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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Reflexão – Do mar para o prato, ou de como o peixe que come o plástico acaba na sua mesa e na sua boca


Apontamentos de um artigo do Thew Guardian:

Os amantes de marisco comem até 11 mil fragmentos de plástico por ano, revela um estudo da universidade de Ghent, na Bélgica. Nós absorvemos menos de 1%, mas esses fragmentos vão-se acumulando no corpo ao longo do tempo. Já em agosto de 2016, estudo idêntido da universidade de Plymouth mostrava que um terço das capturas em águas territoriais britânicas, incluindo bacalhau, arinca, sarda e crustáceos, registava a presença de resíduos de plástico.
Parece que, finalmente, começamos a prestar atenção à poluição que aflige os nossos mares há anos. O governo britânico pondera o lançamento de um depósito reembolsável em garrafas de plástico, e a Johnson & Johnson substituiu as hastes de plástico das suas cotonetes por hastes de papel.

O problema é muito grave. E tudo começou com a invenção da baquelite em 1907, seguida pela criação do poliestireno, do poliéster, do PVC e do nylon. A facilidade com que se usou e deitou fora o plástico atingiu níveis insustentáveis. Em 1997, descobria-se, entre o Havaí e a Califórnia, a famigerada Great Pacific Garbage Patch, um imenso continente de resíduos de plástico flutuando no mar, visível do espaço, cobrindo, neste momento, uma área entre o Japão e a América do Norte. Já em 1999 se sabia que, nessa zona, havia 6 vezes mais plástico do que plâncton.

Os microplásticos, que variam em tamanho de 5mm a 10 nanômetros, vêm de muito lado, nomeadamente de embalagens. Aparecem também micro bolas, bolas de plástico minúsculas encontradas em alguns esfoliantes e pastas de dentes. Tal como as microfibras, - os fios de roupas sintéticas perdidas durante a lavagem e os restos de borracha dos pneus -, essas minúsculas peças de plástico não conseguem ser filtradas pelas nossas ETARs e grandes quantidades delas acabam no mar.

Mas o pior problema são os plásticos de uso único para embalagens. Não sendo biodegradáveis, fotodegradam-se pela exposição aos raios ultravioleta. São precisamente estas minúsculas partículas que parecem alimentos para algumas espécies, especialmente se se misturarem com algas.

A ideia da economia circular parece estar a ganhar terreno: é ponto assente que a indústria terá de virar-se para produtos que maximizem a reciclagem e a reutilização


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