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terça-feira, 13 de março de 2018

Reflexão – Monocultura extensiva da oliveira à volta do Alqueva mata a biodiversidade e fomenta a erosão dos solos, e os governos respondem com burocracia e cera

Imagem transplantada daqui.

A monocultura extensiva da oliveira à volta do Alqueva é tão voraz que, não saciada com a ocupação massiva de terrenos, ocupa caminhos rurais e espaços públicos destinados a zonas de lazer, desvia linhas de água, tapa ribeiras, derruba redutos e levanta obstáculos à colocação de colmeias para obter mel de abelhas. 

Em 2008, o Despacho 26873, do Ministério da Agricultura, determinou a criação de um grupo de trabalho para avaliar as consequências da proliferação do olival intensivo, designadamente ao nível dos solos. Os respetivos relatórios de 2009, 2010 e 2011 nunca foram publicados e o projeto foi descontinuado. 
Em 2017, o  Despacho n.º 2515, dos ministérios do Ambiente, da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Planeamento e das Infra-estruturas, da Economia, e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, criaram a Rede Alentejo Agronet com o objetivo de promover a cooperação científica e tecnológica para a experimentação agrícola na região.  Num anexo ao despacho, a descrição da base de partida para a programação do trabalho de investigação a realizar é pouco abonatória em relação ao aumento e às práticas associadas à intensificação do olival. São levantadas questões que «requerem investigação urgente», assim como «grandes preocupações no combate de pragas e doenças, quer ao nível económico quer ambiental». O diploma avança para a criação de «um subprograma específico» dedicado à avaliação do impacto da intensificação do olival «sobre o solo, consumo de água e diversidade biológica na região». As preocupações estendem-se ao próprio modelo de regadio, por este comportar «risco de erosão do solo e degradação da sua estrutura, particularmente tendo em atenção o relevo das áreas abrangidas pelo novo regadio, assim como a fraca estabilidade estrutural dos principais solos abrangidos». Por outro lado, a intensificação do cultivo associada ao regadio «aumenta a incorporação de fatores como os fertilizantes e os pesticidas, existindo preocupações acrescidas com a contaminação ambiental, nomeadamente a acumulação de nitratos nas águas subterrâneas e a contaminação das águas superficiais com fosfatos e pesticidas».

Passado um ano, a Rede Alentejo Agronet encontra-se em fase de consolidação e de definição do plano estratégico.

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