BP TENTA TRUQUES PARA IMPOR CENTRAL FOTOVOLTAICA EM CASTELO BRANCO
- A consulta pública da mega-central Sophia teve 12 693 participações com apenas 123 favoráveis ao projecto. O parecer negativo fundamenta-se na fraca compatibilidade do projeto com os princípios da sustentabilidade ambiental, do ordenamento do território e da justiça territorial, bem como uma desproporção entre os benefícios energéticos expectáveis e a magnitude, extensão e dos impactes cumulativos identificados.
- A apropriação abusiva do nome da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen denota uma chocante falta de respeito. Trata-se de uma técnica antiga, que consiste em vestir um empreendimento económico com a roupagem afetiva de um imaginário coletivo para que a simpatia dedicada ao símbolo se transfira, por contiguidade, ao projeto.
- A presença do apresentador Jorge Gabriel para as sessões de apresentação do projeto desloca o foco das sessões – de cariz supostamente técnico e científico – para o espetáculo televisivo de entretenimento apelando ao afeto e à emoção, inibindo a razão e o pensamento crítico.
- Em relação à Luz Partilhada (LP) a Quercus considera que se trata de um novo negócio disfarçado de compensação às populações, o que pode criar condições para instalar novas centrais que escapam à Avaliação de Impacto Ambiental. Se não, vejamos: operacionalizada pela Enermatch e financiada pela LBP, esta iniciativa promete energia elétrica a baixo custo que virá de uma Comunidade de Energia Renovável (CER). Esta terá por base novas centrais a instalar em Idanha-a-Nova, Penamacor e Fundão, com dimensão e localização ainda desconhecidas. A Enermatch não tem projetos de CER em Portugal , onde opera desde Junho de 2026 na área do desenvolvimento de software. Mas, mesmo sem experiência registada nesta área, vai assumir a função de Entidade Gestora do Autoconsumo Coletivo (EGAC). Ora esta entidade é o coração da CER, assumindo a responsabilidade jurídica, operacional e financeira em nome dos consumidores que agrega. Estes irão celebrar um contrato, com duração desconhecida, com a Enermatch mas mantendo o contrato com o comercializador anterior (p. ex. EDP, Endesa, etc). Ou seja, passarão a ter dois contratos de energia elétrica a troco de uma poupança mensal insignificante e com a probabilidade de um acréscimo de custo. Esta reformulação, ao contrário do que a LBP afirma e é público, não surgiu de um “processo de escuta ativa realizado no território, que envolveu cidadãos, autarquias, associações, entidades públicas e outros interlocutores locais” e merece novamente 12.570 NÃOS.
- O projeto reformulado será apreciado em nova consulta pública e durante apenas 10 dias.
Para uma ideia sumária do que é a BP, veja este video: BP, um legado de ganância, escândalos, desastres ambientais e lavagem verde.
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