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quarta-feira, 30 de abril de 2025

BICO CALADO

  • “(…) A europa, na sua decrepitude, está indefesa; basta que ocorram perturbações nas suas fontes de energia e na sua distribuição para correr um alto risco de colapsar. O que se diz da europa, diz-se de todos e cada um dos países que a conformam e são geridos desde bruxelas por burocratas não eleitos e corruptos, além de incultos e idiotas ( que acreditam na guerra e rejeitam a paz e a segurança ). A comunicação social ficou-se pelo relato picuinhas e de novela; não vai aprofundar o ocorrido. E não o pode fazer para não pôr em cheque as estruturas do capitalismo e mostrar como as colónias, que são os países pobres e submissos, estão desarmadas e indefesas. Porque a falta de energia custa caro; fala-se da soberania que foi entregue a hienas, posta nas mãos de cretinos que a gerem sujeitando-a a interesses alheios, por regra anglo-ianquis, nazis e sionistas. Ouvimos o 1º ministro, na rário, pedir calma a todos e desaparecer sem dar qualquer explicação sobre a origem do sucedido nem perspectivas para a sua resolução; era a ren que tratava do assunto e um seu administrador que dava algumas, tímidas, explicações. Imagino que o chefe do governo zarpou do microfone da rdp para ir ao lidl comprar papel higiénico aos pacotes e água natural em garrafão. Os serviços da proteção civil não foram vistos nem ouvidos, nem por sms, daquelas dos temporais; eram os bombeiros que estavam no terreno, a desenrascar. (…)” Oxisdaquestao.
  • “Nenhum dos conhecidos políticos foi a Roma para ver o Papa, claro. E mais uma vez todos eles gabaram-se disso na plataforma X. (…) aquela maltósia que finge governar os nossos destinos está convencida que a profissão deles é falar com gente que acham importante. Não sei quem lhes meteu na cabeça que governar era trocar umas larachas com seus pares. (…) Pessoalmente o que mais gostei foi de ver todos aqueles VIPS torrando dentro de suas fatiotas pretas (a de Trump era azul e Zelensky foi de t-shirt) num dia de calor infernal em Roma. Afinal Deus existe mesmo, pensei, eis um gostinho do Inferno para se irem habituando. (…)” António Gil, Turismo fúnebre: Ir a Roma e não ver o PapaSubstack.
  • “Ontem, quando tudo se apagou, as crianças invadiram o jardim em frente da minha casa. Passavam pela minha porta, de bicicleta, de skake, tagalerando, com bolas à frente dos pés, a rolar. Adultos, de todas as idades, caminhavam em direcção ao jardim e à praia. Todos os bancos de madeira tinham pessoas a olhar-se nos olhos, conversando. Vários, mais de uma dúzia, tinham livros na mão. Havia casais deitados na relva, uma mãe amamentava. Eram 4 da tarde e finalmente toda a gente tinha saído do trabalho a horas normais. E estavam desligados desse vício, dessa compulsão de alimentar as bigtechs com dados (dando likes, vendo vídeos). (…) Eu estava no aeroporto, de manhã, chegada do Canadá, quando a luz se apagou, ficámos fechados mais de uma hora no autocarro, porque as portas do aeroporto são eléctricas e porque a vigilância dos passaportes também. Decidiram, porém, fazer à mão, e depois tudo fluiu, parte da tecnologia não melhora a nossa vida, é um erro pensar isso, nem a torna mais rápida, pelo contrário, tira-nos tempo, está ao serviço da crescente vigilância do Estado e dos lucros das bigtechs. Descobrimos também que a arquitectura quase morreu – parte do aeroporto não tem luz natural, idosos cambaleavam nas escadas. E que quem não aprendeu a ler um mapa nem a casa consegue chegar. (…)” Raquel Varela, No apagão, renascemos.

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