O incêndio que lavrou há uma semana em Estarreja causou consideráveis impactos nas duas micro-reservas da associação BioLiving mas foram fundamentais para proteger as populações.
A associação referiu que as chamas destruíram um pequeno viveiro florestal, com centenas de espécimes nativos que serviriam as plantações do próximo inverno, um telheiro e um armazém de alfaias e outros materiais, situado na Fonte do Cabreiro, uma das duas propriedades geridas pela associação, na freguesia de Canelas. Depois de consumirem estas áreas logísticas, localizadas numa parte limítrofe da propriedade, colada a um eucaliptal vizinho, onde o incêndio “ardeu com violência”, a associação disse que as chamas encontraram o bosque nativo plantado pela BioLiving, em março de 2016, e aí parou, depois de chamuscar as duas primeiras filas de arvoredo. “Uma segunda frente, vinda de sul, encontrou o lado oposto do mesmo bosque, que também desse lado travou as chamas, impedindo o seu alastramento para junto de casas e hortas nessa região”.
Já na Marçaneira, uma antiga área de eucaliptal que o
grupo de ambientalistas e biólogos vinha a converter para floresta nativa, as
chamas “foram travadas pelos charcos para a vida selvagem que a associação
tinha construído, pela vegetação nativa que tinha plantado, bem como pelos
carvalhos que preservavam como santuários para a vaca-loura, uma espécie
protegida de escaravelho”.
“O cenário é dantesco e desolador. No entanto, apesar dos
severos danos, de um mar de cinzas ergue-se a vegetação nativa, bombeira, que
protegeu a fauna local e evitou o pior”, observa a associação, que há muito vem
alertando para o perigo dos “extensos quilómetros de eucaliptal ininterrupto, e
maioritariamente mal gerido”, que cobrem esta região.
Para a BioLiving, este episódio demonstra claramente a importância da floresta nativa para a segurança das populações e a necessidade de uma gestão florestal pensada à escala do território e não da propriedade. Na opinião da associação, os grandes incêndios, como este, que deflagrou em Oliveira de Azeméis e alastrou a Estarreja e Albergaria, consumindo mais de 2.500 hectares de monoculturas ininterruptas, “dificilmente cessarão se não se implementarem soluções de compatibilização do ordenamento florestal industrial com a conservação e valorização dos valores naturais endógenos”.
A BioLiving diz que necessitará de ajuda para reparar os danos, adquirir as ferramentas ardidas e reconstruir o telheiro e o armazém, estruturas fundamentais para prosseguirem a sua atividade pedagógica e de intervenção para o restauro ambiental. Ainda este verão, a associação vai abrir um programa de voluntariado para dar início à reparação dos danos, que incluirão a construção de mais reservatórios de água, plantações, controlo de espécies invasoras e a reconstrução das infraestruturas, o que dependerá de apoio externo.
Lusa/Agroportal.

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