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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Reflexão – Que alternativas à queima de resíduos agrícolas?


As queimadas de resíduos agrícolas prejudicam a qualidade do ar, contribuindo para o aquecimento global, e são um perigo para a saúde pública, conclui um estudo coordenado por Célia Alves e Estela Vicente e apoiado pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e pelo Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro.
Apesar dos resíduos de poda terem potencial para serem convertidos em energia, as investigadoras consideram que os altos custos de transporte e processamento, a produção intermitente e os problemas operatórios gerados durante a combustão em unidades de grande escala, tornam a sua utilização economicamente inviável. Também a presença de teores elevados de metais alcalinos nestes resíduos origina normalmente emissões elevadas de partículas e gases ácidos e a formação de incrustações e depósitos nas superfícies onde ocorre transferência de calor.
Célia Alves sugere que se devem procurar soluções alternativas de pequena escala que representem um nicho de oportunidade para as comunidades rurais. A transformação dos resíduos de poda numa opção viável para aquecimento residencial permitiria reduzir os custos energéticos, tornando estas comunidades mais autossuficientes, á semelhança do que já acontece em autarquias rurais de alguns países onde têm sido testadas e aplicadas soluções direcionadas para a produção de pellets para aquecimento doméstico. Antes da pelletização, os resíduos são primeiro lixiviados com água para remover o excesso de metais alcalinos e depois secos. O lixiviado pode ser usado para rega, uma vez que é rico em nutrientes.
«Uma outra solução desenvolvida nalguns países consiste na recolha pelos serviços municipais deste tipo de resíduos, na trituração em equipamentos adequados e no encaminhamento para centrais de compostagem, obtendo-se um material estável, rico em substâncias húmicas e nutrientes minerais para adubar e melhorar as propriedades do solo», refere.
Investiga-se e testa-se, entretanto, a hipótese de transformar a biomassa residual de atividades agrícolas em biocarvão, através do processo de pirólise lenta, e a introdução deste produto nos solos. «Para além de sequestrar CO2, aumenta a matéria orgânica e melhora a biologia do solo, a retenção de nutrientes e de água», explica Célia Alves. 


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