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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

BICO CALADO

Newscom/Alamy Live News

  • Buscas na Madeira decorrem em várias áreas do Governo e empresas. Foram detidos Avelino Farinha, presidente da construtora AFA, e Pedro Calado, presidente da Câmara Municipal do Funchal e do PSD. Em causa estará uma alegada relação suspeita entre Miguel Albuquerque e o grupo Pestana, devido à venda de uma quinta do presidente da Madeira a um fundo imobiliário com sede em Lisboa, em 2017, por 3,5 milhões de euros. Sobre Pedro Calado recaem suspeitas de favorecimento com as devidas aprovações de licenciamento camarário em troca de contrapartidas quando trabalhava no grupo AFA, que detém os hotéis Savoy. Miguel Sousa, que teve a coordenação económica do Governo de 1988 a 1992 afirma: “A partir de 2000 foi assim (…) [os do Governo de Jardim] fizeram tudo o que era pensável e impensável, o necessário e o desnecessário, o que nunca vai ser preciso, o que nunca ficou pronto nem vai ficar pronto, foi um esbanjar de recursos financeiros que não tínhamos (…) eles pegam em 15 mil milhões de euros – 15 mil milhões de euros! -, e quase metade foi dívida, e gastam-no em 10 anos. Ninguém fazia contas, toda a gente autorizava tudo, ninguém se opunha a isso (…) E pronto, a Madeira foi à bancarrota. E ainda hoje temos essa dívida.” O ex-deputado, secretário regional, entre 2015 e 2017, no primeiro Governo de Miguel Albuquerque, diz que depois de 2000 “começaram a inventar-se obras (…). Obras sem necessidade, aquela lógica das sociedades de desenvolvimento, todo aquele investimento louco que foi feito pelas sociedades de desenvolvimento (…) o problema é que esta governação social-democrata acabou por levar a que se afirmassem quatro ou cinco grupos económicos, que acabaram por acumular muito poder: Sousa, Avelino, Pestana, Trindade e Trindade/Blandy. E principalmente dois grupos […], o Luís Miguel [Sousa], com quem eu trabalhei oito anos, e o Avelino [Farinha] acho que foram os mais beneficiados da governação regional.” Filipa Ambrósio de Sousa, ECO. 'Se Miguel Albuquerque tivesse uma postura ética aproximada à de António Costa já se teria demitido para preservar a sua imagem, a do PSD e a do Governo Regional, mas é mais parecido com o PR e a PGR. Dito isto, não posso deixar de verberar a indignidade de quem avisou os jornalistas para viajaram até ao o Funchal e presenciarem a abertura do circo que a Justiça oferece nas suas investigações aos políticos. A forma e a rapidez do líder fascista a pronunciar-se causa as maiores suspeitas sobre as informações privilegiadas que parece ter. É o beneficiário do espetáculo degradante. No dia do 8.º aniversário da eleição de Marcelo para PR esta é a prenda que recebe pela forma como contribuiu para a erosão da democracia. Ele não deixou de intrigar, mas já não tem o monopólio. A PGR continua muda sobre mais uma investigação que tinha os jornalistas à espera, e não se demite, não é responsável por coisa nenhuma nem tem a noção de que enterra a democracia.' Carlos Esperança.

  • Incompetente, autocrata e sem perfil técnico suficiente. É assim que a maioria do pessoal do Banco Central Europeu avalia a sua presidente, segundo um inquérito divulgado pelo sindicato. Francesco Canepa, Reuters.
  • A rede britânica ITV estava entrevistando um palestino acompanhado de um grupo agitando uma bandeira branca para os soldados israelitas. Terminada a entrevista, um sniper israelita mata o entrevistado. Video.

Scott McKowen/Newsweek 1993

“Era exatamente isto o que os arquitetos xenófobos da Lei de Imigração de 1965 tinham tentado evitar. Afinal de contas, o congressista Michael Feighan tinha defendido que o reagrupamento familiar tivesse estatuto prioritário na atribuição de novos vistos de imigrante, porque partia do princípio de que a maioria dos americanos brancos iria mandar vir os seus familiares europeus. O congressista e os seus aliados não esperavam que os imigrantes da Ásia e da América Latina viessem juntar-se às suas famílias em tão grande número. Mas eles vieram. Subempregados no seu país, os imigrantes da Ásia, com formação e competências, também procuraram oportunidades profissionais nos Estados Unidos através da disposição sobre competências especiais da lei de 1965. As más condições económicas no México e o trabalho estável nos Estados Unidos continuaram a levar os emigrantes mexicanos para norte, quer houvesse ou não vistos suficientes. Entretanto, o crescimento económico na Europa mantinha muitos em casa. De 1971 a 1980, 18% dos imigrantes eram europeus - mas mais de 35% eram asiáticos e 44% eram das Américas. Na década seguinte, os imigrantes europeus representavam apenas 10% do total da imigração; os asiáticos constituíam mais de 37% e a imigração das Américas era superior a 49%. Além disso, um número cada vez maior de imigrantes sem documentos decidiu ficar nos Estados Unidos, uma vez que o aumento da fiscalização nas fronteiras tornava a remigração difícil e arriscada.” Erika Lee, America for Americans – a history of xenophobia in the United States. Basic Books/Hachette 2021, pp 252-253.

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