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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Dinheiro público financia música ruidosa e descarte de copos de plástico


O Ministro do Ambiente de Pedro Matos Fernandes aprovou o financiamento de dezenas de contratos no âmbito do programa Sê-lo Verde, do Fundo Ambiental, que incluem, entre outros eventos, os grandes festivais de música NOS Alive, Vodafone Paredes de Coura, NOS Primavera Sound, EDP Vilar de Mouros, NeoPop, Gerês Rock Fest, Vagos Metal Fest e MEO Marés Vivas.
Segundo a página do ministério do Ambiente, «o Programa Sê-Lo Verde tem como objetivo incentivar a adoção de boas-práticas ambientais, inovadoras e com impacto ambiental, social e económico em eventos de grande dimensão, através do financiamento de medidas que tenham como metas incentivar a adoção de critérios ambientais que contribuam para uma redução de impactes e promovam o uso eficiente de recursos materiais e energéticos; incentivar a adoção de abordagens inovadoras, como sejam, novas tecnologias, integração de renováveis, fomento à economia colaborativa, conceção ecológica; contribuir para a educação e sensibilização ambiental dos grupos de interesse envolvidos – promotores, marcas, municípios, espectadores e comércio local adjacente.»

Os festivais acima referidos são, comprovadamente, um foco de enorme poluição. Por um lado poluição auditiva, com as potentes colunas de som debitando altos níveis de decibéis que não só fazem estremecer o solo como ensurdecem os festivaleiros e, quando se prolongam pela madrugada, impedem as populações vizinhas de repousar e dormir. Por outro, poluição de resíduos plásticos, uma vez que as cervejeiras, principais interessadas no negócio, servem as bebidas em copos de plástico descartáveis onde está impresso o nome da marca da bebida principal.
Como não acredito que fiscais da Inspeção Geral do Ambiente sejam colocados no terreno para monitorizar o ruído produzido, sou levado a acreditar que estas verbas servem dois objetivos muito concretos: por um lado, emprestam um ar jovem ao ministério e, por outro, esverdeiam os impactos negativos deste tipo de festivais. 
Servem ainda estes subsídios pretensamente ambientais para pagar umas migalhas a jovens em férias para, com camisola e boné exibindo o nome dos patrocinadores, distribuírem papelinhos com prosa bonita esverdeando o espetáculo poluidor e recolherem as montanhas de copos de plástico descartados.
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