«(…) comecei a aprender algo sobre a indústria usbeque do
algodão. Isto é uma história espantosa. A plantação de algodão foi introduzida
no Uzbequistão pelo Rússia czarista para contrariar a queda nos fornecimentos
causada pela Guerra Civil Americana. Após 1945, houve uma enorme expansão, e o
Uzbequistão produziu 70 por cento do algodão refinado pela URSS e seus
satélites, alimentando fábricas têxteis de Lodz a Vladivostok. Actualmente, é o
quinto maior produtor mundial, e o segundo maior exportador de algodão. Os
campos de algodão são regados por um enorme canal de 40.000 milhas, com
inúmeras milhas de ramais. Estes canais são extremamente ineficientes - mais de
90 por cento da água perde-se por evaporação, e esta enorme captação de água
para o sistema de algodão usbeque é responsável por mais de 80 por cento da
perda de abastecimento para o Mar de Aral.
A industria do algodão no Uzbequistão provocou um dos
maiores desastres ambientais a nível mundial, quase fazendo desaparecer um mar.
O algodão é uma monocultura no Uzbequistão, e a maior parte das terras
cultivadas tem cultivado a mesma cultura durante mais de 50 anos consecutivos.
A rotação de culturas não é praticada. O resultado é o esgotamento total do
solo, o que exige a aplicação de milhões de toneladas de fertilizantes. Da
mesma forma, manter o algodão saudável após anos a fornecer a mesma dieta de
pragas e doenças requer a aplicação de muitos pesticidas.
Os resíduos deste vasto cocktail químico é drenado para o
Mar de Aral ou, como os rios já não o alcançam, para os leitos do que resta dos
grandes rios AmuDarya e Syr Darya, conhecidos pelos antigos como o Oxus e o
Jaxartes. O encolhimento do Mar de Aral é hoje em dia uma sopa de produtos
químicos cada vez mais concentrada, com nuvens de névoa amarela sufocante. Os níveis de doenças, e em particular a
incidência de doenças congénitas, subiram imenso no Karakalpaquistão, a
província do norte do Uzbequistão.»
Craig Murray, Murder in Samarkand – Mainstream Publishing
2007

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