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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Bico calado

  • Cavaco, Cristas e outros à pega no nebuloso negócio da venda do Pavilhão Atlântico a um genro muito especial. TVI24.
  • «(…) Se aceitarmos que o objectivo primário deste negócio é o lucro, ou não seria um negócio, ninguém se surpreenderá que o resultado do primeiro acto médico de uma consulta nestes hospitais seja habitualmente a realização de uma larga bateria de exames médicos, seguidos de outra consulta para os analisar – o seguro paga. Ou que o tratamento de doenças, como cancro, com recurso a medicamentos inovadores seja interrompido logo que o plafond do seguro esteja esgotado, encaminhado os doentes para o SNS, sem garantir a continuidade do tratamento e sem possibilidade de se concluir quanto à eficácia do tratamento. Ou, ainda, que o serviço de urgências tenha mais recepcionistas a atender os doentes do que médicos – especialmente em urgências menos frequentes, nas quais é necessário chamar o médico de prevenção, deitando por terra o conceito de urgência. Afinal de contas, uma urgência que acontece poucas vezes não paga o médico de serviço. E não sendo frequente, a probabilidade de alguém morrer enquanto se espera que o médico de prevenção chegue ao hospital também é baixa. Portanto, está tudo bem. É isto, não é? (…)» Manuel Cordeiro, in Os hospitais privados e a ADSE - Aventar.
  • «Nos idos de 2005, Pedro Santana Lopes apresentou-se aos eleitores para discutir o seu caótico mandato de cinco meses e meio à frente do governo com um hino no qual se dizia: “Um homem também chora/ Também deseja colo/ Precisa de carinho/ Precisa de ternura/ Precisa de um abraço/ Da própria candura”. Quase quinze anos depois, já se viu que Pedro Santana Lopes terá tudo aquilo por que então choramingou: carinho, ternura, um abraço e, sobretudo, muito muito colo. Os noticiários e os diretos deste fim-de-semana a partir do congresso do seu novo partido estão aí para o provar. Pedro Santana Lopes será levado ao colo pela comunicação social até às eleições europeias e legislativas. (…) Precisamente porque o objetivo de Pedro Santana Lopes é acrescentar zero novidade à política portuguesa, nada poderia ser mais reconfortante para uma boa parte do jornalismo português. Os humanos são seres narrativos, e os media vivem de vender aos humanos uma história (ou aos clientes que compram publicidade os minutos de atenção dos humanos que seguem essa história). É assim que as coisas são em qualquer lado do mundo. Mas em Portugal acrescenta-se um aspecto decisivo: é preciso que essa história seja sobre nada. Que não dê trabalho a escrever. Que a papinha já esteja feita. Que não seja necessário aprender novos termos, descrever novos procedimentos, falar com gente nova, comparar com o que acontece noutros países (…) Que não tenha consequências. Que não afronte interesses ou poderes estabelecidos. Que venha de um lugar com o qual os anos de habituação deram origem a boas relações. Que os seus adversários estejam tão exangues e desorientados que não sejam capazes de reagir, de forma a que não se percam amizades nem fontes nem bons contactos nem se zanguem pessoas. Pedro Santana Lopes, neste momento, dá tudo isto. E por isso terá da comunicação social todo o colo que desejar. (…) Há cinco anos, para as eleições europeias, a cobertura da campanha eleitoral foi estritamente zero, porque as televisões não estiveram interessadas em cumprir o espírito da lei que dava igualdade de cobertura a todas as candidaturas. Assim sendo, cumpriram a letra da lei: toda a gente teve direito a zero debates entre os candidatos nas televisões — o que não incomoda nada os partidos estabelecidos, que têm dinheiro de todos nós para encher o país de cartazes panorâmicos, os caríssimos outdoors. A seguir, para as legislativas, os partidos parlamentares entenderam-se para mudar a lei de cobertura das campanhas eleitorais numa discreta última votação antes das férias, e assim cartelizaram não só os debates, como também as entrevistas (até em programas humorísticos houve direito a três rondas entre os partidos parlamentares, e zero comparências para partidos “emergentes”, não fossem as assessorias de imprensa dos partidos parlamentares zangar-se com os diretores de informação num momento em que a lei passara a dizer que sem partidos parlamentares não poderia haver debates televisivos). Durante este mandato, na comissão à porta fechada sobre financiamento dos partidos, os partidos parlamentares decidiram continuar a subvencionar-se generosamente para continuarem a poluir visualmente o país com os tais outdoors, em campanhas publicitárias permanentes que só bancos ou construtoras de automóveis têm capacidade financeira de imitar. Que fique claro, em mais nenhum país democrático e pluralista, de sistema proporcional e representativo, isto se passa. (…) Sendo assim, há apenas espaço mental e mediático para dois tipos de figuras. Quem já lá está. E quem sempre “andou por aí”.» Rui Tavares, in O colinho de Pedro Santana Lopes - Público 11fev2019.
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