Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Reflexão: O ar que Estarreja polui não é o ar que a autarquia respira


A Câmara Municipal de Estarreja já veio garantir a qualidade do ar que se respira no município, afirmando que os níveis de poluição atmosférica no concelho estão dentro dos parâmetros legais e que os dados mencionados no relatório da Organização Mundial de Saúde são inconclusivos. A autarquia sublinha que o valor apurado (15) está «dentro do valor limite legislado e que é de 25 microgramas, e nessa medida 40% abaixo do permitido legalmente».

Já em março de 2007,  José Eduardo de Matos, presidente da câmara de Estarreja, - o terceiro concelho mais poluído da zona centro de Portugal, com uma concentração de partículas muito elevada, muito próxima do limite legal, na ordem dos 50 microgramas por metro cúbico -, sacudia o pó do capote dizendo que estava a pagar a fatura de ter duas torres de medição do ar instaladas no concelho. 
Em abril de 2005, a autarquia de Estarreja também sublinhou as melhorias registadas no combate à poluição e descartou as críticas dos ambientalistas da associação Cegonha que consideravam esse esforço insuficiente.
Antes, em maio de 1999, perante a grave situação da poluição do ar em Estarreja, Ricardo Garcia escrevia uma reportagem, no Público, intitulada «A poluição escondida de Estarreja».

Parece que em 20 anos, Estarreja pouco ou nada evoluiu na qualidade do ar que lá se respira. Durante todo esse tempo, os responsáveis políticos parecem replicar as estratégias de relações públicas de todas as indústrias químicas lá instaladas e que, para além de disponibilizarem postos de trabalho, rendem aos cofres da autarquia verbas avultadas.
Mas o problema persiste e há que o resolver, a bem da saúde pública.
No último relatório sobre a qualidade do ar, Estarreja aparece no topo de uma lista de 15 locais em Portugal onde o nível de partículas finas inaláveis (PM2,5) ultrapassou as 10 microgramas por metro cúbico de ar, o valor máximo admissível para a Organização Mundial de Saúde.
Share:

0 comments:

Translate

Pesquisar no Ambiente Ondas3

Património

O passado do Ambiente Ondas3

Ver aqui.

Amig@s do Ambiente Ondas3

Etiquetas

Arquivo do blogue