória faz-me lembrar à que o Ambiente Ondas3 se referiu há pouco tempo:  «E que tal fazer Madrid-Lisboa por rio? Antonio de la Rosa fê-lo em 19 dias. Os 911 Km entre Buitrago de Lozoya e a Praça do Comércio foram feitos em cima de de uma prancha de surf e com um remo. O que mais o chocou foi a contaminação das águas do rio, sobretudo em Castilla-La Mancha e o reduzido caudal em algumas partes do percurso.»
  • Ainda continua a pensar que Ibiza é um paraíso turístico? Olhe que a coisa anda feia por lá. A água não chega para as necessidades básicas. Tudo por causa de uma prolongada seca, do esgotamento de mananciais salinizados e uma gestão ineficaz de infraestruturas. Por exemplo, a dessalinadora de San José, quando funciona, debita água com níveis de cloro 7 vezes superiores ao valor máximo legalmente permitido. Por isso, é impossível fazer espuma com o sabão ao tomar duche e fazer espuma com a pasta de dentes. Por isso, até 15 de setembro as torneiras nos chuveiros de praia estarão fechadas e não haverá rega dos jardins públicos, rotundas e campos de jogos.  Acrescente-se que a ETAR de Vila, feita em 1985, verte água contaminada para o mar, com níveis de sólidos em suspensão 6 vezes superiores aos permitidos. El Mundo.
  • Uma manifestação contra a acumulação de lixo nas ruas de Beirut degenerou em cenas de violência, registando-se 100 feridos entre ´manifestantes e polícias. El País.
  • O município de Josephine, Oregon, já avisou que vai haver mão pesada se a Monsanto e a Syngenta teimarem a avançar com cultivos transgénicos no seu território. Todos os agricultores que tiverem tido cultivos transgénicos terão de, até 4 de setembro, identificar-se e identificar a(s) suas propriedade(s) perante o Sherif e apresentar um plano da sua eliminação. Mail Tribune.
  • Em praias mexicanas, patrulhas do exército guardam os ovos das tartarugas Lepidochelys olivacea. Assim se defende uma espécie em extinção. The LadBible.
  • Uma enorme explosão destruiu uma fábrica de produtos químicos, matando uma pessoa e ferindo 9. Aconteceu em Huantai, Shandong. Esta é a segunda explosão em fábrticas de produtos químicos que acontece na china nas 2 últimas semanas. Reuters.

Reflexão – Até quando poderá Israel roubar água à Palestina?

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Foi você que pensava que a pior situação de seca e de falta de água era a que afligia a Califórnia? Fique então a saber que, enquanto os israelitas nadam nas suas piscinas e regam os seus jardins, ao lado, os seus vizinhos palestinianos morrem à sede. 
Um relatório das Nações Unidas diz que o israelita consome diariamente, em média, 300 litros de água, mais do que o californiano, 290, e muito mais do que o palestiniano, 70. 
Nada disto acontece por acaso. Desde 1948, data da criação do estado de Israel, que o objetivo tem sido o controlo da água. Em 1967, logo que conseguiu controlar os territórios da Palestina, Israel publicou a Ordem militar 92 para colocar todos os recursos aquíferos daquela zona sob jurisdição militar. Pouco depois, a Ordem Militar 158 exigia aos Palestinianos o pedido de licenças para a construção das suas próprias infraestruturas de abastecimento de água. Sempre que abrem poços ou constroem reservatórios para reter as águas das chuvas sem as devidas licenças, logo soldados israelistas avançam para as destruir sem aviso prévio. 
Pior: mesmo cumprindo toda a legalidade imposta, os palestinianos vêm-se enredados numa teia burocrática que os manieta, pelo que toda a tentativa de lançar um projeto de abastecimento de água ou de manutenção e reparação de infraestruturas de água na Palestina merece um veto qualquer que nunca é explicado.

Bico calado – Para ler em 2050

Para ler em 2050, por Boaventura Sousa Santos, in Público 15ago2015.

«Quando um dia se puder caracterizar a época em que vivemos, o espanto maior será que se viveu tudo sem antes nem depois, substituindo a causalidade pela simultaneidade, a história pela notícia, a memória pelo silêncio, o futuro pelo passado, o problema pela solução.
Assim, as atrocidades puderam ser atribuídas às vítimas, os agressores foram condecorados pela sua coragem na luta contra as agressões, os ladrões foram juízes, os grandes decisores políticos puderam ter uma qualidade moral minúscula quando comparada com a enormidade das consequências das suas decisões.
Foi uma época de excessos vividos como carências; a velocidade foi sempre menor do que devia ser; a destruição foi sempre justificada pela urgência em construir. O ouro foi o fundamento de tudo, mas estava fundado numa nuvem. Todos foram empreendedores até prova em contrário, mas a prova em contrário foi proibida pelas provas a favor. Houve inadaptados, mas a inadaptação mal se distinguia da adaptação, tantos foram os campos de concentração da heterodoxia dispersos pela cidade, pelos bares, pelas discotecas, pelo facebook. A opinião pública passou a ser igual à privada de quem tinha poder para a publicitar. O insulto tornou-se o meio mais eficaz de um ignorante ser intelectualmente igual a um sábio. Desenvolveu-se o modo de as embalagens inventarem os seus próprios produtos e de não haver produtos para além delas. Por isso, as paisagens converteram-se em pacotes turísticos e as fontes e nascentes tomaram a forma de garrafa. Mudaram os nomes às coisas para as coisas se esquecerem do que eram. Assim, desigualdade passou a chamar-se mérito; miséria, austeridade; hipocrisia, direitos humanos; guerra civil descontrolada, intervenção humanitária; guerra civil mitigada, democracia. A própria guerra passou a chamar-se paz para poder ser infinita. Também a Guernika passou a ser apenas um quadro de Picasso para não estorvar o futuro do eterno presente. Foi uma época que começou com uma catástrofe mas que em breve conseguiu transformar catástrofes em entretenimento. Quando uma catástrofe a sério sobreveio, parecia apenas uma nova série.
Todas as épocas vivem com tensões, mas esta época passou a funcionar em permanente desequilíbrio, quer ao nível colectivo, quer ao nível individual. As virtudes foram cultivadas como vícios e os vícios como virtudes. O enaltecimento das virtudes ou da qualidade moral de alguém deixou de residir em qualquer critério de mérito próprio para passar a ser o simples reflexo do aviltamento, da degradação ou da negação das qualidades ou virtudes de outrem. Acreditava-se que a escuridão iluminava a luz, e não o contrário. Operavam três poderes em simultâneo, nenhum deles democrático: capitalismo, colonialismo e patriarcado; servidos por vários sub-poderes, religiosos, mediáticos, geracionais, étnico-culturais, regionais. Curiosamente, não sendo nenhum democrático, eram o sustentáculo da democracia-realmente-existente. Eram tão fortes que era difícil falar de qualquer deles sem incorrer na ira da censura, na diabolização da heterodoxia, na estigmatização da diferença. O capitalismo, que assentava nas trocas desiguais entre seres humanos supostamente iguais, disfarçava-se tão bem de realidade que o próprio nome caiu em desuso. Os direitos dos trabalhadores eram considerados pouco mais que pretextos para não trabalhar. O colonialismo, que assentava na discriminação contra seres humanos que apenas eram iguais de modo diferente, tinha de ser aceite como algo tão natural como a preferência estética. As supostas vítimas de racismo e de xenofobia eram sempre provocadores antes de serem vítimas. Por sua vez, o patriarcado, que assentava na dominação das mulheres e na estigmatização das orientações não heterossexuais, tinha de ser aceite como algo tão natural como uma preferência moral sufragada por quase todos. Às mulheres, homossexuais e transsexuais, haveria que impor limites se elas e eles não soubessem manter-se nos seus limites. Nunca as leis gerais e universais foram tão impunemente violadas e selectivamente aplicadas, com tanto respeito aparente pela legalidade. O primado do direito vivia em ameno convívio com o primado da ilegalidade. Era normal desconstituir as Constituições em nome delas.
O extremismo mais radical foi o imobilismo e a estagnação. A voracidade das imagens e dos sons criava turbilhões estáticos. Viveram obcecados pelo tempo e pela falta de tempo. Foi uma época que conheceu a esperança mas a certa altura achou-a muito exigente e cansativa. Preferiu, em geral, a resignação. Os inconformados com tal desistência tiveram de emigrar. Foram três os destinos que tomaram: iam para fora, onde a remuneração económica da resignação era melhor e por isso se confundia com a esperança; iam para dentro, onde a esperança vivia nas ruas da indignação ou morria na violência doméstica, na raiva silenciada das casas, das salas de espera das urgências, das prisões, e dos ansiolíticos e anti-depressivos; o terceiro grupo ficava entre dentro e fora, em espera, onde a esperança e a falta dela alternavam como as luzes nos semáforos. Pareceu estar tudo à beira da explosão, mas nunca explodiu porque foi explodindo, e quem sofria com a explosões ou estava morto, ou era pobre, subdesenvolvido, velho, atrasado, ignorante, preguiçoso, inútil, louco — em qualquer caso, descartável. Era a grande maioria, mas uma insidiosa ilusão de óptica tornava-a invisível. Foi tão grande o medo da esperança que a esperança acabou por ter medo de si própria e entregou os seus adeptos à confusão. Com o tempo, o povo transformou-se no maior problema, pelo simples facto de haver gente a mais. A grande questão passou a ser o que fazer de tanta gente que em nada contribuía para o bem estar dos que o mereciam. A racionalidade foi tão levada a sério que se preparou meticulosamente uma solução final para os que menos produziam, ou seja, os velhos. Para não violar os códigos ambientais, sempre que não foi possível eliminá-los, foram biodegradados. O êxito desta solução fez com que depois fosse aplicada a outras populações descartáveis, tais como os imigrantes.
A simultaneidade dos deuses com os humanos foi uma das conquistas mais fáceis da época. Para tal bastou comercializá-los e vendê-los nos três mercados celestiais existentes, o do futuro para além da morte, o da caridade, e o da guerra. Surgiram muitas religiões, cada uma delas parecida com os defeitos atribuídos às religiões rivais, mas todas coincidiam em serem o que mais diziam não ser: mercado de emoções. As religiões eram mercados e os mercados eram religiões.
É estranho que uma época que começou como só tendo futuro (todas as catástrofes e atrocidades anteriores eram a prova da possibilidade de um novo futuro sem catástrofes nem atrocidades) tenha terminado como só tendo passado. Quando começou a ser excessivamente doloroso pensar o futuro, o único tempo disponível era tempo passado. Como nunca nenhum grande acontecimento histórico foi previsto, também esta época terminou de modo que colheu todos de surpresa. Apesar de ser geralmente aceite que o bem comum não podia deixar de assentar no luxuoso bem estar de poucos e no miserável mal-estar das grandes maiorias, havia quem não estivesse de acordo com tal normalidade e se rebelasse. Os inconformados dividiam-se em três estratégias: tentar melhorar o que havia, tentar romper com o que havia, tentar não depender do que havia. Visto hoje, a tanta distância, era óbvio que as três estratégias deviam ser utilizadas articuladamente, ao modo da divisão de tarefas em qualquer trabalho complexo, uma espécie de divisão do trabalho do inconformismo. Mas, na época, tal não foi possível, porque os rebeldes não viam que, sendo produto da sociedade contra a qual lutavam, teriam de começar por se rebelar contra si próprios, transformando-se eles próprios antes de quererem transformar a sociedade. A sua cegueira fazia-os dividir-se a respeito do que os deveria unir e unir-se a respeito do que os devia dividir. Por isso, aconteceu o que aconteceu. O quão terrível foi está bem inscrito no modo como vamos tentando curar as feridas da carne e do espirito ao mesmo tempo que reinventamos uma e outro. Porque teimamos, depois de tudo? Porque estamos a reaprender a alimentar-nos da erva daninha que a época passada mais radicalmente tentou erradicar, recorrendo para isso aos mais potentes e destrutivos herbicidas mentais — a utopia.»

domingo, 23 de agosto de 2015

Espanha encaminha águas do Tejo para o Mediterrâneo

Murtosa. Foto de Paulo Horta Carinha/Miguel Simões 5ago2015.
  • Espanha está a encaminhar a água das nascentes do Tejo para o Mediterrâneo, apesar de as albufeiras de Entrepeñas e Buendia possuírem apenas 393 hectómetros cúbicos, ou seja, 16% da sua capacidade máxima. "Por agora, a redução do caudal na parte espanhola não afeta Portugal, mas se a seca se prolongar os efeitos poderão ser diferentes", admite Paulo Constantino, do Movimento ProTejo, acresentando que também as barragens do Zêzere estão a reter a água com a consequente redução do caudal do Tejo. CM.
  • A água que enche as garrafas da Arrowhead é extraída das Arrowhead Springs e explorada pela Nestlé. Essas nascentes estão na floresta nacional de San Bernardino, Califórnia, um estado a sofrer a sua mais longa e dura seca. A Nestlé continua a faturar, apesar do contrato ter acabado em 1988, ao preço de 524 dólares por 27 milhões de galões de água. Activist Post.
  • Foram feitas análises a 275 mil amostras de água de 62 mil locais dos EUA. Água do aquífero de Ogallala registou nível de urânio 89 vezes mais do que o limite de segurança. Águas da zona sul do Vale Central da Califórnia estão pior: revelaram uma concentração de urânio 180 vezes maior do que o nível máximo de contaminantes estabelecido pelo ministério do Ambiente. São cerca de 2 milhões de pessoas a beber daquelas águas. Activist Post.
  • A refinaria da Shell em Pulau Bukom, Singapura, foi palco de mais um incêndio, que deixou 6 trabalhadores feridos. Em setembro de 2011 um incêndio nesta refinaria durou 32 horas a ser controlado, tendo a petrolífera sido multad em 80 mil dólares por incumprimento  de normas de segurança.

Reflexão – o petróleo barato é bom para o Ambiente?

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O petróleo barato incitiva o uso do automóvel e, por isso, favorece os fabricantes de automóveis, a indústria dos transportes e as gasolineiras enquanto faz aumentar a poluição e o aquecimento global. Por outro lado, estrangula as energias renováveis, que deixaram, temporariamente, de ser competitivas.

Bico calado - PS, Belém e presidenciais

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Sete razões para o PS não apoiar Maria de Belém
(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 21/08/2015)
«Pessoalmente, Maria de Belém é uma pessoa encantadora, de uma enorme gentileza e que exerceu sem rasgo mas com competência as funções públicas que lhe têm sido confiadas. Mas a sua decisão de avançar com uma candidatura à Presidência da República tem obviamente de ser apreciada politicamente. E há sete razões para o PS não a apoiar.
1) Esta candidatura não nasce por convicção mas por reação – reação ao possível apoio do PS a Sampaio da Nóvoa, que alguns notáveis do PS não apadrinham nem aceitam. Não é um bom motivo para avançar. Até agora nunca Maria de Belém tinha dito uma palavra ou passado uma mensagem que permitisse adivinhar que o seu grande desígnio era um dia ocupar o Palácio de Belém.
2) Esta candidatura nasce contra a atual direção do PS. Maria de Belém era presidente do partido por indicação de António José Seguro. Esteve discretamente com ele quando António Costa desafiou a sua liderança e o afastou do cargo de secretário-geral do PS. Ficou seguramente magoada quando Costa a substituiu por Carlos César. Agora serve a sua vingança. Fria, como é da norma para doer mais.
3) É verdade que Maria de Belém, durante uma ação de campanha (a entrega das listas de deputados do PS às próximas eleições legislativas), aproveitou para anunciar a Costa que se ia candidatar a Belém, como se essa fosse uma questão de somenos que se resolvesse com uma conversinha num canto de um corredor de um tribunal. Mas fazer depois o anúncio público quando António Costa estava num direto da SIC, esvaziando a mensagem que ele pretendia passar e obrigando-o a voltar ao tema das presidenciais quando ele tem insistido que o importante neste momento são as legislativas foi no mínimo, para ser simpático, uma enorme deselegância. Para ser antipático, foi uma facada nas costas.
4) A forma como todo o processo está a ser conduzido por Maria de Belém desvia as atenções do essencial – as legislativas – e lança ainda mais confusão, se preciso fosse, no campo socialista, já a braços com uma campanha que tem sido bastante acidentada. Numa análise pura e dura, quanto pior for o resultado do PS nas legislativas, melhor será para a candidata na sua corrida a Belém, já que os portugueses têm por norma não colocar todos os ovos no mesmo cesto. Ora objetivamente com esta sua decisão, da forma e no tempo que a anunciou, Maria de Belém está a prejudicar os resultados eleitorais do PS nas legislativas. Sendo militante do PS, é imperdoável o que fez.
Maria de Belém no fundo está a apostar (mesmo que não deliberadamente, mesmo que não conscientemente) na derrota dos socialistas nas legislativas e na substituição de António Costa
5) Maria de Belém apresenta-se apoiada por Manuel Alegre (seguramente porque Alegre é um cavalheiro e está agora a pagar o favor que Maria de Belém lhe fez quando foi a sua mandatária nacional em 2011 na altura em que o histórico socialista se candidatou à Presidência da República), por Vera Jardim (que é seu amigo de longa data), por Nuno Júdice (um enorme poeta, que muito admito) e por Eurico Brilhante Dias (um dos braços direitos de Seguro). São pessoas que muito aprecio e que conheço pessoalmente. Depois, tem ainda os apoios de uma diretora da Associação Nacional de Farmácias, do presidente da Amorim Turismo, de outra administradora agora do grupo Altis, de um gestor do BES Numismática e de um gestor do Instituto Português de Estudos Maçónicos. Para já, claro. Outros apoios aparecerão. Em contrapartida, houve dois notáveis militantes do PS, ex-Presidentes da República, um dos quais por acaso é seu fundador, que apoiam outra candidatura (Mário Soares e Jorge Sampaio) e outro ex-presidente da República (Ramalho Eanes) que também apoia a outra candidatura que visa ganhar o apoio socialista e que já está no terreno há algum tempo. As pessoas valem todas a mesma coisa. Mas há uns que têm mais peso politico perante os eleitores do que outros. Ou seja, há claramente uma diferença substancial do peso dos apoios entre Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. E não é a favor da candidata.
6) Por mais voltas que dê, Maria de Belém veio objetivamente dividir o campo socialista nesta matéria, tanto mais que se conhecem há muito uma série de sinais de que o líder do PS iria apoiar Sampaio da Nóvoa. Que outra pessoa do campo socialista mas não militante do PS apresente a sua candidatura aceita-se sem reservas. Que isso seja feito por alguém que participa nas reuniões na sede do partido no Rato já é menos compreensível – e não é seguramente inocente. Quem desafia a linha oficiosa do partido não merece seguramente ser apoiada por ele, pelo menos enquanto for António Costa o secretário-geral do PS.
7) Finalmente, o atual PS não pode apoiar Maria de Belém porque, no fundo, ela está a apostar (mesmo que não deliberadamente, mesmo que não conscientemente) na derrota dos socialistas nas legislativas e na substituição de António Costa – pela única e simples razão de saber que, com Costa, não terá nem, cargos, nem prebendas, nem sinecuras nos próximos anos se este chegar a primeiro-ministro. O regresso de Seguro é o seu seguro de vida política futura. Maria de Belém está a trabalhar para isso.»

O hábito que reage
(Daniel Oliveira, in Expresso, 22ago2015)
«A forte presença de pessoas ligadas a grupos de interesses privados habituados a viver paredes-meias com o poder político é sintomática. Assim como é sintomática a relação que a candidata teve com estes interesses enquanto era deputada, mantendo avenças eticamente inconciliáveis com as suas funções. Não digo que estas pessoas esperem que um futuro presidente lhes dê o que não pode dar. Digo que estão, tal como os pequenos poderes partidários, habituados a uma determinada forma de fazer política. A reação epidérmica a um candidato externo ao partido e a escolha de quem tem como única vantagem competitiva a sua ligação umbilical ao aparelho são manifestações desse hábito.» 

As forças ocultas do PS
(Baptista Bastos, in Jornal de Negócios, 14ago2015)
«A apresentação de Maria de Belém como putativa candidata à Presidência da República, apoiada pelo PS, abre uma cisão naquele partido, semelhante àquela que opôs Manuel Alegre a Mário Soares, e empurrou o dr. Cavaco para as mais altas funções do Estado. Com os resultados dramaticamente conhecidos. A ambiguidade do comportamento socialista só se explica pela correlação de forças naquele partido, e pela cedência de António Costa à ala mais conservadora, que parece ser dominante em força e em poder.
Há qualquer coisa de suicidário nas ocorrências registadas no PS nas duas últimas semanas. A negligência nos cartazes, além das frases, ocas e compridas, com módico impacto público; e, agora, esta designação embrulhada, sem elegância nem grandeza, que impugna, afinal, a candidatura de Sampaio da Nóvoa. O PS, assim, demonstra uma indecisão ou uma dicotomia larvar, oposta e, até, antagónica da coesão exigida a uma organização daquela natureza. E não me venham com a conversa de o PS ser um partido “plural”, que mantém opiniões diversas.
Sampaio da Nóvoa congregou, em torno da sua candidatura, três ex-Presidentes da República, além de alguns dos nomes mais prestigiosos e respeitados da sociedade actual. O que incomodou alguns “socialistas” com ouvidos meigos foi a clareza meridiana com que o antigo reitor disse ao que vinha, e que colide, fortemente, com a mansuetude calculada da vida portuguesa.»

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Madrid-Lisboa por rio?

  • Foi você que se sentou numa esplanada e pediu um refrigerante com palhinha? Para a próxima, pense duas vezes. Uma tartaruga pode acabar ingerindo essa palhinha e acabar por sofrer imenso. Aliás, deixe de beber refrigerantes com palhinha ou em copos de plástico. O mar, os animais marinhos agradecem.
  • E que tal fazer Madrid-Lisboa por rio? Antonio de la Rosa fê-lo em 19 dias. Os 911 Km entre Buitrago de Lozoya e a Praça do Comércio foram feitos em cima de de uma prancha de surf e com um remo. O que mais o chocou foi a contaminação das águas do rio, sobretudo em Castilla-La Mancha e o reduzido caudal em algumas partes do percurso. El País.
  • Depois dos espanhóis, são filipinos, ao serviço de espanhóis que descarregam e trasfegam tubarões na Horta. Tudo por causa das barbatanas, que acabam em restaurantes europeus. Sim, o mercado asiático erodiu. Agora o mercado são os restaurtantes espanhóis, italianos, franceses, alemães, ingleses e romenos. A maioria dos tubarões até vêm da Terra Nova, e cada vez mais pequenos. Shark Project.
  • Líderes ambientais e religiosos islâmicos pediram aos países ricos e nações produtoras de petróleo para acabar com o uso de combustíveis fósseis até 2050. Tal como a encíclica papal, a Declaração apela aos países ricos para que reconheçam a sua «obrigação moral de reduzir o consumo para que os pobres beneficiem dos recursos não renováveis da Terra». BBC.


Reflexão – cuidado com a RNAi


Já imaginou cortar uma maçã às fatias e elas não escurecerem com o passar do tempo? A tecnologia RNAi permite isso. O ministério da Agricultura e da Alimentação dos EUA já aprovou as licenças para a comercialização destesnovos tipos de de maçãs transgénicas apesar de várias preocupações manifestadas por investigadores e que ainda estão a ser analisadas pelo ministério do Ambiente. Os transgénicos tradicionais foram alterados através de manipulação genética - uma técnica que geralmente adiciona uma nova sequência genética de DNA da planta. Mas estes transgéncios RNAi não revelam quaisquer novos genes. Em vez disso, eles foram criados por desligar ou ‘suprimir’ determinados genes pré-existentes nos vegetais e frutas.
A RNAi não é novidade. Já nos anos 1990s  tinha sido utilizada na indústria alimentar e na biotecnologia para alterar certas frutas e vegetais, para retardar o amadurecimento numa variedade de tomate transgénico, para aumentar a produção de uma soja de ácidos graxos monoinsaturados saudável, e para fornecer feijão, a ameixa Europeia, e a imunidade papaia havaiana de vírus de plantas.
Esta tecnologia tem mãozinha de um luso descendente: Craig Mello, neto de emigrantes açorianos, biólogo, prémio Nobel 2006, cunhou o termo RNAi com Andrew Fire em 1998. 
Nessa altura, pensava-se que a tecnologia seria utilizada principalmente na investigação biomédica para desenvolver tratamentos para infecções virais, doenças cardiovasculares, cancro e outras problemas médicas (por exemplo, desligando genes-chave em patógenos ou silenciando um gene que causava níveis altos de colesterol no sangue etc). Posteriormente, esta tecnologia foi desenvolvida para combater pragas.
A gigante Monsanto apareceu com o milho transgénico SmartStax Pro, MON 87411, com esta tecnologia, armado de uma arma contra a diabrótica, um inseto que dizima culturas de milho. Ao comer esse milho transgénico, a diabrótica ficaria sem o Snf7, um gene essencial para a sua sobrevivência. O MON 87411 pode matar insetos, mas que impactos terá sobre setos bons que venham a ingerir esse milho transgénico? Que impactos haverá sobre o ambiente e a saúde humana? Essas são as questões que o ministérrio do Ambiente dos EUA deverá ponderar. A poderosa Monsanto já veio garantir que as moléculas RNAi não entram na corrente sanguínea pois são destruídas no ambiente ácido dos intestinos. Mas em 2011, investigadores da universidade chinesa de Nanking, descobriram que moléculas microscópicas de RNA inseridas em arroz e outras plantas tinham sido detetadas nas correntes sanguínjeas de ratos e de pessoas. Pior: essas moléculas tinham suprimido genes que reduziam o nível de cholesterol no fígado, efeito que poderia potenciar a subida dos níveis de colesterol no sangue e contribuir para doenças cardíacas. A idênticas conclusões chegou Vicki Vance, professora de biologia da University of South Carolina, pelo que recomendava muita cautela, apesar de ser publicamente defensora dos transgénicos. O prémio das suas revelações foi sido irradiada de comunicações científicas sobre segurança biológica e transgénicos. EIJ.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Algarve livre de petróleo


«O Governo português concedeu direitos de prospecção, pesquisa, desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) em terra e no oceano ao largo da costa algarvia, nomeadamente a escassos quilómetros do Sítio da Rede Natura 2000, Ria Formosa_Castro Marim e da ZPE (zona especial de proteção) da Ria Formosa, Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. A prospecção e pesquisa tem sido realizada sem qualquer tipo de avaliação ambiental, que seja do conhecimento público, e todo o processo tem sido conduzido de forma que não se nos afigura transparente, não nos tendo sido fornecidas as informações já requeridas em matéria ambiental.
Vemos com muita apreensão o futuro do Algarve tendo em conta os possíveis impactos que uma medida destas pode ter numa região com uma elevada dependência do turismo e do mar, com uma elevadíssima biodiversidade, sendo mais de 35% do seu território protegido por convenções e legislação da União Europeia e de Portugal.» Assine a petição aqui.

Atlântico Expresso 17ago2015.

De facto, algo de comum está a acontecer em duas cidades da costa sul de S. Miguel, Lagoa e Vila Franca.

Tianjin foi uma de 14...

  • É você que pensa que a explosão química de Tianjin foi horrorosa? Então fique sabendo que, só este ano, a China foi palco de 13 outras explosões em Jiangsu, Fujian e Shandong. Tudo resultado de anos de negligência em relação à aplicação de políticas relacionadas com químicos perigosos, sublinha a Greenpeace.
  • Quer saber quanta energia solar poderá produzir se instalar paineis na sua casa? A Google disponibilizou uma aplicação que pondera fatores como a orientação do telhado, as sombras de árvores e de prédios vizinhos e as condições climáticas locais. Por enquanto só para San Francisco, Boston e Fresno. EDIE.

Mão pesada

  • Um indivíduo de Darlington foi multado em 350 mil libras por gestão ilegal de resíduos. GovUK.
  • 16 empresas foram multadas em 14 milhões de dólares por contaminação de solos no Central Chemical Superfund, em Hagerstown, Maryland. SEJ.