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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Bico calado

  • «(…) Compreendo o interesse perante um protesto anónimo, tenho mais dificuldade em compreender a confusão entre informação e mera divulgação. Para a divulgar sem filtro os jornalistas não são precisos. (…) A comunicação social não tem de ser cúmplice desse anonimato. Quando foi o “Que se Lixe a Troika” havia signatários do manifesto inicial e eles foram, com toda a legitimidade, escrutinados. Os jornalistas quiseram saber, e bem, quem eles eram e que filiações políticas tinham.  (…) O que eu esperava que os jornalistas me dessem não era horários, locais de encontro e manifestos colados com cuspo. É o que eles não queriam que eu soubesse: quem esteve a preparar um movimento. (…) Durante uma semana, a comunicação social fez muito menos do que informar. Promoveu e convocou uma manifestação sem identificar os seus autores e sem ter a menor ideia da sua real dimensão. Nunca, que me recorde, qualquer manifestação teve esta cobertura antes de acontecer. Incluído manifestações que tiveram centenas de milhares de pessoas. Sempre com promotores conhecidos. (…) O que eu esperava que os jornalistas me dessem não é o que estes grupos anónimos me davam nas redes sociais: horários e locais de encontro, manifestos colados com cuspo. É o que eles não queriam que eu soubesse: quem esteve a preparar este movimento e porquê. Isso é que é jornalismo. Sobretudo quando não há um rastilho claro que explique o nascimento do protesto. (…) Os próximos movimentos já sabem como ganhar o interesse da comunicação social: quanto menos transparentes forem mais atenção terão. Não de jornalistas que lhes queiram retirar a opacidade, mas de jornalistas que colaborem ativamente com ela. Basta qualquer partido ou movimento radical esconder-se atrás de um falso movimento inorgânico e logo terá a ajuda de uma imprensa demasiado sedenta de mistério e modernidade para se atrever a fazer perguntas. Terão promoção gratuita. E, um belo dia, um dos jornalistas que fez esta triste figura vai perguntar, ao ver um Bolsonaro ou um Trump no poder: “Como raio chegámos aqui”? Nunca se lembrará do dia em que desistiu de ser desconfiado.» Daniel Oliveira, in Expresso 21dez2018.
  • «(…) Há, igualmente, coincidências que não passam despercebidas: a instrumentalização dos enfermeiros numa altura em que os interesses privados e das misericórdias arriscam ser beliscados por uma Lei de Bases da Saúde, que possa impor a complementaridade e a subordinação da sua «contribuição», em vez do seu carácter supletivo, que tanto agrada a Marcelo por deixar tudo exatamente na mesma, ou seja na contínua sangria de recursos do SNS para encher os bolsos dos que fazem obsceno negócio. Ou ainda as reivindicações dos caciques dos bombeiros voluntários que, não só querem evitar verem-se marginalizados do lucrativo fornecimento dos meios de combate a incêndios como se querem livrar de quem lhes possa auditar as contas. É porque tais argumentos podem e devem ser utilizados no momento certo mostrando aos portugueses o que está verdadeiramente em causa, que não me assustam as greves e muito menos a muralha intransponível, com que o governo as enfrenta. À exceção da luta dos estivadores de Setúbal, que tinha fundamento para se considerar justificada, todas as demais não encontram resposta assertiva do governo, que mantém o princípio de optar por dar mais a muitos, mas considera irresponsável dar tudo a todos. (…)» Jorge Rocha, in Ventos Semeados.
  • A Der Spiegel admitiu que um dos seus jornalistas e editor, distinguido com vários prémios, inventou histórias e personagens em reportagens publicadas naquele que é um dos meios mais influentes da Alemanha e de maior difusão na Europa, conta o DN. O The Guardian também conta a mesma estória, mas ainda não pediu desculpas pelo artigo que Luke Harding fabricou sobre as visitas de Manafort a Assange na Embaixada do Equador em Londres e ainda não o despediu.
  • A Estónia prendeu 10 ex-funcionários da filial local do Danske Bank no âmbito de uma investigação internacional sobre alegada lavagem de dinheiro envolvendo a Geórgia e o Azerbaijão. EUObserver.
  • Os israelitas arrancaram 100 árvores de fruto de agricultores palestinianos em Tarqumiya, uma localidade no sul da zona ocupada de Hebron. MEM.
  • Afinal, os amigos do Trump sempre podem cotizar-se para pagar o famigerado muro na fronteira dos EUA com o México, conta o mui insuspeito Daily Mail.
  • O governo de Trudeau aprovou um pacote de benefícios fiscais de 1,6 biliões de dólares às petrolíferas, conta a Global News. Já em outubro de 2017 o Guardian dizia que as gigantes petrolíferas pagavam muito mais biliões a países em desenvolvimento do que ao Canadá.
  • A Confederation Mapuche de Neuquén, Argentina, apresentou uma queixa criminal contra a Pan American, filial da BP, a Exxon e a Total por despejo ilegal de resíduos de fraturação hidráulica no ambiente sensível da Patagónia. DeSmogUK.
  • Coca-Cola é investigada por esquema bilionário para não pagar impostos, titula o Intercept.
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