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quarta-feira, 30 de abril de 2025

REFLEXÃO: VAMOS APRENDER ALGUMA COISA COM O APAGÃO?

  • "A lição mais clara a retirar deste episódio é a necessidade urgente de um plano de emergência sólido, atualizado e realista. Isto exige um investimento contínuo em capacidade excedentária, sistemas de reserva, resposta rápida, formação do pessoal, comunicação transparente em caso de crise e, acima de tudo, sensibilização do público. Não podemos continuar a assumir que o choque ou a confusão são a única reação natural a um apagão em massa. As sociedades maduras são aquelas que antecipam, ensaiam e sabem como responder a situações de emergência. Não basta confiar na improbabilidade de uma falha sistémica. A crescente complexidade das redes eléctricas, a interconexão internacional e o aumento das energias renováveis - mais intermitentes e menos previsíveis - exigem uma gestão dinâmica e preventiva. Os planos de emergência devem abranger tudo, desde a disponibilidade de geradores e sistemas de reserva até protocolos de comunicação claros e coordenação entre governos, empresas e o público. A resiliência não tem apenas a ver com tecnologia - tem a ver com organização e uma cultura de preparação. O apagão de abril de 2025 é um aviso sobre a vulnerabilidade das nossas sociedades hiperconectadas e um apelo para repensarmos a forma como gerimos o que é essencial. As infra-estruturas críticas não podem ser tomadas como garantidas - requerem investimento, manutenção, supervisão e, acima de tudo, a capacidade de antecipar e gerir o inesperado. Só assim podemos garantir que, quando as luzes se apagam, a escuridão não é mais do que a ausência de luz - e não um colapso de tudo aquilo de que dependemos." Enrique Dans, O corte de eletricidade em Espanha e Portugal: o verdadeiro significado da impotênciaMedium.
  • A queda da rede para 0 é um sinal de alerta que deve conduzir a um planeamento adequado da rede eléctrica. Atualmente, a liberalização do sector e da Red Eléctrica Española deixou a localização e o dimensionamento da produção renovável nas mãos do lucro e do mercado. Em vez de planear uma combinação equilibrada de energia solar, eólica, hídrica e tecnologias de armazenamento, a localização destes projectos é deixada à vontade das grandes empresas. Isto significa que, em certas regiões, a tónica é colocada na energia solar ou eólica, o que enfraquece a capacidade de resposta às flutuações no fornecimento de eletricidade. Um sistema mais descentralizado, baseado em micro-redes, poderia tornar o sistema elétrico mais resistente a este tipo de eventos. A aproximação da produção aos pontos de consumo, bem como a aposta num autoconsumo renovável que não dependa da ligação à rede, é uma prioridade. Tal não implica renunciar ao transporte de energia, uma vez que pode ser indispensável um apoio externo a estas redes. As declarações a favor da manutenção dos combustíveis fósseis como medida de segurança são inaceitáveis. Existem alternativas renováveis para garantir a continuidade dos serviços básicos, mas é necessário um debate social para determinar as utilizações prioritárias da energia e estabelecer medidas que garantam respostas a emergências a médio, curto e longo prazo. Ecologistas em Acción.

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