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Praias sem fim, montanhas majestosas e aldeias com casas multicoloridas: Cabo Verde tornou-se um dos novos destinos mais procurados pelos influenciadores das redes sociais. Aqui, os turistas podem desfrutar de uma semana numa estância com tudo incluído por apenas 700 euros, incluindo as viagens.
Mas praticamente nada disto beneficia a ilha. De facto, a falta de oportunidades, aliada a uma seca severa, faz com que algumas mulheres tenham de recorrer ao roubo de areia do fundo do mar para sobreviver.
As ilhas estão na linha da frente do aquecimento global. Nos últimos sete anos, quase não choveu. Enquanto os turistas desfrutam de inúmeras piscinas enormes e não se apercebem da crise, as famílias de Cabo Verde estão limitadas a alguns recipientes de 25 litros de água por dia. Todos os alimentos e provisões para os hotéis são importados de onde quer que sejam mais baratos, não trazendo qualquer benefício para a economia local. Os rejeitos da dessalinizadora afastam os peixes e é um sorvedouro de energia conseguida através da queima de gasóleo.
Em muitas das praias da ilha, a areia desapareceu completamente. Tudo o que resta são praias repletas de seixos. Durante anos, as mulheres da Ribeira da Barca roubaram areia para vender à indústria da construção. Recolheram toda a areia que cobria a praia há muito tempo. Agora têm de a ir buscar ao fundo do mar. Os ladrões de areia atuam na maré baixa. Estas mulheres transportam nada menos do que 50 quilos de areia à cabeça em cada viagem. A maior parte delas não sabe nadar, pelo que, de cada vez que entram no mar, estão a arriscar a vida. Para isso, recebem cerca de 10 euros por semana.
Além de tudo isto, a ilha de Santa Luzia atrai imenso lixo transportado pelas correntes marítimas.
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