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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Reflexão - «As informações climáticas estão a ser privatizadas. O público ficará a perder?»


O aparecimento de serviços climáticos privados - onde as empresas vendem dados personalizados para os clientes - beneficiará todos ou apenas aqueles que podem pagar?
Em vez de se concentrar amplamente nos impactos regionais, nacionais ou globais da subida das temperaturas, os fornecedores de serviços climáticos criam dados personalizados para os responsáveis como o presidente da Câmara de uma cidade costeira, ou o CEO de uma empresa de energia.
Este ramo está a criar uma indústria de empresas de serviços climáticos que percebem o potencial de lucros imensos através da venda de dados personalizados para clientes que desejam aprender com detalhes financeiros explícitos onde e quanto a crise climática os afetarão.
Rich Sorkin, um dos líderes deste setor, considera que que pegar a ciência climática geral produzida por agências federais e transformá-la em avaliações de ameaças hiperlocais é uma maneira eficaz para as cidades, estados, empresas e investidores se prepararem melhor para a emergência climática.
Sorkin sugeriu que sua empresa climática focada no risco, Jupiter, está preparada para essta tarefa. «Acreditamos que o governo federal deveria passar esta área para o setor privado», defende. Ele pensa que o setor privado está a milhas de distância do que o setor público faz, porque o público é cauteloso e lento, enquanto o privado é rápido e inovador, pois pode contar com enormes apoios nas áreas do gás, do petróleo, dos seguros e da defesa. 
A investigadora da Universidade de Melbourne, Svenja Keele, argumenta que o crescimento deste  setor  «desloca os incentivos para a ciência climática do interesse público para a busca contínua de lucro».
Sorkin admite que uma abordagem do setor privado - pelo menos por si só - provavelmente não atenderá às necessidades dos mais vulneráveis do planeta. «Não vemos as comunidades ou países subdesenvolvidos como geradores de lucro para nós», diz. Esses tipos de projetos, diz ele, só fazem sentido financeiro através de parcerias com o governo ou com ONGs.
Geoff Dembicki, in Ensia.
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