«(…) Este artigo não muda nada e até pode ajudar a compor o ramalhete, parecendo que a crise climática é só mais um dos mil temas que “acontecem” na nossa complexa sociedade que cá vai andando debaixo de uma atmosfera diferente de qualquer uma sob a qual a nossa espécie alguma vez viveu. Escrevo-o em contraposição ao bloqueio do Aeroporto de Lisboa, que vai acontecer no próximo sábado. No âmbito da acção “Em Chamas”, dia 22, às 16h vai haver uma manifestação e uma acção de desobediência civil em protesto contra a decisão suicida do governo português de expandir a aviação e construir um novo aeroporto. Eu vou participar, desobedecer, mesmo no meio desta cacofonia que diz que tudo é igualmente importante. Deixar o rumo actual seguir é atentar contra a vida de todas as sociedades e todas as gerações hoje vivas – e isso é, inequivocamente, mais importante. Vou desobedecer deliberadamente. A desobediência civil é uma táctica colectiva, assumida responsavelmente e usada com sinceridade e convicção moral. Num contexto de emergência climática e ecológica, a inação é criminosa e há uma responsabilidade histórica objectiva se não violarmos as leis que estabelecem, protegem ou amplificam o colapso do nosso contexto ambiental.»
João Camargo, Desobedecer – Expresso. Via Climaximo.

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