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quinta-feira, 15 de março de 2018

Bico calado

  • «(…) A curiosidade do Congresso do CDS está mais nas semelhanças com o passado do que na visão de futuro, se acaso a tem. Nuno Melo, que ignora os assassínios do padre Max e Maria de Lurdes e imagina o ELP e o MDLP criações patrióticas, foi o trauliteiro de serviço. O autor do voto de pesar pela AR, na morte do incorrigível salazarista, cónego Melo, revelou à saciedade quais são os seus ídolos e fontes de inspiração. Assunção Cristas, para lá da euforia incontrolável que a tomou, da sedução pela beleza das touradas e da exploração mórbida da tragédia dos incêndios, limitou-se a aproveitar a divisão do PSD e a repetir no 27.º Congresso do CDS slogans de sabor salazarista: “[O CDS] ...sabe o que quer e sabe para onde vai” (Assunção Cristas, 11-03-2018) [«Sei muito bem o que quero e para onde vou» (Salazar, 1928)].(…)» Carlos Esperança, FB.
  • «(…) O problema com Passos Coelho não é de natureza legal, pois a figura do convite existe para obviar à necessidade de contratar professores fora da carreira universitária. Mas é de moral. De facto, fazendo parte da escola pública, o ISCSP não pode deixar de reger-se pelo estatuto da carreira docente universitária, que limita a contratação de professores catedráticos a doutorados com obra reconhecida, não considerando a possibilidade de aceitar licenciados com notas medíocres e sem formação reconhecida e obra publicada. É moral também porque as instituições de ensino superior portuguesas têm um grande número de doutorados ao seu serviço que não podem progredir na carreira, ou sequer passar da condição de precários, justamente porque existem limites formais ou escolhas políticas que o dificultam. É ainda de moral porque no caso em apreço é nulo o peso do prestígio científico e intelectual. Quanto muito, Passos poderia oferecer a experiência como governante em seminários ou cursos livres, de caráter técnico, que por certo interessariam alguns alunos.(…) Rui Bebiano, in Uma dupla questão de moral - Público 13mar2018.
  • «De 27 a 30 de dezembro de 2004 foi muita a azáfama de fim de ano, mas mesmo assim notou-se, no balcão do BES da Rua do Comércio, que os funcionários do CDS vinham com minutos de intervalo, um atrás do outro. Cada um depositava uma quantia inferior a 12500 euros, o limiar para a comunicação às autoridades, e voltava. Fizeram assim 105 depósitos, num total de mais de um milhão de euros. Para justificar a operação foram passados 4216 recibos e foi aí que apareceu o notório Jacinto Capelo Leite Rego, logo chamado Capelo Jacinto Rego Leite, coisas da imaginação. O Ministério Público acusou o tesoureiro e três funcionários, argumentava que este milhão pagava a autorização dada ao Grupo Espírito Santo para uma operação imobiliária no Ribatejo, e extraiu certidão para outra investigação sobre os submarinos. O Tribunal da Relação entendeu que não havia prova, assunto encerrado. De facto, a lei não permite o financiamento de partidos por empresas. Mas, por vezes, o escrutínio sempre atento das autoridades de contas, honra lhes seja feita, é contornado por subterfúgios. A página semanal de publicidade do CDS no Correio da Manhã, publicada desde outubro de 2016, é o caso mais surpreendente. Foi uma opção arriscada, por colocar no centro da operação a própria presidente do partido. Assunção Cristas, dentro da linha editorial do jornal, é certamente uma cronista bem escolhida. Seria interessante conhecer a opinião dela sobre temas relevantes, Trump ou as eleições italianas, o emprego, a saúde, os grandes debates. Mas o que Cristas assina todas as semanas é uma exposição cândida sobre a agenda do partido, as suas reuniões, os comícios convocados ou as leis que apresenta. Inclui também a sua ida a espetáculos e eventos sociais, com uma tocante profusão de fotos de si própria: nas últimas seis semanas, foram 14 e já chegou a publicar cinco numa página. (…) Isto chama-se publicidade, que pena não ser um comentário argumentado para ajudar ao debate público. Só que a publicidade tem um preço. No Correio da Manhã, é 15.070 euros por página, mais IVA. Assim, ao chegar às eleições de 2019, Cristas terá recebido o favor de 2,351 milhões de euros em publicidade não paga, mais os 541 mil euros de IVA que poupou, num total de 2,892 milhões. Não sei se a decisão partiu da Altri, a gigante da pasta de papel que é proprietária do jornal e que conhece bem a ex-ministra, que se destacou enquanto esteve no governo pela proteção ao setor dos eucaliptos, ou da direção do Correio da Manhã. Mas que todos trocaram publicidade mal disfarçada pela oportunidade de um debate interessante, isso é facto.» Francisco Louçã, in Um milhão por ano: uma empresa generosa para o CDS - Expresso 10mar2018, via FB.
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