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sábado, 1 de agosto de 2026

GERÊS: VOLTA A PORTUGAL NÃO PODE ENTRAR


A Lei é clara para áreas de proteção parcial de tipo I, onde se define no artigo 14 do Plano de Ordenamento o que se pode e o que não se pode fazer: a atividade humana está estritamente limitada a fins científicos, ambientais, de manutenção, de gestão de ecossistemas e ao uso tradicional pela população local, como o pastoreio extensivo ou o trânsito de residentes. As atividades de visitação e turismo são permitidas apenas em caminhos ou estradas autorizados.

A organização da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta pediu um parecer ao Instituto da Conservação da Natureza (ICNF) em relação a uma passagem pelo Parque da Peneda-Gerês.

"Eu lamento que, periodicamente, haja tentativas de utilizar o parque para eventos, sejam desportivos, ou industriais, como aconteceu no ano passado, com a questão do grande parque eólico no coração do Gerês”, afirma Miguel Dantas da Gama do Conselho Estratégico do Parque Natural da Peneda-Gerês. “Estamos a falar do melhor que temos em termos de conservação natural, de património natural. Não passa pela cabeça de ninguém fazer-se aquilo em relação a outro tipo de património, nomeadamente histórico ou arquitetónico, no Gerês, ou noutro património natural, é sistematicamente ignorado." continua.

Miguel Dantas da Gama critica ainda as declarações do presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, Manuel Tibo, que disse não ter percebido a polémica da questão, lembrando que a via é utilizada diariamente por carros e motas.

"Não podemos justificar um mal com outro mal existente. Lamentavelmente, essa zona é submetida a uma pressão principalmente nesta altura, porque as pessoas querem aceder às chamadas piscinas naturais, afirma Miguel Dantas da Gama. “ Eu lamento que a autarquia justifique uma iniciativa alegando outra realidade que também é negativa. Portanto, a questão devia passar por resolver essa pressão que existe na circulação exagerada de viaturas motorizadas numa zona especialmente sensível do parque e não justificar uma nova iniciativa e abrir um precedente grave", afirma.

Caso se concretize a passagem da Volta a Portugal pela Mata de Albergaria, Miguel Dantas da Gama admite avançar para a Justiça. Fonte.

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