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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

REFLEXÃO

PORTUGAL PODE VIR A SOMAR MAIS 44 CENTROS DE DADOS AOS 46 JÁ EXISTENTES: QUERCUS PEDE TRAVÃO E TRANSPARÊNCIA AO GOVERNO


A Quercus alerta que Portugal pode passar dos atuais 46 centros de dados para 90, com 44 novos projetos em análise (quatro de grande dimensão), e pede ao Governo de Luís Montenegro que trave o avanço até estarem garantidas condições de sustentabilidade. A associação critica a inversão de prioridades: primeiro foi lançado o Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD), que promove o país como destino atrativo, e só depois se começam a preparar as bases legais de proteção.

Os principais riscos ambientais e socioeconómicos apontados são a água (elevado consumo e potencial contaminação dos recursos hídricos), a energia (consumo muito elevado que pode inflacionar as tarifas para as comunidades locais, como já aconteceu na Irlanda e nos Países Baixos), a pressão sobre solos agrícolas e florestais, a alteração da paisagem, o abate de floresta autóctone e destruição de habitats, mesmo quando alimentados por renováveis, a poluição sonora e o aumento significativo da temperatura local devido ao calor emitido pelo sistema de arrefecimento por evaporação e ainda o facto de os gases com efeito de estufa associados aos centros de dados serem 57% mais elevados do que se pensava.

A Quercus propõe a adoção imediata de medidas vinculativas, entre as quais (1) privilegiar sistemas de refrigeração sem evaporação (circuito fechado ou extração de humidade com MOFs), reutilização de águas e uso de água reciclada, e escolha de locais com maior disponibilidade hídrica e clima favorável, (2) recurso a renováveis próprias em infraestrutura já artificializada, (3) compromisso dos promotores de pagar um mínimo de capacidade de rede durante 10 a 15 anos, para que o custo de reforço não onere as famílias, (4) contribuição anual para um fundo local proporcional ao consumo de energia, (5) reforço da rede elétrica suportado pelo promotor, (6) compensações ambientais com comunidades e ONG, (7) disponibilização de capacidade de computação a universidades, startups e serviços públicos e (8) caução para desmantelamento e reposição do local.

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