Newsletter: Receba notificações por email de novos textos publicados:

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

LEITURAS MARGINAIS

COMO ISRAEL SE TORNOU UM REFÚGIO PARA VIGARISTAS, CRIMINOSOS E PEDÓFILOS INTERNACIONAIS
NATE BEAR, Substack. Rev. O’Lima.

Israel acolhe milhares de criminosos internacionais acusados ou condenados noutro país por terem cometido uma grande variedade de crimes. Muitos destes indivíduos têm dupla nacionalidade e têm aproveitado a sua capacidade de circular livremente entre Israel e o país onde possuem a segunda nacionalidade para cometer crimes e, em alguns casos, fugir à justiça. A dimensão da criminalidade e o volume de casos (em relação à população de Israel) são surpreendentes.

Fui levado a investigar este assunto depois de descobrir que Timur Mindicho principal beneficiário financeiro da fabricante ucraniana de drones Fire Point, fugiu para Israel em 2025, poucos dias antes de ser acusado de ser o mentor de um esquema de desvio de fundos no valor de 100 milhões de dólares envolvendo a empresa estatal ucraniana de energia nuclear. Mindich é também co-proprietário da Kvartal 95 Studio, a produtora fundada por Volodymyr Zelensky. Mindich, tal como muitos dos casos mencionados neste artigo, tirou partido da controversa Lei do Regresso de Israel, que permite a qualquer judeu no mundo reivindicar a cidadania israelita sem ter de renunciar ao passaporte do seu país de origem. (...)

Ainda no que diz respeito à Ucrânia e aos pedidos de extradição recusados, temos Oleksandr Dubileto antigo presidente do conselho de administração do PrivatBank ucraniano. Dubilet encontra-se atualmente foragido em Israel e é alvo de múltiplas investigações criminais e pedidos de extradição pelo seu papel no desvio de, pelo menos, 100 milhões de dólares na sequência da privatização do PrivatBank em 2016. Até à data, Israel recusou-se a extraditá-lo.

Israel como refúgio para vigaristas financeiros é um tema recorrente. Um dos casos de fraude mais significativos nos últimos anos envolveu mais de 150 israelitas (alguns com dupla nacionalidade norte-americana e israelita, outros não), procurados pelo seu papel na realização de uma fraude com opções binárias no valor de mais de 100 mil milhões de dólares. As opções binárias são um tipo de aposta financeira em que o resultado é essencialmente «tudo ou nada». Em vez de comprar uma ação ou uma moeda, aposta-se se o preço de uma ação ou moeda estará acima ou abaixo de um determinado nível num momento específico. Embora não seja ilegal, as empresas israelitas foram acusadas de manipular preços e prazos de vencimento, bem como de utilizar identidades falsas.

Durante uma década, até 2017, Israel foi o centro global da indústria das opções binárias online. A polícia israelita não investigou o caso, pelo que centenas de processos foram instaurados nos tribunais israelitas por pessoas de dezenas de países que tinham sido vítimas de fraude.

Uma das vigaristas mais notórias foi Lee Elbazdiretora executiva da Yukom Communications, com dupla nacionalidade norte-americana e israelita. Foi detida em 2017, quando se encontrava de férias em Nova Iorque, e acabou por ser condenada por fraude eletrónica, tendo-lhe sido aplicada uma pena de 22 anos de prisão.

Outros importantes intervenientes israelitas no negócio da fraude com opções binárias foram Yossi Herzog e Yakov Cohen, ambos ligados à Yukom e a outras empresas de fachada do setor das opções binárias. Foram acusados de uma fraude no valor de 140 milhões de dólares em 2019mas, apesar de estarem sob investigação criminal do Departamento de Justiça dos EUA, este país optou por não solicitar a sua extradição, enquanto outros co-conspiradores israelitas no caso Yukom se juntaram a Elbaz no cumprimento de penas de prisão.

Outros figurões israelitas no setor das opções binárias incluem Ran Amiran e Malhaz Patarkazishvilitambém conhecido como Pini Peter. Foram acusados de fraude no valor de 100 milhões de dólares devido ao seu papel na gestão da Spot Option, uma empresa de negociação de opções fraudulenta. Como se tratava de um processo civil e o Departamento de Justiça dos EUA não estava envolvido, não eram passíveis de extradição de Israel e continuam a residir nesse país. Soube-se em 2021 que Amiran tinha chegado a um acordo financeiro com a SEC relativamente aos danos, provavelmente para poder voltar a viajar para os EUA. Peter, um amigo de Netanyahu, continua impenitenteapesar de ter sido condenado a pagar 87 milhões de dólares ao governo dos EUA, sentença contra a qual interpôs recurso.

centenas de outras pessoas ligadas a Israel acusadas de fraude com opções binárias identificadas no site da SEC, incluindo os cidadãos com dupla nacionalidade alemã e israelita Gil e Raz Beserglik, que geriam centros de atendimento de opções binárias a partir da Alemanha para enganar as pessoas.

Outro foco de fraude israelita é o setor das mudanças, onde as empresas se fazem passar por empresas legítimas de mudanças de bens domésticos apenas para roubar pertences ou reter artigos, a menos que seja efetuado um pagamento adicional. Um dos maiores processos judiciais relacionados com «cargas reféns» foi o da Advanced Moving Systems, uma empresa gerida por israelitas que atraía clientes com orçamentos de mudança artificialmente baixos e, em seguida, os extorquia, mantendo os seus bens domésticos como reféns até que pagassem preços fraudulentamente inflacionados. Muitas das dezenas de pessoas por trás deste esquema continuam procuradas, sendo o seu atual paradeiro desconhecido. Dezenas de outros israelitas ligados a empresas de mudanças fraudulentas também continuam a monte e provavelmente fugiram para Israel. (A propósito, os israelitas detidos pelo FBI a 11 de setembro e rapidamente libertados trabalhavam para uma operação de contra-espionagem do Mossad que utilizava uma empresa de mudanças como fachada. Mas isso é outra história).

A fraude com ações de baixo valor é outra fonte lucrativa para os criminosos israelitas. Este tipo de fraude ocorre quando as ações de pequenas empresas, com cotação inferior a 5 dólares por ação, são comercializadas junto de pessoas — frequentemente idosas e desinformadas —, recorrendo a táticas de marketing de vendas agressivas, em que o operador telefónico promete rendimentos garantidos, alegando muitas vezes dispor de informação privilegiada. Um dos maiores casos dos últimos anos envolveu Sharone «Barry» Perlsteincidadã com dupla nacionalidade norte-americana e israelita, e vários cúmplices israelitas, acusados de criar pelo menos 15 empresas de fachada fraudulentas para vender milhões de dólares em ‘penny stocks’ utilizando táticas fraudulentas. Casos anteriores de fraude com ‘penny stocks’ também envolveram cidadãos israelitas.

A indústria dos diamantes também atraiu um número considerável de vigaristas israelitas. Um dos mais conhecidos é Mordechai «Moti» Ferderum joalheiro de luxo sediado na Califórnia que esteve no centro de um dos maiores escândalos de fraude na indústria joalheira norte-americana. Ferder foi acusado de manipular as contas da sua empresa para aumentar a avaliação antes de a vender a uma empresa de investimento, enquanto, na realidade, acumulava passivos no valor de centenas de milhões de dólares. Em 2025, com uma investigação do FBI em curso, Ferder fugiu da Califórnia para Tel Aviv.

Depois, há Gery Shalon, o israelita nascido na Geórgia responsável pelo ataque informático ao JP Morgan e pela maior subtração de dados de clientes de uma instituição financeira norte-americana da história.

Para além dos casos de fraude, Israel também atrai políticos que tentam proteger-se da justiça nos seus países de origem. Um dos casos mais notórios e ainda em curso é o de Tomás Zeróno antigo diretor da Agência de Investigação Criminal do México. Zerón é acusado pelas autoridades mexicanas de ter estado diretamente envolvido no rapto, tortura e provável assassinato de dezenas de estudantes universitários. Frequentemente conhecido como o rapto em massa de Iguala e considerado um dos casos mais hediondos de violação dos direitos humanos no México, em 2014, quarenta e três estudantes de esquerda foram raptados quando se dirigiam à Cidade do México para comemorar o aniversário do massacre de Tlatelolco de 1968Diz-se que Zerón tinha conhecimento ou ordenou que os estudantes fossem entregues a um cartel para serem assassinados e os seus restos mortais eliminados. Zerón fugiu para Israel e, apesar de um mandado de extradição, de um alerta vermelho da Interpol e de inúmeros pedidos do México para que fosse entregue, Israel recusou-se a fazê-lo, alegadamente como punição pelas críticas do México a Israel na ONU.

Outro diplomata mexicano que fugiu para Israel é Andrés Roemer. Anteriormente embaixador do México junto da UNESCO, com sede em Paris, e cônsul-geral do México em São Francisco, Roemer fugiu para Israel em 2021 após ter sido acusado por 61 mulheres de violação e agressão sexual. O México exigiu a sua extradição, mas ele continua em Israel.

Roemer não está sozinho. Israel é um refúgio para criminosos sexuais e pedófilos judeus que procuram esconder-se da justiça, sendo o fenómeno tão comum que até a CBS News já escreveu sobre o assunto.

Provavelmente, os nomes mais famosos associados à fuga para Israel após serem acusados de crimes sexuais são os dos realizadores de Hollywood Brett Rattner e Bryan Singer. Rattner, realizador de «Rush Hour» e bom amigo de Netanyahu, fugiu para Israel em 2023 depois de ter sido acusado por várias mulheres de conduta sexual imprópria e agressão sexual no cenário de filmagens.

Sem comentários: